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CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES

de metais nobres, tais como o ouro, prata, paládio, níquel, lítio e outros em concentrações elevadas! De acordo com o relatório From Waste to Resources, do programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep), uma tonelada de celulares (sem as baterias) pode render a seguinte quantidade de metais preciosos: • 3,5 quilos de prata; • 340 gramas de ouro; • 140 gramas de paládio; • 130 quilos de cobre. Esses percentuais, aparentemente pequenos e desprezíveis, são muito superiores àqueles encontrados nas jazidas minerais exploradas comercialmente no mundo inteiro, ou seja, o celular e os demais aparelhos eletroeletrônicos possuem metais em concentração elevada e, além disso, seu processamento dispensaria as onerosas operações iniciais de pesquisa, lavra, transporte e beneficiamento. Em outras palavras, os metais presentes nos eletroeletrônicos já se encontram em seu estado mais puro e, portanto, estão prontos para reinserção nos processos produtivos. Entretanto, nós não reciclamos os nossos celulares descartados. O Brasil, segundo dizem, ainda não possui tecnologia para a reciclagem, extração e reaproveitamento dos minerais nobres, o que parece bastante estranho se considerarmos que somos a sétima maior economia do mundo e produzimos até mesmo aviões. Depois de coletado via logística reversa (artigo 33 da PNRS) o celular é triturado, ensacado e transportado em contâiners para a Bélgica, Alemanha, China e EUA, países que detêm a tecnologia necessária para fazer a extração dos metais nobres. Embora a atividade seja rentável para alguns, entendo que a exportação de eletroeletrônicos (em especial os celulares) representa um equívoco com dimensões econômicas, ambientais e éticas, senão vejamos: 1) Dimensão econômica Não parece uma política racional, exportarmos lixo eletrônico de modo a permitir que outros países obtenham benefícios tais como a criação de empregos, aumento da renda dos trabalhadores, qualificação da mão de obra, dinamização das cadeias produtivas locais, e maior arrecadação de tributos. Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

2)Dimensão ambiental Os resíduos são considerados passivos ambientais, ou seja, podem acarretar danos severos ao meio ambiente e à saúde humana se não forem convenientemente processados. Os custos financeiros para recuperar os danos decorrentes de acidentes são muito elevados (isso quando existe alguma tecnologia disponível). 3)Dimensão ética A PNRS proíbe a importação de resíduos sólidos, mesmo que seja com o objetivo de efetuarmos a sua reciclagem. A lógica da lei é mais ou menos a seguinte: cada país deve coletar e processar o seu próprio resíduo, evitando exportá-lo para outros países. Se um determinado comportamento não pode ser aceito pelo Brasil também não deveríamos aceitá-lo como normal para com os demais países. Assim, não considero ético ou moralmente aceitável exportar lixo eletrônico (e seus problemas). A conclusão é que as vantagens da reciclagem de eletroeletrônicos são muitas e deveriam ser consideradas atentamente por nossos legisladores, inclusive no que concerne ao estabelecimento de uma proibição legal para sua exportação. Felipe Quintiere Maia – Graduando em Engenharia Ambiental UnB Marcelo Quintiere – auditor do Tribunal de Contas da União; engenheiro agrônomo; mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente (UnB).

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES - EDIÇÃO VIII  

Revista voltada para o mundo condominial, síndicos, prefeitos de quadras, administradores prediais no Distrito Federal e Entorno.

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