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DIÁRIO DE

bordo EMBARCADOS EM UM CATAMARÃ LAGOON 440, RECEBEMOS AMIGOS E HÓSPEDES PARA PASSEIOS PARADISÍACOS POR MARES EUROPEUS. AQUI ESTÁ UM BREVE RELATO DESSA NOSSA VIDA AVENTUREIRA POR SARAH MOREIRA FOTOGRAFIA ACERVO SAIL IPANEMA

SABE AQUELA VONTADE DE chutar o balde e ir viver

E lá fomos nós passar dez dias com eles no Bay Dreamer,

uma aventura? Deu medo e uma baita insegurança,

um catamarã Lagoon, de 38 pés. Eu segui para a viagem

mas foi o que meu marido Renato Matiolli e eu deci-

com um misto de curiosidade, ansiedade e pânico. A ideia

dimos fazer: largar tudo – o trabalho estável, o apar-

de morar num barco e viajar o mundo era tentadora, mas o

tamento bacana, a cidade, a família e os amigos – e ir

que nos preocupava era como nos adaptar a esse universo

morar num barco com o nosso cachorro.

sem nenhuma prática náutica. Tínhamos de experimentar.

A ideia era simplesmente ir viver a vida fora do convencio-

A viagem foi simplesmente incrível. Dormir no mar e na-

nal, conhecer novos lugares, pessoas diferentes, correr

vegar pelas ilhas San Blas, no Caribe, absorvendo toda

o mundo. Um projeto que começou a ser pensado há uns

a experiência daquele casal aventureiro, foi derradeiro

três anos, mas que tomou força desde que fomos a Bali,

para nos fazer crer que também seríamos capazes e,

na Indonésia, numa viagem de férias, e experimentamos o

mais do que isso, nos deu a certeza de que era esse ca-

prazer de um estilo de vida em contato mais direto com a

minho que queríamos seguir.

natureza e num ritmo bem menos acelerado. Soubemos depois que muitas pessoas adotaram esse Renato trabalhava em consultoria estratégica para várias

modo de vida pelo mundo e conseguem se sustentar

empresas e eu era diretora de RP para uma grande rede

hospedando pessoas no barco, fazendo passeios e dan-

de hotéis internacional, por isso foi preciso uma dose farta

do aulas de esportes aquáticos.

de ousadia para soltar as amarras e embarcar num sonho existencial. No nosso caso, embarcar é verbo literal, pois a

Certos de quer era isso que queríamos, nos preparamos

decisão de mudar o modo de viver incluía não só a compra

muito durante dois anos. No fim de 2014, compramos o

de um barco, como ainda morar nele. A única questão era

nosso barco na Croácia - além de ter um valor mais acessível

como, na prática, sustentaríamos esse projeto.

para a nossa realidade financeira, é também um ótimo lugar para quem pretende trabalhar com turismo. E com foco no

Foi, então, que o Renato, em uma pesquisa na internet,

autossustentável, adotamos vários recursos fundamen-

soube da história de um casal de suecos que havia larga-

tais, como painéis solares, dessalinizador de água, baterias,

do a cidade grande e estava velejando ao redor do mun-

gerador e inversor. Nossa intenção era evitar os custos al-

do a bordo de um catamarã e recebendo hóspedes como

tos das marinhas e poder ancorar em lugares paradisíacos

meio de sustentar a aventura.

sem nenhum problema estrutural. ►► Conceito A N. 18 2016

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Revista Conceito A  
Revista Conceito A  

Edição 18

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