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Revista Mensal • Ano 10 • nº 115 • Março 2010

Hebreus

Membros da Comunidade fazem primeiras alianças comunitárias pág 05


editorial

Enviados e Predestinados

“Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).

O

uvimos as palavras “evangelizar” ou “pregar o Evangelho” e pensamos que isso é tarefa apenas para os padres, ou talvez para algumas pessoas excepcionais. Mas essa missão é para todos nós que reconhecemos no Cristo o nosso Salvador, que recebemos a unção do Espírito Santo para sermos testemunhas de que algo muito bom Deus tem preparado para os homens, de que existe para todos uma herança de riquezas incomensuráveis e que devemos aprender a buscá-la, trilhando o caminho da conversão, na busca da santidade desejada por Deus. São João escreveu: “Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejas em comunhão conosco” (I Jo 1,1-3). A começar pelos Apóstolos, muitos homens e mulheres, no decorrer da história, encontraram Jesus e foram levados a falar sobre Ele, a proclamá-Lo como Caminho, Verdade e Vida, a anunciar que nEle há vida e alegria em abundância, que só Ele é capaz de saciar nossa sede e fome de paz, de felicidade verdadeira... A experiência e o relacionamento com Jesus os estimularam a enfrentar perseguições, a superar as adversidades, a testemunhar o Evangelho em meio ao martírio e flagelo. Porém, não podemos dar algo que não possuímos, não podemos ajudar as pessoas a se aproximarem de Jesus, se nós mesmos não mantemos um relacionamento íntimo com Ele. Nascemos para tornar este mundo melhor, mas isso só vai acontecer se nós nos tornarmos melhores. Preci-

expediente Jesus Caminho Seguro Rua São João, 722 CEP • 14 700 305 Bebedouro • SP (17) 3344-3900

caminhoseguro@caminhoseguro. com.br

samos, portanto, ser nutridos pelas palavras do Evangelho, para que frutifiquemos. Precisamos permanecer próximos de Jesus, meditando sobre tudo o que Ele nos diz, pedindo ao Espírito Santo que fecunde em nossos corações esse ensinamento, para que Jesus possa viver em nós. Então diremos como São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Se somos filhos amados de Deus, escolhidos e predestinados para viver a vocação ao amor, se nascemos para tornar o nosso mundo melhor, menos triste, menos dolorido, mais humano, mais fraterno e mais feliz, aqui vão alguns questionamentos: - Você tem vivido de forma a fazer jus à missão que recebeu? - O mundo está melhor pelo fato de você existir nele? - Sua comunidade está melhor por você estar inserido nela? - Seus amigos estão melhores por você fazer parte da vida deles? - Se Deus o chamasse agora, você poderia se apresentar diante dEle e dizer: “Fui fiel, cumpri minha missão, anunciei a Salvação àqueles que me foram confiados”? Faça dessa Quaresmal um tempo propício para aprofundar o seu relacionamento com Jesus! Não desperdice as oportunidades de beber na fonte da graça de Deus! Viva cada dia como se fosse o último! E seja feliz!

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especial

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cantinho de Maria

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a voz da igreja

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palavra do fundador

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comunidade

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espaço vocacional

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orientador espiritual

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formação

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questões de fé

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curso bíblico

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pequeninos de Jesus

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Maria de Lourdes Taube Conceição Equipe de Redação JCS

Coordenador geral Aparecido José Campanella

Projeto Gráfico e Editoração: Luciana Prado

Redação Maria de Lourdes Taube Conceição Michele Oliveira Prado

Venda de Anúncios Maria Rita de Rosis Mazeu (17) 9791-9721

Fotos • Arquivo

capa

Tiragem: 3500 Artes Gráficas

Os artigos desta revista poderão ser reproduzidos, desde de que se indique a fonte e se envie cópia à Redação. O conteúdo dos textos assinados é de responsabilidade dos respectivos autores.


Almas missionárias O Membros da Comunidade JCS fazem as primeiras alianças comunitárias

ano de 2010 marca uma nova fase a ser vivida pela Comunidade Jesus Caminho Seguro. No dia 02 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor e Dia Mundial da Vida Consagrada (data escolhida  para a imposição do símbolo e renovação do compromisso anual), após um caminho de cinco anos de formação, membros do 1º Elo fizeram as Primeiras Alianças Comunitárias. As alianças são compromissos de oração e vida em comum. Jesus, com seu sangue, sela a nova e eterna aliança de Deus com seu povo (cf. Mc 14,12-16.22-26). NEle e por Ele, os membros se comprometem uns com os outros, com a Igreja e com Deus As Comunidades Novas são conhecidas como Comunidades de Aliança ou de Vida e Aliança (como a Canção Nova, por exemplo), ou seja, o princípio, o fundamento de toda a Comunidade é fazer-se aliança, para isso, os membros assumem alguns compromissos. No caso da Jesus Caminho Seguro, esses compromissos são:  oração do terço, eucaristia, jejum, adoração ao Santíssimo Sacramento, confissão, leitura da Palavra de Deus e partilha de bens. O cordão que acompanha o símbolo é substituído pelo de cor preta (os demais

usam cordão marrom), e esses membros assumem também maior tempo de formação pessoal. “A partir de hoje, somos o que as pessoas conhecem como Comunidade de Aliança, e realizamos isso com o pensamento voltado para as necessidades do Santo Padre o Papa, da Igreja e da Comunidade”, ressalta o fundador da Comunidade, Zezinho Campanella. Na celebração presidida por Cônego Pedro Paulo Scannavino, orientador espiritual da Comunidade, e concelebrada por Pe. Fernando Sirino Vilella, além das primeiras alianças comunitárias, aconteceu a renovação do compromisso do 2º e do 3º Elo, a imposição do símbolo do 4º Elo e a apresentação dos novos membros, que fizeram caminho na Comunidade através do Curso de Evangelização Fundamental. Após a missa, todos os presentes participaram de uma confraternização. O evento foi transmitido ao vivo pela Web TV. Todas as missas e momentos de oração na Capela Nossa Senhora das Graças podem ser assistidos, basta acessar caminhoseguro.com. onde também é possível ouvir a rádio on-line, que está no ar 24 horas por dia.

Alianças Comunitárias: Eliana, João, Pedro e Izilda; Tânia, Maria Rita (Lica), Sandra e Zezinho

Imposição do Símbolo: Rogério e Márcia


Renovação do Compromisso: Cidinho, Maria de Lourdes e Adalberto (Júnior); Sônia, Gracilda e Sandra; Michele e Cleonice

Novos membros: Isabel, Fernando e Anderson; Juliana, Sônia, Elizete, Maria Célia e Ana Beatriz

Depoimentos “A liturgia de hoje nos diz que Jesus é a luz do mundo, portanto, todos nós, que assumimos o chamado para evangelizar, devemos transmitir essa luz, ser testemunha, ser semelhante a Cristo em todas as suas palavras e atitudes! Essa é a nossa missão e o nosso desejo para todos os membros da Comunidade: sejamos outro Cristo na vida dos irmãos!” Zezinho Campanella (fundador) “Para mim, toda vez que acontece essa celebração, que renovo meus compromissos e vejo outros receberem o símbolo, é Jesus dizendo: ‘Continua!’ E essa transmissão pela WEB TV, chegando até outras cidades e até mesmo outros países, diz ao meu coração: ‘Retoma o ânimo, porque Deus confia em cada um de vocês!’” Sandra Campanella (Co-fundadora)

“Resolvi entrar para a Comunidade porque acredito que dando esse passo vou aprender mais sobre Jesus. Agora sei o que quero: fazer o caminho de formação e, depois, com o tempo, vou discernindo se é mesmo essa a minha vocação. Espero continuar firme e peço a todos que rezem por mim!” Maria Célia Santos Silva (membro ingressante)

“Desde quando entrei no processo de formação, meu objetivo era me comprometer com a Comunidade e receber o símbolo. Eu amo tudo isso! Ser “Jesus Caminho Seguro” é um orgulho! Eu me mudei para Monte Azul e faço questão de falar a todos que faço parte desta Comunidade.” Márcia Lemo de Lima (4º Elo)

“Receber o símbolo da Comunidade muda a vida da gente. Não é só um sim que estou dando pra Jesus, antes desse teve muitos outros: o dos meus pais, de quando eu nasci, e hoje, que é o sim da Comunidade pra mim. É muito importante, é um novo começo!” Rogério Viana de Lima (4º Elo)

“A vontade de nos aproximar da Caminho Seguro surgiu durante uma missa. Sentimos um desejo muito forte de estar buscando mais, assumindo responsabilidades e, com isso, ter motivos para não desanimar, porque nos encontrávamos muito relaxados na parte espiritual. Quando estamos reunidos com o pessoal da Comunidade, sentimos que aumenta cada vez mais a vontade de conhecer sobre Cristo e a Igreja. Aqui nós encontramos alimento para nosso sustento!” Anderson e Ana Beatriz de Morais (membros ingressantes) Por Michele Oliveira Comunidade Jesus Caminho Seguro


especial

Q

Rasguemos os Corações e

ueridos irmãos, é tempo propício de conversão! O Senhor nos concede nova possibilidade de voltarmos a Ele. Não se trata de mais uma volta como as demais que já fizemos, mas sim de um encontro pessoal, pleno e duradouro. Precisamos tomar uma decisão de conversão, e a cada dia devemos confirmá-la em nossos corações e atitudes. E não podemos esquecer que é a misericórdia do Senhor que Abib, que assim ensina: “É o Senhor, portanto, quem nos diz: ‘Levanta, meu filho! Chegou o momento! Vou te restabelecer! Vou renovar o teu ânimo e tua vida! Coragem! O que era velho ficou para trás. Vou realizar algo novo em ti e já comecei. Não o vês?’”. Esta proposta de conversão que Deus nos faz deve ser encarada com muita seriedade, responsabilidade, disciplina e perseverança, pois o inimigo de Deus veio matar, roubar e destruir, mas Jesus, o Filho de Deus, veio para nos dar vida em abundância. Não podemos nos iludir! Caminhar com o Senhor Jesus não é uma tarefa fácil, pois tudo no mundo contribui para vivermos afastados de Deus. Se assim não fosse, o Senhor não teria dito que o Reino de Deus é alcançado pelos violentos, como está expresso em São Mateus 11,12: “Desde a época de João Batista até o presente, o reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. Entendamos: não se trata da violência do mundo, mas da violência contra o pecado, o demônio e a morte, ou seja, violência

contra tudo o que não é de Deus, contra tudo o que não glorifica a Deus e não promove os irmãos. A conversão sincera não é assunto para tratarmos sozinhos, mas é fundamental a graça de Deus neste caminho, pois até para nos convertermos precisamos de Sua graça santificante, que nos é dada pela mãe Igreja, pelos sacramentos da Confissão e da Eucaristia, principalmente. Como nos ensina São Tomás de Aquino: “como a fé pressupõe o conhecimento natural, a graça pressupõe a natureza, e a perfeição, o perfectível. Nada, entretanto, impede ser aquilo que em si é demonstrável e cognoscível, aceito como crível por alguém que não compreende a demonstração”. A mãe Igreja nos admoesta pelo clamor do profeta Joel: “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque Ele é bom e compassivo” (2,13). A nossa conversão não deve ser do exterior, ou seja, somente de aparência, mas do interior, do coração, que é a fonte de reconciliação com Deus e com os irmãos. A profecia de Joel nos convoca a uma penitência contínua e a um verdadeiro e consciente arrependimento. “Voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto” (2,12). Irmãos, não têm valor diante de Deus somente as aparências de conversão, de obras de caridade e de humildade se o nosso coração não for sincero, pois Deus jamais abandonará um coração contrito, arrependido e humilhado, como ensina

n ã o

o salmista: “Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito. Um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar” (Salmos 50,19). Pela boca do Apóstolo Paulo, o Senhor Jesus insiste na nossa verdadeira reconciliação com Deus, mas também nos alerta de não recebermos a graça de Deus em vão: “Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação. Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6,2). Quando o Senhor Deus fala em rasgar os corações e não as vestes, Ele nos chama a uma conversão sincera e verdadeira, ou seja, uma mudança, uma transformação da vida velha, impura, estragada e até fedorenta para uma nova vida, centralizada em Jesus Cristo e baseada nos valores do Evangelho. Nessa passagem do profeta Joel, deve ficar claro para todos nós, que queremos continuar no caminho de conversão, que os olhos de Deus Pai não estão voltados somente para as nossas atitudes exteriores, mas sim e principalmente para a verdadeira intenção dos nossos corações. Nesse tempo da Quaresma, o nosso Deus, por Jesus Cristo, na unidade do Santo Espírito, pelas mãos da mãe Igreja, nos concede um tempo favorável de conversão e penitência, tempo em que somos motivados a um reencontro com a misericórdia de Deus, com os irmãos e conosco mesmos, através da oração, da esmola e do jejum. Na oração, temos uma experiência pessoal e profunda com Deus, que nos oferece a sal-


a s

V e s t e s

vação em seu Filho Jesus, nos consagrando a Ele e confiando na sua misericórdia. No jejum, a renúncia de nossas vontades, de nossos desejos nos lembra que o próprio Jesus renunciou a Si mesmo por nós. Na esmola, nos voltamos para as necessidades dos irmãos que, sem dúvida, são uma fonte eficaz para nos encontrarmos com Deus. Pois sabemos muito bem que temos a seguinte promessa vinculada à caridade: “Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro 4,8). Termino, invocando, pelo Espírito Santo, a palavra contida em Joel 2,18, que diz: “O Senhor afeiçoou-se à sua terra, teve compaixão de seu povo”. Que o Senhor Deus, por Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, contado com a intercessão junto a Jesus da Virgem Maria, dos Anjos e de todos os Santos, nos conceda a graça de uma conversão verdadeira e duradoura. Que Ele perdoe todos os nossos pecados arrependidos, cure em nós tudo o que nos leva a pecar e restaure o nosso ser de toda a consequência que o pecado causou em nós. Deus seja louvado, pois, em Jesus Cristo, pelo Santo Espírito, Ele nos leva ao arrependimento e nos concede o Seu perdão e a Sua paz. Muito obrigado, Santíssima Trindade! Oscar Franco Filho Grupo de Oração Bom Pastor Paróquia de Nossa Senhora Aparecida


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cantinho de Maria

Rosário:

Com Maria, aprendemos a contemplar o rosto de Cristo

C

aríssimos irmãos e irmãs em Cristo! Na busca de um tema que pudesse nos auxiliar na reflexão mais profunda sobre a pessoa de Maria, já que esta pagina se reserva justamente a ser o seu “cantinho”, me deparei com um tema bem pertinente e que pode nos ajudar no aprofundamento de nossa oração diária, tendo como auxílio a Mãe de Deus, que nos aponta sempre para o seu Filho Jesus. Trata-se da oração do Rosário! Para muitas pessoas, a oração do Rosário apresenta um grau de dificuldade (tempo, repetição das orações...), que por sua vez acaba sendo entendida como uma oração enfadonha, cansativa e que quase não diz quase nada. Para outros, mais devotos, a oração do Rosário é como alimento diário de vida, mas que ainda é entendida como uma obrigação a ser vivida em vista de um bem a ser alcançado no futuro e não como um caminho de configuração a Cristo hoje. Para outros, ainda, o Rosário verdadeiramente apresenta um caminho que recorda a salvação operada por Cristo em favor dos homens e experimentam esta salvação em sua vida. Mas, afinal de contas, qual o significado do Rosário? Para quem o Rosário nos aponta? Trata-se de uma oração mariana ou uma oração cristológica? O Papa Paulo VI, na exortação apostólica Marialis Cultus, de 1974, diz que “o Rosário é um dos percursos tradicionais da oração aplicada à contemplação do rosto de Cristo”, sendo ela uma “oração evangélica, centrada no mistério da encarnação redentora, é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica”. O seu elemento mais característico, a repetição da Ave-Maria, torna-se louvor incessante a Cristo, objetivo último do anúncio do anjo e da saudação da mãe do Batista: “Bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Então, se o Rosário nos aponta para Cristo, onde fica a figura de Maria nesta oração? Maria participa ativamente desta oração, ensinando-nos a contemplar o rosto de seu Filho Jesus e a ver nEle a manifestação do verdadeiro homem e do verdadeiro Deus. Ela mesma recorda em seu coração e em seu pensamento os vários momentos da vida de Cristo e “propõe continuamente aos que crêem os mistérios de seu Filho, desejando que sejam contemplados e possam

irradiar toda sua força salvífica” (cf. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, cap.I, n.11 – Papa João Paulo II). Além disso, Maria é aquela que conhece profundamente a Cristo e pode nos ensinar a configurar-nos mais perfeitamente a Ele. Toda esta realidade podemos já contemplar na vida daquela que foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. E para que possamos nos aprofundar ainda mais neste tema que descreve o Rosário como um caminho de oração e um tesouro a ser descoberto, proponho a meditação de dois textos: o primeiro, que já citei, é a exortação apostólica do Papa Paulo VI, denominada Marialis cultus, e que descreve a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Virgem Maria; o segundo texto trata-se da Carta Apostólica do Papa João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, que particularmente segue um itinerário teológico que nos auxilia na melhor compreensão do significado do Rosário na vida cristã. Com o olhar voltado para Deus, possamos juntos, neste tempo, redescobrir a riqueza desta oração e fazer a mesma experiência de Maria, gerando o Filho de Deus ao mundo, exclamando como fez no Magnificat: “A minha alma engrandece ao Senhor e exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47). Com muito carinho, pela intercessão de Maria, desça sobre todos a bênção de Deus Uno e Trino, que é PAI, FILHO e ESPIRÍTO SANTO! Padre Leandro Nascimento Paróquia de São José Operário - Jaboticabal-SP


Por que cobrimos as imagens dos santos na Quaresma?

a voz da igreja

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A

tradição de cobrir os santos é muito antiga. Para entendê-la, é preciso primeiro entender o que significam as imagens dos santos numa igreja. Quando entramos na igreja e vemos as imagens, recordamos o mistério da Comunhão dos Santos: nós formamos, com eles, que já estão glorificados com Cristo Ressuscitado, a única Igreja, que é Igreja triunfante (que está nos céus), Igreja padecente (no Purgatório) e Igreja militante (nós na Terra). As imagens são, pois, uma mensagem de alegria: anunciam para nós essa consoladora e alegre verdade da fé de que estamos unidos à vitória daqueles que viveram antes de nós e – como nós – seguiram a Jesus. Quando cobrimos os santos na Quaresma, sobretudo na Semana Santa, estamos querendo representar que antes de viverem o mistério da glória com Cristo, eles passaram pelo mistério da dor, do sofrimento e da morte de Jesus. Os santos não são cobertos como sinal de luto, mas sim como sinal do mistério de “solidariedade” e união profunda ao mistério da Paixão do Senhor. Nós os cobrimos, dando um ar de pesar ao espaço litúrgico, nada alegre, pois agora é tempo de pensar na Paixão do Senhor. Isso fica ainda mais claro quando, no canto do Glória, na Vigília Pascal, vemos cair os panos roxos e voltar a alegria, pois no lugar daquela cor pesada e triste aparecem de novo as imagens coloridas e bonitas, sinal de quem venceu com Cristo, tendo passado pela sua cruz em união à dEle. Cobrir e descobrir os santos, então, nos remete ao Mistério Pascal, que é mistério de morte e ressurreição, de sofrimento e de alegria, de perca e de vitória. Cobrir os santos é linguagem simbólica muito expressiva, que tem sido recuperada em muitas comunidades cristãs, que estão se conscientizando do valor e da necessidade do simbolismo na caminhada humana. Infelizmente, esse uso foi se perdendo (mas isso é até concebível diante da retirada das imagens das igrejas na década de 70) e muitas comunidades simplesmente aboliram o seu uso sem nenhuma explicação. Outras, ao contrário,

mantiveram-se fiéis a esse antiquíssimo costume. Recordo, com alegria, meus tempos de criança, quando via as grandes imagens da Matriz da minha Paróquia natal cobertas neste tempo. Aquele ar pesado de imagens grandes cobertas falava para nós – pequeninos – que estávamos vivendo um tempo diferente na comunidade: o tempo de pensar na Paixão de Jesus. A gente entendia, na nossa simplicidade, pelo simbolismo, que estávamos na Quaresma. Tiro disso, então, uma mensagem: os símbolos não podem ser abandonados, mas devem continuamente ser atualizados e explicados aos fiéis, para que sejam instrumentos de evangelização e expressão do espírito religioso da nossa gente.

Pe. Marcelo Cervi Coordenador Diocesano de Pastoral


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palavra do fundador

Deus

E

sta parábola bastante oportuna que iremos refletir no IV Domingo da Quaresma, encontrada em Lucas 15,1-3,1132, nos diz que certo homem tinha dois filhos. O mais novo, sentindo-se limitado em casa, exige sua herança para poder sair ao mundo e viver sua própria vida. Pede então ao Pai: Dá-me a parte da herança que me cabe. O pai repartiu entre eles os haveres, mesmo sabendo que aquele desperdiçaria todo o seu dinheiro com coisas banais. Ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu para um país muito distante e lá dissipou sua fortuna, vivendo dissolutamente (libertino, sem caráter). Depois de ter esbanjado tudo, sem dinheiro e sem amigos, ele percebe que cometeu um erro terrível. Sobreveio àquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidades. Caindo em si disse: Quantos empregados de meu pai têm pão com abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como a um dos teus empregados. E, levantando-se, foi ter com seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido, correu-lhe ao encontro, abraçando-o e beijando-o. O pai ordenou aos seus servos que preparassem uma grande festa. Vamos comer e regozijar, disse o pai, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. É interessante prestarmos atenção em determinadas palavras que se fixam em nossa memória com um significado que nem sempre corresponde ao que está nos dicionários. “Pródigo” é uma delas, pois muita gente até a liga a “prodígio”, que tem seu valor positivo, (genial, bom). Note como é bastante conhecida a frase “O filho pródigo à casa torna”. E por que volta? Por que é bom e não esquece os seus? Nada disso, volta porque gasta tudo o que recebe do pai como pagamento antecipado da herança. Uma consulta ao dicionário é suficiente para descobrir que “pródigo” significa “esbanjador, gastador, extravagante”. Como veem, estamos refletindo a tão conhecida Parábola do Filho Pródigo, que também conhecemos como do Pai Misericordioso, Pai Amoroso, ou até poderemos chamá-la, no fim desta reflexão, de Parábola do Pai Pródigo, devido à sua tão grande generosidade e amor, que chega ao ponto do desperdício esbanjador (muito amor, muito perdão, restauração total, excessiva alegria, conforto supera-

O Retorno do Filho pródigo - Murillo

sempre está pronto a nos perdoar

bundante, firme segurança e íntima comunhão). O filho pródigo torna à casa porque esbanja tudo, só lhe restando a alternativa de voltar ao aconchego da casa paterna. O pai de nossa história nos faz lembrar de Deus. Assim como o pai nunca parou de amar seu filho, Deus nunca deixa de nos amar. Justamente como o pai deu as boas-vindas a seu filho e o perdoou, Deus sempre nos receberá bem e nos perdoará quando formos a Ele. O filho não merecia a recepção que recebera; a festa não foi dada baseada em seu mérito. Felizmente, o amor de nosso Pai celestial não se baseia no quanto o merecemos. Justamente como aquele pai amava seu filho e o perdoou, Deus está sempre pronto a nos perdoar. Aqueles que estão no caminho de Deus já têm a sua herança. Mas aos que ainda estão de fora, Ele diz: Vem, apesar de teus erros! Eu te amo! Zezinho Comunidade Jesus Caminho Seguro


AGENDA

Curso de Evangelização Fundamental Todas as quintas-feiras, às 20h, na Capela N. Sra. das Graças

Festa da Misericórdia

11 de abril (domingo)

Inscrições e informações: (17) 3344-3900

8h30 às 17h

Você quer conhecer mais profundamente a Jesus e sua Igreja? Deseja falar dEle para as pessoas e não sabe como? Então participe deste curso!

Matriz de N. Sra. Aparecida

Conteúdo baseado na Bíblia e no Catecismo da Igreja Católica


Cantinho do Leitor Momento especial: Dom Milton com Maria Faria e seus netos coroinhas: Alexandre Magno (12 anos) e Júlio César de Andrade e Silva (05 anos) – o coroinha mais novo da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida a convite de Dom Milton. Na celebração da Santa Missa, Júlio César (o “mascotinho”) foi convidado a cantar o refrão do hino missionário para a alegria da assembléia e de Dom Milton.

“Leva-me aonde os homens necessitem Tua Palavra, necessitem de força de viver, onde falte a esperança, onde tudo seja triste, simplesmente por não saber de Ti” Maria Faria de Andrade é sócia da Comunidade desde seu início, e a mãe das crianças, Ana Claudia de Andrade, fez parte do grupo que deu início à Comunidade, com um programa de rádio, há 15 anos. Também foi ela quem escolheu o nome “Jesus Caminho Seguro”. Atualmente, Ana Claudia é voluntária, cantando nas missas.

Faça como a Maria e envie sua carta com sugestões, testemunhos ou notícias de sua paróquia, grupo ou pastoral. Você também pode enviar fotos. Revista Jesus Caminho Seguro Rua São João, 722 - Centro CEP 14700-305 - Bebedouro - SP Emails: comunicacao@caminhoseguro.com.br / testemunho@caminhoseguro.com.br


Flashes

Kit Padaria - A Comunidade foi beneficiada com a doação de Posse - Dom Milton Kenan foi acolhido, como arcebispo caixas de leite e de um kit padaria pelo projeto “Padaria Agente do Bem Estar Social” - ação social do Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros). Na foto, da esquerda para a direita: Zezinho Campanella e os membros do Sincor/Regional de Barretos, João Garrucho, Rodrigo Otávio Mendes, Heitor Baston, Reinaldo Alves de Lima e André Mendes Camilo (21/01)

Novos ministros – Pedro

e Tânia Bution receberam a provisão do ministério extraordinário da sagrada comunhão eucarística para atuarem na Capela São José, que está ligada à Paróquia São Judas Tadeu

auxiliar na região da Brasilândia (capital Paulista), em missa no dia 06 de fevereiro. O bispo da diocese de Jaboticabal, Dom Antônio Fernando Brochini, representantes do clero e paroquianos de Nossa Senhora Aparecida marcaram presença. Houve uma linda homenagem com uma menina vestida de Santa Teresinha (sua santa de devoção)

Profissionalização –

A empresária Cristina Guessi promoveu, voluntariamente, uma palestra para os funcionários da Livraria, Rádio e Comunidade sobre atendimento ao cliente


o ç r

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mês de São José, de preparação para a Páscoa do Senhor e para a Festa da Misericórdia

Livro

Dica de Vídeo

Lançamento

Diário de Santa Faustina Judas e Jesus – Dramático

Conheça todas as revelações que o próprio Jesus fez Terço Abençoado de São sobre sua misericórdia para José - O poder da fé em suas conosco! mãos.

Lançamento CD Prisioneiro do Amor – Pe. Antônio Maria - Padre

Antonio Maria canta a fé, a paz e o amor no 16º CD de sua carreira. O trabalho reúne 14 faixas e conta com participações especiais de Fernando & Sorocaba, Elba Ramalho, Tania Mara e a cantora católica Eliana Ribeiro, da Comunidade Canção Nova. Vale a pena conferir!

Livraria e Locadora Jesus Caminho Seguro Rua São João, 722 - Centro - Bebedouro - SP Tel: (17) 3344.3902 livraria@caminhoseguro.com.br

e meditativo, este filme é uma impressionante versão da conhecida história, com uma nova perspectiva. Judas Iscariotes, o possível revolucionário, é um forte símbolo da fraqueza humana, com suas razões inicialmente honradas, devoradas pelo remorso interior. Ótima opção para assistir em casa ou na paróquia, neste tempo de Quaresma!

Vídeo Locadora Jesus Caminho Seguro Mais de 200 títulos Livraria


espaço vocacional

São Francisco Xavier: Co-fundador da Companhia de Jesus e padroeiro das missões e dos missionários

A urgência em anunciar

E

stava eu meditando na leitura que havia feito, em novembro, do livreto que conta a vida de São Francisco Xavier, quando me deparei com aquela realidade. Foi mais ou menos em sua época que surgiu a doutrina de Lutero (*). A Igreja se sentia fragilizada com o que acontecera, e logo o Espírito Santo passa a incomodar Inácio de Loyola para um carisma intensamente missionário: conquistar, através do amor, novos cristãos. Com esse carisma, Inácio funda a Companhia de Jesus, cujos membros trabalhavam na urgência de expandir a Igreja e levar o povo a conhecer Jesus. Com ela, começam a despontar as vocações que não mediam consequências para anunciar o Evangelho. Francisco Xavier é um exemplo desses missionários e tem nos inspirado a não desanimar diante das perseguições, tribulações, adversidades e reveses da vida. A sua sede de ganhar almas para Cristo ainda nos impressiona. Ele era um evangelizador nato, incansável; venceu o desafio dos idiomas, da cultura e dos costumes

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dos povos do Oriente para instaurar o Reino de Deus. Não tinha medo de fazer discípulos e delegar funções, pois sabia que era urgente a necessidade de evangelizar. Francisco Xavier desgastou-se pela causa do Evangelho. Ele não poupou fôlego, deu de si, espalhou a Palavra de Deus nas ilhas e aldeias por onde passou, testemunhando com a vida. Esse foi o motivo de ter sido tão amado. Depois, com a morte, foi ainda mais amado. Os milagres que realizou foram frutos da imensa compaixão que tinha pelo povo desprovido de bens e do maior “bem” – o amor de Deus. Olhando para os dias de hoje, vemos que não há diferença alguma, porque nós também estamos recebendo a missão de evangelizar em águas mais profundas, de ir mar adentro. Como missionários que somos, não podemos mais esperar o povo vir a nós. Somos nós que temos que ir até eles, ou pessoalmente, ou através da rádio e da revista, ou indo às escolas, aos bairros, comércio, indústrias, para levar a Palavra de Deus. Assim como os missionários da Companhia de Jesus tinham as dificuldades da língua e da cultura, nós também encontramos dificuldades para evangelizar em meio a tanto consumismo e sectarismo (surgimento de seitas). Vivemos um tempo de muita destruição, divisões, fome, violência, promiscuidade, banalidade do sagrado, inversão de valores, destruição do meio ambiente... E nós, diante de tudo isso, temos que abrir caminho, contar com quantos pudermos para formar grupos de missionários e preparálos para evangelizar sem medo. Assim como diz Paulo: “para ganhar o maior número de pessoas para Cristo” (1 Cor 9,19). Não há tempo para pararmos no meio do caminho por causa de picuinhas. Nós, cristãos, temos que falar mais dAquele nos une, que é Jesus, e deixar de perder tempo com sermões que falam das diferenças dos outros, pois o que importa é que todos aceitem Jesus Cristo. É por isso que queremos consagrar toda a nossa comunidade a Ele, pedindo a intercessão de São Francisco Xavier. São Francisco Xavier, rogai por nós! (*) No século XVI, Martinho Lutero rompeu com a Igreja Católica, fundando com isso o protestantismo. Em decorrência desse protestantismo, surgiram as demais igrejas evangélicas que temos até os dias de hoje.

Eliana Merchan Comunidade Jesus Caminho Seguro


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espaço vocacional orientador espiritual

Palavra ainda é documento?

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m conversa com pessoas mais idosas e bem formadas em seu caráter, constatamos que vale mais a palavra dada, o compromisso verbal do que propriamente um documento assinado e registrado. Existe também uma expressão antiga que diz “quanto mais convivo com os homens mais admiro os animais”. Sempre achei essa expressão pesada e um tanto exagerada. Porém, observando através da mídia o comportamento das pessoas que deveriam dar testemunho da verdade e da justiça, ficamos estarrecidos, decepcionados, indignados com o cinismo, frieza e hipocrisia com que mentem descaradamente para defender-se ou defender interesses escusos, pessoais ou de grupos mais que privilegiados. De que valem os documentos, compromissos firmados, evidências e provas concretas? Onde se encontram os valores e compromissos, verbais ou não? Até onde podemos acreditar em “CPIs”, processos e julgamentos? É muito triste e desanimador constatar que, apesar das evidências e dos fatos comprovando a cumplicidade do réu,

o resultado final depende, não da verdade, mas da competência da defesa. O objetivo primordial do advogado de defesa, na maioria das vezes, é livrar seu cliente das consequências de seus delitos, não importando se os meios e instrumentos são justos e se estão em conformidade com a verdade e a justiça. Hoje, tornou-se inócuo perguntar ao réu: Você é inocente ou culpado? O critério não é a verdade e a justiça, mas a competência persuasiva do advogado. Isso gera em todos nós uma sensação de frustração, de impotência, levandonos à apatia diante dos fatos em que nos envolvemos. Mesmo sendo inocente, adianta dizer que não é culpado? A cada dia que passa, nossa “palavra” vai ficando na “saudade” e o que adquire “status” é: “procure seus direitos”, “vire-se”, “defenda-se”, “procure um bom advogado e siga suas instruções”... Diante desse quadro, eu pergunto: Onde mora a verdade e a justiça? Diante dos fatos e da realidade, que valor tem nossa “palavra”? Cônego Pedro Paulo Scannavino Orientador Espiritual

Eliana Merchan Comunidade Jesus Caminho Seguro


CDs da Comunidade Jesus Caminho Seguro Para seu crescimento, oração pessoal e uso na catequese, grupos e pastorais

Dica do Mês Orações à Divina Misericórdia Participação especial: Dom Milton Kenan

Terço, Novena da Misericórdia e muito mais! Reze com a Comunidade Jesus Caminho Seguro estas orações que nos levam a mergulhar no amor misericordioso de Jesus!

Lançamento

Coleção Querigma

É urgente a necessidade de evangelização, não só de quem está fora, mas até mesmo dentro da Igreja. Esta coleção é uma resposta a isso. Querigma é uma palavra que vem do grego (Kérigma) e significa “proclamação”. É o anúncio do Evangelho a pregação primeira e fundamental sobre Jesus. Através do querigma, é possível ter uma experiência pessoal e transformadora do amor de Deus, que suscita em nós uma resposta de fé e entusiasmo por Ele e sua Igreja.

À venda na Livraria Jesus Caminho Seguro * Informações e reservas: (17) 3344-3902

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formação

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Trabalho pessoal

recisamos de um trabalho pessoal conosco. Se não avalio minha vida, se não acho em mim áreas que precisam de mudança, é porque me acomodei na minha conversão. Daí, se não trabalho pessoalmente e diariamente na mudança de minha conduta, fica sem sentido eu trabalhar para a conversão dos outros. Nossa oração, bem como nossa leitura, devem ser contemplativas. Todo nosso diálogo com Deus deve acontecer a partir de nossa vida. Precisamos ter a coragem de mexer em nós mesmos. Não adianta ficar jogando a responsabilidade sobre Deus daquilo que dá errado em nossa vida, porque pagamos o preço das nossas escolhas e sabemos que muitas vezes sofremos por causa de nossas opções, Deus nos fez livres! Somos nós os autores da nossa história! Escrevemos o roteiro, dirigimos e atuamos. O Senhor só irá intervir quando nós O convidamos para nos dirigir. Mas a intervenção de Deus é muito sutil! Ele vai indicar o caminho, vai nos ensinar como agir, nos mandará pessoas que serão nossos orientadores. Nossos amigos espirituais também falarão conosco através da sua Palavra, e o Senhor derramará sobre nós os seus dons, para que possamos resistir nos dias maus. Mas o agir sempre dependerá de nós. Muitas vezes, basta um minuto para fazemos uma coisa errada na vida. Entretanto, para consertar esse erro levamos muito tempo. Muitos custam a entender que existe uma lei, a de causa e efeito, e não dá para mudar isso. Alguns teimam em culpar a Deus e acham que porque estão indo à Igreja Ele é obrigado a resolver aquela situação. Mas nosso Deus não é mágico. Ele é Deus! Precisamos entender que frequentar a Igreja não dá certificado de santidade a ninguém. Muitos são denominados cristãos, mas não seguem os valores do Cristo ou pelo menos não seguem como deveriam, só usam as passagens bíblicas que lhes convêm.

Mas entre conhecer a verdade e aplicá-la na vida há uma imensa diferença. Inclusive, alguns possuem uma grande facilidade em decorar a Palavra e depois passar adiante; outros se maravilham com a pregação do Evangelho, até aplaudem, mas na hora da prática vêm as dificuldades. Tudo isso porque não há uma rotina diária – a “lição de casa”. Vamos à missa, ouvimos a homilia, voltamos para casa, mas não fazemos a “lição”, porque não tem quem nos cobre. Precisamos ter um compromisso, como um grupo que nos ouça semanalmente. Se não vivermos em comunidade, com outros irmãos que tenham um ideal como o nosso e o mesmo desejo de santidade, nós estacionamos no processo de conversão. Precisamos de aliados nessa luta contra o pecado, com um dando força ao outro, com um “vigiando” a conduta do outro (entenda-se “vigiar” como não deixar pecar). Essa cumplicidade é para nosso bem. Todos os santos tiveram um diretor espiritual ou um formador. Se ficarmos soltos, sem um plano pessoal de vida de santidade, não vamos trabalhar conosco. Muitos se empenham em procurar um profissional que os ajude a achar o caminho de volta para si mesmos, mas só encontraremos esse caminho se encontrarmos Jesus, porque só Ele é o Caminho. Devemos encontrar o Senhor para que possamos encontrar a nós mesmos e nos conhecer. Resumindo essa reflexão: ou entramos no caminho ou, com o tempo, sairemos da estrada. Passos foram feitos para serem dados e todo cristão tem um itinerário a cumprir. Ou vamos ou voltamos, pois não conseguiremos ficar indiferentes por muito tempo. Por esse motivo, precisamos trabalhar conosco diariamente. Eliana Merchan Comunidade Jesus Caminho Seguro


questões de fé

Em que consiste, concretamente, o Reino de Deus?

Reino dos Céus (ou Reino de Deus) é uma realidade que pode ser entendida em mais de um sentido, ou melhor, que se realiza de diversas formas. Já no Antigo Testamento, Deus é considerado Rei de todo o Universo, por ser Ele quem determina e dirige os acontecimentos, além de ser o Criador de tudo o que existe. Israel era o povo de sua predileção, que tinha a missão de ser, no mundo, um sinal concreto desse reino. Como seus reis humanos se desviassem da missão, Deus promete, através dos profetas, restaurar um dia esse povo e voltar a reinar sobre ele por meio do Messias, tornando-o forte e poderoso, referência para todas as nações. No Novo Testamento, os ensinamentos de Jesus deixam claro que seu reinado é de outra dimensão, mais interior do que exterior: manifesta-se no tempo, mas ultrapassa o tempo. Relaciona-se diretamente com a missão salvífica de Jesus e seus efeitos libertadores sobre toda a humanidade. Pode-se dizer que o Reino de Deus, prometido e preparado no A.Testamento, realiza-se concretamente em três etapas: 1) A vida terrena de Jesus num momento concreto da História: sua encarnação, pregação e sinais, morte e ressurreição. Nesse sentido, João Batista e Jesus diziam: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”, e também: “O Reino de Deus está no meio de vós”, ou seja, o reino é o próprio Jesus, sua presença e sua missão. Sua libertação e restauração, porém, realizam-se num plano interior, transcendente, e não exterior, material e político, como pensavam os israelitas. Seu reino “não é deste mundo” e, por isso, “não pode ser avaliado por critérios materiais”. O Reino de Deus se realiza então ali mesmo, onde, aos olhos do mundo, parece fracassar (sofrimento, morte, perseguições...). Quem recebe a vida (e o Reino) é quem morre para o mundo, renuncia aos valores puramente humanos para deixar-se renovar pelo modelo de perfeição que é o próprio Cristo. 2) Como essa conversão é um processo gradual e progressivo, o Reino de Deus tem também esse caráter de uma ação em

andamento, um processo que começou com a vinda de Jesus, mas ainda não se concluiu. É o que mostram as parábolas do Reino: trata-se de uma semente pequena a princípio, cujo potencial é posto em ação pela própria “morte” da semente (Jesus, e nós como seus seguidores). A semente do Reino frutifica na medida em que a Palavra é acolhida e o Reino desejado (“buscai primeiro o Reino de Deus”). Ele chega e acontece quando se vive o amor e se acolhe Jesus, oferecendo a própria vida em favor dos irmãos. O Reino também se manifesta na Igreja, a quem Jesus confiou a missão de conduzir a humanidade nessa travessia. Alimentando seu povo com a Palavra e a Eucaristia, a Igreja o conduz pelo mundo até chegar à verdadeira e definitiva Terra Prometida. 3) A caminhada da Igreja é uma posse parcial desse Reino de Deus, que um dia chegará à plenitude, no Final dos Tempos. Jesus também deixa claro esse terceiro caráter do Reino, que é o caráter escatológico: a futura posse definitiva do Reino, que é habitar para sempre na Casa do Pai, onde não entrarão aqueles que apenas dizem: “Senhor, Senhor”, mas não fazem a vontade do Pai. O Reino estará definitivamente instaurado quando toda a humanidade reconhecer o senhorio de Jesus (“todo joelho se dobrará, toda língua proclamará que Cristo é o Senhor”). Cabe a nós seguir perseverantes nessa batalha diária e suplicando com a Igreja: “Vem, Senhor Jesus!” “Venha teu Reino!”. Esse mesmo Reino que já está no meio de nós, porque Jesus é o “Alfa e o Ômega”, o princípio e o fim de tudo, “aquele que é, que era e que vem”. Resumido do livro Conversando sobre a fé – Margarida Hulshof (Edit. Santuário)

Por Paulo Francisco Tellaroli Comunidade Jesus Caminho Seguro

Frederiksborg Slotskirke; Hillerod, Denmark

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curso bíblico

Sobre os Evangelhos

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aro leitor, neste mês, vamos trabalhar algumas noções fundamentais dos Evangelhos retiradas de um material que muito me ajudou a conhecer a Palavra de Deus, sua riqueza e importância. Bom aprendizado para você! a) EVANGELHO – significa “Boa Noticia”. Era assim que os primeiros cristãos chamavam a obra e a mensagem salvadora de Jesus. b) EVANGELHOS SINÓTICOS – os três primeiros Evangelhos – Mt, Mc, Lc – são chamados de “SINOTICOS”, uma vez que cada um, guardadas as características próprias e particulares, apresentam semelhanças grandes (na matéria, ordem e forma literária), que permitem uma visão de conjunto. Daí o nome “sinóticos”, pois guardam uma sinopse. c) CONTEÚDO E FINALIDADE DOS EVANGELHOS – Os Evangelhos nos apresentam a vida, doutrina, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eles nos apresentam e nos comunicam a “Boa Notícia” da salvação em Cristo, para que o homem se converta a Deus e a seus irmãos e para que viva em comunidade. d) VALOR HISTÓRICO DOS EVANGELHOS – Os Evangelhos estão baseados em palavras e obras de Jesus, iluminadas e interpretadas sob a luz do Espírito Santo e pela experiência da ressurreição de Jesus. Sempre devemos levar em conta que os evangelistas não pretenderam fazer uma crônica exata dos acontecimentos, nem uma apresentação histórica da vida de Jesus e nem tentaram reproduzir materialmente suas palavras e obras. O que fizeram foi, conservando a forma de pregação viva em seus escritos, sintetizar, selecionar e adaptar para suas comunidades as obras e palavras de Jesus, sendo fieis ao espírito vivido e à mensagem anunciada pelo Filho de Deus.

Os Evangelhos são testemunho e proclamação de uma fé. Não têm um interesse estritamente biográfico, mas desejam transmitir a vivência que seus autores tiveram de Jesus, que já teria sido glorificado e constituído Senhor. É evidente que essa vivência se baseia nos atos e palavras de Jesus, porém já iluminados e interpretados à luz do Espírito Santo e dos acontecimentos gloriosos do Mestre. O interesse primordial está em fazer um memorial de Jesus e colocar-nos em contato com Ele, sobretudo com suas atitudes e critérios fundamentais, para que possamos confessar Jesus como o Messias e Filho de Deus. Conforme uma profecia de Ezequiel (1,4-10), os evangelistas são representados por símbolos ou figuras, da seguinte maneira: 1 – MATEUS é representado pela figura de um HOMEM, porque começou a escrever seu Evangelho dando a genealogia de Jesus. 2 – MARCOS é representado pela figura de um LEÃO, porque começou a narração de seu Evangelho no deserto, onde mora a fera. 3 – LUCAS é representado pelo TOURO, porque começou o Evangelho falando do templo, onde eram imolados os bois. 4 – JOÃO é representado pela ÁGUIA, por causa do elevado estilo de seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério altíssimo do Filho de Deus. Fonte: Apostila “Catequese básica” – Dewet Virmond Taques Junior – e livro “Conheça melhor a Bíblia” – Pe. Luiz Cechinato (Ed. Vozes).

Nas próximas edições, vamos estudar cada evangelista e seus Evangelhos. Por João Merchan Comunidade Jesus Caminho Seguro


pequeninos de Jesus

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Olá, Pequeninos!

N Irmãos a caminho – Therezinha M. L. da Cruz (FTD)

o livro do profeta Joel, capítulo 2, nos versículos de 12 a 18, lá no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, está escrito que temos que reconhecer o amor e a misericórdia que Deus Pai tem por nós. Devemos nos arrepender dos nossos erros, pensar nas coisas que fazemos, orar, louvar o nosso Deus, pedir o seu perdão e sua ajuda para nossa vida. Pequeninos, é exatamente assim que devemos agir com nosso Pai. Que tal pedir ajuda a um adulto para descobrir o que Jesus nos ensina na atividade abaixo?

ATIVIDADE

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Março 2010  

Revista Jesus Caminho Seguro