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CIP - CONFEDERAÇÃO EMPRESARIAL DE PORTUGAL | ANTÓNIO SARAIVA

dissipados e vão perdurar. Com a quebra, ainda persistente, nas receitas, muitas empresas não conseguirão fazer face às despesas fixas inerentes às suas responsabilidades contratuais, apesar dos apoios à tesouraria que foram concedidos. No último inquérito que fizemos, quase dois terços das empresas disseram antever uma quebra de vendas de cerca de 40 por cento, em média, nestes meses até ao final do ano. Além disso, a maioria revelou que as encomendas em carteira, no início de setembro, também diminuíram 40 por cento. De acordo com todas as evidências, ainda não passámos a fase mais crítica no que diz respeito ao emprego. Nesse sentido, seria avisado que se mantivesse um programa de apoio que estava já a funcionar, em vez de se enveredar por uma reformulação, com novos processos, com mais burocracia e com um novo período de ajustamento. É introduzir ruído num sistema, numa altura em que a rapidez de resposta é fundamental. Limitar os apoios às empresas vai pôr em causa o objetivo proposto de defender postos de trabalho. No meu entender, corremos o risco de não apoiar devidamente o emprego para, a seguir, acabarmos por financiar o desemprego, através da Segurança Social. E no que concerne à resposta da União Europeia, acha que vai ao encontro das expectativas da indústria portuguesa? Julgo que com o acordo sobre o Plano de Recuperação, a União Europeia criou condições – não ideais, mas certamente mais favoráveis – para ultrapassar, em comum, um desafio sem precedentes. Este Plano integra, além de outras vertentes, o objetivo de assegurar a autonomia estratégica da União Europeia, através de uma política industrial dinâmica. Este foco é fundamental, porque o relançamento da indústria portuguesa será parte do relançamento da indústria europeia, ou simplesmente não será uma realidade. É necessário, agora, assegurar que os novos fundos são disponibilizados de forma atempada e aplicados eficazmente, de forma a que saiamos deste período de crise reforçados. No plano nacional, é preciso conceber e aplicar um verdadeiro plano de recuperação que, por um lado, robusteça as empresas, enfraquecidas pelo impacto da crise e, por outro lado, promova a modernização e reorientação de toda a economia, e da indústria em particular, numa visão de longo prazo, em coerência com as opções estratégicas europeias, mas enfrentando os problemas estruturais que ainda travam o crescimento em Portugal.

18 // REVISTA BUSINESS PORTUGAL

António Saraiva foi reeleito presidente da CIP para o triénio 2020-2022. Quais são as prioridades para os próximos anos? As prioridades definidas no programa da CIP para o triénio 2020-2022 mantêm-se, no quadro obviamente mais exigente da recuperação da economia da crise sem precedentes por que está a passar: • A defesa da competitividade das empresas; • A promoção do talento e o desenvolvimento de competências para a era digital; • O desenvolvimento de um Portugal sustentável; • O reforço do movimento associativo. Um dos grandes desafios que os sectores industriais vão enfrentando prende-se com a atração de jovens para as empresas. De que forma será possível contornar este problema? Trata-se de um problema bem identificado no conjunto de propostas apresentado pela CIP no início desta legislatura. Muitas das medidas apresentadas, em diversas frentes, têm presente essa preocupação. Destacaria as medidas de formação e requalificação profissional, para aproximar a oferta e a procura no mercado de trabalho, mas também o lançamento de uma campanha de promoção da indústria nacional junto dos jovens e da comunidade envolvente, para melhorar a perceção da população sobre o trabalho na indústria; as políticas de conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, que constituem uma forte componente no domínio das medidas de atração e retenção dos recursos mais qualificados; as políticas de migração, com o objetivo da atração e integração de ativos com capacidade para serem inseridos nos setores mais necessitados de recursos humanos. Que mensagem gostaria de deixar aos empresários e empresas portugueses? Uma mensagem de apreço e de profundo respeito pelo testemunho de responsabilidade e persistência que têm dado. Uma mensagem de solidariedade, na certeza de que a CIP continuará na linha da frente da defesa dos seus interesses e das suas aspirações. E o pedido para que mantenham, sempre, a coragem de resistir.

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Revista Business Portugal Setembro 2020  

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