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CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES

A Coleta Seletiva

no Distrito Federal Por Marcelo Quintiere e Felipe Quintiere

A

gestão dos resíduos sólidos tornou-se um problema complexo no decorrer do século 20, impactando fortemente a saúde pública e os ecossistemas em todo o mundo, além de obrigar os países a comprometerem percentuais crescentes de seus recursos financeiros na tentativa de reduzir os impactos. Para compreendermos a complexidade crescente associada à gestão dos resíduos sólidos devemos observar algumas de suas características fundamentais: a) O lixo é uma “indústria” que opera ininterruptamente; b) o lixo é um produto heterogêneo e não há solução milagrosa que solucione todos os problemas de uma só vez; c) a geração crescente de resíduos sólidos é resultado do aumento populacional e do crescimento econômico; d) a composição dos resíduos dificulta os tratamentos e se traduz na elevação do risco de contaminação do sistema solo-água-ar. A disposição final dos resíduos e rejeitos também é um problema a ser considerado. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2008 realizada pelo IBGE, a disposição final dos resíduos nos municípios brasileiros é dividida da seguinte forma: • 50,8 % em lixões; • 22,5 % em aterros controlados; • 27,7 % em aterros sanitários. A prevalência dos lixões demonstra que um percentual considerável do lixo não recebe tratamento adequado, retratando inconsistências e fragilidades da gestão pública no Brasil. A situação dos resíduos sólidos no Distrito Federal O Distrito Federal possui aproximadamente 2,8 mi42

lhões de habitantes, a maior renda per capita do país (R$ 58.589,00), a produção de resíduos na ordem de 1,5 kg/dia/habitante, bem como indicadores de qualidade de vida semelhantes àqueles de países desenvolvidos, com destaque para o IDH de 0,824 e a taxa de analfabetismo de 4%. Em que pese esse conjunto favorável de bons indicadores o Distrito Federal ainda se encontra atrasado quanto à gestão de seus resíduos sólidos, em especial pela utilização do “Lixão da Estrutural”, contribuindo para a disseminação de doenças e contaminações, além dos danos à imagem e desperdício de recursos que poderiam ser obtidos a partir da reciclagem. Esse cenário negativo pode melhorar após a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei n.º 12.305/2010, que introduziu profundas alterações no gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil, dentre as quais o estímulo à coleta seletiva. Em fevereiro deste ano o GDF instituiu a coleta seletiva a ser realizada em todas as regiões administrativas, inclusive nas áreas rurais, um desafio importante, se considerarmos que apenas 16% do DF contava com esse tipo de serviço. Em uma linguagem mais simples podemos dizer que a coleta seletiva significa a prévia separação de resíduos, preferencialmente junto às fontes geradoras, gerando dois grandes componentes: 1) Os resíduos recicláveis, ou “lixo seco”, passíveis de encaminhamento aos processos de reciclagem para posterior reinserção na cadeia produtiva; e 2) os rejeitos, ou “lixo úmido”, que serão encaminhados aos aterros sanitários ou aos processos de geração de energia elétrica a partir da queima em fornos adequados. A responsabilidade dos consumidores pela coleta seletiva em seus municípios estará limitada ao acondicionamento e disponibilização dos resíduos gerados nas respectivas unidades domiciliares para posterior Revista on-line : www.condominioesolucoes.com.br

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REVISTA CONDOMÍNIO & SOLUÇÕES - EDIÇÃO VI  

Revista voltada para o mundo condominial, síndicos, prefeitos de quadras, administradores prediais no Distrito Federal e Entorno.

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