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Bzzz Ano 3 | nº 19 | JANEIro de 2015 | R$ 10,00

OUTRORA

Houve um tempo em que a educação pública no Brasil era de excelência. Em Natal, oferecia até aulas de inglês e francês

CURIOSIDADES

Natal foi a primeira cidade brasileira onde a população mascou Chicletes, usou óculos Ray-Ban e calça jeans

JUDICIÁRIO EM EBULIÇÃO Novo presidente do TJRN, Cláudio Santos inicia pacote de medidas que cortam funções comissionadas e gratificações. Magistrados permanecem com benefícios inalterados. Servidores declararam guerra ao desembargador. Ele critica de políticos ao partido no poder

MEMÓRIA

A intensa e rápida vida de uma das mais belas e elegantes da sociedade natalense: Maria José Gurgel

SUICÍDIO

Especialistas defendem quebra de tabu para o problema de saúde pública

PARAÍSO

Na cidade de Pureza, o encanto de um lugar que mistura banho em água cristalina e gastronomia sofisticada

DENÚNCIA

A máfia das órteses e próteses no RN


Pelo segundo ano, a Servilight, empresa especializada em engenharia elétrica, vence a licitação para executar a decoração natalina da capital potiguar. Mais de 150 profissionais atuaram na elaboração, produção e montagem das peças. A tradicional Árvore de Mirassol, localizada na entrada da cidade, ganhou este ano animação com a sequência de cores em movimentos verticais, horizontais, giratórios, alternados pelo movimento do pisca-pisca. A estrutura possui 126 metros de atura conta com oito mil conjuntos de lâmpadas de LED, 100 micro-lâmpadas em cada, 800 mil luzes nas cores verde, amarela, branco, azul e âmbar; 4.500 luzes strobos, que fazem a iluminação no entorno e a projeção do nome “Natal”, no centro da torre. O uso da iluminação em LED possibilita 16 vezes mais economia no consumo de energia, além da potência de 30 mil Watts.


Foto: canindĂŠ Soares


ESPECIAL RELÓGIOS DE LUXO

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EDITORIAL

Bzzz EXPEDIENTE

ANO QUE COMEÇA

INTENSO

A primeira edição do ano é como a primeira de todas, “a gente nunca esquece” – quem não se lembra do célebre comercial da Valisère? Primeira edição que marca a contagem regressiva para dois anos da Revista Bzzz. Que seja o caminho andado para mais e mais sucesso e consolidação. Se depender do nosso trabalho e nossa disposição, o leitor ficará sempre satisfeito com o conteúdo destas páginas mensais. Idem o anunciante. Sem esquecer as notícias em tempo real, no www.portaldaabelhinha.com.br. E o ano de 2015 começou tenso no Poder Judiciário do Rio Grande do Norte. Entrevero entre servidores e o novo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cláudio Santos, que passou a tesoura em cargos comissionados e gratificações, sob a justificativa de atender aos mandamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal. A jornalista Marina Gadelha entrevistou o magistrado, que aponta saliva severa, até, na direção de políticos e do PT. Houve um tempo em que a educação pública brasileira era de excelência, onde estudavam de ricos à chamada classe menos favorecida. Tempos em que a grade curricular oferecia, inclusive, aulas de inglês e francês. Hoje, uma das escolas exemplos desses anos está ameaçada de fechar, em Natal. Você vai ler também nesta edição sobre a máfia das órteses e próteses no RN. Para desanuviar, Octávio Santiago mostra um pedaço do paraíso muito peculiar no município de Pureza, que mistura banho em água cristalina e boa gastronomia. No quesito memória, a rápida e intensa vida de uma das mais elegantes e belas da sociedade da capital potiguar: Maria José Gurgel. Saiba quem é o adolescente natalense que é sucesso nas redes sociais com dicas de gastronomia. O RN já está preparado para o emplacamento do modelo Mercosul? Tem matéria sobre o assunto. Alice Lima traz bela matéria sobre a Estrada Graciosa. E tem muito mais: túnel do tempo, moda, arquitetura, cultura, bastidores políticos, festas, etc e mais.

Eliana Lima

publicação:

JEL Comunicação

---------------------------------------------------site da revista atualização diária e blogs portaldaabelhinha.com.br ---------------------------------------------------E-MAIL revistabzzz@portaldaabelhinha.com.br ---------------------------------------------------Editora Eliana lima elianalima@revistabzzz.com ---------------------------------------------------Editoras assistentes Alice Lima e Marina Gadelha ---------------------------------------------------revisão REGINA COSTA ---------------------------------------------------Proj. e Diagramação Terceirize Editora www.terceirize.com ---------------------------------------------------Comercial EDILÚCIA DANTAS (84) 9996 5859 ---------------------------------------------------Colaboraram com esta edição Carlos de Souza, Juliana Manzano, Larissa Soares, Louise Aguiar, Marina Gadelha, Octávio Santiago, Roberto Campello, Thiago Cavalcanti e Wellington Fernandes. ---------------------------------------------------fotos joão neto, francisco josé DE OLIVEIRA, sueli nomizo, Canindé Soares ---------------------------------------------------Gráfica unigráfica ---------------------------------------------------TIRAGEM 6.000 exemplares

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ÍNDICE DE LUXO

74

moda da folia

60

Pela estrada afora

88

Mais flor, por favor

84

#gastronomiaemnatal

TRÂNSITO

78 Placas

Carros terão que adotar padrão único do Mercosul para identificação

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FAVO

DE LUXO

ELIANA LIMA

(Interino: Octávio Santiago)

Com colaboração de Camila Pimentel, de Brasília

Cadeira cobiçada

Campanha para a Presidência da Câmara dos Deputados em curso. Pré-candidato pelo PMDB, o deputado federal Eduardo Cunha enviou para o endereço residencial dos pares, incluindo os novatos, um kit sobre a sua atuação na Casa. Dentre os itens do pacote, um DVD com a sua entrevista para o Canal Livre, da TV Band.

A escolhida No Rio Grande do Norte, a escalada para a missão do PT foi a deputada federal diplomada senadora da República Fátima Bezerra.

Ossos do ofício

Cadeira cobiçada (2)

Nome do PSB para a disputa pela importante cadeira, o deputado federal Júlio Delgado disparou um cartão virtual com felicitações de final de ano para os colegas de plenário. Na mensagem, claro, um pedido explícito de voto, com direito a três propostas a serem executadas pelo mineiro em caso de vitória.

Quem vai dar posse à nova legislatura e conduzir a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara é o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), que ainda ocupa o cargo de presidente da Casa. A presença de Henrique está prevista no Regimento Interno da baixa câmara do Congresso Nacional.

Cadeira cobiçada (3)

Boca de urna

Já o PT, que viabiliza o nome do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia, adotou uma estratégia corpo a corpo. O partido escalou um nome do quadro em cada estado brasileiro e fez um tour do pré-candidato pelo país. Nas visitas, o interlocutor local promoveu encontros individuais entre o petista e os deputados federais conterrâneos.

Ainda sobre a eleição da Câmara dos Deputados, o voto poderá ser disputado até o último minuto. A Casa reservou quartos do Meliá Hotel para acomodar os deputados federais que solicitarem acomodação para a posse. Para quem busca apoio dos colegas, uma oportunidade e tanto para adesões de último minuto.

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Porta aberta Portão do céu

No Senado Federal, a corrida pela Presidência da Casa também tem sido alvo de costuras e alinhos. O senador potiguar Garibaldi Alves Filho (PMDB) já disse ao colega correligionário Renan Calheiros que tem interesse na cadeira. Garibaldi, aliás, tem feito algumas ligações telefônicas em busca de apoios estratégicos.

Presença Por falar no senador Garibaldi, repercute na grande imprensa a indicação feita pelo peemedebista do ex-presidente do INSS Lindolfo Sales para a chefia de gabinete do Ministério da Previdência, antes ocupado pelo parlamentar. O petista Carlos Gabas é o novo titular da pasta.

Impedimentos

Impedimentos (2)

O assunto chegou às rodas desde que a última edição da Revista Bzzz começou a circular. Dada a polêmica, a coluna foi em busca de quem conhece as leis eleitorais. De fato, a primeira dama do Estado Juliane Faria (PSD) não pode concorrer a cargos públicos no Rio Grande do Norte enquanto o seu marido, o governador Robinson Faria (PSD), for o chefe do executivo estadual. Juliane é atingida pela inelegibilidade reflexa.

Previsto no artigo 14 da Constituição Federal, o dispositivo priva não só Juliane, mas também as filhas de Robinson, Janine e Nathalia, até mesmo para cargos municipais, como o de prefeito ou de vereador. O único livre da limitação é o deputado federal Fábio Faria (PSD), por já ser detentor de mandato. A ressalva é só uma: o filho de Robinson só pode ser candidato à reeleição.

Rédeas Com o pai empossado governador do Estado, Fábio articula agora para si a coordenação da bancada federal do Rio Grande do Norte em Brasília. Um posto estratégico quando se fala em emendas coletivas. Pleito natural.

A nomeação do ex-governador do Ceará Cid Gomes (PROS) para o Ministério da Educação deixou o deputado federal diplomado Rafael Motta satisfeitíssimo. Explica-se: Cid é do partido de Rafael e com quem o potiguar já conta com grande abertura. Os dois, inclusive, estiveram recentemente reunidos em Fortaleza, na presença do correligionário deputado federal pelo Ceará Domingos Neto, para tratar de assuntos de interesse da legenda.

Contemplados As salivas do deputado estadual Gustavo Carvalho (PSB) e do já diplomado Álvaro Dias (PMDB) não foram gastas em vão. Os dois devem cavar espaço na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, na chapa encabeçada pelo deputado estadual Ricardo Motta (PROS), atual presidente da Casa. A eleição acontece no primeiro dia de fevereiro.

Última chance O anúncio por parte do Governo do Estado de que os policiais civis e militares cedidos serão convidados a retomarem seus postos e a exoneração de 100 cargos comissionados do Tribunal de Justiça faz com que muitos apadrinhados batessem à porta das casas de praia de nomes da política. Os atingidos temem que a maresia corroa as chances de permanecerem onde estão. [revista Bzzz] 11


REPORTAGEM DENÚNCIA Unimed do Brasil

PRÓTESES

Máfia das órteses e próteses

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Investigações, CPI e mecanismo de combate cercam a máfia que atua em clínicas e hospitais do Brasil. A ordem é extirpar práticas que geram prejuízos à saúde e aos cofres públicos


Divulgação/TV Globo

Nos primeiros domingos de 2015, o Brasil foi chacoalhado com uma série de reportagens veiculadas no programa ‘Fantástico’, da TV Globo, intitulada de ‘Máfia das Próteses’, que apontou um esquema milionário envolvendo distribuidores e fabricantes de implantes que oferecem comissões de até 100 mil reais para médicos realizarem cirurgias superfaturadas e muitas vezes desnecessárias. O caso foi identificado nas cirurgias realizadas em especialidades como ortopedia e traumatologia, neurocirurgia, cirurgia cardíaca, bucomaxilofacial, entre outras. Esta é uma prática que assola vários estados brasileiros, inclusive o Rio Grande do Norte. Entre diferentes regiões do país, preços que destoam e alcançam diferenças de até 900%. É o

que se constata ao analisar os preços praticados na venda de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs). Produtos de mesmo material e até de mesma marca podem ter um preço na região Sul e outro bem mais ‘salgado’ no Nordeste brasileiro. Em um breve comparativo entre Natal e uma cidade de mesmo porte, localizada no sul do Brasil, os números são evidentemente discrepantes e assustam. A capital potiguar possui 116% de vidas a menos do que este referido município, porém gasta quase 43% a mais por cada vida que necessita de procedimento que utilize OPME. Segundo dados da Unimed Natal, operadora que possui mais de 30% de usuários de saúde suplementar no estado, e que em 2011 criou um núcleo especial com o propósito de controlar a utilização

e o pagamento dos OPMEs da cooperativa, os valores reais com o custo desses materiais ultrapassam os três milhões de reais por mês, em valores proporcionais. “Esses dados são para ilustrar e reiterar o nosso apoio de quão importante será essa investigação”, ressalta a diretoria do plano. Está evidente que essas distorções na cadeia de comercialização das OPMEs desequilibram a saúde suplementar, além do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, a Unimed Natal concorda e defende toda e qualquer investigação proposta com a finalidade de adequar, de uma forma mais transparente e justa, a relação de venda e compra de OPMEs, punindo empresas e profissionais que se utilizam dessas práticas para superfaturar e adquirir benefícios financeiros de forma antiética e criminosa. [revista Bzzz] 13


Cirurgia indicada que custava mais de 366 mil caiu para 9.480 A Cooperativa alerta que é possível reduzir o ânimo mercantilista do setor de OPMEs no Rio Grande do Norte. Um exemplo recente mostra essa possibilidade. Em maio de 2014, um colaborador da Unimed Natal sofreu grave acidente, ao passar próximo a uma obra da construção civil. Ele teve trauma de face causado por queda de uma estrutura metálica que exigiu uma osteoplastia de órbita; a correção cirúrgica de depressão; e a osteoplastia do arco zigomático. O orçamento inicial previsto era de R$ 366.140,00, com solicitação de placas de reconstrução, parafusos, telas customizadas e membranas. Depois de avaliado por um auditor/perito bucomaxilo, e de negociações realizadas pelo Núcleo de OPME, o valor final ficou em R$ 9.480,00. Ou seja, 2.489% a menos. A cirurgia foi realizada em julho do ano passado e o paciente voltou à vida normal sem qualquer sequela.

REDUÇÃO DE

2.489% NO CUSTO INICIAL

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Unimed do Brasil

REPORTAGEM DENÚNCIA


Diferenças de 4 mil por cento entre itens semelhantes Unimed do Brasil

Anvisa, como outras operadoras de saúde, apontaram o mesmo problema durante essa audiência pública. O próprio Ministério da Saúde apontou problemas”, diz Andréa Bergamini, da Unimed Mercosul, sobre as investigações, durante visita técnica que fez à Unimed Natal em abril de 2014. Andréa Bergamini, além de consultora da Unimed Natal, é enfermeira de formação, coordenadora de Custos Assistenciais da Unimed Mercosul, e trabalha um planejamento para estabelecer na Unimed Natal uma relação de padronização na comercialização das Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs), que possa garantir maior qualidade e preço justo aos usuários.

Divulgação/TV Globo

Estudo elaborado em conjunto pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde (ANS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Sistema Unimed sobre as órteses e próteses em termos de preço de mercado em todo o país apontou uma forte disparidade nos valores. Notas fiscais emitidas no Sistema Unimed, de mesmos materiais e mesma referência, chegaram a ter diferenças de até quatro mil por cento no valor, quando comparadas em diferentes unidades da Federação. Foi esse estudo que resultou Andréa Bergamini, da Unimed Mercosul em uma audiência pública, realizada em dezembro de 2013. “Existem a Câmara dos Deputados a criar algumas evidências que estão sen- uma CPI sobre a Máfia de Órteses do investigadas não só em Natal, e Próteses. Então é algo que está mas no Brasil todo. E isso levou muito claro e evidenciado. A ANS,

Matéria da Rede Globo denuncia comércio ilegal de próteses

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REPORTAGEM DENÚNCIA

CPI à vista

As disparidades, que foram e responsáveis no período de 1994 levantadas em dezembro de 2013, a 2013. Mas, com a repercussão em uma audiência pública na Co- do assunto, poderá também enmissão de Defesa do Consumidor, globar o ano de 2014. O requerina Câmara dos Deputados, em mento 28/2014, com mais de 200 Brasília, chamaram atenção dos deputados federais Rogério Carvalho (PT-SE) A Proposta de Fiscalização e e Ricardo Izar (PSD-SP). Controle (PFC), que também Os dois apresentaram requerimento para tem poder de investigação, já foi instalação de uma Coinstaurada, aguardando apenas missão Parlamentar de a nomeação do relator para que Inquérito (CPI) para inos trabalhos tenham início”. ____________________ vestigar o que chamaram Ricardo Izar de a “Máfia das Órteses de Próteses no Brasil”. O objetivo era desvendar a carteliza- assinaturas de parlamentares, foi ção na fixação de preços e distri- aprovado no plenário da Câmara buição de órteses e próteses (OP- Federal e aguarda, segundo inforMEs), suas causas, consequências mações da assessoria parlamentar

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do deputado Rogério Carvalho, a indicação dos 12 membros para a instalação da CPI. A expectativa do deputado reeleito Ricardo Izar é de que a investigação se inicie na próxima legislatura, que acontece no mês de fevereiro. “A CPI só deve acontecer na próxima legislatura, porque regimentalmente há uma fila a ser obedecida. Mas a Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), que também tem poder de investigação, já foi instaurada, aguardando apenas a nomeação do relator para que os trabalhos tenham início, o que deve ocorrer ainda este ano”, informou o deputado em meados de outubro, por meio de sua assessoria.


“É preciso esclarecer e também produzir propostas para o combate, a prevenção e fiscalização dessa forma de ilícito e de violação do direito à saúde, apresentando assim uma resposta à sociedade brasileira”, afirma Rogério Carvalho. O deputado passou por experiências pessoais relacionadas ao assunto. Ao procurar um hospital que pudesse colocar uma prótese no joelho de seu pai, foi informado que o custo do procedimento seria de R$ 120 mil, valor que a Unimed – empresa do plano de saúde utilizado pela família – se negou a cobrir por considerar abusivo. Ciente de que deveria procurar uma alternativa, o deputado pesquisou preços e descobriu que em outro hospital o procedimento, junto com a prótese, custaria R$ 35 mil, uma diferença de 346%. A descoberta motivou novas apurações.

“Está tendo um desvio de conduta, de ética, de recursos em todas as esferas. É o médico que recebe comissão que não deveria receber porque é uma falta de ética e aumenta o preço do produto final. É o hospital que superfatura a nota. Uma prótese que custa R$ 15 mil em um lugar custa 50 mil reais em outra região do País, isso não tem explicação nenhuma”, reitera Ricardo Izar.

É preciso esclarecer e também produzir propostas para o combate, a prevenção e fiscalização dessa forma de ilícito e de violação do direito à saúde”. ____________________ Rogério Carvalho Gabriela Korossy\Câmara dos Deputados

A PFC, segundo ele, não tem prazo para terminar, o que traz como vantagem a continuidade das investigações na próxima legislatura. Em entrevista à revista Unimed do Brasil, em outubro, Ricardo Izar mostrou toda sua indignação: “Descobri, por meio de levantamentos e denúncias, que o mercado de órteses e próteses no Brasil é um caso de polícia”. O deputado lamentou que a fiscalização não seja atuante e tenha falhas. “Há falha nas agências reguladoras, nos órgãos fiscalizadores, no controle dos próprios planos de saúde, dos hospitais – alguns deles intermedeiam essas negociações de forma nada ética –, e dos médicos. Do outro lado, estão as empresas que utilizam o pagamento de propina e comissões indevidas”, comentou. Nos levantamentos feitos ficou comprovado que essas comissões variam entre 15% e 50% do valor do item adquirido. A intenção dos deputados é investigar pormenores do setor para saber “quem são esses que criam falsas necessidades (produtores? Importadores? distribuidores?), como o fazem (meios ilegais de cooptação do serviço público de saúde para comercialização?, meios que ferem a probidade/moralidade administrativa?), quem são os que participam (médicos, clínicas, hospitais, atores jurídicos?)”.

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REPORTAGEM SAÚDE ESPECIAL RELÓGIOS DE LUXO SAÚDE MENTAL

/

suicidio: tabu a ser quebrado

Suicídio, divulgar ou não divulgar? Especialistas no assunto defendem que esse tipo de morte é provocado por doenças que precisam ser mais informadas para ajudar as pessoas com problemas e tendência à prática. De acordo com a OMS, 804 mil pessoas se matam todos os anos e o Brasil é o 8º país com o maior número de casos Por Alice Lima Fotos: Divulgação A palavra é evitada, substituída sempre que possível e tem ares de ser amaldiçoada. Suicídio soa forte e amedrontador como a tragédia que todos apenas querem que nunca aconteça ao redor. Sentimento mais que compreensível, embora não se possa fugir de algo que está presente na sociedade

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desde os primórdios. Entender por que alguém chega ao limite de tirar a própria vida é o ponto cujas consequências podem ser: evitar possíveis atos de desespero ou até mesmo ‘perdoar’ a lembrança de quem o fez. De acordo com recente estudo divulgado pela Organização

Mundial de Saúde (OMS), 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. O Brasil é o oitavo país em números absolutos. Em 2012 foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. As taxas não costumavam variar a cada ano, mas entre 2000 e 2012 há registros de 10,4% de


aumento na quantidade de mortes dessa natureza – alta de 17,8% entre as mulheres e 8,2% entre os homens. O país que apresenta o maior índice é a Índia, com 258 mil óbitos. Apesar do crescimento, há um contrassenso em relação à atenção dada aos casos, pois não

aumentam as atividades preventivas. Ainda de acordo com a OMS, apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos de prevenção. Em parte devido ao temor que o envolve, não existem muitos estudos abordando o tema, assim como programas voltados a ele. A psicóloga e professora Elza Du-

tra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi pioneira em pesquisas sobre suicídio no Estado. De 1995 para 1996, período incluído na pesquisa, 567 pessoas no RN se mataram – 70% delas do sexo masculino. A faixa etária com o maior número de casos está entre 15 e 29 anos.

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REPORTAGEM SAÚDE DE LUXO

O que provoca? O relatório da OMS aponta que em países desenvolvidos a prática tem maior relação com desordens mentais provocadas principalmente por abuso de álcool e drogas e/ou depressão. Em nações mais carentes, no entanto, as principais causas são estresse e pressão, derivados de problemas socioeconômicos. Segundo profissionais da área, quando alguém tenta tirar a própria vida a pessoa não quer morrer, mas sim acabar com o sofrimento. Por isso é comum que muitos que tentaram e não conseguiram fiquem profundamente arrependidos pelo ato de desespero. “O ser humano sofre muito por ser incompleto e está sempre à procura de estar satisfeito. O suicídio é a opção quando ele não sente mais esperança, quando cansa de procurar sentido. Atualmente, a sociedade exige muito e satisfazê-la tem gerado muitos transtornos à mente”, explica a psicóloga. É difícil prever quando alguém pensa em se matar. Essas pessoas podem dar sinais, que devem ser levados em conta quando há um conjunto de observações, como mudança de comporta-

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Professora de psicologia da UFRN, Elza Dutra é pioneira nos estudos sobre suicídio no RN

mento, isolamento, mudança de hábitos de higiene e alimentares, despedidas aparentemente incompreensíveis, entre outros. Segundo Elza Dutra, são pistas sutis, pois a maioria daqueles que estão com a ideia não procura chamar atenção para o pensamento. Sobre os jovens de hoje, o alerta deve ser redobrado, pois são os que vivenciam intensamente a sociedade da imagem, destacada pelas redes sociais. “Em projetos da Universidade, escutamos relatos de meninas que ficam insatisfeitas até quando uma foto postada não tem o número de curtidas suficiente para ser bem-aceita, e assim vão criando o ‘eu imaginário’ que, quando é conflitado com a realidade, pode se gerar grandes problemas”, atenta a profissional.

Ao sentir os sinais, as pessoas próximas podem ajudar. Um amigo ou parente, aquele em que o indivíduo com problemas mais confie, deve procurá-lo para conversar, ouvir, acima de tudo, e ajudá-lo a procurar um profissional. Outra referência pode ser um líder religioso, como padre ou pastor, que reúna condições para colaborar. São posturas a serem tomadas defendidas pela professora. Como em todas as doenças ou transtornos, cada situação deve ser tratada isoladamente.


Demis Roussos

Equipe do CAP’s trata pessoas que tentaram suicídio

Hospital João Machado

É preciso cuidar Há esperança. Quem tenta suicídio e consegue ser salvo deve ser tratado imediatamente. Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAP’s), composta por médico psiquiatra, terapeuta ocupacional, psicólogo e assistente social, cuida de pacientes com esse transtorno. A recomendação é que a pessoa seja internada imediatamente, para reduzir riscos e ser medicada. Com a melhora, é encaminhada ao trabalho de acompanhamento do CAP’s. A medicação, geralmente, é intensificada nos primeiros dias e, em seguida, vai sendo substituída por terapias. Como cada caso exige cuidados específicos, o tempo é relativo e pode ser necessário continuar com os remédios por tempo indeterminado.

“Partimos do princípio de que o paciente não quis tirar a vida, mas acabar com o que o faz sofrer. Desse modo, trabalhamos para descobrir o que provocou o ato e logo após cuidar desse mal, junto à família ou amigos, reduzir esse incômodo, para que não exista uma nova tentativa”, explica o terapeuta ocupacional do CAP’s em Natal Mário Miranda. Um exemplo comum é a tentativa pela alta ingestão de medicamentos, como se com o consumo as dores da alma e da mente fossem eliminadas, mas como consequência o fim pode ser outro e sem volta. Se a família tem condições de custear tratamento em hospitais da rede privada, o procedimento deve ser o mesmo do adotado no sistema público. A diferença será a estrutura oferecida.

Os profissionais da área de saúde mental explicam as ocorrências baseados no maior número de casos, mas lembram que sempre há as exceções. Não é incomum que pessoas vistas como seres de comportamento normal e tranquilo, mas estando em alto nível de ansiedade, seja por perder o emprego, enfrentar um divórcio, perder a guarda dos filhos e, em um momento de absoluto descontrole emocional, entram na lista de suicidas. Joana* e Alba* estão em tratamento no CAP’s. Ambas tentaram suicídio algumas vezes e são consideradas ainda riscos para as próprias vidas. Joana é homossexual e, por isso, tem problemas de relacionamento com os pais que a rejeitam, traumas da infância e, o aspecto mais preocupante, é envolvida com

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REPORTAGEM SAÚDE DE LUXO

álcool, drogas e viciada em jogos de azar. Constantemente vende tudo o que pode para sustentar os vícios. Recentemente perdeu o emprego em uma fábrica de confecções e agora resolveu se tratar. Além de atentar contra a própria vida, a jovem com pouco mais de 30 anos também induz que outros o façam. Parece estranho, mas procura quem a mate. No momento ela está internada em um hospital psiquiátrico e passou a aceitar os cuidados médicos. Foi a frustração profissional que levou Alba às inúmeras tentativas de acabar com a própria vida e de maneiras diversas que deixaram, inclusive, marcas em seu corpo. Ela

é técnica de enfermagem e não se conforma por não se sentir valorizada. Fora isso, não constrói relação de afeto com as pessoas e lamenta não ter casado e construído uma família mesmo depois dos 40 anos. Seu tratamento é ambulatorial e tem surtido efeitos positivos, que têm a feito sair do estado de total desesperança. Ao pensar na prevenção em maior grau, o relatório da OMS também recomenda que os governos adotem políticas que restrinjam os acessos às armas de fogo, pesticidas e medicamentos, a redução do estigma e a conscientização do público, que pode ser por meio de campanhas educativas.

Noticiar ou não noticiar...

Professora Socorro Veloso ensina futuros jornalistas a maneira correta de abordar o polêmico tema 22 [revista Bzzz]

Existe um comportamento adotado pela maior parte da imprensa em relação ao tema: para não estimular novos casos, mortes por suicídio são ignoradas, omitidas ou editadas. A Organização Mundial da Saúde produziu um manual para instruir como o tema deve ser abordado. A regra é ter bom senso, como explica a professora de Comunicação Social da UFRN Socorro Veloso. “Penso que não é possível, simplesmente, decidir não noticiar esses casos. Noticiar ou não deve partir, sempre, de uma

decisão editorial que adote como pressupostos o interesse público, o bom senso e o respeito à família da pessoa que se suicidou”, explica a docente. Para citar exemplos de casos emblemáticos, um dos maiores é o do ex-presidente Getúlio Vargas. Impossível não contar que o presidente morreu ao disparar um tiro no próprio peito, em meio à grave crise política que o País atravessava naquele momento. Trata-se, no caso, de interesse público, e como tal deve ser tratado.


Suício de Getúlio Vargas estampa capas de jornais

Secretário do Tesouro da Pensilvânia que deu um tiro na boca em meio a uma coletiva de imprensa

Outro caso emblemático é o de Budd Dwyer, secretário do Tesouro da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, que em janeiro de 1987 convocou uma coletiva de imprensa e, na frente dos jornalistas presentes e das câmeras de TV, deu um tiro na boca. Ele era acusado de corrupção e se dizia inocente. O caso, de inegável interesse público, foi noticiado em todos os telejornais. No entanto, a imagem do momento do tiro foi congelada - o que supõe bom senso e respeito à família do suicida. Socorro Veloso, no entanto, faz um alerta importante para que se evitem os excessos e a falta de ética, tantas vezes esquecidos quando

a prioridade é atingir a maior audiência possível. “Não podemos admitir coisas que já vimos na TV brasileira, como a transmissão ao vivo do suicídio de uma adolescente. Ela se jogou do alto de um prédio, cena presenciada por telespectadores de todo país. Foi em 1993, durante o programa policial Aqui Agora, do SBT”. A professora utiliza o manual durante as aulas da disciplina de Legislação Jornalística para preparar os alunos, o que serve como importante ferramenta para nortear decisões que podem ser tomadas no calor da emoção. As notícias de morte de famosos, principalmente artistas, precisam

seguir critérios cuidadosos para que outras pessoas não se sintam estimuladas. Caso recente de suicídio foi do ator americano Robin Williams. A experiência mostra que quando alguém de destque se mata, outros “fãs” ganham “impulsos” para fazer o mesmo. Em Natal, quando a Ponte Newton Navarro, que liga a Praia do Forte à Praia da Redinha, foi inaugurada, em 2007, houve uma série de suicídios, quando pessoas foram até o local e jogaram-se. “Muitas vezes, pela morte, há a última tentativa de fazer com que a sua vida chame atenção”, explica Elza Dutra, esclarecendo o porquê de métodos que chamam atenção. [revista Bzzz] 23


REPORTAGEM SAÚDE DE LUXO

Voz amiga

Ser ouvido pode ser o melhor remédio para a alma e evitar atitudes desesperadas. Nesse sentido foi criado o Centro de Valorização da Vida (CVV), fundada em 1962 por um grupo de voluntários e reconhecida como entidade de utilidade pública federal pelo decreto lei nº 73.348 de 20 de dezembro de 1973. Diversas unidades estão espalhadas pelo mundo, como instituições de apoio emocional e prevenção do suicídio 24 horas por dia. Em Natal, 32 pessoas voluntárias realizam o trabalho na sede que fica no bairro da Cidade Alta. Quem tem interesse em ajudar e tem a partir de 18 anos pode participar de um

curso com dez dias de duração para a preparação. Nem todos que saem das aulas podem atuar no CVV, pois há os que não estão aptos ao ofício de forte carga emocional. De acordo com Cristina Souza, coordenadora do CVV Natal, a faixa etária dos voluntários varia. Há desde os jovens com 20 e poucos anos a idosos, os quais dão um plantão por semana. “O atendimento é totalmente sigiloso e nem perguntamos o nome da pessoa, que fica à vontade caso queira se identificar. Não aconselhamos a não cometer suicídio, apenas conversamos, ouvimos, deixamos quem está do outro lado da linha refletir um pouco”, explica.

Não há como saber se o trabalho deu certo, pois não há acompanhamento depois, assim como não é possível precisar se a mesma pessoa liga várias vezes. A média é de 35 atendimentos por dia, embora varie de acordo com os períodos do ano. Os atendimentos são realizados por telefone, chat, e-mail, VoIP, correspondência ou pessoalmente nos postos do CVV em todo o País. Trata-se de um serviço gratuito.

O que dizem as religiões Espiritismo Segundo a Doutrina Espírita, um suicida no plano espiritual torna-se escravo da própria consciência e é acometido por um grande sentimento de culpa, o que lhe causa dor. Portanto, aqueles que se suicidam pensando em colocar fim no próprio sofrimento enganam-se, pois após o desencarne passam por grandes dificuldades causadas por seu ato criminoso e posteriormente voltam à vida terrena para passar pelas mesmas provações que os fizeram sucumbir. Como o desencarne de um suicida acontece de forma violenta, o 24 [revista Bzzz]

perispírito permanece lesionado, causando um grande desajuste na organização espiritual. Na maioria dos casos é necessário submetê-lo a uma reencarnação compulsória para reparar os danos causados. O espírito deve estagiar em corpos físicos atrofiados, o que pode explicar alguns casos de crianças que nascem em estado de completa idiotia ou deficiência física. Judaísmo O Judaísmo considera o suicídio um crime tão grave quanto o assassinato. No cerne da doutrina judaica está o ensinamento de que

nenhum ser humano é dono do seu próprio corpo, pois ele não se fez sozinho. Quando se fere o corpo ou a alma, comete-se uma ofensa contra a obra e propriedade divinas. Por este motivo, alguns dos ritos tradicionalmente incluídos na cerimônia de sepultamento são negados ao suicida, e ele é enterrado numa parte do cemitério afastada dos outros túmulos. Existe, entretanto, uma opinião divergente: a de que o suicida, no momento decisivo, não estava de posse de suas faculdades mentais, agiu inconscientemente. Portanto, não deve haver discriminação no sepultamento.


Ajuda tecnológica Uma organização beneficente britânica lançou um aplicativo que avisa se algum amigo postou tuítes que mostrem desânimo, na tentativa de antecipar e evitar um suicídio. O aplicativo gratuito da organização Samaritans detecta mensagens com frases como “cansado de ficar sozinho”, “eu me odeio”, “deprimido”, “preciso de ajuda” ou “preciso falar com alguém”. Quem tem o aplicativo recebe, imediatamente, um e-mail avisando que uma das pessoas que o usuário segue no Twitter postou esse tipo de mensagem. Catolicismo O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que o suicídio é um pecado grave, contrário ao amor do Deus Vivo, e que ele contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. No entanto, alguns entendimentos de sacerdotes reconhecem que devido a distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provocação, do sofrimento ou da tortura podem cometer o ato impensado. Dessa forma, a Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida. Islamismo Suicídio no Islã é visto como um sinal de descrença em

Deus. Entretanto, são vistas várias operações de martírio (‘amaliyah istishâdiyah) por detonação de explosivos comumente praticadas por grupos de resistência religiosa e nacionalista, como o Hamas, o Hizbollah, a Jihad Islâmica e a Al-Qaeda. Hinduísmo No Hinduísmo o suicídio é desaprovado e é considerado tanto pecaminoso como matar outra pessoa. Os textos hindus dizem que quem comete suicídio passará a fazer parte do espírito do mundo, vagando pela terra até o dia em que deveria ter falecido, caso não houvesse cometido suicídio.

Budismo de nichiren daishoin O budismo pressupõe que a vida existe no passado, presente e futuro, assim como o carma. O sofrimento não termina com a morte, mas, incorporado ao carma, continua a existir depois dela. O carma jamais se altera, a menos que o indivíduo o modifique por seus próprios esforços. Esse conceito budista evidentemente suprime todo fundamento para justificar o suicídio, uma vez que o sofrimento que provoca o desejo de morte não termina com ele. O budismo desaprova o suicídio porque de acordo com um de seus princípios, a vida é um vaso que guarda o mais valioso de todos os tesouros. [revista Bzzz] 25


REPORTAGEM HISTÓRIA CURIOSIDADES DA CAPITAL

Do camarão ao chiclete

Base dos norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial, Natal foi a responsável por popularizar no Brasil o chiclete, os óculos Rayban e a calça jeans

Por Louise Aguiar

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Pouca gente sabe, mas a Natal do período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi pioneira não só em receber os norte-americanos, mas em adotar muitos de seus costumes, considerados revolucionários para a época. Você sabia, por exemplo, que Natal foi a primeira cidade do País a mascar chiclete? Assim como usar óculos Rayban, tomar Coca-Cola e vestir calça jeans? Essas curiosidades, conhecidas de pouca gente até hoje, foram confirmadas e comentadas pelo historiador e professor Luís Eduardo Suassuna, o Coquinho, em entrevista a Bzzz. Os norte-americanos aterrissaram em Natal no ano de 1942 e promoveram uma verdadeira revolução social na cidade, que à época abrigava 55 mil habitantes. Foram eles que trouxeram o chiclete e disseminaram a prática de mascá-los entre os natalenses. “A generalização do chiclete foi aqui, assim como da Coca-Cola, dos óculos Rayban e do blue jeans”, afirma Coquinho. A capital pernambucana também viveu momentos parecidos, mas era Natal que hospedava o maior número de americanos no País – chegou a 10 mil no total. A propagação de tais produtos aconteceu porque os americanos os traziam para o Brasil em grandes quantidades e distribuíam entre os nativos. “Quem vai à guerra não está preocupado em economizar. Então eles levam itens em grande número e difundem, distribuem para as pessoas. [revista Bzzz] 27


REPORTAGEM HISTÓRIA Fotos: Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives/Getty Images

Essas pessoas então passam a comercializar os produtos”, conta o historiador. Os natalenses também foram os primeiros da América do Sul a consumir Coca-Cola. Tudo aconteceu nessa época, fruto do apoio do Brasil aos norte-americanos na guerra contra Alemanha e Japão. Foi nesse período que Natal viveu um aumento significativo da população devido às obras que os americanos iniciaram na cidade, como o porto e a Base Naval. A necessidade de mão de obra, tanto a geral como a mais especializada, trouxe muita gente à cidade. Tanto que em dez anos a população da capital saltou de 55 mil habitantes (número existente em 1942, início da chegada dos americanos) para 100 mil em 1952 – quase o dobro.

População de Natal passa a conviver e aprender hábitos americanos

Soldados americanos no Trampolim da Vitória 28 [revista Bzzz]


Natal foi a primeira cidade do País a ser asfaltada

Rua já asfaltada

Mulheres come;am a ganhar independëncia

Avenida Hermes da Fonseca

Pioneira no uso de asfalto O professor Coquinho também menciona que Natal foi a primeira cidade a usar asfalto em suas vias. Durante a Segunda Guerra ocorreu a abertura de avenidas, com a construção da Av. Hermes da Fonseca, que a partir do bairro do Tirol ganha o nome de Salgado Filho, indo até o aeroporto em Parnamirim. A vinda de 10 mil americanos para a cidade também modificou os costumes da população. Os homens passaram a fazer a barba, o que não era nada comum nessa época. “As pessoas em Natal até que faziam a barba, mas não era comum. Os governadores da República Velha aparecem todos com barba. Somente Juvenal Lamartine não usava. Quando não tinha barba, tinha o bigode. Passamos a adotar na época da guerra o costume americano de tirar os pelos do rosto”, detalha o historiador. Já as mulheres natalenses não costumavam sair

Getúlio Vargas e Roosevelt passeiam pela capital potiguar

de casa sozinhas e sempre estavam acompanhadas, nem que fosse de uma criança pequena. Nessa época, com a mudança dos hábitos, elas passaram a sair desacompanhadas. “Elas começaram a ir ao comércio sozinhas e isso criou um estigma de que Natal era muito livre, mas não havia nada demais nisso. Porém, era diferente para os costumes daquele período”, relata. Com quase 20% da população total formada por americanos, o dólar circulava fácil e movimentava o mercado de bares, restaurantes e cabarés. Foi nesse período que os visitantes criaram o “For all”, que passou a ser chamado pelos nativos de “forró”, devido à dificuldade na pronúncia da língua inglesa. Não se tratava, porém, do ritmo conhecido hoje como forró, mas um espaço destinado à dança, “para todos”, na tradução literal. Lá se tocava desde o xaxado e baião até os ritmos próprios dos Estados Unidos. [revista Bzzz] 29


REPORTAGEM HISTÓRIA

A ameaça de Hitler bombardear Natal Também durante a Segunda Guerra, Natal foi classificada pelos americanos como dona do porto e aeroporto mais próximos da Europa e África. Vir da Europa para Natal proporcionava um tempo de economia de 45 minutos de avião e de 2,7 dias por navegação. Coquinho esclarece que o ponto mais extremo e próximo desses dois continentes é a Ponta do Seixas, na Paraíba, mas a chegada e a saída só aconteciam pela capital potiguar, o que a levou a obter o título. O Departamento de Guerra dos Estados Unidos também classificou nossa posição geográfica como um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo. De acordo com o professor, existem documentos históricos que comprovam a classificação dada a Natal pelos americanos. “Eles iam daqui para a África levando soldados, mantimentos e armas. A posição era estratégica e despertou o interesse do nazismo, que ameaçou bombardear Natal”, conta. A ameaça de Adolf Hitler à base americana na capital potiguar existiu, segundo documentos históricos, mas como não poderia vir pelo ar, já que os aviões chegariam até aqui, mas não conseguiriam abastecer para voltar à Alemanha, instalou-se o medo de que o bombardeio

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viesse através de submarinos. “Todos temiam que os alemães viessem tomar Natal e o aeroporto com o envio de submarinos-bomba. Até porque se eles tomassem a base, dificultaria o acesso dos americanos à África. Eles ficariam sem ter como abastecer. Natal despertou grande interesse do nazismo”, emenda Coquinho. Na época as praias de Natal eram frequentadas somente por pescadores e pela população ribeirinha, até que os militares americanos tornaram algumas delas famosas, como a Praia dos Artistas, que recebeu esse nome por causa das muitas personalidades que eram vistas no lugar. Outra curiosidade dessa época é que o coco, em abundância na região litorânea do estado, foi usado como soro para hidratar soldados americanos e brasileiros. Rica em proteínas, sais minerais e vitaminas, a água de coco servia para repor as energias dos soldados acometidos por diarreias e desidratação. “Mas não era nada na veia, eles tomavam a água direto do coco”, registra o professor. Tudo isso aconteceu de 1942 a 1945, quando a guerra chegou ao fim e os americanos começaram a deixar a cidade. A desocupação se estendeu até 1946.


Autor de “O pequeno príncipe” teria passado por Natal e conhecido a árvore do Baobá

Professor de História “Coquinho”

Vinda de Saint-Exupéry Há quem diga que Natal foi ponto de parada do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. O também aviador teria citado o pôr-do-sol da cidade no livro “Atlântico Sul” e o Baobá, árvore africana que possui três exemplares no Rio Grande do Norte, na sua mais famosa obra, “O Pequeno Príncipe”. O autor teria ficado impressionado com o fato de que eram necessários 15 homens para abraçar o tronco da árvore. A questão, no entanto, é controversa. Segundo o professor Coquinho, o escritor Diógenes da Cunha Lima afirma que Saint-Exupéry esteve em Natal, mas tudo com base em alguns depoimentos. “São testemunhos um pouco vagos, que alguns historiadores contestam. É um assunto polêmico, que prefiro não comentar porque não tive acesso aos documentos”, finaliza.

A capital potiguar também é dona do segundo maior parque urbano do Brasil, o Parque das Dunas, com uma área total de 1.172 hectares. O espaço, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira, é considerado o maior parque urbano sobre dunas do País. Perde somente para a reserva da Tijuca, no Rio de Janeiro. Natal também é considerada a terra do camarão, embora hoje em dia não mais lidere o ranking de produção no país. O gentílico de origem indígena “potiguar” quer dizer comedor de camarão, devido à abundância do crustáceo no Rio Potengi na época dos índios. “Potengi”, em tupi, é o equivalente a “rio do camarão”.

[revista Bzzz] 31


reportagem DEscaso BIBLIOTECA CÂMARA CASCUDO

Sabedoria despedaçada

Depois de anos fechada e em reforma há quase dois anos, obra da Biblioteca Pública Câmara Cascudo está parada e prazo para reabertura ainda é desconhecido. Enquanto isso, acervo histórico permanece encaixotado no chão, em meio à poeira Por Juliana Manzano Fotos: Sueli Nomizo

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em 2014, a Biblioteca Pública Câmara Cascudo completou 45 anos de fundação. O que já foi auge como casa da sabedoria hoje agoniza. A situação em que foi relegada a maior biblioteca pública estadual impede comemorações. Depois de anos de espera, as obras de reforma e restauração do prédio começaram em abril do ano passado, mas foram paralisadas em outubro último, com mais de 50% dos serviços concluídos, por problemas burocráticos que emperram a continuidade. As obras não foram retomadas em 2014 e, quando, enfim, o trabalho retornar, prevê-se o mínimo de oito meses para a conclusão. A previsão mais otimista de entrega e reabertura é dezembro de 2015. Idealizada no início da década de 1960 durante o governo de Aluízio Alves, a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Norte foi construída e inaugurada em 1969 pelo então governador Monsenhor Walfredo Gurgel. Em 1972, foi rebatizada de Biblioteca Pública Câmara Cascudo (BPCC), em homenagem ao mais ilustre potiguar apaixonado pela leitura. Com o passar dos anos, este que é um dos mais importantes símbolos da educação e da cultura do Estado sofreu com a deterioração física, sem a necessária reforma ou manutenção efetiva, por mais de quatro décadas. Também não era realizada a atualização de acervo, e até não acompanhava a já antiga modernidade da informatização, o que motivou o afastamento dos usuários.

“O nosso sistema era manual, não tínhamos nenhum título novo, nem computador, nem acesso à internet. Então, praticamente quem nos procurava eram pessoas que queriam saber da história passada. Mas os alunos do Ensino Médio, por exemplo, deixaram de frequentar porque não encontravam o que queriam. Até meados do ano de 1994 nós tínhamos uma média de 500 a 600 usuários por dia, mas por conta do nosso ‘atraso’ esse número foi sendo reduzido cada vez mais”, recorda o coordenador do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Fundação José Augusto (FJA), Márcio Farias. Durante a sua gestão como diretor da BPCC, Márcio Farias começou, em 2005, a luta por uma ampla reforma no espaço, acompanhada da atualização do acervo. Enquanto coordenador do Sistema de Bibliotecas, cargo que ocupava concomitantemente, ele participou de um encontro com demais gestores de bibliotecas públicas de outras capitais, em Brasília, e percebeu que todas passavam pela mesma dificuldade: a falta de recursos para mantê-las. Foi quando, no ano de 2006, o Governo Federal lançou um projeto para modernizar e instalar bibliotecas públicas em todos os municípios do País. Dentro deste projeto, existia um recurso destinado às bibliotecas “cabeças” de cada estado brasileiro, mas não existia verba suficiente para os 27. “Nessa época, cada uma teria cerca de R$ 2,5 milhões para reforma”, lembra Márcio. [revista Bzzz] 33


reportagem DEscaso No retorno a Natal, apresentou a proposta ao presidente da FJA à época, Crispiniano Neto, mas as providências foram lentas. Embora o projeto já estivesse sido desenvolvido por técnicos da BPCC e equipe de obras da Fundação, apenas ao final da gestão foi enviado ao Ministério da Cultura (MinC). Do valor divulgado inicialmente restava apenas R$ 1,5 milhão. A redução da verba estimada resultou na necessidade de alteração do projeto e, portanto, mais atraso para aprovação. Após modificações, o projeto foi enviado. No início da sua gestão, a governadora Rosalba Ciarlini foi a Brasília pleitear ampliação dos recursos. A tentativa foi frustrada. “Havia a necessidade de ampliar o espaço, mas não tínhamos para onde, nem para os lados, nem para cima, já que Márcio Farias, coordenador do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas a estrutura não suporta mais um andar”, explica Márcio Farias. Depois braram a relação desses títulos e eu tadores para a biblioteca. Seguinde sete anos de idas e vindas, o con- ponderei que se os títulos fossem do exigência do Governo Federal, vênio entre o MinC e o Governo do comprados àquela época ficariam as máquinas mais modernas foEstado foi, finalmente, assinado, em defasados quando a biblioteca fosse ram compradas com antecedên2012. Mas as obras só começaram reinaugurada, mas exigiram, envia- cia, mas quando a reabertura do em abril de 2013 e desde outubro es- mos e agora quando fomos execu- espaço finalmente acontecer, já tão paradas. “Até para alterar o tipo tar a compra, a maioria já não existe estarão defasadas. de piso que foi inserido no projeto é mais para a venda. Então, tive que preciso a aprovação do MinC. En- fazer a nova lista, mandar junto tão, o recurso vem, tem que ser gasto com a anterior para o MinC e espee prestado conta para que outra par- rar a aprovação. Esse, por exemplo, Eles emperram em te seja liberada. Mas quando é preci- é um dos impedimentos atuais e só so fazer alguma adequação emperra liberam o dinheiro da obra quando algo que não tem todo o andamento da obra”, explica o gastarmos o do acervo. Eles empersentido, são entraves coordenador. ram em algo que não tem sentido, que fazem com que a Quando o projeto foi apro- são entraves que fazem com que a obra pare”. ___________________ vado, uma das exigências era a obra pare”, lamenta Farias. compra de novos títulos para a O mesmo problema aconMárcio Farias atualização do acervo. “Eles me co- teceu com a aquisição de compu-

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Reinauguração Com 57% dos serviços concluídos, a obra de reforma e modernização da Biblioteca Pública Câmara Cascudo contempla substituição das instalações elétricas e hidráulicas, nova cobertura e pintura, adequações à acessibilidade, incluindo a instalação de uma plataforma elevatória, troca das antigas esquadrias de madeira por outras de alumínio com vidro, além da alteração na disposição dos setores, bem como a criação de novos espaços como sala infantil, galeria de exposições e auditório. Do prédio antigo, praticamente apenas a estrutura da fachada será conservada. Em relação à ampliação, o espaço do

acervo cresceu e o mobiliário foi todo substituído. Antes comportava 100 mil exemplares. Após a reforma, terá espaço para receber até 200 mil títulos. Segundo Márcio Farias, não não houve possibilidade de retomar os serviços em 2014. “O responsável pela obra diz que quando os recursos forem liberados, eles concluem o mais rápido possível. Acredito que a média seria de seis meses, porém, não é só concluir a obra, precisaremos de, pelo menos, 60 dias para arrumar toda a biblioteca, isso se conseguirmos contar com todos os servidores”, comenta, acrescentando que a BPCC contava com 84 servidores e hoje tem ape-

nas nove em seu quadro. Os outros 75 aposentaram-se. Quanto à informatização, as etapas de catalogação e inserção no sistema já estão sendo feitas. De acordo com Márcio Farias, 30% do acervo já foi inserido e até a reabertura serão concluídos os 70% restantes. “A burocracia é muito grande para resolver algo que poderia ser mais simples. Às vezes penso que teria sido muito mais fácil colocar a biblioteca no chão e construir outra do que realizar o que estamos fazendo”, opina ele, embora a sugestão não fosse possível pelo fato de o equipamento ser tombado como patrimônio histórico e cultural do Estado.

A biblioteca está com 57% dos serviços concluídos

[revista Bzzz] 35


reportagem DEscaso

Recursos Orçada em R$ 919.961,61, a reforma financiada pelo Governo do Estado e o Ministério da Cultura possibilitará que a biblioteca se torne um ambiente moderno e confortável para estudos, pesquisas e pequenos eventos voltados para a cultura e a educação. A obra foi licitada e está sendo fiscalizada pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN), que, no momento, aguarda aprovação da readequação da planilha orçamentária por parte do MinC, uma vez que o projeto precisou ser readequado para atender às novas normas, como segurança e acessibilidade. De acordo com a SIN, como a obra faz parte de um convênio com o Ministério da Cultura e deve obedecer a metas pré-estabelecidas, em caso de alterações o órgão precisa da anuência e concordância do governo federal. A conquista dos recursos teve participação importante da atual deputada federal e senadora eleita Fátima Bezerra (PT-RN), à época presidente da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, que fez a ponte entre o Governo do Estado e o MinC para que fossem empenhados os recursos de investimentos na reforma e modernização da estrutura física do prédio. “Mantive contato, ao longo desse período, com a secretária Isaura Rosado (Extraordinária da Cultura) como forma de contribuir. Acompanhei de perto cada passo dado, articulei audiências com a 36 [revista Bzzz]

ministra (Ana de Hollanda) no sentido de dar celeridade aos trâmites legais, o que culminou, felizmente, na liberação dos recursos para início da obra”, destaca a parlamentar. Segundo informações do MinC, foi feito o repasse da primeira parcela em 21 de março de 2013, no valor de R$ 742.919,18, e que a partir de março de 2014 o governo do RN solicitou alterações, inclusões, exclusões e substituições de itens no Plano de Trabalho. Tais solicitações foram analisadas e geradas diligências e pareceres técnicos. A cada solicitação foi apresentada uma planilha com inclusão de itens e serviços di-

ferentes e até com valores superiores ao aprovado, o que não é permitido pela legislação e ainda por divergirem do pactuado no Termo de convênio assinado entre as partes. Essas recorrentes solicitações têm causado demora nas análises e liberação de Parecer Técnico. Na última semana de outubro, o governo estadual apresentou uma nova solicitação com novas planilhas, que estão em análise. O MinC informou que está fazendo todo esforço para dar maior celeridade e finalizar os compromissos com os convênios pactuados entre 2009 e 2014.


Acervo empoeirado Durante a reforma, o ideal era que os 100 mil exemplares que a biblioteca dispõe fossem transferidos para outro local. No entanto, segundo Márcio Farias, nenhum dos espaços oferecidos era adequado o suficiente para recebê-los. Restou então a opção de o acervo ser encaixotado e continuar dentro do prédio em reforma, em meio à poeira e aos escombros formados pelas obras.

“Os locais que foram oferecidos estavam em piores condições do que o nosso, alguns sem cobertura, outros com problema na instalação elétrica, sem segurança. Além disso, temos documentos muito antigos que poderiam se perder em uma mudança. Então, foi preferível deixá-los onde estão para que não enfrentassem mudança de ambiente e climática. O manuseio deles poderia deteriorá-los”, explica o coordenador.

O acervo continua encaixotado dentro do prédio em reforma

[revista Bzzz] 37


reportagem DEscaso

Suspensão de atendimento Antes de ser fechado para a obra, o atendimento da BPCC foi suspenso parcialmente em fevereiro de 2007. O motivo? A instalação elétrica – a mesma desde a fundação, em 1969 – estava provocando curtos-circuitos no espaço. A partir de então, a biblioteca passou a funcionar apenas nos turnos matutino e vespertino ou “até onde a visão dos usuários conseguia en-

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xergar”, diz Márcio Farias. “Com as telhas da cobertura quebradas, a laje se transformava em uma piscina quando chovia, o que provocou infiltrações. Os fios eram antigos, desencapados e quando juntaram com a água causaram pequenos ‘incêndios’. Inclusive, o presidente à época [Crispiniano Neto] foi fazer uma visita no final de uma

tarde, presenciou o problema e decidiu encerrar o atendimento noturno”, completa. A nova gestão da Fundação José Augusto iniciou as obras no início de janeiro e ainda não se pronunciou sobre a biblioteca Câmara Cascudo. O titular da pasta, Rodrigo Bico, foi procurado pela RevistaBzzz, mas até a publicação desta edição não deu retorno às questões.


Importância cultural

Fátima Bezerra espera que biblioteca seja referência no Estado Elza Fiuza/ABr

Tombada em 2004 pelo Governo do Estado, a Biblioteca Pública Câmara Cascudo tem a missão de preservar e disseminar as informações científicas, didáticas, históricas e culturais para fins de pesquisa, estudo e leitura da comunidade potiguar. Localizado no bairro de Petrópolis, ao lado da Escola Estadual Atheneu, o espaço foi durante décadas o principal instrumento utilizado por estudantes das redes pública e privada do Estado. A senadora eleita Fátima Bezerra espera que a reabertura da biblioteca seja breve. “Não estamos falando de um equipamento qualquer, estamos tratando da instituição mais simbólica voltada para a cultura do RN. Queremos que ela se torne uma biblioteca referência. O nosso estado precisa de mais e mais equipamentos que, além de um ambiente de estudo e pesquisa, seja um espaço fomentador da prática da leitura. Como coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e da Leitura no Congresso estou empenhada na luta para que avance uma legislação que assegure a Política Nacional do Livro, o financiamento através do Fundo Nacional Pró-Leitura, dentre outros, para que o Brasil caminhe nos trilhos e se torne um país de leitores e leitoras”, enfatiza a parlamentar.

Garibaldi Alves se dispõe a ajudar para retomada das obras

Ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho foi estudante do Atheneu, mas não chegou a frequentar a biblioteca enquanto estudante. “A Biblioteca Câmara Cascudo era uma demanda natural dos estudantes da época. Muitas gerações a frequentaram e ali desenvolveram o hábito pela leitura. Eu gosto muito de ler e queria ter frequentado quan-

do aluno, mas fiz visitas enquanto governador. Lamento muito a notícia de que a obra está paralisada e desejo muito que aquele importante equipamento seja reaberto, inclusive estou disposto a contribuir no que for possível”, afirma o ministro, lembrando que a carência de bibliotecas públicas no País é uma grande lacuna para a educação e a cultura do Brasil.

[revista Bzzz] 39


reportagem personalidade maria josé gurgel

A morena que

encantou Natal Pode-se dizer que ela foi a mulher mais bela do Plano Palumbo, que concentra os chamados nobres bairros do Tirol e Petrópolis. De sorriso largo, arrebatou legião de admiradores, abraçou causas sociais e lutou ingloriosamente contra o câncer

Por Thiago Cavalcanti Fotos: Arquivo da família e Denise Gaspar 40 [revista Bzzz]


Nascida na cidade de Parelhas, na região do Seridó do Rio Grande do Norte, Maria José Santos chegou à capital potiguar aos dois anos de idade, ao lado dos pais Severina e Cirilo Santos, e da irmã Maria Cecília. A família se instalou numa casa na Rua Açú, no bairro do Tirol. Daí em diante começa sua trajetória para conquistar a seletiva alta sociedade de Natal. Linda morena cor de jambo, iniciou seus estudos no tradicional Colégio Imaculada Conceição (que fechou as portas em 2012), do jardim de infância até o então Segundo Grau (atualmente Ensino Médio). Entre suas amigas e, coincidentemente, sua vizinha, estava a professora Abigail Andrade Lopes, com a qual selou amizade desde pequena. “Maria José era desprendida de tudo, muito espontânea e fiel às amigas”, afirma Abigail. Os anos se passam, começa a férvida década de 60, marcada mundialmente pela forte presença da atuação jovem no universo cultural que expandiu suas influências aos meios políticos e sociais. Na provinciana Natal, onde todos se conheciam, a bela morena encantou o engenheiro Ronald Gurgel, ambos moravam na mesma rua. Começaram uma paquera, namoraram e no dia 31 de outubro de 1964 casaram-se. Passou a se chamar Maria José Gurgel. O casal se muda para um sobrado na Rua Jakob Wolfson, em Petrópolis. Passam-se três anos, nesse tempo o empresário bem sucedido Ronald Gurgel,

Os anfitriões Arnaldo Gaspar e Denise recepcionam o casal Gurgel ao lado do costureiro Dener Pamplona, o homenageado da noite

Com Letícia Ferreira de Souza

Jota Epifânio com o casal Gurgel

Regina Emerenciano, Zézé Gurgel, Denise Gaspar, Ana Tereza Paiva e May Pessoa

O casal recebendo a miss Brasil Marta Jussara

Zezé e a amiga/vizinha Abigail Andrade Lopes [revista Bzzz] 41


reportagem personalidade proprietário da Saci, maior rede de material de construção do Estado na época, compra a casa do empresário Rui Paiva, na Rua Campos Sales, também no bairro de Petrópolis. Ele contrata o projetista Moacir Gomes, derruba a

antiga residência e ergue sua imponente mansão, em um terreno de 2500 m². Hoje, no lugar da bela casa, ergue-se um dos mais sofisticados edifícios residenciais da cidade, que tem o nome de Maria José Gurgel.

No finalzinho da década de 60, o casal se muda com a prole de três filhos: Danielle, Michelle e Renato, para o novo endereço. Tempos felizes. A residência foi palco de memoráveis festas e muito glamour.

PANTERA O saudoso colunista carioca Ibrahim Sued cunhou a expressão “a pantera”, que significava mulher bonita e elegante. Entre suas panteras estavam a socialite mineira Ângela Diniz, morta pelo companheiro Doca Street, crime que chocou o Brasil na década de 1970. Pois bem, Maria José, ou Zezé, como era chamada carinhosamente pelos amigos, encaixava-se perfeitamente nesse título. Ela foi da geração de mulheres que eram bonitas de “cara lavada” (sem maquiagem), numa época em que não existiam os exageros das plásticas, botox capilar e academias de ginástica. Mulher alta, de porte elegante com cabelos negros e pele cor de jambo, seu perfil de “diva” causava furor até em viagens, onde era confundida com atrizes de TV. A beleza da morena chamava atenção de todos. De sorriso farto e luz própria, virou figura constante nas colunas sociais do Estado. Com espírito esfuziante e alegria contagiante, adorava pilotar festas em sua 42 [revista Bzzz]

residência. Tudo nela era real, nada ensaiado, talvez fosse isso que a tornava tão fascinante. Era umas das 10+ elegantes eleitas pelo badalado colunista Jota Epifânio. Tudo que ele escrevia era lei na sociedade. Sua fineza e beleza chegaram a incomodar

e despertar inveja em outras mulheres das terras potiguares. “As pessoas só enxergavam a beleza de minha mãe, ela era muito além disso. Sua maior beleza era a do espírito, adorava ajudar as pessoas”, define a filha Michelle Gurgel.


DONS As artes tinham lugar especial em sua vida. Maria José foi discípula de Irmã Miriam - freira da Congregação Filhas do Amor Divino -, conhecida pela sua habilidade nos pincéis. Retratou ricos e poderosos em suas pinturas a óleo, que pareciam estarem vivos nas telas. Os quadros de Zezé embelezaram muitas paredes de residências de amigos. Além da pintura, ela adorava trabalhos como cerâmica e jardinagem. Hoje viraram febre os tutoriais de maquiagem, tudo sobre “make up” é explicado passo a passo. Pois bem, Maria José foi vanguardista no quesito maquiagem. Ficou conhecida entre as amigas como a mulher que melhor maquiava-se. Foram tantos pedidos que ela resolveu dar curso em sua casa de como embelezar o rosto com produtos cosméticos. “Fui muito usada como modelo nos cursos de Zezé”, recorda a empresária Danielle Fonseca. O carisma da morena era tanto que as crianças, filhos dos amigos, a adoravam. Nas férias da garotada, ela organizava uma colônia em sua residência, criava várias atividades de entretenimento. “Tia Zezé foi uma segunda mãe para mim, ela foi um ser de muita luz, tinha prazer em ajudar as pessoas. Queria que o tempo voltasse e a trouxesse de volta”, diz a estilista Themis Dantas.

Com as amigas da Casa da Amizade (mulheres da sociedade que faziam filantropia)

SOLIDARIEDADE Aquela mulher linda e colunável que embelezou os salões natalenses tinha um lado humano muito forte. Gostava de ajudar quem fosse ou precisasse. Maria José valorizou as pessoas que trabalhavam para ela. Amiga de suas costureiras, decidiu organizar um grande desfile na cidade, com roupas confeccionadas pelas melhores agulhas de Natal, com o lucro revertido para o Hospital Infantil Varela Santiago, que no período passava por graves problemas financeiros, ameaçando fechar as portas. A casadinha deu certo, unindo moda e filantropia. O desfile aconteceu no concorrido Clube América, todos os ingressos foram vendidos, a so-

ciedade em peso se fez presente e o evento foi um sucesso. Com a renda do desfile, conseguiu-se reformar leitos e enfermarias e comprar novos equipamentos, mas ainda faltava dinheiro para quitar algumas dívidas. Maria José então ligou para a amiga Denise Gaspar, que na época morava no Rio de Janeiro, e pediu que organizasse um evento em prol do hospital filantrópico de Natal que atende crianças de famílias pobres. A potiguar topou a missão e realizou um desfile de Beth Joias. Também outro sucesso entre as senhoras elegantes cariocas, a renda veio para quitar o restante das dívidas do hospital. [revista Bzzz] 43


reportagem personalidade

A DOENÇA Em uma de suas viagens a São Paulo, Maria José Gurgel decidiu fazer um check-up geral no Hospital Albert Einstein, mesmo sem sentir algum problema de saúde. Os resultados não foram favoráveis. Descobriu-se um câncer de mama. Mulher forte de fé inabalável, não se entregou à doença. A notícia caiu como uma bomba para a família e amigos, mas ela não queria ver ninguém triste. Foram cinco anos de lutas diárias contra a implacável doença. Enfrentou firme os efeitos das aplicações de quimioterapia e radioterapia. A sua alegria de viver era tanta que as amigas chegavam tristes para visitá-la e saíam sorridentes. Durante o tratamento, seu cabelo caiu e ela adotou as perucas, mas se preciso fosse retirava em público, sem cerimônia. “Mamãe era muito espontânea, chegava nos lugares e se tivesse muito calor ela tirava a peruca sem a menor cerimônia”, conta a filha Danielle Gurgel. A sua força de viver era tanta que os médicos se perguntavam como ela tinha resistência para fazer certas atividades. Nos dois últimos anos seu sofrimento foi intenso, mas nunca reclamou e pedia apenas forças a Deus para aguentar a enfermidade. 44 [revista Bzzz]

Sua alegria foi uma de suas armas para driblar a doença

A DESPEDIDA Maria José tinha plena convicção da gravidade da doença, sabia que seu tempo estava em contagem regressiva. Começou a preparar a família e amigos, antecipou festas e alguns ritos católicos dos filhos para estar presente. Sempre vaidosa, escolheu o vestido e a bolsa para ser enterrada, e também pediu que a cabelereira Da Luz Viana a arrumasse e maquiasse no dia da sua partida.

Foi guerreira até os últimos instantes, mas a doença foi mais forte. Morreu aos 38 anos de idade, no dia 20 de dezembro de 1982, em casa, cercada pelo marido e os filhos. A notícia tomou conta da cidade. Foi uma comoção geral, a mulher mais bonita de Petrópolis não mais enriqueceria os grandes salões e não mais realizaria eventos solidários. Amigos e curiosos fizeram filas para o adeus.

A família: Renato, Danielle, Ronald Gurgel, Michelle e Maria José


O VIÚVO O empresário Ronald Gurgel ficou viúvo aos 47 anos. Alguns anos depois refez sua vida e se casou novamente. Da nova união nasceram quatro filhos.

“Foram 16 anos de um tempo muito feliz. Grande mulher, companheira e mãe. Não tenho como mensurar Maria José”, considera Ronald.

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ESPECIAL Rio Grande do Norte RELÓGIOS Tao Paradise DE LUXO

Um mergulho no paraíso

Localizado no munícipio de Pureza, o day use Tao Paradise é um oásis tropical em meio à paisagem interiorana Por Octávio Santiago 46 [revista Bzzz]


Quando se está no Rio Grande do Norte, o significado da palavra “oásis” é ampliado. Não se limita apenas à região desértica, inclui também a tipicamente interiorana Agreste, entre o litoral e o sertão. É em meio à paisagem quase rural do município de Pureza, distante 60 quilômetros da capital Natal, que se encontra esse cená-

rio surpreendente. Arrodeado de verdes bananeiras e outras plantas tropicais, a piscina natural de água doce é um convite para um mergulho prolongado em suas águas claras. Limpidez essa que fez existir o day use Tao Paradise, nova parada obrigatória de quem usufrui do verão de 365 dias por ano tipicamente potiguar.

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ESPECIAL Rio Grande do Norte DE LUXO

Tudo começou em 2004, quando o tsunami do Oceano Índico atingiu as Ilhas Maldivas, onde o casal de italianos Cristina Acerbo e Davide Zannoni tinham negócio. Os dois decidiram então lançar suas lupas pelo mundo na procura de um lugar que oferecesse as mesmas condições de investimento, mas sem o risco de serem atingidos por uma nova onda gigante. Foi aí que o Brasil entrou na rota de buscas. O Nordeste especificamente. Porém, a pouca transparência das águas de suas praias, quando comparadas às indonésias ou tailandesas freou Zannoni. Questão resolvida quando ele por acaso conheceu as águas claras que desembocam no Rio Catolé onde de imediato decidiu abrir o seu espaço em solo tupi. O encantamento à primeira vista tem suas razões. As águas límpidas da fonte estão acomodadas na propriedade adquirida de modo a formar uma piscina natural de água doce. Uma piscina cristalina, diga-se, graças também ao branco impecável das areias do seu leito. A temperatura da água por volta dos 20º C é a responsável por tardar a saída até mesmo de quem entra para um rápido mergulho. Para completar o cenário, bananeiras e outras plantas tropicais , como bromélias, fazem o contorno verde da piscina azul, como se auto explicasse o nome do lugar, Tao Paradise, “caminho do paraíso”.

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Fotos: Francisco José de Oliveira

“Logo que cheguei aqui, decidimos que esse seria o local. Era exatamente o que estávamos procurando e a paisagem parecia muito com a qual estávamos acostumados na Ásia”, disse Zannoni sobre o primeiro encontro. O Tao então começou a ganhar forma. Algumas poucas palhoças foram instaladas, futons e redes para criar a atmosfera relaxante e a estrutura de madeira suspensa onde seria montado o restaurante. Tudo numa dinâmica sustentável. Os banheiros, por exemplo, estão a mais de 100 metros das águas, para evitar qualquer dano ao meio ambiente. Com o lugar pronto, foi adotada a prática do day use. Os visitantes podem chegar às 10h30 e logo são recebidos com sucos de frutas tropicais e um petisco. Às 13h, é servido um menu com entrada, primeiro prato, prato principal e sobremesa, todo preparado a partir da escolha do cliente, que opta pela sequência com carne ou frutos do mar. Depois, cafés e chás à mesa. Enquanto isso, as águas cristalinas estão prontas para o mergulho. No final da tarde, por volta das 16h, o espaço fecha e deixa saudades. O detalhe é que o Tao Paradise só aceita 16 pessoas por dia e a realização de reserva para usufruir desse paraíso é indispensável.

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ESPECIAL Rio Grande do Norte DE LUXO

“Preparamos os pratos com ingredientes selecionados, muitos deles produzidos na nossa própria horta, instalada também na propriedade. Trata-se de um dia para se viver uma interessante experiência gastronômica”, definiu Zannoni. De fato, é mesmo. Para se ter uma ideia, o casal mantém uma oficina permanente para o preparo de massas, sempre presente no menu. Quando a reportagem esteve no local para o sacrifício da matéria, a sequência mar foi montada da seguinte forma: isca de camarão escoltada por purê de batata doce com hortelã e páprica de entrada, massa negra com pasta de atum de primeiro prato; crustáceos grelhados acompanhados de salada com guacamole e arroz vermelho de prato principal e pavê de tiramisù de sobremesa. Tudo em perfeita harmonia, com destaque especial para a apresentação caprichosa dos pratos, que dão ao almoço exclusivo uma beleza semelhante a que possui o local.

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Reservas e acesso De Natal, o caminho que leva ao paraíso Tao Paradise é a BR-101. A partir do trevo que dá acesso à praia de Zumbi, são 15 quilômetros à esquerda. Parte deles, em estrada de barro, mas que já conta com pequenas sinalizações. Já para quem está em São Miguel do Gostoso, certas hospedagens locais se encarregam de levar o visitante às águas cristalinas do lugar. De qualquer forma, a pousada Mi Secreto é a responsável pelas reservas por meio dos telefones (84) 3263-4348 e 91661196. Além dela, a Pousada dos Ponteiros, (84) 3263-4007, e a Pousada dos Amores, (84) 3693-2027, fazem o translado entre São Miguel do Gostoso e esse pedaço do paraíso.

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REPORTAGEM CAPA PRESIDENTE DO TJRN

Justiรงa

cara

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Novo presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Cláudio Santos enfrenta o desafio de cortar gastos excessivos do órgão. Contra os muitos recursos no Judiciário, para ele a ideia de que todos têm direito a tudo e devem reclamar de tudo é discurso de político em tempo de eleição. Diz que o Congresso não aprova aumento salarial para juízes a pedido do governo no poder, em retaliação à condenação de envolvidos no ‘mensalão’ e no ‘petrolão’ Por Marina Gadelha Fotos: Sueli Nomizo

Há mais de 30 anos dedicado a atividades ligadas ao Direito, Cláudio Santos se tornou desembargador em 2004, por meio do Quinto Constitucional, escolhido da lista sêxtupla encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN). De acordo com ele, o ingresso na magistratura se deu por sua vocação e vontade de distribuir a melhor justiça possível, sempre com vista no interesse público. Sua trajetória é marcada por cargos importantes, como a presidência do Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE) de 2006 a 2008, onde trabalhou intensamente pela aprovação da Lei da Ficha Limpa ao lado do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto. Presidente do Tribunal de Justiça do RN desde o dia 2 de janeiro deste ano de 2015, o magistrado expõe nestas páginas os seus maiores desafios nos próximos dois anos, além de opiniões sobre assuntos polêmicos que permeiam a Justiça brasileira. Nascido em Jardim do Seridó, em 1954, o destemido desembargador não tem “papas na língua” para dizer o que pensa. Quando solicitada sua opinião sobre o Quinto Constitucional, por exemplo, ele atribui a essa previsão a possibilidade de ingresso na magistratura por vocação, em contrapartida aos concursos públicos, que atraem mais pela remuneração e estabilidade em detrimento à real aptidão à magistratura. O Quinto Constitucional é uma determinação prevista na Constituição Federal, onde está escrito no artigo 94 que 1/5 - ou seja, 20% - da composição de tribunais brasileiros seja de advogados e membros do Ministério Público. Cláudio Santos acredita que essa é uma maneira de oxigenar o debate, por promover a confluência de pensamentos e pontos de vista diversos que levam à melhor decisão conjunta. “Os tribunais que deram certo no mundo são heterogêneos, ao contrário das experiências com colegiados homogêneos, formados apenas por juízes promovidos”, considera.

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REPORTAGEM CAPA

Mar de processos Com cerca de 800 processos mensais para julgar em colegiado e isoladamente, o desembargador desabafa que é impossível ao Poder Judiciário cumprir com a celeridade exigida em casos como o de improbidade administrativa. Isso porque a justiça está afogada em processos e a própria legislação prevê muitos recursos que atrasam as decisões finais. “A lei processual é cheia de recursos, e a penal ainda mais. Sou a favor de que o trâmite seja mais informal, assim podemos ser mais ágeis”, defende o magistrado. Sobre a grande quantidade de processos existentes nas mais diversas varas e comarcas, ele acredita que essa é a realidade de um país onde se vende a ideia de que todos têm direito a tudo e devem reclamar de tudo. “Isso não existe em qualquer parte do mundo, é apenas discurso de político na hora da eleição. Nós temos comarcas em que existem 300 ações no Juizado Especial Cível para cobrar prestações entre R$ 10,00 e R$ 40,00. Ou seja, é usada uma justiça caríssima para exigir algo de relação privada”, alega Cláudio, que defende uma reforma na legislação para facilitar o trabalho da justiça e coibir os cidadãos de acioná-la em casos desnecessários. 54 [revista Bzzz]

Desembargador afirma que excesso de processos paralisa a Justiça

É usada uma justiça caríssima para exigir algo de relação privada”.

Para ele, uma possível saída é a aplicação de multa ou outra penalidade para quem entrar com ação que não merece atenção da justiça. Outro grande auxílio para diminuir a quantidade de processos poderia partir do poder público, caso passasse a solucionar por si só os problemas que surgem em seus órgãos. Somente na Justiça Federal, 80% das causas dizem respeito ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS),

que poderia resolver os direitos requeridos sem a necessidade de juízes, Ministério Público, recursos, entre todas as outras despesas que tornam a Justiça onerosa. Para acelerar os julgamentos de improbidade administrativa por agentes públicos, o Tribunal de Justiça realiza mutirão há cerca de cinco anos, em cumprimento à recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O novo presidente do órgão acredita que essa iniciativa alivia o sentimento de impunidade presente na sociedade e, ainda, serve como instrumento para impedir novos casos de enriquecimento ilícito, prejuízo aos cofres públicos e violação dos princípios da administração pública.


Acima do limite O Tribunal de Justiça do RN contabiliza déficit de mais de mil servidores para preencher seus quadros e, em contraponto, gasta excessivamente com a folha de pagamento dos funcionários efetivos e comissionados. Aliás, o Tribunal de Contas do Estado solicitou em março do ano passado a adequação do gasto com pessoal dentro dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que estipula o máximo de 6% do orçamento para esse tipo de despesa, enquanto no TJ o valor está em 6,73%. Uma das razões para esse quadro é a Gratificação de Técnico de Nível Superior (GTNS), direito previsto por lei que duplicou os salários dos servidores efetivos e comprometeu em cerca de R$ 100 milhões anuais do orçamento do órgão. O Pleno do TJ revogou a lei da GTNS em 2013, para que novos servidores não tenham mais direito ao benefício. Mesmo com essa medida, Cláudio Santos prevê a impossibili-

dade de realizar concurso público nos próximos 10 anos. “A distorção ainda está grande, pois os efetivos ganham muito mais que a média brasileira dos tribunais de Justiça. Enquanto isso, os magistrados potiguares recebem igualmente aos demais. O excesso de gastos não está nos juízes, e sim nos servidores”, pontua. Para resolver essa situação, será necessário tomar medidas como a redução do número de cargos comissionados, a revisão das gratificações e outros “penduricalhos” que ainda existem no Tribunal, conforme cita o desembargador, que já exonerou 100 cargos comissionados no dia 9 de janeiro. Nesse mesmo dia, ele anunciou outras providências que serão tomadas para reduzir custos, como o “congelamento” do GNTS, que deixará de acompanhar o crescimento das remunerações. Também será suspensa a gratificação de R$ 5.878,38 concedida aos 230 servidores efetivos na função de diretor de

O excesso de gastos não está nos juízes, e sim nos servidores”

secretaria nas varas judiciais. Além disso, o magistrado prevê a extinção do Adicional por Tempo de Serviço (ATS), a redução nos contratos de terceirização vigentes, a extinção de todas as gratificações de gabinete e as de Atividade Externa e Transporte recebidas pelos oficiais de justiça. Tudo isso será feito para colocar os gastos públicos da casa dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, principal desafio de Cláudio Santos nos próximos dois anos. O magistrado ainda pretende fazer mais com menos para atender ao princípio da eficiência administrativa e, ainda, dará início à construção da nova sede do TJ. Neste mês será apresentado o projeto do prédio que já tem local para construção, em um terreno próximo à rodoviária, no bairro de Cidade da Esperança.

Mais juízes

Entre os principais problemas enfrentados pelo Tribunal de Justiça aparece a deficiência da quantidade de juízes no Rio Grande do Norte: das 65 comarcas distribuídas pelo Estado, 40 estão vagas. O concurso para contratação de novos magistrados está em andamento há cerca de três anos, mas ainda não foi finalizado por causa da chuva de recursos administrativos movidos pelos candidatos. Enquanto isso, os magistrados em exercício acumulam processos de comarcas vizinhas e atrasam decisões. “Precisamos dar uma maior atenção ao cidadão que nos procura a partir do julgamento mais célere dos processos. Porém, isso só será possível com a contratação de mais juízes”, analisa o presidente do TJ.

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REPORTAGEM CAPA

Relação entre os poderes Segundo Cláudio Santos, as atribuições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são confluentes por se destinarem à qualidade de vida da população e promoverem a paz social, sempre com vista no interesse público. O magistrado espera manter relações construtivas com os demais poderes durante sua gestão a partir de boas condutas e resolução pacífica de problemas atuais, como atrasos de alguns municípios no repasse de precatórios e no pagamento do duodécimo do TJ pelo governo do Estado. Previsto na Constituição Federal, o duodécimo consiste na entrega ao Poder Judiciário de recursos das dotações orçamentárias até o dia 20 de cada mês. Porém, desde 2012 é constante o descumprimento dessa obrigatoriedade pelo Executivo estadual, que já foi acionado mais de uma vez por meio do Supremo Tribunal Federal para pagamento integral do benefício. “A falta do repasse foi contornada com a reserva de que o TJ dispunha, mas que acabou em novembro do ano passado. Ou seja, precisamos receber o valor integral a partir de janeiro, sob pena de não podermos pagar o pessoal”, alerta o presidente, o qual acredita que o atraso não vai persistir. 56 [revista Bzzz]

Fotos: Divulgação

Primeira sessão como presidente do TJRN

Cláudio Santos discursa em sua posse no dia 2 de janeiro

Ao falar sobre o descumprimento dessa e de outras determinações judiciais pelo governo de Rosalba Ciarlini, o desembargador cita que as medidas para desobediência estão na lei, com uma série de cominações que afetam a vida do gestor. Caso o novo governador, Robinson Faria, prossiga com a série de infrações, as punições serão igualmente baseadas na lei.

Precisamos receber o valor integral a partir de janeiro, sob pena de não podermos pagar o pessoal”. – sobre o duodécimo


Ficha Limpa Quando presidente do TRE-RN, Cláudio Santos ajudou na elaboração da Lei da Ficha Limpa, que impede o político condenado por órgãos colegiados de disputar cargos eletivos. O magistrado considera que a aprovação desse antigo anseio popular representa um avanço importante para “purificar” a classe política, assim como impõe um cuidado maior dos gestores públicos no cumprimento das questões legais. Dessa forma, é possível diminuir os atos de corrupção. No entanto, ele destaca que ainda é necessário evoluir em alguns aspectos, como a candidatura de parentes do político ficha suja. “Ao saber que sua candidatura foi impugnada, há poucas semanas ou até mesmo no dia das eleições, o candidato coloca a esposa ou o filho em seu lugar. Às vezes não dá nem tempo de mudar a foto na urna. Isso é uma forma de contornar a lei”, detalha o desembargador, que cita como possível solução a imposição de um prazo limite para que o ficha suja seja substituído antes das eleições. Apesar de a Lei da Ficha Limpa ser um grande passo para a política brasileira, o ex-presidente do TRE ressalta que deve haver uma mudança radical dentro dos partidos políticos. Afinal, os ficha-sujas continuam filiados e não encontram qualquer barreira para se candidatar. “Os partidos não têm democracia interna e são domi-

nados por aqueles que, muitas vezes, têm uma conduta duvidosa na gestão pública. Desse modo, aproximadamente 80% dos políticos são reeleitos e, nos casos de cargos proporcionais, estruturam-se sob a sombra do poder público para a reeleição eterna”, expõe. O magistrado acredita que a democracia dentro dos partidos permite a chegada de novas pessoas ao Poder Legislativo, assim, é possível ter mais rotatividade e menos figuras ocupando durante décadas as cadeiras nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Ele se diz a favor da reeleição no Legislativo, mas é contrário à reeleição no Poder Executivo e sugere um mandato de cinco anos sem o posterior retorno ao mesmo posto. Essa Os partidos não têm mudança seria desdemocracia interna e tinada aos cargos de são dominados por prefeito, governador aqueles que, muitas e presidente da República, enquanto vezes, têm uma continuaria sem conduta duvidosa na limites a reeleição gestão pública”. para vereadores, senadores, deputados estaduais e federais.

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REPORTAGEM CAPA

Auxílio-moradia Em setembro de 2014, o ministro Luiz Fux, do STF, decidiu que todos os juízes federais, estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar passariam a receber auxílio-moradia. Desde então, os magistrados ganham R$ 4.337,73 a mais em suas remunerações, até mesmo os que possuem residência própria e atuam em suas cidades de origem. Essa concessão causa impacto de,

pelo menos, R$ 28,5 milhões ao orçamento do judiciário, de acordo com a associação de magistrados. Cláudio Santos é favorável ao polêmico benefício que, segundo ele, serve como “verba remuneratória” porque o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não conseguiu reajustar os salários defasados em aproximadamente 46%. O desembargador entende que o embargo

ao aumento se deu como forma de retaliação do Governo Federal, em virtude da condenação de algumas de suas lideranças. “O Judiciário colocou na cadeia pessoas envolvidas no ‘mensalão’ e, mais recentemente, no escândalo do ‘petrolão’. Como esses condenados são ligados ao partido que está no poder, o governo não permite que o Congresso Nacional, onde tem maioria, vote a favor do aumento salarial dos juízes”, aponta. Como o reajuste nas remunerações só pode ser efetivado em forma de lei, o Judiciário ressuscitou o auxílio-moradia, previsto na Lei Orgânica da magistratura, como forma de incrementar os próprios salários.

Como esses condenados são ligados ao partido que está no poder, o governo não permite que o Congresso Nacional, onde tem maioria, vote a favor do aumento salarial dos juízes”.

Juízes federais, estaduais, da Justiça do Trabalho e da Justiça Militar passaram a receber auxílio-moradia de R$ 4.337,73

Essa concessão causa impacto de, pelo menos, R$ 28,5 milhões ao orçamento do judiciário

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Juiz feliz Sacerdócio judiciário Além do recesso judiciário desembargador, que enxerga a que dura em média 15 dias ao final existência de certa incomprede cada ano, juízes e desembar- ensão da população e da mídia gadores têm direito a 60 dias de sobre as atribuições do juiz, fiférias anuais, tempo considerado gura cujas decisões contrariam abusivo por muitos cidadãos. Po- interesses econômicos, de famírém, o presidente do TJ-RN cita lia, de patrimônios, entre outros. que essa também é uma realidade Em uma briga na justiça, não há em outros países, inclusive os Es- como agradar ambas as partes – a tados Unidos, maior democracia perdedora sempre sai aborrecida. do mundo. As férias É por causa mais amplas para desse difícil papel os magistrados, exque, de acordo com plica Cláudio, são o presidente do TJ, Os 60 dias de necessárias para os magistrados são férias servem compensar os finais alvo de denúncias e de contrapeso a de semana e as noiincompreensões que todo o esforço tes trabalhadas em provocam o distandispensado”. cumprimento ao ciamento da categoesquema de plantão ria. “Ao sentar em do judiciário. uma mesa de restauEm um ano, os magistra- rante com oito pessoas, por exemdos passam entre 20 e 30 dias plo, o juiz vai encontrar pelo menos trabalhando 24 horas por dia, cinco que têm problemas na justiça, sem ganhar hora extra. “Nossa sejam eles criminais ou cíveis. Toatividade exige muita dedicação, das elas defendem seus próprios é um verdadeiro sacerdócio, e interesses, mesmo que estejam erainda acumula grande volume radas, e ficam chateadas se a justiça de trabalho. Os 60 dias de férias discordar delas. Ou seja, situações servem de contrapeso a todo o como essas levam os magistrados a esforço dispensado”, adiciona o se fecharem entre eles”, ressalta.

Também formado em Jornalismo, Cláudio Santos usou seu talento com as letras para escrever o artigo “O juiz feliz”, publicado no jornal Tribuna do Norte, que exibe a difícil relação entre magistrado e sociedade. Nas linhas, ele defende que as decisões profissionais devem estar “despidas”, na medida do possível, de efeitos resultantes da pessoalidade do magistrado, que deve ser feliz e bem resolvido com a vida para tomar as melhores decisões e saber superar as posteriores críticas. “O juiz com dificuldades de viver normalmente como cidadão, entre familiares e amigos (fora do círculo de trabalho), lazer público e culto às boas regras de convivência, introvertendo-se e isolando-se cada vez mais, não é querido e respeitado sequer pelos funcionários de sua vara ou comarca. Este dificilmente haverá de exalar e exercer, com a humildade que o cargo requer, a boa magistratura”, defende o presidente, conhecido por opiniões bem definidas e desembargador por vocação, que à frente do Tribunal de Justiça promete fazer ainda mais pelo bom funcionamento do Poder Judiciário. [revista Bzzz] 59


REPORTAGEM Turismo ESPECIAL RELÓGIOS Paraná DE LUXO

Cheia de graça

Estrada construída à época do Brasil Império permite passeios cercados por belas paisagens, boa gastronomia e cachoeiras Por Alice Lima

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Ao escolher o destino de uma viagem, o comum é que a opção seja definida pelo local da chegada. Certo? Nem sempre. Existem opções que encantam exatamente pelo caminho e se a parada faz jus à trajetória melhor ainda. Uma das opções para apreciadores de belas paisagens é a Estrada da Graciosa, no Paraná, sul do Brasil. O nome da estrada não é à toa. É a maneira mais poética de chamar a Rodovia PR-410, antiga rota dos tropeiros em direção ao litoral do Estado, que liga a Região Metropolitana de Curitiba às cidades de Antonina e Morretes. A segunda é um presente aos olhos, envolve natureza, boa gastronomia, cores e artesanato, na mais magistral harmonia.

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REPORTAGEM Turismo DE LUXO

Divulgação/carpediemblog.com.br

Divulgação/Rubens Galvão

Curvas graciosas Na entrada, um lindo portal anuncia o início da descida da serra de 1050 metros de altitude, que é feita em pista simples com pavimentação que varia entre asfalto, paralelepípedos e pedras para facilitar o tráfego, mas não perde o aspecto original. O caminho florido e sinuoso tem 33 quilômetros calçados em paralelepípedos, para preservar o período em que foi construída ainda no Brasil Império. Para o passeio, pé no freio, pois o objetivo é apreciar o que está ao redor. Lá está o trecho mais preservado de Mata Atlântica em solo brasileiro, declarado pela Unesco, em 1993, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Abaixo de pequenas pontes, correm bucólicos riachos. Pelo trajeto, há quiosques convidativos que vendem pastel e caldo de cana, tradições no lugar.

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A maioria dos visitantes é formada por famílias com crianças, que levam material para piqueniques ao ar livre. Há churrasqueiras e estrutura com banheiro e mesas à disposição. Na região, existem dois importantes parques estaduais, o Parque Estadual da Graciosa e o Parque Estadual Roberto Ribas Lange. Também pontos estratégicos com mirantes e cachoeiras. Ao fim da descida está São João da Graciosa, onde corre o Rio Nhundiaquara e uma bifurcação da estrada leva em direção à cidade de Morretes ou Antonina.

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REPORTAGEM Turismo DE LUXO

Morretes A sensação é de atravessar um portal do tempo ao chegar a Morretes. Turistas se misturam entre plantas, lago, paredes coloridas dos restaurantes e pousadas, ao som de alguma música que pode vir de coretos ou músicos de rua. Artesanatos de artistas locais estão por todos os lados, além de feiras de temperos e ingredientes do lugar. Farinha e cachaça feitas de banana são duas das preciosidades regionais. Os finais de semana são concorridos e os estabelecimentos ficam lotados. Há disputa também para aproveitar os dias de sol sobre a grama, mas sempre cabe mais um. Exposição de carros antigos 64 [revista Bzzz]


ao ar livre também costuma acontecer aos sábados na pequena e encantadora cidade. Nos restaurantes que ficam ao redor do lado, o carro-chefe é o barreado, típico prato parananense. A dica é experimentar o cardápio do Vila Morretes, que é servido na cumbuca com bananas e arroz como acompanhamento. O mais tradicional prato paranaense é a mistura de carne bovina de segunda e magra, temperada com cebola, alho, toucinho de porco, pimenta-do-reino, louro e cominho, cozida até desmanchar. O preparo é misturado à farinha de mandioca até receber a consistência que dá nome à delícia típica.

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Reportagem Educação Declínio

Educação

relegada

Dos tempos áureos ao descaso e abandono, a situação da educação pública no Rio Grande do Norte é vexatória e ocupa as últimas colocações no ranking nacional Por Roberto Campello Fotos: Sueli Nomizo

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Em pleno século XXI, o Brasil amarga posições que envergonham quando o assunto é educação pública nos mais variados rankings internacionais. Nesse cenário, o Rio Grande do Norte segue caminho ascendente. Péssima qualidade do ensino, escolas sucateadas, professores desmotivados, desvalorizados e mal remunerados caracterizam um sistema educacional em processo de falência. Se por um lado o Brasil conseguiu avançar, ao longo dos últimos anos, no tocante à universalização do acesso à educação – com quase 98% das crianças em idade escolar matriculadas -, qualitativamente houve um declínio

considerável. Para a educadora e vereadora Eleika Bezerra, a escola pública já teve o seu apogeu e hoje se apresenta em situação crítica, ocasionado, em muito, pelo crescimento no número de alunos, enquanto investimentos não acompanham. “O atendimento escolar à população era muito restrito, mas no momento em que abriu para atender a grande parcela da população houve um declínio. A clientela, o alunado, tem um baixíssimo nível de exigência e é bastante condescendente. Enquanto os brasileiros não acordarem, teremos serviços medíocres ou abaixo da média do razoável”, afirma.


Eleika relembra que na década de 1970 a escola pública era de excelência. O relacionamento professor-aluno mudou bastante ao longo dos anos. Antes, o aluno respeitava e admirava o professor. Isso antes, muito antes. “A falta de respeito hoje existe com certa constância na sociedade e se repete na escola. Eu não sei como eu conseguiria ser professora se me deparasse com algumas situações de não respeito”, lamenta. “Antigamente, o professor tinha orgulho de ser professor, mas hoje a situação é bem diferente. Isso deveria ser uma grande preocupação de uma nação que quer ser melhor, pois educação é quase tudo. Precisamos passar desse discurso de que educação é prioridade e torná-la na prática”, destaca a educadora. Diretora executiva do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), a educadora Cláudia Santa Rosa considera que a escola pública da década de 1970 realmente era boa. “Todo mundo fala com saudosismo como a escola pública foi de qualidade, mas era uma escola altamente seletiva e classificatória. Só tinha acesso a ela quem já ia dar certo em qualquer lugar. Avançamos na universalidade do acesso, mas o governo não fez a tarefa de casa em relação à qualidade da prática. A escola não consegue atender a necessidade desse público. O Brasil trabalha de forma improvisada, sem planejamento, e o RN é um exemplo disso. Nunca planejamos a nossa educação”.

Cláudia Santa Rosa, diretora do Instituto de Desenvolvimento da Educação

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Tempos de escola modelo Até o início dos anos 1970 o ingresso na escola pública só era possível a aprovados em um rigoroso exame de admissão. Até que em 1971 foi instituída uma lei que extinguia esse exame, aplicado aos alunos que saiam do primário (atual Ensino Fundamental I) para o ginásio (Ensino Fundamental II), dando unidade ao chamado ensino de 1º grau. Nesse processo foi criado o primeiro Complexo Escolar de Natal, formado pelas escolas Manoel Dantas, Sebastião Fernandes de Oliveira, inaugurada naquele ano, e Jerônimo Gueiros. Na época, a vereadora Eleika era diretora do Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (CEPE), da Secretaria de Educação. Nem de longe esse complexo de excelência de ensino é mais realidade. E tende a piorar. No início do ano passado, o governo decidiu fechar a Escola Estadual Doutor Manoel Dantas, o que vem causando indignação de pais, alunos, professores e a população em geral. Inaugurada em 1971, no go68 [revista Bzzz]

verno Cortez Pereira, a Escola Estadual Sebastião Fernandes foi uma das primeiras da capital a oferecer, além do ensino regular, cursos de ensino profissionalizante, como educação para o lar, técnicas agrícolas e técnicas comerciais. Era grande a procura por uma vaga na instituição, diante da inquestionável qualidade Vereadora Eleika Bezerra no ensino, onde lecionavam os mais qualificados professores. Por lá, pas- assim como a Manoel Dantas e a saram grandes nomes que hoje se Jerônimo Gueiros, era referência na destacam na cultura, economia, co- educação pública do Rio Grande do mércio, esporte, política, jornalismo Norte no início da década de 1970 e e diversos segmentos da sociedade lamenta a atual situação. “Hoje estanorte-rio-grandense. “O Complexo mos nessa situação, que não é pecuera visto com muito mais cautela, liar da Sebastião Fernandes, mas da planejamento e preocupação, trazen- educação pública como um todo. Tedo algumas inovações. Isso foi um mos uma escola com estrutura boa, grande diferencial naquela época e mas faltam professores. Além disso, atraiu muitos alunos, em função da o distanciamento da família do amqualidade no ensino. O filho do pró- biente escolar tem contribuído para prio secretário de Educação na época essa situação que estamos hoje”, afirma o professor. Atualmente, a escoestudava lá”, relembra Eleika. O atual diretor, professor João la conta com 484 alunos do Ensino Batista de Mesquita, conta que a Es- Fundamental e do Ensino Médio, cola Estadual Sebastião Fernandes, distribuídos em 12 salas de aula.

ELPÍDIO JÚNIOR

Reportagem Educação


Do Sebastião às Olimpíadas de Seul A premiada atleta potiguar Entristece ao comentar soMagnólia Figueiredo, que conse- bre a situação atual. “Hoje, quando guiu chegar à Olimpíada de Seul, vejo a situação da escola pública em 1988, na Coréia do Sul, repre- me entristeço muito, mas também sentando o Brasil e o Rio Grande é um momento de reflexão, porque do Norte, iniciou sua carreira na houve um afastamento do contexto escola pública, motivo de muito familiar da escola e uma transfeorgulho para ela. A vida escolar co- rência muito grande dos pais para a meçou em 1971 na Escola Estadual escola na formação dos filhos. Fico Calazans Pinheiro, onde cursou as muito triste, porque fui aluna de esprimeiras séries do Ensino Funda- cola pública até o pré-vestibular. Só mental – à época chamado de Ensi- saí no terceiro ano porque já estava no Primário. sentindo um declínio na qualidade. Depois ingressou na Escola Mas eu acredito muito na educação Manoel Dantas, que ficava próxi- pública e sei que é possível fazer ma à sua residência. Em 1975, já na com qualidade. Precisamos resgaEscola Sebastião Fernandes, deu os tar o que eu vivi”, considera Magprimeiros passos como atleta, com- nólia Figueiredo. petindo nos Jogos Escolares do Rio Além da excelência no ensiGrande do Norte (Jern’s). no, o espírito de solidariedade preEm tom de emoção, Mag- sente na escola também compõe as nólia conta que a Escola Estadual Magnólia Figueiredo relembra os tempos de estudante no Sebastião Fernandes Sebastião Fernandes foi fundamental para a sua carreira de atleta. Era boas lembranças. Na inauguração uma escola motivo de orgulho por da Cidade da Criança, próximo à tudo que oferecia aos alunos, até escola, por exemplo, um grupo de mesmo a forma acanhada de ofer- estudante ficou responsável tamtar esporte. “A parte de formação e bém por administrar o local. Magencaminhamento profissional era nólia e o atual deputado estadual A escola é muito muito boa e foi importante na mi- Gustavo Carvalho faziam parte importante na nha vida. Era uma escola modelo, desse grupo. “A Sebastião Fernanformação do cidadão, altamente qualificada e concorri- des foi um espaço que agregou porque muitas vezes díssima. Não era fácil conseguir muito na minha formação pessoal não existe o primeiro uma vaga. Era uma escola comple- e profissional e isso eu gostaria que contexto familiar”. ta e os alunos também eram muito outras pessoas tivessem tido. Sabededicados, compromissados e dis- mos que a escola é muito importanciplinados. Era uma escola fantás- te na formação do cidadão, porque tica. Quem estudou aqui realmente muitas vezes não existe o primeiro foi privilegiado”, declara. contexto familiar”.

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Reportagem Educação

Do Sebastião ao sucesso na informática O empresário Afrânio Miranda, diretor executivo da Miranda Computação e presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RN (FCDL), hoje é sinônimo de sucesso com competência, trabalho e dedicação. Mas sua história começou a ser construída na escola pública, precisamente na Escola Estadual Sebastião Fernandes. O empresário, defensor da educação pública de qualidade, sempre estudou em escola pública. Antes de ir para o Sebastião Fernandes, o pequeno Afrânio Miranda estudava na Escola Jerônimo Gueiros, que integrava o Complexo de Natal, onde os alunos davam os primeiros passos na educação. Depois, fez parte da primeira turma da Sebastião, em 1972. “Foi uma experiência excelente participar daquela escola que oferecia uma educação de qualidade, com professores comprometidos e ótima estrutura”. Ocasião, inclusive, que Afrânio também teve contato com atletismo, conquistando as primeiras medalhas e troféus para a escola. Afrânio passou quatro anos na escola e hoje, 40 anos depois, relembra com carinho das amizades conquistadas, viagens escola70 [revista Bzzz]

As escolas não funcionam por falta de gestão. Lamentável o descaso instaurado, mas ainda acredito na educação pública”.

res realizadas, de muito aprendizado. “Em termos de educação, tenho muito a agradecer aos meus professores do Sebastião, pois nós os tínhamos como pais e jamais esqueceremos deles. Foi uma escola muito importante para a minha base de conhecimento, que me ajudou a chegar onde cheguei. Hoje, infelizmente, não se sente mais o calor humano na escola entre professores e alunos”.

A voz embargou e as lágrimas foram inevitáveis ao lamentar a penúria em que se encontra a escola. “Quando vejo aquela situação me tomo por um sentimento de angústia, porque vemos quantas pessoas foram bem sucedidas graças ao ensino oferecido naquela escola, e hoje os governantes tratam a educação com tanto descaso. Infelizmente, hoje as escolas não funcionam por falta de gestão. Lamentável o descaso que foi instaurado, mas ainda acredito na educação pública, desde que seja feita com responsabilidade e com gestão”. O empresário está reunindo ex-alunos do Sebastião Fernandes para comemorar, neste ano de 2015, os 40 anos da turma de 1975. Dos 36 alunos da sua turma, já foram localizados 24.


Do Sebastião à Câmara Municipal de Natal sentando o Grêmio da Sebastião Fernandes, membro da Diretoria da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas. A escola foi muito importante para a minha iniciação política, criei um vínculo de carinho e admiração pela instituição”, diz o vereador. “Em Natal, há um grupo muito forte de ex-alunos que tem um carinho muito grande pela Sebastião Fernandes e sempre estarei disposto a ajudar àquela escola no que for preciso, já que ela foi muito importante para mim”, afirma.

A escola foi muito importante para a minha iniciação política, criei um vínculo de carinho e admiração pela instituição”.

ELPÍDIO JÚNIOR

O vereador Júlio Protásio (PSB), líder do prefeito Carlos Eduardo Alves na Câmara Municipal de Natal (CMN), também foi um dos inúmeros alunos que passaram pela Escola Estadual Sebastião Fernandes, onde deu os primeiros passos na estrada política, em 1989, quando cursou a 8ª série, aos 14 anos. “Nesse ano fui eleito presidente do Grêmio Estudantil, onde com muito orgulho tive a honra de representar a Instituição. De lá, logo em seguida, fui eleito repre-

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Reportagem Educação

Ainda há esperança Toca o sinal do intervalo. As crianças correm para o pátio. Em meio ao lanche e os poucos minutos do recreio, elas encontram tempo para se divertir. Enquanto uns jogam xadrez, outros preferem outros jogos educativos e brincadeiras. E os que optam por uma boa leitura. O sinal toca novamente e lá vão eles para as salas de aula. Nada de Português, Matemática, Geografia, História ou Ciências. A dinâmica é diferente. As salas são divididas por grupo e por oficinas, de Números, de Linguagem e de Projetos. O professor fica na sala de aula e os alunos migram de sala em sala. Cada grupo passa por duas oficinas em uma tarde. Essa é a dinâmica dos alunos que estudam na Escola Estadual Hegésippo Reis – Casa 72 [revista Bzzz]

de Saberes, localizada no bairro de Nova Descoberta, zona Sul de Natal. Uma escola de aparência tímida, mas que detém o segundo melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de Natal. Conta com três salas de aula e uma biblioteca, para 120 alunos, distribuída em dois turnos. Realidade que modificou o passado de más lembranças. Em 2006, a educadora Cláudia Santa Rosa, atual coordenadora pedagógica, foi encaminhada para a escola e presenciou a precariedade. “Vim conhecer a escola e me assustei, porque se hoje ainda é precário em termos de instalações físicas, no ano 2006 era uma coisa horrorosa. Em nada lembrava uma escola”, conta. Para se ter ideia, existia apenas uma garrafa pet de 2 litros e um

copo para atender a todos os alunos. Paredes mofadas, sombrias, móveis velhos e enferrujados compuseram um lamentável cenário. Sequer tinha projeto pedagógico. “Eu trabalho com referencial teórico de que o materialismo escolar é fundamental, ou seja, o ambiente e organização dos espaços têm um efeito único para as crianças”, declara. Mesmo assim, a escola sofria constantes ameaças de ser fechada devido à queda no número de alunos. O primeiro passo foi executar um projeto diferente, onde o diferencial não está na estrutura física, mas na dinâmica do funcionamento. As crianças não estão separadas por turmas, séries ou idades, e sim agrupadas por necessidades de atingir objetivos, que norteiam a separa-


ção dos grupos. Quando a criança atinge os objetivos previstos para determinada etapa, ela pode mudar de grupo. Ao concluir as três etapas, em pelo menos cinco anos, o aluno já está habilitado a ir para o sexto ano do Ensino Fundamental. Numa escala de zero a dez, a perspectiva para o Brasil é chegar até 2021 com o IDEB 6. A Escola Hegésippo Reis tem o IDEB 5.7 (meta que deveria ser alcançada só em 2018). “Isso confirma que com muito pouco é possível conseguir resultados, se não excelentes, razoáveis. E esta escola é a prova disso. Essa é uma escola que aluno não volta para

casa porque professor faltou, aluno não fica em casa porque professor está de atestado médico”, ressalta a educadora. Há um ano ministrando a Oficina de Números, o professor João Maria Lima se diz fascinando pelo projeto inovador. “Essa é uma forma que o aluno se torna protagonista da vivência do ensino e aprendizagem. E os resultados são extremamente satisfatórios”. A pequena Cecília Vitória, de oito anos, faz parte do grupo Estrela. Fala que a forma de ensino da escola é mais fácil para o entendimento. “Aprendemos sem nem perceber. É tão gostoso estar

aqui que não queremos nem sair. Adoro aprender as coisas na Oficina dos Números, gosto de escrever e ler”, confessa Cecília, que sonha em ser escritora. Professora da Oficina de Linguagem e nova diretora da escola, Claudine Lima explica que o projeto pedagógico planeja e tem um olhar focado no aluno. “O interessante é que todos conseguem cumprir o mesmo objetivo, mas de forma diferente. As crianças recebem o conteúdo com autonomia e participam do próprio processo de aprendizado”. E assim vamos desejando uma educação melhor. [revista Bzzz] 73


Editorial moda carnaval

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É carnaval! Prepare-se para cair na folia sem perder o glamour, jamais Por Larissa Soares

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Rio, Olinda, Salvador, Caicó... Se você gosta de folia, é bem provável já ter em mente algum desses destinos para o carnaval. Essas quatro cidades costumam ferver nessa época do ano. É hora de preparar o estoque de serpentina, confete, plumas e glitter porque o carnaval vem aí! Nos últimos anos tenho visto o retorno do carnaval de rua, das fantasias e marchinhas de carnaval. Se essa é sua intenção, Rio e Olinda são as melho-

res opções. O carnaval carioca pede looks leves com toques carnavalescos e despretensiosos no melhor estilo “menino(a) do Rio”. Shorts, camisetas divertidas e acessórios que remetam ao carnaval como tiaras com flores, plumas e máscaras são as apostas para curtir o melhor da folia nas ruas do Rio de Janeiro. Caso a Sapucaí esteja nos seus planos, o look pede um pouco mais de glamour, plumas, paetês e glitter são passaporte para ver os carros alegóricos. [revista Bzzz] 75


Editorial moda

Já o carnaval de Olinda requer um pouco mais de esforço na criatividade. As fantasias são o carro-chefe das ladeiras da cidade, mas nada de se fantasiar de branca de neve, chapeuzinho vermelho, pirata ou qualquer uma que esteja à venda numa loja especializada. O legal do carnaval de Olinda é criar sua própria fantasia, elas não precisam ser muito elaboradas, mas procure sair do óbvio. Mas se você não larga mão do axé e da micareta, Salvador lhe aguarda. Seja atrás do trio ou no conforto do camarote, os abadás pedem um toque especial. A maquiagem também merece atenção, 76 [revista Bzzz]

afinal, é carnaval! Não vamos nos esquecer da efervescente Caicó. A cidade é destino de boa parte dos foliões de Natal e cidades próximas. Seja no Magão de dia, ou nos shows à noite, as moçoilas não abrem mão da produção. Pode separar seus melhores looks que o carnaval na cidade é quase um baile de gala. E por falar em baile, caso você tenha convite para algum, não economize no brilho! Aqui as fantasias pedem um pouco mais de sofisticação e os acessórios na cabeça são indispensáveis para dar o toque carnavalesco na produção.


Despedida Fotos: Paulo Lima

O médico Paulo Davim (PV), que deixou o senado para o retorno do senador Garibaldi Alves Filho, após quatro anos à frente do Ministério da Previdência, reuniu sua equipe de gabinete e amigos para despedida e celebrações de fim de ano, na residência de Cláudia e Paulo Marins, no Lago Norte, em Brasília. Eurico Alecrim, Senador Paulo Davim e Lindolfo Sales

José Renato e Valéria Fonseca

Sílvio e Mira Oliveira

Lurdinha e Josiel Santos, Roberto e Socorro Góes

Adriana Paranaguá, Helena Beraba e Maita Gassenferth

Auxifran e Edilson Alves

Paulo e Cláudia Marins, Denise e o Senador Garibaldi Alves Filho

Maria José e Jaqueline Lira

Camila Cesáro e Raimundo Leite

Luiz Natal


REPORTAGEM TRÂNSITO Placas DE LUXO

Emplacamento

unificado Resolução do Conatran estabelece placa padrão Mercosul para todos os novos veículos brasileiros a partir de janeiro de 2016. No RN, o Detran ainda não sabe como serão os trâmites Por Louise Aguiar Fotos: Divulgação O padrão Mercosul chegará às placas de veículos brasileiros a partir de janeiro de 2016, mas o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran) ainda desconhece como o sistema será implantado no Estado. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Conatran) estabelece novas medidas, layout e numeração para as placas, que só serão obrigatórias para veículos novos, transferidos de municípios

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e com troca de categoria. Ex-diretor-geral do Detran, Willy Saldanha explicou no fim de dezembro que o departamento recebeu apenas uma cópia da resolução do Denatran, mas ainda não estão definidas as diretrizes. Como os departamentos estaduais de trânsito não têm mais autonomia e dependem do Denatran e do Conatran para realizar qualquer procedimento, o departamento local ainda aguarda o direcionamento que será estabelecido.


madas clonagens e placas frias. A nova placa para os veículos terá 400mm x 130 mm, enquanto as de motos, motonetas e ciclomotores devem cumprir 200mm x 170mm. Cada tipo de veículo terá uma cor diferente para os caracteres escritos na placa, de acordo com o uso do equipamento. Os caracteres para carros de uso particular serão pretos; já os de uso comercial (aluguel e aprendizagem), vermelhos. A fonte das letras nas placas definida é a FE Engschrift. FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA

“Estamos aguardando notícias nesse sentido. Sabemos que haverá uma reunião com todos os Detrans, mas ainda não se sabe quando”, esclarece Saldanha. O que se sabe, por hora, é que as novas placas no padrão Mercosul só serão obrigatórias para veículos novos, os que forem fazer transferência de município e troca de categoria. Para o ex-diretor, a medida vai possibilitar mais segurança, porque a unificação do emplacamento impedirá, por exemplo, as cha-

Willy Saldanha, ex-diretor-geral do Detran/RN

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REPORTAGEM TRÂNSITO

Layout e cores As novas placas terão o fundo branco, com quatro letras e três números, utilizadas na maioria dos países devido ao contraste com a combinação alfanumérica, o que permite melhor visualização e leitura pela fiscalização eletrônica. A margem na parte superior é azul, com o emblema do Mercosul à esquerda. O nome do país fica no centro, com a bandeira

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nacional à direita. Outros itens são linhas onduladas horizontais e marcas d’água com o logo do Mercosul, gravadas na película refletiva. A categoria dos veículos será indicada pela cor da combinação alfanumérica: particular (preta), comercial/aprendizagem (vermelha), oficial (azul), experiência (verde), diplomático (dourado) e colecionador (pratea-

do). Será utilizado um filme na cor da categoria dos veículos com inscrições de segurança. A proposta adotada para a placa dos cinco países do Mercosul foi elaborada pelo Grupo do Mercado Comum (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela). O novo modelo terá controle nacional para identificar a origem da placa, o que inibirá a clonagem do veículo.


No Brasil foi adotado o modelo que terá uma tira holográfica à esquerda, ao lado um código bidimensional, com a identificação do fabricante, a data de fabricação e o serial da placa. No lado direito, será colocada a bandeira da unidade da Federação com o Brasão do Município de registro do veículo. Atualmente as placas de identificação veicular são produzidas livremente e sem qualquer controle na sua forma semiacabada. Depois, são vendidas para pequenas e médias empresas credenciadas pelos Detrans, que estampam e pintam a numeração alfanumérica. As placas semiacabadas do Mercosul serão fabricadas por empresas credenciadas pelo Denatran. Essas empresas, integradas ao Denatran, serão responsáveis por controlar sistemicamente o uso de cada chapa.

Como serão as novas placas Dimensões -Veículos – 400mm x 130mm -Motos, motonetas e ciclomotor – 200mm x 170mm -Espessura: 1mm Cores -Fundo branco e faixa azul superior horizontal Cor dos caracteres conforme o uso do veículo - preta - Particular; - vermelha - Comercial (aluguel e aprendizagem); - AZUL - Oficial e representação; - DOURADA - Diplomático/consular; - VERDE - Especiais (experiência, fabricantes de veículos, peças e implementos); - CINZA PRATA - Coleção Fonte da combinação alfanumérica - FE Engschrift, com altura 65mm (veículos) e 53 mm (motos, motoneta e ciclomotor) Material: alumínio

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PÓLEN DE LUXO

Octávio santiago Com moderação

É só a temperatura aumentar que elas logo aparecem nas rodas. Servidas obrigatoriamente geladas, são da Europa as bebidas que harmonizam plenamente com o verão.

Mal na fita Bastante desanimadora a análise que a Revista Viagem e Turismo fez, em dezembro, sobre as orlas urbanas das capitais nordestinas. Natal recebeu a pior nota da região, um sete. No rol das razões, a iluminação deficiente dos acessos à Praia de Ponta Negra, a falta de ciclovias à beira-mar e o lixo na faixa próxima ao Forte dos Reis Magos.

Folia além-mar Sangria (Espanha) | O vinho pode ser tinto ou branco. Das frutas, usa-se o sumo e pedaços cortados também. É possível adicionar à bebida especiarias como a canela e ervas como o hortelã.

Clericot (França) | Também da família dos ponches, neste drink a bebida base é o espumante, mas se admite um pouco de licor. Frutas vermelhas e o kiwi em pedaços dão o tom Côte d’Azur.

Spritz (Itália) | Água com gás, vinho branco seco ou espumante e o aperitivo italiano Aperol (o Campari deles) constituem a receita básica do trago italiano. O acréscimo da fatia de laranja é indispensável.

No cume

Já está nas bancas o Guia Quatro Rodas Brasil 2015. Dentre os destaques potiguares nos rankings da publicação, a Toca da Coruja, localizada na Praia da Pipa, considerada um dos melhores “novos hotéis de charme”. Diárias a partir de R$ 700.

Vem com tudo

A ansiada chegada da Pizza Hut a Natal não vai limitar-se ao Aeroporto Internacional Aluízio Alves. Pelo menos outros dois pontos nas zonas Sul e Leste da cidade já estão sendo preparados para receber lojas da rede. 82 [revista Bzzz]

Agência de viagem potiguares anunciam seus pacotes para o Carnaval. Pela Aerotur, a festa em Veneza, com as suas famosas máscaras, custa 2.590 euros. Já via Harabello Turismo, a proposta é mais exótica. Dubai, incluindo cruzeiro, fica 6.985 reais.

Way of life Já faz tempo que essa alternativa ao balde de gelo apareceu em bares e restaurantes. Com a chegada do verão, o seu uso torna-se ainda mais propício. Trata-se das práticas ice bags, que podem ser encontradas na natalense Vinhedos por R$ 15.

Fim de semana

Distante 320 quilômetros de Natal, a Praia de Calhetas, no litoral pernambucano, é merecedora de atenção. O seu difícil acesso faz do mar azul e areia branca característicos um cenário exclusivo. O Bar do Arthur e a tirolesa contemplativa são programações obrigatórias.


tilintares Fotos: Paulo Lima

Toda médica dermatologista badalada em Brasília, Cleire Paniago pilotou coquetel de confraternização de fim de ano em sua bela clínica, na Asa Sul, reunindo familiares, clientes, amigos e parceiros. Ela há anos cuida da pele de chiques e famosos do Planalto Central.

Os médicos, Maurício Gomes e Cleire Paniago

A potiguar Estefania Viveiros, Rosa Pessina e Daniela Bessa

Cleire Paniago e o Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima

A família Stevanato

A médica Mariana Paniago

A potiguar Maria José Santana, Márcia e Ana Lima

O médico Thiago Povoa com equipe da Clínica

Denise Medeiros e Cláudia Gontijo

Elizabet Campos, Marilda Porto e Iracema Torres

Ivonete Sousa e Vanderlita Santos

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reportagem gastronomia redes sociais

Paixão por

sabores Estudante natalense, apaixonado por gastronomia, faz sucesso nas redes sociais com dicas de pratos e indicação de lugares para saboreá-los

Por Louise Aguiar Fotos: Sueli Nomizo

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São mais de 14 mil seguidores só no Instagram. Por dia, uma média de três posts com dicas gastronômicas e publicidade de pelo menos dez parceiros comerciais. São mais seguidores, inclusive, que o perfil oficial da Veja Comer & Beber, publicação especializada da Editora Abril. O responsável por esse sucesso tem apenas 16 anos, que, apaixonado pela arte de comer bem desde criança, criou o perfil Gastronomia em Natal (@gastronomiaemnatal) e virou referência na gigante rede de compartilhamento de fotos e vídeos. Eduardo Farias Luz é o adolescente por trás do perfil na rede, que começou em janeiro de 2013, despretensiosamente, para passar o tempo durante as férias escolares. Acostumado a provar pratos de cardápios bem elaborados e frequentar restaurantes desde criança com a família, ele passou a postar dicas sobre onde ir em Natal, sempre respaldado nos toques dos amigos e familiares e na própria experiência gastronômica.

Em 10 dias, já contava com mais de cinco mil seguidores. “Não esperava esse boom”, diz. O sucesso foi tão inesperado que Eduardo Farias deu uma pausa para repensar um novo perfil. “Teve uma época em que estava atolado de provas na escola, cheio de afazeres, sem poder sair muito e fiquei um pouco off do instagram. Como o GN tinha ganhado credibilidade em pouco tempo, aproveitei para repensar o perfil e como eu poderia torná-lo comercial”, conta. Nesse curto período “sabático”, o estudante apagou todas as fotos postadas e decidiu que era hora de dar nova cara ao perfil. E também mostrar a sua cara. Até então era anônimo. A primeira aparição em público, aliás, rendeu-lhe um episódio engraçado, que até hoje lembra entre risadas. “Meu primeiro evento foi um de Chrystian de Saboya (colunista e promotor de badalados eventos). Foi engraçado porque cheguei lá com minha prima que é jornalista, Virgínia Coelli, ela falou com ele e eu vinha atrás. Quando me dirigi a ele e me apresentei como Eduardo do Gastronomia em Natal, ele brincou ‘É você?, Eu achei que era um velho buchudo!’, e caiu na gargalhada. Isso ficou marcado, porque foi aí que eu vi que meu trabalho estava sendo reconhecido”. Segundo a mãe de Eduardo, Romênia Vieira, como o sucesso foi rápido, o filho acabou se assustando um pouco. “Ele é muito novo, dependia da gente para ir aos eventos, então ele ficou sem saber direito o que fazer. Eu ficava muito em cima, porque não queria que ele desviasse o foco dos estudos, mas ele pensou bem e decidiu seguir em frente”, conta a mãe.

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reportagem gastronomia

A vez do blog Continuar com o perfil deu tão certo que há quatro meses Eduardo e sua equipe – formada por uma fotógrafa e uma revisora de texto – decidiram criar um blog, que garante mais espaço às postagens e amplia as possibilidades, tanto comerciais quanto de divulgação dos lugares que frequenta. “O intuito sempre foi passar dicas rápidas, mas com o tempo a procura aumentou e decidimos apostar no blog. Postamos notícias, dicas, inaugurações, festivais gastronômicos, até porque nem tudo dá para postar no Instagram”, explica. O site foi criado pelo próprio Eduardo e já contabiliza milhares de visitas desde sua criação. Um verdadeiro sucesso. O estudante é amante nato

Eduardo Farias frequenta desde bares até os restaurantes mais requintados

da boa gastronomia e gosta de saborear desde o sanduíche no food truck, na esquina de casa, até a mais alta culinária em restaurantes sofisticados, como o La Brasserie de La Mer, em Ponta Negra. O prato preferido é simples: qualquer coisa

Terceira hashtag mais usada Mas nem tudo no Gastronomia em Natal é comercial. O estudante faz questão de manter o que fazia no início. Se vai a algum lugar e gosta da comida, divulga espontaneamente. O mesmo faz com as dicas dos amigos e familiares. Acontece também de as empresas enviarem pratos para sua casa. Se são aprovados, também aparecem no perfil. Ao pesquisar pela hashtag #gastronomia no Instagram, #gastronomiaemnatal aparece como a terceira mais utilizada no mundo, até então com

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mais de sete mil publicações. “Prezo muito pela qualidade da imagem, porque é a foto que vai fazer as pessoas sentirem vontade de ir até aquele lugar”, ensina. O público que o acompanha, diz ele, é formado em sua maioria por mulheres, classe média, com idade entre 18 e 47 anos. E não apenas natalenses, mas também pessoas de João Pessoa, Recife, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. Além de programar os posts dos parceiros para a semana inteira, Eduardo faz postagens do

que inclua camarão. Come de sushi a sarapatel, mas admite não gostar de uma única coisa: inhame. “Gosto de tudo e minha ideia era que o GN fosse assim, passar dicas desde o boteco mais simples ao restaurante mais elaborado”, emenda.

Prezo muito pela qualidade da imagem, porque é a foto que vai fazer as pessoas sentirem vontade de ir até aquele lugar”

próprio celular, não ultrapassando mais que três por dia. Prefere à tarde e à noite, por considerar que a maioria dos leitores está online nesses momentos. Quando vai a


Projeto falar A paixão pela gastronomia, no entanto, não deve levar Eduardo a estudo específico. Ele quer mesmo se especializar em falar sobre os sabores e locais que não erram. Por isso pensa em tentar o Enem em 2016 para jornalismo ou publicidade e propaganda. Gastronomia, só se for por hobby. Talento ele já tem, garante a mãe. O estudante adora inventar na cozinha e os doces são seus preferidos. A rotina do garoto empresário não é fácil. Além de tocar os estudos do Ensino Médio no Colégio Maria Auxiliadora, faz aulas de inglês e somente nos horários vagos é que se dedica ao blog e ao perfil no Instagram. Apesar de receber muitos convites para conhecer restaurantes e marcar presença em inaugurações, como ainda não algum restaurante acompanhado da família, ninguém toca na comida até ele tirar foto de todos os pratos. “Obriga todo mundo a esperar ele tirar foto de cada prato”, diz a mãe, entre risos. Sobre o trabalho do filho, ela diz que sempre lhe deu força, mas ressalta a necessidade de não prejudicar os estudos. “Não adianta ter esse sucesso e não ter uma boa formação. Por isso insisto para ele não perder o foco”. Indeciso ainda sobre qual carreira seguir, a mãe acredita que a inclinação pela publicidade irá falar mais alto, mas, adianta: “A aprovação tem que ser numa federal, hein?”.

Conquista de anunciantes transformou hobby em profissão

dirige, Eduardo depende dos pais e familiares para levá-lo aos eventos. O que ele acha disso tudo? “Muito legal”, diz, mas não é mais só um hobby, virou profissão. “A partir do momento que comecei a comercializar o meu serviço virou uma coisa profissional”, explica. Eduardo tem hoje dez parceiros fixos, que

anunciam em seu blog e patrocinam posts no perfil no Instagram. Vão desde casas de sushi até hamburguerias, bistrôs e restaurantes. Além da Wayne’s Burger Star, estão Yolla Gourmet, Divino Boteco, La Bodega Bistrô, Nikai Temakeria, Go Temakeria, Bonae Alimentos, Jack Burger, Is Bubble Tea e Takami.

Dicas de bares e restaurantes em Natal na palma da mão

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Especial ARQUITETURA DE LUXO flores

VERÃO FLORIDO

Email: wfarquitetura@yahoo.com.br Telefones:. (84)9962-2909 (84) 9407-9976

Os meses mais quentes do ano pedem o espetáculo das flores, em ambientes internos e externos. Época de muito colorido e perfume Por Wellington Fernandes 88 [revista Bzzz]


A arquiteta Mézia Araújo estendeu sua criatividade na arte de traçar bons projetos a outro amor: flores. E suas ideias vão além de formas tradicionais quando o assunto é arranjo de flores. Inspiração peculiar. Formas que são encontradas na floricultura que já é sucesso em Natal, a Flor de Algodão. Toque de bom gosto com serviço diferenciado. Para o cliente que não abre mão de flores na decoração da casa ou do local de trabalho, por exemplo, ela trabalha com serviço de assinatura, em que faz a reposição

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Especial ARQUITETURA DE LUXO

das flores a cada semana. Para isso, cobra valor inferior caso as mesmas flores fossem compradas a cada semana. E nessa temporada de verão, as flores estão mais em alta. Transferem-se para as casas de praias, onde também são essenciais. Estação em que a natureza nos presenteia com variados tipos de flores com texturas, exuberância, formas e cores, atraindo até mesmo os mais displicentes. “Não tem quem não se encante com elas”, diz Mézia. “Se tem flor, tem fruto, sabor, aroma. No verão, época de veranear, sem perceber, estamos cercados por flores

Mézia Araújo, arquiteta

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da estação”, completa. A arquiteta lembra que o cajueiro, muito presente na nossa região, “está em sua alta temporada de floração e suas flores deixam a estação mais colorida”. Com criatividade, experiência, conhecimento e muito bom gosto, Mézia leva seu belíssimo trabalho para o interior das casas e eventos, com flores naturais em forma de lindos buquês. Nesses dois anos de funcionamento, sua Flor de Algodão já deu vida a muitos ambientes, casamentos, batizados, festas de um modo geral. É um toque final que não pode faltar. “As flores humanizam e deixam qualquer lugar mais convidativo, bonito, com uma atmosfera de leveza e bem estar”, aconselha.


NÉCTAR

carlos de souza Humanidade O ano está começando e como bom natalense, você também vai curtir uma casa de praia. Prepare sua bagagem de livros e fique de olho nas dicas que vou dar aqui. O livro A Culpa é das Estrelas, de John Green, Editora Intrínseca, 288 páginas, R$20,93, surfa no sucesso do filme homônimo. É o livro queridinho dos adolescentes, mas deve fisgar alguns adultos com sua história lacrimogênea de uma garota, paciente terminal de câncer, que conhece um garoto durante o tratamento. É um best seller com mensagem moral.

Amizade

Afetos

Outro livro que está causando furor entre os leitores brasileiros é este Fim, de Fernanda Torres, Companhia das Letras, 208 páginas, R$34,50. É o primeiro romance da atriz que conta a história de um grupo de amigos que rememora passagens importantes de suas vidas. Frustrações, tropeços e alegrias vão se embolando neste cenário de vida real. O livro é melancólico, mas prende a atenção.

Para quem já acompanha a carreira de escritor do compositor Chico Buarque, a novidade é O Irmão Alemão, Companhia das Letras, 239 páginas, R$27,93. Este é um romance em busca da verdade e dos afetos, que nasceu da constatação de que Chico tinha um irmão alemão que ele não conheceu. Ao buscar detalhes sobre a vida deste irmão surge um poderoso romance.

92 [revista Bzzz]

Mistério Os apreciadores de um bom livro de mistério, com certeza vão gostar deste Cidades de Papel, de John Green, Editora Intrínseca, 368 páginas, R$29,90. Conta a história de um cara que tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola. Até que em um belo dia, que poderia ter sido como outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. É diversão pura.


História Sucesso de público e crítica, este O Homem Que Amava os Cachorros, de Leonardo Padura, Boitempo Editorial, 600 páginas, R$48,30, é sem sombra de dúvida, o melhor livro de 2014. Trata-se da biografia romanceada de Roman Mercader, o homem que matou Leon Trótski, quando o revolucionário russo estava asilado no México. É um vasto painel de uma época, que mostra a crueldade e frieza dos stalinistas no plano insano de matar todos os inimigos. Uma leitura lúcida dos tempos duros após a Revolução Soviética e uma lição para o futuro das ideias de esquerda.

Existência Um autor que andava meio desaparecido das livrarias, volta com força total. A Festa da Insignificância, de Milan Kundera, Companhia das Letras, 136 páginas, R$36,00 é um romance na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema. Aqui o autor transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de ontem, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana.

Livros Este é mais um livro que se transformou em sucesso no cinema. A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, Editora Intrínseca, 480 páginas, R$39,90. Conta a história de uma menina que sobrevive aos horrores da Segunda Guerra Mundial aos cuidados de um padrasto e madrasta amorosos e que encontra alegria nas brincadeiras com um menino vizinho, um judeu escondido no sótão e no amor pelos livros. História emocionante que merece uma leitura.

Internet A partir da criação de um site na internet surge um romance. Eu Me Chamo Antônio, de Pedro Gabriel, Editora Intrínseca, 192 páginas, R$20,93. Do balcão do bar Antônio escreve e desenha, dali ele vê tudo acontecer, observa os passantes, aceita conversas despretensiosas e atrai olhares de curiosos. Antônio sempre se acomoda na companhia dos muitos de chopes pela madrugada. A mente por trás de Antônio é Pedro Gabriel. Em outubro de 2012, ele inaugurou a página Eu Me Chamo Antônio, na internet, para compartilhar o que rabiscava em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro.

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Celebrar Fotos: João Neto

A equipe da RevistaBzzz se reuniu no Vinhedos Wine Bar, na Avenida Prudente de Morais, em Natal, para festejar os acontecimentos de 2014, ano de consolidação para o veículo. Foi também o momento para comemorar a chegada deste ano, cujos planos de buscar assuntos interessantes e tratá-los com a qualidade e cuidado devidos, continuam com toda força. A noite teve o jantar de harmonização de pratos e diferentes rótulos de vinhos.

Editora Eliana Lima e Janaína Amaral

Repórteres Juliana Manzano, Janaína Amaral e Thiago Cavalcanti

Camila Pimentel, Eliana Lima e as assistentes de edição Alice Lima e Marina Gadelha

Silvia e Marcelo Antunes parceria Terceirize Editora

Eduarda Lima e Andrea Luiza

Editora de moda Larissa Soares e o colunista Octávio Santiago

Rilder Chaves e Juliana Nóbrega da Vinhedos


All mare Fotos: João Neto

Nos mares do Sul o réveillon foi badalado. O condomínio mais chique da praia de Búzios, ao som do cantor Pedro Lucas, queima de fogos e tilintares que renderam até a manhã do primeiro dia de 2015.

André Dantas e Ana Luiza

Daniel Cunha e Mariane Gaspar

Ademalrio e Rose

Pedro Lucas

Bruno Alves e Patricia Alves

Marina Holanda

Daniele Monte e Gabriel Ribeiro

Flávio Monte e Sovânia Monte

Luiza De Marilac e Homero Medeiros

Maristela Freire e Viscente Freire

Nicole Galvão e Betinho Costa

Gislene Cunha e Diógenes Cunha

Lorena Sales e Carlos André

Garibalde e Denize

Jader Gonçalves e Kalina Leite

Rosendo e Soraia

Priscila, Pedro e Valéria Cavalcanti


túnel do tempo Thiago Cavalcanti

Fotos: Arquivo da família e Denise Gaspar

Em pleno verão

A aniversariante com o amado Ramilson Tito

Hélio Neto, Isabele Tito e Júlia Arruda

No dia 20 de janeiro de 2006, a empresária Gorete Tito celebrou em grande estilo seus 5.0. Festa para 300 convidados, nos alpendres do clã, na praia de Muriú, litoral norte potiguar. Decoração e delicinhas do impecável Nick Buffet, explosões de fogos anunciavam os parabéns. A anfitriã abriu a pista de dança ao som do DJ Bruno Giovanni (hoje blogueiro).Para surpresa, entra em cena a banda de música da cidade de Ceará-Mirim, terra natal de Gorete. Festa daquelas memoráveis.

o saudoso Hélio Venancio e D. Leda abraçam a filha

Getúlio Madruga, Flávio Monte e Sovãnia, Gorete Tito, Zélia Madruga e Aldanisa Sá


Getúlio Soares com Jussara e Jurema Cansanção

Rairene Passos e Emanuelle Bezerra

Marilene, Fabiana e Bernadino Meireles

As irmãs Isabele e Carol Tito

Renata e Renato Gaag

Melissa Sales e Sílvio Bezerra

Larissa e Alexandre Bezerra com Zoraide Gomes


artigo

Elias Feitosa de Amorim Jr. //////////////////////////////////////////////// Historiador formado pela USP, professor de História e História da Arte no Cursinho da Poli, em São Paulo //////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

O terror volta a Paris Os atentados terroristas em Paris apontam mais uma As palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” são vez a crescente tensão entre o radicalismo islâmico e os um lema de ouro na França e estruturam o pensamento chamados valores ocidentais. Tal oposição entre “Oci- ocidental há 225 anos. Desse modo, na visão francesa, o dente” e “Oriente” remonta às Cruzadas e se intensificou atentado seria uma forma de restringir a liberdade de imem diferentes momentos, sendo que a expansão capita- prensa e a democracia como um todo. Mas, aos olhos dos lista entre os séculos XIX e XX (responsável pela colo- radicais islâmicos, representa a defesa dos valores de sua nização da África, da Ásia e da Oceania) comprometeu fé, já que o Profeta ou a doutrina islâmica não devem ser ainda mais o processo. criticadas ou satirizadas. Assim, tendo soado a blasfêmia, Os franceses, como os demais tornaram-se passíveis de punição. colonizadores, impuseram seu moExistem setores (dentro e fora da Frandelo de “civilização” pela língua, ça) que discordam da posição francesa, pelos costumes e pelos valores, sem entendendo que a liberdade de imprensa e A sociedade levar em conta a cultura local, que, expressão deveria ter “limites”. Mas qual sefrancesa sempre aliás, era vista como sinônimo de ria a fronteira entre limite e censura? O que atraso e ignorância. separa a liberdade de expressão e o respeito? se orgulhou de No século XX, mesmo após a Os limites são bastante difíceis de se estabeseu Estado laico emancipação das colônias, a integralecer com clareza. e da defesa das ção dos imigrantes (por mais que estiAs ações francesas reprimindo extreliberdades e da vessem já estabelecidos, trabalhando e mistas muçulmanos no Mali (2013-14), a democracia, mas com filhos nascidos na França, portanluta contra o Exército Islâmico no Iraque e demorou para to, franceses) continuou sendo difícil, e o apoio aos EUA no Afeganistão, colocaram não raro eles eram vítimas de exclusão a França como alvo, podendo impulsionar a se tornar menos socioeconômica, assim como de racisextrema-direita (Frente Nacional Francesa), conservadora”. mo e xenofobia, muitos na ilegalidade, acompanhada de intolerância e violência sans-papiers (sem documentos). contra a população islâmica francesa, numa A sociedade francesa sempre se orgulhou de seu Esta- “retaliação” aos ataques. Lembremos que um policial foi do laico e da defesa das liberdades e da democracia, mas morto e este era muçulmano, bem como, o empregado demorou para se tornar menos conservadora: as mulhe- do mercado judaico que escondeu a si e mais 15 clientes, res passaram a votar a partir de 1944; até 1968, somente salvando suas vidas. Portanto, o extremismo de qualquer cidadãos com 21 anos ou mais poderiam votar e o fim da tipo ou origem não se aceita ou se justifica, pois é uma pena de morte ocorreu em 1981. ameaça à Humanidade.

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EDIÇÃO N°19 - JANEIRO DE 2015  
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