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Condomínio & Soluções

Síndico, por favor, me ajude! Por Raphael Rios

Mais um daqueles fatos inusitados que ocorrem em condomínios. Na madrugada de um sábado para domingo, ocorreu forte discussão entre um casal recém-chegado no bloco. Gritos, barulho de objetos quebrando, gente falando alto, choro e por aí vai. Não fui acionado por nenhum condômino e aproximadamente meia hora do início da confusão, a barulheira parou. O domingo transcorreu normalmente e no final da tarde, o responsável pela unidade da fatídica madrugada, interfonou para o meu apartamento solicitando uma conversa. Perguntei-lhe se gostaria de adiantar o assunto, mas ele não quis e combinamos encontrarmo-nos no escritório do condomínio 30 minutos depois. Desci pouco antes e fiquei aguardando ansioso a conversa. Conforme combinado, o condômino chegou, nos cumprimentamos e perguntei-lhe no que poderia ajudar. A conversa iniciou com um questionamento do condômino, sobre se eu havia recebido alguma reclamação de algum dos vizinhos, ocasionado pela barulheira ocorrida na madrugada, na sua unidade. Até aquele momento, ninguém havia comentado nada e não tinha qualquer ciência do ocorrido. Ele se apresentou contando um pouco da sua história pregressa, que antes de se mudar para o condomínio, morava em uma casa, mas que devido ao grande número de viagens que realizava mensalmente a trabalho, havia optado pela nova moradia. Informou também que ele era conjugalmente separado, mas que estava iniciando uma relação de namoro, que estavam se conhecendo, mas que já estava percebendo que a coisa não ia dar certo pelo ciúme excessivo da namorada. Informou sem entrar em detalhes, o ocorrido na madrugada de sábado para domingo, pediu desculpas pelo transtorno afirmando que tal fato não mais iria ocorrer. Desculpas aceitas e 38

já iniciando nossas despedidas, fui surpreendido pelo seu pedido: - Para concluir, eu gostaria que o senhor encaminhasse uma notificação endereçada a mim, a fim de informar que se tais fatos novamente ocorressem, a administração aplicaria multa baseada na legislação condominial. Nunca alguém havia me pedido para receber alguma notificação ou multa. O fato é que na segunda-feira, elaborei a notificação e encaminhei ao solicitante. Semanas após, nos encontramos a sós no elevador, momento em que o condômino me agradeceu o documento encaminhado. Disse que havia se utilizado do documento para terminar a relação e que por isso estava feliz. Também me senti feliz, pois houve reconhecimento do trabalho realizado, por parte do condômino e seguimos a vida. Meses depois, nos encontramos no elevador: eu, ele e a namorada que ele havia se “separado”. Apenas nos entreolhamos! Pensei: Pelo menos o condômino cumpriu com o fato de não mais ocorrer outra confusão na sua unidade. Em condomínio acontece cada uma!

Raphael Rios Síndico profissional e criador do Sistema Integra raphael_rios@uol.com.br Tel: (61) 8115.6489

Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES- EDIÇÃO XII  

Revista dirigida ao mundo condominial: síndicos, prefeitos de quadra, administradores prediais, condomínios horizontais e verticais em Brasí...

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