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Edição nº 15

QUANDO A AGENDA TIRA O TEMPO DE BRINCAR Um alerta para o excesso de compromissos na infância e adolescência


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expediente

Seria possível uma “metade” ser menor que a outra? Não. Mas costumamos dizer que o segundo semestre do ano “passa mais rápido”. Matematicamente pode haver uma explicação, já que o segundo semestre letivo começa em agosto, ou seja, um pouco mais do que a metade do ano. Mas o que isso tem a ver com nossa CEAP em Revista? O fato de essa parada de agora, das “férias de inverno”, ser, talvez, o último momento mais tranquilo para avaliarmos o que aconteceu até agora, projetarmos e reajustarmos planos para o que vem pela frente até o final do ano. Como, por exemplo, a agenda de nossos filhos. O tema de capa da nossa revista nesta edição é muito pertinente. Faz pensarmos sobre o que, realmente, significa “aproveitar bem o tempo” das nossas crianças e adolescentes. E é a isso, a fazer pensar, que desde seu início esta revista tem se proposto, prioritariamente. E esta edição convida, também, a pensarmos sobre outros assuntos, como sobre nossas limitações, no Pense Nisso, aqui ao lado, sobre como as crianças veem os fenômenos naturais, no texto da Coordenadora Pedagógica, sobre o que e quanto estamos lendo, em uma página inteira dedicada à Biblioteca da escola – e sua reestruturação. Os alunos também propõem muitas reflexões, seja Escrevendo, uma editoria apenas com textos deles, seja através das atividades pedagógicas que estão desenvolvendo, comtempladas em várias páginas nesta edição, especialmente no Mural e Álbum. Olhar para trás também nos faz refletir. Memórias, reencontros, comemorações de formatura, o que diz quem passou pelo CEAP em outras épocas... Tudo isso está na CEAP em Revista desta vez. O trabalho desenvolvido pela APPA, e o constante crescimento de participação de pais nas ações diretas da Associação, está em análise no espaço de Entrevista. E a campanha “Obrigado, Professor...” ganha um espaço que tende a se consolidar na CEAP em Revista. Resta desejar a você uma boa leitura, boas reflexões, enfim, uma “parada produtiva”, ainda que não seja com férias, mas ao menos com um tempo para ler e avaliar.

CEAP Em REvistA Nº 16 – Julho de 2013 Publicação do Colégio Evangélico Augusto Pestana Edição: Assessoria de Comunicação do CEAP Projeto Gráfico: Z Comunic Diagramação: Cia da Arte Jornalista Responsável: André da Rosa Fale com a redação: imprensa@ceap.g12.br

Nossas Limitações! Até onde vão os seus limites? Todos nós sabemos que a vida tem, ou impõe, seus limites. Não somos eternos. Por que nos iludir? O dia não tem mais que 24 horas. Não temos uma fonte inesgotável de energia. Os limites são reais e eles são nossos aliados para superar desafios. Vivemos numa era sem precedentes. Nossa época é diferente das anteriores qualitativamente e também quantitativamente. Em 1980, havia em média 12 mil itens nos grandes supermercados. Hoje, são mais de 30 mil, não contando com as variedades do mesmo produto com rótulos diferen-

tabeleceu limites e os colocou dentro de nós e o fez para nossa proteção. Quando os ultrapassamos, colocamos a própria vida e a dos outros em perigo. Veja como é fácil reconhecer a extrapolação dos limites físicos. Uma sala de estar é agradável quando possui assentos suficientes para acomodar nossos convidados, mas ela se tornaria inviável se tentássemos ocupá-la com uma quantidade de poltronas ou cadeiras que ultrapasse seu espaço físico. O excesso de mobília torna o ambiente incômodo e impróprio para receber nossas visitas.Igualmente, cada pessoa tem seu limite de tolerância. A extrapolação resulta em ansiedade, hostilidade, depressão ou

tes. Os assinantes de alguns pacotes da TV paga podem escolher assistir a centenas de filmes a cada mês. Conforme o leque das escolhas se amplia, aumenta a possibilidade de ficarmos sobrecarregados e ao invés de nos libertarmos, as escolhas nos aprisionam, entediam e debilitam. Alguém pode até justificar afirmando: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). Mas eu pergunto: Isso significa que você pode voar? Você não pode voar e nem ficar seis meses sem comer. Tampouco ter saúde ficando o tempo todo sobrecarregado. Deus não pretendia que essa verdade bíblica servisse de pretexto para um comportamento desenfreado. O Criador es-

ressentimentos. Os sintomas se estendem para úlceras, gastrites e crises nervosas. Não é vontade de Deus que fiquemos sobrecarregados continuamente. Ele sabe que quando ultrapassamos os limites corremos o risco de nos tornarmos pessoas infelizes. Já estamos na metade do ano e rogo a Deus para que Ele tire de dentro de nós o desejo de sermos“superhomens ou super-mulheres”, usando como desculpa o pensamento de que “posso todas as coisas naquele que me fortalece”. A verdade é que temos limites e eles são para nosso bem. Portanto, vivamos dentro dos limites. Luciano Miranda Martins Pastor Escolar do CEAP


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Informação e conhecimento - desafios para a sala de aula De onde vêm as explicações que as crianças trazem para a escola, quando o assunto em pauta se relaciona à natureza e seus fenômenos, por exemplo? Ao abrir os olhos, pela primeira vez, começamos um processo que vai durar a vida toda – apreender o mundo social e aprendê-lo. A apreensão acontece a todo instante desde o olhar despretensioso de foco até a “explicação” sobre os fenômenos, normalmente baseada em hipóteses pessoais. Relatam os estudiosos da infância que inicialmente o conhecimento do grupo de convivência mais próximo da criança, a família, era espaço pedagógico suficiente para que ela aprendesse sobre seu entorno a partir das explicações empíricas dos adultos. Quando as explicações se tornaram objeto de estudo de filósofos, físicos, químicos, matemáticos, entre outros, os modelos para representação dos fenômenos passaram a ilustrar as explicações de um modo mais fundamentado. Assim tornouse insuficiente o conhecimento do primeiro círculo de relações da criança e houve a necessidade de um lugar para que o conhecimento mais elaborado fosse transmitido de forma organizada. Esse lugar é a escola. O processo lento de transformação de uma hipótese em conhecimento se arrastava por muitos anos. Após a validação de um novo conhecimento, sua divulgação universal se estendia por um tempo longo, especialmente pela lentidão dos processos da mídia impressa e do acesso das pessoas aos meios de informação. Nos últimos anos, os avanços tecnológicos em todas as áreas contribuíram enormemente para mudar a relação das pessoas com o conhecimento, principalmente no que se refere ao tempo de validação e divulgação de novos conhecimentos ou explicações a respeito de fatos e fenômenos, e também ao acesso das informações.

Nesta nova relação pessoas/conhecimentos é preciso destacar o acesso das crianças e as suas formas de apreensão e devemos nos perguntar novamente: de onde vêm as explicações que as crianças trazem para a escola? Sujeitas ao bombardeio de informações novas ou renovadas por outras explicações, as crianças da atualidade leem, ouvem e falam sobre os mais diferentes assuntos, o que significa que o seu repertório de informações é amplo. Uma segunda pergunta se faz necessária: as crianças são capazes de transformar a informação em conhecimento? Promover formas para que o repertório de informações apreendidas gere conhecimento sistematizado, capaz de ensinar as crianças a compreender o mundo, é desafio que se impõe aos professores, que devem se manter em constante aprendizagem, formando-se continuamente com foco nas demandas pedagógicas propostas tanto pelo currículo quanto pelas necessidades evidenciadas pelos alunos. Com o propósito de atender a dois objetivos - primeiro, de contribuir para a revisão das estratégias de ensino utilizadas em sala de aula e, segundo, de promover a transformação da informação em conhecimento pelos alunos - uma sequência de oficinas de atividades práticas de conteúdos das Ciências da Natureza foi desenvolvida com professoras do 1º ao 4º anos do Ensino Fundamental do CEAP, sob a coordenação da professora de Ciências Ângela Gutnechtk. O processo desencadeou a revisão

Avaliação do grupo de professoras é positiva

Professoras em uma das oficinas práticas de Ciências

dos conceitos que as professoras já haviam elaborado, a partir de modelos construídos em situações anteriores, seja em seus cursos de formação inicial, seja no próprio exercício profissional; e consequentemente a forma de abordagem dos conteúdos propostos para estes anos de escolaridade. As atividades propostas mediadas pela teoria, sempre trazida de forma bem acessível pela professora Ângela, permitiu que as professoras alunas logo colocassem em prática as orientações trabalhadas. E os resultados também foram imediatos às primeiras atividades. Os alunos passaram a trazer perguntas, curiosidades e explicações, especialmente sobre o meio ambiente, seus seres e formas de vida. Ao final deste primeiro ciclo de oficinas, as professoras avaliaram o processo e os resultados iniciais como bastante positivo tanto no que tange à sua formação continuada quanto às possibilidades de intervenção pedagógica sobre as informações que os alunos trazem, que atualmente são apreendidos nos diferentes círculos de convivência e em muito, pelo acesso às diferentes fontes de comunicação.Assim, podemos concluir que as informações trazidas para a sala de aula contribuem para a estruturação do conhecimento, e este, por sua vez, contribui para a apreensão de novas informações estabelecendo redes. Mariluza da Silva Lucchese Orientadora Pedagógica do CEAP


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Uma gestão de envolvimento na APPA “Entidade que faz a ligação entre as famílias e a escola”. Essa expressão é normalmente usada para definir o que é, ou deve ser, a Associação de Professores e Funcionários do CEAP – APPA. Mas está cada vez mais longe da retórica e próxima da realidade. E uma realidade em que as famílias realmente tem buscado envolvimento com a escola dos filhos, através das ações desenvolvidas, ora propostas pela própria APPA, ora pela escola ou órgãos representativos dos alunos e professores, mas com a parceria da APPA. A presidente Tânia Arbo Persich avalia esse crescimento do interesse participativo das famílias e fala das ações que vem sendo priorizadas. O envolvimento de um número significativo de pais com a APPA e, consequentemente, com a escola, tem crescido nos últimos anos. É um fato positivo. A que se deve esse novo fenômeno? Confesso que num primeiro momento tivemos que investir em ações que despertassem o interesse das famílias. Contávamos somente com a diretoria e pouquíssimos pais. Atualmente podemos dizer que a cada ano temos mais famílias participando, se agregando à APPA. Costumo dizer que hoje a APPA não se resume em Presidente, vice-presidente, secretária e tesoureiro; hoje a APPA é composta de pais que atuam assiduamente das atividades e ações. Qual é, na visão da APPA, a importância do envolvimento das famílias com a própria Associação e na escola? Além do envolvimento com ações de âmbito geral da Escola, a participação das famílias traz a possibilidade desses pais atuarem ativamente da vida escolar do seu filho, ou seja, contribui para a ampliação do desenvolvimento das aprendizagens de cada criança. Ao participar das atividades da APPA estaremos um pouco mais perto da vida escolar dos nossos filhos, contribuindo com a proposta da escola, Que ações tem sido feitas no sentido de aglutinar os pais, incentivá-los a participar... Como a APPA promove essa participação/integração? A APPA visa ações que provoquem cada vez mais o envolvimento das famílias com a Escola, tais como a participação no

O núcleo da equipe que está na coordenação da APPA: Neusa Ott, tesoureira, Guilherme Fengler, vice-presidente, Tânia Persich, presidente e Maristela Casagrande, secretária.

Tânia Arbo Persich

Projeto “VIVA a Infância”, Chá em homenagem às Mães, almoço em homenagem aos pais, Festa Junina, participação no desfile de 7 de Setembro, Bazar Infantil/Mercado das Pulgas, homenagem aos professores e funcionários e reuniões periódicas. Além da relação APPA/escola, ultimamente tem acontecido uma intensificação nas parcerias entre a Associação de Pais com o Centro de Professores e Funcionários da escola e com o Grêmio Estudantil. Qual o significado disso? Essa integração é um processo natural, pois estes colegiados representam outros segmentos da escola. Trabalhar em parceria com Centro de Professores e Funcionários e Grêmio Estudantil, traz grandes benefícios para a comunidade escolar, na medida em que nos proporciona um canal aberto com esses segmentos. Outro aspecto positivo é a relação intensificada e sintonizada entre a APPA e a direção da Escola, proporcionando trocas de idéias e experiências. O que a APPA tem elegido como prioridade hoje? Onde e no que investe recursos, envolvimento, trabalho, e por quê? A nossa prioridade é continuar mantendo a dinâmica de interação e diálogo intenso, ouvindo as famílias em relação às demandas da comunidade escolar. Essas demandas não são somente na esfera material, mas também em parceria com a Escola, através de ações que contribuam com o aprendizado. Adquirimos brinquedos para uso no recreio das crianças no CEAP, investimos na reforma da pracinha da Educação Infantil e na ventilação do ginásio junto ao CEAPzinho – estas ações em parceria com a escola – e também auxiliamos financeiramente os professores na participação em eventos de formação.


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O gigante foi à luta A geração Z sempre foi muito criticada por ser uma geração parada, que não queria saber de nada a não ser ficar em frente à televisão, computadores e celulares. Porém a história muda, os jovens saíram às ruas por um objetivo em comum: mudar o Brasil! A frase “o gigante acordou” define tanto esse movimento quanto esta geração. Nas últimas semanas, vimos milhares de jovens mobilizarem-se e se organizarem por meio das tão criticadas redes sociais. Isso resultou em

movimentos com o intuito de promover mudanças no País. Uma forma de tentar resgatar a dignidade dos brasileiros, perdida há muitas décadas. Tudo começou por causa dos 20 centavos acrescentados na tarifa de ônibus, mas com o tempo os manifestantes começaram a reivindicar melhores condições para a saúde, para a educação e para o saneamento básico, mostrando que a juventude atual não veio ao mundo para, simplesmente, ficar sentada esperando as coisas acontecerem. O movimento não poderia ter acontecido em melhor hora, ano da Copa das Confederações, realizada no Brasil, quando grande parte das atenções está voltada para a nação. Mais uma demonstração de que a geração é criativa, inteligente e provocativa, e de que as redes sociais estão aí, não só para entreter as pessoas, mas também para uni-las e levá-las a agir. Assim podemos perceber que as redes sociais, vistas sempre como uma influência negativa para os jovens, hoje fazem parte da história do país, já que por meio destas tudo começou a fluir. A falta de condições de vida para os brasileiros estava inaceitável. Todos estavam cansados de viver desta maneira, e o acréscimo de 20 centavos na tarifa de ônibus foi a gota d’água para toda a população acordar. Não foi só o gigante que acordou, a gigante geração Z também despertou e foi à luta. Ingrid P. R. Karsburg e Jordana R. Hammarstron Alunas da 3ª série do Ensino Médio

Juventude e os protestos Os recentes protestos ocorridos nas grandes capitais no mês de junho demonstram mais uma vez que ainda existe indignação nesse país. Não é de hoje que a corrupção, a lavagem de dinheiro, dentre tantas outras fraudes, eram realizadas sem nenhum questionamento popular pelos jovens, já que foi através deles que tudo começou em organizações e pontos marcados pelas redes sociais. Movimentos de grandes proporções como este já foram realizados como nas “Diretas já”, nos anos 1983 e 1984, quando houve uma mobilização popular pelo direito de voto do povo, que nesta época era inexistente, visto que o cargo de Presidente do Brasil se dava por eleições indiretas. Embora não sendo especificamente um movimento juvenil, reuniu a população para que fosse colocada na Câmara e no Senado uma emenda que não fora aprovada. No ano de 1992, vários escândalos do governo do então presidente e hoje senador Fernando Collor de Melo não foram mais

tolerados pela elite intelectual da época que não suportava mais os empréstimos compulsórios sobre as transferências acima de um determinado valor. Esse movimento foi um dos mais amplos da história do país, liderado por estudantes e contou com a ajuda do irmão do presidente que havia feito denúncias de corrupção. Neste ano, novamente estamos vendo algo que há muito não víamos. Os protestos se iniciaram no mês de junho em virtude do aumento de vinte centavos na passagem de ônibus nas

grandes capitais. Alguns dias após o início da revolta, entendeu-se realmente o porquê dessas demonstrações de total insatisfação, como a PEC 37, um projeto de emenda que visava proibir o Ministério Público de fazer investigações de corrupção, deixando essa empreitada para a Polícia Federal. Novamente um movimento que partiu da juventude, com um dos objetivos principais a não violência, tanto por parte de policiais como de manifestantes. Estes últimos protestos serviram para mais uma vez mostrar que quem pode mudar um país é a juventude de classe média, pois é a classe que menos tem retorno de seus impostos, sendo obrigada a bancar os programas sociais do governo e o luxo dos milionários. As mudanças de 2013 não foram amplas, todavia já demonstram que ainda existe espírito para buscá-las pensando num País para todos. Guilherme Lohmann Aluno da 3ª série do Ensino Médio


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Liga da Vida Real Heróis, pessoas como as quais todo mundo já quis ser. Afinal, quem são eles? Se perguntássemos a uma criança de 5 anos de idade ela diria Ben 10, Homem Aranha ou qualquer outro personagem fictício que pode voar, ficar invisível, pular de um penhasco e não se machucar... Mas por que a sociedade valoriza tanto alguém ajudando o seu próximo? Por que com certeza precisamos de um ser para nos inspirar, uma pessoa na qual podemos acreditar que pode “salvar o mundo” de uma forma milagrosa. Não é só isso. Os heróis inventados foram feitos para mostrar o quanto somos superficiais, o quanto temos a necessidade de ser especiais e o quanto queremos marcar a história no mundo de uma forma diferente. Ou você acredita que quando ficarmos presos em algum lugar, sem nenhuma noção de como escapar, de repente irá aparecer uma pessoa levantando o teto através do poder da mente e estenderá a mão para ajudar. Você acredita? Os heróis não são somente aqueles que gritamos enlouquecidamente e derrubamos toda a pipoca no chão após ver na tela do cinema. Heróis são também pessoas que realmente existem. Se fizéssemos a primeira pergunta do texto a alguém com idade mais avançada provavelmente em sua resposta seria citado um familiar, amigo e ainda seria enfatizado um profissional

da área de saúde e ou segurança. Uma das últimas coisas que preciso acrescentar é a fase de questionamento, primeiro a mais típica “quem é o meu herói?” e segundo “quem é o herói afinal?”. É aquele que faz cirurgias para o outro sobreviver? É aquele que passa suas 24 horas do dia tentando melhorar a vida dos necessitados? Ou simplesmente são meus pais que trabalham duro para conseguir aquele tênis legal que vi na vitrine de uma loja? Meu herói é Jesus que foi crucificado para minha salvação? Será que meu herói é o time que consegue sair da segunda divisão com muita disciplina e esforço, passa para o primeiro lugar e no

final do campeonato está segurando a tão brilhante taça da vitória? Eis aí a resposta para todas as perguntas: heróis somos todos nós que conseguimos nascer, que conseguimos aproveitar cada momento feliz dessa vida que é mais rápida que o Flash, heróis somos nós que em meio a uma dificuldade somos mais fortes que o Hulk, heróis somos nós que vivemos 80, 90 anos e até mais e não precisamos da pedra filosofal. Todos nós somos os heróis, e não somos a Liga da Justiça e sim a Liga da Vida Real. Daniele Appel Bevilaqua Aluna da 8ª série

Nossa vida e a formação de nossa personalidade Nossa vida é como uma estrada, e nossas escolhas são como caminhos. Se seguirmos pelo caminho certo, vamos poder caminhar por uma estrada segura, com uma bela vista. Porém, se seguirmos pelo caminho errado, um caminho escuro e sombrio, poderemos pisar em falso e cair num abismo Esses são os caminhos que podemos seguir ao tomar as decisões mais importantes da nossa vida, que formam nossa personalidade. Pessoas boas na nossa vida são como uma lanterna após entrarmos num caminho escuro; iluminam-no e nos ajudam a chegar ao caminho certo. Mas pessoas ruins não iluminam o nosso cainho e o deixam ainda mais escuro. Então... se tomarmos uma decisão errada, a culpa é toda da pessoa que nos aconselhou, certo? Depende. Parte da culpa, às vezes, é da pessoa que nos aconselhou, e outra parte da culpa é nossa, porque nós tomamos essa decisão. Porém, se estivermos falando de

uma criança na fase do desenvolvimento de sua personalidade, a culpa é toda das pessoas que a educaram, que vivem à sua volta. Se essa criança, por exemplo, tiver pais

ou outros familiares que têm algum envolvimento com drogas, bebidas e crimes, essa criança pode se tornar, algum dia, uma pessoa como eles, tomar decisões erradas, se envolver com drogas, bebidas e crimes. Nesse mundo também existem

pessoas que tomam suas decisões sozinhas e, assim como as pessoas que tomam suas decisões com o auxílio de alguém, podem agir de modo correto ou de modo errado. Porém, suas decisões a serem tomadas na vida, podem se tornar difíceis algumas vezes. Concluindo, as pessoas que tomam as decisões da vida com o auxílio de alguém, devem aceitar os conselhos mais significativos na vida de uma pessoa que tem boa influência, mas sem deixar de levar em consideração as próprias opiniões. E as pessoas que tomam suas decisões sozinhas, devem sempre escolher o que acham que será melhor para a sua vida. O que esses dois grupos de pessoas citadas anteriormente têm em comum é que, fazendo suas escolhas, tomando suas próprias decisões, sendo certas ou erradas, elas estarão moldando sua personalidade. Ludmila Silveira Raineski Aluna do 8º ano


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Palco repleto

O teatro não para de crescer no CEAP. Há pouco mais de uma década eram apenas dois grupos na escola. No final do ano passado havia cinco. E em 2013 foi necessário abrir mais um. Hoje são 91 alunos, divididos em seis grupos, o que significa mais de 14% de todos os alunos matriculados na escola envolvidos com o teatro como atividade extracurricular. Cada vez mais o desejo de representar e atuar começa cedo. A turma do “Perdidinhos Fralda”, como é chamado o grupo teatral com os alunos mais novos –

a partir dos 9 anos - tem três diferentes turmas. E, como os grupos por vezes são grandes, não há como todos atuarem em uma mesma peça. Por isso o diretor e professor de teatro no CEAP, Helquer Paez, está trabalhando oito espetáculos neste ano, divididos em seis grupos teatrais. O clímax de um ano teatral na escola são as apresentações. As principais reúnem os grupos das escolas da Rede Sinodal de Educação. Em setembro, de 26 a 28, o “Perdidos no Palco” (que comemora 30 anos em 2013) vai participar da ATESE, que reúne grupos formados por alunos do Ensino Médio. O CEAP vai a Cachoeira do Sul.

Grupo “Perdidos no Palco” com o diretor Helquer Paez

E os grupos “Perdidinhos no Palco” 1 e 2 devem participar da 18ª INTESI, em Horizontina, com grupos de alunos do Ensino Fundamental. Todos

estes, além dos demais grupos, vão, também, em diferentes momentos, apresentar para a comunidade escolar e ijuiense seus trabalhos.

Montagens

Perdidos no Palco Ensaia uma adaptação, em forma de musical contemporâneo, de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare. Aproveita o talento dos integrantes na parte artística do cenário. Tem uma linguagem jovem e atual.

Perdidinhos no Palco 1 Trabalha em duas peças: “Arlequim, servidor de dois patrões”, é uma comédia italiana de 1660, chamada “Comédia dell’Art”; a outra montagem é a comédia “A princesa engasgada”. As duas peças são de teatro de máscaras (que estão sendo confeccionadas pelos próprios integrantes). Perdidinhos no Palco 2 Vai fazer o clássico “O Pequeno Príncipe”. Perdidinhos Fralda 1 Trabalha com a peça infantil “Nita no país dos Prequetés”. Perdidinhos Fralda 3 “Sonho Pirata” é a montagem que está sendo ensaiada.

Perdidinhos Fralda 2 Também precisou dividir o grupo em duas peças. Um ensaia “Caixa de Brinquedos” e o outro “O anel mágico”.


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Revitalizando a casa dos livros Aos poucos a cara da Biblioteca do CEAP está mudando. A equipe tem trabalhado para promover modificações não só no espaço, mas também no acervo. São ações que partem da visão de que a Biblioteca deve ser funcional, ou seja, precisa cumprir com a função de promover a leitura e auxiliar a pesquisa. O desafio também passa por despertar o interesse de leitores e estudantes das várias faixas etárias atendidas na escola. Nos últimos meses o trabalho de revisão do acervo bibliográfico e de materiais de pesquisa tem sido intensificado. Especialmente aquilo que é material de consulta para trabalhos vem sendo atualizado. É um processo gradual e, também, constante, mas que tem passado por um período intensivo. O acervo tem recebido acréscimos, seja pela aquisição de novos livros, seja através da doação de exemplares, abrangendo todas as áreas. A tentativa de valorizar mais a leitura também está passando pela readequação do espaço físico da Biblioteca, que já ganhou um espaço diferenciado para a leitura de jornais e revistas e é cons-

Biblioteca deve incentivar leitura e auxiliar na pesquisa

tantemente utilizado pelos alunos. Outras mudanças estão sendo pensadas e vão envolver modificação visuais - chamando a atenção para persona-

gens e conteúdos dos livros - e também uma reformulação da disposição do acervo para facilitar o acesso aos livros.

Um lugar para todos As crianças do turno da tarde curtem a Hora do Conto e a retirada semanal de livros na Biblioteca. A turminha da Educação Infantil, o CEAPzinho, também visita uma vez por semana o espaço para trocar de livro. Os “grandes” também tem um carinho especial pelo lugar. Ainda que não possam utilizar o computador na Biblioteca, gostam de fazer trabalhos e pesquisas ali. E acabam aproveitando o ambiente para uma leitura eventual, descompromissada, pelo simples prazer de ler. E, por vezes, o prazer de reencontrar um livro que marcou a infância, ou mesmo uma produção própria, dos

tempos da Hora do Conto (os livros produzidos pelas turmas de alunos do CEAP na Hora do Conto são os mais retirados na Biblioteca). Para que o espaço continue sendo agradável aos que o visitam, outra reformulação feita foi no regulamento da Biblioteca. Foi renovado para atender as demandas de hoje. Atende, em parte, reivindicações e ideias que os usuários deixam na “Caixinha de Sugestões”, que também é importante para a indicação de livros novos que são adquiridos. Com materiais de pesquisa, literatura infantil, infanto-juvenil, juvenil, romances, poemas

e contos, além de periódicos, a Biblioteca é um espaço também para quem não é da comunidade escolar, com a

diferença de que os livros não podem ser retirados. Aos poucos vai ganhando novos ares e sendo redescoberta por todos.

Novo espaço é convite para leitura casual

“Curta & compartilhe” Uma campanha lançada recentemente está envolvendo os alunos nesse processo de revitalização da Biblioteca e incentivo à leitura. As turmas do 2º e 3º anos do Ensino Fundamental levaram aos alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio o convite parra que leiam uma história para eles. Além dos momentos de integração pela leitura e de incentivo à própria leitura, a campanha está incentivando a doação permanente de livros pelos alunos. Por isso o nome “Curta& Compartilhe”, com a ideia de que, depois de lido, o livro pode passar por outras mãos.

Crianças divulgam campanha entre os “grandes”


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O que faz você ser você “VIVA a Infância!” é o grande recado do projeto que está acontecendo este ano com as turmas da Educação Infantil. E neste primeiro semestre as ações que aconteceram em todos os níveis tiveram a intenção de fazer as crianças perceberem o que as constituem em sua singularidade. Foi o eixo temático “O que faz você ser você”, que teve atividades para que as crianças pudessem compreender aquilo que está relacionado ao seu jeito de ser e estar no mundo.

A imagem de cada um Com a ideia de gerar vivências para que as crianças desenvolvessem a autoimagem o Nível 1 explorou movimentos e expressões corporais refletidos no espelho. As crianças foram estimuladas a visualizarem a professora e os colegas, para estabelecer vínculos com eles. Outra atividade foi a exploração lúdica das sombras a partir de uma história trazida pelo “Peter Pan”. Crianças “se descobrem” no espelho

As sensações Como cada criança “conhece as coisas”, e que sensações essas experiências provocam em cada um foram descobertas possíveis com os experimentos que estimularam os sentidos no Nível 2. Experiências que passaram pelos bonecos dos sentidos, Tedy e Fredi e várias produções dos alunos e também com ajuda das famílias. Para um o som de um chocalho de lata e grãos de feijão entusiasmou. Outro achou interessante ver o mundo de uma cor só com o Binóculo das Cores. Outra experiência fez as crianças criarem muitas hipóteses sobre o que afunda ou flutua na água. A “Estação Criança” reuniu, com as famílias, boa parte dos trabalhos realizados. Experimentando o boneco dos sentidos

O livro do “eu”

O Mágico de Oz No Nível 5, as crianças percorreram o caminho de tijolos da história “O Mágico de Oz”. Conheceram a Dorothy, o Totó, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata. A história foi explorada na perspectiva da convivência e das características de cada personagem em um paralelo com as características de cada criança. Construindo o homem de lata

Eu sou Uma interessante trajetória de descobertas e revelações sobre a individualidade das crianças culminou, no Nível 4, com a produção individual do livro “Eu sou”. Literaturas, canções e dinâmicas de interação motivaram os alunos a pensar sobre como cada um é, sobre suas preferências, a história do nome e o que diz respeito à individualidade. O livro do “eu” foi a inspiração para que cada um produzisse seu próprio livro.

Os sentimentos Para compreender os diferentes sentimentos e dar significado a eles as crianças do Nível 3 tiveram uma ajuda importante. Os amigos “Seu Fortão”, “Dona Esplêndida”, “Seu Zangado” e “Seu Feliz” conviveram com as turmas. Esses bonecos personagens visitaram a casa de cada criança, acompanhados de suas histórias, e provocaram interessantes momentos de conversa sobre os sentimentos.

A alegria contagiante do “Seu Feliz”


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O que cabe na agenda dos filhos? Agenda é coisa de... criança! Faz tempo que a rotina diária das crianças em idade escolar não se divide mais entre turno de aula e turno livre. A sociedade tem aumentado seu grau de complexidade e, com ele, também as opções – que são boas – para atividades extracurriculares. Ao sagrado compromisso diário com a escola, somamse várias atividades que vão preenchendo o turno inverso de crianças e adolescentes. O leque de opções é variado, desde as escolinhas esportivas, passando pelas aulas de língua estrangeira, dança, música e teatro. Mas qual é o limite para essa agenda infantil e pré-adolescente? A Associação Internacional de Gestão do Estresse, entidade sem fins lucrativos voltada para a pesquisa e desenvolvimento da prevenção e tratamento do estresse, aponta que no Brasil a maior causa de estresse entre crianças de 7 a 12 anos é o excesso de atividades diárias. Já a entidade norteamericana Children’s Society revela que uma em cada 11 crianças com mais de oito anos está infeliz. Levantamento semelhante feito no Brasil pela pediatra Ana Maria Escobar mostra que 22,7% das 900 crianças pesquisadas apresentavam ansiedade, 25,9% tinham problemas de atenção e 21,7% problemas de comportamento. Todos os dados parecem convergir para o que se chama de “excesso de solicitação e exigência” com a criança. De forma continuada, pode gerar estresse tóxico pelo alto nível de ansiedade gerada. “Nossas crianças es-

Crianças de hoje têm cada vez menos tempo para brincar

tão assumindo compromissos além do que podem suportar e, principalmente, brincando bem menos do que deveriam”. O alerta é da psicóloga Nanci Schneider, especialista em neuropsicologia. “As crianças precisam estudar e desenvolver habilidades, mas precisam também de tempo para descansar e brincar”, salienta. Como na vida adulta, o excesso de atividades pode gerar estresse e depressão também na infância. “O estresse libera o hormônio cortisol em uma parte do cérebro que pode ser responsável pela depressão na vida adulta”, explica a média pediatra Simone Catto Vaz. Para ela, o que tem gerado agenda excessivamente cheia para as crianças e adolescentes é a necessidade de os pais terem onde deixar os filhos “e por acharem que isso vai torná-los mais preparados para o futuro. Mas crianças não sadias serão adultos frustrados e inseguros”, afirma. Para ela, as crianças precisam muito mais pais presentes e atentos do que atividades extracurriculares. Para as profissionais, não há problema com atividades extracurriculares. “O cérebro humano é um órgão

que deve ser estimulado, mas a seu tempo e dentro de suas condições”, diz a médica Simone Vaz. A psicóloga Nanci Schneider entende que os pais agem sempre pensando na qualidade de vida da família e que os filhos precisam ser preparados para o mundo atual. “Mas é preciso cuidar para não deixá-los expostos a atividades em demasia, que possam levá-los ao estresse”. E esse parece ser o ponto mais delicado na questão: proporcionar experiências importantes aos filhos sem que a agenda fique superlotada.

Simone: encontrar um limite é necessário


12 | Não há uma regra do que seja excesso de atividades. Mas encontrar um limite é necessário. “O crescimento, o ritmo de aprendizagem e o próprio desenvolvimento é diferente para cada criança. Essas diferenças devem ser levadas em conta quando se exige algo delas e quando se decide junto com elas, as diferentes atividades de sua agenda”, diz Nanci. Para Simone, entre os três e cinco anos a criança pode ter no máximo

duas atividades lúdicas extracurriculares. Dos seis anos em diante as tarefas escolares aumentam e ideal é participar de atividades extras em grupo, “mas tudo sem exagero”. Na pré-adolescência o tempo dedicado aos estudos aumenta, diminui um pouco o tempo para brincar “mas é preciso equilibrar o tempo de estudo, lazer a atividades extracurriculares”. Na infância, o tempo para

brincar pode ser um bom termômetro para saber como anda a agenda dos filhos. “A brincadeira funciona, para a criança, como uma válvula de escape das tensões do próprio desenvolvimento”, explica a especialista em neuropsicologia. E a médica pediatra ressalta que “a criança precisa de hora para lição de casa, para atividades extraclasse, mas também para brincar, respeitando sua faixa etária e também sua vontade”.

Limite extrapolado “Com frequência crianças manifestam desmotivação, tanto para aprender quanto para brincar. Às vezes dizem ‘hoje estou muito cansado’. Quando começam a repetir isso, a família precisa olhar a agenda da criança”. O relato é da Coordenadora Pedagógica do CEAP, Mariluza da Silva Lucchese. E estes são apenas alguns dos sintomas gerados por uma carga excessiva de atividades na infância. “A agenda lotada resulta normalmente em atitude agressiva, irritabilidade, ansiedades, alterações alimentares, como excesso e falta de apetite, distúrbio do sono, recusa a ir para escola, baixo rendimento escolar, dores de cabeça e de barriga, sem causa orgânica e tristeza constante”, avisa

a médica pediatra Simone Catto Vaz. A psicóloga Nanci Schneider explica que estresse infantil é uma reação natural do organismo de um estímulo ou situação de tensão diante de um excesso de exigência da própria criança em relação a ela mesma ou de outra pessoa.“Quando essa reação se torna intensa ou prolongada demais, pode enfraquecer o organismo, propiciando uma queda no sistema imunológico, bem como uma fragilidade no sistema emocional. Ou seja, os sintomas do estresse podem ser físicos ou psicológicos, tais como agressividade, choro excessivo, ansiedades, depressão, pesadelos, insônia, problemas respiratórios e até doenças dermatológicas”.

Nanci: tempo para brincar é importante

Eles mexeram na agenda Na apresentação de final de ano letivo dos Anos Iniciais do CEAP em 2011, os pais André e Alice da Rosa não conseguiram curtir as músicas cantadas pela filha Sarah. Aos 7 anos, estava concluindo o 1º ano e vários tics ficaram aparentes, a ponto de preocupar a pediatra da criança, que também acompanhava o espetáculo no auditório. Uma das possibilidades era uma síndrome rara. Depois de vários exames, nada foi encontrado, o que indicava mesmo a possibilidade de estresse. Nas primeiras semanas das férias a hipótese foi confirmada à medida que os sintomas desapareceram.

“Foi um susto”, afirma o pai. “O ano tinha sido tranquilo até aquele momento, mas acabamos concluindo que o excesso de atividades, mesmo ela gostando de todas, gerou o estresse”. Sarah frequentava o ballet e aulas de inglês. “Eram quatro manhãs por semana em que saía de casa, mais o turno de aulas e um encontro do coral infantil ao final de um dia na semana”, lembra a mãe. No ano seguinte, mesmo sob os protestos da filha, a agenda foi aliviada. “Por três meses ela ficou perguntando por que não podia ir ao Coral Infantil. Foi difícil sustentar a decisão”, conta André. A família também limitou as atividades extras a duas

Mudanças na rotina de Sarah


| 13 manhãs por semana. Situações de estresse por conta de agenda cheia também atingem os maiores. Às voltas com trabalhos, estudos e uma carga horária grande na 1ª série do Ensino Médio, as colegas e amigas Jaelisa Hesel e Janaine Bruinsma estavam trabalhando no projeto de pesquisa desenvolvido na série em horário extracurricular. Morando em Augusto Pestana, o deslocamento diário, duas vezes ao dia, até a escola, reduzia ainda mais o tempo, dividido, ainda, com aulas particulares de Física, a academia e o voleibol, além dos ensaios na Invernada Juvenil no CTG. Com a proximidade de um concurso, os ensaios de dança se intensificaram e, às vezes, conflitavam com horários de aula. Faltava tempo para estudar. O que era feito por prazer passou a virar obrigação e cobrança. “A gente sentia que não conseguia fazer nada direito. Ensaiava pensando na prova. Precisava repetir mais vezes a dança”, conta Janaíne. Cansadas e com um nível alto de estresse, não conseguiram concluir um dos ensaios. Cada uma

foi para casa com a ideia de deixar de lado a invernada. Foram apoiadas pelos pais. “Não foi uma opção por não estar mais gostando, mas pela necessidade de fazer uma escolha”, afirma Jaelisa. “Foi bem difícil. Não perdi a vontade de dançar”, complementa Janaine. Os pais de Jaelisa, Nilvia e Gilmar, já monitoravam a filha. “Lazer e descanso são necessá- Janaine e Jaelisa tiveram que deixar a dança de lado rios. E os ensaios eram uma diversão, uma estavam com o sinal de alerta aceso. Por forma de lazer, até que a cobrança pas- isso não hesitaram em apoiar a filha na sou a ser excessiva e tudo mudou”, diz a decisão. “Às vezes ela reclamava por ter mãe. A filha cuida da agenda, mas com muitas coisas para fazer e por estar cansupervisão dos pais através da conversa. sada”, diz a mãe. Para a família, o estudo é Sempre envolvidos com as atividades da prioridade, “mas o lazer e o descanso são filha Janaine, Jair e Luciane também já fundamentais”.

Manter o prazer é importante “Que “folga” é essa?” é uma pergunta em tom de cobrança que muitos adolescentes e até mesmo crianças já ouviram. “O fazer nada da criança é produtivo”, salienta a Coordenadora Pedagógica Mariluza Lucchese. “Se a criança não vai mais ao inglês para dormir um pouco mais e brincar, é importante saber que brincar é produtivo.A criança compreende o mundo através do brincar”. Mais do que o tempo livre, a professora alerta que as muitas atividades além da escola podem interferir no rendimento escolar. “Às vezes a agenda é tão lotada que para atender algum compromisso as crianças precisam fazer escolhas: ‘amanhã não vou ao inglês para poder estudar para prova de matemática’. A sobrecarga tanto de agenda quanto emocional se intensifica no período de avaliações, gerando mais angústias, sensação de incapacidade e de desorganização”. A superficialidade das atividades

também é um sintoma de carga excessiva. “A superficialidade está ligada à pressa, que por sua vez pode estar ligada a muitos compromissos”, afirma Mariluza, que chama a atenção, também, para um fenômeno comum entre as crianças: o abandono de atividade. “Ela experimenta várias e não se fixa em uma sequer. É a forma de mostrar que algo está saturando”. O entendimento é o de que vale mais à pena incluir poucas atividades na rotina e que sejam proveitosas e prazerosas. “As atividades extracurriculares são importantes, mas não devem ser uma obrigação Crianças e adolescentes devem ter afinidades e gostar do que estão fazendo”, diz a pediatra Simone Vaz. A psicóloga Nanci Schneider concorda e acrescenta que os pais precisam participar do dia a dia do filho, “conversar com a criança sobre situações e acontecimentos que possam estar sendo estressantes para ela. Isso

vai ajudar a prevenir o estresse”. A professora Mariluza diz que uma boa reflexão é responder à pergunta: “qual a importância para o futuro do meu filho de ter tempo para fazer nada hoje?”.

Mariluza: atividade extra não é obrigação


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POUPADOR LEITOR Depois de encherem o “porquinho”, os alunos do 1º ano investiram bem suas economias. Compraram livros na livraria visitada. O projeto “Pequeno Poupador” esteve inserido no programa de Educação Financeira, em parceria com a Luterprev.

PLANETA EM CAMADAS A Terra em miniatura foi a em bolas de isopor uzid prod pelo 3º ano. Os recortes permitiram identificar as GRANDES NAVEGAÇÕES camadas do nosso Planeta, A produção de maquetes socializo u que vem sendo estudado as aprendizagens sobre o assunto pelas crianças. tratado em História no 7º ano. Estaleiros, galeões, caravelas e rota s foram representados

INTELIGÊNCIA ESPACIAL A localização fora do ambiente esco lar tem sido o desafio do 4º ano. A rua da esco la, a rua onde moram e a Praça da República fora m exploradas de várias maneiras no projeto “Ijuí , nosso lugar”.

FÓSSEIS O estudo sobre as Eras Geológicas provocou a “criação de fósseis” no 6º ano. O aprendizado sobre Paleontologia fez os alunos usarem argila, pó de giz, areia, terra vegetal, ossos, brinquedos, conchas, folhas, caules e insetos e até um rolo de massa para produzirem fósseis artificiais.

LER É BOM Essa foi a mensagem da tarde de fantasias do 2º ano. Travestidos de personagens do filme “História sem fim”, as crianças deram asas à imaginação, ganharam surpresas e socializaram com outros alunos a go stosura de ler.


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O que cabe na agenda dos filhos? Agenda é coisa de... criança! Faz tempo que a roSUL tina diária das crianças em Pesquisa de idade escolar não se divide campo levou mais entre turno de aula os alunos da 2ª série do Ensino e turno livre. A sociedade Médio a Pelotas tem aumentado seu grau e Rio Grande. de complexidade e, com ele, Observaram também as opções – que são mais de 60 itens boas – para atividades extrano roteiro. O curriculares. Ao sagrado comproaprendizado misso ÕE diário com a escola, somamde dois dias FRAÇ S er os alunos do qupreende Be seCovárias atividades que vão po Co o resultou em e a vet pro a m uidas, de hoje têm cada vez menos tempo para brincar as frações líqCrianças tica,crianças , na práde chendo o ua turno inverso uma exposição lizaram s 5º ano vis no obtido resultado tão materiais assumindo compromissos além do que deve ser estimulado, mas a seu fotográfica e em e rep adolescentes. de oopções resentado comOosleque tório de ora Lab no ca áti tem Ma de la um seminário de au que podem suportar e, principalmente, tempo e dentro de suas condições”, a Era é cál variado, culos. desde as escolinhasmes“Mico das bém criara o jogobrincando tam s socialização das no alu Os . bem menos do que devediz a médica Simone Vaz. A psicóloga ica ím Qu portivas, passando pelastér aulas de gar” a ma ia. pesquisas. Nanci Nanci Schneider entende que os pais “pe ra pa s” çõe riam”. O alerta é da psicóloga Fra língua estrangeira, dança, música e teatro. Mas qual é o limite para essa Schneider, especialista em neuropsico- agem sempre pensando na qualidade logia. “As crianças precisam estudar e de vida da família e que os filhos preagenda infantil e pré-adolescente? desenvolver ESTAÇÃOhabilidades, mas precisam cisam ser preparados para o mundo A Associação Internacional de também deses tempo para descansar e atual. “Mas é preciso cuidar para não Três me de trabalho Gestão do Estresse, entidade sem fins brincar”, salienta. deixá-los expostos a atividades em a partir do livro “O lucrativos voltada para a pesquisa e vida adulta, o excesPequComo demasia, que possam levá-los ao eseno Prína ncipe” result desenvolvimento da prevenção e tra- so de atividades pode gerar estresse aram na Est tresse”. E esse parece ser o ponto mais ação Pequeno Prí tamento do estresse, aponta que no e depressão também ncipe. Osna infância. “O delicado na questão: proporcionar extrabalibera lhos deorel Brasil a maior causa de estresse entre estresse eitura hormônio cortisol em periências importantes aos filhos sem do livr o fei pelos que pode ser que a agenda fique superlotada. crianças de 7 a 12 anos é o excesso de uma parte dotoscérebro alunos do 4º, 5º e 6º atividades diárias. Já a entidade norte- responsável pela depressão na vida anos exploraram as americana Children’s Society revela adulta”, explica pediatra Silições deixadasapemédia lo que uma em cada 11 crianças com mone Catto Vaz. Para ela, o que tem principezinho. mais de oito anos está infeliz. Levanta- gerado agenda excessivamente cheia mento semelhante feito no Brasil pela para as crianças e adolescentes é a nepediatra Ana Maria Escobar mostra cessidade de os pais terem onde deique 22,7% das 900 crianças pesquisa- xar os filhos “e por acharem que isso das apresentavam ansiedade, 25,9% vai torná-los mais preparados para o tinham problemas de atenção e 21,7% futuro. Mas crianças não sadias serão problemas de comportamento. adultos frustrados e inseguros”, afirma. FUTURO sino Médio está tendo Todos os dados parecem con- Para ela, as crianças precisam muito Galera da 3ª série do En de diferentes áreas vergir para o que se chama de “exces- mais pais presentes e atentos docon que versas com profissionais rso de possibilidades so de solicitação e exigência” com a atividades extracurriculares. para conhecer o unive balho. O projeto criança. De forma continuada, pode vida acadêmica e de tra Para as profissionais, nãonahá lvido pelo Serviço de “Profissões” é desenvo gerar estresse tóxico pelo alto nível de problema com atividades extracurricur dico Ibrahim El Amma mé O r. ão Escola OrientaçSimone: ansiedade gerada. “Nossas crianças es- lares. “O cérebro humano é um órgão encontrar um limite é necessário ados. foi um dos convid


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Ádamo Buchmann, Fátima Kommers, Bernadete Dessuy, Bianca Terra, Enedina Casalini, João Cavalheiro e Eliete Boger na gincana da 1ª série do Ensino Médio.

Público prestigiou em massa a quarta edição do Mercado das Pulgas, promovido pelo Comitê pela Vida.

Taís Kraemer eJoão Victor Amorim dos Santos, alunos da 3ª série EM e da 8ª série EF, acompanhados da professora Marlene Mueller, recebem o prêmio pelo 3º lugar no Concurso Estadual de Leitura em Alemão, em Ivoti.

Famílias prestigiaram VII Mostra Científica, que teve apresentação de 21 trabalhos de pesquisa da 1ª e 2ª série do Ensino Médio.

A ex-aluna do CEAP, Mariana Berger do Rosário, recebe homenagem nos 45 anos da Universidade de Passo Fundo. Ela foi a aluna matriculada com a maior nota no vestibular.

Alunos de escolas de Ijuí e da região visitaram os projetos de pesquisa da 1ª e 2ª série do Ensino Médio no CEAP em Ação.


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As orientadoras educacionais Enedina Budel Casalini e Verci Grinke no Encontro Nacional de Mediação de Conflitos, realizado pela Rede Sinodal de Educação em Lajeado.

Galera do turno da manhã mandou recados, “soltou o cupido” e pediu abraços no recreio descontraído promovido pelo GEMLI no Dia dos Namorados.

Meninas curtem as comemorações juninas do turno da tarde na escola. Professores Paulo Roberto Santos, Uiliam Michael, Mariluza Lucchese e Denise Córdova no Encontro sobre Inclusão da Rede Sinodal, na Escola Superior de Teologia em São Leopoldo.

Conjunto Instrumental toca em um dos recitais de música do final do semestre.

Famílias prestigiam Festa Junina do CEAPzinho.


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Campanha para valorizar o professor e a escola “Obrigado Professor...”. O título dá nome a uma campanha que vem sendo pensada desde o início do ano pelo grupo de professores e funcionários do CEAP e que foi lançada em junho. A ideia é de valorização da figura do professor, de quem está envolvido em educação e também da escola. “Não se trata de uma campanha do CEAP, mas ‘a partir do CEAP’. A base da educação escolar é a figura do professor. Nele é centrado o projeto pedagógico de uma escola e a partir dele se desenvolvem as ações pedagógicas”, afirma o diretor Gustavo Malschitzky. Reunido no auditório, o grupo de professores e funcionários da escola posou para uma foto da equipe vestindo

a camiseta com a frase “Obrigado Professor...”. No dia seguinte os colegas iniciaram uma distribuição de adesivos com a mesma frase em frente à escola, abordando

especialmente os pais de alunos do CEAP. “A ideia é levar adiante essa iniciativa. Temos que agradecer aos professores que temos ou tivemos”, salienta Malschitzky.

Equipe da escola posa com a camiseta da campanha

“Tá colando”

“Obrigado, professor...”

A receptividade à iniciativa está sendo interessante. E não apenas nas abordagens em frente à escola. Na rede social, na página oficial do CEAP, as manifestações são positivas e de adesão. Várias famílias já estão usando o adesivo em seus veículos. Uma escola de outro município pediu adesivos para promover a campanha. E aqui na “CEAP em Revista” a gratidão é expressa de forma complementar à frase “Obrigado, professor...”. E você, o que tem a agradecer ao(s) seu(s) professor(es)?

Famílias aderem à inciativa

“Meus professores, obrigada. Agradeço aos meus professores queridos por terem me ajudado a construir quem eu sou, guiando o meu caminho e abrindo as portas do saber para eu entrar no mundo do conhecimento. Emociono-me por lembrar de nossas aulas e de tudo que aprendi desde a pré-escola até a universidade.Professores, um pedacinho de vocês sempre me acompanha, seja norteando hoje as minhas aulas, seja na minha vida particular. Vocês são os meus ídolos e o modelo que almejo na busca de ser um ser humano melhor.” Bianca Terra Ex-aluna do CEAP e Professora de Língua Portuguesa e Literatura no CEAP “Passei a maior parte de minha vida nos bancos escolares, fazendo com que as lembranças de qualquer idade passem obrigatoriamente pelas figuras dos diversos professores que tive e ainda tenho! Sou o resultado de tudo o que pude aprender, e da capacidade de extrapolar o que me foi transmitido enquanto aluno! Portanto, por tudo o que sou e pelo papel central que exerceram e ainda exercem na minha vida e de minha família, OBRIGADO PROFESSOR!”

Alcindo Pereira Gomes Neto Ex-aluno do CEAP e Cirurgião Dentista

“Obrigada, professor... Pelas provas difíceis e pelas notas que exigiam sempre um pouco mais de mim. Isso me fez querer, com muita dedicação, sempre alcançar o melhor em tudo que faço até hoje. Quero expressar aqui que as noites decorando e estudando as matérias não foram em vão! Cada professor, do seu jeito, deixou marcas boas que não esquecerei jamais. Obrigada professores Paris, Dirceu, Ângela (Ciências, Ensino Fundametal), Idoléscia (3ª série de 1995), Líbera (Artes), Ivete (Música), Enedina (Química), Deni (Matemática)!”

Ana Kelly Vogt Kommers Ex-aluna do CEAP e Designer Gráfico na Fullpromo em Porto Alegre


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Escolinhas na Mostra de Foram mais de cinquenta crianças envolvidas na Mostra de Ginástica promovida pela Unijuí. Participaram escolinhas de ginástica de Ajuricaba, Marau e Ijuí, entre elas a do CEAP. Além dos treinamentos coletivos, os grupos participaram de apresentações em três aparelhos: solo, trave e salto. “Apesar da presença dos árbitros, que avaliaram o desempenho de cada ginasta, o objetivo não era de competição”, explica o professor da Escolinha de Ginástica do CEAP, e organizador do evento, RaoneBianchetti. Mesmo com “cara” de competição, a

Ginástica

Mostra não teve esse objetivo. “A ideia era preparar os alunos para futuras competições, era uma simulação”, diz o professor. Os onze participantes da escolinha do CEAP gostaram muito do evento.

Atletas do CEAP recebem medalhas de participação

CEAP sedia Torneio de Futsal

O Colégio Sinodal Rui Barbosa de Carazinho foi o grande campeão do Torneio Início ONASE de Futsal disputado no CEAP. O evento teve disputa nas categorias Pré-Mirim e Mirim masculino. Em ambas o Rui Barbosa ficou com o título e o Frederico Logemann, de Horizontina, foi vice-campeão. Nas duas categorias o CEAP, treinado pelo professor Paulo Wissmann, foi o 3º colocado.

Equipe Mirim também terminou em 3º

Voleibol vice-campeão

O CEAP/ClinisomRam/Geral Freios/ MB Confecções participou do Torneio Início ONASE Pré-Mirim Masculino de Voleibol em Santa Rosa no Colégio Da Paz. Além da escola anfitriã e do CEAP, também participaram dos jogos as equipes do Frederico Logemann de Horizontina, Rui Barbosa de Carazinho e Colégio Evangélico Panambi, de Panambi. O Logemann ficou com o título, com o CEAP, do professor Augusto Ilgenfritz, em 2º lugar. Já na categoria Mirim o Torneio Início ONASE foi sediado pelo CEAP. A equipe CEAP/ClinisomRam/Geral Freios/MB Confecções fez ótima campanha, derrotando o Frederico Logemann na semifinal.

Mirim foi vice em casa

Pré-Mirim do CEAP ficou em 3º

Na final foi superada pelo CEP de Panambi e ficou com o 2º lugar. No feminino a equipe Infantil CEAP/O Boticário/Scala Academia foi vicecampeã no Torneio Início ONASE. A com-

petição aconteceu em Horizontina e foi vencida pelo Frederico Jorge Logemann. Também participaram equipes das escolas Rui Barbosa de Carazinho, CEAP de Panambi e Setrem de Três de Maio.

Futsal campeão

Infantil feminino foi vice em Horizontina

Pré-Mirim em Santa Rosa

A equipe Infanto masculino do CEAP ficou com o título do Torneio Início ONASE de Futsal. A competição aconteceu em Carazinho e reuniu escolas da Rede Sinodal da região. Na final o CEAP, do professor Paulo Wissmann, venceu o time da casa, o Sinodal Rui Barbosa.


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Lembranças do internato 40 anos depois

Várias décadas sem visitar a escola que marcou suas vidas e sem ter contato com boa parte das colegas. Tamanha saudade se transformou em alegria para um grupo de amigas no reencontro das hoje ex-alunas e exinternas do CEAP. O encontro foi na escola, onde 40 anos antes estudaram e moraram. “Foi muita emoção. A gente se abraçava”, revela a ex-aluna Haidê Eickhoff, uma das organizadoras do encontro. Passeando pelo CEAP conheceram o espaço destinado ao esporte em dois andares: uma quadra esportiva no piso superior e uma sala de ginástica no térreo. Era ali que ficava a casa que abrigava as alunas internas no CEAP na década de 70. O local

O grupo em frente à porta que dava acesso ao refeitório na época de internato

suscitou muitas lembranças. “Parecia que a gente estava vivendo aquele período na escola”, diz a ex-aluna. Estiveram no reencontro quinze colegas de internato: Haidê Eickhoff, Eredi Brudna, Ilse Krüger, Rosária Ilgenfritz Sperotto, Melita Miriam Waldow, Rosane Beutinger, Liselotte Kumm de Mello, Solange Phipippsen, Marilei Junges, Denise Macagnan, Carmen Jost, Rosane Escher Sperotto, Neuza Mayer, Sandra Schmitt e Nara Postay. Também participaram os colegas do internato masculino Antônio da Luz (hoje funcionário do CEAP) e Délcio Kurz, além de Clarice Ruwer, também funcionária da escola e filha da “dona Erna”, uma das cuidadoras das internas na época. Sílvia Wüst, que trabalhava na cozinha do internato, também esteve presente.

A casa que abrigava o internato feminino...

As meninas em foto dos anos 70

...onde hoje fica a Sala de Ginástica

Turma vai celebrar 40 anos de formatura Um grupo de ex-alunos que concluiu os estudos no CEAP em 1973 está organizando para o dia 12 de outubro uma grande comemoração. A ideia é reunir cerca de 50 ex-colegas, dos 90 que se formaram naquele ano. Com a ajuda do Facebook o grupo tem conseguido reencontrar muitos colegas espalhados pelo país. A Comissão Organizadora tem programado uma série de atividades para o reencontro. Na manhã do dia 12 de outubro, um sábado, a turma vai se encontrar no CEAP para visitar a escola e participar de um momento de ação de graças. Depois do almoço festivo, que deve acontecer na Expoijuí/ Fenadi, a ideia é realizar o que estão chamando de “Reformatura”, em ato no auditório da Associação Comercial e Industrial de Ijuí, à tarde. O paraninfo da turma em 1973, na época prefeito Emídio Perondi, confirmou participação no evento, bem como o atual prefeito, FioravanteBallin. Comissão organizadora em encontro com o prefeito Fioravante Ballin

A turma na formatura em 1973, no auditório do CEAP

A entrada dos formandos, guiados pelo paraninfo, na época prefeito de Ijuí, Emídio Perondi


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Depois de vários anos vivendo em Portugal e atualmente atuando, com o marido, como missionária na Espanha, Letícia voltou a Ijuí, onde viveu com a família por um período da vida (o pai é pastor), quando estudou no CEAP. No retorno à cidade as lembranças, boas, dos cinco anos estudando e convivendo na escola, vieram à tona. Ela entrou na Pré-Escola em 1986 e estudou até a 5ª série no CEAP, em 1990. “Tenho boas recordações daquele período em que estudei no CEAP e as guardo em meu coração com muito carinho”, diz Letícia. “Recentemente tive a oportunidade de estar em Ijui com minha família, esposo e filhas, e foi muito gostoso poder mostrar a eles um pouco da minha história, relembrar minha infância e principalmente partilhar deste momento com minha filha Sarah de 6 anos”, comenta a ex-aluna. Nos dias em que passou em Ijuí, Letícia revela que“muitas recordações vieram a minha mente. Lembrei-me das vezes que meus avós, que moravam em São Paulo, passavam meses conosco em Ijuí e me levavam e buscavam no CEAP. Quantas saudades daquele tempo!Lembrei-me das professoras Vera (Pré Escola) e Rosana (1ª série), que deixaram boas lembranças. Das colegas Letícia, Larissa e Luciana, entre tantos outros. Na hora do recreio brincávamos de roda, pega-pega, esconde-esconde, pedra - tesoura – papel, entre tantas outras...”, conta.

Letícia lembra das aulas de basquete “onde aprendi as regras deste esporte, as quais lembro até hoje. E lembro do dia em que a professora nos levou para o pátio para nos ensinar sobre o movimento da terra a partir de uma ‘brincadeira’ onde com o giz desenhávamos nossa sombra no chão e depois de algumas horas víamos que nossa sombra havia mudado de posição”. Para a ex-aluna, recordar todas essas coisas do período da escola permite ver “como tive um ensino privilegiado e, como mãe, desejo que minhas filhas também tenham um ensino de qualidade onde possam agregar não só conhecimento, como também valores”. Quando completou 18 anos Letícia morou por um ano no Canadá, onde aperfeiçoou o domínio da língua inglesa. Há anos é, com o esposo, missionária do Palavra da Vida, atualmente trabalhando com jovens na Espanha.

Os últimos cinco anos da vida escolar de Mariana foram no CEAP. Desde a 7ª série até o final do Ensino Médio, em 2009, foram muitas experiências e vivências na escola que, segundo ela, “quando se fala em CEAP a primeira coisa que penso é em ser um dos melhores colégios da nossa região, que se preocupa não somente com a formação de conhecimentos didáticos, mas também com a formação pessoal de cada um que lá estuda, retomando valores, conceitos e dessa forma formando seres completos de conhecimentos”. Quando fala dos professores, Mariana diz que odos foram maravilhosos e contribuíram para sua formação. “Mas tem uma que lembro com muito carinho: a “Maninha”, querida professora Enedina Casalini. Muito além de uma professora, nos tratava como filhos e foi uma das pessoas que me marcou quando ingressei no CEAP. Por vir de uma cidade diferente e enfrentar algumas dificuldades, ela me acolheu e deu todo suporte necessário. Esse carinho perdurou em todo tempo de colégio e segue nos dias de hoje. Tenho muita admiração por ela”. Um dos fatos inusitados do tempo de CEAP que Mariana recorda envolve, também, a professora Enedina. Durante o projeto de Pesquisa na 2ª série do Ensino Médio o grupo do qual fazia parte decidiu pesquisar os Biodigestores. “Fomos visitar, com a professora Enedina, uma propriedade em Santa Rosa que usava biodigestores. Pela manhã, quando saí de Ajuricaba, a temperatura estava alta, Ao meio-dia o tempo mudou e ficou frio. Para nos salvar a professora Enedina foi no ‘achados e perdidos’ da escola e buscou um monte de casacos pra que a gente não passasse frio. Jamais vou esquecer deste fato generoso e de cuidado para conosco”. Hoje Mariana divide o tempo entre estudos e música, uma paixão que vem desde cedo e que teve oportunidade pra crescer dentro da escola. “Tenho muito a agradecer ao CEAP por

todas oportunidades que me deu para trabalhar com a minha arte, que é o canto. Em inúmeros eventos cantei e mostrei um pouco daquilo que trago de berço e que levo comigo até hoje. Foram inúmeras apresentações: Semana Farroupilha, oficinas com o CEAPzinho, ExpoIjuí, Noites dos Talentos, viagens do Coral, enfim, ótimas lembranças e um sentimento de carinho que permanece no meu coração”. Hoje a ex-aluna tem uma visão de que o CEAP “é um colégio que forma pessoas preparadas pra enfrentar o mundo, preocupado com a formação intelectual e pessoal de cada qual. O conjunto de matérias, oficinas, música, dança, esportes... gera uma corrente fantástica no desenvolvimento de cada um que está lá dentro, e isso é o fundamental”, afirma. Mairana Marques mora em Pelotas, onde estuda Agronomia na UFPEL. Concilia o estudo com a carreira de cantora, que a faz viajar muito e se apresentar em todos os palcos nativistas do Rio Grande do Sul. “Estudo na mesma intensidade que canto, mas o mais importante é estar fazendo o que me realiza e, consecutivamente, me faz feliz”.


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E o CEAP ganhou uma cascata

Professora Marlene deu a ideia e pegou na enxada

O espaço da escola hoje chamado de “lago” não tinha água até o início dos anos 90. A professora de Alemão Marlene Mueller trouxe da Alemanha a ideia de instalar uma cascata na escola. “Depois desafiei a professora de Educação Física Cláudia Mello pra assumir o projeto”, lembra o diretor da época, Luiz Paulo Mauhs. A construção teve a participação dos funcionários Cézar Budel e Olando Casalini e o envolvimento de professores e mesmo de um grupo de alunos. “Foi lindo”, recorda o ex-diretor.

Professora Cláudia Mello trabalhando no projeto do lago

O lago e a cascata logo depois de prontos

Grupo de alunos que auxiliou na execução do projeto

Que dinheiro é esse? Uma visita ao Museu Escolar do CEAP permite descobertas interessantes não apenas sobre a história da própria escola. Uma das memórias guardadas se refere às mudanças cambiais brasileiras. Moedas em papel e metal de diferentes períodos estão lá, como as que selecionamos aqui, passando pelos réis, cruzeiros, cruzeiros novos, cruzados e cruzados novos. Alguém lembra?


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expediente

Seria possível uma “metade” ser menor que a outra? Não. Mas costumamos dizer que o segundo semestre do ano “passa mais rápido”. Matematicamente pode haver uma explicação, já que o segundo semestre letivo começa em agosto, ou seja, um pouco mais do que a metade do ano. Mas o que isso tem a ver com nossa CEAP em Revista? O fato de essa parada de agora, das “férias de inverno”, ser, talvez, o último momento mais tranquilo para avaliarmos o que aconteceu até agora, projetarmos e reajustarmos planos para o que vem pela frente até o final do ano. Como, por exemplo, a agenda de nossos filhos. O tema de capa da nossa revista nesta edição é muito pertinente. Faz pensarmos sobre o que, realmente, significa “aproveitar bem o tempo” das nossas crianças e adolescentes. E é a isso, a fazer pensar, que desde seu início esta revista tem se proposto, prioritariamente. E esta edição convida, também, a pensarmos sobre outros assuntos, como sobre nossas limitações, no Pense Nisso, aqui ao lado, sobre como as crianças veem os fenômenos naturais, no texto da Coordenadora Pedagógica, sobre o que e quanto estamos lendo, em uma página inteira dedicada à Biblioteca da escola – e sua reestruturação. Os alunos também propõem muitas reflexões, seja Escrevendo, uma editoria apenas com textos deles, seja através das atividades pedagógicas que estão desenvolvendo, comtempladas em várias páginas nesta edição, especialmente no Mural e Álbum. Olhar para trás também nos faz refletir. Memórias, reencontros, comemorações de formatura, o que diz quem passou pelo CEAP em outras épocas... Tudo isso está na CEAP em Revista desta vez. O trabalho desenvolvido pela APPA, e o constante crescimento de participação de pais nas ações diretas da Associação, está em análise no espaço de Entrevista. E a campanha “Obrigado, Professor...” ganha um espaço que tende a se consolidar na CEAP em Revista. Resta desejar a você uma boa leitura, boas reflexões, enfim, uma “parada produtiva”, ainda que não seja com férias, mas ao menos com um tempo para ler e avaliar.

CEAP Em REvistA Nº 16 – Julho de 2013 Publicação do Colégio Evangélico Augusto Pestana Edição: Assessoria de Comunicação do CEAP Projeto Gráfico: Z Comunic Diagramação: Cia da Arte Jornalista Responsável: André da Rosa Fale com a redação: imprensa@ceap.g12.br

Nossas Limitações! Até onde vão os seus limites? Todos nós sabemos que a vida tem, ou impõe, seus limites. Não somos eternos. Por que nos iludir? O dia não tem mais que 24 horas. Não temos uma fonte inesgotável de energia. Os limites são reais e eles são nossos aliados para superar desafios. Vivemos numa era sem precedentes. Nossa época é diferente das anteriores qualitativamente e também quantitativamente. Em 1980, havia em média 12 mil itens nos grandes supermercados. Hoje, são mais de 30 mil, não contando com as variedades do mesmo produto com rótulos diferen-

tabeleceu limites e os colocou dentro de nós e o fez para nossa proteção. Quando os ultrapassamos, colocamos a própria vida e a dos outros em perigo. Veja como é fácil reconhecer a extrapolação dos limites físicos. Uma sala de estar é agradável quando possui assentos suficientes para acomodar nossos convidados, mas ela se tornaria inviável se tentássemos ocupá-la com uma quantidade de poltronas ou cadeiras que ultrapasse seu espaço físico. O excesso de mobília torna o ambiente incômodo e impróprio para receber nossas visitas.Igualmente, cada pessoa tem seu limite de tolerância. A extrapolação resulta em ansiedade, hostilidade, depressão ou

tes. Os assinantes de alguns pacotes da TV paga podem escolher assistir a centenas de filmes a cada mês. Conforme o leque das escolhas se amplia, aumenta a possibilidade de ficarmos sobrecarregados e ao invés de nos libertarmos, as escolhas nos aprisionam, entediam e debilitam. Alguém pode até justificar afirmando: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). Mas eu pergunto: Isso significa que você pode voar? Você não pode voar e nem ficar seis meses sem comer. Tampouco ter saúde ficando o tempo todo sobrecarregado. Deus não pretendia que essa verdade bíblica servisse de pretexto para um comportamento desenfreado. O Criador es-

ressentimentos. Os sintomas se estendem para úlceras, gastrites e crises nervosas. Não é vontade de Deus que fiquemos sobrecarregados continuamente. Ele sabe que quando ultrapassamos os limites corremos o risco de nos tornarmos pessoas infelizes. Já estamos na metade do ano e rogo a Deus para que Ele tire de dentro de nós o desejo de sermos“superhomens ou super-mulheres”, usando como desculpa o pensamento de que “posso todas as coisas naquele que me fortalece”. A verdade é que temos limites e eles são para nosso bem. Portanto, vivamos dentro dos limites. Luciano Miranda Martins Pastor Escolar do CEAP



Revista Ceap - Edição 16