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Condomínio & Soluções

SEGURANÇA e

Por Marco Antonio dos Santos

Entre festejos e alegrias, os brasileiros começaram 2017, ainda nem bem curadas as ressacas, com violentíssimas rebeliões em presídios de Manaus, Natal e Palmas. Cenas de indescritível violência, com presos degolados e mutilados, as quais nem vale a pena rever, ganharam as redes sociais confirmando o saldo de mais de uma centena de mortos, dezenas de feridos e fugas de perigosos detentos. Além de aterrorizar o Brasil, gerou crise política entre poderes da República e acrescentou mais uma mancha à imagem do país no exterior. Rebeliões em presídios são fatos comuns desde os anos 1990, aumentando na última década, cada vez com mais organização e violência. Pelo menos quatro presos são mortos por dia, entre aqueles recolhidos aos 1478 estabelecimentos prisionais brasileiros. São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Natal, Porto Velho e outras cidades têm sofrido ondas de violência urbana de duração prolongada, decididas por chefes de facções a partir dos presídios onde se encontram segregados, em tese sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), e em segurança máxima, os líderes dessas facções. No rescaldo da crise, ficou claro que recursos substanciais haviam sido desviados por políticos e administradores das finalidades de manutenção, reforço da segurança e melhorias das condições prisionais dos detentos, gerando algumas das causas para a selvageria. Todos os eventos acontecidos eram (e são) de fácil previsão e haviam sido mencionados em relatórios policiais e de inteligência dirigidos às autoridades competentes. Importante salientar que apesar dos muitos discursos proferidos mencionando providências, poucos foram materializados em ações concretas. Ficou claro à sociedade, diante desses acontecimentos brutais, somados aos que vêm sendo elucidados pela Lava Jato, que o Estado brasileiro está refém

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de criminosos de colarinho branco e outros usando fétidos uniformes de presidiários, estando ambas as categorias em palácios e casas luxuosas e em imundas cadeias, respectivamente. Já é público e notório que o comando de cada unidade prisional está nas mãos de pelo menos uma das quase trinta facções criminosas do narcovarejo que dominam, também, áreas socialmente degradadas da maioria das cidades brasileiras. Talvez a exceção à regra esteja nos quatro presídios federais, modelo “supermax”, norte – americano, nos quais estão guardados “personalidades” do narcotráfico. Em permanente disputa pelo precioso mercado das drogas, bens de consumo para os detentos, inclusive espaço nas celas e galerias, além de prostituição e poder de mando, essas “gangues”, às vezes se associam em interesses comuns, ou mantêm uma “paz

Ano V | Edição XV

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Revista Condomínio & Soluções - Edição XV  

Revista voltada para o mundo condominial.

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