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CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES

Medo urbano

Estudos comprovam que o medo urbano provoca isolamento em condomínios

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edo urbano provoca isolamento em condomínios. Pesquisa de mestrado da professora Landejaine Maccori, diretora de Educação do Sindicondomínio/ DF, retrata como o brasiliense tem optado por habitat fechado para fugir da violência. Para cada cinco habitantes, existe uma câmera de segurança no Distrito Federal. A cada minuto são gastos R$ 15,3 mil em forças policiais, seguros privados, equipamentos de vigilância e socorros aferidos na região. A insegurança consome R$ 8 bilhões por ano, o que corresponde a 5% do PIB do Distrito Federal - percentual 2,5 vezes maior que nos EUA por exemplo. Estes são dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgados em 2012, e demonstram como as pessoas estão lidando com a violência e o medo urbanos. A professora recentemente lançou tese sobre o tema, após pesquisa de campo com mais de 285 entrevistados no Distrito Federal em três tipos de condomínios: apartamentos no Plano Piloto, condomínios horizontais e condomínios-clube. Para a pesquisadora, o caráter difuso da violência, que perpassa por todo o espaço urbano, proporciona a consolidação de novas práticas de defesa, entre elas, a opção por novos habitats fechados. Os condomínios são, ultimamente, os tipos de moradia mais procurados pelas pessoas, e o medo tem um peso real em suas escolhas. “Essa é uma tendência existente não só no Brasil, mas no mundo. Cada vez mais as pessoas se sentem compelidas a buscar a segurança privatizada, não só em função do descrédito na segurança pública, mas 38

também em função das ideologias que são apregoadas pelo mercado do capital imobiliário e da segurança privada”, conclui a diretora. Landejaine destaca que a insegurança faz as pessoas procurarem por condomínios que possam oferecer o máximo de recursos que incentivem uma vida comunitária. Por outro lado, a oferta de estabelecimentos comerciais e toda estrutura em um condomínio, não garante que os moradores estejam abertos a se rela-cionarem entre vizinhos. “Mediante o perigo, surge o desejo de distanciamento do outro, e a perda de espaços para diálogos em situações de conflitos. Modificam as relações entre as pessoas, e a espacialidade urbana. Quebra-se o pacto social. Nesse contexto a palavra de ordem é “proteção”, explica. Para evitar que o ambiente seja tensionado pelos condôminos, cabe ao síndico buscar capacitações e desenvolvimento de técnicas em respeito ao enfrentamento de conflitos sociais. “A predisposição para o diálogo ficou diminuída, observa-se que não há busca de mediação pacífica de conflitos. As decisões não são integrativas, em que todos saem ganhando ou em que haja um acordo ou um pacto social”, aponta a professora. Na visão dela, o isolamento, provocado pelo medo urbano, estimula a criação de desavenças, impactando a pessoa na capacidade de lidar com a sociedade e de aceitar comportamentos diferentes do seu. “Nesse contexto de fuga da vida pública, o indivíduo perde a verdadeira noção da gênese do conflito, que é justamente a ausência da relação social”, garante a pesquisadora. Fonte : Proativa

Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES - EDIÇÃO IV  

Revista voltada para o mundo condominial, síndicos, prefeitos de quadras, administradores prediais no Distrito Federal e Entorno.

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