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CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES

Por Alexandre São José

A

discussão sobre o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), em voga no momento, remete à origem dos condomínios horizontais, coisa que era impossível acontecer por não ser previsto no plano diretor da cidade, porém, surgiram num período em que a especulação imobiliária determinava as ocupações urbanas. Como exemplo posso citar o tombamento do traçado geométrico do Plano Piloto pela Unesco como patrimônio mundial, veio num momento em que o Plano Piloto (Asa Sul, Asa Norte, setores Noroeste e Sudoeste) não estava totalmente ocupado e muitos empresários políticos possuíam lotes (projeções) cujo lobby permitiu inserir suas propriedades numa área tombada quadruplicando o seu valor comercial e impactando diretamente no aumento de preços das unidades residenciais, ou seja, os apartamentos do Plano Piloto saltaram para a estratosfera. É inconcebível um apartamento de três quartos, sem suíte, sem elevador e nem garagem custar quinhentos mil reais, e tem gente que ainda paga! E qual foi o resultado dessa pseudo preocupação com o patrimônio histórico? A consequência foi a comprovada invasão maciça da área rural para implantação de condomínios horizontais para atender a classe média, pois o governo não tinha como atender essa tão sofrida classe dentro do Plano Piloto. Na década de 70 tivemos projetos de moradia popular para baixa renda em Taguatinga, Guará e Ceilândia; na de 90 tivemos a implantação de cidades como Recanto das Emas, Riacho Fundo entre outras. Na década de 80, para a classe alta, tivemos a implantação do Park Way e Octogonal; lagos Sul e Norte já existiam, e a classe média foi atendida pelos corretores de imóveis e latifundiários, com ou sem escrúpulos e sem se preocupar com a escala humana, preservação ambiental questões urbanas entre outros itens que envolvem implantação de aglomerado urbano, bem ou mal, salvaram a classe média de 46

extinção nas áreas adjacentes ao Plano Piloto. Tais aglomerados trouxeram impactos sobre a cidade, como falta de espaço para deslocamento de veículos, falta de transporte urbano eficiente para atender as cidades mais afastadas do Plano Piloto. Porém, Lúcio Costa deixou muito espaço “em verde” para solucionar essas questões urbanas e que se bem usadas ainda proporcionarão ao cidadão brasiliense uma boa relação com a natureza. Muitas pessoas que se aventuraram “no meio do mato” em busca da casa própria sofrem até hoje com a questão da propriedade regular do seu patrimônio devido à implantação de seu condomínio horizontal se encontrar em área pública, com seríssimas restrições ambientais, consequentemente, sem a posse legal do imóvel por meio de escrituras lavradas em cartório. Quando acesso um condomínio e não vejo espaço definido para captação de água potável em separado da destinação de esgoto, sem espaço para pedestres, sem área de convivência, entre outros absurdos, deparo, também, com pessoas com expressão de felicidade no rosto por ter um cantinho próprio para morar independente da situação legal do seu imóvel. Então me pergunto se essas pessoas são alienadas de conscientização urbana, se permitiram ser enganadas pela especulação imobiliária ou se foram levianamente enganadas. Que Deus as protejam, pois, se depender dos governos passados, atuais e dos próximos, continuarão em situação irregular, porém, morando em imóvel próprio.

Alexandre São José Arquiteto - CREA 12.318/D-CE alexandresaojose@alcarprojetos.com.br Tel: 061-8111 9394

Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES - EDIÇÃO V  

Revista voltada para o mundo condominial, síndicos, prefeitos de quadras, administradores prediais no Distrito Federal e Entorno.

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