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meio ambiente

Wlad Farias

Vale a pena

fiscalizar e denunciar

O julgamento do mensalão e a brilhante atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal, destacando-se a figura do relator Joaquim Barbosa, mostraram que novos ventos sopram, trazendo alento para uma nação que já não acreditava que atos ilícitos praticados com leviandade por políticos e empresários pudessem ser punidos no Brasil. A condenação dos réus do mensalão resgata a credibilidade e nos motiva, nos faz crer que vale a pena exercer a cidadania. Sinaliza um novo tempo em que a impunidade dá lugar ao controle da gestão pública por meio dos instrumentos democráticos. Não se trata de ato político, como querem nos fazer crer os inconformados com os resultados do julgamento, que tentam minimizar o impacto das ações criminosas dos envolvidos, mas da mais relevante punição para envolvidos em escândalos de corrupção depois do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, há 20 anos, sinalizando que qualquer um que fizer uso indevido do patrimônio público terá de responder na Justiça e perante a sociedade por seus atos, e que pagará por isso. A Corte Real de Jersey determinou que empresas offshore ligadas ao ex-prefeito Paulo Maluf devolvam aos cofres públicos paulistanos 22 milhões de dólares. A Justiça da ilha britânica concluiu que parte do dinheiro depositado no paraíso fiscal tinha como origem desvios de verba da obra de construção da Avenida Água Espraiada, hoje chamada Jornalista Roberto Marinho, na zona sul de São Paulo.

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Revista

dezembro 2012

Também no mesmo período, aqui na nossa região, o técnico da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) Sérgio Roberto foi preso em flagrante, em 8 de novembro, por receber propina em troca de concessão de licenças ambientais em Embu das Artes. Ele trabalhava havia 32 anos na companhia, e foi abordado dentro da agência. Foi preso por porte ilegal de arma, após a polícia encontrar uma pistola calibre 635 no carro dele. Em sua casa, em Osasco, a polícia apreendeu 650 mil reais e 37 mil dólares em espécie, além de outras duas armas de fogo. Ele confessou ter recebido propina para aprovar licenças em Áreas de Proteção Ambiental, concedeu licenças para construção de fábricas, condomínios, comércio e loteamentos. Matérias extraídas da Folha e do Estado de S.Paulo , respectivamente. Especialmente em Cotia, desde que passei a fazer parte do Conselho do Meio Ambiente, ao acompanhar as denúncias de desmatamento por parte de empreendedores para vários fins, em Áreas de Proteção Permanente (APPs), o Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental e Rural (Comdar), ao questionar os impactos provocados por tais empreendimentos, sempre ouviu dos secretários da Secretaria do Meio Ambiente que todas as obras estavam regulares, pois estavam devidamente licenciadas pela Cetesb. Inconformadas, muitas vezes, com essas respostas, as entidades que compunham o quadro de conselheiros do Comdar, várias vezes, entraram com

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Revista Circuito