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ARQUITETURA | DESIGN | ARTE | ESTILO DE VIDA

CONCEITO

Viagens

reais e imaginárias Um condomínio exclusivo na Disney As aventuras de Tintim Ilimitações da arte digital

Ícones

pop

e apropriações imaginativas

Tour pelo

universo criativo de Ronald Goulart e Junior Grego

R$ 32,00

Influências do mundo

Adriana Leal André Piva Alexandre Gedeon e Hugo Schwartz Arnaldo Danemberg Artur Fidalgo Bel Lobo e Bob Neri Carlos Carvalho e Rodrigo Béze Carlos Herz

Chicô Gouvêa Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge Julio Vicente Marco Mussi Nelson Leirner Ricardo Werwie Rogério Antunes e Bernardo Schor Sonia Pinto Walt Disney


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sumário // edição 18

108

158

196 220 16 18

38

Produtos e tendências

72

CONCEITO INDUSTRIAL

LIBERDADE TOTAL

138

CHIQUE E COOL

DESEJOS REALIZADOS

148

ESPAÇO DO ARQUITETO

ALÉM DOS REVESTIMENTOS

Os novos conceitos da grife Empório Beraldin

TRAÇOS DIGITAIS

Marco Mussi e suas formas inventivas

158

204

Italian Leather em novo endereço

O MUNDO É SUA PROFISSÃO

216

UM HOMEM, UM REINO, UM PERSONAGEM

O MICKEY COMO ARQUITETO

Condomínio de alto luxo em Orlando

224

VIAGEM GASTRONÔMICA

234

QMÁXIMO!

Geração que curte estilo

CASA DO COSTUREIRO

Sonia Pinto e a moda escultural

O DIREITO AUTORAL EM PAUTA

O advogado Cesar Romero Vianna Junior esclarece o tema

LINHAS ERUDITAS O antiquariato conduz a ambientação

REDUTO DE INSPIRAÇÕES SECULÁRES A chancela Arnaldo Danemberg em endereço nobre de São Paulo

ACERVO

Arnaldo Danemberg e o antiquariato

228

REINO GOURMET

Um restaurante que é pura magia

O brunch dominical do hotel Sheraton

AS AVENTURAS DE CHICÔ E TINTIM

220

O encantamento de Walt Disney e Mickey

INCANSÁVEL VIAJANTE

As voltas pelo mundo de Tintim

A paixão por um personagem

212

O COURO MULTIFUNCIONAL

Ricardo Werwie e o turismo de luxo

174 14 Conceito A N. 18 2016

Junior Grego indica lojas e produtos

O showroom da Artec Design

DIÁRIO DE BORDO

202

VITRINES DO RIO

ESPAÇO PARA CRIAR ESPAÇOS

168

196

CIRCUITO ELEGANTE

Roteiro de selva com o selo hoteleiro de Priscila Bentes

A vida em um catamarã

188

O home office de Ronald Goulart

Perfil profissional de Junior Grego

154

Bel Lobo e Bob Neri, um casal de ideias inovadoras

182

CRIAÇÃO FEITA EM CASA

OLHAR APURADO

142

178

Galeria de Artur Fidalgo arquitetada por André Piva

Residência em estilo francês de Ronald Goulart e Junior Grego

134

Linhas neutras de Bernardo Schor e Rogério Antunes

Uma casa de três andares por Adriana Leal

94

130

UM LUGAR DE ARTE

UM APARTAMENTO EXEMPLAR

122

Rodrigo Béze e Carlos Carvalho assinam apartamento single

Alexandre Gedeon e Hugo Schwartz projetam espaços unificados

78 86

L’ENFANT TERRIBLE!

TONS E TEXTURAS

66

108

As apropriações criativas de Nelson Leirner

A linguagem atualíssima de Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge

50 60

Influências do mundo

ESPAÇO A

30

100

EDITORIAL

ARQUITETURA DO TEMPO

Ensaio fotográfico com história

ONDE ENCONTRAR

Contatos da edição


editorial PUBLISHER Kathia Pompeu EDITORA-CHEFE Kathia Pompeu kathia@revistaconceitoa.com.br

O artista Marco Mussi e um dos seus estudos para a capa da revista, inspirada no personagem Mickey Mouse.

Influências do mundo As fronteiras geográficas diluem-se cada dia mais no modo de viver contemporâneo. As informações são compartilhadas na velocidade dos segundos, as pessoas estão conectadas e os territórios tornam-se quase abstratos. Uma fusão de culturas e costumes que, como nunca na história da humanidade, integram-se e interagem. Sinal dos tempos! Navegar é preciso, sim, em busca do cruzamento de ideias, da troca de interesses e descobertas de novos caminhos e interpretações sobre tudo: na arte, no design, na gastronomia, na arquitetura, no lazer e no modo de se relacionar com o mundo. Em sintonia com esses conceitos, a proposta desta edição é fazer um recorte apontando profissionais e produtos que se identificam com a multinacionalidade das referências estéticas e com o intercâmbio cultural. As influências do mundo que aportam, por exemplo, no apartamento de sotaque francês onde moram Ronald Goulart e Junior Grego, em frente à Baía de Guanabara. O Grand Tour europeu do antiquário Arnaldo Danemberg também abrange um novo endereço na cosmopolita São Paulo, fazendo uma ponte de estilo e estirpe com sua loja carioca. Já no território artístico, a obra de Nelson Leirner rompe qualquer barreira e viaja por releituras e apropriações de linguagem universal. Assim como Marco Mussi, artista experimental das ferramentas digitais, que recria na tela movimentos e tonalidades, sem amarras. Convidado para ilustrar a capa da edição, desconstruiu um dos maiores ícones criados no século XX – o Mickey Mouse – e deu forma pop ao personagem, numa interpretação que abusa do simbolismo e da geometria. Ficou um estouro! Por falar nisso, contamos também um pouco do nascimento de Mickey pela cabeça universalmente imaginativa de Walt Disney, criador de um reino de fantasias que inclui histórias, filmes e parques e que agora abriga em seu território o condomínio Golden Oak, com mansões e design que são puro encanto. Apresentamos ainda o trabalho do CEO Ricardo Werwie à frente da agência RBW, especializada em turismo e experiências de luxo, que transita pelo mapa-múndi movido pelo trabalho. Roteiros que incluem hotéis e restaurantes incríveis, como o italianíssimo Bene, no Sheraton Rio, que acaba de lançar um brunch combinando tradição britânica e receitas internacionais. Uma fusão de origens. Atravessando mares, o artigo da carioca Sarah Moreira conta como foi deixar para trás a carreira de public relations numa grande rede hoteleira e viver a bordo de um catamarã, ao lado do marido, em águas mediterrâneas. Uma aventura que poderia constar num dos capítulos de Tintim, o personagem de espírito itinerante criado pelo belga Hergé que comparece em livros, quadrinhos, cartuns e filmes e arrebata fãs por todos os continentes. Por essas bandas, conquistou o arquiteto Chicô Gouvêa em dimensões globais, um colecionador devotado a tudo relacionado ao tema. Enfim, são muitas ligações que aproximam diferentes mundos e enriquecem a maneira de olhar o que está à nossa volta. Embarque nessa leitura e boa viagem por nossas páginas. Kathia Pompeu Publisher / editora-chefe

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REPORTAGEM Elda Priami eldapriami@revistaconceitoa.com.br Marina Couto reportagem@revistaconceitoa.com.br REDAÇÃO Paulo Serpa redacao@revistaconceitoa.com.br FOTOGRAFIA Agência ÂNGULO foto@agenciaangulo.com.br Marco Antonio Rezende marco.rezende@agenciaangulo.com.br DIRETOR CRIATIVO Rodrigo Soares rodrigo@revistaconceitoa.com.br PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Ângulo Design | Estúdio RS COLABORADORES Alessandro Thomazini Aristides Corrêa Dutra Arnaldo Danemberg Betina Peppe Diniz Bruno Brum Felipe Dornelles João André Borges Juliano Colodeti Junior Grego Kitty Paranaguá MCA Estúdio Nathalia Pompeu Priscila Bentes Robson Curvello Sarah Moreira Thiago Pinto COMERCIAL Conceito Negócios comercial@revistaconceitoa.com.br IMPRESSÃO Grupo Smart Print CONCEITO A www.revistaconceitoa.com.br


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espaço

POR ELDA PRIAMI

Sintonia perfeita A obra da carioca Anna Paola Protasio traz o impacto dos contrastes inusitados. Em esculturas e instalações, ela usa materiais da construção civil e dá a eles uma poética singular. Na recente mostra, na Nohra Haime Gallery, em Nova York, e na Gaby Indio da Costa, no Rio, pedras, ferro, fios de arame, vidro e cimento ganham transcendência. Depois de trabalhar 20 anos como arquiteta, ela aposta na arte que se alimenta dos mistérios insolúveis do universo. Estuda Física, para tentar compreender as teorias de tantos gênios nesse campo, e admite que toda busca é apenas um desejo. “A escultura Pacto com o infinito é feita de um bloco de concreto, imobilizado, como se ignorasse a gravidade e a brutalidade de sua matéria, uma ligação com cabos de aço – usados para pesca de peixes em alto-mar –, em direção ao eterno”, diz. Ela une o elemento forte e o sutil.


Passado renovado Para as revistas Time e Wallpaper, o espanhol Jaime Hayon é um dos designers mais influentes da atualidade. Versátil, ele transita por móveis e luminárias, mas foi a partir do encontro com o dinamarquês Fritz Hansen que, aos 40 anos, conheceu o gosto do sucesso. A coleção mais recente, Palette Table, transgride o estilo da década de 1950 e está diretamente influenciada pelo rigor escandinavo. As mesas, com diferentes formas geométricas que se sobrepõem, são feitas com mármore, bronze, aço inoxidável e freixo. Jogo visual bem divertido. Suas peças são encontradas com exclusividade na Scandinavia Design, em São Paulo.

Em alta A atmosfera industrial voltou renovada ao décor. Agora, o foco são as luminárias. A nova coleção do light designer Maneco Quinderé tem traços geométricos da maior simplicidade.

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Impacto étnico Desde 2010, ano de sua primeira apresentação no Salão do Móvel de Milão, Sergio J. Matos coleciona prêmios, elogios da crítica internacional e reportagens em publicações importantes como o Financial Times. Os fios, as tramas e as formas do design que ele assina têm brasilidade espontânea e muito bela. O lançamento atual é a fruteira produzida por artesãos indígenas da Comunidade Nova Esperança, no Amazonas. Feita com varetas de madeira, a peça faz parte do Projeto Brasil Original Amazonas, promovido pelo Sebrae-AM. “O design se entrelaça com o artesanato refinado sob a aura da cultura nativa, cuja essência são a delicadeza e o respeito pelas divindades da floresta”, declara.

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Efeito gráfico Com as sandálias de Marcela Basto Lima, que criou a marca Marcela B., você circula com jeito italiano e bossa carioca. A estilista morou quatro anos em Milão e, desde 2012, abriu loja no Leblon. Hoje, ela é referência para a consumidora antenada, que valoriza beleza artesanal, qualidade e conforto. A aposta da temporada é o solado com plataforma, revival dos anos 70, mas em versão sofisticada e gráfica. Ela mistura texturas, cores e estampas diferentes com equilíbrio e sensibilidade.

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Perfeição oriental As esculturas em cerâmica de Kimi Nii, japonesa de Hiroshima, que chegou a São Paulo aos nove anos, emocionam pelas texturas, cores e formas completamente fora do padrão convencional. As peças atuais subvertem os contornos orgânicos e tomam como referência o mundo vegetal. Ver de perto cada obra é sentir um pouco da artista que conquista cada pessoa pelos sentidos. “Ao perceber a dificuldade de domar as manhas do fogo e da terra, resolvi impor meu desejo e tomar partido dessa característica do processo”, afirma Kimi Nii. Ela batizou de Capim a escultura vertical e de Zeppelin, a outra, com formato arredondado. Domínio técnico com nuances de surpresa.

Fotos: André Santana

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Jeito divertido Os italianos sempre tiveram uma queda pelo fun design, hoje um comportamento consagrado, sobretudo entre consumidores descolados. No Rio, a LZ Studio, em Ipanema, está com a coleção Riva 20, de móveis em madeira, em tom natural. São pequenas peças assinadas por nomes consagrados. O banco Boletus, de Alessandro Mendini, lembra cogumelos; a banqueta Vite Brugola, de Roberto Giacomucci, segue o conceito industrial; e o banco ou mesinha Cheese, de Simone Capello, lembra um pedaço de queijo. Brincadeira com humor refinado e acabamento tecnológico de ponta.

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espaço

Diálogo com o tempo Cartas de amor e amizade, páginas ilustradas de livros infantis, antigas revistas de riscos para bordar e um diário escolar de 1933. Assim começou a materialização poética de Memórias para se Vestir, uma série de vestidos-esculturas, da atriz e artista plástica Analu Prestes. O diário pertenceu a sua mãe e, diante de tantas memórias da sua infância, ela reviveu o encanto do “feito à mão”. Acrescentou selos antigos e imagens de uma coleção de cromos vitorianos. “Tudo estaria perdido se as lembranças ficassem aprisionadas naquele álbum de recordações. Em uma época em que a escrita é cada vez mais rara e as cartas são coisas do passado, esse trabalho emociona e toca as pessoas por sua delicadeza. Transformar é dar continuidade ao efêmero”, afirma. Impossível não se emocionar diante de vestidinhos que contam tantas histórias.

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nome próprio // nelson leirner

L’enfant TERRIBLE!

HÁ MAIS DE CINCO DÉCADAS SUA OBRA SUBVERTE A PRÓPRIA ARTE. COM VIGOR CRIATIVO E ANÁRQUICO, ELE PREPARA NOVA EXPOSIÇÃO POR ELDA PRIAMI RETRATO BRUNO BRUM FOTOGRAFIA ACERVO GALERIA

SILVIA CINTRA + BOX 4

DIALOGAR COM MESTRES DA ARTE é a provocação

com Henri Matisse. A próxima exposição já tem data mar-

estética característica de Nelson Leirner, um artista que

cada: novembro de 2016, na Silvia Cintra + Box 4, galeria

desafia códigos. Ao se apropriar de obras consideradas

que o representa no Brasil há mais de dez anos. Os objetos

ícones, ele expressa a sua identidade, sempre com refi-

industrializados são transfigurados em objetos artísticos

nadíssimo senso de humor, ironia sutil e anticonformismo. A visão inovadora e polêmica, desde o início da carreira, permanece intacta e inclui o lado fantasioso. Aos 83 anos, mostra uma vivacidade que se renova a cada dia e que não abre mão da transgressão.

através de seu senso de humor e de contestação. Como afirma sua amiga e galerista Silvia Cintra, “Nelson Leirner foi dos melhores encontros que a arte me proporcionou na vida. Grande artista, pensador, critico e dono de uma ironia ímpar que brinca o tempo todo com a importância sagra-

No disputado mercado de arte, suas obras atingem alto

da que damos à arte. Para mim, é uma honra conviver com

valor e estão presentes em coleções importantes, nacio-

esse homem que é um verdadeiro gentleman, generoso, e

nais e internacionais. Pioneiro em fazer performances,

que tem uma percepção tão singular da vida”.

happenings e instalações impactantes, nos anos 60 e 70, sempre surpreendeu com a vocação para o contexto al-

Alto e com gestos elegantes, esse paulistano de voz pau-

ternativo. Nunca estabeleceu fronteiras entre as artes e

sada e olhar atento esbanja estilo, em que nunca falta um

ele mesmo fez teatro, moda e shows. Nos últimos anos,

toque irreverente, como o colar de balangandãs que ele

intensificou seus diálogos, interferindo em obras-primas

renova a cada ano. É uma espécie de amuleto repleto de

criadas por Marcel Duchamp, Piet Mondrian, Claude Monet,

pequenos objetos, como apito, chave, moeda, cruz, estrela

Jackson Pollock, entre tantos outros. Nem mesmo a Mona Lisa, a mais famosa obra de Leonardo da Vinci, saiu ilesa. Pelo contrário, ela é uma das figuras mais visadas e transformadas pelo seu olhar. Ele bordou as bolinhas coloridas que Damien Hirst pintou; colocou As meninas, de Diego Velázquez, surpresas com um enxame de moscas; usou os rasgos de Lucio Fontana como zíperes. O diálogo mais

de Davi, figa, coração e anel. O jeito brincalhão é outra característica marcante. “Lembro-me que na infância, desde os oito anos, quando meus pais juntavam pessoas em casa, de repente eu tinha uma sacada irônica em relação aos assuntos. Isso foi transmutado para o meu trabalho. Sou mestre em dar umas cutucadas”, conta com sorriso enigmático.

recente foi com o sul-africano William Kentridge, em 2014,

Desde 1997, ele trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro por

na mostra As Sombras, na Silvia Cintra + Box 4, no Rio de

motivo mais do que romântico: apaixonou-se em 1995 por

Janeiro. Na ArtRio 2015, ele expôs almofadas que brincam

Liliana, com quem vive em contínua lua de mel. ►►

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Figurativismo abstrato (2013), adesivos sobre madeira.

O apartamento no Jardim Botânico é a perfeita tradução

sozinho e não tinha nada que me segurasse em São Paulo.

de sua obra. Na sala ampla, a grande estante com livros,

Minha mãe já tinha morrido, ela foi uma das figuras mais

objetos e brinquedos foi rigorosamente organizada por Li-

importantes da minha vida, e meu pai faleceu cedo. No

liana com estética primorosa. É o parque de diversão parti-

Rio, ela tinha uma estrutura familiar organizada e, diante

cular de ambos e nela estão as lembranças de viagens. Por

dessa logística, peguei a mala e vim pra cá”.

todos os lados da casa desse “colecionador compulsivo”, como ele mesmo se define, as obras de arte misturam-se

Com entusiasmo juvenil, ele conta que desde que se ca-

com objetos e brinquedinhos. “Aqui é uma casa over. Nós

sou com Liliana nunca mais viajou sozinho. “Em todas as

não temos mais lugar nem para guardar os livros, e eles

viagens, a trabalho e a passeio, ela sempre esteve comigo.

circulam o tempo todo pelos espaços. A mesma união que

Então, a casa tem muitas lembranças de nossas viagens”.

tenho com Liliana no meu trabalho também está presente

Com a memória afiada, ele conta onde comprou uma bol-

na decoração da casa. As coisas chegaram de acordo com

sinha com formato de zebra. “Foi na Lord & Taylor, em

nossas viagens, que foram muitas por causa das feiras de

Nova York, há 18 anos, e custou cem dólares. Carregamos

arte”. E eles continuam viajando. Em outubro passado, fi-

pela Europa um cachorro de porcelana do Jeff Koons, com

caram 20 dias em Nova York. “Gosto muito de andar pela

as orelhas para fora da embalagem. Também trouxemos

cidade, de sair à noite e ouvir um bom jazz, passear pelo

um múltiplo de Limoges da Yayoi Kusama, que comprei

Village, ir ao Carlyle ver Woody Allen tocar. Musicais da

na feira de Basel com o dinheiro que ganhei na venda de

Broadway não me interessam”.

um trabalho meu. Temos um pequeno Andy Warhol, um Lichtenstein. Nossas viagens estão aqui”. O lado infantil

Trocar de cidade por amor é para os fortes e audaciosos.

está preservado em um armário cheio de brinquedos, al-

Ele ri e confirma: “Vim para cá porque me casei com a Lilia-

guns bem raros e antigos, como Mickey e Pluto de borra-

na. Eu a conheci quando ela tinha 18 anos. Na época, cada

cha, presentes de Mariana Ximenes, que os encontrou em

um seguiu sua vida e nos reencontramos 25 anos depois.

um antiquário. Ele se diverte com as lembranças e admite:

Ela é 20 anos mais nova do que eu. Liliana é uma parceira

“Sou um acumulador de emoções”.

incrível. Quando resolvemos nos casar, foi um ato pensado. Tenho quatro filhos e três netos. Meus filhos já eram

Até 1997, Nelson Leirner foi professor na Fundação

adultos. O caçula, há 20 anos, estava com 20 e poucos

Armando Álvares Penteado (FAAP) e teve grande relevân-

anos. A Liliana tinha dois filhos ainda crianças. Eu estava

cia na formação de vários artistas.

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Homenagem a Mondrian I (2010/2013), fotografia e puxadores.

Ao chegar ao Rio, coordenou durante dois anos um curso

via espaço para colocar tanta gente. Isso causou certo

na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage. “Não há

mal-estar entre os professores e foi o primeiro proble-

dúvida de que a mudança para o Rio causou uma ruptura

ma que enfrentei aqui. O segundo foi o comportamento

em minha vida, porque deixei a Faap e os amigos. Mesmo

de alguns alunos que apareciam uma vez e sumiam, só

indo muito para São Paulo, nunca é a mesma coisa. Desde

atrapalhavam os outros. Naquela época, ano 2000, eu

o começo de meu casamento, há 20 anos, a Liliana me dá

acreditava que dar aula tinha relação com formar artistas.

muita força no trabalho e discute comigo os projetos. Dei

Comecei a fazer exposições com os trabalhos dos alunos

aula durante 27 anos na Faap e, ao parar, ficou um vácuo.

e isso não agradou à diretoria e nem aos outros profes-

Tentei dar aula no Rio, mas não consegui me adaptar”.

sores, que achavam que o aluno não deveria ser profissionalizado no caminho da arte. Fiquei dois anos e saí”.

Entre os cinco mil alunos que teve na Faap, alguns tornaram-se artistas famosos, como Luiz Zerbini, Leo-

A partir daí, ele deu aulas em seu estúdio para pequenos

nilson, Leda Catunda, Sergio Romagnolo, Iran Espírito

grupos e também no espaço onde hoje é a galeria Merce-

Santo e Ana Maria Tavares. “A troca era muito boa. Em

des Viegas. “Tinha um bom diálogo com as pessoas, mas

arte, a gente não pode ser rígido, mas é preciso cumprir

comecei a ficar cansado de dar aulas. Percebi que era hora

algumas regras. Quando comecei a dar aula no Parque

de parar. Até hoje, recebo pessoas que vêm mostrar seus

Lage, tive, na mesma sala, mais de cem alunos, não ha-

trabalhos e faço uma leitura sem compromisso. As aulas ►► Conceito A N. 18 2016

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que eu dava eram muito sérias, mesmo com toda a irreverência e as brincadeiras, porque o objetivo era a profissionalização dos alunos”. Depois de ter um estúdio durante muitos anos no primeiro andar do prédio onde mora desde que veio para o Rio, Nelson optou por trabalhar em casa. “Quando você tem um espaço (e eu sempre tive), sente-se na obrigação de estar presente. Quando passava uma semana e eu não entrava nele, me sentia culpado. Como trabalho com objetos, resolvi não ter mais ateliê. Faço os projetos e terceirizo, o que facilita muito a vida. Hoje é possível esse esquema. Tenho o fotógrafo, que me atende muito bem, uma produtora, o marceneiro, o vidraceiro, pessoas que já sabem o que espero delas. Desenho e passo para eles. Não preciso mais ter um ateliê nem ficar pensando: será que desço?

O milagre (1967), técnica mista.

Sem título (2014), da série Uma conversa com WK, técnica mista.

34 Conceito A N. 18 2016


Com apelo kitsch e lúdico e forte crítica social, seu estilo de apropriação de quadros dos grandes mestres começou nos anos 60. “A partir de 1964, deixei a pintura. Lembro bem da época porque surgiu a minissaia com a loja Bibba, de Barbara Hulanicki, em Londres. A modelo Twiggy foi o símbolo máximo dessa transição e, aqui no Brasil, a Rhodia foi pioneira em todos os movimentos de moda. Depois disso, ainda não veio nova transição e me lembro porque era atuante. Foi um tempo mítico, com grandes happenings na arte e rebeldia na vanguarda. A cena internacional estava tomada pelas performances. Venho de uma família de artistas: minha mãe, Felícia Leirner, era escultora e meu pai, Isaí Leirner, além de ter uma fábrica têxtil, foi um dos fundadores e depois diretor do Museu de Arte Moderna (MAM). Por isso, a atmosfera artística sempre esteve presente em mim. Quando me perguntam como comecei a carreira, respondo que tinha duas probabilidades: fazer arte ou trabalhar. Minha cabeça foi para o lado da arte. Essa grande virada não é de hoje, tem mais de 60 anos”. Em sua opinião, atualmente, a banalização da arte pela

Da série Você faz parte (2011), máscaras, espelhos e madeira.

sociedade de consumo é total. “Com nome ou sem nome, você pode plantar bananeira que o pessoal te consome como a coisa mais normal do mundo. A questão está no olhar: acho que as pessoas não olham o mundo. O que as pessoas deveriam aprender com meu trabalho, o que quero passar com o que faço é ensinar as pessoas a olhar tudo. Você anda o dia inteiro, caminha, olha, mas não enxerga. Tem de aprender a enxergar quem está na rua, quem passa na sua frente, o que está numa banca de jornal, o que está em uma loja. O ato de enxergar chega à conscientização do mundo em que se vive. Nesse momento, você começa a

Quadro a quadro (2012), da série Cem Monas, técnica mista.

ter consciência do que está acontecendo ao seu redor. No meu trabalho, está a mensagem para que a pessoa aprenda a olhar e a conscientizar o que está à sua volta. As coisas mudam, as opiniões mudam, o livro de cabeceira muda. A vida é uma mudança constante”. Um dos artistas mais revolucionários e importantes de nosso tempo tem a sensibilidade estruturada em símbolos urbanos e nunca perde de vista o garoto que existe dentro dele. E como bom enfant terrible, sempre está pronto para a próxima travessura. Qual será?

t

Conceito A N. 18 2016

35


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portfólio // fábio bouillet e rodrigo jorge

TONS

E TEXTURAS OS ARQUITETOS APOSTARAM EM DIFERENTES SOLUÇÕES PARA PROJETAR UM SOFISTICADO APARTAMENTO NA BARRA

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POR MARINA COUTO FOTOGRAFIA KITTY PARANAGUÁ, MCA ESTÚDIO


AMBIENTES ESPAÇOSOS E FUNCIONAIS, sem perder

plica Fábio. Assim, nos 390 metros quadrados, os ambien-

o clima aconchegante para curtir a família e receber os

tes ficaram dispostos em salas de estar, jantar e almoço,

amigos. Com esse pedido em mente, os arquitetos Fábio

adega, lavabo, quatro suítes, closet, sala de cinema, brin-

Bouillet e Rodrigo Jorge projetaram um elegante aparta-

quedoteca e área de serviço, além de uma enorme varan-

mento na Barra da Tijuca para um casal e seus três filhos.

da com vista privilegiada para o mar.

“Conhecemos o casal através de um amigo em comum. Desde então, já é o terceiro projeto que fazemos para a

O projeto tem uma linguagem contemporânea, com es-

família”, conta Rodrigo.

paços integrados e cores neutras, pontuadas por tonalidades mais vibrantes. Na sala de jantar, por exemplo, a

Sabendo as preferências e os anseios dos moradores, os

mesa retangular azul-turquesa não passa despercebida

arquitetos tiveram total liberdade para criar e propor so-

em meio ao marrom e ao preto, tons predominantes do

luções na residência. “Foram feitas algumas intervenções

ambiente. Os três pendentes dispostos acima da mesa

no layout da planta original, como a derrubada de alvena-

finalizam o décor com sofisticação, junto com as obras de

rias, para atender às necessidades dos proprietários”, ex-

Bernard Pras e Carlos Aires. ►►

Conceito A N. 18 2016

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Aliás, arte e design não faltam nos espaços principais. Esculturas de Ascanio MMM, Rodrigo Saramago e Domingos Tótora, quadros de Carlos Araújo e objetos de Regina Medeiros e João Armentano são alguns dos muitos elementos estéticos encontrados pela casa. Como os moradores queriam investir em peças novas na decoração, os arquitetos sugeriram artistas e obras que combinassem com o estilo do casal. E acertaram em cheio! Na sala de estar, o espaço foi aproveitado com maestria. Os sofás foram distribuídos de maneira que facilitassem a livre circulação e valorizassem a amplitude. “Propusemos um ambiente em que todos se sentissem bem, aconchegados, além de ser prático para o dia a dia da família”, afirma Rodrigo. ►►

40 Conceito A N. 18 2016


Conceito A N. 18 2016

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Detalhe da entrada da sala de jantar. Na pรกgina ao lado, a mesa azul-turquesa dรก bossa ao ambiente. 42 Conceito A N. 18 2016


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44 Conceito A N. 18 2016

O piso em mármore, combinado ao papel de parede neutro,

ambientação chique e discreta na sala de almoço. A mesa,

dá leveza ao espaço. Os arquitetos também optaram pela

estruturada em melamina bronze e com tampo espelhado,

neutralidade no mobiliário e nos acessórios, apostando

dá um toque moderno à sala. O marrom-escuro do forro

nas cores cinza, marrom e preto. O projeto luminotécnico,

das paredes, dos armários e do teto faz um contraponto à

com luzes pontuais, garante o conforto e o aconchego que

parede de tijolos aparentes, na qual se encontra a adega,

o ambiente pede. Fábio e Rodrigo também criaram uma

em um mix certeiro de texturas e tonalidades. ►►


Sala de almoço, que exibe cores sóbrias e madeira. À direita, a adega mantém a proposta sofisticada.

Conceito A N. 18 2016

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Cores vibrantes e objetos lúdicos decoram a sala de cinema.

Para garantir a curtição em família, a dupla projetou ainda

cinza e marrom-escuro, trouxeram o clima de aconchego

uma sala de cinema, com direito a icônicos personagens

proposto”, diz Fábio. Em relação ao décor, tanto no quarto

emoldurados em pequenos quadros acima do sofá. A diver-

do casal quanto no dos filhos, os arquitetos mantiveram a

tida obra do artista Felipe Barbosa também tem seu espa-

estética contemporânea, sem deixar de considerar a per-

ço na parede, deixando o clima ainda mais lúdico. O colorido

sonalidade de cada um.

está presente ainda nas almofadas e na mesinha de centro, que faz uma singela composição entre cinza e amarelo.

A combinação de diferentes texturas e toques de cores vi-

Nas áreas íntimas, a pedida era ter conforto e exclusivi-

na medida certa, além de ser marca registrada do traba-

brantes na base neutra deixou o apartamento sofisticado dade. Para isso, Rodrigo e Fábio investiram na marcenaria.

lho de Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge. Com o aval dos mo-

“Optamos por acabamentos de marcenaria não tão usuais.

radores, os arquitetos apostaram em soluções criativas e

As paredes forradas em madeira, em especial em tons de

46 Conceito A N. 18 2016

alcançaram resultados impecáveis.

t


PROJETO Arquitetos FÁBIO BOUILLET E RODRIGO JORGE Mobiliário B&B ITÁLIA, FINISH, NOVO AMBIENTE, WAY DESIGN Papel de parede ORLEAN Mármores MARMORARIA ROYAL Tecidos e couros EMPORIO BERALDIN Cortinas e persianas ORLEAN Luminárias LUMINI Obras de arte MARCIA BARROZO DO AMARAL GALERIA DE ARTE, SERGIO GONÇALVES GALERIA, GABINETE DUILIO SARTORI

Suíte do casal, projetada com estética contemporânea, mas sem abrir mão do conforto.

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c

portfólio // rodrigo béze e carlos carvalho

onceito indus trial

É DIFÍCIL DIZER O QUE MAIS chama a atenção nesse

apartamento em Ipanema. Isso porque a residência es-

banja personalidade em cada cantinho, uma característica do trabalho dos arquitetos Rodrigo Béze e Carlos Carvalho, que comandam o Studio ro+ca. Seguindo um conceito contemporâneo e industrial, alinhado à realidade e aos anseios dos proprietários, a dupla assina alguns dos projetos mais descolados da cena carioca – e com esse não foi diferente. Para deixar o espaço mais urbano e cosmopolita, os arquitetos remodelaram todo o layout da residência ipanemense, sem deixar nenhuma parede da planta original. Assim, o apartamento ficou mais harmonioso, dividido em sala, cozinha, área de serviço, quarto de hóspedes, lavabo e uma suíte. Quanto aos revestimentos, a dupla priorizou os materiais naturais e em sua forma bruta, como concreto e pedras, criando uma caprichada atmosfera hi-lo. ►► 50 Conceito A N. 18 2016

APARTAMENTO DE JOVEM SOLTEIRO EXIBE ATMOSFERA COSMOPOLITA E URBANA, PERFEITA PARA RECEBER OS AMIGOS POR MARINA COUTO

FOTOGRAFIA JULIANO COLODETI,

MCA STUDIO


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O proprietário – jovem advogado na faixa dos 30 anos – também desejava um espaço em que pudesse receber os amigos e festejar com eles. Por isso, os arquitetos valorizaram os 98 metros quadrados da residência com ambientes integrados e soluções criativas, para os animados encontros da turma. Uma delas é a grande bancada em granito preto que divide a cozinha da sala, servindo de apoio para um bar nos dias de festa. Na sala de estar, o morador e seus amigos ficam bem à vontade, ainda mais com o vibrante e confortável sofá pink e o convidativo letreiro em neon preso na parede. Os convidados também podem se acomodar no extenso banco de concreto que corta todo o ambiente e também serve de apoio para os objetos com pegada fun. ►►

O sofá pink com mais de três metros de comprimento deixa o morador e seus convidados à vontade na sala de estar do descolado apartamento em Ipanema.

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A bancada em granito preto na cozinha tem dupla função: dividir o ambiente da sala e servir de apoio para o bar em dias de festa. Na página ao lado, destaque para a mão francesa estrutural mantida no projeto.

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Conceito A N. 18 2016

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56 Conceito A N. 18 2016


No banheiro social, a tubulação aparente deixa o espaço

Já no quarto principal, eles seguiram à risca os desejos do

com uma bossa mais industrial. Segundo os arquitetos,

morador. “Uma das exigências do cliente era ter um grande

essa tubulação não estava sendo mais utilizada, mas

armário e uma TV de frente para a cama”, conta Carlos. Por

eles resolveram mantê-la para compor o ambiente. Além

isso, os arquitetos acoplaram a TV atrás da porta de es-

disso, uma caixa de concreto é utilizada como pia, com-

pelhos, para aproveitar todas as medidas do quarto. “Essa

posta ainda de uma peça em granito preto, bruto, que

porta é da mesma espessura que as outras do armário. As-

comporta a saboneteira.

sim, não perdemos espaço algum”, complementa Rodrigo.

Outro aspecto interessante na casa é a porta que dá

Para finalizar, uma cabeceira iluminada, revestida em papel

acesso ao quarto de hóspedes. Carlos e Rodrigo resolve-

de parede cinza, atravessa toda a extensão do quarto até

ram fugir do óbvio e optaram por uma porta de rolo preta,

o pequeno escritório, com prateleiras em chapas de ferro

que pode ser recolhida, unificando o espaço à área social.

embutidas acima da bancada. Originalidade sob medida!

t

PROJETO Arquitetos RODRIGO BÉZE E

Piso PEDRAS INTELIGENTES

CARLOS CARVALHO

Textura de concreto

Mobiliário ARQUIVO CONTEMPORÂNEO,

STEPHAN JAVELLE

LZ STUDIO

Automação e sistema de som

Luminárias LUMINI

ALTA FIDELIDADE

Papel de parede e cortinas ORLEAN

Acessório de banheiro VALLVÉ

Tecidos ESPAÇO MULTI, STELLA TECIDOS Armários e cozinha FLORENSE IPANEMA

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Conceito A N. 18 2016

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portfólio // alexandre gedeon e hugo schwartz

DE

LI BER DA 60 Conceito A N. 18 2016

COMO JÁ CONHECIA E APRECIAVA AS IDEIAS E O TRABALHO DOS ARQUITETOS, O PROPRIETÁRIO DO APARTAMENTO EM COPACABANA DEU CARTA BRANCA À DUPLA POR MARINA COUTO FOTOGRAFIA MCA ESTÚDIO

Total


No projeto dos arquitetos Hugo Schwartz e Alexandre Gedeon, os ambientes totalmente integrados seguem o conceito de loft.

QUANDO O CLIENTE CONFIA no trabalho do arquite-

Na cozinha, os arquitetos optaram por revestir a parede

to, tudo flui com mais naturalidade. Assim, Alexandre

com cerâmica [PORTOBELLO], por conta da fácil manu-

Gedeon e Hugo Schwartz, da Intown, tiveram total liber-

tenção e limpeza, e lançaram mão de corian na bancada

dade ao projetar um apartamento para um jovem solteiro

da pia. Já os banheiros ganharam um acabamento mais

em Copacabana. “O morador nos deixou bastante à von-

bruto, com cimento queimado nas paredes e no piso do

tade para que fizéssemos como se fosse o nosso aparta-

boxe. Para suavizar o efeito, mármore branco piguês nas

mento. Auxiliamos até mesmo nos pequenos detalhes da

bancadas e nas cubas.

decoração”, diz Alexandre. Seguindo o conceito de loft, com espaços mais aberO imóvel de cem metros quadrados passou por profundas

tos e integrados, a dupla uniu todos os ambientes

intervenções para ficar mais moderno e arrojado. “Todos

da área social. Nos interiores, Hugo e Alexandre prio-

os revestimentos de piso e parede foram retirados. As

rizaram um design de linhas retas e simples. Logo na

paredes foram demolidas e as instalações refeitas com-

entrada, em uma das paredes laterais, nota-se um cui-

pletamente. As esquadrias também foram subtituídas”,

dadoso trabalho de marcenaria nas extensas prate-

complementa Hugo. Madeira tauari e cumaru, em tama-

leiras, nas quais ficam expostos alguns quadros e os

nhos diversos, revestem o piso de todo o apartamento.

livros do morador. ►► Conceito A N. 18 2016

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62 Conceito A N. 18 2016


Design assinado e um cuidadoso trabalho de marcenaria na parede lateral compõem a sala de jantar.

Em seguida, chega-se à cozinha, o grande destaque do projeto. “Essa integração deve ser pensada e executada com muito cuidado para não transpor uma visão desagradável para os outros ambientes. A cozinha totalmente aberta é uma ousadia que poucos clientes costumam topar, ressalta Alexandre.” Minimalista, a cozinha [ORNARE] não tem barreiras com a sala de jantar. O espaço, por sua vez, ganhou requinte com as cadeiras Panton brancas e vermelhas que cercam a mesa. Como o morador é apaixonado por grafite e arte urbana, os arquitetos finalizaram o décor com um colorido quadro de Toz e espalharam pela casa obras de outros artistas, como Tinho e Paulo Vieira. Mais à frente, cinza e marrom compõem a paleta de cores da sala de estar. Atrás do sofá, porém, um aparador amarelo com duas poltronas pretas completa o ambiente e serve como local de trabalho para o proprietário. O apartamento linear conta ainda com uma suíte máster, closet, banheiro social e uma pequena área de serviço. Quanto à iluminação, que os arquitetos consideram um fator essencial nos projetos, optou-se por uma linha mais cenográfica, como explica Hugo: “Pontos de luz sobre alguns elementos e texturas, atrás da marcenaria da sala e da cozinha, e luminárias decorativas são algumas das soluções que encontramos para deixar a iluminação desse projeto muito mais interessante”. Com uma atmosfera masculina e atemporal, o projeto de Alexandre e Hugo superou as expectativas do proprietário.

t

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Ao lado, detalhe da suíte master. No estar, acima, a dupla priorizou as cores neutras, como cinza e marrom.

PROJETO Arquitetos ALEXANDRE GEDEON E HUGO SCHWARTZ Mobiliário WAY DESIGN, ARQUIVO CONTEMPORÂNEO Luminárias LUMINI Cortinas e persianas SIENA CHATACK Tecidos e couros EMPORIO BERALDIN Cozinha e armários ORNARE Cerâmica PORTOBELLO Piso de madeira FOREX BRASIL Marcenaria decorativa MARCENARIA MÓVEIS FERREIRA Vidros e espelhos QUALITAS VIDROS Esquadrias de alumínio ASTRAL NOVO SERRALHERIA Ar condicionado LIDOAR Home theater e som ambiente IMAGEM DIGITAL Objetos de arte GALERIA MOVIMENTO Construção INTOWN ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO

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Fotógrafo Marcio Irala - Modelo Flávia C. Irala

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portfólio // bernardo schor e rogério antunes

CH

IQ

UE

E COOL

COM PROJETO CONTEMPORÂNEO, A RESIDÊNCIA CARIOCA ESBANJA PRATICIDADE, COMBINANDO TONS NEUTROS E AMBIENTES INTEGRADOS POR MARINA COUTO FOTOGRAFIA ROBSON CURVELLO

EM UMA PARCERIA PROFISSIONAL de mais de 30 anos, os arquitetos Bernardo Schor e Rogério Antunes exploram em seus projetos a combinação entre as formas retas e sinuosas. Como resume Rogério: “Nossa formação acadêmica nos impulsiona à criação de espaços dinâmicos. Acreditamos que essa liberdade de expressão representa a real valorização do design de interiores. O restante é meramente decorativo”. Admirador do trabalho dos arquitetos, o proprietário desse apartamento de cem metros quadrados, localizado no Leblon, chamou os profissionais para tocar a reforma de sua residência. Divorciado, ele queria um espaço para receber a filha, além de desejar um ambiente mais funcional e prático. “Priorizamos no projeto uma arquitetura contemporânea que envolve conforto, design e funcionalidade, permitindo a impressão da personalidade e dos hábitos do morador”, conta Rogério. Para isso, algumas mudanças estratégicas foram necessárias. A dupla redimensionou os cômodos e incluiu um lavabo, além de integrar a varanda à sala. “Alteramos os sentidos de abertura das portas deslizantes. Dessa forma, os espaços se comunicam fisicamente, oferecendo também maior liberdade visual”, justifica Bernardo. ►►

66 Conceito A N. 18 2016


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Na sala de estar, a predominância do cinza, com destaque para o nicho em aço corten.

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Na área social, o piso em nanoglass branco traz amplitu-

Um grande painel em mármore italiano, acima do

de e permite variações nos revestimentos e nos objetos

móvel em laca branca, destaca-se no lado opos-

decorativos. Na paleta de cores, o cinza se repete no sofá,

to, transmitindo brilho e movimento à parede da TV.

nas almofadas e na parede em tom de concreto. O nicho

As duas mesas com tampo de vidro, rodeadas por cadei-

com fundo em aço corten arremata o espaço com sofisti-

ras em tons de vermelho, mantêm a proposta elegante e

cação, valorizando as linhas retas da arquitetura.

masculina do espaço. ►►

Conceito A N. 18 2016

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70 Conceito A N. 18 2016


A mistura de revestimentos também é notada no lavabo, que não fazia parte do projeto original. “Levando em consideração o modo de vida do nosso cliente, tivemos total liberdade para propor cores e estilos”, conta Rogério. Prova disso é o mix de madeira e painel de vidro preto no espaço, um contraponto à claridade da sala, deixando-o bem mais arrojado.

Detalhe para a entrada do lavabo e, abaixo, a suíte do proprietário. Na página anterior, o mármore italiano que reveste a parede de TV deixa o ambiente mais arrojado.

Nas áreas íntimas, a escolha da cor branca na suíte máster traz leveza visual, aliada ao conforto da cabeceira em couro marrom. No banheiro, portas de blindex foram usadas apenas para dividir as áreas molhadas, arrematadas com pastilhas em tom azul royal nos acabamentos das paredes. A bancada do banheiro integra-se ao quarto, garantindo, assim, a amplitude e a privacidade na medida certa. Para a suíte da filha, a pintura branca das paredes evidencia o painel em laca roxa acetinada, que acomoda um nicho para o apoio da cama. A proposta jovial continua no banheiro da menina, com a parede principal revestida em chapa de melamina, com plotagem de motivos nova-iorquinos. Para completar, o projeto de iluminação, feito em parceria com a Relumi, potencializa ao máximo o conforto e o aconchego. “O diferencial foi a possibilidade de proporcionarmos diferentes intensidades de luz através da utilização de dimers automatizados em todos os cômodos”.

t

PROJETO Arquitetos BERNARDO SCHOR E ROGÉRIO ANTUNES Mobiliário FLORENSE, FINISH, OFICINA INGLESA, QUARTO COMPOSTO Armários de banheiro FLORENSE Cabeceiras CR SANTOS

Conceito A N. 18 2016

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portfólio // adriana leal

DESEJOS

Realizados OS MORADORES TINHAM MUITAS IDEIAS PARA A ESPAÇOSA RESIDÊNCIA NA BARRA DA TIJUCA. A DESIGNER DE INTERIORES ADRIANA LEAL CONCRETIZOU TODAS ELAS COM EFICIÊNCIA E REQUINTE

POR MARINA COUTO FOTOGRAFIA ALESSANDRO THOMAZINI

As características da residência eram favoráveis: 900

“Para não ficar monótono, uso cores e texturas nos ob-

metros quadrados, distribuídos em três andares, com ar-

jetos de decoração, mas a base permanece neutra, faci-

quitetura assinada pelo renomado Jorge Brezinski. Mas

litando uma nova composição – sem contar que amplia o

o projeto ganhou uma bossa toda especial nas mãos da

ambiente”, explica a profissional.

designer de interiores Adriana Leal, que conseguiu transformar todos os pedidos dos moradores em ambientes re-

Como o proprietário adora cozinhar e receber os amigos

finados e muito charmosos.

nos fins de semana, Adriana incluiu um espaço gourmet na área externa, que não constava no layout original. “Além

A família, um casal com dois filhos, desejava uma casa

da estética, minha preocupação era desenvolver um am-

clean, que aproveitasse ao máximo a luz natural. Por isso,

biente confortável, com revestimentos de fácil limpeza e

foram providenciais a escolha por uma base neutra e o uso

manutenção”. Entre as opções, porcelanato para o piso e

de vidro em portas, painéis e guarda-corpo das escadas.

madeira, presente em boa parte do mobiliário. ►►

72 Conceito A N. 18 2016


Na sala de estar, a madeira traz conforto e aconchego ao ambiente.

Conceito A N. 18 2016

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Uma paleta de cores neutras e o uso do vidro foram as escolhas da designer Adriana Leal para garantir uma casa clean e sofisticada.

As banquetas Bertoia distribuídas ao redor da bancada

Para finalizar, espelhos foram posicionados em locais

principal valorizam ainda mais o projeto. Além do espaço

estratégicos para garantir a sensação de amplitude

gourmet, a área externa conta ainda com piscina, sauna e

do primeiro andar, que inclui também home theater,

um parquinho para a neta brincar.

lavabo e cozinha.

A moradora, por sua vez, queria uma sala ampla e acon-

A proprietária desejava ainda um ambiente para expor

chegante. A designer, então, unificou a sala de estar à de

suas esculturas em bronze, prontamente criado por Adria-

jantar, com elementos que atendem às necessidades da

na no corredor do segundo andar, que comporta as quatro

família. “Utilizo muito a madeira, para aquecer o ambien-

suítes. “Resolvi fazer três painéis de madeira laqueada,

te e deixá-lo mais acolhedor. E não podem faltar flores,

em branco fosco, para expor as esculturas, com ilumina-

pois elas transformam qualquer projeto”. Com predo-

ção pontual voltada para cada uma delas. Entre um painel

minância do bege e do marrom, os espaços exibem uma

e outro, foi usado papel de parede com pedrinhas na cor

atmosfera rústica e despojada, e as almofadas em tons

bege, que a dona tinha guardado há anos e nunca foi utili-

de azul e branco compõem uma interessante mistura.

zado. O resultado agradou muito!”. ►► Conceito A N. 18 2016

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Sótão, inspirado nos descolados pubs londrinos.

Os filhos do casal também ficaram muito satisfeitos. Isso

A iluminação projetada por Adriana também merece des-

porque, no sótão, localizado no terceiro andar da residên-

taque. “A ideia era valorizar os pontos altos da decoração,

cia, a profissional projetou um espaço de entretenimento,

pensando também na economia. Por isso, todas as lâmpa-

com direito a jogos, pista de dança e bar. “O mais novo que-

das utilizadas são de led, inclusive as da área externa”. No

ria um local para expor sua coleção de camisas oficiais de

sótão, para criar um efeito mais dramático, a designer uti-

futebol. O filho mais velho, uma boa automação de som na

lizou trilhos brancos no teto. “A iluminação é tudo em um

casa. Ambos ainda desejavam um espaço para dançar, jo-

projeto. Ela complementa ou detona, caso não seja feita

gar e curtir com os amigos. Com tantos pedidos, aproveitei

de forma adequada”.

o enorme espaço do sótão para criar múltiplos ambientes”. Com muita experiência em projetos de alto padrão, AdriaOs descolados pubs de Londres serviram de inspiração

na Leal sabe colocar em prática os anseios dos moradores,

para a designer. No centro, Adriana colocou uma mesa de

sem deixar de lado a harmonia na composição dos ambien-

sinuca branca, com destaque para o ousado tampo verme-

tes. “Como designer de interiores, tento sempre descobrir

lho. Madeira no piso e papel de parede que remete a tijolos

primeiro qual o estilo que o cliente gosta e se identifica,

de demolição mantêm a proposta despojada. As referên-

para depois decidir qual caminho pretendo seguir. Nesse

cias londrinas se estendem na decoração, com objetos es-

caso, resolvi desenvolver algo que fosse sofisticado, por

tampados com motivos ingleses. O longo armário de por-

conta do perfil dos moradores, mas ao mesmo tempo mui-

tas transparentes exibe a coleção de camisas com primor.

to prático e funcional”.

76 Conceito A N. 18 2016

t


A designer criou uma espaçosa área externa, com materiais de fácil manutenção.

PROJETO Designer de interiores ADRIANA LEAL Mobiliário interno BRETON, ARTEFACTO, EDNO INTERIORES Mobiliário externo TRANÇARTE Objetos de decoração VELHA BAHIA, AMAZONIA, GUIMAR Luminárias QUARTZ ILUMINAÇÃO Cortinas LINHAS E FIOS Tapetes CASA JÚLIO Pisos PORTINARI Climatização KLD REFRIGERAÇÃO Home theater ITSTORE Automação ITSTORE Acessórios de banheiro ALTERO Telas EDNO INTERIORES

Conceito A N. 18 2016

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espaรงo do arquiteto// bel lobo e bob neri

Na grande sala de trabalho, pufes para relax.

78 Conceito A N. 18 2016


bel lobo e bob neri

Descoladíssimos! A ATMOSFERA RETRÔ CONTEMPORÂNEA TRADUZ UM ESTILO INCONFUNDÍVEL. O LUXO ESTÁ NO VIÉS DA SIMPLICIDADE POR ELDA PRIAMI FOTOGRAFIA BRUNO BRUM

CARISMA É O QUE NÃO FALTA a Bel Lobo e Bob Neri. Eles captam com sutileza as transformações do mundo e, como poucos, colocam em cada projeto muito charme e consciência ambiental. São casados, trabalham juntos no mesmo espaço desde 2005, mas cada um cuida de um grupo de clientes. Há cumplicidade amorosa entre eles, seja nos gestos espontâneos, no prazer das afinidades profissionais, na troca de ideias, nos planos futuros e no requintado senso de humor. O temperamento vibrante e o sorriso luminoso de Bel fazem um contraponto perfeito com o jeito mais sóbrio, porém receptivo e sensível, de Bob. Juntos, eles valorizam o melhor da aura carioca, leve e sofisticada. Ambos atuam, principalmente, no segmento de lojas e restaurantes e assinam projetos de marcas importantíssimas. Consagrados no mercado, conseguem incluir detalhes personalizados em cada produto, mesmo diante da força da estética internacional. Assim, com soluções criativas e festejadas pelos clientes, desviam-se dos clichês, fazendo da madeira um símbolo que sempre ganha linguagens inusitadas. Com a habilidade de entrelaçar as referências do passado com as do presente, eles propõem uma visão de futuro. Coisa de mestres! Encontrar com Bel e Bob na casa que transformaram em escritório é uma experiência sensorial e um passeio pelo tempo. Construído em 1930, numa rua aristocrática do Cosme Velho, tradicional bairro carioca, o imóvel tem três andares, 500 metros quadrados e um plus: nos anos 70, foi reformado por Sergio Bernardes. Há uma atmosfera clean e, por todos os lados, obras de arte contemporânea, móveis e objetos de designers de ontem e de hoje. ►► Conceito A N. 18 2016

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Bel conta como descobriu a casa. “Li no jornal o anúncio: ‘Casa com quatro quartos, no Cosme Velho’. Estava com dinheiro para comprar um apartamento de três quartos, em Ipanema, já que alugava duas salas para escritório no bairro. Não resisti e vim ver. Assim que entrei, tive a certeza de ter encontrado o que desejava. Nem sabia que era projeto do Sergio Bernardes”. Bob completa: “Em 98, compramos a casa, Bel fez uma reforminha e, em 99, a gente veio morar aqui”. Bel continua: “Estamos nesta casa há 16 anos. Em 2005, o Bob saiu da Richards, onde era contratado, e colocamos aqui também o escritório. Ela estava monNo térreo, ficam uma parte da equipe, a copa e o almo-

tada. Tinha um aparador vermelho, mas era muito escura,

xarifado. No segundo andar, outra parte da equipe e, no

triste. Tinha um toldo que tampava toda a luz, estava bem

terceiro piso, de um lado, a enorme mesa de Bel, e, do

abandonada. Demos uma clareada e não adaptamos nada,

outro, uma salinha intimista, refúgio de Bob. Pufes colo-

não mexemos em nada. É tão cheio de poesia este lugar,

ridos misturam-se com a linha de móveis m.o.o.c (móveis,

tão lindo!”. Bob relembra a parte prática do sonho: ”Fica-

objetos e outras coisas), que lançaram na edição 2015,

mos negociando durante um ano. Quando já estava quase

comemorativa dos 25 anos do Casa Cor Rio de Janeiro.

fechando o aluguel de um apartamento, no Leblon, onde

Algumas peças de brechó, paixão de Bel, também estão

poderíamos colocar também o escritório, conseguimos

no espaço. Tudo é informal. “Por ser uma casa projetada

comprar esta casa”.

pelo Sergio Bernardes, mantivemos a estrutura. Aqui em cima, é também uma área de descontração e, às vezes, as pessoas dão uma relaxada. Outro dia, eu mesma cochilei no pufe”, confessa Bel. Impressiona a beleza da janela, que vai do chão ao teto e ocupa toda a parede, com persiana de vidro que expõe o vigor da natureza no jardim. “O Bob faz ioga aqui, em algumas manhãs, e também promovemos palestras. A galera amiga costuma dizer que somos o CCBB – Centro Cultural Bel e Bob. Até pouco tempo a gente também ensaiava de noite músicas do nosso coral Coro Come. Os vizinhos começaram a reclamar e agora nos reunimos na casa de um amigo”.

Rabiscos de projetos de Bel Lobo. Escada original da casa.

80 Conceito A N. 18 2016


Miniaturas de Bob Neri. Abaixo, sala de trabalho e móveis de Bel Lobo.

Bel destaca o que a emociona nela: “Aprendi com cada detalhe do Sergio Bernardes: os espelhos, os vidros, as escadas. Comecei a usar espelhos depois de ver esses daqui usados no muro, na escada. Amo a maneira como ele resolveu usar a luz, a profundidade do espaço, as persianas de vidro que expõem o verde majestoso. E essa parede curva ali? E a escada que não tem corrimão? Já era apaixonada pelo Sergio Bernardes. Depois que mudei para cá, ele virou meu ídolo maior. Vivemos aqui com crianças pequenas.” “Assim que compramos, disse ao Bob que tinha certeza que mudaria para um lugar pequenininho, aqui era muito grande só para nós e os dois filhos”. Com senso de humor, Bob completa: “Moramos aqui de 1999 a 2005 e o escritório era no terceiro andar. Não deu muito certo” (ri). Bel começa a rir também e aumenta a voz para contar: “Lembro-me de uma funcionária muito simpática que do térreo berrava: ‘Dona Bel, quer um lanchinho?’, e eu estava com clientes como H. Stern, por exemplo. Dizia para ela fingir que eu não estava em casa, mas não adiantava (risos). Era uma mistura muito grande. Depois, alugamos um apartamento, em Laranjeiras, e aqui ficou sendo só o escritório. Depois de todas as mudanças, encontramos a identidade dela, que é ser escritório. Eu a trato como se fosse um ser, um ente que a gente ama. Ela tem uma personalidade, tem que respeitá-la”. Bob acrescenta: “A gente praticamente mora aqui. Agora, sim, usamos muito a casa. A nossa casa, no Horto, é bem menor porque um filho está no exterior e o outro, que é arquiteto e trabalha conosco, mora com a namorada. Somos eu, Bel, cachorro e gato”. O escritório tem 30 funcionários. Bel revela sua mais recente atitude em relação ao esquema de trabalho. “Esse momento brasileiro está diferente, mas está ativo e estamos reorganizando a nossa estrutura. Eu miro na liberdade e pretendo ter mais tempo livre para viajar quando tudo estiver ainda mais organizado”. ►► Conceito A N. 18 2016

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Pouco antes da entrevista, ela estava em uma reunião com

compartilham outro comportamento muito pessoal: não

um consultor de gestão. “Vamos investir nessa proposta.

planejam abrir escritório em São Paulo, como faz a maioria

Estamos bem, mas queremos planejar ainda mais o lado

dos architecture stars do Rio. Bel é taxativa: “Para a nos-

profissional para termos mais tempo livre e para sermos

sa maneira de trabalhar, não há necessidade disso. Para

ainda mais felizes. Aqui as pessoas trabalham felizes, ga-

quem faz projetos residenciais, sim, mas vamos muito a

nham bem e se orgulham do que fazem. A cada três meses,

São Paulo”. Bob conclui: “A gente brinca que vai abrir escri-

distribuímos os lucros, é um coletivo. Gostamos de fazer o

tórios em Londres e Nova York”.

máximo com o mínimo, sem ninguém se matar de trabalhar, preservando toda a alegria e todo o conforto”.

Com madeira, sempre onipresente nos projetos, formas geométricas, objetos de design e inspirado jogo de luz,

No momento, Bel e Bob têm uma média de 90 proje-

Bel e Bob têm estilos que independem das assinaturas

tos em andamento, aqui e no exterior. Por ano, rea-

para serem identificados. Eles romperam os códigos tra-

lizam em torno de 400, mas nunca fizeram as con-

dicionais do luxo. “Adoraria definir meu estilo como invisí-

tas. Em tom bem-humorado, Bob arremata: “Só não

vel. Quando as pessoas dizem: ‘Ih, isso é Bel’, estou muito

estamos ainda na Austrália, mas estamos na Ásia e

presente e não tenho de estar presente nos projetos”. A

no Oriente Médio.

Em Nova York, fizemos uma loja

postura é compartilhada por Bob, que explica o concei-

para a Schutz e tem Richards em Portugal e Angola”.

to: “Quando lançamos, em 2011, a marca be.bo (mistura de Bel e Bob), foi uma iniciativa para tirar nosso nome

Bel explica que os clientes abriram lojas pelo mundo por

da frente dos projetos. Eles ainda prevalecem, mas já é

causa das franquias. “Só nos Emirados Árabes uma marca

um começo de invisibilidade” (ri). A razão? Bel entrega:

está abrindo 50 lojas. Hoje, graças a Deus, nossos clientes

“Para mim, isso significa liberdade. Ainda precisamos es-

estão prósperos e a gente está crescendo com eles”.

tar muito presentes aqui e eu não quero mais estar muito aqui. Pretendo morar fora do Brasil. Tinha vontade de es-

Mas quem disse que eles assinam projetos juntos? “É

tudar francês direito, ficar um tempo em Paris”. Bob não

muito raro, mas acontece quando participamos de uma

é tão radical. “Não penso em morar fora, mas penso em

concorrência ou de um concurso. Dividimos os territórios

passar um tempo fora daqui, ou seja, queremos oxigenar

até para dar conta do trabalho”, pontua Bob. Eles também

mais nossas vidas”.

Livraria da Travessa, no BarraShopping.

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Marcos Bravo


Não há dúvida de que os dois têm os mesmos desejos, mas o processo de criação de cada um é bem diferente. Bel só desenha à mão e Bob, no computador. “Até fiz aula, mas não consigo ir para o computador. Gosto de desenhar com a mão porque, para mim, ela é a extensão do coração. As pessoas da minha equipe, às vezes, me dizem: ‘Oi, Bel, vai tomar um banho’, porque tenho muitas ideias debaixo do chuveiro. Claro que tem uma hora que a gente se senta e fica rabiscando, mas a ideia vem andando na rua, vendo um filme, e muitas ideias eu tenho tomando banho. Infelizmente, agora o banho tem de ser rápido por causa da falta d´água (ri). Na verdade, acho que a gente é atravessada pela criação: não adianta querer tirar ideia da cabeça. As melhores ideias são as que te atravessam, e são fundamentais o processo de pesquisa e a troca de visões com o cliente”. Com voz mansa e firme, Bob explica: “Minha maneira de criar não está no banho, é mais objetiva e pragmática (ri). É pensando. Sou meio mundo da lua, fico meio ausente e fico rastreando no computador, pesquiso livros, revistas, é uma construção. Às vezes, dá um estalo, outras não”. A comunicação com o cliente segue um ritual em que a emoção é mais importante do que a forma. Bel conta o processo: “O cliente vem com um briefing e tenta se mostrar como é. A gente tem que atingir a sua alma. Aí jogo as informações que recebi para a equipe e chegam as ideias. Seleciono o que me emociona. Gosto de colocar o antigo dentro do moderno, juntos, porque acho muito mais legal do que ter um ou outro. Aposto na interação do contemporâneo com a emoção do antigo. Essa mudança no mundo talvez esteja provocando isso, porque o mundo da razão, do pragmatismo, do que você vê com os cinco sentidos, mudou, e as pessoas estão percebendo que as

Loja da Richards, no Shopping Iguatemi, em São Paulo.

conexões são muito mais amplas”. Bob continua o pensamento: “Cada marca tem uma fantasia e nós temos que escolher a emoção que possa traduzir esse mundo idea-

Marcos Bravo

Restaurante Brigite’s, no Leblon.

lizado”. Bel prossegue: “O desafio é acertar a forma dessa emoção. Qual o ambiente que a gente vai criar para trazer essa emoção? A Farm tem uma, a Richards, outra. Schutz, Arezzo, cada uma tem formas, cores, iluminação, materiais diferentes”. Bob frisa que num projeto comercial é preciso traduzir o desejo da marca. ►►

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Interior da loja da Farm, em Ipanema.

“Não somos nós no projeto. O que caracteriza um espaço

As influências do mundo estão evidentes em cada traba-

são os detalhes, e é com eles que atingimos o objetivo de

lho que fazem. Bel expõe sua opinião: “Hoje o mundo está

personalizar nosso trabalho”.

na palma da mão, mas, quando você está no lugar, existe

A pergunta inevitável, sobretudo nesse segmento da

aquilo em uma tela. Tenho uma cliente nova, de uma em-

arquitetura: há pressão para fazer o que está na moda? Ambos riem e concordam. Bel dispara: “As pessoas pedem, mas a gente rebate dizendo que não tem nada a ver ficar igual a todo mundo. Quando pedem tendência, significa que estão atrás de alguém, então rebato dizendo: vamos ficar à frente?” Bob faz uma análise rápida: “É claro que uma tendência influencia porque as pessoas captam o que está no ar. Quando a tendência vira regra, aí mora

a experiência sensorial, aí é muito diferente do que ver presa grande, e a gente começou a conversar antes da nossa segunda viagem ao Japão, em fevereiro de 2015. Quando apresentei o projeto, depois da viagem, a cliente abraçava o marido e dizia: ‘Amo o Japão e a gente não tinha falado sobre isso nas reuniões’. Esse foi o resultado de uma bagagem que veio da viagem. O Japão nos encanta de maneira arrebatadora”. Bob se empolga: “Lá existe muita tradição e isso se reflete no rigor formal de toda a arquitetura, mas há tanta modernidade também. Os japone-

o perigo. Existe a onda e existe a marola”. Bel arremata:

ses cultuam a simplicidade, eles pensam simples. Mesmo

“Existe, sim, um desejo de momento que pega as pes-

dentro de um metrô, tudo tem um rigor, uma simplicidade.

soas. Está pelas cidades do mundo e eu mesma me sur-

Temos uma sintonia com esse sentimento”. Bel ressalta: “É

preendo com a força do inconsciente coletivo”.

bom que a gente não se engane: o simples dá muito tra-

Cidades, eis o ponto fraco dos dois. Para Bel, a que mais

muito e faz toda a diferença. A simplicidade é uma evolu-

a inspira é Berlim. “A experiência de vida do povo alemão trouxe uma maturidade que a gente não tem. Há muita simplicidade também”. Para Bob, é Copenhague. “É uma cidade absurdamente do futuro, onde esse futuro é andar de bicicleta e tudo é orgânico, tudo é simples. Não tem pessoas te servindo nos lugares, tudo é um bem comum. Talvez seja um lugar um pouco duro, disciplinado, frio, mas tem uma atmosfera de futuro que é muito legal”. Tanto para um quanto para o outro, o desejo do momento é conhecer

balho. Outro pilar é a importância do detalhe, que conta ção porque, quando você evolui, tira o excesso. A gente se identifica com a simplicidade e a exerce em todos os trabalhos. O simples é sempre o mais bonito”. Bel e Bob vivem o desafio da reinvenção, sobretudo diante das mudanças urbanas, sociais e econômicas de hoje. Acreditam que a felicidade dividida é multiplicada e tudo o que fazem segue uma filosofia de vida: “Pelo bem, pelo bom, pelo belo”. Onde começa um e termina o outro, nem eles sabem. Juntos, geram projetos com

Estocolmo. “O trabalho não está deixando, por enquanto,

descontração refinada, elegante, despretensiosa e

mas logo daremos um jeito”, diz Bel, toda animada.

muito chique. Alguém duvida?

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endereço // empório beraldin

Além

dos reves timen tos COM A PROPOSTA DE RENOVAR A MARCA, O EMPÓRIO BERALDIN APOSTA EM MOBILIÁRIO SOFISTICADO E FUNCIONAL POR MARINA COUTO FOTOGRAFIA BRUNO BRUM

O EMPÓRIO BERALDIN é referência quando se fala em te-

Já as linhas de tapetes seguem com o requinte do trabalho

cidos, tapetes e acessórios. Os clientes sabem disso e, não

feito à mão, utilizando matéria-prima orgânica e natural,

à toa, a marca está entre as principais escolhas na finaliza-

como algodão, sisal e couro.

ção de projetos. Mas que tal oferecer também boas opções de mobiliário e novas possibilidades de produtos? Os sócios Zeco e Valéria Beraldin apostaram nessa ideia e o resultado é uma coleção cheia de peças sofisticadas e funcionais. “Ampliamos nossa linha de produtos com novos materiais de revestimento, como madeiras e lacas. Além disso, também fizemos parceria com designers para o desenvolvimento de produtos exclusivos”, explica Valéria, que, além de sócia, é diretora de criação da marca. Entre as novidades, são mais de 20 modelos de sofás, poltronas, mesas e cadeiras, todos com possibilidades de escolher o acabamento e alterar medidas, conforme a linguagem do projeto. Algumas peças, por exemplo, receberam formas mais arredondadas, outras apresentam detalhes em latão, bronze e ônix.

Por fim, a gama de revestimentos está mais diversificada e inovadora. Além da madeira e da laca, a marca lançou dez novas texturas de couro, com 26 cores diferentes, e ainda tramas de palha e cortiça para serem usadas em divisórias e painéis. E mais: o Empório Beraldin também apresenta as últimas tendências em tecido e papel de parede das grandes marcas internacionais, com destaque para a Designers Guild, que ganhou um charmoso corner no segundo andar da loja. Para apresentar a coleção, a marca convidou um elenco renomado de arquitetos, que assinaram os ambientes e imprimiram na loja de Ipanema o jeito carioca de morar. “De forma diferente do que fizemos em 2013, liberamos toda a loja para que os arquitetos tivessem mais liberdade para criar”, conta Valéria. Zeco complementa: “A ideia de deixar a ambientação por conta dos

O catálogo de tecidos, por sua vez, ganhou novas cores e

profissionais cariocas é um grande diferencial. Assim,

novas padronagens, como jacquard de algodão, jacquard

o mobiliário ganha destaque e a loja fica, de fato, com a

de linho com chenille e veludo brocado.

cara do Rio”. E a empreitada foi muito bem-sucedida!

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Couro, linho e estamparias são elementos que valorizam os espaços projetados por Luiz Fernando Grabowsky.

No andar térreo, a ambientação ficou por conta do ar-

Os banquinhos Côncavo e Convexo do designer André Poli

quiteto Luiz Fernando Grabowsky, que personalizou

chamam a atenção na sala de estar. Em madeira rústica e

uma sala de jantar e dois ambientes de estar. O arquiteto

revestida em couro laranja, as peças aquecem o ambien-

optou por integrar os espaços, facilitando a circulação e

te, deixando-o mais acolhedor. O colorido também está

ressaltando os lançamentos do mobiliário. “Essa integra-

presente nas poltronas Catú, revestidas com tecido da

ção traz amplitude visual e deixa a loja com um ar diferen-

Designers Guild. “Gosto de adicionar cor nos projetos e

ciado e mais contemporâneo”.

acho que tem tudo a ver com o carioca. O colorido é sempre atraente”, afirma Fernando Grabowsky. Os tons mais

Para a sala de jantar, Grabowsky fez uma parceria harmo-

neutros ficaram reservados ao sofá, com revestimento

niosa entre a mesa Tubo em madeira freijó, com acaba-

em linho, e às mesas de centro em pergaminho.

mento em aço bronze, e as cadeiras com detalhes em palha, desenhadas por Tadeu Paisan com exclusividade para

A mesma paleta de cores foi mantida no outro espaço de

o Empório. No décor, jogo americano em couro, com de-

estar, com um amplo sofá e múltiplas almofadas convidan-

sign do próprio arquiteto, e porcelana Francesca Romana

do ao relax. A mesa de centro e dois tamboretes em couro,

Diana. Além disso, o ambiente de cores neutras recebe to-

estrategicamente posicionados para separar o ambiente,

que de cor com as cadeiras Kin em tom de vermelho. Para

finalizam o décor com sofisticação. O destaque fica por

finalizar, aparador Belluno em couro com MDF e painel re-

conta do painel todo desenhado à mão que reveste intei-

vestido em couro sob medida, em tonalidade mais clara.

ramente uma das paredes da sala. ►►

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A dupla Laura e Cristina Bezamat projetou um aconchegante living no primeiro piso. Com base neutra, as arquitetas priorizaram uma cartela de cores suaves, explorando especialmente os variados tons de azul. “Essa é uma característica do nosso trabalho: partir de uma base homogênea e acrescentar as cores nos detalhes”. Laura acrescenta: “Assim é possível dar personalidade ao espaço, sem precisar de mudanças radicais”. No layout, duas chaises foram revestidas com o mesmo tecido do sofá, criando harmonia visual entre as peças. O buffet vintage com portas em laca e estrutura em freijó, juntamente com a mesa de centro em madeira, evidencia os novos revestimentos da loja e deixa o clima ainda mais intimista. As arquitetas usaram ainda o painel em couro branco com desenhos geométricos para forrar uma das paredes.

As duas chaises da nova coleção Empório Beraldin destacam-se no ambiente de Laura e Cristina Bezamat.

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O rosa é a cor da temporada. Não à toa, foi a escolha de Joy Garrido na composição floral do quarto do casal.

A arquiteta Joy Garrido surpreendeu na escolha das cores para compor o quarto de casal. “É bom que o quarto de casal seja romântico e inspirador. Eu apostei nos tons de mauve, rosa e lilás para dar esse clima ao ambiente”. O mobiliário escolhido para o espaço conta com cômodas Todi em pergaminho, poltrona Zorah revestida em ultrasuede da Designers Guild, nas cores vinho e berinjela, e tamboretes ovais em couro cru. Joy usou ainda tapete de tear na cor cru e dois abajures canelados em couro fendi, dando mais leveza e conforto ao espaço. ►►

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O paisagismo assinado por Raphael Costa Bastos valoriza os ambientes internos e a fachada da loja, pontuado com linguagem oriental.

Outro ponto de destaque na mostra da Empório Beraldin é o paisagismo criado pelo arquiteto Raphael Costa Bastos. No entorno da loja, o profissional utilizou espécies raras e exuberantes, mas deixando as vitrines livres de interferência. “A proposta é uma fusão de estilos, combinando a linguagem tipicamente brasileira com uma pegada oriental, incluindo bambus, aspargos e pedras vulcânicas entre os materiais”. Já no interior, Raphael idealizou um jardim vertical sobre uma parede de madeira ripada, seguindo uma linha mais tropical, com samambaias e ravenala, minimizando a quantidade de plantas, para dar mais destaque a cada espécie. Com tantas opções, os arquitetos não pouparam na criatividade para criar ambientes sofisticados e inspiradores, estampando a atmosfera carioca por todos os cantos. Vale a pena dar uma passadinha na loja e conferir de perto todas as novidades!

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 Empório

Beraldin Rua Nascimento Silva, 330 - Ipanema [21] 3512 7800 www.emporioberaldin.com.br

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arte // marco mussi

traços

digitais ARTISTA CONTEMPORÂNEO QUE USA A TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA E TEM O UNIVERSO VIRTUAL COMO INSPIRAÇÃO, MARCO MUSSI BUSCA EM SEU TRABALHO REFLETIR SOBRE OS NOVOS CAMINHOS DA ARTE COMO CONTEMPLAÇÃO E INVESTIMENTO

POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA FILICO | RAFAEL DORNELLES

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Formas que sugerem movimento visual predominam nas criações digitais de Marco Mussi.

CARIOCA DE NASCIMENTO e multinacional por formação, Marco Mussi, hoje com 51 anos, já morou na Alemanha, na Suíça, nos Estados Unidos, na Inglaterra e em Portugal. Agora aportado em território brasileiro, há oito anos investiga e esmiuça técnicas do universo digital para materializar suas elucubrações em imagens. Empírico no ofício artístico, Mussi vem de uma larga experiência em catering para restaurantes e ainda é sócio-proprietário da Sept AuJour, marca de tortas de chocolate puríssimo apreciada por chefs célebres e clientes exclusivos. Mas a inserção no trabalho artístico surgiu como necessidade existencial. “Precisava explorar dimensões mais inventivas. Contrapor o pão e o circo da minha condição humana”. Com esse intuito, investiu numa carreira paralela, caminhando por um campo fértil de experimentações que abrange, no seu conteúdo visual, desde reflexões provenientes das transformações digitais no cotidiano até os usos, apropriações e transgressões dessas tecnologias. “Arte e tecnologia sempre caminharam juntas na história da humanidade. No cenário sociocultural contemporâneo, as possibilidades artísticas se ampliaram e se integraram às plataformas digitais”. ►►

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Alguns dos estudos de Mussi para ilustrar a capa da Conceito A. Uma livre inspiração no personagem Mickey Mouse em linhas minimalistas .

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As inspirações são muitas e permitem uma amplitude de estilos que transita pelo cubismo, pelo abstrato, pelo figurativo, pelo pop e por aí vai, sem perder a pegada autoral que unifica essa vastidão inventiva. Do Mickey ao Cristo Redentor, de cenas esportivas ao detalhamento do corpo humano, tudo é permitido no mundo virtual de Mussi. O resultado produtivo dessa experiência artística pode ser apreciado em diferentes bases, como telas em lona ou acrílico, e nas mais variadas dimensões. ►►

O Rio e seu relevo sinuoso são tema recorrente no acervo do artista e influenciaram até na construção de sua assinatura nas telas.

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Boa parte desse acervo integrou, no ano passado, o espaço de exposição da RJ Sign, loja-galeria instalada no CasaShopping, com a mostra Vasto, um passeio pela arte digital em 16 telas, com a curadoria de Nara Chini, sócia-diretora da marca especializada em linguagem digital. A próxima investida é organizar outra exposição, programada para o segundo semestre deste ano, em que pretende fazer um novo recorte imagético, exibindo trabalhos da fase anterior, assim como temas inéditos. Não à toa, faz parte de seus planos a criação de uma loja virtual. Mais adiante, ele pretende ampliar esse projeto com um espaço físico permanente para exposição e venda de seus trabalhos, assim como de artistas convidados que atuem em segmentos paralelos, como fotografia, vídeo, música, livros e tudo que remeta à arte digital. “Acredito que a materializarão do trabalho e sua exibição dentro de um espaço dedicado contribuem para sua plena compreensão e apreciação”. Do ponto de vista do investimento, com o mercado de arte associado, em geral, a obras de grande valor financeiro e a um perfil de cliente segmentado, Mussi acredita numa crescente mudança de paradigma com a difusão do digital: “Isso permite um alcance maior de mercado e valores acessíveis, mas com o cuidado de não banalizar o processo criativo e sua importância autoral”. Sua produção é, de fato, meticulosa (há trabalhos que demoraram até três anos para serem concluídos) e sai da tela do computador em tiragem limitada, controlada e atestada com selo de autenticidade. No catálogo do artista, algumas obras são exclusivas, com a garantia de uma única impressão, enguanto outras podem chegar ao máximo de sete cópias – um número cabalístico que vai ao encontro das crenças e místicas do autor. Em comum a todo o acervo, a assinatura-símbolo de Marco Mussi: uma letra M, que faz referência ao relevo do Rio. Um agradecimento estilizado à sua cidade natal.

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Exibida na loja-galeria RJ Sign, um dos endereços em que se encontram telas de MM, a recente exposição Vasto contou com a curadoria de Nara Chini.


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curadoria // andré piva e artur fidalgo

DE ARTE

UM LUGAR

O GALERISTA ABRIU UM NOVO ESPAÇO DE EXPOSIÇÃO QUE DEIXA SOBRESSAIR O CONCEITO DAS OBRAS, COM PROJETO ASSINADO POR ANDRÉ PIVA POR BETINA PEPPE DINIZ FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE

COM UM CONCEITO ARROJADO, que conjuga a funciona-

O resultado final, simples em execução e sofistica-

lidade do conjunto de ambientes com o charme “Rio de Ja-

do em concepção, combina, segundo o galerista, com

neiro de ser”, Artur Fidalgo abriu uma nova galeria de arte

sua atual fase de vida. Com um ar tranquilo (e até fi-

no Shopping Cidade Copacabana, apelidado pelo grande

losófico), ele conta que vive um momento especial de

público de Shopping dos Antiquários. A proposta inova,

paz, maturidade profissional e realização pessoal. Ares

primeiramente, ao tirar de cena o famoso cubo branco e

que ele buscou traduzir na varanda, onde fugiu do ca-

inócuo, hermeticamente fechado e sem influência do ex-

minho mais elaborado do paisagismo para se render

terior, o que, em tese, potencializa a apreciação da peça ar-

a uma horta que captura os olhares pela singeleza.

tística. Além disso, privilegia a luz do dia, que vem da charmosa varanda, e a relação com o ar livre, a rua e o verde.

O cultivo é um hábito terapêutico para Fidalgo e tornou-se, claramente, um coadjuvante de peso no am-

“É como se estivéssemos em uma loja suspensa, de onde

biente gracioso e aprazível da galeria. A varanda é or-

posso ver o Cristo Redentor e toda Copacabana. Sinto o

namentada com arbustos de buganvília e samambaia

vento, escuto a buzina do carro, o bombeiro, o botequim

e com os sabores e cheiros de capim-limão, alecrim, er-

e o borracheiro. Vejo o Tabajaras, o motoboy que passa, o

va-cidreira, alfazema, gengibre, arruda, romã e maracá.

metrô. Tenho contato com a área externa e a luminosida-

Tem até pé de jabuticaba.

de. Não posso me sentir confinado, pois não estou na Suíça, em Nova York ou em São Paulo. Estou no Rio de Janeiro.

Para ele, tudo é arte, “incluindo viver”, brinca, ao apontar

E esse lugar deixa isso bem claro!”, descreve Fidalgo, em

os detalhes que incrementam o ambiente descrito como

tom levemente poético.

grandioso, não pelo tamanho físico, mas pela direção, pela legitimidade e pela potência. “Veja o deck da varanda. Cons-

O projeto arquitetônico fica ainda mais carioca com a assi-

truímos um espaço social, especialmente à noite, quando

natura do superarquiteto André Piva – a quem Fidalgo faz

muda a iluminação. Uma pequena interferência gera uma

questão de se referir e lhe dar crédito a todo momento.

grande transformação”. ►►

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O projeto inova, mas o faz sem interferir na vocação da galeria de arte. O que está fora não chama mais atenção do que o que está dentro. O protagonismo é das obras. E ganha-se mais uma perspectiva: a do outro lado do vidro. “É possível ver a exposição do lado de fora. Essa pegada é muito Rio de Janeiro”, enfatiza. Quando André Piva visitou pela primeira vez o espaço, veio o desafio: transformar uma loja de antiquários em uma galeria de arte, que demanda vãos livres e paredes expositivas. Tudo isso sem apelar para obras radicais, já que Fidalgo tinha pressa na mudança. A sofisticação veio com uma ideia simples, ou um “estalo”, nas palavras de Piva: ele pensou numa diagonal em 90 graus dentro do espaço, a ser construída de maneira a não ir até o teto, para deixar claro que foi um elemento inserido, não uma parede torta. O traçado fez toda a diferença e possibilitou um ponto de fuga, com lugar para a recepção e uma área estreita de passeio, afora o resto do conjunto de ambientes: escritório, copa e cozinha e banheiro. “A partir dessa ideia, resolvemos uma série de problemas. Depois, fomos limpando a galeria, deixando-a sem dentes e transformando as paredes internas. Demos ainda aproveitamento à área externa e à luz solar”, explicou o arquiteto. O resultado foi um espaço, segundo Fidalgo, “esculpido”: bem dividido e bem pensado. “Não se pensa galeria de arte como um espaço tradicional. A própria arte inspira”, completa André Piva. Além da mudança de espaço – que foi, na verdade, uma mudança de corredor, já que a antiga galeria também ficava no Shopping dos Antiquários –, em 2015 Artur Fidalgo completou 15 anos como galerista. Sua trajetória é marcada pela dedicação ao que há de melhor em arte contemporânea brasileira, reunindo artistas emergentes, como Danilo Ribeiro, Julia Debasse e Fernando de La Rocque, ou consagrados, como José Damaceno e Victor Arruda – cujas vernissages, por sinal, já passaram pela nova galeria.

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Entre as exposições que passaram pela galeria, a individual de Victor Arruda, intitulada Trans, exibiu imagens recorrentes de sua produção desde a década de 1970. Conceito A N. 18 2016

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Arquitetura de André Piva planejada para valorizar as obras em exposição, com ângulos e iluminação que favorecem a cena.

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Área reservada para o galerista Artur Fidalgo atender clientes e artistas.

Para ele, a arte brasileira é, reconhecidamente, uma das melhores do mundo e o Rio de Janeiro é um grande celeiro de artistas: “Eu trabalho com nomes que já estão consagrados no mercado. Mas também me identifico com artistas muito jovens. Alguns começaram na galeria, como o Danilo e a Julia. Eu observo os talentos. Quando quero apresentar determinado artista, vejo sua obra, fico atento ao que ele pensa e se quer realmente desenvolver uma carreira. E nós acabamos evoluindo juntos”. Segundo o galerista, o mercado de arte do Rio vem crescendo notoriamente. “Há um novo olhar sendo formado. As pessoas estão se familiarizando mais com esse circuito, principalmente por causa do surgimento de novas galerias, do empenho de instituições como o MAM e a Casa França-Brasil e também da feira ArtRio, que vem se revelando um fenômeno vigoroso para despertar as atenções para a arte contemporânea. E assim surge uma nova geração de compradores jovens. No Rio e em São Paulo, nota-se isso claramente”, reitera Fidalgo.

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 Galeria

Artur Fidalgo

Rua Siqueira Campos, 143, loja 1, 2º piso, Copacabana. Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, de 10h às 19h. Aos sábados, horário agendado. [21] 2549 6278 | www.arturfidalgo.com.br

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open house // ronald goulart e junior grego

UM APARTAMENTO

EXEMPLAR DESCORTINADA PARA A BAÍA DE GUANABARA, A SOFISTICADA RESIDÊNCIA DE RONALD GOULART E JUNIOR GREGO FOI PLANEJADA SOB MEDIDA PARA RECEBER AMIGOS E CLIENTES EXCLUSIVÍSSIMOS. UM SHOWROOM PARTICULAR EM QUE O ESTILO DA DUPLA AVALIZA O TALENTO PARA COMPOR AMBIENTES ATUAIS COM O MELHOR DO DESIGN, DA ARTE E DO BOM GOSTO POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA BRUNO BRUM

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Em destaque no living, a foto monocromática com a autoria de Bruno Veiga, adquirida na mostra ArtRio.

MEMÓRIAS DE ESTIRPE guardam o endereço habitado

Copacabana Palace, o antigo Hotel Glória e o primeiro ar-

pelo arquiteto Ronald Goulart e pelo designer de interio-

ranha-céu do país, batizado de A Noite – que nos idos de

res Junior Grego, que formam parceria profissional e de

1930 ostentou o título de maior estrutura de concreto

vida conduzida por um refinamento europeizado. Fincado no início dos anos 20, o prédio na Praia do Flamengo tem muita história para contar. Primeiro a ser erguido na orla, hoje emoldurada pelo Aterro de Reidy, é imóvel tombado pelo patrimônio com méritos estéticos e cultu-

armado do mundo, com 22 andares. Esse olhar afrancesado sobre a antiga Guanabara, décadas depois, encantou o também arquiteto Ronald Goulart, que passava, contemplava e cobiçava não só o belo edifício (apelidado de Palacete Areia, por conta da localização à beira-mar), mas

rais em contornos neoclássicos.

especificamente um de seus dez andares.

Projeto delineado pelo arquiteto francês Joseph Gire, faz

O único com balcões balaustrados, no alto de sua impo-

parte de um legado importante na paisagem urbana ca-

nência e vista para o Pão de Açúcar, parecia anunciar uma

rioca, em construções como o Palácio das Laranjeiras, o

relação predestinada entre moradia e moradores. ►►

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O abstracionismo de Tomie Ohtake valoriza a cena em três telas. Um espaço paginado com peças de design clássicocontemporâneo da Finish.

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E assim foi. Há seis anos, por intermédio de uma corretora, souberam que o casal francês residente no endereço estava de malas prontas para retornar à Europa e seu “pedaço de mundo” se tornava disponível. Com determinação e uma boa proposta, a dupla conquistou a chave da porta de seus sonhos. O amplo apartamento, distribuído em 400 metros quadrados, cinco quartos e duas chambres de bonne, revela, entre os muitos aposentos, uma história tão fascinante quanto a que está encravada na edificação do prédio. Última residência do poeta e diplomata brasileiro João Cabral de Mello Neto, registra em seus cômodos a passagem de nomes célebres da plataforma intelectual brasileira, como Clarice Lispector, Ariano Suassuna e Vinícius de Morais, só para citar seus frequentadores habituais. ►►

Design e arte em harmonia com a ambientação, combinando telas de autoria de Cleyton Assaf e outras assinadas por Ronald Goulart.

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Obra escultural da autoria de Ascânio MMM, um dos artistas mais apreciados pelos proprietários.

Entre as marcas físicas deixadas pelo autor de Morte e

nam em elementos selecionados com critério para alcan-

vida severina, permanecem tacos de ébano trazidos do

çar um efeito acolhedor, mas sem abrir mão de uma lingua-

Senegal, na época em que exercia a carreira diplomática,

gem sofisticada e masculina. Há poucos meses, a sala de

para revestir o piso da biblioteca – na atual configuração, o

jantar ganhou novo revestimento de parede: um pied de

cômodo passou a ser utilizado como sala de jantar.

poule da grife Orlean, que também comparece no papel aveludado em florões na principal parede da suíte master.

São fatos que tornaram ainda mais motivadora a aquisição do imóvel e o cuidado nas reformas estruturais

Peças antigas, muitas delas herdadas da família Goulart e

necessárias para adequar o espaço ao estilo dos novos

Grego, pontuam o mobiliário, em que sobressaem as linhas

proprietários. Foram quatro meses de obras, capitanea-

atuais em arrumação simétrica e equilibrada de modo mili-

das pela dupla, que tirou proveito dos traços caracte-

métrico. Nada está fora do lugar!

rísticos da construção, como as sancas e boiseries originais, e deu aos ambientes aquele jeitinho de maison.

Responsável pela paginacão cênica, Junior levou para

É como estar em Paris, uma cidade, aliás, que Ronald e

casa sua experiência em compor interiores nas lojas de

Junior cultuam com visitas frequentes.

design mais incrementadas do Rio, com predominância de móveis da Finish, e somou conceito ao traçado

A principal preocupação no desenvolvimento do proje-

técnico desenhado por Ronald Goulart. O resultado ficou

to foi a edição de cores e formas que não ofuscassem a

a cara do casal. Objetos arrematados em leilões, lembran-

força arquitetônica, essa, sim, dominante, configurada em

ças de viagens, garimpo por bons antiquários, vivências...

pé-direito de quatro metros. Preto, prata e cinza predomi-

tudo pensado a dois. ►► Conceito A N. 18 2016

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O rosa é a cor da temporada, não à toa foi a escolha de Joy Garrido na composição floral do quarto do casal


Na cozinha, planejada pela Florense, o toque pessoal da mesa antiga, herança de família, e objetos trazidos de viagens. Na página anterior, a sala de jantar com móveis da Finish, lustre Breton e revestimento de parede da Orlean.

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O investimento em arte é outra dedicação. Uma busca em mostras, como ArtRio, em galerias e por meio do contato direto com artistas plásticos, conquistou para a residência obras de assinaturas valorizadas, como Tomie Ohtake, Beatriz Milhazes e Ascânio MMM, assim como de artistas promissores, como as telas de Cleyton Assaf e a fotografia monocromática de Bruno Veiga. Até o aroma fresco dos lírios arranjados em vasos de cristais no living reitera o bom gosto dos proprietários. Felizes e integrados ao espaço que elegerem como perfeito, interpretam o morar como parte essencial ao bem-viver.

t Tons sóbrios reforçam uma atmosfera masculina e elegante na suíte master, com ênfase no papel de parede da Orlean. No detalhe, a coleção de relógios.

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home office // ronald goulart

CRIAÇÃO

feita em casa

CONSERVADOR NOS INSTRUMENTOS DE CRIAÇÃO E ATUALÍSSIMO NOS PROJETOS QUE ASSINA, RONALD GOULART ARQUITETA IDEIAS NA OPÇÃO HOME OFFICE, UM ESPAÇO INTIMISTA COM VISÃO AMPLA DO MERCADO POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE / BRUNO BRUM

PARA RONALD GOULART, ARQUITETURA permite quebrar tabus. E ele segue nesse conceito no estilo de viver, de morar e de trabalhar. Com mais de 30 anos de carreira, há pelo menos 20 ele é um home officer de personalidade muito bem resolvida. Não é de seguir modelos de comportamentos sem acreditar neles. Ao contrário: no trato profissional, rompeu o paradigma de “trabalhar em casa”, numa época em que essa opção era incomum. Seguiu sua intuição e, antes mesmo de o esquema virar um modelo praticado mundo afora, aposentou o escritório formal em direção à praticidade, à comodidade e a um modo mais personalizado de se situar no mercado. “Em geral, sou eu que vou ao encontro do cliente para alinhavar o projeto e, na sequência, desenvolver e acompanhar a obra. Mas não é raro que as primeiras conversas sejam na minha casa”. Uma possibilidade que ele acredita ser bastante produtiva, até porque quem já visitou o endereço na Praia do Flamengo sabe que o apartamento de Ronald é parte essencial do seu portfólio e reflete com esmero sua identidade autoral. Mas isso não anula sua verve criativa e sua flexibilidade para incorporar e traduzir as expectativas e a essência de quem o contrata, seja residencial ou corporativo. Embora aprecie construções mais contemporâneas, não impõe linguagem. Transita, sem rejeição, do rústico regional ao clássico europeu. Para ele, fundamental é dosar equilíbrio e bom gosto. “Posso construir até uma oca de índio, mas com design estrutural, uma autoria pensada”, exemplifica, com irreverência. Aliás, a visão de mundo por um viés sarcástico e o aguçado senso de humor são características que sublinham sua personalidade. Mas também é metódico, dedicado aos amigos, espiritualizado e rigorosamente pontual. No conjunto, puro carisma. 122 Conceito A N. 18 2016


Ronald desenha seus projetos manualmente, utilizando lapiseira, régua e borracha entre os instrumentos de criação. Ao lado, algumas de suas plantas.

Em seu currículo, acumula inúmeros clientes que atraves-

Sua principal exigência é criar sobre as mesas-pranchetas,

sam décadas e gerações, no estilo “de pai para filho”. Al-

encomendadas sob medida para o cômodo onde instalou o

guns deles tornaram-se amigos, do tipo que frequenta a

escritório. Nesse espaço, o que predomina é a funcionalida-

casa, viaja junto e compartilha datas festivas.

de. Painéis de madeira, executados pela marcenaria Mag-

Anfitrião de primeira, colocou no calendário das redes so-

nólia, foram instalados para fixar quadros, livros e revistas.

ciais o seu já famoso Bolo de Sexta, uma versão carioca do

Os móveis são atuais e neutros (com exceção do armário

chá das cinco dos ingleses em composições inspiradoras,

de pastas suspensas que Ronald herdou do avô, uma re-

que organiza em casa. Um evento semanal que, a cada

líquia de 110 anos), e a iluminação em LED realça os ob-

sexta-feira, forma um diferente grupo de convidados do

jetos de design que ditam uma sutil atmosfera temática:

seu convívio pessoal e profissional à volta da mesa. Um delicioso e concorrido network.

um lugar em que se pensa em arquitetura. Já o conforto anatômico, necessário à sua função que muitas vezes

Frasista na exposição de suas opiniões, diz que a opção

exige longas jornadas, fica garantido na cadeira office

pelo home office oferece uma grande qualidade: “acor-

da Herman Miller.

dar no trabalho”. Mas também tem um grande defeito: “acordar no trabalho”. Por isso, impõe a si mesmo não só

Nesse particular universo profissional, reserva uma linha

disciplina de produção, como também limite entre a rotina

de telefone exclusiva para atendimento ao cliente e utiliza

doméstica e a vida profissional. “Chega uma hora do dia em

a internet para interagir com sua equipe assistente. Sim,

que a casa tem de virar casa”.

todos trabalham em sistema home office e uma das arqui-

Não é incomum escutar histórias de quem estabelece certos rituais para manter padrões de produtividade no trabalho em home, como vestir-se formalmente para ir até o cômodo ao lado ou obedecer ao horário comercial. Ronald dispensa todos. Para ele, a inspiração pode dar o ar da graça nos horários mais inusitados. “Meu horário de criação

tetas do staff mora em Portugal. Ao descrever a estreita convivência com o companheiro de vida e parceiro de muitos projetos – o designer de interiores Junior Grego –, o tom é de cumplicidade, somada à admiração: “Ele tem uma noção espacial que impressiona.

pode ser ao meio-dia, no fim da tarde ou na madrugada.

Muitas vezes, só de olhar um ambiente, já define o que vai

Por isso, posso estar de blazer ou de bermuda. São proce-

dar o melhor resultado. Tem um apurado senso estético e

dimentos que não influenciam nos resultados”.

é muito intuitivo”. ►► Conceito A N. 18 2016

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PROJETO AVENIDA RUI BARBOSA

Ronald, no entanto, é mais sistemático. Sobre sua mesa, ficam dispostos réguas, esquadros, lapiseiras e outros acessórios que utiliza na elaboração dos projetos. Como ele mesmo ressalta com ironia, “instrumentos jurássicos” que ainda resistem em sua dinâmica de trabalho, em plena era do autocad. “Valorizo a tecnologia como ferramenta de trabalho, mas é no exercício do desenho manual que acontece a transferência essencial do que há na mente do arquiteto”. Até por isso, primeiro seus projetos são milimetricamente rascunhados até serem passados para o digital. Um hábito que remete à memória de infância. Ronald conta que seus brinquedos preferidos eram sempre ligados ao desenho e às montagens, como aqueles tradicionais blocos de madeira coloridos, de tamanhos e formatos variados, com pinturas de janelas e portas que permitiam construir cidades em miniatura. Mais tarde, não querendo ficar preso àquelas formas rígidas, passou a usar caixas de sapatos e embalagens para desmontar, recortar e transformar em maquetes tridimensionais – antes mesmo de saber o significado do termo. Esse estudo empírico aguçou seu interesse e sua aptidão para a criação de formas. “Aprendi a fazer perspectiva, sem qualquer orientação técnica e sem 124 Conceito A N. 18 2016

►►

No apartamento de uma cliente, em frente à Baía de Guanabara, predominou o mobiliário Finish em linguagem contemporânea.


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PROJETO AVENIDA DELFIM MOREIRA

nunca ter ouvido falar em linha do horizonte ou pontos de

que os novos arquitetos têm domínio tecnológico, mas,

fuga. Era pura curiosidade e experimentação”. O caminho

para essa geração, fica faltando a observação mais am-

até a faculdade e a definição pela carreira óbvia que iria

pla e real do mundo, em contraponto à exacerbação e à

seguir foram apenas questão de tempo.

supervalorização do computador como instrumento abso-

Nascido no interior do Rio, até a adolescência teve pouco

luto de conhecimento”.

contato com o que acontecia nos grandes centros urba-

Para endossar o conceito, faz questão de dizer que

nos. O relevo rural, os grandes espaços livres e a natureza

adotar métodos menos informatizados não signi-

mais bruta, no entanto, compensavam, oferecendo inten-

fica lentidão no seu processo de criar: já concluiu a

sa variedade de cores e elementos orgânicos que, adiante,

planta de uma casa de dois mil metros quadradros,

incorporou na bagagem do seu desenvolvimento profis-

no desenho à mão, em 17 horas cravadas.

sional. A vivência e o tato como base.

Adiante no raciocínio, enfatiza também que a dinâmi-

Um ponto que Ronald aborda quando coloca em prática

ca manual não é paradoxal à linguagem moderna. “Sou

o lado acadêmico, herdado de uma família de professo-

adepto de experimentações e ousadias arquitetônicas

res. É avaliador de bancas de graduação em arquitetura

com base funcional e, dentro das possibilidades, sus-

de quatro importantes universidades no Rio. “Nota-se

tentável, claro”.

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Espaços amplos e iluminação programada valorizam design e arte, e destaca a obra de Palatnik.


Nesse sentido, atualmente desenvolve um projeto com a

Foi assim no projeto que desenvolveu para o apartamento

utilização de containers para múltiplas funções, como lo-

de uma antiga cliente, na Avenida Rui Barbosa, no Flamen-

jas, escritórios e até hotéis.

go, um prédio dos anos 60 que não reprimiu a escolha por

Da visão em 360 graus, Ronald observa de tudo, mas só absorve o que é significativo para seu ofício e a trajetória de desenvolvimento prático. Entre as referências, cita o arquiteto americano Frank Lloyd Wright, ressaltando seu característico jogo de volumes, em construções modernas

uma identidade contemporânea no design de interiores. Pelo contrário: combinou o uso de sancas e revestimentos de paredes em padrão clássico [ORLEAN], com uma seleção de móveis em linhas bem atuais [FINISH] no living e na sala de jantar, e ainda luminárias, lustres e acessórios de

e detalhadas, mas sem excessos na composição.

designers celebrados [BRETON].

Sua assinatura inventiva busca valorizar somente o ne-

Os mesmos conceitos aplicou com esmero no aparta-

cessário, mesmo em trabalhos clássicos, explorando a

mento de outro casal de clientes, de frente para o mar

harmonia entre o antigo e o contemporâneo. Prefere as

do Leblon. Nesse projeto, participou até da pesquisa

linhas limpas e uma identidade visual confortável ao olhar.

e da escolha do imóvel junto com os proprietários. Conceito A N. 18 2016

►►

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Inspirado pelo clima praiano, o arquiteto aproveitou o piso

formando um dos ambientes da espaçosa sala de estar.

original em mármore, prático e refrescante, e optou pelo

Na varanda, um lounge com mobiliário atualíssimo em

uso de revestimentos de parede [ORLEAN] e mobiliário

fibra sintética [MAC] convida a relaxar, envolvido pela

em tonalidades claras, assim como laca em alguns pontos

brisa marinha.

de atração, entre eles a imponente estante [FLORENSE] no living, com a intenção de proporcionar o espelhamento da luz natural nas áreas sociais.

Exemplos representativos da dinâmica criativa de Ronald Goulart, que valoriza o cotidiano e reforça a qualidade de vida e o sentido de morar bem. E finaliza o perfil

Ambientações planejadas para o convívio social, conside-

com uma de suas frases impulsionadoras: “A arquitetura

rando que os proprietários adoram receber amigos, que

é a mais artística das técnicas e a mais técnica das ar-

incluem a sala de jantar com duas amplas mesas [FINISH]

tes”. Teoria que ele coloca em prática ao longo de sua

ou as quatro poltronas [BRETON] dispostas em círculo,

trajetória profissional.

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Ambientes planejados para receber amigos e convívio da família em uma atmosfera de elegante conforto.


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interiores // junior grego

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olhar

apurado GOSTAR (E MUITO) DO QUE FAZ É A BASE DO TALENTO CRIATIVO DE JUNIOR GREGO, QUE ASSINA AS AMBIENTAÇÕES, AS VITRINES E A SELEÇÃO DE OBJETOS DAS GRIFES MAIS CONCEITUADAS DE DECORAÇÃO E DESIGN DO RIO POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE | AGÊNCIA ÂNGULO

JUNIOR GREGO TEM O DESAFIO profissional de enfati-

Mas é na hora de montar os espaços das lojas que ele rea-

zar nas lojas o design que vai estar nas casas mais fashion-

firma seu valor no mercado, uma tarefa que exibe glamour

-chiques do território carioca. Seu ofício é a exata combi-

no resultado final, mas que exige horas de dedicação.

nação de disciplina, organização e inventividade para criar espaços que ditam tendências, ao mesmo tempo que ins-

A cada nova coleção, mergulha num processo de mon-

piram a busca pelo móvel perfeito. Um trabalho especia-

tagem que inclui estudo do espaço, seleção dos móveis

lizado que se reflete diretamente na identidade visual da

e acessórios e a coordenação da equipe de montado-

loja e no perfil de clientes.

res desde a chegada dos produtos à loja até sua total colocação no showroom.

Conectada com o mercado de luxo, sua assinatura está presente em marcas como Breton, Artec e Santa Mônica,

Para alcançar os melhores resultados estéticos, Junior

somadas a muitas outras lojas instaladas por shoppings e

recorre não só à experiência de 16 anos atuantes no

ruas sofisticadas da cidade. Um craque.

mercado do Brasil e do exterior, como também à intui-

A personalidade forte e a espontaneidade visceral, pon-

em suas ambientações.

ção afiada na escolhas das peças que merecem destaque tuadas por um humor muito próprio para expor pensamentos e opiniões, são características marcantes em

Nesse foco, investe em conhecimento funcional e teórico:

Junior Grego. Traços de identidade que, para quem o co-

visita feiras e mostras, coleciona livros e revistas e viaja,

nhece mais de perto, contrastam com uma generosidade e

sempre que a agenda permite, para lugares mundo afora,

uma dedicação espiritual que o fazem ser admirado pelos

de onde extrai ideias e informações visuais que alicerçam

amigos e parceiros profissionais.

sua assinatura profissional. ►►

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Com espírito internacionalizado, Junior Grego morou fora

E mais, em paralelo ao trabalho de interiores, Junior Grego

do Brasil por muitos anos em países distintos, como Itália

também dirige uma empresa de consultoria de imagem em

e Grécia, em que trabalhou com decoração, e no Japão foi

que planeja a identidade visual de empresas e lojas e ain-

modelo de passarela – daí vem seu estilo contemporâneo-

da treina funcionários e cria estratégias de atendimento

-chique de se vestir – e começou a experimentar a função

que aprimoram o conceito da marca. Não à toa, ganhou a

de designer de interiores em residências particulares, com

alcunha de Midas por conta da habilidade e das estratégias

clientes indicados no boca a boca.

para driblar momentos de crise.

Hoje, mantém sua alma globe-trotter, mas Portugal e

A confiança de seus clientes é tamanha, que naturalmen-

França são países fetiches que estão sempre em seu ro-

te passaram a requisitá-lo para a divulgação de marcas e

teiro. Destinos de onde extrai não só a necessária energia

eventos. E assim surgiu mais uma ferramenta profissional

renovadora, mas, também, a tipicidade de dois antagôni-

que soma o trabalho em redes sociais e relacionamento.

cos estilos de vida, que propiciam uma mistura de lingua-

Em outras palavras, é um dos nomes que hoje mais movi-

gens essencial ao design contemporâneo.

mentam o mercado de eventos em design, arte e arquite-

A agenda tem de ser bem dosada para não acumular mui-

tura da cidade. Ser convidado por ele é ter status.

tas marcas do mesmo segmento e que oferecem produtos

Uma mostra da sua versatilidade para ditar o que

similares. “Para evitar concorrência interna, dedico a mes-

acontece em território carioca quando o assunto passa

ma atenção e os mesmos privilégios aos clientes, sempre

pelo bom gosto, característica que Junior Grego tem

imprimindo um toque de exclusividade a cada grife”.

em medidas exatas.

Ary Kaye

Focado no relacionamento com arquitetos e designers, Junior Grego promove um movimento constante no showroom da Artec Design, uma marca consagrada de pisos e revestimentos do empresário Carlos Herz.

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Na companhia de Anette Rivkind, sóciadiretora da Breton, grife de design em que Junior Grego cuida da identidade visual da loja e eventos da marca.


vitrines

DO RIO JUNIOR GREGO

-

O mundo a seus pes Criação exclusiva de Rodrigo Jorge e Fabio Bouillet para a Santa Mônica, a linha Grid inspira-se nos mapas urbanos das principais metrópoles de design do mundo. O tapete da foto é Paris, numa coleção que inclui ainda Nova York, Barcelona, Londres e Milão, em versões bicolores. A espessura do pelo em 12 milímetros deixa em destaque os rios que cortam as cidades, representados em bouclé. Top demais!  Santa

Mônica Tapetes e Carpetes [21] 3328 8927

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Conforto na medida Chancelada em 2014 com o Good Design Award e o Product Design Awards, a poltrona Ameli, além de linda, oferece conforto anatômico. Tem apoio de cabeça e regulagem de altura por meio de ajustes com um sistema de pêndulo. Em couro natural, exibe detalhes de acabamento em madeira maciça jequitibá, com tingimento ebanizado e envelhecido.  Breton

[21] 2108 8244

-

Centro das atencoes ~ Tenho acompanhado o trabalho do Estudio Manus desde 2012 com a exposição Fronteiras, no Palazzo Giureconsulti, em Milão. De lá para cá, me surpreendo cada vez mais com o design que eles aprontam, em autoria que transmite tudo ao mesmo tempo num só produto: arte, design, funcionalidade e poesia. É assim que enxergo, por exemplo, a mesa de centro Mani.  Ovoo

[21] 2108 6320

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-

Multiplos Fibra natural em malacca e costuras orgânicas. O que eu mais gosto no sofá Tez é o toque: sensorial. Disponível em diversas versões, incluindo as linhas retas tradicionais, o formato curvo e o estilo chaise. Chique sem fazer força!  Saccaro

[21] 2431 1556

^ Design organico A mistura entre matéria-prima natural e desenho puro deu forma ao banco Hacienda, um produto que permite ao usuário definir sua função: pode servir como banco e como mesa lateral ou de apoio. A alça de couro incrementa o visual da peça e facilita o manuseio.  Saccaro

[21] 2431 1556

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Movimento visual Projeto concebido em linhas simples e bom gosto extremado, o bufê Três, assinado pela designer Jacqueline Terpins. A estrutura em três blocos desnivelados confere movimento ao design e, numa perspectiva frontal, cria a ilusão de que parte do móvel flutua.  Finish

[21] 2429 8196

-

Humor como inspiracao ~ Você certamente já viu a poltrona Painho em alguma mostra de decoração importante ou nas páginas das revistas especializadas. Criação de Marcelo Rosenbaum e Fetiche Design, a peça faz referência ao famoso personagem de Chico Anysio. Em alumínio e trançada com corda náutica, é item que entra fácil na categoria “sonho de consumo” em decoração.  TIDELLI

[21] 2108 8293

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corporativo // artec design

espaço para

criar espaços EM NOVA FASE DE ATUAÇÃO, ARTEC DESIGN ABRE LOJA DE PISOS E REVESTIMENTOS DE LUXO NO CASASHOPPING POR BETINA PEPE DINIZ FOTOGRAFIA RAFAEL DORNELLES

UM ESPAÇO CONCEITUAL, em estilo showroom, proje-

Agora, além do atendimento aos arquitetos, em seus escri-

tado para receber profissionais de arquitetura e deco-

tórios, queremos também trazê-los até nós”, disse Carlos

ração de interiores e instalado no CasaShopping marca

Henrique Herz, que, depois de uma longa carreira como

a nova fase da Artec Design, especializada em pisos e

executivo de comércio exterior, dirige a empresa em so-

revestimentos de luxo.

ciedade com os sobrinhos Leonardo e Marcelo Herz.

Produtos importados e nacionais compõem o catálogo

Intimista e aconchegante, a nova sede da Artec é assina-

protagonizado por linhas europeias exclusivas e de alta

da por Mário Santos. O ambiente de exibição das peças é

qualidade, que trazem ao mercado carioca desde a varie-

integrado ao do escritório, formando um espaço ideal à

dade de cores até os marmorizados e acimentados que

realização de negócios, mas com iluminação e decoração

estão na vanguarda mundial do porcelanato.

que imprimem sofisticação e bem-estar.

Com sete anos de atuação no segmento, a Artec passa por

O escritório é todo montado com o material comercializa-

um momento de transição. Depois de consolidar-se como

do pela marca. Hexágonos encaixados dão um toque es-

importadora e distribuidora para grandes redes de loja, há

pecial nos pisos e paredes. Esse modelo de peça foi ven-

pelo menos três anos, a marca se especializou no atendi-

cedor em feiras e mostras do segmento e tornou-se um

mento direto aos escritórios de arquitetura, sempre bus-

ícone quando o assunto são as novas tendências.

cando a diferenciação e a exclusividade em seus produtos. Módulos hexagonais de porcelanato italiano também O fechamento do antigo escritório em um centro empresa-

compõem uma charmosa luminária desenhada por

rial e a abertura do novo espaço foram passos acertados.

Mário Santos. E o porcelanato esmaltado português co-

“A mudança para o CasaShopping aconteceu para criar

lorido é a matéria-prima dos porta-copos entregues ao

visibilidade com o nosso público-alvo que é o arquiteto.

cliente na hora de beber água. ►►

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O empresĂĄrio Carlos Herz, Ă frente da empresa, prioriza revestimentos europeus e linhas mais exclusivas.

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Carlos Herz conta que, no histórico da Artec Design, há a

“A Mirage investe muito em pesquisa e sempre sai na fren-

busca por produtos diferenciados no Brasil e no exterior

te. Está trazendo peças com aspecto de cimento, no estilo

e uma reciclagem constante nas grandes exposições do

mais artesanal, granito e pedras, sem esquecer das cores

mundo. Embora ele avalie que está cada vez mais difícil fe-

claras, como o off white”, destaca ele.

char contratos de exclusividade, ao menos duas linhas europeias de alto luxo só podem ser encontradas em sua loja.

Luminárias, porta-copos, cubas, entre outros, compõem um conjunto que indica outra vocação para a Artec: desen-

As cores são a característica do catálogo da portuguesa

volver uma linha de design com o material de seu mostruá-

Pavigrés, uma subversão ao branco e ao monocromático

rio. Embora Carlos Herz classifique isso como uma etapa

que imperaram por décadas no ramo de pisos e paredes.

futura, revela que já existem protótipos de objetos decorativos, desenhados por Mário Santos.

Há, sim, uma revalorização da cor, segundo o empresário, que comparece com ênfase nos projetos dos arquitetos.

A Artec também firmou parceria para a confecção de

Os marmorizados também estão voltando, com destaque

seis coleções exclusivas de azulejos desenvolvidas pela

no catálogo da linha italiana Mirage, que está entre as me-

designer Mônica Camargo. “Buscamos sempre inovar e re-

lhores da Itália e do mundo. Uma marca que privilegia gran-

interar a qualidade dos produtos que representamos, com

des formatos tanto para áreas internas como externas.

uma seleta grade de fornecedores”, finaliza Herz.

t

 Artec

Design CasaShopping, Bloco A | Salas 219 a 221 [21] 2108 6478 www.artecdesign.com.br

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corporativo // ronald goulart e julio vicente

o couro

multifuncional LINHAS CONTEMPORÂNEAS VALORIZAM A MATÉRIA-PRIMA DO NOVO ESPAÇO DA ITALIAN LEATHER EM UM PROJETO DO ARQUITETO RONALD GOULART SOB MEDIDA PARA O EMPRESÁRIO JULIO VICENTE POR BETINA PEPPE DINIZ FOTOGRAFIA JOÃO ANDRÉ BORGES

NO NOVO ESPAÇO

no Shopping UpTown, na Barra

Foi exatamente assim que a Italian Leather se estabe-

da Tijuca, as peças de couro penduradas são o pon-

leceu no mercado: como um showroom de couros para

to alto da decoração: uma cascata colorida foi cuida-

decoração de móveis e revestimentos de parede que

dosamente iluminada para ressaltar cores e texturas.

conjuga qualidade, variedade e requinte.

Do mostruário exposto, saem tons sofisticados de marrom, laranja, vinho e verde-musgo.

Depois de 12 anos no CasaShopping, a marca consolidou-se entre arquitetos e clientes finais. O cresci-

O piso cimentício e o laminado do mobiliário planeja-

mento rendeu a aquisição de uma sede própria, e três

do Treselle imprimem uma ideia de ambiente rústico e

salas foram anexadas para compor o novo espaço,

aconchegante e contrastam sutilmente com fórmicas

no shopping UpTown.

em alumínio na porta dos armários e com o conjunto de mesa e cadeiras Finish.

“Optamos por um conceito de espaço que integra a loja e o depósito, que também é um escritório. O próprio cou-

O ambiente é harmônico e sofisticado. O marrom da

ro é o destaque da decoração em todos os ambientes”,

charmosa poltrona Gaivota, de Ricardo Fasanello, en-

diz Julio, que trouxe a marca para o mercado carioca.

caixa-se com perfeição à proposta arquitetônica. O

A Italian Leather faz parte do grupo paulista La Novitá,

empresário Julio Vicente, 20 anos à frente da Italian

com 50 anos de atuação na cidade de São Paulo, onde estão

Leather, chega a comentar que gostaria de mudar o re-

uma loja e três depósitos.

vestimento do móvel. “Já são 12 anos convivendo com ele”, ele diz. O arquiteto Ronald Goulart, responsável

Integrado à loja, está um charmoso depósito-escri-

pelo projeto do novo espaço, rebate: “Quer maneira

tório, em que a reserva técnica do material exposto

melhor de mostrar ao cliente o quanto dura o couro que

divide espaço com a movimentação dos funcionários

você comercializa?”.

e os computadores nas mesas. ►►

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Showroom projetados para valorizar o atendimento e a visualização dos produtos.

As peças de couro ficam penduradas no teto, onde uma

Um mostruário com quase 200 artigos reúne várias famílias

estrutura metálica junta a instalação elétrica com luminá-

de couros, como Camurça, Nobuck, CH e Vaqueta. Uns têm

rias T5, acopladas diretamente sobre as calhas perfiladas.

aspecto mais rústico, enquanto outros são mais refinados.

Os móveis repetem as fórmicas de alumínio da sala vizinha

Todos vêm com acabamento específico. E o resultado é que o

e, em conjunto com os computadores, compõem um ambiente estilosamente moderno, em contraposição ao ar rústico do outro espaço. Cada canto foi preparado para receber o cliente, seja o arquiteto ou o consumidor final. E Ronald Goulart faz questão de dizer que o projeto foi construído a quatro mãos.

estoque atende a variados tipos de proposta. Voltada, em primeiro lugar, à indústria moveleira, a marca é forte também nas indústrias aeronáutica e náutica, como explica Julio Vicente, um nome reconhecido no mercado. A qualidade do material que ele comercializa permite aplicações variadas, como revestimentos de paredes.

“Foi um processo de troca de informações e de ideias,

“As chapas de MDF forradas com nosso couro decoram tan-

em que o Julio trouxe a questão prática do dia a dia e eu os

to uma parede de sala de jantar como tampos de mesa e de

aspectos técnicos”, contou ele. A obra é da J. Amorim

gaveta”, exemplifica. O empresário também faz questão de

Serviços e tanto Goulart como Julio descreveram a execução

frisar que a Italian Leather lida com pele natural, que é o ver-

como rápida e eficiente.

dadeiro “couro ecológico”. ►►

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As inúmeras opções de cores no acervo da Italian Leather inspiram o uso do couro em diversas funções e produtos.

“É importante entendermos que o couro é um subproduto da vaca. Não se mata o animal para produzir o couro. Mas aproveita-se a pele do animal que já foi abatido para outros fins. E isso, na realidade, acaba tornando esse processo produtivo mais sustentável”, explica. Segundo ele, é preciso desmistificar o conceito de couro ecológico construído no mercado, pois o material sintético comercializado com esse nome é, na verdade, altamente poluente. “O que se chama de couro ecológico é vinil, ou seja, é feito de puro petróleo”, esclarece Julio Vicente, ressaltando, por fim, que a indústria coureira vem implementando rigoroso controle ambiental em seus processos de produção. Os artigos são todos nacionais. “O Brasil é o maior fabricante e o maior exportador de couro do mundo. Todo ano, lançamos novas cores de acordo com as tendências”, acrescenta Julio Vicente, destacando a coleção de Nobucks 2016. Uma motivação especial para arquitetos e clientes diretos conhecerem a nova sede da Italian Leather.

t

 Italian

Leather Shopping UpTown Avenida Ayrton Senna, 5.500 Bloco 2 |Salas 229 a 231 [21] 3326-1790 www.italianleather.com.br

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privilĂŠgio // ricardo werwie

Ricardo Werwie elabora roteiros exclusivos, envolvido por luxos e privilĂŠgios, como o cruzeiro pelas paisagens geladas do Alasca. 148 Conceito A N. 18 2016


O MUNDO é sua

PROFISSÃO O ESTILO DE VIDA GLOBE-TROTTER DO EMPRESÁRIO RICARDO WERWIE, ESPECIALIZADO EM TURISMO DE LUXO E EXPERIÊNCIAS QUE VALORIZAM A EXCLUSIVIDADE POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE | AGÊNCIA ÂNGULO

O VERBO VIAJAR É CONJUGADO em todos os tempos

Às vésperas de completar dez anos, a RBW é a expressão

pelo empresário Ricardo Werwie, CEO da RBW Travel,

de uma trajetória de quase 70 anos dedicados ao turismo,

uma sólida e conceituada agência de turismo com sede

que se iniciou em 1948 com o patriarca Bruno Werwie à

no Rio e extensão em Miami. Pesquisador de lugares, ho-

frente da empreitada. Alemão radicado em território bra-

téis, restaurantes e atrações que fazem parte de um ro-

sileiro, abriu a sua primeira agência no Centro do Rio e, com

teiro memorável, Ricardo dedica-se a investigar o mundo

o tino e a perseverança dos que acreditam no sucesso, fir-

e extrair dele as melhores experiências de viagem para

mou-se em um segmento até então pouco explorado por

seus privilegiados clientes.

imigrantes europeus no país.

Multifuncional, o empresário cuida da administração, da

Hoje, a antiga empresa não tem mais a presença física

coordenação e das estratégias de negócios, mas também

de seu fundador, mas seu DNA empreendedor deu nova

se esmera no atendimento a um perfil de consumidor que

vida e novos rumos ao seu legado, dessa vez com o filho

classifica como “interessado em um ótimo relacionamento

Ricardo Werwie na direção. A empreitada soma, ainda, a

profissional e em excelentes resultados práticos”– concei-

sociedade administrativa da irmã Elisabeth Werwie, que

to que se sustenta nos constantes investimentos da em-

divide seu tempo produtivo entre o Brasil e a Alemanha,

presa em estrutura e conhecimento de mercado.

onde reside com o marido, um médico empresário. ►►

Conceito A N. 18 2016

149


Com o histórico familiar a favor, já que a experiência e a

Mas, como a diversificação faz parte do seu business,

credibilidade vieram como herança para a continuidade

Ricardo estendeu seu campo de atuação a diferentes es-

qualitativa dos negócios, Ricardo está sempre em busca

pecializações, que têm, em comum, a sofisticação na esco-

do novo e do melhor para se destacar dentro do segmento.

lha de hospedagem e serviços. Luxo cinco-estrelas ou luxo acessível fazem parte de seus programas.

É uma atitude das mais sábias, considerando que a proliferação de agências dedicadas ao turismo pela inter-

Um mercado em plena expansão na RBW é o de arte, de-

net e as vendas on-line de passagens e hospedagens

sign e arquitetura, o que consiste em levar empresas e

por sites e aplicativos modificaram o modelo de negócio.

profissionais do ramo para as grandes mostras interna-

“Não basta ser um prestador de serviço competente. O

cionais, como o Salão do Móvel em Milão e a Art Basel de

viajante precisa ser atraído por algo que a praticidade

Miami, ou ainda em montar roteiros exclusivos de acordo

virtual não oferece: individualização”, atesta Ricardo,

com os principais interesses nesses assuntos.

com conhecimento de causa. E não são poucos os temas por onde Ricardo transiAssociado à seleta chancela Virtuoso, entre outros selos

ta. Além dos já citados, têm altíssima procura os rotei-

de excelência que atestam a RBW como uma agência de

ros para programas exóticos. “Com a alta do câmbio,

alto padrão, o empresário concentra-se cada vez mais no

o viajante prefere investir em lugares desconhecidos e

turismo segmentado. Sua agência sempre foi referência

que vão proporcionar experiências de vida memoráveis,

no mundo corporativo, especialmente dedicado a feiras,

em cidades do Leste Europeu, em ilhas do Pacífico ou por

eventos e congressos médicos. E, com o interesse cres-

recantos da Índia, por exemplo.”

cente pela gastronomia mundo afora, criou ainda um nicho voltado ao turismo gourmet, oferecendo roteiros que

Os cruzeiros de alto luxo são a cereja do bolo da

incluem não só a boa mesa, como também cursos e aulas

agência, em navios com estrutura e atividades de

exclusivas com chefs estrelados.

requinte inimaginável, como Crystal Cruises, Silversea e

Couro, linho e estaparias são elementos que valorizam os espaços projetados por Luiz Fernando Grabowsky 150 Conceito A N. 18 2016

Em meio às águas polinésias no Taiti, o hotel The Brando fica na ilha que já pertenceu ao ator Marlon Brando.


Templos e monumentos budistas são os principais atrativos para conhecer a Indochina, um dos destinos mais requisitados na RBW.

SeaDream, cujas rotas atravessam paisagens de cartão

“Há troca de informações real, contato, o que permite a

postal. “Uma delas é para o Alasca, em jornada de tirar o

personalização e a adequação das escolhas. Responder

fôlego”, indica o especialista.

um questionário on-line dificilmente vai ser tão eficiente quanto uma interação entre pessoas. Sem falar nos pos-

Propiciando experiências mais dinâmicas, o turismo

síveis contratempos: uma máquina não resolve problemas

ecológico arrebanha um grupo fiel, que a cada tempo-

como um cancelamento de voo”.

rada explora caminhadas, mergulhos, escaladas e o que mais permitirem a disposição física e o espírito aven-

Outra vantagem ressaltada por Ricardo são os privilégios

tureiro. “Explorar o deserto do Atacama, com a carac-

que um agente de viagens pode conquistar para o cliente:

terística de ser o mais alto e árido do mundo, é um dos

“Entre as regalias, podemos incluir o café da manhã num

ecopasseios mais procurados”.

hotel cinco-estrelas, o upgrade de categoria na hospedagem, early check in, late check out e até o serviço de um

Para prestar essa consultoria embasada, Ricardo cos-

mordomo ou motorista exclusivos.”

tuma visitar os hotéis mundo afora que indica aos seus clientes. Além disso, faz questão de experimentar a gas-

Mas, nem por isso, Ricardo rejeita a modernização de seu

tronomia local e vivenciar passeios para conhecer em

setor. Para dar ao seu cliente a oportunidade de pesqui-

detalhes as características do seu universo profissional.

sar e sondar roteiros e orçamento de viagem, acaba de

“É o que me permite criar um roteiro sem receio de er-

colocar em seu site um sistema virtual de vendas no mes-

rar nas escolhas e, com isso, atender às expectativas do

mo formato dos que proliferam na internet. “Os valores

meu cliente e, mais do que isso, surpreendê-lo de modo

são os mesmos da concorrência. A única diferença é que

positivo.”Um trato mais humanizado na programação

está integrado a uma agência de viagens física, o que dá

de uma viagem, acredita Werwie, é a principal diferença

a opção ao usuário de concluir virtualmente a compra ou

entre o serviço prestado por uma agência de viagem e

utilizar a ferramenta só como pesquisa e finalizar direto

por um site virtual.

com um dos nossos agentes.” ►► Conceito A N. 18 2016

151


Aventura e muito movimento no bike tour por trilhas montanhosas na Austrália. Com guia e mordomias que valorizam o passeio.

Com a mesma meta de vender facilidades com alta qualidade profissional, Ricardo desenvolveu um sistema de atendimento personalíssimo focado no perfil executivo e empresarial, que significa levar a agência até o cliente. “Não é por falta de tempo que um cliente da RBW vai deixar de realizar uma viagem impecável.”

 RBW

Travel www.rbwtravel.com Rio de Janeiro Rua México, 45, sala 201 | Centro [21] 3527 0800 São Paulo [11] 4063 4398

Regalias que abrangem tanto o mundo corporativo quan-

Estados Unidos

to viagens familiares de entretenimento e lazer. Em seu

+1 786 360 8627

rol de clientes, constam casais que viajaram pela RBW em lua de mel e hoje procuram a agência para as temporadas de férias já com os filhos. Uma carreira muito bem-sucedida e que Werwie faz questão de aprimorar a cada viagem que acrescenta ao seu currículo profissional. “Para mim, o trabalho está concluído não quando fecho o programa e a venda, mas quando o cliente retorna para casa e me diz que vai pensar para onde vai ser a próxima”. Resultado de um serviço bem feito.

152 Conceito A N. 18 2016

t


retrato // walt disney

um Homem,

um reino um personagem ERA UMA VEZ UM HOMEM DE ESPÍRITO EMPREENDEDOR QUE FUNDOU UM REINO DE FANTASIAS E CRIOU O PERSONAGEM MAIS POP E ICONOGRÁFICO DA INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO

154 Conceito A N. 18 2016

POR NATHALIA POMPEU FOTOGRAFIA ACERVO DISNEY


Da prancheta de Walt Disney sairam os esboços de personagens e reinos encantados, em um mundo que leva sua assinatura criativa e autoral.

IMPOSSÍVEL DISSOCIAR A IMAGEM de Mickey Mouse de

Missouri, em 1906, onde o garoto chamado simplesmen-

tudo que se relaciona ao mundo encantado de Walt Dis-

te de Walt descobriu o verde dos vales, conviveu com os

ney. Sua marcante silhueta, de orelhas simetricamente ar-

animais da propriedade e soltou a imaginação através dos

redondadas, virou símbolo da mais bem-sucedida empre-

contos e romances europeus que sua mãe lia para ele to-

sa dedicada à diversão em família. Mickey é como se fosse

das as noites. Essas experiências influenciaram sua per-

um embaixador da marca e seu principal anfitrião.

sonalidade e despertaram uma vocação, um ideal de vida

É ele quem dá as boas-vindas e comparece incansável em quase tudo no complexo Disney: em parques, hotéis, restaurantes, lojas... Sua onipresença parece realmente magia. Mas na vida real é design. Uma criação perfeita para o cenário inventivo em que transita. Sim, antes dele houve Oswald the Lucky Rabbit, um coelho que, por inúmeras questões de mercado e direitos de imagem em seu caminho, não teve tanta sorte assim. Já o ratinho que o precedeu parecia ter uma história predestinada ao sucesso. E, como toda história bem contada tem começo, meio e continuidades sem fim, a da criação de Mickey atravessou vários capítulos até chegar aos tempos atuais. Do ratinho vintage assoviando serele-

que, tempos adiante, se transformaria na Disney World – ele mesmo se tornaria um grande contador de histórias e o pioneiro dos longas de animação. Uma obra que revela influências artísticas fluindo livremente e fez o velho continente encontrar os Estados Unidos numa fusão admirável de linguagens. Só para exemplificar, muitos dos longas produzidos pelos estúdios da Walt Disney tiveram origem em bibliotecas europeias: Bambi veio de Felix Salten, Branca de Neve, dos irmãos Grimm, Pinóquio, do italiano Carlo Collodi, e Alice no país das maravilhas, do inglês Lewis Carroll. Ele não tinha receio de misturar as pinturas dos românticos alemães com ilustrações para crianças ou

pe num timão de navio até o minimalismo de três esferas

Shakespeare com vaudeville. Sua abordagem era uma sim-

perfeitas na composição do personagem, Mickey Mouse

biose natural entre sua intuição pessoal e a cultura erudi-

tem uma interessante trajetória na vida de seu mentor.

ta que sempre o fascinou. Para isso, Walt Disney cercou-se

Walter Disney nasceu em Chicago, em 1901. O pai dele, um

de desenhistas com sólida bagagem acadêmica, entre eles

faz-tudo, levou a família para uma fazenda no interior do

Albert Hurter, Gustaf Tenggren e Kay Nielsen. ►►

Conceito A N. 18 2016

155


O criador e a criatura: um rato que se tornou símbolo pop e a principal imagem da Disney World.

E foi também da iconografia europeia que surgiram os

Nos bastidores, a parceria entre os dois sofreu abalos, a

traços embrionários de seu Mickey, por meio de autores

relação profissional não teve um happy ending. No entan-

que deram forma humanizada e lúdica à imagem dos roe-

to, o legado da dupla perpetuou-se. Mais do que um astro,

dores, como o ilustrador francês Benjamin Rabier, Philippi

o personagem de Ub para Disney tornou-se um dos ícones

Roussou com o ”rato isolado do mundo” e Beatrix Potter,

mais representativos do século XX e sua fama só faz cres-

com seus ratinhos em tons pastéis, ou o alemão Heinrich

cer ao longo das décadas.

Kley com ratos tocando violinos (artista que Disney colecionava). Enfim, é quase um fato científico: eles são como

Aos 88 anos de sua criação, Mickey passou por diversas

“primos distantes” de Mickey Mouse, que começou a to-

mudanças em seu design até alcançar a figura emblemáti-

mar forma em 1928, pelas mãos do desenhista Ub Iwerks,

ca que rompeu os territórios da Disney. Ganhou status de

sócio e colaborador de Walt, em esboços de um perso-

arte em versões que passam pela linguagem pop de Andy

nagem que logo se tornaria uma estrela. Nesse mesmo

Warhol, o minimalismo pontilhado de Damien Hirst, o gra-

ano, estreou Steamboat Willie, um curta-metragem em

fitismo de Banksy e o neossurrealismo de Mario Soria, en-

preto e branco de pouco mais que sete minutos de dura-

tre os célebres. No Brasil, já foi tema das apropriações de

ção. Primeiro filme de animação com som sincronizado e

Nelson Leirner, como a obra Mapa-Mundi, e também sim-

com o selo Walt Disney Studio, que fez o mundo descobrir

boliza a capa desta edição da Conceito A, numa releitura

Mickey Mouse e se apaixonar por ele.

desconstruída do artista digital Marco Mussi.

156 Conceito A N. 18 2016


Designers de vários cantos do mundo também se rende-

como Carrie Bradshaw, Rihanna, Katy Perry, Kate Moss,

ram à sua forma e poder de sedução. O american mouse

Rita Ora e Lady Gaga, que vestem a camisa do mouse mais

ganha releitura em objetos cênicos de mil e uma utilida-

famoso do planeta.

des: de contemplativas esculturas a poltronas e luminárias. Tudo é possível com Mickey como modelo.

E ainda tem... Bom, melhor parar por aqui, porque os exemplos de sua influência e representações são intermináveis.

O universo da moda é outro que faz sua reverência e

Um sucesso como produto e protagonista absoluto de um

MM é sempre um look high-fashion. Das t-shirts de ma-

mercado internacional dedicado ao entretenimento e la-

gazines populares às coleções grifadas, já desfilou em

zer que arrebata gerações de fãs. Sem nenhuma dúvida,

passarelas influentes do porte da Dolce & Gabbana e de

Walt Disney soube materializar, como ninguém, o conceito

Marc Jacobs, fez a cabeça do chapeleiro Philip Treacy e

de fantasia. E como ele sempre disse ao longo de sua notá-

caiu no gosto de personas e personagens fashionistas

vel trajetória: “Tudo começou com um rato...”. The end!

t

A clássica cena do curta metragem Steamboat Willie, de 1928, que mostrou o Mickey Mouse para o mundo. Conceito A N. 18 2016

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explore // golden oak

omickey

c o arquiteto mo

COM A CHANCELA DISNEY, O CONDOMÍNIO DE ALTO LUXO GOLDEN OAK, INSTALADO NA ÁREA DOS PARQUES EM ORLANDO, PROPÕE UM MODO DE VIDA SOFISTICADO, CERCADO DE FANTASIA POR TODOS OS LADOS

POR KATHIA POMPEU COLABOAÇÃO NATHALIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE | AGÊNCIA ÂNGULO

“ONCE UPON A TIME...”, a notória introdução das histó-

exagero temático. A presença do Mickey e de outros tan-

rias de princesas, príncipes e castelos encantados, ganhou

tos personagens célebres desse universo fantasioso des-

traços contemporâneos nos domínios do Golden Oak, em

taca-se não só nas áreas externas, mas também na am-

Walt Disney World Resort. Uma magia que permite luxos

bientação das propriedades, tudo com sutileza elegante,

inimagináveis e inclui aquela casa de sonhar acordado, em

pontuada. Nada que faça cair na exaustão visual ou trans-

que conforto, requinte e exclusividade fazem parte da

formar a decoração numa alegoria de parque de diversões.

proposta de morar. O design de interiores das casas segue o american way Ao passar pelo portão de entrada, tem-se a impres-

of life, como cozinha integrada ao living, mobiliário clás-

são de que tudo foi planejado com esmero, em cada

sico que privilegia o conforto, lareira, aposentos com

metro quadrado, para criar uma atmosfera lúdica, com

entrada privativa para hóspedes e mais amplos espa-

gramados verdejantes, lagos imponentes, jardins flo-

ços dedicados ao lazer, com piscina, cozinha gourmet e

ridos e lindas mansões. Mais do que um cenário de

home theater entre as atrações pensadas para a família.

contos de fadas, a propriedade oferece um estilo de vida de resort, em meio a Lake Buena Vista, na Flórida.

Mesmo com um padrão predeterminado na arquitetura,

São quatro diferentes bairros, Carolwood, Carolwood

cada casa recebe uma linguagem própria, personalizada,

Reserve, Silverbrook e Kimball Trace, com projetos arqui-

de ambientação, definida pelos proprietários com a assi-

tetônicos que evocam o Velho Mundo e o romantismo de

natura da grife e que dá aquele toque temático desejável a

vilarejos mediterrâneos. Projetado pelos engenheiros

uma casa particular dentro da Disney: pode ser um qua-

criativos da Disney, chamados Imagineers, o empreen-

dro, uma escultura, um detalhe no corrimão da escada, um

dimento acompanha a identidade da marca, sem cair no

padrão de tecido ou uma luminária. ►►

158 Conceito A N. 18 2016


Conceito A N. 18 2016

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160 Conceito A N. 18 2016


Conceito A N. 18 2016

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A identidade Disney está presente em detalhes cheios de charme em meio a uma ambientação de luxo informal.

Mas, se a proposta for entrar literalmente na fantasia, os designers responsáveis pela personalização das casas também elaboram projetos especiais. Com essa intenção, tudo é possível, como murais pintados à mão com cenas de contos de fadas e personagens de histórias infantis envolvendo a suíte das crianças ou, para os mais crescidos, um clima retrô conduzido pelo Mickey vintage. ►►

162 Conceito A N. 18 2016


O estilo americano de morar conduz o projeto arquitet么nico e de interiores.

Conceito A N. 18 2016

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ReferĂŞncias ao Mickey Mouse assinadas pela Imagineers ditam o clima temĂĄtico em uma casa na Disney.

164 Conceito A N. 18 2016


Cada um a seu modo e estilo, os quartos convidam a sonhos envolvidos por ambientes encantadores.

Como a exclusividade faz parte da proposta, o Golden Oak limitou em 450 o número máximo de residências, fixadas em uma área de mais de 900 acres. Um privilégio para poucos, considerando-se que, para ser um proprietário nesse condomínio, os valores partem de US$ 2 milhões nas construções menores, com 400 metros quadrados e cinco quartos, e mais uma anuidade condominial de US$ 10 mil. É claro que esse investimento oferece algumas regalias aos proprietários, como o clube privado Summerhouse, que tem estrutura e mordomias de hotel cinco-estrelas e inclui spa, fitness, piscina externa aquecida e lounges de convívio social, entre as atividades. ►► Conceito A N. 18 2016

165


166 Conceito A N. 18 2016


Os proprietários também usufruem de privilégios nos serviços vips da Disney. Alguns deles já fazem parte do Golden Oak Club, como translado exclusivo para os parques da rede e descontos em lojas, enquanto outros são disponibilizados mediante uma taxa adicional. É o caso do Vip Guide Tour, um serviço exclusivíssimo que leva pequenos grupos de família ou amigos (de até dez pessoas) para As áreas de convívio social e lazer ganham ênfase no condomínio Golden Oak, com detalhes pensados em linguagem resort.

brincar nos parques sem enfrentar fila. A tarifa, proporcional ao luxo que ela oferece, é calculada por hora. Mas, cá para nós, quem é dono de uma casa na Disney não tem qualquer pressa de brincar. Tudo faz parte da farra que ecoa o lema “have a magical day”.



t

www.goldenoak.com

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167


explore // markham’s

REINO GOURMET

EXCLUSIVO DO GOLDEN OAK, O RESTAURANTE MARKHAM’S DESTACA-SE POR UMA CULINÁRIA SOFISTICADA QUE LEVA À MESA TODA A MAGIA DE INGREDIENTES E TEMPEROS EM RECEITAS DA NOVA COZINHA AMERICANA DE INFLUÊNCIA EUROPEIA POR KATHIA POMPEU COLABOAÇÃO NATHALIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE / AGÊNCIA ÂNGULO

O CONCEITO DE REINO MÁGICO nesse seleto espaço

domingo e para jantar de sexta a sábado. Sob reserva,

gourmet é de forno e fogão. Sem personagens e alegorias

para garantir a excelência na organização do serviço e no

temáticas, a proposta no Markham’s é manter a elegância

preparo dos pratos.

contemporânea na composição do ambiente e criar um cardápio que privilegia o bom gosto, no sentido literal e

As boas-vindas começam no lounge do Tyler Bar, de lin-

estético da expressão.

guagem sóbria e requintada, onde se pode desfrutar um drinque aperitivo ou iniciar a degustação com a excelên-

Restrito aos residentes do condomínio Golden Oak

cia de um vinho indicado pelo sommelier da casa. A adega,

Walt Disney World Resort e a seletos convidados, o res-

com rótulos de origens californianas, italianas e france-

taurante abre para café da manhã e almoço de quinta a

sas, em sua maioria, inspira ótimas harmonizações. ►►

168 Conceito A N. 18 2016

Ambientação requintada em linguagem clássica reitera o prazer de beber e comer bem.


Conceito A N. 18 2016

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170 Conceito A N. 18 2016


O contemporâneo chique predomina na cena e à mesa do Markham’s, propiciando deliciosas experiências.

Adiante, emoldurado por janelas com vista para os jardins,

total liberdade inventiva e procuro conciliar novos concei-

o salão do Markham’s tem um toque rústico e atual, combi-

tos gastronômicos à sustentabilidade no seu preparo”, en-

nando tijolos aparentes, couro nos revestimentos e vigas

fatiza,com conhecimento de causa.

de madeira a uma linha clássica de móveis, que confere aconchego informal com personalidade. Sim, há alguns

Para isso, na cozinha de Russell nunca faltam frutas,

acenos para Walt Disney, como um chapéu estilo cowboy

legumes e verduras de cultivo orgânico e ingredientes

que pertenceu ao mentor dos parques, exposto em uma

sem adubos químicos e hormônios, o que inclui a prefe-

redoma de vidro de forma discreta no ambiente.

rência por carnes certificadas por um sistema produtivo ambientalmente correto. Da mesma forma, privilegia

Mas é à mesa que eclode o encantamento essencial ao

produtos made in USA, a maioria trazidos de Kissimee,

lugar, com pratos elaborados pelo chef Russell Palmer,

ao sul de Orlando, o que garante frescor e vitalidade à

de Portland, New England, que já passou pela rede Four

mesa. Um compromisso profissional que vai ao encontro

Seasons e pelo italiano Mamma Melrose’s no Hollywood

do estilo de vida do chef, que, por sinal, tem como hobby

Studios, entre outras cozinhas, e há pouco mais de um ano

fabricar em casa sua própria cerveja, ao modo artesanal.

assina o cardápio do Golden Oak. Mas, voltando ao menu do Markham’s, entre as iguarias Em seu menu, que muda semanalmente, sobressai a in-

que já passaram por seu preparo, uma das mais elogiadas

fluência da novíssima culinária nova-iorquina apoiada em

e recorrentes em sua coleção de receitas é o tomahawk

técnicas embasadas na cozinha europeia, em especial a

ribeye, um substancioso filé de costela maturado por

francesa. O resultado são pratos criativos que valorizam

28 dias e servido bruto, com osso, acompanhado de ba-

o sabor, a apresentação e os alimentos saudáveis. “Tenho

tatas gratinadas ao cheddar e molho de especiarias.

Conceito A N. 18 2016

►►

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Mais light, a wedge salad carrega uma chancela exclusivíssima, elaborada com verduras e legumes cultivados no território de pesquisas agronômicas do Epcot, dentro do parque na Disney. Para adoçar ainda mais a vida, a equipe de pâtisserie comparece com clássicos da confeitaria americana, como a blueberry pie e o ice cream vanilla ou ainda a sofisticação da terrine de chocolate com folhado de ouro comestível na cobertura. Um desfecho coerente, já que estamos falando de uma experiência gourmet em um restaurante instalado no território Disney, onde comer bem e beber com elegância fazem parte do encanto.

Ingredientes orgânicos e apresentações estimulantes predominam nas receitas elaboradas pelo chef Russell Palmer.

172 Conceito A N. 18 2016

t


arquitetura da gula // bene belissimo brunch

174 Conceito A N. 18 2016


VIAGEM ^

GASTRONoMICA

De frente para o mar, o brunch dominical do Sheraton é programa que atrai turistas e moradores da cidade.

A ORIGEM É BRITÂNICA, O RESTAURANTE ITALIANO, O BUFÊ AMERICANO E A PAISAGEM CARIOQUÍSSIMA. UMA MISTURA INTERNACIONALIZADA QUE ACRESCENTA PECULIAR TEMPERO AO NOVO BRUNCH DO HOTEL SHERATON POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA MARCO ANTONIO REZENDE | AGÊNCIA Â NGULO

O CENÁRIO NÃO PODERIA SER MAIS apetitoso, com a

Ao lado da área da piscina do resort, o espaço combina

orla do Leblon ao Arpoador descortinada para o salão do

elegância e informalidade, em que predominam a ilumi-

restaurante Bene, onde se serve o brunch, um costume

nação natural e cores sóbrias em toda a ambientação,

culinário inglês que combina o café da manhã (breakfast)

conceitos que deixam em destaque o colorido dos pratos

com o almoço (lunch).

apresentados no Bene Belissimo Brunch, nome que tem tudo a ver com a proposta.

Mas, deixando a etimologia de lado, o que conta aqui é o cardápio de extensa variedade, servido, como pede

Um passeio gastronômico que começa com itens tradi-

a tradição, de 11h às 16h, aos domingos, o que torna a

cionais de café da manhã no melhor estilo american way,

refeição uma experiência prazerosa de degustar sem

incluindo estação de waffles, panquecas, ovos e mais uma

pressa e, de preferência, compartilhada com a família

variedade de salsichas. Já a bancada de frios desponta com

e os amigos em torno da mesa.

uma seleção à italiana, composta de presunto de Parma, ►► Conceito A N. 18 2016

175


mortadela, bresaola e salame milano entre os itens. Ao

italiano, as pastas frescas artesanais, elaboradas pe-

lado, queijos nacionais e importados, com ênfase nos

las mãos habilidosas da equipe de cozinheiros do Bene,

macios franceses e nos densos italianos. O grana padano

que trabalham em uma parte da cozinha aberta à apre-

adoçado com mel natural, só para exemplificar, faz o dia

ciação dos comensais ao preparo. Nesse quesito, po-

feliz. Acompanhando essa fartura, diferentes cestas de

dem constar pappardelle carbonara, gnocchi com mo-

pães feitos na casa exibem baguetes, focaccias, grissinis,

zarela de búfala e tomate, ravióli recheado de batata,

brioches, integrais e outras variedades, recém-saídos das

mini rigatoni à matriciana, penne ao pesto ou até um

fornadas quentinhos e crocantes.

básico espaguete bolonhês para as crianças. Ao gosto.

Já caminhando para o almoço, o bufê de antepastos

Há também uma linha de pratos quentes que mudam a

comparece com saladas, marinados, legumes grelha-

cada domingo, como peixe ao sal ou rosbife servido com

dos e bruschettas entre as opções que contrastam

yorkshire pudding. E, para fechar o passeio gastronômico,

em tonalidades, aromas e texturas numa combinação

a mesa de sobremesas é pura tentação, exibindo doçuras

irresistível ao paladar.

de receitas multinacionais do tipo cannoli siciliani, bolo de mousse de chocolate, delícia ao limone, pudim de leite e,

Aos que apreciam os sabores do mar, chega à mesa a

na linha mais light, a suculência das frutas tropicais.

influência mediterrânea com caudas de lagosta, camarões VG, polvo, mexilhões e lulas, em apresentações

Um programa dominical com a atmosfera delux do maior

esculturais, como pede a gastronomia contemporânea.

resort urbano do Rio, que deixa aquele gostinho de viajar

E, claro, como convém à boa mesa de um restaurante

pelo mundo sem sair da própria cidade.

Cardápio inspirado em receitas de variadas origens inclui pratos do Mediterrâneo e composições afrancesadas. 176 Conceito A N. 18 2016

 Sheraton

t

Rio Hotel & Resort Avenida Niemeyer, 121 – Leblon [21] 2529 1291 Domingos das 11h30 às 16h bene.rio@sheraton.com


Circuito

Elegante

por priscila bentes

hotel de selva HOSPEDAGEM TÍPICA REGIONAL, O CRISTALINO JUNGLE LODGE RESPEITA O MEIO AMBIENTE EM MEIO À EXUBERÂNCIA SELVAGEM

178 Conceito A N. 18 2016


EIS QUE FINALMENTE CHEGO A Alta Floresta, um destino desejado desde que ouvi pela primeira vez a palavra Cristalino, nome de um lindo rio, que nasce no estado do Pará e segue pelo extremo norte de Mato Grosso, desaguando no Teles Pires, afluente do rio Amazonas.

Projeto arquitetônico que respeita o meio ambiente com soluções sustentáveis.

Nas margens do Cristalino, encontra-se um hotel de selva da melhor qualidade, o Cristalino Jungle Lodge, não só por sua localização, mas, principalmente, por sua infraestrutura, serviço, acomodações, gastronomia e passeios guiados. A chegada é por um único voo diário da empresa Azul, que sai de Cuiabá para a cidade de Alta Floresta. A segunda etapa é um percurso de 40 quilômetros por terra, num veículo exclusivo, até as margens do rio, e por último um trajeto de lancha rumo ao resort, cercado por uma mata fechada e ao som das águas e voos rasantes dos pássaros da selva. Já na recepção no Lodge, em um deck flutuante, as boas-vindas com champanhe e suco de açaí servidas em bandejas com flores nativas. Após o brinde, segui para o meu bangalô – número 10, único com banheira externa, entre os 18 da propriedade. Todos muito especiais. A começar pela proposta de sustentabilidade, com tratamento e reuso da água através da permacultura. O projeto arquitetônico é da filha de Vitória Riva, proprietária do lugar, que criou uma infraestrutura que respeita e preserva o meio ambiente. Da mesma forma, a gastronomia típica enfatiza receitas e ingredientes locais. O café da manhã já surpreende, servido bem cedo, com grande variedade e bela apresentação – principalmente quando se leva em conta a operação de comprar e transportar alguns alimentos por terra e água, diariamente. ►► Conceito A N. 18 2016

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Sofisticada linguagem de selva em toda a ambientação do bangalô 10, único com banheira ao ar livre no Lodge.

E por se tratar de hotel encravado no meio da selva, os

À tarde, a pedida é um passeio de caiaque pelo rio Cristali-

passeios são o ponto alto da estada. Com a orientação de

no, para presenciar um belíssimo pôr do sol na confluência

um guia local, é possível desbravar as matas e rios com se-

do rio Teles Pires.

gurança e encantamento. Em sintonia com a sustentabilidade, a proprietária do O dia na Amazônia começa bem cedo. Se a intenção é ver as

hotel costuma organizar palestras para os hóspedes

revoadas dos mais belos pássaros e também um lindo nas-

interessados em temas ecológicos, ilustradas por

cer do sol, prepare-se para acordar pontualmente às 4h30.

vídeos e fotos, sobre o trabalho que desenvolve com a

Por isso, antes de dormir, o ideal é deixar tudo preparado –

conscientização da população ribeirinha a respeito da

calças de tactel, camiseta dry fit, botas, chapéu UV, casaco,

preservação da natureza.

mochila, repelente, óculos de sol, protetor solar, lanterna e máquina fotográfica, entre os principais apetrechos.

Um trabalho exemplar, que só faz reforçar a excelente fama internacional do Cristalino, eleito pela National

Nessas expedições, é possível avistar araras vermelhas,

Geographic Traveler um dos 25 melhores eco lodges do

tucanos, maritacas e macacos, entre outros “habitantes”

mundo para visitar. De fato, um santuário ecológico que

da Amazônia. Eu tive a sorte de apreciar a beleza do pássa-

nos provoca uma intensa sensação de felicidade em con-

ro uirapuru e seu canto quase que sagrado. Emocionante!

tato direto com a natureza e seus encantos.

Da flora, surpresas como uma castanheira de mais de

 Circuito

800 anos. Tão grande que, para abraçá-la, precisa-se de, no mínimo, sete adultos em sua volta.

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t

Elegante

Edifício Barra Office - Avenida Olegário Maciel, 231 Sala 214 | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ [21] 2217 4850 | www.circuitoelegante.com.br


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nรกutica // sarah moreira

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DIÁRIO DE

bordo EMBARCADOS EM UM CATAMARÃ LAGOON 440, RECEBEMOS AMIGOS E HÓSPEDES PARA PASSEIOS PARADISÍACOS POR MARES EUROPEUS. AQUI ESTÁ UM BREVE RELATO DESSA NOSSA VIDA AVENTUREIRA POR SARAH MOREIRA FOTOGRAFIA ACERVO SAIL IPANEMA

SABE AQUELA VONTADE DE chutar o balde e ir viver

E lá fomos nós passar dez dias com eles no Bay Dreamer,

uma aventura? Deu medo e uma baita insegurança,

um catamarã Lagoon, de 38 pés. Eu segui para a viagem

mas foi o que meu marido Renato Matiolli e eu deci-

com um misto de curiosidade, ansiedade e pânico. A ideia

dimos fazer: largar tudo – o trabalho estável, o apar-

de morar num barco e viajar o mundo era tentadora, mas o

tamento bacana, a cidade, a família e os amigos – e ir

que nos preocupava era como nos adaptar a esse universo

morar num barco com o nosso cachorro.

sem nenhuma prática náutica. Tínhamos de experimentar.

A ideia era simplesmente ir viver a vida fora do convencio-

A viagem foi simplesmente incrível. Dormir no mar e na-

nal, conhecer novos lugares, pessoas diferentes, correr

vegar pelas ilhas San Blas, no Caribe, absorvendo toda

o mundo. Um projeto que começou a ser pensado há uns

a experiência daquele casal aventureiro, foi derradeiro

três anos, mas que tomou força desde que fomos a Bali,

para nos fazer crer que também seríamos capazes e,

na Indonésia, numa viagem de férias, e experimentamos o

mais do que isso, nos deu a certeza de que era esse ca-

prazer de um estilo de vida em contato mais direto com a

minho que queríamos seguir.

natureza e num ritmo bem menos acelerado. Soubemos depois que muitas pessoas adotaram esse Renato trabalhava em consultoria estratégica para várias

modo de vida pelo mundo e conseguem se sustentar

empresas e eu era diretora de RP para uma grande rede

hospedando pessoas no barco, fazendo passeios e dan-

de hotéis internacional, por isso foi preciso uma dose farta

do aulas de esportes aquáticos.

de ousadia para soltar as amarras e embarcar num sonho existencial. No nosso caso, embarcar é verbo literal, pois a

Certos de quer era isso que queríamos, nos preparamos

decisão de mudar o modo de viver incluía não só a compra

muito durante dois anos. No fim de 2014, compramos o

de um barco, como ainda morar nele. A única questão era

nosso barco na Croácia - além de ter um valor mais acessível

como, na prática, sustentaríamos esse projeto.

para a nossa realidade financeira, é também um ótimo lugar para quem pretende trabalhar com turismo. E com foco no

Foi, então, que o Renato, em uma pesquisa na internet,

autossustentável, adotamos vários recursos fundamen-

soube da história de um casal de suecos que havia larga-

tais, como painéis solares, dessalinizador de água, baterias,

do a cidade grande e estava velejando ao redor do mun-

gerador e inversor. Nossa intenção era evitar os custos al-

do a bordo de um catamarã e recebendo hóspedes como

tos das marinhas e poder ancorar em lugares paradisíacos

meio de sustentar a aventura.

sem nenhum problema estrutural. ►► Conceito A N. 18 2016

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E assim viramos proprietários de um catamarã Lagoon 440, que batizamos de Ipanema, bairro carioca onde nos conhecemos e moramos por boa parte dos quatro anos em que vivemos juntos. Um barco de 44 pés (14 metros de comprimento), com quatro suítes e muito conforto nas instalações. Nós moramos em uma das cabines e as outras três são reservadas para receber amigos e hóspedes. Nossa escolha não poderia ter sido mais acertada. A Lagoon é uma reconhecida marca francesa e a que mais vende catamarãs no mundo desde 1984, quando foi fundada como uma subsidiária da Jeanneau Technologies Avancées, o departamento de competição da Jeanneau, que ganhou sua reputação produzindo premiados veleiros monocascos e multicascos. Hoje, a Lagoon é parte da CNB, uma divisão do grupo Beneteau, líder em veleiros de lazer, que oferece uma gama de catamarãs desenvolvidos pelos renomados arquitetos navais Marc Van Peteghem e Vincent Lauriot Prévost, que já tiveram inúmeros barcos premiados em eventos ao redor do mundo. Um dos seus designs mais recentes foi o famoso trimarã Oracle, vencedor da America’s Cup de 2010. A Lagoon é reconhecida pela sua alta qualidade, mas principalmente pelo seu design interior, com layouts que aproveitam muito bem seus espaços internos para mais conforto sem deixar de lado a performance. Agora era partir para a nova vida, mas não queríamos ir sozinhos. Como ter um cachorro já fazia parte dos nossos planos, adotamos o Feijão, um bull terrier que hoje tem quase dois anos e que adora o nosso estilo de viver ao mar, além de ser dócil com os visitantes do barco. Finalmente, zarpamos em abril de 2015 e começamos com o pé direito, participando da anual Adriatic Lagoon Regatta – que nessa edição saiu de Split em direção às famosas ilhas de Hvar, Solta e Pakleni, na Croácia. Uma regata, na verdade, mais para diversão do que para competição, da qual nós fomos os primeiros brasileiros a participar. Chegamos em terceiro lugar e até subimos no pódio para receber um troféu!! Quem diria, os brasileiros novatos... Nas primeiras semanas, navegamos pelo Leste EuCenários incríveis fazem parte dos nossos roteiros navegando pelo Mediterrâneo.

ropeu, passando por inúmeras das ilhas Dálmatas e a maravilhosa cidade croata de Dubrovnik. E começamos a receber os primeiros hóspedes. Nossa próxima rota foi em direção à Puglia.

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A travessia de Dubrovnik para Bari foi nossa primeira via-

mesma vontade de largar tudo e morar num barco e deci-

gem em alto-mar, apenas Renato, Feijão e eu. Daí em dian-

diram passar um tempo com a gente para sentir como era.

te, pegamos o jeito, e outras tantas rotas foram sendo

Ficaram bem encantados.

incluídas na nossa vida a bordo. Hoje, estamos totalmente ambientados ao universo náuNuma delas, recebemos um casal de hóspedes brasilei-

tico. Aprendemos muito sobre manutenção do barco, as-

ros radicados em Londres que nos achou pela internet. E

sim como colocamos na rotina a atualização do nosso site

a história se repetia, já que Haroldo e Rosa estão com a

e das mídias sociais, como um diário de bordo.

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Lazer e trabalhos compartilhados, sempre na companhia de Feijão, um bull terrier plenamente adaptado ao nosso estilo de viver.

Registramos todos os passeios, com uma narrativa pessoal e muitas dicas para pessoas que apreciam navegação. Já anunciamos também nosso próximo projeto, que é velejar por águas mediterrâneas, passando por Itália, Espanha, Marrocos, Portugal e Gibraltar. Nossos planos também incluem, para breve, cruzar o Atlântico Norte para o Caribe e, com a maré a favor, seguir rumo ao Pacífico e a paraísos como Galápagos, Polinésia Francesa, Fiji, Indonésia e Maldivas. Nessa trajetória aventureira, conquistamos o apoio de marcas sintonizadas com nosso lifestyle, como a Richards, a Salinas, a Zee Dog e a linha pet da Granado, a Spot Brasil – que cuida do equipamento de segurança e rastreamento do barco –, a Isle SUP & Surf da Califórnia e ainda a italiana Cressi, uma das mais conceituadas marcas de equipamentos de mergulho e pesca submarina. E assim vamos, a cada milha, aprimorando nossos conhecimentos práticos e nos adaptando cada vez mais à nossa casa flutuante, fazendo amigos e recebendo pessoas que, assim como nós, são fascinados pelo mundo visto do mar. É só nos seguir!

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 Informações:

www.sailipanema.com sailipanema@gmail.com @sailipanema www.cata-lagoon.com Conceito A N. 18 2016

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nona arte // tintim

incansável viajan te REFERÊNCIA INQUESTIONÁVEL DA NONA ARTE, DO COLECIONISMO E DA CULTURA POP MUNDIAL, TINTIM É A PROVA CABAL DE QUE VIAJAR É IMPERATIVO, SEJA PELAS RUAS DE CIDADES LONGÍNQUAS,SEJA PELAS PÁGINAS DE SEUS ÁLBUNS POR ARISTIDES CORRÊA DUTRA

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RODAR O MUNDO É COM ELE MESMO. Em suas andanças, ele já passou por dezenas de cidades em 24 países, da longínqua Katmandu, no Nepal, à misteriosa Petra, na Jordânia. Da inexorável Moscou soviética à cidade perdida de Machu Picchu, na Cordilheira dos Andes. Até à Lua ele já

Enquanto Tintim viaja, suas revistas também ganham o mundo. Aqui, as capas de edições da Indonésia, França e Estados Unidos.

foi, e 15 anos antes dos americanos. Aventureiro nato, já mergulhou entre tubarões e já pilotou um hidroavião em meio a uma tempestade na costa do Marrocos. Tintim tem, presumivelmente, 14 anos (talvez chegue a uns 17, no máximo). Apesar da pouca idade, trabalha como repórter para o jornal Le Petit Vingtième e está sempre acompanhado de seu inseparável cãozinho Milu. Dizem os mais céticos que ele é apenas um personagem de quadrinhos. Mas “apenas” é uma palavra que simplesmente não se aplica para falar de Tintim, a não ser com um certo toque de ironia. Senão vejamos: as histórias em quadrinhos de Tintim (Tintin, em francês, no original) foram publicadas em apenas 60 países. E traduzidas em apenas 113 idiomas e dialetos, incluindo latim, esperanto, basco, croata e tibetano.

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No total, foram vendidos apenas 230 milhões de álbuns.

é sua criação máxima e sua série mais longa e bem-su-

Tintim é apenas a segunda mais popular série de quadri-

cedida. Estima-se que mais de 40% dos lares france-

nhos europeia (suplantada só pelo invencível Asterix,

ses tenham pelo menos um álbum da coleção, sendo

que não conta, pois tem a seu favor uma poção mágica). O desenho original para a capa do álbum A estrela misteriosa, de 1942, leiloado em janeiro de 2015, atingiu o estratosférico preço de apenas US$ 2,8 milhões. Que tal? Tintim já foi adaptado para dois filmes com atores, seis longas de animação, três séries de tevê, duas séries e um

que 30% têm a série completa. A primeira aparição do jovem repórter foi na aventura Tintim no país dos sovietes, serializada a partir de 10 de janeiro de 1929 e compilada em álbum em 1930. Depois, vieram mais 22 álbuns com suas aventuras pelo

especial de rádio, seis videogames, seis peças de teatro,

mundo. O último álbum concluído pelo autor foi Tintim

um musical e até uma ópera. Isso sem contar os documen-

e os pícaros, de 1976.

tários e livros sobre o personagem. E há ainda uma infinidade de itens colecionáveis à disposição dos fãs, como

Hergé faleceu em 1983, deixando inacabado Tintim

bonecos, estátuas, brinquedos, jogos, roupas, objetos de

e a alfa-arte, lançado postumamente em 1986 numa

decoração, louças, calendários, agendas, pôsteres e serigrafias vendidos em lojas de departamentos, gibiterias e na oficial Boutique Tintim, encontrada em diversos países. Mais do que uma tintinofilia, trata-se de uma tintinomania. Tintim surgiu nas páginas do suplemento semanal infantil do jornal belga de língua francesa Le

edição fac-símile de seus principais esboços. As aventuras de Tintim em quadrinhos seguem sendo continuamente republicadas em vários formatos pela Casterman, sua editora francesa. Elas hoje respondem por quase um quinto do faturamento da casa. Nada mal para uma série que há 40 anos não lança uma história nova.

Vingtième Siècle. Foi criado por Georges Prosper Remi, ou simplesmente Hergé, que é a pronúncia em francês

Apesar do desenho sintético, os cenários e os objetos

da primeira e da última iniciais invertidas, RG. Hergé

mostrados na série são bastante realistas e fruto de uma

criou também outras séries e histórias solo, mas Tintim

pesquisa detalhada e exaustiva. A narrativa é intrincada e

São raríssimas as ilustrações originais de Hergé em mãos de particulares. Esta foi arrematada num leilão em 2015 por US$ 2,8 milhões.

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engenhosa, mas sempre apresentada com clareza em uma quadrinização bastante regular. O traço faz uma fusão da tradição francesa herdada de Becassine com a métrica art déco do americaníssimo Pafúncio. Tintim deixou uma marca gigantesca na linguagem da narrativa sequencial. Além de ser fundamental para o desenvolvimento dos quadrinhos franco-belgas, originou um estilo de desenho chamado originalmente de escola de Bruxelas, mas que o desenhista holandês Joost Swarte rebatizou nos anos 1980 de linha clara, estilo perpetuado por nomes como Edgar P. Jacobs, Ted Benoit, François Avril, Geoff Darrow, Ives Chaland, Daniel Torres, Chris Ware e o próprio Swarte. Para além do universo da nona arte — como é também conhecida a história em quadrinhos —, Tintim impôs sua marca pelo mundo e até fora dele. Artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein prestaram-lhe tributo. Tintim, Milu, o Capitão Haddock e os detetives Dupond e Dupont ganharam estátuas de cera no Musée Grevin, em Paris. Eles também já foram homenageados em selos da Bélgica, França, Holanda, Suíça, Guiné-Bissau, Argélia e Mônaco. Na cidade belga de Louvain-la-Neuve, fica o Museu Hergé, dedicado ao autor e sua obra. ►►

Boutique Tintin: para viajar com estilo, nada melhor que um foguete xadrez ou um submarino em forma de tubarão.

Moulinsart

Tintin, c’est moi — “Dar vida a Tintim, dar vida a Haddock, Tournesol, os Dupondt, todos os outros, acho que sou o único a poder fazê-lo: Tintim sou eu, como dizia Flaubert: ‘Madame Bovary sou eu’.” Conceito A N. 18 2016

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François Philipp

O corpo central do Castelo de Cheverny, no Vale do Loire, inspirou a concepção do Castelo de Moulinsart.

Tintim já teve até um parque temático na Bélgica. O Hotel Amigo, em Bruxelas, tem uma Tintin Suíte e três quartos Tintin Deluxe decorados com obras e pôsteres doados pela Moulinsart, a Fundação Hergé. Há uma Rue Hergé na cidade francesa de Angoulême, sede do maior festival europeu de quadrinhos. Próximo ao Aeroporto de Barajas, em Madri, há uma Calle Tintín y Milú. E na Vila Marilena, em São Paulo, fica a Rua Tintim. O senhor Georges Remi e suas criações viraram até nome de asteroide. O de número 1652 chama-se Hergé, o de número 1683 é Castafiore, e o 327082, Tournesol, em homenagem a seus personagens. No auge de seu prestígio como presidente da França, o general Charles de Gaulle confidenciou que, no fundo, considerava Tintim seu único rival internacional. Há várias versões para a origem do personagem, de seu nome e de sua aparência. É provável que Tintim seja, na verdade, uma soma de todas essas referências. Entre as mais curiosas hipóteses, está o norueguês Palle Huld,

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►►


Guillaume Capron

O Hotel Amigo, em Bruxelas, tem ambientes temáticos em homenagem ao nosso ilustre repórter viajante. Na foto abaixo, a pintura na janela é um detalhe da exposição permanente de Tintim no Castelo de Cheverny.

Acervo: © Rocco Forte Hotels

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que em 1928, aos 15 anos, venceu um concurso do jornal dinamarquês Politiken para repetir a aventura do livro Volta ao mundo em 80 dias (1873), do escritor francês Jules Verne, na comemoração do centenário de seu nascimento. Huld conseguiu fazer sozinho o trajeto por terra e mar em 44 dias, passando por Inglaterra, Escócia, Canadá, Japão, Coreia, China, União Soviética, Polônia e Alemanha. A viagem foi notícia em todo o mundo, e os primeiros esboços de Hergé para Tintim apresentam muita semelhança com o jovem Huld. Em comum, eles têm a idade, a roupa, a postura, o cabelo ruivo, o sorriso franco e o espírito aventureiro. A primeira publicação de Tintim traduzida em outro idioma foi justamente para o português, na revista lusitana O Papagaio, que na edição de número 53, de abril de 1936, começou a serializar Tintim na América no Norte (Tintim na América). E essa foi também a primeira publicação colorida do personagem em todo o mundo, numa ousadia editorial que surpreendeu o próprio autor. Em francês, seu primeiro álbum colorido foi A estrela misteriosa, de 1942. Com a evolução de seu traço e o estabelecimento do padrão de colorização, Hergé montou um estúdio com assistentes encarregados de ajudá-lo a redesenhar e colorir os álbuns anteriores da série, uniformizando o padrão gráfico e narrativo e até mesmo alterando o roteiro de alguns.

Selos franceses com as criaturas de Hergé e, em amarelo, selo belga em homenagem ao criador. No alto da página, capa do livro que narra a volta ao mundo de Palle Huld, provável inspirador de Tintim.

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O legado do estilo gráfico de Hergé foi perpetuado por artistas como Edgar P. Jacobs (acima) Chris Ware, Floc’h, Geof Darrow e Joost Swarte, à esquerda, de cima para baixo.

No fim, sua versão definitiva resultou em um personagem que não só viaja o mundo, mas também interage em um ambiente multiétnico, com grandes amigos oriundos de diversas partes do globo. Tintim é bom, fiel, generoso, inteligente, calmo, corajoso e incansável. Em suma, é o herói imaculado. Para Hergé, “Tintim personifica o que o homem tem de melhor”. Se está longe de ser uma pessoa como nós, é exatamente porque lhe faltam os defeitos. Apesar de alguns dos lugares mostrados serem fictícios, a série acontece fundamentalmente em nosso universo real. Tintim é cidadão do mundo, e a amizade é seu cartão de visitas. Isso certamente é uma das principais razões de seu duradouro sucesso mundo afora. Por isso, puxe uma cadeira, pegue seu exemplar das Aventuras de Tintim e boa viagem.

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colecionismo // chicô gouveia

AS AVENTURAS DE CHICÔ E TINTIM

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UMA HISTÓRIA DE ALTER EGO E PAIXÃO EM LINGUAGEM ARTÍSTICA POP, QUE UNE HÁ MEIO SÉCULO UM ARQUITETO CARIOCA A UM PERSONAGEM DE QUADRINHOS EUROPEU

POR KATHIA POMPEU FOTOGRAFIA JOÃO ANDRÉ BORGES


A crescente coleção de Chicô abrange desde toy art até acessórios e utilitários.

TINTIM É UM DESSES PERSONAGENS cuja imagem e

E, entrando na psique da relação do colecionador com seu

cujo desenvolvimento criativo superam a fama e o pres-

objeto de desejo, revela que da infância veio sua iden-

tígio de seu autor. No caso, o belga Georges Prosper Remi,

tificação e seu interesse pelo universo do personagem

mais conhecido pelo codinome Hergé, fica a reboque do

made in Bélgica. Era então uma criança tímida, sem muito

ruivo topetudo que traçou em linhas espetaculares.

acesso ao mundão do lado de fora de sua casa e do núcleo familiar. Nesse contexto, seu avô, um sujeito letrado,

Desde sua primeira aparição, em 1929, o jovem repórter

apresentou ao neto de nove anos livros de todos os gê-

chamado Tintim (Tintin, em francês, no original) viaja pelo

neros que despertavam sua imaginação. No lote, cons-

mundo, ao lado de sua cadela Milu, conquistando fãs e

tavam publicações intituladas As aventuras de Tintim.

seguidores de suas aventuras. O arquiteto Chicô Gouvêa

Foi o que bastou para o início de uma grande amizade no

está entre os seus maiores aficcionados.

terreno lúdico. “A partir dessas histórias, viajei na companhia de Tintim e Milu por inúmeros lugares do mundo, me

“Ele é meu alter ego”, revela, com um entusiasmo juve-

transportava através da ação das imagens e textos apre-

nil. Aliás, é esse frescor e essa empolgação de um garoto

sentados nos livros. Tintim passou a ser meu alter ego

que Chicô demonstra ao falar e mostrar sua vasta coleção

aventureiro, uma projeção imaginativa e muito divertida”.

tematizada no personagem, que inclui os mais variados objetos, como livros, bonecos, miniaturas e acessórios

Agora adulto, com mais de meio século no convívio com

de cama, mesa e até de banho. Não duvide que o arquite-

Tintim, a empolgação de Chicô é a mesma e o interesse,

to tenha um frasco de xampu com o rosto de TT (para os

crescente. Na sua casa de três andares, na Gávea, em que

íntimos) estampado no rótulo.

divide escritório e residência, o último andar, onde fica ►► Conceito A N. 18 2016

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uma suíte master em forma de loft, é praticamente todo

Para alimentar sua coleção, Chicô recorre a sites gringos

dedicado a exibir sua coleção. É Tintim por todos os lados

especializados em quadrinhos e seus derivados, como o

e nas mais diversas representações. Livros aos montes, a

tintin.com, ou a livrarias de prestigio.

grande maioria de origem francesa, como prefere o colecionador. Miniaturas são de perder a conta: nem o próprio Chicô, indagado sobre a quantidade, soube precisar quantas tem. Nas paredes, gravuras e montagens, muitas delas criadas pela verve designer do arquiteto. E por aí vai, num acúmulo colorido e curioso de objetos da arte pop que remetem ao universo criado por Hergé. Em destaque, nesse cenário de linguagem comics, uma escultura em papier mâché, réplica de uma peça que pertence a um amigo, reitera em grandes proporções o tema predominante, moldada com mais de 1 metro de altura. Encomendou a um artesão quatro reproduções:

Sua mais recente aquisição foi o livro Hergé – Le feuilleton intégral, um compêndio produzido na França sobre o trabalho do artista, com ênfase na sua figura mais famosa. “Reservei o meu exemplar número 1 na FNAC francesa assim que soube da edição”, que vai ser publicada numa série de 12 volumes, numa periodicidade semestral ao longo de seis anos. Para o arquiteto, é obra obrigatória para os fãs dos traços e roteiros do belga. Outro prazer típico de colecionador dedicado é garimpar lojinhas especializadas em comics nas viagens por território europeu em busca de novidades para seu acervo particular. Em Paris, nunca deixa de visitar a L’Oiseau de

uma ficou com ele, claro, e as outras presenteou a três

Paradis, no Boulevard Saint-Germain, que oferece farta

amigos igualmente fãs do personagem.

variedade de itens colecionáveis do tema Tintim. ►►

Muitos livros, revistas e histórias em quadrinhos compõem a biblioteca dedicada ao personagem Tintim e a seu criador, Hergé.

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E nunca sai de mãos vazias. Além do protagonista, leva para casa também outras figuras que fazem parte do universo de Tintim e Milu, como Capitão Haddock, Professor Girassol, Bianca Castafiore, Dupond e Dupont. Só que, para Chicô, não basta contemplar seus exemplares. Tem de interagir, movimentar, dar função criativa à coleção. O barato agora é a criação de postais em que insere os personagens em cenários icônicos do Rio, por meio de fotomontagens que publica em redes sociais. Para isso, montou um estúdio miniatura em que coloca imagens da cidade ao fundo e, em primeiro plano, os bonecos. O resultado é divertido de ver e mostra situações com Tintim nas areias da praia de Copacabana ou no campo do Maracanã. A inspiração para a produção dessa série de

No quarto temático de Chicô sobressaem referências ao gosto do seu fetiche de colecionador, identificadas em diferentes elementos e designs.


Exercício criativo de Chicô, as fotomontagens em forma de cartão-postal inserem Tintim e sua turma em cenários emblemáticos do Rio de Janeiro.

montagens são os Jogos Olímpicos de 2016. “Um passeio turístico pelo Rio de Janeiro com Tintim e Cia. transitando por seus monumentos, prédios e praças, num roteiro bem ao gosto do olhar estrangeiro”. Com um fluxo de ideias incessante, Chicô vai globalizar ainda mais esse tour virtual com sua próxima leva de postais, pondo em cena outros personagens notórios do universo dos quadrinhos, como Mickey, Os Flintstones, Os Jetsons e os vizinhos territoriais de Tintim, Asterix e Obelix, formando uma mistura de origens e nacionalidades numa interpretação brincalhona do espírito olímpico. Para fechar o perfil, por que não embarcar nessa onda inventiva e fantasiosa e supor, como aconteceu no conto de Pinóquio, que Tintim veio habitar o mundo dos humanos? Certamente, ele já teria a escolha ideal do arquiteto para projetar a sua casa dos sonhos. Alguém arrisca dizer o nome?

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MÁXIMO! POR NATHALIA POMPEU

Café com Rubik Conhecido como cubo mágico, o quebra-cabeça tridimensional inventado pelo húngaro Ernő Rubik, em 1974, é um dos brinquedos mais populares do mundo. Os iconográficos quadradinhos coloridos desse símbolo nerd estampam a caneca de porcelana encontrada nas prateleiras da Livraria Cultura.

Emoção revelada A Polaroide, icônica marca que inspirou o Instagram, retorna ao mercado com uma versão atualizada do seu mecanismo de revelação de fotos instantâneas. Conectada com a linguagem contemporânea, acaba de lançar a Snap, uma câmera digital que permite a impressão de imagens em formato 2x3. Para isso, a Polaroide, que completa 75 anos de mercado, recorreu à empresa de design Ammunitium, que desenvolveu um projeto baseado no modelo clássico dos anos 80. Chega às lojas nas versões preta, branca, vermelha e azul.

Luminária das galáxias Acessório de linguagem sci-fi, a luminária portátil Astro-Light em formato de astronauta é prática e criativa, além de imprimir um visual divertido quando acoplada ao computador. É só ligar na entrada USB, abrir a viseira no capacete e projetar a luz exatamente no ponto de interesse. Tem nos melhores sites de compra dedicados a informática. 202 Conceito A N. 18 2016


O futuro de volta Dá para se sentir uma versão futurista de Marty McFly sobre esse skate elétrico Smart Balance. Com duas potentes rodas nas extremidades e controle de movimento do motor comandado pelos impulsos do corpo, a velocidade média é de 10 km por hora e alguns modelos podem alcançar o dobro. Produto importado, com muitas opções de cores, marcas e preços no OLX.

Kiss me Disney A galeria Urban Arts é pop, é contemporânea, é cult. Uma rede, especializada em arte digital, trabalha com um acervo incrível a preços acessíveis e, além do site, já conta com oito lojas físicas pelo país, uma delas no Shopping da Gávea. Com o lema “arte é para todos”, reúne artistas de diversos segmentos, como fotógrafos, pintores, designers e ilustradores. No destaque, a arte de Israel Maia Starmouse, numa releitura da banda Kiss no universo Disney.

Tic-tac lúdico A marca suíça de relógios Swatch acertou em cheio com a coleção Es War Einmal (“era uma vez”, em alemão). Inspirada em personagens de contos de fadas e super-heróis, coloca no pulso desenhos incríveis em cores

Design nos pés

vibrantes. Uma gamação a série inspirada em Lewis Carroll e na magia psicodélica de seu país das maravilhas, incluindo o gato

Leveza, conforto e design contemporâneo na recente coleção

Cheshire, a Rainha de Copas, os Gêmeos...

de rasteirinhas Ipanema com a assinatura Philippe Starck.

Do tipo para colecionar!

Produzidas com 30% de material reciclado, são quatro modelos em 12 cores e 48 combinações, encontrados em lojas como Dona Coisa, Choix e It Design, seguindo a linha arrojada do arquiteto. Conceito A N. 18 2016

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CASA DO

COSTUREIRO sonia pinto

Linha inconfundível A MAIS INSTIGANTE ESTILISTA BRASILEIRA FAZ DAS ASSIMETRIAS VERDADEIRAS ESCULTURAS QUE SE MOVIMENTAM POR ELDA PRIAMI FOTOGRAFIA THIAGO PINTO

A ESTÉTICA DE SONIA PINTO é o reflexo de sua sen-

As consumidoras da marca que leva seu nome são mu-

sibilidade, que une moda e arte, sempre. Nas roupas

lheres que investem no visual que está do outro lado do

de conceito minimalista, o luxo está nas modelagens, nos detalhes com dobraduras que lembram origami, nos recortes irregulares e na matéria-prima importada de alta qualidade. Ela privilegia a beleza atemporal,

consumo padronizado. Elas se identificam com o charme intelectual. Para essas pessoas, seu trabalho é único e provoca paixão. Entre as muitas personalidades que fazem parte de sua turma e prestam reverência a ela, estão a artista plástica Adriana Varejão, a atriz Vera

as formas confortáveis e inusitadas, em sintonia com

Holtz, a astróloga Claudia Lisboa, a psicoterapeuta e es-

o que há de mais contemporâneo. A perfeição de to-

critora Suely Rolnik, a artista plástica Liliana Leirner, a

das as peças, que até pelo lado avesso são primorosas, marca o estilo inspirado na filosofia oriental. Ela se identifica com os criadores japoneses e foi mais de 20 vezes ao Japão. As suas referências, desde os

designer de joias Bettina Terepins e, recentemente, Marina Abramovic, precursora da arte performática e uma das mais importantes personalidades do momento. Elas se conheceram em São Paulo e a artista sérvia, que mora em Nova York, caiu no feitiço de seu estilo e virou ami-

anos 80, vêm de nomes como Yohji Yamamoto – sua

ga, assim como as outras. “Sabe por que gosto de sua

paixão –, Rei Kawakubo e Issey Miyake.

roupa? Porque ela tem espaço para a alma. Você é uma ►►

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Acima, loja de Belo Horizonte. Ao lado, Sonia Pinto e as roupasesculturas.


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artista porque já nasceu assim”, elogiou Marina. Sem

Ao lado, tela de Joana Vilella. Abaixo, loja de São Paulo.

contar que a artista plástica Tomie Ohtake foi sua cliente e amiga durante 15 anos. A voz calma e suave é o oposto do pique dinâmico da mineira que segue seu próprio caminho na moda. Impossível não reverenciar tanto talento. Sempre vestida de preto, ela usa vermelho apenas numa mecha no cabelo, cujo corte é propositalmente assimétrico, o que lhe dá uma aparência rebelde, tudo a ver com sua postura diante da vida. Com os olhos acesos por trás dos óculos de grau, revela: “É muito difícil sair do estilo em que você acredita. Para começar, a minha preocupação maior é o conforto do corpo, porque a pessoa não pode perder a expressão. Por isso, amo as formas indefinidas que trazem sempre um desafio para quem cria e para quem usa a roupa”, declara com delicioso sotaque mineiro. E acrescenta: “Não tem outro jeito: a primeira coisa que a gente marca em alguém é a imagem externa. A roupa é o cartão de visita, o código. São poucas as mulheres que fazem a fusão entre o lado interno e o externo. É para elas que eu me dedico. Não tenho nada a ver com a cultura descartável. Tenho clientes que usam a mesma roupa há 15 anos. Atualmente, me emociono com jovens consumidoras que chegam às lojas de Belo Horizonte e de São Paulo e sentem atração pelo que faço. É bonito presenciar a transformação”. Ela não tem e nem pretende ter produção em grande escala. Belo Horizonte é a sua base, onde mantém a fábrica e, há 13 anos, uma loja, no alto de uma ladeira, em Vila

206 Conceito A N. 18 2016


Paris. O tom branco reveste a construção de linhas retas e elegantes. A vista dá para o jardim com uma laranjeira de verdade. Aura mágica. Há seis anos, abriu a loja de São Paulo, no bairro de Higienópolis. As roupas tomam conta do grande espaço minimalista. No Rio, o reduto da estilista não poderia ser mais perfeito: a multimarcas Dona Coisa, de Roberta Damasceno, no Jardim Botânico, que há oito anos vende sua roupa com exclusividade. “Na sobriedade das formas, está o mistério do estilo que vai ao encontro do perfil de minhas clientes”, declara a empresária. O perfeccionismo de Sonia Pinto começa na fábrica. “Minha equipe ganha bem e é tratada a pão de ló. A cozinheira faz comida balanceada. É uma parceria de longa data que tenho com os funcionários. O acabamento de cada peça é feito à mão, até o botão é colocado à mão. O resultado final é uma preciosidade, seja uma camiseta, um vestido ou um casaco de alfaiataria. A modelista, Diomar Emiliana da Silva, está comigo há 45 anos, desde que comecei, e completa a minha alma. Ela consegue captar o que desejo e adora desafios. É a peça-chave. O primordial, a essência de uma coleção, é a modelagem. Hoje, essas profissionais tão valiosas estão cada vez mais raras. Em segundo lugar, vem a matéria-prima: as duas andam juntas”. No seu processo de criação, tudo começa com os tecidos. Antes de desenhar uma peça, ela precisa sentir o toque do pano, porque desperta os sentidos. Depois, inventa os modelos. A habilidade em juntar diferentes texturas sempre surpreende. “Os tecidos são caros, ►►

Conceito A N. 18 2016

207


Ă€ esquerda, assimetrias, cortes, recortes e transparĂŞncias. Na pĂĄgina ao lado, desenhos e cartelas de tecidos.

208 Conceito A N. 18 2016


todos importados, porque os nacionais não têm a mesma qualidade”. No décor de sua sala de trabalho, em Belo Horizonte, estão todos os livros de Yohji Yamamoto, uma tela da jovem artista mineira Joana Vilella, uma coleção de seixos pintados à mão que servem de peso. “Procuro ter perto de mim poucos objetos, mas que me emocionem. Tenho um amor particular por Kazuo Ohno, grande mestre do teatro butô, e já fiz alguns trabalhos e produções de fotos em sua homenagem. Também amo Tadao Ando, dono de uma arquitetura minimalista eterna”. É de noite que ela se sente mais inspirada e faz muitos rabiscos para registrar os insights, que chegam quando está diante de uma cartela de tecidos. E só entra pela madrugada ao som de um blues bem suave. Sempre fora do comportamento oficial de desfiles, ela lança de cinco a seis coleções por ano. “Não determino inverno e verão. Gosto de me renovar e, de acordo com o momento, sinto o que pode despertar uma atração maior nas consumidoras. Como as coleções são atemporais, uma peça se anexa à outra com uma coordenação perfeita entre elas. Acredito que hoje um guarda-roupa deve ser feito aos poucos, quando as peças não são descartáveis”. Ela também gosta de promover eventos de arte. Em 2015, reuniu em Preciosidades, na loja de Belo Horizonte, talentos como a ceramista Kimi Nii; Bia Bender e a cestaria de cordas que viraram esculturas pintadas; Américo e os trabalhos em arame; e Rita Lessa, com pinturas, tapetes e objetos marcados por pinceladas artsy. No Rio, na Dona Coisa, e em São Paulo, em sua loja, que é uma verdadeira ►► Conceito A N. 18 2016

209


galeria de arte, ela apresentou uma série limitada de

tornaria minha especialidade: reconhecer todas as maté-

écharpes ilustradas pelo artista plástico Fernando Vilela,

rias-primas pelo cheiro e pelo toque”. Em 1980, nasceu a

que desde 2012 tem duas obras incorporadas ao acervo

Printemps, que desde o começo despertou o interesse de

do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York.

consumidoras com o mesmo perfil das que tem hoje. Oxigenou a moda com uma ousadia de samurai em uma épo-

O padrão Sonia Pinto de qualidade fez com que ela passasse

ca em que o padrão fashion era completamente europeu.

por altos e baixos na profissão, mas nunca pensou em abrir

Quando os estilistas japoneses invadiram Paris, no come-

mão de seu estilo. “Vivo um recomeço porque quebrei nos

ço dos anos 80, ela se identificou com a estética oriental e

anos 90 com a minha marca Printemps”, conta. Na déca-

a segue até hoje. “Requinte vem da alma”, costuma dizer.

da de 1980, ela foi uma das criadoras do Grupo Mineiro de Moda, que revolucionou o mercado. Na época, os jornalistas

No universo de Sonia Pinto, o lado prático da vida é con-

eram convidados para assistir aos desfiles e eram recebidos

duzido por seus quatro filhos, três rapazes e uma moça, e

em grande estilo. Aqui, a iniciativa foi inédita e os estilistas

pela equipe. Ela admite uma preocupação: “Meu trabalho é

do grupo eram profissionais da mais alta qualidade. “Tive

tão pessoal, que pode acabar quando eu não estiver mais

que me reinventar. Se as pessoas não se derem conta de

aqui. Hoje tenho dois jovens estilistas que amam o que faço

que a vida não é mais descartável, não vai sobrar ninguém.

e são seguidores da mesma filosofia, além de minha filha,

A moda é uma reflexão sobre o tempo atual”, palavra de

que está envolvida com a modelagem. Mas sou exigente,

guerreira. E acrescenta: “Não faço uma coleção voltada

sempre faço questão de mostrar para eles que não podem

para o que o mercado deseja, faço uma coleção que me

achar que está tudo bom no primeiro olhar”, enfatiza.

emocione primeiro. Eu me endosso, para depois apresentar o que faço. Ninguém nunca me verá vestindo um tailleur ou

A linha masculina é a sua mais recente proposta. “Falta-

um vestido chemise com cintinho na cintura”, ri.

va no mercado um básico bacana, com tecidos da mesma qualidade que uso na linha feminina e modelagens menos

Filha de família pobre de Governador Valadares, ela co-

óbvias”, conta, animada.

meçou a trabalhar aos 12 anos em uma loja de tecidos. “Naquela época, aprendi a conhecê-los e nasceu a paixão

Não há dúvida de que Sonia Pinto encontrou através da

pelas texturas, mesmo sem prever que, em algum mo-

moda e da arte um sentido para a sua vida, com extraordi-

mento, esse conhecimento iria se aprofundar e um dia se

nário poder de sedução!

210 Conceito A N. 18 2016

t

Tecidos preciosos em formas assimétricas e atemporais.


CONCEITO A


publieditorial // cesar romero vianna junior

O direito autoral

em pauta

212 Conceito A N. 18 2016


O ADVOGADO CESAR ROMERO VIANNA DIZ O QUE É IMPORTANTE SABER SOBRE DIREITO AUTORAL EM ARTES PLÁSTICAS, ARQUITETURA E DECORAÇÃO POR BETINA PEPPE DINIZ FOTOGRAFIA JOÃO ANDRÉ BORGES E ACERVO CRV

QUAIS OS DIREITOS DE UM ARTISTA plástico depois que

de itens são passíveis de proteção. E isso inclui pinturas, es-

ele vende sua obra? Como um arquiteto pode proteger le-

culturas, desenhos, fotografias, gravuras, ilustrações, proje-

galmente seu projeto contra futuras alterações na cons-

tos de arquitetura, design, engenharia, paisagismo etc.

trução? Do ponto de vista legal, qual a diferença entre a autoria do design e a patente industrial de um produto? Não são raras as polêmicas sobre direito autoral que ocupam os tribunais de justiça e levam os interessados a disputas intermináveis. Muitas vezes, esses casos tornam-se notórios e chegam às páginas dos jornais, familiarizando o grande público com o tema.

“Existem diversas manifestações pessoais de expressão a que se pode atribuir autoria ou titularidade, como a pintura de um quadro ou a planta de um prédio”, explica o advogado Cesar Romero Vianna Junior. O termo “expressão” não foi empregado aqui por acaso, pois a lei protege criações intelectuais já expressas, exteriorizadas fisicamente, indepen-

De acordo com os especialistas, tudo isso ocorre porque a

dentemente de haver registros formais da criação. Portanto,

legislação que regulamenta a matéria inclui ainda alguns

diante de insights criativos, mãos à obra. Não é possível rei-

pontos controversos, que o advogado Cesar Romero Vianna

vindicar proteção legal no campo das ideias.

Junior procura aqui esclarecer, principalmente no que se refere a artes plásticas, arquitetura e decoração. Todas essas áreas entram no escopo de proteção garantido por lei. Qualquer criação intelectual dá a seu autor direitos morais (citações e referências) e patrimoniais (recursos e finanças) sobre sua criação, a não ser que ele autorize a uti-

O que colecionadores e compradores devem saber a respeito de direito autoral de obras de arte? O advogado recomenda, em primeiro lugar, fugir de atos passíveis de indenização, o que pressupõe cláusulas contratuais muito claras e objetivas.

lização gratuita. O objetivo da legislação vigente é proteger

“Quem está pensando em adquirir uma obra de arte e preten-

as obras. Os autores ou os herdeiros legais são os beneficiá-

de expô-la publicamente deve fazer constar essa cláusula no

rios dessa proteção.

contrato, resguardando seus direitos de comprador em detrimento do direito do artista reservado pela lei”, exemplifica.

A prerrogativa é garantida pela Constituição Federal, que atribui apenas ao autor o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras de arte, bem como a proteção à participação individual em obras coletivas e à reprodução da imagem e da voz humanas.

Algumas divergências em torno de reivindicações autorais de obras de arte se dão pela maneira um tanto ou quanto “diferente” como esse direito é exercido nessa área específica. Em outros segmentos, é possível repassar apenas um “suporte”

A regulamentação ficou ainda mais precisa com a aprovação

e não a obra em si. No caso da literatura, vende-se o livro, não

da Lei 9.610, em 1998. Num texto que abarca a imagem de

a história. No caso da música, vende-se o DVD, não as can-

uma pessoa e também a sua obra literária, artística ou cien-

ções. Mas, na venda de uma pintura ou de uma escultura, o

tífica, advinda de criação intelectual ou profissional, dezenas

autor abre mão de sua criação. ►►

Conceito A N. 18 2016

213


A artista plástica Adriana Varejão, hoje uma das mais

havia sido declarado em seu Imposto de Renda. O caso

bem pagas do país, viu sua obra Parede com incisões à La

ganhou repercussão maior por causa do ministro Luiz

Fontana II ser arrematada em leilão por US$ 1,7 milhão, va-

Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que era

lor que foi para as mãos do colecionador, dono da obra. Em

amigo e testamenteiro do colecionador.

depoimento ao jornal O Globo, em 2012, Varejão afirmou que recebera US$ 17 mil quando ela própria vendeu sua

O ministro acabou vivenciando em âmbito pessoal uma

criação, dez 10 anos antes.

questão que acabou chegando à corte oficialmente, por meio de um caso envolvendo a família Portinari. Para

O artigo 38 da Lei 9.610/98, que dispõe sobre o chama-

evitar longos processos judiciais, os Portinari entraram

do direito de sequência, tenta proteger o autor nesses

num acordo padrão com marchands. Em vez de cobrar 5%

casos. O texto prevê que, quando uma obra de arte é re-

sobre a valorização do preço da obra, os herdeiros passa-

vendida, o artista ou seus herdeiros legais têm direito a

ram a requerer 3% do montante total de venda. Até es-

receber, no mínimo, 5% do eventual lucro do vendedor.

barrar com um caso em que acabaram entrando com uma

Mas, de alguns anos pra cá, esse dispositivo tem susci-

liminar judicial para requerer a porcentagem referente

tado muitos debates com vistas à revisão da legislação.

ao leilão de quatro obras, entre elas o desenho Estudo

O problema é o seguinte: como calcular esse lucro se, na

para rabino (1955), arrematado por R$ 9 mil na ocasião.

maioria dos casos, não se sabe quanto o vendedor pagou

Esse episódio inspirou o Congresso Nacional a protocolar

originalmente pela obra? Marchands e colecionadores ale-

proposta similar à lei europeia: em vez de uma fatia do

gam que muitos artistas não emitem recibos das vendas

lucro, os artistas ou herdeiros passariam a receber 5% do

ou são orientados por seus advogados a não declarar à

valor total da revenda.

Receita Federal peça por peça e sim lotes de obras. “O fato é que o mercado defende a revisão da norEm 2015, um caso curioso virou notícia e abriu um prece-

ma vigente e importantes representantes da classe

dente judicial importante. A Bolsa de Arte de São Paulo

artística não se opõem a isso, para não correr o risco

realizou leilão com peças do colecionador Nelson Diz, que

de fraturar um segmento já quase engessado. Além

morreu e deixou seu patrimônio para duas empregadas e

disso, o acontecimento recente envolvendo um mi-

uma namorada. Nesse caso, foi fácil calcular o direito de

nistro do Supremo, que vai votar a questão, refor-

sequência, pois o valor pago por Diz para adquirir as obras

çou as luzes acesas nessa direção”, afirma Vianna.

214 Conceito A N. 18 2016

Instalações do escritório, no centro do Rio.


Certa vez, Vianna recebeu uma solicitação de avaliação

A utilização de um projeto de engenharia ou arquitetu-

talvez pouco familiar ao meio jurídico. O arquiteto respon-

ra sem a devida autorização do autor caracteriza ine-

sável pelo projeto de um importante prédio da cidade do

gável violação ao direito autoral”, enfatiza o advogado.

Rio de Janeiro, no qual já funcionou um dos mais tradicionais jornais do país, consultou o advogado sobre a possibilidade de exigir que seu projeto não fosse modificado com a venda do espaço a outro grupo. O parecer do jurista acabou levando o cliente a desistir do processo, pois, na situação específica, ele havia vendido o projeto arquitetônico e, portanto, nada mais podia requerer. Embora o martelo tenha sido batido por uma cláusula contratual, a solicitação nada tinha de ilegítima. O inciso X do art. 7º da legislação vigente inclui projetos, esboços, obras plásticas referentes a geografia, engenharia, arquitetura e paisagismo no escopo de criações intelec-

O mesmo vale para o design de móveis ou ambientes. Mas, nesse caso, há de se levar em conta outro dispositivo legal importante: a patente dos produtos, que é a propriedade industrial. “Existe diferença entre o projeto (design) de um produto (o que, sem sombra de dúvida, gera direito autoral) e sua patente. É necessário separar essas matérias para perceber a área de proteção de cada uma. A legislação prevê claramente que o autor de qualquer projeto, obra de arte ou produção intelectual de qual-

tuais protegidas.

quer gênero é sempre a pessoa física. A pessoa jurídica

“Assim, os projetos de engenharia e arquitetura estão

Autor é sempre a pessoa física que concebeu o projeto de

não cria. E depende do intelecto humano para a criação.

no rol das criações protegidas, podendo ser conside-

engenharia, arquitetura ou decoração. E não a empresa na

rados obras de arte, a par de serem obras intelectuais.

qual trabalha o autor”, esclarece.

t

 Cesar

Romero Vianna e Advogados Associados Rua México, 164, 9º andar - Centro | RJ [21] 2533 4143 www.advcrv.com.br

Conceito A N. 18 2016

215


corporativo // instituto luiz gouvêa

LINHAS ERUDITAS A EUROPA DOS SÉCULOS XVIII E XIX DÁ O TOM DO INSTITUTO LUIZ GOUVÊA, NO RIO POR BETINA PEPPE DINIZ FOTOGRAFIA ACERVO AD

RECONHECIDO TAMBÉM COMO GRANDE curador, o antiquário Arnaldo Danemberg é, com frequência, convidado a fazer a ambientação de locais oficiais ou solenes. Foi assim na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Rio + 20, quando ele concebeu e montou a sala dos chefes de Estado. Sua marca The Library já selou ambientes como o Hotel Copacabana Palace e, mais recentemente, o Instituto Luiz Gouvêa, local de mediação, conciliação e arbitragem entre partes que optem por resolver suas pendências fora da Justiça. “Luiz é meu amigo e queria a chancela AD em todo o projeto, desde a identidade visual até a escolha dos papéis e do mobiliário”, disse Danemberg, que contou com a parceria do arquiteto Marcelo Moura. O revestimento é a formalidade e cai bem com antiguidades de estirpe. Mas, em vez do pomposo ou do majestoso, predominam o clássico e o elegante. E, mais uma vez, objetos históricos convivem com traços contemporâneos, dialogando com o clima de erudição de um lugar vocacionado à pesquisa e à reflexão. O Instituto tem dois andares. O de cima foi reservado ao escritório de Luiz Gouvêa. O de baixo é um espaço para reuniões. “Adaptamos gloriosamente um conjunto de cinco estantes de farmácia portuguesa em pinho de riga do século XIX para ser uma biblioteca e colocamos uma importante mesa francesa em carvalho, do Império Francês, que foi usada na sala dos chefes de Estado durante a Rio + 20. A partir daí, criamos neste ambiente um convite ao estudo, à leitura”, descreveu Danemberg, sempre enfatizando o caráter mais citadino de suas escolhas: “O ponto é a formalidade, não a ostentação”. ►► 216 Conceito A N. 18 2016


Ao lado, móvel de ofício francês em madeira clara de l`orme estilo Napoleao III. Na composição, coluna torneada sob base em ferro (posterior), adaptado para abajur, par de vasos em porcelana e caixas em madeira do século XIX. Abaixo, bureau francês em interpretação campesina, estilo rococó, do século XVIII. Uma das poltronas francesas do século XIX tem o estilo Luiz Felipe e a outra, Napoleão III. Ao fundo, louceiro português, estilo eclético francês do período Napoleão III. Na página anterior, vasos franceses,do século XIX: um em opalina verde, ao gosto Médici, e o outro em porcelana de inspiração romântica.

Conceito A N. 18 2016

217


O século XVIII está presente ainda em uma mesa ingle-

sas do século XIX. Entretanto, essa foi desenhada com

sa Charles II. E a história continua a ser contada por um

traços mais retos, para dar ar mais contemporâneo. As

comptoir (balcão) Napoleão III da segunda metade do sé-

paredes foram revestidas com papéis que imitam o linho.

culo XIX, por cadeiras pernambucanas em jacarandá, ditas Beranger, gravuras italianas de arquitetura barroca e tam-

O projeto de iluminação é “simples”, segundo Marce-

bém por quadros do acervo pessoal de Luiz Gouvêa.

lo Moura, com luminárias embutidas que chamam mais atenção para o mobiliário. “Procuramos enaltecer o am-

No piso, o tradicional mármore travertino romano, usado

biente, sem brigar com a ambientação. Optamos por ma-

no Coliseu. O projeto arquitetônico incluiu a criação de

teriais que pudessem conversar harmonicamente com as

uma porta almofadada, que remete às das casas ingle-

peças históricas”, resumiu o arquiteto.

218 Conceito A N. 18 2016

t

Estantes de farmácias portuguesas em pinho de riga, no estilo eclético francês do período Napoleão III. Mesa francesa em carvalho do neoclassicismo francês e cadeiras inglesas em mogno, do período Late Victorian.


Conceito A N. 18 2016

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off rio // arnaldo danemberg

REDUTO DE INSPIRAÇÕES SECULARES SÃO PAULO ENTRA NA ROTA DO ANTIQUÁRIO ARNALDO DANEMBERG, QUE ABRE PORTAS NOS JARDINS E TRAZ MOBILIÁRIO LIGADO AO PASSADO EUROPEU POR BETINA PEPPE DINIZ FOTOGRAFIA ACERVO AD

ELE JÁ FOI CHAMADO DE “caçador de antiguidades”. Assina a frase: “O móvel antigo conserva a história e transmite memória”. E foi elevado a comendador, título outorgado pela Presidência da República, pelos serviços prestados e pela representação do Brasil no exterior. Por essas e (muitas) outras, Arnaldo Danemberg continua se consagrando como o grande nome do antiquariato brasileiro. Em resposta a pedidos dos próprios clientes e a um sonho antigo de expansão, o santuário de tesouros seculares da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, ganhou uma filial: o Arnaldo Danemberg Antiquário foi para São Paulo. Abriu suas portas nos Jardins, ocupando loja assinada pelo arquiteto Dado Castello Branco. Ao lado da filha Paloma, que há cinco anos integra sua equipe, Danemberg ousou. Empreender em ano de crise não é fácil. Mas ele fez. E fez com grandiosidade: “Foi um teste de perseverança e de confiança em nosso trabalho”. Deu certo. Com sua modéstia e seu realismo, admite, no máximo, que “o antiquário foi bem-vindo no mercado paulistano”. Mas quem conhece o trabalho do pesquisador, professor e curador sabe que é bem mais do que isso: Danemberg e São Paulo se admiram mutuamente. A cidade valoriza sua obra. E ele, que já vivia na ponte aérea, elogia o que chama de “alegria e vibração do paulistano” em fazer uma boa compra. “Os clientes de São Paulo já vinham há um tempo me cobrando a filial. Mas era necessário que tudo estivesse muito bem estruturado, desde a definição do local até o treinamento da equipe, a adaptação do site, a identidade visual e a atualização do acervo”, lista ele. 220 Conceito A N. 18 2016


O endereço de São Paulo reflete a atmosfera de requinte e elegância do selo AD.

Paloma Danemberg, que é gerente geral, foi responsável

Como se trata de um antiquário, foi curioso notar a mo-

por boa parte da reestruturação que possibilitou a aber-

derna estante clara atrás de Arnaldo Danemberg durante

tura de portas da filial: mudanças no acervo, contrata-

entrevista à Conceito A, quando estava sentado à mesa de

ção e treinamento de equipe, estratégias de marketing,

seu escritório na loja de São Paulo. Ele explicou que o obje-

busca do endereço.

tivo do contraste foi justamente quebrar a já pressuposta ambientação palaciana clássica: “Queríamos bem-estar.

“Crescer sem perder a qualidade do produto e do atendi-

Aquela sensação de estar em casa”.

mento. Essa é nossa missão. Durante anos, planejamos a expansão do antiquário, reestruturando departamentos

O projeto com moldura contemporânea realça as pe-

já existentes e criando outros, restaurando boa parte de

ças antigas e faz homenagens: a cor bordô foi atri-

nosso acervo para mostrar em primeira mão novidades

buída à papelaria da loja e à parede de entrada.

ao cliente paulistano e formando uma equipe coesa que

“Bordeaux, na França, é praticamente a minha segun-

representasse os valores da empresa. Em 2015, realiza-

da cidade. É de lá que eu parto para minhas viagens de

mos esse tão esperado sonho na cidade de São Paulo”,

garimpo na Europa”, ressalta. Nessa mesma parede,

disse ela, que hoje comanda a loja da Avenida Atlântica,

está exposta uma galeria de cadeiras em prateleiras

fazendo também a curadoria de peças do antiquário que

de ferro. “É uma espécie de ode ao conforto e ao bem-

são expostas em mostras e eventos em geral, uma vez que

-estar, ao símbolo que a cadeira representa no mobiliário“.

Danemberg está mais dedicado à nova loja e a sua incansável busca por preciosidades históricas.

Um

dos

tervenção

pontos sutil,

altos mas

da

ambientação

marcante,

da

é

a

in-

designer

de

O local, o número 3.058 da Rua da Consolação, veio da

interiores Lu Kreimer, que recebeu a missão de

indicação de uma amiga. O empresário resolveu apostar,

valorizar as peças expostas, seja por meio de uma planta,

dando carta branca a Dado Castello Branco, que “fez um

de uma flor ou de um tecido, acrescentando delicadeza a

trabalho maravilhoso”, segundo suas próprias palavras.

um trabalho encaminhado inicialmente por dois homens. ►► Conceito A N. 18 2016

221


“Chamei a Lu para dar continuidade à decoração, sem tirar a verve de Dado Castelo Branco. E é incrível como ela tem mão para interpretar minha personalidade. Em dois dias, ela me entregou a loja pronta. E olha que sou exigente. Não deixo passar uma vírgula”, admite. A relação entre eles é antiga. E foi marcada por dois momentos especiais de atuação da designer: o evento de 30 anos de antiquariato e o casamento de Paloma. Após todos esses anos, a decoradora passou a integrar o selo Arte Danemberg, ficando responsável por duas vitrines por ano no antiquário, quando serão apresentados produtos recém-chegados da Europa. A cada ano, novas peças. Para 2016, as novidades incluem pedras de decoração para jardins e bandejas de forneria portuguesa. Algumas são clássicas e brilham em todas as coleções, como as opalinas. Mas quem se deslumbra com o glamour transmitido por esses tesouros da decoração não imagina como é feita essa coleta Europa afora: o empresário, professor, pesquisador e curador veste sua camisa de operário da história. E assume o volante de um baita caminhão para percorrer estradas que dão nos séculos XVII, XVIII, XIX…

O espaço reservado ao escritório de Arnaldo inclui uma área para atendimento em clima de casa, com fotos e objetos pessoais como parte da ambientação.

222 Conceito A N. 18 2016


São feiras, fazendas e leilões escondidos pelo interior do Velho Continente. E uma bagagem de conhecimento e de sensibilidade para identificar preciosidades em potencial. Danemberg privilegia a pureza dos móveis. Reconhece as madeiras mais acetinadas. E montou a própria oficina de restauração com um time primoroso de artesãos. Ele encara o velho móvel como faz um médico a um paciente enfermo que pode “renascer”. Claro que, aliado a tudo isso, está um ingrediente chamado

Excelência no acervo e no cuidado com a paginação do antiquário, que leva a assinatura Arnaldo Danemberg na curadoria e a luxuosa colaboração da designer de interiores.

“gosto pessoal”, que ele descreve como não excessivo, mais associado à boa artesania do que ao que se refere como “delírios palacianos inatingíveis”. E assim foi construindo a identidade AD, que, reconhecidamente, é única no antiquariato brasileiro. “Vivemos da história. Da memória. Da restauração. Da nova vida desses objetos e, sobretudo, da alegria que eles vão proporcionar na casa das pessoas”. Fazendo uma analogia, ele associa seus critérios para escolher objetos à sua maneira de enxergar a vida e transmite um certo tom de “mais trabalho, menos deslumbre”. E, apesar da extensa trajetória profissional e de estar nas vésperas de seus 60 anos, ele conta que ainda convive com a apreensão da estreia. “Sinto-me debutando”.

t

 Arnaldo

Danemberg Antiquário Rua da Consolação, 3058 - Jardins | SP [11] 3062 6224

Conceito A N. 18 2016

223


Acervo

Arnaldo Danemberg e o antiquariato

OS CARTAZES DE APRENDIZADO EM MINHAS VIAGENS PELA FRANÇA, um determinado item sempre me chamou atenção, porque me remetia à vida escolar e também por causa da beleza das ilustrações, que sem dúvida convidam nossos olhos a investigar o mundo, os costumes e a vida cotidiana. São os tableaux d’élocution. Também conhecidos como panneaux pédagogiques ou affiches scolaires, essas ilustrações tornaram-se essenciais na sala de aula na França nos anos 50 e 60.

Le cirque (O circo).

Os cartazes de aprendizado (tableaux d’élocution/ affiches scolaires), da editora Hachette, que ilustram essa matéria são de origem francesa, de cerca de 1950. Todos emoldurados, têm as seguintes medidas: Altura: 0,65m Comprimento: 1,00m Profundidade: 0,05m;

La fête foraine (O parque de diversões).

224 Conceito A N. 18 2016


Os cartazes de aprendizado, como podemos assim chamar,

La gare (A estação).

retratam a vida cotidiana francesa, seus hábitos e costumes, além da geografia, da história e da ciência (plantas, animais e o homem), fazendo com que o aluno aprenda o seu papel social, o comportamento “socialmente correto”. Por meio dessas ilustrações, o aluno

entrava em

contato com diferentes realidades da vida cotidina, como o zoológico, o parque de diversões, a vida campestre, os aeroportos, a casa da família e os portos. Temos hoje nos cartazes de aprendizado uma importante radiografia da sociedade francesa, um verdadeiro olhar histórico dos anos 50 e 60, seus valores e princípios de sociedade. Os cartazes de aprendizado também ajudaram na famosa leçon des choses, ou lição de coisas, dando ao aluno a oportunidade de abstrair situações por meio de

Le marché (O mercado).

uma cena concreta. ►►

La piscine (A piscina).

Le printemps (A primavera).

Conceito A N. 18 2016

225


La ferme (A fazenda).

L’hiver (O inverno).

L’aérogare (O aeroporto).

Tais

cartazes

começaram

a

ser

editados

pelo

professor André Rossignol do início dos anos 50 até 1958, quando vendeu sua empresa para a Hachette, a qual continuou a impressão até 1972. As imagens que ilustram esta coluna foram editadas pela

La plage (A praia).

Hachette. Tive a sorte de encontrar três rolos ainda originais, intactos, cada um contendo 16 estampas, reversíveis, com um tema diferente de cada lado. Difícil escolher qual constar na parte dianteira da moldura. Não me canso de admirá-los. Trazem para a casa atual história e alegria em suas cores e estampas. Ingredientes melhores, impossível. Apreciem.

t

Le port (O porto). 226 Conceito A N. 18 2016


Conceito A N. 18 2016

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ensaio // aristides corrĂŞa dutra

228 Conceito A N. 18 2016


arqui t e tura do

tempo OU DE COMO UM FLÂNEUR DELIRANTE SE APROPRIA DE FORMAS ALHEIAS PARA DESENHAR SUA PRÓPRIA VISÃO DO MUNDO, MESMO SABENDO QUE É UM VÉU DE MAYA TEXTO E FOTOGRAFIA

ARISTIDES CORRÊA DUTRA

CAMINHAR PELAS RUAS DE UMA cidade é como levar o

Nós achamos que o tempo passa diante de nós. As es-

olhar para passear no tempo. O espaço urbano é um mosai-

tátuas da cidade, impassíveis em sua paciência taoísta,

co fragmentado em que o novo e o velho vão se juntando,

são de opinião diferente. Para elas, nós é que passamos.

se sobrepondo, às vezes em luta feroz, às vezes em convi-

Para os perenes cidadãos de metal e de pedra, nós somos

vência pacífica. O novo de pouco em pouco torna-se velho.

apenas suas imitações decaídas em frágil carne e osso

E coisas antigas escavadas, redescobertas, emergem aqui

produzidas por algum apressado aprendiz de demiurgo.

e ali, renovando o presente ao resgatar o passado.

Nós somos levados pelo rio do tempo. Elas permanecem. E nos contemplam.

No traço do caminhante pela cidade, um mapa se forma, desenho que é design e também desígnio. Cartografia do

Ao menos, nos resta o consolo de poder olhar. A posse pela

ser e do estar. Tudo é transitório, arquitetura do tempo

imagem. “Eu vi primeiro”, grita uma criança declarando-se

que ergue e destrói coisas belas.

dona. “Me vi te vendo”, responde o cronista. ►►

Asas do desejo: águia pousada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro; anjos na ponte sobre o Rio Tibre, em Roma.

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Após a batalha de Zela, Júlio César escreveu: “Vim, vi e

a ideia de imitar o funcionamento do olho. O globo virou

venci”. Às margens do Nilo, Napoleão disse a seus soldados:

uma caixa, um compartimento, uma câmera. Foi inventada

“Do alto dessas pirâmides, 40 séculos vos contemplam”. E

a fotografia. Agora, além de ver, também podemos ma-

um velho timbira dizia, prudente: “Meninos, eu vi!” Ver, ser

terializar nosso olhar para fazer ver aos outros o mundo

visto, contemplar, desvelar, revelar. Olhar. Segundo Diana

que desfila diante de nós. Eu vi uma águia dourada pousar

Vreeland, a legendária editora da Harper’s Bazaar, “o olho

sobre um globo de cristal enquanto a comédia humana

tem de viajar”. Não por acaso, o olho é um globo. Como o

se aninhava à sombra de algum colosso vizinho. Eu vi os

mundo. E eles não foram feitos para ficar parados.

anjos da paixão guardarem uma ponte entre dois tempos protegidos de longe por um invencível São Miguel Arcanjo.

Uma das mais poéticas invencionices dos geógrafos é

Vi a solidão em pedra contemplar o abismo em forma de

o fato de indicarmos a localização de um ponto sobre a

nuvens. E, pode ser impressão minha, também acho que vi

Terra subdividindo os graus em minutos e segundos.

uma ponta de melancolia brotar enquanto o doce fruto da

Como se já não bastassem os graus de um círcu-

juventude imaginava seu porvir.

lo serem 360, quase como são os dias de um ano. Mas não se enganem. O olhar não é passivo. Ele é transforÉ como se fundíssemos tempo e lugar em uma trajetória

mador e reinventa a realidade a seu bel prazer. Escolha seu

no espaço para nunca esquecermos que nem a Terra fica

ponto de vista e será possível ver uma dança ritual profa-

parada. Por que nosso olho ficaria? Um dia alguém teve

na em frente a um templo sagrado. ►►

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Alegorias contemplativas: sobre o Solar do Visconde do Rio Seco, no Rio, a Sabedoria; sobre a Esplanada do TrocadĂŠro, em Paris, os Frutos.

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No entanto, elas se movem: Mulher com ânfora, hoje diante da Igreja da Candelária, já esteve na frente do Theatro Municipal e no Largo da Glória; os Amorinos do Chafariz da Praça Monroe já estiveram no Largo do Paço, na Praça XV e na Praça da Bandeira.

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O som do silêncio: um anjo toca sua trombeta sobre o portal principal da Catedral de Notre-Dame, em Paris.

Ou contemplar um menino pedra escutar o que sussurram as paredes do tempo. Ou presenciar o raio de luz banhar um anjo e retirar dele a sombra de um corcunda para que eles vivam para sempre em sua catedral. Parafraseando os poetas, eu diria: flanar é preciso. As fotos desta matéria foram produzidas em algumas de minhas andanças por aí. Aqui estão apenas Rio, Roma e Paris. As fotos da muy hermosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro fazem parte de uma exposição intitulada Conversação, apresentada na Galeria do Parque das Ruínas em março e abril deste ano da graça de 2016.

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8 ANOS

FALAR DE ESTILO COM SOTAQUE CARIOCA 234 Conceito A N. 18 2016

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Revista Conceito A  

Edição 18

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