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Coopera SP Revista do Cooperativismo Paulista

ano I Ÿ no 1 Ÿ jan/fev/mar 2016

A saúde que se reinventa Para atender aos crescentes desafios, 29 Unimeds recriam a medicina preventiva e o médico de família com o apoio do Sescoop/SP

Flores poderosas

Estudo mostra que cadeia produtiva faturou R$ 4,5 bilhões em 2014

Intercooperação

Cobrac e Coopercitrus dão início à parceria estratégica

Cooperativas ameaçadas Regras da Aneel ameaçam inviabilizar 67 cooperativas de energia elétrica


O Dia de Cooperar é um compromisso das cooperativas brasileiras na busca por um mundo mais justo e igual. Inscreva as ações voluntárias da sua cooperativa e faça parte dessa corrente do bem, que cresce a cada ano.

Acesse diac.brasilcooperativo.coop.br


Carta ao leitor

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Nasce a revista do cooperativismo paulista É com imenso prazer que apresentamos à família cooperativista o primeiro número da nova revista do Sescoop/SP, a Coopera SP, que esperamos se transforme em uma poderosa ferramenta para ajudar a fortalecer os vínculos entre cooperativas, cooperados e a sociedade civil. E, por falar em família, a reportagem de capa desta primeira edição da Coopera SP traz à tona o resgate de um personagem fundamental para o bem-estar da comunidade, o médico de família. Trata-se de uma experiência revolucionária que está sendo levada a cabo por 29 Unimeds – até agora. Essa experiência consiste em substituir o atual modelo de assistência à saúde, que prioriza o hospital e a medicina especializada, por um novo modelo, que dá ênfase ao indivíduo e à prevenção e, portanto, à valorização do clínico geral e médico de família. A reportagem detalha os exemplos da Unimed de Guarulhos e da Uniodonto Jaboticabal. Você também ficará sabendo mais sobre o mercado de flores, uma cadeia produtiva cuja dinâmica é comandada por três cooperativas paulistas, movimenta nada menos que R$ 10 bilhões por ano e gera R$ 2 bilhões em impostos e taxas. Outra reportagem mostra a Cooperativa Agropecuária do Brasil Central (Cobrac), que fez 50 anos em outubro passado e agora está em vias de ser incorporada pela Coopercitrus, uma das maiores cooperativas de produtores rurais do Brasil, com sede em Bebedouro. Confira também as matérias sobre as cooperativas de distribuição de energia elétrica, atualmente sob ameaça das grandes concessionárias; sobre as cooperativas de crédito, cuja categoria foi recentemente reclassificada pelo Conselho Monetário Nacional; e os programas de segurança no trabalho e de qualificação profissional promovidos pelo Sescoop/SP. Ah, e conheça um pouco da história das origens do cooperativismo, na Inglaterra vitoriana do século XIX.

Boa leitura!

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índice

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EXpEDIENTE SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM DO COOPERATIVISMO NO ESTADO DE SÃO PAULO (SESCOOP/SP)

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Entrevista Edivaldo Del Grande

Um novo gigante cooperativo

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Coopercitrus e Cobrac dão os primeiros passos para união

Flower power Cadeia produtiva atinge R$ 4,5 bilhões

10 Médico da família Unimeds recriam medicina preventiva

17 Para todos Sucesso faz Curso de Libras avançar

20 Qualificação profissional Cresce a procura por cursos no Sescoop/SP

22 Luta contra o apagão Pequenas cooperativas de energia sob ameaça

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Cooperativas de crédito

Classificação do CMN traz novos desafios

Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

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26 Ergonomia Sescoop/SP desenvolve cultura ergonômica

28 Giro Cooperativista

CONSELHO ADMINISTRATIVO Presidente: Edivaldo Del Grande Conselheiros: Eudes de Freitas Aquino, Luiz Eduardo de Paiva, Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, Marcio Francisco Blanco do Valle Suplentes: Alberto Roccheti Netto, Renato Nobile, Sérgio Brito e Taís Di Giorno CONSELHO FISCAL Arnaldo Antonio Bortoletto, Elias Antônio Neto e Olavo Morales Garcia Suplentes: João Alberto Salvi, Raimundo Vianna de Macedo e Sonivaldo Grunzweig Pinto SUPERINTENDENTES Aramis Moutinho Junior, José Henrique da Silva Galhardo e Nelson Luis Claro da Silva

Notas e informações sobre o mundo cooperativo

Coopera SP Revista do Sescoop/SP e do cooperativismo paulista, distribuída gratuitamente.

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CONSELHO EDITORIAL Alexandre Ambrogi, Fernando Ripari Junior, Luciano Alves Fontes, Luis Antonio Schmidt e Mario Cesar Ralise

Memória Cooperativista

COLABORADORES Alberto Freitas, Victor Terra e Rodrigo Oliveira Editado por Ex Libris Comunicação Integrada Jornalista: Jayme Brener (Mtb 19.289) Editor: Cláudio Camargo Textos: Edmir Nogueira, Vinícius Abbate, Carla Itália e Matheus Campos Capa e diagramação: Regina Beer Rua Treze de Maio, 1376 - Bela Vista São Paulo - SP - CEP 01327-002 Tels: (11) 3146-6200 www.sescoopsp.coop.br


ENTREVISTA

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Edivaldo Del Grande “O cooperativismo sempre é a solução para a crise de qualquer país”” Em entrevista a Coopera SP, o presidente da Ocesp e do Sescoop/SP, Edivaldo Del Grande, faz um balanço das conquistas recentes das entidades e comenta os principais desafios do cooperativismo paulista

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or ocasião do 45º aniversário da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), em outubro do ano passado, o presidente Edivaldo Del Grande deu uma entrevista na qual ressaltou o papel da entidade como representante de mais de 1,1 mil cooperativas, que são responsáveis pela geração de desenvolvimento econômico com inclusão social para os cooperados e comunidades. Del Grande, que em 2016 completa dez anos à frente da Ocesp, é otimista em relação ao papel do cooperativismo para ajudar o país a sair da grave crise política e econômica em que se encontra. “Enquanto alguns choram; outros vendem lenços”, brinca o presidente. “O cooperativismo sempre foi e sempre será a solução para os momentos de crise de qualquer país.

É um modelo de desenvolvimento muito mais sustentável porque nosso objetivo não é apenas econômico, é principalmente social; o foco está nas pessoas, nos nossos cooperados”, ressalta Del Grande. Confira os principais trechos da entrevista. Coopera SP – Como foi a evolução

do trabalho de representação do cooperativismo nos últimos anos?

Edivaldo Del Grande – São muitos desafios, pois há grande diversidade no cooperativismo paulista e precisamos atuar de forma efetiva para fortalecer o nosso movimento como um todo. Um dos maiores desafios é melhorar a nossa comunicação com as cooperativas e os diversos setores da sociedade. Por isso, reforçamos a equipe de comunicação e marketing. Precisávamos mostrar o que nós somos e a importância jan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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ENTREVISTA Coopera SP – Como o senhor vê a

questão da intercooperação entre as cooperativas paulistas?

das cooperativas no contexto social. Afinal, desempenhamos papel relevante na inclusão social. Ao mesmo tempo, precisávamos combater o mau uso de ‘cooperativas’ por pessoas que têm como único objetivo enganar o trabalhador. Infelizmente, ainda há fraudes no mercado, desvirtuando completamente o sentido de uma cooperativa. Não compactuamos de forma alguma com isso, porque na verdade essas não são cooperativas; são empresas de fachada que nos atrapalham e mancham o nome do cooperativismo. Então, nossa tarefa era separar isso do verdadeiro cooperativismo. Tivemos que trabalhar para mostrar que éramos um movimento justo e inclusivo, de melhoria de vida das pessoas. Simultaneamente, nós também precisávamos estar mais próximos das cooperativas, porque o movimento cooperativista, de certa forma, não nos conhecia bem e ainda não nos conhece inteiramente; daí a necessidade de melhorar a comunicação interna. Tínhamos que mostrar que a Ocesp tem papel muito importante para fortalecer o cooperativismo e, para isso, precisávamos aprimorar a nossa representação política. Acredito Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

que houve avanços importantes nos últimos tempos, mas ainda há muito a ser feito. Coopera SP – Como a Ocesp traba-

lha a representação política das cooperativas?

Del Grande – É claro que a Ocesp, como entidade, não pode fazer política partidária; nem as cooperativas devem fazer política nesse nível. Mas nós devemos participar da política como todo cidadão de bem deve fazer e muitas instituições também fazem. A entidade não pode contribuir financeiramente para políticos ou partidos, mas as cooperativas podem se organizar, falar com seus quadros sociais e apoiar parlamentares que defendem a causa cooperativista. Além disso, temos um relacionamento institucional constante com as autoridades nos níveis municipal, estadual e federal, sempre defendendo os interesses das cooperativas. Também temos uma frente parlamentar muito atuante no Congresso Nacional, em trabalho coordenado com muita competência pela OCB, a Organização das Cooperativas Brasileiras.

Del Grande – Precisamos avançar muito neste campo. O Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura) sempre diz que falamos muito em intercooperação e a praticamos pouco. O Sescoop/SP tem formado muitos gestores; foram mais de 66 mil pessoas capacitadas apenas no ano passado, desde funcionários de cooperativas, cooperados, dirigentes de cooperativas e até pessoas da comunidade. A educação é um caminho para que todos possam compreender que cooperativismo é associativismo, que precisamos nos associar, que precisamos aumentar os ganhos de escala, diminuir custos. Se sou um agricultor, percebo que sozinho não posso comprar um silo; mas se me associo a um grupo de agricultores, podemos comprá-lo juntos. A mesma coisa ocorre na área da saúde e outros setores também. Temos aqui em São Paulo mais de 40 hospitais do Sistema Unimed; isso só foi possível porque os médicos se associaram e compreenderam o potencial de trabalhar de forma cooperativa. Coopera SP – Quais são os grandes

desafios de mercado para as cooperativas atualmente?

Del Grande – Apesar das particularidades de cada empreendimento, acredito que existem questões em comum que podem ser aprimoradas. Realizamos recentemente, em parceria com o Ministério da Agricultura, um excelente programa de formação da Fundação Dom Cabral voltado diretamente aos negócios cooperativistas. Fizemos o curso com as dez maiores e as dez menores cooperativas do setor agropecuário. Muitas vezes as cooperativas acham que os grandes adversários são outras cooperativas, que concorrem entre si, mas não é bem assim. Muitas vezes, a concorrência maior vem de fora. O que realmente me preocupa são as cooperativas e empresas multinacionais que estão chegando ao nosso país. Como a Land O’Lakes, que


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é a primeira cooperativa de captação de leite dos Estados Unidos – responsável por 60% do leite americano – e está vindo para o Brasil. Ou a CHS, que já está produzindo um milhão de toneladas de soja aqui na região central e remetendo diretamente para a China. Essas empresas vêm para cá explorar nosso mercado. E por que o trabalho que elas desenvolvem não poderia ser feito pelas nossas cooperativas? Voltando ao assunto da intercooperação, poderíamos começar fazendo coisas simples, como criar um software único, ou uma central de informação conjunta, fazendo compras conjuntamente – não necessariamente criando uma cooperativa de compras. É esse espírito de intercooperação que precisamos despertar nas nossas cooperativas. E os bons exemplos já existem. Veja a Coopbrasil, que é a cooperativa central de compras das cooperativas de consumo, com 11 cooperativas associadas, inclusive uma da área médica e uma do setor agrícola. A Coopbrasil mostra como o trabalho conjunto traz melhores resultados. Esse é o grande diferencial. A partir dessa união, é possível avançar muito mais em outros campos, como ter uma bandeira única, uma distribuidora. Algumas cooperativas de crédito já unificaram seus logos, iniciando um processo de intercooperação na própria marca. Portanto, existem experiências positivas em andamento que precisam ser intensificadas

e podem envolver cooperativas em diferentes setores. Coopera SP – Qual o papel da Ocesp

e do Sescoop/SP como facilitadores de troca de experiências entre as cooperativas?

Del Grande – Acredito que podemos aprender com experiências bem sucedidas no Brasil e no exterior. Nossa maior preocupação é transformar os intercâmbios, sejam eles nacionais ou internacionais, em experiências produtivas. Nos últimos anos, fomos a Juazeiro (CE) conhecer como os produtores de frutas estavam se organizando naquela região de temperaturas elevadas e com irrigação do Rio São Francisco. Fomos com um grupo de cooperativas ao Paraná para entender como as cooperativas do estado se industrializaram. Estivemos no Rio Grande do Sul para ver os modelos de cooperativas industriais. Muitas vezes, devemos buscar referências internacionais e esse foi o caso do cooperativismo de crédito. Recentemente, levamos cooperativas e representantes do Banco Central do Brasil para ver como a Itália se organizou no movimento cooperativista; como isso ocorreu na França, onde as cooperativas têm entre 60% e 70% do mercado financeiro. Outro exemplo muito bem sucedido de intercâmbio internacional vem das cooperativas dos sistemas Unimed e Uniodonto, que estão investindo fortemente em modelos de Atenção Primária. Estivemos com as cooperativas em quatro países europeus e nos Estados Unidos. Fomos ver, em parceria com o Instituto IHI (Institute for Healthcare Improvement), como se reduz drasticamente o atendimento em pronto socorro. Depois das viagens, promovemos aqui diversos cursos, planejamento estratégico e programas Dr. Marcos Cunha (FESP), Del Grande (OCESP), Dr. Ary Célio (Unimed do Brasil/Fundação Unimed), Dr. Paulo Borem de incentivo para a monta(Unimed). Cincinnati Children’s Hospital, dezembro de 2014 gem de estruturas de aten-

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Nosso foco não é econômico, é social. Esse é o diferencial das cooperativas para fazer com que o país saia da crise

ção primária nas nossas cooperativas. Esse modelo amplia os esforços para a prevenção de doenças, principalmente as crônicas, como diabetes e hipertensão. Isso tem gerado frutos excelentes e vai mudar conceitualmente o modelo de atendimento das cooperativas. Coopera SP – Como o senhor vê o

papel do cooperativismo na superação da crise?

Del Grande – Eu sou otimista, apesar do momento conturbado que vivemos. Enquanto alguns choram, outros vendem lenços. Veja: na época do subprime americano, enquanto os bancos tiveram sérios problemas, as cooperativas de crédito cresceram. O modelo cooperativista mostra-se mais seguro. Na atual crise, aqui no Brasil, as cooperativas de crédito estão crescendo novamente. A agricultura também está indo relativamente bem. Claro, somos 13 ramos de cooperativas no Brasil e alguns setores sentem mais que outros. Mas, de maneira geral, o cooperativismo sempre foi e sempre será a solução para os momentos de crise de qualquer país. As cooperativas são um caminho sustentável porque, sempre é bom lembrar, nosso objetivo não é apenas econômico, é principalmente social; o foco está nas pessoas, nos nossos cooperados. Esse é, portanto, o diferencial das cooperativas, que acabam apoiando o país nesses momentos de crise. É evidente que vivemos um momento de apreensão e de aperto de cintos, mas acredito que vamos superá-lo. Tenho certeza que vamos sair dessa. l jan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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O Negócio é cooperar

Tudo são Ocesp contribui para estudo inédito da cadeia produtiva de flores no país, que alcançou PIB de R$ 4,5 bilhões em 2014

Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

O

flores

cooperativismo paulista mais uma vez mostra sua força econômica e sua capacidade de criar postos de trabalho e renda para milhares de pessoas. Um estudo inédito, financiado por meio de um convênio entre a Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo) e o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), revelou que a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais no Brasil alcançou um “PIB” de R$ 4,5 bilhões em 2014. O setor registrou ainda movimentação financeira superior a R$ 10 bilhões, criando 190 mil empregos diretos, com investimentos de R$ 2,8 bilhões apenas em salários, e R$ 2,5 bilhões em impostos. O principal motor do setor está no Estado de São Paulo, que representa 40% do mercado de flores do país, com significativa participação das cooperativas Veiling Holambra, Cooperflora e SP Flores. Entusiasmado com os resultados, o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande, reforça o papel da instituição

por Edmir Nogueira

nos próximos passos. “A partir da apresentação do estudo, o que compete ao cooperativismo, a Ocesp se compromete a ajudar na implementação de uma agenda estratégica, participando também na difusão deste mapeamento”. O dirigente faz questão de ressaltar que um estudo dessa magnitude começou com o empenho do deputado Junji Abe, cooperativista da região de Mogi das Cruzes, e que conhece de perto o setor. “Com o apoio da Ocesp, ele conseguiu recursos do Ministério da Agricultura para viabilizar o trabalho da USP”, destaca Del Grande.

Potencial

Desenvolvido pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia da Universidade de São Paulo (Fundace/USP), o estudo revela as possibilidades da cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais no Brasil. “Acredito que é um setor que tem potencial para se tornar um dos grandes segmentos do país, pois emprega muita gente,


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gera impostos e pode se tornar um grande exportador, com um dólar mais favorável”, esclarece Marcos Fava Neves, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP) e coordenador do estudo. Ele enfatiza que o caminho da profissionalização da cadeia está na formação de cooperativas e na criação de uma rede de expansão tecnológica que permita levar o benchmarking das grandes cooperativas aos produtores de outras localidades. “As cooperativas são fundamentais para que os produtores possam acessar o mercado de forma ágil e com produtos que atendam às expectativas dos consumidores em termos de qualidade e variedade”, explica Mairun Junqueira Alves Pinto, pesquisador do estudo. Para André van Kruijssen, diretor geral da Cooperativa Veiling Holambra, o mapeamento e a quantificação da cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais foi de extrema importância para todo o segmento florista. Segundo ele, o estudo possibilitou conhecer e confirmar alguns dados, como a força econômica das cooperativas, mas também revelou outros pontos importantes

que permitirão ao setor avançar no desenvolvimento de todos os elos da cadeia. “É importante ressaltar que esta é a primeira vez que temos dados concretos em mãos e que poderão nortear estudos futuros e avanços significativos no crescimento e desenvolvimento da floricultura. Temos que parabenizar todos os envolvidos, pois, sem dúvida, este foi um grande passo para toda a cadeia produtiva e comercial de flores e plantas no Brasil.”

Gargalos

O setor enfrenta ainda gargalos, que precisam ser superados com uma agenda estratégica específica, conforme aponta a pesquisa. Entre eles, estão o transporte e a armazenagem mais adequados, a formação de profissionais especializados no segmento e a melhoria de fiscalização e controle para evitar a entrada de doenças e pragas no país. O consumo de flores e plantas ornamentais também precisa ser incentivado, pois ainda engatinha entre nós. No Brasil, o gasto per capita por ano com flores é de US$ 9, contra US$ 174 na Suíça, US$ 164 na Noruega, US$ 80 na

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Holanda, US$ 58 nos EUA e US$ 25 na Argentina, por exemplo. Evidentemente, o setor de flores tem características próprias, diferentes de outras áreas agrícolas. São diversos ciclos de produção durante o ano, demandando regularmente insumos, pessoas e serviços de transportes. Diante dessa dinâmica, os produtores dependem ainda de recursos para investimentos em estufas, sistemas de irrigação, climatização, entre outros itens. Por isso, o financiamento adequado é essencial para impulsionar toda a cadeia produtiva de flores no país. O conjunto de leis que impacta diretamente o setor produtivo é outro ponto da agenda estratégica resultante do estudo. As cooperativas precisam reivindicar mudanças que garantam o reenquadramento legal dos micros, pequenos e médios produtores, além de atuar para a implantação das políticas tributárias adequadas à realidade do setor. O uso de incentivos tributários como forma de combate à informalidade e a isonomia do ICMS entre os Estados são outros dois itens dessa agenda que precisam ser trabalhados pelos produtores. l

Flores e plantas ornamentais

PIB da cadeia no Brasil em 2014 (em milhões) Floricultura

982,4

Decoração

2.337,1

Paisagismo Autosserviço

648,4 384,8

Atacados para consumidor final

120,7

Produtor para consumidor final

60,3

Exportação

56,0

Importação

83,0

Total*

4.507,0

Cadeia produtiva

Movimentação financeira - R$ milhões Antes das fazendas Nas fazendas Depois das fazendas Agentes facilitadores Importações Exportações

Total

1.291,0 2.089,0 6.403,2 292,4 83,0 56,0 10.214,6

Fonte: Markestrat, Fundace/FEA-RP. * O valor total desconta as importações.

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Coopera SP Â&#x; jan/fev/mar 2016


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saúde

Uma revolução na Apoiadas em programas de formação do Sescoop/SP, 29 Unimeds mudam paradigmas de atendimento e recriam a medicina preventiva e a figura do médico de família

por Edmir Nogueira

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saúde dos brasileiros inspira cada vez mais cuidados, e o sistema público e privado têm pela frente grandes desafios para garantir melhor qualidade de vida à população. As doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, distúrbios cardiovasculares e câncer, já respondem por 72% dos óbitos no país, segundo o sistema de vigilância

de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (VIGITEL), do Ministério da Saúde, de 2014. O envelhecimento da população nos próximos 20 anos deve elevar ainda mais a atenção do setor. Estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a população acima de 60 anos vai mais do que triplicar no período, chegando a 88,6

Grupo de representantes das cooperativas conhecem o trabalho realizado pelo Cambridge Health Alliance, nos EUA, em 2014 jan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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milhões de pessoas ou 39,2% dos brasileiros. O país também convive com um dos mais altos indicadores de cesariana no mundo. Na saúde suplementar, o índice de cesarianas é de 84,6%. As autoridades de saúde e as operadoras precisam se preparar para uma corrida contra o tempo para enfrentar a elevação dos custos e do uso de serviços que despontam no horizonte. Já é consenso que é preciso repensar o atual modelo de saúde, baseado em hospitais e especialidades, e resgatar o papel do clínico geral e do médico de família. Diante desse panorama, o Sescoop/SP tem contribuído para o desenvolvimento de programas de formação para cooperados e funcionários no segmento de operadoras de planos de saúde. Desde 2011, mais de 100 pessoas participaram de intercâmbios técnicos, tanto na área médica quanto na odontológica, com visitas a instituições de saúde no Reino Unido, França, Holanda, Alemanha, Suécia e Estados Unidos – países escolhidos por adotarem práticas de Atenção Primária à Saúde (APS) por meio da medicina centrada no paciente, entre outras atividades.

“O intercâmbio proporciona um da Melhoria do Sistema Unimed e doaprendizado intenso, com apreensão cente do IHI (Institute for Healthcare de conceitos e a sensibilização por Improvemet), 29 Unimeds estão hoje meio de visitas a unidades de saúde de envolvidas em Projetos de Atenção referência. E essa prática tem quebra- Primária à Saúde. “Até o final do ano, esse projeto deve estar em 50 do alguns paradigmas, senUnimeds paulistas”, comesibilizando dirigentes e mora o médico Marcos de gestores para alguAlmeida Cunha, diretor ma s mudanç as Hoje 29 Unimeds de Desenvolvimento necessárias”, estão envolvidas em Humano e Institucioanalisa Lajyarea nal da Fesp (FederaDuarte, coordeprojetos de Atenção ção das Unimeds do nadora do SesPrimária à Saúde e, Estado de São Paulo). coop/SP. Para até o final do ano, Otimista, ele aposta ela, as experiêndeverão ser 50 que o modelo centrado cias no exterior no hospital está com os contribuem de fordias contados, sendo subsma significativa para tituído por uma nova sistemática a implantação de um novo modelo assistencial nas cooperativas de atendimento focada no paciente, do setor. “Esse modelo está provocan- com o resgate do médico de família e do mudanças importantes, com mais uma equipe multidisciplinar para atenqualidade no atendimento por conta der às demandas de saúde das pessoda melhoria da saúde da população, as. “No futuro, todo o sistema vai estar melhor experiência do cuidado e oti- ligado na Atenção Primária à Saúde”. O diretor da Fesp considera normização de custos. Os primeiros resultados são muito animadores e temos mais as resistências a essa mudança de paradigma, mas nada que não possa ser muito a avançar nesse sentido”. Sob a coordenação de Paulo Bo- superado. “Isso passa por mudanças na rem, médico especialista em Ciência cultura médica e da população”, diz. “A ideia é que a APS seja referência de 20% das consultas para os especialistas”, explica. Mas as mudanças podem ocorrer com muito mais velocidade do que se tem projetado. Segundo Cunha, empresas europeias e asiáticas instaladas no país já vêm com a cultura de que a Atenção Primária à Saúde contribuiu para os seus colaboradores e procuram planos que ofereçam o modelo. “Elas sabem que na APS o absenteísmo, por exemplo, tende a reduzir”.

Aprovação dos clientes

Em 2014, o aprendizado intenso do intercâmbio trouxe novas ideias para as cooperativas Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

Um exemplo dessa mudança pode ser encontrado na Unimed Guarulhos, que se prepara para alçar voos mais altos com o seu Sistema de Atenção Primária à Saúde. Criado em agosto de 2012, esse modelo trouxe resultados surpreendentes que servem de exemplo tanto para o sistema público de saúde quanto para o setor privado. Inicialmente, para uma carteira fixa com


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Equipe da Unimed de Guarulhos, onde o Sistema de Atenção Primária à Saúde é um sucesso

cerca de 3 mil clientes, a redução de custo per capita chega a 38%. Mas a grande vitória para os profissionais do programa pode ser medida por outro resultado. “O índice de satisfação dos pacientes da Atenção Primária é maior do que 90%”, comemora o médico Fernando da Silva Faraco, coordenador do Núcleo de Atenção Primária à Saúde da Unimed Guarulhos (NAPS). Especialista em Medicina de Família e Comunidade e entusiasta do modelo, ele aponta outros resultados positivos, como a redução de 63% de atendimento no Pronto-Socorro da cooperativa pela clientela do programa, e de 85% dos casos resolvidos no próprio programa, sendo apenas 15% encaminhados para a referência médica. “A atenção primária atende o cliente desde o pré-natal, passando pela infância, adolescência, a fase adulta e também a idade avançada. É um serviço centrado na pessoa e na família”, destaca Faraco.

O projeto da cooperativa é expandir esse serviço, agora como um novo produto da Unimed Guarulhos denominado Pleno. Com isso, novos núcleos de Atenção Primária à Saúde deverão ser formados para atender essa nova clientela nas cidades abrangidas pela singular. “Já temos empresas que fecharam contrato com o novo plano para os seus colaboradores”, afirma o médico.

Diabetes

Outro exemplo de sucesso da Unimed Guarulhos vem da equipe do NAPS dedicada aos pacientes com diabetes. Sob a coordenação de Paulo Borem e liderado pela médica Andrea Gushken, cooperada da Unimed Guarulhos, a equipe é responsável pelo “Cuidado Perfeito ao Paciente com Diabetes Mellitus”, um programa de reconhecimento internacional. Ele foi premiado em 1º lugar no I Fórum Latijan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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Em 2011, um dos primeiros intercâmbios ajudou a conhecer melhor programas de atenção primária em Londres

no Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, promovido pelo IHI em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, em agosto de 2015. O princípio fundamental do projeto é colocar o paciente como o centro do cuidado e não os médicos ou a equipe de saúde. A proposta é que todos os pacientes recebam o “Cuidado Perfeito” baseado na melhor evidência científica, utilizando a Ciência da Melhoria para redesenhar o processo de cuidado. O próximo passo é integrar o cuidado na vida diária dos pacientes, nas suas casas e no trabalho. Em Guarulhos, 74% dos pacientes que estão no programa alcançaram acima de 90% dos cuidados preconizados pela literatura médica. “A inovação no atendimento, o redesenho do sistema, a busca ativa do paciente e a avaliação sistemática dos Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

resultados em qualidade contribuem para o bom desempenho do projeto. É importante a vontade de colocar os interesses dos clientes em primeiro lugar, ter determinação, metodologia, amor e empatia ao paciente”, ressalta Andrea Gushken. A coordenação é um dos principais pilares do sucesso do programa. Se o paciente não retorna para receber os cuidados anuais, todo um sistema é acionado para que ele compareça. Outras ações fazem parte do atendimento, como as consultas em grupo e a visita domiciliar por um educador em saúde. “Desta forma, estamos reduzindo riscos de complicações agudas e crônicas para estes pacientes, como cegueira, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, amputação de membros, insuficiência renal”, exemplifica a médica.

Os resultados positivos deste programa também já são compartilhados em palestras e eventos e devem ganhar novas dimensões nos próximos anos. “Pretendemos alcançar cerca de cinco mil diabéticos que fazem parte da carteira da Unimed Guarulhos”, antecipa Andrea Gushken.

referência internacional

O Projeto Melhor Parto da Unimed de Jaboticabal e Hospital e Maternidade Santa Isabel foi implantado em outubro de 2012 e nasceu do contato com boas práticas e experiências de sucesso quando das viagens internacionais promovidas pelo Sescoop/SP com os profissionais da área. “Nosso trabalho foi referência para o projeto Parto Adequado da Agência Nacional de Saúde com apoio do Ministério da Saúde”, comemora o médico Jeyner


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Dr. Jeyner Valério Junior comemora os resultados do projeto

Valério Junior, coordenador do projeto. Segundo ele, o resultado do trabalho foi publicado pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e ganhou o Prêmio Inova+Saúde da Seguros Unimed, sendo ainda apresentado no Fórum do IHI (Institute for Healthcare Improvement) em Orlando (EUA). O projeto cooperativista vem contribuindo para mudar profundamente a realidade brasileira. Enquanto a média de nascimentos por cesarianas chega a 82% no setor privado, a Unimed de Jaboticabal alcançou 50% de partos normais. “Isso reduziu em 60% o número de recém-nascidos encaminhados para a CTI neonatal”, explica Jeyner. Segundo o médico, as internações por imaturidade pulmonar em crianças nascidas de cesariana são altíssimas no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que o índice de cesarianas na saúde suplementar é de 84,6%. O coordenador do projeto em Jaboticabal lembra que esse procedimento não deve ser descartado pelos profissionais. “A cesariana é uma ótima cirurgia e não está proibida no nosso projeto, mas tem que ter uma indicação médica precisa.” “As resistências foram enormes e de todos os lados, como dos médicos, das famílias das parturientes e das próprias gestantes”, explica o coorde-

Atendimento no Sistema de Atenção Primária à Saúde na Unimed de Guarulhos

Unimed Jaboticabal tem equipe preparada para receber as gestantes

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nador sobre o início do projeto. Para alcançar esses resultados, a Unimed de Jaboticabal teve que promover profundas mudanças no modelo de assistência à gestante. A singular criou salas de pré-parto, parto e pós-parto, as chamadas PPPs, onde os médicos obstetras passaram a ficar 24 horas à disposição das pacientes e começaram a ser remunerados pelo tempo no plantão e não mais por procedimentos. “Assim, não importa se é uma cesariana ou parto normal ou o tempo que dure o trabalho de parto, a remuneração será a mesma”, comenta Jeyner. Também houve forte investimento em enfermagem especializada (obstetriz) e trabalho junto com a comunidade das futuras mães e seus familiares. A repercussão positiva do Projeto Melhor Parto superou as expectativas de toda a equipe. Além de visitas frequentes de médicos e instituições de saúde para conhecer o trabalho, a Unimed de Jaboticabal coloca à disposição de todos os profissionais interessados as informações das fases de implantação do projeto. Para o médico, essa é uma maneira de difundir a adoção de novos procedimentos de incentivo ao parto normal. “Fornecemos tudo o que desenvolvemos: metodologia, manuais, impressos, mostramos onde evoluímos e também os nossos erros.” Dr. Jeyner espera que o projeto seja um exemplo de política pública nacional de atendimento às gestantes, podendo ser implantado em todo o País. “Precisamos mudar a visão cultural e o conceito sobre parto normal e cesariana no Brasil”, destaca. Segundo ele, os indicadores alcançados são resultados de um trabalho focado: “merece destaque especial a introdução da metodologia da ciência da melhoria do já citado IHI pelo médico Paulo Borem, especialista em Ciência da Melhoria Unimed Brasil/Fesp.”l

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Pioneirismo de Jaboticabal A Uniodonto de Jaboticabal é outro exemplo dessas novas práticas. Ela vem conquistando lugar de destaque no cenário nacional de saúde preventiva em odontologia. A cooperativa é a primeira operadora do mercado odontológico brasileiro a fazer projetos de atenção primária e, com a Unimed Jaboticabal, se tornou modelo para outras instituições do setor, conquistando prêmios e convites para participações constantes em seminários. Os resultados animaram os gestores do programa, que deve ser ampliado nos próximos anos. “Quando adotamos rotinas clínicas com foco na Melhoria Contínua da Qualidade diminuímos a necessidade de realização de procedimentos e melhoramos a qualidade da saúde bucal dos pacientes”, comemora José Alves de Souza Neto, presidente da Uniodonto de Jaboticabal e da Uniodonto Brasil. A implantação do Programa de Atenção Primária começou a ser formulado em 2012, logo após uma Missão Internacional promovida pelo Sescoop/SP, que tinha como objetivo levar os dirigentes de cooperativas de saúde a conhecer modelos diferentes e já consagrados de atendimento à saúde e que pudessem ser implantados no Brasil. Foram conhecidos, na Missão de

Odontologia, modelos na Inglaterra, Suécia e Holanda. Na época, a Unimed de Jaboticabal, que participou da Missão da Medicina, estava estruturando um Centro de Atenção Primária como Projeto Piloto e a Uniodonto de Jaboticabal se juntou ao projeto propiciando assim um atendimento global dos clientes envolvendo medicina e odontologia. A equipe de Odontologia e a equipe Médica agora trabalham juntas no Centro de Atenção Primária, criado especificamente para atendimento dos pacientes desse programa, com integração e troca de informações de ambos os setores. “O foco principal da Atenção Básica é melhorar a qualidade do atendimento e do cuidado com o paciente”, ressalta José Alves. Hoje, cerca de 1.300 pacientes, de todas as idades, participam desse programa, que começou com 700 pessoas. No Centro, o cliente é atendido pela equipe médica e depois é encaminhado para o setor de Odontologia. O eixo principal do atendimento é trabalhar com a prevenção, e os pacientes recebem tratamento como aplicação tópica de flúor, profilaxia, orientação de higiene e raspagem supragengival nos casos indicados. “As outras necessidades são realizadas pela rede de atendimento da Uniodonto”, explica o presidente da cooperativa.


Inclusão

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Mais inclusão Surgido com uma demanda da Unimed de Franca em 2014, o curso de Libras do Sescoop/SP terá níveis intermediário e avançado em 2016

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o contrário do que muitos pensam, as línguas de sinais usadas por deficientes auditivos não são universais, pois cada país tem a sua própria, como a França, os EUA e o Brasil, entre outros. E essa linguagem de sinais só foi implantada depois de muita luta pela inclusão dos deficientes à sociedade. No Brasil, essa língua – originária da França – começou a ganhar espaço em meados do século XIX, mas somente em 2002 é que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi oficialmente reconhecida por lei. E o cooperativismo vem abraçando a Libras de maneira entusiástica. Uma demanda surgida em 2014 na Unimed de Franca se transformou em ação permanente do Sescoop/SP: o curso de capacitação em Libras oferecido por meio do Programa Cooperativa Inclusiva. “A iniciativa fez tanto sucesso que teve que ser aprimorada e estendida”, explica Pamela Ramos Peyneau, analista de projetos de Promoção Social do Sescoop/SP. O curso começou em formato de oficina, com 32 horas, mas agora já está estruturado em dez módulos semanais de 4 horas, num total de 40 horas, com 15 a 20 participantes cada

um. “Em 2015 fizemos nove turmas no nível básico. Duas turmas tiveram aula na sede do Sescoop/SP e as demais nas cooperativas”, relata Pamela. No ano passado foram 196 alunos representando 15 cooperativas. “Neste ano pretendemos ter turmas nos níveis intermediário e avançado”, completa. O objetivo do curso é a integração de colaboradores com deficiência auditiva. Pamela explica que 99% dos alunos do curso de Libras são pessoas não-deficientes que, no seu dia a dia, costumam ter contato com deficien-

tes auditivos. “Além de possibilitar a integração dos funcionários com deficiência, o curso permite aumentar a inclusão, com a possibilidade de contratação de novos funcionários nessa condição”, diz Pamela. Ela explica que as principais beneficiárias do curso são cooperativas que trabalham bastante com atendimento ao público, como as Unimeds, que podem capacitar funcionários como atendentes, enfermeiros e seguranças. “Mas este é um curso para todas as cooperativas, independentemente do ramo, pois a cultura de inclusão faz parte dos valores de respeito e diversidade defendidos pelo cooperativismo”. O curso de Libras também contextualiza o aluno no universo do deficiente, integrando pessoas que nada tem a ver com esse universo. “No ano passado, algumas turmas realizaram eventos no seu encerramento. Agora, resolvemos institucionalizar essa prática e todo curso terá um produto final, como um jornal, uma apresentação, etc., envolvendo pessoas fora do curso”, conclui Pamela. l

Alunos do curso de Libras do Sescoop realizado em 2015 jan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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Intercooperação

Parceria entre

Coopercitrus e Cobrac tem início União é importante para o sistema agrocooperativista do noroeste do estado de São Paulo e pode resultar em incorporação por Vinícius Abbate

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ma das maiores cooperati- com o objetivo de organizar aquele sevas do Estado de São Paulo, tor produtivo. Atualmente, a entidade a Coopercitrus (Cooperativa tem cerca de mil sócios e atua no recede Produtores Rurais) assinou bimento e processamento de grãos e com a Cobrac (Cooperativa Agropecuá- produção de insumos para a nutrição ria do Brasil Central), de Araçatuba-SP, de gado bovino de corte e de leite. em 4 de dezembro último, uma parceria Seu centro agroindustrial está para viabilizar operações em conjunto, instalado em Araçatuba, cidade localipor meio do arrendamento de instala- zada a 540 quilômetros a noroeste da ções. O acordo é o primeiro passo em capital, em uma área de 97 mil m², às direção a uma futura incorporação. margens da Rodovia Eliezer Montene“Depois de ter enfrentado uma lon- gro Magalhães, próximo à Rodovia Maga crise financeira, ao firmar essa par- rechal Rondon. ceria com a Coopercitrus, entramos “Concretamente, visamos em uma nova fase, com maior a uma melhoria na prese melhor utilização das nostação de serviços, à A nova parceria sas estruturas, podendo otimização da fáfará com que a obter resultados operabrica de ração e cionais mais significatida extrusora de Cobrac aumente vos, reduzindo custos e soja, aprimoransua capacidade oferecendo aos nossos do o atendimento de recebimento cooperados, bem como aos produtores de de grãos de 80 para grãos e pecuaristas aos da Coopercitrus, novos produtos e melhores de todo o noroeste 230 toneladas condições na prestação de paulista”, afirma José serviços”, avalia Sérgio Paoliello, Vicente da Silva, presidenpresidente da Cobrac. te da Coopercitrus. “Vamos dar apoio A Cobrac acabou de completar 50 àquela importante região, fazendo anos. Ela foi fundada em 3 de outubro com que o cooperado tenha melhode 1965 por um grupo de pecuaristas, res condições de adquirir insumos e máquinas, e utilize, com o apoio das cooperativas unidas, as mais modernas técnicas, e comercialize sua produção

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de forma a ter sempre um menor custo”, completa. Sediada em Bebedouro-SP, a 395 km ao norte da capital, a Coopercitrus foi fundada um ano antes da Cobrac, em 1964, e atua com a comercialização de insumos, máquinas e implementos agrícolas. Em 2014, registrou um faturamento de R$ 1,8 bilhão. Hoje, tem 23 mil sócios-cooperados.

Resultados práticos

Após o acordo, a Coopercitrus já visitou todas as estruturas da Cobrac e fez avaliações positivas das instalações, que poderão ser melhoradas e até ampliadas. A união das cooperativas vai fazer com que, por exemplo, a Cobrac aumente sua capacidade de recebimento de grãos de 80 para 230 toneladas/hora. Já a Coopercitrus poderá esmagar a soja recebida na permuta com os insumos fornecidos nas instalações da Cobrac, vender o óleo bruto e direcionar o farelo de soja para sua rede de lojas ou utilizá-lo na fabricação de rações. Seus cooperados poderão beneficiar e armazenar grãos nas instalações da Cobrac, aumentando a sua utilização, e garantindo suas negociações com a cooperativa. “Os frutos desta parceria poderão ser colhidos por ambas as cooperativas ainda neste semestre, dependendo somente da identificação e formalização dos contratos pontuais das atividades identificadas”, completa Sérgio Paoliello. l

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sescoop/sp em ação

Prioridade à

qualificação profissional por Matheus Campos

Cresce a procura por programas e cursos oferecidos pelo Sescoop/SP

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educador e filósofo norte-americ ano Joh n Dew ey (1859-1952) dizia que o ideal não é que o aluno acumule conhecimento, mas sim que desenvolva capacidades. E essa máxima se revelou extremamente adequada a um mundo globalizado e em constante transformação, onde o mercado de trabalho é cada vez mais exigente. Capacitação e qualificação profissionais são preocupações essenciais do Sescoop/SP. Desde sua criação, há 17 anos, a entidade vem dando priorida-

de à formação profissional e, a cada ano, cresce o número de cooperados e funcionários de cooperativas beneficiados com os programas e projetos nessa área. Por outro lado, como prevê o 5º princípio do cooperativismo, é necessário que as cooperativas invistam sempre na educação de seus membros e da comunidade em geral. Nesse sentido, o programa de educação continuada do Sescoop/SP oferece às cooperativas palestras, cursos de curta e média duração e programas de


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pós-graduação. Esses cursos e progra- apresentada, principalmente quando o mas estão distribuídos em três gran- número de participantes é insuficiente des projetos: Cursos Livres, Cursos In para compor uma turma exclusiva. Em comparação a 2014, a demanCompany e Pós-Graduação. Além disso, há o programa Apren- da por Cursos Livres cresceu 141% diz Cooperativo, que auxilia as coope- em 2015. Foram realizados diversos rativas na contratação e capacitação cursos comportamentais e técnicos. de aprendizes, de acordo com a Lei “As ações de educação continuada 10.097/2000 e que, no ano passado, têm como objetivo desenvolver áreas foi expandido de 52 para 81 municí- comuns a vários ramos do cooperatipios em todo o estado de São Paulo, vismo no que diz respeito à gestão das e de 56 para 75 cooperativas atendi- cooperativas. São cursos e palestras das. “Neste programa, os jovens têm que visam aperfeiçoar ou implantar uma f o r m a ç ã o c id a d ã , p a u ta d a competências ligadas”, diz Ambrogi. Um dos destaques do ano passado e m valores cooperativistas, o que possibilita o desenvolvimento integral foi o Formacoop (Programa de Formae a inserção no mercado de trabalho”, ção para Dirigentes d e C o o p e r a t i v a s ) , o qual teve como objet i v o explica Alexandre Ambrogi, gerente desenvolver as competênda área de Formação Profiscias técnicas e aprimorar sional do Sescoop/SP. Neste programa, a gestão das coopeOs Cursos In os jovens têm uma rativas do Sistema Company e Cursos formação cidadã, Uniodonto, contriLivres se diferenpautada em valores buindo na busca de ciam pela forma cooperativistas, para melhores práticas d e at en dime n to da G o v e r n a n ça às cooperativa s. o desenvolvimento Cooperativa. O conO s primeiros são integral e inserção no teúdo programático descentralizados e mercado de foi elaborado consider e ú n e m participantes trabalho rando-se as necessidades de uma única cooperaapresentadas no resultado do tiva, que solicita as ações com base em seu planejamento anual, ela- PDGC (Programa de Desenvolviborado sob a orientação do Sescoop/ mento da Gestão das Cooperativas). Na opinião de João Leonardo Della SP para atender as suas necessidades. Já os Cursos Livres são ações que po- Libera Filho, vice-presidente da Uniodem reunir participantes de diversas donto de Jaboticabal, “o curso foi bem cooperativas e têm por base a demanda direcionado para os dirigentes e tratou

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do que vivenciamos nas cooperativas. Ele oferece condições do dirigente ter uma visão mais analítica do negócio em vez de só atuar por intuição”.

Desenvolvimento Humano nas Cooperativas

Uma figura essencial para o aumento do número dos cursos é o Agente de Desenvolvimento Humano (ADH) das cooperativas. Esses profissionais são o elo entre as cooperativas e o Sescoop/SP. No projeto In Company, por exemplo, eles são fundamentais para se atingir as metas definidas. “Contamos com os ADHs para fazer um atendimento cada vez mais adequado e os números mostram que temos obtido êxito”, afirma o gerente Alexandre Ambrogi. Em 2015, um dos projetos de destaque envolvendo os ADHs foi o Programa de Formação dos Agentes de Desenvolvimento Humano, que visa capacitar e qualificar pessoas nas cooperativas a fim de facilitar o uso de recursos do Sescoop/SP, acelerar os processos de solicitação de ações pelas cooperativas e realização delas pelo Sescoop/SP, além de primar pela qualidade dos serviços prestados por terceiros credenciados ao Sescoop/SP por meio de editais e que irão atender diretamente os cooperados, funcionários, dirigentes, familiares e comunidade em nome dessa instituição.l

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Foco cooperativista

Cooperativas lutam contra o

apagão do ramo por Edmir Nogueira

Regras estabelecidas pela Aneel podem inviabilizar a continuação das atividades das 67 cooperativas singulares que atuam no setor de distribuição de energia

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os rincões brasileiros, as as cooperativas recebam o tratamento cooperativas de energia têm adequado pelos serviços que realizam. contribuído para o desenvol- “É muito mais fácil distribuir energia vimento econômico, princi- elétrica na cidade do que na zona rural”. As cooperativas de energia realipalmente por meio de fornecimento de energia para milhares de produtores zam um serviço diferenciado de outras rurais. No Brasil, 67 cooperativas do concessionárias do setor, sendo que ramo infraestrutura atendem cerca de 95% delas atendem principalmente 600 mil consumidores, beneficiando o homem do campo e, algumas sin3,5 milhões de brasileiros. Destas, 16 gulares, são 100% fornecedoras para estão no Estado de São Paulo, levando produtores rurais. A Coprel de Ibirubá energia para 100 mil clientes. Mas as (RS), por exemplo, tem cerca de 50 regras estabelecidas pela Aneel (Agên- mil associados atendidos em 70 mucia Nacional de Energia Elétrica) podem nicípios da sua região. Enquanto as dificultar e até mesmo inviabilizar a con- grandes empresas do setor distribuem tinuação do trabalho dessas singulares. energia para 20 consumidores por quiA regulamentação estabelecida lômetros de rede, as cooperativas do pelo setor a partir de 2008 previu um ramo atendem em média cinco assodesconto, variável para cada coopera- ciados por quilômetro. “O que temos tiva, de compra de energia para distri- mostrado para o governo é que esse buição para os seus associados. A partir serviço mais árduo, sem as cooperativas, ninguém teria feito”, analisa José de 2016, a regra prevê a reduZordan, superintendente da Inção desse desconto na fracoop (Confederação Naordem de 25% ao ano, cional das Cooperativas de para os próximos A partir deste ano, Infraestrutura). quatro anos. “Se o desconto previsto Os representantes continuar desse pela regulamentação do ramo têm levado jeito, sem uma será reduzido em sugestões e se reunidiferenciação do com autoridades da para as coope25% ao ano para Aneel, do Ministério de rativas, uma boa os próximos Minas e Energia e outros parte delas não soquatro anos setores do governo federal. breviverá mais quatro “As cooperativas de energia anos”, sentencia Danilo precisam de uma medida compenPasin, diretor do ramo Infrasatória pelas dimensões e estrutura estrutura da Ocesp e coordenador do mesmo ramo na OCB. Ele defende que do mercado que atuam”, afirma Jânio

3,5 milhões de brasileiros beneficiados

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Stefanello, presidente da Infracoop. Para ele, “o desafio é aperfeiçoar o modelo para que as cooperativas sigam valorizadas com políticas públicas, para trabalhar o mercado”.

Pesquisa

Nos anos de 2014 e 2015 a Aneel incluiu as cooperativas de energia na sua pesquisa anual para o Iasc (Indicador Aneel de Satisfação do Consumidor). O resultado foi surpreendente e reforça o valor do cooperativismo para a sociedade. O levantamento mostrou que as 15 primeiras empresas melhor avaliadas no indicador, entre 101 pesquisadas (63 concessionárias e 38 cooperativas), são cooperativas. “Esse exemplo mostra que as cooperativas estão do lado do consumidor, que também é o dono e o gestor da cooperativa”, afirma Zordan. Stefanello ressalta que todas as cooperativas de energia possuem uma grande identificação com suas comunidades a partir do atendimento. “O associado liga para a sua cooperativa e vai falar com alguém próximo, que conhece e entende a realidade daquela região, e não com uma pessoa de outro Estado. Conforme a própria pesquisa Iasc demonstrou, mesmo com todas as dificuldades, que é manter quilômetros e mais quilômetros de rede para um número pequeno de consumidores, as cooperativas têm um atendimento melhor e personalizado”. l

95% das cooperativas de energia atendem o consumidor rural jan/fev/mar 2016 Ÿ Coopera SP


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crédito

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Mudar para avançar Entenda a nova classificação das cooperativas de crédito, suas implicações e os desafios de cada categoria por Vinícius Abbate

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om mais de um século de história no Brasil, o cooperativismo de crédito ganhou recentemente um novo status, que certamente ajudará a impulsionar o desenvolvimento dessa modalidade de cooperativa entre nós. No segundo semestre do ano passado, por meio da Resolução nº 4.434/15, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras que especificam o funcionamento das cooperativas de crédito no país. De acordo com o Banco Central, com a mudança, essas cooperativas passam a ser enquadradas em três categorias: plena (podem praticar todas as operações); clássica (que não podem ter moeda estrangeira, operar com variação cambial e nem com derivativos, que são instrumentos do mercado futuro); e de capital e empréstimo (que não podem captar recursos ou depósitos, sendo seu funding apenas o capital próprio integralizado pelos associados). “A nova classificação contribuirá para aumentar a eficiência do cooperativismo de crédito, uma vez que reflete melhor os riscos incorridos, diminui distorções, concede maior flexibilidade para as cooperativas e reduz exigências e ônus desnecessários que poderiam ser encontrados na segmentação por público-alvo e área de atuação”, explica João Luiz Marques, chefe-adjunto do Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf) do Banco Central. A nova estrutura regulatória revoga os critérios de classificação das cooperativas pelo seu escopo associativo e

estabelece uma nova metodologia, baseada nas operações realizadas pelas cooperativas, refletindo de forma mais adequada o perfil dos riscos assumidos pelas instituições. A mudança permitirá ao Banco Central otimizar a supervisão do segmento cooperativista, que hoje representa mais de mil instituições financeiras.

Desafios

Para João Luiz Marques, no entanto, ainda permanece o grande desafio do cooperativismo de crédito brasileiro, que é o de elevar a sua participação no Sistema Financeiro Nacional (SFN), já que o segmento representa apenas 4% do sistema financeiro como um todo. Ele aponta as seguintes medidas para que as cooperativas superem esse desafio: consolidação do segmento, com aumento dos postos de atendimento; maior transparência na gestão, com o aprimoramento da governança cooperativa; expansão do uso e compartilhamento de tecnologias, de maneira a levar produtos e serviços aos cooperados em maior quantidade e

qualidade; ampliação do leque de produtos e serviços (consórcios, seguros, previdência privada, cartões de crédito, financiamento imobiliário etc.), contribuindo para a fidelização do cooperado e aumento das operações realizadas; cooperação efetiva entre os sistemas; e constante aprimoramento técnico, já que a competitividade do mercado financeiro exige que os atuais administradores das cooperativas estejam em processo de capacitação contínuo. “A expectativa, portanto, é que o segmento continue ampliando a sua participação no sistema financeiro em termos de ativos, captações e patrimônio, de forma a promover a inclusão financeira, estimular o desenvolvimento regional e atender à demanda de serviços e de produtos financeiros da população brasileira de forma ampla, capilar e competitiva”, conclui João Luiz Marques. l

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Programas do Sescoop/SP

Em busca do

bem-estar no trabalho por Carla Itália

Iniciado em 2014, um projeto para desenvolver a cultura ergonômica oferece boas soluções e mais qualidade de vida nas cooperativas

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preocupação com a segurança no trabalho remonta à Grécia Antiga, onde chamou a atenção de Hipócrates (460aC-377aC, o pai da medicina) e Aristóteles (384aC-322aC). Já o romano Plínio, o velho (23-79), relatou a situação dos trabalhadores expostos ao chumbo e ao mercúrio. Em 1700, o italiano Bernardo Ramazzini (1633-1714), considerado o pai da medicina do trabalho, escreveu um tratado sobre doenças ocupacionais. A primeira legislação envolvendo proteção ao trabalho surgiu na Inglaterra, as Leis das Fábricas (Factory Acts), em 1833, quando a industrialização ia a todo vapor. No Brasil, a segurança no trabalho começou a ser implantada para valer em 1941, com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Desde então, a preocupação com a saúde do trabalhador plasmou todo o sistema S, do qual o Sescoop é parte integrante.


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Assim, o Sescoop/SP sempre desenvolveu ações na área de segurança do trabalho, como as Semanas Internas de Prevenção a Acidentes de Trabalho (SIPAT), em parceria com as cooperativas. Em 2014 o núcleo de Esporte e Saúde implantou um projeto inovador chamado “Cultura Ergonômica”. O objetivo é conscientizar os trabalhadores de práticas que melhorem a interação entre o homem com seu ambiente de trabalho. O projeto foi desenvolvido pelas CIPAs (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes) de três cooperativas do ramo agro – Cocapec, Coopermota e Holambra II. Originária do grego ergon, trabalho, e nomos, normas, a ergonomia é a otimização das condições de trabalho humano por meio de métodos tecnológicos e de desenho industrial. Para Mirna Taino, analista de projetos do núcleo, as visitas feitas a algumas cooperativas revelaram que muitas delas desconheciam completamen-

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te a ergonomia. “Percebi que muitas tação de um carrinho sobre trilhos, cooperativas não tinham procedi- elas evitam ter de girar o corpo desmentos de como fazer as coisas cor- confortavelmente. Mirna explica: “Nós retamente”, relata. “Fizemos vídeos percebemos que a maioria das pessomostrando funcionários que, por des- as sentia dores nas costas por dobrar conhecimento ou falta de orientação, sacas enormes no chão. Sugerimos a adotavam práticas completamente aquisição de mesas, que não são muito inadequadas ou mesmo nocivas para caras. Em um outro caso, os trabalharealizar seus trabalhos. Então, perce- dores tinham que ficar girando o corpo bemos a importância de disseminar a para transportar o produto de uma esteira para outra; então desenvolvemos cultura ergonômica”, completa Mirna. O projeto teve duração de dez me- um trilho com um carrinho em que só é ses, com encontros de cinco horas a necessário empurrar”. A cooperativa Cocapec, que foi cada mês. “Foram dez encontros no uma das beneficiadas pelo curano, com duas horas de teoria so, relatou o fortalecimento e três horas de prática. das áreas já existentes Cada reunião era feita O curso trouxe uma e a formação de uma em uma cooperatiimportante mudança nova cultura gerenva participante do cial na empresa. “O projeto. A troca de de atitude, com vários curso trouxe uma experiências foi setores se envolvendo importante mudança enriquecedora. No e agregando novos de atitude. Diferentes começo, houve recolaboradores aos setores se envolveram, sistência de algumas quadros da CIPA agregando novos cocooperativas em falar laboradores aos quadros sobre seus problemas. da CIPA e estimulando novos Mas depois o problema de investimentos. Fizemos melhorias simuma já tinha sido solucionado na outra, e as ideias e dicas foram aparecen- ples, mas que resultaram em sensíveis benefícios aos colaboradores e à do”, esclarece a analista. Embora simples, algumas mudan- cooperativa de um modo geral. O curso ças fizeram a diferença. No trabalho realmente contribuiu para a formação com a soja, por exemplo, a instalação de uma nova cultura gerencial para a de mesas acabou com a necessida- área de segurança do trabalho na Code de as pessoas terem de trabalhar capec e com certeza fará o mesmo em agachadas no chão. E, com a implan- outras cooperativas”, incentiva Daniel Alves Carrijo, membro da CIPA. A experiência foi tão positiva que em 2016 haverá uma nova edição do projeto, dessa vez com cooperativas de saúde. “Será aplicado em 11 Unimeds na região de Bauru e a previsão é começar os encontros já em março. A ideia é continuar desenvolvendo pequenos procedimentos que levem a grandes melhorias para as cooperativas e fomentar a discussão do que pode ser feito em cada uma delas”, diz Mirna. O projeto é aberto para todos os funcionários das Unimeds participantes dessa edição. l

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giro cooperativista

I Notas sobre cooperativismo e cooperativas em São Paulo

Financiamento para energia solar O Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) está oferecendo uma nova solução para atender seus associados, ao mesmo tempo em que promove a preservação do meio ambiente. O Financiamento para Energia Solar é uma linha de crédito específica para a compra de equipamentos para geração de energia elétrica por meio da energia solar. Para obter esse crédito, o associado deverá apresentar o orçamento do empreendimento pretendido na sua unidade de atendimento.

Combate à dengue A cooperativa Sicoob Credicitrus, de BebedouroSP, está desenvolvendo uma ação para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue, febre Chikungunya e o vírus Zica. A campanha, denominada “Cooperação contra a Dengue”, vai premiar com 20 cartões vale-presentes no valor de R$ 1 mil moradores da cidade em cujas residências não forem encontrados focos do mosquito.

O novo produto é importante, já que, até 2024, a geração de energia elétrica a partir dos raios de sol no país passará dos atuais 0,02% para 4% da potência elétrica, alcançando 7.000 MW, sem contar com a geração distribuída. O dado consta no Plano Decenal de Energia Elétrica 2024 do Ministério de Minas e Energia.

O regulamento (disponível no site www.sicoobcredicitrus.com.br) determina que, para participar da promoção, os moradores devem preencher um cupom. A ação tem apoio da Prefeitura de Bebedouro, do Departamento de Saúde e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Bebedouro (SAEEB) e das demais cooperativas sediadas no município: Coopercitrus, Coperfam, Cotram, Cooperesp, Unimed e Uniodonto.

Nova cooperativa habitacional A cooperativa habitacional Habitcoop, de Sertãozinho-SP, pretende concluir nos próximos 20 meses as obras de um edifício residencial de nove andares. Até o momento, um terço das 36 unidades já foi adquirido por cooperados. O primeiro empreendimento da cooperativa terá apartamentos de 72 metros quadrados, com três quartos, suíte, varanda e duas vagas na garagem. De acordo com a cooperativa, o custo do imóvel é 20% a 25% menor do que o praticado na cidade por imóveis com padrão semelhante. A Habitcoop foi constituída no final do ano passado, com o apoio da Ocesp e do Sescoop/SP.

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Estudante paulista vence 9ª edição do Prêmio de Redação Cooperjovem A estudante paulista Mônica Amaral Novelli foi uma das três vencedoras da etapa nacional do 9º Prêmio de Redação do Programa Cooperjovem. Ela concorreu na categoria II, que abrange o 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. O resultado foi divulgado em novembro do ano passado, em Brasília. No total, o concurso teve 16.173 redações inscritas.

Economia de energia elétrica Em 2015, a Coop (Cooperativa de Consumo) implementou uma série de medidas para reduzir os gastos com energia elétrica. Como resultado, a economia registrada, em comparação com o gasto do ano anterior, foi de 9%, impulsionada principalmente pela estratégia de compra de energia elétrica no mercado livre, o que poupou o desembolso de R$ 1,4 milhão durante o exercício.

Mônica é aluna da Cooperativa de Ensino de Ourinhos-SP (Colégio Pólis), cidade onde o Cooperjovem recebe o apoio do Sicoob Credimota. O programa Cooperjovem, que incentiva práticas cooperativas no ambiente escolar, é uma iniciativa da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Desde 2007, já envolveu quase 100 mil alunos e 411 escolas, e conta com o apoio de 79 cooperativas em 13 estados do país.

A implantação gradativa de luminárias LED nas unidades também foi outra medida adotada, o que reduziu a fatura mensal em 10%, da mesma forma que a modernização da cadeia do frio alimentar em algumas lojas fez a conta de luz pesar bem menos no orçamento. Para este ano, a meta é economizar 20%, e para isso, até o mês de abril, o número de lojas integradas ao mercado livre saltará de 17 para 24 unidades, além do Centro Administrativo, em Santo André.

Cooperativas independentes indicam representantes para o CECO/SP Cerca de 25 representantes de cooperativas de crédito independentes (solteiras) se reuniram dia 16/2, no fórum técnico realizado pelo Sistema Ocesp em parceria com o Banco Central, e elegeram dois membros, titular e suplente, para representar o segmento no Conselho Consultivo do Ramo Crédito do Estado de São Paulo (CECO/SP): o presidente da Medcred, Fábio Gonçalves Luz, e o presidente da Credisan, João Gilberto de Souza.

Cooperativas aprovam adequações no estatuto da Ocesp Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, em 17/2, delegados de 37 cooperativas filiadas à Ocesp aprovaram mudanças para tornar o estatuto mais moderno, melhorando a governança da organização. Entre as alterações, foram aprovadas, por exemplo, medidas para agilizar a substituição de membros do Conselho Diretor, nos casos de vacância no decorrer da gestão; e a possibilidade do voto por aclamação na eleição para os Conselhos em caso de chapa única.

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MEMÓRIA COOPERATIVISTA

Il Quarto Stato (O Quarto Estado), de Pelliza da Volpedo (1868-1907), que retrata a luta dos trabalhadores

Uma utopia possível O cooperativismo nasceu em 1844 na Inglaterra como uma alternativa concreta dos trabalhadores às terríveis condições da industrialização

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Apesar de o cooperativismo ter origens nos primórdios da civilização, o movimento tal como o conhecemos hoje em dia nasceu na primeira metade do século XIX na Inglaterra, como uma alternativa dos trabalhadores à dramática situação a que estavam submetidos na Revolução Industrial. Esta revolução começou na segunda metade do século XVIII na Inglaterra, com a mecanização do setor têxtil, cuja produção se destinava aos mercados nas colônias britânicas. Na sequência, o processo avançou para o setor metalúrgico, impulsionando a produção em série, expandindo os transportes e barateando as mercadorias. Com isso, a burguesia industrial enriqueceu e consolidou seu domínio. O outro lado da moeda era a exploração dos antigos artesãos, transformados em trabalhadores submetidos a jornadas de 17 horas diárias em fábricas insalubres, recebendo míseros salários e

Coopera SP Ÿ jan/fev/mar 2016

por Cláudio Camargo

ameaçados permanentemente de fome e desemprego. Essa época é vivamente retratada pela obra do escritor britânico Charles Dickens (1812-1870). A primeira reação foi ingênua: o ludismo, surgido em 1811, se inspirava na iniciativa do operário Ned Ludd de quebrar as máquinas – os “vampiros” que lhes sugavam os empregos e a vida. O fracasso dessa iniciativa levou os trabalhadores a se organizar em sindicatos de ofício (as trade unions). Logo depois, surgiu o cartismo, baseado na Carta ao Povo, escrita em 1838 por William Lovett. Os cartistas realizaram manifestações exigindo o sufrágio universal masculino (à época só os ricos votavam), o voto secreto e a participação no Parlamento independentemente da condição social. Mas o movimento subiria de patamar no coração da Inglaterra industrial, Manchester, que deu vida às ideias cooperativistas de reformadores sociais

como Robert Owen, Charles Fourier e Louis Blanc. Em 21 de dezembro de 1844, 28 operários, a maioria tecelões, do bairro de Rochdale, reuniram 28 libras e fundaram a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, uma cooperativa de consumo que oferecia, a preços acessíveis, açúcar, manteiga, farinha, chá e tabaco. O movimento foi um sucesso e, em dez anos, já havia mais de mil cooperativas na Grã-Bretanha. Apesar de não ter sido a pioneira, a cooperativa de Rochdale se tornou um protótipo para as cooperativas da Grã-Bretanha. A tal ponto que os Princípios de Rochdale – adesão voluntária; controle democrático; neutralidade política; vendas à vista e em dinheiro; devolução de excedentes; interesse limitado sobre o capital e educação contínua – formaram as bases das cooperativas de todo o país, tornando-se, posteriormente, modelo para todo o mundo. l


14 DE OUTUBRO DE 1970 É O MARCO DA UNIFICAÇÃO DO COOPERATIVISMO EM SÃO PAULO. A OCESP NASCEU DO BOM SENSO E ATITUDE DE PESSOAS QUE ESCOLHERAM O CAMINHO DO BEM MAIOR.


XIV FÓRUM DE ASPECTOS LEGAIS DO COOPERATIVISMO

4 DE MAIO AUDITÓRIO DO SESCOOP/SP SÃO PAULO/SP

O IMPACTO DAS DEMANDAS TRIBUTÁRIAS E JUDICIAIS EM COOPERATIVAS E OS SEUS REFLEXOS

O tradicional encontro promovido pelo Sescoop/SP aborda este ano as questões tributárias, judiciais e trabalhistas que influenciam na gestão das cooperativas. O evento é destinado aos advogados, contadores e dirigentes cooperativistas, além de outros profissionais com interesse no assunto.

TEMAS EM DESTAQUE

COM A PRESENÇA DE

O alcance do Ato Cooperativo

Roque Antônio Carrazza Professor-Titular de Direito Tributário – PUC/SP

Reflexões acerca da contribuição previdenciária do tomador de serviços e a nova sistemática do PIS e da Cofins O cooperativismo no cenário nacional

INSCREVA-SE ATÉ 30/4 www.sescoopsp.org.br/aspectoslegais2016

Pedro Paulo Manus Ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

Coopera SP | Edição 01  

Revista Coopera SP | Edição 01 - 1º Trimestre de 2016 - SESCOOP/SP

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