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CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES

COMO NÃO FAZER UMA OBRA

Por Jane Araújo

onde tirar mais dinheiro, tive de engolir aqueles picaretas detonando minha futura casa.

S

e for leigo, a dica é contratar profissionais para projetar, calcular e construir para você. Vai evitar passar pelo que passei, o que não desejo a ninguém. É fácil ser vítima de gente inescrupulosa quando se começa uma obra. Isso ficou claro para mim meses depois de entregar a construção de minha casa a um pedreiro de nome Raimundo que se dizia mestre de obras, mas não passava de um levantador de paredes. Inexperiente, confiei em sua conversa. Começamos como uma empreitada. Mostrei-lhe um projeto de casa com sala e cozinha americana, quarto, banheiro, mezanino e varanda. Algo simples, mas compatível com os recursos de que dispunha. Foi feito um acerto verbal de custos e começamos a obra com uma lista de material para aquela primeira etapa. À medida que a construção avançava, Raimundo parecia dominar seu ofício e o material a mais que ia pedindo não me surpreendia, embora achando que estava consumindo muito mais do que imaginava, principalmente cimento. Era muito e eu perguntava, mas precisa tanto? Precisa, ele respondia, a senhora não faz ideia da quantidade de cimento que uma obra consome. Não fazia mesmo e não discutia, comprava. Assim foi indo até que percebi, já na fase de acabamento, que ele contratara os piores ajudantes e a construção estava um lixo. Reclamei e ele alegou que para contratar outros o custo ia aumentar. Como já não tinha de 22

Outro problema era a sujeira propriamente dita, o desperdício de material caro, a desorganização e o descaso com o que estava sob o poder deles. Quando me queixava, diziam que obra era daquele jeito mesmo e que só no final é que se limpava a área. Sobre o desperdício, argumentavam que perder algum material também era natural. Só quando o profissional que lá esteve para colocar o gesso cartonado do forro confessou que nunca vira uma obra tão suja e bagunçada, tive certeza de que não estava errada em relação a eles. té aceitava o argumento de que um acabamento A melhor, um detalhe aqui, outro acolá, a ampliação do espaço, mais metragem na área a construir aumentaria os custos. O que não sabia, por exemplo, é que as partes elétrica e hidráulica, que no início da obra estavam incluídas no custo pago, quando chegou a hora de serem implementadas transformaram-se num bicho de sete cabeças, um sorvedouro de dinheiro sem fim. Isso porque Raimundo alegou que o eletricista tinha exigido mais do que o dobro do que ele combinou comigo porque o projeto era maior e precisava de abrir mais pontos para tomadas, disjuntores etc. Ao final, tive que pagar mais para o eletricista, mais pela parte hidráulica, mais por toda a obra e quando me mudei para lá, pagar novos pedreiros e eletricistas para refazerem tudo e não apenas um ou dois profissionais, tudo teve de ser refeito pelo menos três vezes, com custos aumentados, sempre o último apontando os problemas que o anterior deixara. Foi uma surra e um dispêndio inacreditável. Tive de recorrer a empréstimos bancários, com familiares e mesmo assim até hoje, quase um ano depois, ainda Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES - EDIÇÃO VII  

Revista voltada para o mundo condominial, síndicos, prefeitos de quadras, administradores prediais no Distrito Federal e Entorno.

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