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Anuncie Aqui Entre em contato revistacomunik@gmail.com Tel: (11) 8038-1727 - Caio


Índice Lip Dub no Ceunsp.............................................5 Amor ou Sexo?..................................................6 Cabelos..............................................................7 Ciúme.................................................................8 Colecionadores.................................................11

Conversa com o Editor

C

omeçou como um trabalho de sala, tomou ares de um projeto mais sério durante as férias e agora é essa revista que vocês estão vendo . Isso é uma breve história contando como surgiu a revista do bloco K, a comuniK. Aliás, esse nome foi bem sugestivo, tem a cara do projeto. A criadora do nome foi a Isabela Silva, dona das ideias mais mirabolantes da nossa turma. Depois de aulas debatendo, e-mails indo de um para outro sem parar, começamos a por a mão na massa.

Foto: foto cardia

Entrevista - Mayck ou WIlson...........................16 Bigode, já era?.................................................18 Página Verde - Dia da Água.............................20

Agora, a comuniK é muito mais que um trabalho. É uma revista que mostrará reportagens muito interessantes, principalmente aos alunos do bloco K, mas sempre deixando espaço aberto para todos que queiram não só ver, mas também participar da comuniK Essa primeira edição é para guardar e para os fanáticos que queiram colecionar as revistas. Aliás, colecionadores é o tema de nossa principal reportagem para essa edição.

Hora dos Quadrinhos........................................22

E para você que tem ciúme, saiba que isso não é apenas problema seu. Uma reportagem mostrará diversos casos, de pessoas que tem ou (dizem que) não tem ciúmes.

Expediente

Muito mais assunto na Página Verde, nossa página idealizada não só para falar de meio ambiente, mas também de responsabilidade social. Aliás, nosso projeto é que essa revista seja publicada com a sua ajuda. Lançaremos na FCA uma coleta de jornais e revistas antigos, aqueles que você deixa de canto depois que lê e não sabe o que fazer com ele.

Professor orientador - Pedro Courbassier Editor-chefe - Caio Dellagiustina Editores adjuntos - Állan Guimarães, Isabela Silva, Marcelo Soares Repórteres - Alan Viani, Adriane Caciele, Bruna Lagreca, Daniele Oliveira, Jean-Fréderic, Juliana Ferraz, Luiz Carlos Pesseudonimo, Mariana Sugahara, Marcos Freddi, Beatriz Silva e Samuel Peressin Colaboradores - Ana Laura Cardoso, Jean Lucas Pino, Jefferson Oliveira, Marcela Cortez, Murilo Denardi, Sandra Ribeiro e Mayara Novaes Diagramação - Murilo Santos, Jean-Fréderic e Caio Dellagiustina

Boa leitura! Caio Dellagiustina

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AQUI É MAIS LEGAL! A TV Tem, filiada da rede Globo, lançou o desafio: fazer o vídeo em apenas uma semana. O coordenador Edson Cortez aceitou, “Nem sabia direito o que era, mas adoro desafios”. Em uma semana foram realizados testes para dublagem, ensaios e gravação. No dia 8 de março, o clipe foi gavado e contou com a presença de mais de 400 alunos. A ideia do Lip Dub foi aceita por parte dos alunos, “Fomos desafiados, é uma ideia inovadora e espero participar de outros”, declara a estudante de Eventos, Andrea Carmem Silva.

Já Felipe Augusto, do curso de Cinema é contra o produto final, “Mal preparado. A parte técnica está horrível, a imagem ficou escura e não teve planejamento”, ele ressalta “Tem uma placa escrita: Lip Dub, que está de ponta cabeça; a menina bateu na parede, e não regravaram. Esse é o jeito Ceunsp de ser?”. O clipe já está a disposição no Youtube. Até agora já são quase 4.500 visitas. Então, se ainda não viu, entre lá e confira

Por Mariana Sugahara

Foto: andré timex


AMOR OU SEXO? “Amor é para sempre Sexo também Sexo é do bom... Amor é do bem...” O que é mais importante num relacionamento? Aliás, o que é um relacionamento de verdade? Somente o amor o mantém? Claro que não, Essa é uma questão muito óbvia. Hoje em dia existem pessoas que buscam o amor da vida, o príncipe ou a princesa dos contos de fadas. Mas enquanto não encontram as pessoas “certas” ficam com as erradas. Ter um carinho, um afeto maior por alguém, sim é um sentimento mais forte. É algo além da amizade, mas não significa um relacionamento sério. Apesar de que, com internet e tantos outros meios de se relacionar direta ou indiretamente com outras pessoas, o sexo se tornou mais fácil. Em uma pesquisa realizada com alunos da FCA do Ceunsp, 77% dos participantes dizem que o amor é mais importante do que o sexo. E alguns chegam a dizer que o sexo não é necessário quando existe amor, Porém, uma maioria afirma que sexo com amor é melhor ainda. “O sexo é um complemento do amor”, comenta a estudante de Jornalismo Tatiana Scavacini de 24 anos. “Um relacionamento casual, gera menos sofrimento

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psíquico e responsabilidades, e o amor é difícil de achar e tesão todos nós sentimos”, comenta Roberta Kretzmann de 19 anos, estudante de Psicologia da PUC/ RS. Porém, 57% dos participantes afirmam o favoritismo ao sexo casual, sem compromisso. Na guerra dos sexos, parece até óbvio o resultado, pois entre os homens entrevistados 68% é a favor do sexo casual e este mesmo percentual classifica o amor como algo mais importante no relacionamento. “Mesmo optando na maioria das vezes por algo casual , com o amor posso vencer várias barreiras da minha vida, com o sexo consigo vencer apenas o prazer imediato”, diz Reinaldo Carlos da Silva Filho estudante de logística de 19 anos. Enquanto isso, 45% das mulheres é a favor da pratica do sexo casual e 86% classifica o amor como sendo mais importante em um relacionamento. “O sexo é mais fácil, porque você vive aquele momento”, diz Gerson Vinícius Bertolotto de 18

anos, estudante de Publicidade e Propaganda. Já para Jéssica Samara Ferreira Costa, de 20 anos, estudante de Enfermagem, “o sexo supre as necessidades físicas, mas não os sentimentos”. Como diria a música de Rita Lee, “amor é novela, sexo é cinema! sexo é esporte, amor é sorte! amor é bossa nova, sexo é carnaval”.

Por Marcelo Soares

Foto: sxc.hu

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O assunto é cabelo Vistosos e cheios de saúde, cabelos bem tratados chamam a atenção por onde passam.

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o natural ou quimicamente tratado, isso não importa! O que vale é esbanjar movimento e leveza. O comprimento do cabelo também chama a atenção, afinal qual a mulher que não sonha com um cabelo longo e bem hidratado? Se o seu cabelo parou de crescer ou está devagar quase parando, alguma coisa pode estar acontecendo com ele. Mas calma, não precisa entrar para a turma da Rapunzel e nunca cortar o cabelo, pois com uma alimentação adequada suas madeixas ganharão uma ajuda extra para brilhar. Segundo Geová Gouveia, diretor do Portal do Cabelo, inúmeros fatores podem contribuir para que a média normal de crescimento dos fios, que é de um centímetro por mês, estacione. “O problema está ligado normalmente a três fatores: descontrole da glândula sebácea, alterações metabólicas e problemas de circulação sanguínea”, explica o especialista. A terapeuta capilar Sheilla Bellotti vai mais além: “O cabelo cresce a partir do bulbo capilar, chamado de couro cabeludo. Qualquer agente externo que prejudique sua saúde também impede o crescimento”. Madeixas enroladas não permitem variação de corte, é no que acredita a estudante de Jornalismo Juliana Ferraz, que revela gostar muito de seus cachos. “Cabelo longo é feminino, deixa a mulher com cara de mulherão. O meu é comprido e enrolado, não dá para variar”. Juliana termina dizendo que cuida do cabelo fazendo hidratação, mas se arrepende de já ter tingido. “Tingir é um caminho sem volta”, finaliza.

DICA A alimentação pode ser uma forte aliada para manter os cabelos saudáveis. Coloque os itens da lista abaixo na sua alimentação diária e garanta um cabelo bonito, saudável e mais brilhante: Vegetais de folhas escuras, fígado e gema de ovo, ricos em ferro, influenciam o crescimento dos fios; Vitaminas A, B, C, gorduras insaturadas e até germe de trigo são um santo remédio para os fios.

Juliana Ferraz, mostrando seus longos cabelos enrolados. Segundo ela, “Cabelo longo é feminino, deixa a mulher com cara de mulherão”


Foto: Fabiana Ritta

Ciúme,

um mal necessário?

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le atravessou os séculos, ainda consegue estar na moda e faz sucesso. Adora cair nas farras durante as madrugadas e acorda cedo, todas as manhãs, para acompanhar de perto o seu dia. Embala o coração dos passivos, norteia os aflitos e é a desconfiança dos distraídos. Tema de novelas, filmes e canções, cria cenários, dá vida a personagens e inventa histórias. “Sinto muito ciúmes não vou negar, mas consigo disfarçar bem, só não consigo conter minha imaginação quando vejo alguém que gosto com outra pessoa”, conta o estudante de Jornalismo do Ceunsp Thales Puglia Barbosa, 21 anos. Alimentado pelo mais puro

amor, uma demonstração de gostar, paixão, um querer bem. Acompanhado de sonhos, fantasias e incertezas, um exercício de imaginação, fazendo uso brilhante das idéias e criatividade, ou ligações a todo instante, possessividade, brigas diárias, delírios e ataques de se “arrancar os cabelos”. Sutil, moderado, ou obsessivo, ele é sempre ciúme.

momento da vida, assim como raiva, tédio, aflição, angústia entre outros”, explica o psicólogo e psicoterapeuta Marcelo Toniette. “Normalmente não sinto ciúme, mas tenho esse sentimento guardado e em determinados momentos não tem como não sentir”, entrega o estudante de Fotografia Paulo Henrique Baldini, 21 anos.

Presente não só nos assuntos do coração, pode estar guardado ou sempre entrar em ação causando confusão. Aparece como mágica e some repentinamente, o companheiro inseparável de tantos. “É um sentimento que faz parte da condição humana e estamos fadados a vivenciá-lo em algum

Quando está latente estimula um clima ruim, sufoca e aprisiona, ajudando a despertar no parceiro uma sensação de falta de liberdade. Seus exageros podem causar grande sofrimento e dor, o que acaba sendo muito prejudicial para qualquer tipo de relação.

“É um sentimento que faz parte da condição humana e estamos fadados a vivenciá-lo em algum momento da vida” 8

Os que juravam amor eterno podem até motivar crimes passionais. “A interpretação da realidade, de maneira distorcida pode dar margem para atos criminosos. Quando o ciúme se torna frequente e exagerado, já não estamos mais falando de amor ou carinho, mas puramente das ilusões do ciumen-


to”, afirma o psicólogo. Algumas possíveis explicações para suas aspirações podem ser devido ao forte sentimento de posse, a carência afetiva, egoísmo, medo, tristeza e necessidade total do outro. Geralmente está relacionado à baixa autoestima, falta de autoconfiança em si mesmo ou no outro. Quando esse sentimento sai do controle é indicado a busca de um psicólogo ou psicoterapeuta para avaliar o caso e iniciar uma terapia. O tratamento de uma pessoa ciumenta vai da psicoterapia até o uso de medicação, para o ciúme patológico (doença). Existem ainda grupos de apoio para esses casos, como o Mulheres que Amam Demais (Mada). Segundo Toniette, o respeito e a confiança são sempre bem vindos em um relacionamento. “Não cabe a quem se identifique como ciumento, correr para um consultório psicológico em busca de uma cura. Antes disso, é importante que ela reflita se a sua manei-

ra de se relacionar é equilibrada, gratificante e prazerosa, considerando altos e baixos que são inerentes às relações. O diálogo se faz necessário. Se mesmo assim a situação persistir é hora de buscar ajuda profissional”, alerta. Alguns acostumados com sua constante presença não conseguem perceber tal sentimento, pois o tem como uma demonstração total de proteção, amor e paixão. Outros o assumem com certa vergonha e há os que “dão de ombros” e simplesmente negam sua existência. “Definitivamente não me considero uma pessoa ciumenta e acredito que não conseguiria me relacionaria com uma pessoa assim” diz a estudante de Fotografia Fabiana Ritta, 34 anos. Considerado até mesmo como tempero que apimenta as relações, ajuda a preservar “as alianças”, demonstra afeto, cuidado e os mais íntimos desejos. “Sem muitos exageros e desde que um não agrida o outro, o

ciúme é uma demonstração de carinho e pode ser saudável para um relacionamento,” afirma a estudante de Fotografia, Mariane Vieira, 19 anos. Pode ser descrito também como um sentimento horrível ou um mal necessário, que rodeia todas as relações humanas num grau variado, do benéfico até o mais doentio. “Sinto ciúmes quando minha irmã começa a namorar e não gosto de emprestar meu contrabaixo, gostaria de diminuir esse sentimento mas não exterminá-lo, pois acho que ele também nos faz crescer”, confessa Thales Barbosa. Escravo de si próprio, está sempre de plantão e quando menos se espera, já surgiu. Talvez seja ele a “cara metade do amor”. E você, quando tem ciúmes?

Por Beatriz Silva

Veja o que os estudantes da FCA dizem a respeito Uma enquete realizada com 60 estudantes (30 mulheres e 30 homens) do Bloco K da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA), do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), revelou o nível de ciúme dos universitários.

Fonte: datafca / aeca

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No dia 9 de abril de 1950, foi fundada a Associação Profissional dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Itu. Hoje, ao completar 60 anos, o Sindicato dos metalúrgicos de Itu e Região se tornou uma entidade séria, justa e que atende os anseios da classe trabalhadora. Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região: 60 anos de lutas e conquistas.

Um Sindicato à frente do seu tempo. 10


Mania de

COLECIONAR Bonecos de ação, miniaturas de motos, figurinhas, vinis, dinheiro antigo e outras coisas. Veja aqui a mania de cada

Foto: Sandra Ribeiro

pessoa por uma coleção.


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ocê coleciona algo? Muitas vezes não notamos, mas já fizemos ou fazemos algum tipo de coleção. De histórias exóticas a engraçadas, o ato de juntar objetos é tão antigo como a própria humanidade. De acordo com a psicóloga Shana Emanuelli, “o ato de colecionar é contemporâneo ao hábito que o homem primitivo tinha de guardar para si e levar em seus deslocamentos objetos que lhe pudessem ser útil na caça, na defesa e na sobrevivência. Com o tempo essa prática foi sendo substituída pelos objetos de uso religioso, evocativo e ritualístico.” O prazer e o desejo de ter objetos desperta o interesse de pessoas de diferentes perfis e idades. Alguns consideram apenas diversão, outros uma paixão e até fazem disto um modo de vida. Para o major Sérgio Ricardo, de Itu, a idéia de colecionar motocicletas começou em 1998 quando foi trabalhar no Comando de Policiamento de Trânsito na Capital, onde a frota era composta por 95% de veículos com duas rodas. “Acho muito bonita as formas e os contornos que os construtores de motocicletas implementam em seus produtos.” A coleção de Sérgio é composta por motocicletas na proporção 1:18, todas miniaturas verdadeiras. Ele possui atualmente 51 motocicletas e pretende aumentar a coleção: “Eu costumo comprar devagar, até porque, gosto de curtir a visão dos novos modelos adquiridos.” Afirma que a única dificuldade é sempre adequar o local à coleção, “dentro em breve, não caberão mais e terei que achar outro local”, diz. No começo ficava em sua mesa e hoje tem uma só para elas. Alguns modelos foram adquiridos no Brasil e outros na Itália quando esteve em viagem por lá. Além das miniaturas de motocicletas, possui também duas viaturas policiais, uma da Polícia Militar, uma dos Carabinieri (Polícia da Itália) e dois veículos de corrida da Stock Car. Ressalta que se pudesse ter mais uma coleção seria de veículos de Polícia de outros estados e países,

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Foto: andré Timex

O major Sérgio, exibe com orgulho sua coleção de motos em miniaturas

“mas essa coleção já é bem mais aniversário para ganhar outro”, difícil de se conseguir modelos”, diz. “Eu ficava trocando tudo o afirma. que eu achava em casa por Comandos em Ação com os meus O major fala que sua coleção colegas. Até um casal de coelé algo que lhe dá orgulho, prin- hos do meu pai passei para frcipalmente quando as pessoas ente. E por ai foi (risos)”. se surpreendem ao vê-la exposta em seu trabalho. E o melhor: A paixão pela arte do colecionis descobrem que ele nunca teve mo foi tanta que atualmente uma motocicleta de verdade (a possui quatro coleções: Comannão ser a viatura do policiamento dos em Ação, vídeogames, discos de trânsito). de Rock’n Roll e cédulas e moedas antigas. Começando pelos O músico Kim Malthus, 29 discos, Kim tem um total de 100 anos, começou a se interes- exemplares. “Tenho a coleção sar por colecionar bonecos aos completa do Iron Maiden, lança7 anos quando ganhou de pre- dos no Brasil e alguns importasente o seu primeiro Comandos dos, tenho também a coleção do em Ação. “A partir daí eu queria AC/DC, Metallica e Ozzy. ter todos, achava o máximo essa coleção, mas era difícil porque Em sua coleção de moedas de eram muito caros na época e todos os tipos, sendo a mais antinha que esperar o próximo tiga do ano de 1790. Além de na-

“O ato de colecionar é contemporâneo ao hábito que o homem primitivo tinha de guardar para si e levar em seus deslocamentos objetos que lhe pudessem ser útil”


“Ao mesmo tempo parece até necessidade, sei lá, não dá pra explicar muito, é o prazer de colecionar.” sion, entre outros. Ele não esconde que tem um apreço especial pelos Comandos em Ação, que apesar de ter vários, ainda não está completa. “Tenho alguns bonecos e veícuNa coleção de videogames ele los lacrados de fábrica, mas a possui uma grande variedade maioria eu comprei usado, não se de modelos como: o Telejogo, fabrica mais, não sei o que acono Odissey; Atari; Dactar; Mas- teceu na época com a Estrela que ter System; Mega Drive; Turbo parou”, comenta Kim, se refeGame; Phantom System; Dynavi- rindo à fabricante do brinquedo, cionais, também estão incluidas nessa coleção, moedas de outros países como Portugal, Bolívia, Colômbia, EUA, França, Itália, Espanha, Japão e Paraguai.

Foto: Foto cardia

Kim com suas coleções (acima): “É o prazer de colecionar”. E sua coleção de dinheiro antigo (abaixo) Foto: Foto cardia

que atualmente voltou a fabricar os bonecos: “Mas são bem diferentes. Nada a ver com os antigos. Esses atuais são muito inferiores”, opina. Para Kim, o grande lance dessa coleção é conseguir tanto veículos como bonecos completos, com todos adesivos, armas, pintura em bom estado, sem trinca. “E se achar lacrado, melhor ainda ”, diz. Outro tipo de coleção que tem vontade de ter é de guitarras. “Gostaria de ter muitas e ainda vou ter, e você vai voltar aqui para fazer outra matéria sobre elas”, diz sorrindo. Kim fala que suas coleções têm um grande valor sentimental e não teria coragem de vender nenhuma. “Ao mesmo tempo parece até necessidade, sei lá, não dá pra explicar muito, é o prazer de colecionar.” Mania, hobby, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou apenas uma passatempo? Quando o assunto chega ao campo psicológico às opiniões dos especialistas divergem. Para Shana Emanuelle, “O hábito de colecionar é saudável, uma vez que o indivíduo que coleciona adquire absoluto conhecimento a cerca do objeto colecionado, tornando a prática do colecionismo um passatempo estimulante e recompensador. O que devemos ficar atentos é em manter o equilíbrio entre um hobby como prática cultural saudável e um ato compulsivo de guardar e colecionar objetos obsessivamente.” Já a psicóloga Fernanda Jorge entende que: “Tal comportamento caracteriza o que chamamos de TOC. Entende-se que é uma neurose que atua como uma defesa de algo que ficou retido na infância, que não foi elaborado e compreendido inconscientemente. Assim, a pessoa que reúne peças de seu desejo, consegue “superar” aquilo que foi recalcado nos primórdios de sua infância.”

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Mais loucos por coleções Yo Joe! Se você tem mais de 25 anos, não vai ficar indiferente ao grito de guerra dos G I Joe’s que avisava a molecada que o desenho Comandos em Ação estava começando. Isto lá nas manhãs da década de oitenta no Xou da Xuxa, mas se hoje em dia o bordão não te causa mais frisson algum, saiba que têm muitos “altinhos” que não pensam a mesma coisa. “Eu lembro que era um sábado chuvoso, eu estava assistindo Jerry Lewis quando meu pai entrou em casa com um Falcon com lança mísseis, eu tinha oito anos, isto por volta de 1984”. É tentando disfarçar a animação quase infantil, que Laerte Guimarães, 34 anos, professor universitário recorda do dia em que ganhou seu primeiro boneco de ação. Hoje a sua coleção de G.I Joe conta com cerca de 900 peças, entre bonecos, tanques, aviões e waves (estojos de acessórios como armas, mísseis e etc.). Como todo bom colecionador, ele é uma fonte de informações e curiosidades sobre a série. “Os primeiros bonecos de ação surgiram nos Estados Unidos em 1964 e foram criados para fazer frente à Barbie, depois a Marvel criou os quadrinhos e em 1985 apareceu o desenho animado”, diz Laerte. A linha de bonecos G.I. Joe, da empresa americana Hasbro, foi comercializada no Brasil pela companhia de brinquedos Estrela S/A com o nome Falcon (bonecos maiores, de 12 polegadas) e, posteriormente, Comandos em Ação (bonecos de 3 3/4 polegadas), entre 1984 e 1995. O termo G I (Government Issue) era usado pelo exercito americano para marcar seus pertences e mercadorias, passou a ser utilizado pelos oficiais para designar o soldados rasos, levando a entender que estes também faziam parte de seus pertences. O nome Joe era tão popular como o nosso Zé, ou seja o soldado comum.

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Foto: Sandra Ribeiro

Coleção de bonecos G I Joe de Laerte. Ele conhece quem já recusou um Toyota Corolla pelos bonecos

“Conheço gente de todo o Brasil que coleciona, tem uma convenção anual que em 2009 foi em Porto Alegre, eu fui, vi um colecionador oferecer um Toyota Corolla por alguns bonecos. Sou muito pé no chão, mas tem gente que faz loucuras por uma peça. Uma vez fiquei louco por um Cobra de Aço, boneco que atingiu 200 dólares na Internet, na época não pude comprar, hoje eu tenho três!”. Quando questionado se as pessoas o acham excêntrico, ele é enfático: “ Não me acho excêntrico, mas

algumas pessoas sim, elas acham que nós colecionadores ficamos brincando de boneco. O que fazemos é montar alguma cenas, bater uma foto e mandar para os amigos.” Geralmente os colecionadores também colecionam manias e uma delas é manter a peça na sua embalagem original. “Tem que deixar na embalagem, se tirar perde o valor, quem tem grana compra duas de cada e abre uma, não sei explicar como isto começou, mas é regra!”


Hoje em dia ele compra pelo menos uma peça por mês e afirma que não pretende parar. “ O ultimo que adquiri foi um soldado morteiro, importado por 30 dólares. O mais caro que já paguei por uma peça foi 280 reais, foram 04 bonecos com acessórios. O G I Joe tem mais de 600 personagens, faltam poucos para mim, mas ainda não tenho o porta aviões.” Conclui ele, que além de Comandos em Ação ainda possuí algumas peças do Star Trek e Star Wars.

E no bloco K? Entre os estudantes da FCA encontramos uma infinidade de colecionadores, dos objetos mais comuns até os mais inusitados. Como é o caso da estudante do 3º semestre de Jornalismo Adriane Souza, que coleciona fotos de pessoas dormindo. “Acho que as pessoas se despem de si mesmas quando dormem. Não ficam se preocupando com expressões, em fazer tipo ou convencer ninguém a nada. É o único momento que realmente somos todos iguais. Fora que existem expressões divertidíssimas, não é? Afinal, quem liga para alguma

50.5%

coisa enquanto está dormindo?”, provoca. A coleção de Adriane possui aproximadamente 50 fotos de amigos e pessoas desconhecidas. Quando questionada sobre o que os outros acham disto ela sorri e diz: “Dão risada e acham que estou mentindo. Já aqueles que me conhecem sabem que eu sou capaz e dizem que é a minha cara.” Tem ainda os colecionadores que preferem manter em segredo a identidade por causa do objeto de desejo. Outro estudante de Jornalismo, que não quis se identificar, conta como começou a sua paixão pela revista Playboy. “Comecei aos 10 anos por conta da puberdade (risos) e continuo por hobby, por prazer de colecionar algo. Mas não gosto de divulgar porque as pessoas são preconceituosas e taxam isto de perversão.” Ele possui 88 exemplares, alguns exemplares considerados raros, como o da Vera Fisher e de Adriane Galisteu. Mais do que revistas, ainda no bloco k, há os que confessaram colecionar outro produto picante, filmes eróticos. Mas esses fugiram da nossa reportagem. Até o editor-chefe da revista comuniK, Caio Vinícius, 5º semestre de Jornalismo, declarou ser um colecionador de

carteirinha, ou melhor, de figurinhas. “Comecei a colecionar aos nove anos. Naquele tempo havia figurinhas de jogadores de futebol com um preço bem barato, vinham até nos chicletes.” Ele conta que com o lançamento do álbum da Copa do Mundo de 2002, o simples hobby se tornou um vício. A maioria dos álbuns relacionados a futebol e que são lançados durante o ano ele coleciona. E já faz planos para o próximo mundial: “O álbum da Copa do Mundo deste ano será o meu vigésimo, mas nem todos estão completos devido à falta de dinheiro quando era mais novo. Ainda tenho mais de mil figurinhas repetidas, as quais ainda troco, vendo e dependendo da situação até dou para a pessoa.” Em pesquisa realizada com 182 alunos do bloco, foi apurado que 49,5% dos entrevistados disseram que colecionam algo. Entre estes, os homens são os que mais colecionam, 56%.

Por Bruna Lagreca e Sandra Ribeiro

49.5%

Mais da metade dos alunos da FCA dizem ser adeptos de alguma coleção Fonte: datafca / aeca

SIM NÃO15


UM JOVEM TALENTO

QUE RESPIRA COMUNICAÇÃO E ARTES A vida dividida entre palcos e as aulas de Rádio e TV

Esse garoto de voz grave ficou conhecido em todo o Brasil em 19 de março de 2005, quando participou pela primeira vez do quadro de calouros “Jovens Talentos”, do Programa Raul Gil, na época da Rede Record, no qual se apresentou ao lado de seu irmão mais novo, com Foto: ângela quem forma a trabachini dupla sertaneja “Mayck e Lyan” na ocasião Wilson (ou Mayck) tinha apenas 15 anos.

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Ao lado de outros jovens prodígios, se apresentava todos os sábados nesse programa que atingia uma grande audiência no país, sua participação durou aproximadamente um ano, período em que assinou contrato com uma grande gravadora, fez shows por todo o Brasil e se apresentou em parceria com artistas sertanejos de renome como Rio Negro e Solimões, Bruno e Marrone, Daniel, entre outros. A estréia de Wilson no mundo foi em 4 de março de 1989, em Mirandópolis, no Estado de São Paulo. Já a de seu irmão Wyllyan José Travagni de Meira foi em 21 de maio de 1991, em Alta Floresta, no Estado do Mato Grosso. Do parentesco à dupla

Foto: ANGELA TRABACHINI

A

pluralidade de pessoas com personalidades, ideologias e estilos diferentes é constante na Faculdade de Comunicação e Artes do Ceunsp. Em meio a essa multidão – professores, técnicos, estudantes dos mais variados cursos - há um rapaz tímido, jeito reservado, acompanhando do seu fiel gorrinho de lã... Eis que surge Wilson José de Meira Júnior, aluno do 5º semestre do curso de Rádio e TV.

Foto: Assessoria

“Mayck e Lyan” foram seis anos, logo que começaram a falar. A partir dali Alta Floresta ficou pequena. Os nomes artísticos foram ideia do pai da dupla, que os batizou com os pseudônimos logo na infância, quando começaram a tocar em bares e em comemorações festivas na cidade natal. Aliás, muito sábio esse pai, já que “Wilson e Wyllyan” acabaria virando uma espécie de “trava línguas”, não sendo facilmente entoado por uma multidão enlouquecida de fãs. Segundo Wilson, seu encantamento pela música surgiu aos três anos de idade, quando começou a ser incentivado a cantar em todas as festas de amigos e familiares. Mas o assunto virou coisa séria anos mais tarde, quando criou a parceria musical com seu irmão, que se destaca como grande músico. “Eu costumo dizer que o Lyan é o mais musical da dupla.


fazer grandes amizades, esquecendo a figura do artista. Apesar de já ter sido parado nos corredores do bloco algumas vezes, seja para tirar fotos ou dar autógrafos, mas afirma que geralmente a tietagem ocorre nos inícios de anos letivos, quando há uma grande circulação de novos alunos. Mas nem só de aulas vivem os músicos. A dupla já tocou em várias cidades brasileiras, se apresentando no Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, locais que Wilson adorou conhecer, mas sem dúvida para ele o mais emocionante foi voltar a tocar em Alto Floresta (MT), em 2008, local onde foi o início de toda a história.

Mayck, junto com seu irmão se apresentando

É incrível a sua percepção e a capacidade de executar vários instrumentos. Então, ao lado desse excelente musicista, gosto de dizer que o acompanho com o violão!”, declara o irmão mais velho e “coruja”. Mesmo já tendo uma história na carreira musical, Wilson escolheu fazer uma faculdade e cursar Radio e TV, afirmando que essa paixão surgiu exatamente quando a dupla começou

“Quero continuar fazendo aquilo que agrada o nosso público. O som da viola é nosso ponto chave”

a se apresentar nos programas de televisão, quando se encantou não somente pelo que é apresentado para o público, mas também por todos os outros elementos necessários para a viabilização e execução dos programas, achou interessante dominar a engrenagem dos veículos de comunicação, podendo utilizar os conhecimentos adquiridos na faculdade, na carreira como dupla. Fazendo em média 120 shows ao ano, a maioria em festas de peão pelas cidades interioranas do Brasil. Assim, é difícil conciliar a agenda com as aulas da faculdade, mas Wilson, notoriamente um aluno aplicado, conta também com a ajuda dos colegas de classe e dos professores que disponibilizam os conteúdos pela internet, assim podendo estudar também nas cidades onde realizam os shows. E por falar nos colegas de sala, Wilson diz que tem um relacionamento bem bacana com todos, chegando até a

Atualmente várias duplas musicais formadas por irmãos, com histórias parecidas com a de “Mayck e Lyan” estão se desfazendo. Exemplos: Sandy & Júnior, Edson e Hudson. Nos dois casos transpareceu para o público que a separação ocorreu por não possuírem as mesmas opções artísticas e objetivos na carreira. Nesse sentido, Wilson diz não saber responder se ele e o irmão possuem os mesmos gostos, mas acredita que o mais importante é saber respeitar a individualidade e ser prudente nas escolhas do que é melhor para a dupla, “Quero continuar fazendo aquilo que agrada o nosso público, o som da viola é nosso ponto chave. Temos como objetivo, continuar defendendo a bandeira da musica sertaneja, sobre tudo, a viola”, afirma categoricamente. Mesmo com apenas 21 anos e já tendo uma carreira musical elogiada por veteranos como Chitãozinho e Xororó, ele tem os pés no chão e aconselha a quem está começando que “o principal é confiar em Deus e acreditar no sonho, pois quando se crê que é possível, o Universo conspira a seu favor, confiar no talento e na capacidade, independente dos objetivos, é o segredo para o sucesso.” Por Juliana Ferraz

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Bigode: extinção da espécie?

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ternizado pelo cinema no rosto de Charlie Chaplin e na história pela figura de Adolf Hitler, isso sem citar outros, como Machado de Assis, Santos Dumont, Friedrich Nietzsche e Albert Einstein, o bigode, aquele emaranhado de pelos entre o lábio superior e o nariz, que já foi sinônimo de nobreza e virilidade, em épocas passadas, não vive hoje seus dias de maior glamour. Dias estes que, talvez, ainda possam ser recordados, por você, nos rostos de seus avôs e, quem sabe, de seu pai. O tempo passa. Gerações se renovam e com elas comportamentos e estilos entram e saem

bi gode não esteja fora de moda, 79% dos universitários classificaram o bigode como “coisa de velho”. “Como ele é um elemento que aparece e desaparece nas gerações, ele não é uma coisa que é ou não é moda. Eu não acho que ele esteja fora de moda, nem que seja coisa de velho. Ele pode não estar em uso atualmente. Mas o bigode é uma coisa muito cultural. Para os árabes, ele é cultuado. Já em outras culturas, como as orientais, eles não usam porque eles nem têm”, explicou o pesquisador de moda masculina, mestre em artes visuais e professor de moda Flavio Lotufo.

nariz, a lâmina de barbear voltou a trabalhar no mesmo instante. “É uma coisa de velhos, totalmente ultrapassada. Hoje em dia, é raro encontrar jovens que usam bigode e, se for depender deles, a tendência é que o bigode deixe de existir”, prevê.

O que elas pensan? Contrariando o aposentado Arnaldo Opperman, de 61 anos, “dono” de um bigode há exatas quatro décadas, que defende: “Um bigode bem tratado dá um charme, a mulherada gosta”, a enquete revelou que os bigodes não fazem tanto sucesso com as

Imagens: Google

Montagem: Caio Dellagiustina

OS BIGODES MAIS FAMOSOS

de cena. E para a frustração do barbeiro Luis Antonio Pauzer, de 59 anos, que exerce a função desde os oito anos, uma enquete realizada com estudantes do Bloco K da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA), do Ceunsp, confirmou aquilo que os anos vêm lhe mostrando diariamente: homens com bigode estão se extinguindo. “Hoje, já não é mais como antes”, revela Pauzer, que viu o tempo contrariar a lógica: “Antigamente o barbeiro fazia muita barba. É daí que vem o nome barbearia. Hoje, barba e bigode eu faço bem pouco. O que sustenta a barbearia é o corte de cabelos”, constatou. Na enquete, foram ouvidos 100 estudantes (50 homens e 50 mulheres), entre 17 e 42 anos. Embora 59% deles acreditem que usar

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Vinda de um país onde homens com grandes chapéus e vastos bigodes fazem parte da cultura local, a arquiteta mexicana Alejandra Gomes Loustaunau, de 23 anos, revela que a baixa popularidade do bigode, entre os jovens, não é exclusividade do Brasil. “No México, é grande o número de velhos que usam bigode, mas é pouco comum ver jovens usando. Eles preferem deixar barba com bigode, mas só o bigode é muito difícil”, disse. Para o estudante de Publicidade e Propaganda Murilo Menegon, de 19 anos, além de antiquados, os bigodes são horríveis. Ele conta que já se aventurou a deixar alguns fios perdidos pelo rosto, enquanto fazia a barba, mas depois que olhou no espelho e se viu escondido atrás de um bando de pelos entre a boca e o

mulheres, como imagina Opperman. Das 50 mulheres ouvidas, 76% consideram que homens de bigode são bregas e 60% disseram que não ficariam ou namorariam um homem de bigode. Aos que usam ou já pensaram em aderir ao uso do bigode, o professor deixa o alerta: “As mulheres não gostam de pêlo. Hoje elas até ajudam, incentivam os maridos, os namorados, os a se depilarem. É uma questão de estética. O homem que se depila, o menos peludo, é mais sensível e está muito mais próximo delas [do comportamento feminino]”, finaliza. Por Samuel Peressin


Quinzenalmente nos banheiros da FCA


ESPECIAL DIA DA ÁGUA

ÁGUA: INCOLOR, INODORA

N

ão há outro elemento natural tão presente nas atividades diárias humanas como a água. Se a polêmica de que se a vida partiu dela ou se tudo o que existe no mundo provém de uma criação divina, não tem relevância a partir do fato de que tudo o que existe atualmente, depende dela. Com certeza muitos têm consciência de sua importância e suas finitas condições no atual mundo globalizado, mas será que medidas para a preservação desse elemento são tomadas por todos que a utilizam para as futuras gerações? No mês passado (março) foi comemorado o Dia Mundial da Água, que pela definição da Organização das Nações Unidas (ONU) é celebrado no dia 22 desde 1993, sendo que a data foi estipulada pela ONU em 1992. Em todo o mundo, o mês de março é dedicado à atividades, celebrações e reflexões sobre o uso sustentável e consciente da água, e em cada edição, a ONU escolhe um tema que orienta as discussões sobre esse dia. Nesse ano, o tema é “Água Limpa para um Mundo Saudável”.

Nacional O povo brasileiro é um dos que mais pode usufruir de tal elemento, pois segundo informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Brasil possui um dos patrimônios hídricos mais importantes do planeta, sendo que pelo país circulam 12 % da água doce superficial do mundo. Além disso, o Brasil detém cerca de 60% da bacia amazônica, por onde es

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coa cerca de um quinto do volume de água doce do mundo. Por também estar localizado em uma região tropical, mais de 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano, e essas últimas, com um auxílio das condições climáticas e geológicas do país, formam uma extensa e densa rede de rios. Porém, mesmo com todo esse benefício, a distribuição hídrica para soluções sócio-ambientais, segue o mesmo padrão que a desigualdade social no país, já que somente a região amazônica detém 78% dos recursos hídricos superficiais, nacionais, e apenas 5% da população brasileira. Enquanto isso, a região sudeste – região que tem a maior concentração populacional do país – possui somente 6% do total das águas superficiais brasileiras. Como exemplo, a cidade de São Paulo, que nasceu na confluência de vários rios, e que mais tarde foi vítima e foco do desenvolvimento urbano, viu a poluição fazer com que tais fontes próximas de consumo, se tornassem imprestáveis.

Aproximadamente 20% dos peixes de água doce já estão extintos ou ameaçados de extinção e 60% dos grandes rios do planeta sofrem processo de fragmentação com construção de barragens, de canais de irrigação e de desvios.

Como solução para tal problema, a cidade começou a captar e depender da água de bacias distantes, o que levou à alteração dos cursos de rios e a distribuição natural da água nas regiões próximas à capital dos negócios. Segundo informações do site www. socioambiental.com.br, na última década, a quantidade de água distribuída aos brasileiros cresceu 30%, porém, a proporção de água sem tratamento praticamente dobrou (de 3,9% passou para 7,2%), sendo que os números do des perdício são os mais alarmantes: 45% de toda a água ofertada pelos sistemas públicos. Na zona rural, os recursos hídricos também são explorados de forma irregular, além da parte da vegetação protetora da bacia ser destruída para a realização de atividades como agricultura e pecuária. Nessas, os agrotóxicos e dejetos utilizados também acabam por poluir a água Assim, parte das águas brasileiras, já perderam a característica de recurso natural renovável (principalmente nas áreas densamente povoadas), em razão de processos de urbanização, industrialização e produção agrícola, que são incentivados, porém poucos estruturados em termos de preservação ambiental e da água. Segundo informações do site anteriormente citado, as perdas na rede de distribuição por roubos e vazamentos atingem entre 40% e 60%, e 64% das empresas e indústrias não coletam o esgoto gerado. Além disso, o saneamento básico não é implementado de forma adequada, já que 90% dos esgotos domésticos

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RA

PÁGINA VERDE

...INSUFICIENTE! e 70% dos afluentes industriais são jogados, sem tratamento, em rios, açudes e água litorâneas.

Região Sobre as condições das águas na Região Metropolitana de Campinas (RMC), a redação da comuniK conversou com Sérgio Mateus Squilanti, que é diretor de Comunicação Social do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Indaiatuba, e o professor Hélio Rubens Jacintho Pereira Júnior, que também é coordenador do curso de Gestão Ambiental do Ceunsp da cidade de Salto. Segundo Hélio, que possui doutorado em Ciências Biológicas, a região de Campinas está entre duas grandes bacias hidrográficas: Sorocaba Médio Tietê e Piracicaba Capivari Jundiaí. Ele informa que as cidades que envolvem essa região estão se mobilizando para melhorar o oferecimento e qualidade da água. Como exemplo, ele cita a construção de uma estação elevatória em Itu e a criação de estações de tratamento no rio Sorocaba, na cidade de Sorocaba, “Onde já beira a 90% de água tratada e devolvida ao rio”, diz o professor. “Nossa região está bem cotada na condição da qualidade ambiental”, completa se referindo aos títulos Verde-Azul para as cidades de Itu, Sorocaba e Salto. Porém, Hélio também enfatiza que muito trabalho deverá ser feito para os próximos anos em relação à melhoria das qualidades ambientais gerais da região, “mas estes, levam em conta que de-

vemos sempre correlacionar a sociedade e o meio ambiente, pois, caso contrário, estamos fadados a sempre errar e não conseguir resolver os problemas nem de um, nem de outro, finaliza. Já Squilanti, formado em Sociologia e Política, teve seu foco mais direcionado à cidade de Indaiatuba, e informou que o Saae produz diariamente, para o município, 60 milhões de litros de água, “e esse consumo vem crescendo ano a ano, pois temos uma média de 2.500 novas ligações, anualmente”, informa Sérgio. Porém, ele completa dizendo

junto ao rio Capivari-Mirim, que dará origem à uma represa com capacidade para armazenar cerca de 1 bilhão de litros de água, suficientes para evitar qualquer tipo de desabastecimento durante as estiagens mais severas e regularizar a vazão do rio. Além disso, o Consórcio do Ribeirão Piraí, formado por Indaiatuba, Salto, Itu e Cabreúva, também planeja a construção de uma barragem nesse manancial, com uma represa capaz de acumular 4 bilhões de litros de água. “Isso sem contar que o Rio Jundiaí, que tem volume

Reflexão “Você pode achar normal que um rio que cruza sua cidade seja transformado em esgoto a céu aberto. Mas nunca foram tão importantes para você e para o Brasil a sua atitude e consciência sobre o mundo em que vivemos hoje” ****************************** “Se voce tem filhos, pense no futuro deles, se nao, pense nos dos outros, pois você não vive e não está sozinho” que a capacidade de tratamento de água instalada atualmente (cerca de 862 litros por segundo), é o suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, sendo que nem 100% é utilizada. “Ou seja, temos uma boa folga. Sem contar que estamos implantando o Plano Diretor de Combate às Perdas de Água, o que otimiza a capacidade hoje instalada”, revela. Sobre projetos para as cidades da região, Sérgio informa que o Saae está prestes a emitir a primeira ordem de serviço para a construção de uma barragem

de água suficiente para garantir água para toda a região por mais de um século, está sendo despoluído, e dentro de dez anos terá condições de oferecer água para ser tratada pelo processo convencional para ser distribuída para o consumo humano”, finaliza Squilanti evi denciando que muitos investimentos estão sendo feitos para garantir o abastecimento de água, no presente e no futuro, para a região.

Por Állan Guimarães

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Hora dos Quadrinhos

Por Jean-FredĂŠric Pluvinage

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Revista comuniK  

Revistra desenvolvida pelos alunos de jornalismo da Faculdade de Comunicação e Artes do Ceunsp em Salto

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