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ANO XVIII // NĂšMERO 21 // AGOSTO 2011


CEAPIA CEAPIA - Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e da Adolescência O Boletim CEAPIA é uma publicação do CEAPIA Rua Cel. Bordini, 434 Bairro Auxiliadora CEP 90.440-002 Porto Alegre - RS Fones: (51) 3343.6490 (51) 3342.7974 ceapia@ceapia.com.br www.ceapia.com.br Diretoria Gestão 2010-2011

Presidente Morgana Gottardo Bortolini Vice-presidente Maria Lúcia Porto da Silveira Secretária Camile Fleury Marczyk Diretora Administrativa Fernanda S. de Puga do Nascimento Diretora Científica Kellen Gurgel Anchieta Codiretora Científica Luciana de Brito Souza Diretora de Ensino Ana Rita Taschetto Codiretora de Ensino Inta Karina Müller Diretora de Atendimento Andréa H. C. Zelmanowicz Codiretora de Atendimento Viviane Boltelho Amaro da Silveira Coordenadora de Divulgação Luciana Wagner Grillo Editora da Revista Publicação CEAPIA Sílvia Varela Dian Conselho Consultivo Abraham Hersz Turkenicz Ester Malque Litvin Fernando Linei Kunzler Ieda Bischoff Portella Ineida Aliatti José Ottoni Outeiral Lígia Arcoverde Basegio Luiz Carlos Prado Norma Utinguassu Escosteguy Paulo Antonio Borghetti Conselho Editorial Coordenadora: Roberta Peruchin Breda Comissão: Bruna Detoni Elisa Rigon Forster Julia Perez Jornalista Responsável Fernanda Natasha Marques Reg. Prof. 12.370 DRT/RS Tiragem 500 exemplares Os conteúdos dos textos e as produções científicas são de responsabilidade dos autores.

Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e da Adolescência

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Editorial Apresentamos mais uma edição do nosso Boletim Informativo. Além de notícias dos setores e das diretorias, vocês poderão saber um pouco sobre as novidades e o que aconteceu no CEAPIA. Neste ano, tivemos a satisfação de contar com a presença do psicanalista Victor Guerra, oferecendo três cursos em nossa instituição. Mais uma vez, nosso convidado nos encantou com sua didática, consistência teórica e criatividade. Nossa colega Andrea Pereira defendeu sua dissertação de mestrado com o título “Adoção e Queixas na Psicoterapia Psicanalítica de Crianças”, e nesta edição do boletim ela nos conta um pouco a respeito. A comissão do boletim informativo, na tentativa de inovar, criou um novo espaço chamado de “Ponto de Vista”, no qual propomos uma reflexão sobre um assunto e três convidados escrevem o que pensam a respeito. Nessa edição, contaremos com comentários

Diretorias

muito interessantes dos psicanalistas Adonay Genovese Filho, Caroline Milman e Flávia Maltz sobre o tema “redes sociais”. Cátia Melo oferece-nos uma prévia do que será discutido na próxima Ciranda Cultural sobre a Saga Crepúsculo, que terá como convidados ela e o jornalista Carlos Moreira. Setembro se aproxima e com ele nossa Jornada Anual, intitulada “Adolescência: ainda somos os mesmos?” Nosso convidado especial, o psicanalista Julio Moreno, concedeu uma entrevista à psicóloga Ligia Basegio na qual nos conta um pouco a respeito da sua trajetória profissional, dos livros que escreveu e dos autores com os quais se identifica. Abraço a todos e boa leitura Roberta Peruchin Breda Coordenadora da Comissão Editorial

Palavra da Presidente Falar sobre o CEAPIA remete à tradição, história e trajetória. E é a partir desse vértice que se situa essa Direção. Herdamos de nossos antecessores uma condição propícia a novas realizações, oportunizando investimentos a esta gestão. Desfrutamos, a partir deste ano, da organização e da padronização da linguagem visual do CEAPIA. Com isso, ganhamos agilidade nas comunicações interna e externa, contribuindo com a organização da Instituição e fazendo frente aos desafios decorrentes das proporções que atingiu o CEAPIA, em dimensão e complexidade. A partir da reprogramação visual, do incremento da divulgação e da atualização sistemática do site, buscamos ampliar as fronteiras do CEAPIA, do ponto de vista do ensino, do ambulatório e da assistência. Acompanhando essa linha de pensamento, que procura dar contornos a essa Instituição em expansão, voltamo-nos, também, enquanto corpo gestor, à parte da organização que nos regimenta. Refiro-me aos regimentos institucionais, que estão sendo confeccionados, atualizados e revisados pelas suas respectivas direções e que serão homologados ainda neste ano. O trabalho mais complexo, e que envolve o trabalho de gerações de colegas, é o Regimento Interno do Ambulatório. Sua descrição abarca o atendimento, desde a chegada do paciente até o trabalho particular de cada setor. Passa a integrá-lo também os “Protocolos de Atendimento”, gerados a partir da experiência interna institucional em sua primeira versão “Protocolos de Irmãos”. Os investimentos na área científica produziram frutos. O Ciranda Cultural proporciona agradáveis momentos de aprendizagem, aportando uma compreensão mais integradora e dinâmica de temas atuais, ligados à infância e à adolescência, e contando com a presença de colegas da área técnica e de profissionais ligados à arte e à cultura. Neste ano, o CEAPIA ofereceu três cursos com o psicanalista Victor Guerra - psicanalista da Associação Psicanalítica do Uruguai, estudioso da infância e pesquisador da relação pais-bebê.

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Boletim

Aprofundando o tema das relações precoces, o conteúdo aportou idéias originais e de grande relevância teórica e clínica. A última edição do curso será realizada em agosto. Em relação ao ensino, houve um grande investimento da Direção e da Comissão de Ensino, envolvendo a manutenção do credenciamento do Curso de Especialização em Psicoterapia da Infância e Adolescência, junto ao CFP, que foi exitosa. O trabalho envolveu a participação de vários profissionais da instituição e ofereceu um importante momento de organização de documentos e de reflexão, que se estenderam nas reuniões de supervisores e coordenadores de seminários que a Direção de Ensino patrocinou. Organização e integração norteiam nosso pensamento, por isso são repetidamente citadas. A Direção Administrativa tem realizado um trabalho com objetivos organizacionais e institucionais, que visa integrar o funcionamento da Instituição. Dentre outras ações, está o desenvolvimento do software de registro dos dados referentes ao ensino, que tem o objetivo de manter o histórico de alunos e associados e a plataforma dos seminários online. O projeto está pronto e em fase de apresentação. Já nos aproximamos de nossa Jornada Anual, que traz, neste ano, o renomado psicanalista Julio Moreno. Médico e doutor em medicina, é membro titular e secretário científico da Associação Psicanalítica de Buenos Aires (AP de BA). É autor de vários trabalhos e estudioso de temas referentes ao desenvolvimento e adolescência, assunto que trataremos em nossa Jornada Anual, intitulada “Adolescência: Ainda somos os mesmos?”. É de destaque a forma profunda e contextualizada com que Julio Moreno aborda os temas, o que enriquecerá o encontro aberto científico mais expressivo de nossa Instituição. Gerir é uma tarefa desafiadora, porém estar à frente de uma equipe motivada, com idéias originais, empreendedoras e criativas, ciosa de seus compromissos, é um privilégio. Além disso, queria fazer uma especial referência aos colegas que compõem as Comissões e aos colaboradores, que se aliam e complementam o trabalho da direção, reverberando e potencializando ações. A esses colegas, veteranos e jovens, toda a nossa admiração e agradecimento. Morgana Gottardo Bortolini Presidente

Direção de Atendimento Diretora - Andréa H. C. Zelmanowicz / Codiretora - Viviane B. Amaro da Silveira No decorrer deste segundo ano de gestão, eu e minha colega, Viviane, estamos empenhadas na realização e finalização das idéias e propostas inicialmente traçadas, como objetivos a serem atingidos no desenvolvimento de nossas atividades neste cargo. Dois projetos importantes tomaram corpo e guiaram nosso trabalho: a preparação do Regimento Interno do Ambulatório e a realização de Protocolos de Atendimento, que servirão como orientação nos atendimentos de nossa Instituição. Nessa primeira edição, trabalhamos o tema Atendimento de Irmãos. A elaboração do Regimento Interno do Ambulatório do CEAPIA, iniciado há vários anos, contou com a colaboração de diversos colegas, sobretudo, desde a gestão anterior, com o empenho dos 17 setores. O documento encontra-se à disposição da instituição, na área restrita do site. Também está disponível para os associados, em CD, na secretaria, para ser lido e validado pelos associados. Neste segundo semestre, o Regimento Interno está sendo revisado pela Direção de Atendimento, junto aos coordenadores dos setores. Com isso, está apto para ser homologado em Assembléia ordinária da Instituição, em outubro desse ano.

O Protocolo de Atendimento tem como finalidade estabelecer um roteiro aberto de atendimento clínico de pacientes, desde a Triagem, que sirva de orientação às várias possibilidades de atendimento de que dispomos, e onde possamos pensar as singularidades de cada caso. A elaboração deste modelo de trabalho partiu do levantamento de questões, surgidas no decorrer de atendimentos realizados dentro do CEAPIA, tais como: teoria e ética, organização do atendimento, avaliação de cada caso e plano terapêutico. A criação destes protocolos deu-se nesta gestão, que fará a entrega da primeira versão sobre Protocolo de Atendimento, referindo-se ao tema Atendimento de Irmãos na Instituição. Desse trabalho, será gerado um documento, que integrará o Regimento Interno do Ambulatório. A proposta é a de que, a partir deste, se façam outros “Protocolos de Atendimento”, fruto de sugestões, como casos de passagem, troca de terapeutas. Para esta atividade, o encontro dos diversos profissionais foi necessário e oportuno, ensejando e integrando ricas discussões. Gostaríamos de ressaltar que, mensalmente, são realizadas reuniões de setores da instituição, dada a importância de termos um espaço de integração dos 17 setores que compõe o CEAPIA. Nestas reuniões,

discutimos questões práticas sobre o trabalho interno que vem sendo realizado nos setores, bem como sua atuação dentro da Instituição. Aproveitamos para informar que os setores atualizam mensalmente o site da instituição www.ceapia.com.br -, com informações sobre as atividades desenvolvidas, bem como tipos de atendimentos oferecidos, horários de atendimento, composição da equipe e acontecimentos recentes. Finalizando, aproveitamos para percutir que, neste semestre, tivemos a satisfação de brindar, com o Setor de Proteção, o lançamento do livro “Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”, ocorrido na Feira do Livro de Porto Alegre, em outubro passado. A obra contou com a participação de alguns de seus membros. O CEAPIA também foi honrado com um lançamento interno da obra, através da apresentação de um capítulo do livro “O Brinquedo no Diagnóstico do Abuso”. Parabenizamos os autores pela obra, pelo estudo aprofundado e pelos conhecimentos elaborados, a partir do especializado trabalho em equipe. Abraço a todos, Andréa Zelmanowicz

Direção Científica Diretora - Kellen Gurgel Anchieta / Codiretora - Luciana de Brito Souza Este ano está sendo mais um de novidades científicas no CEAPIA. No ano passado, criamos o Ciranda Cultural, que continua girando entre livros, filmes e temas atuais sobre a infância e a adolescência, contando sempre com a presença de um convidado da cultura e outro da casa. Em 2011, possibilitamos a continuidade da experiência calorosa e profunda da Jornada do ano passado, por meio dos cursos com Victor Guerra (Psicanalista APU). Ocorreram encontros em maio e em junho com os temas “Transtornos de regulação na primeira infância: Porta de patologias graves?” e “Indicadores de Intersubjetividade (0-2 anos) no Processo de Subjetivação”. O último encontro será dia 20 de agosto, com o tema “Os objetos na vida psíquica: os objetos tutores, transicionalidades, historização e narratividade. Um diálogo com Winnicott”. Nosso desejo é que possamos promover mais espaços como este, visando o aprimoramento e estudo dos nossos associados e demais colegas. Além disso, concluímos o nosso Protocolo de Irmãos, em parceria com a Direção de Ensino e Ambulatório. O protocolo servirá para nortear os trabalhos e os atendimentos com irmãos, visando sempre à melhor forma de prestar esse serviço. Nessa

Jornada Anual "Adolescência: Ainda Somos os Mesmos?" teremos, como convidado especial, o Dr. Julio Moreno, médico, membro titular, didata da APdeBA, professor mestre de família, professor titular da Universidade do Hospital Italiano e professor titular da Universidade de Buenos Aires. Nosso convidado realizará conferências e supervisão de clínica, além de uma atividade aberta e gratuita, no dia 2 de setembro, das 18h30min às 19h30min, como parte do tradicional Encontro com a Comunidade, integrado à Jornada Anual. Os eventos ocorrem nos dias 2 e 3 de setembro, no teatro CIEE. O espaço de Temas Livres, na Jornada, está definitivamente garantido. As vagas, deste ano, já estão todas preenchidas, o que é muito gratificante, pois é uma excelente oportunidade para conhecer o que os colegas das mais diversas origens têm produzido. O espaço é mais uma possibilidade de trocas enriquecedoras para a nossa interminável formação. Ao final da programação, o melhor trabalho será premiado. Como forma de preparação à Jornada, estão programados dois encontros abertos aos interessados. O primeiro será no dia 8 de agosto, às 20h, no CEAPIA, com a participação do diretor e da atriz do curtametragem ”Online” (RBSTV), Cristiano Trein e Marcela

Hoeppers, e da psicanalista Flávia Maltz, com o tema “O Adolescente e as Redes Sociais”. O segundo encontro será no dia 15 de agosto, no mesmo horário e local. O assunto será ”Júlio Moreno - Panorama Biográfico e Conceitual”. A apresentação caberá ao psiquiatra Sérgio Silveira Leite, psicanalista egresso do CEP de PA. Todas estas atividades são obra de um grupo de colegas que, desde o ano passado, vem criando conosco. A estas pessoas gostaríamos de agradecer. A Comissão Científica, que inicialmente era pequena, conta hoje com as colegas Raquel Brodacz, Luciane Kurtz, Aline V. Lorencetti, Patricia Magagnin, Natália Couto Leusin, Natália R. Kampf, Paula K. Milagre, Ana Maria Corrêa, Júlia F. Pimentel, Philip Corrêa Hewsonbrew, Vanessa Giaretta, Sílvia Hallberg, Letícia Orengo e Elisa Forster. Na Comissão de Divulgação, temos Luciana Grillo, Aline Restano, Cristina G. de Souza e Ana Luiza Berni, que, com empenho, têm proporcionado todos estes eventos com a casa cheia. Um agradecimento especial a vocês e a todos os participantes que vêm prestigiando nossas atividades. Um forte abraço, Kellen e Luciana

Direção de Ensino Diretora - Ana Rita Taschetto / Codiretora - Inta Karina Müller Gostaríamos de compartilhar as atividades desenvolvidas pela Direção neste primeiro semestre. Houve um grande envolvimento, desde o segundo semestre de 2010, com o encaminhamento da solicitação de manutenção do credenciamento do Curso de Especialização em Psicoterapia da Infância e Adolescência, junto ao Conselho Federal de Psicologia. Contamos com o forte e decisivo apoio de colegas da Comissão de Ensino, bem como de outros associados, cujo esforço redundou na efetivação do recredenciamento. Nessa oportunidade, revisamos vários documentos e refletimos sobre o funcionamento integrado do ensino na instituição.

No mês de maio, realizamos a segunda reunião dessa gestão com os supervisores e coordenadores de seminário. Esse encontro oportunizou discutir e ampliar assuntos referentes ao ensino articulado com o funcionamento geral do CEAPIA. Fomos solicitadas pelos estagiários de Psicologia Clínica do CEAPIA, que planejaram uma reunião sob a coordenação da colega Luciane Gouvêa Oliveira, para conversar sobre o Curso de Especialização. Sentimos que o interesse pela instituição e a qualidade do curso têm mobilizado os estudantes no objetivo de seguir participando ativamente no CEAPIA após a colação de grau.

Seguimos com as reuniões de Comissão de Ensino, nos quais acompanhamos de perto todos os questionamentos e melhorias para o curso. Ligada a esta Comissão, está a retomada da Comissão de Currículo, formada pelas colegas Norma Escosteguy, Alice Bugin, Caroline Milman, sob a coordenação de Catia Olivier Mello, que orienta e se ocupa das questões referentes a mudanças ou adaptações para cada seminário. Seguimos engajadas e disponíveis para os assuntos referentes à melhoria do ensino do nosso CEAPIA. Ana Rita e Inta

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Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e da Adolescência

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Setores

Setores Setor de Ambientoterapia Coordenadora Manhã - Camile Fleury Marczyk / Coordenadora Tarde - Paula Brenner

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Para obter mais informações sobre o funcionamento dos setores, acesse nosso site e tire suas dúvidas.

Setor de Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico Coordenadora - Paula Pecis O Setor de Avaliação Psicológica tem como objetivo oferecer subsídios aos terapeutas para o esclarecimento, diagnóstico e prognóstico de seus pacientes, através da utilização de técnicas e testes psicológicos. Percebe-se uma crescente procura por esta excelente ferramenta que os psicólogos dispõem para avaliar o potencial cognitivo e a personalidade, integrando com aspectos psicodinâmicos de seus pacientes. É importante ressaltar que o ano de 2011 foi

eleito pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) como o ano da Avaliação Psicológica, quando serão discutidos os critérios de reconhecimento e validação dos testes psicológicos, a confecção de manuais, os contextos em que este tipo de avaliação pode ser realizada, bem como discutir a formação dos psicólogos que realizam avaliação psicológica. Estas discussões trazem, com certeza, maior credibilidade e valorização ao processo psicodiagnóstico. No momento, o Setor conta com a

colaboração da psicóloga Jimena Anolles Pereira, aluna do curso de Especialização em Avaliação Psicológica da UFRGS, que realiza sua prática em psicodiagnóstico no CEAPIA, dando ênfase na importância da Hora de Jogo Diagnóstica na Avaliação Psicológica. Equipe: Danielle Bellato Allem Katia F. Ludwig Milene G. Merg Patrícia Sanberg

Setor de Transtornos Alimentares - GEATA Coordenadora - Dra. Maria Angélica Nunes O GEATA, grupo de estudos e assistência em transtornos alimentares, é constituído de equipe multidisciplinar, composta por psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, clínico-geral e terapeuta de família, os quais desenvolvem, há 20 anos, seu trabalho clínico e de pesquisa no ambulatório de transtornos alimentares. O Grupo atende pacientes portadores de anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar periódica e transtornos alimentares não específicos. Desde 2004, o GEATA está sediado no CEAPIA, onde funciona o ambulatório específico. A equipe ainda se reúne semanalmente para discussão de casos, clube de revista e consultoria a outros profissionais do CEAPIA, que atendem pacientes que possam apresentar transtornos alimentares como comorbidade. O GEATA participou de debate sobre transtornos alimentares no dia 9 de junho, na Sala Maurício Cardoso, da Assembléia Legislativa. O evento contou com a presença de médicos, psicólogos, nutricionistas e de representantes das Secretarias de Políticas para as Mulheres, das Secretarias Estaduais da Saúde e da Educação, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre e da Marcha Mundial das Mulheres, além da comunidade em geral. A Dra. Maria Angélica Nunes, coordenadora do GEATA, foi uma das painelistas convidadas e apresentou dados epidemiológicos sobre comportamentos alimentares e práticas de controle de peso inadequadas em mulheres de 12 a 29 anos de Porto Alegre. O Rio Grande do Sul teve recentemente sancionada a primeira lei que trata especificamente sobre o assunto. Proposta pelo deputado Raul Pont e aprovada na Assembleia Legislativa, a Lei 13.728/2011 institui a Política Estadual de Prevenção e Combate às Doenças Associadas aos Distúrbios Alimentares. O objetivo é elaborar propostas para a construção de práticas de enfrentamento destes transtornos e inclui o estabelecimento de ações permanentes e articuladas entre gestores públicos e privados voltados à prevenção, diagnóstico e tratamento destas doenças. O GEATA segue em

Dr. Maria Angélica no debate sobre transtornos alimentares contato próximo com a equipe do deputado e de outros setores da sociedade civil para auxiliar no planejamento destas ações. Dando seguimento às suas atividades de ensino e pesquisa, o GEATA está organizando o curso “Transtornos Alimentares e Obesidade”, que ocorrerá no CEAPIA, no dia 22 de outubro de 2011. O curso abordará temas atuais em transtornos alimentares, incluindo tópicos, como imagem corporal, equação etiológica e epidemiologia em transtornos alimentares, interface entre transtornos alimentares e obesidade, abordagem psicoterápica e obesidade infantil, entre outros. O GEATA espera contar com uma expressiva participação de toda a comunidade do CEAPIA. Este evento constitui o passo inicial para a organização do IX Congresso Brasileiro de Transtornos Alimentares e Obesidade, o qual acontecerá em 2012, em Porto Alegre.

Setor de Família Coordenadora - Rosa Lúcia Severino O Setor de Família do CEAPIA propõe-se a realizar consultorias familiares, quando os terapeutas e/ou supervisores acharem indicado. O procedimento consiste em contato inicial entre terapeuta e consultor para discussão do caso. Havendo indicação, realiza-se uma entrevista conjunta, previamente agendada, com a família, o terapeuta e o consultor. As entrevistas com as famílias objetivam o estudo da organização e da

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dinâmica familiar, complementando a compreensão do diagnóstico de crianças e adolescentes que consultam o CEAPIA, ou que estejam em atendimento psicoterápico. Para contato, por favor, enviar e-mail para o seguinte endereço: rosa.lucia@cpovo.net .

O Setor de Ambientoterapia oferece uma modalidade de tratamento em que o ambiente funciona como fator terapêutico e onde o setting é o próprio ambiente. O atendimento tem frequência de dois dias por semana (quartas e sextas, no turno da manhã, das 9h às 11h45min, ou, no turno da tarde, das 14h30min às 17h30min). O público atendido são crianças de 4 a 12 anos de idade que apresentam dificuldade de socialização, com regras e limites, bem como baixa tolerância à frustração. Os pais dos pacientes são atendidos em grupo e individualmente conforme a demanda de cada caso. A equipe técnica conta com assistente social, psicólogas, psicopedagogas e estagiários de psicologia (psicopatologia, clínica e básico) Sempre que necessário, utiliza a consultoria de outros setores (Setor de

Proteção e Setor de Psicodiagnóstico) e atendimentos de outros profissionais (Psiquiatras, Neurologistas e Fonoaudiólogos). O Setor possibilita aos alunos do Curso de Especialização a realização de estágio em Ambientoterapia, para os que desejam aprender sobre esta modalidade de tratamento com crianças. Atualmente, também recebe pessoas que desenvolvem Trabalho Voluntário, oferecendo uma prática enriquecedora. Como parte das atividades do tratamento, estão as comemorações. Recentemente foi comemorada a festa Junina, possibilitando às crianças um modelo de interação nas comemorações. Neste momento, estamos organizando uma mostra de trabalhos artísticos dos pacientes, realizados no Setor, para suas famílias. Esta prática tem acontecido

semestralmente, com o objetivo de envolver as famílias no tratamento, valorizar a produção das crianças e possibilitar a interação dos pais com seus filhos, tendo os profissionais como referência de identificação. A Ambientoterapia da manhã é coordenada pela psicóloga Camile Fleury Direção Científica Marczyk. Fazem parte da equipe fixa as psicólogas Ana Luiza Bittencourt Berni, Cristina Gerhardt Souza e Letícia Orengo, as psicopedagogas Adriana Ferreira, Márcia Fridman e Marisa Schroeder. A Ambientoterapia da tarde é coordenada pela psicóloga Paula Brenner. Fazem parte da equipe as psicólogas Ana Maria Cunha Corrêa, Daniela Maltz Raskin e Roberta Peruchin Breda, a psicopedagoga Nívea S. Damiani e a assistente social Carina Martins Nunes.

Setor de Estágio Coordenadora - Luciana Oliveira Foi com grande satisfação que iniciei este ano a coordenação deste Setor! Neste período, além de dar continuidade às atividades do setor, foram inseridas algumas novidades, como reuniões semestrais com coordenadores da triagem, do Setor de Ambientoterapia (manhã e tarde) e dos seminários, além de encontros com os supervisores de ambulatório. Venho participando, pelo menos uma vez a cada seis meses, das reuniões da ambientoterapia, como uma forma de conhecer melhor seu funcionamento. São realizados diálogos frequentes com a coordenadora do Núcleo de Estudantes, a fim de integrarmos nossa função e as atividades desenvolvidas pelos estagiários do CEAPIA. Foram retomadas as atividades de realização e apresentação de uma produção textual teóricaclínica e, no mínimo, um psicodiagnóstico, como atividades obrigatórias do estágio. Realizamos um encontro dos estagiários com a Direção de Ensino, para conhecerem nossa especialização

em Psicoterapia da Infância e Adolescência. Mais uma novidade deste ano é a inclusão do trabalho voluntário junto a nossa instituição, que será desenvolvido no Setor de Ambientoterapia. Gostaria de comunicar também que contamos com mais duas colegas no grupo de supervisores de estágio, as Psicólogas Inta Müller e Andrea Pereira. Agradeço a toda a equipe, aos colegas e aos estagiários pela ótima recepção que tive e pelo esforço em desenvolver um trabalho com dedicação e consistência! Muito obrigada, também, às colegas que anteriormente coordenavam este setor, Paula Pecis e Patrícia Cohn, pelo auxílio nesta passagem. Um agradecimento especial ao apoio fundamental da Direção de Ensino e Direção Geral! Aproveito a oportunidade para convidar a todos os ceapianos a participarem da Jornada Interna dos Estagiários, que acontecerá em agosto!

Setor Comunidade Coordenadora - Katia Ferraro Ludwig O Setor da Comunidade promove encontros mensais aos sábados, destinados a pais, a professores e a profissionais das áreas da saúde e da educação. As atividades são realizadas sob forma de palestras, dinâmica de grupo e debates, privilegiando a escuta e a troca de experiências entre O encontro de maio teve como os participantes. tema "Novo Aluno, Nova Escola" Os principais objetivos do Setor são acolher os diferentes participantes nas demandas relacionadas às suas funções e integrar as experiências do trabalho clínico com crianças e adolescentes ao trabalho educacional na escola e na família.

Os outros integrantes do Setor são a Psicopedagoga Adriana Loureiro Ferreira e a Psicóloga Lenora Bellini.

Agenda para o segundo semestre: 27/08 - "Como ficam os cuidados dos filhos após o divórcio dos pais?" Convidada: Psicóloga - Vivian de Medeiros Lago 02/09 - Jornada Anual do CEAPIA 01/10 - “O brincar nos dias de hoje e sua importância para o desenvolvimento infantil” Convidada: Mestre em Psicologia da Educação Tânia Fortuna 19/11 - “Sexualidade: lidando com as diferenças” Convidada: Doutora Elizabeth Zambrano

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Setores Setor de Adoção

Setor de Intervenções Precoces

Coordenadoras - Andréa K. Pereira / Dra. Norma Escosteguy

Coordenadora - Adriana Ribas

Momento de comemoração do setor O Setor de Adoção iniciou como um grupo de estudos, no ano de 2006, e, atualmente, conta com nove membros associados ao CEAPIA, sob a coordenação da Dra. Norma Escosteguy e da Psicóloga Andrea Kotzian Pereira. Integram o Setor Ana Luiza Bittencourt Berni, Henriqueta Sonaglio, Letícia Orengo, Lisandra Fuchs, Mauro Ferreira, Priscilla Sternberg e Roberta Breda. O principal objetivo é o de prestar atendimento aos pais e/ou responsáveis, visando abordar os aspectos pertinentes à adoção. Os atendimentos podem ocorrer em momentos distintos do processo de adoção, de acordo com as necessidades destes pais/responsáveis, no período anterior à adoção (preparo), durante o estágio de convivência, e no período posterior à adoção. O Setor de Adoção também presta consultoria aos alunos do Curso de Formação

em Psicoterapia da Infância e da Adolescência, nos aspectos referentes à Adoção, oportunizando a discussão das questões clínicas e teóricas referentes ao tema. O Setor realiza estudo de casos a consultoria tanto aos profissionais da Casa quanto aos alunos do Curso de Formação em Psicoterapia da Infância e da Adolescência, nos aspectos referentes à Adoção. Em 2011, além das atividades de rotina a que o Setor se propõe, conta-se a importante participação em eventos e em trabalhos realizados, como o Programa Institucional, que discutiu amplamente a elaboração do “Protocolo de Irmãos”, incluindo algumas peculiaridades sobre irmãos adotivos. Em 06 de novembro de 2010, ocorreu uma troca de experiência, em reunião do Setor de Comunidade, através do tema “Pensando a Adoção”. No V Encontro Brasileiro sobre o

Pensamento de Winnicott, realizado de 19 a 21 de novembro de 2010, fizemo-nos representar, através da nossa colega Norma Escosteguy, na mesa redonda sobre “Abandono e Adoção”. No dia 25 de janeiro de 2011, destacou-se a conclusão e a apresentação da dissertação de Mestrado “Adoção e Queixas na Psicoterapia Psicanalítica de Crianças”, pela colega Andrea Pereira (ver texto neste Boletim). O Setor também participou, juntamente com a assistente social do CEAPIA e a equipe do Foro de Alvorada, do primeiro curso preparatório com os pais pretendentes à adoção, oportunizando aos futuros pais adotivos um momento de reflexão, em relação às expectativas e anseios frente à adoção. A fim de conhecer o trabalho desenvolvido nos abrigos, nos quais as crianças permanecem até o momento da adoção, convidou-se a psicóloga Ana Celina Albornoz, da Fundação de Proteção Especial, para uma reunião aberta aos sócios do CEAPIA. Neste encontro, foram abordados os aspectos emocionais das crianças abrigadas, assim como o trabalho cuidadoso e estruturante desenvolvido com as mesmas, com ênfase na possibilidade de atenção com a equipe cuidadora. Conhecer a realidade e a experiência de pais que foram crianças adotadas, através do programa “Alô Pai e Mãe”, que mantém uma parceria com o CEAPIA, possibilitou ampliar o conhecimento, através da escuta das pessoas que vivenciaram esta experiência, debatendo com emoção sobre temas importantes, como segredo e revelação. O programa, com a participação da colega Henriqueta Sonaglio, está disponibilizado na íntegra no blog do programa “Alô pai e mãe”. O Setor está finalizando seu site, que será conectado ao site do CEAPIA, através do qual se pretende ampliar significativamente o contato e a divulgação dos temas referentes à adoção.

Setor de Psicopedagogia Coordenadora - Márcia Fridman O Setor de Psicopedagogia, atualmente, é formado por um grupo de cinco psicopedagogas e uma estagiária. Semanalmente, reunimonos para fazer rounds de pacientes do Setor, ou para estudar algum assunto de nosso interesse. Temos nos ocupado bastante com a temática relacionada à falta de motivação de crianças e adolescentes em relação à escola e a seus encargos. Entre algumas causas desta sintomatologia, tem nos chamado atenção aspectos ligados à pouca valorização da família em relação ao estudo do seu filho, bem como a autoestima do mesmo em relação ao que esperam dele no futuro. Autonomia e bom vínculo com os espaços de aprendizagens também têm se mostrado ingredientes importantes para determinar a maior ou a menor motivação do paciente. Temos pensado em estratégias de trabalho motivadoras, que possibilitem uma nova perspectiva do paciente sobre o que é aprender e para o que servem as tarefas que lhe são solicitadas. A utilização da

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tecnologia, o acompanhamento constante, o modelo de organização e a valorização das conquistas e tarefas diárias têm sido boas maneiras de resgatar a motivação destes pacientes. Para nós, fica muito clara a ligação entre motivação, tolerância, frustração, organização e afeto para um bom caminhar das aprendizagens. Mais uma vez, nossa área se mostra inter-relacionada com as áreas afins, como a psicologia. Novamente, temos a satisfação de poder experimentar, no cotidiano da nossa instituição, a possibilidade de troca e de trabalho multidisciplinar. Isto nos enche de entusiasmo e nos motiva de forma especial. Aproveitamos este espaço para desejar à nossa associada, Marisa Schroeder, um semestre de muitas alegrias e de novos conhecimentos. Boa sorte e boa viagem!!! Aguardamos o retorno de braços abertos e com o coração cheio de saudades. Até a volta!

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O Setor de Intervenções Precoces atende a crianças de 0 a 3 anos e onze meses, juntamente com seus pais. Através da abordagem vincular, é realizada a psicoterapia pais-bebê, que trabalha de forma a intervir precocemente nos diferentes distúrbios do desenvolvimento e do vínculo. As reuniões do Setor ocorrem às sextas-feiras, das 15h às 16h15min. Eventos do primeiro semestre de 2011: Maio: As colegas Inta K. Muller e Desirée de Nardi Trois participaram da “Semana do Bebê”, em Canela, e das homenagens ao Dr. Salvador Célia. Junho: As colegas Luciane Kruse e Inta K. Muller apresentaram um caso clínico de psicoterapia pais-bebê, com o tema “Indicadores de Subjetividade (0-2 anos) no Processo de Subjetivação“, no Curso do psicanalista uruguaio, Victor Guerra, no CEAPIA. Julho: A colega Adriana Ribas participou do 2ème Séminaire International Transdisciplinaire sur le bébé (Competências do Bebê e Intervenções Precoces), em Paris, França.

A equipe atual é composta pelas seguintes psicoterapeutas: Adriana D. Ribas – Coordenadora Bruna Detoni Daniela Maltz Raskin Desirée de Nardi Trois Elisa Rigon Forster Inta Karina Muller Lisiane Baldissarrella Lisandra Cozzatti Fuchs Luciane Maria Kruse Luciana Wagner Grillo Mariana Fernandes Lima Leitão Natália Couto Barreto Patrícia Sanberg O grupo do Setor de Intervenções Precoces dá as boas-vindas às colegas Bruna, Mariana e Natália, as quais ingressaram na equipe neste ano.

Setor de Proteção O Setor de Proteção segue prestando consultoria aos alunos para o atendimento, manejo e intervenções que se fazem necessários nos casos de crianças e adolescentes que estão sendo vítimas de maus tratos e de abuso sexual. Este trabalho, desenvolvido no CEAPIA pelo Setor, começa a ser reconhecido por instituições jurídicas que estão nos encaminhando crianças para avaliação e até tratamento. Nossa responsabilidade aumenta e nossa experiência tem crescido.

Alunos e alunas da Casa têm atendido, com supervisão clínica e consultoria do Setor, e têm demonstrado excelente desempenho e muita responsabilidade. Com certeza, este começa a ser um diferencial para os terapeutas de Infância e Adolescência com formação no CEAPIA.

Setor de Atendimento Colateral a Pais Coordenadora - Tânia Wolff O Setor de Atendimento Colateral a Pais segue dando acompanhamento psicoterápico a pais (ou responsáveis) de pacientes em atendimento no CEAPIA. O encaminhamento ocorre via terapeuta da criança/adolescente ou via outros setores, que percebam a demanda de um trabalho terapêutico mais profundo e sistemático com os pais. O trabalho foca no desenvolvimento das funções parentais, visando melhora na qualidade da relação com os filhos e no desenvolvimento mais saudável destes. Atualmente, o Setor é composto pelas terapeutas Andréa Nieckele, Silvia Dian, Raquel Caron e Tânia Wolff (coordenadora). As reuniões, para discussão dos casos e para estudos do Setor,

ocorrem nas sextas-feiras, pela manhã, e podem ser agendadas consultorias e/ou discussões dos casos com colegas que necessitarem desta troca. Os horários de atendimento dos pais podem ser concomitantes aos da criança/adolescente (sempre que houver disponibilidade do terapeuta do Setor para isto) ou em horários diversos, acertados entre os pais e o terapeuta encarregado do atendimento.

Setor Corpo Clínico Coordenadoras - Fernanda Suárez de Puga do Nascimento / Tânia Wolff O corpo clínico do CEAPIA foi fundado em 2001 e, desde A equipe reúne-se uma vez por semana, na forma de round então, segue suas atividades de atendimento e estudo. Tem por clínico, sob a coordenação de Fernanda Suárez de Puga do objetivo principal atender às crianças e aos adolescentes, em Nascimento e Tânia Wolff. Atualmente, o Setor atende, especial àqueles com quadros graves, que exijam profissionais aproximadamente, a 50 pacientes com predominância diagnóstica mais experientes. Para isto, conta com terapeutas já formados no de transtornos do humor, segundo a CID-10. Curso de Especialização do CEAPIA. Nossa equipe é formada pelos terapeutas Aline Restano, Cristina Gerhardt Souza, Luciana Grillo, Letícia Orengo, Natália Barreto, Patricia Magagnin, Priscilla Wagner Sternberg, Raquel Caron e Rodrigo Graeff, além da participação da psiquiatra Marta Knijnik Lucion.

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Ponto de Vista Qual o seu ponto de vista a respeito das redes sociais? Três psicanalistas responderam... Adonay Genovese Filho* O chamado “mundo do computador, da internet, das redes sociais”, dentre os quais o Facebook, plugou-nos no espaço virtual. Nele, fomos sugados e envolvidos como algo nunca visto e vivido. Esta revolução sem precedentes não pode ser ignorada. Ao contrário, deve ser vivida, pensada e elaborada por todos nós, já que a velocidade das conquistas tecnológicas dificulta a compreensão de toda a transformação resultante. Estamos frente a uma revolução, que, como em todo o processo, engloba aspectos danosos e saudáveis de quebra de paradigmas. Penso que o mundo virtual atual é uma versão contemporânea das relações narcísicas que existe desde os tempos primitivos. Que o entusiasmo do “olhar” através do monitor do computador é o olhar através do buraco na fechadura, em que o terceiro excluído atua ao se deparar com a cena primária. A valorização do “ter” em detrimento do “ser”. Ve j o o m o n i t o r d o computador como o olho da fechadura moderna, em que as pessoas, de forma solitária, observam o que acontece na intimidade dos outros. O problema é que, para muitas pessoas, a satisfação escopofílica passa a ser a principal e, muitas vezes, única de suas vidas. Algumas fazem “namoro e sexo virtual”, ou seja, a intimidade com o outro não existe; existe uma satisfação narcisista, em que o prazer fica dele para com ele. O outro serve como estímulo para algo seu, em que a outra pessoa e a cena são simplesmente estímulos para si, não importando o outro como um ser constituído, que tem suas vontades e necessidades. Ou seja, será que fica clara, para estas pessoas, a diferença entre o mundo virtual e o mundo real? Quais os limites de uma ou de outra dimensão? Como, neste mundo cada vez mais narcisista, o limite entre o “eu” e o “outro” não é claro? Será evidente, ou não, o borramento no limite do real e virtual? Estas indagações não são somente em relação ao computador. As relações humanas, cada vez mais, são constituídas deste caráter, em que importa o meu prazer, a minha satisfação, de preferência sem compromisso e de

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forma instantânea. Esta forma de evitar a intimidade cria um meio de cultura próprio para os relacionamentos virtuais. O que também pode estar por trás disto é uma urgência tão característica dos tempos atuais. Tudo tem que ser para ontem. Não se pode nem ficar deprimido, pois a solução tem que ser vapt-vupt: uma postura do descartável e do consumo rápido. Os relacionamentos e os casamentos também são cada vez mais instantâneos. E como as pessoas migram mais de lugares, torna-se difícil ter uma rede de amigos. Assim, o Facebook preenche esta falta. O Facebook é uma rede social criada com o objetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos. As pessoas não querem falar, nem conviver com as dificuldades inter ou intrapessoais. Os únicos locais em que é razoavelmente aceito que isto ocorra são na novela das oito e nos nossos consultórios. As soluções, muitas vezes, são buscadas na medicalização excessiva e na busca óbvia e rasteira de livros de auto-ajuda e de terapias instantâneas. O que se percebe, cada vez mais, é o culto da objetividade em detrimento do subjetivo. Gostaria de ressaltar também que, embora o intervalo entre as gerações se torne mais dramático, não devemos levar por atitudes preconceituosas com o que não entendemos. Devemos procurar as razões dos jovens, e dos não-tão-jovens, pensarem de forma diversa, em que palavra não é a principal fonte de comunicação, mas, sim, o mundo da imagem e da instantaneidade. Esta situação está diretamente ligada à linguagem do computador e do vídeo clipe tão atual. É arrogante pensar que a nossa geração detém o saber e a sensibilidade. Isto tudo constitui um desafio a ser compreendido, e não evitado. Por último, uma idéia otimista: num momento em que se fala tanto da crise da psicanálise, penso que esta proporciona um local privilegiado, em que o subjetivismo é valorizado até as últimas conseqüências, em detrimento a atitudes rápidas, inumanas e virtuais. * Médico psiquiatra e psicanalista

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Ponto de Vista Caroline Milman*

Flávia Maltz*

Vou escrever sobre as redes sociais e já adianto que me faltará qualquer tipo de isenção para tratar deste assunto. Não vou escrever sobre a filosofia das redes sociais, impactos na sociedade, opiniões - embora a entrevista de Don Tapscott, na Veja, em abril deste ano, seja reveladora. E isso porque me sinto numa espécie permanente de encantamento por viver na era da internet. Para mim, todas estas possibilidades que foram se abrindo ainda são vividas com a mesma intensidade das descobertas infantis. Um dia, eu coloquei no meu Facebook a seguinte frase: “Antes nós ligávamos um botão; agora, é um botão que liga a gente”. No dia em que escrevi isto, havia ocorrido, com a minha família, algo estupendo. Meu marido morou seis meses nos Estados Unidos, quando tinha 16 anos. Lá, foi acolhido por uma família de três filhos e sempre considerou esta uma experiência fundamental em sua vida. Eu sempre soube muitos detalhes desta época, o nome das pessoas, de suas irmãs. Dois anos depois, ele esteve em visita, por lá, com sua família e, assim, as duas famílias se conheceram. E dessa forma aconteceu. Uma carta daqui, uma dali, menos cartas, passagem do tempo e fim do contato. Um pouco é assim: difícil manter o contato, se as vidas vão andando com seus novos agregados e novas experiências. Talvez outra pessoa, via “air mail”, tivesse mantido contato com o passar dos anos, chegando de 1974 a 2011. Mas não meu marido, com seu senso prático e seu olhar sempre pra frente. Há pouco tempo, ele resolveu que precisaria ter uma rede social, pois estava fazendo falta em sua vida profissional. Trataria de vencer a resistência. E foi, no meio de suas primeiras novas amizades, que surgiu, em inglês, uma frase de uma tal Rebeca perguntando se ele, por um acaso, seria o mesmo que esteve em intercâmbio nos Estados Unidos, em Michigan, nos anos 70. E assim eu vi e senti a emoção verdadeira de um reencontro. Durante um dia inteiro, a minha casa se moldou, se abriu, se preparou para a chegada deles. Fotos, todos adicionando todos, meus filhos fazendo amizade com o filho da Rebeca. A Julie tinha seis anos; agora, tem 43. Nós conversamos, online, ao mesmo tempo. Quem entrasse na minha casa, naquele dia, teria uma sensação de que todos haviam endoidado. Será? Se isso não é uma experiência profunda, não sei então o que é. Comentando deste texto que eu estava preparando para o CEAPIA, meu filho de 12 anos (aliás, eles são as autoridades neste assunto) quis dar sua contribuição. Ele me perguntou se eu ia ficar falando apenas das conexões entre as pessoas, e que eu não poderia deixar de mencionar os perigos. Ele me disse: “Assim como muitas amizades podem ser feitas, outras podem ser desfeitas”. E explica que, se alguma coisa que alguém não goste é colocada na rede, isto pode desmanchar uma amizade e a pessoa pode ficar encrencada. Ele sabe sobre colegas que tiveram problemas por emitirem certas opiniões, uns sobre os outros, na rede, e que passaram trabalho para consertar. Nós consideramos positivo que tenha ocorrido este tipo de situação, pois criou a oportunidade para vivenciar a abrangência do alcance, dos perigos e dos cuidados a serem tomados. Mas, afinal, sempre se educa os filhos para os perigos. Na minha infância, eu ouvia que não devíamos aceitar bala de estranhos. Hoje, isto caiu por terra, já que nossas crianças não circulam pela rua. No entanto, circulam pela rede e, por isso, seguem não podendo aceitar bala de estranhos. Esse monitoramento virtual é novo, mas não é diferente do que sempre se fez. Temos este desafio intrigante: cercar, explorar, lidar e dominar este enorme legado. Não há outra saída, pois isto veio para ficar. E que a autoconservação, nas pessoas, ajude a extrair o que a rede tem de positivo. Rede, como conexão; e não, rede de pesca.

Tenho ficado bastante satisfeita em acompanhar o movimento que vem acontecendo com os jovens, mundo afora, a partir da fantástica facilitação da comunicação, através das redes sociais. Ao contrário das previsões iniciais, sestrosas e pessimistas, quando estes meios da informática começaram a surgir e se introduzir com força entre os jovens dentro das nossas casas, anunciando o isolamento e a alienação, estamos assistindo, no meu ponto de vista, uma revitalização da força de manifestação e influência da juventude no mundo todo - vide movimentos na Espanha e no mundo árabe. Não que possamos atribuir às redes sociais a origem destes movimentos político-sociais, mas, com certeza, a rede amplia e gera a transmissão da informação com uma extrema rapidez. Ela promove a comunicação com uma facilidade impressionante. Temos testemunhado a facilitação da difusão e fortalecimento de ideias. De diversas formas expressava-se a forte preocupação de que estes meios de comunicação informatizados levassem ao isolamento e impossibilidade de contato real e pessoal entre as pessoas. Outro receio era, e é ainda, quanto ao tempo que os jovens consomem na internet, substituindo e interferindo em outras atividades. O que eu tenho observado, com prazer, é que o resultado tem sido mais no sentido de agrupar e ampliar as possibilidades de interação, informação e comunicação. É claro que existe o mau uso. Existem aqueles que se isolam, que ficam arredios, que se expõem precocemente a informações ainda impossíveis de serem absorvidas. A meu ver, estes riscos talvez sejam maiores com o Facebook e o Orkut; mas, com certeza, foram preocupações que surgiram também com o advento da TV, dos videogames e, acredito, deve ter sido assim quando Graham Bell inventou o telefone. Além disto, vai depender também da patologia individual que pode encontrar neste meio um fértil terreno para se manifestar. Qualquer inovação gera desconfianças. Se observarmos bem, a queixa pela imoralidade e perigos quanto às inovações tecnológicas, ou de qualquer ordem, rapidamente absorvidas pela juventude, é repetida geração atrás de geração, ao longo do tempo. Isto não significa que devamos negligenciar os danos que podem advir do uso exagerado ou descuidado das redes sociais. Acredito que, quanto às desvantagens e riscos, a presença íntima, segura e não intrusiva dos adultos pode ajudar a proporcionar o uso cuidadoso e racional. A companhia curiosa e próxima dos pais pode promover o monitoramento, discussão e orientação, compartilhando prazerosamente com os filhos deste meio que pode ser tão profícuo. Creio que é aí que mora o problema, e é nisto que talvez possamos, de alguma forma, tentar intervir. * Psiquiatra e psicanalista

*Psicoterapeuta da Infância e Adolescência pelo CEAPIA e Psicanalista pela SBP de PA

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Entrevista

Aconteceu

DR. JULIO MORENO

Victor Guerra ministrou três cursos no CEAPIA Fernanda Suárez de Puga do Nascimento

Médico, membro titular didata da AP de BA. Professor do Instituto da AP de BA. Professor mestre de família. Professor titular da Universidade do Hospital Italiano. Professor titular da Universidade de Buenos Aires.

Concedida à psicóloga Lígia Arcoverde Basegio CEAPIA: Dr. Julio Moreno, será um satisfação tê-lo conosco, neste ano, como convidado especial de nossa jornada. Diga-nos como descreveria sua trajetória profissional? Dr. Julio Moreno: Comecei a me dedicar, já como estudante de Psicologia e Medicina, à neurobiologia, nos laboratórios de H.M. Gerschenfeld, meu professor. Quando ocorreu a perseguição militar, fiquei a cargo destes laboratórios; e, assim que me formei em Medicina, comecei a desenvolver a minha Tese. Depois de dois anos, ganhei uma bolsa de estudos de “Postdoctoral Research Fellow”, no NIH, e parti para a UCLA (Los Angeles), onde trabalhei com Jared Diamond. Tive grande êxito nas minhas pesquisas, que foram publicadas na revista “Nature” e em vários livros. Ao retornar para a Argentina (não gostava da idéia de viver nos EUA), fiz uma mudança radical: comecei a minha Residência Hospitalar em Psiquiatria. Após alguns anos, ingressei na APA (que pertence à IPA) e, em seguida, na APdeBA. Neste momento, sou analista titular e didata desta entidade. CEAPIA: Quais foram os textos e os autores mais importantes nesta trajetória? Dr. Julio Moreno: Muitos filósofos me ensinaram a pensar, como: Deleuze, Heidegger, Agamben e, com certeza, Freud e Lacan. CEAPIA: Como surgiu seu interesse pela clínica de crianças e adolescentes? Dr. Julio Moreno: Já no Hospital, e também porque me sentia à vontade com esta prática. Dei-me conta (ou acreditei) que as inovações viriam deste território. CEAPIA: Nossa Era caracteriza-se pela transitoriedade, pela incerteza, pelo consumo exagerado. Uma vida líquida, segundo Bauman. Poderia dar a sua visão da família e de vínculos nesse contexto? Dr. Julio Moreno: Eu comento este assunto nos meus dois livros que publiquei em 2010. Para a Psicanálise, é ainda mais complexa a extimidade (como oposto à intimidade) e a diluição do conceito de contraposição e provavelmente de sujeito.

dependência que o livro tenta conceitualizar: a associação e a conexão. Um duplo jogo: a associação, aquilo do mundo suscetível de tornar-se lógico e compreensível para o homem, através dos sinais; e a conexão, que habilita o inconsciente a impactar além da lógica imperante no psiquismo, cujos efeitos o livro também propõe elucidar. Isto incide em uma série de questões que o livro também aborda, e inclui algumas revelações recentes: a realidade informática e virtual; o jogo conectado e o jogo associativo das crianças; o papel da crença e da criação na estruturação da subjetividade; a história da infância e do brinquedo; o problema antropológico da origem do homem e da criação. Desde essas perspectivas, reformulei alguns postulados psicanalíticos sobre a infância, os vínculos e a mudança psíquica. De “Tiempo y Trauma”: As recordações de sucessos ocorridos se entrelaçam em um tempo contínuo ou fragmentado? Esta pergunta é a pergunta central do livro: nossa psique une eventos que em si são descontínuos, através de um trabalho constante e silencioso, de modo que a unidade seqüencial que chamamos “nossa vida” vem da trama de instantes desconexos. Se os intervalos entre estes não são encadeados até formarem uma continuidade, algo da experiência vivida fica sem elucidação e constitui um trauma. Tanto a recordação como a elaboração estão intimamente ligadas a uma mortífera paixão para armar unidades compactas. Nos tempos em que o devenir (1) era sólido, isto surgia de modo natural e óbvio. Nesta época em que prevalece a fugacidade, não é fácil conceber unidades maciças, ficando exposta a inconsistência de nosso interior com o mundo que nos rodeia. O livro penetra na história das concepções sobre o tempo. Transita entre o eterno retorno, tal e qual era na antiguidade, e a linha em fuga na atualidade, além de abrir interrogações. Como nos ajuda ou entorpece, para entender o ser humano, a teoria física da relatividade (aliada da concepção de continuidades) e a teoria quântica (mais amiga do instantâneo, do imprevisível e do fragmentário)? Como resolver nossa existência entre um tempo de presente estendido (Cronos) e outro feito de instantes pontuais que “segregam” o passado e o futuro desde um presente inexistente (Aión)? O percurso que propõe o livro evidencia um tema urgente da atualidade: o ser humano transita em um tempo que crê contínuo, mas que, aqui e ali, mostra-se cada vez mais destruído e desgarrado em fragmentos justapostos. (1) Devenir: período de transformação de um sujeito, do nascimento à morte.

CEAPIA: Sabemos que é autor de diversos artigos e de dois livros: “Ser Humano, la inconsistencia, los vínculos, la crianza” e “Tiempos y Trauma: continuidades rotas”. Poderia falar um pouco sobre ambos? Dr. Julio Moreno: Transcrevo as contracapas destes. De “Ser Humano”: O que diferencia o ser humano do animal e das máquinas? Baseando-me em diferentes perspectivas como a Psicanálise, a biologia, a antropologia, a filosofia e a história, deduzi esta novidade: o ser humano é, em realidade, um animal que “falhou” na sua maneira de capturar o mundo que o rodeia. Este fato o faz capaz de conectar-se com algo que sua lógica não pode compreender: o inconsistente. Esta é a glória ou a perdição do ser humano: ir além do consistente. A relação do ser humano com seu meio se manifesta em uma dupla

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CEAPIA: Com quais autores da atualidade mantém uma afinidade intelectual? Dr. Julio Moreno: No meu país, com Janine Puget e Isidoro Berenstein. Na Itália, com Agambem e Esposito. CEAPIA: Sabemos que o senhor exerce atividade docente em diversas instituições. Pode falar sobre sua experiência em cursos virtuais? Dr. Julio Moreno: Dei cursos virtuais na IUSAM (na APdeBA) e na FLACSO. Minha experiência nesta área é razoavelmente boa, mas não extraordinária.

Esteve conosco, no CEAPIA, Victor Guerra - psicanalista da Associação Psicanalítica do Uruguai, estudioso da infância, pesquisador da relação pais-bebê -, ministrando três cursos abertos à comunidade Psi. De uma forma consistente, criativa, poética e afetiva, Victor Guerra brindou-nos com uma série de acréscimos teóricos e exemplos clínicos das relações precoces que enriquecem e valorizam o diálogo verbal e não-verbal, qualidade fundamental na escuta dos psicoterapeutas. O primeiro curso ocorreu no mês de maio, intitulado “Transtornos de regulação na primeira infância: porta de patologias graves?” Neste curso, Victor fez uma análise dos aspectos culturais dos novos tempos (cultura da visão e da velocidade) e as mudanças que desencadeiam nas patologias (lembrando que certas doenças falam do espírito da época,

histeria no tempo de Freud, hiperatividade nos novos tempos), subjetividade e relação pais e filhos. Levando em conta estas mudanças, sugeriu alguns pontos importantes e conceitos a serem trabalhados com os pais: o valor e a construtividade do “não fazer nada” e ter tempo livre para brincar e rir; isto é, o verdadeiro significado de infância. Outro aspecto é representação de mundo dos pais e a sua ferida narcísica quando não se sentem preparados para este mundo, esperando que as crianças dêem conta do que eles não deram. Victor ressaltou o papel da sensorialidade na construção da subjetivação, para assim pensar as patologias. Nos transtornos regulatórios, ocorre um encontro desregulado e as dificuldades estão relacionadas com a função transicional, ritmicidades, autoerotismo, tradução, circuito estético, entre outros. Propõe que os transtornos regulatórios são a porta de entrada para o diagnóstico diferencial dos aspectos autistas, da psicose e dos transtornos de estruturação arcaica (o falso self sensorial e falso self motriz). No segundo curso, realizado em junho, intitulado “Indicadores de intersubjetividade (02 anos de idade) no processo de subjetivação”, Victor apresentou, de forma teórica e vivencial, o funcionamento global de um bebê em trocas intersubjetivas. Mesclando teoria, poesia e imagens, demonstrou como o bebê constrói a relação consigo mesmo e com os outros, além de como ocorrem os processos de linguagem e simbolização. Utilizando-se de filmagens,

proporcionou a análise e a compreensão da comunicação não-verbal do bebê. O foco da atividade centrou-se no desenvolvimento normal. Utilizando-se da grade de indicadores de intersubjetividade, como troca de olhares, imitações, atenção conjunta, macroritmos e microritmos, foi possível refletir sobre estes sinais e detectar o surgimento de uma dificuldade e suas formas de intervenção. Por fim, o terceiro curso, intitulado “Os objetos na vida psíquica: os objetos tutores, trancionalidades, historização e narratividade. Um diálogo com Winnicot”, realizar-se-á no dia 20 de agosto. O curso, assim como as outras edições, promete ser um encontro de porte significativo, apresentando consistência teórica, ampliação e proposição de novos conceitos entrelaçados com a arte, a literatura e a poesia, em diálogo direto com o trabalho clínico.

No Ar Ineida Aliatti e Márcia do Canto A nossa prática cotidiana e profissional com crianças fez perceber o quanto os pais se sentem desamparados em suas dúvidas, angústias e ações a serem tomadas por eles, como pai e mãe. Pensando em contribuir no suporte e amparo destes pais, imaginamos um programa de rádio que abordasse os temas pertinentes ao seu dia-a-dia na educação e criação dos filhos. Para tanto, organizamos uma pesquisa qualitativa, realizada nas escolas públicas municipais, estaduais e particulares circunscritos à área geográfica de Porto Alegre, cujo objetivo era conhecer quais as dificuldades e dúvidas na criação e educação dos filhos, além de testar se um programa de rádio poderia interessar aos cuidadores em geral, de forma a sanar suas dúvidas. Também foi questionado qual seria o melhor formato deste programa. Com os resultados da pesquisa e pela nossa prática no trabalho com pais, organizamos este programa de rádio, que pretende possibilitar um diálogo aberto com os pais e cuidadores (todas as pessoas envolvidas nos cuidados e educação das crianças) sobre as dúvidas na criação/educação dos filhos, visando uma sociedade mais comprometida com o bem-estar da infância, pensando a educação como uma responsabilidade social. O programa Alô Pai e Mãe está sendo transmitido pela Rádio Garilbadi AM, na cidade de Garibaldi, desde agosto de 2007. Na FM Cultura o programa está no ar desde julho de 2008. Desde outubro de 2009, passou a ser transmitido também pela Rede Sul de Rádio, que abrange as cidades de Caxias do Sul, Vacaria, Soledade, Lagoa Vermelha , Marau, Garibaldi e Veranópolis. Este é um programa com a participação de mães, pais, avós, tios, irmãos, filhos, educadores e profissionais de diferentes áreas, que conversam sobre suas experiências do cotidiano com os filhos e que trocam idéias sobre suas preocupações e dúvidas referentes aos temas propostos. Em 2011, já foram ao ar os seguintes temas: "Histórias para as crianças", "Os medos dos nossos filhos", "Estabelecendo limites com os filhos", "Alergias e problemas respiratórios dos nossos filhos", "Álcool e outras drogas lícitas","Responsabilidade ampliada na educação das crianças","Maus tratos com crianças e adolescentes", "Bullying", "Pré-natal e gravidez","Animais de estimação para os nossos filhos","Ser mãe hoje", "Homoparentalidade", "Alienação parental", "Ciclo vital: adolescência final","Ciclo vital: adolescência inicial","Ciclo vital: puberdade", "Ciclo vital: dos 5 aos 9 anos", "Ciclo vital: dos 2 aos 5 anos", "Cuidados com a alimentação dos filhos" , "Início das aulas", "Adaptação escolar","As crianças Patrocínio: e sua mil atividades", "O castigo e a palmada educam?", "Homossexualidade, diálogo entre pais e filhos" , "Uso de drogas - prevenção desde a infância", "Crianças que dão ordens", "Tempo livre com os filhos", "Férias dos filhos e férias com os filhos".

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Momento Científico

Espaço Cultural

Adoção e queixas na psicoterapia psicanalítica de crianças

Saga Crepúsculo: Quem quer viver para sempre?

Andrea Kotzian Pereira*

Cátia Olivier Mello*

Minha dissertação de mestrado, como bolsista CAPES, foi desenvolvida no grupo de pesquisa “Formação, Avaliação e Intervenção em Psicoterapia Psicanalítica”, coordenado pela professora Maria Lúcia Tiellet Nunes, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Psicologia, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. O tema central da pesquisa é a adoção e as queixas na psicoterapia psicanalítica de crianças, buscando investigar se existem diferenças entre as queixas apresentadas pelas crianças adotadas e pelas crianças não adotadas. A dissertação é composta por um estudo de revisão da literatura e um estudo empírico. O estudo de revisão da literatura é intitulado Adoção e Queixas na Psicoterapia Psicanalítica de Crianças: revisão da literatura e disserta sobre estudos que têm como objetivo pesquisar se as queixas apresentadas pelas crianças adotadas são associadas a sua condição. Estudos científicos nacionais são escassos e os longitudinais são existentes apenas na literatura internacional, porém não são recentes. Os estudos revisados mostram-se contraditórios e de difícil generalização, tendo em vista as experiências singulares de cada criança e a metodologia com a qual cada estudo foi realizado. Partindo-se destas constatações, o artigo de revisão da literatura propõe considerar aspectos que podem interferir nas queixas apresentadas pelas crianças adotadas, dentre estes a interferência da ansiedade vivenciada pelas mães adotivas/responsáveis, o tipo de experiência estabelecida com a figura materna/responsável, como determinante nas relações que se estabelecerão e o desconhecimento da história da criança adotada por parte da mesma. Em função dos reduzidos estudos encontrados sobre o tema em questão, é evidente a necessidade de pesquisas com o objetivo de preencher lacunas ainda existentes sobre a situação de crianças adotadas. Somente a partir de pesquisas científicas brasileiras, pode-se compreender o real universo destas crianças e, dessa forma, desenvolver trabalhos mais próximos da sua realidade, assim como trabalhos preventivos com os pais adotivos, visando auxiliá-los sobre suas fantasias e atitudes defensivas em relação à adoção. Tais atitudes e fantasias, segundo Wieder (1996), dificultam o tratamento psicoterápico de seus filhos adotivos, podendo até mesmo impedir a continuidade dele. O estudo empírico é intitulado ”Existe diferença nas queixas apresentadas pelas crianças adotadas e nas não adotadas no momento da busca de atendimento psicoterápico?”. Essa pesquisa teve como objetivo identificar e verificar se as queixas que trazem crianças adotadas a tratamento psicoterápico diferem das queixas apresentadas pelas crianças não adotadas. Buscou-se também averiguar se as queixas diferem em relação à idade da adoção. O interesse pelo tema surge a partir da prática clínica e da

falta de subsídios teóricos que possam auxiliar no entendimento das questões pertinentes às crianças adotadas. Os dados para a pesquisa foram coletados nos prontuários do CEAPIA – Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência – e do Instituto Contemporâneo. Foram pesquisados prontuários de 158 crianças adotadas, com idades entre dezoito meses a doze anos; 158 crianças não adotadas emparelhadas por sexo e idade com aquelas adotadas. Em relação à caracterização da amostra, os dados encontrados indicam predominância do sexo masculino das crianças adotadas que buscam atendimento psicoterápico em clínica-escola, com idade entre seis anos e seis meses a sete anos e cinco meses. As queixas apresentadas pelas crianças adotadas, com maior frequência, são comportamento agressivo seguido de problemas de atenção. Os resultados indicam que não há associação significativa, do ponto de vista estatístico, entre as queixas e o fato de ser adotado ou não e entre as queixas e a idade em que a criança foi adotada. Os resultados são discutidos à luz da literatura sobre adoção e desenvolvimento infantil com enfoque psicanalítico, sendo as crianças que integram a amostra atendida em instituições com este referencial. Algumas hipóteses são levantadas visando buscar uma compreensão da não diferenciação das queixas apresentadas pelas crianças adotadas daquelas não adotadas. Levinzon (2000), a partir da sua prática clínica, observa similaridades entre os sentimentos vivenciados pelos pacientes adotados e os não adotados. A vinculação entre pais e filhos constitui-se além de um vínculo biológico, dando-se pela relação afetiva que se estabelece. A capacidade de resiliência, ou seja, a capacidade de lidar com problemas e superar obstáculos, assim como os fatores constitucionais de cada criança, precisa ser considerada quando se trata do desenvolvimento emocional (Cyrulnik, 2009). Conhecer a disposição e a capacidade dos pais adotivos para compartilhar informações e discutir aspectos pertinentes à adoção propicia maior sucesso no atendimento psicoterápico das crianças adotadas (Hooper apud Hartman, 1994). Realizar a dissertação de mestrado possibilitou um maior aprendizado do universo das crianças adotadas, em relação às queixas apresentadas, no momento da busca de atendimento psicoterápico. Permanece, no entanto, o desejo de aprofundar, conhecer e adquirir novos conhecimentos que possibilitem o aprimoramento do trabalho desenvolvido junto às crianças adotivas e seus pais/responsáveis. Agradeço ao CEAPIA, que me “adotou” e sempre me recebeu com muito entusiasmo e disponibilidade para acessar os materiais necessários para a realização desta pesquisa.

Contato: akpgp@cpovo.net *Mestre em Psicologia Clínica – PUCRS, Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência – CEAPIA, Membro Titular do CEAPIA. **Referências Bibliográficas: Cyrulnik, B. (2009). Autobiografia de um Espantalho. Histórias de resiliência: o retorno à vida. São Paulo: Martins Fontes. Hartman, A. (1994). Segredos na Adoção. In Imber-Black (Ed.), Os segredos na família e na terapia familiar (pp. 94-111). Porto Alegre: Artes Médicas. Levinzon, G. K. (2000). A criança adotiva na psicoterapia psicanalítica. São Paulo: Escuta Wieder, H. M. D. (1996). Problemas especiais na psicanálise de crianças adotadas. In J. Glenn (Ed.), Psicanálise e Psicoterapia de Crianças (pp. 339-350). Porto Alegre: Artes Médicas.

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Vida ou morte, sobrenatural ou realidade, adolescência ou idade adulta. Dilemas, conflitos, dor, impulso, serenidade, espera. Tudo isso está presente na Saga Crepúsculo, de Sthephanie Meyer, fenômeno de vendagem e tradução para diversos idiomas e de exibição nos cinemas do mundo todo. O interesse é muito grande, especialmente entre os adolescentes, os quais se identificam com as personagens e com a trama. Como se trata de uma obra de literatura, penso que a sua leitura passa pela subjetividade de cada um e não comporta respostas certas, desvendamentos científicos ou de qualquer outra espécie. Meu interesse pela Saga Crepúsculo adveio na medida em que percebi o quanto os adolescentes com os quais me relaciono apreciaram sua leitura ou a detestaram. De qualquer sorte, é uma obra literária que conseguiu penetrar no universo adolescente e, como terapeuta de adolescentes que sou, interessou-me também. Os comentários a seguir vão nesta linha. As personagens principais encenam um enredo presente na vida do adolescente em um ou outro momento: a passagem do tempo. Já tendo deixado a infância para trás, o jovem adolescente depara-se com a constatação de que, ao contrário do que poderia lhe parecer, o tempo não parará na adolescência, apesar de já ter enfrentado muitos conflitos até então. A despeito de seus esforços mais ou menos intensos, intui que a vida seguirá lhe apresentando novos e diferentes desafios e que, mesmo enfrentando-os, envelhecerá. Bella se diz uma pessoa mediana e se apaixona por um rapaz na sua nova escola, após abandonar a cidade onde morava com a mãe. Edward não é nada parecido com ela: é perfeito nas suas palavras. Logo, cria-se o dilema de que, se Bella permanecer crescendo e amadurecendo, envelhecerá. Ele, no entanto, está parado no tempo há mais de 100 anos. Assim, mesmo que fiquem juntos, será apenas até que a morte os separe, o que para Bella é pouco. Edward, entretanto, a alerta quanto à escolha de que trocar sua vida mortal pela imortalidade lhe trará consequências, e exige que ela aguarde até ficarem juntos, como casal, somente após o casamento e a transformação. Dois anos passam-se, desde o início até a transformação de Bella. Edward a adverte que ele e a imortalidade não são somente heróis, mas também vilões. Entretanto, Bella vê que, além da vida eterna junto a Edward, existe a saída para sua vida mediana/humana. Descobre-se dona de um dom sobrenatural: o de proteger a si e aos seus com um escudo invisível, que os torna ainda menos vulneráveis, mesmo para outros vampiros. Um poder e tanto. O fascínio pela saga advém, também, da boa literatura e pelo compromisso com o entretenimento no qual, segundo a autora, está inserida a trama. Não pretende passar lições de moral ou religiosas (a autora é mórmom) e não tem pretensões de ser muito erudita. Vemos citações de outros livros que estimulam a leitura dos clássicos no leitor jovem (Bella e Edward citam “O morro dos ventos uivantes”, de Emily Brontë e Shakespeare, por exemplo), ou de boa música, como “Claire de Lune”, de Claude Debussy (Edward toca ao piano esta música, quando Bella visita a sua casa pela primeira vez). Enfim, a leitura dos livros da Saga estimula links com o mundo real do leitor, situando que a trama não se desenvolve em meio à magia (como o fenômeno Harry Potter),

mas no mundo real do adolescente. Os conflitos se dão entre o real e o sobrenatural, com os mitos dos vampiros e dos lobisomens. O sobrenatural fala de um mundo desconhecido, misterioso e novo/antigo. A leitura da mente do outro, possível a alguns dos vampiros e pelos lobisomens, quando transformados em lobos, torna-os perigosos e protetores a uma só vez aos humanos. Por ironia do destino, Edward não pode ler a mente de Bella, o que a torna fascinante para ele, assim como de resto a mente do outro é, para nós mortais, sempre. A interação entre os seres naturais e os mitológicos está presente em cada página, como acontece na mitologia. Vampiros e lobisomens têm um pacto de proteção aos humanos, desde que resguardado o seu anonimato por ambos os clãs. A nomenclatura mítica remete aos laços de parentesco que unem os humanos, bem como suas leis, tabus e proibições. O natural e o sobrenatural se entrelaçam criando suspense literário e curiosidade no leitor/espectador adolescente. A promessa da vida eterna é por demais rica para passar desapercebida ao adolescente. Seu preço é o abandono da vida mortal em família pela exogâmica imortalizante. A moeda de troca é o amor apaixonado e sem limites, capaz de dar a própria vida para concretizá-lo. Dilema interessante que assola não só os adolescentes apaixonados, mas todos os amantes: até onde se deve/pode ir por amor? Se, por um lado, o envelhecimento não é desejável, a experiência é. O processo de amadurecimento da mente de um vampiro cessa no momento de sua transformação. No entanto, os recém-criados diferem dos vampiros mais antigos pela experiência e conhecimento adquiridos com o tempo. Como isso é possível? O leitor tem quatro livros para descobrir qual a razão e a ética a este fenômeno ligada. Além do sucesso, há muitas críticas sobre a Saga e sobre seus personagens. Isto mostra que a obra não tem sua popularidade unânime em termos de crítica e de público. Entretanto, se não exigirmos erudição, certezas, coerência e realidade, em todos os pontos da narrativa, talvez estejamos mais ligados com a vida de fantasia dos adolescentes e mais conectados com o mundo apaixonado e apaixonante em que vivem. Nesse mundo, estão a descoberta do amor, da ética, do imperfeito, da passagem do tempo, os dilemas e as responsabilidades dessas escolhas. Pois, como diz a canção de Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Ao final dos quatro livros, muitas questões são lançadas, muitas delas sem resposta. Apenas uma certeza se vislumbra, a de que a escolha sobre permitir que o tempo passe deve ser feita por cada um de nós em algum momento de nossa vida mental, sob a pena de permanecermos eternamente jovens. Fica, a despeito de tudo, a pergunta: Quem quer viver para sempre?

*Membro do CEAPIA, psicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS) e psicanalista da SPPA

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Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e da Adolescência

Núcleo de Estudantes Núcleo de Estudantes Coordenadora - Roberta Loureiro da Silva Breda Neste ano, o Núcleo de Estudantes completou seu primeiro ano. Durante esse período, foram realizados grupos de estudos com temas sugeridos pelos estagiários e ex-estagiários do CEAPIA, além de duas jornadas organizadas pelos participantes do Núcleo. As reuniões do Núcleo de Estudantes ocorrem quinzenalmente, nas quartas-feiras, às 12h45min. Nossos objetivos de valorizar mais o vínculo dos estudantes de graduação com o CEAPIA e de aproximá-los das atividades desenvolvidas em nossa instituição estão sendo atingidos. Atualmente, eles participam colaborando no Setor de Pesquisa, na organização da Jornada Anual do CEAPIA, entre outras atividades. Observamos nossos estagiários engajados e participativos. Para o próximo semestre, o Núcleo de Estudantes está

organizando mais duas jornadas, que ocorrerão em agosto e dezembro, além dos seguintes grupos de estudos:

Atividade aberta aos integrantes do Núcleo de Estudantes e aos estudantes de graduação do curso de Psicologia.

Grupo de Estudos sobre Técnica de Atendimento Infantil Coordenadora: Luciana de Brito Souza Dia: quintas-feiras (encontros quinzenais) Horário: 10h30min Início: agosto (duração 4 meses) Atividade aberta aos integrantes do Núcleo de Estudantes e aos estudantes de graduação do curso de Psicologia.

Grupo de Estudos sobre Introdução à Teoria de Bion Coordenadora: Luciana de Oliveira Dia: terças-feiras (encontros semanais) Horário: 15h Início: outubro (duração 2 meses) Atividade aberta aos integrantes do Núcleo de Estudantes e aos estudantes de graduação do curso de Psicologia.

Grupo de Estudos de Introdução ao Pensamento Kleiniano Coordenadora: Silvia Dian Dia: terças-feiras (encontros semanais) Horário: 14h Início: agosto (duração 2 meses)

Os grupos de estudos são gratuitos para os participantes do Núcleo de Estudantes. Maiores informações pelo site www.ceapia.com.br ou pelos telefones: (51) 3343-6490 e (51)3342-7974.

Grupo: Freud Coordenação: Fernando Kunzler Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: quintas-feiras - 09h30min Grupo: Winnicott Coordenação: Caroline Milman Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: terças-feiras - 12h40min Grupo: História da Família Ocidental Coordenação: Abraham Turkenicz Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: segunda e quarta quintas-feiras de cada mês - 20h Grupo: Escrita Coordenação: Abraham Turkenicz Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: primeira e terceira quintas-feiras de cada mês - 20h Grupo: Divórcio e Recasamento Coordenação: Rosa Lúcia Severino Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: terças-feiras (quinzenalmente) - 08h30min Grupo: Técnica em Intervenções Precoces (0-3 anos) Coordenação: Ester Litvin & Inta K. Müller Público-alvo: associados CEAPIA e interessados Datas: sextas-feiras - 11h

Homenagem Norma Escosteguy No dia 02 de maio, véspera do aniversário de 70 anos de Norma Escosteguy, uma das fundadoras do CEAPIA, a comunidade ceapiana prestou-lhe uma homenagem. Foi um momento de muita emoção, pois temos uma ligação longa, profunda e grata com a nossa homenageada. Os demais fundadores, Fernando Kunzler, José Outeiral e Luiz Carlos Prado, fizeram um relato das suas lembranças desses momentos pioneiros. Ouvimos, pelas palavras dos próprios fundadores, os primórdios da história da Instituição. A eles se seguiram vários depoimentos espontâneos, repletos de histórias emocionadas, engraçadas e intensas. Brindamos esse momento com muita sinceridade e gosto, o que reflete os investimentos da Norma no CEAPIA e nos ceapianos. Agradecemos a ti, Norma, pelo tanto que tens contribuído nas nossas trajetórias pessoais e institucionais, bem como a presença dos colegas, amigos e familiares que estiveram prestigiando esse acontecimento tão significativo. Morgana Gottardo Bortolini

O site CEAPIA disponibiliza todas as informações sobre o funcionamento institucional, bem como dos eventos e informações sobre Encontros, Cursos, Jornadas, Grupos de Estudos e Seleções. Fornece um canal de contato Fale Conosco aberto a esclarecimento de dúvidas e sugestões. Aos associados o Acesso Restrito proporciona dados específicos e vitais. Solicite sua senha na Secretaria.

Solenidade de homenagem à Norma Escosteguy

Prêmio CEAPIA Recebi, com muita satisfação e gratificação, a notícia de que tinha ganhado o Prêmio CEAPIA 2010 com o trabalho “Cartas ao Pai - Confissões de Adolescentes”. O sentimento de reconhecimento e valorização, pelo investimento que fazemos permanentemente aos nossos pacientes, mantém acesa a chama da inspiração e motivação necessárias para criar. A escrita psicanalítica, assim como a experiência analítica, é uma criação. Bion (1978) disse: “Se quisermos fazer uma comunicação cientifica, também teremos que fazer uma obra de arte”. O desejo de transmitir, para quem escuta e para quem lê, a idéia da experiência analítica requer um delicado ato de equilíbrio. A história escrita precisa ter vida. É como cantar 'a música do que aconteceu'.

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Indo ao encontro da “obra de arte” em meu trabalho, transformei o material clínico de meus pacientes em cartas. Todo terapeuta cria, com seus pacientes, infinitas obras de arte, durante o processo de invenção de si mesmo. Escrever, assim como analisar, é um trabalho árduo, que envolve alguns requisitos que expus em meu trabalho: coragem, coerência, compreensão e consistência. Além de escrever, analisar e agradecer por esta premiação, gostaria de deixar um convite: em algum momento, permita-se ter a experiência de escrever! Juliana Santos Psicóloga Especialista em Psicologia da Infância e Adolescência pelo CEAPIA e Orientadora Vocacional

Visite nosso site:

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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOTERAPIA DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA DO CEAPIA

Início e dezem m bro de 201 1

OBJETIVO: Desenvolver a capacitação teórica e clínica para o exercício da especialidade de psicoterapeuta de orientação analítica da infância e adolescência, através do estudo do desenvolvimento normal e patológico. desde as relações precoces pais-bebê, passando pela infância até a adolescência, havendo seu complemento pela abordagem clínica de todas essas faixas etárias. CARGA HORÁRIA: 1.940 horas, em três anos letivos.

Inscrições abertas de abril a novembro para o processo seletivo da 32ª turma Mais informações pelo telefone (51) 3343.6490 ou e-mail ceapia@ceapia.com.br

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Boletim Ceapia 2011  
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