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ANO 1 – 2013 – Nº 0 – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Licitação Um mercado para ser explorado

Falta mão de obra? Ou falta profissional qualificado? Casas populares movimentam setor da construção civil no interior paulista Vereador Conhecer para poder fiscalizar


Editorial

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revista “Construção € Asseio” foi desenvolvida para atender às pequenas e médias construtoras, abrindo espaço também para questões de interesse dos setores público e privado. A edição de nº 0 contará com versões impressa e online e funcionará como uma ferramenta de degustação, para a captação de leitores e anunciantes, criando desta forma um novo e moderno espaço para divulgação de produtos, serviços e ações. As seções da revista “Construção € Asseio” contam com artigos, entrevistas, dados estatísticos e reportagens especiais. Tudo voltado para o ramo de construção civil, arquitetura e prestação de serviços de manutenção, conservação e limpeza. As editorias estão divididas em fixas e especiais: Editorias fixas: “Dicas de Construção”, “Infraestrutura e Asseio”, “Fique por dentro”, “Arquitetura, habitação e urbanismo”, “Concorrência Pública” e por fim abre um espaço para falar sobre “Qualificação Profissional”. Editorias especiais: “Opinião”, “Sustentabilidade” e “Acessibilidade”. Entre os leitores, a “Construção € Asseio”, pretende conquistar empresários, investidores, negociantes e técnicos, entre outros, graças à qualidade de seu conteúdo informativo, sofisticação do design, ilustrações fotográficas e diagramação. Sem falar na qualidade da impressão e encadernação. A revista “Construção € Asseio” será publicada bimestralmente, a distribuição será gratuita e sua circulação abrangerá inicialmente o Estado de São Paulo. A partir da edição nº 1, seus proprietários estimam imprimir 15 mil exemplares a serem distribuídos em escritórios de engenharia e arquitetura, construtoras, empresas de limpeza urbana, sindicatos, prefeituras e secretarias municipais, além de outros pontos de interesse. A edição de nº 0 impressa contará com 500 exemplares e será lançada juntamente com o site e a versão online. Os internautas também podem usar o recurso QRcode para leitura em dispositivos móveis. Nesta edição de nº 0, a equipe de reportagem da revista esteve em diversos municípios do Estado de São Paulo. Entre eles Santos, São Pedro, São Roque, São Vicente e Piracicaba. Conversou com políticos, gestores públicos, empresários e sindicalistas e apurou que existem boas oportunidades de investimentos e trabalho principalmente no interior do estado. Outro aspecto constantemente abordado durante as entrevistas foi a necessidade de qualificar mão de obra. A preocupação em capacitar os profissionais foi um consenso entre os sindicalistas entrevistados. O que mudou de sindicato para sindicato foi a forma como cada entidade está cuidando da questão. Na capital paulista, o destaque ficou por conta da desmistificação sobre o ainda não tão conhecido “Mercado de Licitações”. A ideia não é ditar caminhos, mas refletir e somar esforços, aproximando fontes e leitores, sobre assuntos que permitam também aos pequenos e médios empresários mais condições de competividade. ∆

Regina Ramalho Boa Leitura. Equipe Construção € Asseio


Sumário 06 Concorrência Pública RCC Explica o Mercado de Licitações para as pequenas e médias empresas

09 Fique por dentro Eles vêm e vão. Mas o que faz um vereador?

11 Dicas de Construção

Construção Responsável – O arquiteto Gustavo Goulart mostra que é possível construir de forma social e ambientalmente responsável

13 Infraestrutura e Asseio Empresa de prestação de serviços revela o segredo do bom desempenho

15 Opinião

O presidente do Sinticompi explica a necessidade de aposentadoria especial para o trabalhador da construção civil

17 Arquitetura, habitação

e urbanismo

São Pedro e cidades vizinhas se preparam para um salto econômico na próxima década

19 Qualificação

Profissional

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Trabalhador da construção civil: é hora de se qualificar!

75 anos construindo a Baixada Santista

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Conselho Editorial Presidente: Rudinei Freitas

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Jornalista Resposável: Ricardo Novais – MTB: 0074144SP Editora de Jornalismo: Regina Ramalho Editor gráfico: Ricardo Novais Diretor Comercial: Danilo Leme de Souza Revisão:Cristiane Navarro Colaboradores: Jornalistas: Wilian Miron e Gabriela Marquez

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Fotografia: Moitta Prado Colaboração Fotográfica: Edi Souza Nalva lima Paulo Cesar de Andrade Vespasiano Rocha Agradecimento: Senai/SP Colaboradores: Ana Paula Salaviano Tiragem nº 0: 500 exemplares Publicação: Bimestral Impressão: Magic Impress Distribuição: Gratuita Contato: redacao@construcaoeasseio.com.br www.construcaoeasseio.com.br A Revista “Construção € Asseio” não se responsabiliza por opiniões e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressam apenas o pensamento dos autores e não representam o pensamento da direção da revista.

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Diretor da RCC Licitações fala sobre o mercado de licitações Na visão de José Maria Dias, vender para o governo é uma ótima oportunidade para empresas de todos os portes. Escrito por:Wilian Miron Fotos: Moitta Pardo

Concorrência Pública

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mercado de licitações temperatura deste mercado pode porque há muitos mitos sobre deslanchou nos últimos ser sentida pela quantidade de fazer negócios com o governo”. anos, movimentado editais públicos que sua empresa Pela radiografia do setor feita pelo pelo crescimento econô- tem divulgado, volume que chega diretor da RCC Licitações, este é mico do país, e tem atraído cada a uma média de 70 mil por mês. um mercado com muito dinheiro vez mais interessados em fazer “Para se ter uma ideia, agora, e pouca gente participando. “Gonegócios com órgãos públicos li- em agosto, chegamos ao nosso verno tem muito dinheiro para gados aos governos Federal, Esta- recorde, com a divulgação de 90 investir, entre verba de custeio e duais e Municipais. mil editais”, comenta. de investimento”, pontua. E, mesmo com uma persIsso ocorre, segundo ele, pectiva, para este ano, de es- “A Lei de Responsabilidade Fis- porque ainda existe um tabilidade do PIB (Produto grande número de empreInterno Bruto) próximo ao cal obriga o governo a ter os sários com pouco conhecimesmo patamar dos anos recursos antes de contratar” mento sobre o assunto, que anteriores, a tendência é que temem não receber pela este nicho continue gerando venda ou serviço prestado bons negócios, sobretudo para pe- De acordo com Dias, o mercado ao governo. “Mas hoje a Lei de quenos e médios empreiteiros, que é atraente também por conta da Responsabilidade Fiscal obritêm a possibilidade de atuar em baixa quantidade de empresas ga o governo a ter os recursos projetos para a melhoria da infra- que participam com frequência antes de contratar”, esclarece. estrutura no interior do Brasil, ou de licitações, ou seja, ainda há es- Na visão de Dias, portanto, é neatuar terceirizando serviços para paço para quem se interessar por cessário aumentar o volume de quem fechar grandes contratos. este mercado. “Ainda hoje, quem informações sobre este tema. “É Segundo o diretor-geral da RCC participa de licitações são as preciso deixar mais exposto, Licitações, José Maria Dias, a empresas mais esclarecidas, mais acessível, e criar credibili-


dade para mudar estes conceitos”. Além de encontrar um mercado grande, e ainda com bons espaços para se explorado, as pequenas e médias empresas que se dispuserem a entrar no ramo de licitações devem ter seus caminhos facilitados com a ampliação do uso de ferramentas digitais empregadas pelos gestores públicos para divulgar as oportunidades. Entre elas, Dias cita o pregão eletrônico. “A tendência é ele avançar muito. Aí essas empresas terão vantagens para participar”. Entre os principais compradores, segundo ele, estão:

o Governo Federal e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além dele, há também os grandes municípios e as capitais destes estados. “Segue mais ou menos o ritmo da arrecadação e da quantidade de população”. Serviço: Conheça o mercado de licitações, acompanhado as publicações da “RCC Licitações” ou participando de palestras e cursos acessando o site www.rcc.com.br

Veia empreendedora A RCC Licitações nasceu como serviço de divulgação de editais numa das editoras onde José Maria Dias trabalhou, por volta de 1967. A ideia, naquele momento, era pegar carona na quantidade de obras públicas divulgadas pelo governo, em meio ao ‘milagre econômico’. “Era um caderno, depois separou” e se tornou independente. Vendo que poderia transformar a pequena revista num bom negócio, Dias resolveu comprá-la do patrão em 1984, quando fez também um jornal institucional e guias de editais com publicidade, informações via telex, fax e relatório impresso. Três anos mais tarde, diversificou suas atividades e passou a oferecer cursos e palestras focados na especialização de empresas que queriam vender para o governo. “O que eu faço é pegar tudo e divulgar”, comenta. Depois, com o advento da internet, migrou seus produtos para a plataforma digital, onde afirma ter mais dinamismo para oferecer informações aos seus clientes. Hoje, o forte da RCC Licitações é o uso de tecnologia para buscar as oportunidades em diversos estados do País. “Temos uma equipe de 30 pessoas para fazer essa coleta e alguns programas (robôs), que nos ajudam a procurar licitações nos órgãos públicos”. Outras áreas bastante fortes na empresa são: a oferta de cursos periódicos, pelos quais já passaram mais de 21 mil pessoas, e a publicação de livros com as principais leis para quem pretende participar de numa licitação. ∆ 7


Eles vêm e vão. Escrito por: Regina Ramalho Fotos: Edi Sousa

Mas o que faz um vereador?

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revista Construção € Asseio acompanhou um dia na vida do vereador Adenilson Correia (Kalunga), vice presidente da Câmara Municipal da Estância de São Roque (SP), para saber qual a importância e o papel do vereador para o desenvolvimento das cidades.

Fique por dentro

O parlamentar

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Para quem pensa que conhece as funções do cargo, Kalunga esclarece. “Como sempre atuei como líder comunitário, inclusive acompanhando o trabalho dos mesmos na Câmara, fui formando uma concepção de como devia ser o papel de um parlamentar. Hoje eleito e em exercício tenho outra visão muito mais clara do meu papel junto à população”, lembra.


Kalunga explica algumas das suas responsabilidades: propor projetos de leis, que atendam aos interesses não só dos que o elegeram, mas também de fiscalizar as ações do prefeito, aprovar ou rejeitar projetos orçamentários de interesse da coletividade, além de homenagear e promover pessoas, instituições e ações que beneficiem aos cidadãos.

“Quero ser vereador não só para quem votou no Kalunga, mas promover ações para beneficiar a cidade de São Roque como um todo ajudando as pessoas que mais necessitam, pois venho de lá de baixo e sei que não é mole não”, afirma. Não é possível fazer de pronto tudo que gostaria e a sociedade necessita. Os processos são muito burocráticos e tem ainda as questões técnicas, por isso tenho que ficar atento aos trabalhos da mesa diretora, fazer respeitar o que consta na lei de diretrizes orçamentárias. Além disso, como parlamentar, também tenho que articular e buscar recursos orçamentários para o desenvolvimento de São Roque. Na Câmara da Estância de São Roque, Kalunga defende e apoia propostas nas áreas de educação, saúde, habitação, esportes, obras, saneamento básico, entre outras.

Kalunga - Pesquisei nos anais da Câmara e não existia nada que valorizasse essa classe. Em São Roque somos cerca de 85 mil habitantes que geram muito lixo e a dificuldade é muito grande, por isso pensei em um dia para homenagear esses profissionais e lembrar a sociedade de sua importância. Segundo Kalunga, este ano já foram contratados mais coletores, mais dois caminhões de lixo foram disponibilizados, melhorou a empresa responsável pela limpeza da cidade. Mas ainda é necessário mais humanização. “Essas pesPing-pong soas necessitam ser respeitadas, de mais carinho e atenção Construção € Asseio - Por que em todos os aspectos incluindo um projeto de lei para os garis questões salariais”, diz. (Projeto de Lei nº 58/2013-L, C€A - No dia a dia do vereador, de 21 de maio de 2013 – Dia quais as principais demandas da Municipal do Gari)? população?

Kalunga - A Saúde deve ser prioridade. No distrito Maylasky, um dos mais populosos e de maior extensão em São Roque, desenvolvi trabalhos com a saúde e fui presidente do conselho gestor de saúde Programa de Saúde da Família (PSF). Aprendi muito sobre a importância da prevenção de diabetes, hipertensões etc. Percebi que tinham campanhas voltadas para prevenção de doenças típicas das crianças, das mulheres, mais nada voltado para a saúde do homem. O homem, que já é meio desleixado, finda deixado de lado, quase não faz exames, não verifica se é diabético ou hipertenso. Mesmo acima dos 40 anos não quer fazer o exame de próstata e tudo isso é uma questão muito séria, pois muitos morrem disso.

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Kalunga ressalta - Hoje não chega nem ser necessário um exame de toque, tão temido por muitos homens. Para detectar se existe o câncer ou não basta fazer um exame de sangue. As brincadeiras e preconceitos atrapalham. Estou me preparando com o doutor Sandro Rizzes, diretor de saúde, para esclarecer à população sobre a importância da prevenção. Todo dia 15 de julho servirá para lembrar aos homens, por meio de campanhas preventivas, a necessidade de fazer checapes. C€A - Falta de habitação também é um problema em São Roque? Kalunga - O projeto de Plano de Governo, para habitação e moradia, mostra por pesquisa de opinião pública que a cidade está muito defasada na questão da habitação, por isso a necessidade do município de investir nisso, já que São Roque é uma estância turística muito rica. Na gestão anterior não tinha um trabalho adequado para casas populares. Mas graças ao trabalho desenvolvido pelo atual O prefeito, Daniel de Oliveira Costa, juntamente com a primeira dama Lenice, estão previstas novas casas em São João Novo, Maylasky, entre outros distritos. Além de cerca de 300 casas para financiamento de funcionários públicos.

da de geração para geração desde os tempos dos escravos, Kalunga fundou a “Associação de Capoeira e Defesa dos Escravos” (ACADE), segundo o mestre, a primeira escola oficial do gênero na cidade.

mestre para o legislativo. Kalunga - Graças aos projetos socioeducativos, mais 6 mil pessoas foram iniciadas nas artes da capoeira, 30 delas se tornaram mestres. Outras, influenciadas pelos valores humanos e a ânsia por liberdade, desenvolvidos no esporte, aprenderam a ter mais disA mudança na ciplina e equilíbrio para alcançar voos, como delegado, denvida das pessoas outros tista e tantas outras profissões. por intermédio Durante todo esse período como líder comunitário o mestre Kalunga de projeto apoiou diversos candidatos e vinha sendo cobrado para colocar a mão na socioeducativo massa. “As pessoas me diziam sempre: quem você apoiou ganhou, Foram 25 anos dedicados aos es- agora é hora de colocar a cara para portes e à busca por uma melhor bater. Então cá estou eu”.∆ qualidade de vida através da capoeira que renderam à Kalunga a Serviço: Acompanhe o trabalho de Kalunga e projeção junto à comunidade do de outros vereadores da cidade de distrito de Maylasky, que levou o São Roque acessando o site: <www. camarasaoroque.sp.gov.br> ou acompanhando as seções plenárias.

Fique por dentro

A capoeira e a projeção como liderança comunitária

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Filho de caseiro, o paranaense Mestre Kalunga, como é conhecido em razão do seu trabalho de formação, promoção e preservação da capoeira, iniciou os treinamentos ainda menino já em São Roque. Formou-se professor na década de 90 e, desde então, participou, coordenou e promoveu diversos projetos socioeducacionais na área dos esportes. Preocupado em preservar a capoeira, que em São Roque. é passa-

Kalunga: Projeto de valorização para os garis


Arquitetura ecologicamente correta está cada vez mais acessível Projetos com custo reduzido podem ser alcançados com a substituição de tecnologia por técnicas de arquitetura. Texto: Wilian Miron Fotos: Moitta Prado

Dicas de Construção

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mercado de arquitetura sustentável está em alta no mundo inteiro. E a boa notícia para quem deseja ter esses conceitos em sua obra é que já está cada vez mais pos sível embutir itens de sustentabilidade na construção sem gastar muito. Hoje, por exemplo, um projeto deste gênero pode custar 5% menos do que há alguns anos, garante o arquiteto Gustavo Goulart. Segundo ele, que tem escritório em Piracicaba, a ideia é basicamente aplicar conceitos da arquitetura para aproveitar melhor os recursos naturais, como construir janelas maiores e pensar o projeto de maneira a aproveitar água das chuvas, vento, e outros fenômenos que podem reduzir a necessidade de uso do ar-condicionado ou consumo de energia elétrica. “O conceito de sustentabilidade ficou muito ligado à ideia de tecnologia, que é uma coisa boa. Mas, na maioria dos casos é preciso fazer apenas coisas simples, aproveitando os recursos oferecidos pela natureza”. Para isto, no entanto, ele alerta que o profissional da área deve estar “mais focado nos princípios do que a arquitetura deve ser”, com projetos que sejam pensados para, de fato, abrigar pessoas. “A arquitetura estava indo para um caminho meio faraônico e, por volta de 2008, com a crise, mudou um pouco”, diz. Como exemplo de projeto sustentável, ele cita um de sua autoria, feito para a faculdade de Direito, na Universidade de Franca, no interior de São Paulo. Por lá, segundo Goulart, não foram usadas grandes tecnologias e o grande destaque foi a preocupação com o posicionamento do prédio no terreno, privilegiando o direcionamento das janelas, de modo a aproveitar melhor as luzes do dia, além de questões como o aproveitamento de água e captação de energia solar. “Chegamos a trabalhar com estruturas que projetam bastante sombra no edifício”. Este projeto foi concebido após o arquiteto, em parceria com uma amiga, a arquiteta Bianca Candelária, vencer um concurso nacional, promovido pela Universidade. Agora, a obra encontra-se em fase de construção e deve terminar até o próximo ano. No entanto, Goulart menciona que o grande pro-

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Dicas de Construção 12

blema da construção ecologicamente correta no Brasil ainda é o preço de parte dos materiais e a falta de incentivos públicos para a disseminação deste conceito em escala. “Pode melhorar se houver, por exemplo, algum benefício para quem atua com a fabricação e venda de materiais ecológicos. Ou até mesmo com leis e fiscalização, na outra ponta, para empreendimentos grandes, que cumprindo as metas ganhariam um selo”. Ele conclui que “enquanto não mexer no lado econômico, a coisa não anda”. Mas, em alguns casos, há também a falta de entendimento técnico por parte de quem contrata dos projetos, porque alguns clientes acabam tendo medo de aplicar conceitos como o teto verde, que segundo Goulart, devolve (em cima do imóvel) à natureza a porção de solo que foi usada para a construção. “Já vi clientes resistindo à ideia porque achavam que poderia ter infiltração. Mas num projeto bem feito esse risco desaparece”, argumenta. Mesmo assim, os avanços já obtidos com a disseminação da cultura de redução de custos com o uso de sistemas sustentáveis nos empreendimentos já têm chamado a atenção de construtoras, embora este nicho ainda esteja muito mais forte em obras de complexos empresariais. “Para quem vai fazer um prédio residencial talvez não pareça ser tanta vantagem a redução de custos do comprador, porque teria um gasto adicional no projeto. Mas, enfim, é algo que tem atraído interessados nesta área, porque economia e sustentabilidade andam juntas, e a coisa só começa a funcionar quando dá dinheiro”. O arquiteto comenta também, que apesar dos benefícios, em alguns casos, o uso de conceitos sustentáveis pode perder o sentido e se tornar um tanto apelativo, uma vez que projetos desta natureza se tornaram um veio rentável. “Tem os dois lados:

quem está preocupado com a sustentabilidade, e quem está preocupado com o lado financeiro, em maximizar o lucro. O melhor é que a ação do conceito seja vista como investimento”, disse ao mencionar já foi obrigado a diminuir a quantidade de itens sustentáveis num projeto porque o cliente estava preocupado com a questão do custo. Goulart lembrou que trabalhar com conceitos sustentáveis vai além da preocupação com reciclagem ou com o meio ambiente, mas passa também por ter uma atenção dos trabalhadores da obra. “Quem constrói também precisa ser valorizado, não é legal ter um canteiro de obras em condições irregulares, portanto o funcionário precisa ser tratado de maneira digna”,

pontua ao lembrar que “essa relação precisa de equilíbrio para a corda não arrebentar para o lado mais fraco”. Gustavo Goulart é morador de São Pedro, no interior de São Paulo, e tem atuado num conselho de moradores locais, que visam o crescimento sustentável do município na próxima década. “O projeto da Prefeitura é crescer sem tirar as características que a cidade já tem. Então esse grupo de moradores tem acompanhado as ações do poder público para cobrar e garantir políticas positivas para a região”. ∆ Serviço: Para outras informações sobre o trabalho de Gustavo Goulart acesse o site: <www.rgvoarquitetura.com>


Treinamento e reciclagem constante resultam em 99% de satisfação dos clientes.

Escrito por: Regina Ramalho Fotos: Paulo Cesar Andrade (PC)

mentos de informações. Além disso, participam de dinâmicas de grupo, onde é possível avaliar o relacionamento intra e interpessoal, identifica a missão das diversas funções, recebimento de correspondências e encomendas, controle de entrada e saída de veículos, como agem as quadrilhas e arrastões e dicas de segurança no geral. Outro aspecto trabalhado é a utilização correta do Livro de Ocorrência e de conhecer o “Regulamento Interno” do prédio para melhor atender os condomínios em todos os aspectos. Lembrando que atualmente, alguns condomínios funcionam como verdadeiras cidades, contando com academias, espaços diferenciados como espaços gormet, salão de beleza, entre outros. Portanto, serão o Livro de Ocorrência e o Regulamento interno que servir de instrumentos para que o trabalho siga tranquilo. ∆

O treinamento gratuito, sobre “Normas e Procedimentos de Portaria, Manu“Cada condomínio tenção e Zeladoria” ministrado constanpossui suas próprias temente na sede Speed Gold empresa do ramo de portaria e asseio, para colabora- características, em razão dores da empresa, de diversas regiões da do fluxo de pessoas, cidade, faz parte do programa de excelência no atendimento que já é marca registada da veículos, se funciona alí Speed Gold, desde sua criação. um ponto comercial ou Há 16 anos, o seu fundador e proprietário, Marcos Melo, já tinha a preocupação residencial. Então não basta saber atender de não só apenas atender seus clientes, mas oferecer um serviço de primeira interfones, linha personalizado para cada tipo de fazer limpeza ou zelar condomínio. Melo explica: “Cada condomínio possui pelo prédio, cada posto suas próprias características, em razão requer cuidados e do fluxo de pessoas, veículos, se funciona alí um ponto comercial ou residen- necessidades únicas que cial. Então não basta saber atender devem ser interfones, fazer limpeza ou zelar pelo ouvidas e atendidas” prédio, cada posto requer cuidados e necessidades únicas que devem ser ouvidas e atendidas”, explica o empresário. Para José Nogueira Tocacele, com oito anos de Speed Gold, “o treinamento, além de reciclar, faz com que a gente atue, como se hoje fosse sempre o primeiro dia de trabalho, isso é querendo fazer sempre o melhor”, conta Tocacele. A porteira, Rosemeire Valadão dos Santos, fala sobre as vantagens de se trabalhar em equipe, “Quando o porteiro ou o zelador é contratado diretamente pelo condomínio e fica doente ou tem que faltar, vira um caos, já com o trabalho terceirizado na falta de um, o outro cobre, porque como a empresa funciona 24h é só avisar que outro chega a tempo de render o colega”, afirma. Método - O treinamento possui duração de 4h, com um intervalo de 15 minutos. Durante as aulas, os participantes aprendem procedimentos em portaria, questão de segurança, relacionamento correto com os moradores e/ou clientes, postura, apresentação Serviço: pessoal e a importância do trabalho em equipe. Ficou interessado em conhecer mais sobre o trabalho da Durante o curso os colaboradores assistem a vídeos Speed Golgd, então entre em contato acessando o site sobre arrastões em condomínio, comunicação e vaza- <www.spedgold.com.br>

Infraestrutura e Asseio

Empresa de prestação de serviços revela o segredo do bom desempenho

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Para receber a sua revista pelo correio preencha e envie Rua Marconi,131 – conjunto 402 01047-000 – República – São Paulo – SP nome: CPF Cargo: Empresa: Sexo: M F E-mail: Tel.: Endereço: Nº Compl.: Bairro: CEP: Cidade: Estado:

ou envie um e-mail para: comercial@construcaoeasseio.com.br 14


Sinticompi:

a força da construção civil no interior paulista O presidente do sindicato piracicabano defende a aposentadoria especial para a categoria da construção civil e fala um pouco de sua trajetória à frente da entidade. Escrito por:Cristiane Navarro Vaz Fotos: Moitta Prado

Costa: projeto de aposentadoria especial para a categoria

no muito grande para a famí-

“Eles vêm de várias lia”, afirma Costa. se lembra da recente tragédia regiões do país e Ele ocorrida na cidade, que ocasionou acabam morrendo, a morte de cinco trabalhadores em obra. “Nenhum deles era repor exemplo, aqui uma sidente em Piracicaba”, conta. em São Paulo. Às vezes isso gera O sindicato um transtorno muito grande para Há 13 anos à frente do Sindicato, Costa trabalhava como proa família” fissional de acabamento em uma O presidente do Sinticompi explica que é comum muitos trabalhadores do setor deixarem suas cidades e partirem até para outros estados, em busca de oportunidades profissionais. “Eles vêm de várias regiões do país e acabam morrendo, por exemplo, aqui em São Paulo. Às vezes isso gera um transtor-

empresa na área de mármores e granitos antes de ingressar na vida sindical. “Em 2002 passamos a dirigir o sindicato do portão para fora, contratamos funcionários, pusemos a homologação para funcionar, melhoramos o atendimento etc.”, relata. Ele afirma que, em 2003, era bastante inexperiente, mas com a

OPINIÃO

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reportagem da Construção € Asseio esteve recentemente no interior paulista, entrevistando o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi), Milton Costa, que fala sobre as conquistas e as principais reivindicações da categoria. A mais recente batalha é tentar aprovar, ou pelo menos trazer à discussão o projeto que espera votação no Congresso Nacional de aposentadoria especial para o trabalhador da construção. “A intenção é dar amparo ao trabalhador por conta do grau de risco que a atividade expõe para essa função, porque ou o acidente é grave ou fatal. O benefício poderia garantir esta condição para o trabalhador e sua família, mas é preciso ter interesse político para que este projeto saia do papel”, reclama.

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ajuda de Rodolfo Vilela (do Centro de Referência do Trabalhador) e do Dr. Gil Vicente (então Gerente do Ministério do Trabalho), iniciou-se uma discussão sobre a questão da segurança, já que a categoria sofria com altos índices de acidentes. Logo foi criado o Comitê Permanente Regional da Indústria da Construção Civil de Piracicaba. “Havia apenas oito CPRs no estado todo e esta composição é nacional”, orgulha-se.

OPINIÃO

Conquistas

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Desde que assumiu a liderança do Sinticompi, Costa preocupou-se inicialmente em mostrar ao trabalhador a vantagem do trabalho formal, incentivando o registro em carteira profissional e orientando os autônomos com relação à documentação necessária para inscrição na prefeitura, para a previdência social etc. Um dos grandes orgulhos do sindicalista é a conquista para a região de um piso salarial mais alto se comparado ao de São Paulo. “Eu assinei a convenção da construção civil de São Paulo, que é de R$ 1.280,00 para os trabalhadores qualificados e de R$ 1.007,00 para os não qualificados, mas aqui nossos pisos são de R$ 1.363,00 e R$ 1.107,00 respectivamente, ou seja, temos R$ 100,00 de diferença a mais em relação ao salário da categoria em São Paulo, além da participação nos lucros e resultados (PLR) e de um plano de cargos e salários e carreira”, comemora o sindicalista. O líder relata que, devido a esta diferença de pisos salariais, havia conflitos quando empresas de fora de Piracicaba contratavam profissionais para atuarem na região, pois tinham dificuldades em pagar o salário local. A solução veio em forma de abono: as empresas pagariam os salários aumentados apenas enquanto seus funcionários atuassem na região, voltando a praticar os vencimentos da categoria assim que a deixassem. Mas como as empresas piracicabanas poderiam vencer licitações, já que seus salários eram maiores que os de outras regiões? A sugestão do Sinticompi foi a de pagar ao funcionário o salário nacional acordado pela categoria durante seus três meses de experiência e apenas depois desse período passar a praticar os vencimentos vigentes em Piracicaba. Outra preocupação da entidade era como melhorar o plano de cargos e salários do trabalhador, se os empregadores tinham problemas com excesso de atestados. O sindicato intermediou algumas negociações e ficou resolvido que quem faltasse sem justificativa ficaria sem sua cesta básica, o que obrigou os funcionários a darem satisfações a seus empregadores. “A redução de atestados chegou a 70%”, diz Costa, afirmando que graças a estas negociações foi possível pleitear para o trabalhador a PLR.

Os malefícios do trabalho por tarefa Costa condena a prática de muitas empresas, que insistem em contratar colaboradores por tarefas avulsas, fugindo assim de suas obrigações, como o pagamento da PLR. Ele explica que, nestes casos, é comum o contratado trabalhar num ritmo menor, já esperando o atraso da obra e a necessidade de uma nova tarefa, uma vez que terá direito apenas ao piso salarial, mais adicional por produção. Como esses salários, geralmente, chegavam à casa dos R$ 5.000 ou R$ 6.000, gerando tributação de imposto, as empresas não queriam assumir tais encargos. Criou-se, então, um plano de carreira, com salário de cerca de R$ 2.500 e o restante seria pago como PLR. O plano ficaria atrelado a um sistema de metas: de retrabalho, de dano patrimonial, de higiene, de utilização do uso de equipamentos de segurança, dentre outras. Por fim, Costa fala do projeto de alfabetização “Construção do Saber”, que visa trazer a categoria de volta às carteiras escolares. “O jovem tem migrado de volta à construção civil, em alguns casos porque possui preguiça de estudar”, ressalta. Mas já adianta que, brevemente, o profissional vai precisar, pelo menos, ter iniciado seus estudos para poder trabalhar na área ∆


São Pedro se prepara para um salto econômico na próxima década

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udo indica que a região no entorno do Rio Piracicaba dará um salto em seu desenvolvimento econômico e social ao longo dos próximos dez anos. E tal crescimento, de certo, impactará positivamente o mercado imobiliário e alavancará novas construções civis. Para isto, as administrações municipais da região já se articulam para criar políticas que garantam melhorias na infraestrutura local, sem, contudo, prejudicar características de cidades interioranas como a qualidade de vida dos moradores ou mesmo questões como o paisagismo e a preservação do meio-ambiente. Este é o caso, por exemplo, da Cidade de São Pedro (191 km de da capital paulista). Por lá, a administração municipal já colocou em andamento a construção de dois polos industriais. Um deve abrigar grandes empresas, que serão atraídas à cidade pela possibilidade de escoar sua produção pela hidrovia Tietê-Paraná — o projeto prevê uma estação aquaviária na região. E, de acordo com o coordenador de desenvolvimento econômico do município, Bento

Escrito por: Wilian Miron Foto: Moitta Prado

de Jesus Guastalli, será uma ótima oportunidade para levar produtos através dos rios Tietê, Piracicaba e Paraná, até o sul do país. O outro centro industrial, em projeto, abrigará aproximadamente 60 pequenas empresas que já funcionam na cidade, mas ainda sofrem com a falta de recursos para expandir ou se profissionalizar. Em comum, ambos os projetos serão viabilizados pela Prefeitura em parceria com empresários da região, que devem possibiltar a construção dos parques industriais no modelo de Parceria Pública Privada (PPP). Segundo Guastalli, já existem conversas avançadas entre o município e interessados em investir nestes projetos. “O primeiro polo industrial, que atenderá às pequenas e médias empresas da cidade, já está em fase de implantação e atenderá a 60 empreendedores”. O segundo parque industrial, que atenderá a grandes empresas, ainda está em desenvolvimento e negociação entre a prefeitura, parceiros e investidores. “Pode ser que venha uma ou mais empresas para ocuparem o terreno”, disse.

Arquitetura, habitação e urbanismo

Recursos hidroviários devem puxar crescimento da região.

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Arquitetura, habitação e urbanismo

Guastalli: “esperamos que a cidade tenha infraestrutura para comportar até 100 mil pessoas”

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Além destas iniciativas para atrair investimentos à cidade, a administração tem, também, planos para investimento em infraestrutura básica, como água e esgoto, energia e obras viárias. Trata-se de um programa de obras viárias e outros ajustes para garantir que São Pedro, uma das 29 estâncias turísticas do estado, tenha capacidade de abrigar um aumento na quantidade de moradores e visitantes que recebe. Hoje o município tem pouco mais de 38 mil habitantes, mas chega a abrigar aproximadamente 60 mil pessoas, com a chegada de turistas em temporadas festivas, finais de semana ou época de férias. “Esperamos que a cidade tenha infraestrutura para comportar, sem problemas, até 100 mil pessoas”, diz ele sobre o projeto traçado para o município até 2025. Na visão do coordenador de desenvolvimento econômico de São Pedro, estas medidas terão reflexos também no mercado de trabalho da região, que hoje é baseado em atendimento aos turistas e artesãos informais. “Há estímulos para que eles possam se formalizar, mas também há condições para que outros moradores da cidade possam trabalhar na construção”, comenta. Ele estima que aproximadamente 10% da mão-de-obra local estará empregada neste setor, enquanto, hoje, esse percentual é menor que 1% dos empregos formais registrados na cidade.

Modelo piracicabano As investidas da Prefeitura de São Pedro, conforme relatou Guastalli, seguem o modelo já experimentado em Piracicaba, município vizinho. Por lá, as parcerias entre a administração pública e investidores elevou o número de empregos e a renda da população. E, dentre as conquistas da cidade está a chegada de uma fábrica da Hyundai, que hoje está abrigada em um dos polos industriais do município, por exemplo. E, com o avanço da indústria, houve um aquecimento no setor de construção, que já emprega aproximadamente 30% da mão-de-obra local e tem um dos maiores pisos salariais do estado para a categoria. Além da oferta de áreas para a instalação de indústrias, a cidade também oferece isenção de impostos municipais, como Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU), Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e Imposto sobre Serviços (ISS), por até cinco anos. Guastalli garante que medidas semelhantes têm sido tomadas em São Pedro, para que a administração regional cumpra um papel de indutora do crescimento da cidade, que será promovido pela chegada de novos investimentos à região. “Temos uma lei municipal que prevê isto, e para outras medidas, fazemos discussões num conselho municipal”, diz ∆ Serviço: Para acompanhar o desenvolvimento local na cidade de São Pedro e saber quando acontecem as reuniões do conselho municipal acesse o site da prefeitura <www.saopedro.sp.gov.br>∆


Profissional da construção civil:

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Em entrevista exclusiva à Revista Construção € Asseio, o presidente do Sintracon revela: muitos estrangeiros, em sua maioria muito bem qualificados, estão tirando o emprego dos trabalhadores locais, pouco preparados para estes novos tempos da construção civil. Escrito por: Cristiane Navarro Fotos: Moitta Prado (1), Nalva Lima (2) Divulgação Senai (3)

Qualificação Profissional

é hora de se qualificar

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Qualificação Profissional

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este número inaugural da Revista Construção € Asseio entrevistamos o presidente do Sintracon – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo – Antonio de Sousa Ramalho, para traçarmos um panorama atual do setor no país, sobretudo no que diz respeito à questão do emprego no segmento. De acordo com Ramalho, desde quando ele próprio chegou a São Paulo, a área sofreu muitas mudanças. “A situação da área da construção nos anos 80 era muito difícil. O trabalhador morava em torno de obras, junto com ratos, baratas, não tinha nenhum benefício. Existia uma norma regulamentar, a NR18, que é de 77, regulamentada em 78, mas em muitos casos não era aplicada. Em 1989 participei de algumas reuniões no sindicato patronal e tivemos alguns pequenos avanços já em 90, com o primeiro café da manhã para os trabalhadores. Logo comecei a fazer um trabalho na área de segurança, que acabou se tornando uma CPN, comissão nacional permanente de negociação na área de segurança do trabalho”, relata. Nos anos 90, mais conquistas foram alcançadas. “Tivemos alguns avanços, o sindicato era muito tímido, não se podia falar em política, e depois de uma greve em 94, a negociação que vínhamos tendo com a comissão do governo já fez com que avançássemos mais um pouco, mas apenas um ano depois é que fizemos um grande acordo para a chamada NR18, norma regulamentadora que garante a segurança no trabalho e alguns benefícios, com algumas flexibilidades no início, o que era justificável no discurso dos empresários. Para obras que iriam começar, os empresários teriam um ano para aplicarem a norma. E as obras que já estavam começadas tinham até três anos para se adequarem”, expli-

ca o sindicalista, acrescentando que a norma passou de 129 itens para 626 itens na época e que, realmente, haviam vários deles quase impossíveis de serem colocados em prática naquele momento, por não estarem no orçamento de cada obra. Hoje, a NR18 já possui mais de 1.100 itens.

esse número de colaboradores mais que dobrou, mas hoje não existe a fiscalização do trabalho na área da construção civil. Em São Paulo ainda existe um pouco, porque é capital e temos boas relações com as construtoras, mas esta não é a realidade do restante do país”, afirma.

Empregos “Hoje em dia as construtoras estão ameaçados? dando preferência a estes profissionais, Ramalho chama atenção para a forte crise enfrentada pelo setor pois muitos na atualidade. “De abril de 2012 brasileiros, ao de 2013 já perdemos 104.000 de trabalho e ainda infelizmente, não postos vamos perder mais, porque não querem se qualificar” estamos vendendo, o Brasil não Ainda sobre a segurança oferecida pelas construtoras aos seus empregados, Ramalho afirma que apesar de existirem avanços significativos entre 1968 – época em que ele chegou a São Paulo – e os dias atuais, havia mais fiscalização do trabalho realizado pela classe no passado, o que praticamente não existe na atualidade. “Em 2002 éramos 1.700.000 trabalhadores na Rárea em todo o Brasil e em 2012 já passamos a 3.600.000 profissionais no país. Em uma década,

cresce, o PIB fechou em menos de 1% no ano passado, há muita corrupção, algumas obras públicas estão paradas etc. Já computamos uma queda de 32% nas vendas de imóveis em comparação ao ano passado. Houve um grande avanço entre 2008 e 2010. Nesse período era lançado um empreendimento e ele era vendido inteiramente em um fim de semana. Nessa mesma época, um certo diretor de uma grande construtora recebia um salário de R$ 15 mil. Com o ‘boom’

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Ramalho: “a construção civil no Brasil é uma área que movimenta 16% do PIB”


da construção foi convidado a mudar de emprego, com salário que passou a ser de R$ 70 mil mensais. Hoje, esse mesmo profissional está desempregado e não encontra um emprego nem para ganhar R$ 3 mil por mês”, lamenta o dirigente sindical. Atualmente, 95% dos trabalhadores da construção civil são homens. E dentre esses 5% de postos restantes ocupados por mulheres, apenas 0,5% estão atuando diretamente nas obras. As demais profissionais trabalham nas áreas administrativas das empresas, admite o sindicalista. “Em qualquer país de primeiro mundo, quando se abrem os jornais o que interessa ver é se a construção civil está crescendo, porque se ela vai bem é sinal que as coisas estão boas”, afirma Ramalho. E continua: “a construção civil no Brasil é uma área que movimenta 16% do PIB indiretamente e cerca de 3,8% a 4% diretamente. Movimentamos uma cadeia enorme de indústrias ligadas ao setor, com uma lista de 187 produtos mais consumidos. A cadeia produtiva, hoje, é um grande termômetro para todos, porque se alguém deixa de vender, deixa-se de construir, a fábrica para de fabricar e boa parte dos produtos nem se pode estocar, ainda mais com a evolução das novas tecnologias”. Para quem ainda tem dúvida se essas novas tecnologias empregadas na construção civil afetaram a questão do emprego, Ramalho relata: “para darmos um exemplo, em meados de 1968, uma obra empregava cerca de 300 trabalhadores. Essa mesma obra, hoje, empregaria cerca de 30 profissionais. E esse cenário tende a piorar mais e mais. Se não houver um investimento rápido em qualificação de mão-de-obra, nós começaremos a receber prédios prontos da Ásia, em especial, da China, e aqui teremos apenas montadores. Já estamos recebendo, inclusive, uma imensidade de engenheiros

de diversas áreas na construção civil e também na indústria”. Hoje, uma boa parte da mão-de-obra do setor é formada por imigrantes, alguns deles paraguaios, peruanos, bolivianos e, sobretudo, haitianos. Estes profissionais, muitos até ilegais no país, são altamente qualificados, a grande maioria possui curso superior, é associada ao sindicato da categoria e se dá ao luxo de não aceitar trabalhar por tarefa, rotina comum a muitos trabalhadores brasileiros, afirma o presidente do Sintracon. “Hoje em dia as construtoras estão dando preferência a estes profissionais, pois muitos brasileiros, infelizmente, não querem se qualificar”, lamenta o sindicalista.

Qualificação, sim senhor!

sos de qualificação na área, equipados com laboratórios de cerâmica, metais etc.: um na Zona Leste da capital (no bairro do Tatuapé) e outro na cidade de Bauru (no Interior paulista). É a partir desses centros de inteligência que são gerenciados todos os cursos oferecidos em outras 52 escolas do Senai espalhadas pelo Estado de São Paulo. “No ano passado registramos 85.566 matrículas em nossos cursos de qualificação na área da construção civil. E apenas no primeiro trimestre deste ano, esse número já chegou a 24.728”, relata Terra. O professor, assim como Ramalho, também considera como boa estratégia o sistema de qualificação diretamente nos canteiros de obra. “Hoje já temos parcerias com construtoras como a OAS, a Chain e a Odebrecht, para capacitação de profissionais dentro de suas obras, o que facilita a vida desses colaboradores. Porém, um grande desafio no momento é, não apenas atrair novos alunos para nossos cursos mas, principalmente, convencer quem já está trabalhando na área há bastante tempo a se requalificar”, lamenta o Diretor do Senai/SP. ∆

Segundo Ramalho, cursos de qualificação na área de construção civil não faltam, inclusive gratuitos, mas há pouco interesse da maioria dos profissionais em atualizarem seus conhecimentos. “Eu fui formado mestre de obras pelo Senai, mas fui lá mais para receber o diploma, porque aprendi mesmo foi no dia- Serviço: -a-dia. Acredito que a formação <www.sintraconsp.org.br> deveria ser realizada diretamen- <www.sp.senai.br/senaisp> te no canteiro de obras. Alguns institutos nós temos motivado para darem a teoria (3) em um lugar fechado, mas a prática deveria ser dada ao profissional já trabalhando. Mas o difícil é convencer as construtoras a contratarem mais profissionais, porque hoje, ao contrário da minha época, as pessoas querem receber para estudar e este cenário tem desmontado as escolas como um todo”, finaliza o dirigente. De acordo com o Diretor Técnico do Senai/SP, Prof. Ricardo Figueiredo Terra, o Terra: “no ano passado registramos 85.566 Senai mantém dois centros matrículas em nossos cursos de qualificação” de referência para seus cur-

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foto: Moitta Prado

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75 anos construindo a Baixada Santista A equipe de reportagem da revista Construção € Asseio foi até a Baixada Santista para conhecer um pouco mais da história e também da trajetória dos trabalhadores da construção civil e mobiliários no litoral paulista.

Escrito por: Regina Ramalho Fotos: Moitta Prado(1) e (3), Vespasiano Rocha (2)

tratar a história do movimento sindical, nosso sindicato e das conquistas, mostrando para os jovens que essas vitórias não foram vistas com bons olhos pelos patrões, mas sim à custa de muitas lutas, principalmente nas questões salariais”, lembra. Com o sindicalista Macaé o lema é ‘papo reto’, e, nesta linha, o mesmo continua: “Muitas pessoas deram a vida para a gente poder hoje estar nesse patamar. Costumamos até brincar: hoje nós estamos no asfalto, mas muita gente lá atrás teve que desbravar, igual lá no Amazonas, tirando os tocos da frente para depois colocar o asfalto para podermos passar”, ressalta.

Militarismos Macaé lembra que, atualmente, quem está na direção do movimento sindical tem mais tranquilidade na questão da luta operária. “Há 40 anos a dificuldade era grande, principalmente com a presença do militarismo. O processo foi sofrido para que o movimento sindical tivesse aí com mais liberdade de expressão”, reconhece. O sindicalista aproveitou para explicar para os leitores da revista o que motivou a escolha do título do livro comemorativo dos 75 anos: “A coragem dos vencedores”. “O título é uma homenagem aos companheiros que deram sua vida para que a gente pudesse discutir melhor sem perseguição. Hoje já não há a

OPINIÃO

O

presidente do Simtracomos - Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Santos, Marcos Braz de Oliveira (Macaé), foi quem recebeu os repórteres da Construção € Asseio na sub-sede em São Vicente, uma das cinco unidades da entidade que também conta com filiais nos municípios de Cubatão, Vicente de Carvalho, Guarujá e Praia Grande, além da matriz do sindicato em Santos. Macaé falou sobre a importância de resgatar e guardar as memórias das pessoas que ontem lutaram e morreram para garantir os direitos trabalhistas dos quais hoje todos desfrutam. “Vamos aproveitar o aniversário de 75 anos do sindicato para lançar um livro que vai re-

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perseguição que existia ante- de gritar para o mundo quem são riormente” afirma. os protagonistas da história na baixada. “Investimos em site, redes sociais, TV web e estamos nos A necessidade comunicando com as outras lideranças em todo o país”. de espelhos

“Costumamos Macaé fala sobre a necessidade da existência de espelhos que insbrincar: hoje nos pirem novos movimentos. “Eu estamos no asfalto, mesmo me inspirei em João Magno, que por sua vez foi inimas muita gente lá ciado com o pai dele, primeiro em atrás, teve de desuma associação e depois com líbravar, igual lá no deres sindicais, deixando grande contribuição para a gente seguir, Amazonas, tirando por ter sido uma pessoa correta e os tocos da frente conciliadora”, explica. “Infelizmente era uma das únicas his- para depois colocar tórias vivas, mas há um ano o o asfalto para gente perdemos.”, lamenta. Macaé conta que Magno foi respoder passar”. ponsável por facilitar as conversas com as autoridades de Brasília, além de deixar diretrizes “Os jovens de hoje têm que coe encaminhamentos que a cate- nhecer as histórias, assim como a do primeiro dirigente do nosso goria seguisse até a atualidade. Sindicato, o saudoso Pimpim, que morreu de pancada e tuProtagonista berculoso, mas deu o primeiro passo para fundar o sindicato”. da história O operário Aquilino Carmino (Pimpim) foi um dos líderes do Macaé também vem investindo pe- PCB - Partido Comunista Brasileisado em comunicação como forma ro - e fundador do Sintracomos.

OPINIÃO

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Assembleia na baixada

Em 47 foi preso e torturado. Continuou sendo perseguido mesmo depois de solto, mas não se deixou abalar pela repressão e continuou trabalhando na construção civil até morrer, precocemente, aos 49 anos, em razão das consequências da violência sofrida.

A crise do aço Segundo Macaé, o setor da Construção Civil está praticamente freado. “A Presidente da República está tentando segurar a inflação, que está retornando de forma galopante”, queixa-se e continua: “Esse panorama já vem desde 2008 em razão da crise do aço, tudo vem em conjunto, assim como em uma engrenagem, uma coisa pega a outra”, explica. Além disso, o sindicalista alerta sobre a falta de incentivos para o segmento. “O governo federal andou dando incentivos para vários setores, menos para a construção civil”, reivindica.

A falta de qualificação Macaé conta que antigamente não


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auxilia a manter os empregos, a conhecer os direitos e deveres, além de oferecer outros atrativos como convênios médico e odontológico, salão de beleza, assistência nas áreas trabalhista, previdencial, direitos do consumidor e palestras para formação de cipeiros”.

Melhor idade

existia motivação para o trabalhador da construção civil buscar qualificação profissional. “Ha 30 anos não existia quase trabalho para a construção; eram apenas reparos de pastilhas de frente dos prédios e pinturas”, diz. O sindicalista explica que durante a era Lula o país virou um canteiro de obras. “Mesmo com o país virando um canteiro de obras, não melhorou muito para a construção civil, pois sem incentivo salarial as construções foram se avolumando porque faltou mão de obra qualificada”, relata.

O futuro Macaé faz previsões pessimistas para o futuro. “Os profissionais antigos que já estão nos canteiros de obra permanecem, mas a juventude não quer participar, a gente oferece cursos para formar carpinteiro, pintor, pedreiro, armador e para várias funções onde falta mão de obra, mas os jovens preferem fazer qualquer outro curso técnico, porque os salários da construção ainda são muito baixos”. Preocupado em capacitar profissionais, há 11 anos Macaé fundou o CTEP - Centro Técnico de Especialização Profissional. A instituição conta apenas com aportes do próprio sindicato, formando mão

de obra em elétrica (eletricista, comandos elétricos, NR- 10, segurança em instalações e serviços em eletricidade), soldagem (soldador eletrodo revestido, soldador TIG, Soldador MAG), e outros para as áreas de Drywall, inspetor de líquido penetrante, inspetor de teste por pontos e instalador hidráulico. Os cursos são gratuitos, com exceção do de solda. “Cobramos um valor, para auxiliar a custear o material que é muito caro, mas não temos nenhum lucro”, conta Macaé. Segundo o sindicalista, o mercado de trabalho na baixada é carente de mão de obra para as funções de caldeireiro, encanador, soldador e para a fabricação e peças no pré-sal. Os profissionais formados pelo CTEP saem com diploma em cursos de ponta, graças ao convênio assinado com o Senai, tendo condições de vir a preencher essas vagas. Para evitar a evasão nos cursos, Macaé procurou levar as oportunidades de qualificação para dentro das comunidades. “Falta dinheiro para pegar ônibus e vir até o centro, então veio a ideia de fazer convênios com as comunidades”. Os cursos do CTEP são divididos em dois módulos: um teórico, que inclui a formação sindical e outro prático. Macaé explica que é importante que o cidadão conheça o funcionamento do sindicato. “O sindicato

Para quem já se aposentou, o Sintracomos conta com um departamento para atender exclusivamente esta fase da vida. Nele o trabalhador recebe algumas das medicações básicas e pode participar de viagens e passeios para sair da rotina. Já para quem não deseja parar há o curso de hidráulica e elétrica, com o objetivo de contribuir em casa e com a vizinhança. “Nestes cursos aparecem muitas mulheres, segundo elas para não serem mais enroladas por nenhum malandro destes que prestam serviços em casa”, explica.

A presença feminina Segundo o sindicalista, a presença das mulheres aumentou principalmente na função de soldadora. “Por terem que bancar suas casas sozinhas, as mulheres são mais dedicadas, o índice de falta é muito baixo, o que tem agradado aos empregadores nos estaleiros”. Macaé lembra: “A presença feminina também é forte nas funções de observadora e lixadora”. Como reflexo desta mudança, na gestão de Macaé as mulheres já ocupam 28% da diretoria do Sintracomos. Se depender do que a equipe de reportagem da revista Construção € Asseio apurou e de Macaé, essa história não termina por aqui. Serviço Continue acompanhando as lutas e conquistas do Sintracomos-Santos acessando o site <www.sintracomos.org.br>∆

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A Construção de uma Categoria: A História do Sintracon - SP Do autor Claudio Blanc

EM BREVE NAS PRINICPAIS LIVRARIAS DO BRASIL, UM LIVRO QUE NÃO APENAS CONTA A HISTÓRIA DE UMA DAS PRICINPAIS CATEGORIAS DO MUNDO, E SIM, A ORGANIZAÇÃO E A LUTA DE PESSOAS COMUNS QUE FIZERAM DESTA, A SUA HISTÓRIA DE VIDA E DE PRINCÍPIOS

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