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Milton Neves, uma médica do hospital Pequeno Príncipe e o Rei Pelé.

24 horas com o Rei Um momento de convívio com o Rei Pelé, que ficou guardado na memória. partir do hangar da Líder, decolamos de Congonhas rumo a Curitiba. A bordo, Pelé, Pepito, o assessor fiel e não aproveitador, o irlandês Don Mullan, José Álvaro Carneiro, presidente do Hospital Pequeno Príncipe do Paraná, meu filho mais novo e eu. Don Mullan é um jornalista, escritor, pacifista, filantropo e ativista da Irlanda, amigo de Pelé, de Nelson Mandela, de Gordon Brown (primeiro-ministro britânico), do bispo Desmond Tutu, de Gordon Banks e autor do livro “Gordon Banks: A Hero Who Could Fly” (Gordon Banks: O Herói Que Podia Voar). Já na sala vip, Pelé parou tudo. Umas 300 fotos para funcionários e pilotos de outros aviões que surgiram do nada. Uma rotina. Vôo rápido no King Air C90 GTI de Joel Malucelli, banqueiro, esportista, benfeitor do Hospital Pequeno Príncipe e dono das TVs Bandeirantes de Curitiba e Maringá e das rádios Band News FM, CBN e Globo da capital do Paraná. Entrevistei o Rei, no ar. Ele não se conforma por Robinho estar andando com três seguranças em Santos. “Lá, eu nunca tive ou quis isso”, resmungou. E que no mundo inteiro sempre perguntam do “Robinho Arantes do Nascimento” como “seu filho”. “Culpa tua, seu traíra”, brincou. Disse ainda que a Xuxa continua sua amiga. Chora quando fala de “seu pai” Julio Ma-

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zzei, acometido em Santos pelo Mau de Alzheimer. Que Hélio Viana voltou a ter relações com ele, parcialmente. E que Ricardo Teixeira hoje não é seu desafeto e a Copa de 2014 será a maior da história. Que é irritante ser criticado neurótica e possessivamente por quem imagina ter ou ter tido influência sobre suas posições de ontem, hoje ou até de amanhã. Que, convidado, se reaproximou de Ricardo Teixeira para o bem do futebol brasileiro e de nossa segunda Copa no País. “Afinal, ele ainda é o presidente, não o coloquei lá e em 2014 ele ainda estará no comando da CBF”, frisou. Como torcedor e telespectador, considera Neto, da Band, o melhor comentarista hoje da TV. Que ele se diverte com as recorrentes brigas (de verdade) entre Franz Beckenbauer e Bobby Charlton em todas as reuniões de notáveis da Fifa: “O Kaiser não se conforma com a arbitragem trágica da final da Copa de 1966 e sempre pede a Charlton que lhe dê a medalha da Copa do Mundo da Inglaterra”, contou. O Rei, às gargalhadas, diz que é muito engraçado acompanhar a eterna discussão entre seus dois amigos, envolvendo a bola chutada por Hurst que não entrou no gol de Tilkowiski naquela polêmica final de 66. E que deve receber logo, logo, em sua casa no Guarujá, esses seus dois célebres amigos que conheceu no mundo do futebol. Na chegada, a muvuca de sempre. Fotos, abraços,


Por: Milton Neves Fotos: site Milton Neves.com.br olhares deslumbrados e três nigerianos chorando (incrível!) vendo “o orgulho maior da África”. Fomos direto para o Hospital “Pelé” Pequeno Príncipe, que ele adotou em 2005. Médicos, crianças doentes, convidados e “todos” os jornalistas de Curitiba presentes. Na coletiva, 98% das perguntas fugiram do tema hospital. Como dissociar? E dá-lhe polêmica: Pelé detonou o Fla de Kléber Leite e o Timão de Andrés Sanchez. Foram quatro horas no heróico e pioneiro em santas pesquisas científicas do exemplar hospital curitibano. Rápida passagem pelo Hotel Bourbon. À saída, para o evento angariador de fundos em que apresentei um mini “Terceiro Tempo” com o Rei no “Castelinho do Batel”, Pelé viu pela primeira vez na vida, ao vivo, seus dois netos, Octavio e Gabriel, filhos de Sandra, sua filha que morreu. Tive a honra de apresentá-los ao avô, porque desci primeiro para o lobby do hotel e fui abordado pelo pai dos meninos, já empunhando e me entregando um DVD dos futuros Pelés. Octavio e Gabriel jogam nos chupetinhas do Atlético Paranaense. Pelé adorou ver os meninos e conhecer seus novos netos. Mas, nem olhou no rosto do pastor Ozeas Felinto, ex-marido de Sandra e hoje casado com uma japonesa cantora evangélica, sua ex-secretária até nos tempos em que Sandra era viva. Ao“Castelinho do Batel”, o Paraná inteiro compareceu. Todo o mundo econômico, político, pensante, comandante, cultural e esportivo lá estava para ver uma lenda de perto. O vice-governador, Álvaro Dias, Beto Richa, deputados, vereadores, empresários e mais de setecentas pessoas não arredaram o pé até às 2 horas da manhã de sexta-feira. Fotos com todo o mundo, leilão de camisas e moedas, bom dinheiro arrecadado, áudio visuais da saúde do “Pequeno Príncipe” e o mini “Terceiro Tempo” comigo e com um colega da “Gazeta do Povo”, compuseram o cenário da noite emocionante e filantrópica. A volta foi tão rápida quanto nossa despedida em Congonhas. O Rei e o fiel Pepito foram embora. Que pena, acabou. Nunca tinha visto e convivido tão de perto com o homem que norteou minha vida, uma grande zebra. l

Os funcionários do hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, com o Rei.

O empresário J. Malucelli, o senador Álvaro Dias (em pé) e Milton Neves.

O Rei viu pela primeira vez na vida, ao vivo, seus dois netos, Octavio e Gabriel, filhos de Sandra, sua filha que morreu. De terno marrom, o pastor Ozeas Felinto, pai dos garotos.

Presidente do hospital Pequeno Príncipe do Paraná, José Carneiro, Milton Neves, Pelé e um jornalista do jornal paranaense “Gazeta do Povo”.

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (à esquerda), Milton Neves e o vice-governador do Estado Orlando Pessuti.

Netto Neves, Pelé, Milton Neves e o escritor irlandês Don Mulan.

Milton Neves e o jornalista paranaense ouvem atentamente as palavras do Rei.

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