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PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA ARQUITETURA E AGRONOMIA DE GOIÁS

ANO IV - Nº 12 / DEZEMBRO 2010


Editorial

Para entrar na história Assim pode ser definido 2010, como um ano para entrar na história do Crea-GO. Trabalhamos intensamente e agora podemos comemorar as inúmeras conquistas alcançadas. Afinal, todas as metas traçadas para este ano foram concretizadas. Melhorias no sistema de Tecnologia da Informação, a implantação do GesPública e do Programa Crea Júnior, a aquisição de equipamentos para as inspetorias, a reforma da sede de Goiânia (iniciada em 2010 e com término previsto para 2011), a aquisição de veículos e a regionalização do Crea-GO são algumas das tarefas realizadas com êxito neste período. Aliás, sobre a regionalização, nos alegra dizer que as metas traçadas para este projeto não foram somente alcançadas, mas superadas. A ideia era fazer nove pólos regionais com quatro ou cinco inspetorias sob sua jurisdição, mas as 47 inspetorias têm sido tratadas de modo semelhante, realizando os mesmos serviços, com atendimento digital ao público, o que significa um avanço para a agilidade dos processos e um basta à burocracia. Em 2011, nossas ações continuam. A promoção de treinamento à distância e a

instalação da TV Crea-GO via internet são exemplos dessas ações. O grande desafio, entretanto, será a construção das sedes próprias para as inspetorias do interior, que hoje funcionam em espaços locados. Algumas delas já tiveram o processo iniciado, com liberação de documentação para o início das obras. Nesta edição, você poderá acompanhar e entender melhor como funcionam algumas das conquistas já citadas, como o Crea Júnior, o GesPública, a reforma da sede de Goiânia e o processo de regionalização dos Creas. Também acompanhará reportagens e notas sobre assuntos que deverão movimentar o ano vindouro, tais como a Resolução 1025, projetos de lei que darão o que falar e artigos e entrevistas que abordam temas do cotidiano dos profissionais da área tecnológica. Para finalizar, preparamos uma cobertura completa do Prêmio Crea de Meio Ambiente 2010, com os projetos vencedores e as personalidades que marcaram presença no evento. Pelas vitórias e pelos desafios é que estamos otimistas em relação ao ano que se inicia. Desejamos a todos um 2011 repleto de realizações, saúde e paz e, claro, um Feliz Natal!

Eng. Civil Gerson de Almeida Taguatinga Presidente do Crea-GO

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índice CAPA Programa de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais prevê a preservação do patrimônio público. Segurança do usuário também é ponto forte do Anteprojeto de Lei proposto pelo Crea-RS, que poderá servir de modelo para projeto nacional de inspeção de obras de infraestrutura. 16

GesPública Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização já está em processo avançado de implementação no Conselho. O GesPública utiliza seis ferramentas, duas delas já aplicadas à gestão da entidade: o Instrumento Padrão de Pesquisa e Satisfação (IPPS) e a Autoavaliação.

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Prêmio Crea A nona edição do Prêmio Crea de Meio Ambiente reuniu 400 convidados, que puderam acompanhar de perto a entrega de diplomas e troféus aos projetos que, em 2010, primaram pelo desenvolvimento sustentável . Conheça os grandes vencedores.

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Interiorização

Inspetorias informatizadas Processos mais céleres e sedes acessíveis. Projeto de interiorização do Crea-GO continua Inspetorias informatizadas: “O prazo para deferir documentação será o mesmo de quando os documentos são solicitados na sede do Crea-GO”, informa o engenheiro Vicente Machado, gestor do Departamento de Inspetorias

Foi iniciado na última semana de outubro de 2010 o processo de informatização, conhecido como sistema de Movimentação Eletrônica de Documentos (MED), das 47 inspetorias do Conselho espalhadas pelo interior do Estado, o qual estará finalizado até maio de 2011. A iniciativa faz parte do projeto de regionalização e interiorização da instituição, que tem como principal incentivador Gerson Taguatinga, presidente do CreaGO. Esta é mais uma medida que irá descentralizar serviços, acelerar atendimento, análise e solução dos processos. “O prazo para deferir documentação será o mesmo de quando os documentos são solicitados na sede do Crea-GO, que levam de dois a cinco dias para serem apreciados. Os funcionários vão escanear os documentos e enviar por e-mail para a sede”, explica o gestor do Departamento de Inspetorias, engenheiro Agrônomo Vicente Machado. A movimentação de processos vindos do interior sempre foi demorada, esclarece Vicente, dizendo que se o profissional solicita uma certidão, por exemplo, os documentos são enviados via malote na sexta-feira e só retornam no malote da outra semana, o que representa, no mínimo, duas semanas de espera. “A cada semana estão sendo treinados funcionários de duas inspetorias, que voltam prontos para implantar o sistema e aplicar o que aprenderam”, diz. O Crea-GO efetuou a aquisição de equipamentos modernos e fez investimentos na rede de acesso à internet, assegurando maior velocidade na comunicação.

SEDES PRÓPRIAS Ainda dentro da agenda de interiorização e fortalecimento das inspetorias, outra novidade é o projeto de construção de sede própria para outras unidades, já que apenas o município de Itumbiara tem sede própria. Os projetos arquitetônicos foram elaborados de acordo com três categorias de instalações -- pequena, média e grande -- e aguardam que os prefeitos disponibilizem os terrenos para serem edificados. Vicente relata que a acessibilidade às inspetorias foi o principal motivo que levou a diretoria do Crea-GO a investir na construção das sedes. “O Crea-GO lançou, no ano passado, um amplo programa de acessibilidade para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Como as nossas inspetorias são locadas, e pode-se dizer que não existem imóveis acessíveis no interior, teriam que ser feitas intervenções muito grandes para adaptar, o que significaria um custo muito elevado investido em imóveis que não pertencem ao Crea-GO”, analisa. “Assim, estamos pensando em acessibilidade e conforto e ainda iremos aumentar o patrimônio da Autarquia”. De acordo com Vicente, Uruaçu foi a primeira cidade a obter a aprovação da Câmara Municipal para a construção da sede, prevista para ser iniciada ainda em 2010. “A construção de cada uma terá início de acordo com a chegada da escritura do terreno na sede do Conselho e de acordo com o planejamento financeiro do Conselho”, avisa. Uruaçu foi a primeira a conseguir a autorização da Câmara Municipal para doação do terreno. Em breve serão iniciadas as obras da sede própria. DEZEMBRO/2010 5


Sistema Confea/Crea

Valores das anuidades para 2011 Profissionais registrados no Sistema Confea/Crea têm até o dia 31 de março para efetuar o pagamento da anuidade referente ao exercício de 2011. Os valores, estabelecido pelo Ato Administrativo nº 02, de 29 de outubro de 2010, são diferentes para profissionais de nível superior e de nível médio, com base na Resolução nº 515, de 2010, do Confea. O valor da anuidade para profissionais de nível superior é de R$ 256,50. E para nível médio o valor é de R$ 128,25 Até o dia 31 de janeiro de 2011, o profissional receberá desconto de 10%, se a anuidade for recolhida em cota única, passando os valores para R$ 230, 85 para nível superior e R$ 115,43 para nível médio. Até o dia 28 de fevereiro, os profissionais recebem desconto de 5% com recolhimento em cota única, passando os valores de R$ 243,68 para profissionais de nível superior e R$ 121,84 para os de nível médio. Se o pagamento da anuidade for efetuado até 31 de março, a anuidade será em cota única e sem desconto. Ou seja, os profissionais de nível superior efetuarão pagamento de R$ 256,50 e, de nível médio, R$ 128,25. O Ato Administrativo nº 02 prevê ainda parcelamento da anuidade, sem descontos, em 3 vezes iguais, mensais e consecutivas, para pagamentos realizados até 31 de março. Quando o pagamento for efetuado a partir do dia 1º de abril,

incidirá sobre o valor multa de 2% e juros de mora de 1% ao mês ou fração. O Crea-GO concede descontos especiais no valor das anuidades nos seguintes casos: 70% (setenta por cento) aos egressos de cursos das áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, desde que solicitado até 180 dias após a data de conclusão do curso; de 70% (setenta por cento) ao estudante de curso das áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, desde que conste da relação de formando da instituição de ensino e que o curso esteja cadastrado no Crea; de 90% (noventa por cento) ao profissional portador de doença grave, que resulte em incapacitação para o exercício profissional, comprovada mediante documento hábil; de 90% (noventa por cento) ao profissional do sexo masculino a partir de 65 (sessenta e cinco) anos de idade ou 35 (trinta e cinco) anos de registro no Crea; de 90% (noventa por cento) ao profissional do sexo feminino a partir de 60 (sessenta) anos de idade ou 30 (trinta) anos de registro no Sistema e de 50% ao empresário individual, desde que a respectiva empresa esteja quite com o Crea-GO. Caso fiquem constatadas irregularidades nos documentos apresentados, visando os descontos na anuidade, o Conselho efetuará a cobrança do pagamento da anuidade no seu valor integral, incluídos os acréscimos legais, sem prejuízo do enquadramento do profissional no Código de Ética Profissional.

Nova carteira profissional não terá mais prazo de validade O campo “validade” da carteira de habilitação profissional do Sistema Confea/Crea será substituído pelo campo “data de registro”. Essa é uma das definições da Resolução nº 519, aprovada pelo plenário do Confea em 13 de outubro de 2010. O documento também estabelece a isenção da taxa de expedição no momento da substituição da carteira, com validade de cinco anos, pela nova. Conforme o texto aprovado, o profissional deve requerer junto ao seu Crea, sem taxa, a substituição da carteira de identidade com validade 6 DEZEMBRO/2010

de cinco anos pela de prazo indeterminado. O mesmo vale para os profissionais que já estiverem com a carteira vencida. Nesses casos, é dever do Crea notificá-los e orientá-los a requerer a substituição do documento. Os profissionais que estiverem com as carteiras vencidas continuam a ter seus direitos garantidos no Crea e a responder por suas obrigações. No momento em que solicitar nova carteira, o profissional deve aproveitar para atualizar seu cadastro no Sistema de Informações do Confea (SIC).


MEC reduz diversidade de títulos de Engenharia O Ministério da Educação anunciou no Confea, no mês de setembro, a redução de títulos de cursos de engenharia oferecidos pelas faculdades do País. Atualmente, há mais de 200 nomes diferentes de cursos, alguns bastante especializados, como Engenharia de Automação Empresarial e Engenharia de Petróleo e Gás. O processo de revisão está em andamento e, por enquanto, o número de cursos caiu para 53. A mudança está provocando polêmica entre o ministério, especialistas e representantes de instituições de ensino superior, que afirmam não terem sido consultados. Eles acusam o ministério de querer engessar o mercado. “Concordamos que há um exagero no número de cursos criados e muitos realmente não justificam ter um novo nome, mas a forma como isso aconteceu está errada”, diz o

presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), João Sérgio Cordeiro. Responsável pela Secretaria de Ensino Superior do MEC (Sesu), Maria Paula Dallari Bucci contesta a afirmação. “Eles estão desatualizados. Houve uma consulta pública e dela tiramos uma lista que foi usada como subsídio para o cadastro do e-MEC”, rebate. O e-MEC é um sistema eletrônico de cadastramento dos cursos que foi implementado em 2007 e é, atualmente, o único acesso para cadastros dos cursos de graduação no País. Segundo Maria Paula, a mudança facilitará também a avaliação dos cursos. “Muitas instituições usam um nome novo para fugir do Enade e escapar da avaliação”. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos alunos de cursos de graduação.

Acesse www.crea-go.org.br O site do Crea-GO conta com diversos serviços direcionados aos profissionais registrados na Autarquia. Ao clicar no ícone “Currículo on-line”, será aberta a opção “Envie seu currículo”, que dá acesso a uma ficha com solicitações detalhadas. Depois de preenchida, a ficha não é postada automaticamente no site. É avaliada, revisada pelo Coordenadoria de Comunicação Social e em seguida publicada, de acordo com a área de atuação

profissional. No ícone “Bolsa de empregos”, o profissional encontra ofertas de trabalho em todo o Estado, com informações como carga horária e salário profissional, já que o Crea-GO exige que o profissional seja remunerado com o piso salarial previsto em lei. Já na guia “Cursos”, o profissional se informa da agenda de eventos e pode também apresentar sugestões de temas que o interessam.

Congresso Nacional de Profissionais aprova 44 propostas de um total de 77 Após encontros municipais, microrregionais e estaduais, a sétima edição do Congresso Nacional de Profissionais teve sua segunda etapa encerrada no dia 19 de novembro, em Brasília. O processo de mobilização profissional iniciado no começo de 2010 envolveu cerca de 50 mil profissionais reunidos em mais de 520 eventos. Das 77 propostas nacionais sistematizadas, 38 estavam em pauta (por não terem tido aprovação ou rejeição em unanimidade na primeira etapa do 7º CNP, em agosto, em Cuiabá). Das 38, 15 foram aprovadas, 13 rejeitadas e duas retiradas de pauta (essas duas faziam parte das propostas especiais e foram retiradas de pauta por terem âmbito regional). As oito propostas

restantes já tinham sido aprovadas na primeira etapa do CNP, porém voltaram para análise de emendas. Entre as propostas aprovadas estão o aprimoramento da carteira de Identidade Profissional, criação da Comissão Permanente de Relações Internacionais e revisão da legislação sobre microempresas. Entre as rejeitadas, a instauração das comissões da Mulher e de organização da Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia. No total, somando os trabalhos da primeira e da segunda etapa do 7º Congresso Nacional de Profissionais, das 77 propostas nacionais sistematizadas, 44 foram aprovadas, 31 rejeitadas e duas retiradas de pauta. DEZEMBRO/2010 7


Balanço

2010: ano de grandes mudanças no Crea-GO Ações relacionadas à Tecnologia da Informação irão assegurar ainda mais eficiência aos serviços prestados pelo Crea-GO Gerson Taguatinga, presidente do Crea-GO: “Queremos que as entidades sejam auto suficientes”

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“Tivemos um ano bastante proveitoso”, resume o Presidente do Crea-GO, Gerson Taguatinga, assegurando que todas as metas planejadas no início de 2010 estão sendo cumpridas, sendo que algumas já foram concretizadas e outras serão finalizadas no final de 2011. “Nós começamos o ano dando ênfase na implantação do sistema de Movimentação Eletrônica de Documentos (MED), dotando nossa sede e as inspetorias de equipamentos eficientes para nos auxiliar a enfrentar todos os problemas que sabíamos que teríamos ao longo do ano”. O programa principal, a regionalização do CreaGO, para a qual se voltaram diversos departamentos e ações realizados durante ano na Autarquia, encontra-se em processo adiantado. “A regionalização extrapolou nossas expectativas. Pensávamos em fazer nove polos regionais para que cada um tivesse quatro ou cinco inspetorias sob sua juridisção, mas felizmente o avanço foi maior. As 47 inspetorias têm sido tratadas em pé de igualdade e todas vão realizar os mesmos serviços”, diz Taguatinga, comemorando o fato de que os funcionários estão sendo treinados para atendimento digital ao público, o que irá garantir o mesmo prazo para a concessão de documentos em todas as inspetorias. “Até abril todas estarão operando com os mecanismos da regionalização”, afirma. Os equipamentos de informática instalados nas inspetorias terão ainda outra finalidade: oferecer treinamentos e palestras à distância. “Analisando todas as dificuldades que tivemos em 2009 e 2010 para cumprir a meta de promover palestras e minicursos no interior, nós resolvemos ampliar esse setor, mas não da maneira presencial como fazíamos antes. A meta para 2011 é a instalação da TV Crea-GO via internet”, informa Taguatinga. Assim, será possível transmitir as sessões plenárias, as reuniões de câmaras, oferecer

cursos, palestras e videoconferências. Taguatinga ressalta, ainda, dentro o processo de interiorização, a construção das sedes para as inspetorias, que hoje funcionam em espaços locados, e que serão edificados de acordo com as normas de acessibilidade. Quatro inspetorias já tiveram a autorização para iniciar as obras e o presidente do Crea-GO acredita que no próximo ano serão iniciadas de quatro a seis inspetorias, perfazendo de oito a dez inspetorias construídas nessa gestão. REFORMA E VEÍCULOS A reforma iniciada no começo de novembro no edifício-sede da Autarquia também faz parte das metas estabelecidas nesta gestão e complementa as intervenções já realizadas em 2009. “Primeiro, nós fizemos a substituição de nosso transformador que não comportava a carga e estava trazendo problemas ao fornecimento de energia. Depois nós implantamos o sistema de combate a incêndio, que não estava atendendo às normas atuais. Substituímos a escada, que balançava e trazia incômodo muito grande, por uma composta por chapa de aço e granito. Por fim, trocamos tudo no nosso auditório, onde mantivemos apenas as paredes”, lista. Neste ano a Autarquia adquiriu dois veículos, que vieram se juntar aos quatro comprados em 2009. O presidente do Crea-GO diz que, em 2011, a administração planeja adquirir 35 veículos para equipar o setor de fiscalização, que contará também com uma laboratório de imagens via satélite, que será usado principalmente na fiscalização da área agronômica. Na parte administrativa, Taguatinga destaca a implantação do GesPública, programa que busca a excelência no serviço público, o Crea Júnior, programa que procura estabelecer uma ponte entre academia e carreira profissional e a assessoria especial para atuar junto às entidades de classe. “A Assessoria de Entidades está ligada diretamente à presidência para oferecer o apoio necessário às entidades de classe, regularizando aquelas que estão atuando de forma irregular e orientando os profissionais que queiram fundar uma entidade de classe. Com isso, nós queremos evitar que essas entidades venham a fechar as portas e proporcionar condições para que elas sejam auto suficientes”, esclarece.


Trabalho de base

Formando líderes estudantis Em fase de implantação, o programa Crea Júnior tem o intuito de fomentar desde cedo o espírito participativo, criando um elo entre os acadêmicos e o Conselho A proposta do programa Crea Júnior é aproximar os estudantes do Conselho, fazendo com que conheçam sua estrutura e sintam-se motivados a participar da vida associativa. “Nosso intuito é promover a aproximação entre o CreaGO e os futuros profissionais dos cursos da área tecnológica. Queremos apresentá-los à estrutura e rotina do Conselho desde a academia”, esclarece o engenheiro Eletricista Flávio Fernandes, indicado pelo presidente do Crea-GO, Gerson Taguatinga, para a criação e coordenação do órgão. O Crea Júnior tem como principal missão desenvolver habilidades e competências dos estudantes, firmando com estes um elo profundo e duradouro, além de ser uma plataforma incentivadora de lideranças estudantis dentro das universidades e também na sociedade. “Com o programa trabalhamos para fortalecer junto aos acadêmicos o espírito colaborativo e participativo, integrando-os com as ações do Sistema Confea/ Crea e apresentando-lhes as entidades classistas profissionais, a fim de despertar o seu interesse e envolvimento”. O Crea Júnior também desenvolve várias ações complementares visando o processo de desenvolvimento dos estudantes, como palestras sobre legislações específicas, técnicas e assuntos relacionados à área de atuação. O programa ainda conta com o Fórum Crea Júnior Goiás, destinado à elaboração e discussão de propostas. “O Fórum será composto por estudantes, indicados pelo Centro Acadêmico (CA) de cada curso. Cada instituição de ensino que ministre cursos de graduação relacionados às profissões vinculadas ao Sistema Confea/Crea tem direito a indicar um representante por curso para compô-lo. A partir dele, serão discutidas e apresentadas propostas para o Crea-GO, além de serem debatidos temas polêmicos que envolvem o segmento”, esclarece Flávio. “Também criamos o Grupo de Trabalho Crea

Engenheiro Eletricista Flávio Fernandes, assessor do Crea Júnior

Júnior-GO, formado por conselheiros já definidos, que tem por finalidade apoiar e representar o programa Crea Júnior junto ao Plenário do Crea-GO”, completa. Ainda segundo Flávio, como suporte ao desenvolvimento do Crea Júnior estão sendo implementadas várias ferramentas de comunicação via web como o boletim eletrônico, o hotsite, as redes sociais, enfim, todas as ferramentas de internet que facilitem a comunicação e organização. “Os interessados em participar do Crea Júnior podem acessar o hotsite através do endereço www.crea-go.org.br, na coluna “Destaques”, onde estão disponíveis regimento interno e a ficha de adesão para preenchimento. Assim que fizerem a adesão, que é gratuita, os estudantes passam a acompanhar todas as atividades do Crea Júnior”, finaliza. DEZEMBRO/2010 9


Entidades de Classe

Engenheiro Nélio Fleury é o novo Presidente da ABEE Nacional A Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas – ABEE elegeu nova diretoria durante assembleia geral ordinária realizada no dia 18 de novembro. O Engenheiro Nélio Fleury, 51, foi o presidente eleito, para o triênio 2011/2013. O engenheiro Nélio foi empossado no cargo no final da assembléia, mas o início do seu mandato será a partir de 1º de janeiro de 2011. A principal proposta da chapa eleita será a de estabelecer a entidade nos Estados que ainda não possuem subseção da ABEE. A nova diretoria também pretende criar um banco de dados dos profissionais da área para uniformizar os procedimentos em nível estadual e federal, visando a valorização profissional. “Além de criar um banco de dados, vamos exigir o cumprimento da legislação referente ao exercício dos profissionais da Engenharia Elétrica em todas as suas modalidades. Quero ainda agradecer o apoio, incondicional que recebi do presidente do Crea-GO, eng. Gerson Taguatinga, durante o processo eleitoral”, destacou o presidente Nélio Fleury. A ABEE foi criada em 29 em junho de 1937, na cidade do Rio de Janeiro, e tem como objetivo defender os interesses da classe de Engenheiros Eletricistas em todas as suas modalidades. Hoje, a ABEE está presente em 13 unidades da federação: AM, DF, GO, MG, MS, PA, PB, PR, RJ, SE, SC, SP e TO.

A entidade representa a engenharia elétrica brasileira em todos os aspectos técnicos, administrativos e políticos, excluindo-se apenas os de ordem sindical. Atua realizando conferências, seminários, reuniões técnicas e políticas; representa seus associados junto ao Sistema Confea/Crea e busca desenvolver os procedimentos técnicos do setor, em caráter nacional. A ABEE Nacional representa cerca de 120 mil profissionais da Engenharia Elétrica em todas as suas modalidades, de acordo com dados do Confea. Veja a composição da chapa eleita: Diretoria Executiva Presidente

Nélio Fleury / ABEE-GO

Vice-Presidente

João Batista Serroni de Oliva / ABEE-SP

Diretor Administrativo

Aramis Arauz Guerra / ABEE-SP

Diretor Financeiro

Celso de Alcântara Chagas / ABEE-DF

Diretor Tecnologia e Planejamento

Fernando Luis de Almeida / ABEE-MG Conselho Fiscal

Conselheiro Titular

José Pereira dos Santos / ABEE-SE

Conselheiro Titular

Claude Franck Loewenthal / APEE-PR

Conselheiro Titular

José Antônio Canuto / ABEE-MS

Conselheiro Suplente

Regina Moniz / ABEE-RJ

Conselheiro Suplente

Paulo Afonso A. Santana / ABEE-GO

Conselheiro Suplente

Dalmi Fábio da Silva / ABEE-TO

Dolzonan Mattos vence eleição no Ceng A Assembleia Geral Ordinária de associados do Clube de Engenharia de Goiás, realizada no dia 5 de dezembro, elegeu com 97% dos votos válidos a chapa Vamos em Frente Com Mais Mais Ceng. A chapa vai administrar o Clube de Engenharia de Goiás na gestão 2011/2012. Durante a Assembleia também foram eleitos quatro membros do Conselho Deliberativo do Clube, com mandato de 2 anos, e quatro membros do Conselho Fiscal do Clube, com mandato de 2 anos. Serão dirigentes do Clube de Engenharia de Goiás nos próximos dois anos: Dolzonan da Cunha Mattos (Presidente), Wellington Teixeira Soares (Vice-Presidente para Assuntos do Patrimônio), 10 DEZEMBRO/2010

Luiz Soares Queiroz (Vice-Presidente para Assuntos Administrativos), Hans Latinon Torrico Salazar (VicePresidente para Assuntos Sociais), Marcos Teixeira (Vice-Presidente para Assuntos Técnicos e Culturais), Jorge de Oliveira e Souza (Vice-Presidente para Assuntos do Esporte). Elegeram-se também, para Conselho Deliberativo: Regina Lúcia de Deus, Augusto César Gusmão Lima, José Hilton Opipari Santiago, Luiz Carlos Martins de Menezes, Luiz Flávio Naves Rodrigues, Raimundo Ney de Macedo Lima. E, para Conselho Fiscal: Wilmar Alves Cruvinel de Lima, Marcus Vinicius Caciquinho, Luiz Pargendler, Laércio Silveira de Oliveira e Renato Pedrosa.


Crea-GO apóia criação da Associação dos Engenheiros de Alimentos O Crea-GO sediou no dia 2 de dezembro, a Assembléia Geral de fundação da Associação Goiana dos Engenheiros de Alimentos – AGEA, entidade de classe que irá representar os profissionais da Engenharia de Alimentos no Estado de Goiás. A reunião teve dois objetivos. O primeiro, foi aprovar o estatuto, o regimento interno, eleger a diretoria executiva e o conselho fiscal da associação. O segundo foi promover uma mesa redonda com o tema “O Engenheiro de Alimentos inserido no mercado de trabalho”, que contou com a participação da engenheira Silmara Damaso, do Centro de Pesquisa em Alimentos; da engenheira Cibele Rinaldi, do Moinho Regil, engenheiro Felipe Pinheiro, da Laticínios Piracanjuba e do engenheiro Vitor de Matos, consultor da Maxclean. Ao todo, 30 profissionais da área participaram da reunião. O presidente do Crea-GO, engenheiro Gerson Taguatinga, fez a abertura da reunião transmitindo apoio irrestrito do Conselho à nova entidade. Ressaltou também a importância da participação em movimento associativo visando à valorização da profissão. “A área de engenharia de alimentos tem pouca representatividade no Conselho e, por isso, apoiar e divulgar essa modalidade é uma forma de valorizar esses profissionais. Outra forma de valorizar os engenheiros é através da intensificação da fiscalização na área.”, argumentou o presidente Gerson Taguatinga. E para iniciar as atividades o Crea já disponibilizou moveis para a sede da AGEA, que está localizada no Condomínio das Entidades, situada na 9ª Avenida Nº 235 - setor Leste Universitário. A presidente eleita da AGEA, engenheira de Alimentos Larissa Pereira, 25, diz se sentir responsável em lutar, junto ao Crea-GO, em favor do reconhecimento da profissão no mercado de trabalho e da sua importância como responsável pela fabricação e defesa da qualidade dos alimentos. “Quero conscientizar as empresas de alimentos da necessidade de terem em seu quadro técnico um profissional da área”, reafirmou a presidente. A AGEA foi criada para promover a congregação dos profissionais da área; valorizar o exercício da profissão ainda pouco conhecida perante a

sociedade; trabalhar pela comunidade no estudo e solução dos problemas da Engenharia de Alimentos, nos campos sociais e econômicos; além de defender os interesses e reivindicações de seus associados. A AGEA também tem como objetivo zelar pelo cumprimento das normas de conduta profissional, organizar tabelas de honorários profissionais, lutar pela ampliação do mercado de trabalho e remuneração justa e garantir o devido respeito à ética profissional. Atualmente, a Autarquia goiana possui 316 profissionais da área de engenharia de alimentos registrados. A expectativa da AGEA é de ter 300 associados até o fim do ano de 2011. Os profissionais interessados em se associar deverão possuir carteira profissional do Sistema Confea/Crea, comprovante da última anuidade quitada, ter idoneidade moral e concordar com o estatuto da entidade. O telefone de contato da presidente Larissa Pereira é (62) 8230-1212. Entre em contato também pelo e-mail: agea.2010@yahoo.com.br. Veja abaixo a composição da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal. Diretoria Executiva: Presidente: Eng. de Alimentos Larissa Pereira Vice-presidente: Eng. de Alimentos Gleice Miguel 1° Secretário: Eng. de Alimentos Vitor de Matos 2° Secretário: Eng. de Alimentos Danilo Araújo 1° Tesoureira: Eng. de Alimentos Viviane Lopes 2° Tesoureira: Eng. de Alimentos Gracyana dos Santos Conselho Fiscal: Engenheira de Alimentos Elisângela dos Santos Engenheira de Alimentos Maria Luiza Filgueiras Engenheira de Alimentos Silmara Damaso

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Conexão

Goiás recebe R$ 429 mi do Governo Federal para saneamento O Governo Federal liberou para Goiás o total de R$ 429 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC II. A liberação dos recursos foi publicada no Diário Oficial da União da semana de 22 de novembro e o dinheiro deverá ser aplicado em Saneamento. De acordo com a Saneago, serão R$ 302 milhões para execução de obras de saneamento no Estado de Goiás e 127 milhões para obras de saneamento integrado que serão feitas

através de contrato estabelecido entre o órgão e as prefeituras. Ficou previsto, então, que técnicos da área de planejamento emitissem para a Caixa Econômica Federal laudo de avaliação das obras de água e esgoto que serão executadas com esses recursos. Espera-se que o contrato entre Governo do Estado e União seja assinado ainda neste ano, e as obras Fonte: Agecom iniciadas a partir de abril de 2011.

Construção civil avança e desponta na Bolsa O setor de construção civil voltou a chamar a atenção dos investidores este ano com um dos melhores desempenhos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis do setor valorizaram em mais de 20% de janeiro ao fim de outubro, três vezes mais que o Ibovespa no período, índice que serve de termômetro do mercado. E analistas garantem que o setor tem fôlego para novos ganhos nos próximos meses, embora alertem para riscos de gargalos de mão de obra e a forte volatilidade dos papéis. De 15 carteiras de ações recomendadas por corretoras para novembro, os papéis do setor

aparecem em 14 delas. O destaque fica para a PDG Realty, preferida em seis carteiras. Na sequência surgem Brookfield (quatro recomendações), Gafisa e Eztec (três em ambas). Segundo analistas, as empresas de construção seguem com bom potencial de crescimento na Bolsa graças ao aumento do emprego formal (o que dá aos trabalhadores acesso a crédito), elevação da massa salarial e demanda ainda aquecida. Eles lembram que o crédito habitacional responde por apenas 4% do PIB brasileiro. Essa relação seria acima de 10% em países como México e Chile, por Fonte: O Globo exemplo.

Setor da construção civil tem a melhor fase em 25 anos O setor de construção civil brasileiro vive momento especial, exibindo números que deixam clara sua importância fundamental para a economia do país. De acordo com estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 2009, a cadeia produtiva da construção – incluindo materiais de construção, serviços, máquinas e equipamentos, entre outros – somou, em números absolutos, um valor agregado de R$224 bilhões, ou 8,3% do PIB brasileiro. E o volume de empregados com e sem carteira – ultrapassou dez milhões, mais de 10% dos postos de trabalho no país. É a primeira vez que isso acontece nos últimos 25 anos. Para 2010, a estimativa de crescimento do PIB da 12 DEZEMBRO/2010

construção é de 10%. Há pelo menos duas décadas que os índices de crescimento não são tão positivos. Este ciclo virtuoso começou em 2005, puxado por investimentos em obras de infraestrutura e em unidades habitacionais. No último trimestre de 2008 veio o susto: a interrupção dos bons ventos, devido à crise econômica mundial. Mas a recuperação começou em maio do ano passado, ajudada pelas medidas anticíclicas do governo e praticamente já alcança os níveis pré-crise. O investimento bruto em construção no ano passado foi de R$ 244 bilhões, o que equivale a 9,2% do PIB, segundo o Fonte: Valor Econômico trabalho da FGV.


Normas de Desempenho têm vigência adiada As exigências da Norma de Desempenho ABNT NBR 15575:2008, Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos, foram adiadas para março de 2012. A prorrogação do prazo para exigibilidade das seis partes da norma estava em consulta pública no site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e teve sua votação encerrada no dia 27 de outubro. Em reunião realizada em cinco de novembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a ABNT divulgou os números da votação: das 4.998 pessoas votantes, aproximadamente 93% optaram pela aprovação, sem restrições, das emendas que prorrogavam o prazo. Segundo a ABNT, quase 17 mil pessoas visitaram

os projetos de emenda, maior número de visitas em toda a história de consultas nacionais feitas pela associação. Agora, em um prazo de nove meses a partir do dia 11 de novembro, a norma passará por um processo de revisão. A coordenação do grupo ficará sob responsabilidade do diretor técnico da Tecnisa, Fábio Villas Boas, indicado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) para o cargo. O superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02), Carlos Borges, optou por não continuar na coordenação da Fonte: PiniWeb revisão do projeto.

Parâmetros acústicos da NBR 15575 estão muito altos O primeiro passo para a nova fase será a formação dos grupos de trabalho temático que deverão analisar os itens previstos para ajustes, como vida útil, desempenho acústico, desempenho térmico, funcionalidade e acessibilidade dos imóveis, prescrição de móveis e equipamentos padrão por ambiente, além de segurança para sistemas de pisos internos. Villas Boas solicitou o material que foi utilizado para a formulação da norma e de outras revisões pelas quais a NBR 15575:2008 passou. Villas Boas ressaltou que “existe um interesse enorme do

setor para que a norma entre em vigor o mais rápido possível, sem que o caráter inicial da norma seja mudado”. Segundo o coordenador do grupo de revisão da norma, os principais problemas presentes na NBR 15575 são os parâmetros acústicos exigidos, que estão muito acima do que o mercado oferece atualmente. De acordo com o engenheiro, ou as empresas terão de criar novos produtos ou o grupo de estudo, se julgar adequado, poderá diminuir os Fonte: PiniWeb parâmetros exigidos.

Engenheiros têm os maiores aumentos de salários A Catho Online, a maior empresa de classificados online da América Latina, concluiu pesquisa salarial e de benefícios mostrando as áreas que tiveram os maiores aumentos do salário médio no último ano em todo o País. O destaque do levantamento são os cargos relacionados diretamente à engenharia, que correspondem por oito dos dez que tiveram maior crescimento. A predominância de diversos cargos ligados à engenharia revela uma tendência à maior valorização de profissionais responsáveis pelo desenvolvimento da base da infraestrutura no país, bem como de novas tecnologias, em detrimento da prestação de serviços. Esse quadro é reforçado ao se considerar que as áreas de engenharia que mais cresceram

são voltadas para o fornecimento de soluções para empresas e não para fabricação de produtos ao consumidor final. Ao se fazer uma análise dos ramos de atividade econômica com média salarial superior à média salarial nacional, essa percepção fica ainda mais evidente, pois os principais estão vinculados a transporte, indústria, construção e energia. Novamente, as áreas que estão com melhores ganhos são as de empresas, que têm como clientes outras companhias em vez da população. A pesquisa Salarial e de Benefícios foi realizada no período de 1º a 30 de setembro deste ano e mais de 167 mil respondentes de mais de 20 mil empresas em 3484 cidades de todo o país participaram. Fonte: Clic RBS DEZEMBRO/2010 13


Melhorias

Reforma do edifício-sede visa acessibilidade e restauração da fachada A autarquia ganhará nove salas administrativas, distribuídas no 3° e 4° pavimentos A reforma do edifício-sede foi iniciada no dia 3 de novembro com previsão de ser finalizada num prazo máximo de 120 dias. Estão sendo reformados todos os sanitários, visando torná-los acessíveis com a instalação de barras, lavatórios apropriados e troca das peças sanitárias, que já tinham mais de 12 anos de utilização. “A parte da tubulação e das instalações necessitava de revisão”, diz a assessora de Planejamento do Crea-Go, eng. Civil Rosana Brandão. Durante a reforma também será executada a construção de nove salas administrativas e a ampliação da presidência. “Serão seis salas no terceiro piso e mais três no quarto piso. A ampliação da presidência irá garantir um espaço adequado para as reuniões de diretoria e para o presidente realizar o atendimento ao público”, diz Rosana Brandão. Haverá ainda uma revisão de todo o telhado devido a infiltrações, a impermeabilização do teto da caixa do elevador, refeita a junta de dilatação e a recuperação estrutural dos pilares do térreo, que possuem pontos

As instalações da presidência serão modernizadas

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de corrosão. A reforma ainda prevê a restauração da fachada. O primeiro passo é a limpeza do concreto aparente, que está todo manchado devido ao escoamento da água dos aparelhos de ar condicionado. Em seguida será feita a impermeabilização do concreto e a substituição de todos os equipamentos de ar condicionado. A fachada, um projeto do Engenheiro Arquiteto Roberto Benedetti, de 1978, não vai ter suas características originais alteradas. “Tivemos autorização da família dele para proceder a essas pequenas intervenções”, informa a assessora de Planejamento. A primeira ampliação realizada no edifício-sede foi a execução do terceiro piso em 1996. A segunda foi a execução do quarto piso em 1997. Depois desse período, a sede passou por várias interferências, como a execução do estacionamento e do plenário, reforma da escada, adequação do prédio para combate a incêndio e reforma do auditório.


Artigo

Código Florestal: As alterações necessárias – Parte I Nossa lei florestal data de 1.965 e de lá para cá inúmeras situações e mudanças ocorreram durante a exploração do meio ambiente em que vivemos, englobando a conquista do Cerrado e saindo de uma produção média de grãos (arroz, feijão, milho, sorgo soja e trigo) da ordem de 50 milhões de toneladas no período de 1980 – 1990 para 114 milhões de toneladas no período de 2004 – 2005, alcançando atualmente cerca de 145 milhões de toneladas1. Num cenário de demanda mundial crescente por alimentos, fibras e energia, onde a FAO (2006) prevê a necessidade de se alimentar, dar moradia, vestir e ofertar fontes de energia para uma população adicional de 1,398 bilhão de pessoas até 2025, sendo que, afora alguns países da África com fortes impedimentos políticos e institucionais, nosso País é o que reúne as melhores condições para atender, a baixo custo, esta demanda de uma população de baixa renda, contando com recursos humanos profissionais qualificados, bom nível tecnológico, oferta ambiental favorável, e extensa área de terras agricultáveis que pode ser incorporada ao processo produtivo2. Certamente que a maior dificuldade não é falar a favor ou contra determinado segmento, mas, sem dúvida, compatibilizar desenvolvimento sócioeconômico com preservação ambiental. Nesta linha de raciocínio, muito além do discurso fácil a favor da preservação e da conservação dos biomas brasileiros, há uma forte realidade a ser encarada, como, por exemplo, a exploração consolidada em áreas de várzeas, destinadas à produção de arroz irrigado, que somente no Estado do Rio Grande do Sul, ocupam 5,4 milhões de hectares (20% da área total do Estado)3, responsável por 50% da produção nacional de arroz, gerando milhões em ICMS (R$175 milhões, 2000/2001, RS) e milhares de empregos (250 mil, safra 2000/2001, no RS). Em recente estudo sobre o alcance territorial da legislação ambiental e indigenista, publicado pela EMBRAPA MONITORAMENTO POR SATÉLITE, concluiu-

se: “Outro desafio que emerge desses primeiros resultados é o de um ordenamento territorial capaz de considerar as áreas agrícolas consolidadas e o regime de uso e ocupação das APPs. Existe um histórico secular de uso agrícola das terras no Brasil, marcado por áreas rurais consolidadas em locais definidos hoje como APPs, através de diversas medidas e resoluções normativas recentes.” Não se trata de anistiar os ocupantes destas áreas e nem de expulsá-los de suas terras mas, sim, de reconhecer a importância que tiveram e mantém no desenvolvimento da nossa sociedade, sem que haja sequer prova científica de que suas atividades trazem danos ambientais. Outra conclusão do trabalho sobre áreas legalmente disponíveis para as atividades agrícolas a que chegaram os pesquisadores responsáveis pelo estudo acima citado é que, ao aplicar as determinações do atual Código Florestal, nos biomas Pantanal e Amazônia, mesmo sem utilizar nenhuma área com atividades agrícolas, faltam terras no cômputo geral de cada bioma. A atual legislação florestal sequer define o que é topo de morro ou traz o conceito de microbacia hidrográfica e seus limites de abrangência. O debate sobre o tema já está posto há anos e a sua importância requer soluções racionais e adequadas às nossas necessidades com urgência para que a lei cumpra seu papel.

Engenheiro Agrônomo Marcio Sena Pinto Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeago), Pós-Graduando em Avaliação, Perícia e Gestão Ambiental

_____________________________________________________ 1 Fontes: IBGE, CONAB, e Scolari, D.D.G. Inovação tecnológica e desenvolvimento do agronegócio. Revista de Política Agrícola, ano XV, N. 4, out/Nov/dez – 2006. Brasília: Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura , Pecuária e Abastecimento. p 59 – 73. 2 MIRANDA, E. E.; CARVALHO, C. A.; SPADOTTO, C. A.; HOTT, M. C.; OSHIRO, O. T.; HOLLER, W. A.; Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite, 2008. Disponível em: <http://www.alcance.cnpm.embrapa.br/>. Acesso em: 30 out. 2010. 3 Scivittaro, W.B. et allii. Cultivo de arroz irrigado no Brasil. EMBRAPA CLIMA TEMPERADO.

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Monitoramento

Pela segurança dos usuários e preservação do patrimônio público Numa iniciativa inédita no Brasil, o Crea-RS propõe ao poder legislativo estadual a criação de um Programa de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais Depois da queda da ponte do Rio Jacuí, em Agudo, no Rio Grande do Sul, no início de 2010, o Crea-RS procurou as entidades ligadas à construção e manutenção das obras públicas do Estado para apresentar um Anteprojeto de Lei Estadual no intuito de criar o Programa de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais (pontes, viadutos e túneis), que prevê a obrigatoriedade de inspeção das obras existentes nas rodovias sob a jurisdição daquele Estado. Protocolado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul em 16 de fevereiro, o Projeto de Lei tem como principal objetivo garantir a perenidade funcional e a segurança operacional das obras de arte especiais, de modo a promover a preservação do patrimônio público e a segurança dos usuários das rodovias. Para rever os procedimentos de normas de inspeção, atualizar o cadastro e os atos de correções relativos às obras de arte especiais do Rio Grande do Sul, organizar os quesitos obrigatórios aos novos projetos e realizar programas de capacitação aos

profissionais das áreas envolvidas, foi assinado um Termo de Cooperação Técnica entre o Governo do Estado e um Grupo de Trabalho (GT) formado pelo Crea-RS, Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), Daer, Dnit, Seinfra e universidades. O GT pretende constituir uma base de informações sobre as obras de arte especiais de forma a caracterizá-las quanto ao tipo estrutural, geometria dos elementos constituintes da estrutura e os materiais construtivos; à capacidade de carga e às condições de tráfego pesado a que está submetida; às condições de conservação dos elementos estruturais e dispositivos acessórios de proteção e segurança; à situação de inserção na geometria da rodovia e às condições de fluidez e segurança do tráfego de veículos e pedestres; às condições hidrológicas locais e regionais a que está sujeita; às características geológicas locais e condições das fundações. Entre outros pontos relevantes, o projeto prevê um sistema informatizado de gerenciamento de Iniciativa pode evitar problemas como o da ponte sobre o Rio Claro em Jataí.

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obras de arte especiais, que deverá ser utilizado como ferramenta operacional que efetive a implementação de rotinas e deflagração de intervenções de manutenção, alertas quanto à segurança das obras e necessidade de reforço e reabilitação das obras. O Projeto de Lei defende ainda a mobilização da comunidade científica e de profissionais da área tecnológica, para que façam pesquisas e estudos sobre modelos estruturais, materiais construtivos, procedimentos e tecnologias executivas para reforço, ampliação de capacidade e reabilitação das obras de arte especiais. Dentro desse quesito, é solicitada também a elaboração de estudos regionais para caracterização das condições hidrológicas a que estão submetidas as obras e como elas refletem na segurança. De acordo com o Projeto de Lei, todo o Programa será controlado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) sendo responsável pela operacionalização e manutenção do Programa de Gerenciamento de Obras de Arte Especiais, bem como pela estruturação e desenvolvimento do sistema informatizado. SEGURANçA DE BARRAGENS Outro fato relevante neste contexto foi a sanção, pelo Presidente da República, no dia 21 de setembro deste ano, da Lei 12.334/2010, que institui a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), definindo responsabilidades e atribuições, e criando o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

Esta Lei aplica-se a barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos industriais. Dentre outras exigências, ela prevê a elaboração periódica de relatório de inspeção e revisão de segurança, obrigando o empreendedor a cumprir suas recomendações, além de exigir também a Anotação de Responsabilidade Técnica; garantir a observância de padrões de segurança de barragens de maneira a reduzir a possibilidade de acidente e suas consequências; regulamentar as ações de segurança a serem adotadas nas fases de planejamento, projeto, construção, primeiro enchimento e primeiro vertimento, operação, desativação e de usos futuros de barragens em todo o território nacional; criar condições para que se amplie o universo de controle de barragens pelo poder público, com base na fiscalização, orientação e correção das ações de segurança; coligir informações que subsidiem o gerenciamento da segurança de barragens pelos governos; estabelecer conformidades de natureza técnica que permitam a avaliação da adequação aos parâmetros estabelecidos pelo poder público; fomentar a cultura de segurança de barragens e gestão de riscos. Ainda de acordo com os fundamentos da PNSB, a população deve ser informada e estimulada a participar, direta ou indiretamente, das ações preventivas e emergenciais, sendo que o empreendedor é o responsável legal pela segurança da barragem, cabendo-lhe o desenvolvimento de ações para garanti-la.

A ponte do Rio Claro, em Goiás, é exemplo de deterioração da estrutura.

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Artigo

Ponte sobre o Rio Claro, uma obra que inspira cuidados Eng. Renato Fogagnoli Jr., Relações Institucionais da Abendi

O corpo técnico da Abendi, com o apoio de algumas entidades relacionadas ao tema, avaliou, através de fotos do local, o estado dos pilares da ponte sobre o Rio Claro, na BR-060, entre Jataí e Mineiros. A situação desta obra foi denunciada, no ano passado, pelos integrantes do Conselho Consultivo do Crea-GO de Jataí. Verifica-se, pela avaliação das fotos, que as estruturas (colunas) estão em um estado avançado de corrosão, o que pode colocar em risco a segurança da ponte e de seus usuários. A arquiteta argentina Nadia Elisabet Rosenburt, da CAEFE, especialista responsável por inspeções em Concreto na Argentina e em toda a América do Sul, e o gerente comercial da ARCTEST, Luiz Fernando Vieira Pacchioni avaliam que o uso da técnica de Tomografia em Concreto Armado – TCA produziria uma avaliação completa da estrutura, o que permitiria verificar o grau de comprometimento da estrutura da ponte face ao avançado estado de corrosão do concreto e da armação das colunas. Com base nessa avaliação, é possível definir técnicas de reparo e reforço que permitiriam ampliar a vida da obra e garantir a segurança de seus usuários. Muitas técnicas já dominadas, técnicas avançadas e outras que estão em pleno desenvolvimento no Brasil e no mundo, foram discutidas no Fórum de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção na Cosntrução Civil, realizado na sede do Sinduscon-GO, entre os dias 9 e 11 de novembro de 2010, que identificou também a 18 DEZEMBRO/2010

necessidade de evolução na legislação e nas normas aplicáveis à garantia da qualidade das obras e na capacitação e certificação técnica de profissionais para o correto uso das técnicas aplicáveis em cada caso específico. A ABENDI, Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção, realizadora do fórum, vê um significativo avanço na legislação para inspeção e ensaios das obras de arte da construção civil, à medida que as agências reguladoras definem novos padrões de segurança e qualidade a serem atendidos pelas concessionárias prestadoras de serviços. Há, porém, a necessidade de se definir alguns requisitos mínimos, que sejam exigidos em todo o país, como garantia de segurança e qualidade dessas obras. Esses pontos, bem como as técnicas disponíveis, foram amplamente discutidos no fórum, que permitiu, ainda, a integração de esforços no desenvolvimento de técnicas, unindo universidades e o Centro de Tecnologia de Concreto de FURNAS em projetos que muito beneficiarão a sociedade em termos da qualidade das obras, tanto atuais quanto futuras. Os métodos de ensaios não destrutivos associados às normas e à capacitação de profissionais, muito defendida pelo CreaGO durante o evento, certamente evitariam que uma obra do porte da Ponte do Rio Claro chegasse ao ponto de desgaste atual. Certamente, a inspeção visual periódica já teria indicado a necessidade de aplicação de


um ensaio para a verificação do estado real da estrutura e uma ação corretiva já teria sido definida. Empresas de Goiânia vêm acompanhando a evolução de mercado e, além de ter profissionais certificados para acesso por corda (meio que permite, dentro de critérios rígidos de segurança, o uso de técnicas de ensaios e inspeção com acesso a locais especiais, como por exemplo, colunas de pontes), modalidade na qual a ABENDI está preparada para certificar profissionais, também se preparam para o uso e aplicação de técnicas avançadas como a Tomografia de Concreto Armado – TCA. Métodos como a ultra-sonografia, ecoressonância, esclerometria, ensaio de carga, dentre outros, foram avaliados quanto à sua aplicabilidade em obras como pontes, barragens viadutos e túneis, bem como em materiais como concreto, madeira, metais e alvenaria geral. A ABENDI também solicitou uma avaliação preliminar da Ponte do Rio Claro ao IPACON, Instituto de Patologias da Construção, entidade das mais respeitadas no Brasil. O IPACON, por meio do engenheiro Joaquim Rodrigues, avalia que o estado de conservação da ponte inspira cuidados: os sintomas oferecem como causa um processo de erosão nas superfícies do concreto armado, o que provocou perdas nas seções de aço e concreto. Não há informações a respeito de possível comprometimento do concreto pelos contaminantes da água. Há a possibilidade de ter ocorrido processo de lixiviação através do concreto armado, tanto em nível de sapatas (blocos) quanto nos pés dos pilares. Diante deste quadro, o engenheiro sugere as seguintes medidas: 1 - Monolitização do concreto: 1.1 - Instalação de bicos injetores tipo Simpson / Rogertec e injeção de epóxi com ultra baixa viscosidade inferior a 50 CPS, ou metacrilato. 2 - Reforço com novas armaduras

2.1 - Instalação de novas barras principais (mesmo diâmetro das originais) até a altura de 1m, e interligando-se as antigas, ancorando-se 10cm na cabeça da sapata. 2.2 - Fixação de novos estribos com o mesmo diâmetro do original, ancorando-se suas extremidades 5cm no concreto utilizando-se epóxi em pasta (tipo EPÓXI 44 da Rogertec). 3 - Proteção contra a corrosão: 3.1 - Instalação de proteção catódica com TELA G em toda a superfície das novas armaduras, fixando-a a cada 10 cm com arame recozido. 4 - Revestimento 4.1 - Aplicação de concreto projetado com FCK semelhante ao original ou execução de fôrma e lançamento de concreto, estabelecendo-se uma espessura mínima de 5 cm. O engenheiro ressalta a necessidade de inspeção ainda em um nível mais profundo para que se possa avaliar o real estado da obra, os esforços a que está submetida e que levaram ao desgaste apresentado e definir, então, o processo, ou processos de recuperação mais adequados. A ABENDI é a associação responsável pela difusão das técnicas de ensaios não destrutivos e inspeção e trabalha na capacitação, qualificação e certificação de profissionais para a área. Está, dentre os recursos que usa para essa difusão, a realização de eventos como o Fórum de END & Inspeção na Construção Civil e o fomento ao intercâmbio entre universidades e institutos de pesquisa com a comunidade empresarial, visando a inovação no segmento.

“Verifica-se, pela avaliação das fotos, que as estruturas (colunas) estão em um estado avançado de corrosão, o que pode colocar em risco a segurança da ponte e de seus usuários” DEZEMBRO/2010 19


Larissa Mundim

Entrevista: Silmara Vieira

Cenários da habitação Presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab) fala sobre o atual cenário da habitação, seus impactos na atuação profissional e também sobre a renovação da política pública habitacional. Os impactos na produção de espaços urbanos a partir da ampliação de um mercado popular de habitação de interesse social demandam muita consciência dos governos e dos profissionais sobre a responsabilidade social, ambiental e cultural, no exercício da arquitetura e engenharia. Para atender às novas demandas, defendo o reconhecimento destas profissões como importantes instrumentos de transformação social a partir da intervenção físico/espacial das cidades. Os impactos desse momento positivo para a Habitação no país já afeta os profissionais da área? Sem dúvida. Nunca houve na história brasileira tanto investimento para a promoção de moradias como no momento em que vivemos. Sabemos que Goiás tem posição destacada nesse cenário, ocupando o primeiro lugar no ranking de contratação de recursos do Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal, o que considero um mérito da articulação inédita e efetiva entre poder público, agentes financeiros, empresários e movimentos populares. E é nesse contexto de ampliação do mercado de trabalho para os profissionais da área, especialmente pelo aumento de investimentos públicos em moradia e infraestrutura urbana, que acho importante refletir sobre a responsabilidade social no cumprimento do papel do arquiteto e do engenheiro que têm hoje, nacionalmente, condições estratégicas para contribuir na formação de cidades mais justas e democráticas. O novo cenário requer mudança de postura no seu ponto de vista? Em geral os profissionais de arquitetura, talvez até mais do que os de engenharia, têm sua atuação voltada para a produção do mercado privado: arquitetura habitacional de classe média, arquitetura de negócios como lojas, sedes empresariais, hospitais, clínicas particulares etc. Esta produção tem como ‘cliente’ um indivíduo, uma família, uma empresa. É o que eu chamaria de atendimento individualizado. Na gestão pública ou na produção pautada por programas públicos, o cliente é sempre coletivo. Este cenário requer, além de 20 DEZEMBRO/2010

capacidade técnica, conhecimento tecnológico e domínio estético, reflexão sociológica e antropológica sobre as comunidades atendidas. Embora a engenharia seja uma formação da área de exatas e a arquitetura ocupe espaço nas áreas das artes e exatas, entendo serem profissões com extenso enredo na área de humanas. Isso amplia as condições de transformação socioeconômicas e culturais a partir das intervenções físico/espaciais. O arquiteto e o engenheiro que são servidores públicos já têm esta visão? Tudo está em movimento. Isso também está mudando, principalmente em função das novas oportunidades de atuação desses profissionais. Já houve um tempo em que, equivocadamente, considerava-se o servidor público um profissional que não tinha alcançado sucesso na iniciativa privada. Hoje esse status é visto de outra maneira, também como parte da conjuntura que estamos discutindo. Acredito que esta visão mais humanizada e mais ampliada deve se fazer presente desde a formação desses profissionais. O desempenho nesta área, principalmente no atendimento habitacional, também tem mudado a visão e o entendimento que a sociedade tem a respeito destas profissões e da sua importância no serviço público. É possível notar admiração por essas profissões em suas palavras. A senhora se vê concluindo o curso de arquitetura iniciado na PUC-GO? Às vezes a gente prioriza as coisas mais urgentes e não as mais importantes. Na minha trajetória foi mais urgente o trabalho, o que me levou a conhecer a realidade das coisas fora do ambiente acadêmico. Entre a escolha de resolver uma questão pessoal no espaço em que eu estava ocupando e avançar em um propósito que era coletivo, não tive dúvidas e adiei a conclusão do curso, sem perder o desejo e a esperança de fechar este ciclo de formação e partir para um mestrado e doutorado, quando possível. Se houvesse tempo para dedicação exclusiva, seria necessário apenas um semestre para concluir a graduação em arquitetura e urbanismo. Trabalhei com a urbanização de favelas no


Rio de Janeiro, planos diretores em Curitiba e em Goiás, participei de programas habitacionais na cidade de São Paulo, dirigi a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo CMTC em Goiânia, coordenei um dos maiores programas governamentais de apoio aos municípios para elaboração de seus Planos Diretores Participativos na Secretaria das Cidades, entre outras atuações no meio público, e acho que as experiências vividas me oportunizarão concluir a trajetória acadêmica com muito mais amadurecimento e capacidade de usufruir e aplicar os conhecimentos teóricos. À frente da Agehab, a senhora propôs a renovação da política pública habitacional para o Estado. Qual foi o mérito maior desse trabalho? Entendemos que o avanço mais significativo foi tratar a habitação de forma integrada, como uma política de abrangência social e não apenas como uma área da construção civil. Para isso criamos o Programa Moradia Digna, que prevê incorporar ao diálogo da temática habitacional as questões sociais, culturais, econômicas, tecnológicas, urbanísticas, ambientais,

jurídicas, pensando promoção habitacional para além da construção de casas. Isso se inicia na ‘porta de entrada’ com procedimentos democráticos de caracterização da demanda, como o cadastro eletrônico, que prioriza o atendimento conforme a vulnerabilidade social da família (rompendo com o velho modelo das influências políticas), incorpora novas alternativas arquitetônicas para moradia de interesse social e traz para a promoção habitacional a infraestrutura física e social do empreendimento. Avançamos muito na concepção de gestão pública a partir das parcerias com os demais setores e ampliamos a interlocução federativa com a união e com os municípios. Apostamos numa política púbica que valoriza o fortalecimento da gestão municipal e o avanço do controle social. Revisamos os marcos legais e iniciamos um processo de planejamento habitacional integrando governos locais e o governo estadual. Muita coisa está iniciada, mas precisamos avançar no amadurecimento e na consolidação desta política, seguindo sempre em frente, pois deve ser da natureza da gestão pública avançar e nunca retroceder.

Legislação

Resolução 1025: Fique por dentro A nova legislação traz algumas mudanças no que se refere ao registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e solicitação de emissão de Certidão de Acervo Técnico – CAT. Conheça algumas das mudanças trazidas pela Resolução do Confea O principal objetivo do Confea ao editar esta nova Resolução é de que as obras tenham um comprometimento maior com a real e efetiva participação do profissional. A Resolução procurou identificar boas práticas com soluções inovadoras, compatível com os aspectos técnicos operacionais e tecnológicos atuais. Confira as principais mudanças: BAIXA DA ART A partir desta Resolução, a baixa poderá ser requerida pelo profissional, por meio eletrônico, pelo contratante ou contratado, por meio de formulário próprio, sendo necessária nos casos de conclusão de obra ou serviço, interrupção da obra ou serviço, rescisão contratual, substituição do responsável técnico ou paralisação da obra ou serviço. REGISTRO DE ART A ART deve ser anotada sempre antes do início da atividade nela descrita. Nos casos de obras públicas será concedido o prazo de até 10 dias após a assinatura da ordem de serviço ou do contrato para

anotação de ART, porém esta deverá estar registrada antes do início da atividade. Nenhuma ART será mais registrada para serviços já concluídos, cujas atividades tenham inicia após 1º de janeiro de 2010. Ou seja, depois dessa data, não será mais possível anotar ART após a conclusão da obra. VÁRIOS PROFISSIONAIS No caso de existirem na obra/serviço vários profissionais da mesma modalidade, cada um desenvolvendo uma parte do serviço, um deles deve ser especificado como responsável técnico e deve registrar uma ART principal e os demais devem registrar uma ART de co-autoria/co-responsabilidade a esta, especificando cada um na sua ART quais serviços foram executados em co-autoria/co-responsabilidade. Dessa forma, a ART determina a parcela de responsabilidade técnica do profissional envolvido e também no caso de ampliação, prosseguimento ou conclusão de empreendimento iniciado por outro profissional. DEZEMBRO/2010 21


Gestão

Crea-GO avança na implementação do GesPública Instrumento Padrão de Pesquisa de Satisfação e Autoavaliação são ferramentas do GesPública já aplicados à gestão do Crea-GO

Os voluntários que formam o Comitê Gestor Interno, composto por colaboradores, junto com o presidente Gerson Taguatinga participam de Oficina de Autoavaliação 22 DEZEMBRO/2010

O Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (GesPública), desenvolvido pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, encontra-se em processo adiantado de implementação no Crea-GO. Com a adesão do Conselho ao Programa, formalizada em maio de 2010, pelo presidente Gerson Taguatinga, o GesPública já teve duas, de suas seis ferramentas, aplicadas à gestão da entidade. “A primeira delas, no mês de outubro, foi o Instrumento Padrão de Pesquisa de Satisfação (IPPS), que auxilia a verificar como estão os serviços prestados pela entidade. É uma metodologia de pesquisa que investiga o nível de satisfação dos usuários do serviço e foi desenvolvida para se adequar a qualquer organização pública prestadora de serviços direto ao cidadão”, diz a engenheira Civil Heliara Coelho Ferreira de Oliveira, coordenadora do GesPública dentro do Conselho. A pesquisa de satisfação foi realizada com clientes que solicitaram algum serviço ou informação na Sede, nos dias 19, 20 e 21 de outubro de 2010 e nas Regionais (Porangatu, Uruaçu, Formosa, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Caldas Novas, Itumbiara e Goiás) no dia 20 de outubro de 2010. Os usuários responderam a um questionário contendo 16 perguntas com o objetivo de avaliar a satisfação e promover a informação gerencial nos serviços de Atendimento, Fiscalização, Registro, ART/Acervo, Cobrança, Técnico e outros. “Em uma análise geral o nível de satisfação do cliente foi superior ao esperado” avalia a engenheira Heliara. Os resultados indicam no

geral a satisfação de 99,31%. No detalhamento da análise, a conservação e limpeza tiveram 99,17% de aprovação; o atendimento dos funcionários 97,90%; a capacidade dos funcionários 96,50%; o serviço ser feito direito 97,69% e a facilidade para conseguir o serviço atingiu 94,95% de satisfação. Ainda em outubro, os 24 voluntários que formam o Comitê Gestor Interno, composto por colaboradores de diversos departamentos da Autarquia, participaram de uma oficina de Autoavaliação, que teve como instrutora a coordenadora do Núcleo do Mato Grosso do GesPública, Patrícia de Souza Atagiba Proença. “Foi uma semana de trabalho intenso que nos ajudou muito a conhecer melhor a organização e o trabalho que é desenvolvido em todas as áreas”, resume Heliara. “Na Autoavaliação foram identificados os pontos fortes e os aspectos gerenciais menos desenvolvidos, que devem ser objeto das ações de aperfeiçoamento”, completa. Na autoavaliação são utilizados oito critérios de excelência para Avaliação da Gestão Pública: liderança, estratégias e planos, cidadãos, sociedade, informações e conhecimentos, processos, pessoas e resultados. “Concluimos o relatório de autoavaliação no instrumento de 250, atingindo 218 pontos. O documento foi enviado para o núcleo regional, que fica na capital do Maranhão, que o enviará para o Ministério do Planejamento para que seja validado e nos seja concedida uma certificação”, esclarece a coordenadora do GesPública. Agora faltam aplicar à gestão do Crea-GO as ferramentas: Carta de Serviços, Gestão de Processos, Guia “d” Simplificação e Indicadores de Gestão. Heliara explica ainda que o processo é contínuo, visto que a Carta de Serviços terá que ser revisada todos os anos e o IPPS e a autoavaliação também terão que ser aplicados anualmente para conferir se as melhorias foram implantadas. “A prática do GesPública implica para a organização um processo de transformação sustentada em princípios fundamentais: participação e comprometimento, informação e transparência, aprendizagem e participação do cidadão. Esses princípios têm como premissas o foco no cidadão e a indução do controle social”, informa.


Prêmio Crea de Meio Ambiente 2010

Nove anos incentivando o desenvolvimento sustentável A cerimônia de entrega do 9º. Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente reuniu 400 convidados na Mansão Boullevard

Presidente do Crea-GO, Gerson Taguatinga, falou aos presentes sobre a necessidade da implantação de políticas de logística verde e fez duras crítica à prática do greenwashing ou “lavagem verde”.

A fim de valorizar ações de desenvolvimento sustentável, o Crea-GO realiza anualmente o Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente. A cerimônia de entrega foi realizada na Mansão Boullevard, em Goiânia, no dia 11 de novembro e contou com a presença de 400 convidados, dentre eles autoridades, presidentes e diretores de entidades de classe, representantes de instituições de ensino, conselheiros federais e estaduais, presidentes de Regionais como Jary de Carvalho e Castro, do Crea-MS, e Francisco Machado, do Crea-DF, e profissionais da imprensa.

“Pelo nono ano consecutivo, o Crea-GO expressa o reconhecimento aos profissionais e sociedade goiana que se destacaram por suas posições, ações, projetos e programas na luta pela preservação, defesa e conservação do meio ambiente. Esta iniciativa do Crea-GO também permite a identificação de valores morais e éticos que estimulem a consciência ambiental e que venham a contribuir com a melhoria da qualidade de vida e de mudanças de comportamento da sociedade em prol da saúde do meio ambiente”, declarou o Engenheiro Civil Gerson de Almeida Taguatinga, presidente do Crea-GO. Categorias A Autarquia recebeu 65 inscrições ao prêmio em 2010. Desde a primeira edição, em 2001, foram inscritos 605 projetos/programas, sendo que 79 foram premiados e 18 receberam menção honrosa. Em 2010, as modalidades abrangidas pelo prêmio foram: Arquitetura, Urbanismo, Saneamento, Geologia e Minas, Produção Agronômica, Produção Limpa, Meio Ambiente Rural, Educação Ambiental e Imprensa (abrangendo imprensa escrita, rádio e TV). A Comissão Julgadora foi composta por 25 integrantes, formada por membros da diretoria e da Comissão de Meio Ambiente do Crea-GO, por profissionais de comunicação pertencentes ao meio acadêmico e por especialistas convidados, que fizeram uma triagem dos projetos apresentados, desclassificando as propostas que não estavam em consonância com o objetivo do prêmio e que não apresentaram a documentação exigida. Coube à Comissão Julgadora eliminar os projetos/ programas que obtiveram nota final inferior a oito. Por isso, as categorias Imprensa-Rádio, Produção Agronômica, Geologia e Minas, Arquitetura e Meio Ambiente Rural não tiveram premiações em 2010. DEZEMBRO/2010 23


Assim, dois diplomas de menções honrosas e seis estatuetas, em forma de Seriema, foram entregues aos premiados. Premiação Na abertura da solenidade de premiação, a arquiteta Maria Luisa Gomes Adorno, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente do Conselho frisou: “Para que estas atividades desenvolvidas de forma individual ou coletiva possam ser incentivadas e também divulgadas a um maior número de pessoas, podendo torná-las mais efetivas, o Crea-GO, através do Prêmio, expressa o seu reconhecimento àqueles que fazem pelo meio ambiente. Este prêmio é uma das ações mais visíveis hoje no Estado de Goiás”. Em seu discurso Taguatinga ressaltou a importância de banir uma prática enganosa adotada por empresas, instituições públicas ou indivíduos que mascaram suas ações com relação ao meio ambiente para enganar o consumidor. Essa prática é conhecida como “greenwashing”, que significa “lavagem verde”. O presidente ainda chamou a atenção para a necessidade de implantação de políticas de logística verde, baseada nos conceitos da logística reversa de pós-consumo. Para ele, a logística reversa é uma arma estratégica para coletar, desmontar, processar ou reutilizar produtos, materiais e/ou peças usados a fim de assegurar uma preservação sustentável do meio ambiente. Projetos vencedores Conheça cada um dos premiados na 9ª edição do Prêmio Crea Goiás de Meio Ambiente Menção Honrosa Projeto: Método construtivo utilizando garrafas pet enclausuradas no interior de concreto armado moldado in loco Premiado: Engenheiro Civil Georgeo Dias Fernandes O projeto consiste no desenvolvimento e experimentação de um sistema construtivo utilizando garrafas pet no seu processo, com o objetivo de viabilizar o uso do material na execução de projetos habitacionais de pequeno e médio porte. O projeto foi desenvolvido por meio de experimentação prática na elaboração e execução de pequenos elementos construtivos. O resultado foi o aprimoramento contínuo 24 DEZEMBRO/2010

Georgeo Dias (E) recebe o diploma das mãos do engenheiro Jary de Carvalho, presidente do Crea-MS

e gradual do sistema construtivo, através da observação dos resultados e o desenvolvimento de soluções para sanar os problemas constatados. O sistema é exeqüível, seguro, prático, eficiente e tem potencial de se tornar uma alternativa para a construção civil e ao mesmo tempo contribuir para a reciclagem de garrafas pet, material rico em possibilidades e que erroneamente descartado traz graves prejuízos ao meio ambiente. Menção Honrosa Projeto: Projeto Vínculos Sustentáveis Premiado: Belcar Caminhões e Máquinas Ltda / Cristina Souza – diretora de RH / Marketing e Sustentabilidade. O Projeto Vínculos Sustentáveis consiste em integrar o Sistema de Gestão Ambiental da Belcar Caminhões com instituições sociais. Busca-se também conhecer e mapear as práticas ambientais dos parceiros que compram os demais resíduos. O trabalho de doação acontece de janeiro a dezembro, já que a geração de resíduos na empresa é constante, beneficiando mais de 45 famílias da

Cristina Souza recebe o diploma do engenheiro Francisco Machado, presidente do Crea-DF


Cooperativa de Reciclagem de Lixo de Goiânia (Cooprec) e da Associação Beija-flor, e também os assistidos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE Goiânia) e da Associação Pestalozzi. O artesanato feito com o reaproveitamento desses resíduos é apresentado em exposições realizadas em conjunto com as demais datas comemorativas da empresa. A Belcar Caminhões adquire também alguns brindes promocionais dessas instituições. Esta foi a forma encontrada pela empresa para contribuir com a sustentabilidade social e financeira das instituições que fazem parte do projeto. A educação ambiental também é outro ponto forte do projeto, ao apresentar aos trabalhadores o resultado de contribuir com a coleta seletiva.

e soluções num prisma mais próximo dos sentimentos de quem ama o rio. Em cada matéria da série há a preocupação de destacar um sentimento. Alertas genuínos para os perigos que cercam o Araguaia, como a degradação ambiental, o turismo predatório, a poluição das águas. Uma viagem pelas sensações e linguagem de cada texto foi norteada por uma canção da MPB. O objetivo foi mostrar um Araguaia diferente, inédito. Um Araguaia transbordante de humanidade. Modalidade imprensa – TV Programa: Coleta Seletiva – Uma Atividade Socioambiental Premiado: Programa Trilhas do Brasil Jornalista Rosângela Aguiar

Modalidade imprensa escrita Matéria: Araguaia: o rio e seus afetos - Jornal O Popular Premiado: Jornalista Rogério Pereira Borges Esta série de reportagens, que englobou 8 dias seguidos de publicação e 11 reportagens no Jornal O Popular, mergulhou nos sentimentos que o Rio

Conselheiro Idalino Serra Hortêncio ladeado por Rosângela Aguiar e sua estagiária Luísa

Rogério Borges recebe estatueta das mãos do presidente do Crea-GO, Gerson Taguatinga

Araguaia provoca naqueles que têm suas vidas entrelaçadas com seu curso. Durante uma semana, o jornalista Rogério Borges e o repórter fotográfico Renato Conde percorreram toda a extensão do Araguaia em estradas que o margeiam, falando das histórias humanas que o cercam. Foram mais de 2.500 km rodados que resultou em um amplo registro jornalístico da atual situação do Araguaia sob outra perspectiva, mostrando os problemas

O Programa Trilhas do Brasil, com o tema “Coleta Seletiva – Uma Atividade Sócioambiental”, foi exibido no dia 8 de agosto de 2010, na TV Serra Dourada, afiliada do SBT-GO, com alcance de 95% do Estado de Goiás. O objetivo desta reportagem foi mostrar o que é e como funciona a coleta seletiva, qual a participação de cada cidadão e do poder público e, em especial, que esta é uma atividade que ajuda a preservar os recursos naturais e garante qualidade de vida para aqueles que chamamos de “catadores de papel”, e que, na verdade, são os verdadeiros recicladores. Estes personagens têm um papel importante no processo de coleta seletiva e são pouco valorizados. A base desta reportagem é o programa Coleta Seletiva implantado em Goiânia, as cooperativas ligadas a este programa e os recicladores independente DEZEMBRO/2010 25


e cooperados. O programa faz um alerta para a quantidade de lixo produzido por cada pessoa, em média um quilo por dia, o que significa em uma cidade do tamanho de Goiânia mais de mil e duzentas toneladas de lixo por dia, a porcentagem que é reaproveitada e como fazer para garantir este reaproveitamento. Modalidade Urbanismo Projeto: Realização do Parque Ambiental Cascavel Premiados: Trípoli Construtora Ltda / Gold Purple Empreendimentos Imobiliários Ltda

Maria Luiza, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente do Crea-GO, entrega prêmio a Jorge Thadeu Abrão

O projeto consiste na realização de um parque ambiental, denominado Parque Municipal Natural Cascavel, de forma a revitalizar e recuperar a área, anteriormente degradada, correspondente à nascente do Córrego Cascavel. A realização do Parque foi desenvolvida por uma parceria públicoprivada concebida, de um lado pelas empresas Trípoli Construtora e Goldfarb (representada pela Terrano) e, de outro, pela Prefeitura de Goiânia e a Agência Municipal de Meio Ambiente. O Parque, localizado no bairro Jardim Atlântico, na região Sul da cidade de Goiânia, teve suas obras iniciadas em junho de 2008 e foi inaugurado em 30 de agosto de 2009. A luta pela efetivação do Parque, entretanto, vinha ocorrendo por parte dos sóciosproprietários da Trípoli Construtora, Fábio Abrão e Jorge Tadeu Abrão, há mais de dez anos, antes mesmo da criação da empresa. O projeto foi considerado um sucesso ao alcançar os resultados esperados, garantindo 26 DEZEMBRO/2010

uma unidade de conservação ambiental com área total de 361.234,36 m2 e a satisfação da sociedade devido à melhoria da qualidade de vida, proporcionada pela implementação de um conjunto de equipamentos públicos (pista de caminhada, estações de ginástica, ponte de madeira sobre o lago, parque infantil) aliado aos elementos naturais do Parque Cascavel. Modalidade Saneamento Projeto: O Processo Contínuo de Sustentabilidade Flamboyant. Premiados: Engenheiro Mirannides Matos – diretor de Operações Flamboyant / Adriana Cunha – coordenadora do Projeto Gestão Ambiental. Em 2007/2008, foi institucionalizada a Gestão

O Engenheiro Civil Mirannides Matos recebe prêmio do Secretário de Estado de Cidades, Paulo Gonçalves

Ambiental e o Comitê de Sustentabilidade do Flamboyant Shopping Center, com o objetivo de integrar, de planejar, implementar e monitorar as ações ambientais do grupo. Algumas importantes ações foram colocadas em prática a fim de utilizar de maneira racional os recursos naturais renováveis ou não: poços de captação de água para abastecer o lençol freático, uso racional da água, Parque Ecológico Flamboyant, Preservando o Bioma Cerrado, Consumo Consciente, Estação de Tratamento de Esgoto do Flamboyant Shopping Center, Uso Racional da Água, Limpeza e Higienização de Reservatórios. Objetivando a sustentabilidade investimos em um processo contínuo de mudanças, integração e desenvolvimento assumindo definitivamente, a missão de ser referência no desenvolvimento sustentável. Estes processos garantem a conservação e preservação da biodiversidade, a


reciclagem e a redução do impacto ambiental com educação continuada, processual, formadora de cultura dirigida a todos os parceiros, sempre com o objetivo de mobilizar, criar consciência, mudar paradigmas e formar massa crítica. Modalidade Produção Limpa Programa: Produção Mais Limpa e Sustentável Premiado: Pontal Engenharia Construções e Incorporações Ltda - Eng. Civil Wesley de Andrade Galvão O Programa Produção Mais Limpa e

Engenheiro Francisco de Almeida, presidente da Amob, entrega prêmio para Wesley de Andrade Galvão (E) e equipe

Sustentável é uma iniciativa da Pontal Engenharia para o gerenciamento de resíduos e gestão ambiental na área da construção civil, e é um programa que atende a norma NBR ISO 14001:2004. Este programa foi iniciado em dez/07 e foi aplicado em todas as unidades da Pontal Engenharia e se destina a todas as partes interessadas da construtora: governo, entidades, clientes, fornecedores e colaboradores. O objetivo geral do programa é fornecer um modelo de gestão ambiental e gerenciamento de resíduos que possa ser aplicado nas dependências da construtora e em qualquer empresa de construção civil, agregando valor ao processo produtivo e ao produto final ao longo de sua vida útil. Para muitos, o resultado maior foi a certificação do Sistema de Gestão Integrado, segundo a norma ISO 14001:2004 pelo organismo certificador ICQ Brasil. No entanto, os maiores e melhores

resultados foram a mudança de postura dos colaboradores e o incremento de tecnologias sustentáveis no produto e processo produtivo que geram ativos ambientais ao longo de toda vida útil do empreendimento. Conclui-se que este programa é uma ferramenta estratégica para os negócios da empresa e se constitui em um importante instrumento de multiplicação da cultura sustentável no mercado carente da construção civil. Modalidade Educação Ambiental Projeto: Semana Águas do Cerrado Premiado: Associação Ambiental Pró-Águas do Cerrado - Bárbara Donck Oliveira O Programa de Educação Ambiental “Semana

Karem de Araújo Teixeira recebendo o prêmio das mãos do vereador Anselmo Pereira

Águas do Cerrado” tem o objetivo de desenvolver atividades junto à rede pública de ensino, cuja temática envolve assuntos referentes à bacia hidrográfica e políticas de gestão ambiental, de saneamento e de recursos hídricos. A intenção é de realizar em sala de aula uma semana de atividades voltadas ao tema “água”. No ano de 2009 foi realizado projeto piloto nos municípios de Senador Canedo e Nerópolis via parceria formalizada junto às Prefeituras através das Secretarias Municipais de Educação. O tema trabalhado incluiu conceitos e noções de bacias hidrográficas, tratamento de águas e tratamento de efluentes industriais. No primeiro semestre foi realizada capacitação dos professores e planejamento das atividades; e no segundo semestre houve a aplicação dos conceitos aos alunos. Ao final foi realizada solenidade de encerramento, quando os alunos tiveram a oportunidade de demonstrar à comunidade os trabalhos realizados e conceitos adquiridos. DEZEMBRO/2010 27


Artigo

Vila Boa de Goiás e a formação do território A partir do início do século XVIII, a mineração se consolida como principal atividade colonizadora. Consequente a isso, diferentes bispados e prelazias foram instalados em várias partes da América portuguesa, configurando o esboço de uma nova divisão territorial caracterizada pela numerosa fundação de vilas e cidades; algumas delas, inclusive, destinadas a serem cabeças de termos e até capitanias, como Vila Rica (Ouro Preto), Vila Boa de Goiás e Cuiabá, no Mato Grosso. Surgia um outro cenário administrativo que visava prioritariamente garantir à metrópole a vigilância, os direitos e a extensão de autoridade sobre as terras minerais, notadamente aquelas que se localizavam além de Tordesilhas. Documentos setecentistas ilustram quão importante foram as primeiras providências para o efetivo controle desta região. A ereção de uma povoação capital representava também a sua organização, através da instauração de um governo local e de uma política que, semelhante à de Cuiabá (1740), além de ultrapassar “as circunstâncias de defesa de uma área localizada, para vir a significar a defesa de toda a conquista” (ARAÚJO, 200), visava sobretudo ampliar a segurança da exploração do ouro encontrado e a reorganização de toda a colônia. Estes foram alguns dos motivos principais que ensejaram a ereção de Vila Boa. As primeiras ações aconteceram a partir de 1736, quando o governador de São Paulo recebeu ordens reais para a sua fundação. No entanto, apesar da urgência da tarefa, ela só se cumpriu em 1739, pois o primeiro homem destinado e executá-la, D. Antônio Luiz de Távora, Conde de Sarzedas, faleceu em 1737 no arraial de Traíras. Diante de tais circunstancias, em 1738, o Superintendente Geral das Minas de Goiás, Agostinho Pacheco Telles, afirmava não só a intenção de Sua Majestade “mandar criar vilas nas povoações que chamam Arraiais” (AHU, 1739) como também informava ao Conselho sobre a 28 DEZEMBRO/2010

“necessidade que padeciam os povos daquelas Minas de administração”, pois eram grandes as “distâncias em que ficavam umas povoações das outras” (AHU, 1739). Em 1739, finalmente o sucessor do governador de São Paulo, Luís de Mascarenhas, demarcou as quatro léguas de terra para o termo da vila, ao lado do Arraial de Santana, em um sítio que deveria estar provido de água saudável e quantidade suficiente de lenha para o abastecimento do novo lugar. Por outro lado, não foram apenas as decisões de âmbito administrativo que caracterizaram a implantação deste mais novo centro irradiador de controle. Para instaurá-lo, intervenções em seu corpo físico também foram realizadas e coordenadas pelos vereadores da nova vila. E estas intervenções (urbanas) iam desde a definição do seu termo – delimitação territorial da povoação –, passando pelo assentamento do pelourinho, a construção da casa de Câmara e Cadeia e da Igreja Matriz, até a evidente preocupação com a regularidade das casas. Todos esses zelos revelam uma clara atenção com a organização e regularização do traçado de novas povoações. No universo luso-brasileiro, esse tipo de organização urbana se orientava em duas fontes principais. Uma, segundo Francisco Dias de Andrade, são os tratados de jurisconsultos portugueses dos séculos XVI, XVII e XVIII, particularmente o de Manoel Alvares Ferreira (1706-?): Tractatus de Novorum Operum Aedificationibus, Eorumque Nuntiationibus, et Adversus Construere Votentes in Alterius Praejudicium. Dentre todos, é o que mais trata da urbanística luso-brasileira. A obra está dividida em seis importantes volumes, a versar sobre vários aspectos da construção, aumento e conservação das partes urbanas, desde a conceituação dos tipos de povoação até o modo e dimensão de aberturas das habitações. Entretanto, para além da importância dessa


referência, em que o foco principal gira em torno de direitos e obrigações, são os códigos e posturas municipais os documentos que melhor tratam das questões relacionadas à construção e aparência das povoações. Essas fontes tratam de alinhamentos das edificações, abertura de paredes, reformas de construções, cuidados para com as fontes e águas pluviais, asseio e decência de arruamentos, limpeza etc. Em Goiás, as mais antigas posturas de que se tem notícia são de 1743. É nela que se encontram as primeiras preocupações com a manutenção dos acessos à Vila Boa, conserto das ruas e a limpeza das testadas dos lotes e de seus respectivos quintais, devendo estas tarefas ser realizadas pelos moradores sob pena de serem punidos se não atendessem a tal determinação. Quanto à regularidade das construções, as posturas mais conhecidas são as da segunda metade do século XVIII, e foram elaboradas pelo governador Luis da Cunha Meneses (1778/1783), por desejar atender “às simétricas perspectivas das povoações mais civilizadas” (BERTRAN, 1997). Mas, mesmo com todo este aparato legal, profundas e significativas distorções

em relação ao plano de Vila Boa se apresentam ao longo de sua implantação, levando inclusive o Ouvidor Geral e Corregedor da Câmara de 1749 a reclamar vigorosamente desta irregularidade. Segundo tais considerações, pode-se dizer então que a capital goiana auxiliou o início de uma reorganização política da colônia brasileira. Vila Boa foi a representante física e legal das instituições de Portugal e a única articuladora dos diferentes arraiais existentes na região. Por esta razão, ela não foi apenas um simples povoado de mineração, mas sobretudo um importante centro fiscal e políticoadministrativo da metrópole, responsável pela hierarquização, defesa e eficácia dos caminhos e comunicações, ordenadora de todo o corpo territorial da capitania. Mais que isto ela representava, sobretudo, a certeza do controle das minas de ouro do Brasil central e a incorporação aos domínios de Portugal de parte de um território que não lhe pertencia anteriormente. Autores: Deusa Maria R. Boaventura (PUC-GO/UEG) e Rodrigo Almeida Bastos (UFMG/Univille)

1111dededezembro. dezembro.

Dia Dia dodo Engenheiro, Engenheiro, Arquiteto Arquiteto e e Agrimensor Agrimensor . . Há Há 77 77 anos anos atrás, atrás, um um decreto decreto federal federal regulamentava regulamentava estas estas grandes grandes profissões. profissões. Hoje, Hoje, continuamos continuamos a comemorar a comemorar esse esse reconhecimento reconhecimento mais mais do do queque merecido merecido e todas e todas as as conquistas conquistas de de suasua excelente excelente atuação. atuação.

ParabŽns ParabŽns a quem a quem mede, mede, planeja planeja e constr—i e constr—i cada cada metro metro quadrado quadrado do do nosso nosso crescimento. crescimento.

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Expediente PRESIDÊNCIA PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA ARQUITETURA E AGRONOMIA DE GOIÁS

ANO IV - Nº 12 / DEZEMBRO 2010

PRESIDENTE: Eng. Civil GERSON DE ALMEIDA TAGUATINGA Mandato: 01/01/2009 a 31/12/2011 DIRETORIA

A Revista do Crea-GO é uma publicação trimestral do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Goiás, dirigida aos profissionais e empresas registrados na Autarquia. As opiniões contidas em artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da revista.

1° VICE-PRESIDENTE: Arq. e Urb. LUCIANO MENDES CAIXETA 2° VICE-PRESIDENTE: Eng. Agr. MARCIO SENA PINTO 1° SECRETÁRIO: Eng. Civil ROGER PACHECO PIAGGIO COUTO 2° SECRETÁRIO: Téc. em Edif. MARCO ANTÔNIO DE MELO 1° TESOUREIRO: Eng. Civil EDSON PONCIANO TRESVENZOL 2° TESOUREIRO: Eng. de Minas AUGUSTO CÉSAR GUSMÃO LIMA

05. CEGEM.-CÂMARA ESPECIALIZADA DE GEOLOGIA E MINAS: Geól. WANDERLINO TEIXEIRA DE CARVALHO - Coordenador COMPOSIÇÃO DAS COMISSÕES 01.COMISSÃO DE ÉTICA PROFISSIONAL: Eng. Mec. JAIR DINOAH DE ARAÚJO JÚNIOR - Coordenador 02.COMISSÃO DE ORÇAMENTO E TOMADA DE CONTAS: Téc. Agropec. VALDIVINO ETERNO LEITE - Coordenador

REVISTA DO CREA-GO Coordenadoria de Comunicação Social do Crea-GO: Coordenador: Eng. Civil Antônio de Pádua Teixeira Telefone: (62) 3221-6200 - Email: antoniodepadua@crea-go. org.br Área de Imprensa do Crea-GO: Jornalista responsável: Doris Costa - MTB nº JP-00886-GO Telefone: (62) 3221-6200 Fax: (62) 3221-6281 E-mail: doriscosta@crea-go.org.br Projeto gráfico: Fábio Salazar Leite Edição: Olho Comunicação Estratégica - (62) 3541-5960 olhocomunica@gmail.com Reportagem: Ana Maria Morais, Karla Rady, Rhadá Costa, Marina Costa diagramação, fotolito, impressão, produção e publicidade: CIR Gráfica e Editora Ltda. Av. Vereador José Monteiro nº 1814 Setor Negrão de Lima - CEP: 74650-300 - Goiânia - Goiás Fone: (62) 3202-1150 - E-mail: cirgraf@terra.com.br Tiragem: 20.000 exemplares COMPOSIÇÃO DAS CÂMARAS 01. C.E.A - CÂMARA ESPECIALIZADA DE AGRONOMIA: Eng. Agr. ROGÉRIO DE ARAUJO ALMEIDA - Coordenador 02. C.E.ARQ. - CÂMARA ESPECIALIZADA DE ARQUITETURA: Arq. e Urb. MARIA LUISA GOMES ADORNO - Coordenadora 03. C.E.E.C.A - CÂMARA ESPECIALIZADA DE ENGENHARIA CIVIL E AGRIMENSURA Eng. Civil PETROLINCES PANTALEÃO DE ARAÚJO Coordenador

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04.C.E.E.E.M-CÂMARA ESPECIALIZADA DE ENGENHARIA ELÉTRICA, MECÂNICA E QUÍMICA: Eng. Eletric. LUIZ CARLOS CARNEIRO DE OLIVEIRA - Coordenador

03. COMISSÃO DE LICITAÇÕES: Eng. Civil DIOGO VELOSO NAVES NETO - Coordenador 04. COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE: Arq. e Urb. MARIA LUISA GOMES ADORNO - Coordenadora 05. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E ATRIBUIÇÃO PROFISSIONAL Eng. Eletric. NÉLIO BENEDITO FLEURY - Coordenador 06. COMISSÃO DE ESTUDO DE RENOVAÇÃO DO TERÇO: Eng. Civil ROGER PACHECO PIAGGIO COUTO - Coordenador 07. COMISSÃO DE ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO: Eng. Eletric. ROBSON IWAMOTO RIBEIRO DA COSTA Coordenador 08. COMISSÃO DO MÉRITO: Eng. Civil OSVALDO LUIZ VALINOTE - Coordenador 09. COMISSÃO ORGANIZADORA DO 7° CONGRESSO ESTADUAL DE PROFISSIONAIS Eng. Flor. DANIEL DEMORI - Coordenador 10. COMISSÃO REVISORA DE RELATORIA DE PROCESSOS Geólogo WANDERLINO TEIXEIRA DE CARVALHO - Coordenador GRUPO DE TRABALHO 01. GRUPO DE TRABALHO SOBRE ACESSIBILIDADE, MOBILIDADE E TRANSPORTE: Eng. Civil AUGUSTO CARDOSO FERNANDES - Coordenador


Calçada Inteligente Circulação livre

Drenagem e infraestrutura urbana

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Revista Crea Goiás 012