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Salvação Não se Perde... É Eterna!!! 3ª Edição Revista e Ampliada _________ Mais de 300 argumentos pelos quais o cristão não pode perder a salvação _________ César Francisco Raymundo

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Autor César Francisco Raymundo Capa e Editoração Eletrônica César F. Raymundo

Publicado com a devida autorização e com todos os direitos reservados no Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro sob nº. 163.728. Contato com o autor E-mail: ultimachamada@bol.com.br Site: www.revistacrista.org

Terceira Edição, Maio de 2010. Edição revista e ampliada. É proibida a reprodução total ou parcial sem a permissão escrita do autor.

Londrina - Paraná

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Índice

Para Quem se Destina este Livro..............................................................................11 Antes de Começar.......................................................................................................13 Apresentação - A Salvação Eterna Seria Uma Falsa Segurança?.........................15 Dois Memoriais Sobre a Salvação Eterna................................................................19 • •

Memorial Arminiano......................................................................................19 Memorial Calvinista.......................................................................................19

Capítulo 1 A Salvação no Contexto Bíblico................................................................................21 • • • • • • • •

As Três Etapas da Salvação: Instantânea, Atual e Futura..............................24 A Vida Eterna: um ato instantâneo no espírito..............................................24 A Salvação na Atualidade, a Vida Abundante (na mente e na alma)............25 A Salvação Futura (no corpo)........................................................................25 Duas Verdades Sobre a Salvação..................................................................26 E os “muitos” pelos quais Jesus Derramou Seu Sangue?..............................28 Como Era a Salvação no Antigo Testamento?...............................................29 A Graça no Antigo Testamento.....................................................................29

Capítulo 2 Esclarecimentos Sobre as Boas Obras e Méritos Pessoais......................................35 • • • • •

A Salvação e as Boas Obras...........................................................................35 Algumas Considerações Sobre as Boas Obras...............................................39 A Confiança nas Obras Gera Insegurança e Incerteza!..................................41 O Perigo da Salvação Meritória.....................................................................44 Onde há Justiça Imputada, não há o menor lugar para o mérito!...................50

Capítulo 3 Análise de Textos que Provam Claramente Que a Salvação Não Se Perde..........57 • •

Fator Interno...................................................................................................58 Fator Externo..................................................................................................93

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Capítulo 4 As Parábolas de Jesus e a Salvação Eterna..............................................................95 • • • • • • • • • • • • •

A Parábola do Peixe e dos Pescadores...........................................................95 A Parábola da Traça e dos Ladrões................................................................96 A Parábola de Jonas e da Rainha de Sabá......................................................96 A Parábola do Semeador................................................................................97 A Parábola do Trigo e do Joio.......................................................................99 A Parábola do Tesouro, do Comerciante e da Pérola..................................100 A Parábola dos Condutores Cegos...............................................................100 A Parábola do Grão de Mostarda.................................................................101 A Parábola das Ovelhas Perdidas.................................................................101 A Parábola das Dez Virgens........................................................................102 A Parábola do Bom Samaritano...................................................................103 A Parábola do Filho Perdido........................................................................103 A Parábola do Rico e Lázaro.......................................................................105

Capítulo 5 Análise de Textos Que Parecem Provar Que a Salvação se Perde......................107 • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

No Livro de Ezequiel...................................................................................107 No Evangelho de Mateus............................................................................108 No Evangelho de Lucas...............................................................................115 No Evangelho de João..................................................................................116 Nas Cartas de Paulo....................................................................................117 Na Carta aos Hebreus...................................................................................125 Na Carta de Tiago........................................................................................135 Nas Cartas de Pedro.....................................................................................136 Nas Cartas de João.......................................................................................139 Na Carta de Judas.........................................................................................140 No Livro do Apocalipse...............................................................................141 A Salvação Eterna e às Sete Igrejas do Apocalipse......................................141 Carta à Igreja em Éfeso................................................................................143 Carta à Igreja em Esmirna............................................................................144 Carta à Igreja em Pérgamo...........................................................................145 Carta à Igreja em Tiatira..............................................................................145 Carta à Igreja em Sardes..............................................................................146 Carta à Igreja em Filadélfia..........................................................................147 Carta à Igreja em Laodicéia.........................................................................149

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Capítulo 6 Análise de Personagens Bíblicos.............................................................................151 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Abel e Caim (exemplo prático de dois tipos de crentes)..............................151 Abraão, nosso Pai na Fé!..............................................................................151 João Batista Teria Falhado na Fé?...............................................................153 Salomão Teria Perdido a Salvação?.............................................................154 Judas Iscariotes Perdeu a Salvação?............................................................155 Ananias e Safira...........................................................................................160 Notas Adicionais sobre Ananias e Safira (Segundo o Comentário Bíblico de Atos David J. Williams)...............................................................................161 Simão, o Mago.............................................................................................162 Notas Adicionais sobre Simão, o Mago.......................................................163 Os Apóstolos e Discípulos de Jesus Cristo..................................................164 O Justo Que Se Desvia.................................................................................165 A Queda de Lúcifer e a Salvação Eterna do Crente.....................................169 A Queda dos Anjos e a Possibilidade de Queda para os Cristãos................169 Adão e Eva foram Salvos?...........................................................................170 Saul Perdeu a Salvação?..............................................................................172 Davi e Sansão..............................................................................................173 A Ressurreição de Lázaro e a Salvação Eterna............................................175 Moisés e os Judeus Servem de Exemplo para Ilustrar a Perda da Salvação?......................................................................................................176 Jonas e o Grande Peixe................................................................................176 Maria, mãe de Jesus.....................................................................................178 Jesus, o Maior Exemplo!..............................................................................178

Capítulo 7 Questões do Dia a Dia e Outras Questões..............................................................181 • • • • • • • • • • • •

Como ter a certeza da salvação?..................................................................181 A Certeza da Salvação Segundo Martinho Lutero.......................................182 A Analogia do Suicídio Espiritual e o Dom da Vida Eterna.......................183 Quem se Suicida Perde a Salvação?............................................................184 Os Ricos não Herdarão a Vida Eterna?........................................................185 Dois Lados Opostos: Salvação e Perdição...................................................186 Criancinhas que Perdem a Salvação?...........................................................188 As Curas feitas por Jesus e a Salvação Eterna.............................................188 A Salvação Eterna nas Profecias de Zacarias, Pai de João Batista..............189 Temos Advogado Junto ao Pai.....................................................................189 A Disciplina de Deus...................................................................................190 Terrorismo Religioso...................................................................................194

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Objeções Feitas Contra a Salvação Eterna do Cristão.................................198 O Desenvolvimento da Salvação.................................................................199 A Questão do Livre Arbítrio........................................................................199 Resposta a um Pastor...................................................................................201 A Intercessão de Jesus Cristo.......................................................................205 O Começo e o Fim da Fé.............................................................................206 Minha Insuficiência e a Suficiência da Pessoa de Cristo.............................206 Cristo, Cabeça e Salvador do Corpo............................................................207 O Malfeitor ao Lado de Jesus e a Falsa Religiosidade.................................208 A Mulher de Ló............................................................................................209 A Salvação depois da Salvação....................................................................210 Aceitar ou Receber a Cristo?.......................................................................211 Qual o Destino Daqueles que Nunca Ouviram o Evangelho.......................213 O Livro da Vida do Cordeiro.......................................................................215 Como Pode Existir o Inferno se Deus é Amor?...........................................218 Perderei a Salvação se não Devolver o Dízimo?.........................................221 O Perigo da Apostasia - O Último Passo da Incredulidade.........................224 A Salvação Não se Perde porque Deus é Imutável!....................................228 Existe a Possibilidade de Salvação Após a Morte?.....................................229 Deus Sabe Quem vai se Salvar?..................................................................231

Capítulo 8 A Mal Entendida Blasfêmia Contra o Espírito Santo..........................................235 • • •

O Que não é Blasfemar Contra o Espírito Santo.........................................236 O Que é o Pecado Imperdoável?.................................................................236 Sim! Há perdão para o Pecado Consciente..................................................241

Capítulo 9 Confissões de Fé.......................................................................................................245 • • • • •

A Confissão de Fé de Westminster..............................................................245 Da Perseverança dos Santos.........................................................................245 Da Providência.............................................................................................246 A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689...........................................246 A Perseverança dos Santos..........................................................................246

Conclusão..................................................................................................................249 Biografia do Autor...................................................................................................251 Outras Obras para Pesquisa...................................................................................253

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Para Quem se Destina este Livro

Esta obra é destinada a todos os Ateus, Agnósticos, Arminianistas, Budistas, Católicos, Carismáticos, Calvinistas, Espiritas, Espiritualistas, Evangélicos, Livres Pensadores, Pentecostais, Protestantes, Religiosos e não Religiosos, enfim, a todos que sentem, que vêem e que de alguma forma sabem que algo não está certo em nosso mundo, mas também sabem que o ser humano precisa de uma Redenção. E esta Redenção tem de ser Eterna!!!

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Antes de Começar Antes de começar esta leitura, é importante que o leitor saiba que o autor deste livro não pertence a nenhuma religião. Não sou católico e nem protestante. Faço sim, algumas citações de pastores e líderes religiosos, devido a coerência do que escreveram. Também crítico ambos; o catolicismo e às lideranças evangélicas, quando é necessário. Sou pela Bíblia somente. Creio que o assunto salvação está muito acima de qualquer religião, e tem de estar.

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Apresentação

A Salvação Eterna Seria Uma Falsa Segurança?

Muitos pregadores insistem em dizer que a doutrina da salvação eterna do cristão seria uma falsa segurança. Dizem eles que essa doutrina pode levar o crente ao relaxamento na obra de Deus e conseqüentemente conduzi-lo ao pecado. Assim dizem, por que muitos poderiam achar que estão liberados para pecar à vontade, pois a salvação não se perde mesmo. Ora, esses pregadores estão totalmente equivocados. Em primeiro lugar devemos levar em consideração que: falsa segurança ensina aqueles que defendem que o homem está habilitado para preservar sua salvação através de seu próprio livre-arbítrio. Como poderia o homem preservar sua salvação? Como poderia o ser humano colaborar com Deus? Hoje sabemos que estamos salvos, estamos no amor do Senhor, mas amanhã como estaríamos? Nossas emoções são inconstantes, não podemos confiar em nossa própria capacidade. Em provérbios 28:26 está escrito: “O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo”. Por isto, devemos andar de acordo com a sabedoria da Palavra de Deus. Quem confia que a preservação da salvação está em suas mãos é insensato e está se baseando numa esperança firmada em teia de aranha. Caso a perseverança dependesse do crente, o mesmo poderia afirmar diante de Deus que chegaria até o céu através de sua colaboração e livre-arbítrio. Isto seria um evangelho de obras, diferente da mensagem bíblica. Os salvos chegarão ao céu e poderão dizer em alto e bom som: “Toda Glória e toda honra seja dada somente ao Salvador, Cristo, o Senhor! Chegamos aqui através dEle e somente por meio dEle. A Ele toda glória para todo o sempre! Amém.” Com relação àqueles que acham que podem pecar à vontade porque a salvação não se perde, esses estão em terrível perdição. Qualquer pessoa neste mundo sabe que as coisas da Divindade são sérias e são para o lado do bem. Quem conhece a Palavra de Deus sabe mais ainda o quanto os filhos de Deus devem ser santos. Não podemos esconder a doutrina da salvação eterna do cristão só porque existem depravados que se aproveitariam dela. Aliás, se o apóstolo Paulo pensasse assim, jamais teria escrito as seguintes palavras: “...mas onde abundou o pecado, superabundou à graça...” (Romanos 5:20). Quando Paulo escreveu estas palavras, logo apareceram aqueles que

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achavam que poderiam viver no pecado para que a graça de Deus fosse mais abundante. A tais pessoas Paulo respondeu: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum. Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Romanos 6:1 e 2) E o que dizer daquelas pessoas que usam o adultério de Davi para justificar seus adultérios? Esse tipo de pessoa afirma em seu íntimo que se Davi pecou, elas poderiam pecar também. Desta forma se escondem atrás dos erros dos outros. Portanto, a Palavra de Deus é o tipo de livro que jamais poderia ter sido de inspiração humana, pois ela não esconde a verdade só porque existem os depravados que se aproveitam de qualquer chance para viver no pecado. Para quem é depravado e quer insistir em sua perversidade, nem o conhecimento da graça de Deus é suficiente, pois a Palavra de Deus diz em Isaías 26:10: “Ainda que se mostre favor ao perverso, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniqüidade, e não tenta para a majestade do Senhor”. Certa vez perguntaram para um líder religioso: “Falar sobre a Graça tornou-se comum, mas também perigoso. Não há muita gente confundindo Graça com libertinagem, numa teologia de "posso tudo porque a Salvação não depende de mim"?” O pastor respondeu: “O apóstolo Paulo já falava sobre isso. Basta vermos Romanos 5 e 6: "...onde abundou o pecado, super abundou a Graça. (...) Que diremos então, continuaremos pecando? De maneira alguma! Se estamos mortos para o pecado, como poderemos continuar vivendo nele?". Creio que aí está a resposta. A graça libertina é fruto da pecaminosidade. Gosto de dizer que pregar sobre a Graça é correr um risco necessário e que demonstra se falamos da Graça genuína, porque ela sempre irá despertar o Homem para uma nova vida ou para a libertinagem, dependendo da interpretação. A escolha é do Homem. Deus também nos dá liberdade para pecar ou não”.1 Apesar disto diversas vezes vamos ouvir as pessoas questionando: “Esses ensinamentos sobre a graça não dão licença para a pessoa pecar?” É incompreensível como um cristão pode levantar uma objeção como essa. Fica claro, que pessoas que assim questionam, escondem o desejo de obter uma salvação baseada em seus méritos. Em outras palavras, tais pessoas escondem o desejo de ganhar a vida eterna na base da pontuação: pontos positivos e pontos negativos. Além disso, objeções desse tipo ignoram a natureza humana, pois, desde quanto o ser humano precisa de licença para pecar? Pecamos, pecamos e pecamos muitas vezes! Nenhuma regra, ou terror imposto pela religião ou mesmo doutrinas nos fariam deixar de pecar. A Bíblia do começo ao fim comprova que a graça de Deus, e apenas a graça, é o caminho válido para a santificação: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.13). A vida cristã é um chamado para a liberdade. Jamais podemos confundir liberdade com libertinagem (que é buscar e colocar tudo a serviço de si mesmo). Os cristãos são

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chamados para viver de acordo com Jesus Cristo, isto é, deixando-se guiar pelo Seu Espírito Santo, vivendo sempre em amor. Quem é filho de Deus fica feliz ao saber que a salvação não se perde, e procura cada vez mais a santificação porque se sente motivado. Aquele que quiser ser santo, para sempre o será, e aquele que quiser o caminho da perversidade, será perverso para sempre: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”. (Apocalipse 22:11)

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BIBLIOGRAFIA 1.

Entrevista com o pastor Pastor Glênio Fonseca Paranaguá. Site: www.testemunhos.vilabol.uol.com.br/Glenio_Paranagua.html Data: 01/10/2009

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Dois Memoriais Sobre a Salvação Eterna Há muitos séculos os religiosos têm caminhado divididos sobre a questão: salvação se perde ou não? Por um lado temos o Arminianismo defendido pela maioria das igrejas, afirmando que é possível um crente mesmo depois de salvo, se desviar e perder a salvação. O Arminianismo surgiu através de Jacobus Arminius (1560-1609), discípulo de Beza (1519-1605), sucessor de Calvino, dedicou-se com afinco ao estudo das doutrinas calvinistas. Entretanto, o calvinista Jacobus Arminius surpreendentemente chegou à conclusão de que o calvinismo estava errado. Tanto no catolicismo como em outras religiões também encontramos idéias de que o homem é quem se salva através de suas obras. Isto para mim é também uma espécie de arminianismo. Por outro lado temos o calvinismo defendido por poucos, o qual afirma que é impossível um cristão perder a salvação. O Calvinismo vem do reformador João Calvino e é o sistema teológico das Igrejas Reformadas cuja a expressão doutrinária oficial é a Confissão de Fé de Westminster, redigida por determinação do parlamento inglês. Abaixo colocamos uma exposição resumida do memorial arminiano e calvinista a respeito da perseverança dos cristãos:

Memorial Arminiano “Os crentes – regenerados pelo Espírito – podem cair da graça e perder-se eternamente. Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo. Luc. 21:36; Gál. 5:4; Heb. 6:6; 10:26, 27; 2 Ped. 2:20-22.” (Predestinação e Livre-Arbítrio – pág. 7 – Editora Mundo Cristão).*

Memorial Calvinista “Perseverança dos salvos. Alguns preferem dizer “perseverança do Salvador”. Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em seu pecado, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha perder sua salvação. Poderá pecar e morrer fisicamente (I Co. 5:1-5). Os

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apóstatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram. Is. 54:10; João 6:51; Rom. 5:8-10; 8:28, 32, 34-39; 11:29; Fil. 1:6; 2 Tess. 3:3; Heb. 7:25.” (Predestinação e Livre-Arbítrio – pág. 8 – Editora Mundo Cristão). Alguns crentes pentecostais afirmam que a perseverança dos salvos é uma questão secundária. Neste caso fico com a opinião do pastor Batista e ex-padre, Anibal Pereira dos Reis: “O desprezo deles contra essa promessa de Jesus é tanto que, em resultado de negá-la, dizem que é um assunto secundário”. Não acredito ser a perseverança do crente um assunto secundário. “E porque?” talvez pergunte o leitor. Por uma simples razão; o crente (principalmente o pentecostal) acredita que a salvação se perde por um de dois motivos: 1º - por desconhecer o assunto; 2º - por acreditar que a salvação é por obras; O primeiro caso até passa em branco, mas o segundo é sério e demonstra uma total falta de compreensão sobre a graça salvadora em Cristo. Fica aqui o alerta! Tenho comigo que essa idéia do cristão perder a salvação é monstruosa, herética, diabólica e repudia a boa nova do evangelho de Jesus Cristo! E mais: tal doutrina nega que Jesus Cristo seja digno de crédito. Por isto, é necessário que todo cristão busque conhecer profundamente todas as doutrinas bíblicas, pois isto será de fundamental importância para uma vida cristã abençoada. A ÚNICA regra de fé e prática do cristão é a Bíblia Sagrada. Qualquer outro livro, confissões de fé e catecismos não podem substituir o valor prático e único da Escritura Sagrada. Portanto, ao escrever este livro, escrevo com a consciência limpa de que não sou nem calvinista e nem arminianista. Quem gosta dessas rotulações são os homens. Sou pela Bíblia somente. Abomino a pompa de alguns calvinistas. Já vi até pastor calvinista dizer que o livro do Êxodo era calvinista. Não deveria ser o contrário, o calvinismo ser exodiano? Por outro lado abomino a exaltação do homem por parte de alguns arminianistas. Alguns rebaixam Deus para colocar o homem em Seu lugar. E, você, leitor, use seu direito de analisar e tirar suas próprias conclusões sobre o assunto da salvação eterna, sem ser influenciado por essa ou aquela corrente de pensamento. Lembre-se dos crentes Bereanos: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (Atos 17.11). _____________ * Tanto o memorial Arminiano como o memorial Calvinista são compostos de cinco pontos. Alguns estudiosos afirmam que justamente o quinto ponto do arminianismo, que fala da perseverança do cristão, não teria sido escrito por Jacobus Arminius. Teria ele morrido antes que pudesse completar os cincos pontos do arminianismo. De acordo com alguns Jacobus Arminius jamais teria ensinado a perda da salvação.

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- Capítulo 1 A Salvação no Contexto Bíblico

Muitas religiões ensinam que a salvação só pode ser conseguida por meio de boas obras. Para os mestres dessas religiões, a salvação será apenas algo a ser conseguido no futuro, quando Deus julgar cada um de acordo com suas obras boas ou más. Em oposição a esses ensinamentos, a Bíblia afirma que a salvação é instantânea, e pode ser conseguida no exato momento em que a pessoa deposita fé em Jesus. Não pode ser por obras para que ninguém se glorie dizendo que comprou a salvação. Aliás, ninguém pode comprar ou pagar pela salvação, pois a mesma é CARISSÍMA. Se você acha que pode pagar por sua salvação fazendo penitências, boas obras e orações, então, leia a parábola do credor imcompassivo (Mateus 18:23 a 35). Nesta parábola o Senhor Jesus nos mostra a dívida de todo o ser humano para com Deus na história de um homem que devia dez mil talentos para um rei. Sabe quanto vale essa quantia de “dez mil talentos”? O teólogo William Hendriksen nos responde fazendo o seguinte comentário sobre esse versículo: “O tipo de talento a que provavelmente se faz referência aqui, equivalia a não menos de seis mil denários. Um operário ganhava um denário por jornada de trabalho (Mateus 20.2,13). Um operário precisaria de mil semanas para ganhar um só talento. Mesmo que um operário pudesse economizar todo o dinheiro que ganhou, ele não podia esperar acumular nem sequer dez talentos durante toda a sua vida. Um Sátrapa que ganhava cem vezes mais que um trabalhador comum durante toda a sua vida dificilmente somaria mil talentos”. O teólogo Hernandes Dias Lopes em seu livro “Perdão”, também apresenta o seguinte comentário: “Jesus usou uma hipérbole ao falar sobre a dívida desse homem. Ele devia dez mil talentos. Era impossível que uma pessoa devesse naquela época dez mil talentos. Um talento equivale a trinta e cinco quilos de ouro ou prata. Todos os impostos da Judéia, Peréia, Samaria e Galiléia durante um ano eram de oitocentos talentos. Dez mil talentos representavam todos os impostos da nação por treze anos. O que Jesus queria enfatizar é que aquele homem possuía uma dívida impagável. A promessa do devedor de quitar a sua dívida era absolutamente impossível de ser cumprida. Aquele homem precisaria trabalhar cento e cinqüenta mil anos ganhando um denário por dia para quitar a sua dívida”.

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Estas palavras confirmam a declaração do Salmo 49:7,8 que diz: “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (pois a redenção da alma deles é carissima, e cessará a tentativa para sempre)...”. Sobre este assunto, o Senhor Jesus também declarou: “Que aproveita ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Marcos 8:36,37 – o grifo é meu). Além de ser caríssima a salvação, de não podermos dar nada em favor de nossas almas, as justiças praticadas por qualquer pessoa são como trapo da imundícia, são abominações diante de Deus, veja: “Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam”. (Isaías 64:6) Uma vez sendo devedora, toda a humanidade precisou de redenção. Precisou que alguém pagasse esse preço impagável. E Jesus pagou o preço na cruz do Calvário! Nas palavras do ex-padre Anibal temos uma idéia exata do que a Bíblia diz a respeito da redenção em Cristo: “Nós, os crentes [em Jesus], somos salvos porque Cristo carregou no Seu próprio Corpo os nossos pecados (Is 53.4-6). Todos eles e não apenas parte deles. Jesus “Se deu a si mesmo por nós para nos remir de TODA a iniqüidade” (Tt 2.14). “E o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de TODO o pecado” (1 Jo 1.7). “TODA iniquidade”, “TODO o pecado”. Em intensão e extensão. Em profundidade e em quantidade. Em malícia e em número. Do passado, do presente e do futuro. A morte é o castigo decorrente da violação da Lei (Rm 6.23). E Jesus em nosso lugar derramou a Sua Alma até à morte. Deus O “fez pecado” e, por isso, castigando-O, tratou-O como se Ele fosse o nosso próprio pecado personificado. Em sendo Deus infinitamente Justo, de vez que a Justiça é um Atributo inerente à Essência Divina, não pode Ele exigir um segundo pagamento para o mesmo pecado. Jamais cobrar-me-á o que Jesus Cristo, o meu Vigário, o meu Substituto pagou por mim. É a realidade objetiva do Evangelho que nos move à segurança. Se, por causa do pecado, um crente perecesse, sofreria ele o castigo do pecado já pago por Jesus, pelo qual deu a Sua Vida. Ambos, Jesus e o crente, pagariam pelo mesmo pecado. Neste caso, de duas uma: Ou o Sacrifício de Cristo é ineficiente, ou Deus é um tirano. Das duas, contudo, nenhuma!!! O sacrifício de Jesus Cristo é TODO-SUFICIENTE, e Deus é a própria Justiça!!!” Por ser pecador e causador dessa grande dívida, o homem está separado de Deus: “Pois todos pecaram e separados estão da glória de Deus”. (Romanos 3:23) O homem foi criado para ter um relacionamento perfeito com Deus, mas por causa da sua desobediência e rebelião, escolheu seguir o seu próprio caminho, e o relacionamento com Deus desfez-se. O pecado é um estado de indiferença do homem para com Deus. Estando separado de Deus, o homem tem estado cego não podendo conhecer o amor e o plano de Deus. Assim, como resultado do pecado, a morte se espalhou a todos, porque todos pecaram: “Porque o salário do pecado é a morte” (separação espiritual de Deus) (Romanos 6:23)

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Um grande abismo separa Deus e a humanidade pecadora. Por causa disso, a humanidade tem procurado continuamente alcançar a Deus através dos seus próprios esforços: vida reta, boa moral, filosofia, boas obras, etc. Conforme já vimos, cada esforço em tentar alcançar a salvação é tão em vão como pensar em fazer uma viagem em direção ao Sol. Quem usa suas habilidades, membros e corpo para agradar a Deus através de suas obras, na verdade até mesmo nisso está usando algo que foi dado por Deus. Algo que nem mesmo lhe pertence! A única forma de encontrar a salvação é através da Pessoa de Jesus Cristo, pois Ele é a única provisão de Deus para o pecado do homem. Devemos reconhecer que estamos falidos, impotentes e não mais procurar fazer nada em relação a salvação. Simplesmente devemos aceitar a dura realidade que somos perigosamente corruptos e incapazes. Devemos apenas crer, e mesmo esse “crer” ou querer ser salvo é fruto da obra do Espírito Santo, pois o pecador não pode nem mesmo desejar a salvação se Deus não fizer a obra. Deus sendo amoroso e querendo redimir a humanidade, enviou o Senhor Jesus Cristo para morrer em nosso lugar: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. (Romanos 5:8) “Cristo morreu pelos nossos pecados... foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. (1ª Coríntios 15:3, 4) O Senhor Jesus Cristo é o único caminho para se achegar a Deus: “Respondeu-lhe Jesus: “Eu sou o caminho e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim”. (João 14:6) O Senhor Jesus é o Grande Rei que nos oferece o pagamento da dívida impagável! A salvação oferecida por meio de Sua Pessoa só pode ser conseguida pela graça mediante a fé: “Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Isaías 55:1 – o grifo é meu) “O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”. (Apocalipse 22:17 – o grifo é meu) “...e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos...” (Efésios 2:5 – o grifo é meu) “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2:8-9 – o grifo é meu) “...sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus...” (Romanos 3:24 – o grifo é meu). “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”. (Romanos 11:6 – o grifo é meu) A palavra “graça” significa “favor imerecido”. Não merecemos a salvação, mas Deus pelo seu amor nos concede gratuitamente. Para obter a salvação, a pessoa deve

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receber a Jesus Cristo como Único e Suficiente Salvador de sua vida: “Senhores, que me é necessário fazer para me salvar? Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo...” (Atos 16:29, 30-31). A pessoa que já recebeu a Jesus em sua vida, passou da morte para a vida, se torna filho (a) de Deus (João 1:12), e o Espírito Santo vem habitar em seu coração e produz uma transformação tão grande e radical, que a Bíblia a chama de novo nascimento (João 3:3 a 7). O Novo Nascimento que Deus realiza no coração do homem o faz nova criatura: “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2ª Coríntios 5:17). Nascer de novo é obra do querer de Deus e não do homem: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fossemos como que primícias das suas criaturas”. (Tiago 1:18) Ao ouvir a Palavra de Deus a pessoa primeiramente nasce de novo e é regenerada pelo Espírito Santo, em seguida ela exerce a fé.

As Três Etapas da Salvação: Instantânea, Atual e Futura 1. A Vida Eterna: um ato instantâneo no espírito. A Bíblia nos revela que o Senhor Jesus Cristo salva em três etapas aqueles que crêem em seu Nome. O vocábulo grego sotéria (salvação) significa: salvação, preservação e libertação. Esta palavra grega revela que o Senhor Jesus nos salva dos pecados, do inferno, da maldição, da ira de Deus, dos laços de Satanás e nos leva a íntima comunhão com Deus. A PRINCIPAL e primeira etapa da salvação acontece no espírito. Quando a pessoa reconhece que é pecadora, se arrepende de seus pecados e crê em Jesus, ela é salva e recebe a vida eterna naquele exato momento em que creu. Há vários textos bíblicos que provam claramente que a salvação é instantânea, veja: “Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. (João 3:36 – o grifo é meu) “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. (João 5:24 – o grifo é meu) “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”. (Atos 15:11 – o grifo é meu) “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. (Romanos 8:1 – o grifo é meu) “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. (Romanos 10:9 – o grifo é meu)

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“Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”. (1ª Coríntios 1:18 – o grifo é meu) “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2ª Coríntios 5:17 – o grifo é meu) “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte”. (1ª João 3:14 – o grifo é meu) “E o testemunho é este, que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida”. (1ª João 5:11, 12 – o grifo é meu) Conforme vimos nesses textos, para os que crêem em Jesus são usadas expressões tais como: “tem a vida eterna”, “serás salvo” [isto é, quando a pessoa crer], “somos salvos”, “já passamos da morte para a vida” e “Deus nos deu a vida eterna” [quando cremos]. Sempre no tempo presente para quem crê. Essa é a vida eterna e abundante que começa aqui na terra e continua após a morte. 2. A Salvação na Atualidade, a Vida Abundante (na mente e na alma) Após dar a vida eterna, salvar do poder do pecado e da condenação do inferno, o Senhor Jesus faz a sua obra na mente e na alma da pessoa salva. Esta salvação acontece na vida diária. É quando o Senhor dia após dia livra um filho seu das ciladas do diabo, dos perigos que o rodeiam e das tentações. O Senhor também disciplina, corrige e açoita para que a pessoa se mantenha no processo de santificação. Esta segunda etapa da salvação é a fase de crescimento na vida espiritual onde se desenvolve a salvação e os frutos produzidos por ela. Veja os vários textos bíblicos que falam dessa segunda etapa da salvação: “...desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado o crescimento para salvação”. (1ª Pedro 2:2) “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...” (Filipenses 2:12) “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas”. (Tiago 1:21) “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. (1ª Timóteo 4:16) 3. A Salvação Futura (no corpo) Esta última etapa da salvação é efetuada no corpo e também é a redenção final. A Bíblia nos promete que Deus ressuscitará nosso corpo físico para termos um corpo imortal, semelhante ao de Jesus após Sua ressurreição.

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“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é”. (1ª João 3:2) “...o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas”. (Filipenses 3:21) “...igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”. (Romanos 8:23) “Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida”. (2ª Coríntios 5:4) “Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2ª Timóteo 1:12). “...sois guiados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo”. (1ª Pedro 1:5) A salvação acontece em três etapas apenas do nosso ponto de vista humano e terreno, porque vivemos presos ao tempo. Na eternidade não existe tempo, e deste modo, Deus vive no ETERNO AGORA. Seja passado, presente e futuro (de nosso ponto de vista), para Deus não é assim, pois até mesmo o futuro já aconteceu para Ele. A eternidade é uma das idéias mais mal compreendidas pelo ser humano. Lá não existe uma vida linear divididas em ciclos de tempo. Na eternidade não tem passado, nem futuro, mas somente um eterno presente. O que para nós leva mil anos para Deus leva um dia. É justamente por isto que Deus vê nossa salvação como num BLOCO ÚNICO. Sendo assim, a obra completa de salvação o Senhor mesmo a completará, pois Ele é fiel e terminará a obra. Paulo sabia muito bem dessa verdade e escreveu o seguinte: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”. (1ª Tessalonicenses 5:23,24 – o grifo é meu). A salvação de Deus é total, e o Senhor não salva pela metade conforme Hebreus 7:25 que diz: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. (o grifo é meu)

Duas Verdades Sobre a Salvação Há duas verdades a respeito da salvação. A primeira é que em Cristo toda a humanidade foi beneficiada com a graça da salvação. A segunda verdade é que só poderá usufruir desses benefícios em Cristo quem tiver fé. É como a história de alguém que nos pagou uma dívida. Se aceitarmos o pagamento da dívida estaremos

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livres da mesma. Mas, se rejeitarmos a dívida paga, teremos que então arcar com às consequências. O mesmo acontece em relação a salvação. Se rejeitarmos a oferta da graça de Deus, teremos que pagar no inferno a dívida impagável. A Bíblia é clara ao ensinar que Jesus Cristo derramou seu sangue por toda a humanidade. A expiação é universal e o sacrifício de Cristo torna possível a todos os seres humanos salvar-se pela fé. Baseado na Bíblia, concordo com Santo Agostinho quando disse que a graça de Deus é “suficiente para todos, eficiente para os eleitos”. Encontramos esta verdade em 1ª Timóteo 4:10 que diz: “... temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis”. Quem são os fiéis? É claro que são os que aceitam o plano de Deus! Ao ser sacrificado, o Senhor Jesus Cristo não tentou redimir Seu povo, mas de fato o redimiu (Mateus 1:21). Ele abriu a porta da salvação para todos quantos querem a salvação, porém, só alguns querem entrar, e efetivamente entram. Várias passagens bíblicas demonstram claramente que os eleitos são os únicos que querem entrar na vida eterna, pois a Bíblia os chama de igreja que o Senhor comprou com seu próprio sangue (confira João 17:6, 9, 10; Atos 20:28; Efésios 5:25; Tito 3:5). O Senhor Jesus Cristo ao morrer atraiu todos a Ele mesmo e provou a morte por todo homem conforme as seguintes passagens bíblicas: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer”. (João 12: 32,33 - o grifo é meu) “vê, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem”. (Hebreus 2:9 – o grifo é meu) “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”. (Romanos 5:18 - o grifo é meu) “...e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. (1ª João 2:2 - o grifo é meu) “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”. (2ª Pedro 3:9 - o grifo é meu) Na carta de Paulo a Timóteo podemos ler à verdade de que Deus deseja que todos se salvem: “Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1ª Timóteo 2:3,4 - o grifo é meu) Este versículo “indica a universalidade da graça e não o universalismo da Salvação”.1 A palavra “deseja” no grego do Novo Testamento é “thelõ - com a conotação de sentimento - e não boulomai, com a idéia de deliberação ou planejamento”.2

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Sendo assim, Deus apenas tem o desejo que todos se salvem, e se quisesse salvar todos (universalismo da salvação) fazendo o uso excessivo da força, Ele o faria. Sabemos que o Senhor não violenta a vontade de ninguém! No entanto, a salvação é universal no sentido de que está disponível a todos quantos querem. Na verdade ninguém quer, todos de inicio rejeitam, mas somente os eleitos é que acabam sendo convencidos por Deus. Mais a frente no mesmo capítulo de 1ª Timóteo, Paulo complementa que Jesus se deu em resgate por todos: “O qual a si mesmo se deu em resgate por todos...”. (1ª Timóteo 2:6 – o grifo é meu) Na carta a Tito, Paulo escreveu que “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens...” (Tito 2: 11 – o grifo é meu). O desejo de Deus sempre foi o de salvar a todos, pois Ele não faz acepção de pessoas (Romanos 2:11). Todos são convidados para usufruir dos benefícios da graça de Deus: “Ah! todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Isaías 55:1) “O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”. (Apocalipse 22:17) O que devemos fazer é apenas avisar o perverso de seu mau caminho para que ele se converta, mas devemos ter em mente que somente os eleitos é que darão ouvidos a verdade (Ezequiel 33:9). O apóstolo Paulo sabia muito bem a respeito dessa verdade e escreveu: “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tito 1:1). Ou seja, Paulo reconhecia que foi enviado por Deus para trazer a fé àqueles que Deus escolheu e para ensinar-lhes a conhecer a verdade. Somente os eleitos receberão a Palavra de Deus.

E os “muitos” pelos quais Jesus Derramou Seu Sangue? Alguns textos bíblicos têm sido usados por alguns para sustentar a idéia de que Jesus não morreu por toda a humanidade. Em várias passagens bíblicas encontramos a idéia de que Jesus derramou seu sangue por “muitos” (Isaías 53:11, 12; Mateus 26:28; Marcos 14:24). João Calvino (que foi o defensor da predestinação incondicional), ele mesmo acreditava que Cristo morreu por todos os pecados do mundo [Colossenses 1:14,20], querendo dizer com isso, claramente, “a salvação da raça humana”.3 Comentando a palavra “muitos”, pelos quais Cristo morreu, em Marcos 14:24, assim se expressou Calvino: “a palavra ‘muitos’ não significa uma parte apenas, do mundo, mas toda a raça humana”. 4 Se usarmos o argumento de que a palavra ‘muitos’ refere-se a uma parte apenas, poderíamos dizer também que o pecado de Adão não afetou toda a humanidade, pois em Romanos 5:15 diz que a ofensa de Adão matou muitos. É claro que esses ‘muitos’ referem-se a todos, a humanidade inteira.

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Como Era a Salvação no Antigo Testamento? “Se o Antigo Testamento é exclusivamente o período da lei, como responder às seguintes questões: Houve salvação nos tempos do Antigo Testamento? Se houve, como foram salvos os crentes que viveram naquele período já que ninguém, segundo o Novo Testamento, é salvo pelas obras da lei?” O reverendo Marcelino responde que “a Palavra de Deus deixa claro que a Salvação é para todos de todos os tempos em Cristo Jesus. Ora, qualquer pessoa que já leu o livro de Hebreus sabe que os “santos” do Antigo Testamento eram, de fato, crentes e salvos. O teólogo Mauro Meister em seu livro “Lei e Graça”, diz que: “E foram eles salvos pelas obras da lei? Claro que não, foram salvos pela graça por meio da fé em Cristo. Portanto, certamente, a graça de Deus não é alguma coisa exclusiva do Novo Testamento e ausente no Antigo Testamento”. Quando o crente no Antigo Testamento depositava a sua fé em DEUS (Iavé) e naquilo que o SENHOR DEUS havia ordenado e prometido no Tabernáculo, ele estava dizendo que o seu salvador era Cristo, que a sua redenção estava na obra do Messias prometido. Tenho, às vezes, a impressão de que alguns chegam a pensar que havia uma outra forma de salvação no período do Antigo Testamento, completamente distinta da pessoa de Cristo, ao contrário do que afirma Atos 4.11-12: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Em tempo algum existiu ou existirá salvação fora da pessoa e obra de Cristo!”

A Graça no Antigo Testamento Algumas pessoas não conseguem ver a graça no período do Antigo Testamento. Isto acontece por que a religião tem deturpado a visão de muitos. Parece que somos induzidos a ver no Antigo Testamento um período apenas de Lei, de obras e de um Deus castigador. Mas isto é um grande engano! O período do Antigo Testamento fala muito sobre a graça de Deus. O favor imerecido de Deus se manifesta logo no início quando Deus procura por Adão e Eva. Ao buscá-los, por sua misericórdia e graça, Deus cobre a nudez de Adão e Eva com vestimentas de pele, indicando que só Deus pode cobrir a nudez causada pelo pecado. Ao tratar com Abel e Caim, ao chamar Noé para construir a arca, Deus mostra que sempre busca pelo ser humano. Isto podemos ver na chamada de Abraão, posteriormente na vida de Isaque e Jacó. Quando Deus se revela a Moisés e através do mesmo tira seu povo do Egito, assim Deus por sua graça ouve os clamores de seu povo. A saída do Egito, o maná, a entrega dos dez

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mandamentos, às Leis é tudo proveniente da graça de Deus. O homem jamais fez leis e mandamentos por conta própria, mas tudo veio de Deus. É graça sobre graça. No período dos juízes, no reinado dos reis de Israel, vemos a mão poderosa de Deus sempre conduzindo seu povo em graça. Na vida de Jó, temos um retrato fiel da manifestação de um Deus que usa o sofrimento para o moldar e salvá-lo. Nos Salmos encontramos a grandeza da misericórdia e da graça de Deus. Tudo é Deus quem faz ao salvar, redimir, curar e perdoar. No livro de Provérbios, Cantares, Eclesiastes, os profetas menores, Isaías, Jeremias e Ezequiel podemos ver a grandeza do Deus que por graça chama, convida e busca pelo perdido. Encontramos muitas vezes no Antigo Testamento declarações que fazem mais sentido no período da graça, como esta: “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor...” (Oséias 11:4). Há muitas outras passagens que falam da graça no Antigo Testamento e Deus também se manifesta como único que pode salvar, e que a salvação vem somente dEle. Apesar de tudo isto, infelizmente, muitos cristãos modernos associam o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Se propusermos às pessoas estabelecer o relacionamento entre os termos Lei e Graça, invariavelmente, a resposta será a seguinte: LEI GRAÇA

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Antigo Testamento Novo Testamento

Estamos sob a Lei ou sob a graça? Quando alguém faz um questionamento desse, na verdade está refletindo um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. O fato de associar a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento do Novo Testamento, muitas vezes é fruto do estudo apressado de textos como Gálatas 2.16 e Romanos 6.14. A leitura isolada desses textos pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. De fato, nesses textos Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação, ou seja, o cristão está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. O entendimento isolado desses versículos levam a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Em tal visão herética, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável. O oposto dessa heresia é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Infelizmente nesse caso, a obediência não é algo vindo da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar e de se adquirir mérito diante de Deus. Devemos entender que muitos mandamentos da Lei apenas foram temporários, apenas pertenceram ao período do Antigo Testamento. São mandamentos acerca de sacrifícios, circuncisão, dízimos, comida, bebida, dias festivos, lua nova e guarda dos sábados. Todos eles foram apenas sombra da realidade que agora temos, que é Cristo (Colossenses 2:16 a 23). Sim, há muitos outros mandamentos que estão em vigor tais como mandamentos contra a idolatria, homossexualismo, adultério e muitos outros.

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Mas, lembrando sempre que toda a obediência aos mandamentos de Deus é fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, NÃO uma tentativa de agradar e de se adquirir mérito diante dEle. Se alguém disser que pode guardar a lei é hipócrita, porque a finalidade dela é revelar o pecado (Romanos 3.20). Uma vez que a Lei revela ao homem o pecado, como alguém pode dizer que a cumpre? Quem diz guardar a lei, não a está cumprindo, e muito menos agradando a Deus, mas está debaixo da maldição: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gálatas 3.10). O Senhor Jesus Cristo foi o Único que cumpriu toda a lei, e se fez maldição por nós, para nos resgatar da maldição da lei: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gálatas 3.13). Jesus nos atraiu nEle, e nos fez morrer para a lei, para que pudéssemos viver para Deus: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo...” (Romanos 7.4 e Gálatas 2.19). Ao cumprir toda a lei, Jesus fez com que a cumpríssemos nEle; agora a Lei não tem como exigir nada daqueles que morreram com Cristo e andam em novidade de vida: “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei” (Romanos 8.3-4 e Gálatas 5.22-23). Para ampliar sua visão e resolver qualquer confusão sobre a questão da Lei versus a graça, leia abaixo o que um importante teólogo escreveu sobre o assunto: “Ao dizer que não veio revogar a lei ou os profetas e sim cumpri-la, Jesus usou um termo que foi escrito em grego como PLEROSSAI, que significa" completar", "trazer ao pleno enchimento". Isto revela outro aspecto bem mais rico da obra de Cristo em relação à lei. Muitos simplisticamente afirmam que Jesus já cumpriu a Lei por eles e... pronto! Já nenhuma obrigação possuem em relação a ela. O termo PLEROSSAI tem um significado ainda mais profundo que é o de ENGRAVIDAR. A lei estava morta, estéril, sem vida em si mesmo, baseada apenas ao aspecto negativo do NÃO farás isto ou aquilo. Jesus, o varão por excelência, trouxe a semente bendita do Evangelho para fecundar a lei com o célebre "Eu, porém, vos digo". Cada aspecto da lei foi preenchido, ampliado, melhorado, por Jesus. Por exemplo, os antigos apenas diziam: "Não adulterarás".

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Jesus deu vida a este mandamento. Alguém podia pensar que não adulterando estaria plenamente justificado diante de Deus. Jesus mostrou que havia algo mais, ao afirmar: "Eu, porém vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela. (Mateus 5:28). Os antigos, escudados na lei, podiam imaginar que era suficiente não matar alguém para ter cumprido cabalmente o mandamento. A responsabilidade amorosa com o próximo, demonstrada por Jesus na parábola do samaritano responsável, era algo que não passava pela cabeça dos frios cumpridores deste mandamento. Jesus disse que era o suficiente ficar irado contra alguém e proferir insultos contra ele, para transgredir o mandamento. (Mateus 5:21-26). O Senhor ampliou, inclusive, o quarto mandamento, que se refere ao sábado. Muitos achavam e ainda acham que para cumprir o mandamento é suficiente ficar sem atividade de serviço desde o pôr-do-sol da sexta-feira até o pôr-do-sol do sábado. Jesus completou ou trouxe vida a este conceito, quando apresentou o verdadeiro sábado do cristão. Ele mostrou que o verdadeiro descanso estava nele mesmo, quando afirmou: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis DESCANSO (ou sábado), para as vossas almas." (Mateus 11:28,29). A palavra "descanso" em hebraico é "SHABATH", e em Grego é "ANAPAUSSIN", que também significa "REFRIGÉRIO". Não é glorioso?” 2 O aparente paradoxo entre a Lei e Graça, e a visão distorcida sobre o assunto se resolve quando entendemos que o pacto da graça, apresentado pelo Novo Testamento, é em referência à morte de Cristo, o testador, e à perdurável herança, com tudo o que lhe pertence, legada neste pacto. O pacto da lei não foi administrado como no tempo do Novo Testamento. O antigo pacto foi administrado por muitas ordenanças tais como promessas, profecias, sacrifícios, circuncisão, cordeiro pascoal dadas ao povo judeu, prefigurando, todas elas, o Messias (Cristo) que havia de vir. Naquele tempo essas ordenanças, pela operação do Espírito Santo nos corações, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os crentes em Cristo, na fé. Portanto, os crentes do Antigo Testamento também foram salvos totalmente por Cristo. Eles jamais poderiam perder a salvação. Para saber mais sobre isto, basta ler o capítulo 11 do livro de Hebreus que fala a respeito dos heróis da fé. Todos eles, mesmo sendo da época da Lei, viveram por fé e morreram salvos. Da próxima vez que você ler o Antigo Testamento, leia-o sob a ótica Divina, ou seja, de cima para baixo. Não veja esse período da história bíblica como simplesmente a religião nos propôs. Não se permita pensar que era um período de esforço meritório, de sacrifícios para se alcançar a salvação por méritos próprios.

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___________________________ BIBLIOGRAFIA 1. Bíblia Vida Nova, comentário de rodapé da página 249 (Novo Testamento) – comentário sobre 1ª Timóteo 2:4. Editora Vida Nova, 17ª Edição, 1993. 2. Idem, nº 1. 3. João Calvino, Institutes of Christian Religion 3.1.1. 4. Calvino, Calvin´s New Testament Commentaries, 3:139. Veja-se também, os comentários de Calvino sobre João 1:29, Romanos 5:15 e 1 João 2:2. 5. Livro: O que a Bíblia NÃO DIZ...mas muitos pregadores e mestres dizem! Autor: Paulo de Aragão Lins, Pgs. 75, 76. Editado pelo próprio autor.

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- Capítulo 2 – Esclarecimentos Sobre as Boas Obras e Méritos Pessoais

Este capítulo é inteiramente dedicado a questão das boas obras e méritos pessoais em relação a salvação. Vamos estudar aqui onde se enquadra as obras, para que servem e como evitar uma salvação baseada nelas.

A Salvação e as Boas Obras “As boas obras são pecaminosas quando realizadas com outra finalidade que não a glória de Deus”. (Hanserd Knolly´s Confession, cap. XVI) 1 Se a pessoa é salva unicamente por crer em Cristo, para que servem as boas obras? As boas obras são apenas as CONSEQÜÊNCIAS por se crer em Jesus Cristo. O resultado da salvação em Cristo é uma vida de boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. (Efésios 2:10) Ou seja, o lema do cristão é: “Não faço boas obras para ser salvo, mas faço por que já fui salvo gratuitamente em Jesus Cristo”. Talvez o leitor pergunte: “Se o homem é salvo pela graça mediante a fé, sem o auxílio das obras, então o que Tiago quis dizer em sua carta ao ensinar que “a fé sem obras é morta” (Tiago 2:17)?” Isto é muito simples. O que Tiago nos mostra em sua carta é o contraste entre a fé viva com obras e a fé morta sem obras. Não adianta de nada dizer que temos fé em Cristo se não houve mudança em nosso interior. Por exemplo, se um pecador diz que foi salvo por Jesus e recebeu o Novo Nascimento, mas continua vivendo no pecado, podemos dizer que tal pecador não creu realmente em Jesus. A fé desse indivíduo é morta. Ninguém pode ter a fé viva por seu próprio mérito, pois essa fé é um dom de

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Deus (Efésios 2:8). Quem recebe a fé dom manifesta automaticamente em sua vida uma mudança radical que só Deus pode fazer. Não podemos ser salvos pelas obras, mas somos salvos pela graça, mediante a fé, e a CONSEQÜÊNCIA disso são as obras. Fé e obras são como causa e efeito. A fé é a causa e o efeito da fé são às obras. Veja os textos bíblicos que comprovam que a salvação não é por obras: “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”. (Romanos 11:6 – o grifo é meu) “...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus, também nós temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado”. (Gálatas 2:16 – o grifo é meu) “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2:8-9 – o grifo é meu) “...não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo...” (Tito 3:5 – o grifo é meu). Nem mesmo as obras praticadas por um salvo em Cristo são de autoria da pessoa que a pratica. São obras que não podem ser de nossa autoria ou mérito, porque elas vêm somente de Deus, pois somos apenas instrumentos em suas mãos: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. (Efésios 2:10 – o grifo é meu) “...o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”. (Tito 2:14) A Bíblia ensina que praticar obras para se salvar é uma tremenda insensatez, e podemos chamar essas obras de “obras mortas”: “...deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando de novo a base do arrependimento de obras mortas, e da fé em Deus”. (Hebreus 6:1) A tradução da Bíblia Viva da editora Mundo Cristão é uma das traduções da Bíblia mais fáceis de se entender, e essa tradução expressa Hebreus 6:1 com maior clareza conforme se vê: “Certamente não precisamos falar mais acerca da insensatez de alguém tentar salvar-se por ser bom, nem sobre a necessidade da fé em Deus”. (Hebreus 6:1) Podemos concluir que assim como existe “fé morta” também existem “obras mortas” que não nos conduzem a nada. Infelizmente as religiões ensinam a pratica de obras mortas pensando que assim vão alcançar o favor de Deus. Talvez, ainda pergunte, o leitor: “Se a salvação não é por obras, porque seremos julgados pelas nossas obras?” “E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos

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foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”. (Apocalipse 20:12) Em primeiro lugar, quem está sendo julgado nesse versículo de Apocalipse? Pelo contexto, é o julgamento dos perdidos. Basta ler inteiro o capítulo 20 de Apocalipse e o leitor verá o contraste entre as duas ressurreições; a dos justos e dos injustos. No versículo 6 está escrito: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos”. (Apocalipse 20:6) Portanto, haverá duas ressurreições. A primeira é a dos salvos, os quais comparecerão perante o tribunal de Cristo apenas para julgamento de galardões. Os galardões são prêmios adicionais a salvação que os salvos receberão pela obra que fizeram em Cristo. A segunda ressurreição é a do juízo, nela a segunda morte tem poder e o julgamento é sem chance de salvação. Não é aquela questão das pessoas serem julgadas por obras, para ver se somaram pontos positivos ou negativos para depois Deus avaliar se serão salvas ou não. Infelizmente é assim que muitas religiões interpretam o juízo final. Sobre a questão do julgamento, o professor Isaías Lobão P. Júnior faz um excelente e esclarecedor comentário: “O homem não é responsável por sua salvação, e sim pelos seus pecados. O pecado é uma violação do relacionamento entre o Criador e suas criaturas racionais, e este relacionamento constitui o princípio fundamental da responsabilidade do homem. Ele é um agente livre quanto à sua conduta como um ser racional e no final será julgado a respeito do bem ou do mal que praticou e não pela sua salvação. Sua salvação talvez não será mencionada, quando ele se apresentar diante do tribunal de Deus; porém, os seus maus feitos ou o bem que praticou em nome do Senhor virão à luz. “Ao SENHOR pertence a salvação” e o homem, portanto, não pode ser responsável por aquilo que não lhe pertence. Mas todo homem deve responder diante do tribunal de Deus pela sua conduta individual. Uma vez que admitamos a cooperação do homem na conversão e na sua justificação, não haverá paz de consciência. A questão sempre será: O quanto eu tenho que fazer? No entanto, o testemunho claro da Escritura, e é nisto que eu creio, que a salvação dos pecadores depende exclusivamente de Deus”.2 Gostaria de acrescentar a este comentário que o homem não é responsável pela OBRA da salvação. A salvação, justificação, novo nascimento e o perdão não são obras da competência do homem em que ele venha a ser julgado por não tê-las praticado. A salvação é obra exclusiva de Deus. Talvez, ainda venha uma dúvida, e o leitor poderá perguntar: “Porque em outro texto diz a respeito daqueles que serão salvos por terem feito o bem? Isto está em João 5:28, 29 que diz: “Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. (João 5:28, 29)”

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Ora, já vimos a esse respeito. Fazer o bem é fruto da salvação. O texto de João não está dizendo que os salvos ou os perdidos terão destinos opostos só porque fizeram o bem ou o mal. Apenas diz a respeito do destino após a morte daqueles que em vida foram salvos e daqueles que também em vida rejeitaram a salvação. O Senhor Jesus foi claro a esse respeito ao dizer: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11:25, 26) Portanto, os salvos em Cristo consequentemente farão o bem em vida e ressuscitarão para a vida eterna, e os perdidos, por não terem crido em Cristo consequentemente continuarão a praticar o mal e ressuscitarão para a vergonha eterna (Daniel 12:2). Ainda falando sobre obras, o teólogo Dave Hunt disse que “infelizmente, apesar da Reforma, muitas igrejas protestantes persistem em alguns erros da igreja romana: batismo de crianças, regeneração batismal e a necessidade de obras, se não para ganhar, ao menos para manter a salvação. Esses erros produzem dois resultados opostos: uma falsa garantia de salvação por ter sido batizado, confirmado, e por pertencer à igreja certa; ou um medo assustador de perder a salvação por falhar em viver uma vida suficientemente boa. Essa certeza somente pode ser encontrada na fé em Cristo, e em nada mais. Para ser salvo, preciso apenas crer no Evangelho. Não há nada mais que eu ou qualquer igreja possa fazer por minha salvação. Sim, um versículo diz: "Quem crer e for batizado será salvo" (Mc 16.16); mas inúmeros versículos, sem qualquer menção ao batismo, declaram que aqueles que crêem são salvos, e os que não crêem são condenados. Não há nenhum versículo dizendo que quem não for batizado será condenado. Com toda certeza seremos salvos por crermos no Evangelho (Rm 1.16, etc.), não pelo batismo. O batismo não é nem mesmo mencionado como parte do Evangelho quando este foi definido em 1 Coríntios 15.1-4. Também é anti-bíblico afirmar que a salvação poderá ser perdida se a pessoa falhar em viver uma vida suficientemente boa, mesmo sendo essa falha persistente e generalizado. Sim, as Escrituras nos impelem a viver uma vida santa e produtiva para Cristo, o que é uma regra para os verdadeiros cristãos. Sim, as advertências àqueles que não vivem assim (se consideradas isoladamente), às vezes, parecem ensinar que se perde a salvação. Bastaria dizer que, se a salvação pode ser perdida por não se viver uma vida suficientemente boa, então, aqueles que chegarem ao céu poderiam gabar-se diante do trono de Deus dizendo: "Cristo morreu para me salvar, mas eu garanti a minha salvação através da vida que eu vivi. Assim, eu também mereço crédito por estar aqui." Pelo contrário, a salvação, tanto na obtenção como na conservação, depende inteiramente de Deus e da Sua graça por meio de Cristo – "não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.9). Deus não compartilhará a Sua glória com ninguém (Is 42.8 e 48.11). A fé em Cristo traz liberdade, comunhão e uma grande paz. Ainda que muitos cristãos esforcem-se por viver sob a impossível obrigação de tentar manter-se de acordo com um determinado padrão para não perder a sua salvação, não o

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conseguem. O cristianismo não é apenas difícil, é impossível de ser vivido. A única pessoa que pode viver uma vida verdadeiramente cristã é o próprio Cristo. Portanto, pare de tentar viver por suas próprias forças e deixe Cristo viver em você através do poder do Espírito Santo. Descanse nEle!” 3

Algumas Considerações Sobre as Boas Obras Quando estava escrevendo este livro, me deparei com uma bela explanação sobre às boas obras, produzida por uma antiga Confissão de Fé em 1689.4 O texto é tão bom sobre o assunto que não poderia deixá-lo fora deste livro. Leia-o com atenção e não deixe de conferir os textos bíblicos indicados: 1. Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em sua santa Palavra,1 e não as que os homens inventam, sem o respaldo da Palavra de Deus, movidos por um zelo cego ou por algum pretexto de boas intenções.2 1. Miquéias 6:8; Hebreus 13:21. 2. Mateus 15:9; Isaías 29:13. 2. As boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e a evidência de uma fé verdadeira e viva.3 Por meio delas os crentes demonstram a sua gratidão,4 fortalecem sua certeza de salvação,5 edificam seus irmãos, adornam sua profissão do evangelho,6 fazem calar os seus adversários e glorificam a Deus7 – pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para as boas obras,8 para que tenhamos o nosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.9 3. Tiago 2:18-22. 4. Salmo 116:12-13. 5. I João 2:3,5; II Pedro 1:5-11. 6. Mateus 5:16. 7. I Timóteo 6:1; I Pedro 2:15; Filipenses 1:11. 8. Efésios 2:10. 9. Romanos 6:22. 3. A aptidão para as boas obras não advém dos próprios crentes, de modo algum; essa aptidão provém do Espírito de Cristo.10 E, para que os crentes possam desempenhar as boas obras, é necessária uma influência contínua do mesmo Espírito Santo – além das graças já recebidas – para neles realizar tanto o querer como o efetuar, segundo a boa vontade de Deus.11 Isso, porém, não significa que devam tornar-se negligentes, como se não tivessem a obrigação de cumprir um dever senão quando especialmente

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movidos pelo Espírito Santo. Pelo contrário, os cristãos devem ser diligentes e desenvolver a graça de Deus que neles há.12 10. João 15:4-5. 11. II Coríntios 3:5; Filipenses 2:13. 12. Filipenses 2:12; Hebreus 6:11-12; Isaías 64:7. 4. Mesmo os que conseguem prestar a maior obediência possível nesta vida estão longe de exceder e fazer mais do que o requerido por Deus; e estão muito aquém do dever que lhes cabe cumprir.13 13. Jó 9:2-3; Gálatas 5:17; Lucas 17:10. 5. Por nossas melhores obras não podemos merecer junto a Deus o perdão do pecado ou a vida eterna, visto ser grande a desproporção entre nossas obras e a glória por vir, e infinita a distância entre nós e Deus. Com nossas obras não podemos fazer benefícios a Deus, e nem satisfazê-Lo pela dívida de nossos pecados anteriores.14 Mesmo se fizermos tudo o que nos seja possível, teremos apenas cumprido com o nosso dever, e ainda seremos servos inúteis. Se nossas obras são boas é porque procedem do Espírito.15 Contudo, à medida que são desempenhadas por nós, essas obras vão sendo contaminadas, e mescladas a tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do julgamento divino.16 14. Romanos 3:20; Efésios 2:8-9; Romanos 4:6. 15. Gálatas 5:22-23. 16. Isaías 64:6; Salmo 143:2. 6. Todavia, desde que os crentes, como pessoas, são aceitos por meio de Cristo, as suas obras também são aceitas em Cristo,17 mas isto não significa que nesta vida tais obras sejam totalmente inculpáveis e irrepreensíveis aos olhos de Deus. Antes, significa que, vendo-as em seu Filho, Deus se agrada em aceitar e recompensar aquilo que é sincero, apesar de realizado com muitas fraquezas e imperfeições.18 17. Efésios 1:6; I Pedro 2:5. 18. Mateus 25:21,23; Hebreus 6:10. 7. As boas obras feitas por pessoas não regeneradas – embora por si mesmas possam ser coisas que Deus ordena, e proveitosas, tanto para a pessoa que as faz quanto para outrem19 – não procedem de um coração purificado pela fé;20 e, de acordo com a Palavra, não são feitas de maneira correta,21 nem com a finalidade correta, nem com a finalidade correta, a glória de Deus.22

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Portanto, essas obras são pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem tornar uma pessoa apta para receber a graça de Deus.23 Contudo, a omissão de tais obras é ainda mais pecaminosa e ofensiva a Deus do que a sua prática.24 19. II Reis 10:30; I Reis 21:27,29. 20. Gênesis 4:5; Hebreus 11:4,6. 21. I Coríntios 13:1. 22. Mateus 6:2,5. 23. Amós 5:21-22; Romanos 9:16; Tito 3:5. 24. Jó 21:14-15; Mateus 25:41-43.

A Confiança nas Obras Gera Insegurança e Incerteza! A pessoa que insiste na idéia de confiar que sua salvação será conseguida através da prática de boas obras, perde a confiança, torna-se insegura e gera muitos outros males para si mesma. Não é a toa que vemos muitos religiosos inseguros e sem a certeza da salvação. Por isto muitos até andam depressivos e alguns sofrem de sindrome do pânico. Ao se confiar nas obras, também gera-se sentimentos de orgulho e soberba. Desse modo a pessoa perde a fé e entra em pânico. A presença da fé salvadora “é a recusa de ingressar no pânico, em virtude da suficiência concebida pela revelação divina. Só a fé na palavra de Deus pode comprovar a onipotente veracidade do Deus da palavra, e com isso, provar a realidade consistente de que a graça de Deus, origem da revelação, é também a causa da fé. A água está para o peixe, assim como a palavra de Deus está para fé. O Deus da graça que concede a expressão da sua palavra, concebe o surgimento da fé embutida na mesma palavra. Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Romanos 10:8. Não é o sentimento do coração, mas a palavra da revelação que faz toda a diferença. Crer ou sentir – eis a questão!” 5 O teólogo Marco Antonio Sales6, em seu artigo “A Certeza da Salvação” nos traz um excelente comentário a respeito da questão das boas obras: “Toda pessoa que fundamenta sua aceitação por parte de Deus, em sua vida e ações, ou seja, em sua religiosidade, jamais poderá afirmar categoricamente que é uma pessoa salva, ou que irá com certeza para o céu, pois ela sabe, ainda que de maneira incipiente, que por ser uma pecadora nunca conseguirá atender os inatingíveis padrões de Deus. Os religiosos, "por mais que tentem", sabem, em seu íntimo, que é impossível agradar a Deus através de seus atos. É exatamente isso que Ele diz em sua Palavra: "Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: maldito todo aquele que não permanece em todas as

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coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las". Gálatas 3:10. Biblicamente o "não sei" equivale à maldição. O patamar máximo que um religioso pode chegar é o de ouvinte, o que, obviamente não irá satisfazer a Deus: "Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados". Romanos 2:13. Esse é o top que o ser humano pode alcançar no cumprimento dos mandamentos de Deus. Ninguém é capaz de cumprir totalmente o que a Lei dEle exige. E para Deus, é tudo ou nada! Não há meio termo. O apóstolo Tiago é contundente ao afirmar essa verdade: "Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos". Tiago 2:10. Todos nós sabemos que jamais chegaremos ao padrão estabelecido pelo Criador de todas as coisas. Não temos natureza nem capacidade para isso: "Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer". Romanos 3:10-12. Essa dura realidade se aplica a toda humanidade. Por isso tentar obedecer alguns mandamentos não nos tornará agradáveis a Deus. Pelo contrário, nossos atos de justiça são para Ele abominação: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam". Isaías 64:6. A grande tragédia é que a compreensão errada de minha avó (e de tantos outros que tem a Bíblia em suas mãos), não é apenas uma questão de interpretação. Não se trata de uma questão teológica irrelevante. Não! É nesse entendimento que está o cerne do evangelho. O meu "não sei" se apóia em minhas obras, ou melhor, em minha justiça própria. Eu, sendo religioso, ao afirmar que não sei se sou salvo ou não, estou considerando o que fiz de certo ou errado em minha trajetória de pecado. Por essa razão eu jamais poderei estar convicto de que o céu é o meu destino. Assim, preciso esperar até estar diante de Deus a fim de que Ele considere meus erros e acertos nessa vida. Essa incerteza é a base de qualquer sistema religioso, seja ele denominado "cristão" ou não. Mas o que isso tem a ver com o evangelho? Nada! O evangelho se fundamenta na graça de Deus manifesta em Cristo, e não no que fazemos ou deixamos de fazer. E, ainda que a Bíblia contenha vários mandamentos e ordenanças, que devem ser obedecidos, a salvação não está em os obedecermos. A Lei de Deus não foi estabelecida para este fim. Seu objetivo é outro: "Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás". Romanos 7:7. O objetivo da Lei é mostrar-me que sou incapaz de agradar a Deus por meio dela. Ela revela que é hipocrisia me fundamentar em seus preceitos para tentar ganhar a salvação. Na verdade, a Lei ressalta meu pecado: "Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". Romanos 3:19-

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20. Não há dúvida de que a Lei de Deus representa seu caráter santo e sua vontade para nós, contudo ela jamais teve a função de nos dar acesso ao céu, mas sim aviltar nosso pecado, conduzindo-nos então ao único que pode verdadeiramente nos dar a certeza da salvação: "De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé". Gálatas 3:24. Sempre que alguém disser que não pode ter certeza de sua salvação, isso significará que essa pessoa estará tentando colocar sua segurança no que ela faz para ganhar a aceitação de Deus. Tentar ser menos malicioso, parar de mentir, não maldizer, não cobiçar, etc. Depois de algum tempo (não muito), ela acabará se frustrando porque será vencida pelo pecado. E assim, ficará insegura quanto ao seu destino eterno. É por essa razão que vemos tão claramente nas Escrituras, que jamais agradaremos a Deus pautados em nossas ações. Somos nascidos em pecado e, como se não bastasse isso, estamos afundados em nossas práticas pecaminosas. Nunca poderemos anular nossa natureza, nem tampouco livrar-nos de nossos pecados. Que estado deprimente! A questão é: E agora? Se eu tentar me apoiar em minha justiça, jamais poderei estar certo quanto ao meu destino após a morte. Isso é fato. O que fazer então? Como posso ter certeza de minha salvação? Eu tenho convicção de minha salvação. Petulância? Se eu estivesse me fundamentando em minhas ações, seria muito mais que isso. Seria autêntica estupidez. Pelo menos de acordo com os textos da Palavra de Deus que acabamos de ler. Mas onde está, então, o fundamento no qual eu e todos os verdadeiros cristãos, estão certos de sua salvação eterna? Nossa certeza está no que Cristo fez! Por isso podemos afirmar convictos! Apesar de nossa mazela, Deus nos ama e em sua sabedoria, soberania e poder, providenciou um meio para que pudéssemos ser salvos. Ao escrever aos gálatas (e a nós) Paulo revela-nos que a certeza da salvação é possível a todos e está centrada em uma pessoa: Jesus Cristo, o Deus encarnado e o único capaz de cumprir toda a Lei. "Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado". Romanos 8:3 Vimos que o centro do evangelho está no que Cristo veio fazer na terra: "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal". 1 Timóteo 1:15. Cristo na cruz pagou por meus pecados e me deu a salvação totalmente de graça: "Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la". Efésios 2:8-9. É possível termos certeza de nossa salvação? É claro que sim! Afinal, nossa base de apoio não está em nós, nem muito menos em nossos atos, mas em Cristo e em seu sacrifício de morte e ressurreição. É nessa certeza que podemos bradar como o apóstolo Paulo: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica". Romanos 8:33”.

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O Perigo da Salvação Meritória Quanto mais observo às igrejas, religiões e filosofias de vida, mais fico perplexo como às pessoas se apegam às boas obras. Não que seja errado praticar boas obras, mas é raro encontrar no dia-a-dia um cristianismo simples, alegre e confiante, baseado apenas na fé, e que produz frutos de gratidão pelos méritos de Cristo. A salvação baseada nos méritos pessoais é o pior veneno que existe nesta terra. Os estragos produzidos por se crer que seremos salvos por nossos méritos estão por todos os lados. Há a paranóia de gente que não toma café, não bebe Coca-Cola e não usa calça jeans por motivos de “santificação”. Existe também a paranóia das igrejas que obrigam seus jovens casarem cedo para evitar o pecado de fornicação. Quando resolvem casar-se, os jovens se deparam com mais problemas; as igrejas oferecem cursos e mais cursos, monitoramentos dos casais, afim de que o divórcio nunca aconteça. Nestes casos tudo se resolveria em uma só palavra: o amor. Um casal que não se ama jamais terá chances de ir adiante no casamento. O jovem solteiro que não ama ao Senhor jamais terá possibilidades de evitar a fornicação sem precisar casar-se. Tudo isto acontece porque o coração humano deseja se fazer aceitável diante de Deus. Todas as pessoas gostam daquela famosa propaganda de automóvel que diz: “quem tem, fez por merecer”. Nesse desespero louco por se fazer merecedor, os seres humanos têm-se afundado em regras e tradições humanas. O sentimento, o desejo e a ânsia por “méritos” é tão forte dentro de nós que é quase que impossível nos livrarmos deles. Quando alguém diz que é possível perder a salvação está na verdade afimando que possui méritos para garanti-la. Os calvinistas com sua pretensa procura de provas objetivas da eleição ou predestinação sua ou de outra pessoa, estão também se auto-justificando, garantindo a salvação por meio de méritos. As idéias compulsivas de fazer alguma coisa como campanhas, correntes, penitências, orações, leituras sem fim, pagamentos de promessas, sacramentos, rezas, vida santa, disciplina, ritos, consagrações e frequentar igrejas, na verdade são uma procura de alguma base objetiva para a segurança de salvação. Os que assim agem caminham por vista, em vez de caminharem por fé. Eles acham que conseguirão ser bons o suficiente para se salvar, para somar pontos positivos. O que eles não sabem (ou fingem que não sabem) é que todos nós somos maus por natureza. Ninguém, a exceção de Deus, pode ser considerado bom. Somente Deus é bom. “Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus”. (Lucas 18:19) O Senhor Jesus não disse para o jovem rico que Ele mesmo não era bom. O Senhor Jesus é Deus, faz parte da Trindade é um com o Pai e o Espírito Santo. O jovem rico chamou Jesus de “Bom Mestre”, mas Jesus em outras palavras queria lhe dizer: “Sabes o que dizes?” Uma vez que somente Deus é bom, Jesus é muito mais do que um “bom mestre” qualquer. Jesus é bom, e é Deus.

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Até mesmo o grande cientista Albert Einstein viu como era grande a maldade e depravação humana ao dizer: “O verdadeiro problema está nos corações e mentes dos homens. Não é um problema físico mas ético. É mais fácil mudar a natureza do plutônio que mudar o espírito depravado do homens”.7 Talvez o leitor diga: “Mas eu sou bom, faço o bem sempre. Trabalho, cuido de minha familia, ajudo os pobres, tenho boas intenções, como posso ser mau?” Sabe porque você pratica o bem? Porque a graça comum está presente em todos os homens. E o que é a graça comum? Graça comum se refere à graça de Deus que é comum a toda a humanidade. Ela é comum porque seus benefícios se estendem a todos os seres humanos sem distinção. Ela é graça porque é concedida por Deus em Sua soberania. Em outras palavras Graça comum é a parte do caráter de Deus que faz com que Ele dê a todas as pessoas, indistintamente, inumeráveis bênçãos. Ao estudar a respeito da Graça comum é importante adquirir algumas noções básicas acerca do pecado e da punição decorrente do mesmo. Ao ler a Bíblia, quando diz: “... o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), isso significa que todos que pecaram devem receber a devida punição pelo pecado. Os anjos caídos são um exemplo disso, pois foram imediatamente punidos depois que pecaram (2ª Pedro 2:4). O que aconteceu com os anjos quando esses pecaram não aconteceu com Adão e Eva. Os seres humanos não receberam a punição imediatamente (Gênesis 2:17). O mesmo se aplica a todos nós descendentes de Adão e Eva. Estamos ainda vivos porque Deus não aplicou imediatamente a Sua justiça quando pecamos. Diante desses fatos, podemos afirmar que o mundo não está em um caos total por causa da graça comum de Deus distribuída a todos sem distinção. A graça comum de Deus está espalhada em toda a terra no mais diversos domínios. Por causa da graça comum em nossas vidas, mesmo sendo maus, podemos fazer coisas boas. Lembre-se sempre de Jeremias 17:9: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9) O coração humano não é apenas corrupto, é pior: é “desesperadamente corrupto”, e mais pior ainda, a nós não foi dada a capacidade de conhecê-lo. Muito se diz nos filmes, nas novelas e na mídia em geral a seguinte frase: “confie em seu coração”. Com um coração como esse descrito em Jeremias, poderíamos confiar no coração? Jamais! Por isto que em Provérbios 28:26 está escrito: “O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo”. Se você continua achando que você é bom (embora a Bíblia diga que somente Deus é bom), então te pergunto: “Você tem guardado os seiscentos e treze mandamentos da Lei de Deus sem errar em nenhum deles? Tem atingido os inatingíveis padrões de Deus? As suas obras nesta vida finita podem te dar acesso às glórias da eternidade e do infinito? Você tem perdoado seus inimigos sem ter o mínimo ressentimento? Você tem salvado os pobres, se dedicado com afinco a toda forma de bem, se desfazendo de sua própria vida?” Só você poderá responder para você mesmo! Muita gente não se considera como uma pessoa má ou pecadora, porque tem uma concepção errada a respeito do pecado. Segundo o teólogo Glênio Fonseca Paranaguá “pecado etimologicamente significa errar o alvo. O pecado do pecado é o conceito

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errado que temos do pecado. Para muitos, pecado é um crime ou alguma transgressão grave. Há uma grande multidão que não se acha na condição de pecador, uma vez que esta gente é correta moralmente. Uma mulher retrucou certa vez a um pregador que a chamou de pecadora. – “Eu não sou uma fubana ou biraia qualquer. Eu sou uma mulher de respeito”. O homem não a chamou de prostituta, mas de pecadora. Entretanto, a sua concepção de pecadora esbarrava num significado vulgar. A dificuldade em compreender o conceito de pecado gera uma atitude de descaso para um ponto que é crucial na libertação do ser humano. O pecado é uma rebeldia em relação a Deus. Não se trata propriamente de uma violação da lei moral ou uma infração de alguma norma legal. O pecado é uma atitude de independência do homem com referência a Deus”.8 Thomas Merton afirmou que “o pecado é a vontade de fazer o que Deus não quer, de conhecer o que ele não pretende e de amar o que ele não ama. O pecado é uma revolta contra Deus que leva o homem à pretensão de se tornar independente Dele”. Certa vez o escritor cristão C. S. Lewis escreveu: “Nenhum homem sabe quão mau ele é, até que ele tenha tentado de toda maneira ser bom. Uma idéia tola, mas muito atual é que as pessoas boas não conhecem o significado ou não passam por tentações. Isto é uma mentira óbvia. Só aqueles que tentam resistir a tentação, sabem quão forte ela é. Afinal de contas, você descobre a força do exército inimigo lutando contra ele, não cedendo a ele. Você descobre a força de um vento, tentando caminhar contra ele, não se deitando ao chão. Um homem que cede ante a tentação depois de cinco minutos, simplesmente não sabe o que teria acontecido se tivesse esperado uma hora. Esta é a razão pela qual as pessoas ruins, de certa forma, sabem muito pouco sobre sua maldade. Elas viveram uma vida abrigada por estarem sempre cedendo. Nós nunca descobrimos a força do impulso mal dentro de nós, até que nós tentamos lutar contra ele: e Cristo, porque Ele foi o único homem que nunca se rendeu a tentação, também é o único homem que conhece completamente o que tentação significa – o único realista no total sentido da palavra”. “Há muita gente que tem uma vida justa perante a lei, mas é descrente em relação à pessoa de Cristo. Tem uma vida honesta e digna de admiração humana, embora cética e sem valor espiritual diante de Deus. É a vida de Adão poluída pelo pecado que não será admitida no Reino de Deus, sem que seja substituída pela vida da ressurreição. A vida adâmica não tem concerto. Ela é egoísta até a medula. O homem natural só pensa em si, mesmo quando está fazendo o bem para os outros. A bondade humana é interesseira, exigindo reconhecimento na linha de frente, até nas entrelinhas. Por traz das realizações filantrópicas residem os desejos de consideração, prestígio e notabilidade. O egoísmo é a marca registrada da vida do velho Adão. Inclusive a sua espirituali-dade vem sempre configurada em egolatria por todos os seus estilos santificados em vitrine alumiada e demonstrados em passarela fantasiosa. O fariseu,

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posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Lucas 18:11-12. O ego com o seu egoísmo são imprestáveis para o Reino de Deus. A vida egoísta é uma existência sem futuro e deve ser substituída pela Vida eterna do próprio Deus. O novo nascimento envolve a troca da vida egoísta de Adão pela vida ressurreta de Cristo. Esta vida não tem direitos humanos. Não faz parte de sindicato. Não se ensoberbece com seu crescimento em santidade, nem se sente ferida com o ostracismo e o descaso que lhe são impostos. É vida de liberdade e de libertação. O homem velho tem que morrer. Não há remédio que cure, nem ensino que eduque esta natureza rebelde do pecado. Cristo se encarnou no Jesus histórico para poder crucificar a vida de Adão que nós herdamos como raça, a fim de nos dar, em seguida, a nova vida da ressurreição, a vida eterna, mediante a fé na sua pessoa e obra”.9 Uma vez que somos pecadores maus, não pense o leitor que somos melhores que o povo alemão que viveu na época de Hitler. Pensando nisto veja o que um rabino disse a respeito do holocausto e nós: “Um renomado rabino foi convidado para falar sobre o holocausto a um grupo de proeminentes cristãos. Enquanto as fotos passavam ele comentava sobre o assunto até que ele parou numa foto aonde um alemão apontava um fuzil para a cabeça de uma mãe com seu filho no colo poucos instantes antes de atirar e disse assim: - Todos aqui são tão culpados quanto aquele soldado alemão! A platéia ficou indignada, e um dos convidados levantou-se e disse: - Isso é um ultraje! Não vivíamos nesse período! O rabino calmamente levantou os olhos e disse: - Sim! Vocês não viviam nesse tempo. Mas ao vir para esse evento tirei algumas fotos no caminho que condenam cada um de vocês. E ele colocou fotos de crianças pedindo esmolas nos sinais, mendigos jogados nos cantos, senhoras de idade perdidas nas calçadas... E ele disse: - Qual a diferença entre as primeiras imagens e essas? Eu lhes digo que nenhuma, nas duas pessoas como vocês fingiram que aquilo não estava acontecendo... E novamente ele colocava cada imagem com um verso do Antigo Testamento no qual Jeová falava para não se abandonar os órfãos, as viúvas e os desamparados...”. Ao raciocinar sobre a maldade humana, “August Winning, ex-presidente na Prússia Oriental e ardoroso líder dos trabalhadores, confessou: “Eu andava longe, fugindo de Jesus, mas aos poucos fui me aproximando dEle. Reconheci que o ser

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humano é profundamente mau, sem exceção. Nem todos são criminosos, mas cada um de nós tem pensamentos, desejos e anseios tão pecaminosos que são comparáveis a um homicídio. É absolutamente impossível tentar voltar a Deus com tamanha carga de maldade, sem que antes aconteça algo conosco. Entendo que Deus tem que condenar-me pelo meu pecado. Mas vejo Seu amor, do qual toda a vida dá testemunho, e percebo que Ele não quer condenar. Ele nos estende Sua mão. Essa mão de Deus é Jesus Cristo!” 10 Hugh Latimer sustenta: “Precisamos ser feitos bons antes de poder fazer o bem; precisamos ser feitos justos antes que nossas obras possam agradar a Deus – somente depois de sermos justificados pela fé em Cristo é que as boas obras vêm”. O humanismo sempre possui “uma forte pretensão de extrair a bondade real de um ser efetivamente egoísta, por isso, a conduta aparentemente bondosa se manifesta sempre repleta de conveniências insinuantes. “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem”. (Mateus 7:11). Uma pessoa má pode agir com uma suposta bondade, visivelmente proveitosa, pois na apuração desse negócio sempre vigora uma certa troca que exige alguma restituição. A bondade humana reclama qualquer recompensa, por mais dissimulada que pareça. Mesmo a abnegação dos pais sofre de um achaque contaminado com um certo vírus de compensação”.11 Uma reação comum a essas coisas ditas aqui é a daquela pessoa que diz: “Já que minha vida moral, minha honestidade e minha religião não valem nada e sou mau mesmo assim, então vou jogar tudo para o ar e viver à toa como qualquer outro”. O problema nesta idéia é que a pessoa que assim se expressa, nem percebe que tal declaração revela o mal que há nela. Uma pessoa realmente interessada em Deus procuraria melhorar e não estrapolar com a própria vida praticando o mal. Se você não consegue se conformar com essas coisas ditas aqui, lembre-se da história de Naamã, o chefe do exército do rei da Síria. A Bíblia diz que “Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito, porque por ele o Senhor dera livramento aos sírios; era homem valente, porém leproso”. (2º Reis 5:1) Naamã foi até Israel e procurou pelo profeta Eliseu para ser curado da lepra. “Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu”. (2º Reis 5:9) O profeta Eliseu mandou Naamã fazer algo simples para ser curado: “Então este lhe mandou um mensageiro, a dizer-lhe: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne tornará a ti, e ficarás purificado”. (2º Reis 5:10) Mas, como todo o ser humano é um ser complicado por natureza, “Naamã, porém, indignado, retirou-se, dizendo: Eis que pensava eu: Certamente ele sairá a ter comigo, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, passará a sua mão sobre o lugar, e curará o leproso. Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? não poderia eu lavar-me neles, e ficar purificado? Assim se voltou e se retirou com indignação”. (2º Reis 5:11, 12)

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Naamã queria mais, queria ser atendido por Eliseu, queria que o banhar-se sete vezes no rio fosse nos melhores rios fora de Israel. Mas, o conselho de seus servos foi muito útil e nunca foi tão atual para nós: “Os seus servos, porém, chegaram-se a ele e lhe falaram, dizendo: “Meu pai, se o profeta te houvesse indicado alguma coisa difícil, porventura não a terias cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado. Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne dum menino, e ficou purificado”. (2º Reis 5:13, 14) A lição para nós é que se estamos dispostos a fazer o mais dificil através de uma salvação baseada em nossos méritos, porque não fazer o correto e mais fácil? Lembrese sempre: “se o profeta te houvesse indicado alguma coisa difícil, porventura não a terias cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado”. “Você está defendendo um caminho muito fácil?” talvez alguém me pergunte. Em primeiro lugar o que defendo aqui é o que diz a Palavra de Deus. Esta é a graça de Deus manifestada através da salvação eterna do cristão. É graça sobre graça. Na verdade, são os que defendem a salvação baseada em méritos que estão trilhando um caminho fácil. Todas as pessoas que nascem neste mundo carregam em si o “sentimento de mérito” de “ser merecedor” e isto está tão enraizado em nossa natureza humana que é uma coisa comum as todos, de fácil acesso. O difícil mesmo é aceitar que não temos de fazer nada para nos salvar. Por ser a salvação em Cristo algo muito simples e por sermos seres complicados, acaba sendo uma porta estreitissíma aceitar a salvação sem obras. Por outro lado, o caminho de Deus não é difícil como pensam alguns. Muitos pregadores do evangelho têm dificultado o caminho do Senhor através de ensinamentos pesados. Desta forma muitas pessoas pensam que os mandamentos de Deus são pesados. Através desses pensamentos muitos se afastam do Senhor achando que serví-lo é algo difícil. A própria Bíblia afirma o contrário: “Porque este é o amor de Deus que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos...” (1ª João 5.3). Mas talvez o leitor possa perguntar: “A porta que conduz a salvação não é estreita, apertada? O caminho da perdição não é espaçoso, mais fácil do que o caminho de Deus?” Realmente, o Senhor Jesus disse que a porta e o caminho da salvação é estreito, enquanto o caminho ou porta que conduz a perdição é espaçoso (Mateus 7.13,14). A porta ou caminho da salvação não é estreito “porque Deus tivesse falta de generosidade de querer salvar a todos (2ª Pedro 3.9), mas porque na prática muito poucas pessoas renunciam ao eu-próprio para procurar a Deus.” 12 Essa porta e caminho estreito é o próprio Senhor Jesus Cristo (João 10.9 e 14.6). Para chegar até Jesus, reconhecê-lo, e aceitá-lo, é como passar por uma porta estreita para muitos. É extremamente difícil para algumas pessoas sequer pensar em não fazer nada para a sua salvação. É difícil para a maioria das pessoas renunciarem ao “ego” e aceitar a verdade do evangelho. Por isso, que somos nós mesmos os nossos maiores inimigos na hora de aceitar a verdade. O Senhor mesmo prometeu que quem passar por Ele, será salvo, sairá e achará pastagem. É por isto que os mandamentos de Deus não são penosos para aqueles que já receberam a Jesus Cristo. Esses terão vida

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abundante aqui na terra (João 10.9,10). Como poderiam ser penosos os mandamentos de Deus para aquele que tem prazer na Lei do Senhor, e é feliz por meditar nela dia e noite: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios... Antes seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmo 1.1,2). É óbvio que existem momentos de tentação, momentos que não são fáceis de viver. Nem tudo é mar de rosas. Mas, os que são de Cristo vencem o pecado e são felizes (Gálatas 5.22, 24; 1ª João 3.6 e 5.4). Sabemos da existência do pecado e devemos nos precaver contra as tentações da carne. Quem tem prazer nas coisas de Deus vive bem e melhor do que aqueles que estão andando pelo caminho espaçoso. Quem vive debaixo do legalismo religioso é escravo da religião. Esse carrega peso e pensa estar no caminho certo, quando na verdade não está.

Onde há Justiça Imputada, não há o menor lugar para o mérito! Em minhas pesquisas sobre a salvação eterna, não pude deixar de citar algumas partes do texto de Marcelo Lemos sobre a Justiça Imputada - Fundamento da Soterologia Reformada. Este texto é muito interessante e grandemente esclarecedor sobre a justiça de Deus imputada a nós pecadores. Veja: “As objeções contra a Soterologia Reformada (Eleição Incondicional, Perseverança dos Santos, etc.), são quase sempre as mesmas. Dentre as mais comuns, despontam aquelas que, de uma forma ou de outra, se agarram a um conceito de salvação pelas obras. ***** - Está me dizendo que a Salvação dos crentes é eterna? - Exatamente. É o que nos ensinam claramente as Escrituras! - Então, uma vez salvo, sempre salvo…? - Isso mesmo. Vida eterna… - Mas, e se o crente pecar? - Ora, mas não existe um “se” o crente pecar! O crente irá pecar: é só o que sabemos fazer – pecar, pecar e pecar! - Mas, a Bíblia não diz “aquele que perseverar até o fim”?

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- Certamente o diz! - Então? - Então não somos capazes de cumprir as exigências do Evangelho. Não podemos por nós mesmos perseverar até o fim, do mesmo modo que não podemos ser santos como o Pai é santo. Estas duas exigências são feitas pelo Evangelho. Não podemos com nenhuma delas. - Por isso precisamos lutar com todas as nossas forças para permanecermos firmes… - Por isso precisamos nos agarrar a Graça oferecida pelo Evangelho de Jesus Cristo! Qualquer alternativa a isto implica darmos ao homem o poder de alcançar o inalcançável, o poder de fazer aquilo que é completamente incapaz de realizar. Adoramos o mérito. Como ‘são paulino’, sei o que digo. Paulista, Brasileirão, Libertadores, Mundial… Quanto mérito! Quanta habilidade! Em tudo buscamos e valorizamos o mérito. Até sacralizamos certo ditado: “Deus ajuda a quem se ajuda”. Conheço até alguns que jurariam de ‘pé junto’ ser este parte integrante das palavras de Jesus… Mérito! Que palavra sedutora! Repudiamos a Graça por instinto, instinto pecaminoso! Não queremos ganhar o ‘ser salvo’, queremos nos salvar por nós mesmos, e hipocritamente dizemos que fomos salvos pela graça… Nossa auto-justiça constantemente ofende a Graça Salvadora. Imagine convidar aquele seu melhor amigo para um grande jantar e, no fim do banquete, ser chamado de canto e ouvir: “Amigo, quanto lhe devo pelo banquete a mim oferecido?”. Que ofensa! Mas, é justamente isso que fazemos diariamente com o Senhor: ele nos convida por pura graça, e nós queremos pagar pelo favor recebido! O Evangelho de Cristo possui inúmeras exigências. Ele exige arrependimento, fé, conversão, santificação, perseverança… Tais coisas são tão fundamentais que a Bíblia chega a declarar “segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14). E que santificação seria esta? Jesus responde aconselhando “sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.48). Não se pode negar que as bênçãos do Evangelho, incluindo a própria vida eterna, são todas condicionais. Mas precisamos admitir que suas exigências são tais que somos completamente incapazes de atingi-las por nós mesmos. Diversas vezes escutamos alguém questionar: “Mas a Bíblia não diz que é preciso perseverar até o fim para alcançarmos a salvação?”. Sim, a Bíblia diz exatamente assim, e ninguém pode negar. A questão é que, pecadores que somos, nos achamos completamente incapazes de fazer o bem. Neste ponto se revela toda a importância da Graça, e a inutilidade do mérito. Se pudermos atingir as exigências do Evangelho por nossa garra, então não somos tão pecadores quanto a Bíblia diz que somos. Por outro lado, se não podemos cumprir as

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exigências do Evangelho, e mesmo assim somos salvos, a segurança de nossa salvação reside exclusivamente na Graça de Deus, o que exclui todo mérito humano. Talvez ajude listarmos dois problemas fundamentais que acompanham nossa natureza caída. O primeiro problema é o da culpabilidade, devido nossa pecaminosidade. O segundo problema diz respeito a nossa completa inabilidade em nos tornarmos melhores, e assim, atingirmos o padrão exigido pelo Criador dos céus e da terra. Somos culpados. Quando Cristo exigiu “sede santos como vosso Pai é santo”, ele colocou a espada sobre a cabeça de cada ser humano. Sua exigência é alta demais para qualquer um de nós. Até o mais santo dos homens de Deus está condenado perante tal exigência. Aqueles que acreditam em uma salvação baseada no que o homem faz, ou deixa de fazer, deveriam se lembrar que nenhum homem jamais pode cumprir tamanha exigência do Evangelho. Portanto, se alguém será salvo, não será por mérito pessoal. Qual dos homens poderá se apresentar perante Deus e dizer: “Vede, eu cumpri tal exigência. Veja como eu sou santo como o Senhor é santo!”? Eu jamais poderei dizer isso, nem você, amigo leitor internauta. Perante aquele que é “Santo, Santo, Santo”, a nossa única reação é “ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos exércitos” (Isaías 6.5). Somos incapazes. Continuemos com Isaías. Ele se achou culpado, o que era inevitável e certo. E não apenas isso: ele também se viu completamente incapaz de mudar tal situação. Ele não podia mudar o quadro. Sua reação foi simplesmente aceitar a única coisa que merecia: a morte. Roberto Carlos, em sua canção “Ilegal, Imoral ou Engorda”, expressa muito bem a completa incapacidade humana para o verdadeiro bem… Vivo condenado a fazer o que não quero, De tão bem comportado às vezes eu me desespero. Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer Que isso ou aquilo não se deve fazer! Restam meus botões, já não sei mais o que é certo! E como vou saber o que devo fazer, Que culpa tenho eu, me diga amigo meu, Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda? A muito me perdi entre mil filosofias,

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Virei homem calado e até desconfiado, Procuro andar direito, e ter os pés no chão, Mas certas coisas sempre me chamam a atenção! Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro! Paro pra pensar, mas não posso mudar! Que culpa tenho eu, me diga amigo meu, Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda? Isaías, porém, não morreu ao contemplar a glória do Senhor. Temos aqui um ‘erro’. Sendo Isaías um miserável pecador, e Deus o Santíssimo, o profeta não poderia sair vivo de tal encontro. O único desfecho possível para a cena era a morte. Mas isso não aconteceu. Na verdade, Isaías ao se encontrar com Deus, foi aceito como santo, e ao invés de morte, recebeu vida! Como? Por ato livre da graça divina. “Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado” – Isaías 6.,7. Onde está o mérito? Apenas em Deus, jamais no homem. Se o homem se apresenta em retidão perante Deus é devido sua Livre e Maravilhosa Graça. A iniquidade do homem é tirada, e seu pecado é expiado, ou seja, ‘coberto’, escondido dos olhos do Senhor. Em si mesmo o homem permanece pecador, e corrompido, porém Deus lhe concede a graça do perdão e da justificação. Então, se não somos justos, nem capazes de nos tornarmos justos, só poderemos ser salvos caso a doutrina da Justiça Imputada seja verdadeira. Se não há justiça imputada, não há também salvação, uma vez que as exigências do Evangelho são altas demais para as nossas habilidades. A fé reformada quanto a salvação difere radicalmente de qualquer outra teoria sobre o assunto. Apesar de até os anticalvinistas afirmarem crer na justificação dos pecadores, eles não sabem o que dizem. Onde há Justiça Imputada não há mérito, não há represália, não há queda definitiva e irreversível. Onde há Justiça Imputada, há perdão e salvação garantida, por toda a eternidade. Onde há Justiça Imputada não há lugar para condenação. Onde se ganha a Justiça, não se pode perder a Salvação, pois esta nada mais é que fruto da Justiça! Nossos irmãos Arminianos, e todos os que pregam a perda da salvação, confundem Justificação com Santificação. Não somos salvos pela santificação experimental, uma vez que jamais conseguiremos cumprir metade do que o Evangelho exige de nós. Somos salvos pela Justificação, e está é incondicional, livre

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e soberana. Em outras palavras, somos salvos não pelo que fazemos para Deus, mas por causa do que Deus fez em nosso favor. As Sagradas Escrituras afirmam categoricamente os fundamentos da soterologia reformada. Antes de qualquer coisa a Bíblia esclarece que nossa Justificação é gratuita. [Romanos 3.23,24; Efésios 2.4,5; Tito 3.5-7]. “Justificados gratuitamente”. “Pela sua graça”. “Não pelas obras que houvéssemos feito”. “Mas segundo sua misericórdia”. “Justificados pela sua graça”. Que lugar há para o mérito? Que lugar existe para alguma habilidade humana? A Bíblia ainda ensina que nossa Justificação implica em nossos pecados terem sido lançados sobre Cristo. O salário do pecado é a morte (Romanos 6.23). Aquele que peca precisa morrer. Todos pecamos, todos estamos por natureza sob condenação. E já que não somos capazes de pagar nossa divida, e muito menos de nos tornar seres melhores e atingir o padrão exigido por Deus, como é possível falar de salvação? Apenas por causa de Cristo, nosso Salvador. Se apenas uma fração de mérito estiver sobre os ombros do homem, então a salvação é impossível de ser alcançada, pois a Bíblia afirma, Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos – Tiago 2.10. Nenhuma fração de mérito pode ser confiada ao homem, a menos que desejamos destruir toda e qualquer esperança de salvação. Por este motivo o autor de Hebreus diz de Jesus ter sido feito o ‘fiador’ da nossa salvação: De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador – Hebreus 7.22. Neste único versículo está contida toda a mensagem do Evangelho. Cristo, nosso fiador. Se você mora de aluguel, provavelmente precisou apresentar um fiador. O fiador é a pessoa responsável por sua divida; ou seja, na impossibilidade de você pagar o que deve, seu debito recaí sob os ombros do fiador. Se você não pode pagar a dívida, ele pagará por você. Jesus é nosso fiador. Sobre si mesmo ele assumiu a divida que temos com Deus. Ele se fez responsável por nossa culpa, e levou sobre si mesmo a condenação que estava sobre nós. No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo – João 1.29. Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fossemos feito justiça de Deus – II Coríntios 5.21. Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação – Hebreus 9.28. Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados – I Pedro 2.24.

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Cristo levou sobre si os nossos pecados, cada um deles. Qual o seu maior pecado? Reflita um pouco. Seja ele qual tenha sido, Cristo pagou sua dívida. Não há mais debito com Deus para aqueles que têm fé em Jesus. Por isso Paulo pode escrever “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Que intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica!” (Romanos 8.31-22). [...] As objeções contra o Evangelho de Jesus continuarão a chegarem. A lista de “faça-não-faça” é quase interminável. As opções de “senões” e “poréns” são igualmente abundantes. E não negamos nenhuma das exigências do Evangelho. Que os inimigos da graça nos falem sobre cada uma delas. Aceitamos todas, e nos humilhamos perante a majestade do Senhor, lamentando nossa estupidez e incapacidade de fazer sua vontade, suplicando-lhe por sua infinita graça e amor”.13

___________________________________________ BIBLIOGRAFIA

1.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, pg. 174 – Max Weber – Editora Martin Claret, 2005 – São Paulo – SP.

2.

A Doutrina Bíblica da Predestinação, artigo escrito por Prof. Isaías Lobão P. Júnior. Fonte: Site: www.monergismo.com/textos/predestinacao/predestinacao_isaias.htm

3.

Fé, Obras e o Espírito Santo, Dave Hunt, artigo publicado no site da Chamada da Meia-Noite, www.chamada.com.br

4.

A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 – Fonte: site monergismo www.monergismo.com/textos/credos/1689.htm

5.

Pr. Glênio Fonseca www.igrejabatista.org

6.

Artigo: A Certeza www.igrejabatista.org

7.

Respostas Àquelas Perguntas – o que os céticos perguntam sobre a fé cristã, Josh McDowell e Don Stewart, pg. 145 – Editora Candeia, reimpressão: Setembro 1997 (Albert Einstein, citado por Mead, p. 192).

8.

Artigo: O Pecado do www.batistalondrina.org

Paranaguá,

da

site

Salvação,

Pecado,

Igreja

Batista

Pastor

Marco

Antonio

Pastor

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Glênio

Fonseca

em

Londrina

Sales,

Paranaguá.

Site:

Site:


9.

Artigo: A Substituição da Vida, Pastor: Glenio Fonseca Paranaguá - 28/02/2010. Site: www.batistalondrina.org

10. Livro: Conheça Jesus – Único Incomparável e Maravilhoso, pgs. 34 e 35, Editora Actual Edições Site: www.chamada.com.br 11. Idem nº 4.

12. Bíblia Vida Nova – 17ª edição - 1993 – pg. 12 (do Novo Testamento), ver comentário de Mateus 7.13,14 (no rodapé). 13. Artigo: Justiça Imputada - Fundamento da Soterologia Reformada, autor: Marcelo Lemos. Site: www.olharreformado.wordpress.com

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- Capítulo 3 Análise de Textos que Provam Claramente Que a Salvação Não Se Perde

A Bíblia como um todo está repleta de textos que provam que o cristão jamais pode perder a salvação. São textos que falam da soberania de Deus em guardar, proteger, fortalecer e santificar os que crêem nEle. Esta promessa que a Bíblia Sagrada traz em seu conteúdo é feita pelo próprio Deus. O Senhor Jesus como Salvador desempenha a função não somente de salvar dos pecados passados dando a vida eterna, mas também de guardar dia a dia do poder do pecado, da influência de Satanás e dos perigos que rodeiam às suas ovelhas. O Senhor Jesus Cristo é o Supremo pastor que ama suas ovelhas e nenhuma permitirá que se perca. Se o cristão se perdesse novamente, haveria somente dois fatores que poderiam fazê-lo perder a salvação: o fator interno e o fator externo. Caso fosse possível a perda da salvação através dos fatores interno e externo, o crente seria conduzido para somente uma direção – a apostasia. A apostasia seria o único pecado cometido por um cristão que faria com que ele perdesse a salvação, pois tal pecado é a renuncia e o abandono absoluto da fé em Cristo. Os demais pecados seriam apenas agentes que conduziriam o cristão ao esfriamento na fé e por fim ao pecado principal que é a apostasia. Veja o leitor, que se fosse possível perder a salvação, isto seria um processo até chegar à apostasia e não simplesmente por qualquer pecado cometido. O fator interno seria a disposição interior da própria pessoa, que pela sua própria vontade (ou livre-arbítrio) abandonasse a fé em Cristo. O fator externo seria Satanás pelo seu poder e astúcia, usar de algum meio para conseguir tirar o cristão da fé em Cristo. Uma vez que Satanás vem para roubar, matar e destruir, ele poderia roubar a salvação do cristão. Para isto usaria de várias artimanhas, tais como: perseguições, ofertas tentadoras, mundanismo, riquezas etc. O fator externo é qualquer coisa que vem do mundo, da carne e do diabo. Nenhum desses dois fatores são capazes de fazer o cristão pecar fazendo-o perder a salvação. Vamos começar nossa análise a partir do fator interno.

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O Fator Interno Segundo o ensinamento bíblico, o homem mesmo com a sua liberdade de escolha é incapaz de afastar-se do Senhor, veja: “Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos. Farei com eles aliança eterna segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. (Jeremias 32: 38, 39 e 40 – o grifo é meu) Aqui temos uma grande promessa de que não é possível perder a salvação. O temor do Senhor não permite que o cristão se aparte de seus caminhos. Foi para este fim que Deus colocou nos cristãos o seu temor, para que não houvesse o perigo de afastar-se dEle. O salmista sabia muito bem a respeito do temor do Senhor e escreveu: “O temor do Senhor é límpido, e permanece para sempre...” (Salmo 19:9). Observe que o temor do Senhor dura para sempre e não temporariamente. Esse salmo está de perfeito acordo com o texto de Jeremias 32 que lemos acima. Todos os cristãos são livres, possuem liberdade de escolha, mas por si só não voltam para a velha vida de pecado. Quando eram do mundo, estavam mortos em delitos e pecados (Efésios 2:1) e eram incapazes de por eles mesmos fazerem o bem conforme a vontade de Deus. Uma vez em Cristo, tornam-se incapazes de voltar à velha vida, pois agora só querem fazer o bem conforme diz em Provérbios 11:23: “O desejo dos justos é somente o bem; porém a expectativa dos ímpios é a ira.” Se o leitor ler também Provérbios 4:18, poderá ver que “a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Não há como haver volta, todos que crêem em Cristo são justos, santos e íntegros até o fim. A liberdade em Cristo é somente para o bem. A luz do Senhor brilhará em todos os que crêem cada vez mais até chegar ao encontro com Cristo. Não há como apagá-la jamais! O cristão pela sua liberdade gosta, ama e tem prazer em fazer a vontade do Senhor. Muitos líderes religiosos dizem que o fato dos cristãos não perderem a salvação, faz deles como se fossem robôs nas mãos de Deus tirando assim o livre-arbítrio. Para responder a essas objeções, podemos dizer que assim como é impossível que Deus peque, assim também para os filhos de Deus é impossível que apostatem da fé. O problema do ser humano é que ele sempre gosta de se colocar como se fosse um deus que pode escolher o mal a hora que quiser. Ter a liberdade em Cristo para somente fazer o bem é ter a verdadeira liberdade. É por isto que Jesus disse: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). A Bíblia deixa bem claro que fazer o bem é ser livre e praticar o mal é ser escravo. Ainda falando sobre a questão do livre-arbítrio, o teólogo Jonathan Edwards afirmava que “livre-arbítrio é a capacidade de fazermos o que queremos, mas é Deus quem nos dá o desejo (salvífico)”.1 Uma vez salvos pelo Senhor, temos o seu desejo salvífico constantemente em nossas vidas. É preferível ter esta garantia a viver

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sofrendo com medo de num futuro próximo tomar uma decisão errada, e perder a salvação (veja no capítulo 7 sobre a questão do livre-arbítrio). É justamente por isto que o arminianismo não dá segurança nenhuma ao crente salvo, pois “o crente, segundo o arminianismo, não pode saber se vai salvar-se ou não. Sabe, no máximo, que hoje está salvo porque hoje tem fé, obedece ao Senhor, confia em Cristo. Não sabe, todavia, se cairá da graça, dali a algumas horas. Poderá ser dominado pelo pecado outra vez, e perder-se eternamente”.2 As Escrituras não param por aí com relação à garantia da Salvação. Veja o que diz a carta de João: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele vive pecando não no viu, nem o conheceu. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus”. (1ª João 3:6 e 9) Se a divina semente não permite que um filho de Deus viva na prática do pecado, fica provado que o pecado não pode dominá-lo novamente. O apóstolo Paulo confirma isto em Romanos 6:14: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”. A presença do Espírito Santo nos cristãos os impede de serem dominados pelo pecado. Se não podem ser mais dominados pelo pecado, também não há o risco de apostatar da fé. O mais famoso texto bíblico do Novo Testamento confirma também que a salvação não se perde: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16) Se Deus deu ao mundo seu Filho para que aqueles que crêem em seu Nome não pereçam, como poderia uma pessoa crer em Jesus e se perder novamente? Que segurança seria esta? A promessa de Deus é clara: quem crê tem a vida eterna. Se não fosse assim poderíamos dizer que a vida eterna, não seria eterna, mas temporária e condicional. Consulte a carta aos Hebreus e veja que a salvação e redenção dada por Deus é eterna e não temporária conforme os versículos a seguir: “... e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da Salvação eterna para todos os que lhe obedecem...”. (Hebreus 5:9 – o grifo é meu) “ ...não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”. (Hebreus 9:12 – o grifo é meu) Que sentido haveria na expressão “salvação eterna” se a pessoa fosse salva apenas temporariamente, isto é, enquanto ainda não tivesse apostatado da fé? Assim fica provado que no caminho da salvação não existe apostasia! Ser salvo com salvação eterna é ser salvo para toda a eternidade conforme Isaías 45:17 que diz: “Israel, porém, será salvo pelo Senhor com salvação eterna; não sereis envergonhados nem confundidos em toda a eternidade”. Esta salvação eterna é a garantia de que o próprio Deus nos conduz até o fim: “Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o restante da casa de Israel; vós a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice

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eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”. (Isaías 46:3,4) No salmo também diz: “O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre”. (Salmos 121:8) .................................... “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”. (1ª Coríntios 10:13) Aqui está a prova de que a tentação não pode condenar o salvo ao ponto de fazê-lo perder a salvação. A mesma confirmação disso se vê em Romanos 6:14,18 que diz: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”. “e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”. (versículo 18) Pedro também confirma a mesma verdade em sua carta: “é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos, e reservar, sob castigo, os injustos para o dia de juízo...” (2ª Pedro 2:9). .................................... “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. (João 5:24) Que sentido haveria nesta declaração de Jesus se o crente pudesse se perder novamente? O Senhor Jesus foi claro ao dizer que o crente “não entra em juízo”. Assim sendo, e uma vez possuidor da vida eterna (1ª João 5:11 a 13; 1ª Timóteo 6:12), o crente é imortal, ou seja, não pode nunca mais ser separado de Deus, pois “passou da morte para a vida”. .................................... “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (João 10:10) Quando um ladrão rouba, mata e destrói, algo irreversível acontece na vida da pessoa. Do ponto de vista humano, para essas três coisas não há volta. O Senhor Jesus compara a figura de um ladrão com o diabo. O diabo faz o mesmo serviço que um ladrão comum faz, mas numa situação muito pior, pois ele mata, rouba e destrói espiritualmente. Jesus nos mostra que em contraposição, Ele dá vida abundante. O que é irreversível na vida terrena, na vida espiritual Jesus dá uma vida eterna poderosa. Os feitos de Satanás não podem superar a obra de Cristo. Justamente, por isto, a salvação não pode ser perdida!

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.................................... “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11:25, 26) Nestes versículos, o Senhor Jesus faz o contraste entre a vida e a morte. Uma pessoa que está morta na carne, mas creu em Jesus ainda em vida, com toda certeza viverá ou ressuscitará no último dia. É isto uma garantia, uma promessa feita pelo próprio Senhor. No mesmo contexto, uma pessoa que está viva na carne, e tem fé em Jesus, é garantido que ela nunca morrerá eternamente, ou seja, a morte eterna. Ainda, no evangelho de João, encontramos outra promessa maravilhosa que garante a salvação para sempre, leia com atenção: “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte”. (João 8:51 – o grifo é meu) Só pode “guardar” a palavra do Senhor quem é seu filho, aquele que vive uma vida reta diante dos homens. Embora guardar a palavra do Senhor seja um fato na vida do crente verdadeiro, no fim das contas somente o Senhor é quem garante que a pessoa nunca verá a morte eternamente. Basta que creiamos em sua Pessoa! .................................... “Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto entre mim e vós”. (Gênesis 17:11) A palavra circuncisão é definida nos seguintes termos segundo o dicionário da Bíblia de Almeida: “Cerimônia religiosa em que é cortada a pele, chamada prepúcio, que cobre a ponta do órgão sexual masculino. Os meninos israelitas eram circuncidados no oitavo dia após o seu nascimento. A circuncisão era sinal da ALIANÇA que Deus fez com o povo de Israel (Gn 17.9-14). No NT o termo às vezes é usado para designar os israelitas (Gl 2.8; Cl 4.11; v. NTLH). Outras vezes significa a circuncisão espiritual, que resulta numa nova natureza, a qual é livre do poder das paixões carnais e obediente a Deus (Jr 4.4; Rm 2.29; Cl 2.11; Fp 3.3)”.2 Em outras palavras, a ordem de circuncidar dada a Abraão foi um selo de Deus indicando sua justificação. Essa pequena cirurgia realizada no prepúcio masculino nos serve para que entendamos a segurança da salvação. Uma vez realizada no órgão sexual masculino, tal cirurgia torna-se irreversível. Nunca mais a pessoa poderá desfazê-la e nem será contada entre os incircuncisos. Embora a circuncisão seja um sinal visível da justificação, a verdadeira circuncisão acontece no espírito. “Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”. (Romanos 2:29) Essa verdadeira circuncisão do coração da qual todo homem e mulher devem passar, é obra exclusiva de Deus. “no qual também fostes circuncidados com a

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circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo” (Colossenses 2:11). Assim como a circuncisão feita pelos homens é irreversível, assim também a circuncisão feita no coração por intermédio de Jesus Cristo não pode ser anulada. Desta forma a salvação não pode ser perdida, pois uma vez circuncidado no coração, seremos novas criaturas em Cristo para todo o sempre. Pode você reverter uma cirurgia feita pelo homem? Poderá fazer o mesmo revertendo o que Deus fez? Jamais! .................................... “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”. (Lucas 15:10) Se o cristão pudesse se perder novamente, que sentido haveria em se ter alegria no céu por um pecador que se arrepende? A não ser que lá no céu ninguém tenha certeza de nada, o que é impossível! Se o mesmo pecador arrependido que foi a causa do júbilo dos anjos de Deus pudesse se perder novamente, certamente os mesmos anjos teriam que se lamentar pela perda do pecador. De fato, isto não acontece, porque a alegria dos anjos não se acaba. Não pode existir um ciclo de ALEGRIA NO CÉU tristeza porque você caiu - ALEGRIA porque você voltou - tristeza porque você novamente caiu. A Bíblia não ensina isso. Toda pessoa que se arrepende, torna-se uma igreja de Cristo, e a Bíblia ensina que a Igreja de Cristo será sempre irrepreensível (Efésios 5:27; 2ª Coríntios 11:2; 1ª Coríntios 12:26,27). .................................... “se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo.” (2ª Timóteo 2:13) Aqui está o versículo que nos ensina que o crente infiel será salvo pela fidelidade de Deus. A infidelidade do crente não pode desfazer a fidelidade de Deus (Romanos 3:3). Por isto, quer seja fiel, quer seja infiel, o crente jamais será abandonado por Deus. “De maneira alguma te deixarei nunca jamais te abandonarei”. (Hebreus 13:5b) Mas devemos lembrar sempre: NENHUM CRENTE SALVO SE APROVEITA DESSAS PROMESSAS PARA VIVER EM PECADO! SEUS PECADOS SÃO INVOLUNTÁRIOS, OU SEJA, O CRENTE NUNCA PLANEJA PECAR OU VIVER EM PECADO, NUNCA ESTÁ CONFORMADO COM O PECADO. O PECADO SIMPLESMENTE ACONTECE NO TEMPO E NO ACASO. Infelizmente, no tempo e no acaso, quando somos tentados, voluntariamente/conscientemente cedemos às tentações.

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“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido”. (1ª João 5:1) Uma vez que é nascido de Deus, para perder a salvação, o crente teria que “desnascer”, o que seria algo impossível. .................................... “...de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador”. (Hebreus 7:22) O que é um fiador? É a pessoa que responde por outra numa responsabilidade de pagamento. Tínhamos uma dívida grandiosa diante de Deus e Jesus assumiu a responsabilidade por ela. Você falhou, eu falhei, enfim, todos nós falhamos em tentar pagar a dívida para com Deus. Mas, Jesus em nosso lugar não falhou e como fiador assumiu a dívida. Justamente por isso que a nossa salvação está garantida para sempre. .................................... “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2:8-9) Uma vez que a salvação é pela graça, ou seja, por favor imerecido, essa salvação também não pode ser perdida. A pessoa que recebe contente um presente, jamais o devolverá. O presente é dela para sempre. A pessoa que o deu também jamais o pedirá de volta. O favor imerecido de Deus se estende a todos os homens. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”. (Romanos 5:18) Assim a salvação acontece primeiramente pela graça de Deus, depois tomamos posse pela fé. Ambas, a graça e a fé (conforme Efésios 2:8) são dons de Deus, e por isso, não são coisas vindas do ser humano. Caso viessem do ser humano o alcançar a graça e o esforço em se ter fé através do livre-arbítrio, poderiam tais esforços a qualquer momento serem revogados. Como vêm de Deus não podem ser revogados, pois “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. (Romanos 11:29) As obras estão totalmente fora de questão para não anular a graça. “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça”. (Romanos 11:6) As obras não conseguem cobrir a dívida impagável, pois a cada tentativa o ser humano sobe um degrau e retrocede em muitos degraus. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”. (Tiago 2:10) Se você acerta em cinco pontos da Lei ao não mentir, não roubar, não matar, não adulterar, não furtar, com toda certeza você erra em mais de dez durante o dia, e um só erro basta para errar em todos, imagine errar em dez.

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Por isto “que o homem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus, também nós temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado”. (Gálatas 2:16 ) Se fosse por obras, caminharíamos por vista e não por fé. A fé em Cristo para a salvação é exercida do começo ao fim, durante toda a vida. “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. (Romanos 1:17) A graça e a fé são dadas pela misericórdia de Deus. “...não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo...” (Tito 3:5). E de quem Ele tem misericórdia? De quem pecou menos? De alguém mais bonito, ou mais desprezado, ou mais pobre? De alguém que Ele previu que aceitaria o evangelho? De alguém bondoso? A salvação dos salvos em Cristo não acontece nem por um caso e nem por outro conforme Romanos 9:16 que diz: “Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”. A salvação não depende do querer ou correr de alguém, mas da misericórdia exclusiva de Deus. Afinal, ninguém quer a salvação, pois não “há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. (Romanos 3:10 a 12) Se a escolha de Deus para salvar se baseasse naqueles que O escolhessem, então a salvação não se basearia na graça divina, mas no esforço humano. Isto se choca contra todo o ensino bíblico a respeito da graça. E contraria o ensino claro de várias passagens das Escrituras, segundo as quais a salvação não depende da vontade humana. João disse que os crentes “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:13) “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão”. (Romanos 9:15) Estas palavras dão total sustentação à salvação incondicional. Elas foram citadas de Êxodo 33:19 e têm a força de declarar que a compaixão e a misericórdia de Deus não estão sujeitas a qualquer causa fora de sua livre graça e vontade. Se a salvação dos seres humanos não aconteceu por nada fora da vontade de Deus, também não o foi pela perseverança nas obras, “mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo antes dos tempos eternos”. (2ª Timóteo 1:9) Em Romanos 9:11 podemos ler essa mesma verdade: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama)”. Este versículo fala a respeito de Esaú e Jacó. Eles eram irmãos gêmeos e antes mesmo deles nascerem Deus já tinha dito: “Como está escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú”. (Romanos 9:13). Portanto, não há nada de positivo na criatura humana que possa servir de base para a salvação que Deus por sua infinita misericórdia concede. A eleição Soberana de Deus não pode ter sido feita pelo comportamento bom ou mau de quem quer que seja.

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Todos somos maus perante Deus e destituídos estamos de sua glória. A salvação é um ato de amor da parte de Deus ao ter misericórdia de suas criaturas. Essa misericórdia dura para sempre e por isto a salvação não pode ser perdida: “Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem...” (Salmos 103:17). .................................... “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador”. (Isaías 43:11) Quem acredita que a salvação se perde, pensa que pode determinar seu caminho salvando-se a si mesmo. Mas, Deus é claro ao dizer que Ele é o Salvador, e ninguém está habilitado a salvar-se a si mesmo – quanto mais concluir a obra de salvação. É Deus quem realiza a obra de salvação conforme Ele mesmo disse em Isaías 43:12: “Eu anunciei salvação, realizei-a e a fiz ouvir...”. Sendo assim, é o Senhor quem age na vida do salvo e, conforme Ele mesmo disse “agindo eu, quem o impedirá?” (Isaías 43:13). Em outro texto bíblico, o Senhor Jesus compara o maná que os israelitas comeram no deserto com o pão vivo que é Ele mesmo: “Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6: 47 a 51 e 58). O pão vivo que desceu do céu é superior ao maná que os israelitas comeram no deserto. Eles comeram do maná, mas morreram. Basta comer do pão vivo que é Jesus que o homem poderá viver eternamente. Aqui neste texto de João, o Senhor Jesus não abre margem para dizer que é possível uma ovelha sua se perder novamente, pois o pão do céu é vivo e não alimenta temporariamente, mas para toda a eternidade. No Salmo 37:9, 11 está escrito: “...os malfeitores serão exterminados, mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.” Salmos 37: 9,11 O salmista é claro em dizer que os justos herdarão a terra. É uma certeza absoluta. Isto significa que não perderão a salvação. Basta à pessoa ser de Jesus que ela herdará a terra. No versículo 28 do mesmo Salmo lemos: “Pois o Senhor ama a justiça e não desampara os seus santos. Eles serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada”. Observe que os santos do Senhor “serão preservados para sempre”. Serão preservados do pecado, do inferno e das ciladas do diabo. Quem os preservará? É o próprio Salvador. Não se diz que serão preservados temporariamente. O famoso Salmo 23 cantado em verso e prosa por todas as pessoas também prova que a salvação não se perde. O salmo começa assim: “O Senhor é o meu pastor: nada me faltará”. (Salmo 23:1)

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É lamentável que esse salmo seja lido somente para questões de prosperidade material. O salmo inteiro é uma descrição perfeita da vida do cristão verdadeiro. O último versículo claramente nos mostra que a salvação é garantida para sempre: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”. (Salmo 23:6) Quem confia e faz a vontade de Deus permanece firme para todo o sempre. “Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, firme para sempre”. (Salmo 125:1) “Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece para eternamente”. (1ª João 2:17) Ainda no livro dos salmos, podemos ver outras grandiosas promessas da parte de Deus em proteger os seus filhos. Nos Salmos há promessas de que o crente verdadeiro é guardado por Deus, do mal que há no mundo. “Sim, Senhor, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre”. (Salmo 12:7) No Salmo 17:8 diz que o cristão é guardado por Deus como a menina dos Seus olhos. Os Salmos 25:20,21 e Salmos 97:10 diz que a alma do cristão é guardada por Deus e preservada em sinceridade e retidão. .................................... “Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus; confirma sobre nós as obras de nossas mãos, sim, confirma a obras das nossas mãos”. (Salmo 90:17) Qual a obra que Deus efetua no crente verdadeiro? A obra da perseverança até o fim, da santificação, da vitória sobre a tentação etc. Por praticar a verdade, o crente se aproxima cada vez mais da luz e não pode se perder nas trevas. “Quem pratica a verdade aproxima-se da luz a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus”. (João 3:21) Suas obras feitas em nós é infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20), porque Ele é quem efetua o querer e o realizar (Filipenses 2:13). Ele mesmo, o Senhor faz as obras por nós, através de nós e com nós (Isaías 26:12). Portanto, quer durmamos, quer façamos alguma coisa, nossa salvação sempre estará ganha e garantida porque o Senhor “trabalha para aquele que nele espera”. (Isaías 64:4) .................................... “Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso, mas o justo tem perpétuo fundamento”. (Provérbios 10:25) Qual é o perpétuo fundamento do cristão que faz com que ele não se perca? A resposta está em 1ª Coríntios 3:11 que diz: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”. O justo tem seu perpétuo fundamento o qual é Cristo, mas Deus também tem o seu, veja: “Entretanto o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem”. (2ª Timóteo 2:19)

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A salvação do cristão também se fundamenta em duas coisas imutáveis: a) a promessa de Deus (Josué 21:45; Atos 13:32; 2ª Coríntios 1:20; Efésios 3:6; Hebreus 9:14,15;10:23; 1ª João 2:25); b) o juramento de Deus (Hebreus 6:16, 17). Só a promessa, sem o juramento já era em si mesma suficiente, mas Deus querendo mostrar a imutabilidade daquilo que Ele decretou, foi além da promessa, fazendo juramento. E Deus foi ainda mais além quando jurou pelo Seu próprio nome, porque não havia outro nome superior ao Seu (Hebreus 6:13,16; Jeremias 44:26; Números 23:19). .................................... “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. (Romanos 8:9b) “... não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”. (1ª Coríntios 6:19,20) Conforme se vê nestes versículos, o cristão verdadeiro é propriedade de Cristo. Você já viu a propriedade fugir do proprietário? Fomos comprados, e por isto, pertencemos a Ele para sempre. .................................... “...eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno”. (1ª João 2:14) Todos os crentes vencem o diabo. Infelizmente, vejo crentes jejuando, fazendo sacrifícios, orações e mais orações na tentativa de vencer o diabo e parece que o diabo sempre continua mais forte. O povo e os líderes religiosos fizeram um Cristo fraco e um diabo forte. É um tal de que o diabo vai roubar minha salvação, minha felicidade, minha família etc. Somente quem é de Deus pode vencer o diabo. “Filhinhos, vós sois de Deus, e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. (1ª João 4:4) Se você ainda não é um cristão verdadeiro, certamente você não está protegido pelo sangue do Cordeiro. Você só poderá ser um vencedor se estiver com Jesus. “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”. (Apocalipse 12:11). .................................... “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória”. (Colossenses 3:4) Quando ouço falar na manifestação ou volta de Cristo, na maioria das vezes, escuto ameaças contra as ovelhinhas de Jesus. As ameaças giram em torno de “você vai ficar porque você está em pecado”, “como é que está a sua vida com Deus?” Ao contrário

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disso, o apóstolo Paulo nos dá certeza dizendo que seremos manifestados com Jesus, em glória. Quão grande diferença existe entre o que a Bíblia diz e o que os mestres da religião dizem! Se o leitor ainda crê que é possível perder a salvação, então leia o que diz o texto de Isaías: “Levantai os vossos olhos para os céus e olhai para a terra em baixo; porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra se envelhecerá como um vestido; e os seus moradores morrerão semelhantemente; a minha salvação, porém, durará para sempre, e a minha justiça não será abolida. Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, vós, povo, em cujo coração está a minha lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis pelas suas injúrias. Pois a traça os roerá como a um vestido, e o bicho os comerá como à lã; a minha justiça, porém, durará para sempre, e a minha salvação para todas as gerações.” (Isaías 51:6 a 8). Um dia a salvação de Deus acabará, pois no novo céu e nova terra não haverá mais necessidade de salvação. Mas a salvação que Deus dá agora aos que crêem em Jesus durará para sempre. O próprio Deus faz os seus filhos andarem em seus estatutos e não eles pelas suas próprias forças. Veja esta verdade no livro de Ezequiel: “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis” (Ezequiel 36: 26-27). Se o coração é novo e o de pedra já foi tirado, então fica provado que é impossível endurecer o coração novamente e abandonar a Cristo. O velho coração era enganoso e podia conduzir a perdição: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9) Leia os seguintes textos bíblicos: Romanos 8:29; Efésios 1:4; Tito 1:1 a 3; 2ª Tessalonicenses 2:13; 2ª Timóteo 1:9; 1ª Pedro 1:2. Segundo esses textos podemos concluir que: 1 – Deus nos predestinou para sermos conforme a imagem de seu Filho, portanto, seremos salvos inevitavelmente; 2 – Deus nos escolheu nEle antes da fundação do mundo; 3 – A vida eterna nos foi prometida antes dos tempos eternos; 4 – Deus nos escolheu desde o princípio para a salvação; 5 – Fomos salvos conforme a graça em Cristo, que foi dada antes dos tempos eternos; 6 – Fomos eleitos segundo a presciência de Deus Pai. Se um cristão pudesse perder a salvação, que sentido haveria nessas passagens? Que sentido haveria em Deus escolher seus filhos desde a fundação do mundo e depois perdê-los novamente? Deus escolheria uma pessoa antes de o mundo existir, desde a eternidade para no fim das contas perdê-la novamente? Sabemos que Deus é sábio e Ele jamais predestinaria e elegeria em vão!

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Segundo o livro do Apocalipse 17:8, os nomes dos salvos já estão escritos no livro da vida desde antes da fundação do mundo, e isto prova o quanto Deus não faz as coisas em vão. Só se perdem aqueles que não estão escritos no livro da vida. Por exemplo, aqueles que adorarão a besta no tempo do fim, farão isto porque realmente não são salvos: “...e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo”. (Apocalipse 13:8) Vemos assim que aquele que tem o seu nome escrito no livro da vida não poderá adorar a besta e se perder novamente. Veja nos próximos tópicos sobre a questão do livro da vida do Cordeiro. .................................... “Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos”. (Jeremias 10:23) Quem determina o caminho do homem salvo é o Senhor! Por isso, podemos entender porque o cristão não pode perder a salvação. Uma vez que é somente Deus quem dirige nossos passos, não podemos ser dirigidos para a perdição novamente. Esse versículo de Jeremias deixa claro que o destino do cristão não está nas mãos do homem, mas na determinação do Senhor. .................................... “Pode acaso o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal”. (Jeremias 13:23) Neste texto, Deus nos mostra como somos incapazes de fazer o bem estando acostumados a fazer o mal. Assim fica provado que ninguém neste mundo é capaz de se converter por sua própria força. Também temos a prova de que ninguém pode se manter na salvação pura e simplesmente por sua capacidade, pois seria o mesmo que se o leopardo e o etíope pudessem reverter sua condição natural. .................................... “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça repouso e segurança, para sempre”. (Isaías 32:17) O efeito da justiça de Deus por se crer em Cristo é a paz. Não a paz que o mundo dá que é falsa e passageira, mas uma paz que resulta em repouso e segurança. O interessante é que Isaías deixa claro que essa segurança e repouso são “para sempre” e não temporariamente.

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.................................... “...o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”. (1ª Coríntios 1:8) Neste versículo, o apóstolo Paulo exalta a soberania de Deus dizendo que em primeiro lugar é Deus quem confirmará seus filhos até o fim, para que sejam irrepreensíveis até a vinda de Cristo. Aqui não diz que o homem tem esta capacidade por si próprio. É Deus pelo seu poder quem pode fazer isto e fará. .................................... “O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre”. (João 8: 35) O filho de Deus fica para sempre na casa do Pai celestial. Quem ainda não tomou uma decisão por Cristo é escravo do pecado, e não poderá ficar para sempre na casa do Pai. O Senhor nos ama e cumpre a vontade do Pai em nossas vidas. E qual é a vontade do Pai? A vontade do Pai está escrito em João 6:39-40: “E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. Se Jesus perdesse um só dos seus, seria o mesmo que dizer que Jesus não é TodoPoderoso. Jesus não somente promete dar a vida eterna aos seus, mas também garante que irá ressuscitar no último dia. Também devemos levar em conta, que somos a casa espiritual de Cristo. Sendo assim, só pode guardar a fé até o fim, aqueles que são a casa espiritual de Cristo, segundo Hebreus 3:6: “Cristo, porém, como Filho, sobre a sua casa; a qual casa somos nós, se guardamos até ao fim a ousadia e a exultação da esperança”. (Hebreus 3:6) .................................... “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5) Quem não permanece em Cristo é porque não possui o temor do Senhor. Sem Jesus o cristão não pode viver em santidade, vencer o pecado, a carne e o diabo. Por fim, sem Jesus o cristão não pode perseverar até o fim. É o Salvador que dará a cada um dos cristãos, o poder e a força necessária para perseverarem até o fim. Não adianta o homem bater no peito e dizer que é capaz. Somente o poder sobrenatural vindo do Espírito Santo é que pode dar capacidade e vontade ao homem para perseverar até o fim.

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.................................... “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”. (João 6:37) Um certo defensor da perda da salvação, disse que o Senhor não lança fora quem vai até Ele pedindo perdão e salvação. Mas, depois, se a pessoa não permanecer na graça, ela poderá se perder eternamente. Acontece, que se isto fosse verdade, de uma forma ou de outra o Senhor Jesus teria que lançar a pessoa fora. E o texto é bem claro ao dizer que “de modo nenhum o lançarei fora”. Isto quer dizer que nem por pecado nenhum, nem por apostasia, o Senhor lançarará fora um filho seu (uma vez que eles estão guardados da apostasia e do pecado). O Senhor mesmo prometeu guardar, proteger e salvar. Judas em sua carta também expressa esta verdade: “... aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo...” (Judas 1:1 – O grifo é meu). Quem a Bíblia diz que é lançado fora? A resposta é encontrada nas parábolas de Jesus: “E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”. (Mateus 25:30) Toda a pessoa que será lançada fora, nas trevas, é o chamado servo inútil e nunca um filho de Deus verdadeiramente salvo por Jesus. “Espera aí! Todos os filhos de Deus não são servos inúteis?” Talvez pergunte o leitor. Sim! Por mais que façamos alguma coisa na obra de Deus somos servos inúteis conforme Lucas 17:10: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”. Devemos levar em consideração que os que alcançam, pela obediência, a maior perfeição possível nesta vida estão longe de exceder as suas obrigações e fazer mais do que Deus requer, e são deficientes em muitos dos deveres que são obrigados a fazer. O servo inútil que é lançado nas trevas é o que não possui a fé de Cristo. É o servo que crê em suas obras. O servo que batalha para ser salvo, e se o fizer, ser-lhe-á inútil. Deus é que lutou, e venceu, em Cristo Jesus, derrotando todas as forças oponentes ( o mundo, o pecado e a morte ) para salvar os seus. .................................... “... ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo”. (1ª Coríntios 12:3) Dizer “Senhor Jesus!” pelo Espírito Santo não é o simples fato de falar. É expressar esta verdade em vida, vivendo de acordo com a vontade de Deus. Somente pela obra do Espírito Santo regenerando, santificando e salvando é que a pessoa pode realmente expressar o quanto Jesus é o Senhor da vida dela. Uma vez que é somente assim que podemos expressar Jesus como Senhor de nossas vidas, também podemos crer que a salvação está garantida.

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.................................... “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:6) A boa obra que Deus começa no cristão é a salvação. Segundo a lógica, quem começa uma obra tem que terminar. Nunca a obra por si mesma pode terminar. É o autor da obra que a começa e a termina. Assim também a obra de salvação que o Senhor começa em cada um, Ele mesmo a aperfeiçoará até o dia de Sua Vinda, pois o Senhor “trabalha para aquele que nele espera” (Isaías 64:4). .................................... “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:13) Se analisarmos o que Deus quer para cada um, passaríamos páginas e mais páginas e não terminaríamos. Mas uma das coisas que Deus quer é que todos perseverem até o fim. Não somente é este o querer de Deus, mas também o efetuar conforme lemos no texto acima. Deus não fica apenas querendo alguma coisa para seus filhos. Ele a efetua. Não se diz que Deus quer e o homem efetua segundo o seu querer falho e humano. Primeiro o poder vem de cima, depois automaticamente o homem faz a vontade de Deus. Quem pode resistir à boa vontade de Deus: “Pois quem jamais resistiu à sua vontade?” (Romanos 9:19). Somos como o vaso nas mãos do oleiro: “Como o vaso, que o oleiro fazia de barro, se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então veio a mim a palavra do Senhor: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel”. (Jeremias 18:4,5 e 6) O Senhor é o Grande Oleiro e faz de nós segundo a Sua soberana vontade (Isaías 45:9; Romanos 9:20, 21). Ele nos molda de acordo com o formato desejado. Assim como o objeto não pode se separar das mãos do oleiro, também não podemos nos separar das mãos de Deus. .................................... “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Efésios 4:30) O fato dos cristãos estarem selados para o dia da redenção significa garantia absoluta com relação à salvação. Nota-se que não diz que este selo é temporário. É para o dia da redenção! Quer dizer que todo cristão já está marcado com este selo, e isto vem de Deus. “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações”. (2ª Coríntios 1:21,22 ver também 2ª Coríntios 5:5)

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Ainda na carta aos Efésios, no capítulo 1 e versículos 12 a 14, lemos: “... a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouviste a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua graça”. Como podemos ver, os cristãos foram marcados com o selo do Espírito prometido, sendo isto uma garantia, enquanto aguardam a libertação completa. Somos propriedade de Deus e no devido tempo Ele nos libertará completamente. Justamente por isso, nada e nem ninguém neste mundo poderá invalidar nossa salvação. Não podemos nos esquecer também que o Espírito Santo habitará para sempre na pessoa salva conforme as próprias palavras de Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. (João 14:16, 17 – o grifo é meu) O Senhor Jesus prometeu também que estará com seus filhos todos os dias e nunca os abandonará, sendo esta uma garantia também de que a salvação não se perde (Mateus 28:20) .................................... “ ...fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé...”. (Hebreus 12:2) Pelo o que se pode ver, a fé do crente é de autoria de Jesus. E não somente a autoria da fé, mas também o fim dela, a consumação. Mas haverá o fim dessa fé? Sim! Porque quando estivermos frente a frente com Jesus não precisaremos mais ter fé e nem esperança. Teremos a realidade daquilo que ainda não vemos, teremos a esperança satisfeita de uma vez por todas. Essa Fé que o cristão professa em Cristo não é a capacidade humana de crer (conforme já vimos no início), mas sim, um dom de Deus (Efésios 2:8). Quando uma pessoa recebe a Jesus Cristo, Deus deposita nela o dom da fé para crer nEle. O dom da fé é a fé do Senhor Jesus Cristo. É a mesma fé que o Senhor teve quando esteve aqui na terra. Devemos notar que quando Jesus esteve na terra, Ele tinha o costume de falar para as pessoas: “como é grande a tua fé”, “homens de pouca fé”, “não achei nem mesmo em Israel uma fé como esta”. Esta é a fé natural e humana, onde a pessoa tem muita ou pouca fé. Todo aquele que recebe a Cristo recebeu o dom da Fé. Todos os cristãos verdadeiros possuem este dom espiritual para crer em Cristo. Essa é a fé que fez o Senhor vencer a tentação do diabo no deserto. É a fé que O fez vencer até o último momento na cruz. Enfim, esta é a fé que vence o mundo: “...porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1ª João 5:4). Uma vez que a nossa fé é um dom de Deus, somos capazes de vencer o mundo, o pecado, a carne e o diabo, pois somos nascidos de Deus. Não se diz que vencer o mundo será apenas uma possibilidade, mas se diz que todo aquele que é nascido de

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Deus vence o mundo. Se o cristão pudesse apostatar (abandonar) a fé, poderíamos dizer que o mesmo estaria deixando de crer em Cristo e por fim anulando a sua fé nEle. Mas isto não é possível conforme podemos ler em Romanos 11:29: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. A fé em Cristo é um dom de Deus que não pode ser revogada ou anulada. Uma vez se crê em Cristo, uma vez se crê para sempre. A santa vocação de Deus não pode ser anulada pelos homens. Abaixo veremos alguns tipos de fé que existem: 1. Fé natural – todas as pessoas possuem esta fé. Ela é a nossa capacidade humana de crer. Alguns a exercitaram de tal maneira que até o próprio Senhor Jesus se admirou: “Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta”. (Lucas 7:9) A fé natural não pode salvar porque é falha e seria uma obra da parte do homem, e sabemos que a salvação não é por obras. 2. Fé histórica – a fé histórica é quando a pessoa acredita nos acontecimentos históricos da Bíblia. A pessoa crê que Jesus viveu há dois mil anos atrás assim como crê que Napoleão, Pedro Álvares Cabral e outros personagens históricos viveram também. A fé histórica por si só não pode salvar porque não produz a verdadeira conversão pela fé em Cristo. 3. Fé religiosa – esta fé consiste num conjunto de doutrinas em que a pessoa acredita. Todas as religiões possuem suas doutrinas, dogmas, preceitos que podemos chamar de fé. Essa fé também não salva. 4. Fé morta – “a fé sem obras é morta” (Tiago 2:17). Quem tem essa fé é porque a semente da Palavra de Deus não germinou nele. O indivíduo diz de boca pra fora que crê em Jesus, mas o seu coração está longe do Senhor. Tal fé não pode salvar a pessoa, pois ela diz que crê, mas suas ações (obras) demonstram que não houve conversão. Qualquer bêbado, político corrupto, prostituta e ladrão diz que crê em Jesus, mas suas obras demonstram o contrário. 5. Fé Salvadora (dom de Deus) – já vimos que esta fé vem de Deus. Quando uma pessoa aceita o evangelho e se entrega a Cristo, ela deve fazer isto de maneira consciente e sem reservas. Receber a Cristo é entregar-se a Ele sem reservas, ou seja, é abrir mão de sua própria vida para estar com o Senhor, é julgar-se a si mesmo reconhecendo ser um pecador. Quando a pessoa faz isto com sinceridade, é porque recebeu da parte de Deus o dom da fé para crer de verdade e para sempre em Jesus. O significado exato da palavra ‘fé’ está escrito em Hebreus 11:1: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. Quem tem o dom da fé, tem constantemente em sua vida a certeza e a convicção dos fatos relacionados à vida espiritual. Portanto, quem crê em Cristo tem certeza da ressurreição, vida e bênçãos eternas que receberá após a morte. Junto com a certeza a pessoa que crê em Cristo tem convicção dos fatos que não se pode ver, ou seja, ela sabe que é filho (a) de Deus, está assentado (a) com Cristo nos lugares celestiais e sabe que já foi perdoado (a) dos seus pecados. O crente em Jesus pode até passar

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pelas mais horríveis aflições, temores, dúvidas a ponto de se desesperar da própria vida (como aconteceu com o apóstolo Paulo – 2ª Coríntios 1:8), mas, no seu íntimo, ele sempre sabe que é um filho de Deus e sempre confessa a Jesus. A fé não é a ausência total de dúvidas. As dúvidas cruéis atacam mesmo aqueles tiveram as mais gloriosas experiências com Deus. João Batista é o maior exemplo disso. Nas próximas páginas, no capítulo Análise de Personagens Bíblicos, há uma análise sobre a dúvida de João Batista. Com dúvidas cruéis e desesperadoras o cristão acaba crescendo mais e mais em sua fé. A seguir, veja o que a Bíblia fala mais a respeito do dom da fé: 1.

A fé é um dom de Deus e não do homem.

a) b) c) d)

A fé dom não vem de nós – Efésios 2:8; A fé é um dom perfeito que vem do alto, do Pai das luzes – Tiago 1:17; Esta fé não é fingida – 2ª Timóteo 1:5; A fé é fruto do Espírito – Gálatas 5:22

2.

A fé dom é de todos os crentes verdadeiros.

a) b) c) d)

É a fé dos eleitos – Tito 1:1-4; É uma fé preciosa que todos os cristãos possuem – 2ª Pedro 1:1; Deus repartiu a fé na medida que cada um precisava – Romanos 12:3; Temos o mesmo espírito da fé – 2ª Coríntios 4:13.

3.

O dom da fé se dá uma só vez para sempre.

a) b)

É uma fé que foi entregue uma vez por todas aos santos – Judas 3; Por ser um dom, a fé é irrevogável, não se perde – Romanos 11:29.

4.

A fé dom nos mantém salvos para sempre.

a) b) c)

Temos paz com Deus pela fé – Romanos 5:1; Tudo o que não provém de fé é pecado – Romanos 14:23; Não podemos retroceder e sim avançar sempre – Hebreus 10:39.

5.

Jesus é o Criador do dom da fé.

a) b) c)

É a fé que de futuro haveria de revelar-se – Gálatas 3:23; O justo viverá por fé, não a sua, mas a de Cristo – Romanos 1:17; A fé dom produz a justiça que agrada a Deus – Romanos 3:26, Filipenses 3:9; Jesus é o Autor e Consumador da nossa fé – Hebreus 12:2; Esta fé vem e se ativa nos escolhidos ao ouvirem a Palavra de Deus – Romanos 10:17; É uma fé santíssima – Judas 20

d) e) f)

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6.

O dom da fé não é débil, mas há aqueles crentes que são débeis na fé, ou firmes na fé.

a) b)

Devemos acolher ao que é débil na fé - Romanos 14:1; Há daqueles que são firmes na fé – Colossenses 1:23.

Baseados nestes versículos que acabamos de estudar, devemos mais uma vez entender que para se crer em Cristo, devemos ter a fé de Cristo. Esta fé nunca nos deixará, pois é dom de Deus irrevogável. Ao ter fé, estamos guardando a unidade do Espírito: um corpo, um Espírito, um Senhor, uma só fé (Efésios 4:4 a 6 e 13). .................................... “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos.” (Judas 24) Não sabemos o que virá no futuro, se alguma tribulação, perseguição, algum pecado ou alguma coisa incerta que poderá nos fazer tropeçar. Mas, a garantia absoluta vinda da parte de Jesus Cristo, nos guarda de tropeços futuros. O apóstolo Paulo tinha também esta confiança e pôde dizer: “Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2ª Timóteo 1:12). Na mesma carta a Timóteo, Paulo diz também que a coroa da justiça está garantida para ele e para todos os que amam a vinda de Jesus: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. (2º Timóteo 4:7,8) É óbvio que quando Paulo disse essas palavras ele ainda não havia morrido. Ele disse o que no tempo futuro iria acontecer com ele: receberia a coroa da justiça. Se analisarmos isto do ponto de vista de quem defende o livre-arbítrio, chegaremos a conclusão de que Paulo ainda poderia mudar de idéia antes de morrer. Eis aí o engano do livre-arbítrio. O apóstolo tinha certeza e não dúvida. Essa chamada liberdade de escolha que nos põe diante de decisões que podem ser tomadas aleatoreamente, não reflete a certeza produzida pelo evangelho. .................................... “Enquanto eu estava com eles, eu os guardava no teu nome que me deste; e os conservei, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.” (João 17: 12) Mesmo enquanto esteve na terra Jesus tomou cuidado em guardar os seus. Quem se perdeu foi Judas (veja no capítulo 6 sobre o caso de Judas Iscariotes). Judas era o joio no meio do trigo. Não podemos nos esquecer que no cristianismo existe o joio e o

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trigo. Os dois caminham juntos. São parecidos, mas somente o trigo o Senhor levará para o reino eterno. O joio serve apenas para ser queimado. .................................... “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida...”. (Romanos 5:8, 9 e 10) Que amor insondável é o amor de Deus! Em um determinado tempo de nossas vidas éramos pecadores e inimigos. Nesta época Cristo já havia nos amado e morrido por nós. E agora, sendo filhos possuindo a “genética” do Pai? Mais do que antes e muito mais agora seremos salvos da ira de Deus que virá. Justamente por isto a salvação de Deus é total e não parcial conforme Hebreus 7:25: “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. Preste atenção! O Senhor Jesus “pode salvar totalmente”! A palavra “pode” vem do verbo “poder”. Significa que Ele tem poder para salvar totalmente. É importante observarmos que nesse versículo a salvação total não depende do livre-arbítrio humano. Se dependesse do livre-arbítrio, Jesus não poderia salvar totalmente porque dependeria de nossas colaborações. A lógica é simples; se o Senhor pode fazer algo, basta Ele querer fazer para acontecer. E de fato, Ele não somente pode, mas quer salvar totalmente. Sendo assim, a salvação total inevitavelmente tem de acontecer na vida do crente verdadeiro. E o autor de Hebreus termina o versículo dizendo que a salvação total só é possível porque Jesus vive “sempre para interceder” pelos seus. É graças ao interceder contínuo do Senhor Jesus que a salvação está garantida. Isto aconteceu na vida de Pedro. Satanás queria peneirar todos os discípulos. O Senhor intercedeu em especial por Pedro para que a fé dele não desfalecesse. E o que aconteceu? Pedro negou Jesus três vezes, mas mesmo assim não perdeu sua fé no Senhor vindo a se arrepender. Nessa salvação total de Cristo, incluem-se TODOS os nossos pecados: “Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção; e ele remirá a Israel de todas as suas iniqüidades”. (Salmos 130:7,8 – o grifo é meu) “o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”. (Tito 2:14 – o grifo é meu) Caso a salvação de Cristo fosse parcial, jamais Ele nos remiria de toda iniquidade. “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. (1ª João 1:7 – o grifo é meu)

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“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça”. (1ª João 1:8 – o grifo é meu) Esses versículos anulam a idéia herética que a religião nos tem ensinado. A religião ensina que Jesus só nos perdoa o que fizemos ainda em ignorância e que depende de nosso esforço em sermos bons depois da conversão. Na contramão da religião, o Senhor Jesus nos mostra que Ele pagou o preço na cruz do Calvário para nos perdoar, resgatar e salvar de TODOS os nossos pecados e não de uma parte deles apenas. São pecados cometidos no passado, presente e futuro. Em quantidade, em intensão e extensão, em malícia e por mais terríveis que sejam. Pecados conscientes, premeditados, voluntários e por ignorância. De todas as pessoas de todas as épocas, desde Adão até o último ser humano que virá a nascer. O sacríficio de Cristo é perfeito, seus méritos são infinitos e encobrem até o mais terrível dos pecados que se possa imaginar. Nenhum pecado pode ser maior e estar fora do alcance dos méritos de Cristo. Certa vez, um religioso me disse que ele poderia ter uma vida inteira reta diante de Deus, mas se ele pecar na hora que Jesus voltar, com certeza perderá a salvação. Que “Jesus” é este que tal religioso acredita? Que sentido haveria em dizer que o Senhor Jesus “a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade” uma vez que um pecado ficaria de fora dessa remissão? Então, não seria toda iniquidade, mas apenas algumas iniquidades. Mas, para escapar, muitos religiosos já me disseram que Jesus nos remiu de toda iniquidade cometida antes da conversão. Se foi assim, então, quem morreu pelo restante dos pecados que cometemos após a conversão. Nesse caso precisaríamos de mais um salvador! Se um pecado fosse a causa da perdição de um crente em Jesus, poderíamos dizer que o Senhor nos manda fazer coisas que Ele mesmo não cumpre. Um exemplo disso, é quantas vezes Ele nos mandou perdoar uma pessoa que peca contra nós. “Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete”. (Mateus 18:21,22 ver também Lucas 17:3,4) A soma de “setenta vezes sete” é igual a quatrocentas e noventa vezes. Isto significa que devemos perdoar um irmão que se arrepende inúmeras vezes ou, simplesmente, “sempre”, daí um tempo ilimitado de vezes. Isto contrasta com o perdão limitado de Pedro. Pare para pensar; se levarmos em conta um dia das seis da manhã às seis da tarde, teremos doze horas. Perdoar quatrocentas e noventa vezes num dia seria mais ou menos uma ofensa a cada dois minutos. É claro que a pessoa para fazer isto teria que ficar o dia inteiro tentando-o constantemente. Mas, a idéia em questão, é o ilimitado perdão. Embora, não há quem nos ofenda quatrocentas e noventa vezes num dia, temos ofendido o Senhor a vida inteira. E Deus mostra o quão é grande a Sua misericórdia. Ele pediu para que nosso perdão seja infinito, e antes de tudo, Ele mesmo é quem primeiramente pratica tal misericórdia. Uma vez que a obra de Cristo é completa podemos dizer que “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. (Romanos 8:1)

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A condenação que havia era um escrito de dívida, que era contra nós (Colossenses 2:13, 14) e foi cancelado pelo Senhor Jesus Cristo. Como não há mais condenação, o crente jamais poderá vir a ser condenado. “Mas o Senhor não o deixará nas suas mãos, nem o condenará quando for julgado”. (Salmo 37:33) “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (1ª Coríntios 11:32 ver também Salmo 89:30-35 – o grifo é meu) Ao contrário do crente verdadeiro, os perversos morrem espiritualmente pela falta de disciplina: “Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com os laços do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e pela sua muita loucura perdido cambaleia”. (Provérbios 5:22, 23) Uma vez que Jesus pagou e sofreu por TODOS os nossos pecados, estamos livres até mesmo dos pecados futuros. Livres de pecar, e se pecarmos perdoados seremos, mas isto não abre brecha para vivermos em pecado. A graça e o perdão de Deus deve nos dar consolação para sempre, e liberdade para termos uma vida sempre em novidade, e não com temor do inferno. Quando Jesus disse na cruz: “Está consumado” (João 19:30), Ele quis dizer que todo o pecado do crente está consumado. Portanto, tudo foi feito, tudo está consumado e precisamos descansar nessas promessas. Por fim, a salvação total de Cristo é completa, pois Ele mesmo aperfeiçoa, firma, fortifica e fundamenta de acordo com 1ª Pedro 5:10: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. Desta forma podemos crer que a segurança da salvação é obra exclusiva de Deus, e não do homem, porque o texto acima usa a expressão “Ele mesmo” referindo-se que o Senhor é quem fará todas as coisas. .................................... “Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu, justificado está do pecado”. (Romanos 6:5,6 e 7) O homem e a mulher sem Deus estão mortos em delitos e em pecados (Efésios 2:1). Esta situação de morte espiritual que permeia em nosso mundo faz com que toda a humanidade pecadora esteja alheia a Deus. A palavra diz: “Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. (Romanos 3:10, 11 e 12) Quando o Senhor Jesus nos transforma e nos faz nascer de novo, nosso velho homem é crucificado com Ele, morremos para o pecado e para o mundo. Se antes da conversão estávamos mortos e alheios a Deus, não entendendo, não O buscando,

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agora que estamos vivos para Ele fazemos o contrário. Quem está morto para o pecado e para o mundo, está alheio as coisas pecaminosas. Já viu algum morto se mover ou falar? Portanto, quem está morto para o pecado não pode ressuscitar para ele novamente. Se nosso velho homem está crucificado com Cristo, não podemos voltar à velha vida e perder a salvação. Assim como foi necessário um grande poder para nos vivificar, assim também seria necessário um poder maior ainda para nos arrebatar de Cristo. Nem Satanás, nem os demônios e nem qualquer outra criatura possuem esse poder. Quero esclarecer algo aqui. Quando falo em “mundo” ou em “coisas pecaminosas”, não estou me referindo sobre deixar de frequentar certos lugares, tais como: cinemas, lanchonetes, restaurantes, festas de casamento, praias ou mesmo usos e costumes de vestuários. Quando me refiro ao mundo, tenho em mente aquilo que a Bíblia realmente diz sobre o assunto, como por exemplo: prostituição, corrupção, lascívia, blasfêmias, roubo, furto, homicídio, heresias etc. Ser cristão não é viver como monges alheios às coisas moderadas e benéficas que o mundo nos oferece. Cada um julgue segundo o Senhor aquilo que é melhor para si e que em primeiro lugar glorifique a Deus. Não é cabresto e regras humanas produzidas por homens “religiosos” que devemos seguir, mas sim devemos ser leitores fiéis da Bíblia, pois ela é nosso guia. Se uma festa, lanchonete ou cinema são tentações capazes de te conduzir ao pecado, é porque você não faz nada para a glória de Deus. A Bíblia ensina que “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. (1ª Coríntios 10:31) Portanto, se qualquer ambiente que você frequenta te conduz a fazer o que é errado, logo, você não vive para a glória de Deus e também não é sal da terra e luz do mundo (Mateus Mateus 5:13 a 16). Como pode o sal da terra viver somente dentro do saleiro? O sal foi feito para salgar e estar misturado em meio a comida. O mesmo se dá com a luz. Ela tem de brilhar em meio às trevas. Muitos crentes religiosos, infelizmente, vivem como se fossem sal dentro do saleiro. Não se misturam, não salgam, não brilham no mundo. “Mas a Bíblia não ensina que devemos ser diferentes do mundo?” talvez pergunte. Sim, devemos nos manter longe das contaminações do mundo. Mas, nem tudo o que há no mundo é errado. Na tentativa de ser “diferente” do mundo, os crentes têm se demonstrado mais iguais e pagãos que os mundanos. Observe, que nas igrejas que mais falam contra o mundanismo, onde mais se têm regras do pode ou não pode, são essas mesmas igrejas as mais cheias de discórdia, fofocas, maledicência e morte espiritual. Se levarmos ao pé da letra essa de ser “diferente” do mundo, então, não poderemos nem mesmo nos aposentar. Porque? Porque um plano de aposentadoria é tão mundano quanto se possa imaginar. Basta ver isto se levarmos ao pé da letra as palavras de Jesus que diz: “Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?

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Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”. (Mateus 6:25 a 34) Quem se preocupa com a aposentadoria está se preocupando com o dia de amanhã. E se preocupar com o dia de amanhã é uma coisa que os gentios procuram. Não estou dizendo que é errado se aposentar e se precaver para o dia de amanhã, é corretissímo termos o pé no chão, mas faço aqui uma comparação para quem quer dizer que é tão “diferente” dos mundanos. E os crentes legalistas têm se demonstrado tão iguais aos mundanos como qualquer outro, tanto no aposentar, como no acumular bens, como na avareza e por aí vai. Depois para se justificarem que não são como os mundanos, afirmam que não frequentam praias, lanchonetes, festas, cinemas etc. Acorde povo da religião! .................................... “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. (2ª Coríntios 12:7, 8 e 9) Numa determinada ocasião, o apóstolo Paulo foi arrebatado até o céu (2ª Coríntios 12:1 a 4). A grandeza das revelações que Paulo recebeu foi tamanha, que para que não houvesse o perigo da soberba subir-lhe a cabeça, foi-lhe posto um espinho na carne (possivelmente uma doença). Vemos aqui o cuidado de Deus para com os seus no que se refere à proteção contra o pecado. O que Paulo viu foi tão grandioso que a soberba que viria poderia ter feito com que seu ministério fosse um fracasso. Sobre o perigo da soberba, há um versículo interessante no livro de Provérbios: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”. (Provérbios 16:18). O Senhor livrou Paulo da ruína e da queda. Deus usa de vários meios para livrar e proteger os seus filhos. Em Isaías 57:1,2 podemos ver esta verdade: “Perece o justo, e

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não há quem se impressione com isso, e os homens piedosos são arrebatados sem que alguém considere nesse fato, pois o justo é levado antes que venha o mal, e entra na paz; descansam nos seus leitos os que andam em retidão”. .................................... “Todavia o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do maligno”. (2ª Tessalonicenses 3:3) Temos um Deus que é fiel apesar de nossa infidelidade. Infelizmente existe um deus monstruoso conforme a imagem de muitos religiosos. O nosso Senhor, Verdadeiro e Único, nos confirma e guarda do maligno para sempre. Aliás, o maligno nem pode nos tocar (quanto mais nos desviar do Senhor): “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca”. (1ª João 5:18) .................................... “O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”. (Apocalipse 22:17) Quem é o Espírito? É o Espírito Santo. Quem é a noiva? É a Igreja de Cristo. O Espírito Santo habita na Igreja de Cristo, ou seja, habita em cada pessoa que é de Cristo. Guiada pelo Espírito Santo, essa igreja constantemente diz: “Vem”. A Igreja clama pela volta de Jesus Cristo, espera ansiosamente pela vinda do noivo. Por isso, que um filho de Deus vigia constantemente, porque aguarda a vinda do Senhor. Quem não vigia é o ímpio, o pecador. Este sim será pego de surpresa na Vinda do Senhor Jesus. Por isso, que um filho de Deus não pode perder a salvação, pois espera ansiosamente se encontrar com o Mestre Jesus Cristo. .................................... “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco”. (Isaías 35:5 a 10) Nos versículos 5 e 6 do texto acima, fala a respeito dos cegos que enxergarão, dos coxos que saltarão como cervos e da língua do mudo que cantará. Essas profecias de Isaías se cumpriram na Pessoa do Senhor Jesus Cristo quando esteve na terra (Mateus 11:5; 7:22). No versículo oito fala a respeito do “bom caminho” que é na verdade “o Caminho Santo”. Este Caminho é o próprio Senhor Jesus (João 14:6). O “imundo não passará” por esse Caminho Santo, mas somente o povo do Senhor. O interessante é a afirmação de que todos aqueles que caminharem por esse Caminho não errarão jamais, nem mesmo os loucos errarão. Se nem mesmo os loucos podem errar nesse

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Caminho perfeito, quanto mais os que são normais! Fica uma prova clara de que quem caminhar nos passos de Jesus jamais poderá errar ao ponto de perder a salvação. .................................... “Ditas estas coisas, muitos creram nele. Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos...” (João 8:30,31). Conforme podemos ver nas palavras de Jesus, só permanecem em sua palavra os verdadeiros discípulos. Os falsos discípulos ou falsos crentes não poderão permanecer no Senhor porque não crêem de verdade. Isto aconteceu quando Jesus esteve na terra: “Contudo há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia desde o princípio quais eram os que não criam e quem o havia de trair. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”. (João 6:64,66) Os discípulos que permaneceram com Jesus de fato eram verdadeiros. Tanto que Jesus perguntou se eles queriam abandoná-lo: “Então perguntou Jesus aos doze: quereis também vós retirar-vos? Respondeu-lhes Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”. (João 6:67,68 e 69) Justamente por isso, podemos afirmar que quem abandona o Senhor, não pode ser considerado um crente verdadeiro. .................................... “Dizia ele, pois, às multidões que saíam para ser batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos do arrependimento, e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”. (Lucas 3:8) Esta foi à dura pregação de João Batista às multidões. Ele compara o ser humano à raça de víboras. O ser humano é mau e tem a natureza como se fosse uma cobra, por isso precisa nascer de novo para se tornar uma ovelha de Jesus. Nascer de novo não é reencarnação, pois a Bíblia diz que o que é nascido da carne, é carne, e o que é nascido do Espírito, é espírito (João 3:6). Ou seja, o novo nascimento não acontece na carne, mas no espírito da pessoa. Nascer de novo também não é mudar de religião, pois mudar de religião é o mesmo processo da cobra que muda de casca. O exterior da pessoa muda, mas a natureza continua sendo a de cobra. Segundo a lei da natureza, os animais não mudam de espécie, mas são o que são até a morte. Quem nasce de novo mediante o lavar regenerador do Espírito Santo, é uma ovelha de Jesus, e ovelha é ovelha até a morte. Já viu alguma ovelha se transformar em lobo? É bom que se tenha sempre em mente que ser ovelha de Jesus, ser santo, regenerado e justo são méritos exclusivos conquistados por Cristo. Nenhum de nós foi ou será capaz de ser alguma coisa através de méritos próprios.

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A Bíblia também compara o ser humano com uma árvore: “Assim toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons”. (Mateus 7:17, 18) Todo o ser humano é uma árvore má, mas quando Cristo cura a doença da árvore que é o pecado, a pessoa se torna uma árvore boa. O destino da árvore boa é certo porque sempre produzirá bons frutos. Jamais perderá a salvação. E o destino da árvore má também é certo: “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”. (Mateus 7:19) .................................... “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. (Romanos 8:28) Quem foi chamado segundo o propósito de Deus, tem tudo a seu favor. Sejam sofrimentos, alegrias, tristezas, morte, vida, ou seja, todas estas coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Nada pode cooperar para o nosso mal e perdição. Estamos fincados na rocha que é Jesus. Aliás, o próprio Jesus disse a respeito de se construir uma casa sobre a rocha: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína”. (Mateus 7:24 a 27) Se a salvação se perdesse, não adiantaria de nada construir nossa casa sobre a rocha. O Senhor foi claro ao dizer que quem constrói a casa sobre a areia, terá grande ruína. Todo filho de Deus está bem fundamentado, pois pratica as palavras de Deus e jamais poderá ser arruinado. .................................... “Também eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mateus 16:18) Quem é Pedro no reino de Deus? Apenas uma pedra viva assim como todos os outros cristãos. A palavra Pedro no grego é Petros e significa “pedra de cascalho ou pedrinha”. Mas, de acordo com o texto de Mateus que acabamos de ver, existe outra palavra que contrasta com Pedro; é a palavra “pedra” que no grego do Novo Testamento é Petra. Esta palavra significa “rocha, bloco rochoso não removível ou grande rocha”. É sobre esta grande Rocha (Petra) que está edificada a igreja de Cristo. O próprio Cristo é a grande Rocha. Aqueles que realmente são filhos de Deus são as igrejas vivas de Cristo e estão edificados numa rocha e não numa pedra pequenina. E, mais, estar na Rocha que é Jesus é estar seguro, pois nem as “portas do inferno prevalecerão contra ela”. Se nem as portas do inferno podem prevalecer contra um filho de Deus, quanto mais perder a salvação.

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Para não ter ou perder a salvação, uma pessoa tem que tropeçar na Pedra de tropeço que é Cristo. “Por quê? Porque não decorreu da fé, e, sim, como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido”. (Romanos 9:32,32) Existe um provérbio japonês que diz que “a gente tropeça sempre nas pedras pequenas porque as grandes a gente logo enxerga”. Por trás deste provérbio existe uma grande verdade descrita na Bíblia. Veja só o tamanho da pecaminosidade de quem rejeita a Cristo. Ninguém rejeita a Grande Pedra que é Cristo porque não a consegue ver. É até perdoável que alguém venha tropeçar em outras pedras pequenas, mas tropeçar numa grande rocha é algo improvável para um ser humano, mesmo porque a rocha é grande demais para se tropeçar. E, é justamente isto, que fazem aqueles que se perdem para sempre. Eles tropeçam em Cristo, a Grande Rocha. “Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”. (1ª Pedro 2:8) No versículo seguinte, Pedro mostra que os cristãos não tropeçam na rocha de ofensa ao dizer: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real e povo de propriedade exclusiva de Deus...” (1ª Pedro 2:9). Ainda sobre tropeçar ou cair, a Bíblia também afirma que “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia”. (1ª Coríntios 10:12) Uma vez que para cair definitivamente, a pessoa tem que tropeçar na Grande Pedra, logo, isto não pode acontecer com o cristão, porque “Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura a mão” (Salmos 37: 23 e 24). Até mesmo o “cair” ou estar “em pé” do cristão, é para o Senhor, veja: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster”. (Romanos 14:4) Ao cair, um filho de Deus, o salvo em Cristo Jesus, vai perder muita coisa: a alegria da salvação (Salmo 51:12), a bênção da comunhão com os irmãos, mas deve se levantar. O verdadeiro crente, não fica derrubado, não. Até o erro, o pecado, aquilo que não devíamos fazer mas fizemos, tem seu lado de crescimento. Sendo circunstancial, tem seu valor pedagógico. O profeta Miquéias, diz: “Não te alegres, inimiga minha, a meu respeito; quando eu cair, levantar-me-ei; quando me sentar nas trevas, o Senhor será a minha luz. Sofrerei a indignação do Senhor, porque tenho pecado contra ele; até que ele julgue a minha causa, execute o meu direito. Ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça” (Miquéias 7:8,9). Portanto, a Bíblia é clara a esse respeito; podemos muitas vezes até tropeçar em pedras pequenas, mas na Pedra Principal não podemos jamais, pois a rejeição ou aceitação de Cristo são definitivas. “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular”. (Atos 4:11)

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.................................... “Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos”. (João 10:4,5) Temos aqui o retrato fiel do relacionamento do Bom Pastor Jesus Cristo com suas ovelhas. Suas ovelhas conhecem Sua voz e “de modo nenhum seguirão o estranho”. Esse versículo se constrasta com 1ª Timóteo 4:1 que diz que alguns apostatarão da fé por obedecerem a espiritos enganadores e a ensinos de demônios. Quem fará isto? De fato são aqueles que não são ovelhas de Jesus e por isto seguem o estranho. .................................... “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos anticristos têm surgido, pelo que conhecemos que é a última hora. Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”. (1ª João 2:18, 19) Temos aqui um texto muito claro sobre a questão da apostasia. Segundo o texto acima, quem sai do meio dos cristãos e se tornam apóstatas (ou anticristos), são aqueles que nunca nasceram de novo. O apóstolo João deixa isto bem claro ao dizer que “eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”. Sendo assim, se os apóstatas tivessem sido cristãos de verdade, teriam permanecido na verdadeira fé. .................................... “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará...” “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor”. (1ª Coríntios 13:8, 13) Profecias, dons espirituais, línguas e as ciências são coisas passageiras neste mundo, mas o amor de Deus é eterno. Esta é outra prova de que a salvação não se perde, pois quem ama tem o amor de Deus no seu coração, e o amor nunca acaba: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus”. (1ª João 4:7) Quem tem o amor de Deus em sua vida, tem o dom da fé e a esperança. A fé, a esperança e o amor são três coisas permanentes na vida do crente verdadeiro, porém, o amor é o dom supremo que recebemos da parte de Deus para sempre.

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.................................... “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo”. (1ª Pedro 1:3 a 5) Desses versículos acima podemos concluir que a herança da salvação não se corrompe, não mancha e não murcha. Também devemos observar que o texto fala que somos “guardados pelo poder de Deus”. Essa é uma salvação incorruptível reservada nos céus que não pode morrer jamais. No versículo 7 Pedro diz também: “... para que o valor da vossa fé, uma vez confirmado, muito mais precioso do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo...” (1ª Pedro 1:7). Segundo este versículo, a fé pode ser provada por várias provações. Assim, a fé, é provada como o ouro que passa pelo fogo. O ouro desaparece, mas a fé, que vale muito mais não se perderá jamais até o dia de Jesus Cristo. Se a fé fosse obra do homem com toda certeza ela desapareceria ao ser provada. .................................... “...pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada”. (1ª Pedro 1:23 a 25) Quem foi regenerado pelo Espírito Santo recebeu a semente incorruptível, e esta semente foi mediante a Palavra de Deus que é permanente. A Palavra permanece para sempre na pessoa regenerada. Essa mesma Palavra diz que a nova aliança que Deus fez em Cristo é também garantia de salvação eterna. “Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma coisa”. (Gálatas 3:15) Se ninguém revoga ou acrescenta alguma coisa em uma aliança meramente humana, imagine o que Deus fez com o crente em Cristo, na pessoa de Abraão. Sim, Deus fez uma aliança irrevogável (Gálatas 3:29). Ao fazer uma nova aliança em Cristo (1ª Coríntios 11:25), Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança incondicional, selada com sangue (Jeremias 34:18, 19; Gênesis 15:12-21), e não com sapato (Rute 4:7,8) ou com sal (Números 18:19; Levítico 2:13). Em Gênesis 15:12 vemos que Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança unilateral (o rompimento da aliança só seria possível se Deus morresse). Mediante a nova aliança com sangue – (Jeremias 31:31-33), o temor do Senhor é insuflado no coração do crente (Jeremias 32:39,40) para que não se aparte de Deus (Hebreus 3:12; 8:8 a 13; Ezequiel 36:26,27).

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.................................... “Quanto, porém, aos covardes... a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. (Apocalipse 21:8) Este versículo nos mostra uma lista de pecados que conduzem uma pessoa ao inferno. Destacamos a palavra “covarde” que se referem aqueles que deixam de seguir a Cristo e voltam para trás. Tais pessoas nunca foram cristãs e a prova disso está em 2ª Timóteo 1:7 que diz: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. .................................... “Na vereda da justiça está a vida, e no caminho da sua carreira não há morte”. (Provérbios 12:28) Se o cristão pudesse apostatar da fé, ele estaria se suicidando espiritualmente. Mas, conforme Salomão nos ensina nesse texto de Provérbios, no Caminho da Justiça não existe morte, muito pelo contrário, nesse Caminho há a vida eterna somente. “Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com os laços do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e pela sua muita loucura perdido cambaleia”. (Provérbios 5:22, 23) Ao contrário dos perversos, os cristãos são frequentemente corrigidos e disciplinados pelo próprio Deus. Eis ai o motivo porque os filhos de Deus não podem morrer espiritualmente, pois para eles a disciplina é garantida, mas para o perverso não. .................................... “Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”. (João 4:13,14) Se o cristão pudesse perder a salvação, poderíamos dizer que ele teria fome e sede espiritual novamente. Mas, como sempre, Jesus garante que o cristão “nunca mais terá sede, para sempre”. E ainda afirma: “ ...pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”. Muitos pregadores não crêem nestas palavras porque acreditam no potencial do homem e não no poder do Salvador.

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.................................... “ ...todavia, o meu justo viverá pela fé, e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma”. (Hebreus 10:38-39) Segundo o texto acima, quem são aqueles que NÃO retrocedem para a perdição? A resposta é: São aqueles que são da fé! Ora, esta fé é o dom de Deus que conserva a alma e é justamente por isto que os filhos de Deus não podem retroceder para a perdição. Temos aqui um texto muito claro a respeito da salvação eterna do cristão. Essa conservação da alma pela fé podemos ver no Antigo Testamento conforme 1º Reis 19:18: “Também conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou”. Se Deus não tivesse conservado esses sete mil israelitas, quem mais os conservaria? Eles mesmos por méritos pessoais? Jamais! .................................... “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é”. (1ª João 3:2) A parte deste versículo que diz que “ainda não se manifestou o que havemos de ser” é muito clara sobre a questão da salvação eterna do cristão. É a prova de quem pertence a Cristo já tem sua absoluta garantia da transformação final. “Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias”. (Marcos 13:20) Ser escolhido de Deus é ter garantia absoluta de proteção. O Senhor até mesmo abreviou os dias do fim para que todos os seus eleitos pudessem se salvar. Caso contrário, a pressão do diabo e o engano será tão forte no tempo do fim que não seria possível ninguém se salvar. .................................... “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás, e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança”. (Daniel 12:13) Esta é uma das mais extraordinárias promessas feitas por Deus a alguém. O versículo em questão é claro sobre o destino final do profeta Daniel. Aqui Deus lhe promete a garantia da vida eterna. Deus lhe manda continuar seguindo o seu caminho, e lhe garante que após a morte vai receber a herança. Esta herança é a ressurreição da vida eterna com Jesus.

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.................................... “Então lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos: que será, pois, de nós? Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel”. (Mateus 19:27,28) Temos aqui uma promessa clara da salvação eterna. Pedro queria saber o que seriam deles por seguir a Jesus. O Senhor responde garantindo a todos eles (com exceção de Judas) que eles se assentariam em tronos para julgar as doze tribos de Israel. Essa é a presciência do Senhor. O Senhor sabe de antemão que seus filhos estarão lá no céu com Ele. Ao fazer referência à traição que Judas iria efetuar, Jesus deixou claro que de antemão conhecia aqueles a quem escolheu (João 13:18). Assim, todos os filhos de Deus são conhecidos de antemão, pois o Senhor não erra em Sua Soberana escolha. Talvez, o leitor, pergunte: “Se o Senhor não erra em Sua Soberana escolha, a Bíblia diz que Ele escolheu Judas, mas Judas se perdeu. Como pode ser isto?” A Bíblia não diz que Judas foi escolhido para a salvação. Judas foi escolhido para o apostolado! O próprio Jesus disse a respeito de Judas conforme veremos abaixo: “Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (João 6:70 e 71). “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome que me deste, e protegios, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura”. (João 17:12) Para saber mais a respeito de Judas, leia no capítulo 6 o tópico: Judas Iscariotes Perdeu a Salvação? .................................... “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos por causa do reino de Deus, que não receba no presente muitas vezes mais, e no mundo por vir a vida eterna”. (Lucas 18:29, 30) Um ponto interessante desta promessa de Jesus para seus seguidores é o modo como Ele começa a promessa. Ele começa dizendo “que ninguém há”, querendo dizer com isto que todos quantos foram salvos ao deixar tudo nesta vida, não deixarão jamais de receber bênçãos, tanto no presente como na vida eterna. Esta é sem dúvida alguma uma grande promessa de salvação eterna.

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.................................... “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência”. (Hebreus 4:10, 11) Este “descanso” refere-se ao repouso sabático providenciado na morte e ressurreição de Cristo. Este repouso é celestial, mas é usufruído nesta vida pela fé. Quando se diz que “descansou de suas obras, como Deus das suas”, significa que quem confia na obra perfeita de Cristo que iniciou a Nova Criação, não tentará ganhar a salvação por boas obras. O versículo três deixa isto bem claro ao dizer que aqueles que crêem em Cristo já entraram no descanso de Deus: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso...” (Hebreus 4:3). O versículo 11 diz que devemos até mesmo nos “esforçar” para entrar no descanso (se caso não houve conversão), pois a entrada no descanso evita a mesma queda e desobediência que aconteceu com Israel: “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência”. (Hebreus 4:11) Esse versículo é uma prova clara da segurança eterna da salvação, pois os israelitas caíram em desobediência porque não tiveram fé, e a fé evita a queda (Hebreus 4:2). Com relação ao mandamento de se “esforçar” para entrar no descanso de Deus, é bom que se tenha em mente que quando a Bíblia manda “esforçar-se”, “arrependerse”, “ter fé” e “salvar-nos” ela não está dizendo que isto é uma obra que salva o homem. A teologia chama isto de paradoxos bíblicos, pois a Bíblia é cheia de paradoxos. E o que são os paradoxos? Os paradoxos são idéias que vão contra o senso comum e até às vezes parecem-se com contradições. Por exemplo; a Bíblia manda o homem se arrepender, mas o arrependimento só é possível porque é Deus quem o concede. Manda ter fé, mas a fé vem de Deus. Manda esforçar-se, mas é Deus quem dá a força. Deus manda fazer obras, mas as obras perfeitas vem de Deus. A Bíblia diz que só pode ser salvo quem é predestinado por Deus, por outro lado só pode se perder quem rejeita a salvação, mas para se perder não é necessário ser predestinado para a perdição, mesmo porque Deus não predestina para o mal. A predestinação é um dos paradoxos bíblicos mais difíceis de se aceitar. E porque acontece isto? Porque o homem não aceita a idéia de ser decidido algo a seu respeito antes da fundação do mundo. O homem não aceita que Deus predestine uns e rejeite outros. Mas, tudo isto vem de um mal entendimento sobre o assunto. Para entender mais sobre isso, imagine que somos seres bidimensionais que vive num mundo tridimensional. Exemplifique tal idéia desenhando um retângulo numa folha de papel. Após fazer isto, desenhe também um círculo ao lado do retângulo. Num mundo bidimensional (como é a folha de papel), não é possível que um círculo seja um retângulo ao mesmo tempo. Mas, em nosso mundo tridimensional isto é possível. Como? É simples, basta imaginar que o retângulo que você desenhou seja

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um cabo de vassoura. Pegue agora mesmo um cabo de vassoura em sua mão e o gire na frente de seus olhos. Gire-o na horizontal e não na vertical. Você perceberá que o cabo da vassoura embora tenha um formato retangular, ao mesmo tempo ele é um círculo, pois tem uma forma cilíndrica. Assim como um retângulo desenhado num papel não pode ser um círculo ao mesmo tempo, porque está preso em um mundo bidimensional, assim também os paradoxos parecem ser contraditórios porque não enxergamos como é na dimensão espiritual. É justamente por isso que há vários versículos da Bíblia que ensinam a predestinação, e por outro lado, há vários versículos que dão a entender que os condenados são condenados por própria culpa. No mundo de Deus as duas idéias são compatíveis, ou seja, Soberania Divina x Responsabilidade Humana. Devemos lembrar também que a predestinação é só do nosso ponto de vista. Para Deus não existe “pré” (antes) e nem existe depois. Como já foi dito no início, para Deus não existe tempo. Tudo o que é decidido na eternidade é decidido fora do tempo. O que para nós é pré-destinação para Deus acontece em seu ETERNO AGORA. Para nós que vivemos limitados pelo tempo e pelo conhecimento, os paradoxos não fazem sentido, apenas podemos aceitá-los pela fé. .................................... “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna; porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”. (Romanos 6:22,23) Segundo este versículo, podemos entender que se uma pessoa não está sendo santificada, não há razão para se pensar que tenha sido justificada. O fruto da santificação é garantido, bem como a vida eterna. No versículo 23 também encontramos mais uma garantia da salvação eterna. É a respeito do dom gratuito de Deus que é a vida eterna. Se a vida eterna é um dom de Deus, logo não pode ser anulada, pois “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. (Romanos 11:29) .................................... “Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, e deste modo frutifiquemos para Deus”. (Romanos 7:4) Este texto faz parte da analogia do casamento (Romanos 7:1 a 6). “A liberdade da lei é ilustrada em termos da relação entre a esposa e seu marido. A comparação é simples: assim como a morte dissolve o vínculo entre o marido e esposa, a morte do crente com Cristo rompe o jugo da lei. Ele está livre para unir-se com Cristo”.3 Ao morrermos relativamente à lei, passamos a pertencer a outro, “Aquele que ressuscitou dentre os mortos”, ou seja, Jesus Cristo. Cristo é o novo marido, e uma vez que Ele não morre mais, a nova união do crente com Ele nunca mais será

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dissolvida. Segundo o que se dá para entender dessa analogia do casamento, teria que Cristo morrer novamente para que o crente pudesse estar livre da união com Ele. Como o Senhor não morre mais, a Igreja não fica viúva e nem livre para se casar com outro. E neste caso, outro seria tudo menos o bem, mas sim o próprio Satanás. .................................... “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que em vós habita”. (Romanos 8:11) A garantia da nossa ressurreição é a habitação do Espírito Santo dentro de nós. Em 2ª Coríntios 5:5 também encontramos a declaração de que a garantia da plena vitória é a presença do Espírito do Senhor no coração do crente. O próprio Espírito é o sinal do pagamento conforme Efésios 1:13, 14: “em quem também vós, depois que ouviste a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua graça”.

O Fator Externo Até agora vimos que por nós mesmos não podemos nos afastar do amor de Deus. Este fator interno pelo livre arbítrio não tem poder de tirar os cristãos do caminho do Senhor. O temor do Senhor é maior do que tudo e a garantia é Deus quem dá em sua palavra. Segundo o ensinamento bíblico o fator externo também não pode nos afastar do amor de Deus. Os agentes do fator externo (como já vimos) são Satanás, o mundo, os demônios, alguma pessoa ou qualquer coisa que poderia nos seduzir afastando-nos do Senhor. Todas essas coisas não têm poder de roubar nossa salvação e de nos afastar do amor de Deus, veja: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:35, 38 e 39). Tudo isto é possível porque estamos nas mãos de Jesus Cristo de Nazaré. Quem está nas mãos dEle, está seguro, pois Ele mesmo prometeu: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (João 10: 28-29). Estar nas mãos do Criador do Universo é estar absolutamente livre de qualquer perigo. As ovelhas de Jesus são maiores do que tudo neste mundo. Nenhum cristão verdadeiro se perderá novamente porque o Senhor é poderoso. Se a salvação

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dependesse dos homens, ninguém se salvaria, mas como ela depende de Deus, não se pode perdê-la.

__________________________________ BIBLIOGRAFIA 1.

Livro Predestinação e Livre-Arbítrio – pág. 89 – autores: John Feinberg / Norman Geisler / Bruce Reichenbach / Clark Pinnok. Editora Mundo Cristão – São Paulo – SP, 1ª Edição brasileira em fevereiro de 1989.

2.

Dicionário da Bíblia de Almeida, 2ª Edição, © 1999 Sociedade Bíblica do Brasil, © 2005 Versão eletrônica – Site: www.sbb.org.br

3.

Bíblia Vida Nova, comentário de rodapé da página 186 (Novo Testamento) – comentário sobre Romanos 7:1. Editora Vida Nova, 17ª Edição, 1993.

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- Capítulo 4 As Parábolas de Jesus e a Salvação Eterna

Ao fazermos uma análise minuciosa das parábolas de Jesus, veremos que praticamente na maioria delas existem ensinamentos com relação a segurança eterna do cristão. Este capítulo é dedicado inteiramente às parábolas.

A Parábola do Peixe e dos Pescadores (Mt 4:18-22; Mc 1:16-20; Lc 5:1-11) “E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores; e disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no. E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes; e chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no”. (Mateus 4:18-22 – o grifo é meu) Simão, Tiago e João sabiam muito bem o que era uma pescaria. Ninguém como eles entendiam tão bem do oficio. Algo muito profundo que a Bíblia não menciona aconteceu em suas mentes quando Jesus disse: “eu vos farei pescadores de homens”. Nessa parábola Jesus usa a figura de uma pescaria para dizer que eles agoram seriam pescadores não mais de peixes, mas também de homens. Para um peixe a pescaria é uma armadilha fatal. O peixe ao ser atraído pela isca é fisgado, puxado pelo anzol para a superfície e morre pouco tempo depois ao ter contato com o ar. Os peixes vivem num ambiente escuro nas profundezas dos rios, mares e lagos. Ao serem pescados eles vêm para a luz, morrem e são usados para um bom propósito; viram comida e trazem rendimentos para quem pesca. Após morrer, nunca mais um peixe volta ao seu habitat natural e nunca mais será o mesmo. O mesmo acontece quando um homem ou uma mulher são pescados pelo poder do evangelho. As pessoas vivem na profunda escuridão espiritual, alheias à luz da “superfície” da vida de Deus. Quando é pescado pelo poder do evangelho, o ser

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humano sai daquela profunda escuridão, morre para aquele mundo submerso e assim como o peixe, nunca mais volta para lá porque foi pescado de uma vez para sempre.

A Parábola da Traça e dos Ladrões (Mt 6:19,20 e 21) “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Os tesouros celestiais são os únicos que possuem garantia, jamais podem ser perdidos. Se o tesouro da pessoa está no céu, seu coração estará lá também, se o tesouro está na terra, o coração estará ligado a terra. Só possui tesouros no céu quem está salvo, pois “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Uma vez que o coração da pessoa está no céu, com toda a certeza sua esperança não murchará.

A Parábola de Jonas e da Rainha de Sabá (Mt 12:38-42) “Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. A rainha do Sul se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão”. Pelo que podemos entender dessas palavras de Jesus, o “arrependimento” é para todo o sempre, sem jamais haver volta ou perder a salvação. Os ninivitas se arrependeram com a pregação de Jonas e ressurgirão na ressurreição da vida, não para serem condenados, mas para condenar a geração que rejeitou a Jesus. O mesmo se dá com a rainha de Sabá que foi para ouvir a sabedoria de Salomão, ela creu e foi salva para sempre. Ela também se levantará na ressurreição dos justos. Por isto, a fé e o arrependimento verdadeiro, são para sempre. Uma prova disso é com relação ao pecado imperdoável. A respeito deste assunto o Senhor Jesus foi bem claro: “TODOS OS PECADOS SERÃO PERDOADOS...” (Marcos 3:28, 29). O oposto dessa verdade é que apenas um pecado não será perdoado: “mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão...”. A blasfêmia contra o Espírito

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Santo é não aceitar o perdão através do ódio e rebelião aberta contra Deus. Note que tal pecado não tem perdão para sempre. O oposto disto também é verdade. Quem aceita o perdão infinito de Deus é perdoado para sempre (leia o capítulo 8 para saber mais sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo). O apóstolo Paulo também confirma que o perdão de Deus é para todo o sempre: “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado”. (Romanos 4:7,8 – o grifo é meu) Na carta aos Hebreus também encontramos essa verdade: “Pois, para com as suas iniquidades usarei de misericórdia, e dos seus pecados jamais me lembrarei”. (Hebreus 8:12 o grifo é meu) Se o cristão pudesse perder a salvação, o Senhor teria que se lembrar e imputar os pecados novamente. Mas, isto não acontecerá nunca mais conforme a promessa de Deus! O arrependimento só é possível porque é concedido por Deus. “...corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade...” (2ª Timóteo 2:25). O arrependimento é concedido porque é uma obra de Deus e todas às obras dEle são para sempre: “Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar...” (Eclesiastes 3:14). Sendo obra de Deus, o arrependimento tem que durar eternamente na pessoa salva. Outro versículo que prova que o arrependimento é para sempre está em Lucas 13:3, 4 e 5 que diz: “Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. Ou pensais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis”. (o grifo é meu) Se para não perecer no inferno é necessário haver arrependimento, logo, o arrependimento é uma vez só e não existe um contra-arrependimento, ou seja, aquele que se arrepende por ter crido em Cristo.

A Parábola do Semeador (Mateus 13: 3 a 8 e versículos de 18 a 23) A parábola do semeador proferida por Jesus é um retrato fiel e verdadeiro sobre a trajetória daqueles que são salvos e daqueles que se perdem. Nela encontramos a explicação do porque da apostasia e também a grande prova de que a chance de salvação é dada igualmente a todos. Vejamos a parábola do semeador: “E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia

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muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um”. Vejamos agora a explicação de alguns pontos da parábola: “Ouvi, pois, vós a parábola do semeador. A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este é o que foi semeado à beira do caminho”. Esses à beira do caminho são aqueles que nunca tomam uma decisão por Cristo e muitos menos chegam a frutificar na fé. Portanto, nem chegaram a serem salvos pela fé em Cristo, pois nem mesmo entenderam o evangelho. “E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. Esses tais jamais se alicerçaram na verdadeira fé em Cristo, jamais se converteram e a perseguição e angústia por causa da Palavra foram fatores determinantes para destruir a “fé” morta que tiveram. São pessoas que chegam a freqüentar uma igreja, batizam-se, mas não se convertem de fato. Pelo fato de não ter havido conversão elas se escandalizam e abandonam a fé cristã praticando a apostasia. “E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera”. Aqueles que permitem que os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufoquem a palavra, também não se convertem de verdade, pois se “alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1ª João 2:15) “Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve a palavra, e a entende; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta”. Na versão do evangelho de Lucas, o coração que é considerado a boa terra na parábola do semeador é aquele ouviu a palavra “de bom e reto coração”, este “retêm a palavra”, e frutifica “com perseverança”. (Lucas 8:15) Portanto, eis a prova de que quem se converte de verdade não pode perder a salvação, muito pelo contrário, produz frutos e a perseverança está presente sempre. Os demais descritos nesta parábola apostataram da fé, porque o coração deles não foi reto ao ouvir a palavra. A boa terra que frutifica com perseverança é “boa” porque Deus a preparou para ser assim. A terra por si só não pode se preparar, ser adubada e receber chuvas. Depende de Deus para fazer a obra.

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A Parábola do Trigo e do Joio (Mt 13:24-30; 36-43) “Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; o inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. É possível que o joio vire trigo ou vice-versa? De maneira alguma! Então, estou dizendo que existe uma predestinação da qual joio e trigo são o que são para sempre? Não estou dizendo isto, pois todos somos filhos da ira e joio desde o nascimento como os demais. Ninguém nasceu numa posição privilegiada. Todos éramos pecadores e filhos da ira igualmente (Efésios 2:1 a 3), todos somos adotados por Deus, pois éramos filhos do diabo (João 10:42 a 44; 1ª João 3:7,8; Gálatas 4:5; Efésios 1:5; Romanos 8:15). Quando somos regenerados pelo Espírito Santo, deixamos de ser joio, morremos para a velha vida. Após a regeneração, o trigo nunca deixará de ser trigo. Igualmente, após a rejeição do evangelho, o joio nunca deixará de ser joio até a colheita final. A parábola do trigo e do joio nos ajuda também a entender que a salvação não se perde mesmo. Embora parecidos, o joio e o trigo crescem juntos. Quando chega à época da colheita, o que diferencia o trigo do joio é que o trigo fica encurvado e o joio fica sempre em pé.

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A medida em que o tempo passa o trigo se encurva mais perante o Senhor em sinal de obediência, reverência e humildade. O joio é prepotente, arrogante e fica sempre em pé até o fim. Parece até uma espécie de predestinação, mas Deus não predestina para o mal, somente para o bem. E por fim, Jesus não deixa dúvidas quanto a salvação dos justos. E sem ter dúvidas diz: “os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai”.

Parábola do Tesouro, do Comerciante e da Pérola (Mt 13:44, 45,46, ver 47-50) “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a. Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes”. Observe quão grande valor possui o reino de Deus. É comparado a um “tesouro” e a uma “pérola de grande valor”. Imagine o que os homens não fazem por tesouros! São capazes de enfrentar os mais temíveis desafios e inclusive a própria morte. As pessoas salvas em Cristo tratam o reino de Deus como um tesouro ou uma pérola de grande valor. É a grande e única fortuna de suas vidas. Uma fortuna que jamais se perde. Por fim, pela pregação do evangelho, todos são chamados. Como uma grande rede lançado ao mar os homens são puxados. Porém, o destino é certo pra quem foi bom e para quem foi mau. Não há meio termo; ou somos bons em vida através de Cristo ou somos maus fora de Cristo.

Parábola dos Condutores Cegos (Mt 15:14) “Deixai-os: são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco”. É possível ver a segurança da salvação eterna até mesmo nesta parábola. Quem tem olhos iluminados pela graça de Deus não pode jamais seguir um cego. Você já viu uma pessoa que enxerga ser guiada por um cego no dia-a-dia? É ao contrário, o

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cego é quem precisa de um condutor. Note que para cair no barranco é necessário ser cego também, para seguir outro cego. E o verdadeiro cego é aquele que não quer ver.

Parábola do Grão de Mostarda (Mt 17:20) “Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível”. “Nem em Mateus 17:20, nem em Lucas 17:6, Jesus disse "se tiverdes fé DO TAMANHO de um grão de mostarda", mas em ambas as ocasiões Ele disse: "se tiverdes fé COMO UM GRÃO de mostarda", o que é algo totalmente diferente. "Como um grão de mostarda" está referindo-se à qualidade do grão. Os melhores horticultores já tentaram, em vão, HIBRIDAR o grão de mostarda e não o conseguiram. Com as outras hortaliças isto é muito fácil. A fé genuína é como a semente de mostarda, que não pode ser mesclada com "filosofias e vãs sutilezas"”.1 Por isto a fé verdadeira não se corrompe, mas tem qualidade e conduz a vida eterna.

Parábola das Ovelhas Perdidas (Mt 18:11-14) “[Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.] Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir buscar a que se extraviou? E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos”. A ovelha que se extravia continua sendo ovelha mesmo depois que se extraviou. Não deixa de ser ovelha, não vira lobo, mas perdida longe do amparo do Salvador passa por um período difícil de provação e deserto. Mas quem a busca? É o próprio Salvador! A ovelha por si só não pode voltar junto ao rebanho senão pelo poder do Salvador. Ela por si só não sabe e nem pode voltar pelo seu livre-arbítrio. E como sempre Jesus cumpre a vontade do Pai salvando e buscando o que se havia perdido. Se crermos que podemos fazer algo pela nossa salvação na verdade estaremos crendo que somos ovelhas que voltam sozinhas para o amparo do Salvador.

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Parábola das Dez Virgens (Mt 25:1-13) “Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes. Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram. Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí-lhe ao encontro! Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as insensatas disseram às prudentes: Ver-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando. Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço. Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”. (Mateus 25:1 a 13) Aqui está um texto da Bíblia muito usado para dizer que o cristão pode perder a salvação. Na verdade a parábola das dez virgens nada nos ensina sobre a perda da salvação. A idéia que o texto nos passa é que existem duas classes de pessoas no cristianismo – os convertidos e os não convertidos, o joio e o trigo. Os convertidos são chamados de virgens prudentes e os não convertidos de virgens insensatas. A prova de que as insensatas não eram convertidas está no versículo 3: “Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo”. O azeite simboliza o Espírito Santo de Deus. As insensatas não tinham o Espírito Santo em suas vidas, e por isto não eram salvas segundo o ensinamento da Bíblia: “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. (Romanos 8:9) Também as virgens insensatas recebem o mesmo tratamento que Jesus deu aos falsos profetas: “nunca vos conheci”. (Mateus 7:23) Diferentemente deste tratamento terrível, para os seus santos, o Senhor diz que os conheceu de antemão (Romanos 8:29). Quem é de Cristo tem o seu Espírito e é conhecido por Ele, pois o Senhor conhece os que lhe pertence.

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Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37) “Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar”. Esta parábola é o retrato fiel do que acontece no mundo da religião. O sacerdote e o levita passam diante do pecador e nada podem fazer. Jesus como o bom samaritano é o Único que trata das feridas, hospeda e cuida. E ainda, afirma que vem buscar. É uma salvação completa em que o homem ferido pelo pecado nada faz para se curar, pelo contrário, TUDO é pago pelo Bom Samaritano, do começo ao fim. E devemos lembrar que os samaritanos eram considerados como combustível do inferno para os judeus. Jesus ilustra nesta parabola que a salvação vem logo de um samaritano a quem os judeus rejeitavam.

Parabola do Filho Perdido (Lc 15:11-32) “Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!

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Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e pondelhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças; e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; era justo, porém, regozijarmo-nos e alegrarmo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado”. Esta parábola é o retrato fiel de todo o pecador. Dá para se tirar várias lições. Ela diz que o filho pródigo “caindo, porém, em si” resolveu voltar para o Pai. Todo pecador que conheceu o Pai celestial através da Pessoa de Cristo cai em si. Um filho de Deus nunca fica sem ser convencido de sua miséria. O Espírito Santo é quem faz o pecador “cair em si” e ver o quão desviado está do Pai. Também não é correto dizer que o filho perdido era um salvo que se desviou e correu o risco de perder a salvação. O próprio texto diz que ele estava morto e reviveu, significando que ele não era salvo ainda. Somente quando voltou para o pai é que ele foi salvo. O interessante é que nessa parábola aparece a figura do filho mais velho. Mais velho lembra-nos da Lei que está sempre pronta para acusar. E, de fato, nessa parábola o filho mais velho acusa o irmão mais novo por tudo quanto fez. Mas, o Pai cheio de compaixão e graça recebe o filho, faz uma grande festa e não cobra nada. As pessoas que tentam se salvar a partir da lei acusam, cobram e não admitem que fulano ou cicrano que fez isto ou aquilo possam ser salvos. Os legalistas com a Bíblia na mão desconhecem seus benefícios concedidos por graça assim como o filho mais velho descrito na parábola. Estão sempre perto Deus e não sabem da salvação em Cristo.

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Parábola do Rico e Lázaro (Lc 16:19-31) “Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”. Quando se fala na doutrina do inferno, muitos utilizam esta parábola para ensinar sobre o assunto. O que quero chamar a atenção aqui é que podemos encontrar a perseverança da salvação eterna até mesmo nessa parábola. O mendigo Lázaro vivia num estado de miséria que pode ser considerado dos mais terríveis. Deitado em frente ao portão da casa do rico, convivendo com uma grande diferença social, coberto de úlceras, tendo como consolo os cães que vinham lamber-lhes as feridas e desejando se alimentar não propriamente da comida do rico, mas pelo menos das migalhas, Lázaro tem sua situação revertida após a morte. Foi salvo, não porque era pobre e coitadinho, mas porque cria em Cristo. Isto prova que nem o estado mais terrível de miséria é capaz de nos separar do amor de Deus. Muitos acham que a miséria total é desculpa para se perder eternamente. Hoje vemos aí milhares de religiosos acreditando numa tal de teologia da prosperidade. Só são cristãos se Deus der a eles a tão almejada riqueza e bem estar.

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Mas, o verdadeiro evangelho não é assim! O verdadeiro evangelho se vive mesmo estando em miséria. No caso do mendigo Lázaro, descrito na parábola, vale lembrar o que está escrito em Romanos: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez...”. (Romanos 8:35, 38 e 39 – o grifo é meu).

_______________________________ BIBLIOGRAFIA

1. O que a Bíblia NÃO DIZ ...mas muitos pregadores e mestres dizem! Paulo de Aragão Lins, pg. 29

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- Capítulo 5 Análise de Textos Que Parecem Provar Que a Salvação se Perde

A partir deste capítulo iremos analisar vários textos bíblicos que quando mal interpretados fora de seus respectivos contextos, poderão nos induzir a pensar que é possível um cristão perder a salvação. Parece até uma ironia, mas justamente esses textos fazem parte dos melhores para se usar a favor da salvação eterna do cristão.

No Livro de Ezequiel “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; pois pela traição que praticou, e pelo pecado que cometeu ele morrerá”. (Ezequiel 18:24) A explicação desta passagem é facil quando se lê Ezequiel 33:13, que diz: “Quando eu disser ao justo que certamente viverá, E ELE, CONFIANDO NA SUA JUSTIÇA, PRATICAR INIQÜIDADE, nenhuma das suas obras de justiça será lembrada; mas na sua iniqüidade, que praticou, nessa morrerá”. Esta passagem fala do juízo sobre o homem que é justo quanto às suas próprias obras e delas desvia. Esta passagem nada tem a ver com o homem a quem Deus imputou justiça sem obras (Romanos 4:6-8). Ainda, no texto de Ezequiel 33, no versículo 12 há mais um esclarecimento: “Portanto tu, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, por ela não cairá ele no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo pela justiça poderá viver no dia em que pecar”. Este versículo usa uma linguagem própria da Lei, sem esperança e com a morte na certa. Não há uma palavra de esperança como por exemplo, a regeneração, justificação, novo nascimento, perdão, reconciliação etc. Fala-se também da JUSTIÇA DO JUSTO e não da JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO. Aqueles que tem a sua própria justiça e se dizem justos religiosos não

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poderão escapar da morte no dia em que pecarem. Mas, quem tem a justiça de Deus tem a garantia do perdão no dia em que pecar. Nenhum filho de Deus vive em função de “vou pecar porque Deus sempre me perdoa”, mas todo cristão tem a esperança e a garantia quando cai.

No Evangelho de Mateus “...e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Poderia o cristão chegar ao ponto de perder a salvação por não conseguir perdoar uma pessoa? De maneira alguma, pois João diz em sua epístola: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si”. (1ª João 3:14, 15) ................................................. “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor! Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:22,23) O assunto neste versículo de Mateus é sobre os falsos profetas. Muitos afirmam que o fato dessas pessoas expulsarem demônios, fazerem milagres e profetizarem significa que tais indivíduos foram salvos, mas depois se perderam. No entanto, os versículos 15 e 21 são claros sobre a identidade de tais pessoas ditas “cristãs”: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas somente aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mateus 7:15, 21) Fazer grandes obras em Nome de Jesus não significa sinal de favor divino. Qualquer um pode usar o Nome de Jesus para profetizar, expulsar demônios e curar. No entanto, quem pode garantir que alguma profecia, cura ou expulsão de demônios esteja acontecendo? Por esta razão não devemos olhar simplesmente para as aparências das pessoas. É possível um falso mestre invocar o nome de Jesus para expulsar os demônios. O que vale neste caso é o Nome Santo de Jesus e não o mestre em si. No versículo 23, o Senhor termina este assunto dizendo: “Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:23) Chamo a atenção do leitor para a expressão “nunca vos conheci” que o Senhor proferirá contra os falsos profetas na sua Vinda. O Senhor diz aqui que “nunca”

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conheceu tais pessoas. Ao contrário deste tratamento duro, para os seus filhos o Senhor diz que os conheceu antes da fundação do mundo (Romanos 8:29). Ainda sobre a expressão “nunca vos conheci” veja o que diz o Dr. J. M. Carrol: “Notem os seguintes versículos: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as”. Jo 10.27. "Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus". 2 Tm 2.19. Tenham estas duas simples afirmações em mente: "E eu conheço-as" e "O Senhor conhece os que são seus". Somos ensinados na Bíblia que no dia do juízo haverá uma separação; e que haverá duas multidões: uma à esquerda e outra à direita. Não haverá três, só duas. Todos os que estiverem no julgamento estaria em uma das duas classes. A todos quantos estiverem à mão direita, Ele dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” Mt 25.34. E aos da esquerda, dirá: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” Mt 7.23. “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” Mt 25.41. Notem estas palavras: “Nunca vos conheci”. Isto seria verdade se alguém na multidão à esquerda tivesse sido crente? Em face destas duas simples afirmações: “E eu conheço-as” e “O Senhor conhece os que são seus”, se, quando chegarmos ao juízo, Deus disser aos da esquerda: ���Nunca vos conheci”, e houver entre esse número, pelo menos um, que um dia foi crente, isto não faria de Deus um mentiroso?! Com certeza irmãos, os que finalmente forem mandados embora são os que nunca aceitaram realmente Cristo como Salvador. “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” 1ª Jo 2.19”. ................................................. “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus”. (Mateus 10:32,33) Segundo este versículo, podemos a qualquer momento ou num futuro próximo negar o Senhor? De maneira alguma, pois Jesus deixa claro que confessá-lo ou negálo, são coisas definitivas. Quem o confessa em vida, Ele o confessará diante do Pai e isto acontecerá quando estivermos presentes na glória. Essa promessa é cumprida em Apocalipse 3:5. Todo aquele que nega a Cristo é mentiroso e nunca foi salvo. “Quem é o mentiroso senão aquele que nega que Jesus é Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem igualmente o Pai”. (1ª João 2:22,23)

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................................................. “Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro. (Mateus 12:31, 32) Quem blasfema contra o Espírito Santo? A resposta está no versículo 24 que diz: “Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios”. (Mateus 12:24) A blasfêmia contra o Espírito Santo parte de religiosos descrentes e não de crentes verdadeiros. Isto só acontece porque a pessoa rejeita a oferta do perdão de Deus em Cristo, em oposição ao Senhor. Portanto, o cristão verdadeiro jamais poderá blasfemar contra o Espírito Santo, pois jamais irá se opor e fazer de Deus um mentiroso, jamais será contra o Senhor. Somente quem é absolutamente contra o Senhor é quem pode blasfemar contra o Espírito Santo. As seguintes passagens atestam essa verdade: “Por isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo”. (1ª Coríntios 12:3) “Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e logo a seguir possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é por nós”. (Marcos 9:39,40) “Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. (Mateus 12:30) “Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez testifica que Deus é verdadeiro”. (João 3:33) “Aquele que crê no Filho de Deus tem em si o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho”. (1ª João 5:10). Se você já recebeu a Cristo, pode ficar tranquilo, pois você não cometeu a blasfêmia contra o Espírito Santo. O comentário integral sobre esse pecado imperdoável você encontrará no capítulo 8.

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................................................. “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor”. (Mateus 24:42) Seria possível um crente não vigiar e perder a salvação? Para responder a esta pergunta, devemos considerar que aqueles que não vigiam, são os falsos crentes. Segundo o ensinamento do Senhor Jesus, quem NÃO VIGIA é: ·

O servo mau, inútil e negligente – Mateus 24:48, 51; 25:26, 30

·

As virgens imprudentes (ou néscias) – Mateus 25:11

O QUE VIGIA e vai se encontrar com o Senhor é: ·

O servo fiel, bom e prudente – Mateus 24:45; 25:21

·

As virgens prudentes – Mateus 25:2,9

Na vinda do Senhor o servo fiel, bom e prudente pela graça de Deus é assim livre da ira: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida...”. (Romanos 5:8, 9 e 10) A Bíblia é clara que quando o Senhor voltar tomará vingança contra aqueles que não obedecem ao evangelho (2ª Tessalonicenses 1:8). Portanto, quem não vigia é o falso cristão, o ímpio e o joio. ................................................. “Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo”. (Mateus 24:13) Aqui está um versículo muito usado para dizer que o cristão pode perder a salvação. Esse versículo também é usado por aquelas seitas que ensinam que a salvação só pode ser conseguida por meio de obras. A leitura isolada desse versículo parece sugerir que o cristão alcançará a salvação após uma vida de boas obras e perseverança, ou seja, a salvação seria somente futura e por obras. Tal interpretação acontece se não levarmos em conta o contexto. Em primeiro lugar, devemos levar em consideração que ninguém é “salvo” pela obra de perseverar até o fim. É ao contrário, somos primeiramente salvos pela graça mediante a fé, depois perseveramos, e isto, é por fé (Efésios 2:8-9). A perseverança torna-se assim um fruto da salvação.

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O assunto de Mateus 24:13 é sobre a Grande Tribulação. Nos versículos anteriores Jesus fala a respeito de como será nos dias do fim. No versículo 13, o Senhor enfatiza que quem perseverar naqueles dias de tribulação e perseguição será salvo. Salvo de quê? É claro que é salvo da grande tribulação e da condenação do inferno, pois um cristão não pode negar a Cristo em meio a perseguição. Se alguém diz ser salvo, mas não persevera até o fim por causa das tribulações e perseguições, tal pessoa não pode ser considerada cristã. Sobre isto, o autor da carta aos Hebreus nos dá um entendimento importante: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos”. (Hebreus 3:14) Quem se tornou participante de Cristo segundo o texto? Somente aqueles que guardam a confiança até o fim. E como pode ser feito isto? Quando tornamos participantes de Cristo e temos confiança no princípio. O que é ter confiança no princípio? É quando se ouve a palavra de Deus. Aí a fé vem pelo ouvir da palavra de Deus, e essa fé é dom de Deus, é a confiança que se tem logo no princípio da vida cristã. A pessoa torna-se participante de Cristo pela fé, e por isto, guarda essa confiança até o fim. Em outro versículo também temos a confirmação de que a perseverança é fruto da salvação: “Cristo, porém, como Filho, sobre a sua casa; a qual casa somos nós, se guardamos até ao fim a ousadia e a exultação da esperança”. (Hebreus 3:6) Quem é a casa de Cristo? Somos nós. Mas, em que condição? Se “guardamos até ao fim a ousadia e a exultação da esperança”. Caso o contrário, se não somos a casa de Cristo, não podemos guardar a fé até o fim. A Bíblia diz que a perseverança é tão natural como a noite antecede o dia, veja: “Dará a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos que desobedecem à verdade, e obedecem à injustiça”. (Romanos 2:7,8 – o grifo é meu) Para Deus não tem meio termo. Ou se obedece a verdade ou a injustiça, e em ambos os lados existe a perseverança. A parábola do semeador também nos mostra que aqueles que não perseveram na fé por causa das perseguições e tribulações, são pessoas que não podem ser consideradas como boa terra para a semente do evangelho germinar, veja: “E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. (Mateus 13:18 a 23) Em contrapartida, o coração que é considerado a boa terra na parábola do semeador, produz frutos e persevera até o fim: “A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança”. (Lucas 8:15 – o grifo é meu) Jesus nos chama para sermos fiéis até a morte. Os que não perseveram até o fim, são os infiéis, e em contrapartida os filhos de Deus são chamados de eleitos e fiéis (Apocalipse 17.14), e eles perseverarão até o último instante porque são pessoas nobres. E sobre pessoas assim a Bíblia diz: “Mas o nobre projeta coisas nobres, e na sua nobreza perseverará”. (Isaías 32:8)

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Não há perseverança com esforço humano, mas somente pelo Senhor. Creio que Deus na Sua Santa Palavra põe sobre os cristãos a responsabilidade de perseverarem na fé e na justiça. Passo a citar as seguintes passagens em prova disto: “Se continuardes na minha Palavra, então sois meus discípulos na verdade”. (João 8:31) “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor”. (João 15:9) “O qual, quando veio e viu a graça de Deus, alegrou-se e os exortou a todos para que com propósito de coração permanecessem no Senhor”. (Atos 11:23) “Confirmando as almas dos discípulos e os exortando a continuarem na fé e que devemos através de muita tribulação entrar no reino de Deus”. (Atos 14:22) Essas admoestações são os meios objetivos de Deus realizar o que determinou para os seus filhos. Do ponto de vista humano, desviar-se de Cristo é possível, mas Deus não o permitirá. Ele usa de Sua Palavra para promover nossa perseverança voluntária. Dessa forma Cristo nos trata como seres pessoais e não como robôs. Aliás, Deus quer que o sirvamos voluntariamente. O rei Davi ensinou essa verdade ao encorajar seu filho Salomão a servir a Deus “com uma alma voluntária” (1º Crônicas 28:9). Apesar das evidências, muitos ainda insistem em dizer que são capazes de perseverar na salvação até o fim. O apóstolo Pedro também cometeu esse engano e se achava muito confiável para ser fiel a Cristo até a morte. Ele disse: “Respondeu-lhe Pedro: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte”. (Lucas 22:32) E o que Jesus lhe respondeu? “Tornou-lhe Jesus: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces”. (Lucas 22:34) O interessante é que Pedro não negou Jesus diante de autoridades, mas diante de pessoas simples como ele, veja: “Ora, Pedro estava sentado fora, no pátio; e aproximou-se dele uma criada, que disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. E saindo ele para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o nazareno. E ele negou outra vez, e com juramento: Não conheço tal homem. E daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Certamente tu também és um deles pois a tua fala te denuncia. Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente”. (Mateus 26:69 a 75) Foi somente graças a intercessão de Jesus Cristo que Pedro não perdeu a fé. Reflita sobre isto! Nada provém do esforço humano para fazer alguma coisa. Até mesmo o que vamos falar diante de nossos perseguidores virá do Senhor: “Mas, quando vos

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entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós”. (Mateus 10:19, 20) ................................................. “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. (Mateus 24:12) O fato do amor se esfriar não significa que os cristãos perderão a salvação. Os dias do fim serão de tamanha iniquidade que o amor se esfriará em muitos. Isto não acontecerá em todos. O amor pode se esfriar num cristão, mas por causa disso ele não deixa de ter amor. O amor pode estar frio, mas ainda existe na pessoa. Portanto, não há aqui nenhuma evidência de que o crente pode perder a salvação. ................................................. “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa”. (Mateus 12:43 a 45) Assim, como outros textos da Bíblia que parecem dar margem a perda da salvação, esse é outro texto mal interpretado para dizer que o cristão pode se perder eternamente. Pela interpretação de alguns, o texto parece dizer de alguém que foi salvo, mas depois não cuidou e perdeu a salvação. Só que os pregadores que assim interpretam esse texto de Mateus, se esquecem do que diz o versículo 45: “Assim também acontecerá a esta geração perversa”. O homem que deixa sua casa vazia quando sai o espírito imundo é a chamada geração perversa. Aliás, quando verdadeiramente recebemos a Cristo, somos imediatamente salvos desta geração perversa: “Salvai-vos desta geração perversa”. (Atos 2:40) Também devemos saber que nenhum filho de Deus é chamado de geração perversa, pelo contrário, são chamados de “raça eleita, sacerdócio real e povo de propriedade exclusiva de Deus”. (1ª Pedro 2:9) ................................................. “Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei?

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Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado. E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”. (Mateus 25:24 a 28) Esse servo mau e preguiçoso, de acordo com Jesus, é julgado pelas suas próprias palavras e interpretações acerca de Deus. Tal servo disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento”. O que Jesus nos ensina nessa parábola dos talentos é muito simples: pense em um Deus mau e você receberá a recompensa do “deus que você inventou” e será tratado conforme a medida que você estabeleceu, em nome desse deus de sua própria invenção moral, e receberá exatamente aquilo que você impôs aos outros como sendo vontade “dele”. Em outras palavras também, se você pensa que pode perder a salvação, você de fato corre o risco de perdê-la (mesmo sem ter sido salvo). Certa vez, uma pessoa ao ler o título deste livro me disse: “Salvação não se perde? Lógico, primeiro tem que ser salvo para depois perdê-la!” Mas é possível perder a salvação sem ter sido salvo, e é impossível perdê-la depois de a ter recebido. Quem pensa que pode perder a salvação, corre o risco de até perder aquilo que pensa ter. A palavra é clara sobre isto: “Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado”.

No Evangelho de Lucas “Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem”. (Lucas 21:34, 35-36) Uma vez que o cristão verdadeiro e regenerado pelo Espírito Santo não vive em pecado, e o pecado não pode dominá-lo, sendo assim o dia do Senhor não o pegará de surpresa. Quando Jesus disse “olhai por vós mesmos”, podemos entender que Ele convida a todos para examinarem a si mesmos, e isto começa entre aqueles que se dizem salvos. A parábola do semeador diz muito a respeito daqueles que se entregam aos cuidados da vida e fascinação das riquezas: “E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera”. (Mateus 13:3 a 8 e 18 a 23)

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Este tipo de terra, cuja semente da palavra de Deus caiu entre espinhos, são os que se entregam aos cuidados desta vida. São aqueles que creram em vão no Senhor e a palavra ficou infrutífera. Por isto, que Paulo em sua carta aos Coríntios disse: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”. (2ª Coríntios 13:5) Muitas pessoas estão hoje nas igrejas, cantam, louvam, ensinam, foram batizadas, passaram por cursos bíblicos, mas na verdade nunca nasceram de novo. São esses que creram em vão e já estão reprovados. São essas mesmas pessoas que vivem no pecado, na orgia, na bebedice, nas glutonarias desta vida. Dizem ser cristãs, mas não são, pois as atitudes são de verdadeiros ímpios que são. Vivem na duplicidade, servem a Jesus e ao diabo. O salmista também aborrecia a duplicidade: “Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei”. (Salmo 119:113) Uma coisa é um cristão verdadeiro cair num determinado pecado e se arrepender pedindo forças para que Deus o restaure, e outra coisa é alguém dizer ser cristão e viver conformado com o pecado. É para alcançar esses falsos cristãos que devemos chamar a todos para que olhem por eles mesmos, para que se examinem e vejam que podem ser pegos de surpresa no dia do Senhor. Todos devem examinar suas vidas e se houver dúvida, devem implorar pela misericórdia do Senhor. Não estou aqui colocando dúvidas sobre a salvação de ninguém, mas é sempre bom fazer um autoexame, e se achamos que não estamos com o Senhor, se estamos com dúvidas, porque não orar e resolver este problema definitivamente. Para que sofrer mais?! Como muitas vezes não sabemos quem é quem numa determinada igreja, devemos exortar a todos para que aqueles que estão no erro se convertam. Ainda examinando Lucas 21, observe um certo detalhe do texto: “e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço”. O dia do Senhor virá como um laço para todos os que estão em trevas, mas em outro versículo diz que os filhos da luz nunca serão pegos de surpresa. Veja isto em 1ª Tessalonicenses 5:1,2: “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite”. Mas o versículo não para aí e diz: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia COMO LADRÃO VOS APANHE DE SURPRESA”. (o grifo é meu) Se você estiver em trevas e sem Deus no mundo, com toda certeza a Vinda do Senhor será uma surpresa em sua vida.

No Evangelho de João “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda”. (João 15:1, 2) Temos aqui uma prova da perda da salvação? Não! Mas, como pode um ramo estar em Jesus e não dar fruto? Se o ramo estava em Jesus, não quer dizer que foi salvo um

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dia, e depois perdeu a salvação? Devemos entender que todos aqueles que recebem a verdade do evangelho são como ramos que são enxertados na videira verdadeira que é Jesus. Sabemos que quando os ramos são enxertados artificialmente numa árvore, haverá os ramos que darão certo e haverá que aqueles que não darão certo. Os que dão certo são os ramos que em linguagem bíblica não são incrédulos e de dura cerviz. Os ramos que não dão certo são os ramos ruins que não podem produzir frutos, pois são incrédulos e de dura cerviz. Estes tais não ficam na fé e caem na apostasia. O apóstolo Paulo diz que todos nós fomos cortado da que, por natureza, era oliveira brava, e contra a natureza enxertados em boa oliveira (Romanos 11:24). Essas são analogias tiradas da natureza e aplicadas para expressar o que acontece na vida espiritual. Continuando no texto do evangelho de João, podemos concluir que o ramo é bom, por que: 1.

Permanece em Jesus (João 15:5);

2.

O Pai limpa para que dê mais fruto ainda (João 15:1, 2);

3.

Não produz fruto de si mesmo, pois não pode fazer nada sem Jesus (João 15:5).

Baseado nos três pontos que acabamos de ver, podemos concluir mais uma vez que tanto a salvação, como os frutos produzidos por ela, são obras vindas da Soberania exclusiva de Deus. O homem e a mulher de Deus apenas são instrumentos em suas mãos e mesmo as suas obras são concedidas por Deus, veja: “Senhor, concede-nos a paz, porque todas as nossas obras tu as fazes por nós”. (Isaías 26:12) Se não fosse assim ninguém poderia garantir a segurança eterna da salvação.

Nas Cartas de Paulo “Pois eu assim corro, não como indeciso; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado”. (1ª Coríntios 9:26 e 27) Há muitos que pregam o evangelho, mas com o tempo desistem da carreira proposta e abandonam a fé. Estes conduziram muitos para a salvação, mas eles mesmos foram reprovados. Reprovados foram porque não eram convertidos. Esses são o chamado joio que apesar de viverem no pecado e até atrapalharem a obra de Deus, eles ainda sim até pregam o evangelho. Há do pregador que vive em pecado, participa do mundanismo, mas prega corretamente a verdade. Tal líder religioso conduziu muitos para a salvação, mas ele mesmo se não se converter será reprovado. Talvez, o leitor, pergunte: “Estas coisas são possíveis?” Sim! São possíveis! Leia o que o apóstolo Paulo disse sobre o assunto: “... e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus. Alguns efetivamente proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; estes, por amor, sabendo que estou

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incumbido na defesa do evangelho; aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias. Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei”. (Efésios 1:14 a 18) Segundo o apóstolo Paulo, muitas pessoas estavam pregando o evangelho por inveja, porfia, discórdia e insinceramente para suscitar tribulação a ele. Mas, o apóstolo diz, que o que importa é que de qualquer forma Cristo esteja sendo pregado, seja por sinceridade ou não. Os pregadores que agiram desta maneira contra Paulo eram o joio no meio do trigo. Vemos aqui a possibilidade de um joio ser um pregador do evangelho. Todavia, devemos entender que o verdadeiro filho de Deus, procura subjugar seu próprio corpo, e o reduz à submissão e confirma que já foi salvo, pois esse sim é um verdadeiro pregador que prega em verdade e sinceridade. Aqueles que são crentes verdadeiros confirmam cada vez mais suas vocações e chamada, e jamais poderão ser reprovados (2ª Pedro 1:10). Toda confirmação de nossa salvação vem pela graça de Deus. Não é aquela história de nos esforçarmos para auto-justificarmos. ................................................. “Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão”. (1ª Coríntios 15:1, 2) Só creu em vão quem nunca realmente creu em Jesus. Quem tem a fé verdadeira que é um dom de Deus, tem a vida eterna. Não se pode dizer que alguém creu em Jesus e depois dizer que creu em vão. Um exemplo bíblico de pessoas que creram em vão está em João 12:42-43: “Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele; mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus”. ................................................. “Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo. Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. Se algum tiver

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fome, coma em casa, a fim de que não vos reunais para condenação vossa”. (1ª Coríntios 11:26 a 34) Muitos afirmam que esta “condenação” descrita no texto acima, refere-se à condenação do inferno. A condenação ali descrita não se refere à condenação do inferno, mas refere-se, a disciplina de Deus para com aqueles que comem e bebem indignamente a Ceia do Senhor. No versículo 30 diz: “Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem”. Esta é a condenação por se tomar indignamente a ceia do Senhor, alguns ficam enfermos, outros fracos e alguns até mesmo morrem, mas ninguém perdeu a salvação. Mesmo porque o versículo 32 do mesmo texto diz: “Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Preste atenção! Podemos ser disciplinados pelo Senhor para não sermos condenados com o mundo. Infelizmente, vejo que em algumas igrejas o dia da ceia não é um dia de festa, mas sim um dia de condenação. Há pregadores que manipulam a voz acusando o povo de Deus, fazendo tanta ameaça que alguns até desistem de tomar a ceia. Fazem da ceia do Senhor algo medonho. Conheço pessoas no meio cristão que não tomam mais a ceia porque estão traumatizadas. Elas têm medo de que alguma coisa aconteça por tomarem a ceia indignamente. Vejo também que quando se trata da Ceia do Senhor alguns pastores fazem muito misticismo. Já vi pastores pedindo a Deus para que transformem o pão e o vinho no corpo e sangue de Jesus (isto é a chamada transubstanciação ensinada pela igreja Católica). Alguns chegam ao absurdo de dizerem que a presença de Cristo está no pão e no vinho. Outros se preparam dias e dias através de jejuns e orações para poderem alcançar a purificação e por fim tomarem a ceia. Outros dão a ceia para crianças, mas justificam que aquele pão e vinho dado a elas não recebeu oração, e por isto os pais podem ficar tranqüilos, pois não tem problema quando não se ora sobre os pães e sucos de uva. Não devemos nos esquecer daqueles líderes que só dão a ceia para aqueles que estão em dia com o pagamento de seus dízimos e ofertas. Mas voltando ao texto de 1ª Coríntios 11, pergunto: “O que é realmente tomar da ceia indignamente? Será que é estar em pecado? Alguém tem que ser puro para tomar a Ceia? Uma vez que Jesus morreu justamente pelos nossos pecados, não faria o menor sentido se as pessoas tivessem de ser santas no sentido de ser impecadas, ou seja, não ter pecado para poder participar. Não faria o menor sentido porque Jesus veio justamente para os pecadores. Jesus veio justamente para ficar com os pecadores, impedia os pecadores de serem apedrejados, ele foi atrás dos pecadores, e agora faria sentido que a Ceia dele nenhum pecador participasse? Não! Muito pelo contrário, é justamente porque Ele morreu pelos nossos pecados, é que a gente deve participar da Ceia. Tomar a ceia indignamente seria não reconhecer o corpo do Senhor, não discernindo, não saber que aquilo que se está fazendo é relembrar que Jesus se entregou e que morreu por nós. Desta forma devemos julgar a nós mesmos e participar da Ceia. Em momento nenhum aparece aqui de que a pessoa ao se julgar e se achar pecadora não deve participar. Então porque motivo devemos julgar a nós mesmos? Porque quando julgamos a nós mesmos, nós sabemos que somos pecadores.

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Porque qualquer pessoa que parar para olhar para si própria, vai ver que é pecadora, que não fez nada certo. Ela não cumpriu tudo o que deveria, não conseguiu cumprir perfeitamente cada uma das palavras de Jesus, é impossível cumprir tudo. Aí quando ela se julga a sí mesma, ela se lembra que é pecadora, se lembra que foi justamente para isto que Jesus veio, para os pecadores. É interessante que nós somos disciplinados pelo Senhor e não pela comunidade. É também interessante que a Ceia é para os pecadores e não para os que são perfeitos. Todos devem participar e fazer isto em memória de Jesus e jamais caberia a igreja excluir pessoas da Ceia. Certa vez li em uma revista de escola dominical que só pode participar da Ceia as pessoas crentes batizadas. E para provar isto, o articulista da revista mostra o texto em que Jesus convida os doze discípulos para tomar a ceia, excluindo todo o povo. Se essa lógica fosse correta, Jesus também exclui outras milhares de pessoas salvas por Ele naqueles dias. Talvez por não ser possível convidar todo o resto do povo para aquele momento especial, foi que Jesus preferiu se reservar somente aos discípulos. Devemos lembrar que Judas foi também convidado para participar da Ceia. Mesmo sendo um diabo, filho da perdição, ladrão, mesmo estando impuro, Jesus jamais disse que Judas não poderia participar. Devemos lembrar que uma pessoa que conhece a verdade e vive em pecado, é pior do que o mundano descrente. E este era o caso de Judas, mas mesmo assim Judas não foi excluído. Já reparou que em nenhum momento na Bíblia alguém é excluído de participar da Ceia? Já reparou que as separações que vemos atualmente são produzidas por igrejas, denominações e seitas? A Bíblia sempre chama TODOS para participar! No passado, a igreja Católica excomungava as pessoas e fazia a Ceia ser uma espécie de produto. E hoje em dia as igrejas evangélicas fazem coisas semelhantes e “disciplinam” as pessoas que cometeram “pecados”. E ao disciplinar os outros, esses pastores se esquecem que eles mesmos são pecadores. Ignoram assim o texto bíblico que fala que às pessoas são disciplinadas pelo Senhor e não pelas outras pessoas. Infelizmente, o objetivo da disciplina imposta pelos pastores é expulsar da principal coisa que a pessoa deveria estar fazendo, que é participar da Ceia se lembrando do sacrifício de Jesus, sacrifício este feito para os pecadores. Será que a Ceia hoje em dia tá virando um produto? Posso comparar o ato da Ceia feito nas igrejas evangélicas de hoje com práticas católicas medievais. QUANTOS ABSURDOS! É preciso que o povo de Deus aprenda ser igual aos bereanos (Atos 17:11), para não serem vítimas desses abusos e desvios doutrinários. ................................................. “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva. porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite”. (I Tessalonicenses 5:1,2). Embora muitos pregadores usem estes versículos para ameaçar as ovelhas de Jesus a “BÍBLIA NÃO DIZ QUE JESUS VIRÁ COMO UM LADRÃO PARA OS CRENTES”. Veja um comentário interessante feito por um importante teólogo sobre

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esses versículos de Tessalonicenses: “Este texto tem sido um dois mais citados e respeito do qual mais se tem pregado, principalmente nestes últimos dias. O que a grande maioria dos pregadores, contudo, deixa de citar e explicar, é o versículo que vem logo em seguida, o versículo 4 do mesmo Capítulo de I Tessalonicenses. Ei-lo: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia COMO LADRÃO VOS APANHE DE SURPRESA.” Vale a pena meditar um pouco neste trecho sagrado e tão glorioso não é mesmo?”1 ................................................. “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes”. (Gálatas 5:4) Paulo não está dizendo de alguém que perdeu a salvação. Em primeiro lugar, quem está separado de Cristo segundo o texto acima? É claro que são aqueles que querem se justificar pela lei. Ninguém pode começar viver a vida com Deus debaixo da graça e depois dizer que foi justificado pela lei. Se começamos em graça e nos aperfeiçoamos na Lei, então Cristo para nada nos vale. Se assim pensamos, é porque estamos caindo da graça e não entendemos nada a respeito da salvação em Jesus Cristo. Por outro lado, o crente pode até cair da graça, mas jamais cairá totalmente, veja abaixo: “Os meus passos se afizeram às tuas veredas, os meus pés não resvalaram”. (Salmos 17:5) “o que preserva com vida a nossa alma, e não permite que nos resvalem os pés”. (Salmo 66:9). “Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda”. (Salmos 121:3) .................................................

“Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus”. (Gálatas 5:21) Certa vez, alguém aparentemente, debochou de minha explicação sobre a segurança da salvação citando esse texto de Gálatas. A pessoa que fez tal coisa, talvez o fez pensando que se pode pecar à vontade (uma vez que a salvação não se perde mesmo). Só que ela se esqueceu de citar o restante do texto que diz que o cristão, filho de Deus, já crucificou a carne. “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”. (Gálatas 5:24)

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E mais; observe o que João diz a respeito do crente verdadeiro: “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia. E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados; e nele não há pecado. Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu nem o conhece. Filhinhos, ninguém vos engane; quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo; quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão”. (1ª João 5:4 a 10) ................................................. “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos”. (Gálatas 6:9) Algumas pessoas usam este versículo para dizer que é possível um cristão perder a salvação. Dizem que se o cristão se cansar de fazer o bem, ele se voltará para o mal e assim perderá a salvação. Ora, de um modo geral Paulo exorta a todos que não se cansem de fazer o bem, mas sabemos que só não se cansará de fazer o bem aqueles que esperam no Senhor conforme Isaías 40:30,31 que diz: “Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam”. E mais: se algum cristão verdadeiro se cansar de fazer o bem, Deus o fará forte outra vez: “Faz forte ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. (Isaías 40:29) ................................................. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. (Efésios 4:30) Toda vez que pecamos, entristecemos o Espírito Santo, pois o Senhor não se alegra com a injustiça. Mas, este “entristecer” que cometemos é diferente do descrito em Isaías 63:10 que diz: “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles”. O caso descrito aqui em Isaías é terrível, pois o povo de Israel entristeceu o Espírito Santo usando de rebeldia, e a Bíblia diz que “a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”. (1º Samuel 15:23)

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Rejeitar a Cristo é o pecado da descrença, é a rebelião aberta contra Deus e toda a Sua Palavra. Não crer em Cristo é ser rebelde contra o Espírito de Deus, e este pecado é imperdoável, não porque Deus não possa perdoar, mas porque o pecador fecha para si mesmo a possibilidade do perdão. Para saber mais sobre o pecado da descrença leia o capítulo oito: “A Mal Entendida Blasfêmia Contra o Espírito Santo”. ................................................. “...se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu...”. (Colossenses 1:23) No versículo anterior (vs. 22) Paulo fala que Deus nos salvou mediante a morte de Cristo. No versículo 23 ele deixa claro que a reconciliação só aconteceu em nossas vidas se permanecemos firmes na fé. Doutra forma, deixando-se afastar da esperança do evangelho, provamos que nunca fomos reconciliados com Cristo. Só está vivo e salvo espiritualmente quem está firmado no Senhor (1ª Tessalonicenses 3:8). Como pode uma pessoa não estar salva e firmada, mesmo conhecendo o evangelho? Isto é muito simples! Veja o que Paulo diz em Efésios 4:20,21: “Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que de fato o tendes ouvido, e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus...”. (o grifo é meu) Muitos frequentam igrejas, lêem a Bíblia, louvam, cantam, participam de reuniões cristãs, mas tais pessoas realmente não aprenderam nada a respeito do evangelho. ................................................. “Não extingais o Espírito”. (1ª Tessalonicenses 5:19) Alguns pregadores afirmam que é possível um crente extinguir a presença do Espírito Santo e perder a salvação. Já vimos até agora na Bíblia que isto não é possível. Extinguir o Espírito é quando alguém deixa de dar ouvidos a voz do Espírito de Deus não se arrependendo de seus pecados. Isto leva ao endurecimento total do coração e a apostasia. Tal pecado é cometido somente por incrédulos e falsos crentes. ................................................. “Procura vir ter comigo breve; pois Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica, Crescente para a Galácia, Tito para a Dalmácia” (2ª Timóteo 4:9-10) Em outra carta, o apóstolo Paulo fala sobre Demas como um de seus cooperadores. O que quero chamar a atenção aqui é que de maneira alguma devemos olhar as pessoas pelas aparências. Deus disse no Antigo Testamento que Ele vê o coração e não a aparência (1º Samuel 16:7). Muitos questionam a respeito daqueles que falavam em línguas, expulsavam demônios, curavam em Nome Jesus, mas depois abandonaram a fé. Muitos se

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perguntam a respeito dessas pessoas, se elas eram ou não salvas. Não devemos nos enganar pelas aparências porque qualquer um que pareceu ser uma benção no seio do cristianismo e depois abandonou a fé, não deve ser considerado como alguém que um dia foi um crente verdadeiro. Já vi pessoas fantásticas dentro das igrejas, louvando ao Senhor e tudo parecia verdadeiro, mas por fim abandonaram a fé. Assim como Demas, essas pessoas amaram mais o presente século do que ao Senhor, e a Bíblia diz que se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele (1ª João 2:15). ................................................. “... mantendo a fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem”. (1ª Timóteo 1:19,20) Himeneu e Alexandre naufragaram na fé e perderam a salvação? Eles realmente possuíam a fé do Senhor Jesus? Se os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, como poderiam naufragar na fé e perder a salvação? Himeneu e Alexandre rejeitaram a boa consciência e não se manteram de pé vindo a naufragar na fé cristã porque foram desobedientes. Por isto, eles foram entregues “a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus”. (1ª Coríntios 5:5) Este é o castigo para que se produza o verdadeiro arrependimento. Ao naufragar na fé a pessoa é resgatada através do açoite de Deus. O apóstolo Paulo usa a figura de um naufrágio que nem sempre significa perda total. Em um naufragio é possível perder o navio, a carga, os tesouros, mas é possível ser salvo na esperança do resgate. ................................................. “Além disso a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns”. (2ª Timóteo 2:17, 18) Um verdadeiro cristão poderia se desviar da verdade ensinando falsas doutrinas e perverter a fé de alguns? É claro que não! Mas, o apóstolo Paulo reforça duas coisas importantes no versículo 19 e 20: “Entretanto o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”. (2ª Timóteo 2:19, 20). Quem ensina doutrinas heréticas está pervertendo a fé das pessoas, mas ninguém se engane, pois Deus sabe quem são seus filhos. Quem se diz cristão verdadeiro deve apartar-se da injustiça, e ensinar heresias é praticar a injustiça. Se uma pessoa recém convertida for levada por algum tempo por determinado ensinamento controvertido, ela conseguirá ter discernimento para se afastar da injustiça se for realmente convertida, pois a unção de Deus na sua vida ensina o caminho a seguir (1ª João 2:27).

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................................................. “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. (1ª Timóteo 6:10) Quem são esses que se desviam da fé por causa do amor ao dinheiro? São aqueles descritos na parábola do semeador, cuja semente da palavra caiu entre espinhos: “E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera”. (Mateus 13:22). Portanto, o desvio da fé acontece porque não se converteram de verdade. Aqueles que permitem que os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufoquem a palavra, também não se converteram de verdade, pois se “alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1ª João 2:15)

Na Carta aos Hebreus “...como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram...”. (Hebreus 2.3) A negligência com relação à salvação só acontece quando temos conhecimento da verdade sobre Jesus Cristo e mostramos coração incrédulo. Se assim agirmos, como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação? Aqui não há uma evidência de que o crente pode perder a salvação, mesmo porque os filhos de Deus não são negligentes. Os filhos de Deus conforme já vimos são fiéis, perseverantes e possuem o temor do Senhor. ................................................. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. (Hebreus 3:12,13) Quem pode ter perverso coração de incredulidade? Somente aqueles que não receberam o novo coração. O velho coração é enganoso, e não somente isto, mas é desesperadamente corrupto ao ponto de nós mesmos não conseguirmos conhecer sua corrupção: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9). Por isto que o autor da carta aos Hebreus nos ensina que devemos exortar mutuamente no tempo que se chama HOJE. Devemos chamar as pessoas que estão dentro e fora das igrejas para que analisem suas vidas, se nasceram de novo ou não.

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No versículo 14, o autor de Hebreus termina confirmando que os que são participantes de Cristo, são aqueles que guardam a fé até o fim, e estes não se deixam seduzir pelo engano do pecado: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos”. (Hebreus 3:14) Nos versículos 18, 19, o autor de Hebreus também mostra que é a incredulidade e a desobediência que faz com que as pessoas se rebelem contra o Senhor (Hebreus 3:18,19). Sendo assim, os salvos de Deus estão imunes de se afastarem do Senhor, pois eles são filhos obedientes e têm fé. Quem ama o Senhor, permanece nEle e o Senhor se manifesta a ele (João 14:21). Imagine, o leitor, o que uma pessoa que ama não faz pela pessoa amada? Uma mulher que ama seu marido procurará fazer de tudo para agradá-lo. Da mesma forma o marido que ama sua esposa procura agradá-la também. Devemos entender que permanecemos em Deus não por cabresto e imposições, mas por amor. Quem ama a Deus procura agradá-lo e conhecer sua vontade (João 14:23; 1ª João 3:24), e quem “faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1ª João 2:17). Para fazer a vontade de Deus, a pessoa tem que nascer de novo, e desta forma ela não nasce da vontade da carne e nem da vontade do homem (João 1:12, 13). ................................................. “Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram à boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério”. (Hebreus 6:4 a 6) O assunto do texto acima é sobre a apostasia. O que é a apostasia? Apostasia é o abandono de alguma crença, religião ou partido. Neste caso, o autor de Hebreus trata do abandono da fé, ou seja, a renúncia absoluta da fé em Cristo. Se o cristão pudesse perder a salvação, a única forma que isto poderia ocorrer seria através da apostasia, e não por qualquer outro pecado. A queda sofrida por estes “crentes” aqui descritos é totalmente fatal ao ponto de não poderem mais ser renovados para arrependimento. Aqui está uma parte da Bíblia muito usada para ameaçar o povo de Deus. A interpretação errada do texto acima acontece porque o autor de Hebreus fala daqueles que foram iluminados, provaram o dom celestial, se fizeram participantes do Espírito Santo etc. Todas essas características espirituais parecem apontar que o texto fala de pessoas salvas que abandonaram a fé cristã. Só pode chegar a esta conclusão quem lê o texto sem alguma análise e também fora de contexto. É importante prestar muita atenção no que diz o versículo 5: “...e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento...” (Hebreus 6.5). Em primeiro lugar devemos deixar claro que esta não é a queda do justo! A queda do justo é diferente, veja: “Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe

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segura a mão” (Salmos 37: 23 e 24). Se o Senhor é quem confirma “os passos do homem em cujo caminho ele se deleita”, se o Senhor é quem garante que o seu temor não permitirá que os seus filhos se afastem dEle, se nada neste mundo pode nos afastar do amor de Deus, como pode justamente estes versículos de Hebreus capítulo 6 referir-se a crentes que caíram na apostasia? Para entendermos a quem se refere o texto, é bom termos em mente mais uma vez que existem duas classes de crentes: o joio e o trigo. É possível uma pessoa provar o dom celestial, os poderes do mundo vindouro e ser participante do Espírito Santo, e mesmo assim não ser convertida. Para provar isto, veja a explicação ponto por ponto dos versículos de Hebreus 6.4-6: “Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados...”. Ser iluminado não significa que o indivíduo foi salvo. Apenas significa que a pessoa compreendeu a palavra de Deus. Quando alguém conhece a palavra de Deus, podemos dizer que tal pessoa foi iluminada (2ª Coríntios 4:4 e 6). Muitos conhecem a palavra de Deus, são iluminados pela verdade, mas seus corações não sofrem uma real transformação. Há pessoas que passam anos freqüentando alguma igreja, conhecem a fundo a verdade sobre Cristo, mas nunca tomam uma decisão verdadeira de servi-lo. Essas pessoas são o chamado joio no meio do trigo. Praticam o mal, mas vivem como se fossem cristãos. É incrível que o joio mesmo vivendo em pecado, até têm prazer nas coisas de Deus e procuram conhecimento. Isto podemos ver em Isaías 58:2 quando Deus fala que seu povo mesmo estando em pecado, ainda O procurava dia a dia e tinham prazer em saber sobre os seus caminhos. Quantos não conhecemos que são assim? “...e provaram o dom celestial...”. A tradução da Bíblia viva traz: “...e experimentaram por si próprios as coisas boas do céu...”. Provar o dom celestial é provar as coisas boas do céu. Note que as pessoas descritas aqui apenas provaram o dom celestial. Você pode provar algo e logo em seguida rejeitá-lo, sem recebê-lo definitivamente. Se uma pessoa ouve a palavra de Deus ou recebe alguma cura, podemos dizer que ela está provando as coisas boas do céu, mesmo sem ser convertida. Veja o exemplo do povo de Israel, viram tantas maravilhas da parte de Deus, atravessaram o mar vermelho, receberam maná do céu, mas a maioria deles não chegaram a conhecer a terra prometida. Hoje em dia há daqueles que participam das bênçãos de ouvir a palavra de Deus, vêem algum milagre, sabem que tudo o que ouvem é bom, mas continuam duros de coração. O próprio fato de um joio participar da comunhão faz com que ele experimente as coisas boas do reino de Deus. Portanto, experimentar as coisas boas do céu também não pode significar que a pessoa foi salva. “... e se fizeram participantes do Espírito Santo...”. Ser participante do Espírito Santo também não significa que a pessoa foi salva. Na Bíblia há exemplos de pessoas que participaram do Espírito Santo e talvez nunca foram salvas. Veja o exemplo do governador Félix: “Dissertando ele acerca da

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justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, ficou Félix amendrontado e disse: “Por agora podes retirar-te e, quando eu tiver vagar, chamar-te-ei...”. (Atos 24:25) O Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, e através do apóstolo Paulo expôs justamente os assuntos que o governador Félix precisava ouvir (justiça, domínio próprio e juízo vindouro). Ficou ele amendrontado, e através disto participou do Espírito Santo, mas provavelmente não se converteu. Outro que participou do Espírito Santo é o rei Agripa, este rei disse para o apóstolo Paulo: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (Atos 26:28). Podemos concluir que se uma pessoa ouve a palavra de Deus e fica convencida de seus pecados, podemos dizer que tal pessoa se tornou participante do Espírito Santo. Portanto, ser participante do Espírito não indica sinal de conversão. “...e provaram a boa palavra de Deus...”. Provar significa que a pessoa sabe como é boa a palavra de Deus. Saber que a palavra é boa e gostar de ouvi-la, não significa sinal de conversão. Veja um exemplo disso na parábola do semeador: “E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. (Mateus 13:18 a 23). Há pessoas que recebem a palavra de Deus com alegria, gostam de ouví-la, mas como não tem raiz em si mesmo, ou seja, como possuem uma fé morta, se torna desta forma algo de pouca duração. São esses que se escandalizam por causa das angústias e perseguições decorrentes de se conhecer a Palavra. “... e os poderes do mundo vindouro...”. Provar os poderes do mundo vindouro também não pode significar que alguém tenha se convertido ao Senhor. Os poderes do mundo vindouro são os milagres tão notáveis que alguém pode fazer em nome de Jesus. O fato de alguém expulsar demônios, curar e profetizar em nome de Jesus, não pode significar que a pessoa tenha se convertido e sido salva. Veja o que Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:21 e 22). Fazer grandes maravilhas em nome do Senhor, não significa sinal de favor divino. Hoje em dia, vemos muitos pregadores que dão verdadeiros espetáculos nos altares das igrejas, falam em línguas falsamente, e depois vemos os mesmos voltando para a velha vida de pecado. Por isso, não devemos olhar para as aparências das pessoas. Os que caem na apostasia, não podem ser renovados para o arrependimento, porque uma vez que caíram não voltam mais para o Senhor. Tornou-se o último estado pior que o primeiro. Praticar a apostasia é algo terrível, é a rebelião aberta

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contra Deus e toda a sua palavra (mais a frente no comentário do texto de Hebreus 10:26, veremos porque a apostasia é tão fatal para quem a pratica). A apostasia não é o caso daquele que se desvia da verdade, pois o desviado ainda consegue voltar conforme Tiago 5:19, 20: “Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado, salvará da morte a alma dele, e cobrirá multidão de pecados”. Para ampliarmos o entendimento sobre o texto de Hebreus 6.4-6, basta observar a parábola do semeador: “E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram. E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se. E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um. Ouvi, pois, vós a parábola do semeador. A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este é o que foi semeado à beira do caminho. E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve a palavra, e a entende; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta” (Mateus capítulo 13 e versículos de 3 a 8 e versículos de 18 a 23). Esta parábola que acabamos de ver retrata fielmente a trajetória daqueles que crêem de verdade e nunca abandonam a fé, e a trajetória daqueles que crêem falsamente, mas depois se escandalizam e abandonam o caminho da verdade. Temos na parábola do semeador quatro tipos de terra ou quatro tipos de coração em que o semeador semeou: 1. 2. 3. 4.

à beira do caminho; lugares pedregosos, onde não há muita terra; entre espinhos; em boa terra.

Pelo o que se deu para entender na parábola do semeador, daqueles que conhecem a palavra de Deus, apenas vinte e cinco por cento é que são considerados a boa terra. Ou seja, aqueles que verdadeiramente entendem a palavra e produzem frutos. Os demais se escandalizam e abandonam a fé cristã através da apostasia. Para concluir este comentário de Hebreus capítulo 6, leia os versículos 7,8 e 9: “Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela, e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada, recebe benção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; e o

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seu fim é ser queimada. Quanto a vós outros, todavia ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes a salvação, ainda que falamos desta maneira”. (Hebreus 6:7,8 e 9) Os apóstatas e não-apóstatas são aqui representados na analogia das duas terras. As duas absorvem as chuvas, uma pode produzir ervas úteis e outra espinhos e abrolhos. A terra boa é a última descrita na parábola do semeador, por isso recebe a benção da parte de Deus e produz muitos frutos. Mas, a terra que produz espinhos e abrolhos, após receber muita chuva, é rejeitada. Esta não é a boa terra, mas é a terra (ou coração) que está perto da maldição, porque se desvia para a apostasia. No versículo nove, o autor de Hebreus se volta para os seus leitores e faz a confirmação final de que a apostasia não é para quem é salvo, pois ela não acompanha as coisas “melhores e pertencentes à salvação”. Quem é a boa terra, é realmente aquele que se converteu e nasceu de novo. Este sim tem as coisas melhores que acompanham a salvação. ................................................. “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima”. (Hebreus 10:25) Uma pessoa que deixa de congregar em uma igreja institucional não perde a salvação só porque deixou de congregar. O problema não está em deixar de congregar, mas no motivo pelo qual a pessoa abandonou a igreja institucional. No caso da carta aos Hebreus, vemos em toda a carta que os cristãos hebreus estavam apostatando da fé. Eles estavam se desviando das verdades do evangelho para voltarem às antigas tradições judaicas. É possível um crente verdadeiro abandonar uma igreja por alguma decepção ou por algum problema com alguém. Todavia, uma vez que a pessoa é salva, ela não se perderá, poderá até ficar fraca na fé, mas não perderá a salvação. É com tristeza que vejo no meio cristão às pessoas atribuírem a igreja institucional um poder quase divino. Segundo essas pessoas, vir para Cristo é vir para a igreja, estar em Cristo é frequentar uma igreja. Qualquer um que estiver fora desse padrão é marginalizado, desviado e herético. Mas, não é o frenquentar igreja que garante a segurança da salvação, mas o ser nova criatura. Se não fosse assim, Cristo estaria sendo substituído pela igreja. Você, leitor amigo, acredita mesmo que apenas algumas horas por semana em uma igreja podem lhe dar garantias de salvação eterna? Devemos lembrar em primeiro lugar que todos os que são cristãos de verdade, são a Igreja viva de Cristo. A palavra “igreja” no grego é ’ekklhsia (ekklesia). Vem de ek, uma preposição grega que significa “de” “dentre”, “de dentro de”, e klesia vem de klhsiV (klesis) que significa “chamada, convocação”; portanto a palavra ekklesia significa por si “os chamados para fora”. A igreja de Cristo não é apenas um ajuntamento de pessoas, mas um grupo de pessoas chamadas por Cristo para servi-lo e deixarem o mundo. A palavra igreja está mais ligada a pessoas do que a uma organização religiosa ou a uma simples construção. Essa é a verdadeira igreja que Cristo virá buscar por ocasião de sua Segunda Vinda – às pessoas que o amam e o

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servem. Ele não virá buscar placas de igrejas e denominações religiosas. Chamamos esta igreja que são as pessoas que servem a Cristo, de igreja invisível da qual os apóstolos e profetas também fazem parte. É a universal assembléia dos santos, dos primogênitos arrolados nos céus (Hebreus12.22,23). O corpo físico dos que são de Cristo é chamado de templo do Espírito Santo (1ª Coríntios 3.16). Talvez o leitor pergunte: “Se os que são de Cristo são a sua igreja verdadeira, então, podemos deixar de freqüentar qualquer igreja?” Como já vimos que a igreja verdadeira são aqueles são de Cristo, sendo assim a chamada igreja invisível, pois só Deus sabe quem lhe pertence ou não, a igreja como denominação religiosa ou ajuntamento de pessoas seria a igreja visível. Freqüentar ou fazer parte como membro de uma igreja ou denominação religiosa não faz de ninguém um salvo em Cristo e nem a igreja é o caminho da verdade. A igreja apenas pode ensinar o caminho da verdade, mas não salva ninguém. É necessário que nos associemos com outros irmãos para se alimentar da Palavra ensinada, pois isto é fruto do novo nascimento realizado pelo Espírito Santo. A Bíblia ensina a necessidade de congregar. Isto vemos no Salmo 133.1 que está escrito: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” O próprio Senhor Jesus ensinou a respeito da existência da igreja visível (Mateus 18.15, 16 e 17). No mesmo texto mais a frente no versículo 20, o Senhor diz: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Esta é a reunião da igreja visível, dois ou três falando o Nome do Senhor. Isto também pode acontecer em qualquer lugar. O apóstolo João diz em uma de suas epístolas que: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1ª João 1.7). Manter comunhão uns com os outros é também se reunir em algum lugar. Fica assim provado pela Bíblia que podemos ter um lugar para cultuar a Deus e receber ensino. Esta é a maneira visível do povo de Deus se manter na unidade. A reunião da igreja também pode ser na sua própria casa ou em qualquer lugar do mundo (Atos 2:46; Romanos 16:5). ................................................. “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas; de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. (Hebreus 10:26 a 31) Muitos usam estes versículos acima para dizer que o cristão pode apostatar da fé e perder a salvação. Infelizmente alguns usam também para ameaçar o povo de Deus. O que está em vista aqui é também a apostasia, assim como já vimos em Hebreus 6:4-6.

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Vamos agora analisar o texto acima, pois muitos têm usado alguns pontos do mesmo para dizer que o cristão verdadeiro pode abandonar a fé: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas”. Temos aqui um paralelo com o texto de Números 15:30 que diz: “Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor: tal pessoa será eliminada do meio do seu povo...”. O único meio de não alcançar o perdão dos pecados no Antigo Testamento era rejeitando a Lei de Moisés. Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia só pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Este era o pecado da descrença. A Bíblia deixa claro que não há pecado tão grande que uma pessoa possa cometer que venha impedí-la de entrar no céu. Uma pessoa pode de ter andando nos piores caminhos deste mundo, pode ter caído no pior lamaçal inimaginável, e talvez, aos olhos humanos não haja nenhuma recuperação para ela, mas se ela quiser, poderá alcançar o perdão dos pecados, por causa do preço que Jesus Cristo pagou na cruz. O maior pecado, entretanto, é o de que fala Jesus: “...ele (o Espírito Santo) convencerá o mundo do pecado... porque não crêem em mim” (João 16:8, 9). Este é o único pecado por causa do qual um homem será eternamente separado de Deus, condenado e maldito. Não crer em Jesus é uma profunda ofensa para ele. Realmente, é expressão de desconfiança, pois: “Aquele que não dá crédito a Deus, o faz mentiroso” (1ª João 5:10). O pecado principal e imperdoável que é a blasfêmia contra o Espírito Santo é não crer em Jesus Cristo. É praticar o pecado da descrença (veja mais sobre este pecado no capítulo 8 no tópico: “A mal entendida blasfêmia contra o Espírito Santo). Quem obtém pleno conhecimento da verdade e depois abandona a fé voltando para o pecado, não resta mais sacrifício pelos seus pecados, pois tal indivíduo está cometendo o pecado da descrença através da apostasia. Ele está renunciando Cristo para sempre. Imagine uma pessoa que freqüentou muitos anos uma determinada comunidade cristã onde realmente se ensina a Bíblia. Imagine também como essa pessoa aprendeu da Palavra de Deus, foi repreendida muitas vezes, e como nunca deu ouvidos as repreensões endurecendo sua cerviz. É por isto que em Provérbios 29:1 está escrito: “Aquele que, sendo muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura”. Hoje fazemos repreensões, convidamos as pessoas que estão no pecado para que se arrependam, mas quem endurecer a cerviz depois de muitas vezes repreendido será laçado pelo diabo de tal forma que não haverá volta. É aí que acontece a apostasia. Continuando nosso comentário, podemos ler no versículo 29: “...de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça?” (Hebreus 10:29)

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Os arminianistas afirmam que este versículo prova que um cristão verdadeiro pode apostatar da fé. Para justificar tal argumento eles usam a frase do versículo que diz: “e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado”. Assim dizem que se o “cristão” que apostatou da fé profanou o sangue do pacto com que foi “santificado”, é porque tal crente era verdadeiro (pois somente um cristão é que poderia ser santificado pelo sangue do pacto). O que é dito neste versículo podemos comparar com o que está escrito em Tito 2:11 que diz: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens...”. Ora, não é porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens que significa que todos serão salvos. O mesmo se aplica ao sangue do pacto da nova aliança. Através da nova aliança o sangue de Jesus trouxe perdão, salvação e santificação a todos os homens, mas nem por isso todos usufruirão desses benefícios. Os arminianistas também se esquecem que essa “santificação” descrita aqui é apenas situacional. É a mesma santificação descrita em 1ª Coríntios 7:14 que diz: “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente.” Segundo o texto, embora o marido seja incrédulo, mesmo assim ele é santificado só pelo fato de conviver com a esposa crente. Esta santificação é provocada por uma situação. Ao conviver com a esposa crente, o marido aprende a respeitar a Palavra de Deus e até mesmo aplica algum princípio dela mesmo não sendo salvo ainda. Da mesma sorte, um falso cristão que é o joio no meio do trigo, ao freqüentar uma determinada comunidade é santificado só pelo fato de conviver com os irmãos. Por isso, que o joio é parecido com o trigo. O joio vive uma vida religiosa, respeita alguns princípios da palavra de Deus, mas são verdadeiros hipócritas. Aliás, ser um hipócrita é ser um verdadeiro ator. É simular uma vida cristã que não se vive. Outro argumento usado para dizer que o cristão verdadeiro pode apostatar da fé está no versículo 30 e 31 de Hebreus capítulo 10: “Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”. Os arminianistas afirmam que uma vez que este versículo diz que o “Senhor julgará o seu povo”, significa que o julgamento é na igreja e que o apóstata fazia parte do povo de Deus. Na verdade o fato do texto dizer que o “Senhor julgará o seu povo”, prova que o julgamento começa pela casa de Deus conforme 1ª Pedro 4.17. Quem apostata da fé é porque estava no meio do povo, mas não significa que o apóstata era cristão de verdade. Para concluir este comentário, os versículos 38 e 39 dizem: “... todavia, o meu justo viverá pela fé, e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”. (Hebreus 10:38 e 39) Esta fé que conserva a alma é a fé verdadeira no Senhor Jesus Cristo! Todos os cristãos verdadeiros que possuem esta fé não recuam para a perdição, pois são da fé para a conservação da alma. Quem recua para a perdição é o cão, o porco e o joio que têm uma fé morta que não manifesta arrependimento e conversão. Portanto, mais uma vez fica evidente que o livro de Hebreus não nos ensina sobre a possibilidade de um cristão verdadeiro apostatar da fé.

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................................................. “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. (Hebreus 12:14) Aqui está outro texto mal usado por alguns para dizer que o cristão pode perder a salvação. Temos de ter cuidado ao analisar esse versículo isoladamente, pois poderemos pensar que a salvação vem por meio de obras. É obvio que esta santificação é necessária para a salvação, pois se ela não for seguida ninguém poderá ver o Senhor. Se o problema for santificação, podemos dizer que todo crente fiel vive em constante santificação porque deseja se encontrar com o Senhor conforme 1ª João 3:2,3: “... porque havemos de vê-lo como ele é. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” Mais a frente no versículo 6 está escrito: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não no viu, nem o conheceu”. A “santificação” necessária para a salvação que todos devem ter para poderem ver o Senhor, já foi dada pelo próprio Senhor. Não é você por seu esforço de se consagrar, santificar que será capaz de ter essa santificação. Somente aqueles que são cristãos verdadeiros poderão usufruir dessa santificação, veja: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1ª Coríntios 1:30). Em outro texto, ainda no livro de Hebreus, está escrito: “Porque com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados”. (Hebreus 10:14) Fica evidente que já recebemos de Cristo a sabedoria, a justiça, a santificação, redenção e o aperfeiçoamento para sempre. E se uma pessoa ainda não recebeu a Cristo, ela não tem a santificação e nem é salva. ................................................. “... atentando diligentemente por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados; nem haja algum impuro, ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a benção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado”. (Hebreus 12:15 a 17) Após falar a respeito da santificação necessária para a salvação, o autor de Hebreus fala a respeito do perigo de alguém ser faltoso separando-se da graça de Deus. Muitos afirmam que se a pessoa pode se separar da graça de Deus, é porque ela estava na graça e era salva, e com isto há possibilidade da salvação ser perdida. De tudo o que vimos até agora a respeito do cristão verdadeiro, não pode haver essa possibilidade. Quem pode ser faltoso ao ponto de separar-se da graça de Deus? Somente aqueles que não possuem o dom da fé. Uma pessoa que aceita a verdade está perto de se salvar e

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perto da graça. O Senhor Jesus disse isto para um escriba: “Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, percebendo que lhes havia respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses. Ao que lhe disse o escriba: Muito bem, Mestre; com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E ninguém ousava mais interrogá-lo”. (Marcos 12:28 a 34 – o grifo é meu) Portanto, devemos ter cuidado para que se alguém não está longe do reino, não “seja faltoso, separando-se da graça de Deus”. O autor de Hebreus também nos lembra a respeito de Esaú. Sobre Esaú, o Senhor diz: “...amei a Jacó, porém aborreci a Esaú”. (Romanos 9:13) Por que o Senhor aborreceu a Esaú? Porque ele não cria na ressurreição! Ao negociar seu direito de primogenitura, Esaú respondeu a seu irmão Jacó: “Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?” (Gênesis 25:32). Esaú negava a realidade da ressurreição, não acreditava no cumprimento futuro das promessas divinas para Israel e, em sentido mais profundo, também não cria na obra de Deus em Jesus Cristo relativa à morte e à ressurreição. Esaú representa, assim, uma pessoa que direciona todas as suas atenções somente para as coisas terrenas, que não pensa além desta vida aqui na terra e, portanto, despreza os valores espirituais. Por essa razão, Esaú é chamado de “impuro” e “profano” (Hebreus 12:6). As pessoas que seguem o exemplo de Esaú estão diametralmente opostas às promessas de Deus, e por isto são incrédulas. Por isso, jamais podemos comparar um cristão verdadeiro com Esaú e dizer que ele pode perder a salvação.

Na Carta de Tiago “Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado, salvará da morte a alma dele, e cobrirá multidão de pecados”. (Tiago 5:19, 20) Sabemos que os filhos de Deus não podem se desviar para a perdição. O que se desvia segundo esse texto de Tiago, é chamado de “pecador” que anda pelo “caminho errado” e tem “multidão de pecados”. A alma desse pecador segundo o texto precisa ser salva da morte provando assim o quão tal pecador nunca foi salvo.

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Nas Cartas de Pedro “E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?” (1ª Pedro 4:18) Muitos usam este versículo para dizer que a salvação é algo a ser alcançada somente no futuro, porque o texto diz que o justo é salvo com dificuldade. Insistem também em dizer que pelo fato do justo ser salvo com dificuldade, seria esta uma possibilidade de perder a salvação. A palavra “salvo” no versículo acima está no tempo presente. Se a salvação fosse algo futuro, Pedro teria escrito assim: “E, se é com dificuldade que o justo será salvo...”. Analisando o contexto desse versículo, veremos que ele está falando do sofrimento do cristão. Nos versículos anteriores (versículos 12 a 17), Pedro fala a respeito das inúmeras provações que alguns cristãos sofrem, e quando diz a respeito do cristão ser “salvo”, refere-se à salvação na vida diária, no tempo presente. O cristão verdadeiro já foi salvo da condenação do inferno, está livre do poder do pecado e está com o céu a sua espera, mas na vida diária o Senhor o salva dos perigos, tentações e sofrimentos. Se o cristão tem dificuldades na sua vida diária para se santificar, enfrentar tentações imagine o que será do pecador que está separado de Deus? Onde irão comparecer os ímpios? ................................................. “... tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos...” (2ª Pedro 2:14) Quem são estes “filhos malditos”? São ex-filhos de Deus? É claro que não! O assunto do capítulo 2 de 2ª Pedro é sobre os falsos mestres, seu caráter, obra e justo castigo. No primeiro versículo o texto começa dizendo: “Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição”. (2ª Pedro 2:1) Quem se desvia da verdade renegando o Soberano Senhor Jesus, e se torna falso mestre, é porque nunca pertenceu a Ele conforme 1ª João 2:18, 19: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos anticristos têm surgido, pelo que conhecemos que é a última hora. Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”. Os que saem do meio cristão e se tornam falsos mestres ou anticristos apostatando da fé são os chamados “filhos malditos” ou “filhos da maldição”. Deus nunca possuiu

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filhos malditos, mas sempre filhos abençoados. Os falsos mestres são pessoas que vivem no meio cristão, mas são pervertidos, vivem pecando e por si só estão condenados (Tito 3:10,11). .................................... “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal”. (2ª Pedro 2:20, 21 e 22) Pedro não está falando de cristãos verdadeiros que apostataram da fé. Para entender 2ª Pedro 2.20-22, o texto deve ser lido a partir do versículo 9. Aqueles que “escapam” do mundo, conhecem, mas voltam ao erro, são contrastados com os “piedosos”, veja: “Porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar sob castigo os injustos, para o dia do juizo”. (versículo 9) Se às pessoas descritas em 2ª Pedro 2:2021 e 22 fossem de fato piedosas, o Senhor as teriam livrado da tentação de caírem novamente. Continuemos nos versículos seguintes: 10 especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, 11 ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor. 12 Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos, 13 recebendo injustiça por salário da injustiça que praticam. Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco; 14 tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos; 15 abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça 16 (recebeu, porém, castigo da sua transgressão, a saber, um mudo animal de carga, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta).

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17 Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; 18 porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, 19 prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor. Sim, aquele que é vencido fica escravo do vencedor. Os tais “crentes” descritos nessa carta de Pedro foram vencidos e se deixam enredar de novo pelas contaminações do mundo. Eles são vencidos porque não são mais que vencedores. Pedro até mesmo usou a ilustração da porca lavada e do cão que volta ao próprio vômito para mostrar o quanto tais crentes nunca nasceram de novo: “Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal”. (versículo 22) A expressão “porca lavada” pode referir-se ao batismo. A pessoa foi batizada, tomou um banho de água, mas continua com a velha natureza, ou seja, continua sendo porco e cão. Isto também prova que o batismo é incapaz de mudar a natureza pecaminosa do ser humano. O que Pedro quis dizer com a expressão “porca lavada” podemos ilustrar do seguinte modo: “Uma dona de casa, não se conformando com o estado de sujeira de seu porquinho, resolveu lhe dar um banho, com sabonete perfumado, e depois de enxugá-lo deixou-o na sala. Esqueceu, porém, a porta aberta e não demorou muito o porquinho estava novamente na lama. O banho não conseguiu mudar a natureza do animal. Apenas limpa-lo por fora. Muita gente é assim! Boa pessoa sem dúvida, mas, sem Deus no seu interior.” Infelizmente, muitas pessoas ao conhecerem o evangelho, vêem para as igrejas, mas não se convertem de verdade. Muitas vezes estão buscando somente a benção, mas não o Abençoador que é Jesus. Se essas pessoas não se converterem, poderão voltar para o mundo na primeira chance que tiverem. É aí que acontece à apostasia. Por isto, devemos exortar e ensinar as pessoas para que nasçam de novo, que se convertam ao Deus vivo enquanto é tempo. Infelizmente muitas igrejas só enfatizam a busca por dons espirituais, falar em línguas etc. Mas o caráter que deve realmente ser enfatizado fica para trás, em segundo ou terceiro plano e olha lá quando nem ensinado é. É por isto, que vemos em nossos dias uma enxurrada de crentes caloteiros que fazem maus negócios enganando e sendo enganados. Estamos vendo em nossos dias, na mídia em geral, escândalos de crentes dos quais nunca se via antes. Hoje em dia é comum ser evangélico, católico ou religioso. Aí está o problema! As igrejas e religiões crescem em quantidade, mas não em qualidade. Isto acontece porque uma pequena parte dos líderes religiosos estão compromissados com o dinheiro, política e com seus interesses pessoais. Líderes religiosos que se envolvem com política não têm tempo para seus rebanhos. Há igrejas que têm uma grande avidez por cargos públicos. Isto também acontece porque eles abandonaram às Escrituras, não seguindo os preceitos bíblicos.

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Leia o livro de Atos dos apóstolos em sua Bíblia e veja qual líder da igreja primitiva esteve envolvido com política. Será que achará algum? É claro que não! Leia e veja se há algum líder preocupado em se envolver com a política para dominar o poder terreno. De fato, o leitor não achará nenhum! Não estou dizendo que o cristão não pode ser político, mas lugar de líder religioso é ensinar o povo, e não a política. Ou cuida do rebanho de Deus ou cuida das coisas deste mundo. Os apóstolos e obreiros da igreja primitiva não perderam seu tempo em busca do poder temporal. Pelo contrário, os apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo gastaram seu tempo ensinando todas às coisas da Palavra de Deus. Há mestres da religião que não gostam de ouvir estas coisas. Muitos deles ficam possessos de raiva e ódio quando alguém lhes mostra tais coisas. Isto é porque os seus corações amam o pecado e não a Deus.

Nas Cartas de João “Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore”. (1ª João 5:16) Existe uma grande divergência entre os teólogos a respeito de que pecado seria este; se ele causa morte física ou morte espiritual. Sabemos que quando o filho de Deus peca, poderá ser açoitado por Deus e ter uma morte prematura (1ª Coríntios 5:5 – veja mais a frente o tópico sobre a disciplina de Deus). Se não for para morte física, esse pecado de morte é o pecado da apostasia que já estudamos em Hebreus 6.4-6 e 10.2631. É o pecado da descrença, pois quem rejeita Jesus ou se revolta voluntária e livremente contra Ele, exclui-se do perdão, da vida e da graça de Deus. A palavra “irmão” neste versículo é no sentido nominal. Todos os cristãos chamam uns aos outros de irmãos, mas só Deus sabe quem é quem de verdade. Se alguém vir seu irmão de fé cometer qualquer outro pecado que exista, poderá interceder junto a Deus para que Ele perdoe. Mas, se alguém vir seu irmão deixando de crer em Cristo ao abandonar a fé, não há mais nada que se possa fazer. Muitos líderes religiosos usam esse versículo de João para dizer que adultério é pecado de morte. Por causa disso, muitos crentes que adulteraram se perderam em depressão porque criam que não era mais possível se reconciliar com Deus. Se assim fosse, porque Deus perdoou o adultério de Davi? E olha que Davi era profundo conhecedor da Palavra de Deus! Por isso, devemos tomar cuidado com líderes religiosos que gostam de massacrar o povo de Deus.

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................................................. “Olhai por vós mesmos, para que não percais o fruto do nosso trabalho, antes recebeis plena recompensa”. (2ª João 1:8) João está dizendo aos seus leitores que tomem cuidado para que não percam os galardões já conquistados. Aqui não se fala em perda de salvação, mas em perda de galardões. Segundo o contexto de 2ª João 1:8, a maneira de perder a plena recompensa é dando boas vindas a falsos mestres. Galardões são os prêmios que receberemos no céu pelo bem ou mal que tivermos feito na obra de Deus. O que acontece com uma pessoa que perde seus galardões? Todos os cristãos salvos comparecerão no tribunal de Cristo, não para a condenação, e sim para o julgamento dos galardões (2ª Coríntios 5:10). Neste dia a obra de todos será julgada. Uns terão para mostrar “ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará”. (1ª Coríntios 3:12, 13) Quando o fogo provar as obras de todos os salvos, a obra que permanecer, esse receberá galardão. Todavia, se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas a pessoa não se perderá, pois “esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”. (1ª Coríntios 3:14, 15) Muitos cristãos não terão ouro, prata e pedras preciosas para oferecer ao Senhor, mas feno, palha e madeira. Estas obras se queimarão e a pessoa sofrerá dano por não ter tesouros acumulados no céu, mas, todavia, a salvação não se perderá, porque a pessoa será salva como que através do fogo.

Na Carta de Judas “Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram”. (Judas 5) Este texto é usado por muitos para dizer que a salvação se perde. Judas refere-se ao Egito dizendo que Deus salvou o povo hebreu da escravidão e depois os que não creram foram destruídos. Nota-se que quem foi destruído foram os que não creram. Podemos aplicar em nossos dias. O Egito simboliza o mundo. Muitos são chamados do mundo para o reino de Deus. E desses muitos alguns não mostram fé. São estes mesmos que abandonam a fé e caem na apostasia. Se alguém quer levar ao pé da letra a ilustração de que o Egito simboliza o mundo, deve se lembrar também que o período de peregrinação do povo judeu no deserto simboliza nossa vida na carne enquanto não entramos definitivamente na Canaã celestial. E o que isto acrescenta? Acrescenta o fato de que no deserto havia crentes e descrentes no meio do povo judeu que foi salvo do Egito. Nem todo mundo que foi salvo do Egito foi de fato salvo. É

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como disse o profeta Isaías: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo”. (Romanos 9:27) O mesmo se aplica a igreja visível. Nem todos que frequentam igrejas, que afirmam ser cristãos, são de fato cristãos. Há muita gente que foi “salva” do mundo, mas o mundo não saiu do coração delas. Portanto, o israelita ou crente verdadeiro é comparado com a boa terra, mostra fé e produz frutos conforme já estudamos.

No Livro do Apocalipse “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qualquer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa, e das cousas que se acham escritas neste livro”. (Apocalipse 22.18-19) Depois de tudo o que vimos até agora nas Escrituras Sagradas, não há como dizer que um cristão filho de Deus, regenerado pelo Espírito Santo, salvo do poder pecado, guardado por Jesus possuindo o temor de Deus que não permite que se aparte dEle, sim, não há como dizer que uma pessoa cristã nestas condições seria capaz de arrancar ou acrescentar qualquer coisa da Escritura Sagrada e assim ensinar às pessoas. O cristão verdadeiro ama a Lei do Senhor e jamais faria tal coisa (Salmo119.47-48).

A Salvação Eterna e às Sete Igrejas do Apocalipse Muitas pessoas usam as sete cartas das igrejas da Ásia para negar a salvação eterna do cristão. Cada uma dessas cartas conclui com uma promessa no tocante a galardões a serem distribuídos na segunda vinda de Cristo. De modo geral, essas promessas têm uma especial aptidão para cada igreja individualmente. As cartas de Jesus a essas igrejas não negam a doutrina da perseverança eterna. Antes de analisá-las, vamos ver primeiramente uma pequena introdução sobre elas. Em primeiro lugar não iremos analisar essas cartas de maneira minuciosa, procurando saber os significados dos simbolismos ali descritos. Vamos analisar somente o texto bíblico limpo e seco. As passagens em Apocalipse capítulos 2 e 3, lidam com o testemunho de igrejas locais (específicas). O último versículo no capítulo 1 de Apocalipse, mostra, perfeitamente claro, que o Senhor Jesus fala essas palavras para igrejas locais específicas e o assunto em questão diz respeito ao testemunho (e usabilidade) de cada igreja local (tomada como uma corporação). Não há o ensinamento da possibilidade de perda de salvação eterna de alguns dos membros individuais dentro dessas igrejas. Sempre no final das cartas endereçadas às sete igrejas da Ásia, pelo menos oito vezes, o leitor encontrará a expressão “o que vencer”. Ora, a expressão “o que vencer”, é muito usada para dizer que o cristão pode perder a salvação. Quem diz isto

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se esquece do que Paulo diz em Romanos 8:37: “Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. Pela lógica uma pessoa só pode ser considerada vencedora se primeiro vencer, seja uma partida de futebol, seja uma corrida etc. Ao contrário da lógica, Deus de antemão chama os seus filhos de “mais que vencedores”. Se são mais que vencedores antes de vencer, quer dizer que a vitória já está garantida. E realmente já está garantida, pois em 1ª João 5:4 diz: “... porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e está é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”. Novamente recordando, sabemos que a fé em Cristo é um dom de Deus, é algo sobrenatural que está nos cristãos verdadeiros. Essa é a mesma fé que Jesus Cristo usou quando esteve na terra. Foi por isso que o Senhor venceu até o último instante na cruz do calvário. É interessante observar o que o Senhor Jesus disse para seus discípulos: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (João 16:33). Quando o Senhor Jesus disse estas palavras, ainda não havia passado pelas aflições, açoites e a terrível morte na cruz. No lugar de Jesus, qualquer mestre humano diria: “tende bom ânimo, eu VENCEREI o mundo”. Mas, o Senhor não age assim, muito pelo contrário, antes de passar por tudo quanto passou Ele afirma que: “EU VENCI O MUNDO”. Essa fé que Jesus tinha garantia a plena convicção de que tudo iria dar conforme a Sua vontade. E temos aqui na carta de João o testemunho de que todo aquele que tem essa fé de Jesus é nascido de Deus, e vence o mundo por que tem a verdadeira fé em seu coração. Graças a Deus que esta fé não é a nossa capacidade carnal de crer. E João termina dizendo: “Quem é o que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1ª João 5:5). Quem nasceu de novo já venceu o mundo conforme 1ª João 4:4: “Filhinhos, vós sois de Deus, e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. Infelizmente, vejo pessoas nas ruas uma vez por ano fazendo marchinhas para Jesus, jejuando, colocando adesivos nos carros com frases impactantes, subindo nos montes de madrugada, enfim, tudo isto para dizer que vão vencer o diabo e a carne através de sacrifícios. Este é o mal resultado quando às pessoas não levam a Bíblia a sério e dão ouvidos a mestres religiosos que não crêem na Bíblia. O pastor Caio Fábio expressou esse “vencer” o mundo de uma maneira muito explicativa, veja: “Assim, em Cristo, já estamos livres do mal para que possamos vencê-lo no caminho, no mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé em Jesus e no que Ele já fez a nosso favor na Cruz! O vencedor — conforme o Apocalipse — não é o que vence o mundo por conta própria, pois, de fato, ninguém o vence sozinho. O vencedor é o conquistado que prossegue para conquistar aquilo para o que já foi conquistado por Cristo Jesus. O vencedor é aquele que aceita a vitória de Cristo como sua e crê nisso como sua vitória. Aliás, sua única vitória! O vencedor, portanto, é um ser relativo, mas que crê de todo o coração que em Cristo está todo o Absoluto para a sua própria vida. Ou seja: trata-se de um ser

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humano que sabe que nada poderá separá-lo do amor de Deus que está em Cristo Jesus, e, portanto, não busca meios de auto-salvação, mesmo “em nome de Jesus”— como parece ser a justificativa dos lobos vestidos de peles de ovelhas, que usam Seu Nome, fazendo-o “carregar” a mensagem de um anti-evangelho! O vencedor não é aquele que tenta adicionar à sua salvação nada mais que uma fé certa e grata acerca da gratuidade do que conquistou sem esforço seu. Ele é aquele que diz: “Graças a Deus pelo dom inefável!” Sim! Esta é a fé que vence o mundo!” 1 A expressão “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”, também aparece oito vezes nas cartas das sete igrejas do Apocalipse. É uma séria advertência para darmos ouvidos a voz do Espírito Santo. Quem não dá ouvidos a voz do Espírito torna-se endurecido de coração para sempre. Acontece o mesmo que aconteceu aos judeus da época de Jesus: “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados”. (Mateus 13:14, 15) Isto de fato não acontece mais naqueles que já foram salvos por Cristo. Sobre este assunto, leia no capítulo 7, o tópico: O Malfeitor ao Lado de Jesus e a Falsa Religiosidade. Portanto, toda a advertência feita nessas cartas das igrejas, são para que o cristão tome cuidado justamente com o fim de evitar a apostasia e também para não perder galardões. E, de fato, todo cristão verdadeiro obedece a voz do Bom Pastor.

Carta à Igreja em Éfeso (Apocalipse 2:1 a 11) 1 Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: 2 Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; 3 e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. 4 Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. 5 Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. 6 Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.

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7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus. Quando se diz que “brevemente virei a ti”, significa que o Senhor “virá” numa visitação de juízo, disciplina. Apesar das advertências, alguns membros da igreja de Éfeso possuíam características de cristãos verdadeiros. Encontramos essa verdade nos versículos 2 e 3 onde Jesus afirma que os membros dessa igreja possuem tanto “perseverança” como “amor” pelo seu Nome.

Carta à Igreja em Esmirna (Apocalipse 2:12 a 17) 8 Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu: 9 Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. 10 Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida. 11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dano da segunda morte. Os membros da igreja de Esmirna eram espiritualmente ricos para Jesus (versículo 9). Fato este que se contrasta com a igreja de Laodicéia. No versículo dez, o Senhor diz: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. De tudo o que estudamos até agora não precisaríamos nem fazer comentários sobre esse versículo. Mas, sempre é bom sabermos mais a respeito da segurança do cristão. Em caso de perseguição religiosa, só não é fiel até a morte aqueles que não são cristãos e isto já vimos desde o princípio deste livro. Quando ocorre alguma perseguição à fé, os cristãos têm uma grande oportunidade de demonstrar sua verdadeira fé ou de mostrar o quanto nunca creram de verdade. A Bíblia deixa bem claro que só são santos do Senhor aqueles que até o fim permanecem na fé: “Que isto anime o povo de Deus a suportar com perseverança cada provação e perseguição, porque os santos dEle são os que até o fim permanecem firmes na obediência às suas ordens e na confiança em Jesus”. (Apocalipse 14:12 – Bíblia Viva) Por outro lado, a coroa já está garantida para todos aqueles que crêem em Jesus: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. (2º Timóteo 4:7,8) E, por fim, o Senhor promete que o vencedor “de modo algum sofrerá o dano da segunda morte” (versículo 11). Ora, esse vencedor é o mais que vencedor antes

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mesmo de vencer, já passou da morte para a vida, teve sua condenação revogada para sempre, finalmente é o único capaz de não sofrer o dano da segunda morte.

Carta à Igreja em Pérgamo (Apocalipse 2:12 a 17) 12 Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: 13 Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14 entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. 15 Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. 16 Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca. 17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. A igreja de Pérgamo, apesar de seus pecados, tinha algo de positivo a seu favor: eles retinham o Nome de Jesus e não negavam a fé mesmo em perseguições. Assim, eles possuíam características exclusivas de cristãos verdadeiros. O arrependimento para eles era certo. No versículo 16, o Senhor chama os de Pérgamo para o arrependimento e declara que quando vier NÃO pelejará contra eles, mas contra os que seguem a doutrina dos nicolaítas. Sendo assim, sem sombra de dúvidas só se perdem os que estão no pecado, os que não são cristãos verdadeiros.

Carta à Igreja em Tiatira (Apocalipse 2:18 a 29) 18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: 19 Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. 20 Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos;

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21 e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. 22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; 23 e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. 24 Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; 25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha. 26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 27 e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; 28 também lhe darei a estrela da manhã. 29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas. Alguns da igreja de Tiatira tinham características de cristãos verdadeiros. Eles tinham obras, amor, fé, serviço e perseverança. Até mesmo as últimas obras deles são mais numerosas que as primeiras. Nos versículos 25 e 26 diz: “mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações...”. Quem pode guardar as obras do Senhor até o fim? Somente quem tem o temor do Senhor para nunca se apartar dEle (Jeremias 32: 38, 39 e 40). Aliás, a igreja de Tiatira possuía também a perseverança no Senhor.

Carta à Igreja em Sardes (Apocalipse 3:1 a 6) 1 Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto. 2 Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. 3 Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. 4 Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas.

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5 O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. 6 Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas. Assim como esta igreja, muitos têm fama de que vivem, mas na verdade, estão mortos. A própria palavra já diz tudo: “estás morto”. Estar morto é não estar salvo. E mais: as obras dos membros da igreja de Sardes não são perfeitas diante de Deus, isto é, não são feitas em Deus. No versículo 3 ao dizer que virá “como um ladrão, e não saberás a que hora” prova mais ainda que alguns da igreja de Sardes não estavam salvos, pois a Escritura diz que os salvos não serão pegos de supreso na vinda de Cristo conforme 1ª Tessalonicenses 5:1,2 que diz: “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva. porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia COMO LADRÃO VOS APANHE DE SURPRESA”. Uma vez que o cristão verdadeiro não será pego de supresa, significa que ele é mais que vencedor, e para este o Senhor diz: “e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida” (Apocalipse 3:5).

Carta à Igreja em Filadélfia (Apocalipse 3:7 a 13) 7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: 8 Conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar), que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. 9 Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo. 10 Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. 11 Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome. 13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

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Esta carta começa de uma maneira muito positiva ao dizer: “Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre...” (Apocalipse 3:7). Quando fomos salvos ao receber Cristo, a porta da fé nos foi aberta pelo próprio Senhor. “Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles, e como abrira aos gentios a porta da fé”. (Atos 14:27 – o grifo é meu) Se ninguém pode fechar o que Ele abriu, ou abrir o que Ele fechou, significa que ninguém e nem nada neste mundo pode anular a salvação de seus filhos. Poderá você fechar a porta da fé? Poderá o demônio fazer isto? Poderá o padre ou o pastor fechar a porta da fé? Jamais! Devemos lembrar também que quando Noé entrou na arca, Deus fechou a porta após ele (Gênesis 7:16). Ora, a arca é um tipo de Cristo (1ª Pedro 3:20,21), portanto, o crente está seguro nele, pois Ele mesmo fecha a porta da arca da salvação quando entramos e assim nossa vida fica oculta nEle (Colossenses 3:3; Ap.3:7). O versículo 8 mostra que a igreja de Filadélfia possuía características de uma igreja verdadeiramente salva. O próprio Senhor pôs “uma porta aberta, que ninguém pode fechar”. Mesmo tendo pouca força, essa igreja era forte porque não negava o Nome do Senhor. No versículo 10, encontramos uma promessa clara de que a igreja de Filadélfia será salva finalmente, sem perder a salvação: “Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra”. (Apocalipse 3:10) Ao ler o versículo 11, alguém poderá confundir salvação com galardão. Poderá achar que o fato da igreja de Filadélfia tomar cuidado para que ninguém tome a sua coroa, seria um indicativo de que esta coroa, seria a salvação, que poderia ser de alguma forma tomada. Porém, em nenhuma parte das Sagradas Escrituras há indícios de que coroa esteja relacionada com salvação, e sim galardão. ( 2ª Timóteo 2: 4-5, 2ª Timóteo 3:7-8 ). A salvação não é conquistada por méritos humanos, mas é um Dom (favor imerecido). Logo, a coroa que a Bíblia relata, e que Paulo faz menção não pode ser a salvação, mas galardão (recompensa). Que é fruto de determinada obra. O crente não pode ganhar a salvação porque se esforçou para isto, mas a Bíblia nos mostra que mediante os seus frutos (santidade, almas ganhas...) certamente receberá sua recompensa (galardão ou coroa). Para dizer que o homem é capaz de guardar a sua salvação, muitas pessoas me citam um detalhe de Apocalipse 3:11 que diz: “guarda o que tens”. Ora, toda jactância de dizer-se capaz de fazer alguma coisa pela salvação é algo vindo da religiosidade falsa. Sim, o Senhor manda “guardar”, “conservar” e “vigiar”, mas também diz: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem”. (Salmo 127:1, 2) O Senhor guarda a alma dos seus santos de todo o mal; guarda a saída; guarda a entrada; e os guarda para sempre (Salmos 121:5-8; 145:20). Assim sendo, o cristão é guardado de todo o mal (Jó 5:19; Salmo 91; João 17:9-26), do maligno (1ª João 5:18;

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2ª Tessalonicenses 3:3; Jeremias 31:11), e para não tropeçar (Judas 24; 1º Samuel 2:9; Isaías 63:13). Deus faz tudo isto porquê? Porque o amor de Deus para com o crente é eterno: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei, por isso com benignidade te atraí”. (Jeremias 31:3)

Carta à Igreja em Laodicéia (Apocalipse 3:14 a 22) 14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! 16 Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. 17 Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; 18 aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. 19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. 20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. 21 Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono. 22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao ler sobre Laodicéia posso dizer que se trata de uma igreja salva? De maneira alguma! Essa igreja possuía características de pessoas religiosas que precisavam urgentemente de salvação. Laodicéia era morna, iria ser vomitada pelo Senhor, achava-se rica, e era uma coitada, e miserável, e pobre, e cega, e nu e precisava de colírio para poder ver. O conselho dado pelo Senhor a Laodicéia é o mesmo encontrado em outras partes da Bíblia para quem precisa ser salvo, ei-lo: “aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças”. “Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Isaías 55:1) “O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”. (Apocalipse 22:17) Neste caso, Laodicéia não poderia perder a salvação, pois não tinha o que perder, mas poderia perder a chance de ser salva, por isto o Senhor chama ao arrependimento: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis

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que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”.

___________________________________ BIBLIOGRAFIA 1.

Livro: Sem Barganhas, Caio Fábio, pg. 83.

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- Capítulo 6 Análise de Personagens Bíblicos

Neste capítulo, iremos analisar alguns personagens bíblicos, suas histórias, seus pecados e redenção diante de Deus. Eles também servem de exemplo com relação a obra de salvação eterna.

Abel e Caim (exemplo prático de dois tipos de crentes) Alguns vêem na história de Abel e Caim a idéia de que é possível os crentes perderem a salvação. Ambos conheciam e sabiam a respeito de Deus e, por isso, ofereceram suas ofertas ao Senhor (Gênesis 4:3). Caim matou a seu irmão, e porque o matou? A resposta está em 1ª João 3:11,12: “Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta, que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”. Caim era de quem? Do maligno. Suas obras eram boas ou más? Eram más porque ele não pertencia a Deus, não tinha fé como seu irmão Abel: “Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala”. (Hebreus 11:4)

Abraão, nosso Pai na Fé! Todo crente em Cristo, conhecedor da Palavra de Deus, deve ou deveria saber que Abraão é o nosso pai na fé (Gálatas 3:7). Todo aquele que crê em Cristo é filho de Abraão na fé. O crente Abraão é um grande exemplo de que a fé nos conduz a salvação eterna. Não poderia ter ele perdido a salvação enquanto peregrinava e andava com Deus. Posso provar isto pela promessa que Deus fez a ele após ter crido. Leia com atenção Gênesis 15:5,6: “Então conduziu-o até fora, e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça”.

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Abraão recebeu o dom da fé para crer em Deus. Observe que quando Abraão creu no Senhor algumas coisas ainda não tinham acontecido em sua vida. Ele ainda não havia se circuncidado, nem conhecia os estatutos e leis que Deus futuramente iria lhe dar (Romanos 4:9, 10). Foi salvo exclusivamente pela fé! Logo após Abraão crer em Deus mediante o dom da fé encontramos uma promessa profética e maravilhosa feita por Deus a ele: “Ao pôr do sol, caiu profundo sono sobre Abrão, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram; então lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas. E tu irás a teus pais em paz; serás sepultado em ditosa velhice. (Gênesis 15:12 a 15 – o grifo é meu) Após ter sido justificado pela fé Abraão recebe a promessa de que morrerá em paz. A semelhança de Abraão, todos seus filhos na fé, morrerão em paz. O percurso da vida de Abraão não poderia ser diferente após ter crido em Deus. Se Abraão vivesse em nossos dias, em que igreja ou grupo cristão seria recebido? Em minha opinião, acredito que na maioria esmagadora das igrejas, Abraão não seria bem recebido e isto é prova de nossa hipocrisia. É muito fácil dizer que Abraão era um santo de Deus, nosso pai na fé, mas isto dizemos porque está escrito na Bíblia. Caso vivesse em nossos dias, de acordo com os nossos padrões atuais de moralidade, não o aceitaríamos nem mesmo como cristão. Não o consideraríamos nem mesmo nosso pai da fé. Sabe porquê? Veja porque conforme as palavras do pastor Caio Fábio: “Em que grupo cristão de hoje Abraão seria o “pai da fé” tendo entregado sua esposa à autoridade superior — no caso, Faraó —, a fim de salvar a própria pele? Gn 12:10-20; esse comportamento foi repetido pelo seu filho, Isaque; virou uma cultura (Gn 26:6-11). Ver que muito mais adiante em sua própria vida Abraão repetiu a mesma “negociação” da esposa por terra e paz. No fim, tudo acaba bem. Mas o fato é simplesmente o fato (Gn 20: 1-18). Ou ainda, seria ele o “pai da fé” tendo tido um “caso” con-sentido pela esposa, com sua in-pregada, a fim de in-pregnar nela um filho? E mesmo que desejássemos tirar o “eixo” da questão do plano sexual para o da procriação, fica ainda a questão de que o bebê de proveta, Ismael, não foi gerado artificialmente: Abraão era o médico, o in-semem-na-dor natural, o banco de sêmem, o marido e o pai. E Hagar, era a “proveta”. Ou, não era? Ou ainda, o que dizer dele, Abraão, que após ter o filho com a serva, manda-a embora, juntamente com a criança, para fazer os gostos da esposa, agora enciumada, e que eram “gostos” que “vinham da parte do Senhor”? Naqueles dias aquele ato era imoral, pois ninguém faria aquilo!”1 O que quero demonstrar com tudo isto é o quanto somos hipocritas, santarrões e muitas vezes agimos como fariseus infalíveis. Não estou dizendo que devemos seguir o exemplo de Abraão naquilo que ele errou, mas é necessário refletir o quanto temos

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o costume de julgar ao afirmar que nossos irmãos não são santificados ou justos só porque eles muitas vezes têm uma vida que não satisfaça nossos padrões morais. É hipocrisia da nossa parte julgarmos nossos irmãos em Cristo por causa disso ou daquilo e aceitarmos Abraão como um servo de Deus (mesmo apesar de todos os seus pecados descritos na Bíblia). E mais; se Abraão estivesse entre nós, você entregaria seus filhos e família para ouvir seus ensinamentos? Se a resposta for sim, lembre-se que Abraão foi o homem que ouviu a voz de Deus lhe dizer que era para matar Isaque no altar. Aceitamos este fato porque está na Bíblia, mas frente a frente com Abraão aceitaríamos?

João Batista Teria Falhado na Fé? João Batista era possuidor de um curriculo extraordinário. Ele foi cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lucas 1:5 a 25, 39 a 45), foi um grande profeta que deu testemunho a respeito de Jesus Cristo (Lucas 3:1 a 22; Mateus 3:1-10; Marcos 1:1-6; João 1:15 a 34). É da boca de João Batista que sai a gloriosa frase: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Apesar de todo esse grandioso currrículo, João Batista tem um momento de dúvida em sua vida a respeito do Senhor Jesus. Essa dúvida aconteceu quando João Batista foi preso por Herodes. “Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?” (Mateus 11:2, 3). Esta dúvida reflete o oposto das declarações de João anteriormente. Aquele que disse que Jesus é o Cordeiro de Deus, agora indaga: “És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?” Seria tal dúvida um fracasso no ministério de João Batista? Perdeu ele a salvação? Alguns têm afirmado que sim! Mas, muito pelo contrário, a dúvida de João Batista reflete o que é a natureza humana caída e nos ajuda a fortalecer na fé. João mesmo com dúvidas, agiu corretamente e consultou a Cristo. Toda dúvida, e toda questão se resolve na suficiência da pessoa de Jesus Cristo. E foi isto que João fez! Como resposta Jesus disse: “Ide, e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bemaventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço”. (Mateus 11:4,5 e 6) Após esse episódio Jesus aproveita a ocasião para falar algo de bom a respeito de João Batista. Ele chama João de muito mais do que um profeta e por fim declara que entre os “nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (Mateus 11:7 a 19). De fato, João Batista não se perdeu, mesmo porque os filhos de Abraão na fé não podem se perder. A dúvida de João Batista nos serve de inspiração também em nossos momentos de dúvidas. Nos serve de consolo saber que mesmo ele com seu ministério glorioso pôde ter momentos de fraquezas, e quanto mais nós. Mas, toda dúvida se resolve em Cristo, e como vimos nos textos bíblicos, Cristo de fato tira todas às nossas dúvidas assim como fez a João. Qual a sua dúvida? Você acha que

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ainda não foi regenerado, acha que não foi salvo e ainda haverá de ser? Seja qual for lembre-se: todos somos humanos. A dúvida não é pecado desde que não seja usada como pretexto contra a verdade.

Salomão Teria Perdido a Salvação? Muito se fala nas igrejas a respeito do pecado de Davi com Bate-Seba. Mas, confesso; nesses meus quase vinte anos no meio cristão nunca vi ninguém falar a respeito dos pecados de Salomão. Salomão foi o homem mais rico e mais sábio que o mundo já teve (1º Reis 4:29 a 34). Sua sabedoria, fama e riqueza veio das mãos de Deus. Mas, com toda a glória e sabedoria que Deus deu a Salomão, ele cometeu muitos e terríveis pecados: “Ora, o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias, das nações de que o Senhor dissera aos filhos de Israel: Não ireis para elas, nem elas virão para vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão, levado pelo amor. Tinha ele setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Pois sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e seu coração já não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai; Salomão seguiu a Astarete, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor, e não perseverou em seguir, como fizera Davi, seu pai. Nesse tempo edificou Salomão um alto a Quemós, abominação dos moabitas, sobre e monte que está diante de Jerusalém, e a Moleque, abominação dos amonitas. E assim fez para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios a seus deuses. Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto e seu coração se desviara do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera, e lhe ordenara expressamente que não seguisse a outros deuses. Ele, porém, não guardou o que o Senhor lhe ordenara. Disse, pois, o Senhor a Salomão: Porquanto houve isto em ti, que não guardaste a meu pacto e os meus estatutos que te ordenei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo. Contudo não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o rasgarei. Todavia não rasgarei o reino todo; mas uma tribo darei a teu filho, por amor de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, que escolhi”. (1º Reis 11:1 a 13) Como pode uma pessoa com tanta glória e sabedoria ter pecado tanto? Isto é muito simples de responder. A vida de Salomão nos serve de exemplo para entendermos que

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quando se trata do SER HUMANO, ninguém está acima de qualquer suspeita. Às vezes ouço pessoas elogiando pastores e autoridades ao dizer que fulano ou cicrano é uma pessoa acima de qualquer suspeita. Desde quando um homem pecador, falho, humano e imperfeito pode estar acima de qualquer suspeita? Sim, podemos ser honestos, termos uma vida reta, mas isto não indica que somos infalíveis. Os homens procuram dizer que são infalíveis, mas jamais podemos nos esquecer que temos uma natureza pecaminosa da qual não podemos anular completamente. Devemos lembrar que foi Salomão mesmo quem disse: “Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque)...” (2º Reis 8:46). E apesar, de tudo isso, Salomão foi salvo? Depois de passar um período de tempo em pecado, parece que a Bíblia indica que Salomão se arrependeu sim. Primeiramente Deus levanta adversários contra Salomão afim de o disciplinar (1º Reis 11:14 a 25). O livro de Eclesiastes foi escrito por Salomão. É justamente nesse livro que Salomão faz uma avaliação crua e nua a respeito da vida. Ele fala de sabedoria, loucura, morte e vida. Acredito que o livro de Eclesiastes é a primeira vista o livro mais desanimador e ao mesmo tempo um dos mais produtivos da Bíblia. Ali Salomão conta a vida do jeito que ela é realmente. Hoje vemos muitos mestres da religião falando em milagres, prosperidade e poder, mas a realidade da vida é bem outra. E Salomão no livro do Eclesiastes a mostra como ninguém. Em Eclesiastes, Salomão nos conta toda sua experiência e trajetória de vida e no final diz algo interessante que só poderia ter saído da mente de alguém que não perdeu a sensibilidade de ouvir a voz do Senhor: “Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. (Eclesiastes 12:13, 14) Muito provavelmente a graça de Deus alcançou Salomão novamente!

Judas Iscariotes perdeu a salvação? Muitos ensinam que Judas foi cristão e depois perdeu a salvação por ter traído Jesus. Será isso verdade? Judas nunca foi um cristão verdadeiro conforme se vê na própria Bíblia: “Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (João 6:70 e 71). Aqui Jesus muito antes de ser traído dá o diagnóstico sobre Judas ao dizer “um de vós é diabo”. Em outra ocasião, a Bíblia chama Judas de ladrão: “Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não porque tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, subtraía o que nela se lançava” (João 12:4, 5 e 6). Como pode um cristão verdadeiro ser chamado de “diabo”, “filho da perdição” e de “ladrão”? Pior ainda, a Bíblia diz que Satanás se apossou de Judas para entregar a

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Jesus: “Entrou então Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, que era um dos doze; e foi ele tratar com os principais sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria” (Lucas 22:3-4). Como pode Satanás possuir um filho de Deus? E o que dizer de que todos os discípulos estavam limpos menos Judas (João 13:10, 11)? Fica, então, provado que Judas não era um cristão verdadeiro. Alguém tem dito que Judas era convertido pelo fato de também ter sido enviado para expulsar demônios, limpar leprosos e ressuscitar os mortos. Segundo tal declaração, somente pessoas convertidas fazem isto. E mais; quando os doze apóstolos voltaram da missão com os setenta, Jesus lhes disse: “Alegrai-vos ... porque os vossos nomes estão escritos nos Céus” (Lucas 10:20). Ora, depois de tudo o que já vimos sobre Judas não podemos tomar essa declaração de Jesus e pensar que Judas estava incluído. O nome dele não estava arrolado nos céus, pois Judas realmente se perdeu. Judas também tinha boas qualidades. O psiquiatra Augusto Cury fez um excelente comentário a respeito de Judas, veja: “Quem foi o discípulo mais equilibrado? Fiz essa pergunta a várias pessoas enquanto escrevia este livro e a maioria errou. Como veremos, foi Judas Iscariotes. Ele era o mais dosado, sensato e discreto dos discípulos. Judas, provavelmente, seria a única pessoa que passaria numa prova de seleção se usássemos os critérios atuais de avaliação da personalidade e desempenho intelectual. Era moderado, dosado, discreto, equilibrado e sensato. Do que podemos observar nas quatro biografias ou evangelhos de Jesus, nada há que desabone o comportamento de Judas. Não há elementos que indiquem se era tenso, ansioso ou inquieto. Não há relatos de que tenha ofendido alguém nem que tenha tomado uma atitude agressiva ou impensada. Jesus chamou a atenção de Pedro e de João diversas vezes. Chamou a atenção de Tomé pela sua incredulidade. A Felipe disse: "Há tanto tempo estou convosco e não me conheces?" Entretanto, Jesus jamais chamou a atenção de Judas, a não ser na noite em que foi traído. Certa vez, Judas repreendeu Maria, irmã de Lázaro, por derramar um perfume caríssimo na cabeça de Jesus. Ele achou sua atitude um desperdício. Disse que aquele perfume deveria ser vendido e o dinheiro arrecadado deveria ser dado aos pobres. Aparentemente, ele era o que mais pensava nos outros, o mais moralista e sensível dos discípulos. Sabia lidar com contabilidade, por isso cuidava da bolsa das ofertas. Era, provavelmente, o mais culto, o mais esperto, o mais eloqüente e o mais polido dos seus pares. Não dava escândalos nem tinha comportamentos que perturbassem o ambiente. Agia silenciosamente. Judas era o que tinha menos características negativas e conflitos em sua personalidade. O grande problema era que ele nunca tratara seus conflitos adequadamente.

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Pequenas frustrações tornaram-se monstros; pequenas pedras, montanhas. Não entendia seus sentimentos mais profundos. Embora moralista e dosado, tinha dificuldade de penetrar no seu próprio mundo e reconhecer suas mazelas. Sabia julgar, mas não sabia compreender. Errava pouco exteriormente. No secreto do seu ser devia exaltar a si mesmo. Uma das piores características de Judas era que ele não era uma pessoa transparente. Antes de trair Jesus, traiu a si mesmo. Traiu sua sabedoria, traiu seu amor pela vida, sua capacidade de aprender, seu encanto pela existência. O maior traidor da história foi o maior carrasco de si mesmo. Era autopunitivo. Tinha tudo para brilhar, mas aprisionou-se no calabouço dos seus conflitos. Judas era o mais bem preparado dos discípulos. Por que ele o traiu? Por que não superou o sentimento de culpa gerado pela sua traição? A negação de Pedro não foi menos séria do que a traição de Judas. Por que eles seguiram caminhos tão distintos diante de erros tão graves? A atitude de Jesus deixa intrigada a psiquiatria e a psicologia. Na última ceia, Jesus anunciou a sua morte e disse, com o coração partido, que um dos discípulos o trairia. Todos queriam o nome do traidor. Jesus não expunha publicamente os erros das pessoas. Portanto, não diria o nome. Eles insistiram. Então, Jesus deu um pedaço de pão ao seu traidor numa cena dissimulada. Ninguém percebeu o que se passava, apenas Judas. Ele o fitou e disse: "O que tem de fazer faze-o depressa". Ele poderia, como qualquer um, dar uma bronca, esbravejar, criticar agressivamente seu traidor, mas deu-lhe um pedaço de pão. Quem na história teve essa extraordinária atitude? Stalin matou centenas de amigos porque suspeitava deles. Freud baniu amigos do seu meio porque pensavam contrariamente às suas idéias. As pessoas mais éticas expurgam os que se opõem a elas. Mas Jesus deu a outra face a Judas. Amou o seu inimigo. Jesus tinha medo de perder Judas e não de ser traído por ele. No momento em que houve a traição, houve mais uma prova de que Jesus estava procurando reconquistar Judas. Ele lhe deu mais uma oportunidade para repensar sua atitude. Judas antecipou a escolta e o beijou. Jesus se deixou beijar. Judas, embora confuso, conhecia um pouco seu mestre. Bastava um beijo para identificá-lo. Sabia que não seria repreendido. Como comentei em outros textos dessa coleção, Jesus teve uma atitude ímpar. Fitou-o e o chamou de amigo. O mestre dos mestres golpeou-lhe o coração com seu amor. Nunca alguém amou tanto, incluiu tanto, apostou tanto, deu tantas chances a pessoas que mereciam apenas o desprezo. Judas não esperava esse golpe. Ele saiu de cena perplexo. Quando as pessoas fizeram guerras defendendo o cristianismo, como nas Cruzadas, elas as fizeram em nome de um Cristo imaginário, irreal. O Cristo real foi o que amou seu traidor. O Cristo real foi o que cometeu loucuras de amor por cada ser humano. Foi o que teve coragem de esquecer a sua dor para pensar na dor do outro, mesmo que o outro fosse um carrasco. Se ele chamou seu traidor de amigo, quem pode decepcioná-lo? Ninguém! Que erro uma pessoa precisa cometer contra ele para fazê-lo desistir dela? Nenhum. Sua

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personalidade é tão contra a nossa lógica que ela jamais poderia ser uma obra de ficção. Jesus não cabe no imaginário humano”.2 Por que Pedro encontrou graça e Judas não? Qual a diferença entre Pedro e Judas? Por que Jesus orou antecipadamente por Pedro e o olhou com misericórdia, depois dele tê-lO negado? Judas, por sua vez, procurou perdão depois da traição, mas não o encontrou. Isso foi predestinação? Com essas perguntas algumas pessoas afirmam que Judas foi injustiçado e predestinado a perdição. Um artigo interessante na Revista Chamada da Meia-Noite responde essas indagações: “Na minha opinião, a diferença entre Pedro e Judas é que Pedro foi sincero e Judas não (ele sentiu remorso, mas não se arrependeu verdadeiramente). A Escritura diz: “[O SENHOR] é escudo para os que caminham na sinceridade” (Provérbios 2.7b). Há duas referências à falta de sinceridade de Judas: Quando Maria ungiu os pés de Jesus com um precioso perfume de nardo, isso aparentemente foi contrário ao sentimento de justiça social de Judas, pois ele disse: “Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Mas ele foi logo desmascarado, pois continuamos lendo: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (João 12.5-6). A segunda ocorrência é que Judas traiu o Senhor justamente com um beijo – manifestação de união e amor. Mateus 26.14-15 prova que ele não agiu de forma espontânea e sem planejamento: “Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propõe: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta de moedas de prata”. Até hoje conhecemos a expressão “beijo de Judas”. Ela descreve a essência de afeição hipócrita e traiçoeira. Certamente Judas não foi destinado para a perdição, mas Deus viu desde a eternidade como ele se comportaria e decidiria. Pois, Ezequiel 18:23 diz que Deus não predestina ninguém para a perdição: “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? – diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus maus caminhos e viva?”. Lemos o mesmo em Ezequiel 33:11: “Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer...?”. Isso é reforçado por afirmações do Novo Testamento: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3.9). E: “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2.4). (Elsbeth Vetsch)” 3 As pessoas acham que Judas foi injustiçado porque levam em consideração apenas a traição dele. Elas se preocupam somente com o ato em si. Antes mesmo do ato ser praticado, Deus leva em consideração o que somos em essência. A Bíblia demonstra

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isto ao dizer, por exemplo, que o adultério não é simplesmente a pratica do ato em si, mas o simples pensar já é adultério, antes mesmo de alguém praticar o ato em si (Mateus 5:28). O mesmo foi aplicado ao homicídio. Muitos pensam que é suficiente não matar alguém para ter cumprido cabalmente o mandamento “não matarás”. O Senhor Jesus disse que era o suficiente ficar irado contra alguém e proferir insultos contra ele, para transgredir o mandamento (Mateus 5:21-26). Portanto, logo no início de seu ministério, Jesus já alertava: “Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo um de vós é diabo. Referia-se ele a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um dos doze” (João 6:70 e 71). A palavra “diabo” significa “aquele que divide, separa, o caluniador, o opositor”. Judas desde o início já era opositor e traidor. O ato de trair Jesus foi só uma consequência do que Judas era desde o princípio. O Senhor Jesus conhece nossa essência, nossa natureza e é por isto que é dito que “o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana”. (João 2:24, 25) Uma das ilustrações que tornarão fácil de entender este assunto é aquela de um psicólogo que conhece muito bem um amigo e pode prever suas reações, embora limitado a um curto período de tempo. Evidentemente, este conhecimento antecipado não afeta o evento e as ações que ocorrerão. Porém Deus é ilimitado em tempo e conhecimento, e Sua sabedoria se estende a todos os tempos e locais, mas nunca afeta a liberdade das ações humanas. Gostaria ainda de acrescentar mais algumas informações a respeito de Judas. Quando olho para o ministério de Jesus, vejo o quão diferente é das igrejas de nossos dias. Enquanto muitas igrejas têm uma preocupação exagerada com a imagem, e em nome dessa imagem excluem, humilham e maltratam pessoas, o Senhor Jesus age totalmente diferente. Num mundo religioso politicamente correto ninguém procederia como Jesus! Veja nas palavras de Caio Fábio como Jesus agiu em relação a Judas: “E que dizer da falta de responsabilidade gerencial de Jesus, pois, se permitiu ter um “tesoureiro de jornada”— no caso, Judas Iscariotes — o qual, conforme os evangelhos, era aquele que guardava o dinheiro e se importava acima de tudo com a manutenção do caixa sempre no Azul, não por outra razão, senão porque, sendo ladrão, metia a mão na sacola e de seus recursos se apropriava em benefício próprio? [João 12: 1-8] E pior, é do ladrão, Judas, que vem a expressão moral e ética de preocupação com os desperdícios; ou seja: ele se “afligia” com as ofertas derramadas aos pés ou sobre a cabeça de Jesus — na forma de perfumes ou especiarias —, dizendo que aqueles recursos poderiam ter uma outra boa e melhor aplicação social, sendo transformados em dinheiro, ao invés de se tornarem numa dádiva derramada apenas como cheiro, aos pés de Jesus! [220 João 12: 6] Sim, que dizer dessa falta de apetite justiceiro por parte de Jesus? [221 Lc 12: 1314] Como interpretaremos, digo, moral-mente, Sua total falta de interesse em manter

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a organização irrepreensível, preferindo que o ladrão se mostrasse, ao invés de “armar uma arapuca” a fim de desmascarálo? [Mt 26: 21-25] E mesmo assim, Ele repetia: “um de vós é diabo”. [João 6: 70] Mas nunca disse quem era e nunca o desnudou como ladrão! E vai mais além: sem hipocrisia, indaga de Judas, na Hora da Entregação: “amigo, a que vieste?” [Mt 26: 48-50] Com que argumentos de natureza moral, ética ou gerencial se poderia dizer que Jesus era um líder confiável quanto a Sua capacidade de fazer gestão de dinheiro? Com a atitude que Jesus tinha frente aos bens materiais, especialmente o dinheiro -potestade por Ele denunciada como um ente espiritual que deseja o lugar de Deus na alma humana—, dificilmente Ele coubesse nas fronteiras da “igreja”. De um lado estão os históricos e suas auditorias contábeis e suas eventuais “disciplinas” aos “Judas” que sejam encontrados. De outro lado estão os “empresários dos negócios de Deus”, que marcam em cima não por causa dos pobres, mas unicamente em razão de seus lucros com o comércio da fé. Do ponto de vista dos que julgam que a imagem da instituição vale mais que a misericórdia que dá chance a Judas até ao fim - ou seja: até que ele se auto-defina -, a paciência gerencial de Jesus é inconcebível. Interessante: Aquele que poderia julgar com total e absoluto acerto, não julga, mas espera - embora diga: “um de vós é diabo”! Enquanto isto aqueles que não podem julgar, apressam-se em defender a “imagem da igreja”. Para Jesus até o filho da perdição importava mais que a imagem do Colegiado Apostólico! E nem os apóstolos tentaram encobrir o “suicídio” de um de seus pares. A verdadeira Igreja não acusa quem ainda não se mostrou e nem esconde como ela mesma é! Evitar a “aparência do mal” só é válido quando o evitar não realiza nenhum mal pela omissão. Nas ações de Jesus não encontramos essa preocupação. Aliás, Sua recomendação é “não julgueis segundo a aparência, mas segundo a reta justiça”, pois, para Ele, na maioria das vezes, “aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante do Pai que está nos céus”.4

Ananias e Safira “Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e levando a outra parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías, não era teu? E vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E grande temor veio sobre todos os que souberam disto. Levantando-se os moços, cobriram-no e, transportando-o para fora, o sepultaram.

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Depois de um intervalo de cerca de três horas, entrou também sua mulher, sabendo o que havia acontecido. E perguntou-lhe Pedro: Dize-me vendestes por tanto aquele terreno? E ela respondeu: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é que combinastes entre vós provar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e te levarão também a ti. Imediatamente ela caiu aos pés dele e expirou. E entrando os moços, acharamna morta e, levando-a para fora, sepultaram-na ao lado do marido. Sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram estas coisas.” (Atos 5:1 a 11) Aqui está um relato bíblico usado para dizer que o cristão pode perder a salvação. Ananias e sua mulher Safira eram salvos? A Bíblia não diz se ambos eram salvos, mas parece que não eram, pois Ananias e Safira tiveram uma morte prematura por mentir e tentar ao Espírito Santo. Seria possível um verdadeiro crente em Jesus fazer isto? Como poderia Satanás encher o coração de um cristão regenerado para que através disso pecasse e perdesse a salvação instantaneamente? O Senhor Deus foi claro ao dizer que os seus filhos possuem temor para não se apartar dele jamais: “e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. (Jeremias 32: 38, 39 e 40) Ananias e Safira tinham esse temor? Talvez não, na verdade não sabemos ao certo! Com certeza quem tinha o temor do Senhor eram os demais membros da igreja cristã, pois “sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram estas coisas.” (Atos 5:1 a 11)

Notas Adicionais sobre Ananias e Safira (Segundo o Comentário Bíblico de Atos David J. Williams) 5 “Certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher: Seriam eles cristãos? Não se pode dar uma resposta certa, mas os seguintes pontos devem ser observados: primeiro, Atos 4:32 indica que todos os que estavam engajados na comunidade dos bens eram crentes; segundo, a maior parte das referências neotestamentárias às atividades de Satanás relacionava-se de preferência aos crentes, em vez de aos incrédulos (p.e., Mateus 16:21-23; Lucas 22:3; João 13:2, 27; 1 Coríntios 7:5; Efésios 4:27; 1 Pedro 5:8s.; também 1 Crônicas 21:1); e terceiro, os crentes são susceptíveis de mentir (Colossenses 3:9), de entristecer "o Espírito Santo de Deus", e de extinguir "o Espírito" em suas vidas (Efésios 4:30; 1 Tessalonicenses 5:19). Se Ananias e Safira estavam entre os crentes, o que lhes aconteceu pode comparar-se ao que ocorreu em 1 Coríntios 5:5 e 11:30. Teriam esses crentes sido disciplinados sem sofrer a perdição eterna? Paulo descreve em 1 Coríntios 3:12-15 os crentes cujas obras não conseguirão passar incólumes pelo tribunal celeste, embora sejam eles salvos "todavia como pelo fogo". Talvez essa declaração fosse comprovada de modo bastante apropriado por aqueles dois casos, e pelo de Ananias e Safira em particular. A natureza premeditada da fraude perpetrada por Ananias e Safira, numa situação em que ambos deviam ter muita consciência do que faziam (cp. Romanos 2:17ss.),

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pode explicar de modo suficiente o tratamento bem diferente que lhes foi infligido, em comparação com o tratamento dispensado a Simão o mago, em 8:20-23. A Simão foi dada a oportunidade de arrependimento, e de oração pedindo perdão”.

Simão, o Mago “Ora, estava ali certo homem chamado Simão, que vinha exercendo naquela cidade a arte mágica, fazendo pasmar o povo da Samária, e dizendo ser ele uma grande personagem; ao qual todos atendiam, desde o menor até o maior, dizendo: Este é o Poder de Deus que se chama Grande. Eles o atendiam porque já desde muito tempo os vinha fazendo pasmar com suas artes mágicas. Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus, batizavam-se homens e mulheres. E creu até o próprio Simão e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e admirava-se, vendo os sinais e os grandes milagres que se faziam. Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que os da Samária haviam recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João; os quais, tendo descido, oraram por eles, para que recebessem o Espírito Santo. Porque sobre nenhum deles havia ele descido ainda; mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniquidade. Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim. Eles, pois, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltando para Jerusalém, evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”. (Atos 8:9-25) Eis aqui o exemplo de um personagem muito usado para desacreditar a doutrina da salvação eterna do cristão. Simão tentou comprar o poder do Espírito Santo através do dinheiro conforme os versículos 18 e 19. Os que usam esse exemplo afirmam que Simão era salvo porque o versículo 13 diz que o próprio Simão creu e foi batizado. Contudo “esse “crer”, não deve ser interpretado como resultado da fé salvadora, mas da fé temporal ou histórica, que é uma “pura e simples apreensão da verdade, vazia de qualquer propósito moral e espiritual.” A declaração do apóstolo Pedro evidencia que,

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Simão o mago não possuía a fé salvadora, “porque o seu coração não é reto diante de Deus” (vs.20-21).6 E mais, Pedro também disse para Simão que ele estava em “fel de amargura, e em laços de iniqüidade”. Estas são características bem comum de alguém não salvo por Cristo ainda. E no final dessa história, Simão se arrepende ao dizer: “Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim”.

Notas Adicionais sobre Simão, o Mago7 Os pensamentos de Simão a respeito dos dons provieram “de um coração... não reto diante de Deus (v. 21; esta frase é tirada do Salmo 78:37; cp. 13:10). A despeito de sua profissão de fé e batismo, Simão não tinha "parte nem sorte neste ministério" ("nesta mensagem", segundo o texto grego), isto é, Simão não havia entendido o significado do batismo, tampouco havia confessado a Jesus Cristo como Senhor, nem recebido a salvação. Além do mais, quando Pedro lhe ordenou que se arrependesse e orasse pedindo perdão, a construção grega exprime dúvida de que ele o faria, tão longe ele parecia estar de Deus. O versículo 23 diz literalmente: "Pois vejo que estás para o fel de amargura e uma corrente de pecado". A segunda metade desta declaração faz-nos lembrar de Isaías 58:6; a primeira metade deriva de Deuteronômio 29:18. Nesta parte, todo e qualquer afastamento de Deus é descrito como "raiz que produz frutos venenosos e amargos". O sentido exato em que Pedro aplicou estas palavras a Simão depende de nossa interpretação da preposição grega eis. Em geral esta é tomada como equivalente a en, "em", significando que Simão estava nessa condição, que esse homem era "uma planta venenosa e amarga" e em laço de iniqüidade. Todavia, essa preposição tem sido tomada como sendo equivalente a hos, "como", denotando a função iníqua que Simão desempenharia na igreja se continuasse iníquo. Este é o sentido da expressão semelhante encontrada em Hebreus 12:15. Não ficou bem clara a intenção do pedido final de Simão a Pedro e a João. Pode exprimir arrependimento genuíno. É certo que não houve condenação adicional sobre Simão, e o pedido de oração a seu favor não elimina a possibilidade de ele ter orado por si mesmo. Tampouco devemos permitir que as histórias posteriores a respeito de Simão ter-se tornado um arqui-herege venha colorir nossa interpretação desta passagem. Entretanto, apesar de tudo isso, permanece a suspeita de que Simão ficou mais interessado em livrar-se da punição do que em voltar-se de verdade ao Senhor (cp. 1 Samuel 24:16; 26:21).

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Os Apóstolos e Discípulos de Jesus Cristo Muitos usam o exemplo dos apóstolos para dizer que se o crente não cuidar, poderá perder a salvação. Usam o exemplo do apóstolo Pedro para sustentarem a possibilidade do cristão negar Jesus e perder a salvação. Mas, devemos perguntar: “Quando Jesus esteve entre os discípulos, eles eram realmente convertidos?” Alguns dizem que sim e outros dizem que não. O certo é que eles de certa forma eram convertidos porque criam em Jesus, mas não eram convertidos em plenitude. Veja o que Jesus disse para Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo. Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”. (Lucas 22:31,32 – o grifo é meu) Pedro embora estivesse a três anos andando ao lado de Jesus ainda não havia se convertido em plenitude, pois era um homem de pouca fé. Essa “conversão” de Pedro pode ser do fato de que posteriormente ele negaria Jesus e teria de voltar-se, converter-se novamente para o Mestre. Pedro até mesmo foi usado por Satanás para reprovar Jesus, para que o Senhor não fosse morrer na cruz (Mateus 16:22, 23). Não somente ele, mas os demais discípulos. Veja o pedido estranho e odioso que Tiago e João fizeram para Jesus quando os samaritanos O rejeitaram: “Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus, porém, voltando-se os repreendeu [e disse: Vós não sabeis de que espírito sois]. [Pois o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salva-las.]” (Lucas 9:54,55 e 56) Além, deste pedido odioso, João também tinha uma barreira sectarista em sua vida, mas Jesus, a desmantelou conforme se vê a seguir: “E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagres em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós” (Marcos 9.38-40). O homem citado nessa narrativa estava realizando um excelente trabalho na obra de Deus: “expulsava demônios” em nome de Jesus, mas parecia não estar disposto a unir-se ao grupo dos doze apóstolos e por isso para João, ele era suspeito. Mas, Jesus desmantelou tal idéia do apóstolo João, pois Sua palavra é clara quando diz: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.21; Romanos 10.13). Quando se invoca o Nome do Senhor, é apenas necessário que a pessoa que faz a obra, esteja de acordo com a Palavra de Deus. Em outra ocasião Jesus censurou a incredulidade e dureza dos discípulos: “Finalmente apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinha visto já ressuscitado”. (Marcos 16:14) Os discípulos chegaram até mesmo discutir quem era o maior dentre eles (Marcos 9:34). E o que dizer dos dois discípulos a caminho de Emaús (Lucas 24:13 a 35)? E o

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que dizer da incredulidade de Tomé (João 20:24,25)? Assim como os judeus, os discípulos criam num Messias apenas político que iria libertar o reino de Israel das mãos dos romanos. Eles não esperavam um Messias sofredor que morreria e ressuscitaria conforme Isaías 53. Por isto que Jesus teve que abrir o entendimento para que eles compreendessem as Escrituras (Lucas 24:45,46). Somente no dia de Pentecostes é que eles se tornaram cristãos intrépidos e cheios do Espírito Santo. Pedro jamais poderia negar Cristo três vezes novamente, mas se tornou um novo homem corajoso como nunca antes (Atos 2:14 a 36; 3:1 a 26; 4:1 a 22). João e Tiago se tornaram cristãos fervorosos. João que antes queria mandar fogo sobre os samaritanos, virou o apóstolo do amor (1ª João 3:14). Apesar de tudo isto uma coisa ficou evidente, o Senhor não permitiu que nenhum deles se perdesse: “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura”. (João 17:12) Judas se perdeu porque desde o começo não era sincero, mas era ladrão, filho da perdição e traidor conforme vimos no tópico anterior. Os demais apóstolos embora não convertidos em plenitude quando Jesus estava entre eles, e embora não entendiam integralmente a verdade sobre o Messias, mesmo assim jamais queriam abandoná-lo: “Então perguntou Jesus aos doze: quereis também vós retirar-vos? Respondeu-lhes Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”. (João 6:67,68 e 69) Se durante o Seu ministério, Jesus intercedeu e protegeu os seus, imagine depois que eles receberam o Espírito Santo. E vale aqui pensar também naqueles que realmente se convertem ao Senhor através da pregação do evangelho. Se antes da conversão ele ama a todos os pecadores, imagine o que Ele não fará para proteger os seus santos?

O Justo Que Se Desvia “Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça, e praticar a iniqüidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; porque não o avisaste, no seu pecado morrerá e não serão lembradas as suas ações de justiça que tiver praticado; mas o seu sangue, da tua mão o requererei”. (Ezequiel 3:20) Pelo que podemos entender neste texto do Antigo Testamento, havia a possibilidade do justo se desviar e morrer na sua iniqüidade. Mas, quem é esse “justo”? Que tipo de “justo” é esse que pode se desviar? O “justo” que se desvia não é o justo de Deus pela fé. Existem os “justos” do Senhor e os “justões” que acreditam na sua própria justiça. Jó foi um exemplo desse tipo de “justo”. Veja o que diz o capítulo 32 de Jó: “Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua ira contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus”. (Jó 32:2) Eliú se irou porque ouviu da própria boca de Jó o quanto ele queria ser mais justo do que Deus. Eis o que Eliú ouviu de Jó: “Na verdade falaste perante mim, e eu ouvi

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o som das tuas palavras: Estou limpo sem transgressão; puro sou, e não tenho iniqüidade”. (Jó 33:8,9) Mais a frente, no capítulo seguinte, Eliú repetiu outras palavras que Jó havia dito: “Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim”. (Jó 34:5,6) Observe a última frase que diz “sem que haja pecado em mim”. Estas eram as palavras do “justo” Jó! É interessante que Jó não rebate os argumentos de Eliú, como fez com seus amigos Elifaz, Bildade e Zofar. Diante destes, Jó conseguiu calar os seus argumentos, mas ele não tem uma única palavra contra os argumentos de Eliú, apesar de Eliú desafiá-lo: “Se você tem alguma coisa a dizer, responda, pois eu gostaria de lhe dar razão”. (Jó 33.32, NTLH) Parece que o silêncio de Jó significa que ele concordava com Eliú. Jó havia se exaltado demais ao dizer que era justo, puro e sem pecado. Devido a sua exaltação ele foi humilhado com o sofrimento “porque todo o que se exalta, será humilhado”. Jó não conhecia a Deus. Ele mesmo afirmou isto: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza”. (Jó 42:5,6) O sofrimento foi a maneira para que ele reconhecesse a justiça de Deus e não a sua própria. O salmista também reconhece que muitas vezes o sofrimento leva a pessoa ao arrependimento: “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesses os teus decretos”. (Salmo 119:67, 71) Jó também demonstrava não ter muita confiança em Deus, pois ele disse: “... aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”. (Jó 3.25) Quando acabou seu sofrimento, Jó pôde afirmar com segurança a respeito da sua confiança em Deus: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. (Jó 42:2). Jó com sua justiça própria chegou ao absurdo de por em dúvida se pecou alguma vez: “Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?” (Jó 7:20). Ao comentar sobre este versículo, o pastor Glênio Fonseca Paranaguá disse: “Como um pecador pode indagar ao Santo: — se pequei? A raça de Adão encontrase profanada pela descrença. A criança já nasce atéia. O pecado, antes de tudo, é a incredulidade em face da palavra de Javé Elohim ou Jesus Cristo. Jó, como todos os seres humanos, é um pecador, mas o seu problema principal era a justiça própria que o tornava aparentemente auto-suficiente. Chata’ é a palavra usada no texto hebraico para pecar. Um dos seus significados é cometer erro na pontaria, fazendo com que o pecado seja definido como errar o alvo. Atirar fora da mira. Jó estava injuriado com tudo o que vinha lhe acontecendo e questionou com aspereza: se errei o alvo, por que fizeste de mim o teu alvo, ó Intrometido na vida alheia? Viver por conta própria é a primeira evidência do pecado. Ele era um autônomo e não enxergava a sua justiça pessoal como o seu entrave, mas percebia que Deus era um bisbilhoteiro. Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu

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direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim. Jó 34:5-6. Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia errado o alvo de Deus. O alvo divino para o ser humano é Javé Elohim ou a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Errar o alvo é pecar, e pecado é não crer em Jesus. Quem confia em si mesmo, não confia em Cristo. Quem confia em Cristo Jesus não confia em si mesmo por hipótese alguma. A autoconfiança é o pecado mais perigoso. Jó se baseava em sua justiça, logo ele não precisava ser justificado por Javé. Quem se defende não carece da defesa de Deus. Aquele que se basta é tolo bastante ao tentar dar um basta em Javé. A descrença em Jesus é, normalmente, a alavanca para a crença em si mesmo. Quem nega a graça da redenção se envolve na desgraça da auto-aceitação. Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:2. O ser humano erra o alvo quando perde de vista a pessoa de Jesus. Todos os que se justificam não podem ser justificados. Davi, na tipologia de Cristo, afirmou o que só Jesus pode assegurar em plenitude: Retribuiu-me o SENHOR, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Salmos 18:20. Na verdade a justiça de Davi aqui é uma flecha em direção ao alvo de Deus que é Cristo Jesus. A justiça humana não passa de trapo de imundícia”.8 Talvez, o leitor pergunte: “A Bíblia não afirma que Jó era homem reto que se desviava do mal (Jó 1:1)?” Segundo o MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia a “boa palavra dita a respeito de Jó não tinha um sentido absoluto, como fica claro mais tarde por sua condenação (no capítulo 38) e pela própria confissão de Jó: "Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza" (Jó 42:6). Além disso, Deus apenas proclamou a sua total isenção de culpa perante os homens, ao passo que Romanos está falando que ninguém, a não ser pela obra de Cristo, é isento de culpa perante Deus (cf.Rm 3:19)”.9 Segundo as palavras de Leandro B. Peixoto, “apesar de Jó ser justo e bom, ele não era alguém completamente limpo do pecado. Ele estava longe de ser um homem perfeito. Só existiu um homem perfeito. Quem? Jesus Cristo! Há uma camada de orgulho em Jó que foi se acumulando ao longo de sua vida piedosa e que só aflorou, a ponto de ser eliminada, com a chegada do sofrimento. E é Eliú que nos aponta para isso”.10 Mas, ainda, alguém poderá perguntar sobre Jó: - “Se Jó havia exaltado sua justiça própria e pecou, porque dele se diz: “Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”. (Jó 1:22)? Ora, isto é apenas o que diz o capítulo 1, logo no início das tragédias na vida de Jó. A história depois tem um desenrolar de mais de quarenta capítulos. Devido as outras declarações de Jó, o Senhor mesmo disse a ele: “Depois disso o Senhor respondeu a Jó dum redemoinho, dizendo: Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” (Jó 38:1,2)

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Quando penso em pessoas muito justas e religiosas, lembro-me da parábola do fariseu e o publicano que diz: “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um fariseu e o outro publicano. O fariseu, posto de pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, se propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado” (Lucas 18.10 a 14). Toda pessoa religiosa que bate no peito e se diz justa tem uma vida moral correta. Vimos isto na parábola do fariseu e o publicano. O fariseu dizia que não era roubador, injusto, adúltero e ainda tinha uma excelente vida religiosa praticando jejuns e dando o dízimo de tudo quanto ganhava. Muitos são assim como este fariseu. Só que a grande diferença entre o justão religioso e o cristão salvo, está na humildade. O cristão verdadeiro não é hipócrita. O publicano da parábola era cobrador de impostos. Os publicanos eram considerados como grandes pecadores. Diferente da idéia do fariseu, “o publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, se propício a mim, pecador!” Outro exemplo de homem “justo” e religioso é o Centurião Cornélio. O livro de Atos diz que Cornélio era homem “piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:2) Cornélio não conhecia a Jesus, mas foi um homem sincero e queria realmente saber a verdade sobre Deus. E o que aconteceu a esse homem devido a graça de Deus? A última parte do versículo 4 do capítulo 10 de Atos responde: “As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus”. O Senhor respondeu às orações de Cornélio e enviou-lhe o apóstolo Pedro para que lhe pregasse o evangelho da salvação (Atos 10:34 a 43). Quando Pedro chegou até Cornélio, este teve uma atitude idólatra para com Pedro, veja: “Aconteceu que, indo Pedro a encontrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem”. (Atos 10:25, 26) Prostrar-se em atitude de reverência é o maior ato de adoração e culto que se pode prestar a Deus. E, fazer o que Cornélio fez em relação a Pedro, ao adorá-lo como se adora a Deus, demonstra que ele era um homem que desconhecia totalmente ao Senhor. Mas, pela graça e misericórdia de Deus, Cornélio foi salvo por ter recebido a Cristo e não por sua própria justiça. Temos em nossas igrejas muitas pessoas religiosas, pessoas essas que se exaltam a si mesmas acima das outras. Assim como o fariseu da parábola, elas precisam se converter também. Esses religiosos justões são os “justos” que podem se desviar. O verdadeiro justo vive da fé e não se desvia: “Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que

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recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”. (Hebreus 10:38-39)

A Queda de Lúcifer e a Salvação Eterna do Crente Certa vez alguém afirmou que o livre-arbítrio de continuar no caminho da Salvação foi concedido até mesmo a Lúcifer. Segundo tal pregador, Lúcifer foi um anjo do Senhor que perdeu tudo por não querer continuar no caminho proposto por Deus, e assim, como aconteceu com um anjo do Senhor quanto mais a nós se nos desviarmos do caminho do Senhor. Temos aqui um grande problema com tal declaração. Em primeiro lugar a história de Lúcifer em nada têm em comum com a história do cristão. Os filhos de Deus possuem promessas específicas enquanto que não há na Bíblia uma promessa com relação aos anjos. O diferencial do pecado de Satanás e dos pecados dos seres humanos, é que para a raça humana há recurso através da encarnação do Verbo divino. O Deus-Homem pôde desfazer na cruz o que Satanás incorporado na serpente fez no Jardim. O pecado no plano espiritual não tem acordo. O inferno foi preparado para o Diabo e os seus anjos. O pecado no terreno da carne tem o seu Cordeiro expiatório. No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29). A queda de Satanás não muda em nada a questão da salvação eterna do cristão, pois as promessas de redenção e salvação foram feitos aos filhos de Deus e não aos anjos.

A Queda dos Anjos e a Possibilidade de Queda dos Cristãos “Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo...” (2ª Pedro 2:4) Assim como a queda de Satanás, muitos também usam o exemplo dos anjos rebeldes para dizer que o cristão pode apostatar da fé. O fato é que o pecado cometido por esses anjos foi de tal forma terrível que eles não tiveram possibilidade de redenção. Com o ser humano Deus agiu diferente. Deus deu ao homem a possibilidade de redenção e várias promessas concernentes à salvação. Na carta aos Hebreus está escrito que Jesus não socorre a anjos, mas a descendência de Abraão (Hebreus 2:16). O interessante é que no versículo anterior (vs. 15) fala que Jesus veio para livrar aqueles que estavam sujeitos a viver a vida inteira com medo da morte espiritual. Fica evidente que a salvação e bem como suas promessas são para os descendentes de Abraão, segundo a fé. Os anjos não participam em nada da redenção e promessas. Os anjos que não pecaram na rebelião nos céus são chamados de “anjos eleitos” (1ª Timóteo 5:21). Aqueles anjos que são eleitos de Deus não podem perder

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seu estado original porque Deus não escolhe em vão. Os anjos rebeldes não eram eleitos de Deus e rebelaram-se contra Deus. Eles por vontade própria, conhecendo a justiça de Deus, não se mantiveram em seu estado original. O conhecimento, a iluminação intelectual e espiritual que os anjos têm de Deus é tão grande e extraordinária que caso haja rebeldia torna-se um pecado sem arrependimento. Veja isto em Tiago 2:19: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até o demônios crêem, e tremem”. O estado espiritual dos demônios é tão caído que eles têm medo de Deus e do castigo ao ponto de tremerem, mas não é o suficiente para haver arrependimento. São espíritos extremamente malignos! “Sobre os Anjos que Pecaram é preciso levar em consideração que: 1 - Cristo não poderia ter morrido pelos anjos que pecaram. Isto porque Ele precisaria ter a mesma natureza daqueles por quem Ele faria expiação, e os anjos não são humanos. 2 - O fato de Jesus ter proporcionado expiação para os homens e não para os anjos não implica que Ele ama os primeiros mas não os últimos. Isso, aliás, nem seria possível: o amor de Deus não é caprichoso. Além disso, ninguém sabe quão graciosamente Deus dotou os anjos para que eles não pecassem, não tendo nenhuma obrigação de agir assim. Enfraquecer o amor divino por total desconhecimento do que Deus pode ter feito por eles é uma conclusão precipitada, além de injusta e desonrosa a Deus. 3 - Os anjos caídos pecaram na maior luz que Deus já proporcionou às Suas criaturas, e, ainda por cima, em estado de glória. Sua natureza não se compara com a nossa natureza caída, nem mesmo com a de Adão, antes da Queda. Eles estavam em contato com Deus, como nenhum ser humano jamais esteve. O pecado que eles cometeram muito provavelmente foram considerados por Deus como imperdoáveis. Portanto, o fato de Jesus não ter morrido pelos anjos, concluo, não é porque Deus não amou os anjos que pecaram, nem foi porque Ele decidiu arbitrariamente limitar a expiação aos humanos.” 11 No caso dos crentes, isto não pode acontecer, pois os crentes são eleitos de Deus assim como os anjos eleitos o são.

Adão e Eva 12 Alguns afirmam que se Adão e Eva, sendo perfeitos, puderam pecar comendo do fruto proibido, os crentes regenerados pelo Espírito também podem cair da graça. Em primeiro lugar devemos lembrar que Adão e Eva possuíam TOTAL LIVREARBÍTRIO. A capacidade de escolha deles era tal que poderiam evitar de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus não fez promessas de proteção e tantos outros benefícios como fez aos crentes em Cristo, caso Adão e Eva pecassem.

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Eles não estavam protegidos e guardados de cair como os crentes (Judas 1:1, 24), uma vez que eram perfeitos e tinham total capacidade para evitarem a queda. Embora, o plano de salvação estivesse pronto desde antes da fundação do mundo, Deus não prometeu a eles que se comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal teriam um Salvador. Para eles apenas foi dada uma ordem que encontramos em Gênesis 2:16, 17 que diz: “Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. “Adão e Eva foram salvos pela graça de Deus? Essa pergunta tem duas partes. Primeiro, Adão e Eva foram salvos? Segundo, como foram salvos? Segundo o Rev. Angus Stewart “em primeiro lugar, podemos dizer que Eva foi salva. Deus disse à serpente, que é Satanás (Ap. 12:9): “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn. 3:15). A “mulher” é Eva (cf. 3:1-2, 4, 6, 12-13, 16). Através da Queda, Adão e Eva aliaram-se a Satanás e uniram-se a ele em seu ódio contra Deus. Quando Deus colocou inimizade entre Satanás e a “mulher”, Eva, ele estava restaurando a amizade pactual que tinha com ela antes da Queda. Visto nessa luz, as “túnicas de pele” (3:21), que o Senhor fez e com as quais a vestiu, falam das vestimentas da salvação, como a igreja tem tradicionalmente ensinado. Não é surpresa que Eva confesse que os filhos que mais tarde teve vieram das mãos do Todo-poderoso (4:1, 25). Assim, a vinda de Deus para encontrar Eva (3:8ss.) fala de sua vinda graciosamente para buscar e salvar o que se havia perdido (cf. Lucas 19:10). Claramente, Eva foi salva. Em segundo lugar, não somente Eva, mas também Adão foi salvo. Eva é proeminente em reconhecer que Deus concedeu o nascimento de Caim e Sete (Gn. 4:1, 25), mas devemos pensar que Adão não desempenhou nenhum papel na escolha do nome dos seus filhos, confessando assim Jeová como o Deus que dá a vida? Similarmente, Deus não vestiu apenas Eva, mas também Adão naquelas “túnicas de pele” (3:21), que simbolizam a salvação. Além do mais, Deus veio não somente até Eva, mas a Adão também para mostrar-lhes seu pecado e miséria do qual Ele poderia libertá-los (3:8ss.). Mas se Adão e Eva foram salvos, devemos perguntar como foram salvos. Certamente não foi por seu “livre-arbítrio” ou por seus esforços. Quando Deus veio para salvá-los, eles se esconderam de Deus (3:8) e apresentaram escusas para o pecado cometido (3:12-13). Foi Deus, e não eles, que os salvou. Deus disse: “Porei inimizade entre ti e a mulher” (Gn. 3:15). Adão e Eva não tinham poder ou vontade para se livrar do domínio de Satanás. Somente Deus poderia e somente Deus os libertou. Mas não somente foi a salvação deles totalmente de Deus; foi também totalmente pela graça. Nossos pais tinham desobedecido ao mandamento de Deus e comido do fruto proibido. Eles creram no diabo, e duvidaram do Deus vivo e verdadeiro, que tinha criado-os e entrando em comunhão com eles. Assim, a salvação deles poderia ser apenas pela misericórdia e dom soberano de Deus. E visto que a salvação foi totalmente pela graça, deve ter sido também pela fé (Ef. 2:8). Adão e

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Eva receberam de Deus a fé para crerem na semente vindoura da mulher, Cristo, que esmagaria a cabeça de Satanás na cruz. E nós, e todos do povo de Deus em todas as épocas, somos salvos da mesma forma que os nossos primeiros pais”.

Saul Perdeu a Salvação? 13 (Segundo o Rev. Angus Stewart) “Saul foi salvo?”, pergunta um dos nossos leitores. Isto é, Saul foi um crente profundamente decaído ou era da semente da serpente? Agostinho declara corretamente que Saul “certamente era réprobo” (Cidade de Deus, 17.6). Como primeiro rei de Israel, a iniqüidade de Saul é especialmente evidente em seus pecados contra o reino de Deus. Dois pecados logo no começo do reinado de Saul levaram à sua perda do reino. Antes de uma batalha com os filisteus, Saul ofereceu o sacrifício antes do retorno de Samuel, contrariamente ao mandamento de Deus (1 Sm. 13:8-14). Mais tarde ele desobedeceu a Jeová ao recusar matar todos os amalequitas e seus animais (cap. 15). Saul não queria reinar de acordo com a palavra de Deus, portanto, Deus tomou o trono dele e deu-o ao homem segundo o seu coração, Davi (13:14). Saul foi “todos os seus dias inimigo de Davi” (18:29), pois sabia que ele o sucederia como rei. Duas vezes Saul tentou ferir a Davi com sua lança (18:11; 19:10). Ele tentou fazer com que os filisteus matassem-no na batalha (18:17, 25). Ele planejou capturar Davi quando esse deixasse a sua casa, executando-o em seguida (19:11-17). Davi escapou de Saul e então se escondeu nas florestas e cavernas (19:18ss.). Mesmo então Saul perseguiu a Davi, e tentou matá-lo. Tão grande era o ódio de Saul que qualquer um que parecesse favorecer a Davi era suspeito. Assim, Saul ordenou que Doegue, o edomeu, matasse 85 sacerdotes e suas famílias em Nobe (22:17-19), e Saul tentou até mesmo tirar a vida de Jônatas (20:33). Jônatas implorou a seu pai por Davi (19:4-7), e Davi por duas vezes poupou a vida de Saul (cap. 24, 26), mas após uma breve pausa Saul retomou seus esforços para assassinar Davi. Saul viveu e morreu odiando a Davi, o homem segundo o coração de Deus. Lemos em 1 João 3:15: “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele”. Um dos últimos atos de Saul foi consultar uma feiticeira (1Sm. 28), algo proibido na lei de Deus (Dt. 18:14). Ele saiu desse mundo através de suicídio, como Aitofel, Zimri e Judas Iscariotes, com o julgamento de Deus sobre ele (1 Crônicas 10:13). Mas Deus “não lhe mudou o coração em outro”, fazendo de Saul “outro homem” através disso (1Sm. 10:6, 9)? Sim, mas “outro coração” é diferente de “novo coração”. Aqueles a quem Deus dá um novo coração, ele faz com que andem em seus estatutos e guardem os seus juízos (Ez. 36:26-27). Saul não guardou os estatutos de Deus. Assim, ele nunca recebeu um novo coração. Deus deu outro coração a Saul, com o objetivo de equipá-lo para governar em seu ofício como rei. Saul começou a vida como um mero cidadão israelita, mas com o

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Espírito sobre ele profetizou (1Sm. 10:6-13) e foi capacitado para conduzir um exército à vitória, consolidando assim o seu reino (11:6-15). É importante saber que Saul era um incrédulo para entendermos corretamente a narrativa de 1 Samuel 9-31, rejeitando a aplicação errônea da vida de Saul aos cristãos que caem. É também importante pela tipologia envolvida. Nos contínuos ataques assassinos de Saul contra Davi, vemos o ataque infernal de Satanás contra Cristo e o seu reino. Mas Deus defende e preserva a sua igreja! Essa preservação também guarda até mesmo o crente mais fraco de viver como Saul, em ódio contra Cristo, a quem Davi tipificava”.

Davi e Sansão Davi não perdeu a salvação e nem deixou de ser habitação do Espírito Santo após ter adulterado com Bate-Seba. Esta verdade pode ser vista no Salmo 51:11: “Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu Santo Espírito”. Provavelmente Davi ficou com medo que o Espírito Santo já tivesse se retirado dele e, por isto, clama a Deus para não retirar seu Espírito. O Espírito do Senhor se retirou de Sansão quando este pecou: “E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Despertando ele do seu sono, disse: Sairei, como das outras vezes, e me livrarei. Pois ele não sabia que o Senhor se tinha retirado dele”. (Juízes 16:20) Mas, devido à grandeza da misericórdia Divina, o Espírito do Senhor voltou a Sansão, pois ele clamou ao seu Deus (Juízes 16:28, 29). Alguns afirmam que Deus pode por questão de disciplina pode retirar seu Espírito temporariamente da pessoa. Não creio porque no tempo da graça, Jesus disse que quando o Consolador viesse estaria para sempre conosco (João 14:16). Apesar de seus pecados, Sansão e Davi foram homens que sempre se arrependeram e jamais deixaram de crer no Senhor da Glória. Jamais se conformaram com o pecado, jamais viveram uma vida pecaminosa, muito pelo contrário, sempre se entristeceram por causa de seus pecados e pediram pela misericórdia do Senhor. Todos eles foram fiéis a vida inteira e são lembrados como heróis da fé em Hebreus 11:32: “E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas...”. Ao falar sobre estes homens de Deus do passado sempre me lembro dos moralistas de plantão de nossos dias. Alguns pastores e membros de igrejas são tão cheios de moral que excluem as ovelhinhas de Jesus por coisinhas e questiúnculas. Seriam Moisés, Davi e Sansão aceitos em algum grupo religioso de hoje? Certamente que a maioria das igrejas não acreditaria na conversão deles. Sabe porque? Porque eles eram seres humanos falíveis e pecadores como qualquer um de nós, mas nossas igrejas santarronas não acolhem ao pecador. Passo a transcrever nas próximas linhas a respeito de Moisés, Davi e Sansão: “E o que dizer de Moisés, que foi quem trouxe as Tábuas da Lei? Ele disse: “Não adulterarás”. Mas, para si mesmo, entendeu que era seu direito tomar outra mulher, a cuzita, pois, para ele, adultério só se configurava quando um homem tomava a mulher de um outro. E ele sofreu algum julgamento por

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isto? Sim! Só que não de Deus, mas de sua irmã, Míriam e seu irmão Arão, os quais, foram severamente repreendidos por Deus, à semelhança dos amigos de Jó. [Nm 12: 1-16] E o que dizer de Sansão? Onde ele estaria hoje? Não consigo vê-lo como pastor, mas como interno em Bangu I, conforme os padrões morais e legais de hoje. Aliás, a leitura dos livros de Josué e Juízes, pela Moral, inviabilizariam a presença permanência de quase todos aqueles seres referenciais na Galeria da Fé em Hebreus 11. As matanças, invasões de territórios que pertenciam a outros, e a eliminação de civilizações inteiras, todas ordenadas por Deus, como podem ser explicadas? Foram aqueles atos, fatos que poderiam ser aprovados pela nossa Moral vigente? [A quantidade imensa de violência instruída divinamente no V.T. nos incomoda até hoje. E por quê? É porque aquelas “instruções” ainda que divinas, já não se amoldam à nossa consciência legal e Moral.] “E o que diremos de Davi, que só não proibia seus homens de se apoderarem de mulheres quando estavam em guerra? [I Sm 21: 3 e 5] Ou que dava a si mesmo essa liberdade [II Sm 3: 2- 5; 5: 13-16], tendo pecado, nesta área, segundo o relato bíblico, apenas quando invadiu uma propriedade privada, tomando a mulher que pertencia a outro? [II Sm 11 e 12] E como seria interpretado hoje um homem, “segundo o coração de Deus”, que fosse capaz de atender ao pedido de dote feito pelo sogro, dobrando a oferta, e, ao invés de cometer a mutilação de apenas cem prepúcios de filisteus —conforme o “valor do dote”—, trouxesse, vitoriosamente, duzentos, como prova de seu valor? [I Sm 18: 20-30] Em que prisão seria ele posto? E em qual comunidade cristã seria ele tratado como “homem segundo o coração de Deus?” [Isto para não falarmos que as três mulheres que carregaram algum significado histórico-bíblico na vida de Davi foram mulheres de dor e sangue: por Mical, ele mata duzentos filisteus; por Bateseba, ele mata, por mãos de terceiros, a Urias, seu marido; e Abigail, tornou-se sua mulher porque, num ataque de raiva, Nabal, seu marido, veio a morrer. E morreu quando ficou sabendo que sua esposa, Abigail, havia saído de casa a fim de “negociar a paz” com Davi. ] Ora, pela Moral, Davi está condenado. Isto porque creu que num mundo caído e relativo, melhor do que três erros são dois ou um, preferencialmente, nem-um! Mas como entre os homens não há nem-um, portanto, não há nenhum justo, Davi estaria condenado mesmo que fosse por apenas um! Assim é a Lei: “quem cumpre tudo mas transgride num mandamento, é réu de todos os mandamentos”. Assim, Davi adulterou (1), criou os meios para que houvesse a possibilidade estatística da morte do marido traído (2) — Urias — e cuja mulher—Bateseba — agora estava grávida e viúva (3). Uma viúva adulterada e abandonada é pior que uma viúva, adulterada, enviuvada, porém, amada! Assim, Davi tomou a Bateseba por mulher, mas o filho que ambos geraram no ato do adultério veio a morrer!

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Davi, entre-tanto-toda-via, após ver que a criança morrera, levantou-se, banhouse, ungiu-se, comeu e bebeu e, a seguir, foi ter com Bateseba: confortou-a, consoloua, possuiu-a, amou-a e ela concebeu. Então, daquela que fora mulher de Urias, lhes nasceu Salomão, e que ganhou este nome porque Davi dissera: “este é amado do Senhor”. Com efeito, é isto o que a Escritura diz: “O Senhor amou o menino”. [II Sm 11—12: 24-25] Assim, pela Moral não apenas Davi está condenado, mas também todos os seres virtuosos da própria Genealogia de Jesus, pois, não há o que dizer de Manassés e de quase todos os demais! [Mt 1: 1-17—pela genealogia de Jesus a Moral não tem salvação! E aqui julgo não precisar expandir nada. O simples conhecimento histórico dos nomes mencionados ali e um mínimo de conhecimento dos contextos de vida e história daqueles indivíduos—homens e mulheres—já prova o que aqui digo!]” 14

A Ressurreição de Lázaro e a Salvação Eterna “Ora, estava enfermo um homem chamado Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta. E Maria, cujo irmão Lázaro se achava enfermo, era a mesma que ungiu o Senhor com bálsamo, e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. Mandaram, pois, as irmãs dizer a Jesus: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela. Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava”. (João 11:1 a 6) Para um melhor entendimento, leia essa história na íntegra em João 11:1 a 57. É possível ver a salvação eterna do cristão mesmo neste relato da ressurreição de Lázaro. Jesus amava muito a Lázaro, e mesmo assim, permitiu que ele morresse vítima de uma enfermidade. Ainda mais; o Senhor atrasou mais dois dias para ir até Betânia e disse que essa enfermidade é para que Deus fosse glorificado, o que de fato aconteceu após a ressurreição de Lázaro. Pare para pensar: Lázaro ao morrer foi direto para o paraíso, pois era amado por Jesus e o servia. Jesus refere-se a morte de Lázaro como a morte dos justos ao dizer: “E, tendo assim falado, acrescentou: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono”. (João 11:11) Não que os mortos de fato dormem ou que estejam insconscientes, mas “dormir” significa em linguagem figurada o fato da pessoa estar salva e refere-se no Novo Testamento exclusivamente a morte dos justos. Morto na carne, Lázaro estava no paraíso, livre do pecado, das doenças, do diabo e deste mundo de trevas. Se a salvação de fato se perdesse, que sentido haveria Jesus chamar Lázaro novamente para este mundo de morte, destruição e ainda correr o risco de perdê-lo novamente? Somente Alguém como Jesus cuja certeza é absoluta, poderia

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chamar Lázaro de volta à vida sabendo que depois de ressuscitado, Lázaro seria ainda perseverante até o fim de sua vida, pois no devido tempo Lázaro morreu de novo.

Moisés e os Judeus Servem de Exemplo para Ilustrar a Perda da Salvação? Por causa do pecado não foi permitido a Moisés entrar em Canaã. Muitos usam este exemplo para poderem ilustrar a possibilidade de um cristão não entrar na Canaã celestial. Acontece, que Moisés não perdeu sua salvação. Este fato está provado pelo seu aparecimento com Elias no monte da transfiguração (Mateus 17:3). Portanto, Moisés ao pecar perdeu um precioso galardão, que era o de entrar e conhecer a terra prometida. No caso dos judeus, eles caíram como nação e não como indivíduos. Caíram sob a Lei e não sob a graça; caíram de privilégios nacionais e não da salvação. Logo, o seu caso, nada prova concernente à salvação. Quando se trata de Israel, devemos lembrar sempre o que diz o profeta: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo”. (Romanos 9:27)

Jonas e o Grande Peixe “Ora veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas, porém, levantou-se para fugir da presença do Senhor para Társis. E, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, da presença do Senhor. Mas o Senhor lançou sobre o mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, de modo que o navio estava a ponto de se despedaçar. Então o Senhor deparou um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe”. (Jonas 1:1 a 4, 17) Quando olho para a história do profeta Jonas, vejo ele como um dos pregadores de maior sucesso em toda a Bíblia. Ele fugiu de sua responsabilidade de pregar para Nínive, foi engolido pelo grande peixe, e contra a vontade pregou para os ninivitas conseguindo como saldo positivo o arrependimento da cidade inteira. Nos dias de hoje muitos pregadores precisam de grupinhos de teatro, ministros de louvor, estratégias e uma parafernália de mídias eletrônicas para poderem ter sucesso na pregação. Não foi assim com o profeta Jonas. Também tenho visto muitos (baseados em supostas profecias), afirmando que Deus ameaçou matar sua família inteira se eles não pregarem o evangelho. Ao contrário disso, vejo na história do profeta Jonas apenas um Deus de amor que manda o profeta pregar, e se ele não faz a obra de pregar, recebe apenas a disciplina de Deus. E mesmo a desobediência e disciplina acaba em vitória.

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Jonas foi um sinal para sua geração. Sua desobediência foi transformada em obediência e vitória. Nínive foi salva. O Senhor Jesus em sua obediência ao Pai conseguiu maior glória do que a pregação de Jonas. Ao se comparar com Jonas, o Senhor diz: “Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. Os ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E EIS AQUI QUEM É MAIOR DO QUE JONAS”. (Mateus 12:39 a 41 – o grifo é meu) Ao comentar sobre o profeta Jonas, Santo Ireneu de Lião (c. 130 – c. 208), bispo, teólogo e mártir disse: “Deus deu provas de paciência perante a fraqueza do homem, porque conhecia antecipadamente a vitória que lhe daria pelo Seu Verbo; pois, quando o poder se revelou na fraqueza (2Cor 12, 9), o Verbo deu a conhecer a bondade de Deus e o Seu poder magnífico. Com efeito, aconteceu ao homem o mesmo que ao profeta Jonas. Deus não permitiu que este fosse engolido por um monstro marinho para que desaparecesse e perecesse por completo, mas para que, depois de ter sido rejeitado pelo monstro, se mostrasse mais submisso a Deus e glorificasse mais Aquele que o tinha salvado de forma inesperada. Foi também para conduzir os ninivitas a um firme arrependimento e à conversão Àquele que os livraria da morte, impressionados que ficaram pelo sinal que se tinha realizado em Jonas. [...] Da mesma maneira, no princípio, Deus não permitiu que o homem fosse engolido pelo grande monstro, autor da desobediência, para que desaparecesse e perecesse por completo, mas porque tinha antecipadamente preparado a salvação realizada pelo Seu Verbo, por meio do «sinal de Jonas». Salvação que foi preparada para aqueles que tiverem por Deus os mesmos sentimentos que Jonas e que como ele Lhe confessarem: “Adoro o Senhor, Deus do céu, que fez os mares e a terra” (Jon 1, 9). Deus quis que o homem, Dele recebendo inesperadamente a salvação, ressuscite de entre os mortos e glorifique a Deus, dizendo com Jonas: “Na minha aflição invoquei o Senhor e Ele ouviu-me. Clamei a Vós do meio da morada dos mortos e ouvistes a minha voz” (Jon 2, 3). Deus quis que o homem continuasse fielmente a glorificá-Lo e a dar-Lhe graças sem cessar pela salvação que Dele recebeu”.15 Jonas não perdeu a salvação por ter-se recusado pregar aos nínivitas, mas teve disciplina e esta produziu arrependimento, que por sua vez, produziu a salvação de uma cidade inteira. Jonas não se firmou na desobediência para que a mesma produzisse benção, mas involuntariamente pecou e sofreu terrivelmente a consequência de seu pecado. O profeta Jonas também cria na salvação eterna e na suficiência do Senhor. Ele mesmo disse: “Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz de ação de graças; o que votei pagarei. AO SENHOR PERTENCE A SALVAÇÃO”. (Jonas 2:9 – o grifo é meu)

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Uma vez que a salvação pertence somente ao Senhor, logo, nenhum homem está habilitado para dizer que pode salvar-se a si mesmo. Isto temos estudado no decorrer de todo este livro. A Deus pertence toda a Glória desde agora e para todo o sempre! Como podemos perder uma coisa que pertence a Deus?

Maria, mãe de Jesus Muito se tem falado no meio religioso sobre Maria, mãe de nosso Salvador. Em sua exaltação a Maria muitos têm fantasiado a história dessa humilde serva do Senhor, atribuindo a ela milagres e outros a têm colocado até mesmo como uma deusa. Ao contrário de toda história fantasiosa sobre sobre ela, a Bíblia nos ensina que Maria também cria na salvação eterna e necessitava de um Salvador. Ela mesma disse isto em seu famoso cântico: “Então disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador...” (Lucas 1:46, 47) Uma pessoa dizer que precisa de um Salvador é porque reconhece sua total incapacidade para se salvar. Quem não precisa de um Salvador é porque crê que pode salvar-se a si mesmo. Este não foi o caso de Maria. Ela demonstrou sinal de humildade ao dizer que precisava ser salva. Ao dizer que Deus é seu Salvador, Maria reconhece a grande verdade de que ela mesma e todos os seres humanos “pecaram e separados estão da glória de Deus”. (Romanos 3:23) Se você é um religioso mariano, dito seguidor dos passos de Maria, siga então o que ela disse a respeito de Jesus Cristo para poder se salvar: “Então ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser”. (João 2:5) Com toda certeza Maria foi salva eternamente por ter depositado sua fé em Cristo.

Jesus, o Maior Exemplo! De todos os exemplos de personagens bíblicos, o Senhor Jesus é o Maior e Único que devemos seguir. Ele foi tentado em tudo, mas nunca pecou (Mateus 4:1; Lucas 22:28; Hebreus 2:18; 4:15; Tiago 1:13). O cumprimento total da Lei é a garantia de alguém jamais apostatar da fé. “Porque Moisés escreveu que se alguém pudesse ser perfeitamente bom e conservar-se longe da tentação durante toda a sua vida sem jamais pecar uma só vez, só assim poderia ser perdoado e salvo”. (Romanos 10:5 – Bíblia Viva) Ninguém foi capaz de cumprir a Lei dessa maneira! Somente Jesus a cumpriu! Uma vez que somos salvos pelo que Cristo fez, e uma vez que Ele mesmo cumpriu a Lei de forma plena e completa, jamais poderemos apostatar da fé. Cristo em nenhum momento pecou ou apostatou da fé. Uma vez salvos, embora sejamos imperfeitos, jamais poderemos apostatar da fé porque nossa salvação se baseia em tudo o que Ele fez! Os que crêem em Jesus agora também podem cumprir os aspectos necessários da lei para uma vida santa. “Cristo cumpriu toda a lei, portanto, quem crê nEle é contado como justo diante de Deus, como se ele mesmo tivesse cumprido toda a lei.

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Os pecadores nunca se diluem em vãs fantasias de sua própria justiça, se conheceram a justiça de Deus como Rei ou sua retidão como Salvador”.16 Os que por Ele são salvos não são mais dependentes da lei para a sua salvação. Ao ter fé em Jesus Cristo podemos dizer assim como o apóstolo Paulo: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10:4)

_________________________________ BIBLIOGRAFIA

1. Livro Sem Barganhas, Caio Fabio pgs. 90,91 2. Augusto Cury - Análise da Inteligência de Cristo - O Mestre Inesquecível - Editora Sextante 3. Revista Chamada da Meia-Noite, pg. 21 março de 2008, ano 39, n. 3 4. Livro Sem Barganhas, Caio Fábio, pgs. 128 e 129. 5. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo ATOS, David J. Williams, Editora Vida, 1996, ver sobre Ananias e Safira neste comentário. 6. Objeções à Perseverança dos Verdadeiros Crentes, por Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki. Fonte: Site monergismo. www.monergismo.com/textos/perseveranca/objecoes_perseveranca.htm 7. Idem 5, ver sobre Simão, o Magico neste comentário. 8. Artigo: O Pecado www.batistalondrina.org

dos

Pecados

VI,

Pastor

Glênio

Fonseca

Paranaguá,

Site:

9. MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia, autores: Norman Geisler - Thomas Howe, Editora EDITORA MUNDO CRISTÃO, São Paulo. Ver sobre Jó neste manual. 10. Série: FÉ À PROVA DE FOGO – O Testemunho de Jó | Sermão 4/5 - Pregado à IBCC em 11/01/2009 (Manhã) - Pr. Leandro B. Peixoto. 11. Comentário sobre os anjos que pecaram. Site: Arminianismo.com 12. A Salvação de Adão & Eva. Fonte: www.monergismo.com 13. Saul foi Salvo? (Segundo o Rev. Angus Stewart), tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto*. Fonte: Site Monergismo: http://www.monergismo.com/textos/sotereologia/saul-foi-salvo_angusstewart.pdf 14. Livro Sem Barganhas, Caio Fábio, pgs. 111 a 114 15. Santo Ireneu de Lião (c. 130 – c. 208), bispo, teólogo e mártir Contra as heresias, III, 20, 1 (a partir da trad. Rousseau, Cerf 1984, p. 370 rev. ; cf SC 34, p. 339) 16. Comentário Bíblico de Matthew Henry - Novo Testamento – Romanos 10 e Versículos 1-4.

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- Capítulo 7 Questões do Dia a Dia e Outras Questões

Neste capítulo iremos analisar algumas questões relacionadas a vida diária. Colocamos muitas dúvidas e experiências pessoais que muitas vezes são citadas nos púlpitos das igrejas, comprometendo assim a saúde espiritual do povo de Deus. E como sempre, neste contexto existe a ameaça quanto à perda da salvação.

Como ter a certeza da salvação? Se fizermos uma pesquisa nas igrejas católicas e evangélicas com o título “você tem certeza de sua salvação?” vamos encontrar três grupos de pessoas: 1º - Os que têm certeza que irão para o céu após a morte; 2º - Aqueles que não têm certeza; 3º - Aqueles que não sabem; As pessoas que não sabem podem ser colocadas juntas com aquelas que não têm certeza de sua salvação. Isto porque segundo a Bíblia, não existe meio termo, não há como ficar encima do muro. Assim sendo, você é ou não é, sabe ou não sabe. Sempre achei o assunto “certeza da salvação” um tanto complexo, uma coisa muito pessoal, mística ou como uma revelação pessoal dada por Deus para cada um. Às vezes cheguei a pensar que para se ter certeza da salvação era necessário ter bons sentimentos e emoções. Mas, nossas emoções são inconstantes, o humor muda e não dá para se ter certeza da salvação baseando-se em emoções e sentimentos. Então, como poderíamos ter a certeza da salvação? Esta certeza é complicada a primeira vista por causa de sua grande simplicidade. Não se dá através de sentimentos, emoções ou revelações especiais. Talvez, você ficará pasmo pela maneira como se pode ter certeza de sua salvação. Basta observar o que um teólogo escreveu sobre o assunto:

“Sempre que alguém disser que não pode ter certeza de sua salvação, isso significará que essa pessoa estará tentando colocar sua segurança no que ela faz para ganhar a aceitação de Deus”. 181


Realmente, o que esse teólogo disse é a mais pura verdade. Só não podemos ter certeza da salvação se a nossa segurança está baseada naquilo que podemos fazer de bom para ganhar a aceitação de Deus. Uma vez que até o dia da morte nunca poderemos ser bons o suficiente para alcançar a salvação porque possuímos uma natureza caída, logo a salvação não é baseada em nossos próprios méritos. Toda boa obra praticada por nós é como o trapo da imundícia: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam”. (Isaías 64:6) Antes de pensar que você pode fazer alguma coisa por sua salvação, lembre-se que o cristianismo não é apenas difícil de ser vivido, é impossível, pois o único que pôde viver o cristianismo de verdade foi Jesus. Mais ninguém chegará a tal feito. Sim, devemos fazer o que é certo sempre, mas devemos lembrar que estamos sujeitos aos mais terríveis pecados. Se não podemos viver o cristianismo na sua totalidade, senão podemos ser bons o suficiente para alcançar o céu, então, o que fazer? Fazer alguma coisa não podemos mesmo, pois somos incapazes, mas aprenda de uma vez por todas e creia de coração que:

EU SOU SALVO POR CAUSA DO QUE CRISTO FEZ! Lembre-se do que o apóstolo Paulo disse: “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la”. (Efésios 2:8-9)

A Certeza da Salvação Segundo Martinho Lutero O que passarei a reproduzir a seguir, trata-se de um exemplo de como o reformador Martinho Lutero tratava a certeza da salvação: “Nos dias de Lutero, viveu uma senhora por nome Bárbara Lisskirchen. Quando ela, assolada pela dúvida de sua salvação, recorreu a Lutero a procura de conselhos, descobriu, na prática, o grande diferencial entre a doutrina do grande Reformador e a doutrina de Roma. Certamente, a senhora Bárbara Lisskirchen conhecia qual era a resposta do Catolicismo Romano para os temores que assaltavam o seu coração. Certamente, ela seria exortada a fazer uma série de orações; seria intimada a comprar algumas indulgências ou constrangida a algum voto de castidade depois da confissão auricular. Enfim, o certo é que como toda religião farisaica, o Catolicismo Romano

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tinha pronta uma grande lista do que ela deveria fazer para acalmar sua consciência e agradar a Deus. Qual não deve ter sido sua surpresa ao ouvir o conselho de Lutero: “Quando tais pensamentos a assaltam, você deve aprender a perguntar a si mesma: “Por favor, em que mandamento está escrito que eu deva pensar sobre esse assunto e lidar com ele?”. Quando parecer que não há tal mandamento, aprenda a dizer: “Saia daqui, maldito diabo! Você está tentando fazer com que eu me preocupe comigo mesma. Meu Deus declara em todos os lugares que eu devo deixá-lo tomar conta de mim [...]”. “A mais sublime de todas as ordens de Deus é esta, que mantenhamos diante de nossos olhos a imagem de seu Filho querido, nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os dias ele deve ser nosso excelente espelho, no qual contemplamos o quanto Deus nos ama e quão bem, em sua infinita bondade, ele cuidou de nós ao dar seu Filho amado por nós. Desse modo, eu digo, e de nenhum outro, um homem aprende a lidar adequadamente com a questão da predestinação. Será evidente que você crê em Cristo. Se você crê, então será chamada. E, se é chamada, então muito certamente está predestinada. Não deixe que esse espelho e trono de graça seja quebrado diante de seus olhos [...] Contemple o Cristo dado por nós. Então, se Deus desejar, você se sentirá melhor”. O que Lutero está querendo ensinar a senhora Lisskirchen é o seguinte: “Filha, quando o maldito diabo vir lhe dizer que você não pode ser salva; diga-lhe apenas o seguinte: Claro que sou salva! Como posso não ser salva se Deus me predestinou para isso?”. Bárbara Lisskirchen pode até ter ficado surpresa com este conselho, mas, provavelmente muitos teólogos dos nossos dias, excluiriam Lutero de seu quadro de membros…”.

A Analogia do Suicídio Espiritual e o Dom da Vida Eterna Deus nos deu o dom da vida, e por isto, todas as pessoas que nascem neste mundo amam a vida. Por mais depressiva que a pessoa esteja, por mais sofrimentos que venha passar, a vida clama para continuar existindo. O homem tem dentro de si um sentimento de eternidade posto por Deus (Eclesiastes 3:11), e por mais ruim que possa ser este mundo, a verdade é que ninguém quer morrer. Atualmente a psicologia está mudando de conceito sobre a questão do suicídio. O psiquiatra Augusto Cury disse (no seu livro O Futuro da Humanidade), que o indivíduo que comete suicídio não está buscando a morte, mas sim acabar com um sofrimento insuportável que o aflige.

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Até mesmo Satanás reconheceu como o homem será capaz de tudo para preservar a própria vida: “Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida”. (Jó 2: 4) Portanto, de todo tipo de morte que pode acontecer, o suicídio físico deve ser considerado apenas como uma possibilidade remota para cada pessoa. O mesmo pode ser aplicado ao dom da vida eterna dado gratuitamente em Cristo. Alguns teólogos comparam o suicídio físico com o suicídio espiritual que seria o abandono da fé em Cristo. Esses teólogos afirmam que a idéia de “um indivíduo regenerado” tornar-se apóstata e vir a finalmente perder-se, é realmente apenas “hipotética e teórica”. Dessa forma concluem que se suicidar espiritualmente é muito menos provável que o suicídio físico (uma vez que o suicídio físico é uma possibilidade muito menor), e por isso o suicídio espiritual deve ser considerado também apenas como uma possibilidade remota. Se do ponto de vista humano o suicídio torna-se uma possibilidade remota, do ponto de vista da graça de Deus tal possibilidade nunca pode tornar-se realidade. O dom da vida eterna, a divina semente, os frutos do Espírito, a presença do Espírito Santo e o dom da fé fazem com que o crente por si só (por mais que tenha cometido algum pecado grave), queira continuar em Cristo. Se observarmos o livro de Hebreus veremos que embora o autor desse livro fale tanto do perigo da apostasia, ele sempre deixa claro que nem ele mesmo nem seus leitores poderiam ter qualquer intenção de cometer suicídio espiritual. Muito pelo contrário, não somos da descrença, mas somos da fé para a conservação da alma (Hebreus 10:39).

Quem se Suicida Perde a Salvação? Quando se fala em suicídio, os religiosos de plantão são taxativos ao dizerem: “quem se suicida não tem perdão e a pessoa perde o benefício da salvação”. Tais idéias não levam em considerações algumas coisas importantes sobre o suicídio. A questão do suicídio é simples, mas é complicada para se explicar porque temos de ter cuidado para não pender para dois extremos, são eles: 1º - Não podemos dizer que a pessoa que se suicida perde o benefício da salvação, mesmo porque o suicídio não é um pecado imperdoável. Aqui entra o cuidado para o suicídio não ser uma carta aberta como saída ou solução de problemas. 2º - Por outro lado, não podemos dizer que quem se suicida será salvo, porque sair desse mundo através de suicídio, como Saul, Aitofel, Zimri e Judas Iscariotes, pode provar que a pessoa não estava em Cristo e com o julgamento de Deus sobre ela (1º Crônicas 10:13). Não podemos de maneira alguma julgar quem quer que seja em nenhum dos dois casos citados acima. Há dois tipos de suicídio: há o suicídio daqueles que por

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fraqueza, depressão não suportam viver mais e resolvem tirar a própria vida. E há aquele caso da pessoa que já havia rejeitado Cristo em vida. A perda do benefício da salvação não é por causa do suicídio em si, mas por causa da falta de fé em Cristo. O suicídio nunca foi e nunca será uma saída ou solução. Pelo contrário, pode ser a prova real da ausência de Cristo na pessoa. Mas, também o lado oposto é verdade, pois poderemos encontrar muitos suicidas no céu. O fato é que de uma forma ou de outra quem se suicída está fazendo um mal para si mesmo. “O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (Atos 16:27,28) Também devemos lembrar que “Para o que está entre os vivos há esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto”. (Eclesiastes 9:4) Seja qual for o tipo de suicídio, jamais devemos julgar se um suicida foi ou não para o inferno. Primeiramente a base de se salvar ou não é Jesus Cristo e não o suicídio em si. O suicídio é pecado sim! Ninguém pode brincar com o pecado e achar que vai sair ileso. Por outro lado, é uma blasfêmia contra Deus dizer que um suicida se perdeu, pois só Deus sabe todas as coisas.

Os Ricos não Herdarão a Vida Eterna? “E perguntou-lhe um dos principais: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe. Replicou o homem: Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude. Quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens e reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas, ouvindo ele isso, encheu-se de tristeza; porque era muito rico. E Jesus, vendo-o assim, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”. (Lucas 18:18 a 25) Muitas pessoas vêem neste episódio da vida de Jesus a idéia de que um rico não vai para o céu e que também é possível guardar os mandamentos (uma vez que Jesus perguntou para o jovem rico se ele guardava os mandamentos). Nem um caso e nem outro. O Senhor Jesus não quis dizer que é possível ser salvo pela guarda dos mandamentos e nem que um rico não vai para o céu. Em primeiro lugar ao perguntar se ele guardava os mandamentos, o Senhor Jesus nos mostra que a guarda dos mandamentos não salva ninguém. O jovem rico observava os mandamentos desde criança. Ele provavelmente achava que tinha cumprido toda a Lei. Essa idéia em si já

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é falsa, mas o jovem rico errava em um mandamento, porque amava às riquezas. Neste caso a Bíblia ensina que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”. (Tiago 2:10) Portanto, ninguém, a exceção de Jesus, será capaz de guardar toda a Lei de Deus. Se guardar os mandamentos bastasse, jamais o jovem rico teria perguntado: “Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?” Isto é prova que a mera pratica religiosa não satisfaz aquele vazio interior que é a ausência de Deus. O versículo 22 mostra que no final das contas o caminho para a vida eterna é crer em Jesus: “Quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens e reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segueme”. O amor a riqueza era o principal problema desse jovem rico. Quando Jesus disse que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”, Ele estava dando a entender que ninguém pode se salvar, nem mesmo tendo uma vida religiosa como tinha o jovem rico. As pessoas que ouviram Jesus dizer essas coisas indagaram: “Então os que ouviram isso disseram: Quem pode, então, ser salvo? Respondeu-lhes: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus”. (Lucas 18:26,27) A salvação individual é impossível aos homens, seja pela pratica de mandamentos, vida religiosa, seja por tentar se livrar das riquezas. No final das contas a salvação impossível torna-se possível aos homens porque tudo termina onde começa, em DEUS.

Dois Lados Opostos: Salvação e Perdição A Bíblia inteira nos mostra que existem dois lados opostos. O lado direito e o esquerdo, o bem e o mal, o certo e o errado, a fé e a incredulidade, o justo e o injusto, a salvação eterna e a perdição eterna. A Bíblia não nos dá margem para ficarmos encima do muro; ou somos salvos ou não, ou é ou não é. Essas verdades podemos ver no evangelho de Marcos que diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. (Marcos 16:15, 16) Neste versículo Jesus nos mostra os dois lados de uma mesma moeda: daquele que crê de verdade e daquele que de verdade não crê. Não se diz de alguém que fica encima do muro e depois se arrepende, mas se diz de alguém que de verdade crê ao ponto de ser salvo e por outro lado daquele que rejeita finalmente a salvação ao ponto de se perder. Essas mesmas verdades encontramos no evangelho de João quando Jesus disse: “Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. (João 3:18) Neste versículo vemos de novo o contraste entre aquele que crê de verdade e aquele que não crê. Quem crê de verdade não é julgado e JÁ TEM a vida eterna (versículo 36), porém o que não crer JÁ ESTÁ JULGADO! Sabemos que todos os ímpios serão julgados no Juízo Final, mas todo aquele que se nega a crer em Cristo JÁ ESTÁ JULGADO, ou seja, já está com o seu futuro predestinado para o inferno.

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Nesse versículo crentes e descrentes encontram-se no mesmo contexto, portanto, enquanto que um tem o destino garantido para o céu, o outro tem o destino garantido para a perdição, sendo essa uma mais prova de que a salvação é garantida a todo o crente de verdade. “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. (João 3:36) Neste versículo temos também no mesmo contexto o contraste entre o crente verdadeiro e o incrédulo. A fé em Jesus garante a vida eterna já no tempo presente e não algo a ser conquistado no futuro. Por outro lado o desobediente também garante a ira de Deus sobre si desde já. Em outras traduções a palavra “desobedece” é traduzida por “se mantém rebelde”. Sendo assim, a pessoa que se recusa a crer no Filho de Deus é aquela que até o fim da vida diz NÃO a Ele, sendo esse o verdadeiro incrédulo. Esse não é o caso daqueles que hoje se recusam a crer, mas amanhã mudam de idéia. No mesmo contexto vemos que se o incrédulo se mantém rebelde contra o Filho, o crente verdadeiro se mantém fiel até o fim. Na carta aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo também nos mostra a respeito do contraste entre o que crê e do que não crê de verdade: “...e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça”. (2ª Tessalonicenses 2:10, 11 e 12) Quem não recebe o amor da verdade para ser salvo, recebe da parte de Deus a operação do erro para dar crédito à mentira. Depois de apelar, repreender, Deus entrega a pessoa aos seus pecados definitivamente. Essa mesma verdade pode ser encontrada em Romanos capítulo 1:21 a 28: “...porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. Pelo que Deus os entregou a paixões infames. E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm...”. A Bíblia diz que quando não se dá ouvidos a voz do Espírito Santo há endurecimento total. O oposto disso também é verdadeiro. Quem acolheu o amor da verdade, e deu ouvidos a voz do Espírito Santo, não experimenta o endurecimento total. Em oposição aos que conhecem e obedecem ao evangelho, encontramos também na segunda vinda de Jesus a revelação do contraste: salvação e perdição (2ª Tessalonicenses 1:6 a 10).

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Criancinhas Perdem a Salvação? Sempre costumo dizer que a religião não perdoa nem crianças e criancinhas. Alguns pais batizam suas crianças para que elas não morram pagãs. Muitos acreditam que por serem as crianças culpadas do pecado original, elas são objetos adequados ao batismo. Creio que toda criança embora nasça em pecados (Salmo 51:5) elas nascem “salvas” porque são consideradas incapazes até a idade em que possam tomar a decisão a favor ou contra Jesus. Após a morte do neném de Bate-Seba Davi disse: “Respondeu ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o Senhor se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará a mim”. (2º Samuel 12:22,23) A frase “Eu irei a ela, porém ela não voltará a mim” parece indicar que Davi cria que o filho de Bate-Seba estava salvo. Toda criança deve ser levada a Cristo e ninguém pode impedir isto. “Eles trouxeram as criancinhas a Cristo e os discípulos os repreendiam. E Jesus disse: Permitam que as criancinhas venham até mim, e não as proíba; porque delas é o reino do céu”. (Mateus 19:13, 14). Lucas expressa isto ainda mais fortemente: “Eles trouxeram a ele, até mesmos criancinhas, para que ele as tocasse” (Lucas 18:15). Essas crianças eram tão pequenas que foram trazidas até ele; ainda assim, ele diz: "Permitam que elas venham até mim". Tão pequenas, que ele "as pegou em seus braços"; ainda assim, ele repreende aqueles que teriam impedido a vinda delas. E seu mandamento se refere ao futuro, tanto quanto ao presente. Portanto, seus discípulos ou ministros devem ainda permitir às crianças que venham, ou seja, que sejam trazidas até Cristo. Mas elas não podem vir até ele, exceto se trazidas para conhecer o evangelho. E "de tais", diz o Senhor, "é o reino dos céus"; não de tais apenas que eram como aquelas crianças. Porque, se elas mesmas não fossem adequadas a serem súditos daquele reino, como outros seriam, porque eles eram como elas? Crianças, portanto, são capazes de serem admitidas no reino, e têm direito a isto. No Velho Testamento, as crianças eram admitidas no povo de Deus através da circuncisão. Portanto, as crianças devem vir a Cristo, e nenhum homem deve proibilas. Elas são capazes de admissão na Igreja de Deus.

As Curas feitas por Jesus e a Salvação Eterna O Senhor Jesus em seu ministério terreno efetuou muitas curas. Ele curou paralíticos, cegos, endemoniados, surdos e toda sorte de enfermidades. Em termos de analogia, podemos comparar essas curas com a salvação eterna do cristão. Uma pessoa, por exemplo, que foi aleijada a vida inteira, e recebeu a cura, jamais vai querer voltar a ser aleijada de novo. Um cego de nascença ou por acidente, que

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conheceu a beleza do nosso mundo, a grande benção de poder ver, jamais vai querer ser cego de novo. Qualquer pessoa com qualquer tipo de mal não vai querer jamais voltar por vontade própria a sua situação anterior. Somente um louco faria isto e mesmo um louco poderíamos dizer que está louco. Talvez alguém me dirá que por acidente uma pessoa poderia voltar a ser cega ou aleijada. Tudo bem, mas mesmo assim a probabilidade é extremamente mínima, mas jamais seria por vontade própria. Essas mesmas coisas se aplicam a salvação eterna do cristão. Alguém que uma vez experimentou a graça de Deus jamais vai querer por vontade própria voltar para a velha vida. Um crente pode até se deliciar com o pecado por um tempo, mas jamais voltará ao lamaçal. Jamais voltará a ser cego, aleijado e leproso espiritual. O texto de Lucas 4:18, 19 expressa a verdade de que Jesus veio para libertar os presos, cegos e salvar seu povo. Que sentido haveria de um escravo sofredor querer voltar para a escravidão? De um cego espiritualmente querer ser cego de novo? De um preso ser preso de novo? Isto só é possível na mente fértil de alguns pregadores! Jesus veio para salvar seu povo e não para tentar salvá-lo!

A Salvação Eterna nas Profecias de Zacarias, Pai de João Batista Após o nascimento de João Batista, Zacarias seu pai, profetizou algumas palavras que demonstram claramente sua crença de que a salvação não se perde. Zacarias disse: “Bendito, seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo, e para nós fez surgir uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo...” (Lucas 1:68,69). Observe que ele usa a expressão “salvação poderosa”. Nossa salvação não é frágil como muitos líderes de igrejas pensam. A salvação vem de um Deus Todo-Poderoso que está interessado em salvar e só Ele pode salvar. Essa salvação é para todos os dias da nossa vida e não apenas por um período de tempo. Na profecia Zacarias diz isso: “Ele fez um juramento ao nosso antepassado Abraão; prometeu que nos livraria dos nossos inimigos e que ia nos deixar sem medo, para que sejamos somente dele e façamos o que ele quer em todos os dias da nossa vida”. (vs. 73, 74 e 75 - Nova Tradução na Linguagem de Hoje – o grifo é meu)

Temos Advogado Junto ao Pai “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. (1ª João 2:1) Alguns dizem que quando o cristão peca, perde a salvação naquele exato momento em que pecou. Ele somente restaurará sua vida diante de Deus quando pedir perdão e reconciliação. Isto é o que é pregado pelo hiper-arminianismo. Longe de ser

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verdadeira essa doutrina, é bom entendermos que quando um cristão peca, ele não perde a salvação. Ele continua salvo mesmo depois de ter pecado. A palavra diz: “se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo”. (2ª Timóteo 2:13) Não há aqui uma carta aberta para o crente pecar na presença de Deus, mas aqui está uma segurança quando se peca. Jesus Cristo se mantém fiel quando pecamos porque somos membros de seu Corpo. Você amputaria um membro seu se estivesse doente? Cortaria um dedo se estivesse inflamado? É claro que você iria procurar fazer de tudo para curá-lo. Assim age o Senhor para conosco. Ele procura curar disciplinando, corrigindo e açoitando. Veja sobre a disciplina de Deus no próximo tópico.

A Disciplina de Deus A disciplina de Deus não permite que o cristão viva em atos de LIBERTINAGEM, já que o Espírito Santo o corrigirá todo o tempo. A palavra disciplina no grego é paideo, e tem o significado de treinar, educar. 1. Deus garante o cuidado de educar e treinar a todos os seus filhos. a) Hebreus 12:6 * O Senhor ama ao que disciplina. b) Gálatas 6:7-10 * De Deus não se zomba, o que o homem semear colherá. 2. A disciplina vem da parte de Deus e não do homem. a) Romanos 12:19 * Minha é a vingança eu retribuirei diz o Senhor. b) 1ª Coríntios 11:31,32 * Somos castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 3. Somente os bastardos, os filhos do diabo é que não são disciplinados e morrem espiritualmente pela falta de disciplina. a) Hebreus 12:8 * Quem está sem disciplina é bastardo. b) Provérbios 5:22, 23 * “Quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com os laços do seu pecado será detido. Ele morrerá pela falta de disciplina, e pela sua muita loucura perdido cambaleia”. 4. Ao aplicar a disciplina, Deus pode usar três medidas. a) Hebreus 12:10 * Disciplina.

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b) Salmo 94:12,13 * Correção. c) 1ª Coríntios 5:5 * Açoite. 5. O açoite é a última medida que Deus usa para disciplinar o cristão. Quando Deus açoita o cristão expõe o seu corpo físico podendo acontecer uma morte prematura. a) 1ª Coríntios 5: 5 - * A carne é entregue a Satanás para destruição para que se produza arrependimento. b) 1ª Coríntios 11: 30; Romanos 8:13 * No açoite o crente pode passar por uma morte progressiva e consumada. O propósito da disciplina é para que tenhamos descanso físico nos dias maus e possamos cada vez mais participar da santidade do Senhor. (Salmos 94:12,13; Hebreus 12:10). Ao disciplinar, corrigir e açoitar, Deus não retira a sua bondade nem retira a sua fidelidade, nem modifica o que seus lábios prometeram a nosso respeito. Através desse trato de Deus somos mantidos salvos para sempre. Por ter disciplina, o cristão verdadeiro anda assim como o Senhor andou: “Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve andar assim como ele andou”. (1ª João 1:5,6) Sendo assim, o filho de Deus sempre: 1. Procura se purificar do pecado: “E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro”. (1ª João 3:3); 2. Tem uma vida correta e por isso não dá mau testemunho perante o mundo; 3. Se cair em algum pecado grave, Deus o levantará: “... porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os perversos serão derrubados pela calamidade”. “Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura a mão” (Provérbios 24:16; Salmo 37: 23,24 ) Alguns afirmam que não existem nem pecadão e nem pecadinho, ou seja, pecado é tudo a mesma coisa. Sobre este assunto, o teólogo Wayne Grudem diz algo importante: “Há graus de pecado? Há alguns pecados piores que outros? A resposta a essa pergunta pode ser tanto sim como não, dependendo do sentido em que a pergunta foi formulada. a. Culpa legal. Em termos de nossa posição legal diante de Deus, qualquer pecado, mesmo o que possa parecer bem pequeno, torna-nos legalmente culpados perante Deus e, portanto, dignos de punição eterna. Adão e Eva aprenderam isso no jardim do Éden, quando Deus lhes disse que um único ato de desobediência resultaria na penalidade de morte (Gn 2.17). Paulo afirma que “por um pecado veio

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o julgamento que trouxe condenação” (Rm 5.16). Esse pecado tornou Adão e Eva pecadores diante de Deus, não mais aptos a permanecer em sua santa presença. Essa história permanece válida no decorrer de toda a história da raça humana. Paulo (citando Dt 27.26) a reafirma: “Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei” (Gl 3:10). Tiago declara: “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Pois aquele que disse: ‘Não adulterarás’, também disse: ‘Não matarás’. Se você não comete adultério, mas comete assassinato, torna-se transgressor da Lei” (Tg 2.10,11). Portanto, em termos de culpa legal, nossos pecados são igualmente maus porque nos tornam legalmente culpados perante Deus e nos constituem pecadores. b. Resultados na vida e no relacionamento com Deus. Deve-se dizer que alguns pecados são piores que outros no sentido que causam conseqüências mais danosas na nossa vida e na vida de outras pessoas e, em termos de nosso relacionamento pessoal com Deus como Pai, despertam seu desprazer e trazem uma ruptura mais séria para a nossa comunhão com ele. A Escritura às vezes fala de graus de seriedade do pecado. Quando Jesus esteve diante de Pilatos, ele disse: “...aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior” (Jo 19.11). Aparentemente, a referência é a Judas, que havia conhecido Jesus de modo muito íntimo por três anos e, todavia, traiu-o para que ele morresse. Embora Pilatos tivesse autoridade sobre Jesus em virtude de seu ofício governamental e estivesse errado em permitir que um inocente fosse condenado à morte, o pecado de Judas foi muito “maior”, provavelmente por causa do conhecimento maior e da malícia conectada a ele”.1 O salmista também fala a respeito da diferença entre pecados: “Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão”. (Salmo 19:13 – o grifo é meu) Todos nós pecamos de várias formas no dia-a-dia, seja falando mal dos outros, seja mentindo e etc. São pecados que acontecem na vida diária (1ª João 1:7,8 e 9), mas o que não acontece com um filho de Deus é viver conformado com o pecado. Do mais, a única forma de vencer os pecados e evitar o pecado da descrença, é crendo em Jesus Cristo como única solução definitiva, pois: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (João 8:34-36) Existem dois extremos em relação ao pecado. Há daqueles que defendem a impecabilidade e outros que defendem a libertinagem. “Tiago e João também são veementes com relação a todos os dois extremos da doutrina do pecado. Há os que dizem: “a nossa natureza é caída mesmo, logo não adianta fazer nada a respeito”. A esses eles dizem: “A fé sem obras é morta”(Tiago 2.17); ou: “Aquele que diz que permanece nele, deve também andar assim como ele andou”; ou: “todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu”; ou: “aquele que pratica o pecado procede do Diabo”(I João 2.3;3.8).

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Há outros que dizem: “já que eu sou nascido de novo, então isto significa que eu tenho poder para não pecar mais”. A esses Tiago e João dizem: “Pois, qualquer que guarda toda Lei, mais tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”(Tiago 2.10); ou: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”; ou ainda: “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós”( I João 1.710). Ora, o equilíbrio bíblico é aquele que diz: “Eu sei que sou um pecador que foi redimido pelo sangue de Jesus, mas que precisa crucificar a concupiscência da carne todos os dias, pois a minha natureza é caída e rebelada contra a Lei de Deus. Por isto, eu preciso andar no Espírito e no amor a fim de que eu não alimente minha natureza caída, ainda que, eu mesmo saiba, que conquanto não viva mais na prática do pecado, eu não me livro de reconhecer, todos os dias, que eu sou pecador e que, por essa mesma razão, peco mesmo quando penso que não peco. No entanto, eu me escondo e me glorio na Cruz de Jesus: onde meu pecado foi pago e de onde eu recebo Graça para purificar meus pecados e receber perdão para as eventuais ou freqüentes contradições do meu ser. No entanto, eu sei que a Graça que me perdoa, é também a Graça que me transforma e santifica. Daí, eu querer e poder viver em santidade, ainda que eu seja um pecador”.2 O crente em Cristo jamais deve crer nos extremos a respeito do pecado; a “impecabilidade” e o “perfeccionismo”. Não creio nisso. É como também disse o pastor Glênio Fonseca Paranaguá da Primeira Igreja Batista de Londrina: “Não posso dizer que peco, mas também não posso dizer que nunca peco. Não posso dizer que ficarei doente, mas também não posso dizer que nunca ficarei doente. Crer em um desses extremos é deformar o que diz a Bíblia. Para exemplificar: eu não entro em um avião se souber que ele vai cair. Mas sei que ele pode cair. Apesar disso, viajo porque creio que as leis físicas que o mantêm no ar serão mais fortes que a lei da gravidade. Na vida com Deus também é assim: Cristo dá a vitória, mas na caminhada, posso por vezes, enfrentar derrotas. Aí, posso ver a tentação como bênção pois mesmo nela Cristo me garante uma vida vitoriosa”.3 De onde deve ter surgido a idéia da impecabilidade? Talvez, do texto de João capítulo 8 e versículo 11 que diz: “E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais”. Ora, isto não indica que a mulher apanhada em adultério nunca mais iria pecar na vida! Mas, indica que ela nunca mais seria a mesma pessoa ao ter esse encontro com Jesus. Jamais seria conhecida como uma adúltera. Sobre isto, Ricardo Gondim faz um excelente comentário: “O ingrediente espiritual imprescindível à nossa fé é a santificação. É possível encontrar um cristão triste, ou alegre, ou que fale alto demais, ou que só fale “para dentro”; mas é impossível existir um crente sem caráter, ou sem integridade. Ser cristão e não ter uma vida correta é uma contrariedade de termos. Assim como a água não se mistura ao óleo, cristianismo e impureza moral se chocam. Seria impossível dizer de uma mesma pessoa: “Ele é de Jesus, mas é o maior patife da cidade”; ou pior: “Cristão sensacional, canta como ninguém; mas mente como eu nunca vi”. Atente que a

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qualificação de mentiroso anula a de cristão. Assim como seria impossível um bolo sem farinha, é igualmente impossível que um cristão, homem ou mulher, não busque a santificação”.4

Terrorismo Religioso Infelizmente, muitos (senão a maioria das pessoas), têm medo de questionar os mestres da religião. Os maus líderes religiosos colocam medo sobre as pessoas. O medo gira em torno do castigo divino, do diabo, do inferno e etc. A Bíblia nos manda ter cautela com relação aos falsos mestres e profetas (Mateus 7:15; 2ª Pedro 2:1). Também nos exorta para que não demos crédito a qualquer espírito (1ª João 4.1), antes devemos provar tudo para ver se vem de Deus ou não. Os maus religiosos escravizam seus rebanhos com doutrinas e preceitos humanos. Eles enfatizam sobre coisas que são sem importância em relação a salvação. As pessoas por desconhecerem a promessa de Deus, têm medo de perder a salvação, e infelizmente os próprios crentes imaturos criam polêmicas em torno de coisas sem importância, mas que para eles é tão essencial que até a salvação estaria em risco. Alguns provocam divisões por discutirem quais alimentos poderiam ser comidos ou não, ou quais dias deviam ser guardados ou não. Nesses casos, o conselho da Escritura é: há certas coisas que não devemos julgar, pois se trata de questões sem importância, que não negam a fé, e são assuntos a serem decididos pela própria consciência (Romanos 14:1 a 23). Somente o Senhor pode julgar o coração e a mente de alguém no que se refere a tais assuntos. Abaixo veremos uma lista dos assuntos sem importância que são colocados como prioritários com relação à salvação, mas que podem destruir muitas pessoas. Entre esses assuntos coloquei proibições, preceitos e práticas estranhas promovidas por alguns. Também não deixei para trás o comportamento mau de alguns pregadores em relação aos crentes. Alguns pregadores dão tanta importância a tais proibições, preceitos e práticas que dizem que os crentes perderão a salvação se não os cumprirem, mas eles mesmos agem diferente. As proibições em geral são: 1.

Proibir as mulheres de cortarem o cabelo;

2.

Proibir o crente de assistir televisão exceto se tiver o aparelho de DVD, mas mesmo assim só pode assistir DVD evangélico (o engraçado é que ter internet em casa pode, embora ela seja pior que a televisão);

3.

Proibir vestuários, impor usos e costumes;

4.

Obrigar os crentes a jejuarem para garantir a salvação;

5.

Proibir os crentes de jogarem futebol;

6.

Proibir os crentes de comer certos tipos de alimento;

7.

Impor a guarda do sábado como essencial para a salvação;

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8.

Acusar, impor jugo sobre os crentes;

9.

Obrigar os crentes a estarem todos os dias nas igrejas;

10.

Dizer que se a Ceia do Senhor for tomada indignamente trará a perda da salvação;

11.

Ensinar que adultério é pecado de morte;

12.

Dizer que o pastor não pode ser questionado quando erra;

13.

Dizer que os crentes vão para o inferno com Bíblia e tudo;

14.

Dizer que crente pobre está debaixo de maldição;

15.

Declarar que se uma pessoa não é curada por Deus, é porque ela não tem fé;

16.

Pastores que fazem acepção de pessoas ao condenarem só os pecados sexuais dos irmãozinhos, mas deixam de condenar os grandes, os políticos corruptos e etc;

17.

Falar demais em dinheiro, insistir muito sobre a questão de dízimos e ofertas, ameaçar por causa disto;

18.

Obrigar o crente a votar no candidato fulano de tal só porque ele se diz crente;

19.

Declarar que por causa de um simples copo de cerveja o crente está em pecado;

20.

Proibir os crentes de irem ao cinema;

21.

Proibir e ameaçar quando um crente muda de igreja;

22.

Crente não pode ir a praia por ser um lugar sem pudor, embora Jesus disse que não é o que vem de fora que contamina o homem (Marcos 7:15).

Existem muitas outras coisas que não citei aqui. Mas, acredito ser o necessário para que o leitor possa ver como tem andado alguns líderes que se dizem cristãos. Essas coisas me faz lembrar o que Jesus disse aos escribas e fariseus: “Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto eles mesmos nem com o dedo querem move-los”. (Mateus 23:4) Não é porque uma igreja usa a Bíblia e tem bons hábitos que signifique que estão certos. Os casos citados acima mostram que as proibições feitas pelos homens faz das pessoas seres religiosos apenas. A questão das coisas não é o que pode ou não pode fazer. A questão é que tudo aquilo que vem de fora não pode contaminar o homem. “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas, o que sai do homem é o que o contamina”. (Marcos 7:15) Muitos crentes, infelizmente, ainda não aprenderam isto (embora leiam a Bíblia). Portanto, puro, santo e religioso não é quem não bebe o vinho ou a cerveja, é o que não o bebe e odeia aqueles que têm a coragem de bebê-lo, não fazendo o que o outro

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faz apenas por medo religioso ou mera preservação da imagem (Lucas 7:34). O batom da mulher, a calça jeans, o tocar nisto ou naquilo não faz ninguém santo diante de Deus e nem contamina o interior. Tudo isto são apenas ordenanças de homens que escravizam homens. “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem”. (Colossenses 2:20,21 e 22) E mais; tais coisas não tem valor algum, é tudo falsa humildade e não tem valor algum na hora de enfrentar o pecado (Colossenses 2:23). Quem pratica o pode ou não pode das igrejas, além de carregar um jugo horrível, também no fundo no fundo não tem paz no coração. E porque não tem paz no coração? Embora se digam crentes em Cristo na verdade são perversos porque não têm a paz de Cristo. “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor”. (Isaías 48:22) Os religiosos dessas igrejas legalistas são tão grotescos que na opinião deles até a Lei de Deus está errada. Isto pude ver quando eu morava na cidade de Camboriú, Estado de Santa Catarina. Certa vez nessa cidade, um pastor me disse que homem que usa cabelo comprido vai para o inferno. Quando ouvi isso perguntei para esse pastor como fica o caso de Sansão, pois Sansão tinha cabelos tão longos que até usava tranças. O pastor simplesmente me respondeu que a época de Sansão era o tempo da Lei, e que agora estamos no período da graça. Perguntei ao pastor que já que é sim, então, a Lei era de quem? De Deus ou do diabo? Simplesmente, ele respondeu novamente que Sansão vivia no tempo da Lei. Como eu não poderia ficar quieto eu lhe disse ironicamente que ele era um privilegiado, pois Deus havia lhe dado uma revelação especial, somente para ele em Camboriú em Santa Catarina. A pessoa que pratica essa religiosidade falsa que não produz a verdadeira paz está segurando a bandeira do inferno. Veja nas próximas linhas o que é realmente a religião e reflita se você e a tua igreja não tem praticado essas mesmas coisas: “A religião é obra do homem. O Evangelho nos foi dado por Deus. A religião é o que o homem faz por Deus. O Evangelho é o que Deus tem feito pelo homem. A religião é o homem em busca de Deus. O Evangelho é Deus buscando o homem. A religião é o homem tentando subir a escada de sua própria justiça, na esperança de encontrar-se com Deus no último degrau. O Evangelho é Deus descendo a escada da encarnação de Jesus Cristo e encontrando-se conosco, na condição de pecadores, no primeiro degrau. A religião é constituída de bons ponto-de-vista. O Evangelho de boas novas. A religião traz bons conselhos. O Evangelho, uma gloriosa proclamação. A religião toma o homem e o deixa como está. O Evangelho toma o homem como está e o transforma naquilo que ele deveria ser.

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A religião termina como uma reforma exterior. O Evangelho termina com uma transformação interior. A religião passa uma caiação. O Evangelho alveja. A religião muitas vezes torna-se uma farsa. O Evangelho é sempre uma força, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Há muitas religiões, mas apenas um Evangelho. A religião enfatiza o "fazer", enquanto o Evangelho enfatiza a condição de "ser". A religião diz: "Faça o bem, continue a fazer o bem e eventualmente você se tornará bom". O Evangelho diz: "Primeiro, você nasce de novo, pela Graça de Deus. A conseqüência natural disso assim como o dia segue a noite, é que você fará o bem". A religião coloca em destaque princípios e preceitos, códigos e credos. O Evangelho coloca em destaque uma pessoa: JESUS. A religião diz: "Alcance". O Evangelho: "Obtenha". A religião diz: "Tente". O Evangelho: "Receba". A religião diz: "Esforce-se". O Evangelho: "Confie". A religião diz: "Desenvolva-se a si mesmo". O Evangelho: "Negue-se a si mesmo". A religião diz: "Salve-se". O Evangelho: "Entregue-se". A religião diz: "Faça... faça isso, faça aquilo, e será salvo". O Evangelho afirma: "Já foi feito. Creia e será salvo"”.5 Diante da aceitação plena da graça não há necessidade de reservas pessoais. Se Deus me aceitou em Cristo Jesus, com todos os meus pecados, traumas, defeitos e imperfeições, por que eu tenho de me fantasiar com a tanga da figueira? É a graça que assegura a nossa aceitação. Somos salvos pela graça e somos santificados pela graça. Dr. Lloyd-Jones foi exato: Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim. O Deus de toda graça é o autor de toda a salvação e santificação do homem. A graça plena de nosso Senhor Jesus Cristo transforma lobos em cordeiros, pecadores em santos, monstros em anjos. Os transformados pela graça são convocados para o ministério da graciosa graça. A Igreja de Jesus Cristo é um organismo da graça, a serviço da graça. De graça recebestes, de graça dai. Se fomos aceitos pela graça, somos chamados a aceitar, pela graça, os que caíram. Se a tua igreja cabe na descrição da página anterior, lembre-se que “uma das mais perniciosas tendências da religião é associar a fé ao cumprimento de regras e leis. O contraponto da religião que exige esforço é a proclamação da graça. Abraão de Almeida diferenciou dois tipos de religião: “Há a religião divina e as religiões humanas. A divina é a religião do 'alto para baixo'. Nela Deus faz, [isto é], oferece ao homem a graça salvadora, por reconhecer a incapacidade humana de produzir obras de justiça. A religião divina é o plano de Deus para salvar o homem caído. As

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religiões humanas são 'de baixo para cima'. Nelas o homem faz, [isto é], oferece a Deus o produto do seu esforço...”. "Salvação não é uma idéia; é uma pessoa. É o próprio Jesus, o próprio Deus quem se dá." Com essa frase de impacto, Paul Tournier, célebre psiquiatra cristão, sintetizou o conceito da graça: a disposição divina de abençoar os seus filhos sem que haja qualquer mérito da parte deles”.6

Objeções Feitas Contra a Salvação Eterna do Cristão Neste tópico vamos analisar algumas objeções feitas contra a doutrina da salvação eterna do cristão. São objeções muitas vezes lançadas pelos crentes legalistas. Abaixo de cada objeção coloquei uma reposta baseada na Bíblia. 1ª. OBJEÇÃO: A crença na salvação eterna mina e destrói a disposição de vigiar, orar, evitar a tentação e o espírito de luta. RESPOSTA: É errônea a idéia de que o crente salvo pode fazer o que bem entender só porque está salvo para sempre. Embora não perca a salvação, o crente é exortado para estar sempre alerta. Pensar que se pode fazer o que se quer é prova da falta do novo nascimento na pessoa. É colher conseqüências dolorosas, até que se corrijam as perspectivas erradas (Ester 4:14; Efésios 1:11; 2:10; Filipenses 1:6; 2:12-13; 1ª Pedro 1:10). 2ª. OBJEÇÃO: O poder de escolher entre o bem e o mal honra e dignifica o ser humano. A crença na salvação eterna tira esse direito do homem. RESPOSTA: O poder de decisão apenas eleva o ser humano acima do reino animal. Ter de escolher entre o bem e o mal é defeito. Os anjos do céu não sofrem este dilema, pois jamais pecam. Os demônios só decidem pecar. No céu, só se faz à vontade de Deus, e no inferno só se peca contra Deus. 3ª. OBJEÇÃO: Se a salvação eterna do cristão é verdadeira, por que a Bíblia ordena e exorta os crentes? Não está tudo certo com relação à salvação? RESPOSTA: As ordens de Deus na Bíblia são justamente para evitar a apostasia. São ordens aparentemente impossíveis de se cumprir. Após alguns dias morto, o defunto Lázaro recebeu a ordem de sair da sepultura, um paralítico recebeu a ordem para tomar seu leito e andar. Os judeus receberam a ordem de cumprir a lei à risca. Jesus nos exortou a sermos perfeitos como Deus. Os crentes são exortados a crer, mas a fé é dom de Deus; a salvar-se, mas a salvação vem de Deus; a santificar-se, mas é Deus quem santifica; a arrepender-se, mas é Deus quem concede o arrependimento; a converter-se, mas é Deus quem converte o coração. Tudo isso é obra de Deus no homem e não obra do homem a Deus. Ele é quem opera infinitamente mais do que pedimos ou pensamos conforme o Seu poder em nós (Efésios 3:20).

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O Desenvolvimento da Salvação “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor...” (Filipenses 2:12) Os crentes regenerados pelo Espírito Santo precisam desenvolver a salvação. Desenvolver a salvação é através da santificação, crescimento através do estudo da Palavra de Deus e crescimento em graça através dos dons espirituais. Os filhos de Deus não são perfeitos, mas foram chamados para serem santos e pregar o evangelho a toda criatura. O apóstolo Paulo escreveu certa vez: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:19,20). Todo filho de Deus está crucificado com Cristo e o fato de Jesus estar neles é a garantia do desenvolvimento da salvação. Dia após dia os filhos de Deus fazem à natureza terrena morrer mediante a vida de Cristo neles: “Fazei, pois morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, e a avareza, que é idolatria...” (Colossenses 3:5). Em Gálatas 5:16 está escrito sobre a necessidade de um filho de Deus andar no Espírito: “Digo, porém: Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”. Devemos entender que as recomendações bíblicas de “andar no Espírito”, “desenvolver a salvação” são recomendações que os apóstolos fazem em amor. Infelizmente, muitas ameaças, imposições e acusações são usadas por alguns líderes religiosos para que os cristãos andem no Espírito e desenvolvam a salvação. O filho de Deus sabe muito bem o que deve fazer e está disposto sempre em aprender mais para agradar a Deus. A vida cristã acontece de maneira expontânea e natural, o cristão aprende e pratica não sendo necessário colocar cabresto, acusar, impor e ameaçar. Estas coisas só servem para humilhar às pessoas e afastar os pecadores da graça de Deus.

A Questão do Livre Arbítrio “Vê que proponho hoje a vida e o bem, a morte e o mal... escolhe, pois, a vida, para que vivas...” (Deuteronômio 30:15, 19 ver também Josué 24:15). A Bíblia afirma claramente que o cristão possui o livre arbítrio. O cristão tem capacidade de escolha e pode escolher entre o bem e o mal conforme lhe apraz. Escolher o que se quer não indica que o homem possui capacidade para efetuar. Uma pessoa, por exemplo, pode querer voar por conta própria, mas não poderá fazê-lo porque é escrava de sua condição natural, ou seja, seres humanos não possuem asas. O homem que está separado de Deus, morto em delitos e pecados, não busca, não entende, está num tamanho estado de depravação que se Deus não se revelar a ele, não poderá salvar-se. O ser humano por si só não tem a capacidade de se libertar do pecado e viver como um cristão de verdade. Só quando Deus se revela a ele através da

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pregação do evangelho é que terá a oportunidade de crer ou não. É como a ilustração que vimos há pouco. O homem é escravo de sua condição natural de não poder voar, pode até querer, mas precisaria de um milagre - receber asas da parte de Deus. O mesmo acontece ao pecador. Ele pode querer se libertar do pecado, mas não pode se libertar se Deus não agir. E pior, o pecador conforme vimos, nem busca, nem entende a coisas de Deus. Precisa que alguém lhe pregue para ser iluminado pelo conhecimento da verdade. A questão do livre arbítrio é complicada e tem gerado muitos debates através dos séculos, mas o que nos interessa aqui é se um filho de Deus tem o livre arbítrio para se afastar do Senhor. Porque insisto nesta questão? Porque depois de toda a promessa de Deus que vimos na Bíblia Sagrada a respeito da segurança da salvação, ainda existirão pessoas que insistirão em dizer que o homem pode escolher se afastar do Senhor. Também insistirão em dizer que se a pessoa salva não puder escolher é porque não tem livre arbítrio, e é um robô nas mãos de Deus. Outros dirão que Deus não violenta a vontade de ninguém. Devemos considerar que só existem dois caminhos para o homem: o bem e o mal, ser escravo do pecado ou ser livre em Cristo. O Senhor Jesus foi claro sobre esta questão quando disse: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. (João 8:34-36) Ser liberto do pecado é ser verdadeiramente livre. Quem recebe a nova natureza jamais abandonará os benefícios da graça de Deus. A pessoa pode até se angustiar uma vez ou outra e pensar em abandonar ao Senhor. Mas diante dos benefícios da graça e a grande barreira que é o temor do Senhor, um filho de Deus por sua própria vontade sempre vai querer ficar ao lado do Senhor. Por exemplo; quem neste mundo que tiver muitos benefícios, riquezas e tudo do bom e do melhor irá querer perder tudo isto e buscar a miséria total? Somente aqueles que estão com a mente corrompida e não sabem o que têm nas mãos. O mesmo se aplica a vida espiritual. Somente quem não foi livre da corrupção do pecado é que toma decisão de abandonar os benefícios da graça de Deus para buscar o mal, o que é inferior. O Senhor Jesus conhece muito bem a psique humana. Ele é o Senhor de toda a ciência, conhece toda psicologia. Justamente por isto Ele sabe muito bem como o ser humano irá se comportar diante de cada situação. Uma das grandes virtudes de Jesus era deixar as pessoas a vontade. O Senhor Jesus nunca fez imposições, mas somente fez exposições de Sua Palavra. Ele nunca obrigou ninguém a seguí-lo. Pelo contrário, em certa ocasião que alguns discípulos o abandonaram, Ele disse aos doze que ficaram: “Então perguntou Jesus aos doze: quereis também vós retirar-vos? Respondeu-lhes Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”. (João 6:67,68 e 69) Observe que os discípulos quiseram ficar com Jesus de livre e expontânea vontade. O Senhor nunca precisou violentar a vontade de ninguém. Todos os que o seguiram, que foram libertos e curados, o seguiram por livre vontade. O interessante é que nesta livre vontade está a perseverança. Somos presos pelo amor e pela liberdade.

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Toda pessoa que é da fé não quer voltar para trás, porque quer ir para o céu, a sua verdadeira pátria. Tem oportunidade de voltar, mas não volta jamais. Os heróis da fé descritos em Hebreus 11 são um exemplo disso. “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas, vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas agora aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade”. (Hebreus 11:13 a 16) Se pelo mau uso do livre-arbítrio se perde a salvação, então, a pessoa praticaria uma obra má, teria deixado de fazer uma obra boa que era a de perseverar. Dessa forma a salvação seria por obras e não por graça. A pessoa salva sempre usa a sua liberdade de escolha porque tem a fé de Cristo. É como um pintor de quadros. O pintor faz bonitas pinturas porque tem o dom para isto. Quem não tem o dom para pintar faz sempre uma caricatura mal feita. Cada um age de acordo com o dom que tem. Quem tem o dom da fé vai crer sempre, vai usar seu livre-arbítrio de acordo com o dom que há em si. De fato é a pessoa que usa fé, mas a fé não é obra da parte dela. Ela age, usa esse dom, mas o mérito é de Cristo e a salvação é por favor imerecido, isto é, graça. A liberdade e a expontaneidade funciona muito melhor do que a obrigação. A obrigação produz pessoas carrancudas, nada criativas e verdadeiros monstros. A liberdade produz expontaneidade, paz, amor e principalmente a perseverança.

Resposta a um Pastor Certa vez estava navegando pela internet quando encontrei o blog de um famoso pastor que discorria sobre o tema “Uma vez salvo, salvo para sempre”. Fiquei triste ao ver que esse mestre da religião discordava desse tema com pouquíssima base bíblica. Infelizmente, muitas lideranças religiosas se esquecem de pregar a graça de Deus para pregar um evangelho de obras, dependente do homem. Abaixo coloquei algumas objeções feitas pelo referido pastor e a resposta a cada uma delas. OBJEÇÃO: Bem, a despeito de não perdermos a nossa convição de vida eterna por qualquer motivo, a permanência consciente no pecado pode sim levar-nos à perda da salvação (Pv 29.1; Hb 10.29), uma vez que a segurança dela depende de nossa cooperação (1 Tm 4.16). RESPOSTA: O texto de 1ª Timóteo 4:16 não ensina a perda da salvação e nem nossa cooperação. Leia-o atentamente: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. Ora, Timóteo já era salvo pela graça. Paulo aqui manda que ele pratique certas coisas concernentes a doutrina. Fazendo isto salvará tanto a ele como aos ouvintes. Como alguém que já foi salvo poderá se salvar ainda? É claro que essa salvação é na vida diária. A leitura das Escrituras, seu estudo e um cuidado

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doutrinário além de santificar evita erros gravissímos. Também não podemos nos esquecer do contexto do versículo que diz claramente que Deus é o Salvador. “temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis. (1ª Timóteo 4:10) Uma vez que Deus é o Salvador, logo, a salvação nunca depende de nossa cooperação. Uma vez salvos, somos também fiéis e isto é algo tão natural como o dia precede a noite. OBJEÇÃO: Está escrito na Bíblia: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão” (1 Co 15.1,2). Observe como a manutenção da nossa certeza da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8). RESPOSTA: O assunto do capítulo 15 de 1ª Coríntios é sobre a ressurreição dos mortos. Crer em vão é não crer na ressurreição de Cristo. Quem nunca creu na ressurreição do Senhor também nunca foi salvo, pois o critério para ser salvo é crer conforme se lê em Romanos 10:9 que diz: “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”. Ainda na primeira carta aos Coríntios, Paulo esclarece no versículo 17 que “se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda estais nos vossos pecados”. (1ª Coríntios 15:17) A ressurreição de Cristo é um assunto fundamental da fé cristã. Caso Cristo não tivesse ressuscitado ter fé nEle seria crer em vão. Mas, a verdade histórica e bíblica é que Cristo realmente ressuscitou, seu corpo voltou a vida e não experimentou a corrupção, e assim negar a ressurreição é crer em vão. Existem pessoas que se dizem cristãs e afirmam que Cristo ressuscitou simbolicamente ou apenas em espírito. Tais pessoas estão se perdendo, estão praticando uma “fé morta” que não produz transformação. Com relação a frase “Observe como a manutenção da nossa certeza da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8)”, podemos afirmar que por ser um assunto fundamental, não crer na ressurreição de Cristo faz com que a pessoa esteja crendo num outro Jesus, em um outro espírito ou evangelho falso. Portanto, se desde o inicio a pessoa não creu no verdadeiro evangelho, também nunca foi salva e obediente. Só creu em vão quem nunca realmente creu em Jesus, quem nunca creu na sua ressurreição. Quem tem a fé verdadeira que é um dom de Deus, tem a vida eterna. Não se pode dizer que alguém creu em Jesus e depois dizer que creu em vão. Outro texto bíblico que exemplifica o que é crer em vão está em João 12:42-43: “Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele; mas por causa dos fariseus não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus”. OBJEÇÃO: Em Mateus 23.37, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os

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teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Note que o Senhor Jesus quis ajuntar os filhos de Jerusalém, porém eles não quiseram que Ele assim o fizesse. Isso não é uma evidência de que o Senhor respeita a livre-vontade humana? RESPOSTA: Sim, o Senhor respeita a livre-vontade humana através de sua vontade permissiva. Mas, a quem Jesus se referia no texto? Ao povo de Israel, sempre rebelde, povo que matas os profetas. Inclusive, Jesus veio para os que era seu, mas os seus não o receberam (João 1:12). Portanto, trata-se aqui de um povo não salvo. OBJEÇÃO: Como já vimos nesta série, nenhuma pessoa foi destinada de antemão à condenação (Is 50.2; Ez 18.32). A Bíblia menciona a possibilidade de alguém negar o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1) e perder a salvação...”. RESPOSTA: Se usarmos 2ª Pedro 2:1 para dizer que alguém nega Jesus (que o resgatou) também podemos usar Romanos 5:18 para dizer que todos serão salvos. A Bíblia diz que Jesus é o Salvador de todos homens, mas nem por isso todos serão salvos. “...poquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis”. (1ª Timóteo 4:10) Quando se diz em 2ª Pedro 2:1 que existem pessoas que renegam a Jesus que “os resgatou” podemos entender nos mesmos termos de 1ª Timóteo 4:10, ou seja, a obra do Senhor Jesus na cruz é suficiente para a salvação de todos, mas ela se torna eficaz somente para aqueles que O aceitarem como seu Substituto. O contexto de 2ª Pedro 2:1 mostra-nos que o assunto em questão é a respeito dos falsos mestres, seu caráter e justo castigo. A natureza das tais pessoas, em que o pecado se entranhara tão profundamente, não havia sofrido mudança, por isto, nunca foram salvas. OBJEÇÃO: Aos que se desviam da verdade o Senhor dá tempo para que se arrependam (Ap 2.20,21). Alguns salvos em Cristo, resgatados, infelizmente têm apostatado da fé, “... dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). E não pense que esse texto se refere aos ímpios. Não! Pois eles não têm de que apostatar! RESPOSTA: Os ímpios não tem do que apostatar? Veja a resposta sobre esse assunto no tópico: “O Perigo da Apostasia - O Último Passo da Incredulidade”. OBJEÇÃO: Segue-se que os eleitos podem perder a salvação se não permanecerem em Cristo! Não é isso que vemos, ao estudar sobre as igrejas da Ásia? Os conselhos para aquelas igrejas abrangeram dois aspectos: arrependimento e manutenção da posição em Cristo. A ordem “Arrepende-te” foi transmitida à maioria (Ap 2.5,16; 3.3,19). Para as outras, o Senhor disse que deveriam guardar, reter, conservar o que tinham, até à morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11). O crente que se acomoda, pensando estar salvo para sempre, está iludido e dormindo espiritualmente.

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O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia! — e precisava tomar uma posição diante do Senhor (Ap 3.1). Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9). Em 2 Timóteo 2.10, está escrito: “... tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”. RESPOSTA: “O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia!” A própria palavra já diz: “estava morto”. Estar morto é não estar salvo. O que mais preciso dizer? Com relação a parte que se diz: “Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9)” podemos dizer que a advertência: “operai ou desenvolver a nossa salvação” não dá sequer a idéia da exigência de se praticarem boas obras para a salvação, porquanto logo o verso seguinte contesta a presunção de alguns, ao afirmar: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”. (Filipenses 2:13) Sendo assim, o próprio querer a salvação é graça de Deus. O pecador, de si próprio, é incapaz até de desejar a salvação. A verdade é que alguns querem sempre dizer que Deus faz a parte dele e nós fazemos a nossa. Jesus me salvou, mas agora tenho que andar direito para conservar a salvação. Isto é pratica de obras para ser salvo. O certo e bíblico é sempre reconhecer que a salvação e as boas obras praticadas por nós é fruto da graça de Deus e que sempre seremos salvos por graça, pela fé. OBJEÇÃO: Quando Paulo navegava como prisioneiro para a Itália, houve uma grande tempestade no mar (At 27.18-20). Deus, então, enviou um anjo para dizer-lhe que todos escapariam vivos. E Paulo transmitiu a mensagem aos que estavam no navio, estabelecendo uma condição: permanecer na embarcação (vv. 22-31). Conclusão: “E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo” (v. 44). Da mesma forma, quando o pecado entrou no mundo, todos os homens foram nivelados ao estado de pecadores (Rm 3.23; 5.12). Deus podia ter posto fim ao “projeto homem”, porém já tinha um plano redentor: “... encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Ele colocou à disposição de toda a humanidade o “navio da salvação”. Quem entrar nesse navio e permanecer nele até ao fim chegará ao “porto da salvação” (Hb 3.6). Quem quiser pode “navegar” em outras “embarcações” ou “canoas furadas”. Contudo, é melhor permanecer no “navio da salvação”, em Cristo, pois a segurança da salvação é para quem nEle permanecer (Jo 10.28). Ninguém pode arrebatar, raptar, o crente da mão de Jesus, a menos que o próprio crente negue a sua fé, seguindo a falsos doutores (2 Tm 4.1-5). RESPOSTA: Parece até ironia, mas a analogia a respeito do "navio da Salvação" além de ser muito superficial, justamente prova o contrário do que o pastor disse. Mais uma vez vejo que pela palavra do pastor nem mesmo Deus tem certeza daquilo que diz. No relato do naufrágio de Paulo, o anjo do Senhor lhe disse: “E agora vos

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exorto a que tenhais bom ânimo, pois não se perderá vida alguma entre vós, mas somente o navio. Porque esta noite me apareceu um anjo do Deus de quem eu sou e a quem sirvo, dizendo: Não temas, Paulo, importa que compareças perante César, e eis que Deus te deu todos os que navegam contigo. Portanto, senhores, tende bom ânimo; pois creio em Deus que há de suceder assim como me foi dito. Contudo é necessário irmos dar em alguma ilha. Rogo-vos, portanto, que comais alguma coisa, porque disso depende a vossa segurança; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós”. (Atos 27:22 a 26 e 34) A não ser que o anjo não tivesse certeza do que dizia, ele mesmo garantiu a Paulo que ninguém se perderia. Sim, poderiam “navegar” em outras “embarcações” ou “canoas furadas”, mas o anjo garantiu de antemão que ninguém se perderia. E quem foi o louco de navegar em canoas furadas? Ninguém, pois o texto diz: “Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, estorvou-lhes este intento; e mandou que os que pudessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar e alcançar a terra; e que os demais se salvassem, uns em tábuas e outros em quaisquer destroços do navio. Assim chegaram todos à terra salvos”. (Atos 27:43,44 – o grifo é meu) OBJEÇÃO: Confiar cegamente na segurança da salvação é agir como as pessoas que embarcaram no Titanic. Achavam que o navio jamais afundaria... Que engano! Em 2 Coríntios 1.13, está escrito: “Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis”. Vigiemos, pois, para que não soframos um “naufrágio na fé” (1 Tm 1.19). Atentemos para a advertência da Palavra de Deus, que diz: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10.12). RESPOSTA: Não confiar cegamente na segurança da salvação é o mesmo que dizer que não podemos confiar no Senhor. É triste ver alguém como esse pastor comparar a salvação ao Titanic. Aliás, o Titanic era obra de homem, que inclusive foi dito que nem Deus afundaria. Vejo pelas próprias palavras desse pastor que se não podemos confiar na segurança da salvação, então podemos confiar em quem? Em nós mesmos? Parece que a capacidade do homem está em alta. Deus foi diminuído e o homem posto na condição de redentor, salvador de si mesmo. As advertências bíblicas citadas são justamente para que o crente evite o pecado e a apostasia. E são justamente essas advertências que são obedecidas pelos crentes verdadeiros. Porque? Porque eles são fiéis por meio de Jesus, o Salvador!

A Intercessão de Jesus Cristo Se alguém pensa que permanece na fé porque é um guerreiro perseverante, está totalmente enganado. A nossa fé não falha devido a intercessão de Jesus Cristo. Como dizia o ex-padre Anibal Pereira dos Reis: “Se Cristo com o Seu Sacrifício de Valor Infinito nos mereceu a Vida Eterna, com a Sua Intercessão Ele a sustenta até à

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nossa perseverança final. O apóstolo Pedro, apesar de advertido pelo Senhor, caiu em hediondo pecado ao negá-lO. Perseverou, contudo, na confiança em Jesus a demonstrar a eficácia valiosíssima da Oração do Divino Intecessor: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça...” (Lc 22.32). A perseverança do crente foi objeto de Sua Oração Sacerdotal proferida no instante solene de Sua despedida ao encerrar a Ceia Pascal: “Pai, Santo, guarda em Teu Nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando Eu com eles no mundo, guardava-os em Teu Nome. Tenho guardado aqueles que Tu Me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” (Jo 17.11-12). Como Advogado perante o Pai (1ª João 2.1) Jesus prossegue a Sua Intercessão a fim de, perseverando sejam os crentes “irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.8)”.

O Começo e o Fim da Fé “ ...fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé...”. (Hebreus 12:2) Um autor quando começa uma obra tem que a terminar. Cremos em Jesus porque nossa fé é de sua autoria. É interessante quem em Jesus a fé também tem um fim, por isto, se diz que Ele é o “autor” e “consumador”. Enquanto muitos vêem o fim da fé como apostasia, a Bíblia ensina que o fim da fé é a salvação da alma, ou seja, o estado final daquele que foi salvo em vida. “...obtendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas”. (1ª Pedro 1:9) Tudo isto é o Senhor Jesus quem faz! Mas, por que a fé, há de ter um fim? Porque no céu não vamos precisar mais de fé e nem de esperança? Sobre isto a Bíblia diz: “Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. (Romanos 8:24,25)

Minha Insuficiência e a Suficiência da Pessoa de Cristo O que faz com que as pessoas duvidem de sua salvação é o fato de olharem para a suficiência delas mesmas. Se alguém acredita que pelas suas obras, bondades e justiças praticadas poderá alcançar o céu, cedo ou tarde irá se frustrar. Temos que ter em mente a nossa INSUFICIÊNCIA e crer somente na SUFICIÊNCIA da pessoa de Cristo. Toda vez que você se sentir perdido, sem esperança e certeza da salvação, lembre-se: você irá para o céu por causa do que Cristo fez por você. A pessoa dEle, suas obras, morte e ressurreição é que são suficiente e não eu ou você com nossas iniquidades. Este assunto me faz lembrar da conversa de Abraão com Deus: “Disse ainda Abraão: Não se ire o Senhor, se lhe falo somente mais esta vez: Se, porventura,

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houver ali dez? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos dez”. (Gênesis 18:32) O assunto em questão era se Deus destruiria Sodoma se houvesse dez justos lá. Nessa conversa de Abraão com Deus o número de justos começou no cinquenta e abaixou até o dez. Todavia, creio que ainda que houvesse um justo, a cidade se salvaria por amor desse justo. Em termos de analogia, o justo é Jesus. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. (1ª João 2:1 – o grifo é meu) Por causa desse JUSTO, Jesus Cristo, não seremos condenados por Deus. Por amor a Ele Deus não aplicará seu justo castigo contra os nossos pecados. Sua Pessoa é suficiente para não vir destruição sobre nossas cabeças. A obra de Cristo é válida para todos os homens. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”. (Romanos 5:18)

Cristo, Cabeça e Salvador do Corpo “...Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo”. (Efésios 5:23) Todos os crentes verdadeiros estão em Cristo (2ª Coríntios 5:17; Efésios 1:4), sendo parte de Seu Corpo (1ª Coríntios 12:13). Daí, podemos dizer que se esses crentes fossem separados de Cristo, isto significaria que Cristo estaria separado de Si mesmo! Os homens podem ser infiéis para com Cristo, contudo, Cristo não pode negar-se a Si mesmo (2ª Timóteo 2:13). Se uma parte do corpo de Cristo vier adoecer, Cristo que é o Cabeça do corpo procurará curar a parte enferma. Jamais o corpo de Cristo poderá ficar aleijado. Ele mesmo é o salvador do corpo. O fato de pertencermos faz com que sejamos membros de Seu corpo. Alguns de nós são células, outros são rins, outros mãos e pés. E assim, ao ser membro desse corpo maravilhoso faz com que sejamos achados nele. “sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual, perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé...”. (Filipenses 3:8,9 – o grifo é meu) Já parou para pensar na profundidade da expressão “ser achado nele”? Se você pertence a Cristo você será achado nele, ou seja, em seu corpo, como um membro. Se não for achado é porque estará perdido.

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O Malfeitor ao Lado de Jesus e a Falsa Religiosidade “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. (Lucas 23:39 a 42) Esta bonita história com um final feliz para um malfeitor só é aceita pelos religiosos porque está relatada na Bíblia. Os religiosos em geral, não suportam a idéia de uma pessoa que foi má a vida inteira, se converter de última hora. Alguns até afirmam: “Faço tudo certinho, tudo o que Deus pede, mas depois vem outro que nunca trabalhou por sua salvação e a recebe sem nunca ter feito nada de bom?” É justamente aí que mora o grave erro dos religiosos. Em primeiro lugar fazer o que é direito é dever de todo aquele que se diz cristão. A Bíblia diz, conforme já vimos muitas vezes, que a salvação é inteiramente pela graça de Deus. A mesma salvação que vem para o malfeitor que foi mau a vida inteira, é a mesma salvação para o que viveu uma vida reta. É graça sobre graça. Ninguém pode pensar que a salvação seja como um trabalho, em que você trabalha muito para depois receber o salário. “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”. (Romanos 4:4,5) Voltando falar sobre o malfeitor da cruz, pude notar que os religiosos já tentaram até dizer que ele não se arrependeu de última hora apenas. Afirmam eles que esse malfeitor foi um discípulo de Jesus ainda em vida. É aqui que mora o grande erro. A Bíblia não diz que o malfeitor crucificado ao lado de Jesus foi seu discípulo, pelo contrário, ele mesmo antes de se arrepender zombou de Jesus mesmo na hora da crucificação, veja: “E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele”. (Mateus 27:38, 44) Isto é um grande exemplo da misericórdia do Senhor. O mesmo ladrão que zombou dele na hora da crucificação, veio a arrepender-se alguns minutos depois ao reconhecer a santidade e a grandeza do Salvador. De fato, arrependeu-se minutos antes de morrer. Muitas pessoas tiveram a sorte de se arrepender na hora da morte. Mas, não pense que uma vez conhecedor do evangelho, você poderá viver uma vida inteira na devassidão e depois vir arrepender-se. A Bíblia diz que quem não dá ouvidos a voz de Deus no dia chamado HOJE é porque está endurecendo o coração

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de forma perversa. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. (Hebreus 3:12,13) Ao endurecer o coração de forma perversa no dia de HOJE, é porque também a pessoa ouviu de mau grado a Palavra de Deus, e o resultado disto nada mais é que o endurecimento total do coração que faz com que o arrependimento seja impossível posteriormente. “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados”. (Mateus 13:14, 15) Isto acontece porque a constante rejeição da salvação faz com que o pecador perca qualquer atração pela graça de Deus. O texto de Marcos 4:12 também diz muito a esse respeito: “para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”. O comentário da Bíblia Vida Nova sobre esse texto diz que “deve-se levar em conta que é uma lei, tanto da natureza como da administração divina, [...] que uma obrigação ou dever recusados, no final produz uma incapacidade moral de cumprí-los. Quando um homem ou um povo recusa a verdade, Deus entrega-o a um estado de ignorância mais culpável ainda (Jo 9:41)”.7 Portanto, “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações...” (Hebreus 3:15).

A Mulher de Ló “Lembrai-vos da mulher de Ló. Qualquer que procurar preservar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, conservá-la-á. (Lucas 17:32,33) O Senhor Jesus nos adverte para não sermos como a mulher de Ló que converteuse em uma estátua de Sal ao olhar para trás na destruição de Sodoma e Gomorra. “E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de Sal”. (Gênesis 19:26) E porque ela olhou para trás uma vez que o Anjo do Senhor ordenou para não olhar (Gênesis 19:17)? Porque o coração dela estava naquela cidade de Sodoma. A Bíblia diz que não devemos amar o mundo e nem as coisas que há nele. “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre”. (1ª João 2:15 a 17) Somente alguém não salvo que ama o mundo poderá olhar para trás e perder a chance da salvação.

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A Salvação Depois da Salvação Os defensores da perda da salvação concordam que só estaremos seguros no céu. Vejo aqui um grande engano. Porque? Se não podemos ter certeza da segurança da salvação aqui na terra, também não poderemos ter certeza de que permaneceremos para sempre na eternidade ao lado de Deus. Isto é muito fácil de se entender. Os que defendem a perda da salvação, a defendem por causa do livre-arbítrio humano. Dizem eles que se o homem tem liberdade de escolha e a criatura não pode ser violentada em sua vontade, logo a salvação pode ser perdida. No céu não seria diferente a menos que pensemos que no céu seremos seres robotizados sem vontade própria. Pense no exemplo de Satanás. Refletindo sobre ele, certa vez um pastor escreveu algo interessante a respeito da queda e rebelião de Satanás: “Além do que este assunto é também difícil de entender. Como um ser perfeito, vivendo num ambiente perfeito em companhia de seres perfeitos poderia ficar insatisfeito em ser o que era? Parece que o problema encontra-se na vontade. Ele ficou inconformado por ser uma criatura e quis ser o Criador. Ele foi criado como um Querubim de alto nível, mas quer ser o Criador Supremo e a causa de todas as causas”. 8 E não somente a respeito de Satanás, mas pense nos anjos que com ele se rebelaram no céu. Como poderia criaturas perfeitas, vivendo num ambiente perfeito, deixarem a GLÓRIA cuja nem em palavras podemos expressar? Satanás e os anjos caídos tinham livre-arbítrio. Uma vez que são livres em suas vontades, não poderia acontecer dos salvos em Cristo e dos anjos celestes se rebelarem na eternidade? Graças a Deus que a Bíblia nos dá essa resposta. A Bíblia mostra que tudo na história começa com um paraíso e termina com outro paraíso. No primeiro paraíso, o Éden, havia o perigo da morte, do pecado (Gênesis 2:17). Quando todas as coisas forem restauradas, e o novo céu e a nova terra forem criados, não haverá nunca mais a possibilidade do pecado acontecer como no princípio foi com Adão e Eva. Esta verdade podemos ver escrita em Apocalipse 22:3,5: “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão... o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”. O ser humano nunca mais terá a oportunidade de escolher pecar. Até mesmo a árvore da vida (Gênesis 2:9; 3:22 a 24) que foi protegida por querubins para que Adão e Eva não pudessem comer de seu fruto, será liberada para a cura das nações e para aqueles que terão parte nela (Apocalipse 2:7; 5:10: 22:2, 19). Foi graças à misericórdia infinita de Deus que não se permitiu ao ser humano comer da “árvore da vida”, de modo a perpetuar e agravar ainda mais a sua condição pecaminosa. O apóstolo Paulo também disse claramente que “estaremos para sempre com o Senhor”. (1ª Tessalonicenses 4:17) Para quem é salvo o pecado não tem domínio nem presente e nem no futuro. O apóstolo Paulo tinha tanta certeza a respeito da salvação eterna que para ele tanto fazia viver aqui na terra como no céu, a salvação é salvação do mesmo jeito, é claro

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que com a diferença que estar com Cristo é muito melhor. “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; todavia, por causa de vós, julgo mais necessário permanecer na carne”. (Filipenses 1:21 a 24)

Aceitar ou Receber a Cristo? “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:11-13) É muito comum ouvir nas igrejas que devemos aceitar a Jesus para podermos ser salvos. Estamos tão habituados a ouvir isto que nem paramos para pensar sobre o assunto. Mas, aceitar ou receber a Cristo é a mesma coisa? Para saber sobre isso vamos colocar essas duas palavras numa balança. A palavra receber dá-nos a idéia de uma atitude mais passiva do que aceitar. Quando recebemos algo, simplesmente pegamos ou recolhemos o que nos foi dado, mas, parece que quando aceitamos algo, exercemos um julgamento de valores. Embora sejam palavras com significados aparentemente idênticos, receber e aceitar têm exercícios diferentes da vontade. Receber e aceitar não são sinônimos perfeitos. Somos pacientes ao receber alguma coisa, mas quando aceitamos somos agentes. É como bem ilustrou uma pessoa: “você pode receber uma bofetada, mas com certeza não aceitá-la-á. Receber uma afronta é muito diferente de aceitá-la. Receber e aceitar não têm o mesmo valor semântico. Aceitar sempre envolve deliberação pessoal”. Segundo um artigo que li certa vez “dentro deste contexto, John MacArthur Jr. levanta um debate: Considere a apresentação típica do evangelho que se faz em nossos dias. Verá que se roga o seguinte aos pecadores: “Aceite a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, convide a Jesus a entrar no seu coração, convide Cristo para entrar em sua vida ou faça uma decisão por Cristo.” É provável que você esteja tão habituado a ouvir tais frases que fique surpreso ao saber que nenhuma delas tem base em terminologia bíblica. Elas são o resultado de um evangelho diluído, que não é o evangelho segundo Jesus. Aceitar a Cristo é fruto de uma mensagem humanista, desenvolvida pelo pregador Charles Finney, no século XIX. Dr. R. C. Sproul, em seu livro Sola Gratia, afirma: Para Finney, a regeneração baseia-se e depende da decisão ou escolha do pecador. A regeneração segue-se a uma decisão humana. Nesse ponto, a teologia de Finney tem tido uma influência massiva no evangelismo moderno, que faz com que a decisão seja o pré-requisito necessário para a regeneração. Os evangelistas modernos freqüentemente convidam o pecador a escolher nascer de novo ou tomar uma decisão para ser regenerado. Aqui a fé precede à regeneração e é uma condição necessária para a regeneração

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e/ou a conversão. Foi neste terreno teológico de fundamentação pelagiana que se desenvolveu a crença na capacidade do homem em tomar uma decisão de aceitar a Cristo como seu Salvador. Com isso, uma enxurrada de religiosos mascarados de filhos de Deus tem encharcado as igrejas com esta apelação provocante e corruptora do evangelho da graça de Cristo. Igrejas abarrotadas de gente que aceitou Jesus acaba formando uma verdadeira babel de incesto teológico. As sutilezas nos apanham nas vírgulas. Deus nos deu o poder de sermos feitos filhos dele ou o direito de nos tornarmos seus filhos? Somos regenerados exclusivamente por Deus ou cooperamos com nossa regeneração? É Deus somente, monergismo, ou entramos nesse negócio juntamente com ele, sinergismo? O grande problema do pecado é tornar o homem um ser aceitável. Temos que exercer alguma influência e executar alguma tarefa para merecermos a aceitação. Isso faz parte das táticas da serpente. Por isso, muita gente acredita que a fé e o arrependimento antecedem à vivificação. As duas versões acima representam as tendências focalizadas aqui. Mesmo as traduções mais criteriosas correm o risco de pender para a corrente dos tradutores. Devemos estar sempre atentos com as variantes apresentadas nas traduções. Fica muito difícil explicar os passos de uma criança que não foi gerada. Como um bebê pode nascer sem ter sido concebido antes? A vida precede à ação. Um morto em delitos e pecados, separado da vida de Deus, não pode crer e arrepender-se sem primeiro ser regenerado. Deus nos regenera por meio de sua palavra, antes de qualquer expressão de nossa parte. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. Tiago 1:18. A salvação é um resultado da pregação da palavra de Deus. A fé é uma conseqüência de ouvir a palavra de Deus. Primeiro Deus nos fecunda espiritualmente pela sua palavra, para depois nós podermos crer. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1Coríntios 1:21. Do mesmo modo como Deus criou o mundo pela sua palavra, o homem é regenerado pelo poder vivificador da palavra. Tanto a vida espiritual como a fé são efeitos poderosos da palavra de Deus. Não há uma capacidade inata no homem para crer em Cristo de modo natural. A fé é um dom do Espírito Santo através da palavra. Jesus disse que o Espírito Santo é responsável para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim. João 16:8b-9. A fé em Cristo como nosso Salvador é uma manifestação da graça de Deus na existência do pecador. Não temos uma competência instintiva de fé. Ninguém crê porque está habilitado espontaneamente a crer. Se cremos é porque o Espírito nos concedeu a fé por meio da palavra. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17. Alguém já disse que, arrependimento e fé são graças que recebemos, não alvos que alcançamos. A fé e o arrependimento não são aptidões de nossa personalidade humana, mas dádivas graciosas do caráter divino. A verdade fica muito clara diante da revelação de Deus. Não aceitamos a Cristo em razão de algo aceitável, mas o recebemos porque ele nos aceitou. Do ponto de vista da graça, não é o indigno que aceita o digno. A aceitação é a atitude daquele que se

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encontra numa posição vantajosa acolher aquele que está numa situação desfavorável. Cristo em sua graça nos aceitou misericordiosamente. Como dizia William Newell, não havendo na criatura nenhum motivo para que a graça seja manifestada, a criatura tem de ser dissuadida de tentar apresentar motivos a Deus para que lhe dispense o Seu cuidado. A Bíblia nos mostra que, somos aceitos totalmente pelos méritos de Cristo. Crer e consentir em ser amado ainda que indigno é o grande segredo da graça de Deus. A versão Revista e Corrigida nos dá uma tradução muito interessante deste conceito apresentado pelo apóstolo Paulo. E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória de sua graça, pelo qual nos fez agradáveis a si no Amado. Efésios 1:5-6. Todas as bênçãos no evangelho são conseqüência da graça de Cristo. Esperar ser abençoado, ainda que percebendo cada vez mais a falta de valor próprio, é o enfoque gracioso de que toda a nossa aceitação está estribada em Cristo. Esperar ser melhor (e, portanto, aceitável) é deixar de se ver em Cristo somente. Ficar desapontado consigo mesmo é ter acreditado em si mesmo. A síntese destes pensamentos de William Newell podem nos levar a refletir que, a suficiência de Cristo é a medida de toda a nossa aceitação. Não somos aceitos pelas nossas qualidades, nem rejeitados pelos nossos defeitos. Toda a nossa aceitação está fundamentada apenas em Cristo. Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Romanos 8:32. Ninguém precisa temer ser excluído do reino de Deus quando, pela fé, se vê totalmente aceito por Jesus Cristo, pois o medo produz a obediência dos escravos, mas o amor que nos aceita, a obediência dos filhos”.9

Qual o Destino Daqueles que Nunca Ouviram o Evangelho Como fica a situação daqueles que nunca ouviram o evangelho? Porque muitos morrem sem conhecer a Cristo? Essas perguntas revelam muito nossa ignorância sobre o assunto. Acreditamos que o fato de possuírmos a Bíblia (que é a revelação especial de Deus), instituições cristãs, missionários, igrejas e institutos teológicos, achamos que somos os únicos capazes de conhecer a verdade sobre Deus. Cremos que temos o monópolio de Deus e da religião, e por isto, achamos que aqueles que nunca ouviram o evangelho não poderão se salvar. Sobre este assunto escrevi algo interessante em outro livro: “As Escrituras não ensinam explicitamente que aqueles que nunca ouviram poderão ser salvos, no entanto, ela infere isto. O Senhor não irá excluir ninguém por ter nascido no lugar e época errada. Jesus foi claro ao dizer: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”. (João 7:17) A Bíblia também ensina que o incrédulo detém a verdade pela injustiça e o ser humano não tem qualquer desculpa, porque o que de Deus se pode conhecer foi

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manifesto entre os homens, e por isso eles são indesculpáveis (Romanos 1:18, 19, 20). A Bíblia também diz que o ser humano está fugindo ao invés de buscar a Deus (Romanos 3:11). A vontade de Deus é que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento (2ª Pedro 3:9). Esse texto de Pedro é uma clara demonstração que Deus também cuida daquelas pessoas que não ouviram o evangelho. Quando Deus julgar o mundo, Ele o julgará justa e moderadamente (Atos 17:31). Onde Deus tiver um escolhido, ali Ele se revelará a tal pessoa. Sobre isto, a Bíblia cita o exemplo do Centurião Cornélio (Atos 10:34), Raabe, a prostituta, Naamã o sírio e os Nínivitas que alcançaram paz com Deus mesmo tendo pouco conhecimento sobre Ele (Josué 2:9; Hebreus 11:31; 2º Reis 5:15 a 19; Jonas 3:5). Aqueles que não conhecem a Palavra, mesmo sem lei, as leis estão escritas em seus corações, testemunhando-lhes também a consciência mutuamente, acusando-se ou defendo-se no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens (Romanos 2:12). Mesmo entre os que nunca ouvirão o evangelho haverá os escolhidos e predestinados”.10 Em qualquer caso, cultura ou país onde o evangelho não chegou, a salvação continua sendo pela graça mediante a fé. Neste caso devemos também lembrar do fator Melquisedeque. O que é o fator Melquisedeque? Segundo a Wikipédia, o “Fator Melquisedeque é designação dada a consciência universal da existência de um Deus único, entre as diversidades de expressões culturais e religiosas dos diferentes povos e civilizações ao longo da história. O primeiro a utilizar o termo foi o teólogo Don Richardson, autor do livro de mesmo nome: "Fator Melquisedeque", que através de relatos antropológicos expõe um testemunho de Deus nas culturas através do mundo. Melquisedeque é uma alusão ao sacerdote "do Deus Altíssimo", considerado Rei de Salém, a qual haveria de se tornar na cidade sagrada de Jerusalém. Em um relato bíblico, esse sacerdote-rei, abençoa Abraão, "o pai da Fé", que o oferta a décima parte de todos os seus bens, dízimo. A referência a esse personagem místico, aponta para a existência do culto monoteísta anterior às grandes religiões atuais. Conceito aceito pela Teologia contemporânea, mais especificamente pela Missiologia, reconhece nos hábitos estranhos ao cristianismo, não como barreiras ao evangelismo, ou ao convívio social, mas como ponte entre visões diferentes de uma mesma verdade, denominada "substância católica", ou universal”. 11 Para um entendimento sobre como Deus trata com os povos pagãos que não tiveram acesso ao evangelho, sugiro a leitura do livro “Fator Melquisedeque” de Don Richardson. O autor deste livro procura segundo ele próprio diz traçar através da história alguns exemplos da interação entre o fator Melquisedeque – a revelação geral de Deus – e o fator Abraão – a revelação especial de Deus. Ele analisa o rastro deixado por Deus nas comunidades “primitivas” da revelação divina. O povo grego, por exemplo, teve uma manifestação de Deus através da história de Epimênides, que certa vez salva os atenienses da praga com uma oração ao “Deus desconhecido”. Monumentos à esse deus permanecem durante séculos, até por exemplo chegar ao tempo de Paulo, que discursa com base nesse altar em atos

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capítulo 17. Paulo usa a história do “deus desconhecido” para pregar aos gregos no areópago. De acordo com o relato bíblico de Gênesis, entre os cananeus, Melquisedeque era um rei e ao mesmo tempo sacerdote. Esse sacerdote-rei era de Salém, cujo o nome significava “paz” na língua dos cananeus. A figura de Melquisedeque, é a chave hermenêutica para a revelação de Deus para o mundo, a revelação geral. Alguns afirmam que a formação espiritual de Melquisedeque era superior a de Abraão. Melquisedeque adorava o mesmo Deus que Abraão adorava. A única diferença seria apenas os nomes, Javé para Abraão e El Elyon para Melquisedeque.

O Livro da Vida do Cordeiro O livro da vida do Cordeiro é o registro dos cidadãos salvos nos céus (Hebreus 12:23). Ter o nome inscrito no livro da vida é motivo de grande alegria. É de muito mais alegria do que expulsar demônios, curar, profetizar etc. “Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”. (Lucas 10:20) O livro da vida é de tão grande importância que Paulo o cita em Filipenses 4:3: “E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida”. Estar inscrito no livro da vida é também segurança de salvação para todo o sempre. Somente quem está inscrito é que pode ser salvo: “E será que aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes em Jerusalém” (Isaías 4:3). “... será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro”. (Daniel 12:1) Palavras semelhantes a essas se vê também em Apocalipse 20:15: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”. (Apocalipse 21:27) Quando o nome de uma pessoa é inscrito no livro da vida? Desde antes da fundação do mundo e não no exato momento em que se recebe a Jesus. Os nomes que não foram inscritos no livro da vida desde a fundação do mundo são os que se perdem para sempre. Estas verdades se encontram em Apocalipse 13:8 e 17:8: “...e adorá-laão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo”. “E aqueles que habitam sobre a terra, cujo os nomes não foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta...”. Além de ter o nome inscrito no livro da vida desde a fundação do mundo, o crente salvo também tem a promessa de jamais ter seu nome riscado: “O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. (Apocalipse 3:5)

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Por incrível que possa parecer, alguns pregadores conseguiram transformar essa promessa de Jesus em condenação afirmando que o Senhor pode apagar um nome do livro da vida. Quando João escreveu essas palavras, os governantes mantinham um registro dos cidadãos da cidade. Se alguém morresse, ou cometesse um crime sério, seu nome era riscado desse registro. No caso de Apocalipse 3:5 Jesus promete agir diferente. É justamente neste texto que vemos o cumprimento da promessa que Jesus fez ainda em vida quando disse: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32). Isto quer dizer que se em vida confessarmos a Jesus, um dia diante do Pai ele confessará nossos nomes. É isto uma garantia, uma promessa de um Deus que não pode mentir! “Mas, Deus não disse para Moisés que riscaria do livro da vida os que pecassem contra Ele?” talvez pergunte o leitor. Sim! Deus disse que riscaria de um determinado livro conforme Êxodo 32:33: “Então disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim”. O assunto em questão aqui é que o povo de Israel fez um bezerro de ouro para adorar e como castigo Deus disse que puniria com a morte física. Então o “livro” em questão não é o livro da vida do Cordeiro. É o “livro dos vivos” ou o “livro dos viventes de debaixo do céu”. Se você ler inteiro o capítulo nove de Deuteronômio, encontrará uma narração semelhante à história descrita em Êxodo capítulo 32, que mostra qual é o livro que os israelitas foram riscados. No versículo 14, o Senhor Deus diz: “Deixa-me que os destrua, e apague o seu nome de debaixo dos céus...”. (Deuteronômio 9:14) Note que na linguagem usada aqui, apagar o nome de debaixo dos céus é sinônimo de morte física, é ser riscado do livro dos vivos. Outro texto mostra isto claramente: “... ninguém que, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração; para acrescentar à sede a bebedice. O SENHOR não lhe quererá perdoar; antes fumegará a ira e o seu zelo sobre o tal homem, e toda maldição escrita neste livro jazerá sobre ele; e o SENHOR lhe apagará o nome de debaixo do céu”. (Deuteronômio 29:19, 20 – O grifo é meu) Amaleque também teve seu nome riscado de debaixo dos céus: “Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu”. (Êxodo 17:14; Deuteronômio 25:19) O Salmo 69:28 também confirma a existência do livro dos viventes de debaixo do céu: “Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos”. Se é simplesmente o livro dos vivos, porque, então, algumas traduções rezam “livro da vida” em vez de “livro dos vivos”? Neste caso “livro da vida” é o mesmo que “livro da vida terrena” embora seja preferível a tradução “livro dos vivos” porque assim não há o risco de se confundir com o livro da vida do Cordeiro. Como posso provar isto? É simples! O assunto do contexto do Salmo 69 é sobre os homens perversos, ímpios e malvados. O interessante é que na última parte do versículo 28 é dito: “e não sejam inscritos com os justos”. Pergunto: “Desde quando justos e ímpios estão inscritos no mesmo livro da vida do Cordeiro?” Existe somente um livro em que justos e ímpios

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estão inscritos juntos; é o livro dos viventes ou livro dos vivos. Encontramos sobre este livro também no Salmo 139:16: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda”. Há pelo menos três tipos de livros: o livro da vida, o livro das recompensas e o livro dos viventes debaixo do céu: 1) “Então se abriram Livros...”. a) Apocalipse 22:12 * O livro das recompensas. b) Deuteronômio 29:20 * O livro dos viventes de debaixo dos céus. c) Lucas 10:20 * O livro da vida, registro dos cidadãos dos céus. 2) O Livro das Recompensas a) 2ª Coríntios 5: 10 * para que cada um receba... b) 1ª Coríntios 3: 10-15 * receberá galardão. 3) Livros dos Viventes a) Salmo 69:28 * riscados do livro dos vivos. b) Salmo 139:16 * foram escritos todos os meus dias... 4) Livro da Vida a) Daniel 12:1 * será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro. b) Lucas 10:20 * devemos nos alegrar porque nossos nomes estão arrolados nos céus. c) Filipenses 4:3 * cooperadores meus, cujos nomes estão no livro da vida. d) Hebreus 12:23 * Deus não está escrevendo novos nomes. e) Apocalipse 3:5 * Deus não apaga os nomes dos salvos. f) Apocalipse 20:15; 21:27 * quem não for achado inscrito no livro da vida será lançado no lago de fogo e enxofre.

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g) Apocalipse 17:8 * os nomes daqueles que hoje recebem a Jesus já estão inscritos no livro da vida desde a fundação do mundo. Se o leitor por sua vontade própria receber Hoje Jesus em seu coração, confirmará o que Deus já sabia a seu respeito e provará que está inscrito no livro da vida.

Como Pode Existir o Inferno se Deus é Amor? Uma coisa que deixa muita gente perplexa, angustiada e com dúvidas sobre a fé, é com relação a doutrina do inferno. Como pode existir um inferno em que os maus são torturados para sempre? Como pode o inferno ser compatível com o amor de Deus? Na tentativa de tentar entender esse assunto ou simplesmente negá-lo, tem surgido diversas doutrinas para todos os gostos. A reencarnação, a idéia de que no final das contas Deus vai salvar a todos (universalismo da salvação), o aniquilacionismo ensinado por muitas seitas e atualmente por muitos pastores, são na verdade tentativas para negar a existência do inferno. O fato é, que Deus além de ser amor, é também um Deus de justiça. Em João 3:16 e 36 afirma isto claramente: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” “Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Antes de tudo, é bom que se tenha em mente que o inferno não foi preparado para o ser humano. Esta verdade podemos ver em Mateus 25:41b: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Só vai para o inferno quem quer ser inimigo mortal de Deus. Como foi dito no início, o salário do pecado é a morte, isto é, a separação espiritual de Deus. A palavra “morte” na Bíblia singnifica “separação”, portanto o inferno é a chamada segunda morte (Apocalipse 21:8). A primeira morte é a separação da alma e do corpo e a segunda morte é quando a pessoa estará eternamente separada de Deus. O inferno não é sofrimento porque Deus simplesmente tem prazer em torturar os pecadores. A lógica é muito simples; uma vez que Deus é a ÚNICA fonte de toda a felicidade, amor, alegria, paz e tudo o que é bom, logo, estar separado dele é ter toda tristeza, infelicidade, falta de paz, amor etc. Sem Deus não podemos ter vida plena. “Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto vi também que isto vem da mão de Deus, pois separado deste, quem pode comer, ou quem pode alegrar-se? (Eclesiastes 2:25,26 – o grifo é meu). O ponto principal do inferno é a AUSÊNCIA DE DEUS. O Senhor Jesus na cruz provou no lugar de todo homem a angústia do inferno, a morte espiritual, a dor da separação. “vê, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra,

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para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem”. (Hebreus 2:9 – o grifo é meu) Quando o Senhor Jesus disse: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46), Ele estava sentindo a terrível dor da ausência de Deus. Neste mundo tenebroso podemos passar por guerras, misérias, angústias terríveis, traumas e o que há de pior, mas sempre é bom estar vivo, sempre há uma esperança e momentos bons devido a graça de Deus. O sentimento da ausência de Deus homem algum conheceu em sua plenitude, exceto quem foi para a perdição eterna. Todos nós antes de conhecer a Cristo sentimos um vazio e apenas uma prévia pequenina da infernal separação entre nós e Deus. Todos nós quando andávamos sem Cristo éramos pessoas sem paz e vazias interiormente. O que desconhecemos é o terrível e indescrítivel sofrimento da separação, da ausência de Deus em sua plenitude. Neste caso toda dor da separação elimina a esperança de tudo. Não pense, o leitor, que no inferno são castigados pecadores coitadinhos e arrependidos. Os que vão para o inferno são extremamente malignos, inimigos de Deus até o fim, e mesmo no inferno não se arrependem. Veja isto num trecho da Parábola do Rico e Lázaro: “Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”. (Lucas 16:22 a 31) Desta história podemos destacar alguns pontos. Mesmo estando em tormentos, o rico faz pedidos egoístas para Abraão. O pedido para que Lázaro molhe na água a ponta do dedo e refresque sua língua porque estava atormentado na chama. O segundo pedido de que fosse mandado alguém dos mortos para salvar sua família do inferno. Em nenhum momento o rico demonstra arrependimento, pede perdão para Deus ou para Lázaro por tudo quanto fez em vida.

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Mesmo no tormento do inferno ele quer benefícios, mas em nenhum momento se lembra que negou ajuda a Lázaro. Aliás, se o rico estivesse arrependido, jamais teria ido para o inferno. Em vida ele rejeitou Moisés e os profetas, cauterizou sua consciência até o último momento. Que malignidade! Como é corrupta a natureza humana. Ao falar sobre o pecado e a natureza humana, Humberto Xavier Rodrigues disse que o “pecado foi o fundador do inferno, aquele que assentou a pedra angular da câmara mortuária das trevas, pois antes do pecado não existia o inferno. Este discurso de Ambrósio: Você me lançará na prisão? Você tirará minha vida? Tudo isso é preferível para mim do que o pecado. Foi o pecado que edificou o inferno e o tem equipado com aqueles tesouros e riquezas da ira, fogo e enxofre. Portanto, sendo um mal universal, o útero dos males e a causa de tudo. O pecado é o mal sem par. O inferno é o mais terrível mal, todavia o pecado é pior do que o inferno em si. O inferno separado do pecado é somente miserável, não pecaminoso; um lugar punitivo, não um pecado em si. A mente humana está entenebrecida no tocante às realidades espirituais; a sua vontade se alienou da vontade de Deus, a sua consciência é insensível à voz de Deus”.12 O horror do sofrimento e do inferno não são capazes de produzir pessoas arrependidas. Veja isto no livro do Apocalipse: “Os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras das suas mãos, para deixarem de adorar aos demônios, e aos ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. Também não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos”. (Apocalipse 9:20,21 – o grifo é meu) “O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo. E os homens foram abrasados com grande calor; e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória”. (Apocalipse 16:8,9 – o grifo é meu) “O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e os homens mordiam de dor as suas línguas. E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram o Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras”. (Apocalipse 16:10,11 – o grifo é meu) Por terem horror a doutrina do inferno e por acharem ser uma injustiça da parte de Deus, muitos acabam afirmando que esse lugar de tormento não existe e a aniquilação eterna seria mais justa para os pecadores. Pensando nisto, o teólogo Norman Geisler acertadamente disse: “...a aniquilação seria algo que diminuiria tanto o amor de Deus como a natureza do ser humano como uma criatura moralmente livre. Seria como se Deus dissesse ao homem: “Vou permitir que você seja livre somente se você fizer o que eu digo! Senão, acabarei de uma vez com a sua própria liberdade e com a

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sua existência!” Seria como um pai que dissesse ao filho que queria que ele se tornasse médico e, quando o filho decidisse ser guarda florestal, o pai o matasse! O sofrimento eterno é um eterno testemunho da liberdade e da dignidade do homem, mesmo daquele que não se arrependeu”.13 Somente a graça de Deus em Cristo pode nos conduzir ao arrependimento e nos livrar do inferno.

Perderei a Salvação se não Devolver o Dízimo? “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança. Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos”. (Malaquias 3:8 a 12) Como disse o teólogo Paulo de Aragão Lins “este texto é terrível. Mete medo realmente. Chama os não dizimistas de ladrões, promete maldições, fala do devorador e manda o povo fazer prova de Deus. Esta linguagem é flagrantemente do Velho Testamento e da Lei. É a mesma linguagem do apedrejamento dos adúlteros e dos rebeldes. Eis os versículos muito cantado em verso e prosa no meio religioso. No Novo Testamento a linguagem muda completamente e os adúlteros e rebeldes arrependidos em lugar de serem apedrejados são perdoados e passam a viver em novidade de vida”.14 Não irei explanar aqui com profundidade sobre o assunto do dízimo, mas apenas vou passar alguns conhecimentos necessários sobre o assunto. Em primeiro lugar, se o leitor acredita que é correto dar o dízimo, então, passo a fazer a seguinte pergunta: “Você está devolvendo o dízimo da maneira que a Bíblia ensina?” Muita gente acredita que sim. Dão dez por cento de sua renda e está tudo certo. É aí que mora o grande engano. O dízimo primeiramente era dos LEVITAS, DO ÓRFÃO E DA VIÚVA (Números 18:21 a 24; Deuteronômio 12:5 a 7 e 14:22 a 29). “Sejamos muito claros. Vou escrever com letras bem grandes para que você entenda NÃO EXISTEM LEVITAS NO NOVO TESTAMENTO! Esta dispensação já passou. Estamos na Graça”.15

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O roubo dos dízimos anunciado em Malaquias 3:10 era bem conhecido pelo povo de Israel. Pergunto novamente: “Você tem dado o dízimo para a viúva e para o órfão? Você tem comido seus dízimos junto com o levita, o peregrino, a viúva e o órfão?” Outro texto muito usado para defender o dízimo é Hebreus 7:1-8. Este versículo mostra claramente que Abraão, antes da Lei deu dízimos para Melquisedeque. O argumento é muito simples e diz que uma vez que somos filhos de Abraão, que é o pai da fé e que deu dízimos antes da Lei ser instituída, também devemos dar dízimos ao Senhor, como Abraão o fez. Se isto é verdade pergunto: “Você teria coragem de dar os dízimos depois de matar todos os seus adversários?” A resposta que sempre ouço é: “Não! Não posso estar em pecado e mesmo assim devolver o dízimo!” Na verdade foi isto que Abraão fez! Após matar seus adversários, Abraão devolveu o dízimo e foi abençoado. Por outro lado, “Abraão também teve mais de uma mulher ao mesmo tempo e mentiu. O cristão jamais pensaria em fazer tais coisas. Naquele tempo os dízimos eram dados pela população aos soberanos. Ele deu dízimos mostrando sua condição de vassalo diante do Soberano Supremo”. 16 Segundo o teólogo Paulo de Aragão Lins, os “que utilizam o argumento do dízimo obrigatório de Malaquias 3 parece que jamais leram o Novo Testamento que nos mostra claramente que o devorador foi vencido em nossa vida, independente de dízimos. Veja o que nos mostra o Novo Testamento: 1) Já estamos abençoados – Efésios 1:3 – "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo". 2) O devorador já foi derrotado - Hebreus 2:14 – "Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo". 3) O devorador (o maligno) não pode nos tocar, em nosso bens, nem em nossa casa Isto é doutrina falsa neopentecostal. Os pentecostais verdadeiros não ensinam esta doutrina. Vemos a evidência desta verdade em I João 5:18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca". 4) Já não há condenação - Romanos 8:1 – "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". 5) Já não há acusação - Romanos 8:33 – "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus"?

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6) Já não há mais maldição - Gálatas 3:13 – "Cristo nos resgatou da maldição da Lei". 7) Já não há mais dívida - Colossenses 2:14 – "...e havendo riscado o escrito de dívida". 8) Já não há juízo - João 5:24 – "Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entra em juízo". 9) Já não há sacrifício, porque o verdadeiro sacrifício já foi realizado - Hebreus 10:14 – "Porque com um único sacrifício nos aperfeiçoou para sempre". 10) Temos um fiador para com qualquer dívida ainda existente - Hebreus 7:22 – "De tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador". 11) Temos um mediador - Hebreus 9:15 – "E por isso é mediador de um novo pacto". 12) E se qualquer dúvida ainda existir, temos um advogado - I João 2:1 – "Temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo". 13) Não precisamos mais fazer prova de Deus – I Coríntios 10:9 - E não ponhamos o Senhor à prova como alguns deles o fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Um dos textos mais usados pelos interessados em dízimos é Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas". Ao utilizarem este texto os cultores dos dízimos estão colocando em pé de igualdade os eleitos de Deus, nascidos de novo, lavados e remidos pelo sangue de Cristo, com os escribas e fariseus hipócritas! Não é uma aberração? Quando Jesus disse que eles deveriam fazer estas coisas, estava simplesmente enfatizando o seguinte: vocês, escribas e fariseus hipócritas, que vos gloriais na Lei, cumpram a Lei de vocês, mas não se esqueçam que para Deus o mais importante não é isto, mas é a justiça, a misericórdia e a fé. Este texto de modo algum pressupõe que os crentes tem que cumprir os mesmos ditames da Lei que os escribas e fariseus ainda estavam cumprindo e ainda cumprem até os dias de hoje”.17 Você sabia que que os dízimos são mais castigos do que bênçãos? Leia 1ª Samuel 8:11-17: “E disse: Este será o modo de agir do rei que houver de reinar sobre vós: tomará os vossos filhos, e os porá sobre os seus carros, e para serem seus cavaleiros, e para correrem adiante dos seus carros; e os porá por chefes de mil e chefes de cinqüenta, para lavrarem os seus campos, fazerem as suas colheitas e fabricarem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas terras, das vossas vinhas e dos vossos olivais, e o dará aos seus servos. Tomará e dízimo das vossas sementes e das vossas vinhas, para dar aos seus oficiais e aos

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seus servos. Também os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. Tomará o dízimo do vosso rebanho; e vós lhe servireis de escravos”. Portanto, não precisamos mais fazer prova de Deus com dízimos e ofertas. Já estamos abençoados com toda sorte de bênçãos, o devorador já está destruído, nossa dívida está paga e estamos livres da opressão da Lei. Passamos a ser livres para contribuir com aquilo que o Senhor colocar em nosso coração e conforme a nossa prosperidade, principalmente para ajudar aos necessitados, os órfãos e às viúvas e também para ajudar aqueles que vivem ensinando a Palavra, não para aqueles que vivem utilizando o dinheiro dos fiéis para seu luxo. Portanto, nenhum cristão verdadeiro poderá perder a salvação por causa do dízimo!

O Perigo da Apostasia O Último Passo da Incredulidade Para complemento e um melhor esclarecimento a respeito da apostasia, coloquei abaixo o texto “O ultimo passo da incredulidade” do escritor Norbert Lieth. Nesse artigo ele nos dá informações importantes e esclarecedoras a respeito da apostasia: “A apostasia e o surgimento do anticristo antecedem a volta visível de Jesus. É o que concluímos de 2 Tessalonicenses 2.3, onde está escrito: "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição". Naturalmente, pode-se perguntar com razão: o que significa "apostasia" e a quem ela se refere? Minha resposta é: Não se trata da Igreja dos renascidos, do corpo de Cristo. Muitas pessoas pensam que somente cristãos que estão em Deus podem vir a se tornar apóstatas. Elas imaginam que somente a cristandade verdadeira, que é salva, pode desviar-se da fé em Jesus. Mas, segundo o meu entendimento, não é o que essa passagem bíblica pretende nos dizer. Filhos de Deus verdadeiros realmente podem cair em pecado, podem abandonar o primeiro amor por Jesus e passar a amar o mundo. Tudo isso torna necessário o tribunal de Cristo após o arrebatamento. Ali seremos julgados segundo as nossas obras e poderemos receber "galardão" ou "sofrer dano" (1 Co 3.11-15). Por isso, como filhos de Deus, somos seriamente advertidos a respeito, por exemplo, em 1 João 2.28: "Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda." Afastarse envergonhado do Senhor na Sua vinda não é o mesmo que a apostasia total, descrita por Paulo em 2 Tessalonicenses 2. É o que vemos também em 1 João 3.9: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus" (compare também 1 Jo 4.13). Em outras palavras: um filho de Deus renascido pode abandonar a comunhão com Jesus por tolerar o pecado em sua vida, pode continuar em pecado ou amar o mundo (1 Jo 2.15). Isso pode entristecer ou

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apagar o Espírito Santo (Ef 4.30; 1 Ts 5.19) e tal pessoa será responsabilizada diante do tribunal de Cristo por ter agido assim. Mas um renascido de verdade, que crê na Bíblia, não pode mais apostatar da fé do modo como está dito no contexto de 2 Tessalonicenses 2. Os apóstatas são pessoas que nunca aceitaram o amor da verdade para sua salvação e nunca creram na verdade: "...com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos... a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (vv. 10 e 12). Isso significa que não se trata de pessoas que algum dia estiveram firmes na fé e depois se afastaram de Deus. A apostasia aqui citada não é uma apostasia individual de alguns cristãos, mas uma apostasia global, total e característica dos tempos do fim, uma apostasia que acontecerá na época da Grande Tribulação e que está diretamente relacionada com o anticristo. Essa apostasia não conduzirá ao anticristo, pois já acontecerá em função dele: "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição" (2 Ts 2.3). Portanto, a apostasia se dará com o surgimento do anticristo, que se estabelecerá neste mundo e dominará a humanidade. Pelo contexto dos versículos 3-4 e 8-10, fica claro que a apostasia será conseqüência da revelação do anticristo, do homem da iniqüidade. A advertência no versículo 3 é apenas a introdução, pois a apostasia propriamente dita, em toda a sua extensão, está descrita nos versículos seguintes (vv. 4,7,9-12). Se eles se referissem à verdadeira Igreja dos crentes, na prática isso significaria que ela apostataria totalmente da fé em Jesus e trabalharia de mãos dadas com o anticristo, que ela se rebelaria com ele e também seria condenada juntamente com ele. Nesse caso, a Igreja de Jesus não seria mais dominada e dirigida pelo Espírito Santo, mas por Satanás. Você, que é um filho de Deus, pode imaginar ser capaz de renunciar e renegar a tudo que conheceu e aceitou em Jesus Cristo? A palavra "apostasia" vem do grego e também significa "insurreição" ou "rebelião". Pela apostasia aqui descrita será revelado o homem da iniqüidade. A apostasia está diretamente relacionada com o anticristo e acontece pela eficácia de Satanás. Aqui é descrita a apostasia final, maior e total de uma humanidade sem Deus. Esse será o último passo de incredulidade (v. 12), uma insurreição e rebelião total contra tudo que vem de Deus – e ao mesmo tempo uma mudança de direção, ou seja, uma aceitação daquele que vem do "inferno" e tem sua origem em Satanás. O teólogo Eberhard Hahn escreveu a respeito: "Nesse contexto, apostasia não significa violação de leis isoladas, mas é a caracterização ampla da rebelião total contra Deus". Segundo meu entendimento, essa apostasia final, maior e total refere-se ao cristianismo nominal, ou seja, a pessoas que não são verdadeiramente renascidas. Nos últimos tempos, essa cristandade nominal renunciará à sua fé superficial e crerá no homem da iniqüidade. Esse cristianismo se desviará do Filho de Deus e se voltará para o "filho da perdição" (1 Jo 4.1-4). Em Mateus 13 o Senhor fala sobre os quatro tipos de solo que recebem a semente: pessoas que, apesar de receberem a Palavra de Deus com alegria, não têm raízes.

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Trata-se de pessoas momentaneamente entusiasmadas, que não se firmam em Jesus de maneira permanente. Quando vêm as tentações, quando elas são provadas ou têm de abrir mão de seus bens, elas se desviam (vv. 20-22). São pessoas que nunca tiveram raízes, que nunca estiveram ligadas a Jesus pelo Espírito Santo. Em Gálatas 5.4 está escrito: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes." Paulo fala das pessoas na Igreja que não querem ser salvas exclusivamente pela fé, mas pelas obras. Essas pessoas "decaíram da graça". Percebe-se claramente na Segunda Epístola a Timóteo que existem aqueles que se dizem ligados a Cristo e se chamam "cristãos", mas mesmo assim não pertencem à Igreja de Jesus. Paulo fala primeiro sobre os tempos finais: "Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis" (2 Tm 3.1). Depois ele descreve as características dos homens dos tempos finais, entre elas: "tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes" (v.5). Piedade exterior é uma característica do cristianismo nominal. Tais "cristãos" não são realmente convertidos e renovados pelo Espírito Santo. Lemos na "Bíblia Viva": "Irão à igreja, sim, porém não acreditarão realmente em nada do que ouvem. Não se deixe enganar por gente assim". No versículo 7 esses "cristãos" sem Cristo são descritos do seguinte modo: "que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade" (veja também 2 Ts 2.10 e 12). Esses cristãos nominais podem fazer parte de quaisquer igrejas ou instituições, mas não pertencem ao "corpo de Cristo", que será arrebatado por ocasião da volta de Jesus para os Seus. Cada um examine a si mesmo! Essa cristandade de aparências é apresentada em Apocalipse 17 como "meretriz Babilônia". A quem isso poderia se referir, senão a uma igreja apóstata que se junta e une a todas as outras religiões ("que se acha sentada sobre muitas águas" – v.1) e por fim se entregará à "besta"?! Essa será a "cristandade" que no final se desligará totalmente de Deus para se submeter ao domínio do anticristo. Por isso fazemos bem em dar ouvidos às advertências contra uma igreja mundial única e contra o ecumenismo. Um alerta sério nos tempos finais Sempre que os apóstolos falam dos tempos do fim, eles alertam seriamente a Igreja, pois no seu meio existem aqueles que ainda não se entregaram totalmente ao Senhor. E a própria Igreja é exortada a não deixar-se seduzir e enganar nesse tempo. 1. Alerta em relação a falsos mestres Lemos em 2 Pedro 2.1: "Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição" (veja também Romanos 16.18). Trata-se de mestres que ocupam seu espaço dentro da Igreja de Jesus e que dizem ser servos do Evangelho. W. A. Criswell descreve essas pessoas assim:

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É um homem elegante, simpático, de bom nível cultural, que afirma ser um amigo de Cristo. Ele prega do púlpito, escreve livros e publica artigos em revistas cristãs, atacando o cristianismo de dentro. Ele faz da igreja e das instituições de ensino lugares onde as aves de rapina se aninham. Ele leveda o pão com a doutrina dos saduceus. Devemos observar que o Novo Testamento distingue entre comprados e salvos. Todos são comprados, mas nem todos são salvos. Salvos são somente aqueles que aceitaram a Jesus como seu Senhor e Salvador e que reinvindicaram para si o Seu sangue derramado na cruz. Essa verdade transparece em 1 João 2.18b,19-20: "...conhecemos que é a última hora... Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento." A Epístola de Judas também diz que "no último tempo, haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito" (Jd 18-19). Existem, portanto, nas igrejas locais, nas reuniões de cristãos, aqueles que agem como cristãos, que de alguma forma participam da vida da igreja, mas que não são cristãos verdadeiros. Esses vão apostatar e se desviar completamente: "Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados" (2 Tm 3.13). 2. Alerta em relação ao engano e à sedução Paulo exorta a igreja de Éfeso: "Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por estas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles" (Ef 5.6-7; veja 2 Pe 3.17).) Também o apóstolo João alerta seus leitores: "Esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós..." (1 Jo 2.25-27; veja 4.1-3). Como cristãos, estamos em perigo de ser levados pela onda da secularização, de nos perdermos na onda da teologia liberal ou em um cristianismo parcial. O superficialismo não pára diante das portas de nossas igrejas. Por isso, sejamos guardas vigilantes, que zelam por si mesmos e pela Igreja! 3. Continuar anunciando o Evangelho É importante discernir os espíritos, é importante entender bem as Escrituras, é importante tomar as devidas providências em relação ao engano à nossa volta, mas também é muito importante continuarmos a pregar o Evangelho com muito amor, pois ainda hoje Deus pode ganhar para Si pessoas rebeldes e de coração endurecido. Aos que divulgam o Evangelho de Jesus Cristo, seja como evangelistas, seja por meio de folhetos, ou através de seu testemunho, Paulo diz em 2 Timóteo 2.24-26: "Ora, é

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necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade." Talvez a leitura desta mensagem seja a oportunidade que o Senhor está lhe concedendo hoje para sair de um cristianismo superficial e chegar a uma conversão real a Jesus Cristo – antes que seja tarde demais! O que Deus falou a Abraão no passado vale para cada um de nós atualmente: "Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17.1).18

A Salvação Não se Perde porque Deus é Imutável! “Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”. (Malaquias 3:6) O que pode nos consumir neste mundo? O pecado, o diabo, às doenças, a morte, nossos inimigos e tudo o mais que possa ser perverso neste mundo tenebroso. A nossa salvação não é consumida justamente porque Deus é imutável. Sendo a salvação assegurada pela imutável vontade do Deus onipotente, não podemos jamais perdê-la. Não há razão para o homem salvo temer a perda da salvação, pois quem o salva é a graça de Deus. Se é da vontade de Deus que eu seja salvo — e a vontade de Deus é imutável —, eu sou alcançado pela salvação, permaneço nela e vou para o céu, porque essa é a vontade de Deus! “Pois, segundo seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias de suas criaturas” (Tiago 1:18). Assim, deparamo-nos com duas posições diametralmente opostas. Uma está baseada no raciocínio da mente humana carnal (que é sempre inimiga de Deus); a outra se constitui num fato baseado na Escritura. Quem crê que pode perder a salvação está chamando Deus de mentiroso. A Escritura Sagrada diz: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?” (Números 23:19) O homem muda de idéia conforme a situação e o humor. Deus não pode ser visto como um ser mal humorado. Se você pecou, Ele continua sendo o mesmo com relação a você. Uma vez prometeu, uma vez cumprirá! A Bíblia diz que Jesus é o resplendor da glória de Deus e expressa a imagem do seu Ser. Quem quiser saber como Deus é deve olhar para Jesus. E de fato, o Senhor Jesus agiu de maneira imutável para com os seus. Observe o que aconteceu quando o apóstolo Pedro cometeu o terrível e hediondo pecado ao negar o Mestre: “Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, havendo saído, chorou amargamente”. (Lucas 22:60,61)

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O Senhor olhou para Pedro, em sua grande dor ainda viu sua terrível negação frente a frente. O que fez Jesus? Mandou matar Pedro, jogou-o no inferno? Não! Pelo contrário, após a ressurreição, no mesmo número de vezes que Pedro O negou, ele recebe uma tripla absolvição para que tivesse a certeza do perdão: “Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão Pedro: Simão, filho de João, amasme mais do que estes? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeirinhos. Tornou a perguntar-lhe: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Pastoreia as minhas ovelhas. Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: Amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”. (João 21:15 a 17) O apóstolo Pedro jamais se perdoaria e perderia a fé se estivesse certa a idéia de que o ser humano é responsável por conservar-se salvo, mantendo continuamente a fé e a obediência. Pedro ao negar a Cristo mudou de idéia, mas Cristo não mudou em relação a ele, pois Ele é imutável.

Existe a Possibilidade de Salvação Após a Morte? “Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água...”. (1ª Pedro 3:18, 19 e 20) “Pois é por isto que foi pregado o evangelho até aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito”. (1ª Pedro 4:6) Ao ler estas duas passagens algumas pessoas sempre perguntam: “O apóstolo Pedro apóia a idéia de que uma pessoa pode ser salva depois da morte uma vez que a Bíblia também diz “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9:27)? Esses dois versículos parecem ensinar posições mutuamente opostas? Para responder a essas perguntas, coloquei abaixo duas respostas do livro MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia, escrito por Norman Geisler e Thomas Howe: “A Bíblia é clara quanto a não haver uma segunda oportunidade para a salvação, depois da morte [Hebreus 9:27]. O livro do Apocalipse registra o Julgamento do Grande Trono Branco, no qual aqueles cujos nomes não são encontrados no livro da vida são lançados no lago de fogo [Apocalipse 20:11-15]. Lucas nos informa de que, depois da morte, a pessoa vai ou para o céu (para o seio de Abraão) ou para o inferno, e há posto um grande abismo entre o céu e o

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inferno, de forma que "os que querem passar" de um lado para o outro "não podem" [Lucas 16:26]. Toda a urgência que há de se responder a Deus nesta vida, antes da morte, dá ainda um respaldo adicional ao fato de que não há esperança além do túmulo [João 3:36; 5:24]. Há outros modos de se entender essa passagem, sem o envolvimento de uma segunda oportunidade de salvação após a morte. Alguns alegam que não está claro que a frase "espíritos em prisão" seja uma referência a seres humanos, argumentando que em parte alguma da Bíblia essa expressão é aplicada a seres humanos no inferno. Declaram que esses espíritos são anjos caídos, já que os "filhos de Deus" (anjos caídos, veja Jó 1:6;2:1; 38:7) foram "desobedientes... nos dias de Noé [1ª Pedro 3:20; cf. Gênesis 6:1-4]. Pedro pode estar se referindo a isso em 2 Pedro 2:4, onde ele menciona os anjos pecando, imediatamente antes de referir-se ao dilúvio (v. 5). Em resposta, argumenta-se que os anjos não se casam [Mateus 22:30], e que certamente eles não poderiam relacionar-se em casamento com os seres humanos, já que, sendo espíritos, eles não têm os órgãos reprodutivos. Uma outra interpretação é que essa seja uma referência a uma proclamação de Cristo, feita aos espíritos dos que já passaram, quanto ao triunfo de sua ressurreição, declarando-lhes a vitória que ele alcançou por sua morte e ressurreição, como é indicado no versículo precedente [veja lª Pedro 3:18]. Alguns sugerem que Jesus não ofereceu esperança alguma de salvação àqueles "espíritos em prisão". Apontam para o fato de que o texto não diz que Cristo os evangelizou, mas que simplesmente proclamou-lhes a vitória da sua ressurreição. Insistem em que não há nada nessa passagem que afirme ter havido uma pregação do evangelho aos que estão no inferno. Em resposta a essa posição, outros observam que bem no capítulo seguinte Pedro, aparentemente dando continuidade a esse assunto, diz que "foi o Evangelho pregado também a mortos" [1ª Pedro 4:6]. Essa posição corresponde ao contexto da passagem em questão, está de acordo com o ensino de outros versículos [Efésios 4:8; Colossenses 2:15) e evita os maiores problemas da outra posição”.19 “Sobre a passagem de 1ª Pedro 4:6 que diz que o evangelho foi pregado aos mortos, podemos dizer também que “não há versículo algum na Bíblia que estenda a esperança da salvação para após a morte. A morte é o ponto final, e há apenas dois destinos - o céu e o inferno, entre os quais há um grande abismo, que não pode ser atravessado. Assim, seja o que for que a expressão "pregado a mortos" possa significar, isso não implica que haja salvação após a morte. Segundo, essa é uma passagem não clara, sujeita a muitas interpretações, e portanto nenhuma doutrina deve basear-se numa passagem duvidosa como essa. Os textos difíceis devem ser sempre interpretados à luz dos que são claros, e não o contrário. Terceiro, há outras possíveis interpretações dessa passagem que não entram em conflito com o ensino do restante das Escrituras. (1) Por exemplo, é possível que ela se refira àqueles que agora estão mortos, e que ouviram o Evangelho no tempo em

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que estavam vivos. Em apoio a isso é citado o fato de que o Evangelho "foi pregado" (no passado) àqueles que estão "mortos" (situação presente). (2) Ou, alguns crêem que essa não seja uma referência a seres humanos, mas aos "espíritos em prisão" (anjos) mencionados em 1 Pedro 3:19 (cf. 2 Pe 2:4 e Gn 6:2). (3) Ainda outros afirmam que, embora os mortos sofram a destruição de sua carne (1 Pe 4:6), ainda vivem com Deus em virtude do que Cristo fez por meio do Evangelho (ou seja, sua morte e ressurreição). Essa mensagem de vitória foi anunciada por Cristo em pessoa ao mundo espiritual depois de sua ressurreição (cf. 1 Pe 3:18)”.20

Deus Sabe Quem vai se Salvar? Quem não crê na salvação eterna é porque duvida dos atributos de Deus. A Bíblia afirma que Deus é onisciente, onipotente e onipresente. Vejamos cada um desses atributos: A onisciência e presciência. A onisciência é o atributo Divino de poder conhecer toda a verdade. O conhecimento de Deus é infinito. Junto à onisciência há também a presciência. É através da presciência que Deus sabe com antecipação tudo quanto acontecerá. Deus conhece tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis. Ora, com tal poder, Deus sabe quem irá ou não ser salvo. Do “ponto de vista eterno de Deus, a história está tão estabelecida, ou determinada, como o enredo de uma novela. Entretanto, as ações morais da história foram todas livres”.19 Quando em graça nos elegeu, Ele o fez segundo a Sua presciência conforme 1ª Pedro 1:2 que diz: “... eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência...”. Ao escolher por sua livre graça e vontade, Deus também sabe a conseqüência final de sua escolha, ou seja, conforme o versículo diz, a eleição foi “para a obediência”. Portanto, Deus sabe do destino final de cada pessoa antes mesmo dela existir. Talvez o leitor diga: “Ah! já que é assim, eu não vou mais me preocupar com esse negócio de salvação!”. Ou então, o leitor poderá temer pelos outros e dizer: “Uma vez que Deus sabe quem vai se salvar ou não, será que meus amigos e familiares não serão salvos?” Ora, antes de tudo é preciso entender que além de escolher e saber sobre todas as coisas há também a responsabilidade humana que inclusive CAMINHA JUNTO A SOBERANIA DE DEUS. Tanto a responsabilidade humana como a Soberania Divina não são mutuamente excludentes. As duas coisas são verdades. Já abordei sobre este assunto na página 91. Você não deve ficar pensativo sobre quem vai ser salvo ou não. Deve sim exercer sua volição, pois Deus lhe cobrará isto. O fato é que Deus simplesmente “sabe (Ele não antecipa o saber) aquilo que faremos com nosso livrearbítrio. Aquilo que temos, aquilo que somos e aquilo que decidiremos está presente diante de Deus em Seu eterno AGORA”.21

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Ainda sobre este assunto achei um artigo interessante: “A fé é dom de Deus aos ouvintes da Palavra de Cristo. A Palavra gera vida e dá fé ao ouvinte. Por alguma razão que foge a nossa razão, a Bíblia nos adverte para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos. 2 Tessalonicenses 3:2. Por que todos os que ouvem a Palavra de Cristo não são vivificados, crendo na Palavra de Deus? Este é um enigma da fé. Podemos, entretanto, perguntar a alguns que questionam: por que, dos milhões de espermatozóides que são lançados no útero da mulher, só um, ou em caso de gravidez múltipla, poucos são gerados? Por que todos os outros não são fecundados? Por que só uns poucos são os escolhidos? Por que todos os que ouvem a palavra de Cristo não crêem em Cristo? Por quê? O mistério da fé labuta com dois pilares respeitáveis, mas inexplicáveis: a eleição divina do pecador indigno e a responsabilidade moral do ser humano. Sabemos que a fé é um dom de Deus conferido em Cristo. Por outro lado, sabemos, também, que cada indivíduo é responsável pela sua decisão pessoal e pelo desenvolvimento dos dons que lhe foram dados. Os dons são sempre donativos que, uma vez doados, foram dados para nós desenvolvermos criteriosamente. Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? 1 Coríntios 4:7. Como explicar um dom gracioso, proposto antes da fundação do mundo, com a deliberação livre e voluntária de um ser moralmente responsável? Por que, entre os milhões de espermatozóides, o que me originou, foi o eleito? Estas são questões que a nossa mente finita se inquieta. Não vejo a fé como natural no ser humano. Se nós já nascêssemos com fé, então não estaríamos mortos no pecado. Se a fé faz parte da natureza pecadora, com certeza a fé encontra-se conspurcada pelo pecado. Se o pecado é não crer em Cristo, como o incrédulo em Cristo pode ter a fé que tem Cristo como o seu Autor? É complicada uma fé natural. A verdade bíblica mostra, todavia, que a fé é um dom de Cristo e que eu preciso recebê-la e exercitá-la como a minha fé, por meio da vida de Cristo. A fé não é minha, originalmente, mas se torna minha por uma dádiva. Não sei por que a fé não é de todos, mas sei que todos os que receberam o dom da fé, receberam-na como sua, segundo a medida que Deus repartiu a cada um”.21 Portanto, quer o homem aceite ou não, existem apenas dois fatos: o de que Deus sabe quem vai ser salvo e que o homem é também responsável por rejeitar a salvação. A onipotência. A Bíblia diz que Deus é Todo-Poderoso. Seu poder é infinito e está longe de nossa compreensão. Para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas. O que Ele prometeu poderá cumprir (Lucas 1:36, 37). No caso da

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salvação, o “evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. (Romanos 1:16) Note bem, o evangelho é o “poder de Deus para salvação”. Quanto de poder Deus tem disponível para salvação? Todo poder, pois Deus é Todo-Poderoso. Assim, Deus pode destinar para a salvação e com certeza o indivíduo será salvo. E isto Ele já fez: “...porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele”. (1ª Tessalonicenses 5:9, 10) É claro que Deus não precisa usar seu poder infinito para salvar uma poeirinha cósmica como nós. Mas, isto é para se ter uma idéia de que não é por falta de poder vindo do Alto que não vamos alcançar a salvação. Ele “dá força e poder ao seu povo”. (Salmo 68:35) A onipresença. A Bíblia ensina que Deus está em todos os lugares do Universo ao mesmo tempo e nada pode escapar de seu controle infinito (Salmos 139). Quem duvida da salvação eterna também coloca em descrédito a onipresença de Deus. Se um cristão pudesse se perder novamente, seria o mesmo que dizer que Deus não esteve no lugar certo e na hora certa para salvá-lo. Enfim, a pessoa que crê que a salvação pode ser perdida faz a si mesma de “deus”. Este é o velho conto da serpente. Quando Satanás tentou Adão e Eva, ele colocou em dúvida a Palavra de Deus e disse: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. (Gênesis 3:5 – o grifo é meu) Querendo ser um “deus” o ser humano se acha onisciente, onipotente e onipresente. O Senhor Jesus em sua humildade tomou o caminho oposto do ser humano. Enquanto o ser humano procura constantemente ser um deus, o verdadeiro Deus quis ser homem e habitou entre nós, assumiu a forma humana com todas as suas fraquezas. Se você crê em suas obras e perseverança, aconselho-te que pare de tentar ser Deus. Assuma sua humanidade e fraqueza para receber a Cristo em seu coração.

___________________________________ BIBLIOGRAFIA 1. Manual de Teologia Sistemática (uma introdução aos princípios da fé cristã), Autor: Wayne Grudem, pgs. 237 e 238. Editado por Jeff Purswell, Editora Vida. 2. Livro Sem Barganhas de Caio Fabio, pgs. 69, 70. 3. Entrevista com o pastor Pastor Glênio Fonseca Paranaguá. www.testemunhos.vilabol.uol.com.br/Glenio_Paranagua.html - Data: 01/10/2009

Site:

4. Livro: É proibido - O que a Bíblia permite e a igreja proíbe – Autor: Ricardo Gondim - Editora Mundo Cristão, São Paulo, Capítulo 10 - Buscando a santificação. 5. Jornal Semeador (Pr. Glênio Fonseca Paranaguá). Site: www.batistalondrina.org

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6. Livro: É proibido - O que a Bíblia permite e a igreja proíbe – Autor: Ricardo Gondim - Editora Mundo Cristão, São Paulo, Terceira Parte: QUESTÕES HUMANAS OU PRINCÍPIOS DIVINOS? 9. A maravilhosa graça de Deus. 7. Bíblia Vida Nova, comentário de rodapé da página 49 (Novo Testamento) – comentário sobre Marcos 4:12. Editora Vida Nova, 17ª Edição, 1993. 8. Pastor Glênio Fonseca Paranaguá, Artigo: O Pecado Antes do pecado, www.igrejabatista.org 9. Idem nº 5. 10. Obra: Deus Predestinou uns para a Salvação e outros para a Perdição?, Autor: César Francisco Raymundo, Pg. 52 – Revista Cristã Última Chamada - Edição Especial nº 3. Site: www.revistacrista.org 11. Fator Melquisedeque. Site: www.wikipedia.org 12. Artigo: TODOS PECARAM, de Humberto Xavier Rodrigues, Data: 01/04/2002, Site: www.palavradacruz.com.br 13. MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia, autores Norman Geisler - Thomas Howe – (comentário sobre 2ª Tessalonicenses 1:9) - EDITORA MUNDO CRISTÃO - São Paulo. 14. A Bíblia Não Diz Que o Cristão é Obrigado a 'Pagar'' o Dízimo. Artigo do teólogo Paulo de Aragão Lins. Publicado 19/11/2008 15. Idem nº 14. 16. Idem nº 14. 17. Idem nº 14. 18. O Último Passo da Incredulidade. Autor: Norbert Lieth. Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, junho de 2000. Site: www.chamada.com.br 19. Idem nº 13 (comentário sobre 1ª Pedro 3:18, 19 e 20). 20. Idem nº 13 (comentário sobre 1ª Pedro 4:6). 21. Artigo: ABC da Fé – A Cota, autor: Pr. Glênio Fonseca Paranaguá, 01/11/2009. Site: www.palavradacruz.com.br

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- Capítulo 8 A Mal Entendida Blasfêmia Contra o Espírito Santo O Senhor Jesus falou a respeito de um pecado que não pode ser perdoado, do qual não adianta orar pelo pecador. Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas falam claramente a respeito desse pecado: “Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”. (Mateus 12:31, 32) “Em verdade vos digo: Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfêmias que proferirem; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno”. (Marcos 3:28, 29) “E a todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado”. (Lucas 12:10) Eis ai um pecado muito usado por alguns maus líderes religiosos para ameaçar as pessoas. Muitos se utilizam dessas palavras de Jesus para se blindar, para que ninguém questione sua unção e autoridade. Coitado deles! Outros se utilizam do pecado imperdoável para ameaçar os crentes e dizer que o crente pode cometer esse pecado e perder a salvação. Existem muitas pessoas sinceras que sentem pavor em pensar em ter cometido o pecado imperdoável. Há pessoas sinceras que muitas vezes acham que não prosperam ou que não recebem uma benção porque acreditam que pecaram contra o Espírito Santo. Coloquei o título de “A mal entendida blasfêmia contra o Espírito Santo”, porque nos arraiais evangélicos e católicos muitos não sabem que pecado é esse e alguns dizem que não é possível saber. Existem as mais variadas interpretações a respeito do que seria blasfemar contra o Espírito Santo. Uns afirmam que é o suicídio, homicídio, divórcio, drogas, pecados sexuais grosseiros, adultério etc. Ora, esse é um assunto que está muito claro na Bíblia. As igrejas reformadas e pentecostais tradicionais nunca tiveram problemas sobre o que seria blasfemar contra

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o Espírito Santo. Vejo que o problema em interpretar a respeito desse pecado imperdoável encontra-se com as igrejas neo-pentecostais (essas igrejinhas novas, fracas no ensino, muitas vezes pastoreadas por maus pastores é que fazem polêmicas a respeito do assunto). Antes de falar sobre o pecado imperdoável, coloquei abaixo o excelente estudo do Reverendo Hernandes Dias Lopes a respeito do que NÃO é blasfemar contra o Espírito Santo.

O Que NÃO é Blasfemar Contra o Espírito Santo 1. Incredulidade final = Billy Graham em seu livro ESPÍRITO SANTO diz que a blasfêmia contra o Espírito Santo é permanecer incrédulo até à morte. Contudo o contexto de Mateus 12 mostra que Jesus falava para os fariseus que não estavam na hora da morte - Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10. É verdade que quem morre na incredulidade está perdido, mas não é este o pecado chamado blasfêmia contra o Espírito Santo. 2. Rechaçar por um tempo a graça de Deus = Saulo de Tarso rechaçou (At 26.9; I Tm 1.13). Os irmãos de Jesus também rechaçaram (Mc 3.21; Jo 7.5). E eles foram salvos. [A Bíblia, no entanto, a Bíblia que é o livro do amor de Deus, ensina que Ele não em leva os tempos da ignorância (At 17.30), e o próprio apóstolo Paulo, que havia blasfemado contra o Espírito Santo foi salvo pela graça, pela misericórdia que não leva em conta esses tempos de desconhecimento da misericórdia, graça, amor e paz, desde que haja confissão e arrependimento: "a mim que outrora fui blasfemo e perseguidor e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade; e a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Cristo Jesus" (1Tm1.13).] 3. Negar a Cristo e a sua divindade = Pedro negou a Cristo. Paulo negava a divindade de Cristo. 4. Negar a divindade do Espírito Santo = Se assim fosse nenhum Testemunha de Jeová poderia se converter. 5. Entristecer o Espírito Santo = O crente não comete este pecado imperdoável, pois ele não pode perder a salvação. Davi entristeceu o Espírito Santo e era salvo.

O Que É O Pecado Imperdoável? Neste tópico coloquei a opinião do teólogo Louis Berkhof a respeito do pecado imperdoável, pois a mesma é uma radiografia real do que é esse pecado, veja: “Diversas passagens da Escritura falam de um pecado que não pode ser perdoado, após o qual é impossível a mudança do coração e pelo qual não é necessário orar. É geralmente conhecido como pecado ou blasfêmia contra o Espírito Santo. O Salvador fala explicitamente dele em Mt 12.31, 32 e passagens paralelas; e

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em geral se pensa que Hb 6.4-6; 10.26, 27 e 1 Jo 5.16 também se referem a esse pecado. a. Opiniões sem fundamento, a respeito desse pecado. Tem havido grande variedade de opinião sobre a natureza do pecado imperdoável. (1) Jerônimo e Crisóstomo consideravam-no um pecado que só podia ser cometido durante a estada de Cristo na terra, e sustentavam que ele foi cometido pelos que estavam convencidos em seus corações de que Cristo realizava os Seus milagres pelo poder do Espírito Santo, mas, a despeito da sua convicção, recusaram reconhecer esses milagres como tais e os atribuíram à operação de Satanás. Contudo, esta limitação é inteiramente destituída de fundamento, como as passagens de Hebreus e 1 João parecem provar. (2) Agostinho, os dogmáticos da Igreja Luterana, de linha de Melanchton, e uns poucos teólogos escoceses (Guthrie, Chalmers) entendiam que o pecado imperdoável consiste de impoenitentia finalis, isto é, impenitência obstinada até o fim. Um conceito relacionado com esse é o expresso por alguns nos dias atuais, de que consiste de incredulidade persistente, uma recusa até o fim a aceitar Jesus Cristo pela fé. Mas, supondo-se isso, seguir-se-ia que todos os que morreram num estado de impenitência e descrença cometeram esse pecado, enquanto que, segundo a Escritura, ele tem que ser uma coisa de natureza muito especifica. (3) Em relação com a sua negação da perseverança dos santos, os teólogos luteranos mais recentes ensinavam que somente as pessoas regeneradas poderiam cometer esse pecado, e procuravam apoio para essa idéia em Hb 6.4-6. Mas esta posição é antibíblica, e os Cânones de Dort rejeitam, entre outros, também o erro dos que ensinam que os regenerados podem cometer pecado contra o Espírito Santo. b. A concepção reformada (calvinista) desse pecado. O titulo “pecado contra o Espírito Santo” é demasiado geral, pois também há pecados contra o Espírito Santo que são perdoáveis, Ef. 4.30. A Bíblia fala mais especialmente de “falar contra o Espírito Santo”, Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10. Evidentemente, é um pecado cometido durante a presente vida, pecado que torna impossíveis a conversão e o perdão. O pecado consiste na rejeição e calúnia consciente, maldosa e voluntária, e isso contra as evidências e respectiva convicção do testemunho do Espírito Santo a respeito da graça de Deus em Cristo, atribuindo-o, por ódio ou inimizade, ao príncipe das trevas. Isto pressupõe, objetivamente, uma revelação da graça de Deus em Cristo, numa poderosa operação do Espírito Santo; e, subjetivamente, uma iluminação e convicção intelectual tão forte e poderosa que impossibilita uma franca negação da verdade. E, depois, o pecado mesmo consiste, não em duvidar da verdade, nem numa simples negação dela, mas sim numa contradição dela que vai contra a convicção da mente, a iluminação da consciência, e até mesmo contra o veredicto do coração. Ao cometer esse pecado, o homem atribui voluntária, maldosa e intencionalmente o que se reconhece claramente como obra de Deus à influência e operação de Satanás. Não é nada menos que uma difamação do Espírito Santo, uma audaciosa declaração de que

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o Espírito Santo é o espírito do abismo, que a verdade é mentira e que Cristo é Satanás. Não é tanto um pecado contra a pessoa do Espírito Santo, como contra a Sua obra oficial que consiste em revelar, tanto objetiva como subjetivamente, a graça e a gloria de Deus em Cristo. A raiz desse pecado é o consciente e deliberado ódio a Deus e a tudo quanto se reconhece como divino. É imperdoável, não porque a sua culpa transcende os méritos de Cristo, ou porque o pecador esteja fora do alcance do poder renovador do Espírito Santo, mas, sim porque há também no mundo de pecado certas leis e ordenanças estabelecidas por Deus e por Ele mantidas. E, no caso desse pecado particular, a lei é que ele exclui toda a possibilidade de arrependimento, cauteriza a consciência, endurece o pecador e, assim, torna imperdoável o pecado. Daí, nos que cometeram esse pecado podemos esperar ver um pronunciado ódio a Deus, uma atitude desafiadora para com Ele e para com tudo quanto é divino, um prazer em ridicularizar e difamar aquilo que é santo, e um desinteresse absoluto quanto ao bem-estar da alma e à vida futura. Em vista do fato de que esse pecado não é seguido pelo arrependimento, podemos estar razoavelmente seguros de que os que receiam havê-lo cometido e se preocupam com isso, e desejam as orações doutras pessoas por eles, não o cometeram. c. Observações sobre as passagens das epístolas que falam disto. Exceto nos evangelhos, esse pecado não é mencionado nominalmente na Bíblia. Assim, surge a questão, se as passagens de Hb 6.4-6; 10.26, 27, 29 e 1 Jo 5.16 também se referem a ele. Pois bem, é mais que evidente que elas falam de um pecado imperdoável; e porque Jesus diz em Mt 12.31, “por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada”, indicando com isso que só existe um pecado imperdoável, é simplesmente razoável pensar que essas passagens se referem ao mesmo pecado. Deve-se notar, porém, que Hebreus 6 fala de uma forma específica desse pecado, forma que só poderia ocorrer na era apostólica, quando o Espírito se revelava com dons e poderes extraordinários. O fato de que nem sempre se teve isto em mente, muitas vezes levou à errônea opinião de que esta passagem, com as suas expressões desusadamente fortes, refere-se a pessoas que de fato foram regeneradas pelo Espírito de Deus. Mas, embora Hb 6.4-6 fale de experiências que transcendem as da fé temporal e comum, não atestam necessariamente a presença da graça regeneradora no coração”. 1 Em resumo, a idéia exposta nas páginas anteriores sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo, nos mostra com clareza inequívoca o que seria blasfemar contra o Espírito. Portanto, como disse o reformador Calvino, a blasfêmia contra o Espírito Santo é uma espécie de apostasia total. Tal pecado é a descrença, é não aceitar o perdão de Deus, é o último estágio de uma alma incrédula. Não é um ato ou uma palavra, mas sim uma atitude plenamente consciente da qual a pessoa nem se arrepende. Por ser assim, caso você tenha blasfemado contra o Espírito, quer por piadas, palavras, mas sente tristeza e gostaria de ter o perdão, é sinal de que você não cometeu aquele pecado que é “uma coisa de natureza muito especifica” como disse Berckof. Ou seja, você cometeu um pecado cuja natureza não é muito especifica, um pecado cuja natureza faz parte daquele “tudo será perdoado”. São pecados em que

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havendo arrependimento não eliminam totalmente a chance de perdão e arrependimento. Já a blasfêmia contra o Espírito Santo é AQUELE PECADO de natureza muito especifica, a forma de cometê-lo traz endurecimento ao coração e elimina o arrependimento por parte do pecador. Portanto, como disse Robert H. Mounce: “...a descrença é imperdoável. O único pecado que Deus não pode perdoar é a recusa do perdão. Então, o pecado imperdoável é o estado de insensibilidade moral causada pela contínua recusa em crer no poder de Deus”.2 A Bíblia de Estudo Scofield, pág. 964 acrescenta: “Qualquer que esteja preocupado com sua rejeição de Cristo, obviamente não cometeu este “pecado imperdoável”. Porque este pecado elimina uma consciência preocupada com qualquer tipo de pecado”3. Em seu comentário sobre Marcos 3:28, 29, Dewey M. Mulholland ensina: “O que então constitui o pecado imperdoável? Jesus encarna o perdão de Deus [cf. Marcos 2:17; 10.45]. Logo, quem persiste em resistir e desprezar a oferta do perdão de Deus em Jesus é excluído do perdão. "Aceitar Jesus é ser aceito (perdoado) por Deus. Rejeitá-lo é, também, rejeitar a Deus (e seu perdão)." Os escribas estão fazendo exatamente isto: estão rejeitando a Jesus, e a Deus que o ungiu, quando insistem em que a autoridade de Jesus vem de Satanás e não de Deus (cf. Is 5.20). Essa rejeição é "a única limitação ao ilimitado perdão de pecados de Deus". As palavras de Jesus são endereçadas a pessoas cuja repetida acusação contra ele é produto de muita reflexão. Sua consciente e deliberada intransigência evoca a advertência dura de Jesus. Por outro lado, o perdão está disponível para uma pessoa que se volta contra Deus num momento de angústia. As dúvidas que vêm de uma indagação honesta também podem ser perdoadas (cf. Is 1.18). O medo excruciante de pensar ter cometido um pecado imperdoável é, por si só, evidência de que tal pessoa não o cometeu”.4 Talvez, o leitor, devido a angústia por ter pecado ou achar que pecou contra o Espírito Santo não consiga crer no que estou dizendo. Isto se vem do fato de que você está preso a somente um versículo bíblico. Se nos prendermos ao único versículo que diz: “E a todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado”, jamais poderemos fazer um estudo decisivo e completo sobre o assunto. É a velha história de se prender a um versículo fora de contexto para arranjar um pretexto. O leitor deve levar em consideração que o versículo em questão sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo, também possui versículos antes e depois. Esse contexto deve ser analisado para não se chegar a falsas conclusões. Se analisarmos somente o único versículo que diz sobre a blasfêmia contra o Espírito, ficaremos sem algumas respostas. Por exemplo: 1º - O versículo por si só não diz a respeito de quem comete a blasfêmia contra o Espírito por ignorância; 2º - Uma vez que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus, o versículo não diz o porque que é só contra o Espírito Santo que não se tem o perdão;

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3º - Também não temos a resposta se a blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão porque é uma ofensa grande demais que Deus não possa perdoar, ou se é porque supera os méritos de Cristo na cruz, ou ainda, se tal pecado vai além da infinita graça e misericórdia de Deus. Algumas perguntas podem ser feitas: “Poderia um pecado feito por uma pessoa finita superar a capacidade de um Deus infinito? Foi através dessas e de muitas outras perguntas e estudos profundos que os teólogos desde a era apostolica têm estudado às Escrituras. Se depois de todo este estudo você ainda se encontra angustiado com o tema “blasfêmia contra o Espírito Santo”, sugiro que procure um médico psiquiatra para que lhe receite uma medicação, pois você precisa acalmar sua mente para poder pensar lucidamente. Se você tivesse realmente blasfemado contra o Espírito Santo você estaria nessa situação, veja: “Isto, portanto, digo, e no Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza de seus corações, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza”. (Efésios 4:17 a 19) “...porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. (Romanos 1:21) “Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia...” (Romanos 1:24). “E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm...” (Romanos 1:28). “...e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça”. (2ª Tessalonicenses 2:10 a 12) O que faz com que às pessoas temam ter cometido esse pecado? É por não saberem o porquê da blasfêmia contra o Espírito Santo ser imperdoável. O teólogo Wayne Grudem define muito bem esse assunto: “Por que esse pecado é considerado imperdoável? Em tal caso, a dureza de coração seria tão grande que quaisquer meios ordinários de trazer o pecador ao arrependimento já teriam sido rejeitados. Em tal caso, a persuasão da verdade não ocorreria, porque essas pessoas já haviam conhecido a verdade e a tinham rejeitado deliberadamente. Uma demonstração do poder do Espírito Santo de curar ou de trazer vida não iria funcionar, porque eles já a tinham visto e a rejeitaram. Isso não significa que esse pecado em si mesmo seja tão horrível que não possa ser coberto pela obra redentora de Cristo, mas, ao contrário, que o coração endurecido do pecador o coloca além do alcance dos meios

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ordinários que Deus usa para trazer perdão por meio do arrependimento e da confiança em Cristo para a salvação. O pecado é imperdoável porque alija o pecador do arrependimento e da fé salvadora mediante a crença na verdade”.5 Ao comentar a respeito do pecado imperdoável Adolf Pohl escreveu: “...portanto, ouvimos que Deus agora quer perdoar tudo, os pecados que as pessoas cometem umas contra as outras, mas também as blasfêmias que proferirem contra a honra e o poder de Deus. Não devemos deixar nada de fora. O monte mais alto da maldade é sobrepujado pelo cume da graça (Rm 5.20b). Pelo sofrimento de Cristo, o mundo, sem colaborar e sem querer, teve empurrado para debaixo dos pés o chão firme da reconciliação (cf 2Co 5.19). Todo aquele que, então e agora, recebe seu chamado, é candidato a maravilhosas novidades da parte de Deus. [O] Espírito Santo [...] é o próprio Deus que se voltou para nós, aproximou-se e perdoa, é o reinado de Deus em ação [...]. Abre-se para nós um campo de visão e de poder totalmente novo. O Espírito Santo carrega Deus e Cristo para o meio da nossa existência, penetra em nosso espírito, consciência e mente como um dedo pontiagudo (Lc 11.20), cria uma possibilidade real de querer e fazer a vontade de Deus (v 35; cf Fp 2.13). Depois de toda teoria e anseio, toda abstração do além e toda hipocrisia do aquém, o Espírito Santo está presente como aquele que torna tudo realidade. Exatamente esta situação pode tornar uma pessoa impura. Em um momento em que poderia crer, na verdade só crer, ela faz o impossível e não crê, antes torna-se um agitador anti-cristão. Neste caso o perdão claramente não é desejado, mas combatido ativamente. O perdão, porém, precisa ser desejado. Graça que fosse lançada sobre nós como o reboco na parede não seria graça. Portanto, este versículo no fundo não restringe a exclamação antecedente, apenas a protege de ser esvaziada. O perdão seria vazio se fosse roubado do seu caráter gratuito e nos sobreviesse como com naturalidade tediosa, sem arrependimento, súplica, gratidão e vida na nova família de Deus. No Espírito Santo, portanto, a graça continua sendo graça. Por esta razão, este Espírito também é o hóspede mais importante que se pode imaginar. Ele não entra em nenhum aposento sem bater, e reage ao apelo mais imperceptível de anseio assim como ao endurecimento oculto do coração. Disto resultam as advertências do NT contra "entristecer" ou "apagar" (Ef 4.30; 1Ts 5.19) e, aqui, contra o caso extremo de "blasfemar" contra o Espírito, é surpreendente como a Bíblia anima à confiança no perdão dos pecados, sem incentivar que se peque. Nosso versículo está a serviço desta ressalva”.6

Sim! Há Perdão para o Pecado Consciente Ao ser indagado se pecado consciente tem perdão, José Adelson de Noronha deu uma excelente resposta: “Filha, há somente um tipo de pecado que não tem perdão: é o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo. Esse pecado é imperdoável exatamente porque o pecador não consegue se arrepender e, portanto, não pede o perdão.

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O pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo é cometido somente por aquela pessoa que, tendo plena consciência a respeito do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário a seu favor, não só o rejeita, mas ainda amaldiçoa e deliberadamente, conscientemente, abandona e parte para a prática de heresias contrárias à vontade de Deus. O Espírito Santo já a convenceu do pecado, mas ela decidiu apostatar da fé. Para esse pecado não há perdão, pois a pessoa não mais conseguirá ser convencida de pecado novamente, não conseguirá mais se arrepender e assim ser perdoada. Todos os demais pecados, mesmo aqueles cometidos conscientemente, podem ser perdoados, desde que haja o arrependimento por parte da pessoa. O apóstolo João escreveu para a Igreja, para os convertidos: Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1:8,9). Porém, é preciso muito cuidado! O pecado consciente é um perigo para o cristão, para o crente, pois na repetição, ele pode vir a ficar com a consciência endurecida e aí não haver mais o arrependimento. Que o Senhor te abençoe com uma vida plena do Espírito Santo. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26:41)” Esse teólogo respondeu muito bem. Não seria necessário este tópico, mas devido a forte e má influência dos líderes religiosos sobre a vida das pessoas, resolvi dedicar este tópico ao pecado consciente. De onde surgiu a idéia de que pecado consciente não têm perdão? O que é pecado consciente? Pecado consciente é todo pecado cometido com plena consciência do ato em si. A pessoa sabe que está errando, entristecendo o Espírito Santo. Em outras palavras, todos nós pecamos conscientemente, todos nós conhecemos nossos erros e pecados. Em seu livro Como Jesus Tratava as Pessoas, Morris Venden escreveu algo de grande proveito a respeito de pecar conscientemente: “A Escritura nos ensina como Jesus trata os pecadores constantes – que sabem que estão pecando e continuam pecando. Como Jesus trata discípulos culpados de pecados conscientes? Ele fez Sua clássica declaração em S. Mateus 12:31: "Todo pecado. . . será perdoado aos homens." Não é isso uma boa nova? E se todo tipo de pecado for perdoado, então isso teria que incluir pecado consciente, pecado persistente, pecado habitual. Isso incluiria perdão dos piores pecados tais como orgulho, bem como outros pecados tais como assassinato e adultério, e tudo que você queira mencionar. Jesus ofereceu perdão para todos os pecados e continuou a caminhar com os discípulos ao eles aprenderem o que Ele estava tentando ensinar-lhes. Poderia ser fácil concluir que talvez pecar, afinal, não seja tão mau. Talvez pecar não seja grande coisa. Talvez obediência e vitória não sejam necessárias ou nem mesmo possíveis. Mas precisamos relembrar o que Jesus disse a Maria quando ela foi arrastada até Ele. Ele disse: "Eu não te condeno." Isto é uma boa nova.

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Mas Ele não parou aí. O que mais disse Ele? Ele disse: "Vai e não peques mais." Isso é igualmente uma boa nova. Deus ama os pecadores, isto é verdade. Mas Ele odeia o pecado. Ele provê poder para vencer o pecado. Ele provê poder para obedecer – poder para ser vitorioso. Ele também tem provido perdão para cristãos em crescimento, fracos, imaturos – e Ele continua a caminhar com eles. O poder está disponível para ir e não pecar mais. Mas é a aceitação e amor de Jesus, o contínuo relacionamento com Ele, que nos traz esse poder de ir e não pecar mais. Essa é a razão por que é absolutamente necessário que qualquer pecador constante seja apto a contar com a aceitável presença de Jesus enquanto ainda está aprendendo como experimentar o poder que está disponível. A única pessoa que cresce além de seus erros é aquela que sabe que é amada e aceita mesmo enquanto erra. Isso dá permissão para pecar? Não! É exatamente esse relacionamento com Jesus que leva à vitória”.7 A idéia de que pecado consciente não tem perdão vem de uma má interpretação de Hebreus 10:26 que diz: “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”. Se considerarmos esse versículo fora de contexto, isoladamente, nenhum de nós terá esperança de ir para o céu. Já vimos que este versículo refere-se ao pecado da apostasia. Toda vez que a Bíblia é interpretada com textos fora de contexto, arranja-se pretextos para ensinar falsas doutrinas. Outro texto mal interpretado fora de contexto é Números 15:30 que diz: “Mas a pessoa que fizer alguma coisa atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria ao Senhor: tal pessoa será eliminada do meio do seu povo, pois desprezou a palavra do Senhor, e violou o seu mandamento: será eliminada essa pessoa, e a sua iniquidade será sobre ela.” Já vimos nos tópicos anteriores que esse versículo nos mostra que o único meio de não alcançar o perdão dos pecados no Antigo Testamento era rejeitando a Lei de Moisés. Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia só pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Este era o pecado da descrença. O que na época da Lei era uma rejeição da Lei de Moisés e uma blasfêmia contra Jeová, nos tempos da graça numa situação pior, é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Tanto o pecado descrito em Números 15:30 como o descritos Mateus 12:31, 32; Marcos 3:28, 29; Lucas 12:10 são iguais na forma de se cometer. Matthew Henry define muito bem esse pecado descrito em Números 15:30: “Reconhecem-se como pecadores com soberba aos que pecam deliberadamente contra a vontade e a glória de Deus. Os pecados assim cometidos são excessivamente pecaminosos. O que assim transgride o mandamento, repreende ao Senhor e também despreza a palavra do Senhor. Os pecadores soberbos a desprezam pensando que são demasiado grandes, demasiado bons, e demasiado sábios para serem governados por ela”.8 O pecador soberbo que rejeita o perdão e a graça de Deus é muito bem descrito em Deuteronômio 29:18 a 20: “para que entre vós não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo, cujo coração hoje se desvie do Senhor nosso Deus, e vá servir

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aos deuses dessas nações; para que entre vós não haja raiz que produza veneno e fel, e aconteça que alguém, ouvindo as palavras deste juramento, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração para acrescentar à sede a bebedeira. O Senhor não lhe quererá perdoar, pelo contrário fumegará contra esse homem a ira do Senhor, e o seu zelo, e toda maldição escrita neste livro pousará sobre ele, e o Senhor lhe apagará o nome de debaixo do céu”. (o grifo é meu) Observe que interessante: “Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração”. É este pecado o mesmo descrito em Números 15:30. Em resumo, tal pecado é o mesmo na forma em que é cometido a blasfêmia contra o Espírito Santo. É o pecado da descrença, o não aceitar o perdão de Deus, a apostasia total e definitiva. Como podemos ver, a graça de Deus é infinita, nenhum pecado pode superar seu poder de perdoar, nenhum pecado pode superar a grandeza de Sua misericórdia, nenhum pecado pode superar os méritos de Cristo. Deus, sendo infinito, não pode ser superado pelo que é finito. Somente nós é que podemos fechar para nós mesmos o caminho da graça. Se você está vivendo um período difícil e angustiante por causa de seus pecados, uma coisa é certa: se você ainda sente o desejo de procurar ajuda, e sente angústia pelo pecado, então certamente o Espírito Santo ainda está agindo em sua vida, e este é um passo para a vitória. _________________________ BIBLIOGRAFIA 1. Teologia Sistemática, Louis Berkhof, Título do original em Inglês Systematic Theology, 1990 – Direitos reservados pelo autor. Publicado com a devida autorização por Luz Para o Caminho, Caixa postal 130, CEP 13001-970, Campinas, São Paulo, Brasil. 2. Robert H. Mounce, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, pag. 129. 3. Bíblia de Estudo Scofield, pag. 964. 4. Marcos, Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Autor: Dewey M. Mulholland – Editora: Vida Nova – (comentário de Marcos 3:28, 29). 5. Manual de Teologia Sistemática (uma introdução aos princípios da fé cristã), Autor: Wayne Grudem, pg. 242. Editado por Jeff Purswell, Editora Vida. 6. O Evangelho de Marcos - Comentário Esperança – Autor: Adolf Pohl; Editora Evangélica Esperança (Pgs. 119 e 120) 7. Como Jesus Tratava as Pessoas, Autor: Morris Venden - Título do Original em inglês: How Jesus Treated People. 8. Comentário Bíblico do Antigo Testamento – Vol. 1 (Gênesis a Neemias), Matthew Henry – Editora CPAD.

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- Capítulo 9 Confissões de Fé A única regra de fé e pratica do cristão é a Bíblia. Nenhum outro livro, catecismos e confissões de fé podem substituir ou estar acima do que está escrito na Bíblia. Neste capítulo resolvi colocar o texto de duas famosas confissões de fé: a confissão de fé de Westminster e a confissão de fé Batista de Londres. Decidi colocar os textos dessas confissões de fé porque acredito ser sua leitura de muito proveito a respeito da segurança eterna do cristão.

A Confissão de Fé de Westminster A Confissão de Fé de Westminster foi redigida por determinação do parlamento inglês. Essa confissão de fé calvinista é usada pela igreja Presbiteriana. Coloquei neste capítulo a parte da Confissão de Fé de Westminster que fala a respeito da Perseverança dos Santos e da Providência Divina. Estes dois temas nos ajudarão a ampliar melhor o entendimento sobre a questão da salvação eterna do cristão e o trato de Deus para com os seus filhos.

Da Perseverança dos Santos1 A Confissão de Fé de Westminster trata da perseverança dos santos nos seguintes termos: I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos. Referências bíblicas: Filipenses 1:6; João 10:28-29; 1ª Pedro 1:5, 9. II. Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles, mas da imutabilidade do decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da

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semente de Deus neles e da natureza do pacto da graça; de todas estas cousas vêm a sua certeza e infalibilidade. Referências bíblicas: 2ª Timóteo 2:19; Jeremias 31:3; João 17:11, 24; Hebreus 7:25; Lucas 22:32; Romanos 8:33, 34, 38-39; João 14:16-17; 1ª João 2:27 e 3:9; Jeremias 32:40; 2ª Tessalonicenses 3:3; 1ª João 2:19; João 10:28. III. Eles, porém, pelas tentações de Satanás e do mundo, pela força da corrupção neles restante e pela negligência dos meios de preservação, podem cair em graves pecados e por algum tempo continuar neles; incorrem assim no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Espírito e de algum modo vêm a ser privados das suas graças e confortos; têm os seus corações endurecidos e as suas consciências feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos temporais. Referências bíblicas: Salmos 51:14; Mateus 26:70-74; 2º Samuel 12:9, 13; Isaías 64:7, 9; 2º Samuel 11:27; Efésios 6:30; Salmos 51:8, 10, 12; Apocalipse 2:4; Isaías 63:17; Marcos 6:52; Salmos 32:3-4; 2º Samuel 12:14; Salmos 89:31-32; 2º Coríntios 11:32.

Da Providência 2 A Providência Divina é a suprema sabedoria com que Deus conduz todas as coisas. A Confissão de Fé de Westminster nos mostra muito bem como Deus conduz seus filhos através da providência, a fim de que eles sejam mais santos e justos: V. O mui sábio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa por algum tempo seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção dos seus próprios corações, para castigálos pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e dolo dos seus corações, a fim de que eles sejam humilhados; para animá-los a dependerem mais íntima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecar, para vários outros fins justos e santos. Referências bíblicas: 2º Crônicas 32:25-26, 31; 2º Samuel 24:1, 25; Lucas 22:31-32; 2º Coríntios 12:7-9.

A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 3 A Perseverança dos Santos 1. Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e receberam a fé preciosa (que é dos seus eleitos), esses não podem decair totalmente nem definitivamente do estado de graça. Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos, tendo em vista que os dons e a vocação

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de Deus são irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, a alegria, a esperança e todas as graças que conduzem à imortalidade.1 Ainda que muitas tormentas e dilúvios se levantem e se dêem contra eles, jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que estão firmados, pela fé. Não obstante, a visão perceptível da luz e do amor de Deus pode, para eles, cobrirse de nuvens e ficar obscurecida, 2 por algum tempo, por causa da incredulidade e das tentações de Satanás. Mesmo assim, Deus continua sendo o mesmo,3 e eles serão guardados pelo poder de Deus, com toda certeza, até a salvação final, quando entrarão no gozo da possessão que lhes foi comprada; pois eles estão gravadas nas palmas das mãos de seu Senhor, e os seus nomes estão escritos no Livro da Vida, desde toda eternidade. Referências bíblicas: 1 – João 10.28,29; Filipenses 1.6; 2ª Timóteo 2.19; 1ª João 2.19; 2 – Salmos 89.31,32; 1ª Coríntios 11.32; 3 – Malaquias 3.6. 2. Esta perseverança não depende de um livre-arbítrio da parte dos santos; mas, sim, decorre da imutabilidade do decreto da eleição,4 fluindo do amor gratuito e inalterável de Deus Pai, sobre a eficácia do mérito e da intercessão de Jesus Cristo; da união com Ele;5 do juramento de Deus;6 da habitação de seu Espírito e da semente de Deus dentro neles;7 da natureza do pacto da graça.8 De tudo isso decorrem também a certeza e a infalibilidade da perseverança dos santos. Referências bíblicas: 4 – Romanos 8.30; Romanos 9.11,16; 5 – Romanos 5.9,10; João 14.19; 6 – Hebreus 6.17,18; 7 – 1ª João 3.9; 8 – Jeremias 32.40; 3. Levados pela tentação de Satanás e do mundo, pela prevalência da corrupção que ainda permanece dentro deles, ou pela negligência aos meios para a sua própria preservação, os santos podem incorrer em tristes pecados, e continuar em tais pecados, por algum tempo.9 Desse modo, eles caem em desagrado perante Deus e entristecem o seu Santo Espírito;10 vêm-se privados de bênçãos e confortos;11 têm os seus corações endurecidos e ferida a consciência;12 ofendem e escandalizam outras pessoas; e fazem vir sobre si mesmos os juízos de Deus, ainda neste mundo.13 Não obstante, eles renovarão o seu arrependimento, e serão preservados através da fé em Cristo Jesus, até o fim.14 Referências bíblicas: 9 – Mateus 26.70,72,74;

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10 – Isaías 64.5,9; Efésios 4.30; 11 – Salmos 51.10,12; 12 – Salmos 32.3,4; 13 – 2º Samuel 12.14 14 – Lucas 22.32,61,62;

__________________________________ BIBLIOGRAFIA

1. Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana, pg. 32, 33 – 9ª Edição, 1986 – Casa Editora Presbiteriana – Cambuci – São Paulo. 2. Idem nº 1, pg. 12. 3. A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689 – Capítulo 17, fonte: site monergismo www.monergismo.com/textos/credos/1689.htm

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Conclusão

Qual seria o problema de não crer na salvação eterna do cristão? O problema não está na questão de crer que o cristão perde ou não a salvação. O problema está no porquê se crê ou não. Na maioria das vezes se crê que a salvação se perde, porque a pessoa não tem conhecimento sobre o assunto. Outros é porque acreditam que têm parte em sua salvação, dando uma ajudinha para Deus. Isto sem dúvida é salvação pelas obras e a pessoa deve refletir se ela realmente está crendo na graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Não é difícil crer na Salvação Eterna do Cristão. Como podemos observar, tudo o que foi dito neste livro está inteiramente baseado nas Escrituras Sagradas, com textos bíblicos dentro de seus respectivos contextos. Toda a informação contida neste livro foi profundamente pesquisada histórica e biblicamente. Pesquisei também o que outros cristãos pensaram sobre o assunto. Nenhuma palavra escrita aqui sobre a salvação eterna do cristão foi inventada. Pelo contrário, esta doutrina vem desde a era apostólica e foi ensinada também pelos reformadores da igreja no período da reforma protestante. Quero que fique bem claro também que não defendo e nem pertenço a nenhuma igreja. Creio que o assunto salvação tem que estar muito acima do catolicismo, protestatismo e de qualquer outra religião. O pastor, padre, guru ou sacerdote que se recusa crer na salvação eterna do cristão, não tem confiança na soberania de Deus. Tais líderes religiosos crêem em seu méritos próprios ou têm medo de perder o domínio sobre seus rebanhos. E não existe coisa melhor neste mundo do que manipular usando como ameaça a perda da salvação. Alguns irão aceitar tudo o que foi dito aqui, mas não poderão ensinar por causa da tradição de suas respectivas igrejas e religiões. Infelizmente, existem no meio religioso, ensinamentos que são transmitidos há muito, repetidos por gerações, recebidos por intensa tradição, os quais jamais foram analisados com o cuidado necessário, à luz da Bíblia. É triste ver que a tradição religiosa tem substituído o texto sagrado em muitas doutrinas, inclusive a salvação eterna. Muitos mestres da religião, com medo de se expor, preferem repetir o que outros mais “importantes” falaram. Faço agora uma pergunta ao leitor: “Com relação a salvação eterna, você crê mais na Bíblia ou nos ensinamentos de sua religião?” Se a resposta for que você crê mais nos ensinamentos de sua religião, no que seus pais te ensinaram, não tenho mais nada a te dizer. Mas, muitos, surpresos, poderão responder: “Por acaso, minha religião ensina algo que não é ensinado pela Bíblia?” Poderá parecer quase impossível, mas vou lhe

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dizer: todas as religiões e denominações existentes ensinam muitas coisas que não se encontram na Palavra de Deus. São doutrinas e práticas que foram herdadas da igreja católica, que por sua vez herdou dos mitos e narrativas do paganismo. Se até antes de ler este livro você não tinha certeza de seu destino após a morte, é porque você ainda não havia conhecido o que a Bíblia diz a respeito da salvação eterna. Pergunto novamente: “Você crê mais na Bíblia ou nos ensinamentos da religião com relação a salvação eterna? Para não perder sua posição privilegiada na igreja, você prefere ensinar a mentira ou, simplesmente, esconder a verdade, concordando com o erro, porque isto não vai lhe "queimar" perante os outros? Caro leitor (a), aprenda a ler a Bíblia com mais atenção e, o que é melhor, com mais respeito. Livre-se das tradições e autoridades humanas e aprenda com a Bíblia somente. O importante nisso tudo, é que aquelas pessoas angustiadas, que estão cansadas de levarem jugo que seus líderes colocaram sobre elas, quero sim, que através da leitura desta pequena obra elas possam encontrar o descanso para suas almas cansadas. Para resumir podemos crer que: 1.

Somos filhos de Deus;

2.

Somos predestinados, eleitos e amados por Deus desde a fundação do mundo;

3.

Somos raça eleita, sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva de Deus;

4.

Somos salvos sempre salvos pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo;

5.

O processo de salvação é obra e Soberania absoluta de Deus, por isso, não podemos perdê-la;

6.

Somos santos para sempre do Senhor;

7.

Somos guardados dia após dia do poder do pecado, das ciladas do diabo, da carne e do mundo;

8.

Não podemos retroceder para a perdição, pois somos da fé para a conservação da alma;

9.

O Senhor é poderoso para guardar nosso depósito até a Sua Vinda;

10. Estamos sempre preparados para a Vinda do Senhor. Creia na Palavra de Deus e viva nesta confiança, pois você é amado de Deus cheio do poder do Espírito Santo. Que a partir de agora o leitor aprenda a viver em graça crendo na sua posição em Cristo, sabendo que é mais que vencedor por meio de Cristo que nos amou. Espero também que o leitor seja abençoado (a) e creia que a salvação está garantida e ganha, não somente a salvação, mas a vida como um santo no meio desta geração perversa. “Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o Senhor, que se compadece de ti”. (Isaías 54:10)

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Biografia do Autor

Nascido em 2 de maio de 1.976, o autor desta obra se encontrou com Jesus aos treze anos de idade. Como autodidata estudou Escatologia, Básico do Grego do Novo Testamento, Doutrinas Bíblicas, Discipulado Básico, Como Fazer Discípulos, Seitas, História da Igreja Cristã, Arqueologia Bíblica, Heresiologia e muitas outras matérias relacionadas com às Escrituras Sagradas. Escreveu o livreto Salvação Não Se Perde... É Eterna!!! volume 1, 2 e 3, editou a obra Como Descobrir a Verdade Sobre Religião e Não Ser Mais Enganado, sendo esta uma edição especial da Revista Cristã Última Chamada também de sua autoria. ..................................

Para mais informações, críticas, dúvidas fale direto com o autor pelo email ou site:

E-mail: ultimachamada@bol.com.br Site: www.revistacrista.org ................................ A menos que haja outra indicação, as traduções da Bíblia aqui usada são: ARA – Almeida Revista e Atualizada no Brasil – Sociedade Bíblica do Brasil. BV – Bíblia Vida – Editora Mundo Cristão. ARC – Almeida Corrigida Fiel. ARC – Almeida Revista e Corrigida. NTLH – Nova Tradução na Linguagem e Hoje.

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Outras Obras para Pesquisa O assunto salvação eterna é extenso. Este livro não pretende esgotar o assunto. Há muito o que se aprender sobre a salvação eterna do cristão. Por isto, coloco abaixo algumas obras e site para que o leitor possa consultar e aprender mais sobre a salvação.

Será que o Crente pode perder a Salvação? Autor Aníbal Pereira dos Reis Descrição Este é o vigésimo nono livro de autoria do Dr. Aníbal que dignifica qualquer biblioteca, não só pelo seu conteúdo, mas também pelo nome de seu autor. Solicitamos ao leitor esquadrinhar estas páginas a convite do Espírito Santo, com a mente disponível e o coração receptivo perante os textos sagrados da Palavra de Deus transcritos e examinados pelo autor, que as escreveu com alegria transbordante usufruida da salvação eterna. 340 páginas.... 15 cm X 21 cm Edições Cristãs Edições Cristãs Editora Ltda.

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Site: www.palavradacruz.com.br VISÃO Conhecer a Cristo crucificado e torná-lo conhecido, em todo lugar, por meio da graça. PROPÓSITOS Fazer todas as coisas sob o governo do Senhor, com o objetivo de glorificar ao Pai, acima de tudo e de todos. Edificar os membros do corpo de Cristo através dos princípios do evangelho da graça, revelados pelas Escrituras. Desenvolver a maturidade dos santos, equipando-os para os ministérios, a fim de propagar o Reino de Deus na terra. Proclamar e comunicar a mensagem do evangelho da morte e ressurreição de Jesus Cristo, para alcançar, pela fé na palavra de Deus, o maior número de pessoas, que, pela graça, creiam em sua morte e ressurreição com Cristo. E que todas as coisas sejam feitas com fidelidade, alegria e singeleza de coração. A glória de Deus acima de tudo e de todos. A edificação do corpo de Cristo para uma vida amadurecida e frutífera.A propagação do Reino de Deus por meio do evangelho de Jesus Cristo.O cumprimento da missão com fidelidade, alegria e singeleza de coração. MÉTODO E. M. Bounds dizia que: “Deus usa homens e os homens usam métodos”. Precisamos desenvolver, sob a gestão do Espírito Santo, com diligência e serenidade os procedimentos adequados e atualizados que possam ajudar no cumprimento deste Propósito, sob o foco da Visão que Deus nos tem dado, como igreja.

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O DNA de nossa igreja, nestes últimos anos, tem sido a pregação do evangelho de Cristo crucificado, envolvendo a confissão de nossa morte e ressurreição juntamente com Cristo. Não podemos perder de vista esta mensagem, por isso, todo o processo de realização ministerial tem que ressaltar o alvo da igreja. Nenhum departamento ou atividade da igreja tem autonomia de fazer seus programas distanciando-se deste enfoque. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Todos os vossos atos sejam feitos com amor. 1 Coríntios 2:2, 1:22-24, 10:31e 16:14. Glenio Fonseca Paranaguá.

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Site: www.monergismo.com O que é monergismo? Monergismo (regeneração monergística) é uma benção redentora adquirida por Cristo para aqueles que o Pai lhe deu (1Pe 1.3; Jo 6.37-39). Ela comunica aquele poder na alma caída pela qual a pessoa que deve ser salva é eficazmente capacitada a responder ao chamado do evangelho (Jo 1.13). Ela é aquele poder sobrenatural de Deus somente pelo qual nos é concedida a capacidade espiritual para cumprir as condições do pacto da graça; isto é, para apreender o Redentor por uma fé viva, para se achegar aos termos da salvação, se arrepender dos ídolos e amar a Deus e o Mediador supremamente. O Espírito Santo, ao vivificar a alma, misericordiosamente capacita e inclina o eleito de Deus ao exercício espiritual da fé em Jesus Cristo. Este processo é o meio pelo qual o Espírito nos traz à viva união com Ele.

_________________________________________ Impressão e Acabamento César – e-mail: ultimachamada@bol.com.br

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Salvação não se perde...É Eterna!!!