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Edição nº 27

MEMÓRIA

Reformulado, Museu Escolar reabre para visitação e pesquisa


Perspectiva

Uns descem, outros sobem. Para fazer o oposto outra vez. E de novo. Tropeçando ou caindo, às vezes. Levantando sempre. E das descidas e subidas Trazemos da inocência infantil Sem nos dar conta Um aprendizado para a vida toda. André da Rosa

Crianças do Nível 2 curtindo uma tarde no Campo do CEAP


Da Redação O CEAP tinha chegado aos 74 anos quando inaugurou o seu Museu Escolar, em 1973. Nos últimos dois anos ele esteve fechado. A reabertura, após um processo de reclassificação e reorganização bastante cuidadoso, aconteceu recentemente. A matéria de capa sobre o “novo” MECEAP é justificável. Afinal, é a memória desta escola, agora já aos 116 anos, disponível à pesquisa, ou meramente a um passeio ao longo dos tempos. Que a reportagem coloque em você, leitor, o desejo de fazer uma visita ao nosso Museu. Mas nossa edição, a primeira de 2016, além de memórias traz muitas novidades da escola. O projeto que provoca os pequenos da Educação Infantil para pensarem está bem explicitado na próxima página na Sala do Professor. A Entrevista desta edição trata de um assunto muito importante: a inclusão pela educação, com a nova profissional da escola, especialista na área, Adriela Noronha. Projetos de pesquisa e literatura ganham páginas especiais. E a editoria Sala de Aula está lotada de boas iniciativas. Não espere mais. Bora ler!

EDIÇÃO 25 LIDERANÇA 07 • Seminário de formação Escola investe nos líderes

LITERATURA 09 • Poesia por toda a parte Alunos espalham poesia pela cidade CAPA 11 • Museu Escolar reaberto Acervo disponível outra vez ESCREVENDO 19 • Opiniões de alunos em textos ROBÓTICA 21 • As primeiras produções

Expediente CEAP em Revista Nº 27 – Maio de 2016 Edição: Assessoria de Comunicação do CEAP Diagramação: Fábio Lima Deicke Jornalista Responsável: André da Rosa Revisão: Débora Schneider Zambonato Maria Alice Ribeiro da Rosa Colégio Evangélico Augusto Pestana www.ceap.g12.br

Pense Nisso

A história de nossas vidas! Você já parou para pensar o que vai fazer hoje? Certamente sua resposta será: “mas que pergunta sem cabimento! É lógico que vou trabalhar”. Preciso trabalhar, afinal de contas, minha sobrevivência depende disso. Tudo bem! E se eu lhe disser que concordo com sua resposta, você certamente vai ficar mais encucado ainda. Mas, a pergunta que quero voltar a fazer e agora melhorada é: e além do trabalho? Sim, o que você vai fazer hoje além de trabalhar? Eu acredito que você tenha em mente fazer algo para si e que envolva as pessoas que são importantes para você. Ou você não pensou nisso? Amigo/a, por mais que tenhamos nossas obrigações, nosso trabalho, por mais que ele nos tome grande parte do nosso tempo, precisa haver um tempo que tiramos para nós, para ficar marcado na história de nossas vidas, para fazermos coisas que gostamos e que vão além das nossas responsabilidades profissionais. Nós somos mais do que uma máquina e do que nossa profissão. Somos pessoas com sonhos e projetos. Você esqueceu deste pequeno detalhe? Não é por acaso que no Salmo 118.24 o salmista diz: “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. E, se interpreto a palavra de Deus desde o relato da criação de Gênesis, onde Deus viu que tudo o quanto fizera era bom, então, reconheço que também o dia de ontem foi e o de hoje é bom, ou muito bom. Só que um dia bom não

cai do céu. Ele precisa do nosso planejamento, envolvimento e comprometimento. Por isso, não viva sua vida de uma forma mecânica. Lembre-se de que você não é uma máquina que é ligada na hora em que entra numa empresa e desligada ao término do turno. Você é uma pessoa, você é um ser e você é muito importante para Deus e também para os que estão à sua volta, especialmente para seus familiares. Além do seu trabalho, das suas obrigações e responsabilidades, faça hoje algo para você e por você. Invista em você, pois não temos todo o tempo do mundo e podemos passar por perdas repentinas e insubstituíveis. Podemos acordar tarde demais e descobrirmos que da forma que vivemos não valeu à pena. Descobrirmos que o trabalho não é tudo e que o dinheiro não é tudo. Hoje, esta semana, tire um tempo para você e para você com Deus. Agradeça por sua história e por este novo dia que Ele lhe deu. Peça para que Ele lhe mostre, lhe oriente como vivê-lo da melhor maneira possível e assim viver, pois viver é mais que existir, é mais que apenas respirar e ter o sangue correndo pelas nossas veias. Viver é estar do lado da “pessoa viva” que é Jesus e permitir que Ele nos conduza por onde quer que façamos história. Faça isto e viva mais este dia repleto da certeza da presença de Cristo com você. Pense Nisso! Luciano Miranda Martins Pastor Escolar do CEAP CEAP em Revista - 03


Sala do Professor O boneco Nicolau instiga as crianças com suas ideias

Pensar é divertido! Pensa comigo? Por que a chuva cai? Onde nasce o arco-íris? Como surge o vento? Por que à noite fica escuro? Estes e muitos outros são os questionamentos das crianças no cotidiano da Educação Infantil. A curiosidade permeia as falas e as ações nesse período do desenvolvimento e ao educador da infância compete mediar e potencializar essa manifestação. Por isso, e no intuito de intencionalmente qualificar as intervenções pedagógicas relacionadas ao pensar, o grupo de professoras do CEAPzinho desafiou-se a imprimir no cotidiano escolar aprendizados do campo da filosofia. A experiência de uma escola francesa, compartilhada no documentário Ce n’est qu’un début (Apenas um Começo) e estudos teóricos preliminares tem sido importantes para as elaborações relacionadas ao Projeto desse nível de ensino, para o ano de 2016: “Pensar é Divertido! Pensa Comigo?”. Entendemos que o ato de pensar é próprio da natureza humana,mas que pensar sobre o que se pensa requer um aprimoramento dessa lógica e, então, uma abordagem filosófica, permeada pelo diálogo e pela investigação. Isso pode colaborar para a (re)significação da prática docente, com vistas à promoção de novas situações de aprendizagem às crianças. Para LORIERI (2002), referenciando Lipman, grande estudioso da Filosofia e da Educação para o Pensar, “o ser humano é o ser pensante e sabe que, quanto melhor puder pensar, melhor poderá orientar sua vida, além de produzir melhores explicações sobre a realidade e sobre si mesmo. ” Nesse movimento de pensar sobre porque pensamos dessa e não daquela forma, os diferentes níveis da Educação Infantil

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elegeram alguns conceitos, como generosidade, solidariedade, liberdade, respeito, entre outros, para no decorrer deste ano abordarem em momentos preparados à reflexão. Esses conceitos relacionam-se a assuntos e atitudes que refletem a condição humana, a abordagem sobre os mesmos gera situações interessantes de diálogo, possibilitando desconstruir ideias, fazer pensar criativamente, como também realizar novas e diferentes associações, as quais podem colaborar para que as crianças aprendam a pensar em uma lógica aprimorada e sejam subjetivadas por elaborações que emergem dessas discussões. No período que compreende a Educação Infantil a brincadeira é a linguagem que permite à criança interagir e manifestar-se, por isso a dimensão lúdica da prática educativa é apropriadíssima para desenvolver reflexões filosóficas sistemáticas. Por isso, a escolha por um elemento mágico para desencadear diferentes atividades com as turminhas. O boneco apresentado como Nicolau, inspiração advinda da história Nicolau Tinha uma Ideia, de Ruth Rocha é um menino que vive com a cabeça cheia de ideias e, ao contá-las para as crianças as contagia, instigando o pensar criativo. O Projeto da Educação Infantil para 2016, quer progressivamente, através do movimento que coloca em destaque o ato de pensar, estimular a criança a desenvolver habilidades cognitivas importantes, a partir de temáticas de relevância, como também consolidar na prática pedagógica docente essa abordagem. Professora Deizy Soares Vice-diretora do CEAP e Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil


Entrevista

Os desafios da inclusão pela Educação Historicamente o CEAP já discute e trabalha com questões que envolvem a diversidade e especificamente a inclusão de alunos com deficiência. Este trabalho agora está se qualificando ainda mais. A professora Adriela Noronha, Especialista em Educação Especial e Inclusiva e em Docência em Libras, foi integrada ao quadro de profissionais do CEAP. Mestranda do Programa Educação nas Ciências da Unijuí, com projeto voltado à área da deficiência intelectual, ela aborda, nesta entrevista, a relação do recente Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146 de 06 Julho de 2015, que entrou em vigor em janeiro deste ano) com a Educação Especial. E desta com o CEAP. CEAP em Revista – O Estatuto da Pessoa com Deficiência é recente. Mas no que se refere à educação destas pessoas, o assunto não é novidade no CEAP. Qual a importância desse histórico na nossa escola? Adriela – Entendendo que a Inclusão é um processo, o CEAP vem construindo práticas inclusivas no momento em que procura adequar-se às necessidades de cada aluno, no que tange às adaptações/flexibilizações no currículo e na busca por recursos pedagógicos que visam a aprendizagem desses educandos, respeitando as individualidades de cada um. Esse histórico é importante, pois permite refletirmos sobre nossas ações, qualificando ainda mais o trabalho pedagógico que já vem sendo feito de forma satisfatória. CEAP em Revista - Sua atuação no CEAP a partir de agora tem o objetivo de qualificar o trabalho. O que está sendo feito? Adriela – Primeiramente estamos qualificando os Planos de Estudo Individualizados. Nestes documentos constam adaptações/flexibilizações curriculares, prevendo os conteúdos, as competências, as habilidades e as formas de avaliação que serão explorados durante o ano letivo com cada aluno público-alvo da Educação Especial. Essas adaptações são ações necessárias para garantir aos alunos com deficiência acesso ao currículo, visando sempre a aprendizagem e desenvolvimento desses educandos. Há também momentos de estudos, diálogos e planejamento com os professores com o intuito de auxiliá-los nas atividades adaptadas para esses alunos. CEAP em Revista – Além da atuação da escola, tem o papel do professor e da família, como em todo processo educacional. Mas como é esta especificidade na educação de alunos com deficiência? Adriela – A Educação Especial trabalha de forma colaborativa com os professores e a família. Todas as decisões tomadas em relação ao processo de escolarização do aluno consideram as suas singularidades e sempre envolvem a escola, os professores e as famílias. O envolvimento da família no processo de escolarização contribui para que se

Adriela: garantir acesso ao currículo

possa pensar que o respeito à diversidade não é considerarmos todos iguais, mas sim compreender o tempo e o ritmo de cada aluno. Assim a parceria com as famílias contribui para que a escola possa pensar cada aluno como único, com um saber, um tempo e um modo de aprender que é só dele. CEAP em Revista – Uma das novidades na escola será a Sala de Recursos e o Atendimento Educacional Especializado. O que é esse atendimento e como vai funcionar? Adriela – A Sala de Recursos é o espaço localizado na escola, constituída de materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade onde se realiza o AEE-Atendimento Educacional Especializado. O AEE é um dos serviços da educação especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidades com o intuito de eliminar barreiras para a plena participação dos alunos nas mais variadas atividades desenvolvidas na escola. O AEE acontece prioritariamente na Sala de Recursos de forma complementar à formação de estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento e de forma suplementar à formação de estudantes com altas habilidades/superdotação. Esse atendimento perpassa todos os níveis, etapas e modalidades de ensino sem substituí-los, sendo realizado sempre em turno inverso ao da sala de aula comum. CEAP em Revista – Quem é o aluno considerado público-alvo da Educação Especial, aquele que vai ou pode receber este atendimento especializado? Adriela - De acordo com a Resolução CNE/CEB, nº 4/2009, considera-se público-alvo da educação especial os estudantes com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual e sensorial. Os alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento; alunos com espectro do autismo, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância e transtornos invasivos sem outras especificações; e os alunos com altas habilidades ou superdotação, que são aqueles estudantes que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano. Portanto são esses alunos que receberão atendimento especializado na sala de recursos da escola. De acordo com a legislação vigente, estudantes com transtornos funcionais específicos (dificuldades de aprendizagem, dislexia, hiperatividade, déficit de atenção, entre outros) não são caracterizados como alunos público-alvo do AEE. CEAP em Revista - 05


Comportamento Escrevendo

O noite lugar dos celulares na sala de aula A sangrenta

Que os aparelhos multifuncionais que a maioria de nós tem mãos – que ainda chamamos simplesmente de Eu,em Rosália, minha irmã, Catarina e nossa prima Ana estávamos “celulares” – facilitam e agilizam muitas coisas, disso não em casa assistindo um filme do Indiana Jones numa noite chuvosa. temos dúvida. E éE bem possível que concordemos às Era Dia das Bruxas. a tensão aumentava no filme e a luzque, acabou! essestomou aparelhos nos conectam com tanta gente, Avezes, escuridão contaque da sala. O coração palpitando. E a lannos “desconectam” ou tiram nossa atenção daquilo que terna? a mais velha, fuipróximo. tremendoEncontrar até a cozinha. Pela janela ou Como de quem - está mais o equilíbrio, às dava para veré atão tormenta relâmpagos que cegavam e trovões vezes, não simplescom para os adultos. Para adolescentes que me impediam as meninas gritavam. De repene crianças, então,de o ouvir desafiooque parece ser maior. te, ainda antes de achar a lanterna, senti que o estava molhaNa escola, para que o aprendizado e ochão andamento das do. Seria chuva? O líquido parecia ser um pouco espesso. Liguei a aulas fossem melhores, a decisão foi de ajudar os alunos lanterna. para o chão. Ede gritei na buscaApontei pelo tal equilíbrio usoapavorada: dos aparelhos. O CEAP - Sangue!o Tem no chão.na sala de aula a partir do restringiu usosangue de celulares Vieram Catarina arrepiadas, arregalados. Um cheiinício do Ana ano eletivo, prática que olhos já vinha sendo adotada ro meio azedo no ar. O mar vermelho escuro no chão parecia sair como experiência em algumas turmas dede o ano passada despensa. do. Quando entram na sala, os alunos automaticamente - Tem um assassino aqui! – falei com uma voz pavorosa, altedepositam seus aparelhos, desligados ou no modo silenrada pelo medo. cioso, nos porta celulares, confeccionados especialmente Catarina, que tinha medo de ladrão, imóvel ouvindo os barupara isso. lhos dos copos de cristal da mamãe sendo estilhaçados: evita distração dos alunos -AÉ medida um ladrão, veioaroubar e deve estar feridodurante – disse. o processo de aprendizagem e está amparada em lei estadual, Ana, a menorzinha, apavorada, pensou que um zumbi poderia que proíbe a utilização de celulares em sala de aula. Entre ter “feito seu serviço” na despensa. os Aalunos não espiei há resistência quanto à norma. Noenxerguei recreio luz voltou, para dentro da despensa e não eles conferem mensagens e, naprateleira. volta à homem algum lápostagens, dentro. O riotrocam de sangue nascia de uma aula, desligam-se Prateleira de vinhos.por um tempo do seu quase inseparável celular. Os comentários entreestá os professores são positivos, - Meninas – falei – O líquido saindo da prateleira. especialmente no sentido de sentirem-se tranquilos não Catarina se abaixou, os pés já encharcados, a mãoem trêmula, terem a necessidade de arrepio ficarempassou constantemente verifi candoo encostou no líquido. Um pela espinha. Colocou dedo boca estão e anunciou: se osna alunos fazendo uso indevido do equipamento e, - É vinho! consequentemente, deixando de estar atentos à aula.

- Sério? – perguntei. - Jura? – Ana perguntou assombrada. - Sim, tecnicamente é vinho. Neste exato momento, o monstruoso, horripilante, monstro assassino de garrafas de vinho, ladrão de copos e quase zumbi, cruzou sem hesitar: um rato!!! Isto mesmo! Um rato na despensa quebrou uma garrafa, derrubou os copos e agora foi para a sala. Fechamos as portas. Subimos para o meu quarto, colocamos um pano debaixo da porta e... vamos esperar o grito de pavor da mamãe quando chegar!

Super Folha vs. Dr. Cinzento Ferramenta Essa história irá contar a maior das aventuras de um herói pedagógica chamado Super Folha, um herói destemido, corajoso, esper-

Helena Kuzli Aluna do 5º ano do Ensino Fundamental

Salas de aula ganharam caixinhas para guardar aparelhos

Fenômeno nas redes sociais

Tão logo foram instaladas nas to e muito ágil. Super Folha conta com a ajuda de seu meHá situações em que os alunos salas de aula da escola, as caixinhas lhor amigo Cara de Terra e juntos lutam contra seus arqui-isão incentivados a utilizarem os apapara receber os celulares viraram nimigos Dr. Cinzento e seu ajudante Bolota Preta. relhos celulares. Em determinados “celebridades” ao terem duas fotos Super Folha trabalha como guarda florestal no Parque trabalhos Ele pedagógicos, orienpostadas na fanpage do CEAP na Arvorevil. ganhou seussão poderes quando estava andando tados pelos professores para que internet. Em poucos dias as imapela floresta e um espinho cravou em sua mão. Era um espiutilizem os equipamentos como fergens ultrapassaram os 2 milhões nho de uma árvore mágica. Para não ser descoberto ele usa ramenta deFred pesquisa. “Por isso a dede visualizações, receberam mais o nome de Eduardo. cisão de ter portaEduardo celularesestava dentrotranquilo observando o de 13 mil curtidas, foram comCerto dia,osFred das salasquando de aula”, justifi ca o diretor partilhadas mais de 51 mil vezes parque, ouviu gritos. Ele correu o mais rápido que pode atéMalschitzky. chegar em uma moça que estava muito assustada Gustavo O CEAP buscou e receberam 684 comentários (de einspiração disse: - Arrá! – falou Super Folha – só podia você meu em escolas da Suécia que diversas partes doser Brasil e até do - Doisa homens do meio da mata com mo- arqui-inimigo. adotam medida aparecerem há algum tempo, exterior), quase todos positivos e tosserras e começaram Então alguns - Claro – provocou Dr. de Cinzento quem você achou também com sucesso. a cortar as árvores. apoio à –medida. Tecnologia também auxilia no aprendizado pássaros que estavam nas árvores saíram voando, mas um que fosse, o coelho da Páscoa? Ha ha ha. dos homens os pegou com uma gaiola e os dois sumiram Dentro da caverna, Super Folha e Dr. Cinzento lutam. no mato. Dr. Cinzento o ataca com uma nuvem de fumaça cinza, - Ok – disse Fred – dois homens que cortam árvores e mas Super Folha reage com uma ventania cheia de folhas. roubam pássaros. Vou fechar o parque até que eles sejam Depois de lutar muito, Dr. Cinzento está enfraquecido. encontrados. Vendo isso, Super Folha faz um laço de cipó e prende o Depois disso, Fred fecha o parque e liga para Cara de vilão, seu comparsa Cara de Terra prende Bolota em uma Terra. Os dois vestem suas roupas de heróis e saem à pro- gaiola de barro. Os dois heróis entregaram os dois vilões cura dos vilões. Logo chegam em uma caverna e encontram à polícia e o Parque Arvorevil abriu novamente os portões. Dr. Cinzento, um homem alto, magro e de óculos e com ele Tudo voltou ao normal graças ao Super Folha e Cara de Bolota Preta, um homem baixinho e bem gordo. Os dois es- Terra. tavam planejando destruir o parque e no lugar construir um Samuel Golnik Filho prédio de 37 andares. Vender os animais da floresta seria a Aluno do 6º ano do Ensino Fundamental fonte dos lucros para fazer o prédio. 06 - CEAP em Revista 18


Comportamento

Pesquisa revela hábitos de estudo dos alunos Você pode até imaginar, mas será que realmente sabe quais são os hábitos dos alunos na hora de estudar? Dos alunos do CEAP? Como, quando e quanto eles estudam? E se estudam? Para obter respostas a estas perguntas e ter um panorama deste comportamento entre os alunos da escola, uma pesquisa foi aplicada aos quase quatrocentos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio. A atividade foi proposta no componente curricular Metodologia

da Pesquisa, na 1ª série do Ensino Médio Integral, que permitiu a estes alunos a compreensão de que uma pesquisa sempre tem uma finalidade. E ela foi a de fornecer subsídios à Orientação Educacional para intervenções a fim de orientar os alunos nesta área do estudo. Os próprios alunos da 1ª série aplicaram a pesquisa nas turmas, compilaram os dados recolhidos na enquete e montaram gráficos. Cada turma recebeu, em sua própria sala, o gráfico correspondente com as respostas a cada pergunta.

ENSINO FUNDAMENTAL

ENSINO MÉDIO

Os gráficos mostram resultados somados da pesquisa sobre os questionamentos “como” e “quando” o aluno estuda.

Dados geraram orientações específicas Os dados foram analisados pelas Coordenações Pedagógicas e Orientação Escolar, que utilizaram as informações para intervenções nos Conselhos de Classe das turmas, dando a cada professor, também, a possibilidade de conhecerem as maneiras que seus alunos utilizam para preparar-se para as provas e avaliações. A partir disso os professores sugeriram dicas para estes momentos, que foram postadas nos murais das salas de aula e da escola. A equipe pedagógica também debateu os resultados com cada turma, onde aconteceram debates produtivos sobre o assunto. Especificamente para as turmas do 5º e 6º anos, a pesquisa gerou um material específico encaminhado às famílias, para que possam auxiliar os filhos na organização dos tempos de estudo.

Turmas tiveram retorno da pesquisa e discutiram assunto com a equipe pedagógica

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CEAPzinho

Educação Infantil, um lugar para pensar

As crianças estão sempre perguntando sobre tudo o que veem, o que acontece com elas e ao se redor. E essa curiosidade precisa ser instigada para que elas reflitam sobre cada situação. Em outras palavras, “pensar é divertido” - e ao mesmo tempo muito importante. Então a provocação, na forma de convite, é o “pensa comigo?”. Estas duas sentenças formam o slogan do Projeto Pedagógico da Educação Infantil do CEAP neste ano

“A Fada que tinha ideias”

(leia na página 4 o texto sobre a temática). E, na prática, estão botando a cabeça da criançada a funcionar! Claro que tudo acontece pela brincadeira. Afinal, brincar é a linguagem da infância. Por isso as professoras tem clareza de que, para provocar os alunos a pensarem e refletirem sistematicamente, nada melhor do que ações lúdicas. Confira um pouco do que está acontecendo nesta primeira fase do projeto.

Momento “Refletir”

Na rodinha, tendo ao centro uma vela como elemento simbólico, as crianças do Nível 5 tiveram uma conversa sobre o pensar. Foi o “momento refletir” das turmas. Eles também haviam curtido a história “Nicola tinha uma ideia”, de Ruth Rocha, que contribuiu para o diálogo. Em suas falas, as crianças dão pistas às professoras sobre o que elas sabem e, assim, auxiliam na mediação do conhecimento.

Uma cabeça cheia de ideias

Uma contação de história muito especial reuniu as crianças dos Níveis 1 e 2 na Biblioteca da escola. As professoras Débora Martins, do Jogo Dramático e Rosane Hoffmann, da Hora do Conto, envolveram as crianças com chuva colorida, nuvens fofinhas e bolinhos de luz. A encantadora história escolhida foi “Bolinhos de Luz”, do livro “A Fada que tinha Ideias”, de Fernanda Lopes de Almeida.

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A mascote do projeto “Pensar é divertido! Pensa Comigo?” tem feito sucesso entre as crianças. Ele é um boneco com a cabeça cheia de ideias. E é claro que as crianças “abriram” a cabeça dele para conferir o que tinha lá. Ele tem ajudado as crianças a pensarem sobre sentimentos e atitudes. No Nível 4 provocou a brincadeira “o que é, o que é?”. Já as crianças do Nível 3 refletiram sobre atitudes legais e outras nem tanto.


Literatura

Crianças espalham poesia pela cidade Ler uma poesia enquanto aguarda sua vez de ser atendido? Por que não? A provocação à comunidade ijuiense está sendo feita pelas crianças do 3º ano do Ensino Fundamental. Em mais de quarenta locais da cidade os alunos colocaram caixas de poesias, que já estão conquistando leitores. Produzidas pelos próprios alunos, as caixinhas contêm poesias selecionadas por eles, com ajuda das professoras, e também poesias que eles mesmos produziram junto com as famílias. A atividade “Leia uma poesia e transforme seu dia” foi uma de tantas inspiradas na literatura “A Caligrafia de Dona Sofia”, um dos três livros que estão sendo trabalhados no 3º ano neste ano letivo. Assim como a personagem, os alunos e as

Poesias conquistam leitores na Literatus

pessoas alcançadas pelas poesias estão aprendendo que carinho, generosidade, cuidado, gentileza, enfim, as bondades, só fazem bem. Para quem as recebe e também para quem as pratica.

Caixas instigam a leitura em locais como o Yázigi

Inspirações de Dona Sofia Dona Sofia, personagem principal do livro do autor e ilustrador André Neves, escreve poesias por todas as paredes da casa. Não contente em que elas fiquem “presas”, começa a enviar poesias em pequenos cartões para as pessoas da cidade. Seu Ananias, o carteiro, faz amizade com Dona Sofia e por aí a história se desenrola. Teve até uma contação especial da história com os próprios personagens. O trabalho com o livro rendeu uma série de ações literárias, todas inspiradas nas ideias da personagem do livro. Criaram poesias com ajuda das famílias, apresentaram estas poesias ao ar livre, em meio à natureza, no Campo do CEAP, montaram o cenário da “casa da Dona Sofia”, onde a história foi interpretada e concluíram o projeto com um Sarau de Poesias. Em duplas, as crianças fizeram jograis para apresentar os textos às famílias. As meninas caracterizadas com o lenço da Dona Sofia e os meninos com a cartola do Seu Ananias, o carteiro amigo de Dona Sofia. No final os alunos ainda receberam uma carta enviada pelo correio pela Dona Sofia.

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v Sala Pesquisa de Aula

MINHA, NOSSA CIDADE!?

DE OLHO NOS FUNGOS

Conhecendo fontes de pesquisa no Museu

O projeto da 2ª série do Ensino Médio levou os alunos à indústria da Cisbra, em Ijuí. Com um extenso roteiro de estudos, os alunos conheceram o sistema de qualidade da empresa, laboratórios e fábrica, além de relacionarem diferentes assuntos aos conteúdos de diversos componentes curriculares.

Observações a olho nu e com auxílio de microscópios permitiram aos alunos do 7º ano acompanhar a formação e desenvolvimento dos fungos. O estudo foi acompanhado de pesquisas sobre a importância dos fungos na alimentação e saúde, explorando aspectos positivos e negativos.

CAÇA AO TESOURO

UNIDADE DA VIDA

Alunos aprenderam a manusear acervo para pesquisa

Uma carta do Professor Procópio causou alvoroço nos pequenos do A exposição “Célula, a unidade da vida”, do 8º ano, foi a Tempos de Criança. Provocou-os para produzirem lunetas. Feita a tarefa, culminância estudos sobreas, o tema. As aulasdigitalizadas, práticas e oito. A partir dos dessas fotografi que foram Não foiosuma exposição temporária, oupista, mesmo acervo outra carta convidou para encontrarem uma que osolevou à permitiram uma melhor compreensão do assunto edo autor, os alunos produziram vídeos com base nas ideias de objetos da mostra permanente, que levaram os alunos da história “Caça ao Tesouro”, sobre uma divertida viagem ecológica. serviramquestões para a confecção trabalhos do que,mato, com material como ados derrubada extinção 1ª série do Médio Integral ao Museu Antropológico Diretor retratando reciclável,animais reproduziram células vegetais eda animais. e o rápido progresso Colônia Ijuhy a Pestana. Foi uma aula especial para conhecer diversas fon- de espécies

tes de pesquisa que podem ser consultadas naquele espaço. partir da intervenção humana. Orientados pela professora de Metodologia da Pesquisa, os DIA DE RETIRO alunos passaram boa parte da tarde conhecendo o acervo e manipulando documentos, mapas e fotografias. “Ao longo deste ano eles estão realmente aprendendo a pesquisar, e um dos suportes é o livro ‘História Ambiental de Ijuhy’, de Marcos Gerhardt, cujo estudo foi complementado com a ida ao Museu”, afirma a professora Mariluza da Silva Lucchese. Ela ressalta que “a motivação da visita, para além de identificar o Museu como espaço de pesquisa pela riqueza de acervo constituído por várias fontes, foi também para O dia teve atividades especiais, marcantes e emocionantes complementar o estudo sobre a história ambiental do nosso na vida dos alunos do 7º ano. Foi marcado por reflexões município a partir EM do livro de Gerhardt”. DE ONDA ONDA sobre “Nós crescemos. E agora?”, pela construção de uma AAlunos turmado recebeu orientações dos funcionários do MADP 9º ano estudaram ondas sonoras e linha de tempo coletiva da turma - com envolvimento sobre como pesquisar em documentos e imagens, bem eletromagnéticas. Momentos de vivência foram importantes prévio das famílias - e momentos de integração. como sobreà Rádio sua conservação. atinoorientações aprendizado.gerais Uma visita Progresso deComo Ijuí possibilitou car na prática dá a transmissão de vidade prática, verifi os alunos tiveramcomo queseselecionar algumas ondassobre via rádio. E também aula com músicaCada ao imagens Ijuí, que fazemrolou parteuma do livro estudado. FONTES vivo para entender propagação dasimagens, ondas sonoras. grupo trabalhou com acerca de cem previamente HISTÓRICAS selecionadas geraram vídeo selecionadas pelo pessoal do Museu, e escolheu entre seis Imagens O primeiro sapato. O livro com anotações do bebê. A certidão de nascimento. Objetos dos avós e coisas antigas em poder da família. Registros familiares importantes foram algumas das fontes históricas que os alunos do 6º ano levaram para a aula. Com elas produziram painéis com as histórias pessoais.

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Capa

Portas abertas para a memória O acervo do Museu Escolar do CEAP – MECEAP está novamente disponibilizado à comunidade. Depois de dois anos fechado, o Museu passou pela mudança de local e por uma reformulação em sua mostra permanente. Caracterizado, como o próprio nome define, por um acervo que resgata boa parte

da história da escola em seus diferentes estágios ao longo de 116 anos, o Museu Escolar tem no apoio pedagógico uma de suas finalidades primeiras. Mas também permite a quem o visitar transitar pela história da Comunidade Evangélica Ijuí e, também, de Ijuí e da imigração na região.

O harmônio utilizado por muitos anos na Igreja do Relógio está na Sala Albin Brendler, que agrega o acervo do extinto Museu da Comunidade Evangélica Ijuí. O MECEAP também tem documentos e periódicos importantes e raros, como exemplares inéditos do “Die Serra Post”. Equipamentos como projetores antigos de filmes mostram a evolução tecnológica ao longo dos tempos.

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Acervo novamente disponível à comunidade

Uma solenidade que iniciou na Sala 100, no clima da música do Conjunto Instrumental da escola, marcou a reabertura oficial do Museu Escolar do CEAP no final de abril. Convidados da comunidade escolar e externa participaram do ato e foram os primeiros visitantes do Museu em sua nova formatação. Nos últimos dois anos, duas pessoas em especial - e de forma voluntária - empenharam-se no trabalho de separação, identificação, reorganização, pesquisa, reordenamento, recuperação de acervo, entre outras tarefas: a ex-diretora da escola, Mônica Brandt, e a pesquisadora Márcia Krug. Em sua fala a professora Mônica ressaltou que a nova organização do Museu “vê centrada sua importância principalmente na questão da pesquisa. Pretende servir de apoio pedagógico para seus alunos e também para o público externo”. O diretor Gustavo Malschitzky disse que o momento era marcante para a escola “na medida em que a comunidade pode ver um Museu alegre, vivo, praticamente autoexplicativo, permitindo que a história do CEAP, da Comunidade Evangélica Ijuí, e de certa forma de Ijuí e da imigração nesta região, seja compreendida por quem o visita”. E ressaltou que com o grande acervo que o Museu conta “é possível aguardar surpresas em futuras exposições temporárias”.

As voluntárias Márcia Krug e Mônica Brandt reorganizaram o Museu e foram homenageadas na reabertura

Acervo exposto interessou primeiros visitantes

Comunidade prestigiou solenidade

Gustavo: museu vivo

Conjunto Instrumental deu o tom da solenidade

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Um museu vivo e alegre

A visita ao remodelado Museu Escolar do CEAP começa ainda no saguão externo. Nas paredes, seis painéis resumem a trajetória da escola, desde seu início, tendo a evolução predial como fio condutor, mas também revelando outros fatos marcantes. Compõe esta parte da exposição a réplica da Escolinha da Roça, primeiro prédio próprio do CEAP. Dentro do museu, propriamente dito, o ambiente é acolhedor e convidativo a um passeio pela história escolar. Imagens, documentos, livros e objetos de diferentes épocas falam por si só e despertam a curiosidade mesmo dos visitantes menos interessados. Os diferentes ambientes levam o visitante a circular por várias sessões, bem identificadas e quase que autoexplicativas. O MECEAP hoje está organizado nas sessões Ciências, Tecnologia, Artes Plásticas, Música, Galeria de Diretores, Livros Didáticos, Uniformes, Produções de Egressos, Literatura Infanto-Juvenil, Acervo Fotográfico e Midiático e Galeria de Troféus, além da Hemeroteca. O acervo do extinto Museu da Comunidade Evangélica Ijuí ganhou uma sala especial chamada Albin Brendler.

Documentos, imagens e objetos Tecnologia tem acervo interessante Objetos de celebração estão na Sala antigos despertam a curiosidade Albin Brendler

Espaço reúne diversas sessões

A música é um dos destaques das Artes

O começo há mais de 40 anos

Rolf Steinmetz

O CEAP inaugurava os prédios principais de salas de aula e setores administrativo e pedagógico da escola em 19 de outubro de 1973. Neste mesmo dia, e dentro das comemorações dos 83 anos de aniversário de colonização de Ijuí, era oficialmente inaugurado o Museu Escolar do CEAP. “O MECEAP nasceu por sugestão feita pela APPA” (a Associação de Pais, Professores e Funcionários do CEAP), revela o organizador do Museu em histórico produzido em 1986. Neste mesmo documento, classificava o Museu da escola como “do

tipo antropológico cultural”. Rolf Frederico Steinmetz, já falecido, era professor no CEAP, onde atuou por décadas. Museólogo, afirmava que o Museu tinha o objetivo de “oportunizar à Família CEAP uma visão histórica evolutiva da escola pelo seu acervo cultural, em salas de exposição e arquivo, a fim de conhecer melhor a escola”. Em sua pesquisa, descobriu que a escola chegou a ter um modesto museu no início dos anos 40 com minerais, insetos e plantas, incorporado, depois, aos laboratórios da escola.

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v Sala Pesquisa de Aula

MINHA, NOSSA CIDADE!?

DE OLHO NOS FUNGOS

Conhecendo fontes de pesquisa no Museu

O projeto da 2ª série do Ensino Médio levou os alunos à indústria da Cisbra, em Ijuí. Com um extenso roteiro de estudos, os alunos conheceram o sistema de qualidade da empresa, laboratórios e fábrica, além de relacionarem diferentes assuntos aos conteúdos de diversos componentes curriculares.

Observações a olho nu e com auxílio de microscópios permitiram aos alunos do 7º ano acompanhar a formação e desenvolvimento dos fungos. O estudo foi acompanhado de pesquisas sobre a importância dos fungos na alimentação e saúde, explorando aspectos positivos e negativos.

CAÇA AO TESOURO

UNIDADE DA VIDA

Alunos aprenderam a manusear acervo para pesquisa

Uma carta do Professor Procópio causou alvoroço nos pequenos do A exposição “Célula, a unidade da vida”, do 8º ano, foi a Tempos de Criança. Provocou-os para produzirem lunetas. Feita a tarefa, culminância estudos sobreas, o tema. As aulasdigitalizadas, práticas e oito. A partir dos dessas fotografi que foram Não foiosuma exposição temporária, oupista, mesmo acervo outra carta convidou para encontrarem uma que osolevou à permitiram uma melhor compreensão do assunto edo autor, os alunos produziram vídeos com base nas ideias de objetos da mostra permanente, que levaram os alunos da história “Caça ao Tesouro”, sobre uma divertida viagem ecológica. serviramquestões para a confecção trabalhos do que,mato, com material como ados derrubada extinção 1ª série do Médio Integral ao Museu Antropológico Diretor retratando reciclável,animais reproduziram células vegetais eda animais. e o rápido progresso Colônia Ijuhy a Pestana. Foi uma aula especial para conhecer diversas fon- de espécies

tes de pesquisa que podem ser consultadas naquele espaço. partir da intervenção humana. Orientados pela professora de Metodologia da Pesquisa, os DIA DE RETIRO alunos passaram boa parte da tarde conhecendo o acervo e manipulando documentos, mapas e fotografias. “Ao longo deste ano eles estão realmente aprendendo a pesquisar, e um dos suportes é o livro ‘História Ambiental de Ijuhy’, de Marcos Gerhardt, cujo estudo foi complementado com a ida ao Museu”, afirma a professora Mariluza da Silva Lucchese. Ela ressalta que “a motivação da visita, para além de identificar o Museu como espaço de pesquisa pela riqueza de acervo constituído por várias fontes, foi também para O dia teve atividades especiais, marcantes e emocionantes complementar o estudo sobre a história ambiental do nosso na vida dos alunos do 7º ano. Foi marcado por reflexões município a partir EM do livro de Gerhardt”. DE ONDA ONDA sobre “Nós crescemos. E agora?”, pela construção de uma AAlunos turmado recebeu orientações dos funcionários do MADP 9º ano estudaram ondas sonoras e linha de tempo coletiva da turma - com envolvimento sobre como pesquisar em documentos e imagens, bem eletromagnéticas. Momentos de vivência foram importantes prévio das famílias - e momentos de integração. como sobreà Rádio sua conservação. atinoorientações aprendizado.gerais Uma visita Progresso deComo Ijuí possibilitou car na prática dá a transmissão de vidade prática, verifi os alunos tiveramcomo queseselecionar algumas ondassobre via rádio. E também aula com músicaCada ao imagens Ijuí, que fazemrolou parteuma do livro estudado. FONTES vivo para entender propagação dasimagens, ondas sonoras. grupo trabalhou com acerca de cem previamente HISTÓRICAS selecionadas geraram vídeo selecionadas pelo pessoal do Museu, e escolheu entre seis Imagens O primeiro sapato. O livro com anotações do bebê. A certidão de nascimento. Objetos dos avós e coisas antigas em poder da família. Registros familiares importantes foram algumas das fontes históricas que os alunos do 6º ano levaram para a aula. Com elas produziram painéis com as histórias pessoais.

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DESAFIO DO DICIONÁRIO

O que é um verbete? O que significam as siglas em cada palavra do dicionário? Como se utiliza o dicionário? Essas perguntas foram respondidas na aula. Mas o jogo Desafio do Dicionário auxiliou, de forma divertida, os alunos do 5º ano a familiarizarem-se com o manuseio dos dicionários.

NA INFORMÁTICA

O processo de alfabetização dos pequenos do 1º ano se complementa com atividades no Laboratório de Informática. A cada 15 dias as crianças exploram jogos interativos que complementam estudos sobre sequências numéricas, letras iniciais ou junção de sílabas.

AUTOAVALIAÇÃO ON LINE

REPRODUÇÃO DAS PLANTAS

A galera do 4º ano tem acompanhado a cada dia a evolução de germinadores. E também fizeram um passeio orientado pela Trilha Ecopedagógica do Campo do CEAP. Conheceram plantas, suas sementes e a forma como estas se propagam, germinam e reproduzem a espécie.

PROFISSÕES

As turmas do Terceirão 2016 estão envolvidas com o Projeto Informação e Orientação Profissional. Uma série de conversas, como com a psicóloga Karinn Ghisleni, está acontecendo, num contato direto com profissionais de diferentes áreas.

Alunos de Língua Alemã sempre realizam uma autoavaliação ao final de cada unidade de ensino. Agora ela passou a ser on line a partir de uma ferramenta do Google. Agiliza a retomada de conteúdos e permite resposta pedagógica mais rápida.

CARTOON CHARACTERS

What is your favorite character? Essa era a pergunta que originou o trabalho em Inglês no 8º ano, que explorou o vocabulário das características físicas dos alunos. Eles descreveram essas características usando personagens de desenhos animados.

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CEAPzinho Álbum

Alunos do Terceirão aprovados na prova de proficiência em Alemão da Central de Língua Alemã de Köln, Alemanha, recebem o certificado com a professora Marlene Mueller.

Bernardo Costa, Laura Boufleuer, Laura Schmitt e João Pedro Groth dos Santos no 22º Encontro de Lideranças Estudantis da Rede Sinodal de Educação, em Horizontina.

Educação Infantil, um lugar para pensar O Conselho Deliberativo do GEMLI,

As crianças estão sempre perguntando sobre tudo o que (leia na página 4 o texto sobre a temática). E, na prática, estão formado pelos líderes de turmas do veem, o que acontece com elas e ao se turno redor.da E essa curiosidade botando a cabeça da criançada a funcionar! manhã, no dia da posse. precisa ser instigada para que elas reflitam sobre cada situação. Claro que tudo acontece pela brincadeira. Afinal, brincar é Em outras palavras, “pensar é divertido” - e ao mesmo tempo a linguagem da infância. Por isso as professoras tem clareza de muito importante. Então a provocação, na forma de convite, é que, para provocar os alunos a pensarem e refletirem sistemao “pensa comigo?”. Estas duas sentenças formam o slogan do ticamente, nada melhor do que ações lúdicas. Confira um pouProjeto Pedagógico da Educação Infantil do CEAP neste ano co do que está acontecendo nesta primeira fase do projeto.

“A Fada que tinha ideias”

Galerinha do Tempos de Criança indo às compras na Feira do Produtor.

Momento “Refletir”

Na rodinha, tendo ao centro uma vela como elemento simbólico, as crianças do Nível 5 tiveram uma conversa sobre o pensar. Foi o “momento refletir” das turmas. Eles também haviam curtido a história “Nicola tinha uma ideia”, de Ruth Rocha, que contribuiu para o diálogo. Em suas falas, as crianças dão pistas às professoras sobre o que elas sabem e, assim, auxiliam na mediação do conhecimento.

Uma cabeça cheia de ideias

A mascote do projeto “Pensar Uma contação de história muito especial reuniu é divertido! Pensa Comigo?” tem as crianças dos Níveis 1 e 2 na Biblioteca da escola. feito sucesso entre as crianças. Ele Diretoria eleita do Grêmio Estudantil As professoras Débora Martins, do Jogo Dramático e é um boneco com a cabeça cheia Monteiro Lobato – GEMLI para 2016 posa no Na Campanha Ninho Solidário, alunos do CEAP, Tiradentes e Rosane Hoffmann, da Hora do Conto, envolveram as de ideias. asda crianposse. EFA uniram-se arrecadação e doação de bombons doze E é claro quedia crianças com chuvanacolorida, nuvens fofinhas e boli- para Ijuí e região. nhosentidades de luz. A assistenciais encantadoradehistória escolhida foi “Bo- ças “abriram” a cabeça dele para linhos de Luz”, do livro “A Fada que tinha Ideias”, de conferir o que tinha lá. Ele tem ajudado as crianças a pensarem Fernanda Lopes de Almeida. sobre sentimentos e atitudes. No Maria Augusta Pais de novos alunos da escola na recepção do CEAP Nível 4 provocou a brincadeira “o Dama, Julia e da APPA no início do ano letivo. que é, o que é?”. Já as crianças do Porazzi, Nível 3 refletiram sobre atitudes Manuela legais e outras nem tanto. Casalini, Maria Antônia Bagetti e Alyssa Dirk, alunas do 5º ano, em visita a uma exposição sobre o índio no Museu Diretor Pestana.

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Márcia Krug, pesquisadora, com a filha Maria Eduarda, Stela Mariz Zambiazi Oliveira, diretora do Museu Diretor Pestana e a ex-diretora do CEAP Mônica Brandt.

Vice-diretora Deizy Soares (esquerda) e o diretor Gustavo Malschitzky em momento de homenagem às voluntárias Márcia Krug e Mônica Brandt que reorganizaram o Museu Escolar.

Egressos do CEAP de 2015 na inauguração da foto oficial da turma na Galeria de Ex-alunos.

Fernanda com os presentes do filho Enzo, a camiseta personalizada e uma rosa, na homenagem do CEAPzinho às mamães.

Professora Jorgina Oliveira, de Física, reencontra, no Museu Escolar, os foguetes do Projeto Ícaro, desenvolvido com alunos da 2ª série do Ensino Médio em 1999.

Mães e filhos na convivência que integrou a homenagem às mães dos Anos Iniciais: a partir da esquerda, Sílvia e Valentina, Marlise e Rafael, Fernanda e Alice, Luciana e Manuela, Ivana com Maria Clara e Maiara e Silvana e Valentino.

Alunos da 2ª série do Ensino Médio inauguram camiseta das turmas para 2016.

A turma do 7º ano na Casa de Retiros em dia de atividades especiais.

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Comportamento Escrevendo

O noite lugar dos celulares na sala de aula A sangrenta

Que os aparelhos multifuncionais que a maioria de nós tem mãos – que ainda chamamos simplesmente de Eu,em Rosália, minha irmã, Catarina e nossa prima Ana estávamos “celulares” – facilitam e agilizam muitas coisas, disso não em casa assistindo um filme do Indiana Jones numa noite chuvosa. temos dúvida. E éE bem possível que concordemos às Era Dia das Bruxas. a tensão aumentava no filme e a luzque, acabou! essestomou aparelhos nos conectam com tanta gente, Avezes, escuridão contaque da sala. O coração palpitando. E a lannos “desconectam” ou tiram nossa atenção daquilo que terna? a mais velha, fuipróximo. tremendoEncontrar até a cozinha. Pela janela ou Como de quem - está mais o equilíbrio, às dava para veré atão tormenta relâmpagos que cegavam e trovões vezes, não simplescom para os adultos. Para adolescentes que me impediam as meninas gritavam. De repene crianças, então,de o ouvir desafiooque parece ser maior. te, ainda antes de achar a lanterna, senti que o estava molhaNa escola, para que o aprendizado e ochão andamento das do. Seria chuva? O líquido parecia ser um pouco espesso. Liguei a aulas fossem melhores, a decisão foi de ajudar os alunos lanterna. para o chão. Ede gritei na buscaApontei pelo tal equilíbrio usoapavorada: dos aparelhos. O CEAP - Sangue!o Tem no chão.na sala de aula a partir do restringiu usosangue de celulares Vieram Catarina arrepiadas, arregalados. Um cheiinício do Ana ano eletivo, prática que olhos já vinha sendo adotada ro meio azedo no ar. O mar vermelho escuro no chão parecia sair como experiência em algumas turmas dede o ano passada despensa. do. Quando entram na sala, os alunos automaticamente - Tem um assassino aqui! – falei com uma voz pavorosa, altedepositam seus aparelhos, desligados ou no modo silenrada pelo medo. cioso, nos porta celulares, confeccionados especialmente Catarina, que tinha medo de ladrão, imóvel ouvindo os barupara isso. lhos dos copos de cristal da mamãe sendo estilhaçados: evita distração dos alunos -AÉ medida um ladrão, veioaroubar e deve estar feridodurante – disse. o processo de aprendizagem e está amparada em lei estadual, Ana, a menorzinha, apavorada, pensou que um zumbi poderia que proíbe a utilização de celulares em sala de aula. Entre ter “feito seu serviço” na despensa. os Aalunos não espiei há resistência quanto à norma. Noenxerguei recreio luz voltou, para dentro da despensa e não eles conferem mensagens e, naprateleira. volta à homem algum lápostagens, dentro. O riotrocam de sangue nascia de uma aula, desligam-se Prateleira de vinhos.por um tempo do seu quase inseparável celular. Os comentários entreestá os professores são positivos, - Meninas – falei – O líquido saindo da prateleira. especialmente no sentido de sentirem-se tranquilos não Catarina se abaixou, os pés já encharcados, a mãoem trêmula, terem a necessidade de arrepio ficarempassou constantemente verifi candoo encostou no líquido. Um pela espinha. Colocou dedo boca estão e anunciou: se osna alunos fazendo uso indevido do equipamento e, - É vinho! consequentemente, deixando de estar atentos à aula.

- Sério? – perguntei. - Jura? – Ana perguntou assombrada. - Sim, tecnicamente é vinho. Neste exato momento, o monstruoso, horripilante, monstro assassino de garrafas de vinho, ladrão de copos e quase zumbi, cruzou sem hesitar: um rato!!! Isto mesmo! Um rato na despensa quebrou uma garrafa, derrubou os copos e agora foi para a sala. Fechamos as portas. Subimos para o meu quarto, colocamos um pano debaixo da porta e... vamos esperar o grito de pavor da mamãe quando chegar!

Super Folha vs. Dr. Cinzento Ferramenta Essa história irá contar a maior das aventuras de um herói pedagógica chamado Super Folha, um herói destemido, corajoso, esper-

Helena Kuzli Aluna do 5º ano do Ensino Fundamental

Salas de aula ganharam caixinhas para guardar aparelhos

Fenômeno nas redes sociais

Tão logo foram instaladas nas to e muito ágil. Super Folha conta com a ajuda de seu meHá situações em que os alunos salas de aula da escola, as caixinhas lhor amigo Cara de Terra e juntos lutam contra seus arqui-isão incentivados a utilizarem os apapara receber os celulares viraram nimigos Dr. Cinzento e seu ajudante Bolota Preta. relhos celulares. Em determinados “celebridades” ao terem duas fotos Super Folha trabalha como guarda florestal no Parque trabalhos Ele pedagógicos, orienpostadas na fanpage do CEAP na Arvorevil. ganhou seussão poderes quando estava andando tados pelos professores para que internet. Em poucos dias as imapela floresta e um espinho cravou em sua mão. Era um espiutilizem os equipamentos como fergens ultrapassaram os 2 milhões nho de uma árvore mágica. Para não ser descoberto ele usa ramenta deFred pesquisa. “Por isso a dede visualizações, receberam mais o nome de Eduardo. cisão de ter portaEduardo celularesestava dentrotranquilo observando o de 13 mil curtidas, foram comCerto dia,osFred das salasquando de aula”, justifi ca o diretor partilhadas mais de 51 mil vezes parque, ouviu gritos. Ele correu o mais rápido que pode atéMalschitzky. chegar em uma moça que estava muito assustada Gustavo O CEAP buscou e receberam 684 comentários (de einspiração disse: - Arrá! – falou Super Folha – só podia você meu em escolas da Suécia que diversas partes doser Brasil e até do - Doisa homens do meio da mata com mo- arqui-inimigo. adotam medida aparecerem há algum tempo, exterior), quase todos positivos e tosserras e começaram Então alguns - Claro – provocou Dr. de Cinzento quem você achou também com sucesso. a cortar as árvores. apoio à –medida. Tecnologia também auxilia no aprendizado pássaros que estavam nas árvores saíram voando, mas um que fosse, o coelho da Páscoa? Ha ha ha. dos homens os pegou com uma gaiola e os dois sumiram Dentro da caverna, Super Folha e Dr. Cinzento lutam. no mato. Dr. Cinzento o ataca com uma nuvem de fumaça cinza, - Ok – disse Fred – dois homens que cortam árvores e mas Super Folha reage com uma ventania cheia de folhas. roubam pássaros. Vou fechar o parque até que eles sejam Depois de lutar muito, Dr. Cinzento está enfraquecido. encontrados. Vendo isso, Super Folha faz um laço de cipó e prende o Depois disso, Fred fecha o parque e liga para Cara de vilão, seu comparsa Cara de Terra prende Bolota em uma Terra. Os dois vestem suas roupas de heróis e saem à pro- gaiola de barro. Os dois heróis entregaram os dois vilões cura dos vilões. Logo chegam em uma caverna e encontram à polícia e o Parque Arvorevil abriu novamente os portões. Dr. Cinzento, um homem alto, magro e de óculos e com ele Tudo voltou ao normal graças ao Super Folha e Cara de Bolota Preta, um homem baixinho e bem gordo. Os dois es- Terra. tavam planejando destruir o parque e no lugar construir um Samuel Golnik Filho prédio de 37 andares. Vender os animais da floresta seria a Aluno do 6º ano do Ensino Fundamental fonte dos lucros para fazer o prédio. 06 - CEAP em Revista 18


Escrevendo

Estourando a bolha Compreensão de informações contidas em uma estrutura e transmitidas através de algum tipo de linguagem. Esse é um dos conceitos da palavra leitura. Ler corresponde, entretanto, a muito mais do que apenas assimilar dados. Pode-se dizer, acertadamente, que percorrer as palavras de um livro, um artigo ou um ensaio, nos leva até o conhecimento. Conhecer, por sua vez, traz enriquecimento. A problemática está na rejeição que o hábito de ler vem sofrendo ao longo dos anos. Quando alguém manuseia seu livro preferido, se transporta para um universo totalmente diferente: o universo que sua imaginação se encarrega de criar. É por meio da leitura, como já é sabido, que estimulamos nosso cérebro e adquirimos novas maneiras de pensar e interpretar. Assim, é possível obter opiniões e ideias acerca dos mais diversos assuntos e expô-las, coerentemente, em conversas diárias. Quem lê sempre está um passo à frente da maioria. Recusar a leitura é como ficar preso a uma bolha na qual não se acessa a informações, não se ouvem ideias alheias e

não se é capaz de ter argumentos sólidos para debater logicamente. Ou seja, é estar no escuro. Com o advento de novos meios de comunicação, como a internet, e de novos aparelhos, há mais plataformas de leitura e modos de fazê-la. Não é o que busca, contudo, a maior parte das pessoas. A grande pressão para que os jovens leiam pode aumentar seu desinteresse e distanciá-los desse hábito importante. Não existe solução para a falta de leitura senão incutir a necessidade de “estourar a bolha” e ampliar os horizontes. Adquirir conhecimento é adquirir um tesouro que não pode ser roubado por ninguém; é estar aberto às diversidades e a novas experiências. Manter leituras constantes é, junto ao saber, a chave para transformar o mundo no que sempre sonhamos: um lugar cujas relações são pautadas pelo respeito e pelo entendimento. Ingrid Accioly Adrião Aluna da 3ª série do Ensino Médio

O sentido de pertencer O ufanismo é a vangloriação de um país, é o patriotismo exacerbado. Essa característica influencia o indivíduo no aprimoramento de sua identidade nacional, uma vez que o sentimento de pertencer a uma nação contribui para o envolvimento do cidadão nas questões políticas e sociais. Dispensar-se dos assuntos da sociedade, em contrapartida, leva ao comodismo, situação inaceitável em um Estado Democrático. Para além de uma crise política e econômica, o Brasil vive um período de carência de alguns valores por significativa parte da população. Uma evidência disso é o reconhecimento e a admiração da ação quando alguém pratica atos moralmente corretos. A indigência de indignação diante das atividades de certos representantes é outro ponto que deve ser abordado, pois é através do espanto perante devidos acontecimentos que o povo coloca-se frente à ética nacional e clama por melhorias. O cidadão é responsável, através do envolvimento na identificação nacional, por não deixar a nação cair em “mãos erradas”. Ele, então, não deve isentar-se da influência que exerce para o rumo do Brasil. Encarar uma posição passiva pode ser prejudicial para a convivência política e social. Participar ativamente, em contrapartida, das relações cotidianas, contribui para o melhor desenvolvimento brasileiro. Já dizia Pierre Corneille, dramaturgo de tragédias francesas, em uma de suas reflexões: “Antes de vos pertencer, pertenço ao meu país”. A população deve ter maior consciência de seu papel na consolidação da democracia do país. Participar ativamente das questões públicas e fiscalizar as atividades dos representantes do governo é um passo para a obtenção de respostas satisfatórias para a harmonização social. A educação é a base para haver uma ressignificação dos valores morais para o combate aos corruptos e desonestos. Medidas incentivadoras da cultura educacional, portanto, são necessárias, pois proporcionam aos indivíduos uma qualificação mais digna e uma visão mais dinâmica dos fatos coletivos. Anna Laura Ribas Aluna da 3ª série do Ensino Médio

CEAP em Revista - 19


Tecnologia Sala do Professor

Educação tecnológica empolga alunos de Robótica

O boneco Nicolau instiga as crianças com suas ideias

A rotina das terças-feiras para mais de trinta alunos do CEAP incluiu uma aula de Robótica. São as primeiras turmas da atividade extracurricular que voltou a ser oferecida na escola a partir desse ano. Basta uma passada na sala onde acontecem as aulas para perceber a animação, empolgação e concentração dos alunos nas tarefas, independente da faixa etária. As turmas envolvem alunos do 2º ao 7º anos do Ensino Fundamental, divididas por idades. Ainda no início, alguns resultados positivos já podem ser identificados. “Eles têm surpreendido na questão da montagem e compreensão da lógica da programação neste curto espaço de tempo em Alunos testam elevador montado em aula de Robótica que estamos tendo aulas”, conta a professora Elizete Breunig Klagenberg, da Robomind. A cada aula os alunos são instigados a utilizarem e desenvolverem diferentes habilidades. “E o que se trabalha na RoNas aulas o trabalho é sempre em equipe. bótica não são conteúdos completamente Cada um tem uma função: organizador, consisolados do que eles estudam na escola”, trutor ou programador. Eventualmente a prosalienta Elizete. “E eles percebem fortegramação é conjunta. Na aula desafio, a cada mente a relação do que estão aprendendo quatro encontros, todos são responsáveis na aula com a Robótica, com depoimenpelo kit completo. tos Por do tipo faz esse que‘aa gente chuvatambém cai? Onde nascetipo o arco-íris? Como surge o elegeram alguns conceitos, como generosidade, solidariedade, lide coisa’. Hoje, exemplo, os pequenos vento? Por quepor à noite fica escuro? Estes e muitos outros são os berdade, respeito, entre outros, para no decorrer deste ano abormontaram um moinho. A cada passada da questionamentos das crianças no cotidiano da Educação Infan- darem em momentos preparados à reflexão. Esses conceitos relahélice era feita uma contagem, num cálcutil. A curiosidade permeia as falas e as ações nesse período do cionam-se a assuntos e atitudes que refletem a condição humana, lo que envolvia tempo e quantidade. São Elizete: evolução surpreendente desenvolvimento e ao educador da infância compete mediar e a abordagem sobre os mesmos gera situações interessantes de coisas que eles trabalham na Matemática”. potencializar essa manifestação. diálogo, possibilitando desconstruir ideias, fazer pensar criativaNa introdução de novos conteúdos da Robótica, os alunos estudam para que é utilizado Por isso, e no intuito de intencionalmente qualificar as intermente, comomas também aquele equipamento, onde existe, como funciona. “Nunca é apenas uma montagem, um realizar novas e diferentes associações, as venções pedagógicas relacionadas ao pensar, o grupo de profesquais podem colaborar para que as crianças aprendam a pensar assunto atrelado a algum conteúdo que eles estão trabalhando em aula”, revela a professora, soras do CEAPzinho desafiou-se a imprimir cotidiano escolar umaa lógica aprimorada e sejam subjetivadas por elaborações enquanto ajuda os alunos na montagem de umno elevador de carga, que em tiveram oportunidaaprendizados do campo da filosofia. A experiência de uma escola que emergem dessas discussões. de de conversar sobre seus usos e aplicações no cotidiano.

Trabalho em equipe e divisão de tarefas

Pensar é divertido! Pensa comigo?

francesa, compartilhada no documentário Ce n’est qu’un début No período que compreende a Educação Infantil a brincadeira (Apenas um Começo) e estudos teóricos preliminares tem sido é a linguagem que permite à criança interagir e manifestar-se, por importantes para as elaborações relacionadas ao Projeto desse isso a dimensão lúdica da prática educativa é apropriadíssima para nível de ensino, para o ano de 2016: “Pensar é Divertido! Pensa desenvolver reflexões filosóficas sistemáticas. Por isso, a escolha por Comigo?”. umquem elemento mágico para desencadear diferentes atividades com Eduardo Zanchet Gomes, as aulas são muito quer investir A utilização dos kits tecnológicos e a se- Juliana Etgeton diz que “para Entendemos o ato de pensar é próprio daramo natureza hu-é uma as turminhas. O boneco apresentado como estou Nicolau, inspiraçãoa ad“porque aprendendo trano futuro boa experiência. E interessantes quência das aulasque normalmente desperta a nesse mana,mas pensardasobre o que setampensa érequer um aprimohistória Nicolau Tinha de Ruth Rocha é com um balhar em uma grupoIdeia, e dividir conhecimento uma ótima preparaçãovinda para odafuturo. A imcuriosidade que dos alunos Robótica, que colegas”. No ideias aprendizado da montagem portância da tecnologia hoje é muito grande, bém vão desenvolvendo e comperamento dessa lógica habilidades e, então, uma abordagem filosófica, per- menino que vive com ameus cabeça cheia de e, ao contá-las para programação de robôs, ele percebe que entãocolaborar esse contato é importante”. tências como resoluçãoe de problemas, iniciatimeada pelo diálogo pela investigação. Isso pode para as crianças as contagia,einstigando o pensar criativo. “tem muita lógica Robótica, cada peça o aluno do Fundamental, organização, interpretação, raciocínio com lógi- vistas Para ava,(re)significação da prática docente, à promoção de5º anoOdoProjeto da Educação Infantil parana2016, querpois progressivado robô tem função a programação co e trabalho em equipe. “O que maisàs ouço os novas situações de aprendizagem crianças. mente, através do movimento queuma coloca em edestaque o ato faz de com que as peças se movam dandocognitivas sentido ao paisPara comentarem, principalmente em escolas LORIERI (2002), referenciando Lipman, grande estudioso pensar, estimular a criança a desenvolver habilidades robô”. A mãe de de relevância, Eduardo, Ruth, revela que o onde desenvolvemos a atividade há omais tem-“o ser humano é o ser importantes, a partir de da Filosofia e da Educação para Pensar, temáticas como também que se destaca até o momento é a curiosidade po, é que os alunos melhoraram a concentrapensante e sabe que, quanto melhor puder pensar, melhor pode- consolidar na prática pedagógica docente essa abordagem. do filho. E acrescenta que ele entrou na Robóçãoorientar em outras a professora rá suaatividades”, vida, alémrevela de produzir melhores explicações sobre tica “para desenvolver as potencialidades que Elizete Klagenberg. a realidade e sobre si mesmo. ” Professora Deizy Soares esse curso requer, como a concentração, foco e Mesmo em poucos meses, as famílias já Nesse movimento de pensar sobre porque pensamos dessa Vice-diretora do CEAP e disciplina. Mas ela também ajuda a sistematizar percebem algumas mudanças nos filhos. Mãe e não daquela forma, os diferentes níveis da Educação Infantil Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil

Lógica, concentração... O que vem com os robôs

da Laura Vione, do 7º ano, Cristiane já trabalhou em uma escola em outra cidade com Robótica, que, para ela, “desperta uma visão diferente da tecnologia, da ciência. Sei o quanto vai fazer com ela cresça, também, com relação às outras disciplinas. E já percebo a Laura com concentração maior, menos estressada nos estudos. Estou bem feliz”. A filha comenta as aulas com empolgação: “a gente aprende a construir os robôs e alguns conteúdos de forma mais prática. Por exemplo, a gente aprendeu na prática o que é atrito”. Ela também ressalta os possíveis usos da Robótica para auxiliar pessoas com problemas. Já a colega de aula e também de Robótica 04 20- CEAP - CEAPem emRevista Revista

noções de Informática, Matemática, Física e outras disciplinas”.

Laura: prática é importante

Montagem e programação exigem concentração


Liderança

Escola investe na formação da “boa” liderança Para além do acompanhamento durante todo o ano que a escola dá para os alunos que exercem cargos de liderança na escola, uma atividade específica de formação foi desenvolvida para provocar reflexões sobre proposições, encaminhamentos coletivos e administração das dificuldades no exercício da liderança estudantil. O Seminário de Lideres do CEAP, promovido pela Orientação e pelo Pastorado Escolar, reuniu líderes de todas as turmas da escola, mais os integrantes da diretoria do Grêmio Estudantil. “Quando a gente fala em formação de liderança estudantil, o objetivo é construir conhecimentos de valorização do outro e de uma sociedade melhor, começando pelo seu grupo da escola”, disse a professora Enedina Casalini, orientadora educacional, na abertura do encontro. Segundo ela, como as ações dos líderes exercem influência sobre os outros, “se nos preocuparmos em formar lideranças, especialmente na adolescência, existe a possibilidade de mudarmos comportamentos. Por isso a atividade do picolé da ética (ver matéria abaixo)”. Em um dos momentos do encontro, o professor de Filosofia e Sociologia, João Cavalheiro, fez uma palestra provocação aos líderes. Usando o

conto “A igreja do diabo”, de Machado de Assis, conversou com os alunos a respeito das relações e da ética. “Em tempos de descrença e desconfiança generalizadas, não esquecer que estamos entre pessoas e que elas são diver- Seminário para refletir sobre a liderança sas, contraditórias, imprevisíveis, humanas, é fundamental”, afirma o professor. “A maioria das pessoas é boa, Na manhã de trabalhos, os alunos líderes oufaz o que se espera delas, é honesta, viram o compartilhamento de experiências de é gente boa. A dinâmica do picolé da colegas que estiveram no encontro de lideranética mostra isso, se soubermos ver ças da Rede Sinodal, participaram de dinâmicas bem. Alguém já disse ‘prefiro ser traído e discutiram alterações no estatuto do Conselho a desconfiar de todo mundo’. Um líder Deliberativo do GEMLI, que é formado pelos confia, acredita no ser humano”. líderes das turmas. Os alunos aprovaram o Seminário. “Esse evento ajuda a melhorar a convivência dentro da escola. Assim todos se unem e conseguimos ter lideranças e atitudes melhores”, é o depoimento da líder Laura Schmitt. Para o presidente do Grêmio Estudantil, Arthur Weiller Furlanetto, a atividade foi “importante para desenvolver a prática de socializar o que cada um pensa e para promover a proximidade dos líderes com o Grêmio Estudantil”. Já para Bernardo Costa, a contribuição foi no sentido de “a gente ter mais ideias para saber liderar melhor”.

Liderança melhor

João: líder confia no ser humano

Pegue e pague: o “picolé da ética” Alguns dias antes da realização do Seminário, uma experiência inicialmente desenvolvida em uma universidade paranaense foi colocada em prática no pátio da escola. O “Picolé da Ética” funcionou como uma pesquisa de campo, segundo o pastor escolar Luciano Miranda Martins, cujos resultados foram utilizados nas reflexões com os líderes estudantis. Ao lado de um freezer cheio de picolés, um cartaz anunciava o valor de cada um, de R$ 1,00. Ao lado, uma caixinha de vidro para o depósito do valor correspondente. E ninguém para vender ou receber o dinheiro. “A experiência chamou a atenção dos alunos, primeiro pelo simples fato de que não havia ninguém para cuidar ou cobrar. Foi uma experiência legal em que tentamos provocar a reflexão sobre o caminho correto, da honestidade”, diz o pastor escolar.

Em dois dias foram consumidos 800 picolés. A maioria fez o pagamento. Em torno de 13% dos consumidores esqueceram-se de fazer o depósito.

Grande maioria dos alunos entendeu a ideia

CEAP em Revista - 21


Perspectiva Onde andam?

De campeão na Ginástica a engenheiro no Texas

Uns descem, outros sobem. Para fazer o oposto outra vez. E de novo. Tropeçando ou caindo, às vezes. Levantando sempre. E das descidas e subidas Trazemos da inocência infantil Sem nos dar conta Um aprendizado para a vida toda. André da Rosa Eliton mata as saudades no pátio da escola

Em férias na empresa ERM, mul- professores da Universidade, “mas tinacional que presta consultoria e lembro dos professores do CEAP: serviços na área ambiental e onde Ireneu, Paris, Eliete, Jorge, Cesar, trabalha atualmente nos Estados Enedina, Liliana, Claudete, Mônica, Unidos, Eliton de Lima da Luz este- Renato ‘Bobeira’, Dirceu, Marlene, ve no CEAP para matar saudades. Erika, Mauhs... A escola nos formata “A primeira lembrança é dos desfiles de tal forma que nem a Universidade 7 de Setembro. A gente desfilava de consegue ter tanta influência. E o segurando balõezinhos. E na Sema- CEAP me ajudou a passar no vestina da Escola a gente tinha aquelas bular, a enfrentar a vida, me preparar gincanas do GEMLI, fazia nossos QGs para correr atrás das coisas e ver que no pátio da escola. Na 1ª série do o mundo não é tão pequeno, mas Ensino Médio nosso QG, o ‘Fusca do grande. A base de educação que o Itamar’, ganhou o prêmio de melhor CEAP dá ajuda a enfrentar todas esQG”, lembra o ex-aluno, que estu- sas coisas. É um privilégio ter estudou de 1985 a 1997. “Aquela semana dado aqui”, conta, lembrando que o toda de atividades de integração en- pai, Antônio da Luz, funcionário da escola até hoje, “sempre exigiu que tre as turmas era interessante”. O esporte, para ele, sempre foi continuasse estudando no CEAP, um destaque da escola. Praticou mesmo eu querendo sair, às vezes. voleibol, basquete e ginástica. “Fui Hoje olho pra trás e vejo que ele esCampeão Estadual de Ginástica tava certo”. Depois da escola, o ex-aluno curOlímpica em 1992, no JIRGS, orientado pelo professor Cesar Flores”, con- sou Engenharia Civil na UFSM. “Passei ta. Também disputou, pelo basquete, na primeira tentativa no vestibular”. as Olimpíadas Evangélicas em Pa- Depois trabalhou em Belo Horizonnambi, em 1996. “Ficamos em 3º lu- te em uma empresa de mineração, gar no Infantil”. No recreio o esporte em Porto Alegre em outra empresa também estava presente de alguma de consultoria ambiental e mais seis forma. “A gente jogava futebol com anos em São Paulo na mesma emCrianças do Nível 2 curtipresa ndo uma Campo do CEAP ondetarde atua no hoje. Casado, vive bolinha de tênis ou papel enrolado, já que era proibido trazer uma bola”. em Houston, no Texas, EUA. Sobre os estudos, chama atenção de Eliton o fato de não lembrar os nomes dos

s aulas na o ss ce su s, go an fr os m co so as Frac A vida escolar foi no Colégio Evan- “A turma começou a gostar das aulas e

Ehlard Dalke em recente visita ao CEAP 22 - CEAP em Revista

gélico em Panambi. Anos mais tarde, depois de uma experiência profissional em Porto Alegre, veio tentar a sorte em Ijuí com um aviário. “Em um dia morreram 600 frangos. Não tinha prática nem conhecimento para dar conta daquilo”, lembra o ex-professor do CEAP. “Eu estava quebrado e precisando de emprego”, conta Ehlard Dalke. Foi quando uma visita inesperada mudou o rumo das coisas em 1958. O irmão do então diretor da escola, Arno Sommer, Lothar, que o conhecia de Panambi, onde havia sido professor e se formado contador, chegou para uma visita. E o diretor, que Dahlke sequer conhecia, foi logo dizendo: “Dahlke, é o seguinte: se tudo isso for verdade que o Lothar está me contando sobre você e o que tu sabes fazer, você tem que ir até a escola para nós conversarmos. Amanhã vá lá, mas vai vestido descentemente, com uma fatiota e com gravata”. No dia seguinte estava empregado, assumindo a parte administrativa da escola no lugar de um casal que havia ido embora. Meio ano depois começou a dar aulas no Ginásio e no Curso de Técnico em Contabilidade. Introduziu novidades, com aulas teóricas e práticas.

fiquei famoso porque tinha mudado o sistema de ensinar contabilidade”, lembra, com orgulho. Também inovou com uma prova com consulta, mas difícil. “Os alunos ficaram das duas até depois das seis da tarde trabalhando”, lembra. Com o tempo acabou assumindo a direção do internato. “Eu sei lidar com gente. Começaram a vir rapazes da fronteira, do campo, atrás de internato. A notícia que se espalhou era a de que o CEAP tinha um professor ‘caxias’ mas que a escola funcionava. Em um ano passou de 30 para mais de 100 alunos no internato. Eu era duro. A primeira combinação que fiz foi que aguento desaforo de piá, mas de adulto de 17 anos não”. E fez a combinação com os alunos de que na sexta à noite podiam sair, mas às dez e meia precisavam voltar. “E o dormitório era sagrado”. “Nossa equipe de professores era dura na aula, mas democrática fora da aula. Era uma equipe bem preparada”, lembra. O professor ficou na escola até 1974, período em que também foi treinador de Voleibol e Basquete. Foi empresário e diretor do Colégio Soares de Barros à noite, enquanto era professor no CEAP. Atualmente, aos 81 anos, reside em Jataí, Goiás.


Ceap em Revista nº27  

Memória: Museu Escolar reaberto