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Todo síndico lê!

55 out nov dez 2012

ANO 15

Uma boa gestão em dez lições Manual para gerenciar o condomínio com profissionalismo e eficiência Legislação: Seu prédio respeita as leis de acessibilidade?


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NEWTON MENDONÇA

Presidente da CIPA

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[capa] Uma boa gestão em dez lições

ENTREVISTA

se chegar aos cabeças e ao objetivo real do mensalão, que seria a manipulação política com o objetivo da perpetuação do poder. Os réus alegam se tratar de um caixa dois, prática usual da política e, portanto, um crime eleitoral sem maiores consequências. Esse julgamento está trazendo para a Justiça novos conceitos para o crime de corrupção, fazendo com que as evidências apuradas no processo - que levam à plena certeza do delito ocorrido - venham a ser consideradas provas válidas. Antes era preciso um ato de ofício, ou seja, algum documento assinado pelo corrupto, o que, usualmente, era quase impossível. Os melhores escritórios de advocacia foram contratados pelos réus, que são poderosos e transitam nas esferas políticas do poder. Eles tiveram amplo direito de defesa e, por mais que quisessem conturbar ou postergar o julgamento, não conseguiram. A corrupção já está tão disseminada nos meios políticos e governamentais que ninguém podia imaginar um julgamento condenatório que abalasse essas estruturas desonestas. Certamente, a corrupção não vai acabar, ela existe em todo o mundo, porém, o fim da impunidade precisava de um marco, e isso está acontecendo. Podemos dizer que estamos passando por um momento especial no país e acreditamos que o Brasil está mudando. Quando este artigo sair em nossa revista, provavelmente o mensalão ainda estará sendo julgado, porém, com algumas condenações já feitas, o que nos dá o direito de vislumbrar boas perspectivas em relação ao julgamento final. Vamos aguardar.

Apresentamos nesta edição um manual para que os síndicos aprendam como gerenciar o condomínio com profissionalismo e eficiência. Leia nossa matéria especial e fique por dentro de tudo o que você precisa saber para ser um bom síndico.

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Uma publicação:

Rua México, 41 - 2o andar CEP 20031-905 Centro - Rio de Janeiro Tel.: [21] 2196-5000 Fax: [21] 2533-2449

manutenção

Esse processo, iniciado há mais ou menos sete anos, indiciou 37 réus que pertencem ao núcleo do poder, entre eles políticos influentes, diretores de empresas públicas, banqueiros e poderosos. Depois de exaustivas investigações por parte da Polícia Federal, do Ministério Público e de outros órgãos fiscalizadores, eles foram denunciados por diversos crimes, tendo como base a corrupção. O relatório extenso, minucioso e competente, encaminhado ao Supremo pelo procurador geral da República, pedia a condenação de todos os réus, em diversas modalidades de crimes. No Supremo, o ministro relator Joaquim Barbosa, em um trabalho de 1.500 folhas, não só confirmou as acusações como trouxe ainda mais elementos que demonstravam os atos ilícitos. Esse julgamento, que está em curso, tem sido visto, ao vivo, pelo povo brasileiro, o que só acontece em pouquíssimos países do mundo. Felizmente, no Brasil, temos esse privilégio. O mensalão, apelido que a Ação Penal 470 recebeu e que deixa explícita a vergonhosa essência do que estava para ser julgado, tomou um rumo que está surpreendendo a todos. A condenação de João Paulo Cunha, por nove dos 11 juízes, espelha a certeza dos crimes cometidos. Nunca um político havia recebido condenação pelo Supremo, e João Paulo, ex-presidente da Câmara dos Deputados e até presidente da República, na ausência de Lula e José Alencar, estava em plena campanha para prefeito e com prestígio na cena política. O processo foi dividido em partes para ser apreciado e entendido como uma sequência que levará ao núcleo central, para

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manutenção

O mensalão veio para dar ao brasileiro uma resposta à impunidade


Paulo Rodrigues

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[atualidade] Um mergulho saudável Piscinas coletivas precisam de cuidados especiais com a manutenção para evitar problemas técnicos, além de exigirem normas que regulamentem o uso e diminuam o risco de transmissão de doenças. Leia o texto e fique antenado no assunto que promete esquentar ainda mais o verão que vem por aí.

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Venezianas externas dão conforto em casa, mas exigem especial atenção de síndicos e moradores. Veja como cuidar de sua manutenção nesta matéria.

[CONDOMÍNIO] Lazer pesa no bolso? Os condomínios modernos estão cheios de opções de lazer. Um salão de festa só já não satisfaz mais. É preciso ter academia de ginástica, piscina, área ao ar livre com brinquedos para os pequenos, bar, restaurante. Mas será que tudo isso pesa no bolso? Leia a matéria e dê sua opinião.

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[Manutenção] Cuidando do lado de fora da janela

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[Manutenção] Gás: de olho nos vazamentos

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[Manutenção] Desentupimento geral

A manutenção correta dos aparelhos de gás garante a segurança de todos. O assunto é velho, mas é sempre bom relembrar sua importância.

Nossos apartamentos fazem parte de um grande organismo formado por tubos, canos, ralos e colunas. E tudo tende a descer redondo quando por eles circulam apenas líquidos e material apropriado para descarte. Do contrário, a dor de cabeça é garantida. Saiba como evitar problemas lendo esta matéria.

[legislaçÃO] Seu prédio respeita as leis de acessibilidade? Garantir acesso a todos às áreas comuns do prédio é obrigação do condomínio.

DIRETORIA Presidente NEWTON MENDONÇA

Revisão ANDREA BIVAR

PARA ANUNCIAR LIGUE

Vice-presidente MÁRIO MENDONÇA

Fotografia Ariel Subirá

www.condominioetc.com.br revista@condominioetc.com.br

Diretora da Unidade de Negócio e Condomínio DEBORAH O’DENA MENDONÇA

Marketing e Publicidade SAMY GRUBMAN marketing@cipa.com.br

Diretora de Locação, Seguros e Novos Negócios MARIA TERESA MENDONÇA DIAS

Colaboraram neste número Claudia Silveira Lia Rangel MILTON DE MENDONÇA TEIXEIRA paulo ferreira renata Fernandes STELLA MARIS C. MENDONÇA vicente magno Wanja Antunes

Conceitos e opiniões em artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta publicação é permitida desde que seja citada a fonte e previamente autorizada, por escrito, pela editora. A empresa reserva-se ao direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa.

Redação e Edição VIVIEN BEZERRA DE MELLO (MTb: 18731)

redacao@cipa.com.br

2196-5176

18 mil exemplares

Esta publicação está em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995, e em vigor desde 1º de janeiro de 2009.

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informe

III Fórum Internacional de Administradores de Imóveis Para debater os rumos da administração imobiliária e comentar suas particularidades em diferentes países, o Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) promoveu o III Fórum Internacional de Administradores de Imóveis, um dos maiores encontros do setor na América do Sul. O evento, que ocorreu entre os dias 28 e 29 de setembro, no hotel Windsor Atlântica, reuniu administradores de imóveis, lideranças empresariais, membros de entidades de classe e demais profissionais vinculados aos mercados imobiliários nacional e internacional. Assim como nas duas edições anteriores — que ocorreram em 2006 e 2008 —, o evento deste ano levou para as mesas de

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debates um panorama geral da administração imobiliária na Europa, nas Américas Central, do Norte e do Sul e no Japão, além de apresentar peculiaridades do modelo de administração brasileiro, estimulando o networking, a troca de experiências, a ampliação da participação das lideranças corporativas e o incremento dos negócios dos participantes do fórum. “Temos um importante papel no ranking de empresas que atuam no mercado de administração imobiliária internacional. Os estrangeiros consideram o Brasil o país com o maior número de unidades condominiais geridas por uma mesma administradora. Também somos reconhecidos pelo avançado relacionamento on-line com os clientes,

entre outras particularidades”, destaca Pedro Wähmann, presidente do Secovi Rio. Depois dos dois dias de debates, todos os representantes internacionais presentes no fórum assinaram a Carta do Rio de Janeiro, um documento de intenção que reúne promessas de ações comuns a todos os participantes do evento, de práticas desejáveis para uma boa gestão da administração imobiliária. “O Brasil vive um momento de muitas transformações, e o mercado imobiliário acompanha essa fase, atraindo, inclusive, a atenção de investidores internacionais. Na ponta dessa cadeia, a administração imobiliária assume um papel cada vez mais relevante”, ressalta o presidente do Secovi Rio.


CIPA marca presença em feira comemorativa de 70 anos do Secovi Rio Representantes da CIPA estiveram presentes na Feira de Condomínios, especial 70 anos do Secovi Rio, que ocorreu nos dias 26 e 27 de setembro no Centro de Convenções Sul América. Com o tema Condomínio Cidadão, o sindicato ressaltou a importância de investir em ações ligadas aos quatro pilares da cidadania (sustentabilidade, solidariedade, acessibilidade e convivência) dentro da vida condominial. A CIPA reconhece a importância do assunto para a sociedade e parabeniza o Secovi Rio pelos 70 anos de atuação no segmento imobiliário do Rio de Janeiro. Para Deborah O’Dena Mendonça, diretora da CIPA e presidente da Associação Brasileira de Imóveis (Abadi),

“Setenta anos representam um marco muito importante, pois demonstram alto nível de eficiência, tradição, produtividade e credibilidade. Aos dirigentes e colaboradores do Secovi Rio, dou os parabéns pela positiva capacidade empresarial, com um ritmo de profissionalização e atualização constantes, molas propulsoras para o êxito conferido nessa trajetória. Como presidente da Abadi, agradeço o apoio incessante que o sindicato nos confere nas diferentes iniciativas de nossa associação em prol do segmento imobiliário. Apostamos nessa trajetória e nos colocamos sempre lado a lado nas questões comuns de nosso mercado, desejando que continuem superando os desafios que nos são apresentados.”

Abadi promove o 10º Encontro Nacional de Inquilinos e Locadores A Abadi promoveu, em 17 de agosto, o 10o Encontro Nacional de Inquilinos e Locadores. O evento, que ocorreu no auditório da Bolsa de Valores, no Centro do Rio, contou com a presença de representantes da Abadi, do Secovi Rio e da Associação Brasileira dos Advogados do Mercado Imobiliário (Abami). A diretora da CIPA, Deborah O'Dena Mendonça, também compareceu ao evento para conferir temas relevantes sobre direito imobiliário na área de locação. Cerca de 250 participantes marcaram presença

Secovi Rio e Abadi promovem ciclo de encontros com candidatos à Prefeitura Durante o mês de agosto, o Secovi Rio, com o apoio institucional da Abadi, promoveu um ciclo de encontros com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro. A CIPA, representada por sua diretoria, também apoiou a rodada de eventos que foi a oportunidade para os candidatos apresentarem suas propostas antes do primeiro turno. Foram abordados temas diversos, como sustentabilidade, autovistoria, diretrizes aprovadas no Plano Estratégico da Prefeitura e parcerias do setor com o poder Executivo.

Obras para estar cada vez melhor para você Com o objetivo de proporcionar mais conforto a seus clientes, a CIPA está reformando suas instalações. As obras, que, em breve, serão concluídas, trarão melhorias significativas no atendimento ao cliente.

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Uma boa gestão em dez lições Manual para gerenciar o condomínio com profissionalismo e eficiência Lidar com o cotidiano dos condomínios está deixando de ser uma atividade para amadores. Prova disso é a ascensão dos cursos voltados para qualificação e reciclagem no ramo de administração imobiliária. O mundo está em plena transformação e os condomínios não ficam de fora: com leis e tecnologias cada vez mais complexas, aumentam os desafios dos síndicos nas áreas de gestão operacional, orçamentária, financeira, de recursos humanos etc. Essas comunidades verticais e horizon-

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tais já não são as mesmas: os playgrounds, típicos da década de 1980, vão dando espaço a instalações mais modernas e inovadoras, com ampla oferta de espaços de lazer e entretenimento – os condomínios-clube. Assim como o tipo de moradia, o perfil do síndico está mudando. Num cenário de empreendimentos altamente tecnológicos, com moradores mais exigentes em sua condição de consumidores, os gestores não têm outra alternativa senão se aperfeiçoarem. Somando-se a isso, a onda de

profissionalização que atinge as empresas brasileiras está chegando aos condomínios, sejam eles antigos ou modernos, grandes ou pequenos. Sendo assim, a parceria com as administradoras é fundamental. Nesta matéria, a Condomínio etc. revela os pontos desejáveis para uma gestão moderna e eficiente, de acordo com especialistas no segmento e com síndicos bem-sucedidos, alertando também para os aspectos que podem colocar tudo a perder e deixar você em maus lençóis perante os moradores.


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Os riscos da autogestão

Muitos síndicos e moradores costumam afirmar que contratar uma administradora é jogar dinheiro fora. Grande parte deles acaba optando pela autogestão por acreditar que ninguém conhece melhor o condomínio do que os próprios moradores. É nesse raciocínio que mora o perigo, segundo o gerente geral de Condomínios da CIPA, Cláudio Affonso. Para ele, os condomínios precisam ser geridos de forma profissional, não importando o tamanho da edificação. Daí a importância da parceria com uma administradora. É preciso observar tudo de perto, porque um descuido em qualquer área, seja no tocante à manutenção, ao combate à inadimplência, às questões trabalhistas etc., pode resultar no auCláudio Affonso, gerente geral de condomínios mento da cota condominial, gerando a da CIPA, alerta para os riscos da autogestão: insatisfação da comunidade, ou na des- “Os condomínios precisam ser geridos de forvalorização das unidades. Mesmo para ma profissional, não importando o tamanho da edificação” os síndicos mais experientes, o suporte de uma administradora de condomínio é imprescindível. “O síndico pode ser um excelente profissional, mas se não estiver por dentro das convenções coletivas de trabalho, que definem o aumento salarial dos empregados, ou das obrigações que podem gerar passivos trabalhistas, por exemplo, pode acabar se complicando. As boas administradoras suprem essas necessidades porque têm um especialista para cada área. São muitos os pontos com os quais o gestor deve se preocupar”, ratifica o gerente da CIPA.

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Transparência nas contas

Ninguém gosta de jogar dinheiro fora, não é mesmo? Por isso, a transparência com relação às finanças do condomínio é de extrema importância. “A administradora arrecada as taxas aprovadas em assembleias gerais, realiza o movimento financeiro, inclusive o pagamento das obrigações, elabora prestação de contas mensais e dá apoio logístico aos síndicos”, enumera Cláudio Affonso, acrescentando que um processo bem-feito de prestação de contas gera transparência no trato com o conselho fiscal e, claro, dá tranquilidade ao síndico.

Para o vice-presidente do Secovi Rio, Manoel Maia, advogado especialista em direito imobiliário, a arrecadação e as despesas do condomínio devem ser tratadas segundo suas finalidades. O conhecimento da forma de lançar entradas e saídas financeiras é importante para que síndico, subsíndico, conselheiros e condôminos possam entender os balancetes e identificar eventuais erros de lançamento ou mau uso dos recursos. Contas e despesas ordinárias e extraordinárias, fundo de reserva e outros termos usados na contabilidade devem ser bem entendidos.

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Síndicos profissionais

Para Manoel Maia, vice-presidente do Secovi Rio, o conhecimento da forma de lançar entradas e saídas financeiras é importante para que síndico, subsíndico, conselheiros e condôminos possam entender os balancetes e identificar eventuais erros de lançamento ou mau uso dos recursos

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Olhos abertos para a inadimplência

Nos últimos dois anos, o número de inadimplentes e pessoas que atrasam o pagamento da taxa condominial em até 30 dias cresceu cerca de 20% no município do Rio, segundo dados do Departamento de Pesquisa do Secovi Rio. Alguns especialistas alegam que o aumento foi causado pelas mudanças do Código Civil, em vigor desde 2003, que reduziram o limite da multa por atraso da cota de 20% para 2%. O gerente geral de Condomínios da CIPA alerta: “Síndicos e administradoras devem estar atentos a essa questão. Se o condomínio arrecada menos que o programado, pode acabar deixando de arcar com algumas responsabilidades. Por isso é fundamental considerar o índice médio de inadimplência ao realizar a previsão orçamentária”, alerta, lembrando que o caixa desfalcado pode interferir no pagamento

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de contas de consumo, na realização de obras importantes para a saúde da edificação e na segurança dos moradores, só para citar alguns exemplos. Para os síndicos que sofrem com esse problema, Maia, do Secovi Rio, sugere enviar notificação escrita de cobrança, concedendo prazo para o pagamento do débito. O gestor pode também informar no balancete mensal enviado aos condôminos quais imóveis estão inadimplentes ou, se a tentativa de acordo não surtir efeito, acionar o morador judicialmente com a devida ação de cobrança. “O síndico não deve expor o condômino em débito a uma situação vexatória ou colocar os nomes dos inadimplentes no mural de recados do prédio. Nem conceder descontos e parcelamentos sem que uma assembleia ou a convenção autorize”, recomenda.

Para muita gente pode parecer uma loucura, mas ser síndico é algo normal para uma parcela cada vez maior de pessoas que escolhem a função como profissão, atuando, muitas vezes, em diversos edifícios. É o caso de Marco Aurélio Ginsberg, que cuida de oito condomínios, cinco deles administrados pela CIPA. Um desses cinco, o Condomínio das Boutiques, situado em Copacabana, é comercial. “Os comerciais dão menos trabalho porque, nos residenciais, todo dia tem morador reclamando de alguma coisa”, brinca o gestor, no ramo há 15 anos. Engenheiro civil, Ginsberg afirma que a formação acadêmica ajuda a resolver problemas, principalmente os relacionados à manutenção. Mas ressalta a importância do suporte de uma administradora, mesmo para os síndicos experientes. “A assessoria na parte de controle de funcionários é bastante útil”, pontua. Apesar da desenvoltura com que muitos exercem suas funções, é comum os síndicos profissionais serem criticados por não morarem nos condomínios onde trabalham. “O perfil desses gestores está mudando, muitos são mais jovens e têm outras atividades, portanto, não ficam o tempo todo no condomínio. Muitas vezes os síndicos profissionais estão até mais disponíveis do que os que residem no local”, diz. “Além do mais, o síndico não tem que estar sempre por perto. Ele não é o porteiro, está apenas gerenciando. Minha interface são os porteiros-chefes e os membros do conselho. Quando precisam falar comigo, me ligam e eu dou suporte, resolvendo muitas vezes tudo por telefone”, justifica Ginsberg, que visita cada um dos oito condomínios onde trabalha pelo menos três vezes por semana, sempre durante o dia.


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Reduzindo as despesas Pesquisa do Secovi Rio aponta: tradicionalmente, a folha de pagamento é o item que consome a maior parte do que os condomínios arrecadam: 38%. A tarifa de água, uma das mais caras do país, fica com a segunda colocação, consumindo 23% da receita. Manutenção (15%) e conta de luz (14%) ocupam, respectivamente, o terceiro e quarto lugares, quase empatados. Para uma gestão bem-sucedida, o síndico deve estar atento ao desperdício. Algumas dicas são: instalar minuterias individuais nos corredores; maximizar a utilização da luz natural; utilizar tintas de cores claras nas paredes dos corredores, nas escadas e nos elevadores (as escuras exigem lâmpadas mais fortes, que consomem mais energia); desligar um ou mais elevadores nos períodos de menor tráfego; acompanhar de perto o consumo do condomínio. A substituição das lâmpadas incandescentes e das fluorescentes tubulares deve estar entre as principais diretrizes. Segundo Ronald Sidi, sócio da Solux Energia Solar, a solução mais moderna, econômica e ecológica é o LED. “Num primeiro momento, o custo maior pode assustar, mas o tempo de vida útil, nove vezes maior que o das fluorescentes, compensa. O investimento se paga em um ano”, esclarece o empresário. “É possível reduzir o consumo entre 50% e 90% com a tecnologia em LED e lâmpadas sem eletrodos”, diz o especialista, que realiza projetos luminotécnicos para condomínios.

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Previsão orçamentária É obrigação de todo condomínio elaborar um orçamento das receitas e despesas para o ano seguinte. O ano-exercício coincide com o ano-calendário, a não ser no primeiro ano de vida do condomínio, quando o exercício começa logo após a data de entrega do imóvel pela construtora ou incorporadora, em qualquer época do ano, e se encerra em 31 de dezembro. Cláudio Affonso, da CIPA, explica que a previsão orçamentária precisa conter todos os elementos ou itens de despesas que o condomínio fizer. Tem que prever também uma margem de reserva para os casos de inadimplência, cujo percentual depende do número de condôminos e do histórico de dívidas. Além disso, lembra o gestor, há que se considerarem as projeções dos economistas para a inflação. Só que existem imprevistos, daí a importância de manter um fundo de reserva. Mas este é um assunto para o próximo tópico.


Upgrade no fundo de reserva O fundo de reserva é uma receita arrecadada juntamente com o pagamento da cota condominial. A finalidade e a forma de utilização devem estar especificadas na Convenção, sendo habitualmente direcionado para o pagamento de despesas não previstas no orçamento nem na arrecadação do condomínio, como obras e reparos de urgência, pagamentos de quantias elevadas de indenizações trabalhistas, conserto emergencial de elevador etc. Normalmente, explica Cláudio Affonso, a importância mensal a ser recolhida é estabelecida em torno de 10% do valor da cota do condomínio. Muitos gestores recomendam a abertura de uma conta exclusiva para o fundo, que poderá ser movimentada para eventuais aplicações em fundos de investimentos ou caderneta de poupança. Se o valor da conta do fundo não for suficiente para o pagamento de uma despesa emergencial, deve-se convocar a assembleia para definir o valor da cota extra a ser cobrada para fazer frente à diferença necessária.

Marco Aurélio Ginsberg, síndico profissional, ressalta a importância do suporte de uma administradora, mesmo para síndicos experientes

Na era da informática Twitter, Facebook, Instagram e uma série de aplicativos para celulares... Estamos mergulhados na era digital e interativa. As novas tecnologias estão aí para facilitar a vida das pessoas e, nos condomínios, estão fazendo uma verdadeira revolução. O gestor que não se adaptar estará fadado ao fracasso, dizem os especialistas. O síndico Marco Aurélio Ginsberg está atento: “Acesso a internet pelo telefone e delibero com os conselheiros por e-mail diariamente, o que torna a gestão mais ágil e eficiente. Minha função é viável por causa do computador e do celular”, ratifica. O gestor mantém na agenda eletrônica uma relação de fornecedores e prestadores de serviços que podem ser contatados em caso de emergência. Além disso, ele pode ter acesso a informações em tempo real através do CIPA Fácil, que disponibiliza, mediante login e senha no portal da administradora, mais de 35 informações e documentos, entre eles extratos, demonstrativos de acordos, recibos quitados, cronograma de boletos, quadro de funcionários, guias de INSS e formulários de admissão de funcionários, entre outros.

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Segundo o síndico Alberto Lopes, do condomínio Dom Garcia, quase 30% do que o prédio arrecada se destina à conta de água

O síndico Mário Duarte vê vantagens na terceirização. “Não preciso me preocupar com a compra de uniformes dos empregados”

A onda verde O ano de 2012 foi emblemático no que diz respeito à sustentabilidade e à consciência ecológica. Tanto que sediamos o maior evento mundial do setor, a Rio+20, no mês de junho. As metas traçadas na conferência podem demorar a ser alcançadas, mas uma coisa é certa: está todo mundo ligado no assunto, inclusive os síndicos. Uma enquete publicada no portal do Secovi Rio no ano passado, com a pergunta “O seu condomínio adotou alguma medida ecológica ao longo do ano?”, revelou que a maior parte dos votantes (56%) se preocupou com a questão: 27% implantaram a coleta seletiva; 23% reforçaram as ações contra o desperdício de água e energia elétrica; 6% adotaram medidas mais sofisticadas, como implantação de medição individualizada de água (3%) e instalação de coletores e reservatórios de água da chuva (3%). Síndico do condomínio Dom Garcia, no Cachambi, administrado pela CIPA, Alberto Lopes Ribeiro Júnior faz parte do grupo majoritário da pesquisa. Segundo afirma, uma das vilãs do edifício

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com 132 apartamentos e 11 andares é a conta de água. Mas ele está atento. “Quando assumi o cargo, há três anos, o custo médio mensal era de R$ 25 mil. Resolvi atacar o problema de frente com medidas simples, como verificar a existência de vazamentos nos apartamentos e trocar válvulas gastas das caixas de descarga. Em pouco tempo, reduzimos a conta de água em 15%”, orgulha-se o gestor, que revela: quase 30% do que o condomínio arrecada (R$ 66 mil) se destina a essa despesa. Assim como Alberto, o síndico Mário Duarte de Sousa, que comanda o condomínio Victor Hugo, no Grajaú, há 12 anos, é linha-dura quando o assunto é desperdício de água. “Controlo de perto mas com habilidade, sem entrar em conflito. No carnaval, por exemplo, quando muitas pessoas viajam, eu interrompo o fornecimento e, com a economia, gero um saldo credor. Neste ano, conseguimos economizar R$ 1,5 mil em dez dias”, ensina o gestor, formado em administração. O prédio, com nove andares e 18 apartamentos, é administrado pela CIPA.


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Terceirização responsável Nessa modalidade, o síndico contrata empresas para a realização de atividades relacionadas com a operacionalização do condomínio. Cláudio Affonso, da CIPA, alerta que os edifícios que optam pelo modelo devem zelar pelo máximo de transparência, sem falar na imparcialidade e na flexibilidade no manejo com fornecedores para obter eficiência na gestão operacional e financeira. A terceirização exige do síndico boa capacidade para administrar a passagem de informações e de tarefas de uma empresa a outra, sem deixar de estabelecer respon-

sabilidades bem claras para cada uma. “Importante ressaltar que a terceirização não isenta o condomínio de responsabilidade trabalhista”, pondera Affonso. Entre as vantagens do sistema, o síndico Alberto Lopes aponta o desencargo do gerenciamento dos funcionários: não é preciso se preocupar com empregados faltosos, orientação sobre as funções a serem desempenhadas e toda a burocracia trabalhista. Mas é preciso ficar atento à rotatividade. Lopes conta com quatro empregados terceirizados, de um total de sete, nas áreas de

limpeza e na piscina. “Na portaria, optei por funcionários próprios, pela confiabilidade, e para evitar substituições, por uma questão se segurança”, afirma. “Acompanho tudo de perto e arquivo as guias de recolhimento de encargos, controlando também os exames periódicos dos empregados.” Mário Duarte também vê vantagens na terceirização. “Não preciso me preocupar com compra de uniformes, substituição de empregados em férias ou com problemas de saúde. Além disso, a empresa fica responsável pela aquisição do material de limpeza”, conta.

Um condomínio para todos O crescimento do quantitativo de idosos na população é um fenômeno que desafia as políticas públicas, produz mudanças na sociedade civil e no segmento produtivo. Segundo o Censo Demográfico do IBGE de 2010, a faixa etária de pessoas com mais de 60 anos cresceu quatro vezes mais do que a população em geral, sendo o Rio de Janeiro a cidade campeã do país. “Diante dessa nova realidade, o desafio de enfrentar o envelhecimento com saúde, conforto e dignidade deve ter foco privilegiado e merece a atenção dos gestores de condomínios”, afirma a síndica Henriette Krutman, do condomínio Augusto César Cantinho, em Botafogo, diretora executiva da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e segunda colocada no Prêmio Secovi Rio 2012, categoria Condomínio Cidadão, pelas diversas ações em prol da acessibilidade. Para os desavisados, é importante comunicar: a Lei Federal nº 10.098/2000 determina a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida,

Henriette Krutman, do condomínio Augusto César Cantinho

através da eliminação das barreiras existentes no espaço da cidade e nas edificações, para assegurar o direito de ir e vir, promovendo a equiparação de oportunidades daqueles que se encontram em situação de desvantagem. “É importante que o síndico faça adaptações nas partes comuns, assegurando

percursos livres de barreiras e utilização desses espaços de forma autônoma e segura pelos idosos e por pessoas portadoras de necessidades físicas especiais”, reforça Henriette. Entre as medidas implementadas pela gestora, estão instalação de corrimões e de rampas (fixas e móveis), regularização de pisos, colocação de fitas antiderrapantes, instalação de barras de apoio nos banheiros, sinalização em Braille nas botoeiras dos elevadores, compra de cadeira de rodas, iluminação mais potente (lâmpadas LED) na portaria e nos corredores e instalação de nobreak no sistema de interfonia, garantindo comunicação contínua durante os “apagões”. E, então, você vai ficar de fora dessa tendência? Serviço Solux Energia Solar www.soluxenergiasolar.com.br Secovi Rio www.secovirio.com.br

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paisagismo

O paisagismo está na moda Workshop sobre paisagismo movimenta Ipanema e Barra O paisagismo está na moda, e quem se interessa pelo assunto está sempre de olho em eventos sobre o tema. Veja o que nossa revista descobriu e traz em primeira mão para você: após alguns anos de trabalho e pesquisa, a paisagista carioca Beatriz Santiago lançou, em agosto, o Workshop Home - Jardinagem, Paisagismo e Design Floral. O evento terá várias edições em Ipanema e na Barra. A intenção desse workshop é fazer com que as pessoas aprendam, de forma simples e agradável, o básico de jardinagem, paisagismo e design floral para que possam, sem errar, escolher e cuidar das próprias plantas, além de aprender a montar um arranjo personalizado para ocasiões especiais, como um almoço de noivado ou um simples jantar para os amigos. Dicas incríveis como montar uma hortinha suspensa em pequenos espaços e ter um minipomar na própria janela também fazem parte dos tópicos do tema Jardinagem. Nos eventos, serão oferecidos, no coffee break, o delicioso café e o waffle da Kopenhagen, e no espaço Joana & Quitéria, em Ipanema, após as 18 horas, será servido um convidativo chá da tarde. Todos os alunos levarão para casa um kit com semente de trevo da sorte para cultivar! Ainda no curso em Ipanema, será sorteado um fim de semana, com acompanhante, na pousada BeneVento, na charmosa Vila Capivari, em Campos do Jordão. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas. Serviço Ipanema Endereço: Espaço Joana & Quitéria Rua Prudente de Moraes, 1.008 Hotel Ipanema Tower Datas: 2�� edição - 18, 19 e 20 de outubro 3ª edição - 8, 9 e 10 de novembro 4ª edição - 6, 7 e 8 de dezembro

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Investimento: Um dia - R$ 430 Dois dias - R$ 817 Três dias - R$ 1.161 Telefone de contato: 9477-7712

Barra Endereço: Chácara Fitoplantas Estrada do Itanhangá, 63 Itanhangá, Rio de Janeiro Datas: 3ª edição - 25, 26 e 27 de outubro 4ª edição - 22, 23 e 24 de novembro 5ª edição - 13, 14 e 15 de dezembro

Investimento: Um dia - R$ 380 Dois dias - R$ 722 Três dias - R$ 980 Telefone de contato: 9477-7712


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atualidade por Lia Rangel

Um mergulho saudável Piscinas coletivas precisam de cuidados especiais com a manutenção para evitar problemas técnicos, além de exigirem normas que regulamentem o uso e diminuam o risco de transmissão de doenças A piscina é a grande estrela dos condomínios no verão, não só por aliviar a sensação de calor, mas por proporcionar atividades de lazer e contribuir com a socialização entre os condôminos. Entretanto, é importante lembrar que alguns cuidados precisam ser mantidos, independentemente da estação climática, para que toda a engrenagem continue funcionando perfeitamente, além de evitar problemas de saúde. Os equipamentos – como pré-filtros, filtros, bombas de recirculação, tubulações, drenos e ralos de fundo, coadeiras, aquecedor e trocador de calor, visores de retrolavagem, dispositivos de retorno e de as-

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piração e dosadores de produtos químicos - devem ser avaliados constantemente e, no caso de necessidade de reparo ou troca em algum desses aparelhos, um especialista da área deve ser procurado para identificar e solucionar o problema. Mas outros fatores são determinantes para manter a qualidade da água e, por isso, é necessário submetê-la a uma série de procedimentos químicos. Segundo Hélio Rufino, técnico em piscinas da empresa Rialti, o primeiro passo para que a água fique própria para o banho é manter o pH, o cloro e a alcalinidade controlados. “O pH deve ficar entre 7 e 7,4 ppm; o cloro pre-

cisa estar entre 1 e 3 ppm e a alcalinidade, entre 80 e 120 ppm”, afirma. Essas verificações são feitas através de um kit calorimétrico ou de fitas de teste que, em contato com a água, determinam essas quantidades. Caso estejam fora dos padrões estabelecidos, é preciso utilizar outros produtos para equilibrar os níveis e não prejudicar os equipamentos nem a saúde dos usuários. Esse controle protege os equipamentos da piscina contra a corrosão, aumentando sua vida útil, e evita que os banhistas sofram com irritação nos olhos e na pele, geralmente decorrentes desse desequilíbrio. Outros produtos quí-


O condomínio da síndica Mônica Cleophas investiu na capacitação de um funcionário para fazer a manutenção da piscina

O ralo de fundo pode ser um vilão Rita Pellegrino, síndica no Recreio dos Bandeirantes, conta que, diariamente, são feitos tratamento e limpeza da água, através da filtragem, aspiração e aplicação de produtos próprios

micos, como clarificantes e algicidas, também devem ser usados de acordo com as necessidades de cada condomínio. Rita Pellegrino, síndica no Recreio dos Bandeirantes, conta que, diariamente, são feitos tratamento e limpeza da água, através da filtragem, aspiração e aplicação de produtos próprios. “O responsável pelos cuidados com a piscina é o zelador; e quando há necessidade da troca de filtros, chamamos uma empresa”, diz. O condomínio da síndica Mônica Cleophas, em Santa Teresa, também investiu na capacitação de um funcionário para fazer a manutenção da piscina. “Nosso faxineiro fez um curso pago pelo condomínio e ganha um extra pela manutenção”, garante.

Apesar de a manutenção do equipamento e a limpeza da piscina serem fundamentais para impedir contratempos, síndicos e condôminos precisam estar atentos para um problema que, ainda hoje, faz muitas vítimas: a sucção pelos ralos de fundo. Esses acidentes ocorrem quando o sistema hidráulico não está em conformidade com a legislação e é mantido de forma irregular, o que possibilita a sucção de partes do corpo ou de cabelos das vítimas, que, quando não conseguem se desprender, podem até morrer afogadas. Há cerca de dois anos, a Lei 5.837/2010, de autoria do deputado Gilberto Palmares, determina a instalação de um dispositivo que interrompa o processo de sucção sempre que o ralo estiver obstruído. Esse dispositivo precisa estar em local de fácil acesso, inclusive para crianças e portadores de deficiência locomotora. As piscinas

construídas mais recentemente já precisam ter esse mecanismo. “Registros de acidentes, como prisão de costas e barriga, que causam hematomas acentuados, e casos mais graves que levam as pessoas à morte por afogamento são motivos de preocupação que merecem atenção”, argumenta o autor da lei. Em conjunto com a lei, a norma da ABNT, NBR 10339, determina que todas as piscinas precisam ter, no mínimo, um ralo de fundo instalado na parte mais profunda, que deve ser do modelo antiturbilhão, que não permite a formação de turbilhonamento e impede que partes do corpo, cabelo ou objetos entalem no ralo de fundo, evitando, assim, possíveis acidentes. Caso o condomínio não opte por esse modelo, fica definida a obrigatoriedade de, ao menos, serem colocados dois ralos de fundo do modelo convencional, que precisam ser interligados entre si.

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Segundo o dr. Joaquim Mesquita Filho, dermatose é um termo genérico que abrange todas as doenças de pele contagiosas, como micose e molusco

A manutenção da piscina deve ser feita diariamente, independentemente da estação climática

Cuidados com higiene e saúde são fundamentais Além da atenção com a manutenção e do esforço para evitar acidentes, é necessário pensar em cuidados que vão além e esbarram em questões como comportamento, higiene e saúde. Quem nunca sentiu aquele cheiro forte perto da piscina? Geralmente, é consequência da atitude mal-educada e desrespeitosa de muitos banhistas que se esquecem de seguir algumas regras básicas de higiene e urinam na piscina. O odor é, na verdade, resultado da junção do cloro com a amônia liberada pela urina, logo, recomenda-se que sejam fixados avisos que advirtam que essa atitude não é permitida, afinal de contas, lembrar nunca é demais. Outro problema muito sério está ligado diretamente à saúde. Trata-se das dermatoses, que, segundo o dr. Joaquim Mesquita Filho, membro do conselho e da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e chefe do setor de Cirurgia Dermatológica do Instituto de Dermatologia Prof. Azulay, da Santa Casa do Rio de Janeiro, é um termo genérico que abrange todas as doenças de pele contagiosas, como micose e molusco. As piscinas de uso coletivo, em razão da alta rotatividade, são lugares muito propícios para a proliferação de doenças contagiosas, pois, embora a água esteja cristalina, ela pode conter milhares de

bactérias, vírus, fungos, protozoários e micro-organismos e trazer uma ameaça invisível. Por esse motivo é que muitos condomínios optam por uma empresa especializada para fazer a manutenção de forma eficiente, garantindo a saúde dos banhistas. As micoses são mais comuns no verão, quando a pele fica úmida por mais tempo, o que facilita a proliferação de fungos. Já o molusco contagioso é uma virose da pele, transmitida por um vírus chamado Poxvírus, que passa de pessoa para pessoa e também pode ser transmitido através de objetos pessoais, como toalhas compartilhadas. O dr. Joaquim relata que essa doença é mais comum em crianças: “A maioria dos casos diagnosticados como molusco contagioso ocorre em crianças que fazem natação ou frequentam piscinas, em especial as aquecidas”, garante. Para evitar esses contratempos, muitos condomínios exigem que os banhistas apresentem atestado médico regularmente. Outros cuidados também são muito importantes, como utilizar chinelo para tomar banho e circular pelos lugares comuns, usar a ducha antes de entrar na piscina e evitar o contato direto da pele com superfícies úmidas, nas quais outras pessoas também estiveram em contato. OUT_NOV_DEZ 2012

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E se o uso de filtros solares for proibido nas piscinas coletivas? Todos sabem da importância do uso de filtros solares e dos benefícios que esses produtos podem trazer. Seja em dias ensolarados, nublados ou chuvosos, os filtros solares são indicados para proteger a pele dos raios ultravioletas, muito prejudiciais e que podem provocar manchas, envelhecimento precoce e até câncer de pele. Embora haja um movimento que tente conscientizar a população sobre essa necessidade, o regulamento de algumas piscinas coletivas determina que os usuários não podem utilizar produtos oleosos, e bronzeadores e protetores estão entre eles. A proibição acontece pois muitos produtos, ao contrário do que os fabri-

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cantes garantem, saem quando entram em contato com a água. Especialistas garantem que eles perdem cerca de 70% dos efeitos protetores após um mergulho, e essa gordura prejudica o tratamento da água, pois, além de deixá-la suja, impermeabiliza os filtros, que passam a não filtrar a água com eficiência. O jeito é arrumar alternativas que não conflitem com as regras dos condomínios. Uma saída é aplicar o produto todas as vezes que a pessoa sair da piscina. Desse modo, ao tomar uma ducha quando retornar à piscina, os resíduos que ficam na pele serão eliminados. Esse cuidado é muito importante para todos, mas é pre-

ciso estar atento às crianças, que têm que estar protegidas o tempo inteiro e ainda não possuem essa consciência. Então, papais e mamães de plantão, não se descuidem e abusem do filtro solar enquanto as crianças estiverem fora da piscina. O uso de bonés, chapéus, viseiras e óculos também são aconselhados para aumentar a proteção. O verão se aproxima e todos devem aproveitar a estação mais esperada do ano. Mas para garantir a diversão, é importante aliar cuidados que garantam o bom funcionamento das piscinas à higiene, então não esqueçam que as crianças merecem se divertir com segurança e saúde!


mercado Zona Portuária pode ganhar, até 2016, as Trump Towers cariocas Aos 66 anos, o empresário americano Donald Trump mira o foco de seus bilhões também na Zona Portuária do Rio. A Prefeitura confirmou ontem que as Organizações Trump, a MRP International, com sede na Bulgária, e a Even Construtora e Incorporadora, de São Paulo, negociam a construção de seis arranha-céus de escritórios, de 50 andares, num terreno próximo à Rodoviária Novo Rio, entre a Avenida Francisco Bicalho e a Rua General Luiz Mendes

de Morais, na Leopoldina. A proposta foi noticiada pela coluna “Radar”, de Lauro Jardim, na revista Veja desta semana. Numa área de 32 mil metros quadrados que pertence à Companhia Docas do Rio de Janeiro, o projeto, batizado de “Rio Towers”, está previsto para sair do papel até os Jogos Olímpicos de 2016. O terreno é uma das sete áreas da Zona Portuária que a Prefeitura terá que comprar da União e do estado e repassar à Caixa Eco-

nômica para integrar o fundo imobiliário criado com o objetivo de tirar do papel o Porto Maravilha. A soma do valor potencial de venda de todas as unidades das torres chega a R$ 5 bilhões. Um relatório que detalha o projeto, ao qual O Globo teve acesso, aponta que a taxa de escritórios vagos na região central da cidade é de apenas 1,6%, o que indica a alta viabilidade econômica dos megaedifícios.

Valorização de imóveis continua, mas em ritmo menos acelerado Os últimos dois anos foram de euforia para o mercado imobiliário, mas preocupantes para quem queria comprar a casa própria e encontrava preços surreais. Mas passado o boom, a subida dos preços começa a desacelerar. Em pesquisa feita pelo Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio), no primeiro semestre deste ano, 14 dos 18 bairros analisados apresentaram valorização

mais modesta em comparação com 2011. Gávea, Jardim Botânico, Copacabana, Centro e Vila Isabel – onde a variação do metro quadrado caiu de 25,3% para 16,7% – estão entre os bairros que mais pisaram no freio. Para o vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi Rio, Leonardo Schneider, o mercado está mais lento e passa por uma acomodação nos preços.

De acordo com um levantamento do Departamento de Pesquisa do sindicato, a variação no preço médio do metro quadrado para venda, na Zona Sul, foi de 6,5% no primeiro semestre deste ano, passando de R$ 11.806 a R$ 12.573. Já no mesmo período de 2011, esse aumento ficou em 11,9%. A variação mais expressiva dos últimos anos ocorreu em 2010, quando foi de 12,8% no primeiro semestre.

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CONDOMÍNIO

celebra 70 anos Primeiro sindicato da habitação criado no Brasil e referência do setor de comércio e de serviços imobiliários, o Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) completa 70 anos em 2012. São sete décadas na firme defesa de um aperfeiçoamento permanente da gestão de condomínios e no enfoque social da questão habitacional. Fundado no dia 16 de setembro de 1942, o Secovi Rio atravessou diversos períodos históricos e conjunturas políticas — da Segunda Guerra Mundial ao fim do Estado Novo; de quando a Constituição de 1937 fixou as diretrizes da política social e trabalhista ao regime militar iniciado em 1964; da redemocratização ao cenário contemporâneo —, sempre acompanhando a evolução do mercado imobiliário carioca e unindo tradição e modernidade. Os 70 anos do sindicato coincidem com o aquecimento do setor, alavancado por conta da proximidade dos grandes eventos esportivos que vão mudar a cara do Rio e pelo aquecimento da economia brasileira. Diante desse panorama, o Secovi Rio reforça sua atuação, com ações para incrementar ainda mais o mercado. “Fazemos parte de um cenário promissor, em que o governo investe em ações em prol do setor de habitação e o número de

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lançamentos imobiliários cresce. E o Secovi Rio está apto a evoluir junto com esse movimento”, destaca o presidente da entidade, Pedro Wähmann. Hoje o Secovi Rio representa mais de 33 mil condomínios comerciais, residenciais e mistos, além de cerca de 6 mil administradoras e imobiliárias. Ao todo, são mais de 3,5 milhões de pessoas que contam com o sindicato. Só no estado do Rio de Janeiro, os condomínios e as empresas do setor geram 100 mil empregos diretos e R$ 1,4 bilhão em salários e encargos. São mais de R$ 750 milhões em tarifas públicas, marca que revela a importância do segmento na economia do país.

Livro comemorativo Para celebrar os 70 anos de sua fundação, o Secovi Rio vai lançar uma publicação comemorativa que conta a história da instituição, buscando mostrar sua atuação ao longo das últimas sete décadas, sempre em correlação com o contexto histórico brasileiro e mundial. Uma versão digital do livro estará disponível em breve no site do sindicato. A publicação parte do dia 27 de maio de 1942, data da criação da Associação

Profissional das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis, entidade embrionária que, alguns meses depois — mais precisamente no dia 26 de setembro daquele ano —, se transformava em uma organização sindical. Era o nascimento do Sindicato da Habitação do Rio. Batizado, na época, de Secovi RJ, o sindicato surgiu em um efervescente contexto sindical, com o importante objetivo de defender os interesses do segmento de


“Fazemos parte de um cenário promissor, em que o governo investe em ações em prol do setor de habitação e o número de lançamentos imobiliários cresce. E o Secovi Rio está apto a evoluir junto com esse movimento”, destaca o presidente da entidade, Pedro Wähmann

comércio e de serviços imobiliários. Era o início da profissionalização do setor de serviços no país, um momento na história do Brasil que se refletiu na criação de uma série de organizações preocupadas em coordenar interesses profissionais de grupos que exerciam atividades correlatas. Desde a sua fundação, o Secovi Rio jamais dissociou sua posição da realidade socioeconômica do país. Muito pelo contrário. Historicamente, o desempenho do sindicato sempre teve em vista a realidade vivida por significativas parcelas dos trabalhadores brasileiros.

Sobre o Secovi Rio Criado há 70 anos, o Secovi Rio tem como objetivo defender os interesses do segmento de comércio e serviços imobiliários. Atua em todos os espaços institucionais, nas esferas governamental, jurídica e de serviços, implementando atividades em diversos níveis, com o firme objetivo de apoiar e incrementar o grau de profissionalismo e desenvolvimento do setor.

“Setenta anos representam um marco muito importante, pois demonstram alto nível de eficiência, tradição, produtividade e credibilidade. Aos dirigentes e colaboradores do Secovi Rio, dou os parabéns pela positiva capacidade empresarial, com um ritmo de profissionalização e atualização constantes, molas propulsoras para o êxito conferido nessa trajetória. Como presidente da Abadi, agradeço o apoio constante que o sindicato nos confere nas diferentes iniciativas de nossa associação em prol do segmento imobiliário. Apostamos nessa trajetória e nos colocamos sempre lado a lado nas questões comuns de nosso mercado, desejando que continuem superando sempre os desafios que nos são apresentados.” Deborah O´Dena Mendonça, diretora da Unidade de Negócio e Condomínio da CIPA e presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI).

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legislação

O novo modelo do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (TRCT) deverá ser usado, obrigatoriamente, a partir de 1º de novembro. No dia 1º/10, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Caixa Econômica Federal firmaram um termo de acordo com sindicatos e entidades de classe para divulgar o novo documento. “No formulário antigo não se tinha todos os campos necessários e isso acabava por impactar inclusive na liberação do fundo de garantia”, disse o gerente nacional do passivo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Henrique José Santana. Cerca de 2 milhões de trabalhadores utilizam anualmente o TRCT para sacar o fundo de garantia. Mais de 100 mil empregados fazem uso do documento por dia. “A partir de 1º de novembro, a Caixa Econômica Federal só recepcionará pedidos de liberação do FGTS se preenchidos no novo TRCT. E, não optando logo pelo novo termo, o empregador encontrará dificuldades porque terá que refazer a rescisão adequando-a ao novo documento”, disse o secretário de Relações do Trabalho do MTE, Messias Melo. O novo TRCT especifica detalhadamente as verbas rescisórias devidas ao

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Novo termo de rescisão de contrato de trabalho será obrigatório a partir de novembro

trabalhador e as deduções. O modelo vale também para a rescisão de contratos de trabalhadores domésticos. O novo modelo está disponível na página do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na internet e já pode ser usado. No documento devem constar adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade, horas extras, férias vencidas, aviso prévio indenizado, décimo terceiro salário, gorjetas, gratificações, salário-família, comissões e multas. Também deverão ser discriminados valores de adiantamentos, pensões, contribuição à Previdência e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Fazenda municipal estabelece documentação necessária para emissão de guias de ITBI de unidades incorporadas - Visto de Área A Coordenadoria do ITBI, da Secretaria Municipal de Fazenda, elencou que o rol de documentos necessários para a emissão de guias de ITBI de unidades imobiliárias integrantes de incorporação são: quadro de áreas da NBR-ABNT12.721/2006, devidamente assinada por profissional competente, sem a necessidade de carimbo do RGI; ART do profissional responsável pela elaboração dos quadros da NBR-ABNT 12.721/2006; Licença da obra atualizada; certidão atualizada do RGI; IPTU da maior porção; e plantas baixas e de situação aprovadas na SMU. Os documentos fornecidos serão arquivados na Gerência de Fiscalização do ITBI e não serão passíveis de devolução.

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condomínio Por Renata Fernandes

Os condomínios modernos estão cheios de opções de lazer. Um salão de festa só já não satisfaz mais. É preciso ter academia de ginástica, piscina, área ao ar livre com brinquedos para os pequenos, bar, restaurante. Todo mundo adora ter tantas opções a distância de uma simples descida de elevador. Mas e na hora de botar o gasto de tudo isso na ponta do lápis? Será que grandes áreas de lazer são a principal razão para taxas altas de condomínios? É possível reverter esse caso?

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O síndico Orlando Borges, do condomínio Marcos, na Tijuca, acredita que sim. A questão nem faz parte de sua vida no momento, já que o Marcos tem apenas um playground, mas Orlando já morou em prédios com grandes áreas de lazer e está mais do que familiarizado com o assunto. Para ele, a principal razão para grandes gastos está na manutenção do espaço. “O custo de manutenção não é baixo. As coisas quebram com muita frequência, principalmen-

te brinquedos para crianças. É preciso estar atento porque os gastos são inesperados. Atualmente, quase todos os condomínios da Barra da Tijuca têm um miniclube dentro. É bom, é bonito, mas custa caro”, opina. Orlando, porém, acha que tudo tem solução. Uma boa administração e a cooperação dos condôminos podem fazer milagres no orçamento do fim do mês. “Conscientizar os moradores a economizarem em energia, água e produtos de limpeza faz diferença. Muita


coisa que você economiza pode acabar sendo aplicada em outra parte, como nos gastos de manutenção da área de lazer”, explica. Para o síndico, o apoio dos moradores é essencial para que um bom trabalho seja realizado. “O condomínio é como uma empresa. É preciso saber fazer uma boa administração. Não é uma missão sempre agradável, tem, com frequência, alguém reclamando, batendo em sua porta para reivindicar alguma coisa e, até quando oferecemos muito, há sempre alguém perguntando para que tanto. Não é possível agradar a todos. Mas é possível fazer um bom trabalho”, garante. A síndica do Place Verte, em Botafogo, Cilene Medeiros, acha que, para os moradores, a área de lazer dentro do condomínio acaba se transformando em uma economia. Em vez de comer em um restaurante, de fazer ginástica em uma academia badalada, de procurar um bar da moda para uma cerveja, o morador pode optar por fazer tudo isso no “quintal” de casa. Faz amizade com os vizinhos e ainda conta com serviços muito mais em conta. O Place Verte existe há dois anos e meio, mas há um se transformou pois todas as opções lazer estão em pleno funcionamento: salão de beleza; brinquedoteca; salão gourmet; academia com aulas de pilates, boxe e capoeira; salão para festas infantis e um espaço de lazer com bar. “Acho que vale muito a pena. Valoriza realmente o empreendimento. O bar, então, deu vida à área comum. Temos há um ano e virou outro condomínio”, acredita. Cilene garante que a cota mensal relativa ao condomínio não aumentou desde que

Cilene Medeiros, do Place Verte, acredita que a área de lazer trouxe entrosamento entre os moradores

tanta coisa passou a funcionar por lá. As aulas da academia, por exemplo, não estão incluídas no valor do condomínio. O espaço é cedido com a condição de o professor fazer um preço melhor do que o encontrado no mercado. O bar também oferece produtos com melhor preço. “Tem serviço de delivery se a pessoa quiser. Tem a comodidade de pedir e receber rapidamente um produto de qualidade e preço melhor do que o oferecido na rua. De certa forma, acaba trazendo uma economia para os moradores. Não vi até agora como um gasto, mas um lado bom e conveniente”, garante. A síndica ainda comemora o incremento na relação entre os vizinhos. As pessoas passaram a se conhecer depois que começaram a conviver na área comum e surgiram novas amizades. Com isso, ela acredita que melhorou até a convivência entre os moradores. “Percebi que houve um grande entrosamento entre os vizinhos. A pessoa desce, as crianças brincam, o marido toma uma cerveja, as pessoas ficam amigas. E onde existe amizade, existe mais tolerância com os

vizinhos. Vira uma grande família”, acredita. Para Cilene, o único transtorno que chegou com a área de lazer foi um aumento no barulho presente no condomínio. “As crianças descem, brincam. Somos rígidos em relação ao horário de silêncio, mas temos tolerância. Véspera de feriado e fim de semana, por exemplo, podemos não ser tão rígidos. De qualquer forma, esse é um inconveniente controlado por lei. Os limites precisam ser respeitados, mas quem mora em um condomínio tem que ter tolerância”, pondera, ressaltando que o Place Verte tem três blocos e 145 apartamentos. O investimento na área de lazer aconteceu pouco a pouco. A síndica convocou uma assembleia e o assunto foi sendo discutido e ponderado. A área de exercícios, que era precária, foi sendo montada e houve negociação com professores para que surgissem aulas variadas e o local se transformasse em uma verdadeira academia. “Há poucos prédios em Botafogo assim. Decidimos investir e está dando muito certo!”, comemora.

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A assessora de condomínios da CIPA, Marineide Mesquita, acredita que Cilene está indo pelo caminho certo. Em sua opinião, buscar terceirização é uma das melhores formas de contar com bons serviços sem muitos gastos. “A meu ver, a terceirização ajuda bastante o síndico, não só nas tarefas de manutenção das áreas de lazer, como piscinas e jardins, pois ele não tem que contratar e administrar mão de obra específica para essas áreas, mas também pela flexibilidade na negociação com os fornecedores, pois não tem que arcar com o custo de material para manutenção, os quais estão embutidos no contrato da empresa”, ensina. Para Marineide, a área de lazer pode representar uma grande valorização do imóvel, contribuindo para aumentar o preço de compra e aluguel. Sem contar na satisfação dos moradores. Mas, para isso, é preciso que tudo esteja sempre em ordem. “O síndico deve manter a área de lazer bem cuidada e investir na aquisição de novos equipamentos e serviços, buscando a melhoria de todo o condomínio”, afirma. A valorização do imóvel tem a ver com o aumento da procura por condomínios que contem com espaço de convivência. Os moradores consideram o local item de segurança, já que ter os filhos brincando em um lugar seguro e perto dos pais conta pontos na hora da escolha do imóvel. Mas antes de investir, é preciso um pouco de pesquisa e planejamento. Raquel Lima, da empresa Multimeios, que fabrica brinquedos, dá dicas de como montar uma área de lazer para os pequenos com baixo custo. Para ela, os multi-

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Marineide Mesquita: terceirizar é o melhor negócio

Orlando Borges, do condomínio Marcos, na Tijuca: “O custo de manutenção não é baixo”

parques são uma boa opção. Uma única peça conta com vários brinquedos, como escorrega, tubos, passarelas, gangorras e sapateira. Várias crianças podem brincar ao mesmo tempo. Um multiparque básico, de madeira (com escorrega, balanço, vai e vem, escada trepa-trepa, barra de ginástica e argolas), custa, em média, R$ 6 mil, variando de acordo com o tamanho. E quanto à manutenção? “Tanto para os parques de fibra, de madeira ou os brinquedos de ferro, a manutenção depende do uso, mas aconselhamos o usuário verificar, de ano em ano, as condições dos brinquedos. Em média, nossos brinquedos entram em manutenção para pintura e alguns retoques mais ou menos de três em três anos. Dessa forma, podemos garantir a durabilidade do produto por muito tempo”, afirma Raquel. É preciso também que as normas de uso e segurança sejam respeitadas pelos usuários. Por isso, é aconselhável que os síndicos divulguem e façam

campanhas para que os moradores cuidem do espaço que possuem. Seja um parquinho para as crianças, um bar para o marido ou um salão de beleza e uma academia com aulas de ginástica para a esposa, os condomínios com áreas de lazer enormes, verdadeiros clubes, viraram uma febre na cidade. Quanto maior o empreendimento maior o valor? De certa forma, sim. Mas os síndicos podem transformar algo dispendioso em um grande benefício, sabendo fazer uma boa administração e economizando em alguns setores para formar um caixa que atenda a manutenções de imprevisto. E para os moradores, os serviços oferecidos pelo condomínio, com o valor normalmente reduzido em relação ao mercado, são um alívio no orçamento mensal. Serviço Multimeios - 2441-1500 / 2441-1488 ou www.multimeios.com.br


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condomínio

Cadastro dos condomínios no CNPJ Diante das dificuldades apontadas por diversas empresas e condomínios, para a efetivação do cadastro dos condomínios no CNPJ, em razão da exigência, por parte da Receita Federal, da apresentação de convenção ou memorial de incorporação registrado no cartório de imóveis, o Secovi Rio solicitou agendamento de reunião na Receita Federal, em Brasília, que se realizou no dia 8 de agosto. Naquela oportunidade, apresentamos longo arrazoado que apontava as dificuldades enfrentadas pelos condomínios que, apesar de não estarem formalmente constituídos, mantêm contratos de trabalho e de prestação de serviços que os obrigam a proceder pagamento, retenção e recolhimento de impostos devidos. Nosso objetivo era conseguir uma alteração na Instrução Normativa que disciplina o cadastramento no CNPJ, fazendo inserir

alternativa de documento que comprovasse a existência do condomínio edilício, conforme já previsto em norma anterior. No entanto, em que pesem todos os argumentos apresentados, a informação

inicial da Receita é de que estão sendo procedidas reformulações em todas as normas para retirar exceções anteriormente inseridas, por entenderem que não cabe àquela repartição legislar sobre a conceituação das pessoas jurídicas obrigadas a se cadastrarem no CNPJ. Em relação àqueles condomínios que se cadastraram no CNPJ, no período em que não era exigida a convenção registrada e que hoje não estão conseguindo alterar o responsável, a única saída apontada para retirar o nome do ex-síndico é a baixa do CNPJ. A Receita Federal se comprometeu a responder formalmente nosso pleito, quando então analisaremos possíveis alternativas para a solução do problema, sendo certo, no entanto, que os condomínios não podem continuar postergando sua regularização, devendo aprovar, o mais breve possível, suas convenções, registrando-as no RGI.

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conservação

por Raquel Pinheiro Loureiro

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notas

Seguro de fiança locatícia

Estabelecimentos comerciais deverão informar horário de funcionamento

As alterações na Lei do Inquilinato completaram dois anos em janeiro de 2012 e trouxeram benefícios tanto para locadores quanto para inquilinos. As garantias exigidas na hora de firmar um contrato de locação ficaram mais maleáveis. Apesar disso, segundo levantamento do Secovi Rio, o modelo mais tradicional, a fiança, continuou sendo o mais utilizado no Rio de Janeiro: 61,8% dos contratos contam com um fiador. Mas o seguro-fiança vem ganhando espaço no mercado nos últimos anos, tendo sido a segunda garantia mais escolhida: esteve em 24,6% dos contratos.

A Lei Municipal nº 5.463, de 20 de junho de 2012, publicada no Diário Oficial do Município em 21 de junho, torna obrigatória a fixação de placa com dimensões mínimas de 20 cm x 30 cm informando o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais. O Projeto de Lei nº 1.040/2011, de autoria do vereador Israel Atleta, que deu origem à norma, havia sido vetado pelo prefeito em 7 de maio, mas a Câmara rejeitou o veto. Entre as justitificativas, Eduardo Paes citou inconstitucionalidade. De acordo com o artigo 1º, § 3º, da Lei nº 5.463/2012, a referida placa deverá ser

fixada na fachada frontal ou em local de fácil visualização, na parte externa do estabelecimento. Estão livres da obrigatoriedade os estabelecimentos comerciais que se situem em shopping centers ou outros conjuntos comerciais de acesso comum aos logradouros públicos. Para especialistas do segmento, os condomínios comerciais não precisam se alarmar. Tendo em vista que a Prefeitura não concorda com a lei, provavelmente não a regulamentará. Assim, ela deve permanecer inócua devido à falta de fiscalização e autoridade competente para aplicação da multa de R$ 500 prevista no artigo 4º.

Brazil GRI 2012 reunirá investidores do mercado imobiliário Com o objetivo de promover a troca de experiências e o debate sobre os rumos do segmento, acontece nos dias 6 e 7 de novembro, em São Paulo, a terceira edição do Brazil GRI 2012, evento que reunirá investidores nacionais e internacionais do mercado imobiliário, incorporadores e tomadores de decisão para uma série de discussões informais. O Secovi Rio é um dos apoiadores, e o presidente da entidade, Pedro Wähmann, participará do painel Desenvolvimento Re-

sidencial: Minha Casa, Minha Vida, Classe Média ou Alto Padrão, ao lado de nomes de destaque no setor. O vice-presidente de Assuntos Condominiais do Sindicato, Leonardo Schneider, também estará presente. Outros temas, como Brasil 2013 – Ainda um Porto Seguro?, Investindo no Brasil – Mais do Mesmo ou Tempo de Novas Estratégias, Fundos de Investimento Imobiliário e Escritórios – Onde Há Espaço para Crescimento?, serão abordados. De acordo com os organizadores, mais

de 250 investidores, incorporadores, bancos e instituições locais e internacionais reúnem-se anualmente para o Brazil GRI. “É uma oportunidade única de encontrar, em um mesmo lugar, aqueles que lideram o setor imobiliário brasileiro e fazer negócios. Em uma série de 25 discussões, eles vão debater problemas e novas oportunidades do mercado. Junte-se a eles e beneficie-se desse grande evento”, diz a página do encontro. Mais informações podem ser obtidas no site www.globalrealestate.org/Brazil2012.

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Legislação por paulo ferreira

Seu prédio respeita as leis de acessibilidade? Em 2005, o dono de farmácia José Mauro Agrelos Pereira teve a perna esquerda amputada acima do joelho em decorrência de uma trombose. Foram 79 dias internados e muito tempo para se recuperar do trauma da perda. Com o apoio de amigos e da família, veio, com o tempo, a resgatar a saúde e, mais importante, a autoestima. Hoje, depois de passar longo período em cadeira de rodas, José ganhou mais independência com a colocação de uma prótese e o apoio de uma muleta. “Na época, apesar de não ser obrigatório, o síndico de meu prédio fez uma rampa para facilitar minha locomoção”, conta. Desde março do ano passado, José Mauro é síndico do condomínio Morristown, em Laranjeiras. Na lista de prioridades de sua administração, está o projeto de colocação de um elevador adaptado para promover acesso de deficientes ao prédio. Além da sensibilidade ao assunto, o síndico também estará cumprindo a lei. O Decreto Federal nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, regulamentou a Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, e a 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade.

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Segundo o artigo 18 do decreto, “a construção de edificações de uso privado multifamiliar e a construção, ampliação ou reforma de edificações de uso coletivo devem atender aos preceitos da acessibilidade na interligação de todas as partes de uso comum ou abertas ao público, conforme os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)”. O parágrafo único do mesmo artigo diz que “também estão sujeitos ao disposto no caput os acessos, piscinas, andares de recreação, salão de festas e reuniões, saunas e banheiros, quadras esportivas, portarias, estacionamentos e garagens, entre outras partes das áreas internas ou externas de uso comum das edificações de uso privado multifamiliar e das de uso coletivo.” “No prédio, tenho um cadeirante. Com a obrigatoriedade da adaptação, estamos estudando colocar um elevador com controle remoto na portaria. Como o declive na portaria é alto, fica muito difícil fazer uma rampa, por exemplo. É uma lei muito importante. Depois do que passei, de conviver com isso, estou sensível a essas ques-

O síndico José Mauro: Projeto de instalação de elevador adaptado para cadeirantes na portaria

tões. E o mais importante é que posso ensinar as pessoas a olhar para isso também.” Depois da Lei da Acessibilidade, os condomínios Nau Santo Antônio e São João, em Icaraí, construíram, há dois anos, uma rampa de acesso na portaria que liga os dois blocos. O síndico Antônio Alves de Matos disse que a rampa foi um tremendo ganho para o condomínio. “Muita gente não atenta para um detalhe importante: a rampa e outros instru-

mentos de acessibilidade são muito úteis não só para deficientes mas, também, para idosos e outras pessoas com mobilidade reduzida, que têm preferido usar a rampa aos dez lances de escada da portaria. A rampa também serve para carrinhos de bebês e macas, em caso de alguém passar mal no condomínio”, explica. Segundo dados do Censo de 2010, do IBGE, o percentual da população brasileira de pessoas com deficiência é de 24%, equi-

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O síndico Antônio Alves de Matos: Rampa instalada há dois anos na portaria tem sido útil para o deslocamento de cadeirantes e idosos com dificuldade de locomoção

valente a 45,6 milhões de pessoas ou cerca de um quarto dos brasileiros. O número expressivo tem refletido em leis que garantem os direitos dessa parte da população e, também, na procura por serviços que assegurem o acesso deles a prédios e construções. Ruy Vaz, da empresa Multiservice, especializada em reformas, construções e manutenção predial, diz que, há dois anos, aumentaram em 30% os pedidos por intervenções que viabilizem o acesso de deficientes. “Os pedidos para a construção e adaptação de rampas de acesso têm aumentado”, conta. “Quem demanda vê que rampas e certos tipos de adaptação têm várias utilidades. Além de cadeiras de rodas, pode-se usar, por exemplo, para carrinho de bebê, o que garante mais conforto e segurança para os pais.” Ruy garante que todo cuidado é pouco para a essas obras de adaptação: “Obras como essas parecem simples, mas não são. Em nossa empresa, temos um arquiteto e um engenheiro calculista para acompanhar o processo. O prédio tem que suportar a es-

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trutura da nova rampa. O ângulo de sua inclinação também é importante - deve haver uma angulação mínima para que o cadeirante consiga subir sozinho, sem ajuda de ninguém”, explica. “O ideal é que o síndico faça um estudo preliminar com uma empresa com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea). Esse estudo vai resultar no projeto que vai ser elaborado com um engenheiro e um arquiteto. Na segunda etapa, decide-se qual empresa vai executá-la.” A Lei Municipal no 3.311, de 4 de dezembro de 2001, também estabelece a obrigatoriedade de condomínios residenciais multifamiliares promoverem adaptações para pessoas portadores de deficiência de locomoção. Na lei, estabelece-se a existência de, pelo menos, um acesso ao interior do edifício apropriado para portadores de deficiência. Moradores de imóveis que sejam deficientes ou que tenham familiares ou dependentes legais nessa situação – e que residam no imóvel – podem requerer ao condomínio que apresente ao

órgão competente do município um projeto de adaptação ambiental ou arquitetônica que possibilite adequada acessibilidade ao imóvel. As adequações devem se ajustar à capacidade econômica do condomínio. O não cumprimento dessa norma pode acarretar multa ao condomínio. Já a concessão de novas licenças para a construção de imóveis fica condicionada à previsão de acessibilidade para deficientes ou para pessoas com mobilidade reduzida. O Crea, preocupado com a questão da acessibilidade de deficientes, firmou, há cerca de três anos, uma parceria com o Ministério Público Federal por meio da qual coloca à disposição da instituição dois servidores especializados no assunto para auxiliar o MP na fiscalização da legislação que obriga prédios públicos a respeitarem a questão da acessibilidade. “Profissionais do Crea, para atender a prioridades definidas pelo MP, visitam prédios e fazem diagnósticos que apontam problemas e soluções”, explica o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro. “Assim, quando o Ministério Público intervém, faz com uma base técnica real, segundo as vistorias técnicas produzidas por nossos profissionais.” Além dessa parceria, o Crea desenvolve um trabalho de conscientização tanto de seus profissionais quanto de condôminos, em reuniões com síndicos. “Fazemos muita campanha com palestras e distribuição de material de divulgação, como fôlderes e cartilhas”, diz. “A acessibilidade é importante para todos, pois outra questão que hoje chama a atenção é a longevidade da população. A população idosa aumentou e é preciso olhar para ela, que tem mobilidade reduzida.”


Veja, a seguir, dicas de como tornar o acesso mais fácil para aqueles que precisam. Os caminhos e as passagens por todo o prédio precisam ser completamente acessíveis a todas as pessoas. Ligações e acessos – entrada social, entrada de serviço, garagem, jardins e circulações – não podem ser interrompidos por degraus, desníveis ou vãos estreitos. Pessoas com algum tipo de dificuldade para se locomover têm que encontrar condições de entrar nos jardins, usar o interfone, chegar à portaria, usar o elevador, subir e entrar nos apartamentos sem precisar de ajuda especial. Os desníveis são resolvidos com rampas de inclinação suave. Rampas muito inclinadas são escorregadias, principalmente para aqueles que usam muletas e cadeira de rodas. Pisos muito polidos podem causar quedas e acidentes. O ideal é o uso de pisos antiderrapantes e que as superfícies sejam regulares, firmes, contínuas e estáveis. Para alertar as pessoas que não enxergam ou com baixa visão sobre a existência de degraus, rampas ou desníveis, é importante colocar uma faixa de piso com textura e cor diferentes do revestimento do ambiente. Todas as portas que integram um itinerário acessível devem ter vão livre com largura mínima de 80 centímetros, o que permite a passagem de cadeira de rodas, andadores e carrinhos de bebês. Interruptores, comandos, botões etc. são facilmente usados se estiverem a uma altura entre 80 centímetros e 120 centímetros em relação ao piso.

Maçanetas do tipo alavanca são recomendadas, por serem mais fáceis de manusear. Para evitar quedas, tapetes e capachos embutidos e bem fixados ao piso e grelhas e ralos nivelados e com espaçamentos bem estreitos para o escoamento da água são providências importantes. O passeio em frente ao prédio tem que estar livre de obstáculos e com piso nivelado. Os fradinhos ou grampos evitam carros estacionados na calçada, mas causam acidentes em pedestres, em geral, principalmente os portadores de deficiência visual, e dificultam a livre circulação de idosos, pessoas com carrinho de bebê, com andadores, muletas e em cadeiras de rodas. Escadas e rampas seguras são as que têm corrimão por toda sua extensão, nos dois lados, incluindo os patamares. O prolongamento do corrimão dá o apoio necessário para uma pessoa com mobilidade reduzida iniciar a subida ou descida da escada. Em escadas e rampas que fazem a comunicação entre os andares, é recomendável que o corrimão seja contínuo, sem interrupções na mudança de direção. Portas de entrada e de elevadores muito pesadas dificultam, e às vezes impedem, que pessoas com o equilíbrio comprometido ou com pouca força possam abri-las. As molas de controle precisam ser ajustadas de forma a torná-las mais leves. Fonte: Manual para acessibilidade aos prédios residenciais da cidade do Rio de Janeiro. http://www.ibam.org. br/media/arquivos/estudos/manual_acess_rj.pdf

Segundo o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, Profissionais do Crea, para atender a prioridades definidas pelo MP, visitam prédios e fazem diagnósticos que apontam problemas e soluções

A acessibilidade deve ser garantida a pessoas com deficiências física, visual, auditiva, mental e múltipla, o que gera várias situações, de acordo com as normas técnicas da ABNT. Basicamente, essa acessibilidade pode ser garantida com: rampas de acesso ao imóvel, elevadores de acesso à área externa e interna do imóvel (equipamento eletromecânico de descolamento vertical); sanitários; piso tátil e direcional; estacionamento ou garagens reservados; escadas com corrimão; circulação interna acessível.

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ECODICAS

por stella maris mendonça

Reciclagem quem não faz rasga dinheiro

A gente não aguenta mais. Lixo de todo tipo – praias imundas, ruas imundas, falta de gentileza no cotidiano, preguiça. Lixo, nos dicionários, é palavra que induz ao descarte; que remete a sujidades; a material servido que se joga fora; a restos; entulhos; sujeira; imundície; coisa sem valor. Jogar lixo fora nos dá uma sensação de limpeza nos espaços. Mas... qual seu destino? Consumimos demais por nossa ansiedade, pela distância de nossas essências e do outro, seja o outro pessoa, animal, ar, água, mineral. Esse modelo de consumo, sabemos, se esgotou. Neste país ainda não chegamos a um sistema político que contemple o equilíbrio, e o tempo voa e o planeta urge. Separar

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o lixo dá um pouco mais de trabalho, mas compensa. Louco rasga dinheiro – é o que dizem – e rasgar dinheiro é crime, portanto, quem não cuida de seu lixo é louco e criminoso, já que está rasgando o dinheiro que pode vir da reutilização de material reciclável. O condomínio que não recicla e o indivíduo que não reutiliza são, igualmente, loucos! Peguei pesado? Mas é essa a intenção. Os três Rs da sustentabilidade, como sabem, são: reduzir, reutilizar e reciclar. Diferença entre reutilizar e reciclar? Exemplo de reutilização: envia-se uma garrafa de cerveja para a fábrica, lava-se e envasa-se a mesma garrafa com cerveja novamente. Exemplo de reciclagem: envia-se a mesma garrafa de cerveja para a fábrica, quebra-

-se a garrafa cujos cacos vão para os fornos (que gastam energia e liberam CO2, isto é, gás carbônico) e produz-se nova garrafa, para vinho, por exemplo. É possível viver das duas práticas? A artesã Anastácia da Costa diz que sim, ela vive de seu trabalho – coleta o material (tampinhas de garrafa, jornais, papelão e tecidos que sobram de confecções), com ele produz tapetes, bolsas, cintos e porta-copos e os vende no quiosque da Associação Rio Ecosol (Economia Solidária), na Avenida Atlântica, em frente à Rua Siqueira Campos, em Copacabana. Assim como ela, muitos outros artistas. No Rio, nas quartas-feiras, a ONG Doe seu Lixo (www.doeseulixo.org.br) estimula a participação de todos recolhendo material reciclável em residências e empresas, já que, dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas 766 realizam coleta seletiva de lixo. O material é pesado, separado e classificado. Por razões operacionais, a ONG não fará novos cadastros para a coleta seletiva em endereços de pessoas físicas. A coleta nas residências já cadastradas continuará normalmente. Aceitam-se doações de material reciclável entregue na sede ou por meio dos pontos de entrega voluntária (PEVs), onde você poderá doar seu lixo para a Socitex, cooperativa parceira, ou para outras cooperativas de catadores de material recicl��vel apoiadas pela instituição. A coleta seletiva para pessoas jurídicas permanece. Para conhecer onde estão localizadas as cooperativas de catadores, as empresas comerciais que trabalham com compra de material reciclável e os pontos de entrega voluntária próximos de sua casa, acesse a Rota da Reciclagem: www.rotadareciclagem.com.br/index.html. Idealizado pela Tetra Pak, o site mostra como qualquer


pessoa interessada pode participar do processo de separação e entrega das embalagens longa vida e de outros itens recicláveis. No âmbito governamental, a Comlurb, que coletou, em 2011, 9.789 toneladas de lixo reciclável, tem projetos que visam à educação ambiental e à produção de material didático para as ações lúdico-pedagógicas em escolas públicas e particulares. O site da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi) informa: “Impulsionada pela Lei da Política Nacional de Resíduos, que obriga a logística reversa dos produtos e a coleta do lixo reciclável pelo serviço municipal, a reciclagem ganhou escala no país, com efeito também nos negócios. Se-

gundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), o Brasil recolhe e recicla 13% dos resíduos urbanos – um mercado que gira em torno de R$ 12 bilhões ao ano. Todavia, o potencial de crescimento é de 50%. Uma recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que o país perde cerca de R$ 8 bilhões por ano ao enterrar o lixo que pode ser reaproveitado. No intuito de intensificar a coleta seletiva e a reciclagem no Rio de Janeiro, a ABADI integra o Pacto pela Reciclagem – Projeto Coleta Seletiva Solidária, compromisso firmado entre as Secretarias Estadual e Municipal do Ambiente do Rio, Secovi Rio, Febracom (Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis do Rio de Janeiro), Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) e Movimento Nacional dos Catadores de Material Reci-

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clável (MNCR). A ideia é não só reduzir o volume de lixo a ser aterrado, como também gerar trabalho e renda para os catadores de materiais recicláveis. É a reciclagem abrindo uma nova janela de oportunidades.” Conversamos com Deborah Mendonça, presidente da Abadi e diretora da CIPA: Condomínio etc. – De que maneira a Abadi e a CIPA se posicionam quanto aos três Rs da sustentabilidade? Deborah Mendonça – Nós, da Abadi, estamos sempre atentos à responsabilidade socioambiental. Firmamos, em 2010, com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Comlurb e outras entidades, o Pacto pela Reciclagem, que tem os objetivos de reduzir o volume de lixo, ampliar a coleta seletiva no Rio de Janeiro e gerar trabalho e renda para os catadores de material reciclável. Além disso, distribuímos cartilhas e promovemos, em nossos eventos, palestras sobre sustentabilidade. Queremos transmitir conhecimento a nossos síndicos e mostrar para eles que é possível reduzir o consumo de água e promover a coleta seletiva em seu condomínio. Cetc. – Os condomínios colocam em prática o primeiro dos Rs – Reduzir? DM – A tarifa de água representa cerca de 23% das despesas dos condomínios. É a grande preocupação dos síndicos. A expectativa é de que, com a adesão crescente da individualização de água nos apartamentos, os gastos com a conta caiam nos próximos anos. A Abadi promove cartilhas de conscientização que são distribuídas entre suas associadas para que elas instruam seus clientes. Campanhas de combate ao desperdício são imprescindíveis nos condomínios. Cetc. – Quais são as principais queixas dos condomínios? 44

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DM – As despesas com pessoal, que representam 38% dos gastos do condomínio. Por isso, o síndico deve estar atento a questões como hora extra de seus funcionários e terceirização de serviços. Cetc. – O segundo R – Reutilização – gera menos impacto do que a reciclagem. Essa atitude é incentivada pela Abadi? DM – A preocupação com a ecologia está crescendo cada dia mais. Os condomínios já estão procurando adotar medidas ecológicas, seja implantando a individualização de água ou instalando coletores e reservatórios de água da chuva. Mas como o investimento nessas medidas é alto, é preciso vencer algumas etapas. Cetc. – O que é o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre)? Que medidas as administradoras estão tomando para fomentar a reciclagem de forma a chegar aos 50% de resíduos urbanos, em vez dos 13% trabalhados no Brasil hoje? DM – O Cempre é uma associação dedicada à promoção da reciclagem em conformidade com o conceito de gerenciamento integrado do lixo. Esse compromisso empresarial trabalha a consciência da sociedade com relação à importância da redução, reutilização e reciclagem de lixo através de publicações, pesquisas técnicas, seminários e bancos de dados. O Projeto Coleta Seletiva Solidária nos condomínios é um sucesso. As administradoras indicam os condomínios interessados e a associação faz o elo entre o condomínio e o Inea/SEA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente). As equipes da secretaria fazem constantes visitas aos condomínios, promovem reuniões e fornecem suporte ao gestor e seu comitê até a implementação da coleta seletiva.


Cinco ecodicas simples 1

Limpe área ou calçada com a vassoura. Se for necessário utilizar água, faça-o com um balde com água já usada, como a da lavagem de roupas ou a do enxágue da máquina de lavar.

2 Leve a própria sacola ao fazer suas compras, preferencialmente uma sacola eco-

lógica de tecido e reutilizável. Assim, evitará sacos plásticos. Se não for possível, procure enchê-las bem para levar menos para casa. As sacolas plásticas não são recicláveis e podem levar centenas de anos para se degradarem.

3 Nem todo descarte deve ir para o lixo. Roupas, móveis, utensílios, brinquedos e outras coisas devem ser doados para instituições beneficentes ou para alguém que possa reutilizá-los. A reutilização é muito melhor que a reciclagem, que consome energia e emite CO (gás carbônico).

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4 Separe o lixo. A reciclagem começa com a separação em casa. Mesmo que não tenha uma coleta seletiva regular onde mora, a separação pode facilitar a coleta por pessoas que recolhem esse material depois. Na medida do possível, acondicione separadamente o papel/papelão, o vidro, o metal, o plástico etc.

5 Ao fazer compras, evite produtos que vêm com muitas embalagens, o que gera

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muito lixo, preferindo aqueles sem embalagens e in natura ou frescos. Evite também os produtos acondicionados em embalagens de isopor, pois ele não é reciclável e é um grande componente dos lixões e aterros sanitários.

Reutilização e reciclagem – saiba um pouco mais Muitos itens podem ser reciclados, e os exemplos mais comuns são o papel, o vidro, o metal e o plástico. As maiores vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis, e a redução da quantidade de resíduos que necessitam de tratamento final, como aterramento ou incineração. O conceito de reciclagem serve apenas para o material que pode voltar ao estado original e ser transformado novamente em um produto igual em

todas as suas características. O papel chamado de reciclado não é nada parecido com aquele que foi beneficiado pela primeira vez. Esse novo papel tem cor diferente, textura diferente e gramatura diferente. Isso acontece por causa da não possibilidade de retornar o material utilizado a seu estado original, e sim transformá-lo em uma massa que, no fim do processo, resulta em um novo material de características distintas. Outro exemplo é o vidro. Mesmo que seja “derretido”, nunca vai ser fei-

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Associação Rio Ecosol associacaorioecosol@gmail.com Av. Atlântica, em frente à Rua Siqueira Campos. Telefone 9593-9047. www.comlurb.rj.gov.br www.doeseulixo.org.br

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to outro com as mesmas características, como cor e dureza, pois, na primeira vez em que foi feito, utilizou-se uma mistura formulada com base na areia. Já uma lata de alumínio, por exemplo, pode ser derretida e voltar ao estado em que era antes de ser beneficiada e ser transformada em lata, podendo, novamente, ser uma lata com as mesmas características. A palavra reciclagem ganhou destaque a partir do final da década de 1980, quando foi constatado que as fontes de petróleo e de outras matérias-primas não renováveis estavam se esgotando rapidamente e que havia falta de espaço para a disposição de resíduos e de outros dejetos na natureza. A expressão vem do inglês recycle (“re” = repetir e “cycle” = ciclo). Não é possível reciclar indefinidamente o material. Isso acontece, por exemplo, com o papel, que tem algumas de suas propriedades físicas minimizadas a cada processo de reciclagem em razão do inevitável encurtamento das fibras de celulose. Em outros casos, felizmente, isso não acontece. A reciclagem do alumínio, por exemplo, não acarreta nenhuma perda de suas propriedades físicas, e esse pode, assim, ser reciclado continuamente.

Em 2005, o País de Gales reciclava 23,1% de seu lixo doméstico, uma porcentagem baixa se comparada a outros países europeus, por exemplo, a Suécia, que recicla mais de 90% do lixo produzido. Em apenas seis anos, a taxa de reciclagem dos galeses mais que dobrou, chegando a 48%, em 2011. O segredo para tanto sucesso tem nome: o programa de gestão de resíduos Towards Zero Waste. A ideia do projeto é capacitar o país para reusar ou reciclar todo o lixo doméstico até 2050. Para isso, são aprovadas, anualmente, leis que estabelecem pequenas metas de aumento da taxa de reciclagem. Assim, com um crescimento contínuo e es-

tável de 1,5% ao ano e limitando a quantidade de resíduos biodegradáveis enviados para aterros, o País de Gales configura um exemplo para o mundo. Segundo John Griffiths, ministro do Meio Ambiente, outra razão para esse bom resultado é que, agora, todas as autoridades locais oferecem serviços semanais de coleta de alimentos. “Essa medida não só minimiza o desperdício, no sentido daquilo que pode ser reusado ou reciclado, mas também nos faz indivíduos mais conscientes”, diz. Entre 2010 e 2011, o país registrou um aumento de 4% na taxa de reciclagem nacional – 2,5% acima do mínimo estipulado por lei.


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nota

Um termo aditivo da Convenção Coletiva de Trabalho dos empregados em edifícios residenciais, comerciais e mistos com abrangência no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana, firmado em 18 de julho, ajustou a redação da cláusula relativa à escala de serviço 12x36 horas. O documento tem abrangência territorial em Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Belford Roxo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Duque de Caxias, Guapimirim, Iguaba Grande, Itaguaí, Japeri, Magé, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, São João de Meriti e São Pedro da Aldeia. De acordo com negociação com o SEEMRJ, referida cláusula passou a ter a seguinte redação: CLÁUSULA TRIGÉSIMA PRIMEIRA – ESCALA DE SERVIÇO Empregado e empregador poderão acordar jornada de seis horas em turnos ininterruptos de revezamento ou a escala unificada de 12x36. Parágrafo primeiro: Compreendendo a escala o período noturno (22h às 5h), será devido ao empregado 01 (uma) hora extraordinária, em razão da redução da hora noturna, sem que, no entanto, este pagamento enseje a descaracterização da escala 12x36. Parágrafo segundo: O intervalo para repouso e alimentação, na escala unificada de 12x36 horas, deverá ser de 01 (uma) hora,

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Termo aditivo de Convenção Coletiva de Trabalho regula escala de 12x36

na jornada diurna, e de 02 (duas) na jornada noturna, o qual já está embutido nas 12 horas corridas da jornada de trabalho. Parágrafo terceiro: Na hipótese de não concessão do intervalo para repouso e alimentação, na escala de 12x36 horas, fará jus o empregado ao recebimento do adicional de 60%, uma vez que a hora propriamente dita já se encontra remunerada. Parágrafo quarto: Os pagamentos relativos ao intervalo para repouso e alimentação não concedidos devem ser feitos sob rubrica específica.

Parágrafo sétimo: Considera-se já remunerado o trabalho realizado aos domingos que porventura coincidam com a referida escala. Parágrafo oitavo: Nas jornadas de 12x36 horas, as faltas injustificadas a serem descontadas corresponderão a 1/15 avos da remuneração do trabalhador. Parágrafo nono: No sistema de escala de 12x36 horas, cujo salário é mensal, não interferirá na remuneração do empregado o número de dias efetivamente trabalhados no mês (15 ou 16 dias), levando-se em consideração que estes têm 28, 29, 30 ou 31 dias. Parágrafo décimo: Na elaboração da escala do regime de plantão deverá ser rigorosamente observado que, pelo menos, uma folga mensal coincidirá com um dia de domingo. No caso de empregada mulher, a folga deverá coincidir com, pelo menos, dois domingos no mês.

Parágrafo quinto: A hora destinada ao repouso e alimentação, não concedida, não será computada para apuração de horas extraordinárias, eis que não se trata de hora extra propriamente dita.

Parágrafo décimo primeiro: A mudança da jornada de trabalho, da escala 12x36, para a de 44 horas semanais, ajustada de comum acordo entre empregado e empregador, não ensejará a obrigatoriedade de qualquer aumento salarial.

Parágrafo sexto: Concedido o intervalo para repouso ou alimentação referente ao parágrafo segundo desta cláusula, as horas extras advindas da aplicação do parágrafo primeiro não serão devidas.

Parágrafo décimo segundo: Instituída a jornada de seis horas em turnos ininterruptos, será concedido um intervalo de 15 minutos, conforme estabelece o § 1º do art. 71 da CLT.


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cidade

Mariza Lima

Rio Limpo chega à Grande Tijuca

Tempos de Glória A Glória, aos poucos, vai recuperando o charme de outrora. Com pesados investimentos do poder público municipal em infraestrutura e ordenamento urbano, o bairro está se valorizando também por conta da iniciativa privada. A reforma do Hotel Glória, por exemplo, dará novos ares à região, que vinha sofrendo um processo contínuo de degradação. A previsão é de que a obra esteja concluída em 2014. Segundo dados do Departamento de Pesquisa do Secovi Rio, o valor médio do metro quadrado para venda, na Glória, subiu 19,4% no período de agosto de 2011 a junho de 2012, passando de R$ 6.704 a R$ 8.007, preço próximo aos praticados nos bairros vizinhos mais badalados, Flamengo (R$ 8.789) e Laranjeiras (R$ 8.611). Na Rede Rio de Imóveis (www.rederiodeimoveis.com.br/), portal do Secovi Rio com oferta de unidades para venda e locação, a procura pelo bairro tem aumentado.

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Depois do Centro e da Zona Sul, o projeto Rio Limpo chega agora à região da Grande Tijuca. O trabalho começou no dia 14 de agosto, quando fiscais da Prefeitura começaram a limpar as propagandas em outdoors, prédios e muros de 12 bairros da área. Segundo levantamento da Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop), nas ruas em que a medida atua, há, pelo menos, 200 outdoors com publicidade e 20 anúncios em empenas cegas (paredes laterais) de edifícios. O Decreto nº 36.108/2012, publicado no Diário Oficial do Município na última

sexta-feira (10 de agosto), traz as mesmas regras e prazos do primeiro, publicado em maio, que criou restrições no Centro e em bairros da Zona Sul. Os bairros abrangidos por essa medida são Tijuca, Alto da Boa Vista e Praça da Bandeira, Maracanã, Vila Isabel, Andaraí e Grajaú, Estácio, Cidade Nova, Rio Comprido, Catumbi e Santa Teresa. O comércio tem 180 dias para se adaptar às novas regras. A princípio, o município havia planejado criar uma zona de proteção para a Barra e Grande Tijuca, mas desistiu porque seria uma área de vigilância muito extensa.

Zona Oeste se valoriza: Bangu teve a maior variação do m² na cidade Com fortes investimentos em infraestrutura nos últimos anos, por conta dos preparativos para os grandes eventos esportivos que o Rio sediará, a Zona Oeste tem se destacado pela melhoria da qualidade de vida e pelo grande número de lançamentos imobiliários. A inaguração do Bangu Shopping, em 2007, e da Transoeste, em junho deste ano, contribuiu para a valorização da região. Bangu, um dos bairros mais populosos, é a bola da vez. De acordo com pesquisa do Secovi Rio, o metro quadrado para venda nesse local foi o que mais valorizou no primeiro

semestre de 2012, entre todos os bairros analisados: 26,8%, superando, com grande margem, os mais caros da Zona Sul: Ipanema (9,3%), Leblon (4,3%) e Lagoa (3,4%). Atentas a esse cenário, as construtoras vêm lançando, na Zona Oeste, condomínios com estrutura semelhante aos da Zona Sul, com verdadeiros complexos de lazer. Muitas vezes os empreendimentos são compostos por casas duplex, piscinas, espaço gourmet, fitness etc. O programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, também vem contribuindo para o adensamento da região.


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mercado

Prêmio 2012: conheça os vencedores O Prêmio Secovi Rio foi criado para homenagear pessoas e condomínios que se destacam no segmento imobiliário, contribuindo com seus exemplos para promover o desenvolvimento do setor. O objetivo do prêmio é prestigiar aqueles que incentivam e desenvolvem o mercado imobiliário, através do reconhecimento aos que se sobressaem no setor, fomentando o desenvolvimento sustentável e a inovação. Em sua sexta edição, o Prêmio Secovi Rio homenageia síndicos e condomínios que se destacaram durante o ano com ações em prol da qualidade de vida dos moradores e do meio ambiente. Jornalistas cujas matérias contribuíram para a evolução do setor também são contemplados. A cerimônia ocorreu no segundo dia da Feira Secovi Rio 2012, em 27 de setembro, no Centro de Convenções Sul América. Além de certificados e troféus para os três primeiros colocados de cada categoria, o Prêmio Secovi Rio ofereceu R$ 10 mil na categoria Condomínio Cidadão; R$ 5 mil na categoria Gestão do Síndico; e R$ 5 mil na categoria Mídia. Conheça os vencedores:

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CATEGORIA CONDOMÍNIO CIDADÃO 1º lugar – Condomínio Residencial Parque Beija-Flor III – Mesquita – síndico Edivaldo Pires Araújo Síndico há três anos de um edifício com 306 unidades, em Mesquita, na Baixada Fluminense, Edivaldo Pires Araújo realizou diversas campanhas e obras em prol da sustentabilidade: reciclagem de óleo de cozinha e lixo; campanha para a instalação de hidrômetros individuais; aulas de jazz infantil e dança do ventre; campanha de conscientização contra a dengue; clube de leitura; ginástica feminina; aulas de kung fu e artes manuais; criação do Espaço Verde para entulhos de obras; Dia de Saúde e Beleza; capacitação de funcionários da portaria em curso promovido pelo Secovi Rio etc. 2º lugar – Condomínio do Edifício Augusto César Cantinho – Botafogo – síndica Henriette Krutman Síndica desde 2005 no condomínio com 20 andares e 98 unidades localizado em Botafogo, Henriette vem pautando sua gestão no bem-estar e na melhoria da qualidade de vida dos idosos e dos portadores de necessidades especiais, que representam 18% dos moradores. Nas partes comuns, fez obras para garantir percursos livres de barreiras. Promoveu também a capacitação dos cinco porteiros por meio do

curso Porteiro Amigo do Idoso, do Senac, em parceria com o Secovi Rio, e elaborou um cadastro para emergências médicas, com ficha para o monitoramento de moradores sozinhos, entre outras ações. 3º lugar – Condomínio Solar da Barra – Barra da Tijuca – síndica Regina Lúcia Muglia Laginestra Regina Laginestra comanda o Solar da Barra, administrado pela CIPA, com dez andares e 143 unidades, há três anos. De lá para cá, já realizou uma série de ações voltadas para a sustentabilidade: incentivo à coleta seletiva, quadriplicando a quantidade arrecadada (duas toneladas por mês atualmente); coleta de óleo, pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes; aproveitamento de material orgânico na horta e no jardim; criação da horta orgânica com emprego do material recolhido; medidas de economia de 70% no consumo de energia elétrica; redução do consumo de água com a instalação de torneiras temporizadas, redutores de vazão, válvulas de duplo fluxo e consumo consciente; ações de bem-estar e saúde. Regina concedeu à revista Condomínio etc. seu depoimento: “Fiquei muito surpresa e, ao mesmo tempo, feliz com o prêmio, pois ele representa o reconhecimento do


trabalho de todos. Tenho boas iniciativas, mas esse prêmio é, sobretudo, resultado de um trabalho de equipe. Nossa maior conquista até agora foi fechar o duto das lixeiras dos andares, pois, antigamente, tínhamos muitas baratas e ratos por aqui. Agora não sabemos mais o que é isso. E não houve sobrecarga de trabalho para os faxineiros, pois tudo é feito com organização e disciplina, principalmente por parte da equipe de limpeza, que é coordenada por um funcionário exemplar. Com essa obra conseguimos até saber quando o lixo de algum andar não está sendo separado corretamente. Nesses casos envio uma carta explicando como a separação deve ser feita”, ressalta a síndica. Com o fechamento do duto de lixo, Regina Laginestra já pode ser até considerada uma Consultora Solidária, pois vários condomínios das redondezas já a procuraram para saber como fazer essa obra, que num primeiro momento parece ser impossível. E ela provou, com muita eficiência, que não é. Nós, da CIPA, estamos orgulhosos em ter em nossa carteira de clientes um condomínio com uma síndica tão dedicada e eficiente. A ela os nossos parabéns!

CATEGORIA GESTÃO DO SÍNDICO 1º lugar – Luiz Carlos Féo – Parque Residencial Serra dos Órgãos – Golf, Teresópolis Segundo o síndico, que assumiu o cargo há 31 anos, o primeiro ato marcante no condomínio com 13 blocos e 208 unidades foi a instalação da antena parabólica coletiva, pioneira na região. Ele cita ainda: mudanças no sistema de coleta de lixo; colocação de corrimãos nos andares; pintura

dos 13 blocos e da guarita; restauração do playground; reforma hidráulica; reconstrução dos telhados; instalação de sensores de presença nos andares de todos os blocos; instalação de circuito fechado de TV; coleta seletiva há mais de 15 anos. 2º lugar – Hélio Correa da Silva – Edifício Marco Olavo – Rio Comprido, Rio O candidato, que é síndico há quatro anos do edifício com cinco andares e 43 apartamentos, situado no Rio Comprido, destaca o bom relacionamento com os moradores desde que assumiu a função. Ele diz ter feito mais de 40 melhorias, entre elas a troca das caixas-d’água e dos telhados e a substituição da tubulação antiga por PVC. Cita também as vistorias nos apartamentos para identificar vazamentos de água, a vistoria dos equipamentos contra incêndio e as dedetizações já realizadas ao longo de sua gestão. 3º lugar – Antônio Marcos de Oliveira – Edifício Municipal – Centro, Rio O dia a dia do síndico Antônio Oliveira, que cuida do edifício comercial Municipal, no Centro, não é fácil. Afinal, são 28 pavimentos e 616 salas. Nesse case, ele fala sobre o pesado investimento em segurança, o que possibilitou a captura de uma assaltante procurada pela polícia por arrombar e furtar salas comerciais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Segundo o gestor, a detenção da suspeita só foi possível graças aos investimentos iniciados em julho de 2007, quando foi contratado como administrador.

CATEGORIA MÍDIA 1º lugar – Sofia Silva de Cerqueira – Veja Rio – matéria “Bateu no teto – um choque de realidade”

Durantes seis meses, a repórter Sofia Cerqueira, da Veja Rio, acompanhou os anúncios de 20 apartamentos de alto padrão à venda na Zona Sul da cidade, nos bairros de Leblon e Ipanema. Nesse período, apenas cinco foram vendidos. Com base em dados estatísticos fornecidos pelo Secovi Rio, a matéria, publicada em 27 de junho de 2012, revelou que, depois da exuberância de 2010 e 2011, o mercado imobiliário carioca começou a dar sinais de estabilização. A reportagem termina lançando a questão: “essa estabilização dará o tom do mercado daqui para a frente ou tudo não passa de uma fase transitória?” 2º lugar – Karine Tavares – O Globo – matéria “Meio lá, meio cá” Para fugir do trânsito entre a Barra e a Zona Sul, aluguel de segunda residência vira tendência entre cariocas. Esse é o tema da reportagem de Karine Tavares, publicada em O Globo no dia 4 de dezembro de 2011. Na matéria, a jornalista revela que está crescendo o número de cariocas que optam por manter uma segunda base mais perto do trabalho, apenas para ficar de segunda a sexta. Há quem faça do próprio escritório uma opção de estadia. 3º lugar – Fábio Teixeira – Jornal do Commercio – matéria “Comperj atrai imobiliárias” Na reportagem publicada em 10 de janeiro de 2012, no Jornal do Commercio, Fábio Teixeira aponta que os investimentos na cadeia do petróleo deverão movimentar uma quantidade bilionária de recursos privados e públicos para a economia fluminense, com o desenvolvimento do segmento da construção civil em Itaboraí e áreas vizinhas, onde está sendo construído o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).

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ARTE

mário Mendonça

"Tenho para mim que toda criação artística imprescinde de grande dosagem de lirismo, e creio que isso não é nenhuma novidade, pois a diferença entre a mão e a máquina é notável, é o calor táctil e a danação do cérebro."

Antonio Bandeira

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Antonio Bandeira “Não pinto quadros. Tento fazer pinturas!” O pintor suíço Paul Klee, um dos maiores expoentes do abstracionismo, em certa ocasião, disse que a arte não serve apenas para reproduzir aquilo que os olhos veem, mas, e isso é o mais importante, a beleza da arte está em tornar visível aos olhos aquilo que eles não veem. Essencialmente, o abstracionismo não é a ausência pura da figura; não há a relação entre as formas e as cores da pintura com as formas e as cores da realidade. A pintura abstrata nada representa nem nada significa, a não ser a manifestação visual dos sentimentos do artista, o prolongamento pictórico de suas emoções. Entre os pintores brasileiros houve um que, através de sua arte, garantiu seu lugar entre os mestres do abstracionismo informal. O cearense Antonio Bandeira, nascido em 1922, inicia seus passos na arte como autodidata, sendo, depois, orientado pelo crítico Mário Barata, quando, juntos, fundam o Centro Cultural Cearense de Belas

Artes, instituição pioneira na divulgação da arte naquele estado, ao qual, mais tarde, se juntam Inimá de Paula e Aldemir Martins, entre outros, formando um dos primeiros grupos de pintores do Nordeste brasileiro. Já no Rio de Janeiro, participa da exposição no Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro, na qual foi premiado com uma viagem para a França patrocinada pelo governo daquele país. A partir de então, passa a residir em Paris, onde entra em contato com os pintores da Escola de Paris, que tão profunda influência exerceram na arte brasileira do século XX. Após seu encontro com os pintores Wols e Camille Bryen, alguns dos precursores da pintura dita informal, formam os três o grupo chamado Banbryols, que duraria até 1950, quando retorna ao Brasil. De volta, já como um pintor respeitado, é praticamente por seu intermédio que a pintura abstrata se dissemina, quando divide ateliê com Milton Dacosta. Expõe, nesse

período, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e na Associação Brasileira de Imprensa. Respeitado tanto no Brasil como fora dele, decide instalar-se em definitivo em Paris, onde se sente em contato com a vanguarda do abstracionismo. Já era então um mestre, procurado por novos pintores e com seu trabalho exibido em diversas capitais europeias. É em Paris, em 1967, que falece prematuramente ao se submeter a uma cirurgia de amígdalas, quando se preparava para retornar ao Brasil para uma retrospectiva de sua obra, que seria exibida no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Hoje seus trabalhos são raros e disputados, o que nada mais é que o reconhecimento àquele que, pioneiro, tornou sua obra respeitada e admirada. E o Instituto Mário Mendonça, em Tiradentes, MG, muito se orgulha de possuir uma aquarela de Antonio Bandeira, através da qual rende homenagem a um mestre brasileiro.

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PAISAGISMO POR Renata Fernandes

V de verde e de valorização

Ao invés de fazer uma grande reforma na fachada para remover o mármore antigo, a síndica optou por um projeto paisagístico que conferiu beleza e gerou economia ao condomínio

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As plantas podem ser solução para muita coisa. Para presentear, para consolar, para decorar e, por que não?, para valorizar a fachada de um imóvel. Um projeto paisagístico pode transformar a aparência de um edifício, agradando futuros proprietários ou inquilinos. Prédio bem cuidado conta pontos para quem está de olho no valor de seu apartamento. Um bom paisagismo pode também evitar uma reforma e ainda trazer economia para o condomínio. E, em busca de melhores resultados, é possível adotar o canteiro da calçada em frente ao edifício, garantindo um visual verde que se estende até o lado de fora e afeta também os pedestres. Está duvidando que algumas plantas possam fazer tudo isso? A paisagista Beatriz de Santiago está cansada de receber olhares incrédulos quando defende o ganho que um bom projeto paisagístico pode trazer para um


condomínio. Tanto que resolveu adotar uma espécie de simulação toda vez que entrega um projeto para um cliente. Ela tira uma foto do local e, depois, inclui, com a ajuda de um programa de computador, a imagem de como vai ficar no futuro. Foi assim que conseguiu convencer a síndica de um prédio no Leblon a trocar uma reforma custosa por uma parede verde. “A síndica economizou 40% do orçamento. Ela precisava trocar um pedaço da fachada de ponta a ponta de mármore. Estava muito feio, todo manchado. Ela me contratou e fiz uma parede verde que deixou tudo lindo. Ela economizou e investiu o que sobrou em outra área do condomínio”, revela. A parede manchada recebeu placas com plantas apropriadas para o local. As manchas ficaram escondidas e o verde realçou o ambiente. “Eu acho que valoriza muito. É o cartão de visitas de um prédio. Você vê uma portaria bem cuidada e imagina que o resto também está assim”, opina a paisagista. A opção por um projeto paisagístico, porém, requer manutenção. Não adianta deixar a entrada cheia de belezas naturais e, com o tempo, ver tudo se deteriorar. Mas é possível chegar a opções que não pesem tanto no orçamento. A empresa de Beatriz, por exemplo, a Atelier Garden, criou uma espécie de consultoria paisagística. Isso quer dizer que o condomínio não precisa contratar uma empresa, com visitas constantes e gasto mensal fixo, para ter um jar-

dim sempre bonito. A proposta de Beatriz é, primeiramente, aproveitar todas as plantas que já existem no ambiente, colocando o jardim em sintonia. Depois, os porteiros têm uma aula de como cuidar das plantas, fazer podas e qual fertilizante deve ser usado e quando. De quatro em quatro meses, ela faz uma visita, dá nova orientação e envia para o síndico um relatório da visita. “Fica muito mais barato e o jardim está sempre bonito. Sem dúvida valoriza muito o imóvel”, ensina. Na hora de investir no jardim, outro ponto que não pode ser esquecido é que plantas escolher. Se quem vai fazer a manutenção do canteiro não tem lá muita experiência, o melhor é optar por plantas que não necessitem de tantos cuidados. “Se o síndico compra plantas que não são indi-

cadas, elas morrem e tem que fazer tudo de novo depois. O bom é você usar poucas e boas, plantas imponentes e de baixa manutenção”, afirma Beatriz, lembrando que, na hora de escolher as espécies, o melhor mesmo é chamar um profissional especializado, para não ter que, depois, refazer o trabalho. Reunir um grupo de moradores do prédio para visitar um horto pode até ser um bom programa, mas o resultado, geralmente, não é nada produtivo. E pensar nas belezas naturais que podem trazer benefícios para o imóvel é olhar para além das grades que marcam os limites do condomínio. Investir nos canteiros das calçadas também pode ser um bom negócio. Ver todo síndico cuidando do jardim na frente de seu edifício é o sonho da advogada Evelyn Rosenzweig, presidente da Asso-

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ciação de Moradores e Amigos do Leblon, AMA-Leblon. Por lá, eles promovem uma adoção informal. “A formal é muito burocrática. Fizemos alguma divulgação para quem tiver interesse fazer uma parceria. A pessoa assina um documento e indicamos os tipos de planta que podem ser utilizados”, explica. As limitações não são muitas.

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Quem adota um canteirinho abandonado não pode, por exemplo, plantar vegetação com espinhos, nem árvores que cresçam muito ou espécies com raízes muito grandes que possam afetar o calçamento. Quais plantas são adequadas? A AMA-Leblon orienta. “Ver todo mundo adotando é meu sonho de consumo. Isso mudaria a cara do

bairro. Esse aspecto abandonado estimula mais abandono. Estimula, por exemplo, que a pessoa jogue lixo na rua e não cuide de seu espaço. Queria muito que as escolas e igrejas aderissem também”, opina Evelyn. Por enquanto, apenas quatro condomínios do bairro adotaram seus canteiros e cerca de dez lojas aderiram, como o BB Lanches, a pizzaria Diagonal e o shopping Rio Design Leblon. “A maioria dos lojistas não vê como um investimento, e sim como uma despesa a mais. Mas é um investimento. Faz muita diferença o cliente ver a frente da loja bem cuidada, com aspecto mais agradável”, ensina Evelyn, que não desiste de encontrar mais adeptos. A síndica Cecília Bastos, do condomínio Fleurville, concorda. “Eu gosto muito de plantas. Acho que embeleza o ambiente. Aqui nós temos um jardim muito bonito”, opina. No caso do condomínio de Botafogo, a antiga gestão contratou uma paisagista. “Uma moradora tinha se disponibilizado para cuidar das plantas. Mas depois de um tempo na função, ficou muito cansada. Aí,


contratamos”, explica. Para a síndica, o investimento é alto, mas compensa. A paisagista faz quatro visitas mensais, orienta os funcionários, muda plantas de lugar, realiza podas, leva embora o que está feio e não se adapta ao local e traz algo que embeleze o ambiente. Os moradores são só elogios. “As pessoas não param de falar bem e tem gente que já contratou a profissional para cuidar das plantas dentro de seu apartamento”, diz Cecília. No caso do Fleurville, os jardins circundam os dois blocos. A opção da paisagista foi adotar diversos tipos de planta, formando um jardim variado, com orquídeas em alguns pontos. “Em minha opinião, agrega valor ao condomínio, com certeza. Nossa entrada, por exemplo, ficou muito bonita”, conta. O síndico Cláudio Garcia, do condomínio Grand Life Botafogo, tem a sorte de administrar um condomínio que já foi inaugurado com um projeto paisagístico definido. “Valoriza demais o imóvel. Depois de cinco anos, estamos com uma proposta de modificação do paisagismo. Tudo para tornar o ambiente ainda mais agradável”, conta. O projeto original previa dois tanques na entrada do edifício com carpas. Apesar da beleza de ver os peixes passeando, a proposta apresentava problemas de manutenção e teve que ser desativada. “Pretendemos, agora, fazer espelhos d’água, mas sem peixes. E vamos aproveitar para mudar as plantas. Damos muita atenção a essa parte e temos uma empresa de jardinagem responsável por toda a manutenção”, diz o síndico. Cláudio acredita que essa preocupação com o paisagismo é uma constante nos

Cláudio Garcia, síndico do Grand Life Botafogo, planeja espelhos d’água para compor com mangueira centenária

prédios modernos. A construtora responsável pelo Grand Life Botafogo manteve, por exemplo, uma mangueira centenária no terreno. “As pessoas hoje estão dando muito valor à área verde. Acho um grande ganho para o edifício. A mangueira, por exemplo, é nosso cartão de visitas e fica bem na área onde há esses lagos”, afirma o síndico. O condomínio, porém, não cuida dos canteiros da calçada. “A calçada é muito estreita e, por isso, não demanda um cuidado muito grande”, justifica. “Cuidamos apenas do calçamento. A Prefeitura cortou uma árvore que ficava em frente à garagem, porque ela impactava na parte elétrica, mas eles deixaram o tronco no

lugar. O condomínio solicitou a retirada e compôs o calçamento”, lembra. Investir em uma área verde traz mais benefícios do que despesas. Tudo depende da boa administração do espaço. Escolher plantas resistentes e que não demandem muita manutenção é o primeiro passo para não ter que refazer a área constantemente. As plantas ainda podem ser usadas para esconder pequenos defeitos na fachada. Com bom treinamento do funcionário que cuida do jardim e a escolha acertada de plantas, o custo mensal é baixo e o retorno, grande. O visual bonito e agradável aumenta a procura por imóveis na região, o que acarreta uma valorização do condomínio. Os moradores agradecem.

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BEM DITA! – a coluna de boas notícias Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Caetano já disse que o Haiti é aqui. Mas o Haiti, lá, vive uma situação ainda mais dramática. Por isso, Pedro Gerolimich, presidente do Instituto Ciclos do Brasil, decidiu apoiar a campanha para enviar para o Haiti livros em francês para a montagem de bibliotecas. A arrecadação é feita aqui, nos condomínios cariocas que queiram apoiar essa ideia. Essa é uma das boas notícias da coluna desta edição.

Conheça importantes ações para as crianças e os adolescentes da Baixada Fluminense. E o Circo Baixada precisa de apoio, já!

Comitê de Solidariedade ao Haiti convida condomínios e pessoas físicas Livro de Rua é um projeto do Instituto Ciclos do Brasil que visa democratizar a leitura, educação e cultura. O foco agora é democratizar a leitura e também participar da reconstrução do Haiti, através da doação de livros em língua francesa e kits escolares – cadernos, lápis, borracha, apontador e caixa de giz de cera com seis unidades. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo – a maioria dos 8 milhões de habitantes vive com menos de um euro e 40 cêntimos por dia. A situação de pobreza é resultante de três décadas de ditadura de François Duvalier, substituído após a morte pelo próprio filho, e de inúmeras catástrofes, como furacões, terremotos e epidemias. Os livros e o material escolar serão transportados pela FAB e utilizados na construção de bibliotecas públicas ou distribuídos entre as crianças das regiões mais pobres do país. Os condomínios e as pessoas físicas interessados em participar podem juntar suas doações e entrar em contato com Pedro Gerolimich (ciclosdobrasil@ciclosdobrasil.org.br), que vai buscá-las.

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A Rede Criança Baixada (RCB) é um grande fórum da Baixada Fluminense formado por instituições governamentais e não governamentais que atuam com crianças e adolescentes dos 13 municípios da região. Entre as instituições da RCB, duas (Circo Baixada e Pastoral do Menor) fazem parte do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, cujo presidente, José Pinto Monteiro, foi entrevistado na edição passada da Condomínio etc. O Circo Baixada, organização não governamental fruto de uma parceria entre a Fondation Terre des Hommes e a Prefeitura de Queimados, nasceu em 2002 com base nos resultados de pesquisa desenvolvida pela Rede Rio Criança, que constatou que

49% das crianças e dos adolescentes que estão nas ruas na cidade do Rio de Janeiro provinham da Baixada Fluminense. Após um estudo situacional na região, Queimados foi o município escolhido para sediar o projeto, tendo em vista as fragilidades e demandas identificadas. A metodologia do Circo Social foi escolhida porque seus pressupostos conceituais visam experimentar, sistematizar e consolidar práticas educativas com o foco principal no desenvolvimento humano, em especial nas crianças, nos adolescentes e nos jovens de espaços e segmentos sociais economicamente vulneráveis. O Circo Baixada já atendeu, diretamente, cerca de mil crianças e adolescentes por


meio do acompanhamento psicossocial e das oficinas de arte e educação. O compromisso assumido pelo Circo e sua atuação na Rede fez com que alcançasse notoriedade e credibilidade, que se traduzem na ação em diversos espaços de controle social e na incidência política, como no Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e no Conselho Municipal de Assistência Social; em âmbito regional, na Rede Criança Baixada, e estadual, no Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente e no Fórum de Direitos da Criança e do Adolescente. O Circo Baixada desenvolve ainda uma formação voltada para o fortalecimento de profissionais que atuam no Sistema de Garantia de Direitos e, ao longo dos anos, já estruturou cerca de 500 atores estratégicos, qualificando o atendimento fornecido às crianças e aos adolescentes em diversas instituições, como escolas, ONGs, abrigos e programas governamentais. A principal parceira técnico-financeira do Circo Baixada foi a Fondation Terre des hommes (Tdh). No entanto, de acordo com

as normas dessa organização, o apoio financeiro aos projetos é gradualmente retirado para que eles alcancem autonomia jurídico-financeira através de outras sociedades públicas e/ou privadas. Sendo assim, o último Planejamento Estratégico do Circo Baixada para os anos de 2011 e 2012 previu a criação da Associação Circo Social Baixada, que foi legalmente consti-

tuída em dezembro de 2011. Apesar de sua recente criação como personalidade jurídica, a vasta experiência acumulada garante a possibilidade de continuar as ações para as crianças e os adolescentes em situação de rua e vulnerabilidade. Entre as mudanças ocorridas nos últimos anos, destaca-se a interrupção das atividades de arte e educação, no final de 2010, por causa da falta de financiamento para o eixo de intervenção denominado Ação Direta. Apesar de buscar outras fontes de apoio perante o poder público local e outros parceiros públicos e privados, até o momento, não foi possível retomar tais atividades que atendiam, diariamente, cerca de cem crianças e adolescentes, oferecendo-lhes oficinas de arte e educação, atividades dirigidas e acompanhamento psicossocial, objetivando o desenvolvimento de competências e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Na próxima edição da Bem Dita! falaremos sobre a Pastoral do Menor.

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O SOS Vida Animal foi criado há sete anos por um grupo de amigos que, cansados de ver tantos animais abandonados pelas ruas e diante da falta de apoio do governo a essa causa, resolveram agir. E deu certo. Até agora, mais de 630 animais foram retirados das ruas e encontraram um lar de amor e carinho. Transcrevemos abaixo a nota enviada por Emília de Almeida, voluntária do projeto. “Nosso trabalho é árduo. Não somos uma ONG e, por conta disso, vivemos de nossos bolsos e graças à ajuda inestimável de amigos e colaboradores. Sem eles, não teríamos feito tanto. Resgatamos animais abandonados, especialmente cães e gatos, embora tenhamos um pombo, inclusive. Muitos passam por abusos, que é mais um sofrimento além do abandono em si. Nós os recuperamos com tratamento veterinário e com muito carinho, até que estejam readaptados e prontos para serem adotados. Só doamos animais em perfeitas condições de saúde, vermifugados, vacinados e castrados. Fazemos exatamente o que nossos governantes deveriam fazer, mas animais não votam e, por conta disso, permanecem esquecidos, infelizmente. Nossa grande luta é pela conscientização e pela

posse responsável, pois se cada um tiver esse pensamento, poderemos acabar com tantas histórias tristes que vemos diariamente. Não resgatamos animais com donos, que desejem abandoná-los geralmente por motivos fúteis. Por não sermos uma ONG, não temos uma sede. Não podemos arcar com esse custo no momento. Nossos animais ficam hospedados em lares temporários, que os ajudam nessa transição para o lar definitivo, e em uma hospedagem de nossa confiança. Fazemos nossas feiras de doação nos segundos sábados de cada mês, na Praça Edmundo Bittencourt, no Bairro Peixoto, Copacabana, e é lá que recebemos também grande parte das doações, como rações, cobertores, caminhas, jornais e medicamentos. No momento, estamos enfrentando nossa maior crise financeira, pois tivemos a falta de sorte de receber voluntários que, após seu primeiro resgate, abandonaram o trabalho, deixando os custos do resgate para quem ficou. Por isso, estamos numa luta incansável, diária, para arcar com rações, medicamentos e hospedagem, já que não temos mais lares temporários disponíveis. Seu apoio é fundamental para a continuação de nosso trabalho. Um grande abraço e muito obrigada.”

Site do SOS Vida Animal: www.sosvidaanimal.com.br O telefone para contato é 7676-3818 (Renata).

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stock.schng

SOS Vida Animal – um trabalho admirável que tem que continuar


informe

Estatísticas de Imóveis Ofertados Por Tipo Imóvel Aluguel 8% 8% 14%

Por Tipo Imóvel Venda

27%

30%

24%

8% 21% 10% 10%

16% 24%

outros

837

Apart. (3 quartos)

1.775

Apart. (2 quartos)

693

Apart. (2 quartos)

1.551

sala

478

Casa

723

Apart. (3 quartos)

414

Apart. (4 quartos)

685

casa

244

cobertura

Apart. (1 quarto)

230

593 1.964

outros

total 2.932

Por Bairro Imóvel Aluguel 6%

6%

Por Bairro Imóvel Venda

total 7.291

Por Finalidade

3% 40%

9% 47% 33%

1% 1%

19% 17%

28%

15%

4%

70%

5% outros barra da tijuca recreio copacabana centro tijuca

barra da tijuca

1.372

964

recreio

1.233

venda

7.289

272

copacabana

1.108

aluguel

2.933

168

flamengo

330

lançamento

164

botafogo

301

temporada

1.270

91 total 2.929

outros

2.933

76 70 total 10.368

total 7.277

fonte: abadi

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Reforma

Vidro nas varandas: luxo ou necessidade? o fechamento é proibido, mas há exceções. Descubra por quê

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Especialmente nos bairros banhados pela orla, o fechamento das varandas com vidro pode ser uma ótima alternativa para eliminar os transtornos causados pelos ventos fortes e, muitas vezes, frios. Há quem prefira essa opção em vez dos toldos de lona, menos resistentes às intempéries. Entretanto, muitas pessoas desconhecem o fato de que, no Rio de Janeiro, o Decreto nº 322/76 define: “As varandas não poderão ser fechadas ou

envidraçadas, mesmo em parte, sob qualquer pretexto, devendo a convenção do condomínio estipular tal condição, sendo o condomínio solidariamente responsável na obediência a esta exigência.” O engenheiro civil e consultor em engenharia legal Antero Parahyba, um dos maiores especialistas no assunto, lembra que no Rio existe ainda o Decreto 7.336/88, que dispõe, no subitem “E”, do item 2.1.4.1:


No condomínio da síndica Liliane Araújo, no Recreio, as cortinas de vidro são permitidas, mas ela alerta para a proibição da Prefeitura

“As varandas e sacadas não poderão ser fechadas de piso a teto, salvo nas divisões entre unidades.” No Código Civil (Lei 10.405/02), vigente desde 2003, o artigo 1.336 aponta como um dos deveres dos condôminos manter inalteradas a forma e a cor da fachada, das partes e esquadrias externas. A Lei 4.591/64, sobre condomínios e incorporações, também faz menção ao tema quando aponta, no artigo 10º, § 2º, que “o proprietário ou titular de direito à aquisição de unidade poderá fazer obra que modifique sua fachada, se obtiver a aquiescência da unanimidade dos condôminos.” Apesar das proibições impostas pela legislação, ainda não há uma uniformização, havendo decisões favo-

ráveis e contrárias ao envidraçamento das varandas, conforme se verifica em ementas publicadas pelo Judiciário. De acordo com o Departamento Jurídico do Secovi Rio, é grande o número de consultas referentes a esse tema, principalmente em função do Decreto 322/76, citado na abertura desta reportagem. Em setembro de 2009, tendo em vista um sem-número de casos concretos, o município editou a Lei Complementar nº 99, que permite a regularização de obras ou construções irregulares realizadas até a data de publicação da lei, em algumas localidades da cidade, divididas por Regiões Administrativas, mediante o pagamento de contrapartida à Prefeitura. O fechamento das varandas estava incluído.

Atenção aos riscos O fechamento de varandas com vidros, embora gere conforto, pode acarretar riscos. “Nas varandas em que a laje é balanceada, e não apoiada sobre vigas configuradas para essa função, o fechamento consolida as extremidades projetadas para serem livres, modificando esforços sem que haja a respectiva correspondência das ferragens já inseridas no concreto armado”, explica Antero Parahyba. Ele completa: “Não se trata do peso do vidro, e sim de uma questão

O engenheiro Antero Parahyba afirma que um decreto municipal proíbe o fechamento das varandas no Rio

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O fechamento de varandas com vidros, embora gere conforto, pode acarretar riscos

da física e de uma equação de engenharia. Agrava o fato de que, de forma geral, os proprietários desse ambiente fechado elevam o piso rebaixado para que seu nível seja igualado ao do ambiente interno. Isso constitui aumento de sobrecarga, que reduz a prevista para utilização”, alerta o especialista, acrescentando que todas as obras pretendidas em um apartamento devem ser comunicadas, previamente, ao síndico do edifício. “Ele analisará a pretensão, podendo ter de se assessorar de um profissional externo para tal”, completa o engenheiro, que prestou consultoria para a elaboração da cartilha Obras em condomínios, recém-lançada pelo Secovi Rio na Feira Secovi Rio de Condomínios. A publicação, que conta com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), recomendará os procedimentos adequados tanto para o dono do apartamento quanto para o síndico.

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Respeitando a convenção Uma sentença proferida pela 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca em maio de 2010 deu ganho de causa a um condomínio do bairro, condenando um morador a desfazer o fechamento da varanda com vidro e fixando multa em caso de descumprimento. Segundo o texto da decisão, para que a intervenção fosse permitida, a convenção, que proíbe expressamente a modificação, precisaria ser alterada sob a aprovação de dois terços dos condôminos, nos termos do

artigo 1.351 do Código Civil. Um trecho da sentença traz o seguinte: “Quanto ao envidraçamento de varandas, existe, atualmente, muita divergência, por se tratar de questão recente e em voga, principalmente, nos edifícios da Barra da Tijuca, pois os mesmos são altos, o que viabiliza a circulação de ventos frios e fortes, como no caso do autor, que reside no 25º andar. A solução encontrada por muitos moradores foi o fechamento das varandas


com vidros translúcidos, quase que imperceptíveis, o que não configuraria, portanto, alteração de fachada.” Apesar da concordância da magistrada, a decisão foi tomada com base na violação da convenção. No condomínio Maison Paradis, no Recreio dos Bandeirantes, a situação é semelhante ao caso relatado na jurisprudência. A síndica Liliane Araújo, que está no terceiro mandato, conta que a assembleia chegou a aprovar a colocação do vidro em vez dos toldos, mas o quórum estava incorreto. “Menos de dois terços dos condôminos aprovaram e, logo que a ata ficou pronta, uma das moradoras colocou a cortina de vidro”, revela Liliane. A síndica, que cuida do prédio com 10 andares e 62 unidades, administrado pela CIPA, afirma que, antes de realizar uma

nova reunião para tentar a aprovação com o quórum necessário, contratou o engenheiro responsável pela construção do edifício para elaborar um laudo técnico. Com o parecer favorável, ela conseguiu novamente a anuência dos moradores, dessa vez dentro do que determina o Código Civil. “Nós aprovamos, mas fiz questão de alertar os moradores sobre o fato de que a Prefeitura proíbe o fechamento, ou seja, em uma fiscalização, pode ser que a pessoa seja obrigada a desfazer a obra”, reforça a gestora. Dos 62 apartamentos (todos com varanda), 43 devem ser submetidos ao fechamento com vidro. “Aqui o vento é muito intenso e causa muitos transtornos. Os toldos não suportam”, conclui. A primeira moradora a fazer a reforma gastou cerca de R$ 7 mil com a intervenção.

Cuidados técnicos O engenheiro civil Tércio Queiroz, diretor da TQF Engenheiros Associados, pondera que a questão técnica tem que ser observada porque algumas varandas não são projetadas para suportar uma carga extra. “Um vidro temperado de 8 milímetros de espessura pesa 20 quilos por metro quadrado e o de 6 milímetros pesa 15 quilos por metro quadrado. Essa informação deve ser levada em conta”, alerta. O especialista chama a atenção para o fato de que, ao realizar a obra, é importante ter a assessoria de um engenheiro civil ou de um arquiteto. Ao contrário do Maison Paradis, o condomínio Parque da Tijuca, administrado pela CIPA, não autoriza o fechamento das varandas com vidro. O síndico João Luiz Brandão Filho, há dois anos na função, revela que notificou, recentemente, dois moradores que fizeram a obra sem consentimento.

“Não me comunicaram e os funcionários não perceberam a entrada e saída de material.” Dessa vez, o vento não foi o vilão. Os condôminos alegaram incômodo causado pelo som dos bailes funk nas comunidades próximas. A assembleia, entretanto, foi unânime: está vetada a cortina de vidro no condomínio, que tem dois blocos de três andares cada um e um total de 234 apartamentos, todos com varandas. Serviço TQF Engenheiros Associados www.engenhariapredial.blogspot.com.br Antero Parahyba e Adriana Roxo www.danosnasconstrucoes.com.br Secovi Rio www.secovirio.combr

Cartilha Obras em condomínios Lançada pelo Secovi Rio na Feira Secovi Rio 2012, em setembro, a cartilha Obras em condomínios alerta que as intervenções feitas sem a participação de responsáveis técnicos ou desprovidas de autorização dos órgãos competentes podem ser perigosas. No item referente a fechamento de varandas, a publicação informa: “As varandas constituem elementos de composição arquitetônica das fachadas. O fechamento de varanda altera volume. Não importam os materiais que sejam utilizados para o fechamento. O vidro incolor e transparente não é invisível. Produz reflexos. Geometricamente, altera volume. E, visualmente, também. O fechamento de varanda deforma fachadas. Às vezes, até deforma e danifica as estruturas (se estas forem balanceadas, dependendo da configuração estrutural adotada). O Regulamento de Zoneamento do Município do Rio de Janeiro (Decreto no 322/1976) define, no art. 114, que varandas com até 2,00 m de profundidade podem ser balanceadas sobre o afastamento frontal e sobre a área aos fundos do lote sem que suas áreas sejam computadas no cálculo de Área Total Edificada (ATE), condicionando, para tal, que essas varandas não sejam fechadas ou envidraçadas e estabelecendo que o condomínio é responsável pela obediência a essa condição. Mesma situação é prevista no item 2.1.4.1 do Decreto Municipal nº 7.336/1988, que define o Regulamento de Construção de Edificações. Portanto, conforme a legislação edilícia, não é permitido o fechamento de varandas.” Como a legislação atribui ao condomínio responsabilidade sobre a questão, as convenções condominiais têm de retratar essa proibição. Pelas convenções, o fechamento também não é permitido.

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Manutenção por Vicente Magno

Cuidando do lado de fora da janela Venezianas externas dão conforto em casa, mas exigem especial atenção

Segundo Aloísio Campos, síndico profissional, as venezianas têm que ter manutenção permanente, especialmente se estiverem sob ação da maresia, pois correm o risco de quebrar e cair em cima de alguém

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Para a alegria dos moradores do Rio de Janeiro e região, dias de sol são frequentes, independentemente da estação do ano. O bem-estar em ver o céu azul lá fora, muitas vezes, não é compatível com os raios solares que entram pela janela e esquentam o ambiente. Cortinas, ventiladores e aparelhos de ar-condicionado são soluções dentro de casa, mas existem também as venezianas externas, estruturas colocadas do lado de fora das janelas que, além de proteger contra o sol, servem também para garantir a ventilação durante momentos de chuva ou mesmo a privacidade dos moradores do imóvel que contam com o equipamento. Ter esse conforto em casa também obriga o morador a ter atenção. Da mesma maneira que a veneziana protege do sol, da chuva, do vento e da água, esses mesmos fatores agem sobre o material. Se for do modelo antigo, provavelmente conta com

estrutura de ferro e paletas feitas de madeira. A parte de ferro sofre com a oxidação, enquanto a madeira pode apodrecer com o passar do tempo. Se o equipamento ficar muito deteriorado, pode até cair e atingir transeuntes, carros ou causar outros tipos de danos. E se um acidente como esse acontece, o condomínio é responsabilizado. Aloísio Campos, síndico profissional que administra três condomínios, tem experiência em edifícios com esse item. Um dos prédios sob sua gestão, no Leblon, trocou as venezianas há poucos anos. O edifício tem 16 unidades por andar e sofre a ação da maresia por estar a duas quadras da praia. “As venezianas foram reformadas; trocamos as de madeira pelas de PVC, já que a madeira estraga e o ferro fica corroído. A manutenção tem que ser permanente porque, pela ação da maresia, ela se torna perigosa, pois, corre o risco de


quebrar ou cair em cima de alguém”, comenta Campos. Uma das preocupações do síndico é antecipar questões que possam causar problemas. Até mesmo para os transeuntes. “Tem que estar atento à fachada do prédio, verificar como está a conservação das janelas e a própria fachada em si. Se algum apartamento está com a veneziana deteriorada, informo o proprietário para providenciar o reparo”, explica o síndico. “A administração do condomínio é corresponsável e temos que estar atentos. No caso de identificarmos alguma situação que exija cuidados, uma carta é enviada para o morador para tomar as devidas precauções e não causar danos a terceiros”, descreve o procedimento. Venezianas externas são mais comumente encontradas em prédios antigos, das décadas de 1950 e 1960. Construídas para proteger as residências do sol e da chuva enquanto garantem privacidade ao morador, eram feitas de madeira e ferro. “Hoje já usamos PVC com estrutura de alumínio. As antigas deveriam ter manutenção constante porque apodreciam e a ferragem oxidava. Hoje com o PVC é melhor. Inclusive quando é necessário pintar a fachada, é possível fazê-lo por fora, na cor branca ou gelo. Mas quanto à conservação, os moradores têm que prestar atenção, porque elas oferecem problemas sérios: o vento pode desmontá-las, o que não acontecia com as de madeira”, afirma Luiz Afonso Ribeiro, proprietário da empresa Álvaro Persianas. E sobre as antigas, Ribeiro também chama a atenção: “Se estiver podre, o melhor é retirá-la e conversar com o síndico para decidirem o que deve ser feito.” O morador é responsável pela parte interna da residência, mas quando se trata do lado de fora, o condomínio é corresponsável. Mudar uma veneziana afeta o aspecto arquitetônico do prédio. Se existe a necessidade de alteração, é oportuno que o assunto seja discutido em assembleia, pois diz respeito à fachada do condomínio, que é patrimônio de todos os moradores. “Geralmente está previsto na convenção do condomínio que a aprovação pela alteração de fachada tem que ser unânime. E se não for cumprida, pode acarretar processo e orientação judicial”, avisa Campos.

“Dependendo de como os apartamentos são construídos, podem existir problemas arquitetônico se forem feitas alterações na fachada. Mas é necessário haver unanimidade em assembleia para realizar a modificação sem dificuldades. No prédio que administro, no Leblon, que é antigo, trocou-se o material utilizado, de madeira, para PVC”, diz o síndico, explicando qual a dinâmica adotada para mudar o padrão das venezianas do edifício. O segredo para a utilização sem dor de cabeça é manter o olho vivo e cuidar para que a manutenção esteja em dia. “A falta de conservação traz problemas para o condomínio e para o síndico. E se uma veneziana cai em alguém? Imagine se cai de um andar alto? Certamente, essa pessoa vai acionar o condomínio”, considera Ribeiro, cuja empresa trabalha no setor há cerca de 40 anos. Ele costuma ser acionado para retirar persianas em más condições e que começam a oferecer perigo. Mas nem sempre é preciso retirar o equipamento que protege os lares do sol e da chuva. Checar o estado de algumas peças pode ser extremamente útil. Por exemplo, ver como está a correia (feita geralmente de algodão e náilon) que, se estiver podre, necessita obviamente ser trocada. Para se ter uma ideia, o custo de uma visita para revisão gira em torno de R$ 50 e a troca da correia tem custo avaliado entre R$ 80 e R$ 100. Além da correia, Ribeiro aponta outro ponto que merece uma olhada cuidadosa: verificar se a ferragem está justa (se estiver frouxa, a ponto de balançar, é problemático; nesse caso, devem-se apertar os parafusos). “Às vezes, a maresia quebra o parafuso e também pode estourar a ferrugem, empurrando o parafuso para fora da rosca”, ensina. Observar se a veneziana sobe e desce corretamente e se a correia interna está apodrecida também é fundamental. Uma dica para ampliar a vida útil da veneziana externa é não deixá-la totalmente abaixada ou aberta quando sair pra trabalhar ou mesmo para viajar. “É nesses intervalos, quando batem ventos mais fortes, que as partes podem voar e causar problemas”, comenta o fornecedor.

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JURISPRUDÊNCIAs

Envidraçamento: 0025982-62.2010.8.19.0001 – APELAÇÃO. DES. ELISABETE FILIZZOLA – Julgamento: 7/5/2012 – SEGUNDA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER AJUIZADA POR CONDOMÍNIO. COLOCAÇÃO DE CORTINA DE VIDRO NA VARANDA POR PROPRIETÁRIOS DE UNIDADE RESIDENCIAL. VEDAÇÃO CONDOMINIAL BASEADA EM LEGISLAÇÃO MUNICIPAL. AUTORIZAÇÃO DA BENFEITORIA PELA MUNICIPALIDADE MEDIANTE O PAGAMENTO DE CONTRAPARTIDA. AUSÊNCIA DE COMPROMETIMENTO DA HAMORNIA DA FACHADA. MOTIVO PARA O DESFAZIMENTO DA OBRA QUE NÃO MAIS PERSISTE. Colocação da "cortina de vidro" devidamente autorizada pela Municipalidade, mediante o pagamento de mais-valia no valor de R$ 20.222,71. Embora a convenção e o regimento interno condominiais vedem o fechamento das varandas que compõem as unidades autônomas, com base em dispositivo contido no Decreto Municipal 322/1976, com a autorização da Municipalidade, inclusive com a cobrança de mais-valia do imóvel, não há motivo a ensejar o desfazimento do envidraçamento promovido pelos réus, mormente porque, a uma breve análise das fotos adunadas aos autos, verifica-se inexistir alteração relevante da fachada do edifício ou qualquer comprometimento do embelezamento do prédio. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO, NA FORMA DO ARTIGO 557, CAPUT DO CPC. 0046430-25.2011.8.19.0000 – AGRAVO DE INSTRUMENTO.

DES. EDUARDO GUSMÃO ALVES DE BRITO - Julgamento: 10/4/2012 - DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL.

Agravo de instrumento. Direito civil. Condomínio. Fachada. Fechamento e/ou envidraçamento de varanda vedado, de forma específica, pela convenção condominial. Aplicação de multa. Pedido de liminar para suspender a penalidade enquanto durar o trâmite da ação principal, que visa permitir que a demandante mantenha as lâminas de vidro que instalou em sua unidade. Indeferimento. 1) Sendo a fachada do edifício parte comum, não cabe ao Poder Judiciário intervir na esfera privada para garantir ao particular a ma-

nutenção de comodidade que viola a convenção condominial. 2) Cabe àqueles interessados na mudança da convenção submetê-la à assembleia anteriormente a qualquer comportamento a ela contrário, sob pena de absoluta inversão da ordem natural das coisas. 3) Impossível, nessa linha, que o condômino feche sponte própria a varanda e pretenda a suspensão de qualquer multa imposta pelo condomínio ao longo do processo, medida que favoreceria os infratores em detrimento da harmonia do empreendimento. 4) Recurso conhecido e desprovido. 0108644-25.2006.8.19.0001 – APELAÇÃO.

DES. CRISTINA TEREZA GAULIA – Julgamento: 13/3/2012 – QUINTA CÂMARA CÍVEL.

Agravo interno na apelação cível. Decisão do relator que negou seguimento ao recurso, fundada em jurisprudência dominante desta Corte. Inteligência do caput do art. 557 do CPC. Condomínio edilício. Ação de obrigação de fazer. Fechamento com vidros da varanda da unidade da ré. Condomínio-autor que pretende o desfazimento da obra. Proibição expressa constante na convenção de condomínio. Circunstâncias do caso concreto que impõem a mitigação da referida regra, instituída em 1982. Prova pericial que concluiu que a obra não interferiu na estética e na harmonia da fachada. Unidade posicionada nos fundos, o que dificulta a visualização da alteração por terceiros. Envidraçamento que contribui para a segurança da ré. Unidade situada no primeiro pavimento, a poucos metros do térreo, havendo reserva florestal próxima à varanda. Condomínio que não é dotado de sistema de segurança especial ou monitorado por câmeras. Obras idênticas à da autora que foram verificadas em mais três unidades. Ausência de notícia de que tal alteração afete a segurança do prédio ou cause prejuízo aos condôminos. Sentença de improcedência que se mantém. Precedentes do STJ e desta Corte. Desprovimento do agravo interno. 0010272-33.2005.8.19.0209 – APELAÇÃO.

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ARTE TURISMO

Pedra Selada, a pousada Elegante e acolhedora, a Pousada Pedra Selada está, literalmente, selada em território mineiro, na Serra da Mantiqueira, no vale do Rio Preto, divisa entre Rio e Minas, próximo a Visconde de Mauá e entre as cidades de Rio Preto e Bocaina de Minas. Entendeu? É simples: você pode ir até Visconde de Mauá pelo asfalto, via Penedo, tomar a direção Campo Alegre e rodar mais 17 quilômetros de terra; ou pode subir por uma estradinha de terra que sai de Resende (atrás do Graal), curtindo o visual do Vale do Paraíba. O Pico da Pedra Selada – bela rocha de 1.755 metros de altitude que lembra uma sela de cavalo – está em território flumi-

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nense. Estradas de terra e trilhas cruzam a belíssima região. Passeios e prazeres mil por ali – Serra do Palmital, bar do Nicolau em Santo Antônio, cachaças ótimas, guaraná caçulinha Mantiqueira na garrafa verde, cachoeiras e cachoeiras, como a da Estiva, na fazenda de mesmo nome, queijarias com parmesões divinos, rios importantes e outros pequenos, casa de Rubens Gerchman e de Viviane Andreatta, onde tive o privilégio de me hospedar e onde hoje funciona a pousada Quinta da Prata que expõe Ar, escultura de Gerchamn... Lá, na Pousada Pedra Selada, o Rio Preto passa ao lado e as lareiras crepitam. As

acomodações são aquecidas por elas, as duas suítes e os sete chalés, decorados com móveis rústicos, e as roupas de cama são coloridas. Uma área de estar, com televisão e frigobar, oferece os momentos de lazer que o viajante necessita. Ou não. Porque um bom sono aquecido e a alma feliz podem ser um grand finale do dia. Na manhã seguinte, pão de queijo, pães variados, frios, mel e geleia – tudo caseiro. Depois, a piscina natural ao ar livre, com deque para tomar sol, sauna, jacuzzi, exercícios na academia. A recepção da Pousada Pedra Selada pode recomendar diversas outras atividades – trilhas, canoagem, pesca e


passeios às cachoeiras da região. Você também pode fazer de tudo um pouco porque o dia é longo e as noites, estreladas. As refeições são um programa à parte – a pensão é completa, com as saborosas receitas e os ingredientes regionais de Minas, preparadas pela cozinheira da casa no fogão à lenha e servidas na romântica sala de jantar com a lareira acesa. A Pousada Pedra Selada é a materialização de um sonho do cabeleireiro mineiro Sérgio Venâncio de Almeida, de Itajubá, radicado no Rio. Cetc. – Sérgio, conta a história da pousada. Sérgio Venâncio – Descobri a região há quase 40 anos, quando atravessei para o lado mineiro procurando cavalos para comprar. Fiquei encantado com tudo e aluguei a casa que pertencera a Raul Seixas e Paulo Coelho. Não tinha luz e eu gostava demais disso – desacostumei com a luz. Cinco anos depois, comprei 100 mil metros quadrados numa região plana ao lado do Rio Preto e decidi construir a pousada com o maior carinho, pensando nos detalhes, no conforto, na beleza. Cetc. – A gestão é sustentável? SV – Minha maior preocupação é o rio. Graças a Deus foi feito saneamento básico em Mauá. Na pousada, temos fossa e sumidouro na cozinha – nada vai para o rio. No momento, estamos implantando energia solar para a jacuzzi. O lixo orgânico é deixado em compostagem para ser usado como esterco na horta, que é totalmente orgânica e produz a maior parte dos alimentos servidos nas refeições da pousada.

Os vegetais e legumes, que não produzimos em quantidade suficiente para o abastecimento do restaurante, são comprados de produtores orgânicos locais. O lixo reciclável é levado por uma pessoa para ser trabalhado em Resende. E mandamos muitos alimentos frescos para a escola pública. Cetc. – Qual o diferencial da pousada? SV – É a única pousada que recebe a família inteira, com crianças e até cachorros pequenos. Aqui se festejam casamentos, casais que decidem morar juntos e querem fazer uma cerimônia íntima e confraternizações diversas. Temos quatro vacas e 11 cavalos para garantir bons alimentos e passeios para os hóspedes. Aqui as pessoas se sentem em casa. Maria Helena Sobreira, nossa cozinheira, está comigo há 35 anos e mora no Rio. Ricardo de Magalhães, o gerente que mora em Mirantão, é meu braço direito – faz tudo! E agora chegou Marlene, assistente de cozinha – ótima. A Pedra Selada também dispõe de quadra de tênis e basquete e mesa de pingue-pongue, além de oferecer a possibilidade de cavalgadas, passeios de caiaque e caminhadas. Cetc. – Como é dividir a vida e o trabalho entre o Rio e Mauá? SV – A tesoura e o pente é que fizeram tudo isso. São 50 anos de tesoura! Divido meu tempo entre os dois lugares, há dias que trabalho no salão de beleza, em Ipanema, e outros que trabalho na pousada. Trabalho muito, mas tenho muito prazer também. Cetc. – Os turistas estrangeiros chegam lá? SV – Eles chegam, sim. Outro dia, rece-

bemos um grupo de Israel que fez reserva pelo site. Franceses, ingleses e alemães adoram o lugar. Cetc. – O que falta para que o turismo deslanche na região? SV – Nossa divulgação funciona muito bem no boca a boca. Não temos muito movimento, mas está bom! Precisamos de boas estradas e que acabem com o abandono da roça. A roça merece toda a atenção. É preciso que as pessoas tenham condições de trabalho e que os rios sejam preservados. Serviço www.pousadapedraselada.com.br

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Manutenção

Christiane Delart, gerente de exploração da CEG, recomenda a vistoria nas instalações e nos equipamentos a gás no mínimo a cada dois anos

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Em março de 2011, um casal de namorados foi encontrado sem vida em uma pousada em Belo Horizonte. De acordo com a polícia, os jovens morreram asfixiados pelo monóxido de carbono que vazou de um aquecedor. O caso ilustra bem o que pode acontecer quando a manutenção do aquecedor deixa a desejar ou quando existe falta de ventilação no ambiente onde o equipamento está instalado. Uma das principais normas de segurança da CEG é que o volume mínimo para ambientes onde existem equipamentos a gás é de 6 metros cúbicos. Todos os elementos de uma instalação por onde o gás passa (tubulações, aparelhos, uniões e conexões) têm que estar em perfeitas condições de conservação.

A gerente de exploração da companhia, Christiane Delart, reforça: “É extremamente importante que as normas de segurança no uso do gás natural sejam cumpridas. Cuidados como manter o fogão e o aquecedor em áreas ventiladas garantem tranquilidade a toda a família”. E complementa: “Ao contrário do gás manufaturado, o gás natural não contém monóxido de carbono em sua composição.” É recomendável que, no mínimo, a cada dois anos se faça uma vistoria na instalação e no equipamento a gás, por meio de técnico habilitado ou empresa especializada. Caso seja detectado algum defeito, o reparo deve ser providenciado imediatamente. “A prevenção é fundamental para garantir o bom funcionamento dos aparelhos e o uso seguro do gás natural”, alerta Christiane.


Maria da Conceição, síndica do condomínio Delfos, em Copacabana, indica a realização de uma vistoria nos imóveis onde se instalam os novos moradores para verificar as condições de segurança

Susto na Zona Sul O morador de um edifício de 13 andares em Copacabana, que prefere não se identificar, passou por maus bocados em agosto do ano passado. Depois de sentir forte cheiro de gás, ele e a esposa fizeram contato com a CEG. A empresa constatou um vazamento no encanamento que ligava o ponto inicial aos pontos de consumo do quarto andar, onde residem. “Nessa época, vários moradores começaram a reclamar e os técnicos disseram que o gás natural, por ser mais seco que o manufaturado, acabou gerando, ao longo de dez anos (a conversão do prédio aconteceu em 2001), fissuras nas conexões das

tubulações. Aos poucos, todo o encanamento original foi substituído e uma nova rede foi instalada na área externa”, conta. Cada morador ficou responsável pelos custos da modificação em sua unidade. No caso do personagem desta reportagem, o orçamento ficou em R$ 4 mil, que pôde ser parcelado em 12 vezes. A obra demorou dois meses para ser concluída. E foram necessárias mais duas semanas até que o fornecimento fosse restabelecido. “Fora o transtorno que toda obra acarreta, a firma credenciada pela CEG fez um ótimo serviço e instalou um aquecedor de excelente qualidade. Mas houve muita burocracia na liberação do fornecimento. Foram muitos profissionais envolvidos: dois para fazer a obra, outro da terceirizada para

fiscalizar e mais dois para o processo de religação”, reclama o morador, que paga mensalmente R$ 30 referentes ao consumo e R$ 50 pelo parcelamento do serviço. De acordo com o especialista Gilson Rodrigues, sócio da Tecmeier, que realiza vistorias técnicas em instalações e equipamentos a gás dos condomínios, existe uma explicação para o “ressecamento” apontado pelo morador do prédio em Copacabana: “Parte do gás manufaturado acabava condensado na tubulação, gerando líquido nas paredes internas. Já o natural, por ter pressão maior, em torno de 200 mm ca (milímetros de coluna de água) pode causar algum tipo de rachadura na tubulação.” A CEG esclarece: “O gás natural opera com uma pressão de 160 a 200 mm ca, quase

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o dobro da pressão do manufaturado, que é de 80 a 120 mm ca. Porém, na prática, isso representa um aumento insignificante de pressão, que não causa nenhum tipo de alteração nas tubulações. Em termos de comparação, o sopro constante de uma pessoa tem uma pressão que pode variar entre 500 e 1.000 mm ca e um simples canudo plástico de bebida pode suportar essa pressão”, diz a nota enviada pela assessoria de comunicação. A companhia ratifica que o gás natural é mais seguro porque, além de

não ser tóxico, é mais leve que o ar, ou seja, no caso de eventual escapamento, dissipa-se rapidamente. A substância também prolonga a vida útil dos fogões e aquecedores porque não é corrosiva e não produz resíduos (não gera entupimentos). É melhor para o meio ambiente porque não contém monóxido de carbono, não lança cinzas nem dióxido de enxofre no ar. O gás natural é utilizado na maioria dos países há mais de 50 anos – cerca de 95% do produto canalizado em todo o mundo é desse tipo.

Direto ao que importa Na vistoria técnica, a Tecmeier avalia 35 itens, como registros e válvulas em locais inadequados, instalação do equipamento em desacordo com o projeto e afastamento insuficiente da canalização de gás. “Além de uma vistoria gratuita, fazemos teste de estanqueidade da ramificação para conferir se existe vazamento de gás. As pessoas têm que acompanhar o nível de consumo constantemente”, recomenda. Christiane, da CEG, dá recomendações importantes aos síndicos. As chaminés coletivas devem ser construídas de material incombustível, termoestável e resistente à corrosão, como aço inoxidável (espessura mínima de 0,5 milímetros), blocos de concreto pré-moldados e alvenaria resistente ao calor. A seção da chaminé coletiva não pode ser menor que a da maior chaminé individual ligada a ela. São permitidas, de acordo com as normas de segurança, no máximo, duas chaminés individuais por pavimento. 76

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Em prédios com exaustão ou ventilação mecânica, é imprescindível verificar periodicamente se há entrada de ar no ambiente em que estão os aparelhos. É necessária uma área mínima de 600 metros quadrados de ventilação. No ponto inicial (PI), que deve possuir plaqueta de identificação, os medidores devem ser instalados em local de fácil acesso. Além disso, o PI precisa assegurar a completa proteção do medidor contra choque, ação de substâncias corrosivas, calor, chama, sol, chuva ou outros agentes externos de efeito nocivo. O piso do PI tem que ser de cimento. No interior das caixas ou cabines não pode haver hidrômetro ou qualquer outro dispositivo capaz de produzir centelha, chama ou calor. A CEG lembra que a iluminação do local deverá ser composta por luminária antiexplosiva. As caixas de proteção e as cabines devem permanecer sempre limpas. A inspeção, medição ou substituição dos medidores é de responsabilidade da companhia.


De acordo com o artigo 143 do Decreto nº 897, de 21 de setembro de 1976 (Código de Segurança contra Incêndio e Pânico - Coscip), “o suprimento de GLP a todos os prédios com mais de cinco unidades habitacionais, bem como às novas edificações situadas dentro de perímetro urbano, só poderá ser feito colocando o botijão ou cilindro no pavimento térreo e do lado de fora da edificação.” Além disso, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), condomínios abastecidos por gás canalizado não podem ter botijões. Como dito no começo desta reportagem, é aconselhável que sejam realizadas vistorias periódicas nos equipamentos a gás e nas tubulações. Conforme o Regulamento de Instalações Prediais (RIP), reparos no interior da residência são de responsabilidade do dono do imóvel: “As instalações internas (do medidor até os pontos de consumo) são de responsabilidade do cliente providenciar para que sejam mantidas em perfeito estado de conservação.”

Síndicos atentos Há mais de 20 anos comandando o condomínio Barão do Rio Branco, de quatro andares e 26 apartamentos, no Méier, Míriam Baldan tem o olfato apurado. “Sempre que sinto um cheirinho de gás chamo a CEG. Como o prédio é antigo, temos que ficar atentos à manutenção”, conta a gestora, que tem o auxílio da CIPA na administração do condomínio. A síndica revela que nunca foram constatados grandes vazamentos, mas já houve necessidade de aplicação de resina na tubulação para eliminar pequenos escapes. “Com gás não se brinca. Por isso, confiro o funcionamento dos medidores do condomínio a cada seis meses.” Síndica há 13 anos do condomínio Delfos, construído na década de 1960, em Copacabana, Maria da Conceição Ferreira de Almeida é velha conhecida da CEG. “Quando um morador novo chega ao prédio, é importante a realização de uma vistoria no imóvel para verificar as condições de segu-

Síndica do condomínio Barão do Rio Branco, no Méier, Míriam tem cuidado redobrado com vazamentos de gás: “Como o prédio é antigo, temos que ficar atentos à manutenção”

rança”, comenta, lembrando que o prédio é administrado pela CIPA. A gestora afirma nunca ter tido problemas com vazamento de gás. “Muitos moradores optaram pelo chuveiro elétrico.”

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Dicas de segurança no uso do gás • Caso o imóvel seja abastecido por gás natural, é fundamental que todos os elementos por onde passa o gás (tubulações, uniões e conexões), bem como os aparelhos a gás, estejam em boas condições de conservação. • Não usar as tubulações de gás como suporte para outros objetos nem deixá-las entrar em contato com cabos elétricos.

Os efeitos do monóxido de carbono no corpo humano A CEG já atende praticamente toda a cidade do Rio de Janeiro. Mas alguns bairros mais periféricos ainda não recebem o gás natural, portanto, utilizam o manufaturado, que pode gerar monóxido de carbono, classificado como um asfixiante químico. O gás produz uma ação tóxica por se combinar com a hemoglobina do sangue formando a carboxi-hemoglobina. Se respirado em concentrações superiores a 50 ppm (partes por milhão) durante um número de horas muito prolongado, produz sintomas de envenenamento. Respirá-lo em concentrações em torno de 200 ppm produz leve dor de cabeça em apenas algumas horas. Uma concentração de 400 ppm acarreta dor de cabeça e desconforto em duas ou três horas. Uma exposição a um nível de 1.000-2.000 ppm, conjugada com atividade física moderada, produz palpitação cardíaca leve em 30 minutos. Nas mesmas condições, em cerca de duas horas são produzidas: confusão mental, dor de cabeça acentuada e náusea.

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Exposição a uma concentração de 2.0002.500 ppm resulta em inconsciência em aproximadamente meia hora. Por ser inodoro, seus efeitos em concentrações mais altas podem ser tão rápidos que a pessoa tem pouco ou nenhum aviso antes de perder a consciência e morrer. Primeiros socorros: remova a vítima imediatamente para um lugar descontaminado. Se ela estiver respirando, administre oxigênio pelo melhor método disponível (uma máscara de oxigênio seria o mais indicado). Se não houver respiração ou ela estiver fraca, comece a fazer respiração artificial imediatamente e administre oxigênio simultaneamente (se for possível). O melhor antídoto é o oxigênio puro, se possível a uma pressão superior à atmosférica. Serviço Tecmeier | www.tecmeier.com.br CEG | http://portal.gasnatural.com

• Não colocar material inflamável ou corrosivo próximo às tubulações. • Sempre fechar o registro de gás após a utilização dos aparelhos. • Fechar a válvula do medidor de gás caso o morador se ausente por vários dias. • Aquecedores de água a gás devem ser vistoriados a cada dois anos, para que sejam verificadas as condições de queima e de exaustão. • Vistoriar todas as instalações e demais equipamentos a gás a cada dois anos, por meio de empresa especializada ou serviço técnico. • Resolver qualquer problema detectado o mais rápido possível. • A cabine de medidores de consumo deve ter ventilação permanente, estar em local de fácil acesso e ter iluminação à prova de explosão.


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CONDOMÍNIO por CLAUDIA SILVEIRA

Quanto vale uma vida? Treinamento de funcionários e moradores, cuidado com equipamentos e respeito à legislação podem evitar incêndios Condomínios residenciais ou comerciais, em geral, não prezam pela segurança quando o assunto é prevenção a incêndio. O alerta é de um dos maiores especialistas da área de treinamento e segurança contra incêndio do país, Wesley Pinheiro, presidente da Fire Service, empresa desde 2008 no segmento em todo o estado do Rio de Janeiro. “A aparência do imóvel é que é considerada prioridade”, critica. Segundo ele, para cada cem imóveis vistoriados que não contam com serviço de consultoria próprio, pelo menos, 95 in-

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fringem a legislação no que diz respeito a equipamento e sua manutenção e pessoal qualificado para agir em caso de incêndio, pondo em risco não apenas o patrimônio, mas, sobretudo, vidas. O alerta vai particularmente para você, síndico e administrador desses imóveis. O primeiro passo pode ser o treinamento de funcionários tanto em condomínios residenciais quanto comerciais. No caso do comercial, Wesley Pinheiro admite que a existência de muitas salas é um obstáculo – ao contrário do prédio controlado por

um único cliente – por causa da dificuldade de reunir voluntários para o aprendizado. “A grande dica é o síndico escrever uma carta aos condôminos, colocar cartazes em áreas comuns e marcar uma palestra com todos, dividindo, assim, sua responsabilidade sobre a necessidade de discutir o assunto. Se o dono ou locatário não comparecer, estará registrada a ação do síndico. Ele não pode obrigar a pessoa a ir, mas tem que documentar essa intenção; é necessário fazer as ações de treinamento conforme a lei”, explica.


Brigadas A legislação prevê, entre outros aspectos, a criação de duas brigadas de incêndio: uma composta por voluntários, que são funcionários treinados, e outra profissional, que são bombeiros, profissionais civis remunerados, de âmbito privado, comumente contratados por shopping centers, indústrias e empresas especializadas, apenas para citar alguns exemplos. “A legislação dimensiona quantos bombeiros civis o estabelecimento tem que ter, seja ele comercial, residencial ou escolar, e a quantidade de voluntários treinados por andar. Na área comercial, o condomínio não é obrigado a treinar locatário, a menos que esteja previsto na convenção. Quanto aos funcionários do condomínio, que são os que trabalham na área comum, sejam próprios ou de empresa terceirizada, se não estiver no contrato ou na convenção que a terceirizada tem que arcar com esse custo, será de responsabilidade do condomínio pagar o treinamento dos locatários e dos funcionários do condomínio. Depois que o tema for incluído na convenção, cada um passa a arcar com seu custo de treinamento”, ensina Wesley Pinheiro. Segundo ele, os brigadistas deverão ser capacitados em campo de treinamento particular especializado, pois está proibido o treinamento dentro do Corpo de Bombeiros. Alerta ainda que o perfil do participante deve ser avaliado, para que tenha um aproveitamento melhor. O bombeiro civil é outra deficiência e, quando existe, não tem equipamento, ou plano de emergência, ou participa de simulados de incêndio. É comum, como re-

latou Wesley Pinheiro, haver luminária de emergência que não funciona; sinalização de saída de incêndio em adesivo, quando deveria ser de material fotoluminescente, conforme norma da ABNT; sistema de detecção de alarme de incêndio com defeito – “quer dizer, tem mais não tem” –, entre outros problemas muito comuns.

Simulação Esse é um ponto bastante interessante. Serve para que a população local – quem estiver no imóvel – saiba como proceder em caso de incêndio. “É importante que as

pessoas reconheçam o alarme de incêndio, parem de fazer o que estavam fazendo, peguem seu pertence imediato e sigam para a escada de incêndio, que levará até a saída do prédio, com a sinalização de emergência adequada. Chegando fora do prédio, faz-se a contagem, chama-se o bombeiro, abre-se a via pública. Até aí, tem todo um trajeto para a realização desse simulado”, afirma. Uma simulação de fogo dentro do prédio não deve ocorrer numa primeira vez, no primeiro contato com essa realidade. É indicada, inicialmente, a desocupação do imóvel sem fogo, sem fumaça, sem pânico, sem

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desligamento de energia. Somente em uma segunda ou terceira etapa, é indicada a simulação com uma pessoa maquiada como se fosse uma vítima, ou uma máquina de fumaça para os brigadistas identificarem o foco, criando-se dificuldades para a equipe.

Em casa Quando o assunto é treinamento de edifício residencial, no entanto, a “coisa” muda de figura, segundo Wesley Pinheiro. E o motivo é bem plausível: moradores, em geral, não têm consciência da própria importância no processo e consideram o síndico o único responsável. “Aqui também é preciso ter pessoal treinado. Se não estiver previsto em convenção, a saída é fixar cota extra. O fato é que precisamos de moradores treinados em todos os andares. Aliás, todo apartamento deveria ter, pelo menos, um morador treinado para conduzir aquela família e um extintor de incêndio. Não tem como eu sair de meu apartamento e orientar meu vizinho durante um incêndio”, explica. “A legislação estipula um mínimo de 20% de pessoas treinadas no prédio”, completa.

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É um processo muito complexo, na avaliação do presidente da Fire Service. “O número de funcionários de um condomínio é insuficiente para retirar todos, não dá para interfonar para todos os moradores. Por isso, os moradores devem estar cientes e treinados quanto ao alarme sonoro de incêndio, ter feito teste em que desceram as escadas até um ponto de encontro, já que a prioridade é o abandono, e não o combate. Nesse caso, entra em cena o brigadista voluntário ou o bombeiro civil, sendo o mais importante a desocupação do edifício. Enquanto o prédio comercial tem trabalhadores, o residencial tem idosos, crianças, gestantes. Então, temos que dividir melhor esse grupo para que o abandono seja mais priorizado”, adverte.

Equipamentos Wesley Pinheiro é taxativo ao afirmar que “vivemos hoje uma falsa sensação de segurança”. Isso se deve aos mecanismos que, em tese, deveriam garantir todo o suporte à ação de voluntários, bombeiros, moradores. No entanto, é mais comum do que se pensa, na avaliação do especialista,

os equipamentos estarem em desacordo com as normas de segurança. “Você chega a um local, há sprinkler, hidrante, brigadista, mas tudo isso funciona? Se não funcionar, vai ter incêndio. Tudo é jogo de xadrez, não pode ter erro. Não há condição de ter uma prevenção de incêndio por parte do Corpo de Bombeiros, é por isso que a responsabilidade é das administradoras e dos síndicos. Prevenção de incêndio é estar, no mínimo, de acordo com a legislação, estar em dia com os certificados, com a manutenção. Compete ao administrador ou síndico cuidar porque, se acontecer uma situação séria, ele vai ser acionado judicialmente”, alerta.

Certificados Mas que certificados são esses? Inicialmente, o de aprovação do Corpo de Bombeiros, que acompanha o laudo de exigência. Vamos explicar: se em seu prédio há uma porta de incêndio, você terá que ter a nota fiscal de uma empresa de incêndio credenciada no Inmetro, Corpo de Bombeiros ou Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para fazer a manutenção daquela porta; e assim sucessivamente, com extintores, mangueiras, para-raios, detecção, alarme, sprinkler e outros mecanismos. Esses certificados são emitidos uma vez por ano, no mínimo, e requerem manutenção e vistoria a cada três meses. “O certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros precisa estar em dia. O bombeiro militar não cobra a renovação desse certificado, mas a seguradora cobra, uma auditoria cobra, o Ministério Público também e a Prefeitura, na renovação do alvará. Como fazer isso? Só ter os equipamentos em dia. Ter manutenção de mangueiras,


extintores, para-raios; treinamento da brigada; teste de sistema de alarme; teste de sistema de detecção de incêndio, enfim. É necessário comprovar que os equipamentos instalados possuem manutenção preventiva, dentro dos prazos legais. Se o laudo de exigência do bombeiro diz que só extintor é obrigatório em seu prédio, você tem que comprovar que o extintor está em dia, por exemplo. Tudo deve estar documentado, com nota fiscal e certificados de garantia”, ensina Wesley Pinheiro.

Curto-circuito Uma lista relativamente extensa poderia abrigar as causas mais comuns de incêndio em um imóvel de qualquer natureza, mas o vilão número 1 continua sendo o curto-circuito. A explicação é simples: “As instalações elétricas, infelizmente, não são boas. Nós, como consumidores, não temos conhecimento de eletricidade. A pessoa chega com um rolo de fio e não sabemos se é de 6 mm, nem sobre a resistência. Então, um erro pode ser fatal.” De acordo com Wesley Pinheiro, o perigo maior é a existência de material combustível. “Se você tem um sofá, uma mesa próxima a um curto-circuito, aí acontece um incêndio. No entanto, se

você tiver um curto-circuito e um bom dispositivo eletrônico de segurança, esse dispositivo desarma. Se o dispositivo não desarma e você tem uma tubulação de eletroduto de plástico, um teto de PVC ou madeira, por exemplo, vai queimar tudo.” Para evitar surpresas, ele recomenda que o síndico providencie a avaliação do sistema elétrico do condomínio por meio de um engenheiro, que deverá elaborar um laudo sobre o sistema. É importante observar ainda que a legislação muda com frequência, o que requer acompanhamento.

Seguro De acordo com Wesley Pinheiro, a procura pelos serviços especializados em combate a incêndio cresceu em razão das exigências das companhias de seguro. “O valor para manter toda a estrutura, os equipamentos em dia, automaticamente é repassado para o locatário ou para o proprietário e deve ser enxergado como um investimento. O melhor a fazer é prevenir. O seguro exige que se obedeça à legislação, que se tenha brigada interna, Cipa, auditorias. Hoje os clientes comerciais potenciais não entram em um empreendimento sem um rol de segurança.”

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Emergência Paralelamente ao treinamento e ao combate a incêndio, o presidente da Fire Service alerta para um problema crescente dentro dos condomínios: as emergências médicas. “Acontece muito em prédios comerciais e residenciais. Tem que haver um grupo treinado para realizar os primeiros socorros, principalmente massagem cardíaca, ventilação artificial, controle de hemorragia e uso de desfibrilador. Porém, não adianta treinar o condomínio se não tiver uma

maca e um colar cervical, entre outros itens necessários. Também é importantíssima a remoção da vítima, através de um veículo apropriado. Hoje o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros não entram em área comercial, só residencial, e na via pública. Então, tem que ter ambulância para resolver esses casos, com motorista qualificado, uma técnica de enfermagem, equipamentos como desfibrilador, tudo conforme a legislação.”

Legislação No Rio de Janeiro, a legislação sobre a qual o síndico deve se ater basicamente é, de acordo com Wesley Pinheiro: o Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip) – Decreto nº 897, de 21 de setembro de 1976, cujo objetivo é estabelecer os requisitos de segurança para as edificações construídas no estado e suas legislações complementares mais utilizadas. a Norma Regulamentadora n° 23, do Ministério do Trabalho e Emprego, que dispõe sobre a proteção contra incêndio. a Resolução nº 279, de 11 de janeiro de 2005, da Secretaria de Estado da Defesa Civil, sobre a avaliação e a habilitação do bombeiro profissional civil, o dimensionamento de brigadas de incêndio e o estabelecimento de exigências complementares para as edificações licenciadas ou construídas antes da vigência do Decreto n° 897, de 21 de setembro de 1976. a Consulta à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que possui o Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio (ABNT/CB24), responsável por planejamento, coordenação e controle das atividades de elaboração de normas relacionadas aos assuntos de segurança contra incêndio. a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – a Cipa é obrigatória em empresas com mais de 50 funcionários. Quem rege é a Norma Regulamentadora n° 5, do Ministério do Trabalho e Emprego. O treinamento é feito dentro do condomínio pela Fire Service. Também pode ser observada por tratar de prevenção de acidentes decorrentes do trabalho. 84

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De olho na segurança Basta uma rápida pesquisa em sites de busca para observarmos a frequência com que incêndios ocorrem em nossa cidade – e em todo o país. São apartamentos residenciais, pequenas lojas ou até grandes prédios comerciais. Nenhum imóvel está imune ao perigo, mas pode evitá-lo. Nessa mesma rápida pesquisa, observamos que a falta de manutenção ou de equipamentos e de pessoal qualificado é uma constante. Para evitar surpresas, Sérgio Pitanga, síndico do condomínio Sunshine, com 120 unidades, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, busca apoio do Corpo de Bombeiros na empreitada de garantir mais segurança aos funcionários e moradores. O objetivo do que se poderia chamar de “parceria” é obter informações sobre as reais necessidades do condomínio e como operacionalizar a demanda. A meta está sendo posta em prática. Segundo o síndico, o condomínio já mantém contrato de manutenção de equipamentos contra incêndio com uma empresa do ramo, garantindo condições de uso e manutenção regular. “Verificamos a manutenção de mangueiras, extintores, hidrantes e do para-raios por meio de uma empresa especializada. Com base na avaliação, são fornecidos, anualmente, laudos e certificados que atestam as condições do

Sérgio Pitanga pretende criar uma brigada contra incêndio no condomínio

material. Também é muito importante estar atento ao bom funcionamento da luz de emergência”, afirma. No entanto, o condomínio ainda carece de brigadistas e bombeiros civis. De acordo com Sérgio Pitanga, não há funcionários com treinamento em combate a incêndio, mas a ideia já vem sendo avaliada pela atual administração. “Não foi feito ainda um treinamento destinado à criação de uma brigada, mas estudamos essa possibilidade. No caso de incêndio, a equipe de supervisão saberia exatamente onde estão os aparelhos para dar suporte ao trabalho dos bombeiros, além do responsável pela manutenção dentro do condomínio. No momento, queremos que o Corpo de Bombeiros possa nos dar orientação sobre como ter um bom plano de combate a incêndio, o que é preciso para isso”, conclui.

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ecodicas

por Paulo Ferreira

Desentupimento geral Evite transtornos em canos e tubulações com cuidados simples no dia a dia Como diria aquele comercial de cerveja, bom mesmo é quando o líquido desce redondo, ou seja, cai muito bem no organismo, sem nenhum obstáculo a enfrentar ou problema a provocar. De certa forma, nosso apartamento faz parte de um grande organismo formado por tubos, canos, ralos e colunas. E tudo tende a ir muito bem – ou descer redondo – quando por eles circulam apenas líquidos e material apropriado para descarte. Por outro lado, quando isso não acontece e passam por esse imenso sistema circulatório corpos estranhos – de óleo a chinelos de borracha –, essas veias entopem e a dor de cabeça é garantida para moradores e, em muitos casos, para o condomínio. “Em mais de 20 anos de experiência no assunto, já encontrei de tudo durante o processo de desentupimento: camadas grossas de cabelo, gordura, perfex, absorvente e até preservativo”, conta Joel Costa,

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da Desentupidora J Costa. “É preciso entender que ralos, pias e outros canais que levam ao encanamento não são feitos para descartar resíduos sólidos e semissólidos.” A síndica Cláudia Adeodato, do condomínio Marton, na Tijuca, já encontrou de tudo em tubulação, incluindo sandália de borracha. Hoje faz manutenção periódica com empresa especializada e, além disso, tem um funcionário exclusivamente dedicado a cuidar de casos de entupimento. “Há pouco tempo, tem havido casos de entupimento por conta de obras no edifício, pois o cascalho cai nos canos de água e no barbará, mas estamos sempre atentos. Também faço um trabalho de conscientização nas reuniões com os condôminos para que evitem despejar resíduos sólidos em pias, vasos sanitários e ralos.” Joel conta que, antes de tudo, é necessário entender a função de cada ramal de encanamento. Por exemplo, deve-se sempre evitar lavar louça no tanque. A coluna do tanque não está apta a receber gordura, e sim água de lavagem de roupa. O resultado são entupimento e dor de cabeça para o morador. “O tanque entupido, no mínimo, vai trazer transtorno para o morador. E pode prejudicar os vizinhos se houver problema na ramificação, na coluna central, parte que pertence ao condomínio”, avisa. Para cada caso, Joel recomenda atenção especial. Para manter as colunas de gordura e de esgoto nos trinques, por exemplo, ele indica não jogar absorvente e outros objetos sólidos, que acabam por se instalar no vaso sanitário e na coluna. Os

ramais de esgoto podem facilmente entupir com material sólido. “A única coisa que deve ser jogada em vaso sanitário é o papel higiênico, que é fabricado para dissolver na própria descarga. Cotonetes podem ficar atravessados nos canos e sabonetes podem levar meses para dissolverem. Não se deve jogar cabelos, que formam uma espécie de bucha e não desaparecem. É bom descartá-los na lixeira. Nos ralos, sempre procure catar a piaçava que se solta da vassoura e fios de panos de chão.” No caso de calhas de água pluvial, é recomendado sempre fazer uma checagem, pois, vários elementos podem cair, como resto de obras, folhas e plásticos. O que acontece é que, sem o escoamento, a água transborda e sai na laje, onde está o telhado do prédio. O resultado é infiltração nos apartamentos da cobertura.

Já as fossas e as caixas de gordura entupidas podem gerar intenso mau cheiro. Joel alerta que, para acabar com o cheiro forte, muitos condomínios limpam a caixa de gordura descartando seu conteúdo no esgoto, o que ocasiona transtorno para o coletor geral da rua. Também chama a atenção para o fato de que esse trabalho, muitas vezes, é realizado por porteiros e outros funcionários, que não ganham insalubridade e não têm preparo e proteção para lidar com a sujeira. “Nossa empresa, por exemplo, tem um equipamento para sugar toda a gordura. É um caminhão a vácuo que suga e hidrojateia toda a tubulação. E a gordura coletada vai para uma estação de tratamento. É muito importante fazer a limpeza periódica, no mínimo, mensalmente, no máximo, em seis meses.” Conselho também dado pela Desentupidora Guanabara, que oferece esse serviço. Todo cuidado é pouco para evitar entupimento. Colunas de água antigas, feitas de ferro, podem entupir com a própria ferrugem. Isso ocorre em caso de limpeza de caixa-d’água ou quando se fecha o registro para a instalação de ramal ou tubulação. Quando a água é liberada ou reaberta com muita força, a pressão da água leva a sujeira pelo tubo, formando uma bucha com a ferrugem liberada. A sujeira pode se alojar no tubo da caixa-d’água e fechar a tubulação: “Dependendo da situação, é necessário trocar o cano.” Atenção: ao perceber que a água está saindo fraca, é o momento de agir para não precisar trocar o tubo. A prevenção, por sinal, é a melhor forma de evitar problemas. A síndica Marly Ribeiro,

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do edifício Imóbil Méier, conta que os episódios de entupimento começaram a escassear depois que foi iniciada a manutenção periódica das caixas de gordura do prédio, entre outras peças. “Agora estou começando a fazer campanha para os moradores não jogarem óleo na pia, e estamos em busca de empresas interessadas em reutilizar o material que for coletado”, conta. Por sinal, a preocupação com o descarte do óleo usado tem sido objeto de campanhas de conscientização do governo. Cooperativas, como a Disque Óleo Vegetal Usado (veja boxe), têm uma rede de coleta que vai a até as empresas e residências, recolhem o óleo usado e o transforma em sabão e detergente. Joel Costa, da Desentupidora J Costa, alerta para o quanto o descarte incorreto de óleo pode ser prejudicial: “As pessoas costumam entornar óleo pelo ralo, que acaba por se alojar nas colunas. Os resíduos de gordura vão coalhando na tubulação e, com o tempo, o tubo vai se fechando. A

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coluna obstruída pode retornar o conteúdo para o apartamento de cima, e aí a confusão está armada, pois acaba tendo que se decidir de quem é a responsabilidade: do condômino ou do condomínio.” Mas, afinal, de quem é a culpa pelo entupimento de um encanamento? Quem assume a responsabilidade pela despesa do desentupimento? O advogado Leandro Pinheiro, da Saad Advogados, que atende os clientes CIPA, explica que, primeiro, deve-se entender que os canos de um prédio se dividem em primários e secundários: os primários (também chamados de canos mestres) são os canos “coletores”, os canos centrais que coletam o esgoto ou distribuem a água às unidades autônomas. Já os secundários (também chamados de ramificações) são os canos pertencentes às unidades autônomas que levam esgoto ou coletam água das tubulações primárias. E que cabe ao condômino prejudicado provar seu dano, que foi provocado por causa originária da unidade vizinha, e que um


decorre do outro (nexo de causalidade). “As leis aplicáveis, nesse caso, são a Lei de Condomínio (Lei 4.591, de 1964) e as regras pertinentes do Código Civil de 2002. Nesse sentido, qualquer problema na tubulação mestra será de responsabilidade do condomínio e problemas na tubulação secundária serão do proprietário da unidade que deu causa ao dano. A responsabilidade pela reparação do dano provocado por infiltrações e vazamentos independe da prova de culpa do proprietário da unidade onde se originou o prejuízo. Inclui-se entre as chamadas de responsabilidade objetiva. Mesmo que sempre tenha conservado seu

imóvel, que não tenha sido negligente, a indenização se impõe. Não indeniza por ser culpado, mas por ser responsável (objetivamente) por qualquer dano que sua unidade possa causar a terceiros.” Leandro reforça que uma boa orientação para o condomínio é a manutenção preventiva, e não a corretiva. “Também é muito importante enviar comunicado para os moradores sobre itens que são jogados nos ralos, como pó de café, bituca de cigarro, óleo usado etc. Existe também a possibilidade de, a cada período, dependendo da quantidade de apartamentos, fazer um hidrojateamento.

O advogado Leandro Pinheiro, da Saad Advogados, que atende os clientes CIPA, explica que qualquer problema na tubulação mestra será de responsabilidade do condomínio e problemas na tubulação secundária serão do proprietário da unidade que deu causa ao dano

Disque Óleo vai até seu condomínio A cooperativa Disque Óleo Vegetal Usado (disqueoleo.com.br) é uma das muitas que têm se dedicado a recolher óleo para reciclagem, gerando renda e preservando o meio ambiente. A cooperativa coleta gratuitamente o óleo vegetal usado nos diversos estabelecimentos comerciais, nas residências no Rio e Grande Rio, reciclando 200 mil litros de óleo por mês. Abaixo, algumas informações e dicas: quando o descarte de óleo é feito em terrenos baldios, lixões e até mesmo em aterros sanitários, provoca impacto no meio ambiente. Ele polui o solo, podendo também atingir as águas subterrâneas. O óleo jogado no ralo entope a tubulação, além de causar danos às redes de esgoto e estações de tratamento; para o descarte correto de óleo: depois de usar o óleo, deixe esfriar e coloque-o em qualquer recipiente plástico. Tampe bem. Ao atingir 10 litros, é só entrar em contato com a cooperativa pelo e-mail disqueoleo@yahoo.com.br ou pelo telefone 2260-3326 e solicitar a retirada; o óleo descartado passa por um processo e depois é encaminhado para uma usina de biodiesel e fábrica de sabão.

Serviço Desentupidora J Costa www.desentupidorajcosta.com.br Desentupidora Guanabara www.desentupidoraguanabara.com.br

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história

por Milton de Mendonça Teixeira

Os belos sobrados da Praça Tiradentes e a Gafieira Estudantina Os terrenos hoje ocupados por um belo conjunto de sobrados neoclássicos, na esquina de Praça Tiradentes com a Rua da Constituição, estão edificados em chãos que foram da antiga Chácara de São Domingos, assim chamada por causa da proximidade da Igreja de São Domingos, fundada no século XVII e hoje demolida. Essa enorme propriedade foi adquirida da municipalidade em praça pública no ano de 1702 por João Mendes de Almeida, que tirou carta de aforamento datada de 6 de dezembro de 1702. Seus limites iam,

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pela parte sul, da atual Rua Visconde do Rio Branco até a Rua da Alfândega e, pelo lado norte, o Campo de Santana, o que conferia à herdade um formato retangular. Em 1709, João Mendes doou essa terra a seu genro, o capitão Paulo de Carvalho e Silva, transação que foi aprovada pelo Senado da Câmara em 14 de novembro de 1710. Logo depois, o capitão Carvalho e Silva, irmão da Ordem Terceira do Carmo, doou essa enorme propriedade aos membros da citada ordem, com a condição de que os rendimentos da chácara servissem para amparar os pobres

que fossem internados no Hospital da Ordem do Carmo, então situado à rua do mesmo nome, próximo ao Largo do Paço. Em 1760, estando a Ordem Terceira do Carmo em pendência judicial com a Câmara Municipal, os irmãos entregaram a Chácara de São Domingos aos vereadores da cidade como pagamento de uma dívida da instituição com a Municipalidade por causa das obras de construção da nova Igreja da Ordem Terceira na Rua Direita – hoje Primeiro de Março –, no Centro. Os vereadores, com a aprovação do vice-rei


Conde da Cunha, lotearam a Chácara em 1763, abrindo nela várias ruas e vendendo os terrenos, de modo que a Ordem Terceira do Carmo ficou apenas com um conjunto de seis casas térreas que mandou construir depois de 1796, no Campo dos Ciganos – hoje Praça Tiradentes – e no canto da Rua dos Ciganos – hoje Constituição – para renda do citado Hospital da Ordem. Com a chegada da corte, em março de 1808, o príncipe D. João mandou instalar nessas casinhas um quartel da tropa de cavalaria, que ali permaneceu até 1824. Durante muito tempo, a Ordem do Carmo deixou de pagar à Municipalidade os laudêmios cobrados aos diversos locatários, mas depois de uma longa pendência judicial, a Ordem regularizou a situação, em 1857. Uma dessas casas, já transformada em sobrado e que ficava na esquina da Rua dos Ciganos, sediou, de 1859 a 1865, a estação inicial da Companhia Ferro-Carril da Tijuca, então a primeira empresa de bondes a funcionar não só no Rio de Janeiro, como em toda a América do Sul. Fundada por

Thomás Cóchrane, sogro de José de Alencar, e depois dirigida pelo Barão de Mauá. Em janeiro de 1878, as seis casas foram numeradas de 73 a 83, sendo todas ainda as mesmas vetustas propriedades de 1796. A Ordem Terceira do Carmo mandou demolir tudo em 1890, erguendo nessa esquina os belos sobrados que ainda hoje lá se encontram, em estilo neoclássico, projetados pelo arquiteto da Irmandade, o alemão Luís Schreiner, o mesmo que delineara o novo hospital da Ordem do Carmo, na Rua Riachuelo. No ano de 1893, os prédios de número 81 e 83 foram ocupados pela afamada Casa Leuzinger, Irmãos & Cia., uma grande oficina de tipografia, fotografia e encadernação, fundada pelo fotógrafo suíço Georges Leuzinger – falecido em 1892 – e que então era dirigida por seus filhos Henry, Paul e Georges, bem como a viúva Leuzinger. Com o crescimento dos negócios, a Casa Leuzinger passou, em 1895, a ocupar também os prédios 77 e 79. Por essa época, o jornal O País ocupou os prédios 73 e

75, ficando ali até a inauguração do novo edifício do jornal, em 1905, na Avenida Central, esquina da Rua Sete de Setembro. A Casa Leuzinger ocupou os quatro sobrados acima citados até 1942, quando se mudou para a Rua do Lavradio, 162/166, onde ficou até sua extinção. No térreo do edifício, já funcionavam, desde 1922, as impressoras do jornal Diário Carioca, que ali permaneceram por 20 anos. Na década de 1950, mudou-se para um dos prédios a afamada Gafieira Estudantina, famosa casa de dança e diversão, fundada em 1949, na Rua Paissandu, no Flamengo. Os outros sobrados foram então ocupados por diversas casas comerciais, de ínfima memória, tendo, inclusive, na década de 1970, sofrido um incêndio, que danificou seriamente as construções e fez a fachada de uma delas desabar. Recentemente, uma das casas foi restaurada, passando a abrigar o estúdio de artes Durex, até o presente momento a única instituição que se preocupou com a conservação desse histórico imóvel.

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entrevista

por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Macalé vida rodeada de música Jards Anet Macalé nasceu no dia 3 de março de 1943, na Tijuca, ao pé do Morro da Formiga, rodeado de música: no morro, os batuques; na vizinhança, Vicente Celestino e Gilda de Abreu; e em casa, os foxes, as valsas e as modinhas tocadas ao piano pela mãe, dona Lígia, que também cantava, e no acordeom, pelo o pai. No coro familiar, Roberto, o irmão caçula, e Jards. O rádio teve seu papel – nele ouvia Orlando Silva, Marlene e Emilinha Borba. Sua vida estava rodeada de música. Ainda menino, mudou-se para Ipanema, onde ganhou o apelido de Macalé, nome do pior jogador do Botafogo, na época. Adolescente, formou seu primeiro grupo musical, o duo Dois no Balanço, e depois o Conjunto Fantasia de Garoto, de jazz, seresta e samba-canção. Estudou piano e orquestração com Guerra-Peixe; violoncelo com Peter Dauelsberg; violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno; análise musical, com Ester Scliar. 92

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Começou sua carreira profissional em 1965 como violonista no Grupo Opinião. Em 1966, fez direção musical dos primeiros espetáculos de Maria Bethânia. Teve composições gravadas por Elizeth Cardoso e Nara Leão. Com Gal Costa, Paulinho da Viola e o parceiro José Carlos Capinam criou a agência Tropicarte, para administrar os próprios espetáculos. Em 1969, participou do 4º Festival Internacional da Canção com o sucesso Gotham City e lançou o primeiro disco, “Só morto”. Trabalhou com Gal Costa no disco “Le-Gal” e no show Meu nome é Gal. Em 1971, foi para Londres, a convite de Caetano Veloso, com quem tocou e gravou Transa. Em 1972, de volta ao Brasil, lançou, com Guilherme Araújo, seu primeiro LP, “Jards Macalé”, relançado neste ano, 40 anos depois. Em 1974, lançou o LP “Aprender a nadar”. Participou como ator e compositor da trilha sonora dos filmes O amuleto de Ogum e Tenda dos milagres, de Nelson Pereira dos Santos. Também com-


pôs para as trilhas sonoras de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade; O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha; A rainha diaba, de Antônio Carlos Fontoura; Se segura, malandro!, de Hugo Carvana; e Getúlio Vargas, documentário de Ana Carolina. Também compôs trilhas sonoras para teatro. Macalé é autor de grandes canções, como Vapor barato, Anjo exterminado, Mal secreto, Movimento dos barcos, Rua Real Grandeza, Alteza, Hotel das estrelas e Poema da rosa. Teve como parceiros Capinam, Waly Salomão, Torquato Neto, Naná Vasconcelos, Xico Chaves, Jorge Mautner, Glauber Rocha, Abel Silva, Vinícius de Morais e Fausto Nilo. Entre os intérpretes de suas canções, estão Gal Costa (Hotel das estrelas e Vapor barato), Maria Bethânia (Anjo exterminado e Movimento dos barcos), Clara Nunes (O mais-que-perfeito), Camisa de Vênus (Gotham City) e O Rappa (Vapor barato), entre outros. Embora tenha também parcerias com Gilberto Gil e Caetano Veloso, rompeu com eles por considerar que o Tropicalismo havia sido cooptado pela indústria cultural, perdendo, assim, a independência. Em 1985, participou do musical Areias escaldantes. Em 2012, fez um excelente show na abertura do V Festival de Música, Dança e Cultura Afro-brasileiras no Teatro Dulcina, no Centro do Rio de Janeiro. Condomínio etc. – Fale um pouco de sua infância, com música por todos os lados. Jards Macalé – Tive uma infância feliz na Tijuca, na Rua Pucuruí, atual Max Fleiuss. Meus pais amavam a música. Minha mãe levava meu pai à Radio Nacional, que era

Macalé!” Hoje não faço muita coisa, não. Vou ao Clube do Flamengo para nadar e fazer fisioterapia. A disciplina herdei de meu pai que reinava e era militar. Gostos e preferências? MÚSICA, MÚSICA, MÚSICA. Cetc. – O Dia da MPB é 17 de outubro, em homenagem ao nascimento de Chiquinha Gonzaga, a primeira maestrina brasileira, em 1847. Fale de seus mestres, Macalé. JM – Tive vários mestres: Severino Araújo, Guerra-Peixe, Ester Scliar, Jodacil Damasceno, Tato Taborda, Mário Tavares, Radamés Gnattali, Tom Jobim, Baden Powell, mais quantos. Cetc. – Villa Lobos acreditava na importância da educação musical nas escolas. Essa disciplina poderia contribuir para a educação formal de nossas crianças e jovens? JM – Sim. É um absurdo que não se tenha MÚSICA no currículo. a Globo da época – meu pai era mais de óperas. Meus vizinhos de parede, Vicente Celestino e Gilda de Abreu, exercitavam a voz diariamente. Cetc. – É verdade que recebeu, ainda menino, o apelido Macalé por causa do pior jogador do Botafogo à epoca? Você não gostava de futebol, não jogava bem? Como é seu cotidiano – faz esporte, é disciplinado ou não, rotina de trabalho, hábitos, gostos, preferências... JM – Ele não era tão ruim assim... Tinha momentos felizes. Quando eu pegava na bola, nas peladas de sábado, me atrapalhava com e o pessoal gritava: “Passa a bola,

Cetc. – Que lembranças guarda do período da ditadura e do Tropicalismo? Rompeu com os dois? JM – Péssimas lembranças. E ainda ficamos com a pecha de “malditos”... Quanto a mim, nunca fui “tropicalista”. Nessa época, estudava na Pró-Arte e tive contato com Rogério Duarte, Hélio Oiticica, Rubens Gerhman, Roberto Magalhães, Lygia Pape, entre tantos. São as lembranças positivas. Cetc. – E sobre a experiência de compor para cinema e teatro? JM – Nelson Pereira dos Santos me convidou para fazer a trilha sonora de seu filme O amuleto de Ogum. Outro dia me revelou

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que foi a melhor trilha de seus filmes. Minha primeira trilha foi para Macunaíma, a convite de Joaquim Pedro de Andrade. Musiquei poemas de Mário de Andrade. No teatro conheci alguns dos maiores atores e autores do Teatro de Arena de São Paulo, do Teatro Opinião e do Oficina. Cetc. – Você e Moreira da Silva – que entrevistei na década de 1970 em seu quarto de hotel, em Maceió (grande figura!) – foram parceiros no samba de breque. Que canções compuseram juntos e como foi essa parceria, de almas que tanto combinam? JM – Compusemos a música Tira os óculos e recolhe o homem, resultado de minha prisão em Vitória, no Espírito Santo. Cetc. – Gal Costa e O Rappa gravaram o lindo Vapor barato, duas gerações, duas interpretações. O que sente? JM – Essa música, apesar de ser datada, navega até hoje nas ondas da música brasileira. Cetc. – Adolescente, formou seu primeiro grupo musical, o duo Dois no Balanço. Que balanço faz de sua carreira? JM – Chamo minha carreira de correria. A arte é um grande tapete voador – você conhece coisas, lugares e gente que você jamais sonharia. Minha música é oficio, meu sonho, minha realidade.

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Cetc. – No mês de outubro, será lançado Jards, dirigido por Éryk Rocha, no Festival do Rio de Janeiro. Fala do filme. JM – O filme é um registro íntimo das gravações do disco de mesmo nome. É muito bom, nada linear, e mostra uma criativa interação com Éryk Rocha, talentoso cineasta que já produziu filmes premiados em vários festivais no Brasil e no exterior. O CD traz convidados como Frejat, Luiz Melodia, Ava Rocha, Adriana Calcanhoto e Thaís Gulin. Cada vez que você se grava, é como lapidar um diamante. Gravado e filmado em 2011 no estúdio da Biscoito Fino, o trabalho traduz meu processo de criação. O DVD e o filme registram os momentos que antecedem as gravações, como também o durante e o depois. Para 2013, tenho um novo projeto com músicas inéditas.

“Só morto” (compacto de 1970). “Jards Macalé” (1972). “Banquete dos mendigos” (LP duplo), em homenagem ao 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos; gravado ao vivo com vários artistas (1973). “Aprender a nadar” (1974). “Contrastes” (1977). “Quatro batutas e um coringa” (1984). “Rio sem Tom/Blue sued shows” (1987). “Peçam bis”, em que canta canções de Ismael Silva ao lado de Dalva Torres (1988). “Let's play that” (1994). “O que eu faço é música” (1998). “Macalé canta Moreira” (2001), além do single. Participou dos songbooks de Ary Barroso, Noel Rosa e Tom Jobim. “Amor, ordem & progresso” (2003). “Real Grandeza”, que contém exclusivamente canções de sua parceria com Waly Salomão; participação de Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto e Luiz Melodia, entre outros artistas (2005). “Macao” (2008).


crônica

POR VIVIEN BEZERRA DE MELLO

Serial killers à solta Sabe aquela senhora adorável que você conhece e que é sua vizinha? Essa mesma. Ela tem aquela carinha inocente, de boa avó, que cozinha para os netos, que cuida do cachorro, que ama a família e toda a humanidade? Pois é. Ela pode ser uma serial killer de plantinhas inocentes. Eu conheço uma, mas não posso citar o nome, sob pena de sofrer graves retaliações. Até porque todo serial killer acha que não está fazendo nada de mais, mas está. Nós, pessoas normais (?), sabemos disso. Essas senhorinhas andam tranquilamente pelas ruas e, de repente, cismam com uma plantinha linda que enfeita o jardim de um condomínio e, sem a menor cerimônia, arrancam-na dali, sem dó nem piedade, e a colocam em sua sacolinha (sim, elas sempre têm uma sacolinha à mão) e vão embora sem nenhuma culpa. Num piscar de olhos, o condomínio fica órfão de um exemplar que pode ter dado muito trabalho para o paciente e caprichoso paisagista que se desdobrou para enfeitar aquele jardim... Quem nunca presenciou uma cena dessas? Ou, pelo menos, já ouviu alguém co-

mentar? Ou até mesmo já cometeu essa... hã... gafe?! Amo as plantas, elas são tão lindas! Mas é dever de todos respeitar os jardins alheios, oras. Ou até mesmo os jardins naturais. Quando eu era criança, me lembro das viagens da família a Petrópolis. Aquela serra linda, cheia de hortênsias... Que coisa mais linda! Aquela imagem até hoje permeia meus pensamentos. Êpa, outra ima-

gem aparece agora: uma senhora arrancando uma hortênsia para levar para casa. Não consigo ver seu rosto. Peraí, estou quase vendo... Esse vestido me é familiar... Acho melhor terminarmos a sessão de regressão por hora e voltarmos aos condomínios. O que estou prestes a ver pode ser doloroso demais. Que tal o síndico mandar o porteiro ficar à espreita para flagrar e retaliar a serial? Não adianta, eles não têm coragem de enfrentar as vovozinhas. Elas são senhoras, afinal. E, quem sabe, elas podem até reagir com violência, arremessando sobre eles sua sacolinha e mais sabe lá Deus o que elas carregam ali dentro? E, de mais a mais, a corda pode até arrebentar para o lado mais fraco se elas forem sórdidas o suficiente para inverter a situação e detonarem os fiéis e dedicados funcionários. Parece que essa praga só se compara com outra: a mania que alguns moradores têm de largar, nas áreas comuns dos condomínios, as plantinhas que não querem mais. É a lei da selva: quem tem põe, quem não tem tira. Está aberta a caça às serial killers cariocas.

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Revista Condomínio. Edição 55