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Todo síndico lê!

Obras de modernização valorizam o patrimônio procurar as melhores empresas e o orçamento mais justo pode ser uma tarefa gratificante

46 JUL AGO SET 2010

ANO 12

Furto e Uma roubonova nas garagens dos edifícios. De quem a responsabilidade? Lei do Inquilinato: Veja o éque mudou


Paulo Rodrigues

EDITORIAL

NEWTON MENDONÇA Presidente da CIPA

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Obras de modernização valorizam o patrimônio

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Quem quer ver seu imóvel valorizar não pode se preocupar apenas com o interior de seu apartamento, precisa prestar atenção também no prédio. As obras de manutenção e a reforma caminham junto com a valorização de um imóvel. Da fachada às áreas comuns, dos revestimentos aos pequenos detalhes, tudo faz diferença. Leia a matéria e saiba mais.

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Água na pressão certa: as bombas, suas muitas utilidades e os cuidados para deixá-las sempre funcionando bem

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Num dia quente de verão nada mais desagradável do que abrir a torneira e – voilà – ela está seca. O que parece improvável pode acontecer. Um dos maiores fantasmas de todo condomínio – e dor de cabeça garantida para síndicos – é a falta d’água. Por isso, a manutenção preventiva das bombas que servem os prédios é tão importante para garantir a harmonia entre a administração do prédio e seus moradores. Se você ainda está meio por fora deste assunto, leia o texto!

Uma publicação:

Condomíniomanutenção manutenção

Quem poderia imaginar que a União Europeia, composta pelos países considerados de primeiro mundo, enfrentaria uma crise econômica de altas proporções que pode balançar o mundo, causando, até, o nefasto efeito dominó ou pânico no sistema financeiro? Há quase dez anos, foi criada a União Europeia. Na ocasião, foi estabelecida uma moeda única para os países que a compusessem, o euro, que se valorizou bastante em relação a outras moedas, inclusive o dólar. Existe uma série de obrigações entre os países, especialmente em relação ao equilíbrio das contas públicas, o chamado déficit fiscal, que não deveria ultrapassar de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, de tudo que um país produz. Nós, aqui, no Brasil, em função das medidas econômicas adotadas nos últimos 16 anos, em 2009, ficamos com o déficit fiscal no patamar de 3,3%. Ficamos em melhor situação que a Alemanha, o país mais forte da Europa, cujo percentual ficou em torno dos 5%; a Grécia ultrapassou os 12%, bem como Portugal, Espanha e outros países, que se descontrolaram e não fizeram as reformas necessárias para a estabilidade indispensável das contas públicas. Esse equilíbrio dá aos países credibilidade, fazendo com que haja investimentos externos e que seja possível construir e planejar. Hoje, no Brasil, podemos obter crédito imobiliário que chega a 30 anos, impensável antes, com a inflação fora de controle. É por isso que o Brasil e a América Latina têm muito a aprender com esse episódio. Ainda temos bastante a fazer para consolidar nossa situação, que hoje é melhor do que em muitos países tradicionais da Europa, mais que pode voltar a se descontrolar. O novo governo que será escolhido este ano tem enorme responsabilidade na continuação das políticas que estão dando certo, embora tão importante seja programar as necessárias reformas fiscal, política, trabalhista e outras, fundamentais mas que não saem do papel. Necessitamos que o candidato eleito não mude o que já foi feito de bom. A sociedade exige continuidade e estabilidade para trabalhar e produzir. Um exemplo atual da força da população foi o movimento conhecido como Lei da Ficha Limpa (projeto de lei da Câmara que torna inelegíveis os candidatos a cargos públicos que tiverem sido condenados por determinados crimes em decisão colegiada, ou seja, por um grupo de juízes), que, com mais de um milhão de assinaturas, mexeu com os políticos. O Brasil precisa seguir o caminho que está trilhando há quase duas décadas, para aguentar os eventos inesperados que têm ocorrido no planeta. Por exemplo, quem imaginaria que um vulcão na Islândia pudesse afetar o mundo todo com sua erupção? A erupção anterior foi em 1600 e, pasmem, durou três anos. Esperamos que não aconteça a mesma coisa agora. Enfim, estamos otimistas com o futuro e creio que o próximo governo não estragará o que conquistamos com tanto sacrifício.

CAPA ENTREVISTA

a crise europeia e o Brasil

DIRETORIA Presidente NEWTON MENDONÇA

2010 - 56 anos

Vice-presidente MÁRIO MENDONÇA

Rua México, 41 - 2o andar CEP 20031-905 Centro - Rio de Janeiro Tel.: [21] 2196-5000 Fax: [21] 2533-2449

Diretora de Condomínio, Administração e Finanças DEBORAH O’DENA MENDONÇA Diretora de Locação, Seguros e Novos Negócios MARIA TERESA MENDONÇA DIAS


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Paisagismo

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Esculturas e flores destacam o ambiente verde da entrada de qualquer prédio. Mas um bom projeto paisagístico faz toda diferença. Leia a matéria e faça seu condomínio ficar mais verde e valorizado.

Televisão na portaria: mocinha ou vilã?

Síndicos divergem quanto à presença do aparelho, mas especialistas garantem que a TV não é um programa legal para a segurança de condomínios. Leia atentamente essa matéria e veja se o seu condomínio está bem na fita.

Redação e Edição VIVIEN BEZERRA DE MELLO (MTb: 18731) Revisão ANDREA BIVAR Fotografia Ariel Subirá Marketing e Publicidade SAMY GRUBMAN (marketing@cipa.com.br) Tiragem 18 mil exemplares

Colaboraram neste número Carla Rocha Fátima cardoso Leo João Luiz Fernando Marin MILTON DE MENDONÇA TEIXEIRA Paulo Ferreira Raquel Pinheiro Loureiro renata Fernandes Simone Gondim STELLA MARIS C. MENDONÇA wanja Antunes

Condomínio

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Nada melhor do que um bom banho para limpar qualquer sujeira. Esse princípio se aplica também a edifícios. No caso de prédios, o banho recomendado vem por meio da técnica de hidrojateamento. Se você quer saber como funciona, leia essa matéria e fique por dentro.

Furto e roubo nas garagens dos edifícios – responsabilidade do condomínio e do síndico

Segurança

Esculturas e flores valorizam qualquer jardim

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LEGISLAÇÃO

Depois do fatídico incêndio no prédio da Eletrobrás, em 2004, a legislação de prevenção foi profundamente alterada pelo governo do estado. As novas regras estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros visam dar mais segurança a todos os prédios da cidade. Antes construções erguidas até 1976, como o espigão da Eletrobrás - onde também funcionavam dois bancos - estavam livres de cumprir certas exigências. Agora é diferente, todos têm que se adequar. Saiba como lendo essa matéria.

Limpeza eficiente

Esse tema é velho conhecido dos condomínios, mas ainda gera muitas dúvidas. Nosso colunista, o advogado Luís Fernando Marin, esclarece nossos leitores sobre esse assunto.

PARA ANUNCIAR LIGUE

2196-5176

www.condominioetc.com.br revista@condominioetc.com.br Conceitos e opiniões em artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta publicação é permitida desde que seja citada a fonte e previamente autorizada, por escrito, pela editora. A empresa reserva-se ao direito de não aceitar publicidade sem fundamentar motivação de recusa.

EXPEDIENTE

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Condomínio

Síndico bom apaga o incêndio antes de ele começar

Esta publicação está em conformidade com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995, e em vigor desde 1º de janeiro de 2009.

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Entrevista por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Moda, medicina e comportamento, suas especialidades Ele é meu amigo desde a infância (não faz muito tempo assim) e sou testemunha de sua trajetória pessoal e profissional recheada de ideias, projetos, sonhos, rasteiras, obstáculos, vitórias e todos os balangandãs que fazem parte de uma vida colorida. Da medicina à moda, Marco Sabino percorreu inúmeros caminhos criativos e, desde 2000, é editor do www.marcosabino.com e www. marcosabino.com/blog, no qual escreve sobre tendências do vestir e do viver. Marco nasceu em 1953, em Belo Horizonte, e veio com a família para o Rio de Janeiro quando tinha 3 anos. Em 1977, formou-se em Medicina pela UFRJ, tendo trabalhado como diretor médico e tradutor de textos científicos do laboratório dinamarquês Novo Industri. Em 1978, deu a virada definitiva. A grife Marco Sabino de bijute-

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rias e acessórios, que existia informalmente desde os tempos da faculdade, foi legalizada em 1982 e esteve sob sua coordenação até 1999. Em 1983, inaugurou o showroom Marco Sabino, em Ipanema, e nesse período produziu vários eventos, como o Marco Sabino - Arte Assinada. De 1986 a 1999, foi sócio-proprietário da loja Marco Sabino, na Galeria Fórum de Ipanema. Detalhista no trabalho e sempre procurando oferecer ao público o melhor e o mais criativo, diplomou-se, em 1986, pelo curso de Madame Rucki (Studio Berçot de Paris) ministrado na Casa Rhodia em São Paulo; em 1999, pelo curso de moda do Institut Parisien de la Langue et Civilisation Française, em Paris; além de ter integrado, por um ano, o Comitê da Indústria Têxtil, em São Paulo.

Marco sempre foi bom nas letras, como vários médicos de nossa literatura. Em 1986, publica seu primeiro artigo, “Vale tudo no cardápio da moda”, na revista Claudia Moda da Editora Abril, e, durante muitos anos, saem artigos seus e coberturas internacionais em Vogue, Desfile Coleções, Elle (torna-se responsável pelas seis páginas da seção “O que vai por aí” da Elle Decoração), Around (de Joyce Pascowitch) e The Voice, além dos jornais O Globo e Jornal do Brasil. Foi também responsável pela revisão técnica da tradução para o português do livro Deluxe, escrito por Dana Thomas. Em 1992, a revista Elle lançou, através do artigo “Pé de chinelo”, o desafio de tornar fashion o uso das Havaianas. Vários estilistas participaram da convocatória, mas o modelo de Marco Sabino foi o melhor -


Condomínio etc. - Marco, o que é moda? Marco Sabino - A moda pode ter um caráter lúdico, mas traduz a insatisfação e a eterna busca pela diferença do ser humano. Ela fecha seu ciclo quando atinge o coletivo, pois moda individual não existe. Estilo, sim. Cetc. - Vale tudo no cardápio da moda? Isso é uma defesa da liberdade e da criação? MS - Os anos 1970 introduziram a liberdade na moda que, desde os anos 1960, já vinha se liberando da tirania dos ditames da alta-costura e de alguns criadores respeitados. Nos anos 1980, estilistas japoneses, como Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto, surpreenderam

acervo

foto: luiz garrido

customizou as sandálias de borracha virando as solas e deixando-as monocromáticas. “A moda pegou, saiu na mídia e a sandália ficou usável, fashion.” Em 1994, Sabino ganhou o Prêmio Rio Sul de Moda, na categoria bijuterias. Em 1996, convidado pela Grendene, cria e lança o calçado Rider Copacabana e, de 1995 a 1998, participa das Semanas de Moda cariocas promovidas pelo Linifício Leslie/Helena Rubinstein e BarraShopping, atual Fashion Rio. Em 2006, Marco Sabino lança, pela Editora Campus/Elsevier, o Dicionário da Moda, atualmente em sua segunda edição - um total de 6 mil exemplares. No ano seguinte, no Fashion Marketing promovido por Gloria Kalil, em São Paulo, foi moderador da palestra de Colin McDowell, escritor e colunista do jornal britânico The Sunday Times. No ano passado, fez a curadoria da exposição O Perfume Francês – a História do Perfume Através dos Séculos no Shopping Leblon, em comemoração ao Ano da França no Brasil. E em abril deste ano, foi curador da exposição 30 Anos de Moda no Shopping Rio Sul. No próximo semestre, será lançado, pelo Selo LS2 com patrocínio da Editora Campus/Elsevier, História da Moda, um trabalho complementar ao Dicionário que se propõe a falar da expressão visual do homem e da mulher desde a pré-história - quando estava na moda usar contas, conchas, colares e supostas agulhas de osso -, passando pelo descobrimento do Brasil até o presente. Agora vamos escutá-lo.

o universo da moda com uma nova silhueta e, no decorrer da década, houve um mergulho nas anteriores. As opções se abriram e a liberdade se fez cada vez mais presente. Cetc. - Moda é arte ou indústria? MS - A moda é a filha mimada da indumentária com o capitalismo. Não há moda sem fundamento econômico. Moda pode revelar um lado artístico contido na criação e a indústria serve de ferramenta para maior alcance de ideias estilísticas. Cetc. - Por que considera fatídicas as “fashion weeks"? MS - Todo excesso leva ao desgaste. De uns tempos para cá, a moda se tornou uma espécie de fenômeno pop. Ficou na moda falar sobre moda. Em 2008, Eric Wilson, do The New York Times, contabilizou 152 fashion weeks no mundo. Em 2010, o número já aumentou. A Tunísia foi um dos últimos países a anunciar que fará sua fashion week. Cetc. - Como andam as faculdades de moda? Quais as perspectivas de trabalho para esses profissionais? MS - Não tenho visitado as escolas de moda. Minha maior contribuição ao ensino foi a publicação do livro Dicionário da Moda, lançado em 2006 e que serve de ferramenta de estudo para quem quer saber mais sobre esse universo. Há muitos segmentos a serem explorados, mas acho que no Brasil ainda falta muito conhecimento técnico. JUL_AGO_SET 2010

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foto: Solange Watel

livro está em sua segunda tiragem de 3 mil exemplares. As cem páginas? Quem sabe? Não depende de mim, infelizmente. Cetc. - Exposição Rio Sul - 30 Anos de Moda. O que representa? MS - A exposição foi ótima e é mais uma contribuição para que o público interessado saiba um pouco mais sobre história da moda.

Cetc. - Na moda, vender é vencer? MS - Vender seu produto significa aceitação e também ganho financeiro. Não vejo razão em criar moda para simplesmente alimentar vaidades. O difícil é se manter. Cetc. - Como conheço seu texto há muito tempo, não me surpreende a guinada para a escrita sobre moda. Como é ser escritor num país com 16 milhões de analfabetos funcionais, 9% da população de 170 milhões de pessoas; um terço da população de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que não têm domínio pleno da leitura nem da escrita; e outro terço que mal consegue identificar enunciados simples. Paradoxalmente, o Brasil é o oitavo produtor de livros do mundo...

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MS - Acho que esses dados deveriam preocupar os órgãos governamentais, que deveriam investir mais em educação. Não há desenvolvimento sem educação. O Brasil já sofreu muito em seu período colonial. O país e os brasileiros merecem mais porque, como todos sabem, a carga tributária não é pequena. O dinheiro recolhido tem de chegar ao destino certo. Cetc. - Fale sobre o Dicionário da Moda. Como andam as vendas? Vai publicar as cem páginas que “sobraram” do dicionário? MS - Escrever um romance é difícil; um dicionário com 672 páginas talvez um pouco mais. Precisamos de muita vontade, garra e perseverança para lutar pelo projeto. O

Cetc. - Fale sobre o História da Moda, seu próximo livro. MS - O livro tem início com a expressão visual do ser humano, vai da pré-história até a década de 2010. Acredito que as pessoas vão gostar do trabalho que, mais uma vez, tenta passar boas informações e preservar a memória. Quando os portugueses chegaram aqui, viram que os índios tinham setas e flechas. A primeira comunicação entre os povos se deu através do gestual e da roupagem. O português lhes jogou um sombrero e outra peça da indumentária europeia e os índios jogaram duas peças de sua cultura. Hoje o segmento da moda masculina, no mundo inteiro, tem se desenvolvido e deverá provocar grandes mudanças no comportamento do homem contemporâneo. Cetc. - Você, que é médico de formação, pode indicar o que é saudável e o que é doentio no mundo na moda e em tudo o que ela representa na vida das pessoas? MS - O consumo excessivo é doentio, assim como a vaidade desmesurada. A última não é uma novidade do ser humano, mas a primeira é altamente preocupante. Publicamos a seguir extratos de artigo assinado por Marco Sabino em 2008.


A importância de se escrever um dicionário de moda Escrevi meu primeiro artigo sobre moda e comportamento em 1985 ao ser convidado pela revista Claudia Moda da Editora Abril. O artigo “Vale tudo no cardápio da moda” tinha um tom premonitório do qual eu muito me orgulho. Afinal, ao lê-lo hoje, passados 22 anos, vejo que minhas antenas estavam bem atentas aos movimentos que viriam acontecer no universo da moda. (...) Sempre gostei de moda e, nos anos 70, já lia a italiana L’UOMO Vogue e a Elle francesa. Mal poderia adivinhar, entretanto, que em 1999 viria a morar em Paris na casa do próprio Jean-Luc Lagardère (1928-2003), marido de Bethy Lagardère e dono da Elle e de tantos outros negócios. Aliás, uma linda casa do século XVIII, que foi comprada por Bernard Arnault do grupo francês LVMH que inclui Dior, Louis Vuitton e outras marcas internacionalmente conhecidas. Mas como um médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro torna-se estilista de bijuterias e acessórios, depois articulista, mais tarde editor do pioneiríssimo www.marcosabino.com, inaugurado em fevereiro de 2000, e finalmente autor do Dicionário da Moda publicado em 2006? Não sei. Coisas do destino, da vontade e do não conformismo, acredito. Após meus cursos e temporada em Paris, voltei ao Rio de Janeiro, mas logo em seguida decidi me isolar. Fui para Petrópolis, onde passei dois anos e lá dediquei-me a meu site*. Depois de algum tempo, voltei ao design das bijoux e, logo, passei a acumular várias atividades. Em 2003, veio o convite da Editora Campus/Elsevier para escrever um pequeno dicionário de moda. Assinei o contrato, mas nada ainda era certo em termos do número de páginas, se haveria fotos, sobre quem assinaria o projeto gráfico, enfim, nada definitivo. Com o desafio e a firme vontade de contar o que sabia, pois já havia vivido 26 anos no circuito da moda, arregacei as mangas e dei início ao trabalho. Completamente só. Inicialmente, fiz um brainstorm, no qual tentei listar todos os

verbetes que entrariam no livro. E o livro foi crescendo. Queria homenagear todos os profissionais da moda que haviam se dedicado ao setor e deixar registrada sua existência e importância no cenário de moda nacional. Gastei uma fortuna em livros, revistas antigas e pesquisas. Sem a ajuda de ninguém e com muita vontade de acertar. Tive de estudar muito. Ler em francês, inglês, espanhol e tentar trazer a verdade para as páginas de meu livro, já que há disputas e mais disputas sobre a autoria e a invenção das coisas entre estrangeiros, principalmente franceses e ingleses. Mas eu queria ser imparcial e buscava a verdade. Sempre. Tarefa difícil num universo repleto de egos desmesurados e num país onde o culto à memória não é uma prerrogativa. À medida que os verbetes iam se delineando, as dúvidas aumentavam e, a cada dia, eu tinha de me esforçar mais. Comecei a notar que muitas pessoas mentiam e não queriam a verdade dos fatos. Coisas simples como não revelar a própria idade até profissionais que, por desafeto, rompimento e desilusão, eliminavam ex-sócios, parentes e até mesmo esposas e maridos. Comecei a enlouquecer. A minha proposta era com a verdade. Já bastava ter de ler e ouvir que a cena de moda nacional havia começado com as fatídicas fashion weeks dos anos 1990. E todo o trabalho que foi feito antes? Por que renegá-los? Havia semanas de JUL_AGO_SET 2010

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moda sim e, no início dos anos 1980, éramos obrigados a apresentar prévias de coleções de inverno já em novembro. As coleções seriam apresentadas em janeiro e entrariam nas lojas em março, mas edições profissionais, como o Jornal da Claudia Moda, que circulavam durante a Fenit em janeiro, precisavam de material para suas páginas e nós, estilistas, enviávamos croquis e peças-piloto. Tudo para não perder a oportunidade de ter o nome em evidência num período com boa divulgação. Em janeiro, ainda, apresentávamos nossas coleções em nossos showrooms e aguardávamos as vendas pra os lojistas de atacado. Logo depois, revistas como Moda Brasil, Desfile, Vogue, Claudia Moda e Interview já recolhiam nossas peças para serem fotografadas nos editoriais das novas estações. Ao ler as declarações dos organizadores das semanas de moda atuais, me perguntava: por que Regina Guerreiro não diz o que acontecia? Por que Costanza Pascolato não declara como ela era recebida no Rio de Janeiro na época desses lançamentos que não tinham o nome de fashion week, mas que eram encarados com a mesma seriedade profissional? Até hoje, tenho essa dúvida. Por que o silêncio? Afinal, as editoras de moda não apresentavam nas páginas de moda de suas revistas parafusos ou móveis de madeira. Elas comentavam e apresentavam fotografias de roupas e de acessórios! Bradavam sobre a nova tendência e mostravam que entendiam do riscado. Os tempos eram diferentes, o mundo era outro, mas os seres humanos continuam os mesmos. Com seus egos, vontades, força e dinamismo. Todas aquelas pessoas que participavam daquela imensa engrenagem de moda

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eram profissionais. A maioria autodidata, mas tentando acertar, ganhar notoriedade, conquistar, seduzir, vender e vencer. Igualzinho aos que estão nesse meio em pleno século XXI. O que mudou foram o tamanho, a sofisticação tecnológica, o aparato e o aparecimento de escolas, cursos e novas profissões. Produtora de moda não era chamada stylist. Encarregado do som não era conhecido por DJ. E, para falar a verdade, havia muito mais revistas dirigidas ao profissional da moda do que hoje em dia. No início da minha trajetória profissional, eu ainda conheci o importante Noticiário da Moda da Editora Abril, o Moda & Mercado, o Moda & Serviço, Etiqueta, Claudia Moda, Desfile Coleções, Edição e tantas outras publicações. No Dicionário da Moda, eu queria homenagear todas as pessoas que haviam trabalhado e participado da construção do cenário de moda do país. Só quem viveu os terríveis planos econômicos, uma epidemia de Aids e tantas outras adversidades dos anos 1980 sabe do que estou falando. Considero todos esses que se esforçaram e construíram suas marcas e seus negócios verdadeiros heróis da resistência. Porque não foi fácil. (...) Não havia interesse nesse segmento pelas grandes empresas. As pessoas, que queriam se dedicar à moda, tinham de ser perseverantes e insistentes. (...) Pois bem, ao se escrever um Dicionário da Moda, em que nomes são perfilados, pode-se imaginar exatamente o que acontece. Uma jornalista, que contatei no início dos trabalhos, queria saber qual seria o tamanho de seu verbete, pois, afinal, ela era uma das mais antigas na moda e já bastava ter tido iniciativas e trabalhos seus atribuídos e publicados na biografia de outra pessoa. Concordei, disse o número

de linhas que haviam recebido duas jornalistas de igual importância e ela acedeu. Disse: “Mãos à obra!” Após algum tempo, recebo um e-mail noticiando sua morte e convidando para a missa de sétimo dia. Fiquei estupefato, pois quando ela conversou comigo, ela já sabia que não duraria muito tempo mas, mesmo assim, importava-se muito com aquele número de linhas. Escrever um dicionário não é fácil e qual não foi a minha surpresa ao ler o e-mail de um estilista mimado que não se sentia satisfeito com suas 29 linhas! Mas as dificuldades não me desanimaram e, leonino, obsessivo e perfeccionista que sou, não esmoreci. Tive depressões, tendinites, cansaço extenuante, discussões com os editores, frustrações, mas cheguei lá. As minhas premissas eram a imparcialidade e a narrativa da verdade dos fatos, e acho que isso eu conquis-


tei. Aprendi que é complicado escrever sobre os outros, que é difícil resgatar, com apuro técnico, a descrição de uma roupa ou acessório, compreender a indumentária no passado e que é impossível acreditar na primeira informação lida ou conseguida. Dos meus mais de 800 volumes sobre moda colecionados desde os anos 1980, tive de descartar as informações de inúmeros deles. Passei a exigir títulos em relação aos autores e, assim mesmo, olhe lá, pois há sempre divergências e interpretações diferentes. Fontes na internet? Extremo cuidado, eu advertiria ao mais incauto ou ao que não seja um mineiro tão desconfiado como eu. É sempre necessário checar. Ou tentar, porque as próprias pessoas mudam suas histórias, inventam novas trajetórias e, em minha opinião, enganam a si próprias e, o que é pior, a memória do Brasil. Mas o trabalho foi irresistível, principalmente quando, no decorrer dos meses, constatamos que o número de páginas foi aumentando, que os arquivos no computador foram ficando repletos e que a possibilidade da escolha de fotos e ilustrações, apesar de instigante, poderia levar à loucura. Conseguir autorizações para fotos, para publicação de capas de revistas e páginas de jornal é um trabalho extenuante e que pode ensandecer qualquer um. Acha-se o fotógrafo e não se acha a modelo. O modelo quer cobrar cachê para ter sua foto publicada no livro. Por incrível que possa parecer, esse fato aconteceu. Todos acham que o autor irá ganhar rios de dinheiro e alguns limitados não conseguem enxergar que sua imagem estará eternizada num trabalho sério e que é uma deferência para a pessoa estar ali. Trabalho quase encerrado, o orçamento da editora vetou a excessiva quantidade de páginas. Com o coração na mão, tive de aceitar a retirada de quase cem páginas do livro. Páginas repletas de palavras escolhidas, pesquisadas, amadas. E muita gente reclamou de não estar citada no livro. Muita gente sem tanta importância na moda, mas que se acha superimportante e não admitiu a suposta falha técnica do autor. (...) A maior parte queria ser verbete separado. Impossível! O trabalho de um autor como o do Dicionário

da Moda foi um trabalho de formiguinha, de arqueólogo, de monge… Um trabalho solitário e uma tarefa quixotesca que me propus realizar pelo fato de ter atração por esse universo e pelo fato de ter sido testemunha ocular dessa História, a História da Moda no Brasil. Um trabalho que pode ter tido algumas falhas, mas que foi exaustivo, dispendioso financeiramente para mim, mas um exercício de paciência, fé, busca e compreensão. *No final dos anos 1990, usava-se muito a palavra homepage. Depois as palavras site e portal se tornaram mais usadas. Em minha opinião, o marcosabino.com continua sendo um site, e não um blog, apesar de ter servido, para muitos, de inspiração. Talvez tenha a linguagem dos blogs atuais, pois sempre foi totalmente autoral, mas não tem a construção e formato de um blog. JUL_AGO_SET 2010

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capa por Renata Fernandes

Obras de modernização valorizam o patrimônio O síndico deve trabalhar para valorizar o condomínio, e procurar as melhores empresas e o orçamento mais justo pode ser uma tarefa gratificante Quem quer ver seu imóvel valorizar não pode se preocupar apenas com o interior de seu apartamento, precisa prestar atenção também no prédio. As obras de manutenção e a reforma caminham junto com a valorização de um imóvel. Da fachada às áreas comuns, dos revestimentos aos pequenos detalhes, tudo faz diferença. A síndica Reginalda Machado, do condomínio La Reserve Hotel, na Barra da Tijuca, tem experiência no assunto. Por lá já foram feitas inúmeras reformas e Reginalda, há seis anos no cargo, acompanhou as mudanças de preço dos apartamentos que eram postos a venda depois de cada uma delas. A síndica garante, de acordo com sua experiência, que o incremento chega a 20%, para venda ou locação. “Esse é meu ponto de vista como síndica e proprietária. Em minha visão, acho que a reforma traz uma valorização direta. Aconteceu aqui no prédio. Um apartamento de dois quartos custava R$ 350 mil e hoje é vendido por R$ 550 mil”, revela. O La Reserve passou, nos últimos anos, por várias obras na fachada. O edifício foi pintado e teve o parapeito de todas as varandas, que estava enferrujando, trocado. Há três anos, o foco foram os elevadores. No prédio, há três sociais e um de serviço. Quando o morador chamava, vinham todos ao mesmo tempo. O condomínio investiu em uma reprogramação. Hoje atende ao chamado do morador o elevador que estiver mais perto. A vantagem? Econo-

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Na hora de pensar no novo revestimento, saiba que a cerâmica é mais durável do que a pintura

mia! “Era muito gasto de energia. Com essa reforma, você chama e vem só o que está próximo. Isso demanda uma economia imensa de energia”, explica a síndica. Segundo Marcello Delano, gerente regional Rio de Janeiro da empresa Atlas Schindler, a modernização dos elevadores, tanto da parte tecnológica quanto da estética, traz grandes vantagens para o condomínio. “Em uma modernização tecnológica, podemos citar a economia do consumo de energia e o fato de que a troca de peças passa a ser menos frequente. O equipamento tem sua vida útil estendida, com maior disponibilidade de uso. Com relação a um novo design, há a melhora na aparência da cabine, fator importante, já que o elevador é um item de grande atenção para um futuro comprador”, explica. Uma forma mais econômica de realizar qualquer um dos dois tipos de modernização é optar pelo serviço passo a passo. Depois de uma avaliação técnica, é desenvolvido um plano para a melhoria do

equipamento, em etapas, assim o serviço é executado sem influenciar muito a rotina do edifício, além de levar em conta a disponibilidade financeira do condomínio. Pequenos detalhes podem também deixar um elevador antigo com aparência de novo, sem afetar tanto o bolso dos moradores. “Por exemplo, a troca apenas da botoeira traz um design mais atual à cabine e a sensação de estar em um equipamento mais novo. E a substituição do quadro de comando para um modelo com variação de frequência elimina trancos, reduz degraus entre cabine e pavimentos, economiza até 30% de energia e ainda reduz o nível de ruído na casa de máquinas”, sugere Marcello Delano. De qualquer forma, não há como escapar da manutenção periódica. É nesse momento que é realizada a verificação dos itens responsáveis pelo bom funcionamento do equipamento e dos aspectos relacionados à segurança de seus usuários. “Nas grandes metrópoles, como São

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divulgação

Marcello Delano, da Atlas Schindler: “Em uma modernização tecnológica, podemos citar a economia do consumo de energia e o fato de que a troca de peças passa a ser menos frequente” O síndico André Castelo Branco: “Não é apenas uma questão estética, você está mantendo um patrimônio”

Paulo e Rio de Janeiro, a periodicidade da manutenção preventiva é definida por lei municipal, sendo realizada mensalmente”, explica Delano. E como identificar a hora em que um elevador precisa ser trocado? Segundo Delano, o equipamento com mais de 20 anos já começa a apresentar problemas que não podem ser solucionados apenas com a manutenção preventiva ou corretiva. Entre os principais estão geração de degraus (desnível entre pavimento e cabine), ruídos além do normal, troca excessiva de peças e paralisações frequentes. “Para não deixar que o equipamento entre nessa fase mais crítica, sugerimos que nossos clientes pensem em modernizar seus elevadores quando eles estão com, aproximadamente, dez anos de funcionamento. Vale reforçar que o elevador é um equipamento extremamente resistente, desde que submetido à manutenção adequada”, aconselha.

planejamento é sempre o melhor começo Só de escutar sobre reforma de fachada, novo design e programação de elevadores, obras nas partes comuns dos edifícios, há muito condômino que já sai correndo, com medo de cotas extras e altos investimentos. Reginalda Machado ensina que o jeito é chegar à assembleia de condomínio com todo o material já preparado. Assim, ao mesmo tempo em que a proposta de reforma é apresentada, há a justificativa da obra e o orçamento de várias firmas para o projeto. “Mostro o orçamento de três, quatro firmas, como vai ficar e a razão de estarmos fazendo aquilo. Provo que é o melhor a ser feito. Assim, você não precisa convencer ninguém. Tudo deve ser planejado”, explica. O condomínio agora está passando por mais uma obra. Faz parte da área do edifício uma loja de 500 metros quadrados, que

agora está sendo reformada. O objetivo, principalmente, é atender à necessidade dos moradores. O local vai abrigar uma padaria, um restaurante e uma pizzaria. Se o investimento vai trazer frutos para os moradores? Reginalda não tem a menor dúvida. “Isso, para locação de apartamento, é maravilhoso. Quando alguém liga interessado em alugar, pergunta logo se há algo por perto, que possa ser feito a pé. Como o edifício fica na Barra, onde se usa carro para tudo, esse será um ganho muito grande”, aposta. O síndico André Castelo Branco, do condomínio Acauã, em Ipanema, também não tem a menor dúvida quanto aos benefícios que uma reforma pode trazer para a valorização de um imóvel. Só nos últimos quatro meses, ele fez uma série de reparos que trouxe grande melhora no visual

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depois

divulgação atlas schindler

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Uma forma mais econômica de realizar a modernização de elevadores é optar pelo passo a passo

do edifício. Sem dúvida, uma tarefa gratificante. As duas garagens do prédio, por exemplo, receberam nova pintura. “São garagens sem ladrilho, então, temos sempre que nos preocupar com a pintura. Melhora muito o visual. O automóvel solta muita fuligem, por isso o reparo constante”, explica. Os ambientes ainda foram equipados com carrinhos, para quando os moradores chegam com compras. Além disso, o local ganhou mais organização com um novo

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bicicletário, que acabou com o amontoado de bicicletas espalhadas pela garagem. Ganchos foram instalados para pendurar cada uma delas. E as reformas não pararam por aí. Castelo Branco comprou novas lixeiras para cada andar. Pode parecer um simples detalhe, mas o síndico garante que não. Elas deixaram o ambiente com uma aparência mais limpa, o que agrada a moradores, visitantes e futuros compradores. O síndico

pensou também na segurança e reforçou a iluminação. Luzes de emergência foram instaladas nas garagens e nas escadas. “Foi uma necessidade que sentimos depois dos apagões que ocorreram na cidade neste ano”, revela. Para embelezar as áreas comuns, o síndico não se esqueceu de incluir muito verde. “Fizemos um paisagismo no prédio e contratamos um jardineiro. Parte da piscina ganhou grandes vasos com plantas, assim como o playground e a entrada”, afirma. O síndico seguiu as sugestões do profissional, que mandou o orçamento e a opção de plantas e flores que ficariam bem no espaço disponível. O resultado não deixou ninguém arrependido. “Ficou ótimo e muda a aparência do prédio. Fica muito mais vivo, além do quê, quem mora nos apartamentos de fundos tem acesso a toda essa área. Mudou a vista da pessoa”, comemora. A fachada de um edifício e a portaria são o cartão de visitas de um prédio. Por isso, elas não ficaram de fora da reforma que o síndico implantou neste ano. Alguns itens importantes da portaria foram trocados, uma preparação para a obra, que deve começar ainda no segundo semestre de 2010. Os tapetes da entrada e dos elevadores foram mudados e o porteiro ganhou uma mesa nova e mais moderna. “Faz muita diferença. É a primeira coisa que a pessoa vê quando entra, e o custo não justifica deixar de fazer. Vamos agora substituir toda a decoração da portaria: esculturas, tapetes e vasos”, detalha o síndico, defendendo que trocar objetos já dá uma nova aparência ao ambiente, sem muito investimento.


“Hoje é obrigatório ter um piso especial, que pode ser tatame ou grama sintética. É adequado para área externa, não desbota nem esquenta com o sol”, afirma Passos, da Vale Home

A fachada foi transformada também. Com o efeito da maresia e o passar dos anos, algumas peças acabaram não resistindo e começaram a cair. Como o revestimento é de vidrotil, ele foi todo reformado, e o próximo passo será trocar toda a parte interna: “Não é resistente, por isso, vamos optar pela cerâmica.” Segundo Geraldo Campos Lopes, diretor da SG Engenharia, o melhor revestimento depende de cada edifício. A SG, por exemplo, acabou de reformar a fachada de um prédio na Tijuca em que os moradores preferiram trocar a pastilha pela pintura. “Não existia mais uma pastilha igualzinha para fazer a reposição. Para que a fachada não ficasse manchada, optou-se por pintar”, explica. A pintura custa de R$ 30 a R$ 35 o metro quadrado, e o valor vai aumentando de acordo com o revestimento. O mármore, por exemplo, custa cerca de R$ 200 o metro quadrado. “É muito mais caro, mas dura uma eternidade”, revela. Negociar tantas mudanças com os mo-

radores do edifício Acauã não foi tarefa fácil. Afinal, os condôminos precisam pagar cota extra para a troca de revestimento, já que não há fundo de reserva para uma reforma desse porte. A solução foi calcular o custo total, buscar orçamentos e pedir para as empresas parcelarem o valor ao máximo. “Nunca é uma negociação muito tranquila. Mas tem que ser feita. Não é apenas uma questão estética, você está valorizando um patrimônio”, defende. Paulo Roberto Paiva, diretor da empresa LPM Engenharia, dá algumas dicas para

que os síndicos façam reformas que tragam efeitos duráveis. Segundo o engenheiro, para a fachada, o revestimento cerâmico é o mais indicado, por unir mais durabilidade e efeito estético muito melhor. A pintura acaba precisando ser refeita depois de cinco ou seis anos, enquanto a cerâmica pode durar de 20 a 30 anos. “Com certeza, é uma opção que valoriza muito o imóvel. A cerâmica você só precisa repor se algo cair e, para limpar, é mais fácil”, aconselha. Outra melhoria no visual é a troca das caixas de ar-condicionado. Atualmente, há

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modelos mais modernos e caixas fechadas, que canalizam a descida de água do aparelho. Assim, os desagradáveis pingos no arcondicionado do andar de baixo são evitados e o barulho desagradável vira coisa do passado. Os moradores agradecem o silêncio! Reformas radicais também podem ser feitas e, quando aprovadas, aumentam muito o valor de um imóvel. É o caso, por exemplo, de edifícios que optam por construir varandas. Sim, isso é possível! Mas a obra é bastante complicada. Paiva explica que a prefeitura precisa aprovar a área de acréscimo e 100% dos condôminos têm de estar de acordo com a mudança. Segundo o diretor, a maioria dos prédios em que há a reforma da fachada acaba incluindo no pacote a portaria. “Pequenos toques já dão grande diferença e outra cara ao imóvel. É a primeira coisa que você

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vê ao entrar. Na hora de vender ou alugar, a portaria conta muito”, defende. Quando o condomínio dispõe de espaço, outra boa opção é aproveitar para criar uma área de lazer para as crianças. Sérgio Passos, gerente geral da empresa Vale Home, aconselha o síndico a ir até a loja na hora de escolher os brinquedos e agendar a visita de um representante, que pode verificar como aproveitar melhor o espaço, se é possível reformar brinquedos e qual o melhor revestimento para o chão. “Hoje é obrigatório ter um piso especial, que pode ser tatame ou grama sintética. É adequado para área externa, não desbota nem esquenta com o sol”, afirma Passos, lembrando que os brinquedos de plástico são sempre a melhor opção por serem mais seguros e apresentarem durabilidade de até dez anos.

divulgação atlas schindler

Sem manutenção, pequenas obras acabam virando grandes substituições de revestimento ou equipamento. Manter e modernizar um condomínio é o mesmo que cuidar e valorizar o próprio patrimônio.

A opinião é unânime de que o investimento em reformas sempre vale e, além disso, acaba evitando gastos ainda maiores no futuro. Sem manutenção, pequenas obras acabam virando grandes substituições de revestimento ou equipamento. Manter e modernizar um condomínio é o mesmo que cuidar e valorizar o próprio patrimônio.


Como perceber que seu elevador precisa de modernização? Preste atenção nos sinais! • Formação de degraus entre a cabine e o pavimento; • Excesso de trancos nas partidas e nas paradas; • Manutenção corretiva frequente e excessiva troca de peças; • O revestimento e o modelo da cabine estão desatualizados. Se você optar pela troca do equipamento, preste atenção nos itens incluídos na hora de assinar o contrato. Lembre-se, por exemplo, de que a ventilação, nem sempre incluída, é imprescindível.

Atitudes importantes para o sucesso de sua reforma! • Na hora de optar pelo revestimento da fachada, saiba que a cerâmica, apesar de mais cara, é muito mais durável do que a tinta. Enquanto a pintura precisa ser refeita depois de cinco ou seis anos, a cerâmica pode durar de 20 a 30 anos. • A portaria e a fachada de um edifício são seu cartão de visitas. Trocar objetos e móveis já pode dar um novo visual à entrada. • Não se esqueça das áreas verdes. Um bom jardim traz vida ao ambiente. Na falta de espaço, vasos são uma boa opção. • As reformas podem ser radicais. Nesse caso, aumentam o investimento mas também a valorização. Um exemplo é a inclusão de varandas. A obra é complicada e precisa de autorização da prefeitura e 100% dos moradores de acordo.

Como convencer os moradores da importância do investimento? • Reformas não apenas mantêm o patrimônio, mas também valorizam o imóvel. Esse deve ser o lema! • Na hora de apresentar a proposta aos moradores, vá preparado. Peça o orçamento para cerca de quatro empresas diferentes. • Negocie com as empresas facilidades no pagamento, como maior número de parcelas. • Mostre como vai ficar a obra pronta. • Explique a importância da manutenção ou da reforma. JUL_AGO_SET 2010

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Condomínio por Carla Rocha

Água na pressão certa:

as bombas, suas muitas utilidades e os cuidados para deixá-las sempre funcionando bem Num dia quente de verão nada mais desagradável do que abrir a torneira e – voilà – ela está seca. O que parece improvável pode acontecer. Um dos maiores fantasmas de todo condomínio – e dor de cabeça garantida para síndicos – é a falta d’água. Por isso, a manutenção preventiva das bombas que servem os prédios é tão importante para garantir a harmonia entre a administração do prédio e seus moradores. Cada vez mais, as empresas do ramo, além da simples venda dos equipamentos, oferecem outros serviços como pacotes de manutenção preventiva que visam garantir o funcionamento ininterrupto de todo o sistema, 24 horas por dia, nos fins de semana e feriados. A precaução, que nem pesa

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Luiz Fernando Constant criou um esquema para evitar problemas de falta de água: “Temos duas bombas que funcionam de forma alternada para evitar o desgaste”

tanto no bolso, é fundamental, em especial quando a temperatura sobe empurrando o consumo também lá para o alto. Os planos variam de R$ 100 a R$ 250 mensais, o que vai depender do tamanho do prédio e do número de bombas que serão regularmente vistoriadas. Administradora de um conjunto de seis prédios em Copacabana, Ana Lúcia Pedro da Silva não dispensa o serviço, que contratou há mais de dez anos e tem lhe garantido noites tranquilas de sono e o bem-estar de, pelo menos, 5 mil moradores, uma minicidade em plena Zona Sul do Rio. “Nosso condomínio é gigante. Já pensou todos os moradores reclamando de falta d´água?!”, brinca Lúcia para explicar por que optou pela contratação de uma empresa especializada na comercialização e manutenção desses equipamentos mesmo tendo dois funcionários – um bombeiro hidráulico e um eletricista – que são verdadeiros quebra-galhos. “O fato de ter pessoas com alguma qualificação trabalhando para mim”, completa, “não significa que não precise investir em prevenção. O mais inteligente sempre é agir antes de o problema aparecer. O técnico faz serviços de rotina, como limpeza e pintura, pelo menos uma vez por ano, e atua alertando, eventualmente, para a necessidade de troca de tubulação ou de reparo em algum item específico.” A rotina sem sobressaltos não sai cara para o caixa do condomínio: R$ 250 mensais é o preço cobrado pela empresa para fazer a manutenção de 12 bombas centrífugas, duas para cada prédio. Sim, porque nove entre dez especialistas no assunto pregam que todo condomínio deve ter, no mínimo, duas bombas desse tipo, verdadeiras estrelas entre os ou-

tros modelos. São elas que asseguram as condições necessárias para a água da Cedae, que muitas vezes não tem a pressão adequada, chegar a todos os apartamentos, seja num prédio de três ou de 20 andares. Os síndicos que preferem fazer tudo como manda o figurino sabem que é mais do que recomendável ter uma dupla de bombas em bom funcionamento. Os efeitos vão desde os subjetivos, como a redução do nível de estresse porque as emergências podem ser facilmente contornadas, como os práticos. As chances de interrupção do fornecimento caem, e com o uso alternado a vida útil do equipamento é prolongada. Outro tipo de bomba indispensável, em especial em prédios com garagens subterrâneas, são as submersas. Na última enchente ocorrida no Rio, em abril deste ano, a Rialti Bombas e Motores, assim como outras empresas da cidade, não abriu as portas porque a maioria dos funcionários não conseguiu chegar ao trabalho. Mesmo fechada, a loja não deixou de atender os clientes por telefone. E bateu recorde de vendas. Um resultado surpreendente. “De portas fechadas, vendemos mais bombas do que num dia normal. A demanda era, principalmente, de pessoas que tiveram as garagens alagadas. Muitos até tinham bomba, mas ligavam desesperados porque ela não estava dando vazão. Ficou a lição. Até porque dias assim não são tão incomuns na cidade. Sem sistema de drenagem, as garagens subterrâneas exigem bombas submersas que, com a ajuda de mangueiras, vão promover o escoamento até as galerias de águas pluviais. O ideal também é ter, pelo menos, duas, porque a cidade, por suas características climáticas, tem que estar preparada para lidar com esse tipo de situação”, afirma Bruno Lopes, do departamento comercial da Rialti. “Com relação a bombas, eu costumo dizer que quem tem uma não tem nenhuma.” Também responsável por um condomínio grande em Copacabana, de dez andares e 90 unidades, que funciona como apart-hotel, o administrador Luiz Fernando Constant Marques lida com vários tipos de bomba em seu dia a dia: as JUL_AGO_SET 2010

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que fazem a distribuição da água, as que promovem a pressurização da rede de incêndio e as específicas para a filtragem da água das piscinas. Mas para ele as bombas centrífugas são as que exigem um cuidado especial. Em seu caso, a falta d’água pode ser drástica porque o prédio funciona como apart-hotel. “O hóspede, se não tiver água quente, ar-condicionado e luz, vai embora para qualquer outro lugar. O prédio foi idealizado para ser uma residência com serviços. Por essas e outras, há muito tempo criei um esquema todo especial para evitar problemas. Temos duas bombas que funcionam de forma alternada para evitar o desgaste. Todo mês, troco a bomba que está sendo usada. Até porque deixar uma bomba parada para ser usada apenas em caso de defeito da principal também não é saudável”, observa Luiz Fernando, acrescentando que, mesmo se prevenindo de todas as formas, já teve que sair correndo para comprar uma bomba de última hora porque uma bomba estava enguiçada e a outra – olha a Lei de Murphy agindo com seu “se algo tem que dar errado... dará” –, ao puxar a

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água, acabou sugando ar e pifando também. “Tudo pode acontecer, sempre. O segredo são a prevenção e pessoas atentas o tempo todo”, prega Luiz Fernando. O administrador sugere ainda que quem não quiser pagar pela manutenção preventiva pode contratar um funcionário para agir em casos de emergência. Ele optou por esse modelo por acreditar que fica mais bem atendido. Embora as firmas de assistência técnica ofereçam o serviço 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriados, Luiz Fernando diz que, às vezes, tinha que esperar muitas horas até a chegada do funcionário, às voltas com cartelas extensas de clientes. Apesar de seu prédio não ter garagem subterrânea, ele também usa bombas submersas para transportar água de três cisternas grandes, que estão com trincas, cujo reparo seria caríssimo, até a única que funciona em perfeito estado. Assim, trocou uma obra pesada por um recurso simples e eficiente. Bombas de água, modelos voltados para acionar sistemas antichamas ou mesmo para a filtragem de piscinas são a espe-

cialidade da empresa de Gilberto Ribeiro de Almeida há mais de meio século. Fundada por sua família em 1948, a Setov se mantém entre as melhores do mercado, com uma apurada abordagem técnica. “É preciso considerar aspectos variados que não se limitam ao número de moradores. Como a pressão da água que, se for mal calculada, poderá comprometer o fornecimento, tornando-o precário, o que é tão ruim quanto ter o serviço interrompido”, ensina do alto de sua experiência. “E nada de improvisos ou de se deixar levar pelo menor preço, o que nem sempre é sinônimo de qualidade. Vale lembrar que nem todo mundo que troca lâmpada ou um cano é eletricista ou bombeiro hidráulico.” Os modelos de bombas variam de 1/4 de potência a 100 HP, o que faz com que os preços também oscilem, em média, de R$ 300 a R$ 4 mil. A última dica, quase uma unanimidade entre os que são do ramo, é para que os condomínios busquem referências no mercado sobre as empresas sérias que, de preferência, deem garantia para os serviços.


Conheça os tipos de bomba existentes No mercado, há bombas para todo tipo de necessidade, cujos preços variam de cerca de R$ 300 a mais de R$ 6 mil, dependendo do tipo e da potência. Confira algumas que podem ser a solução para seus problemas: Bombas centrífugas de recalque São as mais conhecidas, utilizadas para distribuir a água da cisterna para a caixad’água e de lá para todos os apartamentos. A potência varia de 1/4 HP a 30 HP, em média. Podem ser fabricadas, sob encomenda, com potências maiores. Os preços das mais comuns variam de R$ 330 a R$ 6 mil. É bom ter, pelo menos, duas. Bombas autoaspirantes (de sucção) Em geral, são usadas para captar água da rua em locais com dificuldade de abastecimento pela Cedae e levar até a cisterna. Normalmente as de 1/2 HP ou de 1 HP atende perfeitamente bem. Custam entre R$ 300 e R$ 600.

Bombas submersas São utilizadas para escoar água de garagens subterrâneas alagadas ou mesmo de poços de elevadores, que também podem passar por problemas semelhantes. A de 1 HP costuma atender bem. É um pouco mais cara que as outras. Custa em torno de R$ 1 mil. Bombas para sistemas anti-incêndio São semelhantes às centrífugas, mas com adaptação para ser usadas na pressurização de redes de combate a incêndio. Devem ter, pelo menos, 5 HP por recomendação do Corpo de Bombeiros. O preço é, aproximadamente, de R$ 1,2 mil. Bombas para piscinas São utilizadas em conjunto com um filtro. As mais vendidas são para piscinas de até 13 mil litros e custam perto de R$ 700.

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Atualidade POR Wanja Antunes

Construtoras terão que reduzir o ruído dentro dos imóveis Nova regra da ABNT já está valendo

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Barulho em casa é insuportável, ainda mais quando se quer descansar. Eventos como o ruído de pessoas caminhando no andar de cima ou o excesso de calor no imóvel podem estar com os dias contados. Entrou em vigor, no dia 12 de maio, a Norma Brasileira de Desempenho de Edifícios (NBR 15.575), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que introduziu o conceito de que uma edificação precisará ter determinados parâmetros de desempenho para proporcionar segurança, durabili-

dade, qualidade, conforto térmico e acústico a seus ocupantes. As novas regras são válidas para futuros prédios residenciais de até cinco andares. Com base nesses parâmetros, a norma estabeleceu requisitos mínimos para cada um dos componentes da edificação-solo e de estrutura, piso e cobertura, divisórias internas e fachada, sistemas hidráulicos, instalações sanitárias, de impermeabilização e de resistência a incêndios etc., bem como para a integração entre esses componentes e os sistemas.


“a NBR não tem força de lei, mas os padrões podem ser usados como parâmetro em ações de defesa do consumidor.”

Novos padrões podem ser usados na defesa do consumidor

O presidente da Comissão de Materiais do Sindicato da Construção Civil do Rio (Sinduscon-Rio), Lydio Bandeira, diz que o mercado está se mobilizando para atender às novas normas. “A ABNT define, por exemplo, que material é mais recomendado para cada tipo de construção. Há indicações também em relação à espessura mínima da parede e ao tipo de revestimento, para tornar o imóvel mais confortável ao morador e reduzir os riscos de infiltração ou rachadura.” Outra novidade foi a fixação, pela primeira vez em uma norma técnica da construção, da expectativa de vida útil mínima para cada sistema da edificação. Os projetistas, por exemplo, precisarão declarar no projeto a vida útil de cada sistema previsto, o que deverá ser feito em comum acordo com o proprietário ou o incorporador do edifício.

De acordo com o superintendente do Comitê de Construção Civil da ABNT, Carlos Borges, novas ferramentas, até então pouco adotadas, poderão ser utilizadas para medir o desempenho acústico e térmico dos edifícios. Ele ressalta ainda que a NBR não tem força de lei, mas que os padrões podem ser usados como parâmetro em ações de defesa do consumidor. Sob corretas condições de uso e manutenção, a estrutura principal deverá ter vida útil de, no mínimo, 40 anos; a cobertura, 20 anos e assim por diante. Também se estabeleceu a diferença entre vida útil de projeto e prazo de garantia de assistência técnica. A norma fixou prazos mínimos recomendados para essas garantias nos diversos sistemas do edifício. Os manuais do usuário e do condomínio deverão ter suas instruções de uso e manutenção corretamente especificadas, para que os sistemas atinjam a vida útil do projeto. Este deverá prever inclusive as condições de acesso para que a manutenção possa ocorrer de forma viável. As construtoras terão prazo de seis meses para se adaptarem. A partir de 13 de novembro, os projetos para edificações com até cinco pavimentos já deverão atender à NBR 15.575. Até lá, ela ainda

passará por nova revisão na ABNT para aperfeiçoamento. A norma pode ser utilizada para projetar e construir edifícios de alturas maiores, nos requisitos não diretamente relacionados à quantidade de pavimentos. Um edifício de 28 andares pode utilizar as especificações da norma para paredes internas, mas não para itens que dependam da altura, como resistência ao vento e estabilidade global. A ideia é que, futuramente, os prédios mais altos também sigam a Norma de Desempenho. Ela também será constantemente atualizada, com a introdução, por exemplo, de um capítulo de desempenho dos sistemas elétricos. A norma começou a ser redigida há 10 anos por meio de um convênio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Depois de produzir os textos técnicos que serviram como base teórica, o IPT transferiu, em 2004, a coordenação dos trabalhos para o Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP, que coordenou um grande entendimento na cadeia produtiva. Isso facilitou o processo da redação final da norma no Comitê Brasileiro da Construção Civil da ABNT e sua aprovação, em 12 de maio de 2008, quando foi publicada.

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Corretora ESPECIALISTAS EM SEGUROS IMOBILIÁRIOS

Seguro de conteúdo garante sua tranquilidade A CIPA tem as melhores opções para você Incêndios são acidentes, e acidentes nunca são planejados. Na grande maioria, os vilões são os curtos-circuitos. Por isso, a prevenção ainda é o melhor remédio. Nada que um bom seguro não resolva. De acordo com especialistas, o tempo médio de vida útil do material utilizado nas instalações elétricas dos edifícios é de 30 anos a 50 anos. Atualmente, essas instalações são executadas com tubulação de PVC e fios revestidos com material de boa durabilidade e pouco sensíveis ao ressecamento. Entretanto, a quantidade de equipamento eletroeletrônico utilizada em um mesmo local pode tornar a instalação obsoleta, já que foi projetada para uma carga mais baixa que a utilizada. O recomendado é que, em prédios residenciais, a cada cinco anos seja feita revisão da parte elétrica. Caso seja verificado que a instalação é incompatível com a demanda média de carga, o mais indicado é que se faça a reinstalação da parte elétrica com fios que suportem mais carga. Importante: antes de contratar qualquer serviço de manutenção, verifique se a empresa realmente existe e está registrada, tem alvará de funcionamento e CNPJ. Empresas de engenharia necessitam de um engenheiro

responsável em seu quadro de funcionários permanente e devem ser inscritas, necessariamente, no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). Todos devem fazer seu dever de casa: estar com a revisão elétrica em dia e contratar um seguro de conteúdo eficiente. Dorme-se, sem dúvida, muito melhor. Se você ainda não tem um seguro, ligue agora mesmo para a CIPA Corretora e solicite uma proposta: 2196-5115. Contratação do seguro de conteúdo protege os bens dos moradores Muitas pessoas ainda se confundem ao achar que o condomínio, ao pagar o Seguro Obrigatório contra Incêndio, está assegurando os bens dos moradores. A questão é que, em caso de incêndio, esse seguro (obrigatório por lei) garante apenas o ressarcimento referente à reconstrução e pintura das paredes do apartamento e das partes comuns. Os pertences incendiados são de responsabilidade de cada proprietário. O Seguro de Conteúdo - que dá direito à reposição dos bens perdidos* - pode ser providencial.

A CIPA Corretora de Seguros oferece esse serviço a R$ 5,89 mensais, com cobertura de R$ 30 mil para seus clientes. Consulte-nos!

Dicas de segurança

Não ligue mais de um aparelho elétrico na mesma tomada, pois pode ocorrer o superaquecimento dos fios. Periodicamente, faça revisão nos fios dos aparelhos e na instalação elétrica. Não apoie velas sobre caixas de fósforo e material combustível. As instalações de gás somente podem ser verificadas por pessoas habilitadas. Para identificar vazamentos, utilize apenas água e sabão. E ao sentir cheiro de gás, não ligue ou desligue a luz e aparelhos elétricos, entre outros.

*Exceto reposição de bens de terceiros, dinheiro, pedras e metais preciosos, joias, objetos de arte e outros.

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conto por Leo João

Era maio e pela portaria, escadas, playground e outras dependências comuns já ecoavam os bochichos sobre a festa junina daquele ano. Um boca a boca que abocanhava portarias, escadas e playgrounds, inclusive, dos prédios vizinhos. Claro, porque as festas juninas do Residencial Ambrosina Thales de Amaral Tavares, ou “Ratatá” como é conhecido na região, eram insuperáveis. Para o bem e para o mal. Nos dias subsequentes a cada edição do evento, as histórias espocavam como pipoca por toda parte. O ano de maior rebuliço foi, sem dúvida, o que contou com a presença de Romário. Não exatamente a presença, pois segundo relatos, o ex-jogador permaneceu estacionado em frente ao edifício, sem nem sair do carro. Esperava Kátia, a loiraça do 302, espécie de namorada-relâmpago. Tais minutos foram o suficiente para esvaziar a festa. O rumor invadiu as barraquinhas e logo, aos berros, uma multidão, que não podia ser mais caipira, se acotovelava ao redor da enorme caminhonete de vidros fumê. No fim das contas, chegou-se à conclusão que ninguém exatamente viu o baixinho. Mas com aquele carrão e todo mundo dizendo que era ele, como não iria ser? Houve a vez da guerra mundial de paçoca, em que pedaços do doce, dizem, atingiram até a varanda do sexto andar. Também não se pode deixar de citar a noite em que Zé Carlos, o morador número um em teor alcoólico, enfiava o pé imun-

do dentro de todas as panelas e tabuleiros das barracas, gargalhando e gritando como um louco: “Ó o pé de moleque! Ó o pé de moleque!” Só parou no momento do panelão de milho cozido, em que sofreu queimaduras de segundo grau e precisou ser levado correndo para o pronto-socorro. Às vezes em que deu polícia nem é preciso citar, pois ela sempre era chamada. Troca de tapas e cadeiras voando eram situações tão corriqueiras que nem valem a menção. Mas nem todos os capítulos foram feitos de balbúrdia. Vale lembrar, por exemplo, a vez em que o casamento na roça foi um casamento de verdade, realizado por um juiz de paz e tudo, que topou entrar no clima numa boa, incentivado por algumas doses de quentão. Os noivos, devidamente trajados de caipira, eram Frederico

e Marilena, vizinhos de porta que moravam sozinhos, ambos desquitados, e que redescobriram o amor na meia-idade. Só queriam curtir a vida e ser felizes, daí para decidirem casar no São João foi um pulo. Não faltou alegria a ninguém naquela noite, nem mesmo aos policiais, que foram chamados por causa do som alto além do horário, mas acabaram comendo, bebendo e ainda deram um verdadeiro show à parte na hora de dançar a quadrilha. O evento deste ano prometia. Tudo já estava orçado e programado com mais de um mês de antecedência: 37 caixas de fogos de artifício, 48 engradados de cerveja, barracas de comidas e brincadeiras já definidas entre todos os moradores e até DJ reservado. Tudo pronto para a festa rolar em meados de julho, como sempre.

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Condomínio por carla rocha

Síndico bom apaga o incêndio antes de ele começar Não brinque com fogo. Saiba como agir e que equipamentos são necessários para garantir a segurança do prédio e dos moradores No dia 26 de fevereiro de 2004, o imponente prédio da Eletrobrás, no início da Avenida Rio Branco, pegou fogo em pleno carnaval. Sem portas corta-fogo e equipamento de incêndio adequado, as chamas, que começaram com um curto-circuito no 17º andar, rapidamente subiram mais cinco andares, espalhando pânico e deixando um rastro de destruição. Por sorte, não houve vítimas. Foram 14 horas de desespero que produziram um dos maiores incêndios da cidade nos últimos anos. O edifício não virou cinzas, mas muito se perdeu. O trânsito parou por dias seguidos no Centro da cidade e as imagens daquele incêndio entraram para a história do Rio. Depois daquele dia, a legislação de prevenção foi profundamente alterada pelo governo do estado. Passados sete anos, o atual administrador do condomínio, Carlos Henrique Lopes Raposo, se orgulha de o lugar ter dado a volta por cima, tornando-se referência em matéria de prevenção e de ações de planejamento para combate a incêndios. Consciente de seu papel nas mudanças implantadas, Carlos Henrique rende-se a um velho clichê: “Há males que vêm para o bem.” Hoje o prédio tem as tais portas corta-fogo - fundamentais para criar verdadeiras cápsulas de segurança quando o fogo começa a se alastrar -, uma rede de sprinklers - que são acionados automaticamente se é detectado o aumento da temperatura ambiente -, roupas de combate a incêndio dignas

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de filmes de ficção (cada uma delas chega a custar R$ 15 mil) e placas fluorescentes, que indicam as saídas de emergência mesmo em caso de apagão. “Contamos com uma brigada de incêndio formada por seis profissionais que fazem plantão de 24 horas. Não se trata de luxo. Às vezes, o incêndio evolui com tanta velocidade que uma tragédia pode ocorrer enquanto se espera a chegada dos bombeiros. É preciso ter agilidade e técnicos qualificados munidos do equipamento necessário para fazer um trabalho eficiente. Hoje eu tenho aqui no prédio a mesma maca usada pelo Corpo de Bombeiros e o mesmo aparelho de oxigênio. Está ‘show de bola’”, diz Carlos Henrique, acrescentando que o susto foi o grande propulsor da reviravolta experimentada pelo prédio. As novas regras estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros, por sua vez, visam dar mais segurança a todos os prédios da cidade. Antes construções erguidas até 1976, como o espigão da Eletrobrás - onde também funcionavam dois bancos - estavam livres de cumprir certas exigências. Agora é diferente, todos têm que se adequar. Além disso, os itens obrigatórios deixaram de seguir um cardápio predefinido. Agora eles são estabelecidos, caso a caso, de acordo com a realidade de cada lugar, a frequência de pessoas e, principalmente, o material que é armazenado no local. Em geral, os projetos são submetidos a um crivo mais rigoroso em prédios comerciais. Também costumam ser mais caros. Como abriga cerca de 2.500 pessoas que trabalham em seus escritórios e recebe, pelo menos, 1.200 outras que circulam por ali diariamente, o

Carlos Henrique: Depois de um incêndio em 2004, que provocou uma reviravolta na legislação sobre o assunto no Rio, o administrador do prédio da Eletrobrás, no Centro da cidade, se orgulha de estar à frente de um dos condomínios mais seguros da cidade

prédio da Eletrobrás, de 22 andares, exigiu investimentos que passaram de meio milhão para ficar dentro a lei. Em prédios residenciais, esse custo tende a cair. O mercado, por sua vez, está cada vez mais competitivo e oferece opções, das mais sofisticadas às mais simples, sem prejuízo da segurança. Gerente técnico e comercial da Atac Fire, Antônio Neumaro explica que todos os prédios, por lei, têm que ter um plano de segurança contra incêndio e pânico, obedecendo às normas previstas no Código 897 de 1976. Segundo ele, a empresa contratada para desenvolver o projeto deve ser credenciada pelo Corpo de Bombeiros. É ela que vai dimensionar o tipo e o porte do extintor mais adequado a cada local, levando em conta as características do condomínio. Os incêndios obedecem a classificações: do tipo A) materiais como madeira, papel e tecido; do tipo B)

produtos inflamáveis como gasolina e querosene; do tipo C) equipamento elétrico; e do tipo D) metais inflamáveis. Para cada uma dessas classificações, há um extintor específico: de água, de CO2 (gás carbônico) e de pó químico. “Por exemplo, se o prédio tiver predominância de itens inflamáveis, como tecido, papel e madeira, é melhor usar extintor de água. Em caso de incêndio numa biblioteca, se você usar o extintor de CO2 ele vai momentaneamente apagar as chamas, mas elas voltam. O calor que está embaixo do papel vai fazer o incêndio recomeçar. Todo corpo que chegou a mil graus pode reacender”, explica Neumaro. O especialista alerta, porém, que podem ser utilizados vários tipos de extintor em um mesmo prédio. É até muito comum e fácil de entender os motivos. Em um condomínio há, por exemplo, casa de

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O Síndico Geraldo José Ribeiro de Freitas e seu porteiro inscreveram-se num curso de brigada de incêndio: “Aprendemos tudo que se possa imaginar sobre ações em situações de pânico. Às vezes, os bombeiros levam 10, 15 minutos para chegar, o que pode fazer toda a diferença no decorrer de um incêndio”

força, que concentra grande quantidade de material elétrico, e administração, que reúne muito papel. Sendo assim, os síndicos devem ter modelos variados de extintores, voltados para atribuições específicas. Não adianta ter equipamento inadequado que, além de não produzir o efeito esperado, que é conter o incêndio, ainda pode aumentar os prejuízos materiais. Por isso, nunca se deve dispensar a figura do bom técnico. Apesar das muitas semelhanças, os extintores de CO2 e de pó químico nem sempre funcionam da mesma forma. É preciso muito cuidado. Em casos de equipamento sensível, como computadores, o melhor é o de CO2 porque o de pó químico pode danificar as placas eletrônicas. As modernas redes de sprinklers são cada vez mais usadas no combate a incêndios. Cada sprinkler é instalado num ponto estratégico e, quando a temperatura atinge 68 graus, ampolas de mercúrio estouram fazendo a água jorrar. São fundamentais para garantir o combate às chamas mesmo em condições em que já não é seguro para o ser humano se aproximar. Há ainda os hidrantes e as mangueiras, que também são itens quase obrigatórios em prédios com mais de três andares. Mais uma vez, um projeto, desenvolvido por profissional treinado, é que vai definir a distância entre eles e a extensão das mangueiras. Os preços dos projetos variam muito, segundo o tipo de equipamento e a quantidade que será utilizada. Um prédio de oito andares poderá desembolsar 30

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entre R$ 50 e R$ 80 mil. Se forem incluídos os sprinklers - aproximadamente quatro pontos por andar -, o custo sofre um acréscimo de R$ 50 mil. Dono da PRL, empresa atacadista que vende equipamento para consultorias especializadas em projetos de combate a incêndios, Paulo Roberto Ribeiro diz que, nos últimos anos, nenhum evento foi tão determinante para o setor quanto o incêndio no prédio da Eletrobrás. “Os prédios têm um prazo para se adequarem de cerca de dois anos. Algumas construções antigas, pelas características arquitetônicas, podem ter alguma dificuldade por falta de espaço, às vezes, para instalar uma rede, por exemplo. Nesse caso, deve-se procurar orientação profissional. Mas o fato é que o caso chamou a atenção para a questão da segurança. Em geral, as pessoas tendem a achar que nunca vai acontecer com elas, o que, infelizmente, não é verdade”, observa. Síndico de um condomínio em Botafogo, Geraldo José Ribeiro de Freitas resolveu que iria fazer a coisa certa. Convencido por uma longa vida de trabalho na área de vendas de que conhecimento é fundamental, ele decidiu se inscrever num curso de brigada de incêndio para dar uma forcinha para o porteiro do prédio, estimulando-o a frequentar as aulas e, por tabela, aprender um pouco mais sobre o assunto. Pelo bairro, são comuns histórias de curto-circuito em condomínios que acabam em incêndios bobos, que nunca deveriam ter ocorrido não fosse por puro descuido ou mesmo


Sprinklers, sensores de fumaça, portas corta-fogo e alarmes de incêndio são equipamentos indispensáveis para os condomínios

ignorância. Geraldo acha que empregou muito bem R$ 300 num curso, promovido pelo Secovi-Rio, que fez junto com o funcionário do prédio. “Não é apenas um curso teórico. Tem uma parte prática, muito intensa. Já sou um senhor e, aos 69 anos, confesso que tive dificuldades com alguns exercícios feitos num calor de quase 40 graus. Meu objetivo era apoiar o porteiro para que ele se sentisse mais à vontade. Valeu a pena. Aprendemos tudo que se possa imaginar sobre ações em situações de pânico. Às vezes, os bombeiros levam 10, 15 minutos para chegar, o que pode fazer toda a diferença no decorrer de um incêndio”, acredita Geraldo, afirmando hoje se sentir plenamente seguro e capaz para agir em

emergências dessa natureza. “Além de ter aprendido qual o extintor é mais adequado para cada tipo de fogo, fui treinado para manusear todo equipamento usado em caso de incêndio.” Em decorrência do curso, o condomínio, de pequeno porte, com seis andares e 12 apartamentos, deu um upgrade em seu arsenal de combate a incêndio. Nada demais. Porém, Geraldo sabe que são pequenos detalhes que podem fazer toda a diferença. Sem gastar uma fortuna, muito pelo contrário, ele aumentou as mangueiras usadas no prédio, que tinham 20 metros e passaram a ter 40, chegando a toda a área comum, e ainda comprou extintores novos capazes de atender a todas as classificações de incêndio. JUL_AGO_SET 2010

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Corpo de Bombeiros alerta: síndicos devem fazer a sua parte Cuidados preventivos; equipamento básico de combate a incêndios em edificações; planos de emergência e de fuga; treinamento e orientação dos moradores e formação de brigada. Essas são algumas das orientações feitas pela Diretoria Geral de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros para os condomínios do Rio. O órgão alerta para o fato de que incêndio em prédios é mais comum do que se imagina. Muitos não chegam a ser noticiados porque são controlados antes de ganharem as páginas dos jornais. Não basta ter toda a infraestrutura. É importante a conscientização dos síndicos para a necessidade de manutenção do equipamento de combate ao fogo, como a verificação dos extintores

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e da canalização preventiva, das condições dos registros, das mangueiras e das eletrobombas de pressurização dos sistemas. Outra sugestão é que o condomínio realize palestras para os condôminos, cujo tema seja prevenção de incêndio, e promova treinamentos, inclusive ensinando sobre o uso de extintores, por exemplo. Nada muito complicado. Os administradores devem, pelo menos anualmente, fazer uma revisão nos extintores existentes nos imóveis sob sua responsabilidade. Por meio do selo de identificação, podem conferir a data de recarga e, com o manômetro, saber se o equipamento está com sua capacidade de carga dentro dos limites de utilização. Também é muito útil fazer um mapeamen-

to desses itens, que, assim, podem ser facilmente localizados em caso de emergência. Segundo os bombeiros, as causas mais frequentes de incêndio em prédios comerciais são pontas de cigarros atiradas nas latas de lixo, sobrecarga nas tomadas elétricas (as famosas extensões) e até o esquecimento de aparelhos ligados, como cafeteiras, após o término do expediente. Já nos prédios residenciais, os problemas estão mais relacionados com o esquecimento de panelas no fogo, prática religiosa com utilização de velas, criança que manuseia fósforo ou isqueiro, instalação incorreta de aparelhos eletrodomésticos e pessoas que acabam pegando no sono com o cigarro aceso. Embora cada prédio exija equipamento específico, os bombeiros explicam que há itens básicos, como extintores portáteis de incêndio, que devem estar em conformidade com a classe de incêndio - se para material inflamável, elétrico ou papel, por exemplo - e hidrantes que compõem a canalização preventiva - geralmente instalados em local visível, equipados com até duas mangueiras e o respectivo esguicho.


Imóveis

Vendas

ESPECIALISTAS EM NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

a UPP e a valorização dos imóveis

As ocupações das favelas do Rio de Janeiro pela Polícia Militar vêm aquecendo o mercado imobiliário. Uma coisa é certa: quem antes não adquiria um imóvel próximo a uma comunidade tomada por bandidos agora já pode pensar duas vezes. Aliás, se pensar duas vezes, é capaz de ficar sem aquele apartamento de seus sonhos, pois alguém pode comprá-lo antes. Segundo a Secretaria de Segurança, o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) já beneficia 102 mil moradores de nove comunidades do Rio. A previsão é que, até o final deste ano, 200 mil pessoas possam viver livres do domínio do tráfico armado. O efeito da instalação das UPPs em fave-

las é a valorização quase imediata de imóveis do entorno. Uma pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi Rio) constatou aumento de até 148,89% nos preços de locação e de 59,41% nos de venda de imóveis em bairros beneficiados pelas UPPs na Zona Sul. Sem dúvida alguma, a segurança é um fator que pode alavancar a economia de um bairro – sejam os comerciantes ou os donos de imóveis, todos anseiam por ela para que seus negócios prossigam de vento em popa. Segundo a Associação de Comerciantes da Tijuca, último bairro a receber uma UPP, a expectativa inicial é de aumento de 10% no faturamento do comércio local. Isso so-

mente em razão da tranquilidade das pessoas nas ruas, especialmente dos idosos. Já em relação aos imóveis, a valorização é iminente, até porque os preços praticados estavam muito abaixo do que deveriam – reflexo da falta de segurança. Especialistas acreditam que o preço dos imóveis na Tijuca pode ter aumento de até 40%. Esse movimento, naturalmente, também é reflexo da alta de preços na Zona Sul. Com o passar dos anos, grandes investidores fecharam seus empreendimentos na Tijuca. Um exemplo significativo é o de uma grande rede de supermercados, que encerrou suas atividades em 2005 após sucessivas invasões de traficantes do Morro do Borel. Mas ao que tudo indica, isso já é passado. A UPP promete valorizar esse bairro, assim como vem fazendo com a Zona Sul, e as pessoas que têm sua história na Tijuca não precisarão mais abandoná-la por falta de segurança. O poder público está fazendo sua parte, e se você estava esperando um bom momento para fazer negócio com seu imóvel essa é a hora. Mas assessoria especializada é fundamental. A CIPA está preparada para ajudar você a comprar ou vender um imóvel. Nosso setor de Vendas está a sua disposição para atendê-lo em suas necessidades. Consulte-nos! Ligue para 2524-0553.

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Ocupação da Polícia Militar impulsiona mercado imobiliário

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ecodicas por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Limpando o lixo interno A vivência holística inclui. Todas as partes integradas fazem um todo rico, multiforme, colorido, amoroso. Discursos ecológicos muitas vezes se aproximam do convencional e tão conhecido papo de político. Reflitamos sobre a raiz do problema ambiental. Por que poluímos? Marque a resposta certa:

Felipe Estrella: “Não poluir significa cada um ser seu próprio gari interno”

(a) (b) (c) (d) (e)

Porque não nos amamos. Porque estamos distantes de nós mesmos. Porque estamos vorazes e desajustados. Porque nos afastamos do sagrado no dia a dia. Todas as respostas acima estão corretas.

Que tal? Alguma dúvida sobre a solução da questão anterior? Sabemos que quem joga lixo na rua, ou plástico na areia da praia, ou óleo no mar, ou quem derruba matas, ou quem mata bichos, ou quem provoca incêndios, ou quem desrespeita o silêncio ou impede pássaros de cantar ou de ouvi-los cantar faz o mesmo em suas casas, com suas coisas, provocando incêndios com suas emoções barulhentas, entupindo-se de alimentos mortos.

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A raiz do desajuste ambiental é interna. Apenas externamos os conflitos que não conseguimos ou não queremos compreender, dar baixa, resolver. Encarar. A postura holística para resolvermos o conflito é integrá-lo, olhá-lo sem repulsa. Amar e aceitar todas as nossas partes, inclusive as mais feias e assustadoras, pode ser o primeiro passo para a virada de atitude. Assim, não precisamos jogar lixo debaixo do tapete da sala nem no meio da rua, no verde do mar, nos rios nem nas areias brancas de nossas tão belas praias. Olhar internamente, diariamente, todos os nossos sentimentos nos faz mais fortes e donos de nossos destinos. A misericórdia pode ser uma postura de vida com a gente mesmo. A tolerância se inicia com nossas fraquezas que, na verdade, não são nossas, não pertencem a nossas essências divinas, e sim a personalidades construídas nas bases frágeis do medo-insegurança-desamor. Nós as construímos e nós podemos demoli-las. Desse modo, ajudaremos a despoluir a Baía da Guanabara. Começando por varrer de nossos grandes armazéns internos mágoas e ressentimentos. Perdoando, perdoando-nos. E decidindo a não mais fazer de nossos corpos lagos de lágrimas. Viver ecologia é limpar a própria casa, começando pelo coração, passando pela cabeça e depois pelo quarto, pelo banheiro, pelo escritório, pela cozinha. É escolher o melhor alimento - seja comida, arte, amor, amizade ou lazer. Podemos sintonizar o dial de nossos rádios e

de nossas mentes onde quisermos - no amor ou no ódio, na suavidade ou no barulho, na informação edificante ou na vibração de emoções embrutecidas. Depende da gente. A prática da ecologia interior está em nossas mãos. Mudando o padrão vibratório de nossas decisões estaremos contribuindo para a despoluição do planeta e, o que é melhor, garantindo uma vida longa e feliz. Entrevistamos o psicólogo Filipe Estrella, que aprofunda o assunto. Por que poluímos? Filipe Estrella: Poluímos pois não consideramos o outro parte de nós mesmos. Esse outro pode ser o planeta ou outra pessoa. Poluímos porque temos a tendência de colocar para fora aquilo que nos incomoda, nosso lixo. Poluímos porque acreditamos que sempre existirá alguém para limpar a porcaria. Poluímos porque acreditamos num Pai que resolve nossos problemas. Poluímos por acreditarmos que algumas “Ave-Marias” ou “Pais-Nossos” resolverão nossos problemas. Não poluir significa cada um ser seu próprio gari interno. E da mesma forma que acreditamos que não somos responsáveis pela bandeja da comida deixada no shopping, também acreditamos que não somos responsáveis por nossos sentimentos. A origem disso é confiarmos que sempre existirá alguém para limpar nossa sujeira. E isso, além de ser um pensamento infantil, não corresponde à realidade. Como vê os movimentos e partidos ecológicos? FE – Na grande maioria das vezes, são formas de expiar a culpa pela poluição ou um meio de autopromoção, pois é impossível pensar em ecologia como algo que esteja fora do ser. O que entende como "ecologia interior"? FE – Segundo a enciclopédia on-line Wikipedia, a palavra ecologia tem oriJUL_AGO_SET 2010

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gem no grego oikos, que significa casa, e logos, estudo. Portanto, ecologia interna significaria um estudo profundo da casa onde a consciência reside – o corpo e suas adjacências. Da mesma forma que gostamos de ver nossas casas limpas e arrumadas, deveríamos fazer o mesmo com nossos corpos. Só que não podemos pagar faxineiros para isso.

A reciclagem do lixo e das águas servidas é um bom começo para despoluir o planeta

Quais os caminhos para curar o planeta? FE – O planeta não precisa ser curado! A Terra é constituída de um sistema com alta velocidade de recuperação. Logo, para curar o planeta, basta parar de poluir que a natureza fará o resto. Só é possível pensarmos em um planeta doente fazendo um paralelo com nosso próprio corpo. Para a ciência, o que deixa um corpo doente são bactérias ou vírus. O que podemos apreender daí é que tanto bactérias quanto vírus são externos ao sistema. Seguindo essa linha de raciocínio e considerando que o planeta, como um sistema, está doente, resta-nos concluir que nós, seres humanos, representamos as bactérias e os vírus que estão adoecendo o planeta. Do mesmo jeito que o corpo se recupera totalmente na ausência de ataques externos por vírus e bactérias, o planeta também se recupera sozinho na ausência da agressão humana. E para curar nossas feridas internas? FE – A essa pergunta eu retrucaria perguntando: como uma ferida no corpo é curada? A resposta é que num corpo saudável basta que se cesse a agressão para que ele se cure naturalmente. Então, por que com feridas internas seria diferente? O caminho da cura está na ausência da agressão a si próprio. Fazendo mais um paralelo, quando uma máquina está precisando de limpeza e reparos, ela polui, suja, como nós que, através de pensamentos, sentimentos e ações defeituosas, nos poluímos e poluímos nosso planeta. Concluindo: no momento em que deixarmos de ser algo estranho para nós mesmos e para o mundo, as feridas se cicatrizarão com o tempo, como num passe de mágica.

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Paisagismo por Renata Fernandes

No condomínio Bonnard, da síndica Ana Beatriz Peres, em Ipanema, uma escultura de aço inox decora os jardins desde a inauguração do edifício, há 35 anos. A síndica nem pensa em tirá-la do lugar. Virou um clássico, uma marca do prédio, e destaca o ambiente verde da entrada. “Uma escultura de qualidade com certeza valoriza os jardins e se for de um bom artista plástico é atemporal. Dá

um diferencial. O ideal é escolher uma que não ‘brigue’ com o visual das plantas, e a de aço inox ainda é de fácil manutenção”, explica. Um jardim florido ou com esculturas entre as plantas acaba se diferenciando dos demais e marcando o ambiente. A síndica Maria de Lourdes Barros, há oito anos na função, optou pelas flores. À frente de dois prédios em Copacabana, os

condomínios Lago Azul e Proença Nunes, ambos na Rua Tonelero, ela garante que cuida das áreas comuns como se fossem parte da própria casa e, para fazer a manutenção dos jardins, contratou uma paisagista que, uma vez por mês, troca plantas, faz poda e todo o serviço necessário para que o ambiente esteja sempre lindo. “Meus jardins são muito elogiados. Tenho o maior carinho. Há muito verde e, às vezes, aparecem miquinhos para visitá-lo”, conta. A síndica precisou de um serviço especializado para cuidar dos jardins, porque os dois prédios tinham espaços com pouco sol que precisavam de atenção especial. Nas áreas com mais luminosidade, ela pediu flores. Quanto a esculturas, Maria de Lourdes desistiu da que enfeitava a parte externa de seu edifício, o condomínio Proença Nunes. “Eram duas esculturas do tipo coluna romana. Mas já tinham 20 anos e ameaçavam cair”, conta a síndica. Segundo Carolina Natasha Paulo, administradora do horto Zângelas, na Vila da Penha, há esculturas dos mais diferentes materiais e gostos, mas o cliente precisa prestar atenção, porque nem todas são

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A síndica Maria de Lourdes optou pelo serviço especializado porque os jardins tinham espaços com pouco sol e outros com mais luminosidade. Somente um paisagista saberia escolher as espécies adequadas para essas áreas

A síndica Maria de Lourdes está à frente de dois condomínios, Lago Azul e Proença Nunes. Para fazer a manutenção dos jardins, contratou uma paisagista que, uma vez por mês, troca plantas, faz poda e todo o serviço necessário para que o ambiente esteja sempre lindo

resistentes e aguentam o sol e a chuva sem prejuízo da aparência. “Madeira, por exemplo, não funciona bem. As de gesso ficam bem ao ar livre, assim como esculturas feitas de plantas”, revela. No Zângelas, essas esculturas de plantas são feitas com estrutura de arame por baixo, que mantém o formato e permite que as plantas fiquem trançadas. Se a opção for por esculturas verdes, é preciso levar em conta também a dimensão do jardim para que fiquem proporcionais ao espaço. Elas precisam também de manutenção permanente. Carolina ressalta que aqueles que querem ver o jardim do condomínio sempre

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florido precisam ter o mesmo cuidado na escolha das plantas. É necessário verificar a quantidade de luz que o ambiente recebe, se há sol batendo diretamente ou não. Detalhes que garantem a boa aparência do espaço. “A exória é uma boa planta, porque serve tanto para ambiente de sol quanto de sombra. Agora se o síndico quer deixar a portaria florida, o melhor é a orquídea, porque não gosta de sol”, explica, ressaltando que a empresa tem paisagista para atender aos clientes e faz manutenção e limpeza de jardins. A paisagista Nanci Santos, da Raphia, enfatiza que, na hora de optar por uma es-

cultura para decorar uma área verde, o melhor é recorrer à ajuda profissional, que pode orientar sobre o material mais adequado. “Não somente esculturas podem valorizar um jardim, mas também outros elementos, com formas diferenciadas, podem inspirar belíssimos projetos paisagísticos. Mas ao incorporar esculturas, peças ou outros elementos nos jardins do condomínio, baseado apenas no gosto pessoal, o resultado pode ser, no mínimo, desastroso. Buscar orientação profissional é sempre o melhor caminho para não errar”, aconselha. Quanto às flores, Nanci garante que um jardim florido não é um sonho de consumo impossível. Escolher as plantas adequadas e realizar manutenção periódica faz com que o desejo se torne realidade. “Implantar um jardim florido não depende somente de vontade. É importante entender que a condição de luminosidade é a exigência primordial para que o resultado apareça, além de alguns conhecimentos técnicos”, afirma. Flores e esculturas, além de agradar aos moradores, podem fazer com que seu edifício seja admirado por todos aqueles que passam pela entrada. Com orientação profissional, esculturas duráveis e de bom gosto e flores sempre bonitas podem valorizar e enfeitar o patrimônio.


Entrevista Nanci dos Santos, da Raphia, ensina os cuidados necessários na hora de escolher flores e esculturas para seu jardim Que tipo de cuidados o síndico deve ter na hora de escolher uma escultura? Plantas, flores, caminhos... Basicamente, é isso que todo jardim tem, no entanto, existem outras linguagens para compor um projeto com tais elementos. E é essa forma de expressão que caracteriza os diferentes estilos paisagísticos. Entre os muitos existentes – oriental, francês e inglês –, o paisagismo tropical é mais próximo de nossa cultura, que é muito bem traduzido pelo trabalho de Roberto Burle Marx, reconhecido no mundo por suas criações. A criação de um estilo paisagístico, além de atraente e contemplativo, pode tornar também o ambiente interativo. E para que isso se torne realidade, não é preciso muito. Adaptar uma estátua, um banco ou outras formas diferenciadas por entre as plantas já é o bastante para garantir um recanto prazeroso, no qual se pode apreciar a vista, ler, tomar um café ou simplesmente relaxar. É preciso realizar algum tipo de manutenção periódica na escultura? Depende do material. Se a escultura for viva, a manutenção se dá através de podas. Agora, se a escultura for de madeira, terracota, pedra-sabão, entalhe, gesso, isopor, fibra de vidro, concreto celular ou material reciclado, a manutenção deve ocorrer de acordo com as necessidades e condições climáticas do ambiente onde ela esteja.

Nanci dos Santos, da Raphia: “A criação de um estilo paisagístico, além de atraente e contemplativo, pode também tornar o ambiente interativo”

É possível ter um jardim florido o ano todo? Como? É possível, sim, ter um jardim florido o ano inteiro, independentemente da estação do ano. Na hora de planejar o jardim, é só escolher espécies que floresçam em épocas diferentes e estar atento aos cuidados. Se a intenção for cuidar de flores plantadas em vasos, é interessante que estes sejam colocados em lugares com bastante claridade; geralmente violetas, kalanchoes, prímulas, gloxínias, begônias e lírios não toleram sol direto. Não se devem molhar as flores. É importante molhar a terra dos vasos quando necessário, não deixar água acumulada nos pratinhos para não apodrecer as raízes e eliminar sempre as flores e as folhas secas.

Agora se a intenção for cuidar de flores plantadas em jardins, é interessante saber que, de acordo com a temperatura, elas necessitarão de rega periódica, isto é, no verão, é aconselhável regá-las em abundância por sentirem mais “sede”; já no inverno, o procedimento é, justamente, o contrário. Também é interessante ressaltar que, independentemente da temperatura e do controle da rega, tanto as plantas que florescem quanto as demais vão, também, necessitar de manutenção periódica. Detectar e controlar a ação de pragas, revolver a terra, adubar, limpar, replantar, enfim, o cuidado não deve limitar-se somente aos momentos de rega.

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Opinião Por Wanja Antunes

Como grandes eventos na Praia de Botafogo e no Aterro do Flamengo afetam a vida de seu condomínio? O trânsito geralmente fica parado, mas não vejo isso como um problema. Acho muito bom que esses encontros ocorram na cidade porque é uma forma de oferecer lazer para a população; as pessoas precisam disso. Esses acontecimentos nunca afetaram diretamente o condomínio, pelo menos ninguém reclamou. O evento evangélico que ocorreu aqui, em Botafogo, causou um grande congestionamento; os ônibus ficaram parados nas ruas, inclusive na minha, mas fatos como esse acontecem um único dia em meses. O que se deu dessa vez foi uma exceção à regra. Acho muito bom quando esses festejos são realizados. O Air Race deste ano, por exemplo, foi muito divertido. Sou totalmente a favor dessas programações, acredito que elas valorizem o bairro. Raimundo Alencar, Condomínio Icav Juno - Botafogo

Geralmente, esses eventos realizados na Praia de Botafogo são bem organizados e não afetam muito o dia a dia do bairro. Já o culto evangélico que ocorreu em abril atingiu o Rio de Janeiro inteiro. Eu protejo essas iniciativas, mas dessa vez, a prefeitura não forneceu a estrutura nem a atenção necessária. Havia ônibus de todos os lugares do Brasil, e como não havia onde parar, eles estacionaram na Rua Voluntários da Pátria, que ficou fechada até as 21 horas. Não houve fiscalização, inclusive li uma reportagem que dizia que o comando da Polícia Militar orientou a prefeitura sobre como proceder, mas nada foi providenciado. Para completar, o Aterro do Flamengo estava fechado, sobrecarregando o bairro de Botafogo; ninguém entrava nem saía. Jairo de Campos Mello, Condomínio Sidonie - Botafogo

Nosso prédio fica bem na saída do Aterro. Quando fecham a Praia de Botafogo, temos alternativas para sair de carro, mas quando fecham o Aterro é o caos, vira um enorme congestionamento. Sempre que isso acontece temos que nos programar, ir ao mercado ou resolver qualquer pendência antes. Gosto desses eventos porque proporcionam lazer à população, mas a prefeitura deve tomar precauções. Como a maioria dos eventos ocorre durante o fim de semana, a gente consegue se prevenir. Pior do que o engarrafamento que enfrentamos nessas ocasiões é a falta de segurança. A quantidade de policiais convocados para cobrir as festividades muitas vezes não é suficiente para o número de pessoas que nosso bairro recebe. Gisèle Wolguemuth, Condomínio Manhattan - Botafogo

Evento como o que ocorreu em Botafogo, um encontro religioso, em que ninguém saía de casa ou entrava nela, foi muito negativo, uma prisão domiciliar. Os ônibus pararam no meio das ruas, os carros passavam nos canteiros e, para completar, era feriado. Esse tipo de ocorrência deveria ser realizado no Maracanã ou em outro espaço próprio para receber aquela quantidade de gente. Tirando esse episódio, outros espetáculos, esportivos ou culturais, como a apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, o Air Race e corridas de bicicleta, são ótimos e beneficiam o condomínio porque são realizados perto de onde moramos e podemos aproveitar a programação. Normalmente, a prefeitura se organiza em todos os sentidos, como segurança, limpeza e trânsito. Isabel Guimarães, Condomínio Paulo de Frontin - Flamengo

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Arte

por Mário Mendonça

"cabeça de cristo", bronze. Coleção Instituto Mário Mendonça. Tiradentes, MG.


"Evandro deixa sua arte fluir por meio de materiais como o mármore, o granito, o bronze e a madeira. Já as formas, criadas por volumes e vazios, luzes e sombras e uma geometria às vezes abstrata..."

Evandro Carneiro vive no Rio de Janeiro, mas nasceu em Visconde do Rio Branco, Minas Gerais, em 1946. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Desde 1987, vem realizando mostras individuais de sua obra, tendo executado trabalhos públicos em grandes dimensões no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua obra integra os seguintes acervos: Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Esculturas do Parque da Catacumba e Centro Empresarial BarraShopping, todos no Rio de Janeiro; Parque de Esculturas, Recife, Pernambuco, e Museu de Belas Artes, Santiago do Chile, entre outros importantes locais. Evandro deixa sua arte fluir por meio de materiais como o mármore, o granito, o bronze e a madeira. Já as formas, criadas por volumes e vazios, luzes e sombras e uma geometria às vezes abstrata, nas superfícies lisas, nas formas compactas, em límpidos espaços criados pelos cortes, pelas eliminações e pelas sínteses, acarretam uma tensão entre tradição e modernidade e fazem das esculturas de Evandro Carneiro “um instrumento de busca da beleza”, como disse o crítico Marcus Lontra Costa, ou nas palavras da escritora Lélia Coelho Frota, “um escultor que tem a consciência da mão e a entrega ao inconsciente do instante, ativo em plena pós-modernidade, e que através do motivo aparentemente tão simples e milenar do corpo fala de Eros como um ritual de passagem que remete às origens da vida”. Eu e Evandro Carneiro começamos nossas trajetórias juntos no Museu de Arte

Moderna do Rio de Janeiro. Anos 1962, 1963, ambos alunos do pintor Ivan Serpa, um dos mestres mais respeitados do Brasil e conhecido por seu rigor quase agressivo. Conseguir passar por Serpa sem desistir da carreira era ter garantido o futuro de artista, e artista de valor. Passamos eu e Evandro, ele escultor e eu pintor. Mantemos até hoje uma cara amizade. Quando fiz 60 anos, minha mulher comprou, para me presentear, uma linda escultura de Evandro, que gentilmente fez um bom desconto. Em 1988, a carreira do escultor decolou com a execução da escultura Dédalo, de grandes dimensões, para o Palácio dos Leilões, no Rio de Janeiro. As exposições se sucederam no Brasil e no exterior, individuais ou coletivas, ao lado dos maiores nomes da escultura brasileira: Bruno Giorgi, Brecheret, Vasco Prado, Sônia Ebling e Agostinelli. Trabalhador incansável, organiza, paralelamente a seu trabalho, leilões da mais alta categoria em todo o Brasil, cujos catálogos são requintados livros de arte apresentados pelo crítico Frederico Moraes. Uma imagem vale por mil palavras. Já falei demais e é preciso ver o trabalho desse amigo brilhante, que hoje ocupa o lugar daqueles grandes que nos deixaram e que ele acompanhava timidamente em exposições coletivas. Atrevo-me a afirmar, sem medo de errar, que Evandro tem a mesma categoria, ou mais, dos maiores escultores do Brasil. No momento, Evandro Carneiro representa a escultura brasileira como um de seus principais ícones.

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BEM DITA! - a coluna de boas notícias por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

As boas notícias pipocam. O leitor que quiser enviar alguma ou obter mais informações a respeito das notas, basta escrever para smarismendonca@gmail.com Casa de Francisco de Assis A Casa de Francisco de Assis, na Rua Alice, 308, em Laranjeiras, oferece diversos serviços, com hora marcada, para pessoas com renda comprovada de até três salários mínimos, ao custo de R$ 10 a R$ 15. Os que não podem pagar esses valores são entrevistados por uma assistente social para receber consultas gratuitas. São as seguintes as especialidades oferecidas: homeopatia infantil, cromoterapia, pediatria, otorrinolaringologia, psicologia infantil, fonoaudiologia, psiquiatria, nutrição, psicologia, odontologia (para crianças e adultos), cardiologia, ginecologia, fisioterapia, serviço social e assessoria jurídica. Os contatos da Casa de Francisco de Assis são: telefones 2265-9499 e 25570100, www.casadefranciscodeassis.org.br e e-mail: cfassis@uol.com.br

Seu Madruga – vila e obra, de Pablo Kaschner, alcança primeiro lugar em vendas Seu Madruga – vila e obra, de Pablo Kaschner (Editora Mirabolante), foi lançado em maio e, um mês depois, tornou-se o mais vendido na seção Literatura e Biografias da Livraria da Folha, do jornal Folha de S.Paulo. O livro, que está em segunda edição, presta homenagem ao personagem sui generis que já conquistou status de ícone pop, quiçá mito. Sem um centavo no bolso, Madruga sempre carrega no rosto um sorriso franco e espontâneo. Ao longo de 14 capítulos, que vão sendo “quitados” numa tentativa de ajudá-lo a pagar os eternos 14 meses de aluguel, o leitor se transformará em um profundo conhecedor dessa figura malandra e impagável que, vai ver por isso, tinha certa dificuldade para pagar as contas. “Seu mau humor e resmungos revelaram um nobre coração, capaz de perdoar facilmente quem o humilhava ou sabotava. É dessa forma que Kaschner retrata o personagem em sua obra. Filosofias como ‘a vingança nunca é plena’; ‘mata a alma e a envenena’ estão registradas no volume”, diz o site da UOL. Vale lembrar que Pablo é colaborador desta revista há mais de 14 capítulos, digo, de 14 edições.

Memória de pai vivo Marmota – novo número do jornal de humor O blog é http://www. marmotacultural.blogspot.com/ e lá você pode ler bons textos de humor, escritos pelo pessoal da Oficina de Humor de Márcio Paschoal.

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Sinto o cheiro de meu pai adentrar a casa. Não fosse ele vivo, eu diria... Olho o telefone, a madrugada: mudo. Silêncio de estrelas e infâncias em céus distantes. E esse aroma colônia-barba: imagem molhada de pai idoso me salta aos olhos tal qual chuva, que lava os fios noturnos de minha cidade. O poema foi enviado por Graça Carpes, que criou seus três filhos, psicólogos, vendendo poesia. Graça participa do Corujão da Poesia, já noticiado nesta coluna, e da Oficina de Humor de Márcio Paschoal. Também circula por espaços culturais vendendo seus poemas. Se ela passar por você, pare, leia, escute e... compre.


Harpista número um da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a carioca Cristina Braga é conhecida pela elegância e técnica irretocáveis e, como cantora, o encantamento se dá pela delicadeza da voz, que o amigo e parceiro Jorge Mautner define como “sensual-carnal-espititual”. A harpista e cantora ama o samba, o jongo, a bossa-nova e a MPB tanto quanto as cadências e os concertos do mundo clássico. Começou acompanhando Nara Leão e o Quarteto em Cy; tocou com Moreira da Silva, o rei do samba de breque; aprendeu a pedalar bossa-nova trabalhando com Peri Ribeiro; estrelou um show de samba tocando Noel Rosa e Cartola na harpa, com texto de João Máximo, direção de Haroldo Costa e locução de Sargentelli; tocou com Ângela Maria, Ana Carolina, Zizi Possi, Leila Maria e Olívia Hime; colocou harpa no rock nacional acompanhando os Titãs; gravou com Marisa Monte, Nando Reis, Zeca Baleiro, Francis Hime, Zeca Pagodinho, Zélia Duncan, Taiguara, Bia Bedran, Olívia Hime, Isabela Taviani e Gal Costa e participou dos DVDs de Lenine, Ana Carolina, Menescal e Andy Summers (guitarrista do The Police). Em seu novo álbum, Feito um peixe, a artista mostra a força do mítico instrumento na MPB ao reunir 12 canções, sendo seis de sua autoria em parceria com Jorge Mautner, Moacyr Luz, Ricardo Medeiros, Arthur Verocai, Maria Teresa Moreira e Pedro Braga. No disco, a harpa se integra ao samba, à bossa e ao choro. Imponente no tamanho e de sonoridade etérea, o instrumento povoa o imaginário coletivo com imagens de anjos e ninfas, mas em Feito um peixe, produzido por Ricardo Medeiros e com coprodução de Kassin, a harpista explorou novos terrenos, colocando o instrumento a serviço do texto. A vida cotidiana é o tema central do disco, que pinta às vezes delicados, às vezes intensos, às vezes cansados rios, mares, temporais, tsunamis, retratos de um dia a dia submerso pela falta de tempo, pelas paixões, pela partida do amigo Silvio Barbato, maestro que regeu a prova que Cristina fez para entrar no Theatro Municipal e com quem ela trabalhou por

17 anos. Desaparecido no desastre aéreo da Air France em 2009, Barbato é, ao lado de Bernardo Vilhena, autor da "Ária de Emília". Era desejo do maestro que a amiga gravasse, cantando e tocando, algumas de suas composições. A inclusão da música foi uma homenagem da harpista ao amigo falecido. Destaques no disco são “Detrás del muro de los lamentos”, de Fito Paez, que expressa sua paixão pela América Latina e faz uma referência a Mercedes Sosa, que gravou a canção em 1992 (“somos um continente dividido apenas por duas línguas, com histórias similares e unidos por mais de 50 tipos de harpa. O mapa do continente e o do Brasil têm forma de harpa...”), “Insensatez”, de Tom Jobim, e “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, as duas últimas dificílimas de tocar com o sistema de sete pedais da harpa de concerto. “Quem foi mesmo que disse que harpa só toca guaranias, música de Natal e cadências de balé? Será que eu lembro?” Um time de primeira participa dos arranjos escritos por Ricardo Medeiros, como Marcos Suzano (percussão), Jessé Sadoc (flügel), João Carlos Coutinho (piano) e Joca Moraes (bateria de alfaia). “Este Feito um peixe é um peixe que é na verdade uma sereia, sem dúvida a própria Cristina. Eu acho que é a voz de um peixe-sereia. Um peixe-sereia que às vezes está nadando no mar, outras vezes está nas águas de um rio caudaloso, outras num rio que é apenas um riacho, outras é um peixe-sereia dando mergulhos nas águas borbulhantes de uma cachoeira e outras vezes (em outras canções) é um peixe-sereia nadando por entre gotas de poderosa chuva amazônica.” (Jorge Mautner) JUL_AGO_SET 2010

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Coletivo de Estudos de Política Educacional lança Direita para o social e esquerda para o capital. Intelectuais da nova pedagogia da hegemonia no Brasil Lançado pela Editora Xamã, sob a coordenação da professora Lúcia Neves, o livro aprofunda as reflexões apresentadas na obra A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o consenso, Xamã, 2005. O foco de análise de Direita para o social e esquerda para o capital recai sobre os intelectuais da nova pedagogia da hegemonia. O Coletivo atualiza o conceito gramsciano de intelectual para explicar os processos de dominação que levam à reafirmação das relações sociais capitalistas no Brasil do novo imperialismo. O leitor poderá entender como o propalado “novo mundo”, a “sociedade do conhecimento” ou a “sociedade da informação” são construções ideológicas, com nova roupagem, que reafirmam a dominação da classe burguesa no século XXI.

O Projeto Jardineiros do Bairro, coordenado pela ONG Viva Rio, existe formalmente há quatro anos e atende 14 jovens de ambos os sexos, entre 15 a 17 anos, moradores de comunidades do entorno da área portuária do Rio de Janeiro. O objetivo é fazer brotar a solidariedade, unindo o poder público, o empresariado e a população para apoiá-los numa fase da vida em que precisam de suporte para a inserção no mercado de trabalho. O projeto visa também incentivar a cooperação e o sentimento de corresponsabilidade pela conservação das praças e das ruas da região, sensibilizando-os, ao mesmo tempo, para o cuidado com a saúde, despertando talentos, autoestima, estimulando a observação da natureza e a necessidade de preservá-la, desenvolvendo a prática de uma cidadania participativa, do empreendedorismo, da elaboração de currículos, preparando-os, enfim, para o mercado de trabalho. A atuação do projeto se dá na Praça da Harmonia, na Praça Jornal do Comércio e na Praça dos Estivadores em três dias da semana, dois dos quais dedicados ao diálogo e à reflexão sobre temas sociais e trabalhistas; ocorrem também saídas pedagógicas para roteiros culturais no Centro da cidade. Para participar do projeto é preciso que o jovem esteja matriculado no Sistema de Ensino Regular. O projeto necessita de doação de material. Serão bem-vindos enxada, terra adubada, húmus e mudas, além de parcerias com teatros e parques de diversão para garantir entradas gratuitas ou com desconto, transporte para saídas, voluntários para a realização de palestras nas áreas de interesse para a proteção do meio ambiente e o exercício da cidadania. Os interessados podem mandar e-mail para esta coluna ou comunicar-se com a educadora ambiental Edna Fernandes pelos telefones 2239-5216 e 8791-4071.

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Agricultura familiar orgânica na Rádio Revolução Para manter o corpo em equilíbrio e a saúde em dia é fundamental uma alimentação saudável. Os produtos orgânicos são produzidos com respeito ao meio ambiente e sem o uso de substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e consumidores. A legislação brasileira reconhece a importância dos laços de confiança estabelecidos diretamente entre produtores e consumidores no sistema de venda direta, sem intermediários. Feiras orgânicas estão à disposição do público no Rio - em Copacabana, na Gávea, no Grajaú, no Flamengo, em Botafogo, no Centro - e no interior no estado, em Campos, Teresópolis, Valença, Friburgo e Pinheiral. Informações sobre locais e horários podem ser solicitadas, por e-mail, a esta coluna. A Rádio Revolução (www.radiorevolucaofm. com.br) apresenta o programa "Show das Quartas" todas as 4as-feiras, das 10h às 12h, com Carlos Rocha, produção de Luiz Fernando Martins e a participação especial de Renato Martelleto, responsável pela organização de eventos na Feira Orgânica da Glória. O público pode ligar e fazer perguntas pelos telefones 3111-7390 e 2289-7823. O programa tem entrevistas, músicas, reportagens e o quadro "Vida Saudável - alternativas para quem busca qualidade de vida". A Rádio Revolução foi um trabalho pioneiro desenvolvido no Centro Comunitário Pedro II, Unidade do Instituto Municipal Nise da Silveira, complexo hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde. A principal finalidade dessa Rádio é atuar a favor da ressocialização de pessoas na área da saúde mental. O slogan da emissora continua sendo "A Radio Que é Louca por Você”. No estúdio, uma foto de Che-Guevara lembra que a revolução, que dá nome à rádio, se refere aos ideais da Dra. Nise da Silveira, que perseguia uma revolução na saúde mental.


Projeto Livro de Rua "Parabéns! Você acaba de achar um exemplar do Projeto Livro de Rua. Se você não se interessar pelo livro, deixe-o no mesmo local. Agora, se gostou, ele é seu, contanto: 1- que, no fim da leitura, passe-o adiante, deixando-o em local público, com grande movimento de pessoas; 2- cadastre-o no site www.livroderua. com.br. É só colocar o número de inscrição, que se encontra na capa, e o local onde o deixou. Para que serve um livro? Em nosso entendimento, serve para que as pessoas possam ler e não ficar pegando poeira em alguma estante ou armário." Com essas palavras, escritas em folha anexada ao livro, Pedro Gerolimich, presidente do Instituto Ciclos do Brasil, explica seu Projeto Livro de Rua. A campanha visa à democratização da leitura. Entre nessa onda você também – educação e leitura, as soluções para um Brasil melhor. Se quiser participar como voluntário, envie um e-mail para esta coluna.

Lançado novo portal corporativo A Secretaria de Estado de Cultura lançou, em maio passado, o portal colaborativo Cultura.RJ (www.cultura.rj.gov.br) O site tem como principal objetivo ser uma tábua de ressonância de toda a produção cultural do estado. Trata-se de uma revista on-line aberta à colaboração de todos os envolvidos com as diversas manifestações artísticas do Rio, desde produtores culturais a cidadãos ligados no que acontece em seu município. Na Revista, no Banco de Cultura, nos Espaços Culturais e na Programação Cultural, áreas do novo portal, qualquer usuário pode postar textos, fotos, vídeos e músicas, além de fazer comentários sobre o material publicado. Basta preencher um cadastro simples. A finalidade é fazer com que a vasta produção cultural dos municípios ganhe repercussão e que um maior número de pessoas possa, cada vez mais, obter informações sobre o que acontece no estado, além de mostrar seus trabalhos.

Blog do Cradd Caroline Kwee, diretora-geral do Centro de Referência e Apoio às Desordens do Desenvolvimento (Cradd), informa que agora a instituição tem um blog para a troca de ideias, sugestões e discussões - www.cradd.org.br O Cradd já foi noticiado nesta coluna. O leitor pode acessar a nota através do site da revista da CIPA.

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por Stella Maris Mendonça (smarismendonca@gmail.com)

Caminhos do outro ouro negro, o café Da janela do quarto da casa-grande de onde o barão observava o trabalho dos escravos que, no quadrilátero funcional chamado de terreiro, selecionavam, armazenavam, secavam, torravam e moíam o café plantado e colhido por eles também, hoje o turista pode apreciar a floresta secundária que se recupera em territórios de antigos cafezais. O apogeu da economia cafeeira se deu entre os anos 1835 e 1875. Após a derrocada da atividade, que provocou a venda barata de muitas fazendas ou a entrega delas às casas de crédito, o patrimônio ressurge. Por volta de 1730, chegaram ao Pará sementes de café trazidas da Guiana Fran-

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cesa pelo jovem oficial Francisco de Melo Palheta. Trinta anos depois, foram levadas para a capital da província do Rio de Janeiro. Aqui a plantação inicial do chamado ouro negro ocorreu nos morros da cidade e do Mendanha, na Baixada Fluminense, e se estendeu, nos séculos XVIII e XIX, principalmente pelo vale do médio Paraíba, compreendendo os municípios de Barra do Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Piraí, Rio Claro, Rio das Flores, Valença, Vassouras e Volta Redonda. Os fazendeiros de café, muitos dos quais eram antigos mineradores, tinham como lema de vida trabalho e economia. Con-

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Atualidade


quistaram títulos, esbanjaram fortuna e exerceram influência política. A abolição da escravatura determinou o declínio das fazendas fluminenses em favor de São Paulo, onde a mão de obra dos imigrantes tornou-se uma alternativa similar ao trabalho escravo. A recuperação do Vale do Paraíba do Sul se deu com o desenvolvimento de outras formas de atividade agrícola, a instalação de numerosas indústrias e, mais recentemente, a valorização do patrimônio. Há 16 anos, proprietários de fazendas, historiadores, arquitetos e apreciadores do patrimônio da região fundaram o Instituto Preservale – Instituto de Preservação e Desenvolvimento do Vale do Paraíba (www.preservale.com. br), organização voltada para o turismo cultural, a preservação e o desenvolvimento sustentável dos patrimônios culturais, históricos e ambientais da região do vale e que oferece a turistas e escolas o contato com a história social do café. Em 2005, o Instituto Preservale recebeu, do Conselho Estadual de Cultura, o Prêmio Estácio de Sá, na categoria Preservação do Patrimônio. Em 2003, foi criado o Festival do Vale do Café (www.festivaldovaledoca-

fe.com) por Cristina Braga, harpista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção artística de Turíbio Santos, um dos maiores violonistas da atualidade, entrevistado na edição nº 28 desta revista. O festival, que resgata o patrimônio imaterial do Vale do Café e estimula o amor à natureza, ocorrerá entre os dias 23 de julho e 1º de agosto e oferecerá ao público concertos em 14 fazendas da região e shows em praças públicas e igrejas, além de cortejos de tradições populares. Na edição deste ano, serão distribuídas 400 bolsas de estudo, sendo 100 integrais, para os cursos de música do festival, que já recebeu mais de 500 mil pessoas desde sua criação. Outros ventos também sopram no vale. Em maio deste ano, foi lançado, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o relatório final do projeto Ações Estratégicas da Revitalização do Vale do Café, uma parceria entre o Preservale e o Instituto Light, concessionária da região do Vale do Paraíba. O objetivo principal do trabalho foi mapear as potencialidades do vale para o desenvolvimento de um novo ciclo econômico: o turismo cultural. Os investimentos privados já conseJUL_AGO_SET 2010

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guiram mudar o destino dessa região, que nos anos 1970/1980 caminhava para além da decadência, com o declínio da atividade pecuária, a falta de opções para a vida rural e a absoluta falta de visão política que condenava o Vale do Paraíba ao ostracismo. Sônia Mattos, fundadora e diretora geral do Preservale, declara: “Hoje temos uma alternativa em curso, que foi criada com base na recuperação do patrimônio e de sua

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utilização para o turismo cultural, ecológico e pedagógico. Agora faltam os investimentos públicos – acesso, estrada, sinalização, qualificação profissional, marketing. Faltam também linhas de crédito e financiamento para que o patrimônio possa ser recuperado com finalidade econômica. Nosso objetivo com o Projeto Ações Estratégicas era chamar atenção e indicar essas prioridades, visando a que o Vale do Café atinja sua plena

potencialidade como destino de patrimônio, trazendo a região novamente para um lugar de relevância no cenário nacional, não mais pela exploração predatória do meio ambiente ou pelo uso abusivo do trabalho escravo, mas pela valorização e interpretação de seu legado cultural, pela preservação de suas matas e da água preciosa, bem como pelo investimento social em qualificar profissionalmente sua gente.”


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Fazendas vivas Fernando Tasso Fragoso Pires lançou, recentemente, o livro Fazendas do Império, edição requintada que enche os olhos do leitor e convida-o para a viagem. O mesmo autor, prefaciando o livro de Paulo Lamego, O Brasil é o vale, cita Agripino Grieco: “Mesmo quando reviviam em suas fazendas as pompas da Europa, mostravam amar, de amor enternecido, a humilde vida campestre que os rodeava. Justas, torneio, cavalhadas à moda medieval, alfaias e brocados, damascos e seda, não os levavam a desprezar as ásperas doçuras deste caricioso ambiente selvagem. As casas solarengas, as quintas de portões brasonados, as florestas genealógicas que se ramificavam por aqui, não impediam que as velhas damas fidalgas tivessem os seus impulsos de ternura confortadora para os humildes servos da gleba. Certo gosto pelos estudos clássicos e pelas artes temperava-os no cuidado pelo viço das lavouras tropicais. Todos se nutriam de boa seiva doméstica e raros os que se deixavam enlear pelos tentáculos da cidade absorvente.”

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Hoje quem quiser se livrar dos tentáculos da vida urbana deve passar um dia ou mais nos magníficos hotéis-fazendas de café e mergulhar nesse ambiente, revivido em saraus e serestas, em jantares e chás coloniais, em sensações, leituras e conversas. Mas há quem leve a paixão pelo vale um pouco mais a sério e assuma um casamento. O escultor e engenheiro Gabriel Fonseca é um verdadeiro guardião do patrimônio. Em 1975, ele soube que a Fazenda Monte Alegre, uma das principais do ciclo do café e que pertencera ao Barão de Paty, estava à venda. A natureza ali é majestosa – Lecythis pisonis (sapucaias), Sterculia chicha (xixás), Schizolobium parahyba (guapuruvus), Tillandsia usneoides (barbas-de-velho) compõem o cenário. Conta Gabriel: “Rompi mato adentro, atravessei uma pinguela feita de três troncos de coqueiro, subi uma colina e, de repente, abriu-se a visão emocionante de uma fachada senhorial de granito, com 31 metros de comprimento, totalmente simétrica, com 11 balcões e 11 portas! A fachada era

a única coisa mais ou menos prestável.” O preço era irrisório, correspondente a um apartamento de quarto e sala em Copacabana, e o negócio foi fechado em 24 horas. A casa-grande – construída com capim, adobe, bosta de vaca, taipa, grandes troncos de madeira e pedras de 500 quilos – foi restaurada com a reutilização de muito material existente nas ruínas, a introdução de elementos metálicos invisíveis para reforço e o trabalho de quatro operários e o de Gabriel durante seis anos. Hoje a casa está circundada por um jardim de esculturas; a capela está aprumada; jardins com lagos e fontes foram construídos; a mata remanescente, cuidada e preservada, e as áreas degradadas, reflorestadas com essências nativas da Mata Atlântica. O Parque de Esculturas Lúcia Miguel Pereira, em homenagem à mãe de Gabriel, tem um belo conjunto de obras em diversas mídias e de renomados artistas. Nele, bromélias, orquídeas, helicônias e outras plantas tropicais “conversam” com as esculturas. “No parque, fica evidenciado o casamento feliz dos elementos terra–vegetação e aço–cor em movimento, bens que a natureza nos oferece. Em contrapartida, no afã de acumular mais do que o necessário, tendemos para a destruição do planeta. A natureza nos dá comida, água, calor, e de nós recebe desaforos. Efêmeras e mutantes como a natureza, no parque as obras chegam e vão.” No dia 24 de julho, haverá a inauguração da exposição de esculturas com os seguintes artistas: Aglaia Peltier, Eduardo Mariz, Frank Ostrower, Gabriel Fonseca, Leila Bergallo, Lygia Bomfim, Márcio Zardo, Míriam Pech, Sônia Távora e Sueli Araújo. Vamos ao vale.


Crônica

por Vivien Bezerra de Mello

Cachorro emprestado. O melhor negócio para quem mora em apartamento Antes que alguém solte os cachorros em mim, é bom deixar claro que adoro cachorros. Mas num ambiente que considero adequado. Explico: nasci e cresci em casa, tinha cachorros e acho que eles são muito mais felizes quando têm espaço para correr, brincar, fazer suas necessidades fisiológicas em paz e liberdade para gastar sua energia. Quando minhas filhas começaram com essa história de que queriam um cãozinho, tentei explicar que morávamos em apartamento, mas nada surtia efeito. Chegavam a chorar. “Somos as únicas que não têm cachorro! Todo mundo tem!” Ou então: “Nós vamos cuidar, você não vai precisar fazer nada!” Conversa fiada. É claro que eu teria que fazer. Esse negócio de ter que levar cachorro para passear na rua é um saco. Sem contar que não dá para passar um dia inteiro longe de casa porque tem o cachorro ali, esperando você para que ele dê sua voltinha. E ai de você se não o fizer: vai encontrar um cão estressado e a casa suja de... você pode imaginar o quê. Meu marido, que também adora cachorros, entrou na onda e formou um complô. Eu dei o ultimato: “Ou eu cuido de cachorro ou de criança. Os dois, no mesmo ambiente, não dá.” Tentei até convencê-los com requintes de crueldade: “Já imaginaram o cachorro sujo de cocô subindo em sua caminha limpinha e cheirosa? E quando ele for à rua e meter o focinho na sujeira dos outros cães, se lambrecar todo e depois, com aquelas patas sujas, se deitar em seu travesseiro?!”

mariza lima

Pegue um cachorro emprestado por alguns dias e prove a seus filhos que a convivência é inviável

Apelei até para que elas passassem mais tempo na casa da vizinha, minha amiga Márcia, que tem uma cadelinha, a Penélope, da raça maltês. “Vocês vão lá, brincam, se divertem e depois vêm para casa quando cansar.” Nada surtia efeito. Cada vez que voltavam pediam mais. Mas quando a Márcia pediu, com muito jeitinho, que Pepê ficasse em minha casa no fim de semana porque ela precisava viajar e estava com pena de deixá-la no hotel, eu vi ali minha grande chance de mostrar à família, in loco, que eu tinha razão. Minhas filhas imploraram para que eu aceitasse. De cara as condições: eu não limparia cocô nem xixi, e se ela sujasse a casa, elas que limpassem também. Trato feito. Como essa cadela faz tudo na varanda, num jornal, não precisa de passeio na rua, menos mal.

Para meu desespero, o fim de semana transcorreu na mais perfeita ordem. Nada de errado aconteceu. Logo aparecia a segunda chance de Penélope fazer sua parte em nosso acordo imaginário: Márcia viajou de novo. Penélope da titia (esta sou eu, ela me adora!) se comportou maravilhosamente bem de novo. O feitiço estava virando contra o feiticeiro. Eu até penteava Pepê! Terceira chance. Nesse fim de semana, estávamos com muitas programações. Saímos muito. Penélope estressou. Não gostou mesmo. Chorava, perturbava, tadinha. Cada vez que abríamos a varanda ela fazia um cocô ou um xixi pela casa. Nem meu tapete de onça escapou (antes que os ecologistas de plantão me condenem, ele é fake!). Glenda pisou num pitoco na porta de seu quarto. Ficou com tanta raiva que até chorou. Yasmim ria. Acho que era de nervoso. Depois, outro xixi na cozinha. Quem pisou? Glenda. Estresse total. E eu assistia a tudo de camarote. Não limpei nada! Era minha chance! Eu dizia: “Vocês não querem cachorro? É isso aí. Pisa, limpa, esfrega. Ele chora porque está carente, chora porque está na varanda, perturba na hora do jantar...” Márcia chegou de viagem e eu entreguei Pepê. Disse que a filha dela não havia se comportado muito bem, mas que eu adorei. E as meninas, milagrosamente, não falaram mais em ter um cachorro para chamar de seu.

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segurança por Raquel Pinheiro Loureiro

Televisão na portaria:

mocinha ou vilã?

O síndico Fernando Barbosa dos Santos, do condomínio Privilege, não permite televisão mas liberou o rádio de pilha durante a Copa do Mundo com a ressalva de que o som deveria ser o mais baixo possível

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Quarta-feira à noite, dia de jogo do Campeonato Brasileiro. Sexta e sábado, capítulo importante das novelas das seis, das sete e das oito. Domingo, programas de variedades. Ao longo da semana, o que não falta na televisão é uma farta gama de opções para todos os gostos. Mas quando se trata de vigilância nos condomínios da cidade, a telinha mais importante é a do circuito interno de TV. Especialistas na área de segurança garantem que a distração extra atrapalha e muito a concentração de porteiros e zeladores, criando um comportamento que pode oferecer risco aos moradores e aos próprios profissionais. Entre os síndicos, no entanto, a questão é polêmica e as opiniões se dividem. Há quem permita o aparelho e quem o proíba e ainda existem aqueles que confiam no bom senso dos porteiros quanto ao uso da televisão. Comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar, em Copacabana, onde regularmente são realizados cursos de treinamento em segurança predial, o tenente-coronel Rogério Seabra explica que o aumento da fragilidade da segurança em condomínios está muito ligado à desatenção dos profissionais de portaria. “Sou contra a presença da TV porque a função do porteiro é vigiar constantemente o circuito interno de imagens, acompanhar a movimentação na rua, o que acontece a sua volta. A televisão distrai e impede que ele faça seu trabalho correta-


Renato Larotonda, síndico do Condomínio Morristown, não acredita que a TV seja um risco efetivo à segurança e que o aparelho pode ser de grande ajuda à noite. “Assistindo à televisão, o porteiro não dorme, quando a tendência natural seria cochilar”, afirma

mente”, afirma ele, lembrando ainda que síndicos e moradores também têm que fazer sua parte. “Quem coloca a TV na portaria tem corresponsabilidade na quebra da proteção do prédio.” Consultor de segurança predial do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi Rio), Raimundo Castro também é veemente ao vetar a presença do aparelho em portarias e guaritas. “A atividade de segurança e vigilância exige atenção e percepção e não combina com entretenimento. A TV tira o foco da atividade de observação”, afirma. Segundo ele, que dá cursos de qualificação para profissionais da área, inclusive síndicos, quem acha que porteiro tem tempo para ver televisão está enganado. “O

trabalho do profissional é, antes de tudo, observar. Ele não está ali apenas abrindo porta”, ressalta. Os síndicos nem sempre concordam com essa política de tolerância zero com aquela que o escritor Stanislaw Ponte Preta chamava de “a máquina de fazer doido”. No Condomínio Matriz da Lagoa, em Botafogo, a única portaria já teve uma TV. Mas com a mudança de funcionários e após alguns problemas, a síndica Maria da Conceição Knupp achou melhor reservar a televisão para ocasiões especiais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Tenho uma equipe de cinco profissionais, e como nosso edifício é misto, o número de pessoas que transita é muito grande. Além disso,

há uma boate próxima. Eles têm de se concentrar nos monitores das câmeras de segurança”, pondera. Para ela, no entanto, a conduta do profissional é o que conta. “Se o porteiro for responsável, ciente de suas obrigações, não vejo problemas em ter o aparelho”, diz Conceição, que já é síndica há sete anos. Postura semelhante tem Renato Larotonda, síndico do Condomínio Morristown, em Laranjeiras. Lá a portaria não só tem televisão como ela fica ligada o dia inteiro. “Com o treinamento adequado, não acredito que a TV seja um risco efetivo à segurança. O profissional habilitado terá como foco as imagens do circuito interno”, diz ele. Renato defende ainda que o aparelho pode

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gustavo almeida

O tenente-coronel da Polícia Militar Rogério Seabra diz que é contra a presença de TV na portaria “porque a função do porteiro é vigiar constantemente o circuito interno de imagens, acompanhar a movimentação na rua, o que acontece a sua volta. A televisão distrai e impede que ele faça seu trabalho corretamente”, afirma ele

ser de grande ajuda à noite. “Assistindo à televisão, o porteiro não dorme, quando a tendência natural seria cochilar”, afirma. Mas para quem é especialista no assunto, não é bem assim. “Cochilar é muito melhor que ver TV, não importa o programa. Quem está dormindo acorda sobressaltado com qualquer barulho e trata de checar o que está acontecendo. Mas quando a pessoa não percebe o que se desenrola a sua volta porque está ocupada com a televisão, está dando margem para o chamado crime de oportunidade”, explica Raimundo Castro. É com essa mentalidade que Fernando Barbosa dos Santos administra o condomínio Privilege, no Méier. O síndico não permite televisão, liberou o rádio de pilha durante esta Copa do Mundo com a ressalva de que o som deveria ser o mais baixo possível e procura sempre repassar

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aos funcionários tudo que aprende sobre segurança predial. “Se é para ver TV, melhor fechar a portaria. Temos três entradas no prédio, e o profissional tem de focar sua capacidade visual e auditiva na atividade para a qual foi contratado. De nada adianta se o porteiro ficar ligado na televisão”, argumenta. Fernando conta que graças a essa insistência na prevenção, possíveis situações de risco já foram evitadas. “Em certa ocasião, o funcionário conseguiu evitar a entrada de elementos suspeitos porque estava atento ao movimento na rua. Os porteiros fazem muito pelo prédio e a responsabilidade deles é grande”, lembra. Diretora comercial da ABC Telecom, empresa especializada em segurança eletrônica, Aline Sartório também faz parte do time que acredita que a melhor programação é a do circuito fechado de TV. “Com a

televisão, pode haver distração, causando, assim, um déficit na segurança dos moradores”, afirma, ressaltando a necessidade de preparar os profissionais de portaria para suas incumbências. “A pessoa responsável deve ser qualificada para operar os sistemas de proteção, recebendo treinamento constante sobre como evitar cair em armadilhas de ladrões.” Mesma posição de Paulo Feio, sócio-diretor da PortAlarm. Ele lembra que porteiros vigiam não só as entradas do edifício, mas, muitas vezes, áreas comuns do prédio, como a garagem e os elevadores. “Sei que se trata de um tema polêmico e que há um sentimento de ‘pena’ do funcionário, que fica, em geral, sozinho na portaria, mas ele tem muito o que fazer. Ele está ali para vigiar. O equipamento ajuda, mas o fator humano é imprescindível.”

E o radinho, pode? Se a televisão está na lista negra, o velho e bom radinho de pilha tem seu lugar garantido nas guaritas e similares e é parceiro fiel de muitos porteiros. Isso porque, para os especialistas, ele não oferece o mesmo tipo de distração que a TV. “A imagem prende a atenção de quem vê. Olhou, desviou o foco de tudo que está ao redor”, explica Raimundo Castro. “O rádio, depois de um tempo, acaba funcionando como um som, um ruído ao fundo”, acrescenta Paulo Feio. Aline Sartório acredita que o radinho não atrapalha tanto o trabalho quanto a televisão, mas ainda sim prefere não arriscar. “Minha posição é de não recomendar nenhum tipo de aparelho que possa desviar a concentração de porteiros ou seguranças”,


aconselha ela. Por precaução, o síndico Fernando Barbosa também veta o rádio, mas Renato Larotonda defende que o aparelho pode ajudar na segurança: “É através dele que o profissional pode ficar sabendo se há eventos ou algum tipo de tumulto nas redondezas que exijam vigilância redobrada.”

Como aumentar a segurança de seu condomínio Tirar a televisão de guaritas e portarias já é um grande passo para fortalecer a segurança de condomínios dos mais diversos portes, mas outras atitudes simples e eficazes fazem a diferença na hora de minimizar os riscos a moradores e funcionários. Veja: Checar, com cautela, os antecedentes dos novos empregados; Orientar os porteiros a não discutir a rotina do prédio e dos moradores com funcionários de outros prédios, guardadores de rua, entregadores etc.;

O consultor de segurança predial Raimundo Castro também é veemente ao vetar a presença da TV em portarias e guaritas. “A atividade de segurança e vigilância exige atenção e percepção e não combina com entretenimento. A TV tira o foco da atividade de observação”, afirma

ção é a mesma: checar com os moradores ou com o síndico se o profissional foi realmente solicitado e só então permitir seu acesso ao condomínio;

Nunca deixar alguém ingressar no condomínio sem que a entrada tenha sido confirmada por um morador. Isso vale tanto para o filho que visita a mãe idosa toda semana quanto para o rapaz da pizza e da farmácia;

Copa do Mundo, carnaval, festas de fim de ano e outros eventos de grande porte exigem atenção redobrada. “A possibilidade de aglomeração de pessoas e o movimento intenso podem distrair o porteiro da rotina à qual ele está acostumado, fragilizando a segurança”, alerta o comandante Seabra, da PM;

Atenção com pessoas que se dizem representantes da companhia de gás, luz e TV a cabo, entre outras. Trata-se de um truque muito usado por ladrões para conseguir entrar no prédio. A orienta-

Criar um código que permita aos moradores saberem se há algo errado no edifício. Por exemplo, em caso de assalto em andamento, o porteiro pode mudar um vaso de plantas ou um aba-

A síndica Maria da Conceição Knupp achou melhor reservar a televisão para ocasiões especiais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “Se o porteiro for responsável, ciente de suas obrigações, não vejo problemas em ter o aparelho”

jur de lugar, avisando para quem chega que não deve entrar no condomínio; Se por alguma razão ladrões conseguiram entrar no prédio, não é hora de ninguém bancar o herói. A atitude correta e mais segura para todos é chamar a polícia imediatamente; Fornecer treinamento e suporte aos funcionários. Quanto mais habilitados eles estiverem para suas obrigações, melhor será seu desempenho. O Secovi Rio (2272-8000) e o 19º BPM (2333-9259) oferecem cursos de segurança predial para porteiros e síndicos. Estes, vale lembrar, podem e devem repassar o que aprendem aos moradores.

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História

dreamstime

por Milton Teixeira

O Morro da Viúva e as viúvas Seu primeiro nome foi Mont Henry, dado pelos franceses de Villegaignon, em 1555, para homenagear o rei Henrique II de França, que havia apoiado a expedição colonizadora da França Antártica. O nome durou pouco. Um mapa francês de 1560 assinala-o apenas com as iniciais P.M., sendo impossível saber o que significavam. Em julho de 1565, o capitão Estácio de Sá inscreveu-o no patrimônio territorial da futurosa cidade que se erguia no continente, pois a vila fundada por este no Morro Cara de Cão, em 1º de março, era, no dizer de Anchieta, apenas “um pé para se tomar o continente”.

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Em 1568, o morro de 79 metros de altura foi aforado ao juiz ordinário Pedro Martins Namorado, que passou a residir numa casa de pedra erguida pelos primeiros colonos portugueses na praia, ao lado do citado morro, em 1503, casa cujos índios denominavam “carioca” - casa de branco -, o que bastou para batizar não só o rio vizinho como também os moradores da nova urbe. Anos depois, a mesma casa e as respectivas terras passaram ao sapateiro Sebastião Gonçalves, que ali residiu até quase a segunda década do século XVII, quando uma onda demoliu sua morada e o expulsou.

Em 1618, a Câmara Municipal aforou o morro aos monges beneditinos, que dele extraíram pedra para construir seu mosteiro e outras obras. Os monges gostaram tanto da pedreira que dela tentaram se apossar, prorrogando o aforamento por mais de um século, quando, afinal, a Câmara Municipal fez valer seus direitos e revogou o aforamento. Depois dos monges, foi proprietário do morro o ricaço português Joaquim José Gomes de Barros, que dele extraía pedras para construção. Após sua morte, em 1753, terras e morro passaram à viúva dona Jo-


aquina Figueiredo Pereira de Barros, cuja condição social batizaria em definitivo o morrote até nossos dias. No século XIX, o cômoro pertenceu à família Carneiro Leão, tendo sido propriedade do marquês do Paraná, Honório Hermeto Carneiro Leão, o mesmo que ascendeu à Presidência do Conselho de Ministros com apenas 30 anos, em 1831. Depois de sua morte, em janeiro de 1856, o morro passou a sua viúva, a marquesa do Paraná, Maria Henriqueta Carneiro Leão, que foi, assim, a segunda viúva proprietária daquela pedreira. Devia, portanto, o morro se chamar “das Viúvas”, e não “da Viúva” como hoje se diz. Em 1863, na face do morro voltada para o mar, o governo ergueu uma fortificação, levantada às pressas por ocasião da rumorosa Questão Christie, que quase levou o Brasil a um conflito armado com a Inglaterra. Segundo o engenheiro militar Fausto de Souza, o forte tinha “o fim de defender a baía de Botafogo e a enseada do Flamengo até em frente ao Passeio Público, auxiliando a defesa de algumas das faces das fortalezas de São João, Laje e Villegaignon. O espaço acanhado de que dispunha a mesma bateria, a pouca elevação e a facilidade de ser ofendida por fogos curvos não permitiram ligar a essa obra grande importância”. Depois de modesta participação, em setembro de 1893, na Revolta da Armada, foi definitivamente abandonada e demolida em 1922. Sua placa de mármore, que ficava sobre o pórtico de entrada, encontra-se em exibição no pátio dos canhões do Museu Histórico Nacional.

Próximo à Baía de Guanabara foi inaugurado, em 1973, o monumento a Estácio de Sá, projeto de Lúcio Costa em forma de pirâmide

No topo do morro, em 1877, o Governo construiu uma grande caixa-d`água destinada a abastecer os bairros do Flamengo, do Catete, de Botafogo e vizinhanças. Projetada pelo engenheiro André Rebouças, ficou pronta em 1880 e logo se tornou mirante popular, frequentado pela população dos bairros da orla da Zona Sul que ali iam em excursão. Desativada na década de 1970, ainda existe como monumento da engenharia do passado.

Em 1889, a face do morro voltada para a Praia do Flamengo foi adquirida pelo empreiteiro italiano Antônio Januzzi. Nascido em 1855, em Cossenza, Itália, Januzzi chegou ao Brasil em 1885 e se dedicou com afinco à construção civil, sendo respeitado em sua função. No Morro da Viúva, Januzzi montou uma grande serraria e pedreira, donde saiu material de construção para suas obras e de outros até 1922. Depois da abolição da escravatura, ele fundou a

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Na década de 1930, começaram a subir no entorno do morro, principalmente na Avenida Rui Barbosa, os primeiros prédios de apartamentos, alguns de luxo, construídos para abrigar senadores, deputados, ministros e altos funcionários públicos federais, haja vista naquela época o Rio de Janeiro ser a capital do país

Companhia Evonéas Fluminense, dedicada à construção de vilas operárias para os exescravos e imigrantes. Ergueu-as por toda a cidade, da Lagoa à Tijuca, passando por Botafogo, Flamengo, Catete, Laranjeiras etc. Januzzi foi um dos grandes colaboradores do prefeito Pereira Passos, tendo construído mais de 20 palacetes na nova Avenida Central e doado o obelisco de pedra do Morro da Viúva, no fim da grande artéria que marca o término das obras em 1906. A amizade entre Januzzi e Pereira Passos foi o principal motivo de a Avenida Beira Mar não contornar o Morro da Viúva, estorvando o acesso da pedreira de Januzzi. Por esse motivo, o prefeito abriu uma avenida de ligação que unia Flamengo a Botafogo, rebatizada depois, em 1917, de Oswaldo Cruz em homenagem ao médico

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sanitarista falecido naquele ano e morador de Botafogo. Essa avenida foi logo cercada por belas casas, das quais se ressaltava a mansão do empresário Giuseppe Martinelli, colega de Januzzi. A casa ficou em obras por décadas e tornou-se um conhecido “bolo de noiva” arquitetônico da cidade. Foi demolida em 1970, sendo substituída pelo edifício Martinelli. Da velha mansão, sobrevivem um túnel cavado no morro, o elevador de acesso ao topo e a capela, em estilo neogótico, projetada pelo arquiteto Antônio Virzi. Em 1920, o prefeito Carlos Sampaio executou extenso plano de obras na cidade para celebrar o Centenário da Independência do Brasil. Entre as obras realizadas, havia uma avenida que contornava o Morro da Viúva, na qual seria erguido um hotel

para receber os visitantes que chegariam para prestigiar a grande Exposição Internacional do Centenário da Independência, que estava sendo construído onde existira o Morro do Castelo, então derrubado para criar espaço no Centro. Demolido o velho e abandonado forte e retirada da orla a pedreira-serraria de Januzzi, foi feito um amplo corte nas abas do morro; e ainda em 1922, foram inaugurados, pelo prefeito, a Avenida do Contorno, rebatizada, em 1923, de Rui Barbosa, e o Hotel Sete de Setembro, transformado, depois das celebrações, na Escola de Enfermagem Ana Néry e hoje sede da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na década de 1930, começaram a subir no entorno do morro, principalmente na Avenida Rui Barbosa, os primeiros prédios de apartamentos, alguns de luxo, construídos para abrigar senadores, deputados, ministros e altos funcionários públicos federais, haja vista naquela época o Rio de Janeiro ser a capital do país. Um dos primeiros edifícios da orla do Morro da Viúva foi o Condomínio São Sebastião, o primeiro prédio residencial do Rio a ter elevador panorâmico, novidade de efêmera duração. O prédio ainda existe, mas o elevador foi tapado com cimento. Após a Segunda Guerra Mundial, o Rio de Janeiro foi tomado por uma febre de construções, principalmente de prédios de apartamentos nos bairros do Flamengo, de Botafogo, de Copacabana, de Ipanema e do Leblon. Em poucos anos, o Morro da Viúva ficou de tal forma emparedado que muitos cariocas não sabem que tal colina ali existe, pois o morro se tornou visível apenas entre os espaços livres dos edifícios.


Nos fins da década de 1940, o Banco Hipotecário Lar Brasileiro financiou a construção e a venda de três grandes prédios levantados nos terrenos ainda livres da Avenida Rui Barbosa. O primeiro foi o condomínio do Edifício Residência, enorme empreendimento de luxo dividido em três blocos distintos. Seu cour d`honneur é tão imponente que serviu de cenário para o filme Lua de Cristal, bem como para uma novela da tevê. O prédio seguinte foi o Edifício Flamengo, erguido para a sede do clube de mesmo nome, com interessante volumetria. Foi levantado bem na ponta do morro, voltado para o mar, exatamente onde existiu o forte construído em 1863. O terceiro e último empreendimento do Banco Lar Brasileiro foi o condomínio Barão da Laguna, enorme prédio residencial com cinco blocos de apartamentos voltados para a Praia do Flamengo, no qual, até 1922, existiu a pedreira-serraria do empreiteiro Antônio Januzzi. O Banco Hipotecário Lar Brasileiro, de propriedade do empresário Antônio Sanchez de Larragoiti, também dono da Seguradora Sul-América, financiava os apartamentos por meio do pagamento de suaves prestações – fixas –, num prazo que podia chegar a 15 anos. Desnecessário dizer que com o avanço do processo inflacionário, em fins dos anos 1950, o banco enfrentou enormes prejuízos e quebrou. A construção do Parque do Flamengo, iniciada em 1954 pela prefeitura do Distrito Federal e concluída apenas em outubro de 1965, quando j�� estávamos no Estado da Guanabara, pelo governador Carlos Lacerda, veio acrescentar ao Flamengo uma área aterrada de um 1,2 milhão de metros

O Edifício Flamengo foi erguido para a sede do clube de mesmo nome, com interessante volumetria

Um dos primeiros edifícios da orla do Morro da Viúva foi o Condomínio São Sebastião, o primeiro prédio residencial do Rio a ter elevador panorâmico, novidade de efêmera duração. O prédio ainda existe, mas o elevador foi tapado com cimento

Defronte ao Morro da Viúva, o governo do estado levantou um prédio destinado a abrigar um jardim de infância mas que sediou, em 1976, o Museu Carmem Miranda

quadrados, sendo mais de 900 mil metros de área verde. Defronte ao Morro da Viúva, o governo do estado levantou um prédio destinado a abrigar um jardim de infância mas que sediou, em 1976, o Museu Carmem Miranda; também próximo à baía, foi inaugurado, em 1973, o monumento a Estácio de Sá, projeto de Lúcio Costa em forma de pirâmide, e, ao lado, o elegante Restaurante Rio`s. Se dependesse do prefeito Luiz Paulo Conde, a ponta do morro ainda ganharia uma marinha de barcos, mas o possível prejuízo ao meio ambiente

causado por tal aterro levou às associações de moradores a impetrar ações para boicotar a obra, o que conseguiram. Em 1992, por conta de uma obra realizada para a efetivação da Conferência Internacional do Meio Ambiente, o Rio Carioca teve sua foz deslocada, passando a correr ao lado do Morro da Viúva para desembocar mais adiante, na Baía de Guanabara. E foi assim, por obra e graça das mãos dos homens, que o rio símbolo de nossa cidade voltou a correr ao lado do Morro da Viúva, como rezavam os cronistas quinhentistas.

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condomínio por Paulo Ferreira

O síndico Alberto Portugal aprovou a técnica na limpeza da fachada de seu prédio

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Nada melhor do que um bom banho para limpar qualquer sujeira. Esse princípio se aplica também a edifícios. No caso de prédios, o banho recomendado vem por meio da técnica de hidrojateamento - processo de limpeza feito por meio de jatos d´água de altíssima pressão, seja com água pura ou misturada com produtos como cloro e detergente, entre outros -, que serve para deixar praticamente remoçados fachadas, muros e pisos em geral. Alguns condomínios da cidade têm optado pelo serviço, e as vantagens são visíveis: superfícies sem sujeira, parecendo novas, independentemente da idade do prédio. “Esse tipo de técnica é tão eficiente que tira até pensamento ruim”, brinca Eólio Campello, diretor da Renove, empresa que faz serviços de hidrojateamento e que também vende as poderosas máquinas. “Limpa-se qualquer superfície: mármore, granito, pedra portuguesa, pedra são Tomé, piscina, telhados... É bom para todo tipo de revestimento. Também limpa madeira, como troncos de árvore, tira limos e gordura”, enumera.


A empresa AMS Manutenção Predial usa hidrojateamento para limpar um condomínio em Ipanema

Uma das grandes vantagens da técnica, segundo Campello, é a economia. O equipamento não desperdiça água: “Ela consome 80% menos água do que o uso de uma mangueira com a torneira aberta”, explica. A razão é que a máquina faz muita pressão e pouca vazão: “É a pressão que limpa a sujeira, e não o volume d´água.” A velocidade dos jatos d´água é poderosa o bastante para remoçar mármores, granitos, pastilhas etc. “O sistema de envio de água possui bicos na ponta, com aberturas cuja função é acelerar a velocidade do líquido. A máquina de hidrojateamento com pressão de até 2.700 psi (unidade de pressão cuja sigla em inglês é pound force per square inch ou libra força por polegada quadrada) pode ser associada a produtos químicos específicos, a fim de restaurar o aspecto original do revestimento, para remover substratos soltos, fungos, poeira e outros”, completa o sócio-diretor da AMS Manutenção Predial, Alexander M. Santos. A pressão do jato d´água é tão forte que todo cuidado é pouco para assegurar a segurança de funcionários e moradores alguns modelos de máquinas de hidrojateamento, por exemplo, têm força suficiente para perfurar asfalto. Por isso mesmo, as empresas que oferecem tal serviço são bastante zelosas em sua execução. “Nosso funcionários são altamente capacitados e usam cinto de segurança, trava-queda, capacete e roupa de proteção”, explica Sérgio Oliveira, diretor da Imperserv. “Também recomendamos aos síndicos dos condomínios que avisem aos moradores dez dias antes para fechar as janelas, em caso de limpeza de fachada, pois protegemos tudo

com compensado, tapumes e plásticos”, alerta Oliveira. Santos faz coro e reforça ainda mais as dicas de segurança: “O acesso de pessoas não autorizadas ao lugar onde está ocorrendo o hidrojateamento deve ser evitado. É necessário que essa área seja isolada, e avisos de advertência devem ser dispostos no condomínio. É importante que o perímetro seja fora do raio efetivo do jato sempre que possível”, explica. “O encarregado tem que informar a todas as pessoas que moram ou trabalham no condomínio que é preciso que aguardem até que o jateamento pare e que sua presença seja percebida pelo operador. O operador não deve ter a atenção distraída até que o trabalho acabe. É necessário também o isolamento de certas áreas, como varandas e janelas, na medida do possível”, alerta o especialista da AMS. Tanta proteção também tem o objetivo de preservar a integridade das fachadas, principalmente no caso de hidrojateamento com produtos químicos, que pode afetar, por exemplo, o revestimento de metal das janelas. As empresas também alertam aos síndicos interessados em contratar serviços de hidrojateamento que eles chequem as credenciais do profissional: “É bom lembrar que para executar qualquer tipo de serviço em fachadas, seja limpeza com hidrojato, pintura, revestimento ou simplesmente restauração, é necessário o cadastro da empresa no Conselho Regional de Enge-

nharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e engenheiro responsável pela empresa. Devemos trabalhar sempre legalizados e com segurança para prestarmos um bom serviço e fazer a diferença nesse mercado tão competitivo”, explica Santos. O procedimento de lavagem com hidrojateamento é recomendado a cada dois ou três anos, em média, salvo quando essas áreas sofram interferência externa, como infiltração, incêndio, danos mecânicos, fenômenos naturais ou vandalismo. E por falar em vandalismo, as temidas pichações são as grandes vilãs do hidrojateamento. Para casos como esse, o hidroja-

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Atualidade por Renata Fernandes

to deve ser aplicado com o auxílio de produtos químicos específicos. Ainda assim, o resultado pode não ser 100% garantido: “Fica quase perfeito”, avalia Campello. Um entusiasta desse serviço é o síndico Alberto Portugal, responsável pelo Condomínio Coelho Lima, na Tijuca. Recentemente, ele usou os serviços de hidrojateamento para restaurar a fachada do prédio, que ganhou nova pintura depois da limpeza. “Também limpo a caixa-d´água duas vezes por ano usando a técnica”, explica Portugal. “Indico o hidrojato pela potência e eficiência na limpeza.” Outra que tirou vantagem dos serviços de hidrojateamento foi a economista Zenaide Seabra, síndica do Condomínio Edifício Lagoa Dourada, em Ipanema. O trabalho, que está em andamento, até agora tem agradado. “Estamos limpando a fachada do prédio para fazer o rejunte de todas as pedras de mármore bege Bahia, que são bastante porosas e difíceis de limpar. Até agora está tudo branquinho”, elogia. O serviço de hidrojateamento tem, no entanto, vários outros usos que podem ser explorados por condomínios, além da limpeza. Entre eles estão desentupimento e recuperação estrutural, como a higiene de vigas. “Nesse caso, usamos jatos de água com granalha de aço ou basalto para limpeza dos ferros”, explica Oliveira, da Imperserv. O engenheiro Ricardo Nabinger Silva, presidente da comissão de obras do Condomínio George Seurat, em Botafogo, teve o apoio do serviço de hidrojateamento para dar um banho de loja no prédio, que foi construído há 30 anos. “Fizemos diversas obras. Uma delas foi para conter um vazamento que existia na laje e logo depois fizemos o reforço da infraestrutura do prédio, das caixasd´água e da parte superior da cobertu-

ra. Usamos o hidrojateamento em toda a fachada e na troca de pastilhas para fazer a pintura na parte externa, além de reforço estrutural na marquise”, conta. “Por conta da limpeza com hidrojato, acabamos notando quando há segmento da pastilha se soltando. Com essa técnica, fizemos uma pré-limpeza e, ao mesmo tempo, notamos os pontos com falha para fazer a restituição e o reforço. Valeu a pena.” Para os síndicos e moradores interessados em deixar seu condomínio com cara de novo, independentemente da idade e do estado deles, o serviço de hidrojateamento surge como uma opção eficiente, tanto para remoçar o visual – acabando com aquela aparência de velho e sujo – como para auxiliar em obras mais complexas, que vão além daquela simples maquiagem e deixam o prédio, literalmente, com tudo em cima. Para os moradores, o hidrojato é mais do que banho de loja. É uma forma de valorizar o patrimônio.

O hidrojateamento tem várias utilidades que podem ajudar não só a remoçar o prédio como também a recuperá-lo: Auxilia em obras de construção, reparo e demolição; Faz a limpeza profunda de caixas-d´água, fachadas, muros e pisos em superfícies variadas como granito, concreto e até madeira; Retira todo tipo de material incrustado, como poeira, limo, gordura e tinta; Faz desobstrução e desentupimentos de ralos, colunas, redes de esgoto e de águas pluviais.

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Legislação por Luís Fernando Marin

Furto e roubo nas garagens dos edifícios – responsabilidade do condomínio e do síndico

O autor é advogado, sócio-diretor da Marin e Advogados Associados, coordenador e professor de pós-graduação em direito imobiliário da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis - Abadi

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A importância que têm os automóveis na sociedade moderna pode ser verificada pelo valor econômico que é agregado aos imóveis localizados em edifícios que dispõem de vagas de garagem. A legislação condominial, para reconhecer a importância desses espaços, tratou de disciplinar a matéria, ainda que de forma tímida. A Lei 4.591/64 e o Código Civil, contudo, se limitam a disciplinar aspectos referentes à natureza do direito à guarda de veículos nas vagas de garagem (art. 2º da primeira, a Lei de Condomínios) e à locação ou eventual alienação (art. 1.338 e parágrafo segundo do artigo subsequente do Código) deles, sem, no entanto, fornecer qualquer solução para a hipótese de danos ocorridos nas garagens dos prédios, como furto e roubo de automóveis ou acessórios automotivos. A bem da verdade, a legislação condo-

minial é absolutamente silente no que tange à hipótese de responsabilidade civil no condomínio edilício, o que impõe algumas considerações prévias acerca da responsabilidade civil dos condomínios antes de se adentrar no tema central. A responsabilidade civil é uma obrigação de indenizar prevista no artigo 186 do Código Civil e que surge quando se verifica, em um mesmo evento, conduta culposa de um agente que causa dano a outrem. Assim, sempre que se falar na responsabilidade civil dos condomínios estará se tratando daquelas situações em que toda a comunidade condominial será condenada a pagar indenização a terceiro(s). Na definição anterior, estão presentes os chamados pressupostos da responsabilidade civil: um dano, uma conduta culposa e uma relação de causalidade (nexo causal) entre ambos.


Em situações excepcionais, obrigatoriamente previstas em lei, admite-se uma espécie de responsabilidade civil, chamada de objetiva, na qual é irrelevante se a conduta de quem causou o dano foi ou não culposa. Uma vez que o condomínio edilício não tem personalidade jurídica (apesar de respeitáveis opiniões contrárias), parece estranho, à primeira vista, que ele seja condenado a pagar indenização. Na realidade, o que ocorre é que, em função do princípio constitucional do solidarismo, do qual decorre a ideia de socialização dos riscos, os tribunais foram entendendo que caberia a toda a comunidade condominial arcar com prejuízos de terceiros em determinadas hipóteses. Essa ideia de socialização, cada vez mais forte, nasce da dificuldade de ressarcimento em situações em que é difícil identificar o causador do dano, mas não seria justo manter o prejudicado sem ressarcimento. Assim, impõe-se a um determinado grupo social que arque com a reparação, pois está indiretamente ligado ao dano sofrido pelo terceiro. Tal ideia vai fomentar a responsabilização civil do condomínio edilício, notadamente nas seguintes situações: a) quando um preposto do condomínio (síndico ou empregado) causa dano a terceiro, atuando como “extensão” do grupo de proprietários que compõe o condomínio, único caso em que se admite a responsabilidade objetiva do condomínio, por força do que estatuem os artigos 932, III, e 933 do Código Civil;

b) a fim de ressarcir um dano que, com certeza, é oriundo daquela comunidade de pessoas, não sendo possível identificar exatamente qual condômino é o responsável por ele; então seria injusto que se deixasse de ressarcir a vítima, sendo recomendável que se dilua a responsabilidade por toda a comunidade, em virtude da já explicada socialização; c) os coproprietários que compõem o condomínio expressamente assumiram determinada obrigação uns perante os outros e, na dinâmica da vida condominial, tal obrigação restou inadimplida.

Responsabilidade civil do condomínio – roubo e furto Entre as situações mais comuns que ensejam responsabilização civil do condomínio está, certamente, a que é objeto deste breve estudo: a responsabilidade dos condomínios por furto ou roubo ocorrido nas garagens dos edifícios. Em primeiro lugar, precisamos estabelecer a diferença entre furto e roubo: segundo o Código Penal, no primeiro verifica-se a subtração de coisa alheia móvel, mas no roubo há também o emprego de violência ou grave ameaça. Por isso, o roubo é considerado, pelos estudiosos, caso fortuito ou de força maior, ou seja, um acontecimento que, em virtude de sua imprevisibilidade ou de sua inevitabilidade, rompe qualquer possibilidade

de que se estabeleça nexo de causalidade entre o dano e qualquer conduta de alguém ligado ao condomínio. Dessa forma, os coproprietários somente responderiam na hipótese de prova de envolvimento de algum empregado do edifício. Já em relação ao furto, os tribunais vêm entendendo, de forma praticamente pacífica, que pela ocorrência desse tipo de evento em unidade autônoma, o condomínio não responde, a menos que, mais uma vez, haja culpa de empregado que concorre para o crime. Todavia, a responsabilidade do condomínio pelo furto em áreas comuns (e as garagens são as áreas comuns campeoníssimas nesse quesito) já produz debates mais acentuados entre os estudiosos e, principalmente, nos tribunais. Em regra, o condomínio somente responde se tiver assumido o dever de guarda das citadas partes comuns do prédio, conforme o entendimento que vem sendo mais prestigiado entre os estudiosos e os julgadores. Difícil, no entanto, é interpretar, dada a complexidade cada vez maior das providências adotadas nos edifícios a respeito da questão da segurança, quando é que a comunidade está ou não assumindo o dever de guarda das áreas comuns. Ora, se na cobrança da cota condominial, certo quinhão é destinado à mantença, por exemplo, de vigias noturnos nas áreas da garagem, espera-se que o condômino obtenha a contraprestação daquele gasto: a oferta de segurança naquelas áreas guardadas. Assim, um furto significaria que o condomínio estaria rompendo seu dever

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jurídico de fornecer segurança (a contrapartida da despesa do condômino), surgindo, dessa forma, sua obrigação de indenizar ou responsabilidade civil. Pode ser, também, que o condomínio assuma o dever de guarda de forma tácita, e não expressa. Isto é, mesmo sem ser aprovada em assembleia de condôminos, aquela prática de guarda torna-se um costume no edifício e há efetivo dispêndio com ela. A discussão se torna ainda mais forte nas hipóteses em que o condomínio assume o dever de guarda das áreas destinadas a estacionamento de veículos, mas existe, na

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convenção, uma cláusula de não indenizar. Trata-se de uma cláusula específica, bastante comum, mediante a qual se estipula que, na hipótese de ocorrência de danos a veículos nas garagens ou outros danos percebidos em áreas comuns do edifício, o condomínio não indenizará o condômino ou morador lesado. Daí a indagação: prevalece a cláusula de não indenizar ou a assunção do dever de guarda pelo condomínio? Em julgamento que pode ser considerado um leading case (isto é, um julgamento que norteia todos os demais julgamentos referentes à matéria), o Superior Tribunal de Justiça entendeu, na apreciação, em 25 de agosto de 1998, do Recurso Especial 139.860/SP, consagrando o entendimento do falecido ministro Carlos Alberto Direito, que deveria ser respeitada a cláusula impeditiva de indenização, pois ela expressava a vontade real dos condôminos, representando, a guarda colocada à disposição dos condôminos, um mero plus que não implicaria uma assunção de obrigação de indenizar. Contudo, registre-se que tal entendimento foi abraçado pelo STJ por apertada maioria, sendo vencido o então relator, o ministro Waldemar Zveiter, para quem a cláusula de não indenizar não poderia se sobrepor ao fato de que os condôminos, quando assumissem o dever de guarda, deveriam indenizar-se uns aos outros na hipótese de ocorrência de danos que revelassem violação do aludido dever de guarda. A controvérsia verificada no STJ se espalha pelos tribunais e julgamentos das instâncias inferiores, mas o entendimento do Ministro Direito deu frutos e até hoje é reforçado por outros recentes acórdãos daquele Tribunal Superior.

No julgamento do Recurso Especial 268.669, relatado pelo ilustre ministro Aldir Passarinho Júnior e oriundo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ocorrido em 19 de abril de 2001, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça foi além e afirmou a irresponsabilidade do condomínio em hipótese em que a convenção não fazia qualquer menção à obrigação de indenizar danos ocorridos em garagem. Em decisão mais detalhada e completa (Recurso Especial 618.533/SP, julgado em 3 de maio de 2007), relatada pelo ministro Hélio Quaglia Barbosa, a mesma Quarta Turma do STJ manteve o entendimento segundo o qual o condomínio somente responde se houver cláusula expressa na convenção nesse sentido, ressalvando, porém, que também responderá caso não haja regra convencional mas, ao menos, uma decisão de assembleia de condôminos que permita concluir pela assunção do dever de guarda das áreas comuns. A referida decisão ainda permite concluir, pelo entendimento do egrégio STJ, no sentido de que a responsabilidade do síndico nesse tipo de situação está limitada aos meios a ele conferidos pelo orçamento edilício para que promova a segurança, ainda que a convenção lhe atribua tal obrigação. Registre-se que, de fato, o Código Civil, quando trata das atribuições do síndico em seu art. 1.348, inciso V, primeira parte, diz competir a esse último “diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns”. O STJ aplica, então, interpretação restritiva a tal dispositivo legal a fim de relacionar a responsabilidade do síndico aos meios que são colocados à sua disposição pelos demais condôminos.


Porteiro noturno ou vigia Um último aspecto da decisão mencionada a ser realçado é que a existência, em condomínios, de porteiro noturno ou vigia em guarita não é considerada, pelo STJ, evidência de assunção do dever de guarda das áreas comuns pela comunidade. Cremos ser possível a extensão desse raciocínio para o uso de circuito interno de câmeras de segurança, devendo ser analisado, em cada caso concreto, se a adoção das câmeras objetivava prevenir o ilícito ocorrido. Se existirem câmeras em número razoável nas garagens do prédio, a assunção de guarda pelo condomínio dessas partes comuns se presumirá e ele poderá ser responsabilizado. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro segue a mesma linha do STJ apontada, conforme se verifica na decisão a seguir proferida nos autos da Apelação Cível 30.323, de 31 de outubro de 2006, da lavra da desembargadora Maria Henriqueta Lobo: Ação de indenização ajuizada por condômino em face do condomínio. Danos materiais. Arrombamento e furto de objetos em veículo do condômino-autor que se encontrava na garagem do condomínio-réu. Sentença de improcedência. Apelo do autor, beneficiário da gratuidade de justiça. Preparo do recurso efetuado. "A circunstância de ter o requerente da gratuidade recolhido à custa do recurso por ele interposto, demonstra que ele tem condições para fazer frente às despesas judiciais, implicando renúncia tácita ao beneficio requerido." Revogação do beneficio. Inexistindo cláusula expressa na convenção relativa à guarda e vigilância não responde o condomínio por eventuais furtos ocorridos na garagem do prédio. Não carac-

terizada a culpa do condomínio ou de seus prepostos. "Somente é cabível a indenização ao condômino, com relação a furtos em automóveis, quando houver efetiva falha na segurança, adrede prevista e contratada." Ausência do dever de indenizar. Recurso a que se nega seguimento, com base no artigo 557 do Código de Processo Civil, revogado o benefício da gratuidade de justiça. Assim sendo, profetizando que a crescente preocupação social com segurança imporá aos condomínios maiores investimentos em segurança e, consequentemente, mais hipóteses de assunção de dever de guarda, podemos afirmar que os condomínios em edifícios: a) Não são responsáveis pela ocorrência de roubo em áreas comuns ou unidades autônomas, por ser considerado caso fortuito ou de força maior, a não ser que um empregado seu esteja envolvido no crime; b) Não são responsáveis por furto nas unidades autônomas, dado o entendimento dos tribunais no sentido de que compete aos titulares delas sua guarda, a não ser que um empregado seu esteja envolvido no crime; c) Serão responsáveis por furto nas áreas comuns, entre as quais as garagens, caso exista previsão expressa na convenção ou caso os condôminos tenham adotado alguma deliberação assemblear que indique a assunção do dever de guarda de tais áreas.

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manutenção por Simone Gondim

Cupins, inimigos silenciosos Os insetos podem ser atraídos pela umidade e só costumam ser notados quando já fizeram um bom estrago

Eles trabalham silenciosamente e costumam ser notados somente quando o estrago já é grande. Os cupins, insetos conhecidos pelo apetite voraz por todos os derivados de celulose, como papel, madeira e fibra de tapete, entre outros, exigem tratamento adequado para ser exterminados de forma eficiente. Segundo Lucy Ramos Figueiredo, diretora técnica da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (ABCVP), o primeiro passo é chamar uma empresa especializada para fazer inspeção e avaliar qual método de combate é indicado.

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“As técnicas variam de acordo com a espécie de cupim e o local infestado”, explica ela. Entre os tipos de cupim que trazem prejuízos ao homem, dois são mais comuns: o de madeira seca, cuja colônia fica limitada à peça que os insetos estiverem consumindo, e o subterrâneo ou estrutural, que é atraído pela umidade e faz ninho fora do local onde o grupo se alimenta. “No primeiro caso, o tratamento é mais simples. O veneno é aplicado diretamente na peça contaminada, que deve ser jogada fora se estiver muito comprometida”, diz Lucy.

Para a espécie subterrânea, são cinco métodos de extermínio: barreira química ao redor do prédio, iscas de veneno, injeção direta, pulverização e polvilhamento. “O polvilhamento, por exemplo, é recomendado para a parte elétrica, como caixas de luz”, afirma a diretora técnica da ABCVP. O biólogo Leandro Pelogia, da Sapo, empresa de descupinização, desinsetização e desratização, destaca uma terceira espécie de cupim que representa um problema para as pessoas. Conhecido como cupim arbóreo, ele não é tão voraz quan-


No condomínio Lucinha, há casos de moradores que tiveram prejuízos consideráveis em seus móveis, perdendo armários inteiros. É o caso do morador Luiz Mendes. Segundo o síndico, foram tomadas medidas paliativas, mas agora o condomínio fará o isolamento químico do prédio para exterminar os cupins

to o subterrâneo e o de madeira seca, mas também se alimenta de móveis e do madeiramento em geral. “O arbóreo é bem fácil de identificar porque, diferentemente dos outros tipos de cupim, anda por cima da área afetada”, conta ele. “Uma das formas de evitá-lo é não deixar pedaços de madeira acumulados. Eles funcionam como fontes de comida e atraem os insetos”, complementa. Descobrir um foco de cupins é mais simples quando se trata da espécie de madeira seca, que deixa um rastro de excrementos no chão. “Os insetos fazem várias câmaras no interior da madeira e separam algumas para depósito de fezes. Quando elas ficam cheias, os cupins precisam esvaziá-las. É por isso que a pessoa vê aquele caminho de pequenas bolinhas perto da área afetada”, revela Marcos Pires, diretor administrativo da Imuniservice. O tipo subterrâneo, por sua vez, não dá sinal de sua presença, que costuma ser detectada no momento em que a parte afetada foi consumida por inteiro ou quase. “A pessoa percebe que o rodapé está oco, por exemplo”, conta ele. Uma vez constatada a existência de cupins, é preciso dar o alarme, in-

dependentemente de o foco estar em uma área comum do prédio ou dentro de uma unidade condominial. “O morador deve avisar ao síndico sobre a infestação caso ela esteja em seu apartamento, assim como o administrador do condomínio tem a obrigação de informar aos moradores que encontrou cupins em uma parte do edifício. Por se tratar de um inseto sorrateiro, esconder o problema só aumenta a dificuldade para solucioná-lo e encarece o tratamento”, garante Lucy Ramos Figueiredo. “É melhor trabalhar em conjunto, já que as empresas de descupinização costumam ser chamadas pelo síndico e JUL_AGO_SET 2010

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William Manoel Souza, síndico do Edifício Lucinha, enfrenta no prédio um caso recorrente de cupim estrutural. “Acreditamos que a fonte de nossa infestação esteja em um terreno repleto de árvores que fica ao lado do edifício. Os insetos se alastraram e atingiram tanto as áreas comuns quanto alguns apartamentos

acabam fazendo pacotes mais baratos para os apartamentos que contratarem o serviço”, acrescenta Marcos Pires. De acordo com Lucy, a responsabilidade de arcar com o custo do combate aos cupins é uma questão bastante polêmica. “Em princípio, um caso de cupim estrutural seria um problema coletivo, deixando a solução por conta do condomínio. Mas é preciso discutir o assunto e chegar a um acordo em assembleia”, acredita ela. “O ideal é contratar uma empresa de consultoria para ava74

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liar a situação e emitir um laudo técnico para evitar impasses e só então chamar a firma exterminadora”, aconselha. William Manoel Souza, síndico do Edifício Lucinha, situado no bairro carioca do Riachuelo, enfrenta no prédio um caso recorrente de cupim estrutural. “Acreditamos que a fonte de nossa infestação esteja em um terreno repleto de árvores que fica ao lado do edifício. Os insetos se alastraram e atingiram tanto as áreas comuns quanto alguns apartamentos. Há casos de moradores


Ivan Antunes, síndico do edifício Duque de Treville, revela que há cerca de sete anos, durante uma obra de rotina no telhado, encontrou três ninhos de cupins: “Nós os removemos e fizemos a descupinização antes que os insetos se espalhassem”, lembra Ivan. Agora, a cada seis meses, o condomínio repete o tratamento contra cupins

que tiveram prejuízos consideráveis em seus móveis, perdendo armários inteiros”, conta ele. “No passado, foram tomadas medidas paliativas, mas agora faremos o isolamento químico do condomínio para exterminar essa praga persistente”, explica William, que ainda não escolheu a empresa para executar o serviço. Mas será que é possível prevenir uma infestação de cupins? Tanto a diretora técnica da ABCVP quanto o diretor administrativo da Imuniservice e o biólogo da Sapo apontam medidas simples que podem ajudar a evitar o problema. Verificar sempre a existência de infiltrações e vazamentos, consertando-os rapidamente, e não acumular material com celulose, como papel, caixas de papelão e isopor, contribuem para manter prédios e residências livres desses insetos. “Não fazer armários de cozinha ou de banheiro com fundo de madeira colado na parede também impede que os cupins sejam atraídos para o local por conta do acúmulo de umidade entre o móvel e a alvenaria”, ensina Marcos Pires.

Além do encanamento e dos pontos onde houver acúmulo de madeira, papel, isopor e papelão, há mais um lugar que inspira cuidados quando o assunto é descupinização. “Qualquer parte que tenha gesso, como tetos rebaixados e sancas, é vulnerável aos cupins”, alerta Leandro Pelogia. “O sisal que dá sustentação ao gesso contém celulose. Por isso, os insetos também são atraídos para esses pontos da residência ou do prédio”, diz ele. Ivan Antunes, síndico do edifício Duque de Treville, em Copacabana, acredita na prevenção. “A cada seis meses, repetimos o tratamento contra cupins. O prédio tem 43 anos e muita madeira, como nas portas dos elevadores, nos portais das áreas comuns e dentro dos apartamentos”, revela ele. “Há cerca de sete anos, durante uma obra de rotina no telhado, encontramos três ninhos de cupins. Nós os removemos e fizemos a descupinização antes que os insetos se espalhassem”, lembra Ivan. Muito cuidado também na época das revoadas, é o que recomenda Lucy. “Entre

os meses de agosto e novembro, é a época em que os cupins fazem revoadas para formar novas colônias. Os insetos popularmente conhecidos como bichinhos de luz, na verdade, são cupins. Quando eles acasalam perdem as asas”, explica Lucy. Vale fechar as janelas, se possível, instalar telas, apagar as luzes ou providenciar lâmpadas com revestimento especial, que emitem uma quantidade menor de raios ultravioleta e atraem menos insetos. O biólogo Leandro Pelogia reconhece a importância das medidas preventivas, mas ressalta que a origem dos problemas que envolvem cupins está no próprio homem. “O desmatamento, consequência do crescimento desordenado das áreas urbanas, acaba com os troncos e galhos de árvores, que são o alimento natural do cupim. Por isso, a espécie invade a cidade em busca de comida”, explica ele. “Além disso, inimigos naturais dos cupins, como algumas espécies de formiga e os tamanduás, também estão desaparecendo, o que favorece o aumento da população de insetos”, acrescenta.

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Divulgação/Imuniservice

Divulgação/Imuniservice

Uma vez furado o chão, o veneno é injetado para fazer com que os cupins contaminem a colônia e os caminhos que percorrem Cupins do tipo estrutural fizeram seu ninho sob telhas abandonadas. “Essa espécie de inseto forma sua colônia longe dos lugares onde se alimenta”, explica Marcos Pires, diretor administrativo da Imuniservice

Atenção antes de realizar obras ou mudanças evita dores de cabeça Fazer um bom planejamento antes de reformar ou mudar de residência é fundamental para reduzir a quase zero as chances de surgirem problemas com cupins. Depois da mudança, observar pequenos detalhes evita dores de cabeça no futuro. Confira algumas dicas de Marcos Pires, da Imuniservice, e Lucy Ramos Figueiredo, da ABCVP: Antes de se mudar, procure saber se o imóvel tem histórico de cupins. Em caso afirmativo, peça o comprovante de descupinização. “A maioria das empresas dá garantia ao executar o serviço, e isso pode ser útil em caso de uma nova infestação”, diz Marcos;

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Contrate uma empresa especializada para fazer a descupinização preventiva do imóvel; Deixe sempre um espaço entre a parede e os móveis de madeira, mesmo que sejam embutidos; Trate os conduítes para evitar que sejam usados como caminho pelos cupins;

piso novo. Colar o laminado por cima do piso antigo facilita o acúmulo de umidade. “O melhor mesmo é optar por cerâmica ou usar madeira mais nobre para revestir o chão”, aconselha Marcos; Verifique as instalações hidráulicas do imóvel e cuide de sua manutenção;

Ao instalar móveis embutidos em casa, especialmente na cozinha e no banheiro, contrate uma empresa especializada para tratar a madeira e o ambiente contra cupins;

Tome cuidado redobrado com algumas áreas vulneráveis: apartamentos de cobertura, jardineiras, área da piscina, quartos de depósito e armários de garagem, por exemplo, são alvos fáceis para os cupins e devem ser inspecionados de seis em seis meses, pelo menos;

Caso queira trocar os tacos de madeira por piso laminado, retire os tacos e faça uma nata de cimento antes de instalar o

Livros em estantes devem ser retirados das prateleiras de vez em quando, para que sejam examinados e limpos.


Cuidados a serem tomados na descupinização

Verifique se a empresa escolhida tem registro no Instituto Nacional de Engenharia Ambiental (Inea) e faz parte de alguma associação de classe. Peça indicações de ex-clientes da empresa, entre em contato com eles e se informe sobre a qualidade do serviço prestado. Durante a aplicação do produto e ao término do serviço, mantenha o imóvel bem arejado. Caso esteja presente durante a aplicação do produto, use equipamento de proteção individual, como máscara. Não existem remédios caseiros que sejam eficientes contra os cupins. Passar verniz especial na madeira ajuda a prevenir o aparecimento desses insetos, mas o ideal é fazer o tratamento com uma empresa especializada.

Brocas e cupins são diferentes O inseto conhecido como broca, embora também ataque a madeira, não é uma espécie de cupim. “A broca faz parte da família do besouro e é menos destrutiva do que o cupim. Ela libera um pó mais fino, semelhante à farinha, perto dos lugares infestados e deixa furos horizontais visíveis”, diz Lucy Ramos Figueiredo. O tratamento costuma ser com injeção de veneno na área atingida, mas há casos em que é melhor jogar a peça fora. “A broca pode entrar até um centímetro na madeira, enquanto o inseticida atinge, no máximo, três milímetros. O veneno não elimina as larvas que já estão no local, apenas impede que elas criem novos caminhos para se alimentarem”, conta Marcos Pires.

Um ninho de cupins do tipo estrutural, que precisa de umidade para sobreviver

Divulgação/Imuniservice

Stock.XCHNG

Animais de estimação, crianças, idosos e pessoas alérgicas devem esperar entre 24 horas e 48 horas para voltar para casa após a descupinização.

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Imóveis ESPECIALISTAS EM NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

Stock.XCHNG

O carnê leão e você Se você ainda não é cliente da CIPA, saiba o que está perdendo Todo mundo já ouviu falar no leão do Imposto de Renda, afinal, todo ano é preciso prestar contas a ele. Mas em relação ao carnê leão, ainda há muita gente que não sabe do que se trata. Para dirimir essa dúvida, fomos ouvir o gerente de Locação da CIPA, Amauri Soares. Segundo ele, “Esse é o imposto devido por pessoas físicas que receberam algum rendimento de outras pessoas físicas. E ele não é retido na fonte”. Isso significa que ao receber valores dessa procedência, as pessoas devem ter controle para saber se o montante que ganharam ultrapassa a tabela do Imposto de Renda (disponível no site da Receita Federal). Soares completa: “No caso de aluguéis de vários imóveis, o proprietário deve somar os valores recebidos, descontar a taxa de administração paga à administradora e verificar a tabela. Se ultrapassar o limite determinado pela Receita, ele deve fazer o cálculo, preencher o Darf e efetuar o pagamento, que é mensal.” Difícil? Complicado? Nem tanto, mas a CIPA está acostumada com esse procedimento em seu dia a dia e pode prestar esse serviço com bastante eficiência e tranquilidade para seus clientes. Qualquer dúvida, ligue para nosso setor de Locação, telefone 2196-5080.

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Proprietários e inquilinos encontram na CIPA total confiança na hora de alugar um imóvel. Isso porque a empresa sempre encarou essa tarefa com muita seriedade, observando critérios de qualidade, segurança, pontualidade e agilidade na prestação dos serviços. A CIPA, em total sintonia com seus clientes e com o mercado de locação, oferece serviços diferenciados que favorecem a comodidade no processo de locação de um imóvel. A empresa também utiliza seu site (www. cipa.com.br) para facilitar a locação de imóveis. E para garantir resultados cada vez melhores, os funcionários do setor de Locação da CIPA estão em constante aprimoramento. Periodicamente, recebem cursos de atualização específicos. Dessa forma, a empresa proporciona a eles um amplo conhecimento técnico e de mercado. Se você ainda não é nosso cliente, agora já sabe o que está perdendo!


Estatísticas de Imóveis Ofertados Por Tipo Imóvel Aluguel

27%

22%

18% 9% 11% 13%

Apart. (2 quartos)

314

Sala

254

Casa

179

Apart. (3 quartos)

158

Loja

135 392

Outros

total 1.432

Por Bairro Imóvel Aluguel

Por Tipo Imóvel Venda

22% 26% 7% 20% 11% 14%

casa

714

Apart. (2 quartos)

549

Apart. (3 quartos)

401

COBERTURA

296

Terreno

206

52%

5%

11% 7% 4% 4%

5%

barra da tijuca

441

centro

128

recreio

100

copacabana

71

tijuca

61 829

Outros

total 1.630

Por Finalidade

Por Bairro Imóvel Venda

31%

9% 5%

620

Outros

total 2.786

42%

24%

BARRA DA TIJUCA

801

taquara

285

venda

2.791

RECREIO

164

aluguel

1.432

Freguesia

146

Vila Valqueire Outros

124 1.101

34% 66%

TEMPORADA

21

lançamento

7

total 4.331

total 2.628 fonte: abadi

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notícias da cipa

Conheça o serviço da CIPA que agrega mais valor aos lançamentos imobiliários A CIPA começa seu trabalho antes mesmo de os moradores chegarem ao condomínio para morar. Quando a construtora termina a obra, a CIPA entra tratando de todos os aspectos para que o condomínio tenha o máximo em recursos otimizados, serviços com qualidade e acompanhamento personalizado para o síndico eleito. O Instale CIPA foi escolhido pela Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário, a Ademi, para receber o Prêmio Master Imobiliário. Segundo Ester Gonçalves, gerente de Relacionamento e Mercado da CIPA, o Instale CIPA foi elaborado para ser um diferencial para os lançamentos imobiliários. “Nosso compromisso é com a continuidade das obras das construtoras. Além da atenção especial ao síndico eleito, damos total apoio comercial para a divulgação do empreendimento perante a base de clientes CIPA e o mercado, potencializando suas vendas.”

Para a CIPA, a integração e o relacionamento com seus clientes são fundamentais. Por isso, a empresa mantém comunicação periódica com síndicos e moradores, para incentivar a conscientização coletiva e fornecer dicas, técnicas, leis, informações, promoções e vantagens com fornecedores que vão agregar mais valor ao condomínio. O Instale CIPA oferece às construtoras um pacote completo, composto de serviços de pré-instalação, instalação e pós-instalação do condomínio. Tudo isso para facilitar a gama de ações envolvidas na implantação do condomínio propriamente dito, assegurar a integração dos novos condôminos e promover segurança para todo o processo. Esses cuidados visam, principalmente, valorizar a imagem da construtora no mercado. Não é à toa que o Instale CIPA é um serviço premiado pela Ademi!

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jurisprudência

Fique por dentro das decisões de nossos tribunais 0003726-12.2007.8.19.0202 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. MALDONADO DE CARVALHO - Julgamento: 13/4/2010 - PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL Apelação. Responsabilidade civil. Condomínio. Furto de acessório de veículo no interior da área de garagem. Dever de segurança. Inexistência de previsão condominial. Contrato que prevê somente a prestação de serviços de portaria. Prova testemunhal. Câmera de segurança instalada na entrada do condomínio para controle exclusivo de acesso e saída de veículos. Porteiros que não andam armados. Ausência de prova sequer quanto à ocorrência do furto no interior do condomínio. Impossibilidade de socialização dos prejuízos. O dever de indenizar há que decorrer de inequívoca demonstração de culpa do condomínio, que através de sua Convenção assumia o dever jurídico de prestar segurança interna aos condôminos, seja por si próprio ou através de empresa terceirizada. Somente a existência de cláusula expressa na convenção condominial, no que se refere à guarda e vigilância de coisas e bens particulares dos condôminos, em espaços comuns, é que autoriza a se imputar ao condomínio a responsabilidade civil. Improvimento do recurso. 0013865-75.2006.8.19.0002 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. FERNANDO FERNANDY FERNANDES - Julgamento: 1/12/2009 - DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Alegação de furto ocorrido na garagem de edifício. Ausência de previsão expressa na convenção acerca da assunção de responsabilidade pelo condomínio. Inexistência de prova cabal de que o veículo do autor lá estava estacionado no período indicado na inicial. Precedentes do E TJ/RJ. Apelação a que se nega seguimento. 0005837-82.2006.8.19.0208 (2007.001.14969) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. RUDI LOEWENKRON - Julgamento: 26/4/2007 - DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL Responsabilidade civil. Condomínio. Furto de veículo pertencente a condômino estacionado em vaga da garagem do edifício. Cláusula de não indenizar. Sentença de improcedência. Recurso de apelação parcialmente provido. 0390230-32.2008.8.19.0001 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. CELSO FERREIRA FILHO - Julgamento: 12/1/2010 - DÉCIMA QUINTA CÂMARA CÍVEL Indenizatória. Acidente em edifício-garagem. Preliminar de ilegitimidade ativa que se rejeita. Cerceamento de defesa. Inocorrência. No mérito restou plenamente comprovada a culpa do preposto do condomínio réu que por imperícia, imprudência ou negligência deixou de acionar os freios de estacionamento do veículo, o que efetivamente permitiu a movimentação espontânea do carro, causa eficiente para a ocorrência do acidente. Os danos materiais relativos ao aluguel do carro serão apurados em liquidação por arbitramento. Dano moral. Inocorrência. Improvimento de ambos os recursos principal e adesivo. 0003180-83.2006.8.19.0042 (2009.001.48505) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. GILBERTO DUTRA MOREIRA - Julgamento: 16/9/2009 - DÉCIMA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Ação de indenização. Utilização de espaço de garagem de condomínio para a guarda de motocicleta. Perda total do bem em razão de incêndio doloso causado por terceiros. Ata da assembleia condominial que autorizou o uso precário de espaço ocioso no estacionamento para a guarda de motocicletas, restando acor82

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dado entre os condôminos a ausência de responsabilidade quanto a eventuais danos em tais veículos. Existência de cláusula expressa de exclusão de responsabilidade que, por si só, já deságua na improcedência do pedido. Obrigação de indenizar eventual perda do bem em razão da utilização precária do espaço na garagem que só seria devida se comprovado que o incêndio decorrera de conduta dolosa do condomínio ou de seu preposto, o que não restou demonstrado nestes autos. Condôminos que aquiesceram com a guarda de motocicletas, desde que o usuário suportasse eventuais danos, furto ou roubo. Observância do princípio pacta sunt servanda que se impõe. Provimento do recurso para julgar improcedente o pedido, invertidos os ônus sucumbenciais, observado o disposto no art. 12 da Lei nº 1.060/50. 0030073-35.2009.8.19.0001 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. LUÍSA BOTTREL SOUZA - Julgamento: 7/4/2010 - DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL Direito do consumidor. Responsabilidade civil. Prestação de serviço defeituoso. Vazamento de esgoto sanitário para a cisterna do condomínio após a realização de obras pelo apelante. Agravo retido: na relação de consumo, quando evidente a vulnerabilidade do consumidor e a verossimilhança de suas alegações, de rigor a inversão do ônus da prova, como forma de assegurar o equilíbrio de forças no processo. Em razão da inversão do ônus da prova, era do réu o encargo de demonstrar as más condições da cisterna, o que certamente podia fazer por outros meios, além da prova pericial. Valor da indenização arbitrado de acordo com o princípio da razoabilidade. Recursos desprovidos. 0060486-70.2005.8.19.0001 (2009.001.54537) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. ODETE KNAACK DE SOUZA - Julgamento: 10/3/2010 VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Indenizatória. Infiltração em apartamento com origem no terraço do edifício. Responsabilidade do condomínio aferida por perícia realizada com rigor científico. Desprovimento do recurso. 0073907-30.2005.8.19.0001 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. CRISTINA TEREZA GAULIA - Julgamento: 23/2/2010 QUINTA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Queda de reboco de edifício. Vítima que ajuíza ação indenizatória em face do condomínio, que oferece denuncia-

ção da lide à seguradora. Responsabilidade civil objetiva. Inteligência dos artigos 927 c/c 937 NCC. Autor apelante que se insurge em relação ao valor fixado a título de danos morais e ao termo inicial da incidência dos juros moratórios. Majoração da verba indenizatória para R$ 10.000,00. Parâmetros jurisprudenciais que já se firmaram quanto ao valor do dano moral em hipóteses congêneres. Danos físicos e psicológicos. Precedentes. Juros moratórios que devem incidir a partir do evento danoso, a teor da súmula 54 STJ, já que a responsabilidade civil, in casu, é extracontratual. Recurso provido. 0002505-19.2001.8.19.0003 (2009.001.64642) - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. FERNANDO FERNANDY FERNANDES - Julgamento: 22/2/2010 - DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL Apelação cível. Ação de responsabilidade civil. Culpa in vigilando. Criança mordida no interior do condomínio por cachorro pertencente aos réus apelantes. Dano moral in re ipsa. Dano estético configurado. Laudo pericial. Nexo de causalidade presente. Indenização devida. Sentença que não merece reforma. Recurso a que se nega seguimento. 0044993-82.2007.8.19.0001 - APELAÇÃO - 1ª Ementa DES. ANA MARIA OLIVEIRA - Julgamento: 9/2/2010 - OITAVA CÂMARA CÍVEL Responsabilidade civil. Ação de conhecimento objetivando a execução de reformas necessárias na fachada externa de prédio contíguo àquele em que reside a autora e indenização por dano moral que ela teria sofrido em decorrência de queda de parte do reboco da parede do edifício sobre sua residência. Fachada do condomínio réu restaurada no curso da ação. Sentença que julga extinto, sem apreciação do mérito, o pedido no que tange à obrigação de fazer, nos termos do artigo 267, inciso VI do CPC, ante a perda do interesse processual superveniente, e condena o réu ao pagamento de R$ 6.975,00, a título de indenização por dano moral. Apelação de ambas as partes. Responsabilidade objetiva do dono do imóvel. Prova documental que demonstrou o risco a que foi submetida a autora, sendo que com ela reside seu filho menor. Dano moral configurado. Quantum da indenização que observou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Desprovimento de ambas as apelações.

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Responsabilidade Social

A Campanha de Doação de Remédios da CIPA é permanente, você pode dar os remédios que não usa mais a qualquer tempo. É simples e muito prático, uma vez que a Linha Direta da CIPA recolhe sua doação na portaria. É bom lembrar que os remédios podem estar usados, mas devem estar dentro da data de validade. Para doar, basta deixar os medicamentos com o porteiro de seu prédio, que os entregará à Linha Direta CIPA, um serviço gratuito e diário. Qualquer dúvida, basta ligar para o NAC CIPA (2196-5000).

Lar de idosos aguarda sua ajuda

Na edição passada desta revista, divulgamos as necessidades do Lar Abrigo Amor Maior. Pois bem, os idosos que moram lá continuam precisando de seu auxílio. Faça sua parte! Doe um pouco do que você tem para ajudá-los! Nesse local, vivem 98 idosos, que chegam ao abrigo por meio da Delegacia do Idoso e do recolhimento da própria prefeitura, que não tem como cuidar deles. O Lar Abrigo Amor Maior é dirigido por Rosita Alves há 35 anos e necessita de muita ajuda. A visitação é aberta a qualquer pessoa. Endereço: Rua Coronel Silva Barros, 1.001 - Jardim Primavera - Duque de Caxias. Telefone: 2262-2074.

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Don Ratton (o rato)

Cucaratcha (a barata)

Gulosão (o cupim)

Dengosão (o mosquito)

Ao encontrar qualquer um desses elementos ligue urgente: (021) 2450-1418

letracapital.com / Espalhafato

Atenção, eles podem invadir seu imóvel!

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DESRATIZAÇÃO DESINSETIZAÇÃO

Baratas, brocas, formigas, moscas, mosquitos, pulgas e traças.

DESCUPINIZAÇÃO OUTROS ANIMAIS NOCIVOS Aranhas, escorpiões e lacraias. Morcegos e pombos (manejo).

LIMPEZA DE CAIXAS D’ÁGUA

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Rua Cândido Benício, 476 - Campinho - Rio de Janeiro RJ

Tel: 21 2450-1418 - atendimento@sapo.com.br Aplicação de gel

Fumacê

Controle de Larvas

Reg. INEA: UN001126/55.61.21

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Revista Condomínio. Edição 45