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Todo síndico lê!

49 ABR MAI JUN 2011

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Rumo ao topo sem esforço como cuidar e manter sempre em bom estado os elevadores do prédio 23 deUma abril: Dia Lei do do Síndico e aniversário CIPA nova Inquilinato: Veja oda que mudou


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NEWTON MENDONÇA

Presidente da CIPA

Paulo Rodrigues

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[capa] Rumo ao topo sem esforço: como cuidar dos elevadores do prédio e mantê-los sempre em bom estado

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relação ao governo anterior: a inflação está fora das metas estabelecidas, com sinais de crescimento, as reivindicações sindicais pleiteiam reajustes nem sempre possíveis de serem absorvidos, para que as metas fiquem sob controle. A base dos partidos aliados pressiona por cargos importantes, com ameaças de não apoiarem o governo, fazendo com que a nova presidente tenha que administrá-las sem afetar o plano maior, que nos mantenha sob controle, para superar o cenário mundial adverso. Isso obriga a presidente a administrar situações muito difíceis, para tomar medidas impopulares a fim de manter o equilíbrio e a credibilidade já atingidos pelo país. Felizmente, a base da equipe governista foi muito bem escolhida, principalmente o núcleo que a cerca. Dilma tem se mostrado uma pessoa equilibrada, com forte personalidade, e certamente estará em contato direto com o ex-presidente para aproveitar sua grande experiência política. A oposição continua inexpressiva e nada pode fazer, a não ser tentar ser coerente, votando em favor de propostas que sejam boas para o país. Estou certo de que, diante das crises que estamos passando em todo o mundo, o melhor para o Brasil foi a alternância na continuidade do governo, uma vez que se tem dado prosseguimento às bases já consolidadas desde Fernando Henrique e confirmadas por Lula no controle da inflação como meta principal. O importante é que estamos vendo uma nova presidente mais realista e menos política, porém, completamente comprometida com o que for melhor para o Brasil. As medidas serão duras, mas se tomadas, os resultados serão bons. Estamos otimistas.

Apesar de as administrações dos condomínios estarem cada vez mais profissionais, os problemas relacionados com elevadores ainda causam transtornos para moradores, muitas vezes, às voltas com dúvidas técnicas sobre como conservá-los e com orçamentos salgados para a execução de reparos. Quando a opção é modernizá-los, as empresas especializadas garantem vida longa para os equipamentos, deixando até mesmo modelos antigos novos em folha.

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Dilma, uma mulher que nunca exerceu funções de governança, com a indicação de Lula, foi eleita presidente da República. Todos achavam que viria a governar sob a batuta de seu padrinho, continuando tudo aquilo que vinha sendo feito por ele. Mero engano! Aí está a grande importância da alternância. A presidente Dilma Rousseff vem surpreendendo a todos nos primeiros meses de seu governo, com decisões que nada lembram seu criador, Lula. Aparece pouco, tem atitudes firmes e não muito políticas, deixando claro que não aceitará nenhum tipo de exigência que extrapole as vias do aceitável, isto é, “o apoio a qualquer preço”. Não podemos deixar de admitir que os oito anos do governo Lula deixaram um saldo extremamente positivo, no qual o Brasil cresceu economicamente e conquistou credibilidade internacional nunca antes vista. Não podemos deixar de mencionar – sem tirar o mérito de Lula – a importância da continuidade que ele deu às bases sólidas e irreversíveis plantadas no governo de Fernando Henrique. Lula, até a crise de 1998, governou em uma época de grande desenvolvimento mundial, de um modo geral, oportuno a todos e particularmente muito favorável para nosso país. Agora temos outro cenário, em que quase todos os países atravessam uma crise econômica muito séria, principalmente os desenvolvidos. Há também uma transformação política e social no Oriente Médio, da qual não sabemos que consequências trará. O Brasil, em pleno desenvolvimento, se vê cercado por essas circunstâncias e terá que adotar medidas e rumos completamente diferentes. Aí está o grande desafio de Dilma! A política externa já está sendo completamente mudada em

ENTREVISTA

A alternância é importante até na continuidade do governo


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[Manutenção] Combate às baratas é passo importante para a saúde do condomínio Infestações podem ser difíceis de debelar, mas medidas simples ajudam a evitar a presença do terrível inseto e de outras pragas urbanas.

2011 - 57 anos

[Manutenção] Saúde na bica O Decreto Estadual nº 20.356, de 17 de agosto de 1994, regulamenta a Lei nº 1.893/1991, que estabelece a obrigatoriedade de limpeza e higienização dos reservatórios de água para fins de manutenção dos padrões de potabilidade.

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Rua México, 41 - 2o andar CEP 20031-905 Centro - Rio de Janeiro Tel.: [21] 2196-5000 Fax: [21] 2533-2449

DIRETORIA

[atualidade] Síndicos no poder Saiba quais as regras legais para ocupar o cargo e veja dicas para manter-se nele.

[Comportamento] Resolução de conflitos: como lidar com problemas entre vizinhos? Problemas entre vizinhos ocorrem a todo momento dentro dos condomínios. Dois moradores se desentendem por algum problema, como infiltrações ou barulho, e o síndico precisa intervir antes que o caso vá parar na Justiça.

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Uma publicação:

[treinamento] Limpeza correta do condomínio é resultado de orientação adequada O grande problema é a falta de capacitação dos funcionários responsáveis pelos serviços de faxina e higienização. Síndicos podem optar por firmas especializadas ou orientar, eles mesmos, os funcionários.

[obras] Passado o verão, chega a estação das obras Depois do verão, com suas altas temperaturas e chuvas torrenciais, chega a hora de recuperar o que foi destruído e preparar o prédio para enfrentar tudo de novo no ano seguinte.

Presidente NEWTON MENDONÇA Vice-presidente MÁRIO MENDONÇA Diretora de Condomínio, Administração e Finanças DEBORAH O’DENA MENDONÇA Diretora de Locação, Seguros e Novos Negócios MARIA TERESA MENDONÇA DIAS Redação e Edição VIVIEN BEZERRA DE MELLO (MTb: 18731) Revisão ANDREA BIVAR Fotografia Ariel Subirá Marketing e Publicidade SAMY GRUBMAN (marketing@cipa.com.br) Colaboraram neste número Carla Rocha MILTON DE MENDONÇA TEIXEIRA Paulo Ferreira Raquel Pinheiro Loureiro renata Fernandes STELLA MARIS C. MENDONÇA wanja Antunes

Conceitos e opiniões em artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta publicação é permitida desde que seja citada a fonte e previamente autorizada, por escrito, pela editora. A empresa reserva-se ao direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa. Esta publicação está em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, provado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995, e em vigor desde 1º de janeiro de 2009.

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[abril] dia do síndico e aniversário da cipa.

PARA ANUNCIAR LIGUE

2196-5176

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18 mil exemplares

ERRATA: na edição anterior divulgamos a nova lei estadual que rege a colocação de dispositivos para interromper o processo de sucção em piscinas. O número correto da lei é 5.837/2010.

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capa por carla rocha

Rumo ao topo sem esforço:

como cuidar dos elevadores do prédio e mantê-los sempre em bom estado O sobe e desce do elevador parece cumprir uma rotina pouco importante no dia a dia. Mas desde o surgimento dos prédios, e depois dos arranha-céus, que o pequeno compartimento de transporte vertical – sim, de transporte, e há até quem o considere mais seguro que o avião – ganhou importância fundamental na garantia do conforto e da acessibilidade. Quando apresenta defeito, logo chama a atenção de seus resfolegantes usuários – obrigados, nessas horas, a encarar intermináveis escadas – para a falta que ele faz e a necessidade de manutenção constante. Apesar de as administrações dos condomínios estarem cada vez mais profissionais, os problemas relacionados com elevadores ainda causam transtornos para moradores, muitas vezes, às voltas com dúvidas técnicas sobre como conservá-los e com orçamentos salgados para a execução de reparos. Os defeitos são os mais variados possíveis e nem sempre o pior deles é a paralisação completa do equipamento. Desnivelamentos e irregularidades no sistema de fechamento das portas, por exemplo, podem causar acidentes, alguns muito graves. Com um tempo de vida útil estimado em 20

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anos, os elevadores precisam de uma atenção para lá de especial. Há peritos no assunto capazes de fazer um diagnóstico perfeito, realizar o conserto e, depois, emitir um laudo técnico no qual atestam que o aparelho está apto a ser utilizado sem sustos. Um dos maiores especialistas no assunto, o professor Paulo Juarez Dal Monte, formado em engenharia eletrônica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), está no ramo desde a década de 1970 e já trabalhou em grandes empresas do setor, inclusive fabricantes, mas hoje se dedica à consultoria para condomínios, sejam eles residenciais ou comerciais. É ele que costuma brincar, comparando o elevador ao avião. Dal Monte diz que o avião, ao contrário do que foi disseminado durante anos pelo senso comum, é o segundo meio de transporte mais seguro do mundo. O primeiro? O elevador, claro. Depois de duas décadas de uso, os condomínios devem refletir sobre a modernização tecnológica, inclusive por uma questão de segurança. Os idosos, por exemplo, são vítimas constantes dos problemas gerados por equipamento muito antigo que não foi modernizado ou não conta com boa "ma-


Consultor do ramo, o engenheiro Paulo Dal Monte costuma dizer que o avião é o segundo meio de transporte mais seguro do mundo porque o elevador é o primeiro

nutenção", observa Dal Monte, autor do livro Elevadores e escadas rolantes, da Editora Interciência, à venda na Livraria do Café - Rua Marques de São Vicente 52/ lojas 338-342. Contratos com empresas especializadas podem garantir o bom funcionamento das máquinas. Além disso, com a ação preventiva, as despesas também são reduzidas. Há dois tipos de contrato oferecidos no mercado: um de conservação e outro de manutenção (que inclui trocas eventuais de peças). Os condomínios devem ter cuidado especial na escolha da empresa prestadora do serviço, procurando se informar primeiramente no mercado. Há empresas de conservação e de manutenção – que costuma ser um serviço mais caro porque inclui a substituição de algumas peças – para cuidar de 59 mil elevadores da cidade do Rio. O custo da conservação/manutenção mensal varia em função da complexidade do equipamento, se o prédio é comercial ou residencial, do número de pavimentos e de elevadores. E nem sempre escolher uma gigante do ramo é garantia de bom atendimento. Que o diga Leandro Jesus Souza, síndico do condomínio Reis Magos, na Tijuca, com dois prédios e cerca de 30 moradores, muitos deles idosos, administrado pela CIPA. Quando assumiu a tarefa, logo

que comprou o imóvel, em 2009, encontrou o prédio com dois dos quatro elevadores parados há mais de um ano. Ao procurar saber o motivo que levou a tal situação, descobriu que o reparo de cada um dependia de uma peça cujo preço era R$ 5 mil, o que elevaria o custo do serviço para R$ 10 mil. “Na verdade, a empresa, que tem boa reputação no mercado, tinha um contrato antigo com o prédio, em bases muito baixas, cerca de R$ 350 por mês, e tirava o prejuízo no valor das peças. Resolvi adotar uma atitude ousada: rompi o contrato e busquei outros orçamentos no mercado. Acabei fazendo acordo com uma empresa menor, que dá muito mais atenção para nosso condomínio e que resolveu o defeito de forma definitiva. No mesmo dia, os dois elevadores já estavam funcionando e a empresa nem mesmo cobrou pela peça. Nunca mais tivemos dor de cabeça. O fato é que a empresa anterior supervalorizava os serviços, jogava o preço de tudo para cima”, conta Leandro, acrescentando que o contrato de manutenção mensal nem subiu tanto assim – hoje está ABR_MAI_JUN 2011

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o Síndico do condomínio Porto de Mônaco, Rogério Moutinho, está sempre de olho nos elevadores e faz questão de avisar à empresa contratada sobre qualquer coisa fora do normal. Há 32 anos o condomínio conta com a mesma empresa, que aliás, também foi a responsável pela modernização de dois elevadores

em torno de R$ 450 – e que o peço justo da peça “caríssima” não passava de R$ 200 nas boas lojas do ramo. A experiência tem sido tão boa que agora o condomínio já se prepara para arcar com um projeto de modernização dos elevadores, que vão ganhar cabines novas de aço escovado e comandos eletrônicos para substituir o sistema mecânico da década de 1970. Para Leandro, o custo-benefício compensa. Por, aproximadamente, R$ 18 mil, os quatro elevadores vão ganhar uma plástica completa e não vão dar defeito tão cedo. Ao atingir seu tempo de vida útil, o elevador não precisa ser descartado. Um projeto de modernização contempla atualiza-

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ções técnicas e estéticas. Às vezes, substituir guias ou máquinas antigas, até mais robustas que as atuais, pode ser um erro. Com a atualização técnica da parte elétrica, a instalação de comandos eletrônicos e a reforma da cabine e dos botões de acionamento, o equipamento estará novo em folha para ser utilizado. Maior fábrica de comandos de elevadores da América Latina, a Infolev Elevadores e Informática Ltda., com sede em São Paulo, fornece as peças necessárias para essa recauchutagem geral. O sócio-diretor da empresa, Fábio Aranha, alerta que é importantíssimo contar com uma empresa de manutenção, mas diz que o

administrador do condomínio não deve se descuidar. É ele quem, muitas vezes, deve identificar possíveis falhas na operação do equipamento e avisar o técnico responsável pela manutenção mensal. “Como é ele que está vivendo o dia a dia do condomínio, deve observar o funcionamento dos botões e o nivelamento em todos os pisos. É importante fazer uma verificação andar por andar e alertar a equipe de manutenção sobre possíveis discrepâncias a serem corrigidas”, explica Aranha, acrescentando que, em caso de dúvidas sobre a operação e a necessidade de reforma, ele deve procurar consultores especializados em transporte vertical, que são independentes para opinar e até para avaliar a qualidade dos serviços prestados. Aranha chama atenção ainda para os estudos que mostram que a manutenção correta pode garantir economia considerável para o condomínio. Em média, os gastos com a manutenção de elevadores representam 7% das despesas totais do prédio e 6% das destinadas ao consumo de energia elétrica. Custos que podem ser reduzidos. Só para dar uma ideia, sistemas inteligentes de atendimento permitem que, mesmo que uma pessoa aperte o bo-


O sócio-diretor da Infolev, Fábio Aranha, alerta que é importantíssimo contar com uma empresa de manutenção, mas diz que o administrador do condomínio não deve se descuidar. É ele quem, muitas vezes, deve identificar possíveis falhas na operação do equipamento e avisar o técnico responsável pela manutenção mensal

tão de mais de um elevador, apenas o que está mais próximo a ela se desloque para atendê-la, o que, além de tudo, evita o desgaste das peças. Estima-se que de 25% a 35% das viagens são desnecessárias: um exemplo é quando dois elevadores vão para o mesmo andar mas só um deles é utilizado. Síndico do condomínio Porto de Mônaco, em Botafogo, também administrado pela CIPA, Rogério Moutinho segue à risca o conselho dado pela maioria dos especialistas e vistoria pessoalmente o equipamento. Há 32 anos, o condomínio mantém a mesma empresa no serviço de manutenção dos seis elevadores, o que, também, na opinião dele, contribui para minimizar possíveis problemas. “Eu ligo e cobro deles. Estou sempre avisando sobre um andar em que o elevador está desnivelado ou algum barulho fora do normal. Só quem está no dia a dia do condomínio para observar esses detalhes. É uma rotina muito importante e necessária”, explica Rogério, que desembolsa cerca de R$ 4 mil pelo serviço, que inclui a troca de algumas peças, exceto aquelas cujo desgaste é natural e precisam ser substituídas ao longo dos anos, e fez com a mesma empresa a modernização mecânica e da cabine de dois elevadores de serviço.

No condomínio na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, o síndico Leandro Jesus Souza está satisfeito depois de ter trocado a empresa que faz a manutenção dos elevadores. A antiga, com a qual tinha contrato mensal barato, queria cobrar R$ 5 mil por uma única peça

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Há tanta diversificação no ramo que algumas firmas se dedicam a fazer apenas o que chamam de redesign, ou serviço de remodelagem estética. Na verdade, é uma “plástica” ou, às vezes, algo mais suave, como um “lifting”, em que o elevador tem as paredes revestidas de aço, ganha teto diferenciado, piso de granito e até luz indireta. Um luxo cada vez mais procurado porque tem efeito imediato na valorização dos imóveis. Pelo serviço, voltado para elevadores destinados a seis ou oito pessoas, paga-se algo entre R$ 8 mil e R$ 10 mil para desenvolver e executar um projeto desse tipo. Em cinco dias, o cliente pode ter um elevador de cara nova. “Pode ser desde um revestimento mais simples e durável até algo mais especial, como chapa de inox mais trabalhada nas paredes, teto com chapas perfuradas sob medida ou iluminação indireta. São projetos exclusivos que fogem completamente da padronização do mercado e podem seguir o estilo arquitetônico de cada construção”, diz o arquiteto e sócio-gerente da empresa, Otto Ericksson, que atende tanto a edifícios residenciais quanto comerciais e tem alguns grandes shoppings do Rio entre seus clientes. Por último, uma boa dica é prestar muita atenção no contrato de manutenção para saber exatamente o que ele inclui. Se, por exemplo, contempla ou não peças, que tipo de garantia a empresa oferece etc. Confira a jurisprudência relativa a esse assunto na página 52.

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A história dos elevadores

Há muitas curiosidades sobre a história do elevador. No livro Elevadores e escadas rolantes, o consultor Dal Monte conta que, desde o antigo Egito, existem sistemas elevatórios com roldanas e guinchos. No ano 100 a.C., o arquiteto romano Vitruvius Pollio, com um cabrestante tracionado pela força humana, criou o primeiro elevador de carga. Em 80 d.C., o imperador Titus instalou 12 elevadores com escravos no cabrestante para movimentar a plataforma com os gladiadores. E por aí vai. Em 1515, o papa Leão X, que sofria de artrite, usava um elevador “cadeira”. Começava, então, a utilização do aparato para além da função meramente utilitarista.

O elevador usado para garantir o conforto humano

Em caso de queda, as pessoas podiam se machucar muito e até morrer. Mas em 1853, na cidade de Nova York, durante a Segunda Exposição Mundial relacionada a esse meio de transporte, Elisha Graves Otis apresentou seu invento. Subiu na plataforma de vagão de trem e mandou cortar o cabo de sustentação. A plataforma caiu e o freio de segurança aparou a queda. Nesse momento, surgiu o elevador de segurança e, a partir daí, pessoas do mundo inteiro passaram a comprar elevadores, com a certeza de que o freio de segurança evitaria acidentes e danos aos passageiros. Proprietários de hotéis em Nova York passaram a adotar a ideia, que permitiria a instalação de mais andares num mesmo terreno. Desde então, a evolução não parou.

Estudos para a construção de um elevador espacial

Em janeiro de 2001, a revista Elevator World publicou que os primeiros esboços para a elaboração de um elevador espacial (da Linha do Equador até a estação internacional no espaço) já foram iniciados. Os detalhes também podem ser conferidos no livro Informações para o síndico sobre elevadores e escadas, também do professor Dal Monte.


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Entrevista por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Ricardo Cravo Albin Em meio ao perfume de mangueiras carregadinhas no verão, à frente de uma grande pedra da Urca, diante da Baía de Guanabara e repleto de estrelas da música popular brasileira, o Instituto Cultural Cravo Albin (Icca) – ancorado na Urca – mantém nossa memória viva. Um verdadeiro condomínio artístico, onde pesquisadores, daqui e de todo o mundo, passam horas mergulhados nas centenas de revistas, nos 7 mil discos de vinil, nos 3 mil discos de acetato (uma doação de 5 mil toneladas deles chegou, em dezembro, da Academia Brasileira de Filosofia) e em fotos, imagens, jornais e recortes. Painéis, violões nas paredes, como o de Herivelto Martins, e quadros de grandes

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artistas, como Siron Franco e Mário Mendonça, também estão presentes. À porta do pequeno prédio, várias placas indicam as ações do Icca: convênio com a Secretaria de Ciência e Tecnologia e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com a adesão da Rádio Roquette-Pinto para estimular a inovação na pesquisa da MPB e a divulgação dos novos astros de nossa música (maio/2010); MPB nas escolas, com a Secretaria de Estado de Educação (maio/2010); encontro especial sobre a minissérie Dalva e Herivelto – uma canção de amor, de Maria Adelaide Amaral, na TV Globo (novembro/2009); projeto Dez Anos sem Baden (novembro/2010) e comemoração de cem anos de nascimento

de Noel Rosa com show e exposição (dezembro/2010). Ao fundo do terreno e junto a uma pedra imensa, está a Sala Sérgio Porto, Stanislaw Ponte Preta, “um dos mais estimulantes e operosos intelectuais do Brasil... acusador implacável do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País)... um espaço para celebrar o espírito do Rio no que tem de mais robusto, refinado e corajoso”, segundo Cravo Albin. Ali, além de fotos, fitas de rolo, carteirinha da Associação Cristã de Moços, caricatura original de Lan com Lalau no céu olhando de binóculo uma “certinha” na praia, a diversão é garantida. (Quem viveu bem os anos 1950 vai se lembrar da lista das “certinhas” do Lalau: Norma Bengell, Dorinha Duval, Irma


Álvarez, Miriam Pérsia e Virgínia Lane, entre outras mulheres marcantes da época. E vai lembrar, principalmente, de seu humor brejeiro: “Ortografia – o que seria do doce de côco se não houvesse o acento circunflexo?”) O jornalista, escritor e crítico Ricardo Cravo Albin (com mais de dez publicações sobre nossa música) é um sagitariano entusiasmado que nasceu na Bahia, mora no Rio desde os anos 1950 e tem um gás que deixa muito jovem no chinelo. Tudo ele faz com pressa, força e energia. Em meados dos anos 1960, foi um dos fundadores e o primeiro diretor do Museu da Imagem e do Som do Rio, onde iniciou a gravação de depoimentos de artistas e intelectuais (Depoimentos para a Posteridade). No fim da década de 1970, integrou o Conselho Superior de Censura como representante da Associação de Rádio e Televisão, tendo atuado diretamente na liberação de obras artísticas até então proibidas. Já presidiu o Conselho Estadual de Cultura, escreveu e dirigiu shows musicais, como os aplaudidos Um banho de MPB, Cantores do chuveiro e Estão voltando as flores – cantoras do rádio, e ainda apresenta programas de rádio, sempre abordando os temas musicais. Em 2001 lançou o Dicionário Cravo Albin de MPB, em associação com a Biblioteca Nacional, a PUC-Rio, a Faperj e a multinacional El Paso. O dicionário (www.dicionariompb. com.br), que tem mais de 6 mil verbetes, é consultado por pesquisadores de nossa música popular em todo o mundo e foi lançado em livro em 2006. No mesmo

ano do lançamento eletrônico, Ricardo fundou o Icca, ao qual doou seu acervo de mais de 30 mil itens relativos à música popular e à história do Rio de Janeiro. Cetc. – Vamos falar de um movimento musical significativo no Brasil, a bossa nova. A Condomínio etc. vem abordando o assunto, que tem importante papel na vida de nossa cidade, através de entrevistas com Carlos Lyra e Francis Hime. Ricardo Cravo Albin - A música popular brasileira sempre teve influência decisiva no comportamento do brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro, centro cultural do país. A bossa nova começou modesta e timidamente entre músicos e pessoas da Zona Sul, especialmente os agregados (para simplificar uma longa história) no apartamento da família Leão, que se tornaria a futura musa da bossa nova. Dali se espalhou pelas boates da Zona Sul do Rio de Janeiro, ligando, pela primeira vez, a música popular a universitários, jornalistas e intelectuais. Alguém pode dizer: mas jornalistas e intelectuais, desde Orestes Barbosa, nos anos 1930, assim como Noel Rosa, estudante de medicina, se agregaram à música popular... Sim, mas na bossa nova houve um número de ABR_MAI_JUN 2011

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jovens como nunca tinha havido antes, além da classe média e média alta. Essa gente toda tinha muita influência do jazz, uma música sofisticada. Naquela época, eu, com 17 para 18 anos, vindo do bairro de Laranjeiras, também participava de grupos de jam sessions enquanto estudava para o vestibular da Faculdade Nacional de Direito. Depois, já na faculdade, continuei ouvindo jazz. Mas foi de Rock around the clock (1955), de Bill Haley and His Comets, que absorvi uma inquietante possibilidade de distensão de energia. A bossa nova tornou-se, no Rio de Janeiro, um modismo que provocou reação da crítica conservadora musical que sempre existiu no Brasil. A partir de um retrato de identificação dos jovens, a bossa nova configuraria todos os detalhes de publicidade, divulgação e comportamento. João Gilberto, seu principal arauto, cantava com um fio de voz, desafinadamente. Uma canção emblemática é Desafinado, em inglês consagrada com o nome de Out of tune (Fora do tom), de Tom Jobim e Newton Mendonça. Então Desafinado era um retrato musical. A letra diz e define: “Se você insiste em classificar meu comportamento de antimusical, eu mesmo mentindo devo argumentar, que isto é bossa nova, que isto é muito natural”. Cetc. – Qual o papel da figura de Juscelino Kubitschek nesse contexto cultural? RCA – A partir de 1957, o governo de JK empreendeu, na alma brasileira, uma novidade – a de sair da tristeza, do escuro, da crise, do sangue de Getúlio, de Carlos Lacerda, com sua

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ira, para uma afirmação de otimismo no Brasil. Juscelino assumiu, em abril, a Presidência da República no Palácio do Catete e empreendeu essa grande aventura que foi a construção da capital na solidão do Planalto Central. Ele começou a abrir o Brasil num esboço de sorriso, não diria uma gargalhada. Mas foi um grande momento de otimismo sedimentado na ousadia e na novidade e que tocou, qual um anjo bom, todas as artes: a música popular com a bossa nova, o cinema com o cinema novo, o abstracionismo – que já havia nos anos 1950 na pintura – com o movimento neoabstracionista, a música erudita com o neoconcretismo, a literatura com o regionalismo. Tudo soprava beneficamente no país fazendo com que a aeração trouxesse novos, veementes e criativos ventos. Cetc. – Como vê a globalização de nossa cultura que exporta samba, futebol e mulatas? RCA – O problema é que o Brasil sempre foi um país, econômica e mundialmente, inexpressivo e portador de economia não significativa. Nós temos que entender isso para derivar a visão a posteriori do fenômeno cultural. O Brasil nunca foi um país de Primeiro Mundo, mas de Terceiro. O mesmo acontecia com a Índia, com uma cultura milenar de cinco mil anos, e com a Guatemala. O Brasil é um país com problemas sociais e econômicos gravíssimos e aflitivos que perduram, pelo menos, desde o século XX. Temos que entender o Brasil em um conceito de visão


universal, não em um conceito de país permanentemente de futuro, ufanista, que se acha o melhor do mundo quando na verdade não é. Nem minha pretensão nem minha megalomania vão a esse ponto. O que acho fundamental é que a gente tem que entender a miséria brasileira, a definição de país de Terceiro Mundo, a qualificação de terceiro time. Assim o Brasil pode ser observado num contexto das nações que administram, dominam e dão as diretrizes da política do planeta. Quer dizer, não há porque imaginar que o folclórico não seja exportado, até porque é legítimo de acordo com essa realidade de pobreza, de injustiça social que, entra década e sai década, nunca se resolve. Ou seja, é bom o país exportar aquilo que pode colocar sua cabecinha – coitada, tão fragilizada! – de fora. Portanto, é isso. O resto é pura literatice, é pura pretensão, pura megalomania. Já que o assunto é bossa nova também, digo que ela teve uma consequência muito interessante nos Estados Unidos, porque lá ela se converteu em modismo. Como

o mambo, o tango e o chá-chá-chá. Os Estados Unidos absorvem, vez por outra, movimentos universais, como a música cubana ou mexicana que teve abrigo nos Estados Unidos. Ele espalha como país exportador de cultura porque se impõe economicamente. O centro da estrutura do mundo está na economia. Quem tem uma economia forte manda. Pode até nem ter uma cultura tão interessante, mas manda. Exporta o que quer, inclusive culturalmente. Então, os Estados Unidos exportaram o quê? A bossa nova do pobre Brasil tão miserável. Em 1962, ela gerou um produto muito interessante, que não foi consumido no Brasil. A bossa nova dance, a dança da bossa nova, foi criada pelos americanos. Os Estados Unidos, um país plantador de cultura, vive de poderosos marqueteiros que impõem coisas no mundo inteiro, despejam nos quintais. O Brasil sempre foi um quintal norte-americano. Portanto, a dança da bossa nova veio mas não pegou no Brasil. Pegou nos Estados Unidos, algumas pessoas da Europa achavam

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“Respeito aquilo que é julgado e aprovado por uma maioria.” “Passei uma noite em claro analisando Elizeth Cardoso, ZimboTrio e Jacob do Bandolim volumes 1 e 2, que produzi. O espetáculo deles no Teatro João Caetano, em 1958, marcou minha vida. Foi a participação mais estimulante de Elizeth ao lado de seu descobridor, Jacob. Nesse show, ela se despedia para uma turnê no Japão – era o começo da abertura à música brasileira naquele país.” interessante... Mas se a dança “dançou”, a música da bossa ficou... Cetc. - Existe uma explicação para o sucesso da carreira, lá fora, de algumas pessoas como Tom Jobim? RCA - Podemos falar de nosso Antônio Carlos Jobim, Sérgio Mendes, Vinícius de Moraes e João Gilberto, que é um cantor insuperavelmente criativo. A primeira vez que ouvi João Gilberto no rádio me espantei e não gostei. O pianista Tenório Júnior me levou o LP para ouvir e uma semana depois passei a amá-lo. Considero uma redenção termos essas originalidades num país pobre. Não se pode dizer: “Ah, o Brasil não vai para a frente porque é um país mulato.” Isso é um insulto e uma mentira. O país não vai para a frente porque as elites estão fundamentadas em uma injustiça secular que vem desde os degredados portugueses que aqui aportaram e exploraram os índios e os negros. É uma longa e trágica história. O porquê de o Brasil até hoje não ter dado certo.

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“Nunca deixo de ouvir os discos de Orlando Silva, na fase Victor, de 1936 a 1942.” “Chico Buarque tem um quê indefinível que cativa e conquista. Ele combina atitude e qualidade artística. E gosto da Maria Bethânia até quando ela desafina.” “Tenho todos os discos do meu compadre Martinho da Vila.” “Entre os discos lançados nos últimos dez anos, um está entre os melhores de todos os tempos – Brazilian rhapsody, com o Daniel Barenboim tocando piano. Ele só toca músicas brasileiras

com arranjos magistrais e com a participação de Milton Nascimento. Comprei várias vezes na Europa para dar de presente aqui.” “Gonzaguinha começou mal a carreira discográfica, com músicas quilométricas, sem muito charme. Mas quando deslanchou, tornou-se um dos mais brilhantes compositores brasileiros de todos os tempos.” “Meus amigos Paulinho Tapajós e Ricardo Vilas são melhores do que os discos que gravam.” “Houve um tempo em que compositores compunham e cantores cantavam. Isso mudou com os festivais da canção, que apresentavam compositores cantando. Existem compositores clássicos que não são cantores, como Antônio Carlos Jobim. Quando ele tocava piano, fazia melhor do que se cantasse.” “Dos clássicos, Mamãe eu quero, de Jararaca e Vicente Paiva, mereceria uma letra melhor.”

“Datemi un martello, com Rita Pavone, é a pior música de todos os tempos.” Ricardo Cravo Albin


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Praga urbana

por Raquel Pinheiro Loureiro

Combate às baratas é passo importante para a saúde do condomínio Infestações podem ser difíceis de debelar, mas medidas simples ajudam a evitar a presença do terrível inseto e de outras pragas urbanas

Poucos insetos produzem uma reação tão visceral quanto as baratas. Nojo, medo, desgosto: sejam as pequeninas e nada inofensivas Blatellas germânicas, as populares francesinhas; as Periplanetas americanas, também conhecidas como barata de esgoto; ou ainda as temidas voadoras, cascudas e enormes, que entram pela janela sem a menor cerimônia. Não há quem veja com bons olhos a chegada dessas intrusas. Mas nem sempre o chinelo é a melhor arma para combater as visitantes indesejadas. Quando a situação foge do controle e o número de insetos passa da ocasional baratinha para um verdadeiro batalhão circulando por apartamentos e áreas comuns do condomínio é sinal de infestação. Nesses casos, a solução é contratar uma empresa especializada para dar início à verdadeira batalha que é o controle das pragas urbanas, responsáveis pela transmissão de doenças. Síndica do condomínio Ronimar, em Copacabana, Glória Maria de Araújo, sabe bem o que é tentar dar cabo dessas inva-

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soras. Há alguns anos, o edifício foi literalmente tomado pelas baratas. Todos os apartamentos, corredores, garagem: nem um pedacinho do prédio escapou à sanha dos insetos, que circulavam tranquilamente e aos bandos pelas áreas sociais. “Era um horror. Ficava constrangida quando tínhamos visitas”, lembra a síndica. “A situação chegou a um ponto que chamávamos a empresa especializada em extermínio de baratas uma vez por mês, mas nem isso resolvia mais. Nosso problema era mais complicado, porque havia ninhos escondidos”, conta Glória Maria.

Em outras palavras, o prédio inteiro estava sendo vítima de uma infestação de baratas, que tinham encontrado abrigo no duto do coletor de lixo do edifício. Como a construção era antiga, o metal do qual era feito o duto estava corroído e formava pontas nas quais pedaços dos sacos de lixo jogados pela lixeira ficavam presos. E era ali que as baratas faziam seus ninhos, ao ponto de saírem pelas portinholas dos corredores, quando alguém ia depositar o lixo. “Os biólogos da Insetisan constataram os focos e avisaram que o condomínio estaria jogando dinheiro fora se a fonte do problema não fosse eliminada”, explica Glória Maria. Com essa informação nas mãos, a síndica passou a procurar uma firma séria para realizar o delicado serviço, que significou a troca de todo o duto danificado até o quinto andar. “Felizmente, conseguimos encontrar um empreiteiro com experiência que nos cobrou um preço justo. Apesar do transtorno, pois foi quebrado um andar de cada vez, valeu a pena, porque nós não sabíamos, mas as baratas tinham invadido


A síndica do condomínio Ronimar, Glória Maria de Araújo conta que o prédio foi vítima de uma infestação de baratas, que tinham encontrado abrigo no duto do coletor de lixo do edifício. “Os biólogos da Insetisan avisaram que o condomínio estaria jogando dinheiro fora se a fonte do problema não fosse eliminada”, a solução era trocar o antigo duto, que estava enferrujado e corroído por dentro, e lá é que elas faziam seus ninhos, explica Glória

também o PC de luz e a lixeira em si. Hoje a empresa vem aqui de seis em seis meses, para a manutenção.” No mundo da batalha permanente contra baratas, ratos, cupins, carrapatos, mosquitos, formigas e outros, dedetização é palavra do passado, apesar de, até hoje, ser associada ao extermínio desses insetos e animais. A expressão correta, atualmente, é controle ou manejo de pragas, como explica Marcus Vinícius Fernandes Pires, diretor técnico da Imuni Service Controle de Pragas. “A dedetização é herança dos anos 1950, quando se popularizou o uso do DDT, um inseticida altamente tóxico banido nos anos 1970 em todo o mundo”, diz Marcus. “Já a palavra imunização não identifica, de forma apropriada, as atividades que desempenhamos. Nos dias atuais, existe um entendimento que se pratica o controle ou o manejo de pragas, expressão que pegamos emprestada do segmento agropecuário, mas que traz embutido

em seu significado um rol de ações necessárias para que possamos conviver com as pragas”, completa. O manejo integrado de pragas soma ações corretivas, preventivas e de eliminação. As firmas aplicam produtos mais potentes que o antigo DDT e menos danosos ao meio ambiente e aos seres humanos, mas também instruem os clientes sobre a importância do asseio, da organização e da manutenção das áreas comuns. “A parceria condomínio/empresa vai atuar suprimindo as variáveis da pirâmide da vida das pragas: água, alimento e abrigo”, detalha Marcus. Essa associação é fundamental, porque, além da resistência que certas espécies criam aos mais modernos biocidas, baratas e outras pragas se alojam não só nos esgotos e nas lixeiras, mas nos vãos dos prédios, nas caixas de energia e, às vezes, até mesmo nas paredes e nas tomadas. Formigas, por exemplo, conseguem atravessar conduítes! Para prevenir ou minimizar esse quadro, é vital que os moradores estejam cientes de que também têm sua parcela de responsabilidade no esforço para eliminar as baratas. O bem-estar e a saúde do edifício passa pelo esforço individual. Afinal, um apartamento infestado pode contaminar os vizinhos e as áreas comuns a todos. Daí a importância de os condôminos entenderem as vantagens de, dentro de suas possibilidades, imunizarem suas residências quando o prédio também está sendo tratado – é que, quando são utilizados pesticidas com ação repelente, os abrigos usados anteriormente pelas baratas se tornam inviáveis. A perturbação no ambiente causada ABR_MAI_JUN 2011

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Os produtos aplicados para o extermínio de baratas são menos nocivos ao meio ambiente que o velho DDT, sendo o setor regulado pelo INEA e pela ANVISA

pelo tratamento e o perigo percebido são fatores que ativam o instinto de sobrevivência dos insetos, "empurrando-os" para locais menos inóspitos. Nos casos em que os moradores se mostrem reticentes em tomar medidas que ajudem a combater as pragas invasoras, o síndico pode, e deve, chamá-los para uma conversa. Foi o que a Dra. Lya Mello, do condomínio Solar Diamantina II, fez. O edifício está passando por um caso grave de infestação de baratas, que sobem pelas tubulações das lixeiras, passeiam pela garagem e portaria e invadiram os apartamentos. Junto com as baratas vieram os ratos. Problema pelo qual o edifício já tinha passado há alguns anos e que fora solucionado com a contratação da Insetfone. Mas, novamente, o terror se repete. “Parte dos residentes não entendia que é preciso descartar o lixo da maneira correta e evitar o acúmulo de sujeira e dejetos tanto nas áreas compartilhadas como em suas casas”, conta ela. “Mas aos poucos eles compreenderam que o comportamento inadequado de um acaba prejudicando os demais. Agora estamos procurando uma empresa com um preço acessível para que possamos dar cabo do problema.”

Mas preço, no entanto, não deveria ser o fator decisório para a contratação de serviços de manejo de pragas. Primeiro, deve-se verificar se a empresa está registrada no Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão que emite a licença de operação, e se esse registro está em dia. É preciso também checar se existe um responsável técnico habilitado para as funções relativas às atividades pertinentes ao controle de vetores e pragas urbanas inscrito no respectivo conselho. Do mesmo modo, a própria firma deve possuir matrícula no conselho profissional de seu responsável técnico. Além disso, o síndico tem de ficar de olho nas obrigações fiscais e trabalhistas e exigir a nota fiscal e o comprovante da execução dos serviços. Vale lembrar que o setor tem regularização específica, feita no nível federal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispôs de um conjunto de regras técnicas atualizadas em 2009. E, claro, uma visita técnica também é imprescindível. “Um contrato de combate a baratas em uma edificação pequena pode custar R$ 250, R$ 300”, diz Marcus Pires, diretor técnico da Imuni Service. “Mas cada caso deve ser avaliado individualmente”, finaliza. ABR_MAI_JUN 2011

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Para saber mais As baratas merecem a fama que têm: há registros que provam que elas estão por aí há 300 milhões de anos, firmes e fortes. Dizem até que sobreviveriam a uma guerra nuclear, já que, escondidas nos esgotos e longe da superfície, ficariam mais protegidas dos efeitos da radiação. Há mais de 4 mil espécies conhecidas de baratas. Uma simples baratinha pode ter até 750 filhotes em um único ano, razão pela qual as infestações parecem crescer em velocidade geométrica. Em várias espécies, os ovos ficam em um tipo de cápsula dentro do corpo delas, para proteger a ninhada. Por viverem no lixo e andarem pelo chão sujo, as baratas contaminam os alimentos com fungos e bactérias que podem causar intoxicações, diarreias e doenças. Aliás, elas são capazes de comer de tudo, até outras baratas. Alimento estragado na geladeira, restos de comida na pia, em cima de mesas e no chão, sacos de lixo mal fechados e limpeza feita de qualquer jeito já são o suficiente para atrair as baratas. Medidas simples podem evitar que baratas e outros insetos se aventurem pelo prédio: vedação e limpeza de caixas de gordura e esgoto, lixeiras e tubos de queda, frestas de azulejos e acabamentos de tetos e chão; retirada do lixo, sempre em sacos plásticos fechados, e limpeza dos pisos, diariamente; remoção de entulhos e detritos; e conserto de canos que estejam vazando, entre outros.

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Confira a jurisprudência relativa a esse assunto na página 53.

Cores claras em áreas como lixeira, depósitos e garagens ajudam a identificar a sujeira resultante da limpeza incorreta. O serviço de manejo de pragas não deve ser feito por leigos, e sim por um técnico profissional, com capacidade para manusear os produtos e decidir onde e em que quantidade aplicá-lo, sem agredir o meio ambiente, manchar superfícies ou oferecer risco à saúde dos moradores. Há diferentes maneiras de controle de pragas. Na modalidade contrato, as aplicações têm intervalo padrão de 30 dias, a exemplo do que ocorre em indústrias, restaurantes, mercados e afins. Essa forma permite interação maior e promove regularidade no combate, sendo a indicada para condomínios de grande porte. Nos prédios menores, na maior parte dos casos, usa-se a aplicação com garantia, na qual a responsabilidade em detectar reinfestações fica a cargo dos funcionários do condomínio. Verificando-se a nova infestação, a empresa faz o retratamento onde forem confirmados focos ativos. Em uma edificação com baixa complexidade, a periodicidade recomendada do tratamento é de três meses, enquanto nas construções com média/alta complexidade, o sugerido é o contrato com aplicações mensais. O padrão é de seis meses de garantia.


responsabilidade social

Ajude o próximo por meio do Grupo Girassol A solidariedade é um dos sentimentos do ser humano que nunca podem entrar de férias. Se você também pensa como a CIPA, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. O Grupo Girassol, fundado e administrado por Cátia Correia, vem investindo fundo nesse sentimento. Para ela, ajudar a quem precisa é uma questão de responsabilidade social e, por isso, promove campanhas sociais com diferentes finalidades constantemente. As vítimas das chuvas em Teresópolis também estão contando com a imensa rede de amigos solidários do Girassol. Seja um deles! Para facilitar sua ação, há postos de recolhimento das doações em diversos bairros da cidade. Visite o site www.grupogirassol.org ou ligue para (21) 9933-7068.

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legislação por Marcelo Borges da Silva

Despesas com obras e benfeitorias no condomínio Antes do advento do atual Código Civil, não havia, na legislação brasileira, nenhuma norma que dispusesse sobre a possibilidade do síndico de um condomínio efetivar a contratação de serviços extraordinários sem a prévia convocação de uma assembleia. Ao contrário, pelo que dispunha o §4º do art. 12 da lei nº 4.591/64, quaisquer obras de interesse à estrutura integral da edificação só poderiam ser realizadas mediante orçamento prévio aprovado em assembleia geral. Por certo, muitas convenções condominiais trataram de estabelecer procedimentos para contratação de obras sem autorização de assembleia. Algumas, a maioria, estabeleceu tetos-limite para o síndico ultimar tal contratação, por vezes, em colaboração com os membros do conselho fiscal/consultivo. Entretanto, o atual diploma civil cuidou de preencher essa lacuna legislativa, dispondo, no art. 1.341, com seus incisos e parágrafos, procedimentos e normas para a contratação de obras em edifícios, como a seguir apresentamos: “Art. 1.341. A realização de obras no condomínio depende:

"Caso o síndico seja omisso ou esteja eventualmente impedido, qualquer condômino poderá efetivar a contratação de obras necessárias, fazendo nascer uma participação mais efetiva da comunidade para o destino da edificação.” O autor é advogado, diretor jurídico adjunto da Abadi e professor de pósgraduação em direito imobiliário da Abadi e da Faculdade Estácio de Sá.

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I – se voluptuárias, de voto de dois terços dos condôminos; II – se úteis, de voto da maioria dos condôminos. §1º As obras ou reparações necessárias podem ser realizadas, independentemente de autorização, pelo síndico, ou, em caso de omissão ou impedimento deste, por qualquer condômino. §2º Se as obras ou reparos necessários forem urgentes e importarem em despesas excessivas, determinada sua realização, o síndico ou o condômino que tomou a iniciativa delas dará ciência à assembleia, que deverá ser convocada imediatamente. §3º Não sendo urgentes, as obras ou reparos necessários que importarem em despesas excessivas somente poderão

ser efetuadas após autorização da assembleia, especialmente convocada pelo síndico, ou, em caso de omissão ou impedimento deste, por qualquer dos condôminos. §4º O condômino que realizar obras ou reparos necessários será reembolsado das despesas que efetuar, não tendo direito à restituição das que fizer com obras ou reparos de outra natureza, embora de interesse comum.” As normas anteriormente dispostas revelam preocupação da lei em estabelecer critérios para a realização de obras nos condomínios edilícios, principalmente aquelas consideradas necessárias para a conservação da edificação.


Ao tratar do assunto, o legislador adotou a mesma classificação de benfeitorias utilizada pelo próprio Código Civil para identificar a natureza das obras em edifícios, apresentando soluções e procedimentos distintos para execução de obras consideradas necessárias, úteis e voluptuárias. Em apertada síntese, apresentamos os conceitos que distinguem a definição de cada benfeitoria. Benfeitorias necessárias – têm por fim conservar o bem, evitando-lhe a deterioração. São aquelas imprescindíveis para que o imóvel ou o patrimônio não pereça. Benfeitorias úteis – têm por finalidade aumentar ou facilitar o uso do bem, criando meios para que o patrimônio possa ser mais bem utilizado pelo proprietário ou possuidor. Benfeitorias voluptuárias – são as consideradas de mero deleite ou recreio, que tornam apenas mais agradável ou mais aprazível a utilização do bem. Assim, a lei apresentou alternativas distintas para a contratação de cada uma das obras, de acordo com sua classificação e natureza, criando caminhos legais que devem ser atendidos pela administração condominial. No inciso I do art. 1.341, a lei estabelece a necessidade de um quórum de dois terços dos condôminos para a realização de obras consideradas voluptuárias. No universo condominial, podemos citar como exemplo a discussão em torno da aquisição de quadros e adornos para a portaria ou a colocação de um piso de mármore no hall de entrada, quando o atual está em perfeito estado de uso e conservação. Já o inciso II ressalta ser necessário o voto da maioria dos condôminos para a aprovação das obras consideradas úteis. Criticamos o fato de o legislador não ter sido claro na classificação dessa maioria, dando margem a interpretação de ser a maioria absoluta dos condôminos (metade mais um de todo o con-

domínio) ou a maioria presente na assembleia, especialmente convocada, uma vez que a lei dispõe sobre a necessidade de voto. Infelizmente, entendemos que no silêncio didático da norma positiva o quórum a ser respeitado para a aprovação de obras de natureza útil deverá ser o da maioria absoluta do condomínio, situação geradora de entraves na contratação de benfeitorias que poderão trazer proveitos para o melhor uso das partes comuns. Portanto, o grande desafio do intérprete é situar uma obra no edifício como sendo de natureza útil, necessária ou voluptuária, pois elementos subjetivos poderão dar margem a distintas fundamentações. Imaginem a discussão numa assembleia em torno de uma obra de reforma da portaria num edifício de baixo padrão econômico, no qual o síndico apresenta um projeto altamente sofisticado em termos de revestimentos e adornos. Certamente, iremos concluir ser esta uma obra de natureza voluptuária, necessitando, por tal, da aprovação por parte de dois terços dos condôminos. Todavia, se esse mesmo projeto de reforma da portaria for apresentado para deliberação num edifício de alto luxo, não seria nenhum absurdo considerar a obra como sendo de natureza necessária, pois tal melhoria estética estaria perfeitamente enquadrada na necessidade de manutenção do padrão econômico do conjunto da edificação. Prosseguindo, o §1º do artigo em discussão estabelece que as obras ou reparações de natureza necessária podem ser realizadas pelo síndico, independentemente de autorização, dispondo, ainda, que em sua omissão ou impedimento, qualquer condômino poderá cuidar de executá-las. Numa leitura apressada da norma, podemos entender estar o síndico, nesse momento, com liberdade

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para executar obras consideradas necessárias. Entretanto, nos parece que a intenção maior da lei foi criar uma verdadeira responsabilidade legal ao síndico, impondo ao gestor papel diligente na conservação e manutenção do bem comum, protegendo-o da deterioração e do perecimento. Inclusive, caso o síndico seja omisso ou esteja eventualmente impedido, qualquer condômino poderá efetivar a contratação de obras necessárias, fazendo nascer uma participação mais efetiva da comunidade para o destino da edificação. Assim, com base no atual Código Civil, o síndico passou a ter mais uma responsabilidade, pois se a lei permite a contratação de obras necessárias sem prévia autorização do condomínio, não deverá prosperar mais o argumento do administrador de que não realizou trabalhos urgentes porque não havia deliberação de assembleia para tal, podendo, por conseguinte, responder civilmente caso sua omissão venha a causar prejuízos para o patrimônio coletivo. Estamos diante de um verdadeiro poder-dever do síndico, pois se a lei, de um lado, flexibiliza a contratação de serviços necessários, de outro, impõe ao gestor a responsabilidade de não permitir que eventos possam causar danos à estrutura da edificação, sendo célere na ultimação de trabalhos de reparação. Num primeiro monitoramento, o §2º estabelece que quando as obras necessárias forem urgentes e importarem em despesas excessivas, deverá o síndico ou o condômino que as executou dar imediata ciência à assembleia. A maior dificuldade prática reside na conceituação de urgência e despesa excessiva, devendo a interpretação se ater ao caso concreto. Recomendamos que as convenções estabeleçam limites de alçada, como é de hábito, fixando tetos ou balizamentos, entre os quais o síndico poderá executar obras, independentemente de autorização prévia. Se não houver definição do que é normal, a assembleia decidirá, então, se foi ou não excessiva a despesa e, não havendo consenso, o caminho será o do Judiciário. Já o §3º do art. 1.341 dispõe que as obras que importarem despesas excessivas, mesmo necessárias, mas não urgentes, só poderão ser executadas após autorização da assembleia, que deverá ser especialmente convocada pelo sín26

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dico e, se ele for omisso ou sofrer algum impedimento, por qualquer condômino. Mais uma vez, deve o intérprete lidar com o subjetivismo da norma, pois não há uma conceituação do que sejam despesas excessivas e não urgentes. Podemos considerar urgente aquilo que não pode esperar, devendo o administrador empregar esforços para a execução imediata de serviços, sob pena de o patrimônio se deteriorar ou haver a provocação de algum dano irreversível ou de difícil reparação. Como exemplo, para entendermos o alcance da norma, podemos citar uma obra de reforma da fachada, cujo revestimento está em célere estado de perecimento, mas não provoca a queda de rebocos. É uma obra necessária, mas, por enquanto, não revestida do caráter de urgência, pois o condomínio não recebeu nenhuma intimação da municipalidade para executá-la, tampouco está diante do perigo de queda de revestimento da parede. Por ser uma obra de elevado valor econômico, tendo em vista o emprego de grande quantidade de material e mobilização para efetivá-la, para executá-la, portanto, o síndico deverá convocar uma assembleia, e caso seja omisso ou esteja impedido, qualquer condômino poderá promover tal convocação. Como já abordado, o fato de o legislador ter criado excepcional direito a um só condômino convocar uma assembleia para deliberação de obra necessária, desde que não urgente e de valor excessivo, faz nascer uma participação cada vez mais efetiva da comunidade nos destinos do bem comum. Finalmente, o §4º estabelece direito legal de reembolso ao condômino que realizar a contratação de obras ou reparos necessários, não havendo tal direito quando este custear obras consideradas úteis ou voluptuárias. Alertamos, contudo, só estar o condômino liberado para contratar obras ou reparações necessárias caso prove a omissão ou o impedimento do síndico. Do contrário, terá dificuldades no pleito de reembolso das despesas que gastou, pois desconsiderou os caminhos exigidos pela lei. Não obstante todos os preceitos e procedimentos criados pela lei, deve o síndico sempre se utilizar de bom senso, temperança e responsabilidade na condução de obras no condomínio, objetivando, de forma incansável, a conservação do patrimônio comum.


Corretora ESPECIALISTAS EM SEGUROS IMOBILIÁRIOS

Ligue

Seguro de conteúdo Proteger seu patrimônio de imprevistos e livrar-se de atritos desnecessários é mais barato do que você imagina Quando falamos em fazer um seguro, automaticamente pensamos no seguro do carro, que, normalmente, é escolhido com bastante critério. Certo ou errado? Pois é. Mas e o seguro residencial? Será que ele recebe a devida atenção por parte das pessoas? Segundo Marlon Rosalvos, gerente da CIPA Seguros Corretora, “é normal que as pessoas pensem na baixa probabilidade de ocorrer um acidente em sua residência. Por isso, sempre dão prioridade ao seguro do automóvel, que está mais sujeito a sinistros”, avalia. Realmente as chances de ocorrer um acidente de carro são muito maiores do que um incêndio em casa, mas nem por isso o seguro de conteúdo deve ser esquecido. Até porque, os seguros residenciais são muito mais baratos do que os automotivos – justamente por essa baixa probabilidade. “Por ser mais fácil imaginar os transtornos causados pela perda do automóvel, a maioria não faz a reflexão comparando com o que aconteceria em suas vidas caso tivesse a residência, um de seus bens mais preciosos, afetada por um sinistro, como um incêndio, por exemplo”, pondera.

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Pensando nesse comportamento, a CIPA desenvolveu um novo produto, o Max Conteúdo, que abrange uma série de coberturas de extrema importância e utilidade. Veja:

Coberturas do Seguro Max Conteúdo: 1. Incêndio de Conteúdo: R$ 50 mil Abrange incêndio, queda de raio, explosão e queda de aeronaves. 2. Responsabilidade Civil Familiar: R$ 5 mil Garante o reembolso da quantia a qual o segurado for obrigado a pagar em virtude de sua responsabilidade civil, decorrente de danos involuntários, materiais ou corporais, causados a terceiros pelo próprio segurado, seu cônjuge ou filhos menores que estiverem sob seu poder ou em sua companhia, bem como por seus empregados domésticos, animais domésticos e também pela queda ou lançamento de objetos do imóvel segurado. 3. Despesas e/ou Perda de Aluguel: R$ 5 mil Estando o imóvel impróprio para ocupação em decorrência de incêndio, explosão e/ou queda de raio, o cliente conta com o valor do seguro para: Despesas com aluguel: no caso de o segurado ser o inquilino do imóvel segurado, essa cobertura garante o valor dos aluguéis que ele terá que pagar a terceiros se for compelido a alugar outro imóvel, de mesmo padrão que o imóvel segurado, por não poder ocupar o imóvel sinistrado, no todo ou em parte, em virtude de ter sido danificado em decorrência dos eventos descritos para esta cobertura. Perda de aluguel: no caso de o segurado ser o proprietário do imóvel segurado, esta cobertura garante a ele o aluguel que o imóvel deixar de render por não poder ser ocupado, no todo ou em parte, em virtude de ter sido danificado em decorrência dos eventos descritos para esta cobertura.

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Manutenção

Saúde na bica Por que é tão importante fazer a higienização de caixas-d’água e cisternas? Um ratinho passa distraidamente pela caixa-d’água de seu prédio, que está com a tampa quebrada, e, pimba!, cai lá dentro. Como não consegue sair, ele morre. O corpo entra em putrefação, e a água que os moradores usam para tomar banho, cozinhar e lavar louça, entre outras tarefas imprescindíveis do cotidiano, fica contaminada. Parece um roteiro de filme de terror, não é? Mas pode ser uma história muito mais real do que você imagina. No exemplo assustador que abre esta matéria, o ratinho não é o único responsável pelo mal-estar coletivo. A manutenção do reservatório também deixou a desejar. Um dos entrevistados da Condomínio etc., Orlando Sodré, engenheiro especializado

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em estruturas e consultor de manutenção predial do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), conta um fato curioso sobre o tema: legiões do Império Romano jogavam animais mortos nas cisternas dos inimigos para espalhar doenças e atingir o moral das tropas adversárias. Reza a lenda que eles obtinham baixas consideráveis. Pois bem, se exércitos eram dizimados pela contaminação da água, imagine o que pode acontecer na singela realidade de um condomínio. Sodré é enfático: “O síndico deve conservar as caixas-d’água e as cisternas limpas, assim, evita o risco de os moradores contraírem doenças hídricas, como hepatite, cólera, tifo e diarreia.”


Em se tratando do tema, preguiça é proibida. Até porque existem normas, no estado do Rio, que obrigam a limpeza periódica desses espaços. O Decreto Estadual nº 20.356, de 17 de agosto de 1994, regulamenta a Lei nº 1.893/1991, que estabelece a obrigatoriedade de limpeza e higienização dos reservatórios de água para fins de manutenção dos padrões de potabilidade. O artigo 3º é claro: “Ficam os estabelecimentos obrigados à execução semestral da limpeza e higienização dos reservatórios de água destinados ao consumo humano, bem como à realização de análise bacteriológica da água imediatamente após a limpeza.” Ou seja: não basta limpar, tem que comprovar. Para isso, o síndico deve buscar orçamentos de firmas registradas na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) ou de pessoas físicas capacitadas pelo órgão. É só acessar o site da fundação para encontrar os profissionais: http://www.inea.rj.gov.br/ fma/legislacao.asp. O Decreto Estadual de 1994 determina, ainda, que o resultado da análise bacteriológica atenda aos padrões estabelecidos pela Portaria n.º 36, de 19 de janeiro de 1990, no Ministério da Saúde. E, atenção, síndico! Sabe aquela pastinha com os documentos do condomínio? Nessas horas, ela é mais do que necessária. Os comprovantes originais da execução dos serviços de higienização e dos resultados das análises de água precisam ser arquivados pelo período mínimo de dois anos. Isso porque eles têm que ser apresentados à fiscalização da Feema sempre que solicitados.

A jovem síndica Renata Giorgi assumiu a função, em 2009, com uma difícil tarefa: reformar os reservatórios de água, que estavam totalmente danificados

Como é feita a limpeza? Orlando Sodré ratifica que a limpeza de qualquer tipo de caixa-d’água ou cisterna, seja ela de concreto, fibrocimento ou fibra de vidro, deve ser executada, pelo menos, duas ou três vezes por ano. É importante que o síndico acompanhe tudo de perto, afinal, estamos falando de saúde. Normalmente, a firma que vai prestar o serviço orienta o zelador a fechar os registros de entrada da rua para as caixas alguns dias antes. As empresas que fazem o serviço costumam atuar da seguinte forma: adiciona-se na caixa-d’água hipoclorito de sódio na proporção de quatro litros do produto para

cada mil litros de água. Os técnicos aguardam a reação por um tempo, que vai de quatro a seis horas. Depois desse período de repouso, esvazia-se completamente a caixa e, em seguida, ela é novamente cheia. “É importante que o síndico comunique aos moradores a paralisação do uso da água durante esse processo, para evitar transtornos.” O diretor da Rio Lisboa, empresa carioca do ramo de limpeza e manutenção de reservatórios de água, Gustavo Nonato Rodrigues, lembra que nas caixas elevadas dos edifícios e em outras com capacidade superior a 2 mil litros, existe um tubo de

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Orlando Sodré, engenheiro: “Depois da higienização dos reservatórios, é importante manter as tampas e os alçapões bem vedados e, se possível, com telas de mosquiteiro para impedir o acesso do mosquito da dengue”

drenagem conhecido como “ladrão”. O registro desse tubo deve permanecer fechado e o ideal é que seja manuseado apenas por técnicos qualificados, já que a abertura dele sem supervisão pode causar inundação no telhado, na laje ou no forro. Nonato, que atua na área há cinco anos, reforça que o trabalho da Rio Lisboa não se resume à parte técnica. “Nós temos biólogos na equipe que passam orientação aos síndicos sobre a forma correta de fazer a limpeza e a importância de observar periodicamente esses reservatórios, para assegurar a saúde de todos”, diz. Muitas vezes, revela, o problema é que o gestor do edifício desconhece o estado em que se encontram essas áreas. “Em certos casos, nós tiramos fotos e os síndicos se surpreendem com o grau de deterioração da cisterna ou da caixa-d’água.” Conforme a Diretriz para Concessão e Renovação de Certificado de Registro para Empresas de Limpeza e Higienização de Reservatórios de Água (DZ-351.R-2), as análises bacteriológicas só poderão ser

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executadas pelo laboratório da Feema ou por laboratórios credenciados ao órgão. As amostras de água para a análise deverão ser coletadas de quatro a oito dias após a higienização do reservatório, para encaminhamento ao laboratório. Essa avaliação deverá determinar o número de coliformes do grupo de bactérias que indicam com mais precisão o grau de contaminação por dejetos. É importante lembrar que os trabalhos de higienização e limpeza de reservatórios não poderão ser feitos concomitantemente com os de desinsetização e desratização. O engenheiro Orlando Sodré recomenda que as cisternas sejam limpas pelo processo de hidrojateamento, que garante um jato de água em alta pressão e/ou vapor sobre as superfícies das paredes e do fundo dos reservatórios, possibilitando a eliminação de focos do mosquito da dengue. Depois desse procedimento, as tampas e os alçapões das cisternas têm que ser mantidos bem vedados e, se possível, com telas de mosquiteiro, para evitar o acesso do mosquito Aedes aegypti.

Quando prevenir é o melhor remédio Com apenas 33 anos, a síndica Renata Giorgi, que comanda o condomínio Goya II, de oito andares, na Tijuca, se deparou, logo ao assumir o cargo, em 2009, com um problemão que poderia assustar até os mais experientes. Em vez disso, ela arregaçou as mangas e encarou o desafio: “Os reservatórios eram limpos de acordo com a legislação, mas esqueciam a manutenção. Com o tempo, a impermeabilização ficou comprometida, o emboço e a ferragem foram de deteriorando e, o pior, a tubulação da caixa de gordura e de esgoto se rompeu, atingindo a cisterna.” O resultado da negligência foi uma água contaminada com altos níveis de ferro, coliformes fecais e pH impróprio. A solução teve um preço alto, mas a síndica, que tem a ajuda da CIPA na gestão do condomínio, recebeu o apoio dos moradores. “Eles perceberam que era uma questão de saúde e concordaram que investíssemos


nessas reformas”, conta Renata, acrescentando que foram gastos cerca de R$ 50 mil (pagos em prestações) com a impermeabilização dos reservatórios, a troca da tampa da cisterna e sua vedação especial, a reforma geral das instalações e a substituição dos registros das caixas-d’água. O problema de Renata chama a atenção para uma questão importante: a limpeza deve ser feita por firma especializada. Isso porque, no momento da higienização, é preciso técnica específica para não danificar a impermeabilização. “Recomendamos que o síndico ou o zelador verifique semanalmente se há tampas quebradas, sobretudo após chuvas de granizo, já que isso pode favorecer a entrada de animais, como pombos, ratos ou baratas”, diz Nonato. É importante fazer, pelos menos, três orçamentos. Se o serviço for muito barato, desconfie. Os valores para a higienização de cisternas com capacidade de 60 mil litros e caixas-d’água de 20 mil litros ficam na faixa de R$ 300 a R$ 400, incluindo a análise da água.

Qualidade da água é assunto sério Não tão jovem quanto Renata mas tão bem disposto quanto ela, o síndico recém-reeleito Manoel Esteves de Oliveira, de 78 anos, também encarou uma situação complicada ao assumir, há dois anos, o cargo no Condomínio Moderno, onde mora, no Flamengo. “Esse é meu terceiro mandato. Fui síndico pela primeira vez há 24 anos, quando o prédio estava bem conservado, e resolvi me candidatar novamente depois de tanto tempo porque percebi que, depois de 50 anos sem manutenção, o edifício corria sério risco”, diz. Nascido em Portugal, seu Manoel não se deixa abater pela cansativa rotina à frente dos dois blocos – um com 12 andares e outro com oito, num total de 120 unidades – que já tiveram muitos problemas. “Antes de eu assumir, só se cuidava da portaria. Mas estava tudo caindo. O terraço, o telhado e as áreas de ventilação estavam praticamente desabando. A garagem, prestes a ser interditada, estava com as ferragens à mostra,

sem falar nas infiltrações.” E se você pensa que os problemas param por aí, ainda tem mais: “Das seis cisternas, três estavam arrebentadas. Quando recebi o resultado da qualidade da água, mandei lacrar na mesma hora. Trocamos parte da tubulação e substituímos duas caixas-d’água, ambas com as paredes precárias.” Do alto de sua experiência bem-sucedida, seu Manoel faz um alerta aos síndicos: “Água é questão de saúde. Antes de eu assumir, quem limpava as caixas não apontava se elas estavam deterioradas. Agora faço tudo como manda a lei”, orgulha-se o síndico, que preferiu não dizer o valor das obras. “Acompanho tudo de perto, estou cuidando também de meu patrimônio. Não cuidar da parte hidráulica do edifício é como ter um carro e não fazer a manutenção dele”, compara.

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Quem pode limpar?

Na mira da lei

Desde 1º de fevereiro de 2010, quando entrou em vigor o Decreto nº 42.159/09, a autorização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para funcionamento de empresas de limpeza e higienização de reservatórios de água com depósitos de até 50 metros quadrados de área deve ser feita por meio de uma Licença Ambiental Simplificada (LAS), cujo prazo de validade varia de quatro a dez anos. As características das instalações e as condições de operação, para esse tipo de atividade, constam dos capítulos 4, 5, 7 e 8 da Diretriz para Concessão e Renovação de Certificado de Registro para Empresas de Limpeza e Higienização de Reservatórios de Água (DZ-351.R-2). O custo da análise do requerimento da LAS para empresas de limpeza e higienização de reservatórios de água é calculado com base em tabelas aprovadas pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente, em 28 de janeiro de 2010. Para mais informações, acesse www.inea.rj.gov.br.

O Decreto Estadual 20.356, de 17 de agosto de 1994, veio regulamentar a Lei n.º 1.893/1991, que estabelece a obrigatoriedade de limpeza e higienização dos reservatórios de água para fins de manutenção dos padrões de potabilidade. Ele determina que a Feema é o órgão técnico de controle ambiental responsável pela fiscalização, mediante vistorias de rotina, em campanhas de prevenção de doenças de veiculação hídrica ou com base em denúncias feitas pelos usuários. De acordo como artigo 3º desse decreto, os condomínios são obrigados a executar, semestralmente, a limpeza e a higienização dos reservatórios de água destinados ao consumo humano, bem como realizar a análise bacteriológica da água imediatamente depois da limpeza. O resultado da análise bacteriológica deverá atender aos padrões estabelecidos pela Portaria n.º 36, de 19 de janeiro de 1990, do Ministério da Saúde. Sempre que julgar necessário, a Feema

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poderá intimar o responsável pelo estabelecimento a proceder à manutenção, limpeza e higienização dos reservatórios, bem como à análise da água, independentemente do transcurso do prazo de seis meses. O síndico deve afixar, em local de fácil acesso e de visualização pelo público, os seguintes documentos: a conclusão do laudo da última análise bacteriológica da água consumida realizada, que menciona o padrão de potabilidade; o nome do responsável pelo serviço de limpeza e higienização; e o telefone da Feema para consultas e denúncias sobre a água consumida.


Imóveis

Vendas

ESPECIALISTAS EM NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

Explosão imobiliária O que ainda vem por aí? conta da exploração do pré-sal. Com tudo isso, os imóveis das áreas nobres já se equiparam aos de Nova York, Paris e Tóquio. E não há nenhum sinal de que ficarão mais baratos nos próximos anos.

Estamos falando de bolha? Segundo especialistas, essa explosão imobiliária não tem natureza especulativa. A alta de preços não é motivada por fatores artificiais e deve prosseguir, pelo menos, até o meio da década. O que ocorre aqui não se assemelha ao que ocorreu em 2008 nos Estados Unidos, que derrubou não apenas o mercado como também bancos e bolsas internacionais. No Rio, cerca de 90% das compras são realizadas pelas pessoas que vão, efetivamente, morar nos imóveis. Portanto, não se trata – ainda – de um movimento especulativo provocado por investidores. No entanto, segundo Rogério Chor, diretor executivo da construtora CHL/PDG e presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o ritmo de majoração deve desacelerar e mesmo cessar em alguns bairros nobres,

como Leblon, Ipanema, Lagoa e Gávea, onde se verificaram as maiores valorizações. “Pequenas acomodações vão ocorrer, com estabilização em algumas vizinhanças, mas a tendência é que o aumento continue em espaços que estavam defasados”, avalia.

CJ - 1372/RJ

O ano de 2010 foi marcante para o mercado imobiliário: o cenário político-econômico do país positivo e a expansão do crédito, o aumento da renda média dos trabalhadores e a estabilidade da moeda foram fatores mais que suficientes para aquecer o mercado. Juntaram-se a isso os efeitos positivos da Copa do Mundo, das Olimpíadas e das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Pronto, o cenário estava completo. Essa conjunção de fatos culminou num aquecimento da construção civil e do mercado de compra, venda e locação de imóveis. As vendas explodiram, o que levou a uma valorização súbita das propriedades das principais capitais. Como é praxe nas economias de mercado, o setor é regido por um mecanismo clássico: a lei da oferta e da procura. Em 2010, os imóveis brasileiros registraram a terceira maior alta do planeta, atrás apenas dos de Hong Kong e de Cingapura. Já o Rio de Janeiro, animado com as Olimpíadas e a Copa, obteve uma valorização de até 380% nos últimos cinco anos. Sem falar nas empresas, que já estão reservando unidades para seus executivos em futuros empreendimentos imobiliários por

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atualidade

Saiba quais as regras legais para ocupar o cargo e veja dicas para manter-se nele Como todo jovem de sua idade, Tiago Eliseu Fares, de 25 anos, poderia estar apenas preocupado em concluir a faculdade e seguir uma carreira de sucesso na profissão escolhida. Mas o carioca, morador do Condomínio Universidade, administrado pela CIPA, na Tijuca, escolheu uma ocupação inusitada para sua faixa etária: ele é síndico. Eleito em dezembro de 2010, o rapaz, que terá uma série de desafios pela frente, não pensa em desistir tão cedo: pretende se candidatar novamente assim que o mandato de dois anos acabar. Tiago é o retrato de uma nova realidade nos condomínios cariocas. Os síndicos estão cada vez mais jovens, antenados com as tecnologias e preparados para lidar com pessoas. Jovens ou não, aqueles que assumem o posto mais importante em um condomínio precisam estar cientes de uma coisa antes de se candidatarem: o cargo exige muita responsabilidade. O advogado especializado em direito imobiliário e diretor jurídico adjunto da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges, dá dicas para quem, assim como Tiago, está encarando o desafio pela primeira vez: “É importante que o novo síndico obte-

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Síndicos no poder Tiago, de apenas 25 anos, assumiu o cargo de síndico na Tijuca em dezembro de 2010 e já pensa em se candidatar novamente

nha informações com seus antecessores, principalmente no tocante à conservação do bem comum e à gestão financeira.” E completa: “Ele deve reunir os empregados e apresentar sua metodologia de trabalho, preparando o pessoal para as mu-

danças que virão. É relevante ter contato com a empresa administradora e ser um profundo e cuidadoso leitor dos estatutos internos do condomínio (convenção e regimento interno). Enfim, ter temperança e bom senso no momento das decisões.”


Há quatro anos na função, Aluísio Vilela, 39 anos, teve como principal missão reverter o saldo devedor do condomínio de Jacarepaguá

Quanto tempo dura o mandato? Se você acaba de tomar posse, atenção: de acordo com o artigo 1.347 do Código Civil, o mandato não pode ultrapassar dois anos, sendo permitida a reeleição de forma indeterminada. Contudo, caso a convenção estabeleça limites para uma reeleição, tal regra deverá ser respeitada. Um mandato pode ser abreviado por renúncia, destituição ou impedimento comprovado do gestor, devendo haver cuidados para a análise de cada caso. Não existe uma época certa para que a eleição ocorra, mas é mais comum que os condôminos façam a escolha nos primeiros ou nos últimos meses do ano. Foi o que aconteceu com Tiago, que conta por que resolveu se candidatar: “Sou estudante de administração, trabalho na área de planejamento corporativo financeiro. Gosto da área administrativa e com a experiência financeira que tenho acredito que posso ajudar muito o condomínio.” Quanto à reação da família... “Meus pais ficaram receosos, mas me apoiam e dão sugestões, como sempre fizeram com os síndicos anteriores.” Perguntado se a pouca idade pode ser um complicador ao lidar com os desafios da função, o jovem síndico rebate: “No mundo em

que vivemos hoje, é fácil encontrar empresários, diretores e gerentes de grandes empresas com menos de 30 anos. Se essas pessoas têm o apoio de seus superiores, por que não podem ser síndicos? Nós temos competência, inteligência e motivação para superar qualquer tipo de obstáculo.” Os principais desafios na gestão do condomínio com 14 andares e 33 unidades são lidar com as finanças, incrementar o sistema de segurança e iniciar as reformas necessárias: “Apenas um mês e meio depois de assumir, tive problema com vandalismo, furto de lâmpadas e tubulação estourada. Agora as prioridades são regularizar a saúde financeira do condomínio e trocar as tubulações antigas. Mas precisamos de verbas”, diz, com voz de preocupação e esperança de que todas as obras necessárias sejam feitas em menos de dois anos. Um dos aliados na gestão do jovem administrador é a tecnologia. “Hoje não vivemos sem ela, já está no sangue. Criamos uma conta de e-mail para que qualquer sugestão, reclamação ou informação que os condôminos desejem transmitir chegue com rapidez por meu celular. Com isso, nossas decisões ficam muito mais fáceis.” ABR_MAI_JUN 2011

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Reeleição por procuração No Fala Síndico, evento bimestral gratuito promovido pelo Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) para tirar dúvidas de síndicos e moradores, uma das reclamações recorrentes são as reeleições consecutivas por meio de procurações. Afinal, esse artifício vale ou não vale? Marcelo Borges esclarece a questão. “Procuração é encargo de quem a recebe, razão pela qual não há ilegalidade em seu uso para a eleição de um síndico, salvo se a convenção dispuser em contrário. Se o uso foi efetuado de modo viciado, seja por forma ou procedimento, o caminho legal é a anulação da assembleia ou a tentativa de destituição do síndico, observando o ritual da convenção para tal mister.” O advogado explica ainda que uma pessoa pode se eleger em mais de um condomínio, exercendo a função nos dois lugares concomitantemente. Quanto à sindicatura profissional, uma modalidade comum atualmente, ele comenta: “Muitos são contra, acham que um síndico-morador, por conhecer a realidade de perto, pode ser mais eficiente. Mas isso é relativo. Há síndicos profissionais qualificados e extremamente competentes para representar um condomínio. A comunidade, no entanto, deve pesquisar referências, estar atenta ao perfil do candidato. Todavia, entre um condômino e uma pessoa externa com a mesma competência prefiro o primeiro, pois o vínculo patrimonial pode pesar nas decisões mais céleres.”

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Remuneração e relação com a administradora De acordo com o especialista da Abadi, a lei não aborda a remuneração do síndico, devendo tal assunto ser resolvido em assembleia ou convenção. “Sou contrário à remuneração através de isenção do pagamento da cota condominial, pois em condomínios com frações diferenciadas para cobrança das obrigações condominiais, tal critério confere injustiça e tratamento diferenciado. O ideal é a fixação de um valor,

com a devida forma de reajuste, assim todos terão o mesmo tratamento.” O síndico recém-eleito deve estar ciente de que a administradora pode ser seu braço direito. “Durante o exercício do cargo, a empresa deve estar afinada e sempre atualizada com as normas que interagem num condomínio edilício, cumprindo seu contrato com correção, ética, probidade e profissionalismo”, sugere Borges.

Administrando o bem comum O administrador de empresas Aluísio Vilela, de 39 anos, assumiu a função de síndico do condomínio Solar Virgínia, em Jacarepaguá, administrado pela CIPA, há quatro e, por causa das bem-sucedidas gestões, pretende encarar o desafio nos próximos anos. Ele conta como foi o início da empreitada no prédio de três andares e 12 apartamentos: “Ao ser eleito, minha primeira medida foi tentar reverter o sal-

do devedor e montar um projeto de reestruturação, acertar algumas pendências com fornecedores, repor todo o material de combate a incêndio, fazer a pintura interna e externa do condomínio e lavar as caixas-d’água e a cisterna.” A vontade de trabalhar rendeu ao síndico a admiração dos moradores. “Logo que mudei para o condomínio, em 2006, percebi que faltava pulso forte para colo-


Fui eleito. E agora, o que devo fazer? car ordem na casa. Mesmo sabendo que teria que encarar um elefante branco, me candidatei. Hoje me sinto útil e percebo que os proprietários se orgulham de minha gestão. Pretendo ser síndico enquanto morar no condomínio ou enquanto estiver agradando.” Não tão jovem mas com uma disposição de fazer inveja, a síndica Maria Thereza Mauri, de 76 anos, cuida de dois condomínios: o Anádia (Laranjeiras), há 19 anos, e outro no Cosme Velho, o Ladeira do Ascurra, há 14. Ela revela como tudo começou. “Moro no prédio da Rua General Glicério há 26 anos e, mesmo antes de ser síndica, comparecia a todas as reuniões de condomínio. Acho importante a gente participar, cuidar de nosso patrimônio”, conta a gestora, que resolveu se candidatar quando percebeu que as coisas iam mal. “Havia muitos problemas quando assumi: o prédio precisava de manutenção, não havia dinheiro, a inadimplência estava alta, não se economizava para eventualidades”, relembra Maria Thereza, que, antes de ocupar o cargo, havia trabalhado durante 15 anos como funcionária de uma administradora de condomínio. “Aproveitei aquele aprendizado. Já lidava com atas, fornecedores, com os problemas diários dos condomínios. Tinha vivência nesse tipo de administração.” Com habilidade, a síndica foi aparando as arestas e colocando tudo em ordem. Reservada, ela é comedida na hora de falar do sucesso: “Não gosto de me elogiar. Só digo que se não funcionasse não estaria no cargo durante todo esse tempo, em dois edifícios.”

As atribuições e competências de um síndico estão dispostas nos incisos I a IX do artigo 1.348 do Código Civil, a seguir transcritos: Art. 1.348. Compete ao síndico I. convocar a assembleia dos condôminos; II. representar, ativa e passivamente, o condomínio, praticando, em juízo ou fora dele, os atos necessários à defesa dos interesses comuns; III. dar imediato conhecimento à assembleia da existência de procedimento judicial ou administrativo, de interesse do condomínio; IV. cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as determinações da assembleia; V. diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessem aos possuidores; VI. elaborar o orçamento da receita e da despesa relativa a cada ano; VII. cobrar dos condôminos as suas contribuições, bem como impor e cobrar as multas devidas; VIII. prestar contas à assembleia, anualmente e quando exigidas; IX. realizar o seguro da edificação.

Novo perfil do síndico Não existem dúvidas: administrar condomínios é uma atividade cada vez mais complexa. Afinal, um edifício é uma caixa de surpresas. Os moradores também estão mais exigentes. Por isso, os síndicos do século XXI estão mostrando que é importante saber negociar e ter jogo de cintura para lidar com o principal desafio: intermediar as relações humanas. Cada vez mais jovens e antenados, eles estão ligados em informática, tecnologia, finanças e direito. Especialistas no segmento garantem: o síndico moderno é um verdadeiro gestor de condomínio, devendo estar atento às ferramentas tecnológicas colocadas à disposição para a administração eficiente. Mas isso não basta: é fundamental conhecer o perfil da comunidade representada, buscando aperfeiçoamento e atualização. Cursos voltados para as áreas de legislação tributária, trabalhista, cível e penal que envolvem o cotidiano de uma administração condominial edilícia são imprescindíveis. Atenção também à comunicação, que é a bola da vez. O síndico deve ser criativo no contato com os demais moradores, lançando mão de livros de ocorrências, comunicados, circulares, correios eletrônicos etc. Mas é importante ter a consciência de que um bom representante deve sempre priorizar o contato pessoal, pois está lidando com seres humanos e emoções.

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23 de abril Dia do Síndico e aniversário da CIPA Os síndicos são aquelas pessoas que abdicam de seu tempo para proporcionar bem-estar a uma comunidade. Isso, como diria um comercial de TV, não tem preço. Estamos falando de pessoas que estão à frente dos condomínios em busca de soluções para diversos tipos de questão inerentes ao dia a dia da coletividade. E é nessa busca, nesse empenho, que todos os moradores saem ganhando: o patrimônio de cada um e o prédio, num todo, ficam bem valorizados. Não é o que todos querem? Ver seu patrimônio com bom valor de negociação? Pois é, os síndicos realmente merecem nossos parabéns. Não só por seu dia, comemorado em 23 de abril, mas por toda a sua dedicação ao cargo que ocupam. Esse dia também é o dia do aniversário da CIPA. Em 2011, o Grupo CIPA completa 57 anos. São anos de muita experiência e dedicação em bons serviços prestados. Essa coincidência demonstra que essa parceria nasceu para dar certo mesmo. A CIPA está com você, síndico, lhe dando suporte em todos os momentos de sua administração, até mesmo na hora de comemorar. Ainda bem que a CIPA faz parte de sua história, não é mesmo? Trabalhamos dia a dia para oferecer soluções rápidas e eficientes para suas necessidades.

A você, síndico, nossos parabéns pelo seu dia!

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ARTE

por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

O primeiro museu de artes plásticas em Tiradentes O Instituto Mário Mendonça (IMM) foi inaugurado no dia 19 de janeiro, data escolhida para celebrar também a fundação, em 1718, da Vila de São José Del Rei, hoje Tiradentes. O museu/ateliê/residência do artista, a Quinta das Pitangueiras, fica ao lado da Igreja das Mercês, no centro da cidade abençoada pela Serra de São José. Mário, um contador de histórias em tintas e palavras, lembra: “Na infância, estudei em Belo Horizonte e na década de 1960 descobri Tiradentes. A paixão foi imediata e irremediável, estamos perto de completar bodas de ouro. Comprei uma pequena casa em um terreno medido em litros de terra, cerca de 14 mil metros quadrados. Continuei meu caminho impressionado pelas montanhas de Minas, fascinantes, impotentes, enigmáticas, impressionantes em sua serena beleza, mudas e cheias de sons e vozes, milagres da natureza divina.” A festa do dia 19 foi animadíssima – céu claro sem chuva, com a participação mais que especial da Folia de Reis São Sebastião de Tiradentes, muitos convidados, o Quinteto Ressonare tocando maravilhas 44

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“Educar pelo olhar – esse é o objetivo. As crianças são o público principal. Hoje imaginei um coração de fios de ouro, com os nomes de todos os queridos que me ajudaram, sendo levado para Deus. O sonho atingido continua... Agora vamos beber e nos alegrar.” (Mário Mendonça)

“Trabalhei alegremente para a realização deste sonho.” (Clélia Mendonça)

no palco de arena ladeado pelas esculturas de drama e tragédia desenhadas por Mário. Tiradentes estava feliz porque naquele dia abria-se ao público um espaço repleto de obras de arte. Nos jardins da Quinta, as séries “Pássaros” e “Penas”, compostas por esculturas inéditas de aço-carbono in natura e coloridas de Ricardo Carvão, paraense de nascimento radicado em Belo Horizonte, um dos grandes nomes da escultura mineira e sobrinho do mestre Aluísio Carvão, encantavam. O acervo do instituto é formado por cerca de mil peças (óleos, desenhos, esculturas, guaches e aquarelas) de autores nacionais e internacionais, como Picasso, Di Cavalcanti, Carybé, Aluísio Carvão, Guignard, Pancetti, Marcier, Tarsila do Amaral, Eliseu Visconti, Evandro Carneiro, Ivan Serpa, Scliar, Vladimir Machado e Serpha Coutinho, e de uma retrospectiva da obra de Mário Mendonça, um dos maiores nomes, no Brasil, da arte sacra contemporânea. (Suas paisagens, a série “Quixotes”, os retratos e autorretratos apontam para um artista pleno, apaixonado, dono de som-


bras e cores.) No instituto, além de contar com uma biblioteca de quase três mil títulos (com predominância de livros de artes plásticas e muita literatura brasileira), o visitante pode apreciar uma parte dos trabalhos realizados por Mário em cinco décadas de pintura, já que centenas de obras saíram de seu ateliê para se espalhar pelo país e pelo mundo em museus, igrejas, instituições culturais e coleções particulares. “Em meio à década de 1990, ao término de uma depressão, renasci liberto das cores sombrias e tendo a revelação da cor em sua plenitude. São pedaços de minha alma. Para elas, peço o carinho de seu olhar.” A primeira exposição individual ocorreu na década de 1960 e foi apresentada pelo embaixador Paschoal Carlos Magno, patrono das artes no Brasil, que, sobre Mário, escreveu: “Ele é, no momento, um pintor irmão, daqueles que deixam sua passagem pelo mundo povoando altares, sacristias, paredes conventuais, adros de monastérios, salas de museus com a vivência de sua arte como tema, como substância, como definição.” Anos depois, em 1979, ao visitar o Museu de Arte Abstrata Espanhol na cidade de Cuenca, criado nas casas colgadas entre 1950 e 1960 por Fernando Zóbel e seus companheiros da pintura abstrata com o apoio da Prefeitura da cidade (as casas, que estão sobre penhascos no alto de uma

montanha, foram habitadas entre os séculos XV e XVIII; hoje, modernizadas, têm as características originais mantidas), o artista pensou: “Por que não fazer algo similar em Tiradentes?” Mais um voo no tempo e, em 1992, Mário e Clélia (sua companheira há 57 anos e presidente do instituto) visitaram a coleção da revista Reader’s Digest nos Estados Unidos – uma linda mansão no meio de uma floresta, em cujos corredores e escritórios podem ser vistos Modiglianis, Chagals, Picassos, Van Goghs, Monets e esculturas de Giacometti. “O pensamento na cidade de Cuenca voltou forte e em um momento propício para a semente germinar.” Há uns 10 anos,” conta o artista “iniciei a realização do sonho. Nós, pintores, temos facilidade de trocar obras e, assim, comecei a formação do acervo. Quando o mundo da arte tomou conhecimento do projeto, começaram a chegar inúmeros oferecimentos. O Brasil, naquela época, tentava colocar a economia em ordem, e a arte estava em baixa. Consegui também readquirir vários quadros meus que, com a morte de seus colecionadores, acabavam em leilão para que o produto da venda fosse dividido entre os herdeiros. A cidade de Tiradentes me deu tudo: sua beleza, paisagens, a grande Serra de São José (que significa para mim o que a Montanha Santa Vitória significou para Cézanne), as

“Que presente! Muito obrigado. A cidade ganha hoje uma Mega-sena.” (Nílzio Barbosa, prefeito de Tiradentes)

“Agradeço muito porque, principalmente, é um exemplo. O verdadeiro colecionador compartilha seu acervo. Mário Mendonça entra na galeria das maiores personalidades de nosso país.” (Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto e presidente do Conselho do IMM)

“O fato de Mário sonhar e concretizar o sonho encanta a todos. São beneficiários diretos do sonho justo e profícuo os visitantes e felizes moradores de Tiradentes, que têm no instituto a possibilidade de compartilhar o belo e o valioso, o irreal e o mágico.” (Ricardo Cravo Albin, conselheiro do IMM) ABR_MAI_JUN 2011

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Condomínio

Acervo primoroso

Aloísio Carvão Castagneto

Guignard

Kaminagai

Ivan Serpa

igrejas barrocas, o casario, o povo afável... Um lugar onde viver, um lugar onde morrer. Chegou a hora da retribuição.” E a gratidão se manifestou na forma de um museu, com salas dedicadas a pintura brasileira contemporânea, com especial destaque para as de Eméric Marcier, que lhe apontou Tiradentes na década de 1960; a esculturas, como as de Rosa Bonheur e Evandro Carneiro; a desenhos de artistas nacionais e estrangeiros, ponto alto do acervo; a Aluísio Carvão, com peças particulares do mestre e amigo e seus geniais estudos para uma nova logo da CIPA; em seu ateliê, há paisagens, desde a primeira (1963) até a penúltima (2010), e autorretratos (“Sou Eu Desnudado”); ícones da arte sacra, retrospectiva a partir da década de 1960; a Capela Nossa Senhora das Graças, com uma Paixão pintada por Mário quando completou 70 anos, belas esculturas de artistas da região e ícones russos,

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Milton Dacosta

Volpi

búlgaros, gregos e de Jerusalém, um deles do século XVI; um paço com telas de outra Paixão, de Mário; um salão de arte abstrata; e na sala de jantar, suas Ninfeias, em homenagem a Monet. Ângelo Oswaldo de Araújo, prefeito de Ouro Preto e ex-secretário de Cultura do estado de Minas Gerais, é o presidente do Conselho do IMM [ver box com a relação dos conselheiros]. Segundo ele, “as atividades que o museu vai estimular e a atração de novas peças ampliarão sempre o interesse do público. Na origem da bela iniciativa está o desejo de compartilhar generoso entendimento de que a arte não se acumula sem comunhão.” O Instituto Mário Mendonça está aberto ao público de quinta a domingo, e os interessados devem agendar visita na Secretaria Municipal de Turismo de Tiradentes. Para mais informações, o telefone é (32) 3355-1212.

“Toda a produção cultural é para unir pessoas. Pintores, padres, escritores, ourives se reúnem aqui em função do bel e graças a Mário Mendonça e a sua decisão de educar pelo olhar, ideia que deveria ser a logo do instituto. Tiradentes e o Brasil crescem com esse novo espaço. Não obstante os grandes nomes da pintura e da escultura, a sala dedicada ao amigo Aluísio Carvão me deixa muito emocionado. Quando eu, Mário e ele vínhamos a Tiradentes, há 40 anos, apreciávamos tudo – as cores do barro, as músicas (era minha função escolher o repertório) que nos acompanhavam na estrada e nas idas ao alto da Serra de São José até o cair da tarde.” (Padre Max, cujo nome está pintado em um dos quartos da casa)

“Fiz parte desse trabalho desde o início – sinto-me parte do sonho. Passei a sonhar junto com ele, pessoa que é referência em minha vida.” (Raphael Ornella, diretor executivo do IMM)


“Foi fantástico ter conhecido Mário Mendonça, uma pessoa de enorme carisma. Criamos uma simbiose interessante – arte e amizade. Sonho com ele, acordo pensando nele, nas atividades espíritas ele me vem. Quando estou com dificuldades, ele sonha comigo.” Mário Mendonça

(Maurício Witthinrich de Mattos, moldureiro)

“Pelo esforço empreendido, Mário merece a reunião de todos os amigos. Parabéns.” (Yrapuan, advogado e amigo)

Mário Mendonça

“A atitude do Mário é espetacular. Ele é um artista de primeira e uma pessoa exemplar. Vou fazer o mesmo na Fazenda Monte Alegre.” (Gabriel Fonseca, artista plástico)

“Para nós, netas, que crescemos indo todos os anos a Tiradentes, sabemos o quão importante foi a construção e finalização do museu. Eu vejo em meu avô a alegria que aquela casa dá a ele, todos os momentos especialíssimos. Cada Páscoa, cada almoço, cada mergulho na piscina ou cada reunião da família e dos amigos ao redor da mesa. Com o passar dos anos, muito foi sendo acrescentado à casa, muito foi melhorado, porém, sempre mantendo o estilo aconchegante que o lugar proporciona. O museu era claramente o que faltava para que a casa de um superartista ficasse completa. Sempre vi meu avô como um grande homem, que tem a vontade de ajudar o próximo em primeiro lugar. Suas atitudes são sempre muito humildes, dando abertura a todos. E não foi diferente com o museu, que já teve em sua inauguração a exposição das esculturas do sobrinho de seu grande amigo Carvão. Tenho muito orgulho de ser sua neta e fiquei muito feliz em ver nele a felicidade que essa inauguração trouxe e ainda trará a toda a família Mendonça. Já vivemos muito naquela casa e ainda temos muito o que viver. Vô, parabéns! Você merece. Te amo, beijos, Aninha.” (Ana Paula Mendonça)

Ícone russo do século XVI

Escultura de Evandro Carneiro ABR_MAI_JUN 2011

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A inauguração do Instituto Mário Mendonça, a nossos olhos de netas, surge como símbolo de duas artes dominadas por nosso avô. Em matéria de artes plásticas, o Instituto Mário Mendonça atingiu algo de verdadeiramente fantástico: Rosa Bonheur saúda a musa de Guignard que, por sua vez, espia as formas soltas das mulheres de Picasso que, com curiosa harmonia, convive com os mestres brasileiros: Di Cavalcanti, Djanira, Portinari, Tarsila do Amaral e tantos outros que nos tira o fôlego citá-los... Nesse sonho, todos se curvam ao legado de nosso grande Carvão, que nos conduz por coloridos laços fraternos à obra de nosso avô, não antes sem fazer uma parada na moradia abstrata de Zaluar, sob a bênção dos ícones russos. É nesse momento dessa fantasia que, ao percorrer os trajetos traçados pelas celebradas pitangueiras de nossa Quinta, depara-se com a monumental obra de nosso avô, que convida todos à transcendência – e que não teremos a audácia de comentar, até mesmo porque a modéstia do sobrenome nos impede... No entanto, a inauguração desse novo espaço não representa somente uma celebração das artes plásticas, mas algo maior. Quem conhece o ilustre Mário Mendonça sabe de suas paixões. Em sua casa, as melhores garrafas de vinho são apreciadas não só com a paleta, mas com o coração – lição devidamente traduzida às netas: as alegrias da vida devem sempre ser compartilhadas. Alegria esta que, de fato, compartilhamos com nosso avô em inúmeros e inesquecíveis feriados na mágica Quinta das Pitangueiras e assim hoje desfrutamos de inestimáveis recordações dos momen-

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tos vividos em Tiradentes. Portanto, temos a inauguração do Instituto Mário Mendonça como uma oportunidade de dividir com cada visitante a essência indecifrável desse lugar, onde o tempo e a realidade parecem ficar suspensos, cujo encantamento chega mais perto de ser desvendado através da obra de seu criador. Essa mesma alegria pela vivência conjunta inspira a inauguração do Instituto Mário Mendonça que, por sua vez, abre os braços para o público para desvendar os tesouros que o integram. A iniciativa de congregar pessoas em torno da arte, de prover acesso a todos à experiência de confronto com a própria humanidade que a arte proporciona e, ao mesmo tempo, a descoberta da história da arte brasileira denota a sabedoria de que a arte se presta a algo maior, de que o ser humano se define a partir do outro e dele necessita – enfim, essa iniciativa é símbolo da grande arte que é o viver. Nós, netas, gostaríamos de nos valer dessa oportunidade para agradecer a nosso avô e nossa avó todas as lições de vida que nos passaram e o grande presente que é o Instituto Mário Mendonça. E, por fim, para convidar todos a desfrutá-lo. Fabiana, Victoria, Júlia, Paloma, Natasha e Ana Paula Mendonça Rio de Janeiro, 23 de março de 2011.

Conselho do Instituto Mário Mendonça Presidente Ângelo Oswaldo de Araújo Santos Ana Maria Martins Ana Maria Parson’s Antônio Carlos de Andrada Antônio Fantinatto Neto Arnaldo Niskier Aristóteles Drummond Dalma Alves Eros Roberto Grau Flávio Lemos Carsalade Galeno Martins de Almeida Gilberto Martins de Almeida Heloísa Aleixo Lustosa Padre José Nacif Nicolau Luiz Paulo Horta Maurício Magalhães Carvalho Oscar Araripe Ricardo Cravo Albin Sérgio Paulo Rouanet Vera Mancini Peixoto Vitória Gomes


Opinião Por Wanja Antunes

Que medida para economizar água seu condomínio já adotou? Sou síndico há cerca de nove meses e lembro que o síndico anterior fez uma vistoria nos apartamentos com um bombeiro, na qual trocou reparos e consertou alguns vazamentos, mas não tínhamos nenhuma ocorrência muito significativa. Ele também chegou a fazer uma análise para colocarmos hidrômetros individuais, mas a engenharia do prédio não favorece esse tipo de mudança, a obra seria muito cara. Instalamos, há pouco tempo, um bloqueador de ar logo na saída do hidrômetro, mas também não sentimos muita diferença na conta, apenas 3%. Pelo que li numa reportagem, estamos dentro da média do consumo para um prédio com 16 unidades; nossa conta fica em torno de R$ 1.700 por mês. Paulo Roberto Camilo Silva - Condomínio Passos VI

Nosso regulamento interno não permite a lavagem de carros. Até porque não é justo quem não tem carro pagar a lavagem dos outros. Só isso já assegura uma conta não muito alta. Em minha gestão, tivemos um problema: tanto o porteiro noturno quanto o zelador perceberam que a bomba estava sendo acionada com muita frequência, o que não é normal. Eu e o zelador fizemos uma vistoria nas 20 unidades do prédio e nada acontecia de anormal. Descobrimos, pelo barulho na casa de uma moradora, que o imóvel fechado acima do dela é que apresentava problemas. Chamamos o responsável pela unidade e percebemos que ele havia estado lá dois dias antes e usado a descarga, que ficou disparada. O conserto foi feito, mas o acréscimo na conta foi de R$ 700. Pagamos normalmente R$ 1.500. Vera Lúcia Castro - Condomínio do Ed. Olímpio

Nossa conta chegava a R$ 3.700. Então comecei a fazer vistorias com um bombeiro em cada uma das 35 unidades. De seis em seis meses, verificamos torneiras, descargas e vazamentos em geral. O condomínio paga tudo que for necessário, ainda assim sai lucrando. Atualmente, nossa conta fica em torno de R$ 2.700. Outra coisa que faço: quando falta água (e volta e meia falta por aqui), não aviso a ninguém, pois senão todo mundo enche balde, panela, tanque, banheira e depois joga tudo fora. É melhor chamar um caminhão-pipa, se for o caso. Já fiz isso várias vezes, e nunca faltou água para ninguém. Brasileiro desperdiça muita água, menos os nordestinos – e eu sou um deles –, que sabem a falta que a água faz. Antônio Alves de Matos - Condomínios Nau Santo Antônio e Nau São João

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História por Milton Teixeira

Avenida Atlântica

40 anos de sua duplicação A primitiva avenida foi imaginada como reles rua de serviço em 1904 pelo prefeito Pereira Passos. A abertura de outros logradouros na cidade e obras noutros tantos postergaram sua ampliação por mais de um ano. Somente em 29 de outubro de 1905, foi tomada a decisão de abrir mais essa avenida para a cidade, e, no mesmo dia, o próprio prefeito Pereira Passos e outros engenheiros foram fiscalizar a orla de Copacabana. Apenas com alguma conversa, o prefeito conseguiu que vários proprietários

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cedessem parte de seus lotes, sem ônus para a municipalidade, com o fito de viabilizar esse grande melhoramento. Na mesma ocasião, o prefeito sugeriu o nome de Avenida Atlântica, que foi logo aceito. Finalmente, através do Decreto Municipal nº 561, de 4 de novembro de 1905, foram aprovados os planos e dado início à obra, que ficou a cargo do engenheiro José Américo de Souza Rangel, também autor do projeto final. A Avenida Atlântica só possuía quatro metros de largura, ser-

vindo apenas para pedestres. Pudera, em 1906, tínhamos apenas 153 automóveis na cidade. Em 5 de abril de 1906, os trabalhos foram multiplicados para que se pudesse terminá-la ainda no mandato do prefeito Passos, e em 29 de julho do mesmo ano, o primeiro trecho foi entregue ao público. Entretanto, o ritmo das obras não pôde ser mantido, e a avenida só foi completada em 1908 pelo prefeito Souza Aguiar. Com o incremento do trânsito pela orla e a moda dos banhos de mar, a avenida se


tornou pequena, motivo pelo qual foi ampliada para 19 metros de largura em 1910/11 pelo prefeito Bento Ribeiro, que não conseguiu completá-la integralmente. O prefeito Paulo de Frontin a melhorou em 1918/19, quando foi toda refeita. Pelo Recenseamento Geral de 1920, a Avenida Atlântica possuía 116 prédios, sendo 32 térreos. O mais alto edifício tinha então apenas quatro pavimentos. Em duas ocasiões – 1921/22 e 1924 – a famosa avenida foi atingida por forte ressaca, de modo que teve que ser reconstruída, dessa vez com grosso alicerce de concreto. Nessa última data, foram erguidos os primeiros postos de salvamento, de concreto e tijolo, os quais acabaram por balizar a praia e servir como ponto de encontro para as diversas “tribos”. De 1969 a 1971, foi duplicada pelo governador Negrão de Lima, segundo sugestão do arquiteto Lúcio Costa e projeto do engenheiro Raimundo de Paula Soares. Na ocasião, colocou-se sob o calçadão central o Interceptor Oceânico da Zona Sul, a maior obra de esgotos até então efetuada na cidade.

As calçadas de mosaico de pedras portuguesas foram desenhadas por Roberto Burle Marx, que se utilizou d de três cores – preta, branca e vermelha – para representar os povos que formaram nossa etnia. O desenho abstrato foi imaginado para ser percebido de avião, à exceção do da orla, que reproduz o antigo mosaico ondulado imitado de Portugal. Quando da fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, foram construídos os atuais postos de salvamento, projetados em linhas aerodinâmicas pelo arquiteto Sérgio Bernardes. Em 1988, a administração Saturnino Braga plantou coqueiros na areia para suavizar a paisagem e, em 1992, a orla foi refeita pelo prefeito Marcelo Alencar, que proibiu a prática de estacionamento, construiu uma ciclovia e inaugurou quiosques de alimentação. Atualmente a orla da Av. Atlântica passa por melhorias, com a implantação do projeto Rio Orla e a construção de quiosques modernos, projetados pelo designer Guto Índio da Costa. ABR_MAI_JUN 2011

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jurisprudência

Veja o que acontece em nossos tribunais 0119161-65.2001.8.19.0001 (2009.001.55008) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. SÉRGIO JERÔNIMO A. SILVEIRA - Julgamento: 4/11/2009 - NONA CÂMARA CÍVEL Ação indenizatória. Danos materiais e morais. Infiltração no apartamento da parte autora proveniente de vazamento de rede de esgoto do condomínio réu. Proliferação de insetos, ratos e baratas. Solicitação de perícia da Vigilância Sanitária pela parte autora. Demora na solução por parte do réu. Realização de obras pelo condomínio réu para troca de barbarás. Posterior realização de obras no apartamento da parte autora, com sua transferência para outra unidade do condomínio também afetada pelos vazamentos e infiltrações. Perícia de engenharia. Alegados transtornos de saúde. Perícia médica. Comprovado nexo causal entre os tratamentos médicos realizados pela parte autora e a situação sanitária do condomínio. Impugnação parcial do laudo pericial de engenharia por ambas as partes. Respostas do perito. Sentença de procedência parcial. Danos materiais que deverão ser apurados em sede de liquidação de sentença. Danos morais fixados em R$ 4.000,00 para cada um dos autores. Parte ré que deseja a improcedência dos pedidos autorais ou, em assim não se entendendo, seja reduzido o quantum indenizatório. Recurso adesivo da parte autora pugnando pela majoração do quantum indenizatório. Recursos conhecidos. Negado seguimento a ambos, na forma do disposto no artigo 557, caput, do CPC. Sentença que se mantém na íntegra. 0028528-37.2008.8.19.0203 (2009.001.34377) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. ALEXANDRE CÂMARA - Julgamento: 30/6/2009 - SEGUNDA CÂMARA CÍVEL Direito civil. Demanda de compensação por danos morais. Narrativa de demandas judiciais movidas pelo autor em ata de assembleia. Réus que se defendem alegando que o condômino ajuizou 14 demandas tendo o condomínio e seus administradores como réus. Assembleia que decide que o condomínio arcará com as despesas processuais das demandas movidas contra as pessoas naturais, por entender que estas são correlatas à atuação dos réus como administradores. Sentença de improcedência. Manutenção. Inocorrência de dano moral. Conflito deduzido em juízo que não se afasta do contexto de uma relação entre condôminos, condomínio e síndico. Recurso a que se nega seguimento liminarmente.

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0000791-41.2008.8.19.0209 - APELAÇÃO 1ª Ementa. DES. HENRIQUE DE ANDRADE FIGUEIRA - Julgamento: 24/3/2010 DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL Consumidor. Responsabilidade civil. Prestação de serviço de manutenção de elevadores. Rescisão contratual. Inclusão do nome do consumidor nos cadastros restritivos de crédito. Dano material. Dano moral. Ação indenizatória de reparação por danos material e moral decorrente da falha na prestação de serviço de manutenção preventiva mensal dos elevadores do condomínio autor. Existe falha na prestação do serviço pela ré, que não executa a manutenção dos elevadores conforme se obrigou no contrato, a ensejar a cobrança da multa. Impossível compensar a multa com a mensalidade sem a concordância das partes, de vez que não pode a parte dispor do direito da outra contratante. A falta de pagamento das mensalidades previstas no contrato de prestação de serviço autoriza o credor a incluir o nome do devedor nos cadastros restritivos de crédito. A inexistência de ato ilícito impede a reparação do dano moral. Recurso provido em parte. 0164845-66.2008.8.19.0001 - APELAÇÃO - 1ª Ementa. DES. LUIZ FELIPE FRANCISCO - Julgamento: 24/8/2010 - OITAVA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Rito sumário. Ação de cobrança. Danificação de porta pantográfica de elevador do condomínio por preposto da ré, ora apelante. Responsabilidade civil objetiva por ato de preposto, na forma do artigo 933, do Código Civil. Nexo de causalidade inconteste. Desprovimento do recurso.

0023959-14.2008.8.19.0002 (2009.001.66334) - APELAÇÃO - 1ª Ementa. DES. ROGÉRIO DE OLIVEIRA SOUZA - Julgamento: 24/11/2009 - NONA CÂMARA CÍVEL Direito civil. Condomínio. Vaga de garagem. Suposto uso em desacordo com a convenção condominial. Não comprovação do evento danoso. Mero dissabor. Afastamento da verba compensatória. Ônus sucumbencial na forma do artigo 21 do CPC. Conhecimento e provimento do recurso. A jurisprudência moderna sustenta a legitimidade ativa dos condomínios para postular verba compensatória. Essa orientação decorre da posição que tais entes vêm alçando na sociedade moderna e da interpretação dos artigos 1.348, inciso II, do Código Civil, e 22, § 1º, alínea a, da Lei nº 4.591, que lhes conferem pertinência subjetiva à "defesa dos interesses comuns". Depósito de objetos em vaga de garagem que não se revelou hábil a denegrir a aparência do condomínio perante visitantes ou pretensos compradores nem o tornaram insalubre, tanto que não foi realizado nenhum serviço de dedetização no período referente ao litígio. Supostos prejuízos aos demais condôminos igualmente não demonstrados. A previsão de convenção condominial a uso exclusivo da vaga por carro de passeio não pode ser interpretada de modo inflexível, porquanto estacionar motocicleta no local em nada desnatura o uso da referida unidade. Meros desentendimentos e chateações do dia a dia, possivelmente solucionáveis em âmbito interno daquela coletividade por simples aplicação de multas, que não configuram dano moral.

Ante o afastamento da pretensão indenizatória, os ônus sucumbenciais devem ser fixados na forma do artigo 21 do CPC. Conhecimento e provimento do recurso. 0004713-97.2006.8.19.0003 (2008.001.04695) - APELAÇÃO - 1ª Ementa. DES. SIRLEY ABREU BIONDI - Julgamento: 6/3/2008 DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL Ação indenizatória. Reparação de danos morais e materiais. Loja pertencente a autora, situada no interior de um shopping center. Responsabilidade civil atribuída ao condomínio, alegando a autora, certeza quanto a furto de bens diversos que estavam no interior da loja de sua propriedade, tendo sido indevido o arrombamento da porta principal do estabelecimento para ser feita uma dedetização no local. Ausência dos seus requisitos configurados, notadamente o ato ilícito. Comprovação pelo condomínio réu que a loja se encontrava fechada desde 2003 sem assepsia, sendo frequentada por insetos, incluindo ratos, o que fez necessário o arrombamento a fim de preservar a higiene do local (infestação de ratos e baratas). Não comprovação a respeito dos bens que estariam na unidade comercial pertencente à autora. Ônus que lhe cabia, a teor do disposto no art. 333, I, da Lei de Ritos. Recurso manifestamente improcedente. Questão amplamente debatida nas câmaras cíveis, inclusive perante a Décima Terceira Câmara Cível, o que autoriza o exame e a decisão de plano pela relatoria, nos termos do art. 557, caput do CPC, razão pela qual NEGO SEGUIMENTO AO RECURSO, mantendo na íntegra a douta sentença recorrida.

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Comportamento por Renata Fernandes

Resolução de conflitos: como lidar com problemas entre vizinhos? O engenheiro Rinaldo Cardoso passou maus bocados por causa de uma infiltração que começou no apartamento de seu vizinho de cima e acabou manchando todo o teto do banheiro de seu apartamento, no condomínio Portal da Barra, na Barra da Tijuca. Foram inúmeras as tentativas de acordo, mas, mesmo depois de um ano e meio de espera, da constatação de que o problema era de responsabilidade do morador de cima e de momentos de tensão em que uma goteira interminável alagava o chão do banheiro, o vizinho não cedia e não pagava o conserto. “Já sabíamos que era um conserto simples. Estava infiltrando água pelos azulejos do boxe e ele precisava colocar a manta. Depois de quase dois anos, ele fez o procedimento, mas não concordava de jeito nenhum em reparar os estragos da infiltração em meu apartamento”, lembra.

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Carlos Henrique de Souza, do Palazzo di Florena, na Tijuca, resolveu a briga de dois moradores conversando com os envolvidos

Quando Rinaldo estava prestes a entrar na Justiça, conversou com o síndico do prédio e o condomínio interveio. Com uma equipe de manutenção trabalhando diariamente dentro do próprio prédio, o síndico aprovou um reparo simples mas que resolveu o problema em poucas horas: colocaram massa no teto e o pintaram de branco. Pronto. Nada de processos e a paz reinou novamente. Situações como a descrita acima ocorrem a todo momento dentro de condomínios. Dois vizinhos se desentendem por algum problema, como infiltrações ou barulho, e o síndico precisa intervir antes que a briga se torne mais séria e o caso vá parar na Justiça. Manoel Maia, vice-presidente do Secovi Rio, o Sindicato da Habitação, aconselha aos síndicos agirem como conciliadores em casos como esse. “O síndico deve intervir de forma hábil, no sentido de contornar a situação. Se não tiver possibilidade de acordo, ele nada poderá fazer, já que a responsabilidade é de um dos apartamentos. Mas não são convenientes ao prédio essas desavenças. A Justiça é sempre prejudicial para uma das partes, e a não intermediação tira a possibilidade da solução amigável. O papel do síndico, nessas horas, é agir como árbitro e tentar pacificar tudo”, aconselha. O síndico Antônio Carlos Passos, do condomínio Jardim Grajaú, no Grajaú,

administrado pela CIPA, sabe bem o que é agir como árbitro. Ele já foi convocado algumas vezes para resolver desavenças entre condôminos, mas garante que sempre conseguiu soluções conciliadoras. “Já reclamaram por causa do barulho alto em uma festa no salão do prédio. Há uma vizinha que tem o pai idoso e o som a incomodava. Mas pedi para reduzir o volume e fui atendido. Essa vida em comunidade requer bom senso”, ensina Passos, que, atualmente, está há um ano no cargo, mas já exerceu outros mandatos como síndico. No momento, ele passa por outro problema entre moradores. Um dos condôminos do prédio entrou em contato com ele por causa de um vazamento que afeta seu apartamento. Ele pediu uma avaliação para saber de onde vem o problema: se do apartamento de cima ou da coluna do prédio. “Pedi para fazerem a análise. Se for da coluna, o condomínio vai intervir e realizar o conserto, senão, haverá o contato com ambas as partes para dizer de quem é a responsabilidade. Mesmo nesse caso, acho que é papel do síndico interferir para que a paz prevaleça. Não pagando o conserto, claro, mas ajudando para que um acordo seja feito e o culpado resolva o problema, com serenidade”, opina, tendo a própria experiência como parâmetro. “Eu, por exemplo, tive um problema de vazamento ABR_MAI_JUN 2011

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Antônio Carlos Passos, do Jardim Grajaú: “Essa vida em comunidade requer bom senso” Manoel Maia, vice-presidente do Secovi Rio, defende que o síndico deve agir como árbitro

com meu vizinho e conseguimos resolvê-la pacificamente. É a melhor solução”, afirma. Quando é preciso pedir a avaliação do problema a uma empresa, o síndico deve tomar alguns cuidados. Muitos condomínios maiores possuem a própria equipe de manutenção, mas quando isso não ocorre, é preciso verificar se os profissionais selecionados são de empresa legalizada e com experiência no ramo. “Muitas vezes, os condomínios contratam engenheiros sem experiência de manutenção predial. É preciso que seja uma firma de manutenção predial com experiência, porque isso não se aprende na faculdade, mas na prática. Tanto a área comum dos edifícios quanto as unidades precisam de manutenção periódica, mas é primordial ter cuidado com quem se está contratando”, ensina o presidente da Stanley Engenharia, Stanley Barbosa. A Stanley Engenharia, que há 30 anos atua na área, está acostumada a ser chamada para esse tipo de parecer, e o presidente da empresa ressalta a importância de, até

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mesmo nessa etapa inicial, em que é preciso detectar a origem do problema, contar com mão de obra qualificada. “Já fomos chamados inúmeras vezes. A grande dificuldade de uma infiltração é que, enquanto você não descobrir a causa correta, não tem como saber quem é o culpado. Pode ser defeito na tubulação do prédio, na fachada do edifício, no apartamento de cima... Às vezes, o problema pode vir da cobertura”, exemplifica. É justamente essa avaliação que vai determinar quem tem a responsabilidade de pagar o conserto. Um parecer equivocado pode atrapalhar todo o andamento do acordo entre as partes envolvidas. O síndico Carlos Henrique de Souza, do Palazzo di Florena, na Tijuca, administrado pela CIPA, já passou por situações de desavença entre moradores e acredita que, mesmo quando o condomínio não tem a menor parcela de culpa, é tarefa do síndico intervir. “O síndico não tem o dever, mas o bom senso diz que ele deve evitar o agravamento de situações de briga entre moradores. Ele

deve falar com as duas partes para resolver o problema. Todos moram no mesmo prédio e precisam conviver bem”, aconselha. No caso de Souza, um dos moradores do Palazzo escreveu no livro de reclamações do prédio sua insatisfação em relação a uma infiltração que afetava seu apartamento, um dos problemas mais comuns de desavença entre vizinhos. “Fui até eles falar sobre o assunto e tive sucesso nesse caso. O causador do acidente reconheceu e fez o conserto sem grandes problemas. Não houve necessidade de ir à Justiça e o bom convívio retornou”, conta. O síndico tem certeza de que a situação se agravaria caso não interviesse. E conta seu exemplo com a garantia de que a atitude neutra nesses casos é essencial para uma solução pacífica. “Eles já possuíam outras desavenças. Já existia uma tensão natural entre esses dois moradores. A agressividade chegou ao ponto de um ameaçar o outro com um processo judicial. Um processo pode até resolver o proble-


Entenda de onde pode vir o problema ma a longo prazo, mas demora e, até isso acontecer, todos precisam conviver diariamente com essa tensão. O condomínio não tinha a menor obrigação, mas entendi que devia intervir”, revela. Ponto para o síndico! Todos saíram ganhando com a atitude. Souza acredita, porém, que existe um limite para a atuação do síndico. Se um parecer detectar que a culpa é de um dos moradores, seu papel pode ser apenas apaziguador. Não cabe ao condomínio, nesse caso, arcar com as despesas. “O prédio não deve pagar o conserto. Se você abre exceção para uma pessoa, todos vão querer. Deve intervir no sentido de chegar à melhor convivência, mas se não houver resultado positivo, nada mais pode ser feito. Nesse caso, acredito que a Justiça é realmente a única saída”, opina. O papel do síndico não se limita a administrar as despesas e necessidades do prédio. Cabe ao profissional zelar pela paz no condomínio. Mesmo quando a responsabilidade não é do prédio, falar com as partes envolvidas é a melhor maneira de se chegar a uma solução e restaurar a paz no ambiente.

Vazamentos e infiltrações são os motivos mais comuns de desavença entre moradores. De quem é a culpa? Quem vai pagar a conta do reparo? Entenda como funciona a rede de encanamento entre os apartamentos e veja como detectar a origem do aborrecimento nos casos mais comuns. Os edifícios têm duas redes de encanamento: vertical e horizontal. A primeira conduz água e esgoto entre a rua e os andares e é de uso geral dos condôminos. Enquanto a segunda liga a coluna à unidade e é de uso particular dos moradores. Se o problema for na rede vertical, a conta é do condomínio, que deve providenciar o reparo o mais rápido possível, inclusive quando a obra precisa ser realizada dentro de um apartamento. Caso contrário, a responsabilidade é da unidade. Se há um vazamento no teto do banheiro, em virtude de problemas na rede horizontal, o responsável pelo reparo é o morador da unidade de cima, com todos os custos. Se o vazamento ocorrer por causa de uma infiltração na varanda, por exemplo, o problema também precisa de uma análise específica. Normalmente, é de responsabilidade do proprietário do imóvel a manutenção do piso e do teto da varanda. “Às vezes, o piso da varanda não foi impermeabilizado pela construtora que fez o edifício, e em uma chuva forte pode causar danos”, explica Stanley Barbosa. Mas se for comprovado, por exemplo, que o vazamento tem como origem a tubulação vertical, novamente a responsabilidade de conserto é do condomínio. A manutenção das partes externas também cabe ao edifício, já que o síndico do condomínio é o responsável pela conservação das partes comuns do prédio, como evidenciam os artigos 1.331, § 2°, e 1.348, V, ambos do novo Código Civil. Há, porém, casos de difícil resolução. Entre eles pode estar uma infestação de cupins que atinja diferentes unidades de um edifício. Onde está a origem do problema, nesse caso? Quem deve arcar com as despesas? Em situações como essa, a melhor opção é colocar o assunto em pauta em uma assembleia e tentar garantir uma proteção coletiva.

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ecodicas

por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Sonia Hirsch dá dicas vitais Ela dá dicas vitais para a manutenção da saúde e a prevenção de doenças através da alimentação. Esta entrevista poderá estimular moradores, síndicos e gestores de cantinas a oferecerem, nas festas e no dia a dia, opções mais saudáveis e menos poluentes. Assim, beneficiarão nossas crianças que – tão triste – são entupidas de refrigerantes, doces, propagandas enganosas, desejos de consumo, cachorros-quentes etc. Sonia Hirsch está nessa estrada há muito tempo e na contramão da alimentação industrial – pesquisando, escrevendo, divulgando e apontando novos caminhos. Nasceu em 1947, em São Paulo, e aos 17 anos começou a escrever em vários veículos. Em determinado momento, passou a fotografar além de escrever. Dirigiu a divisão de histórias em quadrinhos da antiga Rio Gráfica, hoje Editora Globo. Criou, dirigiu, produziu e musicou peças de teatro infantil. Entre 1976 e 1982, estudou alimentação e medicina natural e oriental, retomando a atividade jornalística com o objetivo de escrever sobre seu novo 58

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campo de conhecimento: a alimentação como base da saúde. Em dezembro de 1983, publicou seu primeiro livro, Prato feito, pelo selo Ibase-Codecri. E em dezembro de 1985, mais três pela Editora Rocco – Sem açúcar com afeto, O menino que não queria comer e Deixa sair. Desde então, vai resgatando os contratos e passa a ser a própria editora. Em parceria com Newton Montenegro de Lima, designer de seus primeiros livros, publicou uma série de panfletos informativos para distribuição gratuita e fez cartilhas em quadrinhos sobre alimentação e aleitamento materno com desenhos de César Lobo. Dirigiu e apresentou um programa semanal sobre saúde na Rádio MEC do Rio de Janeiro. Em 1987, editou Didó, o curandeiro, ficção para o público infanto-juvenil que foi encenado na Holanda pela Companhia de Teatro Munganga. No mesmo ano, ela foi eleita membro bolsista da Ashoka, fundação internacional de apoio a empresários sociais. Publicou Inhame inhame, O melhor da festa e Boca feliz e, em 1990,


Manual do herói, que coloca ao alcance de leigos e estudiosos os conhecimentos básicos da medicina e da dietética chinesas. Com esse livro ultrapassa o conceito de alimentação natural e entra nas questões mais profundas da alimentação. Em 1992, completa um banco de dados sobre valores nutricionais e começa a escrever O mínimo para você se sentir o máximo, lançado em maio de 1993, que marca o início de um ciclo científico em seu trabalho. Em 1995, é a vez de Só para mulheres, extenso trabalho de pesquisa sobre a saúde da mulher. Em 1996, Os gatos, uma “autogatobiografia” em texto e fotos, em parceria com a Mauad Editora. Em 1997, A dieta do Dr. Barcellos contra o câncer (e todas as alergias) e em 1998 produz o Almanaque de bichos que dão na gente, minidicionário de parasitas de toda espécie. Em 2001, atualiza e aumenta em 12 páginas o Almanaque de bichos, incluindo informações importantes sobre o tratamento das parasitoses. Em 2002, divulga Meditando na cozinha, coleção de 25 crônicas ilustradas por Celina Gusmão publicadas originalmente na revista Bons Fluidos. Em 2005, Atchiiim!, sobre as formas caseiras de entender, tratar e evitar gripes, resfriados e alergias. Em 2007, sua segunda coletânea de crônicas, Paixão emagrece amor engorda, a convite da editora Sextante. Em 2009, abre um blog intitulado “Deixa sair” e publica, pela Correcotia, o terceiro volume da trilogia de crônicas Amiga cozinha. Seu mais recente livro é Candidíase a praga. Seu texto é delicioso assim como suas receitas. Condomínio etc. - Como foi a decisão de pesquisar e escrever sobre alimento e saúde? Sonia Hirsch - Descobri a macrobiótica em um fim de semana à beira-mar, na casa de amigos, e gostei do arroz integral. Foi fácil adotá-lo e inegável a melhora do intestino. Eu me interessei pelos livros dos mestres japoneses que falavam da alimentação e passei a estudar enquanto mastigava, mastigava, mastigava... Como jornalista, quis saber mais e acabei fazendo desse interesse uma especialização.

Cetc. - Festas em condomínios. Refrigerante, muito doce, friturinhas... Como vê o que se come nessas ocasiões? E o que sugere? SR - Vinte anos atrás, eu teria 100% de sugestões mais naturais e saudáveis. Hoje entendi que a maior parte das pessoas chuta o pau da barraca quando vai a festas e que a própria festa é uma boa ocasião para transgressões de vários tipos: ninguém liga se você comer ou beber demais numa festa. Mas se comer ou beber demais sozinho ou sozinha, hummm... De todo modo, sempre gosto de preservar meus conceitos quando dou festas: coloco opções de chá gelado e água de ervas, doces de frutas sem açúcar, pão integral, pastinhas de inhame com alho ou de grão-de-bico, lentilha, feijão-preto picante. Evito salsichas, presuntadas e outros embutidos de baixa qualidade e raramente uso defumados. Também olho muito as gorduras. Melhor gastar num bom azeite de ervas do que entupir as pessoas com maionese de vidro. Pouco queijo. Digere-se melhor um rosbife do que uma pasta aos quatro queijos. Cetc. - E as cantinas dos colégios? Os alunos têm aula de ecologia e no recreio se entopem de porcarias... Que educação é essa? SH - É péssima, mas me lembro de que o César Maia, quando era prefeito do Rio, impôs limites às cantinas e os pais reclamaram. As crianças não podem ser reféns da razão se o mundo em volta está louco. Cetc. - Existe respaldo governamental para suas pesquisas e propostas? Há política de Estado na área da saúde preventiva? SH - Não existe o mínimo respaldo. O único apoio que tive foi da Ashoka, fundação internacional que apoia empreendedores sociais e que me deu uma bolsa por três anos. Mas o Governo Federal tem, sim, um ideário maravilhoso quanto à promoção da saúde no Programa Saúde da Família. Difícil é implantá-lo em todos os municípios. Faltam gente, dinheiro, treinamento e consciência de que saúde e medicina são coisas muito diferentes. ABR_MAI_JUN 2011

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Cetc. - Qual o alcance de sua obra? Como se dá o retorno do público leitor e do ouvinte de rádio? SH - O retorno, para mim, é muito satisfatório. Tanto é que vivo exclusivamente da venda de meus livros em livrarias, lojas de produtos naturais e lojas virtuais, inclusive a de meu site (correcotia.com). O site recebe mais de cem mil visitas por mês. Também alimento dois blogs com muitos seguidores e comentários (www.soniahirsch.com e www.candidiaseapraga.blogspot.com). Cetc. - Como vê a questão ambiental no Brasil? SH - Bem, o modelo que seguimos há séculos não é nem um pouco correto em termos ambientais. As pessoas ocupam encostas e margens de rios porque não há fiscalização, muito menos programa de habitação. Moro na região serrana de Petrópolis e acompanho há anos a omissão do governo nessas questões. E quando entra o grande capital, então, a coisa piora: você vê imensas cervejarias extraírem água à vontade de regiões que já sofrem com a seca, gastarem sete litros de água para fazer um de cerveja sem pagar nada e em casa tem que economizar fechando a torneira quando lava as mãos. Vejo algum progresso ambiental em muitas áreas, mas, globalmente, há um retrocesso constante. Cetc. - Considera que o consumo de carne é sustentável mesmo sabendo que florestas são derrubadas para a criação de gado, além de gerar sofrimento animal? SH - Não, a produção de carne não é nem um pouco sustentável. Mas a humanidade também não é. O ser humano

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muitos mais. Acho que o livro traz informação importante para todos nós.

é predador por excelência. Os mares estão poluídos e não é por causa do gado. Cetc. - Pode dar algumas dicas para uma alimentação/vida saudável e sustentável? SH - Menos comida pronta e industrializada, menos açúcar, menos produtos de padaria, menos bebidas com elementos artificiais e mais água fresca, vegetais, frangos e ovos caipiras, frutas da estação. Comer pouco e não fazer da comida uma central de lazer. E, sim, tomar remédio contra vermes, que eles, muitas vezes, nos levam a comer em dobro e digerir pela metade. Cetc. - Fale um pouco sobre o tema de seu mais recente livro - candidíase. SH - É uma praga que afeta mais de 60% das mulheres atendidas no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, centro de referência em saúde da mulher. Considerando que a candidíase crônica não é só feminina, muito menos só genital, e que aparece sob os sintomas mais diversos – dor de cabeça, artrite, irregularidades hormonais, distúrbios da tiroide, insônia, ansiedade, depressão, perda da libido, dores lombares e

Cetc. - Você, que mora na serra fluminense, como analisa a tragédia de janeiro? SH - A gente tem que aprender alguma coisa com as lições que as tragédias ensinam. Penso como a Dilma que, ao sobrevoar a serra, disse: "Se a terra vai deslizar, que deslize, mas não tem que ter gente embaixo." Por outro lado, os geógrafos afirmam que a maior parte dos petropolitanos habita áreas de risco. E quem diria que o Vale do Cuiabá estava entre elas? Aprendi a olhar para o alto dos morros com outros olhos, a ver o caminho das águas onde elas deixaram de correr há muitos anos – podendo voltar. Cetc. - Todos os seus livros são numerados de forma a ter controle sobre a venda deles? Que conselhos pode dar para jovens escritores e para as pessoas que querem viver da escrita? SH - Não são numerados. A editora é minha. Sou empresária para poder ser escritora. Não entendo nada de direito autoral e em todos os meus livros, em vez de proibir a cópia, coloco "informação liberada para reprodução". Minha praia é de todos, porque não criei nada: pesquiso, faço associação de ideias e experiências. Escrevo meus livros e assim ganho a vida. Bem diferente de um autor de romance, por exemplo. Aos jovens escritores e a quem quer viver da escrita só posso dizer que sejam perseverantes, pois o mercado é difícil. Blog: www.soniahirsch.com Para comprar livros: correcotia.com


notas

Agora é lei: prédios novos vão ter medidores individuais A medição individual (por apartamento) do consumo de água, que promete o fim do desperdício e uma cobrança mais justa, agora é lei. O prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei Complementar nº 112/2011, aprovada pela Câmara dos Vereadores, que obriga a instalação de hidrômetros para todas as unidades dos novos edifícios do Rio. Nos cálculos do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), os medidores reduzem as despesas com água entre 30% e 50%. A partir da regulamentação, em até 90 dias, a prefeitura só concederá o habite-se para os empreendimentos que cumprirem a determinação. A medida não é obrigatória para os condomínios já existentes, que poderão pedir ao município licença para executar a obra de adaptação. O vice-presidente de Assuntos Condominiais do Secovi Rio, Leonardo Schneider, diz que a lei é uma demanda antiga do setor: “O número de prédios com medição individual no Rio é insignificante. Embora haja um consenso das vantagens, algumas construtoras acabam não optando por esse modelo. Isso vai mudar, e a lei é o grande incentivo.” O vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Cláudio Hermolin, estima que 80% dos empreendimentos erguidos nos últimos oito anos estejam prontos para o equipamento. Segundo Hermolin, a partir de agora, os prédios terão que ser entregues com os hidrômetros, que custam, em média, R$ 300. “Esta era uma solicitação do próprio mercado, que percebeu uma demanda do

consumidor. Os antigos edifícios têm dificuldade maior de se adaptar por conta de projetos com diversas colunas de água, o que obrigaria à compra de vários medidores”, explica o vice-presidente da Ademi. O presidente da Cedae, Wagner Victer, afirma que a empresa cuida apenas dos hidrômetros na parte de fora dos condomínios e que os modelos de construção hoje não permitem medidores individuais externos. Ele diz apoiar a medida: “Todo processo de medição que envolva o monitoramento do consumo é ambientalmente positivo. Cada um tem condição de controlar mais seu gasto, como ao reduzir o tempo do banho.”

Secovi Rio lança estudo sobre o mercado imobiliário do Rio de Janeiro O Secovi Rio, o Sindicato da Habitação, acaba de lançar uma publicação que promete ser o raio X do mercado imobiliário fluminense: o Panorama do mercado imobiliário do Rio de Janeiro 2010. O documento, que será divulgado anualmente, tem cerca de 116 páginas e foi elaborado pelo Centro de Pesquisa e Análise da Informação do Sindicato, com colaboração da Prefeitura do Rio, do IBGE, da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) e da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ). O Panorama contém informações e dados estatísticos sobre compra, venda, locação e administração de imóveis, bem como estudos sobre tendências de condomínios e população. A idealizadora do projeto e também diretora da CIPA, Maria Teresa Mendonça Dias, é a vice-presidente Financeira e de Desenvolvimento do Sindicato e revela que a elaboração da publicação foi motivada pela carência de estatísticas sobre o setor, no Rio: “O Secovi Rio enxerga o mercado imobiliário como um rico banco de dados que precisa ser analisado para gerar informações úteis a seus representados e aos consumidores. Atualmente, a carência de estatísticas nessa área acaba por criar uma lacuna que impede evolução mais significativa do setor.”

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BEM DITA! - a coluna de boas notícias

por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

João Gilberto completa 80 anos no dia 10 de junho Devemos a ele a criação da bossa nova e uma sonoridade inigualável. João Gilberto Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, Bahia, no dia 10 de junho de 1931. Aos 14 anos, ganhou um violão e, desde então, jamais o largou. Na década de 1940, adorava Duke Ellington, Tommy Dorsey, Dorival Caymmi e Dalva de Oliveira. Aos 18, decidiu morar em Salvador com a intenção de ser cantor de rádio e crooner. Em 1950, veio para o Rio de Janeiro e teve algum sucesso ao cantar no grupo Garotos da Lua. Mas a grande virada se deu ao conhecer Tom Jobim – pianista acostumado à música clássica e também compositor influenciado pela música norte-americana da época, principalmente o jazz – e um grupo de estudantes universitários de classe média também músicos. A bossa nova é uma mistura do ritmo sincopado da percussão do samba numa forma simplificada e, ao mesmo tempo, sofisticada, que pode ser tocada num violão (sem acompanhamento adicional) e cuja técnica foi inventada por João Gilberto. Quanto à técnica vocal (parte integral do conceito de bossa nova), é uma técnica de cantar em tom de voz uniforme, emitida sem vibrato, e com um fraseado disposto de forma única e não convencional, a fim de eliminar quase todo o ruído da respiração e outras imperfeições Apesar da fama com a então recém-criada bossa nova, sua primeira gravação lançada comercialmente foi uma participação como violonista no disco de Elizeth Cardoso, de 1958, intitulado Canção do

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amor demais, com canções de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Pouco depois dessa gravação, João Gilberto gravou seu primeiro LP, Chega de saudade. A faixa-título, composta por Tom e que também aparecia no álbum de Elizeth Cardoso, foi sucesso no Brasil, que lançou a carreira de João Gilberto e, consequentemente, todo o movimento da bossa nova. Além de algumas composições de Tom, o álbum apresentava sambas mais antigos e músicas populares na década de 1930, porém, todas tocadas em ritmo de bossa nova. Em 1960 e 1961, ele apresentou outros dois discos com músicas novas de uma nova geração de cantores e compositores, como Carlos Lyra (entrevistado nesta revista na edição 22) e Roberto Menescal. Por volta de 1962, a bossa nova tinha sido adotada por músicos de jazz norte-americanos, como Herbie Mann, Charlie Byrd e Stan Getz, que convidou João Gilberto e Tom Jobim para colaborarem no que se tornou um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, Getz/Gilberto. Com esse álbum, Astrud Gilberto, esposa de João Gilberto na época, se tornou uma estrela internacional, e a composição de Jobim Garota de Ipanema (em sua versão em inglês, The girl from Ipanema), um sucesso mundial e modelo pop para todas as idades. Perfeccionista, lenda viva da música popular brasileira, em seus shows não tolera celular, cochichos na plateia, ar-condicionado barulhento ou caixas de som desreguladas. Seus shows, quando anunciados, têm os ingressos esgotados nas primeiras horas de venda.

Vendendo livros na praia

Maria da Conceição Lima nasceu no Rio Grande do Norte há 44 anos e vive no Rio há dez. Todos os dias, de segunda a segunda, das 8 horas às 18 horas, ela caminha do Leme ao Posto 6 carregando 30 quilos de livros (cerca de 80 exemplares) para vender aos banhistas da Praia de Copacabana. São romances e textos sobre espiritualidade que seu público compra para desfrutar melhor a praia. Muitas crianças pedem e seus pais sempre compram. “Muita gente vem me agradecer porque depois de lerem Meu anjo, de Fausto Oliveira (editora Sextante), conseguiram superar traumas. É o livro mais vendido. Faço esse trabalho com muito amor”, diz Conceição, cuja mãe, no Rio Grande do Norte, estimulou nela a paixão pela leitura e até hoje reúne suas amigas todos os dias para lerem juntas. Um exemplo, essa mulher.


Lançados O mundo segundo Brasília e Uma aventura chamada Brasil, de Kakie Roubaud. Ao abordar o tema “O que sonham os brasileiros?”, os documentários Le monde selon Brasília e Une aventure nomée Brésil, da jornalista franco-alagoana Kakie Roubaud, que volta a residir no Rio de Janeiro, falam dos brasileiros que sonham em mudar o mundo. Os filmes foram exibidos pela Arté francesa e, tomara, cheguem ao público brasileiro. O mundo segundo Brasília expõe esta democracia de 193 milhões de habitantes que, como seus três companheiros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), não tem bomba atômica e exige uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Trata-se de um sky movie que mostra um Brasil visto do céu em meio às relações com o planeta. O Palácio do Itamaraty, o Quai d'Orsay brasileiro, é o personagem central no qual se tecem as

relações internacionais e a expansão de embaixadas brasileiras pelo mundo. Já Uma aventura chamada Brasil é um road movie que viaja por estradas de terra e asfalto, uma aventura sobre um Brasil solidário e durável. O “país do futuro”, como dizia Stephen Zweig, tem empreendido um enorme trabalho de cidadania e multiplicado as microexperiências na educação, no acesso à água e na luta contra o desmatamento. Em uma das sequências, o filme apresenta a Bolsa de Valores Sociais e Ambientais, uma iniciativa da Bolsa de Valores de São Paulo que encoraja centenas de ações cidadãs financiadas pelo setor privado “em um país laboratório, que exporta seus modelos”. Os interessados em ver os filmes podem enviar e-mail para esta coluna.

O Projeto de Segurança de Ipanema e o coco na praia Ignez Barreto, do Projeto de Segurança de Ipanema (PSI), alerta: “O piloto da coleta seletiva do coco na praia já começou em caráter experimental. Todos os fins de semana. Sei que ajustes ainda são necessários, mas o importante é que se deu a partida em um projeto que está há tanto tempo para sair. Segundo a impressão dos frequentadores da praia, as pessoas estão entusiasmadas com o projeto mas sentem falta de mais lixeiras, e o lixo comum acaba indo para o contêiner do coco. Fui informada de que os barraqueiros deveriam ter, cada um, duas lixeiras de 60 litros em cada barraca. Existe, inclusive, uma multa de R$ 253 para aquele que não tiver as lixeiras. Segundo a Pró-Rio, a empresa tem muita dificuldade para fazer a fiscalização por falta de pessoal. Peço a todos que frequentam a praia que, por favor, fiscalizem os barraqueiros. Anotem o número e o nome da barraca que não tiver as lixeiras. Fotografar também é válido. Dessa forma, a Pró-Rio pode multar os irregulares. É do interesse de todos manter a praia o mais limpa possível. O estado das areias é lamentável, e a Praia de Ipanema, infelizmente, apresenta o pior índice de qualidade do Rio. Sei que contamos com a colaboração, o esforço e o interesse de todos.”

O desenhista Hélio Braga Embora formado ator, Hélio Braga desenha constantemente desde criança. Inteiramente autodidata, ele nunca estudou anatomia acadêmica. Todos os seus estudos do corpo humano são resultado de observação e exploração no universo da arte. Em seu trabalho, há evidência nítida de lúcidas contorções da figura humana. Descascados afrescos pompeianos e cenas de termas romanas, contemplados em período que passou na Itália em 1969, formaram a profunda impressão presente até hoje em seu trabalho. Após assinar as pinturas corporais dos filmes Como era gostoso o meu francês, de Nélson Pereira dos Santos, e Anchieta José do Brasil, de Paulo Cesar Saraceni, trabalha com cenografia e arte plumária. Ao longo de sua carreira, o corpo se manifesta como raiz de sua arte; o corpo erótico e sensual, às vezes clássico, exala delicadas atmosferas de desejo nunca explicitamente sexuais. Em 1972, passa dois anos no Peru, onde a civilização pré-Inca Nasca forneceria outra forte influência, presente ainda hoje em seus trabalhos mais recentes. No site http://www.heliobraga.com/h/ helio_braga.html ou www.heliobraga.com. br, feitos pela irmã Sonia Braga, pode-se ter uma ideia da extensão do trabalho de Hélio Braga.

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Flist – Festa Literária de Santa Teresa, nos dias 14 e 15 de maio A terceira edição da Festa Literária de Santa Teresa (Flist), organizada pelo Centro Educacional Anísio Teixeira, homenageará o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós que, além de bela obra, organizou o movimento Por um Brasil Literário, já noticiado nesta coluna. Os anos anteriores da festa podem ser relembrados no site www. flist.org.br e sugestões podem ser enviadas para producaoflist@ceat.org.br A seguir, trechos da carta do autor homenageado sobre o movimento: “Hoje, me vi pensando como seria viver em um país de leitores literários. Pode ser apenas um sonho, mas estaríamos em um lugar em que a tolerância seria mais bem exercida. Praticar a tolerância é abrigar, com respeito, as divergências, atitude só viável quando estamos em liberdade. Desconfio que, com tolerância, conviver com as diferenças torna-se encantamento. A escrita literária se configura quando o escritor rompe com o cotidiano da linguagem e deixa vir à tona toda sua diferença – e sem preconceitos. São antigas as questões que nos afligem: é o medo da morte, do abandono, da perda, do desencontro, da solidão, desejo de amar e ser amado. E nas pausas estabelecidas entre essas nossas faltas carregamos grande vocação para a felicidade. O texto literário não nasce desacompanhado desses incômodos que suportamos vida afora. Mas temos o desejo de tratá-los com a elegância que a dig-

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nidade da consciência nos confere. A leitura literária promove em nós um desejo delicado de ver democratizada a razão. Passamos a escutar e compreender que o singular de cada um – homens e mulheres – é que determina sua forma de relação. Todo sujeito guarda bem dentro de si outro mundo possível. Pela leitura literária esse anseio ganha corpo. É com esse universo secreto que a palavra literária quer travar sua conversa. O texto literário nos chega sempre vestido de novas vestes para inaugurar esse diálogo e, ainda que sobre truncadas escolhas, também com muitas aberturas para diversas reflexões. E tudo a literatura realiza, de maneira intransferível e segundo a experiência pessoal de cada leitor. Isso se faz claro quando, diante de um texto, nos confidenciamos: ele falou antes de mim ou ele adivinhou o que eu queria dizer. O texto literário não ignora a metáfora. Reconhece sua força e possibilidade de acolher as diferenças. As metáforas tanto velam o que o autor tem a dizer como revelam os leitores diante de si mesmos. (...) A literatura, por dar a voz ao leitor, concorre para sua autonomia. Outorga-lhe o direito de escolher o próprio destino. Por ser assim, a leitura literária cria uma relação de delicadeza entre homens e mulheres. Uma sociedade delicada luta pela igualdade dos direitos, repudia as injustiças, despreza os privilé-

gios, rejeita a corrupção, confirma a liberdade como um direito que nascemos com ele. Para tanto, a literatura propõe novos discernimentos, opções mais críticas, alternativas criativas e confia em nosso poder de reinvenção. Pela leitura, conferimos que a criatividade é inerente a todos nós. Pela leitura literária, nos descobrimos capazes também de sonhar com outras realidades. Daí compreender, com lucidez, que a metáfora, tão recorrente nos textos literários, é também uma figura política. Quando pensamos em um Brasil Literário é por reconhecer o poder da literatura e sua função sensibilizadora e alteradora. Mas é preciso tomar cuidado. Numa sociedade consumista e sedutora, muitos são leitores para consumo externo. Leem para garantir o poder, fazem da leitura um objeto de sedução. É preciso pensar o Brasil Literário com aquele leitor capaz de abrir-se para que a palavra literária se torne encarnada e que passe primeiro pelo consumo interno para, só depois, tornar-se ação. O Brasil Literário pode, em princípio, parecer uma utopia, mas por que não buscar realizá-la?” “Algum dia dividiremos a liberdade em fatias e nos amaremos – sem fome – em absurda alvorada.” (Bartolomeu Campos de Queirós)


Instituto Nina Rosa – projetos de amor à vida O Instituto Nina Rosa (INR) produz material educativo sobre defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo. Sem fins lucrativos, o INR não recebe recursos de empresa ou organismo contrário a seus ideais e defende o término de toda exploração animal, atuando com independência e autonomia para preservar essa filosofia. Atua nessa área porque acredita que quanto menos capazes forem os seres de defender seus direitos maior é nosso dever de defendê-los. Acredita que o amor e o respeito pelos animais e pela natureza norteiam a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. Promove voluntariamente a valorização da vida animal por meio da educação humanitária. Realiza palestras gratuitas (despesas por conta do organizador) e o e-mail é inr@institutoninarosa.org.br Desde 2001, centenas de milhares de crianças e adolescentes têm aprendido,

com o material educativo produzido pelo instituto, a respeitar os animais. O afeto que os animais de estimação inspiram, quando incentivado, pode despertar no indivíduo sentimentos de amor, zelo e positiva autoestima. Entende-se que a participação dos animais de estimação no currículo escolar estimula o desenvolvimento moral, espiritual e pessoal de cada criança, traz benefícios à comunidade escolar e aumenta as oportunidades de aprendizagem em diferentes áreas do currículo. Vídeos apresentados: Não matarás – os animais e os homens nos bastidores da ciência; A carne é fraca; Vida de cavalos, burros e jegues; O gato como ele é; Olhar e ver; Criando um amigo; Aprendendo a cuidar. Para receber informações sobre a causa animal, cadastre seu e-mail enviando mensagem para institutoninarosa-subscribe@yahoogrupos.com.br.

O que você faria se tivesse nascido homem mas com um corpo perfeito de mulher? Permaneceria homem e travesti, faria a operação para mudança de sexo ou trapacearia? O novo romance de Márcio Paschoal conta a trajetória incomum de um rapaz com feições femininas, extremamente belo e sensual, que ora aceita seu lado mulher e vive como um travesti, ora assume seu ar de vítima da sociedade e garoto fatal. Nesse caminho, conhece os vários lados de uma vida sem freios, ao mesmo tempo em que cultiva hábitos incomuns e eruditos, como frequentar livrarias, recitar Malarmé, ouvir Shostakowich, estudar orquídeas etc. Uma versão moderna de um hermafroditismo oportuno e dissimulado que consegue gerar paixões reais e algumas profundas inimizades. Ao refletir sobre a condição humana e o resultado da busca pela satisfação não importando o preço ou o sexo, Odara reafirma a certeza de que as diferenças e os preconceitos podem marcar o destino de alguém. Para o bem ou para o mal. Odara – romance – 254 páginas – Ed. Record

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Condomínio por renata fernandes

Mudança à vista. Chama o síndico! Quando o assunto é mudança, o síndico deve avisar o morador em questão sobre as regras do condomínio Dificilmente um síndico se verá livre dessa situação. Então é bom estar preparado para os possíveis imprevistos e transtornos que uma mudança pode gerar. Já pensou que dois moradores podem resolver se mudar no mesmo dia? Que os outros moradores do prédio podem reclamar ao ver que o elevador está reservado para locomover os móveis do vizinho? E que tanto movimento pode acabar acarretando algum estrago nas dependências do prédio? Por isso, é bom usar o planejamento e criar regras que organizem a atividade. Foi justamente uma dessas situações que aconteceu com o morador José Lopes. Ele agendou sua mudança com antecedência num condomínio na Barra da Tijuca, com 448 unidades, mas, no mesmo dia, outro morador resolveu transportar móveis pelo elevador. Foi preciso chamar o síndico para resolver o impasse. “Não conseguíamos avançar com a mudança porque o elevador estava sempre ocupado”, lembra. É por isso que a assessora de condomínios da CIPA, Marineide Mesquita, aconselha que o condomínio tenha normas registradas no regulamento interno que estipulem

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o que é permitido ou não durante as mudanças. “A maioria já tem. Normalmente, as mudanças podem ser realizadas apenas de segunda a sexta, das 8h às 17h; aos sábados, das 8h ao meio-dia, e nos domingos costuma ser proibido”, explica, aconselhando que, se a cláusula não estiver prevista no regulamento, precisa ser incluída com urgência. O interessado em realizar a mudança deve comunicar à portaria, e o porteiro deve reservar o elevador de serviço para a atividade, se possível, sinalizando com uma placa em cada andar. Colocar lonas de proteção nas paredes do elevador também é uma boa atitude, se o síndico não quiser ter dor de cabeça com possíveis arranhões. Se o condomínio for grande e mais equipado, pode ainda anunciar no quadro de avisos. E se o morador quiser apenas transportar um móvel ou poucos itens dentro do prédio? Nesse caso, Marineide aconselha que reine a temperança entre síndico e condômino. Se não houver nenhuma mudança agendada para o dia, não custa o síndico abrir uma exceção. “Fora dos horários estipulados, se o transporte for pequeno, só um móvel, por exemplo, o morador

deve procurar o síndico para combinar. Os dois lados precisam de equilíbrio para a boa convivência”, defende. A síndica Lucinda Gonzalez da Silva, do condomínio Bandeirante José Dias, na Barra da Tijuca, administrado pela CIPA, agenda todos os serviços e garante que nunca teve grandes problemas com as mudanças que ocorrem em seu edifício. “É tudo organizado, e botamos um informe nos elevadores para notificar os moradores”, conta. Por lá, os condôminos precisam avisar o síndico sobre a mudança com antecedência, e o horário estipulado é apenas de segunda a sexta, das 9h às 17h. “Outro dia, um morador precisou de mais 40 minutos para terminar a mudança. Abri uma exceção e ele terminou às 17h30. O horário de maior de fluxo começa às 18h, e acho que não podemos atrapalhar os outros moradores, mas isso nem chegou a acontecer”, afirma, se dizendo uma defensora da ponderação para os imprevistos do dia a dia.


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Lucinda Gonzalez da Silva, do condomínio Bandeirantes José Dias, exige que as mudanças sejam previamente agendadas

Com 60 unidades para administrar, Lucinda diz que aprendeu a ser flexível. “Não levamos nada a ponto de faca. Falo direito com as pessoas e consigo tudo de que preciso com funcionários ou moradores. A fórmula é usar jeitinho e educação. Tudo é ter bom senso”, ensina. Foi assim que agiu quando um morador que acabava de se mudar para o edifício arrastou uma das lixeiras da garagem, em uma manobra com o carro, durante o transporte de seus objetos. Nada de desespero. A síndica con-

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versou com o morador, que concordou em pagar o prejuízo sem causar transtornos. No condomínio Angatuba, em Copacabana, administrado pela CIPA, a síndica Eliane Dornelles também tem suas estratégias para organizar os dias de mudança no prédio. Por ali, tudo funciona com a presença do porteiro. “Aqui o morador só se muda quando tem porteiro. E só temos um porteiro no edifício”, diz Eliane. São só 20 apartamentos no prédio, mas o condômino deve avisar com antecedência que fará a mudança. “Se dois quiserem fazer o transporte de móveis na mesma data, é só escolher horários diferentes. O porteiro sempre ajuda. Nunca tive problema nenhum. Acho que é só organizar”, afirma. Outra exigência de Eliane é que só a saída de serviço seja usada e que tudo fique exatamente como estava antes. Nada de estragos. O síndico pode também orientar o morador a optar por empresas especializadas na hora de contratar o caminhão de mudanças. Não são só os móveis e pertences do condômino que saem ilesos do trans-

porte. Quanto mais experientes os funcionários que estiverem trabalhando, menos riscos para o condomínio. Para diminuir os transtornos e acelerar a mudança, a empresa Guarda Móveis e Mudanças Copacabana, por exemplo, costuma dividir o trabalho em dois dias. No primeiro, os funcionários embalam todos os objetos e utensílios dentro de casa. No dia seguinte, concluem a tarefa e vão coletar. “A gente sempre aconselha ao condômino informar no prédio o dia em que ocorrerá a mudança. Normalmente, não acontece de dois moradores se mudarem em um mesmo dia. Os prédios costumam organizar isso bem”, afirma José Guilherme Júnior, proprietário da empresa, que funciona desde 1923. Mas Júnior já se deparou com situações como essa que, apesar de raras, acontecem. Em vez de reclamar com o condomínio, ele pensou numa maneira de resolver rapidamente o problema. Como o outro morador que se mudava contava com poucos funcionários, a Guarda Móveis e Mudanças ajudou a descer as caixas do vizinho para conseguir finalizar seu traba-


Dicas para o síndico evitar dor de cabeça com mudanças Na hora de uma mudança, pequenas atitudes podem evitar transtornos e melhorar o convívio entre síndico e moradores. Quem quer exigir que os funcionários de uma empresa de transporte deixem o prédio por ultrapassar o horário permitido? Ou ter que atender a reclamação de diferentes apartamentos por conta dos estragos que uma mudança está deixando pelo caminho? Siga as dicas abaixo e evite dor de cabeça! Marineide Mesquita: “O morador deve procurar o síndico para combinar. Os dois lados precisam de bom senso Eliane Dornelles, do condomínio Angatuba: mudanças só com a presença do porteiro

lho. “O objetivo foi agilizar nosso serviço. Assim, conseguimos que o elevador fosse liberado. Já aconteceu de o elevador quebrar também, o que complica muito. Mas, nesse caso, pedimos para o prédio ligar para a manutenção e fomos subindo os objetos mais leves pela escada”, lembra. No caso de ser necessário içar móveis grandes que não passam pelas portas e precisam entrar pela janela, todo o cuidado é pouco para que não cause danos ao edifício. A empresa isola a área da calçada com fita amarela e pede para os vizinhos debaixo fecharem todas as janelas. O síndico ainda precisa autorizar que alguns funcionários possam subir até o terraço para manobrar as cordas. Mesmo assim, há sempre risco de ocorrer algum acidente, mas, segundo Júnior, não há empresas que façam seguro para esse tipo de situação. “Os poucos acidentes que aconteceram com minha empresa foram quebra de parapeito de mármore ou algum vidro de

janela. Nada que não pudéssemos pagar e corrigir de imediato”, conta. Júnior se orgulha de, no fim do serviço, deixar tudo exatamente como antes. “Depois que terminamos, não deixamos nada no prédio, nem o papelão que embalou a mesa, o plástico bolha... Não deixamos lá porque faz uma sujeira enorme. A gente embala os móveis e leva para a casa do cliente e lá desembala e monta nos lugares.” Para ele, a receita de sucesso está no treinamento dos funcionários, que aprendem a ser cuidadosos com os pertences que transportam e educados com os clientes que atendem. Não há como exigir que os moradores contratem empresas experientes e organizadas, mas os síndicos devem estipular horário, local de saída de móveis e dia da semana no regulamento interno do condomínio. É possível também proteger o patrimônio do prédio, cobrindo as paredes dos elevadores para que não acabem arranhadas e exigindo que possíveis danos sejam consertados.

O síndico deve estipular normas de conduta no regulamento interno. Na portaria, o morador deve agendar o dia da mudança com antecedência. O horário permitido deve terminar antes da hora que os moradores costumam voltar para casa. Assim, caso seja necessário dar alguns minutos de acréscimo para o fim da mudança, os vizinhos não serão afetados. As paredes do elevador de serviço devem ser protegidas com lona para evitar arranhões. Se possível, vale a pena avisar aos moradores sobre o dia da mudança colocando um aviso nos elevadores. Caso seja necessário conceder exceções, o síndico deve agir com bom senso. O síndico pode aconselhar os moradores a contratar empresas experientes. Quanto mais habilidosos os funcionários, menos danos terão os condôminos e o patrimônio do condomínio. Um funcionário do condomínio deve orientar a maneira como o transporte deve ser feito (informando horário, local de estacionamento, elevador e caminho disponível). Caso a mudança danifique algum equipamento do edifício, o síndico deve informar ao morador e pedir o conserto.

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Treinamento

por Raquel Pinheiro Loureiro

Síndicos podem optar por firmas especializadas ou orientar, eles mesmos, os funcionários

Limpeza correta do condomínio é resultado de orientação adequada

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Portaria mal varrida, vidros empoeirados, azulejos cobertos por uma fina camada de limo, sauna com lodo e banheiros cheirando a azedo. Cenas como essas são comuns mesmo nos melhores condomínios e causam sempre má impressão em quem testemunha tamanho desleixo. A razão, obviamente, é a falta de limpeza e manutenção adequada das áreas comuns do edifício, mas por trás do problema há outro ainda maior: a ausência de capacitação dos funcionários responsáveis pelos serviços de faxina e higienização que, mal orientados, não conseguem realizar o trabalho com a qualidade que os moradores gostariam. Para evitar esse tipo de falha, os síndicos têm algumas opções: treinar, eles mesmos, os empregados, proporcionar cursos de capacitação para eles ou contratar o serviço de empresas especializadas.


Síndico do condomínio Campobello, em Campinho, Anselmo Coutinho escolheu a última alternativa e terceirizou os serviços de portaria, vigilância e limpeza, em um total de dez funcionários. Além de ter reduzido as despesas do condomínio em cerca de 10%, ele cita como vantagem o treinamento que a empresa terceirizada oferece. Os empregados recebem o chamado Plano Operacional Padrão, e cada setor tem o cronograma de trabalho de sua área. Assim, eles sabem com que frequência cada tarefa deve ser executada, como lavar as portarias duas vezes por semana com os produtos certos e da maneira correta. Anselmo também ressalta que não precisa se preocupar com faltas ou férias de empregados. “Adiantamento de salário, controle de funcionários, isso tudo fica a cargo da firma contratada. Se um empregado não aparece, o encarregado da manutenção já tem um substituto”, conta o síndico. “Nosso condomínio é pequeno, são apenas 124 unidades, mas a gestão de pessoal ficou muito mais fácil e prática e lido com menos burocracia”, acrescenta. Apesar das vantagens aparentes da terceirização de serviços de limpeza, Ro-

naldo Coelho Neto, vice-presidente administrativo do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) e responsável pelo centro de capacitação da entidade, não vê com bons olhos essa opção. Para ele, os síndicos devem levar em conta a questão da segurança do condomínio – tanto dos moradores quanto do patrimônio – ao trocar os funcionários próprios por aqueles de uma empresa, por melhor que seja sua reputação. “Acredito na contratação e na capacitação dos empregados do condomínio. Com os terceirizados, a rotatividade é alta e a fidelização aos moradores e ao condomínio, menor”, afirma Coelho Neto, observando que, em caso de falta de um funcionário terceirizado, a empresa mandará outro, de quem o síndico terá apenas as referências da firma que o forneceu. “Não acho que seja uma boa solução. Sei que muitos administradores têm dificuldades em passar as informações necessárias para que os empregados executem suas tarefas corretamente, até por desconhecimento, mas os cursos de formação têm como finalidade suprir essa lacuna”, lembra ele. De olho nessa demanda, o Secovi Rio tem, entre sua cartela de cursos, o de Lim-

A síndica Elizabeth Meirelles terceirizou a limpeza do condomínio para reduzir custos: “Com apenas um funcionário, que está conosco há anos, conseguimos equilibrar o orçamento”

peza Predial Ecossustentável e Econômica, parte do Programa Qualificando Porteiros, que tem como público-alvo o pessoal responsável pela limpeza em condomínios e demais pessoas interessadas. O objetivo das nove horas de aula é ensinar aos participantes a realizar a limpeza diária de condomínios, de forma a não prejudicar o meio ambiente e a saúde do trabalhador e de moradores, de maneira sustentável e econômica. Do conteúdo do curso fazem parte o conceito de limpeza profissional, as etapas do trabalho de limpeza – planejamento, execução e avaliação –, as técnicas de limpeza, a operação de máquinas

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e equipamentos, a segurança em serviço e o manuseio de produtos químicos. “Esse tipo de treinamento ajuda, inclusive, a reduzir os custos do condomínio, já que os empregados aprendem a otimizar tempo e recursos, evitando desperdícios, além de fazerem a limpeza corretamente”, comenta Coelho Neto. Ainda assim, há quem prefira a terceirização, mesmo em edifícios menores. É o caso de Elizabeth Meirelles da Costa Alves, síndica do condomínio Firenze, no Andaraí. Com apenas 22 apartamentos, o custo de ter muitos empregados acabou pesando no orçamento e optou-se por ter apenas um único funcionário terceirizado, um zelador que cumpre o horário das 8h às 17h e é o responsável pela limpeza. “O Cláudio já está conosco há oito anos, é como se fosse um empregado próprio. Ele nos dá assistência no jardim, ajuda os moradores com as compras e, quando entra de férias, a empresa nos indica alguém para substituí-lo. A diferença é que ele custa para nós apenas R$ 2.009 por mês”, observa Elizabeth. Além do valor mais adequado à realidade do condomínio, ela lembra que as empresas de prestação de serviços fornecem a quantidade de material exata para a limpeza. “Eles têm esse controle e sabem qual o melhor produto para cada atividade. Quando algo acaba antes do tempo, como sacos de lixo, eles providenciam”, diz Elizabeth, frisando que, dessa forma, evita pequenos atritos com os moradores por conta dos gastos com material de limpeza. “Como síndica, vivia ouvindo os moradores dizendo que a cera estava mais barata no mercado tal, que o detergente estava com um preço mais em conta que aquele que eu apresentava no final do mês”, relembra ela. “Com o

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valor do serviço fechado com a empresa, esse tipo de argumento, que é muito desgastante para quem é síndico, acabou.” Essa liberação das atividades burocráticas é um dos benefícios da parceria terceirizada/administrador listados por Guilherme Henrique Kuhnert, da Madalenense Locação e Serviços. “Os síndicos não precisam se preocupar com contracheque, folha de pagamento, transporte, alimentação, controle de material, reposição de faltas, substituição por ocasião de férias ou 13º salário, que já estão incluídos na mensalidade, não necessitando de taxas extras no fim do ano”, relata ele, que tem em sua cartela de clientes condomínios, empresas, escritórios e armazéns, para os quais faz serviço de limpeza em geral e fornece mão de obra especializada. O treinamento desses funcionários é realizado pela equipe da Madelenense, nos clientes onde vão trabalhar, e eles são orientados não só quanto à qualidade do serviço mas quanto à filosofia da empresa. Ao optar por uma prestadora de serviços, cabe ao síndico verificar se ela está cumprindo as obrigações trabalhistas com os funcionários e exigir as guias de depósito de FGTS e INSS e cópia do pagamento de horas extras e afins, bem como checar se os benefícios concedidos, como vale-transporte, estão sendo cumpridos. Isso sem falar que ainda é obrigação do síndico zelar para que a limpeza esteja sendo feita da forma acordada com os empregados, próprios ou terceirizados. Ou seja: ainda é de sua responsabilidade ver se a portaria foi varrida direitinho e se a poeira dos vidros foi limpa, o que aconteceu com o lodo da sauna e o limo dos azulejos e se aquele cheiro azedo irritante dos banheiros desapareceu...

Dicas para manter o condomínio nos trinques Não adianta querer que o prédio pareça saído de um anúncio de vendas se não há material suficiente para a faxina. Detergente, desinfetante, sabão em pó, cera, vassoura, esfregão, pano de limpeza e saco de lixo são o básico. Terceirizados ou não, os funcionários devem estar protegidos do contato com os produtos utilizados por meio de luvas, por exemplo. Eles nunca devem estar calçados apenas com chinelos, que se soltam dos pés e podem levar a acidentes. O correto é o uso de botas. Uma vez por semana é a vez de escadas, corredores e garagem serem limpos. No caso das garagens, é preciso atenção ao produto que vai ser usado, já que é comum o chão ficar sujo de óleo e gordura. Para saber mais sobre os cursos de capacitação profissional do Secovi Rio, basta ligar para 2272-8000.


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obras

por carla rocha

Passado o verão chega a estação das obras

Estragos causados pelas chuvas exigem ação rápida para evitar problemas quando a temperatura voltar a subir no ano seguinte Depois do verão, com altas temperaturas e chuvas torrenciais, chega a estação que deveria estar no calendário de todo condomínio que se preza: a das obras. Para preparar o prédio para enfrentar tudo de novo no ano seguinte, é preciso recuperar o que foi destruído pelas enxurradas típicas do Rio e adotar medidas preventivas para impedir prejuízos no futuro. Assim que os dias mais quentes do ano ensaiam sua despedida, empresas de engenharia começam a trabalhar na restauração de fachadas – muitas perdem parte das pastilhas ou pedaços da cerâmica nos sucessivos temporais – e na impermeabilização de telhados castigados por tanta água. Alguns serviços devem começar o quanto antes porque podem ser mais complexos e demorados e outros precisam ser orçados com antece74

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dência porque podem envolver custos mais altos que exigem a previsão num cronograma financeiro. Dono da Impeservice, que ganhou o prêmio Top Quality no ano passado, Sérgio Antônio Fernandes de Oliveira diz que a cultura da prevenção ainda está sendo difundida. Ele alerta para as consequências de sucessivos adiamentos de pequenos reparos: quase sempre problemas e gastos maiores no futuro. Além de serviços comuns, como impermeabilização e recuperação de fachadas, é cada vez mais frequente a busca por trabalhos mais complexos, como o de reforço estrutural, necessário quando as vigas de sustentação do prédio estão deterioradas. Em geral, depois das chuvas fortes, a demanda é por recuperação de telhas e calhas, além de alguns reparos no aspecto geral da construção.


Sind Ana Lucia - Sub Sind Nadia Raab - cond Firenze

As infiltrações também estão entre os motivos que mais levam à contratação dos serviços da empresa. Ele aproveita para chamar a atenção dos síndicos para soluções paliativas: “Há riscos em adiar serviços que são inadiáveis. Casos como o de um condomínio que estamos atendendo agora em que a laje já apresenta fissuras em toda a extensão. Estamos fazendo um

laudo estrutural para dar início a uma obra para recuperá-la, o que pode ser feito tanto com ferro quanto com fibra de carbono. Tudo precisa ser analisado, dentro de critérios técnicos muito claros, para evitar problemas futuros”, observa. Ele também ressalta que é muito importante uma pesquisa no mercado e nos órgãos de fiscalização, como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), antes da escolha da empresa que vai executar as obras. Entre outras coisas, Sérgio cita que é muito comum encontrar

problemas herdados de serviços malfeitos, como sobrecarga em lajes pela sobreposição de mantas, em razão de impermeabilizações precárias anteriores. “Como ninguém quer entrar em quebra-quebra, as empresas acabam colocando manta em cima de manta e argamassa em cima de argamassa. O resultado é uma sobrecarga na estrutura do prédio que precisa ser corrigida. A solução é retirar tudo e começar do zero”, explica. De acordo com Sérgio, os processos de impermeabilização são fundamentais para

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garantir a durabilidade das intervenções feitas no prédio. Ele tem indicado um produto de última geração para serviços desse tipo, o elastrom, produzido pela Petrobras. Ele costuma comparar a manta a um fusca e o elastrom a uma Ferrari. Os preços são bem diferentes, mas o custo-benefício também. Enquanto o preço da manta é de, aproximadamente, R$ 180 o metro quadrado, o do eleastrom fica em torno de R$ 480. “Mas a manta você instala hoje e já pode vazar amanhã. Porque ela precisa ter emendas feitas com solda e, por melhor que seja o operário, sempre estará suscetível a erro. Se ele usar um pouco mais de fogo ou menos do que o necessário, pode surgir o problema. Já o elastrom é monolítico, não tem emenda”, analisa. Síndica de um condomínio na Fonte da Saudade, na Lagoa, Ana Lúcia Neves Antônio está à frente da árdua tarefa de recuperar a estrutura de um prédio que, há

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mais de 30 anos, não fazia sequer manutenção de fachada. Em 2007, os moradores decidiram encarar a empreitada e, desde então, passaram a fazer caixa para suportar as despesas que viriam com as obras. E puseram a mão na massa. Quase tudo está sendo mexido. A obra é de recuperação estrutural. Todo o revestimento do prédio será refeito, já que havia até vigas de ferro à mostra. Também está sendo realizada a impermeabilização da cobertura e do playground, que tem infiltrações e provocou vazamentos na garagem que fica logo no andar debaixo. “O prédio tem quase 30 anos. Os problemas já existem há algum tempo, mas nunca foram enfrentados pelas administrações anteriores. As pastilhas da fachada estavam sendo expulsas pelas ferragens expostas. Além de falhas na construção, quando se formaram bolhas no concreto, o fato de estarmos na Lagoa, sujeitos à maresia, também ajudou, além da ação do vento e do sol. Contratamos um estudo a um perito e decidimos que não valia a pena realizar remendos, já que foram executados uma vez e não resolveram a questão”, afirma Ana Lúcia, acrescentando que não é nada fácil enfrentar uma obra de grande porte, em especial pelo impacto na rotina do condomínio e, claro, no humor dos moradores. “São 60 apartamentos, dez andares, três pisos de garagem, playground, onde agora está nosso canteiro de obras. O barulho e a poeira a gente administra, mas as implicações relacionadas ao comportamento dos moradores são mais difíceis. Até porque há a necessidade constante de colaboração de


Sind Ricardo nabinger Silva - Cond George Seurat

todos, já que, em alguns casos, precisamos retirar uma janela ou um aparelho de ar-condicionado para fazer um acabamento da fachada, por exemplo. E há sempre o caso daquele morador que alega não poder estar em casa na hora em que precisamos ou que se esquece de deixar a chave. Coisas assim. O complicado é que, por contra-

to, da mesma forma que a empresa deve nos ressarcir caso não cumpra com uma cláusula estipulada, também temos que indenizá-la se formos responsáveis pelo atraso do cronograma da obra.” Para quem não quer tomar um susto com o custo de uma obra gigantesca, Ana Lúcia recomenda muito planejamento. A obra toda do condomínio vai sair por R$ 2 milhões. A realização só é possível porque, há três anos, os moradores pagam cota extra de R$ 450, que ainda será acrescida ao valor do condomínio por mais quatro anos. Os serviços preventivos podem evitar gastos excessivos. O recomendável, orienta Luiz Otávio Gomes Ribeiro, sócio-gerente da Ricel Ribeiro Construtora e Empreendimentos Ltda., é não descuidar da manutenção, que deve ser constante. “Normalmente, a pessoa só se mobiliza quando já está com o problema nas mãos. Mas a orientação, o certo, é cuidar de emboço e pintura a cada três anos e de revestimento cerâmico, de mármore e granito a cada cinco anos. Isso é o adequado, o que manda o protocolo. E não esperar que alguma coisa mais grave aconteça para agir. Se o revestimento apresenta falhas, a tendência é que surja uma infiltração. Com o passar do tempo, a infiltração se agrava e pode até acarretar um acidente ou invadir um dos apartamentos. E, mais, pode até gerar um problema estrutural num caso mais extremo”, aconselha Luiz Otávio. Mas o prédio de um condomínio do Humaitá também não escapou de uma super-reforma. O presidente da comissão de

obras, o engenheiro Ricardo Nabinger Silva, que mora no lugar há mais de dez anos, conta que os operários estão trabalhando no reforço estrutural da cobertura, na revitalização das caixas-d´água e das caixas de máquina dos elevadores e também consertando partes da construção afetadas por infiltrações. A obra também prevê a limpeza e a troca de pastilhas e a pintura da lateral do prédio. Por último, ainda serão realizados a recuperação e o reforço da marquise. Uma parte dos serviços foi feita entre 2007 e 2008. A outra começou no ano passado e deve ser concluída no fim deste ano. “É uma luta, mas a gente tem que encarar. Não podemos fugir das responsabilidades. Afinal, o que está em jogo é nosso patrimônio. Para preservá-lo e valorizá-lo, precisamos passar por cima de pequenos aborrecimentos e transtornos. O importante é focar no projeto maior”, afirma o engenheiro, que administra o condomínio que tem 88 unidades. “O conselho que dou é que, antes do início das obras, seja feito um grande esforço para atrair o maior número possível de moradores para uma reunião de condomínio elucidativa. A ideia é que nela todos discutam os serviços que vão ser realizados e os eventuais incômodos que vão gerar e também tirem dúvidas sobre cronograma e custo. Assim, todos se comprometem e a colaboração é maior.” A primeira etapa da obra custou cerca de R$ 250 mil e a última deverá ser concluída por R$ 950 mil. Gastos altos mas liquidez garantida: os imóveis já se valorizaram em, aproximadamente, 30%.

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Imóveis ESPECIALISTAS EM NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

Inquilinos devem devolver imóveis limpos e vazios Devolver o imóvel locado nas mesmas condições que recebeu e limpo não se trata apenas de boa educação. Mas, sim, de lei. Na Lei do Inquilinato, há uma cláusula que trata das obrigações do locatário. Veja: “Restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal.” O inquilino que ignora isso e pretende devolver o imóvel com móveis que não deseja mais e ainda por cima recheado de sujeira, pode ter muita dor de cabeça, porque o proprietário pode se recusar a receber as chaves caso o imóvel não esteja completamente livre de pessoas e bens. E o dono do imóvel está amparado pela lei. Enquanto o inquilino não retirar tudo que deixou, a locação prossegue, permanecendo a obrigação de pagar aluguéis e encargos até a efetiva entrega das chaves do imóvel absolutamente vazio. Em 2010, o Tribunal de Justiça de São Paulo proferiu uma decisão acerca desse assunto. O inquilino quis entregar as chaves de um imóvel no qual deixou um cofre pesadíssimo, televisores, outros itens e diversos armários de metal. O proprietário se recusou a recebê-lo nessas condições; então, o inquilino propôs ação judicial para fazer a entrega das chaves em juízo. Cabe ressaltar que essa ação foi em vão, pois o

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juiz de Primeira Instância julgou a ação improcedente, entendendo que o bem não estava efetivamente desocupado. O Superior Tribunal de Justiça manteve a decisão do juiz. O relator do recurso especial, ministro Hamilton Carvalhido, da Sexta Turma, justificou que “a transmissão da posse do imóvel ao locador, contudo, somente se opera com o restabelecimento de seu poder de uso e gozo do bem restituído, induvidosamente inocorrente quando se tem a embaraçá-lo a existência de bens do locatário do seu interior”. A conclusão é: o imóvel deve ser devolvido exatamente da forma como foi

alugado. Se havia móveis, estes devem ser devolvidos em bom estado. Se não havia nada, da mesma forma deve ser entregue. E para que não haja imprevistos, deve haver um laudo de vistoria feito antes de a locação começar, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal, como reza o artigo 23, inciso 3º, da Lei 8.245 de 1991. Como se vê, alugar imóveis não é tão simples assim. Nada como a assessoria especializada de uma boa administradora para não haver imprevistos no decorrer da locação. Se você pretende alugar um imóvel, ligue para a CIPA: 2524-0553.


Estatísticas de Imóveis Ofertados Por Tipo Imóvel Aluguel 10% 11% 28% 12% 18%

21%

Apart. (2 quartos)

447

Sala

333

Casa

293

Apart. (3 quartos)

184

Loja

175 157

Outros

total 1.589

Por Bairro Imóvel Aluguel

Por Tipo Imóvel Venda 9% 11% 23% 13% 25% 19%

casa

573

Apart. (2 quartos)

624

Apart. (3 quartos)

495

COBERTURA

341

Terreno

279

Outros

241

4% 4% 5%

barra da tijuca 444

6% 28%

53%

centro

101

Recreio

79

copacabana

66

tijuca

58

total 2.553

11% 26%

barra da tijuca

46%

copacabana recreio freguesia

1%

1.185

outros taquara

total 1.581

Por Finalidade

Por Bairro Imóvel Venda 6% 4% 7%

833

outros

655

venda

2.557

283

aluguel

1.589

171

TEMPORADA

55

lançamento

10

143 113

38%

61%

total 4.211

total 2.550 fonte: abadi

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saúde

Estado do Rio já registra casos de dengue tipo 4 A dengue tipo 4 voltou a ser registrada no Brasil depois de 30 anos. Ano passado, começaram a aparecer alguns casos, inicialmente em Roraima e no Amazonas. Nas últimas semanas, foram confirmadas ocorrências também no Piauí, na Bahia e no Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição da revista Condomínio etc., o estado do Rio já havia registrado dois casos. Os riscos de uma epidemia de dengue tipo 4 já colocaram em alerta as autoridades de saúde do país e estão deixando apreensiva a população nas regiões onde o vírus foi identificado. Médicos e outros profissionais envolvidos no combate à dengue afirmam que é preciso redobrar o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti, a fim de evitar a circulação do sorotipo 4 do vírus, bem como agir rapidamente em caso de suspeita da doença. Segundo especialistas do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, do Rio de Janeiro,

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do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, e do Ministério da Saúde existem quatro sorotipos da doença: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. O mosquito transmissor da doença é o mesmo, e do ponto de vista clínico, todos os tipos de dengue são absolutamente iguais e vão gerar o mesmo quadro. “O que distingue cada sorotipo são pequenas diferenças em suas composições genéticas”, diz a virologista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Rita Nogueira. Mas todos podem causar tanto a forma clássica da doença quanto provocar manifestações mais graves. O detalhe é que quem já teve outros tipos de dengue não está imune ao DENV-4. A imunidade associada à dengue é sorotipo-específica. Ou seja, quando uma pessoa é infectada por determinado sorotipo da dengue, fica imune apenas a ele. Desse modo, um indivíduo pode ter dengue no máximo quatro vezes, cada uma delas causada por um sorotipo diferente.

“É sempre bom lembrar que o tratamento deve seguir a conduta prevista nos manuais do Ministério da Saúde”, diz a virologista Rita Nogueira. “São recomendadas medidas como repouso, hidratação e analgesia. Por ser uma doença viral, não é tratada com antibióticos”, explica o médico do Instituto Emílio Ribas. Mas é preciso cuidado com antitérmicos e analgésicos: eles não devem conter ácido acetilsalicílico na fórmula, pois essa substância tem efeito anticoagulante, o que pode causar sangramentos. Uma dica interessante: em áreas com risco de epidemia, procure usar roupas claras, que ajudam a identificar a presença do mosquito. Repelentes possuem ação limitada e não eliminam o mosquito, apenas o mantêm distante. Os especialistas ressaltam também que a mobilização da população é fundamental para apoiar as ações de intensificação do controle do vetor.


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Revista Condomínio. Edição 49  
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