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ARTE OBSERVADA

POR MILENNA CASSEB SARAIVA

Mulher Sentada Apoiada Sobre os Cotovelos Pablo Picasso, 1939 Óleo sobre tela - 92 x 73 cm

VAMOS OBSERVAR

Chega a São Paulo mais uma exposição digna de filas que dobram quarteirões: Picasso e a Modernidade Espanhola. Obras do pintor espanhol Pablo Picasso e de outros artistas modernistas de seu país ganham uma exposição inédita nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na capital paulista, a mostra fica em cartaz de 25 de março a 8 de junho, com entrada gratuita. Pablo Picasso (1881−1973) é conhecido como um dos maiores artistas do século 20 e um dos criadores do Movimento Cubista. Além de pinturas, o artista também trabalhou em centenas de litografias, cerâmicas e esculturas. Em 1968, com 87 anos, produziu, em sete meses, uma série de 347 gravuras, retornando a temas como o circo, o teatro, as touradas e o erotismo. Picasso casou várias vezes, e suas produções artísticas estavam sempre intrinsecamente ligadas a cada novo relacionamento. Seus 90 anos foram comemorados com uma exposição especial no Museu do Louvre, em Paris. Faleceu em Notre Dame de Vie, em Mougins, na França, aos 91 anos de idade. O seu legado é indiscutível e seus números são avassaladores: 22 mil criações e uma de suas obras, Le Rêve (1932), é hoje a quinta obra mais cara do mundo, atingindo o valor de venda de 157,5 milhões de dólares.

MILENNA CASSEB SARAIVA é artista plástica, designer gráfica e galerista, formada pelo Santa Monica College, Califórnia, EUA, em Artes Plásticas. Diretora da Casa Galeria, galeria de arte contemporânea na Vila Olímpia, SP. www.milenna.com, www.casagaleria.com.br

REVISTA CIRCUITO

Mulher Sentada Apoiada Sobre os Cotovelos, de 1939, é uma das obras que virão ao Brasil no fim de março. O quadro é um de quatro retratos que o pintor fez de Marie-Thèrése Walter, modelo francesa e sua então amante. A relação dos dois começou em 1927, ela com 17 anos e Picasso com 45 anos, e acabou anos depois, quando o artista arrumou outra amante. Picasso e ela tiveram uma filha, embora ele fosse casado e ainda vivesse com sua primeira mulher. O tema dos retratos é sempre o mesmo: uma mulher sentada descansando a cabeça em sua mão direita. O rosto de Marie também é representado de forma parecida em todos eles, com seu típico deslocamento da boca e do nariz, herança do Cubismo. Apesar de muito parecidos em forma e tema, podemos notar que as cores dos quadros vão mudando e tomando uma importância maior com o passar do tempo. O primeiro quadro é escuro e expressionista, o segundo é um pouco mais claro e ornamental, o terceiro e este são os mais vibrantes e expressivos. Outra curiosidade sobre esta pintura é o imenso contraste na forma em que o artista fez o rosto, com muito mais detalhes e um acabamento preciso, e o resto do corpo da modelo, que parece ter sido feito bem mais rápido e sem muita preocupação com detalhes. Não se sabe ao certo o porquê desta diferença, mas desconfia-se de que tenha a ver com tumultos na relação do pintor com a modelo. A arte imita a vida neste caso. Obras de arte são tentativas frustradas e contraditórias (vistas da ótica humana) de se querer engarrafar o tempo, engaiolar momentos vividos ou imaginados, de dor ou de amor. Picasso era mulherengo, boêmio, um homem infiel e teve várias mulheres no decorrer de sua vida. As mulheres eram algo inspirador, eram musas para sua arte. Como ele mesmo dizia: “Pinto as coisas como as imagino, e não como as vejo”. Vivia, também, como imaginava. E isso, em si, é uma arte para poucos.

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Revista Circuito - Edição 184  

Revista Circuito nº184 Edição de 15 anos

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