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BUZZ

Edição 34Ano IVNovembro de 2013 Diretores Mauro San Martín Silvia Regina Evaristo Teixeira Diretora Comercial: Silvia Regina Evaristo Teixeira Editor-chefe: Mauro San Martín DRT 24.180/SP Repórteres: Mauro San Martín e Sandro Possidonio Revisão: B. Veloso Colaboradores: Elaine Ribeiro e Kiko Sanches Foto da capa: J.Moreira Críticas, Sugestões e Elogios E-mail - revistabuzz@gmail.com Sua opinião é essencial Tiragem: 5 mil exemplares Impressão: Resolução Gráfica

carta ao leitor

U

Investimentos e supersalários

m assunto publicado na seção “Radar” causou indignação nos jacareienses em novembro: o supersalário dos vereadores. Se todas as categorias profissionais tiveram no máximo 10% de aumento, por que os vereadores de Jacareí têm direito a 58%? E eles já tiveram 6%, dados com o aumento dos servidores. A única explicação, é que eles apostam na crença de que a memória do povo é fraca e o assunto logo será esquecido. Tirando esse fato lastimável, esta edição da Buzz traz uma reportagem falando da chegada das empresas chinesas em Jacareí e suas consequências. Afinal, não podemos deixar que atos de maus políticos ofusquem os grandes investimentos em Jacareí. As novas indústrias estão investindo R$1,2 bilhão, e deverão gerar cerca de 4 mil empregos. Por falar em chineses, entrevistamos o comerciante Chow Yan Cheong, proprietário do Hong Kong, a primeira casa a servir comida chinesa na cidade. Ele conversou com a revista a respeito da imigração sino em Jacareí, a chegada das novas indústrias e a grande possibilidade de seu estabelecimento fechar as portas no final do ano. Outro destaque desta edição é o prêmio dado ao artista plástico Magela Borbagatto

por seu trabalho de preservação das “paulistinhas”. Ele obteve nota máxima entre 140 participantes do Prêmio Culturas Populares – Edição 100 anos de Mazzaropi, do Ministério da Cultura. Magela ficou em nono lugar entre os 140 premiados. Neste número, estreamos a seção “Jacareiense Nota Dez”. A cada edição iremos mostrar moradores que fazem a diferença em nossa cidade. Na estreia, mostramos o trabalho do pastor Wanderley dos Santos, da Comunidade Vida Nova, que promove palestras e eventos para afastar o jovem do perigo das drogas. Atendendo a pedido, trazemos de volta nossa seção de gastronomia. Como virou tradição, a Buzz publica receita típica de nossa região. Foi assim que ensinamos a fazer a farofa de iça, afogado, cuscuz, bolinho caipira e, agora, apresentamos a receita da galinhada caipira. O prato desta edição é muito apreciado em Paraibuna pelo jornalista Sandro Possidônio, mas também gostosamente devorada em várias cidades do Vale do Paraíba. Boa Leitura!

Mauro San Martín - editor

A revista Buzz é uma publicação mensal da Voz Ativa Comunicações. Artigos e colunas não representam necessariamente a opinião da revista Buzz. Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização escrita. Por favor, recicle esta revista!

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Revista Buzz

Jacarei Revista Buzz

NOVEMBRO DE 2013 - BUZZ 3


UM NOVO OLHAR

RADAR O mês em revista Buzzimagem

Jacareí perdeu Mir Cambuzano

DEPRESSÃO – O Mal do Século? Elaine Ribeiro (*)

O cantor, compositor, artista plástico e fotógrafo, Waldemir Cambuzano, de 77 anos, mais conhecido como Mir Cambuzano, morreu no dia 1º de novembro. Na edição anterior da revista Buzz, publicamos uma de suas últimas entrevistas. Apaixonado por Jacareí, ele chamava atenção das autoridades para o marco zero que se encontra enterrado na Praça Conde de Frontin. Mais que um defensor, Mir possuia várias obras espalhadas pela cidade, uma delas a estátua de São Francisco de Assis. Ele também foi responsável pela recuperação do busto de José Maria de Abreu, no Jardim Liberdade, e da estátua em homenagem aos pracinhas na Praça Conde de Frontin. Sua carreira musical foi ao lado do cantor J. Domingues. São composições suas “Céu Azul” e “Amor de minha vida”. Poupatempo: previsto para 2014 Prefeitura e governo estadual definiram que o local onde será instalado o Poupatempo, em Jacareí, será o antigo prédio da fábrica de meias Lolypop, que fica na Avenida Getúlio Vargas, no Jardim Primavera. A inauguração está prevista para o primeiro trimestre de 2014. Vereadores reajustaram salários em 58% Vereadores de Jacareí aprovaram, durante a sessão ordinária do dia 6 de novembro, por nove votos favoráveis e três contrários, aumento de 58% nos próprios salários. Assim, eles passarão dos atuais R$ R$ 5.885,99 para R$ 9.300,00 mensais. Os seguintes vereadores votaram pelo aumento: Arildo Batista (PT), Ana Lino (PT), Fernando da Ótica (PSC), Itamar Alves (PDT), José Francisco (PT), Hernani Barreto (PT), Pastor Rogério Timóteo (PRB), Rose Gaspar (PT) e Paulinho do Esporte (PMDB). Foram contrários os vereadores: Mauricio Haka (PSDB), Valmir do Meia-Lua (DEM) e Edgard Sasaki (DEM). A decisão tem validade a partir da publicação no Boletim Oficial. Em março deste ano, os parlamentares já tinham autoconcedido aumento de pouco mais de 6%, a título de “reajuste”, ao pegar carona no reajuste dado aos servidores públicos municipais. A polêmica obra na ponte do São João A Justiça de Jacareí não concedeu liminar solicitada pelo Ministério Público, em ação

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civil pública, que acusa o prefeito Hamilton Mota (PT) de improbidade administrativa e pede a cassação de seu mandato. Segundo o MP, o prefeito não planejou a obra de represamento do rio Paraíba do Sul, realizada emergencialmente e sem licitação, em janeiro de 2013. O promotor de Justiça denuncia que a referida obra causou assoreamento das margens do rio e colocou em risco a ponte que liga o bairro São João ao centro. O juiz afirma em despacho que a denúncia veio junto com vários documentos, porém nenhum que ligue os fatos ao prefeito de Jacareí. O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) foi contratado para apresentar até dezembro deste ano um laudo sobre as condições da ponte. Calçadas de Jacareí mais limpas A prefeitura de Jacareí está retirando tocos de árvores das calçadas. Segundo a assessoria de imprensa, os tocos retirados são de árvores que caíram ou foram retiradas porque estavam doentes. Os técnicos da secretaria do meio ambiente ainda analisam se os locais poderão receber novas árvores. Caso contrário, o buraco na calçada será tapado. Novos abrigos na Praça do Rosário A praça do Rosário ganhou novos abrigos de ônibus. Os atuais são maiores e mais confortáveis que os anteriores. A cobertura é de policarbonato com proteção contra raios ultravioleta, estrutura de aço pintada e assentos em chapa de aço. A mudança faz parte do projeto de reforma da praça.

Hoje, depois do estresse, não se fala de outra patologia que não da famosa depressão. Tem a pós-parto, a bipolar – oscilação de humor –, a do ninho vazio – quando os filhos saem de casa –, a da aposentadoria, a própria TPM (Tensão Pré Menstrual), DAS (Distúrbio Afetivo Sazonal) – que ocorrem por episódios eventuais –, por luto de qualquer natureza entre outras. Enfim, depressão é a tristeza que não acaba mais, uma doença que ataca tão progressivamente que a maioria dos que dela sofrem nem percebe que está doente. De cada dez pessoas que procuram médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o diagnóstico de depressão. A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presenças de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. Existe uma série de evidências que mostra alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos. Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta o problema em algum momento da vida. Porém, como dito anteriormente, ela é uma doença e não deve ser confundida com um momento depressivo. Este passa em pouco tempo. Por mais que a pessoa esteja apática e sem autoestima, identifica-se a doença quando junto com esses sintomas há esquecimento, fadiga constante, redução do raciocínio lógico, interpretação distorcida da realidade, perda da concentração e dores constantes sem um motivo clínico. Falar que está deprimido é totalmente diferente de falar que tem depressão. O título questiona sua existência, pois, determinadas pesquisas comprovam que pessoas depressivas foram ao suicídio por conta de crise financeira, relacionamento instável ou cobrança interna e/ou familiar, situações estas que mais causam estresse e problemas neurológicos. Para combater esse fenômeno da sociedade moderna, cabe a nós mesmos a enfrentarmos como forma de prevenção, pois estas três situações cedo ou tarde vamos nos sujeitar: 1-Não se culpe. A culpa é a maior barreira da recuperação de uma crise. 2 – Adie decisões difíceis quando não estiver bem, peça sempre ajuda ou aguarde quando estiver melhor. 3 - Faça atividade física; ela lhe produzirá maior sensação de bem estar. 4 - Fale sobre o que sente; a maior causa da enfermidade é mantê-la em segredo. 5 - Cuide da sua saúde, faça um check up e verá que quando o corpo está bem melhora muito. 6 - Tenha uma rotina diária, a disciplina não lhe deixa tempo para pensar no problema. 7- Alimente-se bem, o que você come pode afetar o seu cérebro se não contiver líquidos e fibras. 8- Evite drogas e álcool que destroem os neurônios dificultando o poder de raciocinar. 9- Tente dormir bem, a depressão anda de mãos dadas com a insônia. E 10- Não se sobrecarregue. Delegue atividades, afaste-se do estresse; respire sempre. Não custa caro sentir-se bem e evitar males. Todos estamos sujeitos às doenças da mente, mas você tem a possibilidade de não deixá-las invadirem sua vida. Aposte no seu bem estar! (*) Elaine Ribeiro é psicóloga formada na Universidade de Mogi das Cruzes, gestora pessoal e empresária em Jacareí


vai bem

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vai indo

Mais 336 famílias com casas próprias

Combatendo imobilidade e enchentes

O Programa Minha Casa Minha entregou as chaves de novos apartamentos para 336 famílias no dia 1º de novembro. Com mais essa etapa, por intermédio da prefeitura de Jacareí, o programa já atendeu 1.248 famílias que não tinham onde morar. Os novos apartamentos estão localizados nos Condomínios Santa Terezinha I e Santa Terezinha II, ambos localizados no Jardim Novo Amanhecer. Segundo a prefeitura, 306 dessas famílias saíram de área de risco e vão entrar na estatística de felizes donos de seus imóveis.

A prefeitura de Jacareí realiza obras de saneamento no vale do Córrego do Turi, entre o Parque Itamaraty e o Jardim Pitoresco, para melhorar o sistema viário (nova ligação entre o centro e a Rodovia Nilo Máximo) e também para combater as enchentes com a construção de dois piscinões. Os recursos, R$ 45 milhões, vieram do governo federal através do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra vai, finalmente, acabar os congestionamentos quilométricos em certos horários, na rodovia Nilo Máximo.

vai mal

Paraíso com ruas esburacadas O vereador Valmir do Parque Meia-Lua (DEM) reivindica da prefeitura de Jacareí o fim dos buracos nas ruas do Jardim Paraíso. Ele aproveitou uma das últimas sessões da Câmara para exibir um vídeo sobre a precariedade do local. No vídeo, preparado pelo vereador, os moradores relataram os transtornos causados pelos buracos na rua e o descaso da prefeitura para com o problema. Segundo Valmir, a situação vai ficar ainda pior com a aproximação do período de chuvas.


Entrevista | Chow Yan Cheong, comerciante chinês

Cheong e a imigração chinesa O chinês Chow Yan Cheong, proprietário do Restaurante Hong Kong, fala sobre tudo o que viu a respeito da imigração chinesa em Jacareí.

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om a instalação da montadora chinesa Chery em Jacareí, o apelido de chinatown (cidade chinesa) do Vale tornou-se um novo sinônimo para se referir à “capital da cerveja ou terra do biscouto”. A onda agora é outra. Porém, os primeiros chineses chegaram no município nos anos 60. A explicação é do comerciante Chow Yan Cheong, 54 anos, proprietário do Restaurante Hong Kong, um dos pioneiros da milenar cozinha chinesa a se instalar em Jacareí. Ele revelou que seu pai chegou à cidade em 1966 e encontrou as famílias Hong, Chu e Wu instaladas havia mais tempo no município. No entanto, a presença dos chineses em Jacareí é muito pouca em comparação com outros imigrantes como italianos, japoneses e árabes. Pelos cálculos de Cheong, há pouco mais de 200 imigrantes orientais, divididos em 15 a 20 famílias. Na entrevista a seguir, Cheong fala que pensa deixar a cidade para ficar pertos dos filhos que estão de partida. Ele conta também o que sabe a respeito da imigração chinesa em Jacareí e ainda opina a respeito da chegada das grandes indústrias daquele país. Buzz – Como é a história de sua vinda para Jacareí? Chow Yan Cheong – Meu pai, Chaw Yan Wui, já estava em Jacareí desde 1966. Eu cheguei à cidade em 1967, aos oito anos de idade. Buzz – Por que Jacareí? Cheong – Não sei. Existia uma comunidade em São Paulo que indicava onde havia oportunidade para iniciar um negócio. Meu pai abriu uma pastelaria na Praça Conde de Frontin – a Pastelaria Chinesa (ficava ao lado da Schiammarella) –, a primeira da cidade. Meu pai tinha terras na China continental. Era camponês. Com a revolução comunista, ele teve que fugir de lá por causa da nova política imposta pela revolução. Éramos da região sul da China, província de Kuangtung. Meu pai casou-se em Hong Kong e emigrou para o Brasil. Ele tinha 31 anos quando chegou à capital paulista. Buzz – Como foi o processo de legalização de sua família no Brasil? Cheong – Meu pai já veio com o visto permanente. A gente também já veio para cá com visto permanente. Não entramos ilegalmente. Com o tempo, fomos nos naturalizando e integrando à vida brasileira. Toda família é naturalizada brasileira. Buzz – Como foi a adaptação de sua família em Jacareí? Cheong – A minha adaptação foi tran6 BUZZ - NOVEMBRO DE 2013

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“Antes era raro conseguir visto para sair da China, mas o governo afrouxou um pouco e todos estão invadindo o mundo atrás de oportunidades”.

Cheong: “Nunca senti preconceitos entre meus clientes e amigos”. quila porque éramos muito jovens. A dos meus pais já foi mais complicada. A comunidade se fechava. Os antigos não se integravam à comunidade local, como ocorreu com a gente. Eles tiveram de trabalhar muito e se isolaram nos seus serviços. Então, tiveram dificuldades. A dieta da minha mãe é baseada na gastronomia chinesa. Ela raramente come um bife. Eles também não dominam a língua portuguesa. Eu tive muita dificuldade em aprender o português. Até hoje não entendi como passei o primeiro ano da escola. Nós achávamos muito fácil a matemática, mas sempre passávamos raspando nas disciplinas de história e lín-

chegada das fábricas Chery e Sany. Meu pai (já falecido) se reunia com os mais antigos. Há um pessoal que se reúne numa igreja cristã em São José dos Campos. É o único local que agrega os chineses na região. Eles se reúnem nos finais de semana para rezar. Minha cunhada e minha mãe participam. Buzz – Antes de 1966, Jacareí tinha outros imigrantes chineses? Cheong – Sim. Existia ainda famílias mais tradicionais, mas não vivem, até hoje, do ramo de alimentação. As famílias Hong, Chu e Wu já estavam aqui quando meu pai chegou. Eles são bem anteriores à gente.

“Eu trabalho 10 a 12 horas por dia e não folgo. Trabalhamos por necessidade mesmo. Se pudesse, trabalharia bem menos”. gua portuguesa. Os professores deram uma colher de chá. Eu não cheguei a terminar a faculdade de arquitetura. Buzz – O que sabe da imigração chinesa em Jacareí? Cheong – Não há uma colônia chinesa, assim como ocorre com os imigrantes japoneses, árabes e italianos. Somos muito dispersos. Há 100 ou 200 chineses em Jacareí – umas 20 ou 30 famílias. Esse pessoal que abriu loja de R$1,99, por exemplo, tem pouca ligação com os mais antigos. A tendência é aumentar esse número com a

Buzz – O que pensa de Jacareí? Cheong – Cresci aqui e tenho raízes fortes na cidade. Estudei, trabalhei e criei meus filhos (Meiling, Gabriel How e Ulisses Yan) aqui. Cheguei aqui, como disse, aos oito anos de idade. Sou mais brasileiro que chinês. Gosto muito de Jacareí. Antes era raro conseguir visto para sair da China, mas o governo afrouxou um pouco e todos estão invadindo o mundo atrás de oportunidades. A invasão não é só aqui, mas ocorre em várias partes do mundo. Buzz – O senhor conseguiu tudo o


que desejava em Jacareí? Cheong – Jacareí me deu oportunidades. Tudo o que tenho devo a Jacareí. Tive chances de sair daqui, mas as raízes falaram mais alto e fiquei. Buzz - Soube que o senhor agora pretende ir embora de Jacareí. Cheong – Meu filho casou e mudou-se para Pindamonhangaba. Ele disse que a situação lá está muito boa. Minha filha também deseja mudar-se para lá. Eu não posso ficar sozinho aqui. Se eu sair, provavelmente, fecharei o Restaurante Hong Kong. Buzz – Para quem já está há 28 anos em Jacareí, não acha que o momento agora, com a chegada das indústrias, a cidade vai prosperar ainda mais, e deveria ficar? Cheong – Os filhos vão-se e não quero

deverá tornar-se a Chinatown do Vale devido à vinda da montadora Chery e da empresa Sany para a cidade. O que acha disso? Cheong – Acho que não será uma Chinatown do Vale. Logicamente, a vinda deles vai ser muito boa economicamente. É a globalização da econômica e a expansão econômica da China que evoluiu muito nos últimos 30 anos. Tudo era muito fechado e a abertura começou no início dos anos 80. A região do Vale do Paraíba também é estratégica para escoar mercadoria para todo país. Esses motivos atraem as empresas chinesas para cá. Buzz – Como o senhor entrou para o ramo de restaurante? Cheong – Eu gosto. Eu estudava e nasceu minha filha. Tive que trancar a matrí-

“Quando meu pai chegou aqui a onda era pastelaria. A pastelaria é uma coisa simples e requer pouco investimento”. ficar sozinho. Talvez, eu fique e abra uma cozinha. Mas, a possibilidade de fechar o restaurante é grande. Buzz – O jacareiense gosta da gastronomia chinesa? Cheong – Gosta. São quase 30 anos na cidade. O pessoal que tem chácara frequenta aqui. Hoje, a localização (zona azul) atrapalha muito a vinda dos fregueses. Vinha bastante gente de São Paulo e donos de chácaras de veraneios na região. Os pratos favoritos são o yakisoba e o frango xadrez. Buzz – Fale sobre a história do Restaurante Hong Kong – o primeiro especializado em comida chinesa de Jacareí. Cheong – Ele era de um primo da gente, e foi inaugurado em 1979. Eu assumi em 1985. O Hong Kong é especializado em comida chinesa desde sua inauguração. Buzz – O que acha dos novos restaurantes orientais que abriram em Jacareí? Cheong – Acho bom. Mais opção para os fregueses. Agora, existe uma onda de restaurantes orientais, principalmente de comida japonesa. É uma onda que veio para ficar. Buzz – Fala-se muito que Jacareí

cula da faculdade para continuar depois. Meu pai tinha restaurante no bairro da Liberdade, em São Paulo. Eu aprendi com cozinheiros chineses que trabalhavam no restaurante do meu pai. Buzz – Por que o chinês trabalha mais no ramo de restaurante e pastelaria? Cheong – A onda agora é loja de R$ 1,99. Mas é aquela velha história: o imigrante chega, vê o negócio dando certo e acaba sendo incentivado a abrir um ponto comercial no mesmo ramo. É a mesma coisa que os árabes e judeus que se dedicam ao setor de armarinhos. Quando meu pai chegou aqui a onda era pastelaria. A pastelaria é uma coisa simples e requer pouco investimento. Buzz – Qual é a diferença entre o pastel brasileiro e o chinês? Cheong – Não se faz pastel desse jeito na China. Lá, fazemos o rolinho primavera que tem escarola e legumes. É um dos tipos de pastel que tem na China. Buzz - O que acha dos vários cursos de mandarim que estão sendo oferecidos em Jacareí? Cheong – Acho bom. O pessoal apren-

de a língua e aprende também a cultura do povo chinês. Eles passam a entender a gente um pouco melhor. Eu não falo mandarim. São 200 e poucos dialetos na China. Aqui no Brasil, por exemplo, você entende um cearense, um gaúcho. Lá, não. Eu falo o dialeto cantonês, e quem fala mandarim não entende nada do que eu falo. A escrita é a mesma, mas fonética é diferente. Buzz – Por que o chinês trabalha muito? Cheong – As pessoas tiram sarro de mim porque todo comércio fecha, menos aqueles tocados por chineses. Todos fecham no feriado ou finais de semana, menos a farmácia do chinês, a pastelaria do chinês (risos). O chinês trabalha bastante. Eu trabalho 10 a 12 horas por dia e não folgo. Trabalhamos por necessidade mesmo. Se pudesse, trabalharia bem menos. Buzz – A máfia chinesa existe mesmo ou é folclore? Cheong – Já ouvi falar, mas nunca tive contato. Como tem pessoas boas, há também pessoas más. Já ouvi falar dentro da comunidade de família sendo extorquida pela máfia chinesa. Agora, se parou um pouquinho de falar. Os chineses de Jacareí são mais tranquilos porque eles se isolam muito. Buzz – O senhor já voltou para a China? Cheong – Não. Quero voltar um dia para rever a terra, mas não pretendo ficar. Eu quero ir a passeio. Tenho uma prima na China. Ela sempre conversa pelo telefone com minha mãe. Buzz – O que pensa da política de filho único implantada na China desde 1979? Cheong – É necessária para conter o aumento população que matou muita gente de fome. Buzz – O que o senhor teve vontade de falar e não teve como se expressar? A última pergunta é um espaço que abrimos para você compartilhar o que tiver vontade. Cheong – Eu me sinto bem integrado e conheço todo mundo. Se tem alguém que nos discrimina, geralmente são pessoas com pouca cultura. Nunca senti preconceitos entre meus clientes e amigos. Não tenho do que reclamar.

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jacareí em

ritmo chinês

De cidade do biscoito a “chinatown do Vale”, os novos rumos de Jacareí estão ligados com a chegada da montadora Chery e Sany, cujos investimentos são de mais de R$ 1,2 bilhão

A

Unidade da Chery em obras: início previsto para abril de 2014

região metropolitana do Vale do Paraíba deverá crescer em “ritmo chinês” nos próximos anos. Os investimentos anunciados pelas chinesas Chery e Sany em Jacareí deverão deixar para trás o apelido de “capital da cerveja” e enterrar de vez a de “capital dos biscoitos”. As duas empresas prometeram investir US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) e criar aproximadamente 4 mil empregos nos próximos anos. Jacareí terá o maior parque produtivo da montadora chinesa no exterior. Até agora, já foram investidos cerca de R$ 100 milhões, sendo R$ 60 milhões pela Chery e R$ 40 milhões pela Sany. A Chery, maior montadora independente da China (com recursos somente chineses), já tem mais de 200 funcionários trabalhando na cons-


trução da fábrica que tem necessidade de funcionar a partir de abril de 2014. Será a primeira fábrica completa da estatal Chery fora da China. A filial terá linhas de pintura, solda e montagem. A Chery informou recentemente que pretende produzir motores 1.0 e 1.5 na unidade de Jacareí. Essa produção deverá ocorrer através de uma de suas subsidiarias, a Asteco, cuja fábrica está em construção no bairro do Igarapés. O início de operação dessa divisão está previsto para o final de 2014. A nacionalização desse componente, que será importado inicialmente, terá investimento de US$ 10 milhões e deverá gerar Terreno da Sany que prometeu retomar implantação ainda em 2013

150 empregos. Segundo a montadora, em abril deverá começar a produção experimental do “Celer”, primeiro automóvel da marca a ser nacionalizado. A empresa afirmou que o modelo será diferente do importado, pois contará com mudança na parte frontal e no interior. No primeiro ano de funcionamento da Chery, a meta da empresa é produzir 50 mil carros. Esse volume deverá dobrar em 2016 e passar para 150 mil em 2018. Segundo seus diretores, os veículos produzidos em Jacareí serão vendidos também na Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela,

atualmente abastecidos pela China. A Chery é a sétima montadora da China e a primeira entre as marcas independentes (sem joint ventures com outros fabricantes). Segundo o Grupo Estado, a marca vende 600 mil carros por ano. A prefeitura acredita que pelo menos oito empresas de autopeças chinesas deverão se instalar em Jacareí com a vinda da montadora. Sany – A fabricante de máquinas e equipamento para o setor da construção civil realizou a terraplenagem do terreno, localizado às margens da Rodovia Presidente Dutra, e paralisou sua implantação. A direção da empresa alegou readequação ao cenário econômico mundial. Em setembro deste ano, a direção da Sany informou que iria retomar a construção de sua fábrica ainda em 2013. Porém, até a segunda quinzena de novembro, nenhuma movimentação foi constatada pela revista Buzz no terreno da empresa. A Sany que pretende inaugurar sua fábrica até o final de 2014, uma vez que sua unidade em São José dos Campos atingirá capacidade máxima em junho do próximo ano. Ela pretende investir R$ 90 milhões numa primeira etapa. A Sany emprega cerca de 60 mil trabalhadores em 150 países. Logística privilegiada – Assim como as cervejarias presentes no parque industrial de Jacareí, as novas indústrias chegam em razão da cidade possuir uma logística privilegiada em todo Estado de São Paulo. Jacareí está situada no eixo Rio-São Paulo, as duas maiores metrópoles do país. O


maior aeroporto de carga (Viracopos, em Campinas) fica a menos de 100 km e no ano que vem será inaugurado o aeroporto para executivos em Caçapava (Aerovale), a 30 km. Os portos de Santos e de São Sebastião também são próximos. Três grandes rodovias (Via Dutra, Carvalho Pinto e Dom Pedro) passam por Jacareí. Os incentivos fiscais são outros fatores que atraíram as indústrias chinesas. A vinda das fábricas está atrelada à isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) por um período de 20 anos e ITBI (Imposto sobre Transição de Bens Imóveis)

para empresas que criarem mil empregos em Jacareí. Há ainda o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotiva – Inovar Auto. Em contrapartida, as novas empresas deverão aumentar a arrecadação de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços). Segundo a Prefeitura de Jacareí, somente a Chery deverá ser responsável por um acréscimo de 50% na arrecadação. Atualmente, por exemplo, somente a Ambev representa 23% da arrecadação total do município.

Mudança - Os cursos de mandarim proliferam em Jacareí. Escolas particulares oferecem a língua mandarim, um dos dialetos mais falados na China, e a prefeitura também ensina gratuitamente o idioma no Educamais Lamartine. Devido à chegada das fábricas, o curso é um dos mais procurados e possui lista de espera. Uma outra novidade em Jacareí é a chegada de restaurantes orientais. Antes dos investimentos, a cidade tinha apenas três casas especializadas em gastronomia oriental – dois chineses e um japonês. Recentemente, outros três restaurantes se

Mão de obras: cidade terá escola federal


instalaram no município. Estes trabalham com gastronomia japonesa. O Restaurante Hong Kong, o mais tradicional da cozinha chinesa, deverá fechar as portas no final do ano (ver entrevista nesta edição). A geração dos 4 mil empregos (3 mil da Chery e outros mil da Sany) chamou a atenção da rede francesa de hotéis Accor. Ela deverá ampliar os leitos de hotel jacareienses com a construção do hotel Ibis, uma de suas marcas. O anúncio foi feito pela Acoor em fevereiro de 2011. As obras estão em andamento na região central. Segundo dados do Sinhores (Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) de Jacareí, a cidade possui 1.283 leitos entre hotéis e pousadas. A cidade busca manter o empresariado e o turista no município com uma rede hoteleira estruturada, evitando assim a fuga para outros municípios da região. Com tanta oferta de postos de trabalho, a cidade planeja também formar mão de obra especializada para suprir essas novas vagas. Nos últimos anos, Jacareí recebeu uma unidade da Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), uma nova escola do Senai e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), conhecido como Escola Técnica Federal de Jacareí, cuja construção encontra-se em processo adiantado no Jardim Elza Maria. O Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) anunciou recentemente a abertura do processo de licitação para construção de sua nova unidade em Jaca-

reí. A nova escola ficará num terreno de 30 mil metros quadrados doado pela prefeitura, na Rua Antônio Fogaça de Almeida, no Jardim Elza Maria, próximo ao local onde o governo federal está construindo escola federal. Boom imobiliário – O setor imobiliário não ficou imune a essa onda de crescimento. Os preços dos imóveis foram às alturas. Encontrar moradia para locação em Jacareí é façanha de muita sorte. O proprietário da Ademir Imóveis, José Ademir Ribeiro Menecucci ao ser procurado pela revista, afirmou que acabara de mostrar um imóvel para o pessoal da Chery. Segundo ele, o setor está muito aquecido

Ademir: setor imobiliário está muito aquecido e cerca de 30 edifícios residenciais estão em construção neste momento.

e cerca de 30 edifícios residenciais estão em construção neste momento. Menecucci acredita que a chegada das novas industrias alavancará não apenas o mercado de Jacareí, mas de toda região do Vale do Paraíba. Saúde - O vereador Edgard Sasaki (DEM), da bancada de oposição ao prefeito, está preocupado com a questão da saúde em Jacareí. Ele apoia os investimentos na cidade, mas alerta que o município poderá enfrentar uma crise grave na saúde se não se preparar para receber esse aumento populacional previsto. Sasaki falou que Jacareí não tem estrutura para atender seus pacientes, mesmo com a inauguração do Pronto-Socorro Adulto que está em obras. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, subsede de Jacareí, José Donizetti de Almeida, comentou que está “satisfeito” com as novas fábricas e os novos postos de trabalho que serão abertos no setor metalúrgico. Almeida disse que as discussões para um entendimento entre sindicato e empresa estão avançadas com a Chery. A chinesa começou o diálogo com o sindicato paralelamente ao processo de sua implantação. Ele não entendeu o porquê da Sany até agora não retomar o processo de instalação na cidade. O sindicalista quer ver o fim dessa novela para também levar a proposta da categoria aos dirigentes da Sany. Sobre o contato inicial com a Chery, Almeida informou que a empresa possui diretores de Recursos Humanos brasileiros e isso facilitou bastante o diálogo entre as partes até o momento.


Guardião das paulistinhas O artista plástico, Magela Borbagatto, foi um dos premiados do concurso “Prêmio Culturas Populares” – Edição 100 anos de Mazzaropi, do Ministério da Cultura. Ele ficou em nono lugar entre os 140 premiados. As “paulistinhas”, imagens de barro de pequeno porte (entre 15 e 30 centímetros de altura), são referências da fé popular presente no Vale do Paraíba. Elas foram produzidas entre os séculos 17 e 20. O artista plástico jacareiense, Magela Borbagatto, dedicou 35 anos de sua vida ao trabalho de preservação das paulistinhas e recebeu, em outubro, o título de “Mestre da Cultura Popular”, do Ministério da Cultura. O reconhecimento de Magela foi unânime: em sete itens de sua participação do prêmio, obteve nota máxima, devido seu trabalho com figuras de barro, retratando cenas da vida rural, presépios e, atualmente, as paulistinhas. Magela trabalha com essas imagens porque, antes de tudo, elas são feitas de barro e remetem ao seu contato inicial com essa arte. Além disso, diz, elas representam uma cultura marginalizada devido ser uma arte sacra voltada para o povo. “É um tipo de imagen que quase ninguém olha. São esquecidas pelo contexto histórico do Vale do Paraíba”. O prêmio do Ministério da Cultura reconheceu a atuação de Magela na preservação do patrimônio imaterial, que é um conceito de cultura. O Ministério

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Magela Borbagatto: “É um tipo de imagens (“paulistinhas”) que quase ninguém olha. São esquecidas pelo contexto histórico do Vale do Paraíba”.

premia pessoas que mantêm a cultura popular brasileira viva. “Daqui a 30 anos, se ninguém fizer nada, a festa halloween parecerá que sempre esteve em nossa cultura”, desabafa.

Outra pessoa que fez isso há algum tempo foi o pesquisador Eduardo Etzel, que catalogou as paulistinhas. Etzel lançou um livro sobre o assunto e falou da importância das imagens. “Eu soube do livro quando já


conhecia a paulistinha”, diz Magela. Vocação - Magela Borbagatto conheceu sua vocação pelas figuras de barro aos 12 anos, em Santa Branca, quando teve contato com o barro das olarias. “Foi brincando com o barro que descobri minha vocação”, diz. Os primeiros trabalhos foram a cabeça de um ser humano e o personagem Visconde de Sabugosa, do Sitio do Pica-Pau Amarelo. Em seguida, envolveu-se com as associações de artesãos. Montou sua primeira exposição, em 1987, fazendo uma crítica ácida à política, à reforma agraria e às filas do INPS. A partir dali, acabou sendo conhecido como figureiro e artista plástico. Naturalmente, caminhou para Arte Sacra porque o Vale do Paraíba é rico nesse tipo de manifestação artística. A primeira evolução foi para os presépios, com exposições em vários lugares do país e no exterior, como uma mostra na França. Ele esteve no Chile, em 1993, quando passou um mês fazendo palestra e dando curso sobre a arte do Vale. Em sua carreira, há um outro fato inédito. Ele foi o primeiro artista a desenvolver um trabalho de arte dentro da área da saúde. Magela apresentou um trabalho no “I Encontro de Psicólogos”. Desse encontro, surgiram oficinas de artes dentro dos postos de saúde, em 1991, época em que era muito difícil artista trabalhar na saúde. Paulistinhas - Paralelo à carreira, nesses 35 anos, ele conta que foi aprendendo sobre as paulistinhas. Em Santa Branca, já percebia essas imagens nos oratórios. Depois, veio a saber que elas tinha um nome: paulistinhas. Segundo Magela, esse nome

veio dos antiquaristas. “Eles pediam as imagens referindo-se a elas como paulistinhas porque só existiam no Vale do Paraíba”, explica. Segundo o artista plástico, as pessoas que passavam pelo Vale tinham suas devoções, mas não havia como rezar para um santo porque não existiam imagens. Acredita-se que duas ordens religiosas da região, os Beneditinos e os Franciscanos, desenvolveram um tipo de imagem acessível ao povo e que era muito mais fácil de encomendar. Naquela época, 300 anos atrás, Magela conta, não existia loja para se comprar a imagem de um santo. De acordo com ele, é preciso voltar àquele tempo e imaginar a angústia de quem queria fazer uma oração e não tinha uma imagem. As dificuldades eram tantas que sequer havia foto do santo para reprodução, dificultando ainda mais a produção das imagens. “As paulistinhas vieram a suprir essa demanda de um povo que morava numa região afastada e desejava praticar a sua fé”. Essas imagens atenderam sempre à população mais carente. “Elas nunca entraram numa igreja”, diz Magela. No máximo, afirma ele, estiveram numa capela de alguém. Isso ocorreu porque as paulistinhas não tinham mais que 30 centímetros de altura. Atualmente, elas são consideradas peças de arte, mas foram feitas como objeto de devoção. As paulistinhas possuem outras características peculiares. Elas têm uma base em forma de cone, para deixar o santo mais alto. “Dignidade para o santo”. A composição do santo é rígida, durona, não tem a

leveza do barroco, segundo Magela. Por esses dados, artista comenta que ela está mais para o estilo medieval. Outro dado peculiar das paulistinhas são as cores. Elas recebem quatro ou cinco cores, no máximo – branco perolado, vermelho, azul, verde e preto. Eventualmente, eram colocados pedacinhos de ouro. Magela pretende fazer uma pesquisa para saber a composição das tintas presentes nas imagens. Segundo ele, 100% das paulistinhas legítimas são de barro cinzento, típico da região do Rio Paraíba do Sul. Essas imagens ficam brancas ao serem queimadas. Ele ressalta, ainda, que se for de barro vermelho, a paulistinha é falsa. As raras imagens atuais encontram-se nas mãos de colecionadores. Artista plástico – Magela Borbagatto desenvolve um trabalho diferente em Jacareí. Ele prefere ensinar a produzir as peças em seu ateliê. “Eu caminhei para área da instrução”. Lembra ele que ensinou em todos os bairros da cidade. Atualmente, desenvolve um trabalho de empapelamento no bairro Jardim Pedramar, na Associação Amigos do Morro, onde 20 alunos concluem seus trabalhos para possível exposição no Museu de Antropologia. Além de se dedicar às paulistinhas, Magela faz trabalhos de oratórios, casarios e pinturas. O tema sempre é o Vale do Paraíba. Porém, o forte desse artista plástico autodidata é imagem cerâmica figurativa. Além dos trabalhos do “Amigos do Morro”, ele deverá expor um pouco do que produziu numa mostra na Fundação Cultural de Jacareí.


Jacareiense Nota Dez Nome - Wanderley dos Santos / Ocupação - pastor / Atitude - realiza palestras e encontros com adolescentes para tirá-los do contato com as drogas BuzzImagem

Ele propõe o resgate de valores perdidos nos últimos tempos por uma sociedade que valoriza mais o consumo que a relação entre pessoas. Com 20 anos atendendo jovens na Comunidade Vida Nova, o pastor Wanderley dos Santos, 54 anos, conhece bem os adolescentes. Ele conhece melhor que ninguém os motivos que arrastam a maioria para o mundo das drogas e do crime. Segundo ele, o problema começa em lares desfeitos, e muitos deles extravasam na escola, cuja missão é instruir e não educar. A barreira entre pais e filhos, diz, obriga os adolescentes a procurar respostas nas ruas. Ele ressalta ainda a existência de uma sociedade consumista que contribui muito para distanciar o jovem de um convívio harmonioso com sua família. Pai de quatro filhos, Santos quer uma solução “agora” para recuperar os jovens. Ele desenvolveu o Projeto Amar, que é dividido em duas etapas – a primeira é “Pais


para toda vida” e a segunda é “First Push” (primeiro impulso, na tradução para o português). O foco principal é o jovem. Ele promove palestras gratuitas nas escolas interessadas. Todo trabalho acontece sem vínculo religioso ou partidário, com a equipe de 40 pessoas que compõe a Comunidade Vida Nova. Os custos são bancados pelos membros da comunidade que realizam diversos eventos como festa do pastel, açaí, entre outros, para conseguir recursos. Segundo Santos, a comunidade possui toda estrutura necessária para realizar eventos. Além das palestras, acontecem ainda encontros com jovens em diferentes locais da cidade. O próximo será no dia 30 de novembro, com entrada gratuita. Numa única semana, Santos recorda ter atraído cerca de 800 adolescentes para suas palestras. O grande chamariz desses encontros são as apresentações musicais.

Além da música, o teatro é outra ferramenta escolhida pela comunidade para falar diretamente com a juventude.

Pais - O “Pais para toda vida” é a realização de palestras com os pais. Segundo Santos, são abordados temas que apresentam ferramentas para que os pais utilizem no dia a dia no convívio com os filhos. Ele, por exemplo, questiona com os pais o que é mais importante: o dinheiro ou o amor? Com isto, propõe o resgate de valores perdidos nos últimos tempos por uma sociedade que valoriza mais o consumo que a relação entre pessoas. Em outra parte das palestras, ele cha-

ma a atenção dos pais para que participem mais da vida do filho. Na internet, por exemplo, Santos diz que o pai compra um microcomputador para o filho, mas não se preocupa em saber o que ele faz quando visita um website. Por isto, os pais são motivados a se atualizar no mundo da informática e dividir com os filhos esse novo mundo que compõe o século 21. “Não temos como controlar, mas pelo menos o pai estará mais presente na vida do filho”. Para o idealizador do projeto, o pai precisa entender e ser entendido pelos jovens. O “Pais para toda vida” é uma forma de tratar o problema antes, de forma

organizada e não ficar esperando para ver o que vai acontecer. “Se plantar uma boa semente no asfalto, ela não vingará. Ela precisa ser lançada numa terra preparada – daí, o resultado será diferente”. Do mesmo modo, Santos faz essa analogia com os pais dizendo que os filhos precisam ser felizes para que se tornem cidadãos honestos e preparados. Impulso – Na segunda etapa do projeto,

o primeiro contato com os jovens já começa pelo nome do evento: First Push. Essa atração é desenvolvida em palestras gratuitas nas escolas. Umas das primeiras a receber o First Push foi a escola Verdinho (Professor Francisco Ferreira). A Vida Nova começou essa relação com a juventude em 1993, com a apresentação de grupos musicais nas praças. Nas palestras, eles fazem questão de ressaltar que o projeto não tem vínculo religioso, comercial ou político. Segundo Santos, algumas escolas têm receio de chamar a comunidade para palestra por temerem “outras intenções” de seus participantes. A escola é apenas o ponto de partida. O retiro com muita música e diversão é uma forma de acompanhar o jovem que esteve numa palestra na escola. Com os pais ou diretamente com os reais envolvidos, o objetivo de Santos é melhorar a relação na família e impedir que o adolescente entre para a triste estatística dos crimes envolvendo menores de idade. Projeto Amar Contato - (12) 3953-7208 ou 98848-5967


Turma comemora 50 anos do Tiro de Guerra

Fotos: Luiz Machado

Foto de 50 anos da turma 133

Foto de 25 anos da turma 133 INCENTIVO À CULTURA - A Fundação Cultural de Jacareí abrirá inscrições para a LIC (Lei de Incentivo à Cultura) de 9 a 13 de dezembro de 2013. Os interessados devem procurar a Diretoria de Cultura (Pátio dos Trilhos), das 9 às 11 horas e das 14 às 16 horas.

VISITA REAL - O rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, visitou dia 11 de novembro a Fibria, de Jacareí, para conhecer projetos de inovação tecnológica que são desenvolvidos pelo Centro de Tecnologia da empresa, em parceria com instituições científicas suecas. Dentre as pesquisas desenvolvidas, destaca-se o projeto Polynol.

A turma 133 do Tiro de Guerra de Jacareí, que serviu entre 12/2 e 12/11/1963, realizou uma confraternização de 50 anos no dia 27 de outubro. A festa contou com as presenças de: Antonio Nunes de Moraes Neto, Alípio Guedes, Álvaro Guimarães dos Santos, Emídio Marques Mesquita, Luís Carlos Nassif Silva, Paulo Braga, Romeu Mazzeo Jr, Luiz Machado, Hamilton de Oliveira Andrade e José Nestor Pellogia. A reunião foi organizada por José Benedito da Silva (Zé Majolo) e teve apoio de Luiz Gonzaga de Campos. O comandante da época foi o falecido capitão Joaquim Pinheiro do Prado. A turma 133 teve 189 convocados. Na confraternização, compareceram 70 deles.


galinhada A região conhecida como Vale Histórico destaca-se por uma culinária preservada desde o tempo dos tropeiros até os dias atuais. Em Silveiras, por exemplo, existe uma receita típica de galinhada. Um prato que é uma celebração para alguns. A cidade de Paraibuna também aprecia uma boa galinhada. Veja como é feita: Ingredientes 1 frango pequeno 250 gramas de arroz ¼ de xícara de chá de óleo de urucum 4 dentes de alho picados 3 tomates fatiados 1 cebola grande fatiada 2 colheres de chá de sal Cebolinha à gosto Pimenta à gosto Modo de preparo - Comece despejando o óleo de urucum na panela. Quem não tem em casa pode usar o coloral ou o próprio urucum, encontrado moído nos mercados e nas feiras livres. Refogue o alho, a cebola e o tomate. A cebolinha, a pimenta e o sal vão por último. Acrescente o frango. A dona-de-casa que não tiver o frango caipira, pode usar o frango de granja. Só que o frango de granja desmancha mais que o caipira quando se faz a galinhada. Então, é bom dourar bem o frango para que ele não desmanche muito”. O arroz vai para a panela logo depois. Acrescente água morna e espere. Bom apetite. ele não desmanche muito”. O arroz vai para a panela logo depois. Acrescente água morna e espere.

Foto: Divulgação


Nos Jogos Abertos do Interior, o ciclismo de Jacareí consolidou-se como referência no ciclismo nacional após a conquista da medalha de bronze na categoria Geral por Equipes. Dividiu o pódio com as principais equipes do país, ou seja, São José dos Campos Santos, campeã e vice. A equipe jacareiense participou de todas as provas dos Jogos com um time que uniu a experiência de Mauro Aquino e Rubens Donizete à juventude promissora de Felipe Custódio e Rafael Alves. Na prova de velocidade olímpica vieram os primeiros pontos com a 5ª colocação diante de potências do ciclismo de pista. Na prova de Mountain Bike a estratégia da equipe foi imprescindível para o êxito final onde Rubens Donizete conquistou o ouro e Tiago Aroeira o bronze. No último dia, a disputa da disciplina de bicicross foi em Jacareí. Na descida da bateria final, Mauro Aquino, “O campeão”, fez valer toda sua experiência e faturou em casa o tão sonhado ouro para sua cidade natal. Com este resultado Jacareí conquistou o Bronze na classificação por Equipes. A equipe feminina composta por Larissa Castelari (sub-18) e Natalia de Paula (sub-16), duas jovens ainda em formação, foi brilhante diante das feras do ciclismo feminino nacional ao conquistar a sexta colocação na Geral por Equipes. Assim Jacareí encerrou sua participação no ciclismo dos Jogos Abertos 2013 com a certeza de sua vocação para os esportes do pedal, conquistando três medalhas e marcou presença, pela primeira vez na história, no pódio do maior evento esportivo da América Latina. “Os resultados dos Jogos Abertos consolidaram tudo o que conquistamos ao longo da temporada em diversas modalidades e chancelaram a vinda de um Centro de Excelência do Ciclismo para Jacareí, bem como chamaram a atenção de parceiros para desenvolver novos e maiores projetos da modalidade no município” ressaltou Glauber Marques, coordenador da equipe.

Centro de excelência de ciclismo em Jacareí O ciclismo de Jacareí está na expectativa da instalação de um Centro de Excelência de ciclismo modalidade na cidade. O projeto de trazer o “Centro” para Jacareí foi de iniciativa do Clube Jacareí de Ciclismo e conta, desde o início, com o apoio do Deputado Estadual Marco Aurélio e da Prefeitura de Jacareí. A justificativa para a vinda do Centro de Excelência para Jacareí se dá desde o contexto histórico no qual a cidade coleciona títulos em diversas modalidades e categorias de ciclismo como: bicicross, mountain bike, estrada e pista; a forte atuação na formação da juventude a partir da escola de bicicross que já existe no município há mais de 25 anos, além dos projetos de inclusão social e iniciação de crianças e adolescentes, como acontece no “Ciclismo Futuro” e “Pedal na Escola”. O projeto que reivindica o Centro de Excelência para Jacareí foi entregue durante a reunião entre o Deputado Marco Aurélio, a Secretária Municipal de Esportes, Sandra Lopez e o Secretário Adjunto do Estado de São Paulo Clovis Volpi. O projeto Pedal na Escola, desenvolvido pelo Clube Jacareí de Ciclismo em parceria com a Prefeitura Municipal de Jacareí, tem atendido os alunos da EMEF Tito Máximo. Dentre as ações desenvolvidas, fazem parte: aula prática de ciclismo, primeiro pedal (para quem não sabe pedalar), aula audiovisual, visita de atletas da equipe nas escolas e, no dia 30 de novembro, acontecerá uma gincana na própria escola entre os alunos, onde dentre as tarefas eles deverão desenvolver uma peça teatral, arrecadar papel higiênico para entidade assistencial local e pedalar, pedalar, pedalar! As pessoas que desejarem contribuir com a arrecadação de donativos poderão fazê-la na própria escola.

Projeto Pedal na Escola


Buzz # 34 final  

Entrevista com o comerciante Chow Yan Cheong e reportagens sobre a vinda das industrias chinesas, Mestre Magela Borbagatto.

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