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edição I - julho/12


Editorial

Catarse é uma descarga de emoções. E o que é a arte se não o depósito do artista? A revista é nossa catarse. É nosso grito, nossa fala, nossa contribuição. A primeira edição traz um grupo de artistas que está aprendendo a viver de arte, uma cantora em seu período de estreia, um ensaio fotográfico com pessoas na rua XV, o portfólio de uma artista plástica, um conto amargo e realista de um jovem escritor e um grito social. A Catarse é feita com amor por duas irmãs que tem na arte uma paixão. Esperamos que gostem. Boa leitura!

Produção: Priscila Schip e Larissa Schip Reportagem e projeto gráfico: Priscila Schip Fotografia e ilustração: Larissa Schip Divulgação: Rafael Menezes revistacatarse@gmail.com www.revistacatarse.com https://www.facebook.com/catarse

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Selvática: casa dos artistas

Baile de Máscaras na rua XV

Música leve, antiguinha e curitibana

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Portfólio de Letícia Portugal

Para o Holden.

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Vadias

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O que é a Selvática? Bom, pode ser muita coisa. Foi assim que o papo do pessoal da Selvática começou com a Catarse. Em um começo de tarde em Curitiba, atrasamos o almoço dos artistas selváticos Gabriel Machado, Laura Formighieri e Daiane Rafaela e fomos conhecer esse espaço novo na cidade. Antes da Casa Selvática, surgiu a Selvática Ações Artísticas, como uma necessidade. Um grupo de artistas independentes que circulavam por vários grupos tinham a necessidade prática de ser filiado a uma empresa, por isso foi criada a empresa Selvática Ações Artísticas, que atenderia as necessidades jurídicas desses grupos. “Basicamente assim, a gente precisa de cnpj para entrar em editais”, simplifica Laura. Já a “Casa Selvática – Centro Artísticos Revolucionário” surgiu esse ano. Uma das artistas que estava envolvida com o projeto comentou com o grupo que tinha uma casa da família que estava para ser alugada e seria um ótimo espaço para a Selvática. “E foi ai que começou a loucura”, comenta Gabriel.

texto: Priscila Schip fotos: Larissa Schip

Selvática: a casa dos artistas 4

Um sobrado rosa na Nunes Machado. Uma casa. Um desassossego. Uma necessidade. Uma fuga. E muita, muita arte.

A loucura Os primeiros selváticos chamaram para uma reunião os amigos dos amigos e falaram “a gente tem essa casa, quem acredita no projeto e quer participar, pode vir”. E ai começou a funcionar. Organizaram e estabeleceram alguma regras, o mínimo para que a coisa funcionasse. Hoje em me-


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dia de 16 a 20 artistas ocupam a casa de diferentes modos, eles não são fixos, não são sempre os mesmo 16 que estão por ali. O que podemos chamar de mais fixos, são os residentes. Eles são os responsáveis pela ajuda com aluguel e são responsáveis pela limpeza da casa. Os outros – não residentes – frequentam a casa mais esporadicamente, mas também ajudam no funcionamento. Conforme a casa vai existindo, as necessidades vão surgindo e os selváticos vão se adaptando. Por isso estão montando um atelier e enriquecendo o camarim. Nas salas tem espaço para ensaios e até um curta está sendo gravado ali. Eles também promovem eventos que serve para ajudar no aluguel e disseminar o trabalho dos artistas. “A gente começou a fazer eventos e nesses eventos outras pessoas viram o trabalho da casa e se interessaram”, ressalta Daiane. Mais que sede de grupo, a Selvática passou a ser uma parceria que pode aplacar muitas outras coisas, outros grupos. É um lugar de fluxo de artistas. Foi então, com a criação da casa e de todo esse processo, que a Selvática passou de CNPJ a um Centro Cultural. Seleção Natural Os participantes da casa precisam dialogar. Primeiro (e esse primeiro é uma organização de texto, apenas) dialogar arte, em caráter experimental, de pesquisa, de discussão teórica, de como se sustentam os artistas. E entrando em uma questão mais profunda e social, os artistas da casa precisam dialogar como eles interagem politicamente com a sociedade. De acordo com eles, essa discussão política tem duas frentes, essa de pensar em como eles interagem com o sistema político e cultural da sociedade e também, a política doméstica, “que comida que a gente vai servir dentro da casa, que produtos que a gente usa aqui dentro, como esses produtos vieram parar aqui...”. A Casa Selvática é um lugar de artistas que querem produzir e pensar e por isso, quando alguém chega ali, ocorre uma seleção natural, é fácil perceber quem tem perfil selvático. A intenção da casa é que eles não precisem entrar no mercado de arte tradicional, que não dependam só dos editais e que possam andar com as próprias pernas, por mais que cambaleiem muito.

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Gabriel Machado Estudante de teatro e dançarino Laura Formighieri Formada em Artes Visuais e faz estudos de crítica de arte. Daiane Rafaela Formada em teatro, trabalha como maquiadora, produtora e com performance. Selvática Fica na rua Nunes Machado, número 950 Pra conferir mais Aqui: http://selvaticaacoesartisticas.wordpress.com/ E também na página do facebook: Selvática Ações Artísticas


produção : Priscila Schip fotos: Larissa Schip

Baile de Máscaras na rua XV 10

Quando andamos pela cidade passamos por pessoas que não conhecemos, que podem ter histórias de vida muito parecidas com as nossas ou completamente diferentes. Não costumamos reparar em quem passa pela gente todos os dias, não é para menos, estamos sempre correndo. E em uma cidade como Curitiba às vezes passamos por pessoas que nunca mais veremos ou que talvez conheceremos mais tarde, mas nunca saberemos se já passamos por elas algum outro dia quando éramos desconhecidos. Desconhecidos, sem identidade, como em um grande baile de máscaras.


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texto: Priscila Schip fotos: Larissa Schip

Música leve, antiguinha e curitibana

A porta abriu e o que apareceu foram cachinhos ruivos brilhando contra o sol forte e inesperado de Curitiba. A moça de sardas com quem a Catarse conversou, foi a cantora Ana Larousse. O seu apartamento tem uma janela toda especial, grande e que garante uma vista para cidade que ela veio morar ainda pequenina depois de nascer em Manaus. E quem olha pra ela diz com muita certeza que sim, ela é curitibana, a gente vê logo pela pele e pelo jeito fechadinho de conversar. No apartamento dela a gente vê uma mistura bonita – logo quando entra – de instrumentos musicais e plantinhas. E quando ela acende o cigarro e posa no meio dessa mistura, a gente entende que ali é o lugar dela, o seu cantinho, que ela tanto gosta de ficar. Da infância na cidade ela se recorda das manhãs de sábado na rua XV, de andar de patins na reitoria e do teatro de bonecos. “São lembranças fortes de uma infância bem gostosa”. Aos nove anos começou a tocar violão e a paixão infantil tinha tudo para evoluir, mas ela preferiu deixar escondidinha. Chegou a ter bandas na adolescência, mas na hora de escolher uma profissão, decidiu-se por artes cênicas. A FAP (Faculdade de artes do Paraná) passou a ser seu mais novo cenário, em que conheceu grandes amigos, como o Léo (Frassato). Terminou a faculdade na França e depois de cinco anos lá, voltou com uma certeza “não sou do teatro, sou da música”. A música sempre esteve na vida dela, o que ela fez foi ir assumindo que não era só uma paixão, um hobbie, mas era uma coisa com a qual ela queria trabalhar. “Eu acredito profundamente na música, a ponto de me dedicar e de querer que os outros conheçam meu trabalho”. O primeiro disco está quase pronto e é um trabalho feito aos pouquinhos. A ideia de gravar um disco só seu é antiga, porém demorou para sair do papel. Ana sempre compôs e tocou, mas sempre tinha um amigo junto para 21


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cantar. Quando estava na França se viu sozinha e como queria mostrar seu trabalhou, arriscou e confiou na sua voz. Deu certo. No último mês ela, o produtor Rodrigo Lemos e os músicos Vinicius Nisi, Leonardo Montenegro, Luis Buscheidt e Rosano Mauro passaram uma semana na casa da família dela em Rio Negro (casa em que foi gravada Oração ano passado) e fizeram literalmente um intensivo de gravação. “A gente acordava pensando nas músicas, comia falando das musicas e ia dormir pensando nelas. Daí eu ouvia os meninos tomando banho e cantalorando uma das canções do disco, foi muito bom, a gente viveu aquilo”. Enquanto ela conta os olhinhos brilham de orgulho. “Meu disco tem a minha cara, mais do que eu esperava”. Ela sempre ouviu muito rock, muita musica dos anos 60,70,80 e quando se viu no solo, se viu fazendo muito mais violão, assumindo um caráter mais MPB. “Ai eu ficava ‘ai cara, será que é isso?’” Mas ela não se considera MPB, pelo menos não escuta assim. Suas músicas têm muita referencia de anos 60, 70, tem um estilo de valsinha e uma pegada francesa. “Eu vejo coisinhas, eu vejo antiguinho, eu vejo bailinho anos 60, anos 70 é bem gostoso”. Ela não nega, e já avisa que o disco tá super melancólico, mas ainda assim, leve. Todas as músicas são composição dela, menos uma, que é composição do Léo “uma troca nossa, uma declaração de amor pra nossa parceria que tem tanto tempo”. Essas músicas são trabalho de vários anos e ela acabou fazendo como se fosse uma coletânea. Fez uma escolha de músicas que tinham alguma coerência dramatúrgica e musical e correu gravar. O principal tema do disco é partida. “Acho que todas as músicas falam de partida, cada uma ao seu modo, morte, passagem da idade adulta para idade velha, partida de um amor, partida de um lugar, partida metafórica de um estado para o outro”. Ansiosa, ela conta que já está preparando o próximo disco para bem logo, mas que esse próximo está mais malvadinho. Mas e os temas mudaram? “Ah, isso não muito, não consigo fugir da solidão, partida e saudades, são meus temas”. E de onde vem essa inspiração? “Eu viajo muito, né? Então eu to sempre com muitas saudades e ao mesmo tempo vontade de mudar e triste por estar indo (uaaaa, ela gritou) e ai são esses sentimentos que eu uso pra escrever, pra não enlouquecer”. Pra não enlouquecer... e enquanto a gente ia embora, ela correu na janela “adoro barulho de grama sendo cortada”.

Facebook www.facebook.com;larousseana 23


Portf贸lio

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Letícia Portugal Eu comecei a pintar quando entrei na faculdade de artes, na UFPR em 2006. Gostava de desenhar desde criança, mas me interessei especialmente por pintura, com as aulas de desenho do professor Geraldo Leão, por isso escolhi esses trabalhos e não outros, de gravura ou grafite etc. Outro motivo para começar a pintar, além da faculdade e do lazer, foi a necessidade de encontrar uma forma de expressão, um meio que me possibilita-se dizer certas coisas sem me expor, e também uma forma de por para fora tudo o que era necessário. Os temas de início, eram bem pessoais e autobiográficos, com o tempo fui agregando outras questões como por exemplo infância, medo, violência, depressão e solidão, sempre direcionadas para o universo feminino. Comecei pintando no papel em tamanho A1 e depois no tecido, com tamanhos cada vez maiores. As tintas são super variadas, misturadas aleatóriamente, acrílicas, tinta para madeira, pigmentos, tintas para tecido, tinta de serigrafia, e também cola. Separo o material, e começo a pintar com um pequeno esboço, de alguma ideia ou sentimento, e depois vou pintando uma coisa por cima da outra, passando branco para corrigir, até achar que está bom, sem seguir nenhuma regra, vou misturando tudo, com os pincéis de diferentes tamanhos, rolinhos, esponjas e até com a mão. E todas as vezes ouvindo alguma música que me inspire. Não coloco título em nenhum trabalho, acho que seria muito dificil, e talvez limitaria o pensamento do espectador, penso que no caso desses trabalhos a imagem já diz tudo, e o resto fica por conta de cada um.

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Letícia Portugal Ela Já estudou artes e hoje trabalha com ilustração e fotografia. Contato mycandance@hotmail.com

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ilustração: Larissa Schip

por Cleverson Antoninho www.contosdemerda.wordpress.com

Para o Holden.

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Não há maior estupidez do que acreditar em algo que depende de outra pessoa. Não é uma certeza vinda de um velho estúpido, como sou, é só uma análise de tudo o que aconteceu. O mais próximo que eu já estive de alguém foi na minha infância, tive um amigo imaginário, nossa maior diversão era ir em um rio que ficava a algumas quadras de casa, jogar pedras e fazer com que elas quicassem na água. Quando se é pequeno, as melhores pedras são as achatadas, chamadas pedras cortadeiras, são mais leves e se jogá-las girando no ar, elas cortam o vento e vão mais longe. As pedras arredondadas são mais pesadas e é mais difícil fazê-las quicarem na água. O máximo que eu já consegui foram três quiques, meu amigo conseguia uns sete/oito quiques, em todos os arremessos. Meu braço doía de tanto jogar pedras e nunca passei dos três quiques. Este meu amigo, o imaginário, ele me abandonou, disse que eu era invenção da mente dele, e que a mãe dele pediu pra que rompesse a amizade, que ele era velho demais pra ter amigos imaginários. Ainda lembro dele caminhando e sumindo, sem me ensinar como fazer as pedras quicarem mais, pra sempre. De noite eu durmo, e sonho com uma pedra quicando em um rio sem fim, ela quica irregularmente, mas nunca para, ao infinito. Tenho vinho barato todos os dias, queria ter uma geladeira pra guardar cerveja, mas ela não caberia aqui no quarto, todos os dias penso em comprar uma caixa de isopor grande, mas daí eu teria que comprar gelo, e financeiramente é mais fácil ficar bêbado com vinho do que com cerveja. Compro daqueles garrafões de cinco litros. Uns dias atrás um cara olhou sério pra mim quando fui atravessar a rua. Só saio de madrugada, menos pessoas nas ruas e tento evitar todo mundo, este cara me viu, talvez seja ele, preciso ficar esperto, sei que posso morrer a qualquer momento. Minha esposa tinha me abandonado, disse que eu não ia ser um bom pai, que eu só ficava nessa de escrever e com empregos medíocres, que eu devia

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era tentar concurso público, ter renda boa, pra comprar fraldas, leite e creme pras estrias pós parto. Que merda. Devia ter ouvido ela e me coçado, mas não, disse que estava tudo bem, que eu ia arrumar um editor, e que ia dar tudo certo. Ela me abandonou, conheceu um pastor de bom coração, que a aceitava como era, com o filho de oito meses no bucho, que era uma boa pessoa, que ia sustentar ela, chorei, bebi, vomitei, implorei que ela ficasse, ela disse que se fosse só por ela, ela continuaria comigo, e que a culpada era ela, ela sabia desde o inicio que eu era louco, que queria ganhar a vida com essa coisa de escrever, e que sabia que escrita não dava em nada, mesmo eu tendo alguns bons contos, e que agora ela ia ter um filha pra criar, sim, disse como se a filha fosse somente dela. Me deixou. Fiquei um tempo fodido, pensando nela, ainda penso na verdade, antes de conhecer ela eu não acreditava nessa coisa de amor e essas merdas, então passei a acreditar. Agora, deixei de acreditar, mas sei que existe a possibilidade de acontecer, já que antes eu não acreditava e aconteceu, a merda é que eu contratei aquele filho da puta, logo não posso me aproximar de ninguém, ou posso morrer. Ainda estou fodido. Não sei todo mundo, mas eu ao terminar, fiz um endeusamento da minha esposa, ex, coloquei em um pedestal e a cultuei, como se ela não fizesse nada de errado, como se ela não tivesse me deixado por um pastor, sem me dar chances, sem cogitar há quanto tempo ela flertava com o maldito, e em que momento entraram em um acordo sobre ela ficar com ele e me deixar, ou se ela me traiu. Sinto falta dela. Depois de alguns dias bebendo e torcendo pra que ela voltasse… ela não voltou. Precisava fazer algo pra mudar minha vida, pesquisei o dia inteiro na internet e achei o que eu precisava, encomendei o serviço: Nome, escritor fracassado, trabalha em uma distribuidora de bebidas, estatura mediana, pele morena, cicatriz na testa e vida medíocre. Mandei uma foto minha, pra comprovar a descrição. Isso foi a quatro anos atrás, quando contratei um matador de aluguel pra me matar. Desde então, desconfio de todo mundo. O pagamento só é feito após o serviço. Queria conseguir falar com o assassino e rir na cara dele, que se ele me matasse, ele nunca receberia. Mas chega a ser engraçado, mandei vários outros e-mails descontratando a minha morte, expliquei que foi em um momento de tristeza, que foi porque minha esposa me abandonou, e ele nunca respondeu. Aposto que vive esperando que eu apareça nas ruas, dê algum sinal de vida pra que ele tire, a vida. De manhã cedinho eu vou ver minha filha através das grades da creche, linda. Daí volto pra casa, bebo um pouco e mato umas pombas, o centro está cheio de pombas, só colocar uma arapuca com milho e 39


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pegá-las, acendo meu fogãozinho de boca única, sapeco ela, frito na banha e como. Pombos e vinhos, continuo vivo. O segredo é gastar pouco, daí posso me manter por muito tempo, gasto só com o vinho e com o aluguel desse quartinho aqui na Carlos Gomes, me escondo de dia e saio de noite, qualquer pessoa que eu vejo, eu corro e me escondo. Vai que seja o matador né? Dizem que os pombos são ratos voadores, que são imundos e tudo o mais, nem são. Essa última madrugada eu sonhei novamente, daí acordei, fui até o Parque Barigui andando, joguei pedras, não quicaram uma vez sequer, comecei a chorar, pensei na minha filha, no pastor que roubou minha esposa, nesse cara que está atrás de mim querendo me matar por um dinheiro que nem vai receber, uma vez que não posso pagá-lo depois de morto, no meu amigo que me deixou, nas pessoas, em um cachorrinho que eu tive e que morreu atropelado, nas putas do passeio público e que eu vou morrer. Amanhã vou sair de dia, em plena XV, comprar uma caixa de isopor grande, um saco de gelo e muitas cervejas, este será o último dia aqui, depois vou ir ver minha filha na saída da creche, levar ela pro parque e jogar pedras na água pra fazer quicar, ensinar que as pedras cortadeiras são as melhores, depois vamos embora, mostrar que ela tem um pai, um pai amigo, que sou real, que ela pode confiar em mim, que sempre estarei ao lado dela e vou levar uma faca na cintura, torcer pra que se o matador aparecer, mate apenas a mim e deixe minha filhinha viva, se vier sem revólver, mato ele.

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texto: Priscila Schip ilustração: Larissa Schip


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Revista Catarse I