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O QUE VOCÊ PRECISA PARA COMEÇAR A ESCREVER

BRASIL Grupos Literários: Qual a importância para o mercado?

Entrevista Samanta Holtz, autora de O Pássaro

EM ALTO E BOM SOM! Tudo o que você precisa saber sobre o mercado literário nacional Brasil Literando - 1


EDITORIAL

EDIÇÃO 01

E NASCE UM VEÍCULO DE COMUNICAÇÃO SOBRE LITERATURA

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cá estamos nós! Um projeto pensado com paixão e feito com carinho. Sejam muito bem-vindos, caros leitores. Estamos hoje no momento mais importante de todo o processo da Brasil Literando, o momento em que ela chega em suas mãos, ou melhor aos seus olhos. Fizemos de tudo para que, da melhor forma possível, esse material fosse apresentado a você com caráter informativo, curioso e dinâmico. A Brasil Literando nasceu da força de vontade de autores que buscam um lugar ao Sol nesse mercado literário tão difícil que é o nosso. Vimos a necessidade de ter um canal feito por quem está passando por todos os desafios de se escrever e divulgar a literatura nacional contemporânea. A Brasil Literando nasceu também pelas mãos de blogueiros maravilhosos, leitores fervorosos que ao longo do último mês se dispuseram a opinar, escrever e ajudar de todas as formas possíveis e sem cobrar nada em troca. Por isso se você é um apaixonado pelo universo das palavras e gostaria de contribuir com um pensamento, um conto, uma arte, uma pauta, uma matéria, fique à vontade. Queremos dar voz e espaço para você. Certamente a próxima edição será diferente, já que vamos buscar aperfeiçoar as matérias, o layout, enfim, vamos buscar melhorar. Você poderá ter acesso a BL baixando o arquivo ou lendo direto no site Issuu. com. Quando encontrar um texto sublinhado, pode clicar, você terá encontrado um link. Viva a era digital! E por favor, nos ajude a propagar essa ideia. Vamos unir forças e mostrar que brasileiro ama ler e escrever, e tem sim força de vontade para trazer mudanças a uma área do nosso país que é tão negligenciada.

A Redação

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Top 05 Mais vendidos Especial - O Mercado Nacional de Livros Opinião dos leitores Blogs Literários

Entrevista com o Eduardo Bonito, editor da Literata Entrevista com Samanta Holtz, escritora de O Pássaro Trechos de Resenhas Arte do Leitor

BRASIL REVISTA BRASIL LITERANDO

BRASIL

Ano: 01 Edição: 01 Mês: Fevereiro Editoras: Josy Tortaro e Lívia Lorena Conselho Editorial: Josy Tortaro, Lívia Lorena, Danilo Barbosa Thalles Marques, Lucas Borges, Elton Moraes, Janaína Rico, Nika Sanc Roxane Norris, Vitor Emmanuell Gisele Galindo, Vanessa Bosso Samanta Holtz, Kamile Girão Nanuka Andrade, Cacá Adriane Renato Klisman, Danilo Barbosa Elaine Velasco, Jéssica Anitelli Elton Moraes, Flavio Galindo Rodolfo Pomini. Arte Lívia Lorena Revisores Thales Marques Elaine Velasco Contato

revistabrasilliterando@gmail.com 2 - Fevereiro 2013


NOVIDADES DE CASA NOVA Jéssica Anitelli, autora da série “O Punhal”, tem dois lançamentos previstos para o ano de 2013. O segundo livro de sua série, “O Ritual” será lançado em abril pela editora Dracaena e no segundo semestre, seu romance erótico, intitulado “Volúpia”, será publicado pela Editora Literata.

MAURÍCIO GOMYDE CRUZANDO AS FRONTEIRAS Maurício Gomyde, autor de O Rosto que Precede o Sonho, O Mundo de Vidro e Ainda Não Te Disse Nada, assinou contrato com uma editora inglesa para a tradução e publicação do seu segundo romance “Ainda não te disse nada” (possivelmente “I Still Haven’t Told You Anything”?). O lançamento será nos países de língua inglesa. Sucesso Maurício! Para saber mais só clicar!

TUDO POR UM POP STAR O romance TUDO POR UM POP STAR, da escritora Thalita Rebouças, que foi adaptado e está em cartaz no teatro, aborda temas como amizade, fama e as loucuras que os fãs fazem por seus ídolos! O livro tenta desvendar o mistério desse amor um tanto esquisito e desenfreado que só fãs conhecem e, para isso, conta a história de Manu, Gabi e Ritinha, três amigas que moram em Resende, no estado do Rio de Janeiro, que poderiam ser descritas como tietes, fãs fanáticas, doidas varridas, sabe-se lá. Enfim, o trio é do tipo que faz tudo por um pop star ;) Para saber mais sobre o musical, acesse: Tudo por um Pop Star

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LISTA DE MAIS VENDIDOS

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ão é nenhuma surpresa que a trilogia “50 Tons” está mesmo com tudo e continua dominando o top. Nem mesmo J. K. Rowling com seu “Morte Súbita” conseguiu se aproximar do fenômeno literário atual. Quem tentou, mas patinou, foi o livro “O Lado Bom da Vida”. Pelo jeito ainda temos muitos “tons de cinza” pela frente.

Cinquenta tons de cinza E. L. James Intrínseca

Cinquenta tons de liberdade E. L. James Intrínseca

5º O lado bom da vida Matthew Quick Intrínseca

The walking dead - O caminho para Woodbury Robert Kirkman/Jay Bonansinga Galera Record

Morte Súbita J. K. Rowling Nova Fronteira

Toda sua Silvia Day Paralela

Cinquenta tons mais escuros E. L. James Intrínseca

Profundamente sua Silvia Day Paralela

As 25 leis bíblicas do sucesso William Douglas/ Rubens Teixeira Sextante Fonte publishnews.com.br

4 - Fevereiro 2013


UMA SEMANA PARA OS NACIONAIS Diante da constatação de que poucas editoras – dá para contar em uma mão – investem no lançamento de autores e obras de anônimos, uma ação impactante se faz necessária. Mas, por que elas não investem? Lançar um novo autor exige um pesado investimento e o risco é muito alto em comparação com os livros de fora que já são um grande sucesso. Falou-se muito sobre motivos. Que livros nacionais não vendem, que há pouca publicidade, que leitores tem preconceito de nacionais e não compram. Tudo bem. Mas, diante de tudo isso, o que pode ser feito? Um grupo de autores, juntamente com blogueiros, editoras e livrarias, está organizando uma semana a fim de promover somente obras nacionais. Dessa forma, os leitores terão maior informação, acesso e conhecimento sobre as obras modernas que são lançadas em vários cantos do nosso Brasil. A primeira edição da Semana do Livro Nacional ocorrerá entre 20 e 28 de julho deste ano e contará com eventos, publicidade, palestras, bate-papo com autor e muito mais. Os idealizadores pretendem realizá-la anualmente, cada vez com mais apoiadores. Seja um leitor que tem o privilégio de se encontrar pessoalmente com autores e ter um livro autografado. Para tornar-se um apoiador acesse a página do projeto e se inscreva.

Site: http://semanadolivronacional.blogspot.com.br FanPage: www.facebook.com/SemanaDoLivroNacional Twitter: @SemanaDoLivroBr E-mail: semanadolivronacional@gmail.com Brasil Literando - 5


CANTO DO AUTOR ESPECIAL POR ROXANE NORRIS

O SER PUBLICADO

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lá amores, eu confesso que vim cheia de ideias para falar nesse pedacinho só nosso, mas, quando me deparei com a folha em branco, elas me pareceram um tanto confusas, se eu apenas me dispusesse a despejá-las aqui. Assim, eu parei, respirei fundo e divaguei — quer coisa melhor que um autor saiba fazer? — Não, querido, não tem! Então, comecei a organizar meu ponto de partida. E foi justamente nessa pergunta que eu empaquei: já parou para pensar a diferença entre autor e escritor? Por definição, escritor é todo aquele que se expressa através da arte da escrita, ou, tradicionalmente falando, da Literatura. Embora o autor não fuja muito dessa síntese, é sempre o indivíduo que fez, o que criou. O autor, em relação à Literatura ou outro tipo de arte, é aquele a quem se deve uma obra. Dessa forma, quando ainda estamos na busca de nossos sonhos, procurando por alguém que acredite neles, somos aqueles que ainda almejamos a autoria. E essa é a nossa barreira mais difícil, aquela à qual nos apegamos com afinco de vencer e nos é decisiva. Qual escritor já não recebeu um “não” e quis deitar por terra todo esforço empreendido? Não és único e nem serás o último. É o maior receio do escritor, e sempre será, porque a cada obra a ser lançada, é como se ele retornasse ao princípio. Com a crescente demanda aquecida pelos novos escritores brasileiros, o mercado editorial se viu também inserido nessa suculenta e atrativa máquina de giro fácil quando bem azeitada pelas ofertas tentadoras de self-publishing, ou seja, onde você mesmo se publica. A editora está ali, dando-lhe o suposto suporte necessário — digo suposto, porque muitas não cabem nesse conceito. Veremos adiante um exemplo. — e você, autor, está investindo em si mesmo. O que isso tem de mais? Absolutamente nada! Apesar do escritor ter, sempre, o sonho de ser publicado por uma grande editora, a realidade é bem diferente da vontade. Em nosso mercado voltado exclusivamente ao consumo da propaganda internacional, nós, iniciantes, contamos com muito pouco da máquina ao nosso favor e se formos ficar de braços cruzados esperando que nos descubram, seremos eternos frustrados. Então, não sou contra em hipótese nenhuma ao nos editarmos, mas há de se entender que todo um empreendimento tem seus riscos. E no editorial, não é diferente. Há cerca de um ano a Editora Canápe surgiu, dentro dessa proposta. Fomentando cultura e lançando autores, muitos com certa bagagem literária. Todavia, ainda que contasse com escritórios no exterior, vimos a editora arrecadar uma boa quantia e sumir no ar. E, pasmem, não só dos autores em lançamento, como daqueles que acreditaram na sua proposta para locação de espaço destinado à autógrafos na Bienal de Belo Horizonte 2012. O grupo de autores pagou um boa quantia para estar presente, mas o estande ficou fechado, sem pagamento, e com apenas uma breve nota por parte da

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editora aos que haviam sido lesados. Breve nota sem ressarcimento, ao que consta. O mesmo ocorreu com o autor de Redes Sensuais, L. Midas, que deixou sua insatisfação expressa nesse comentário postado numa rede social: Senhores e senhoras, o meu livro Redes Sensuais teria sido publicado pela Editora Canápe, já que pela figura de sua editora foi-me apresentada a proposta de um esquema de 5050% custos e lucros. Aos poucos, com a desculpa de que imprimiríamos um número grande de exemplares, entre 2 a 3 mil, ela me aliviou em 8 mil Reais. Pois bem, preparei cuidadosamente o lançamento em Belo Horizonte, tendo gasto ainda mais 2 mil reais com assessoria de imprensa, material de divulgação, etc. Duas semanas antes do referido lançamento, ela não mais atendeu celular ou respondeu e-mails. O lançamento foi um total fracasso (como poderia ser sucesso sem o livro?) sem contar a vergonha de enfrentar uma dezena de amigos que não encontrava há mais de 25 anos (não moro no Brasil, portanto convidei muitos excolegas de primeiro e segundo grau que encontrei através do Facebook). Bem, resta a mim agora procurar uma nova editora - trata-se de um livro de ficção, romance bem tórrido, caso alguém se interesse - e mover um processo contra a tal editora Canápe. E também avisar a todos os incautos que uma pessoa deste nível está à solta no meio editorial. Abraços, L. Midas Fico feliz de poder dizer que Redes Sensuais já está sendo editado pela Editora Pimenta Malagueta. Reservei-me o direito de excluir o nome da diretora da Canápe, assim como dos meus colegas que tiveram problemas com o estande, já que essa matéria não tem por objetivo a denúncia e, sim, o alerta. Cuide de seu livro como um filho mesmo, busque saber mais e mais sobre seu empreendimento. Caso tudo lhe pareça extremamente fácil, questione. O mais barato pode não ser tão bom, e o mais caro, pode se revelar um presente de grego. Tudo na vida de um escritor é batalha constante, suor, lágrimas de tristeza e alegria; é custoso. É união também, não se engane. Se eu estou aqui lhe dizendo isso, é porque me importo com você. Porque também já passei por isso e tive minhas agruras. No fundo, vale a pena cada pedrinha no caminho, cada pulo que você deu, mas seu caminho apenas começou.

Roxane Norris, escritora dos livros Immortales e Youkai, da editora Baraúna e Literata respectivamente. Para saber mais dos seus trabalhos clique aqui.


E ACONTECEU... POR ANA LYOKO E ALLAN CUTRIM

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os sentimos honrados de termos sido convidados a participar desse projeto para cobrir a área de eventos! Esperamos que gostem e que nos encontremos em breve!!! Muito bem! Para começar falaremos de dois eventos que rolaram em Janeiro. O primeiro foi o “Livros em Pauta”. É um grande evento que reúne autores, blogueiros, editoras, leitores e outras pessoas do ramo literário. Ele dura um dia inteiro e vários bate-papos são distribuídos ao longo do dia. Um dos primeiros foi o debate sobre o livro Bate-papo Literário 1984. Nele, Alfer Medeiros abordou como podemos ser ane (Autora da Série “The Last”), Chico Anes (Autor de suscetíveis à influência da mídia em nossas escolhas. In- “O sonho de Eva”), Felipe Colbert (Autor de “Ponto Cego” cluindo compra de livros. Muito Interessante. e “A última nota” – Em parceira com Lu Piras, que infeHouve também um bate-papo sobre mercado lizmente não pode estar presente), John Felix (autor da editorial onde cada participante se apresentou. Deu pra série “Noturno”), Laura Conrado (Autora de “Freud, me conhecer vários profissionais da área e como é o “outro tira dessa!”), Mauricio Gomyde (autor de “O rosto que lado” de uma publicação. precede o sonho”, “Ainda não te disse nada” e “O mun Mais tarde, um dos debates mais “lotados” que do de vidro”), Ricardo Valverde (Autor da série “2012”), era justamente sobre Blogs Literários. Foi bem diver- Samanta Holtz (autora de “O Passáro” e “Quero ser Beth tido, apontando tanto o lado das editoras, como dos Levitt”), Silva Fernanda (autora de “30 Dias com Camila”) blogueiros, autores e leitores (já que a plateia era bem e Thayane Gaspar (autora de “Princesa do Gelo”). Foram participativa). Foi interessante ver vários pontos de vista apresentados os autores, seus livros, a experiência de ali. E por ter um pouco de cada área, ninguém ficou sem cada um no ramo literário, como chegaram a virar autores chance de falar seu lado da história, o que foi bem legal. e muito mais! Houve um concurso de Cosplay, que devido a Houve muitos brindes graças aos autores presenchuva não teve muito sucesso, mas foi bem legal. Foi tes que doaram coletâneas, seus livros, brindes, marcauma boa oportunidade para comprar, ganhar, conversar e dores entre outros para fazer os Kits! Quase todo mundo conhecer toda a galera do ramo literário das mais diversas levou um! Até mesmo os autores da mesa! áreas. Vale muito a pena ir! Logo depois foi feito uma abertura para os au Pois bem, na semana seguinte a esse evento, tores autografarem seus livros, falar com os leitores e houve o tão esperado “Bate-papo sobre Literatura Nacio- comentar também! Cada um deles foi muito simpático e nal” organizado pela fofa da Larissa Sposito. O evento foi gentil com todos! Adorei todos e espero poder ler a obra grandioso, contou com a participação de diversos autores de cada um! e leitores. Houve um pouco de confusão devido ao espa- Bem, depois do evento, ainda houve um “eventoço, mas pra quem teve um pouquinho de paciência, sabe pós-evento”. Que nada mais foi do que a comemoração que logo foi resolvido! do aniversário da própria organizadora, com o da Cacá Na mesa contamos com a presença de Cacá Adri- Adriane e Lu Piras (bem, no caso dela só em representação mesmo...) que fizeram aniversário naquela semana. Quem foi pode conversar mais abertamente e com mais tranquilidade com os autores. Os dois eventos me deixaram muito feliz, conheci tanta gente que se for colocar o nome, daria um livro inteiro! (hehe). Todos foram super educados, divertidos, gentis, foram incríveis! Espero poder encontrá-los mais! Agora, também espero encontrar vocês nos próximos eventos! Até lá! . Livros em Pauta

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ESPECIAL

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MERCADO

DE LIVROS

NO BRASIL: UM PRATO QUE SE COME

QUENTE POR JOSY TORTARO E LÍVIA LORENA Brasil Literando - 9


MUITOS E MUITOS A N O S A T R Á S ESPECIAL

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uando hoje entramos numa livraria, não imaginamos o caminho histórico que o mercado literário percorreu para que pudéssemos ter o desejo de ler livros atendido. Muito antes de Rowling, Meyer e “ausência de cores”, lá nos primeiros dois anos do período colonial, a tipografia foi introduzida no Brasil pelos holandeses, mas tomou corpo, por intermédio de je-

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suítas, que tinham intuito de disseminar a evangelização entre os habitantes da terrinha. Tem-se notícia de que a primeira impressora a de fato funcionar na Colônia, entrou em operação no Rio de Janeiro, sob os cuidados do então governador Gomes Freire de Andrade, que estava interessado em estimular a intelectualidade e a arte na capital. No entanto o que os responsáveis pela tipografia não esperavam, eram a proibição da impressão de folhetos, pela Coroa E a primeira “impressora” era assim... Portuguesa, visto que sem controle, os textos poderiam conter apologias políticas e principalmente religiosa. Três anos mais tarde de tal proibição, Antônio Isidoro da Fonseca, reconhecido tipógrafo de Lisboa, voltou a pedir permissão para trazer a impressora à tona novamente, prometendo não usá-la sem as usuais licenças que na época eram em grande maioria eclesiásticas. Isidoro só não contava que seu pedido fosse negado e podemos perceber, lendo tais passagens históricas, uma pincelada da censura. Uma censura até então mascarada pela Coroa que, longe da Colônia, não poderia ter controle sobre o que era ou não dito nos impressos que seriam mais facilmente espalhados que manuscritos. Assim, todos os originais brasileiros passaram a ser feitos na Europa ou permaneceram feitos à mão. Ainda que não existisse algo a ser chamado “Mercado Literário”, havia


“...A LEITURA DESDE SEMPRE, FOI DIRECIONADA A UM PÚBLICO MAIS ABASTADO E COM RECURSOS....” trouxe consigo 60 mil volumes da Biblioteca Real. Instalados na nova capital, Rio de Janeiro, Dom João VI e seus ministros criaram, entre os demais empreendimentos, a Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional, em 1810. O impacto provocou um auno Rio de janeiro duas Livrarias que tinham em seus mento do número de livrarias, de duas existentes em catálogos livros religiosos e de medicina e boa parte 1808 (as de Paulo Martim e Manuel Jorge da Silva), deles chegavam ao brasil contrabandeados. Quando para cinco em 1809. tomei conhecimento de tal fato, fiquei pensando que desde aquela época, certamente muitos romances RIO DE JANEIRO: PRECURSOR DO MERCADO já circulavam pelas ruas cariocas, muitos “Tons de LITERÁRIO Então em 15 de fevereiro de 1821, quando a Cinza” certamente, mas todos protegidos pelas mais nova Constituição Portuguesa foi adotada, abolindo tortas e ilegais formas de distribuição. a censura prévia (olha a censura aí), logo surgiram inúmeros textos políticos, ainda mais com o fato de A BIBLIOTECA NACIONAL Em 1808, quando a família real, por pressão que deixou também de haver monopólio por parte da invasão napoleônica, transferiu-se para o Brasil, da impressão, antes feita somente pela imprensa do governo. Nessa época, o mercado literário nacional resumia-se à cidade do Rio de Janeiro e, em meados dos anos 1840, a cidade se mostrou soberana no ramo, a despeito de outras províncias como São Paulo. Não muito distante de tais acontecimentos, em 1831, Francisco de Paula Brito comprou um pequeno estabelecimento na Praça da Constituição, 51, que servia como papelaria, oficina de encadernação e casa de chás. Ali, o então comerciante instalou um prelo e em 1833, já possuía dois estabelecimentos do gênero. Toda a elite da época, entre políticos, artistas e líderes, reunia-se na “Livraria de Paula Brito”.

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Foi o comerciante também quem publicou a primeira revista feminina da época chamada “A Mulher do Simplício”, ou “A Fluminense Exaltada”.

se lê em média 1,9 livros por ano! Claro que conheço pessoas que leem 1 livro por dia – sim eu conheço – e essas são o contraponto dessa massa que ainda não tem acesso ou simplesmente não se interessa SÃO PAULO por livros. Para se ter uma ideia do atraso, Vitor Tava No início do século XIX, Carvalho, futuro Mar- res, presidente da ANL, exemplifica: “Na Argentina, quês de Monte Alegre, importou uma impressora e se lê em torno de cinco. No Chile, três. Na Colômbia, um impressor, e produziu o primeiro jornal da provín- se lê 2,5 livros por ano”. Outra coisa que impede o cia, “O Farol Paulistano”. boom completo desse mercado é a centralização, já Em 1827, a cidade de São Paulo foi escolhida que cada vez mais vemos novos empreendimentos para abrigar uma das duas escolas de Direito do país, do ramo nas grandes cidades, enquanto em muitas e a vida estudantil acabou por transformar a cidade. cidades pequenas não temos sequer uma biblioteca, imagine uma livraria! Tem muito blogueiro que CHEGANDO AO SÉCULO XX reclama da falta de um bom reduto para leitores per Agora que você já tem uma ideia de como to de sua casa, e eu falo de um reduto aconchegantudo começou, vamos avançar na história e pousar te, convidativo, que traga aos habitantes o mesmo sobre o pré-modernismo e o modernismo, onde sur- interesse que eles teriam por um barzinho ou um giram autores dispostos a retratar obras literárias parque. Aqui em São Paulo, por exemplo, conheço mais regionalistas, positivistas e valorizando os pessoas que marcam de passar a tarde em livrarias, problemas sociais da época. Foi nesse período tam- tomando café, folheando, conversando. Ok. Isso é bém que teve início a Semana de Arte Moderna, em outra história. 1922. Aqui as características mais marcantes são o nacionalismo, abordagem de temas cotidianos, linguagem mais humorística e textos mais diretos, se aproximando mais da realidade em que o país estava adentrando. Percebemos que o mercado até então sofreu transformações rápidas, que perduraram por longos anos. Claro que há dois séculos, as pessoas não dispunham de meios de comunicação tão eficientes, mas vemos que a leitura desde sempre, foi direcionada a um público mais abastado e com recursos, já que os preços de produção dos livros eram mais caros e existiam poucas editoras e livrarias para comercializá-los. Em meados da década de 80, esse cenário começou a tomar a forma que conhecemos hoje, com a entrada de novas editoras no mercado literário brasileiro. Muitas empresas, que atadas ao passado não evoluíram, desapareceram ou foram incorporadas a outras editoras e livrarias. Hoje a Câmara Brasileira do Livro (CBL) tem cadastrada cerca de 659 editoras e isso talvez ainda seja pouco para um mercado que tem tanto potencial e cujos governos só passaram a dar a devida atenção a pouco. Vemos ainda, que mesmo ante tanto potencial, o brasileiro lê pouco se comparado a outras nações. Conheço pessoas que não chegam a ler um livro por ano e isso não é um fato isolado, pois segundo a Associação Nacional de Livrarias (ANL), aqui

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PRINCIPAIS PROBLEMAS DA CADEIA DO LIVRO* *Gerência Setorial de Comércio e Serviços Política Industrial

- Não existe uma política industrial que contemple a cadeia do livro; - Existência de dois Ministérios diferentes, ambos comprando livros para as bibliotecas e ensino fundamental; Apoio financeiro - Não há um programa de fomento que considere a cadeia editorial como um todo; - Fracasso do programa de incentivo à produção de livros; - O apoio é dado à operações financeiras clássicas; Recursos Humanos - Não há programas específicos de preparação da mão-de-obra para a cadeia; Autores Nacionais - Não se estimula a produção intelectual dos autores brasileiros; Leitura - Falta de hábito de leitura; - Falta de incentivo à leitura; - Pouca escolaridade do brasileiro; - Falta de acesso ao livro; - devido aos problemas ligados a preço, bibliotecas, escolas, distribuição e varejo; Preço - O livro é muito caro; - Baixa tiragem dos livros brasileiros; Bibliotecas - A maioria dos municípios é carente de bibliotecas; - Despreparo das bibliotecas, sendo que apenas 356 possuem computador; - Desconhecimento do acervo, da performance, e dos resultados das bibliotecas; - Falta de um grande plano integrado, para atuação das bibliotecas; - Ações apenas pontuais, no que se refere às bibliotecas; - Carência de bibliotecas, em escolas;

- Quase a totalidade do público, das bibliotecas públicas, são de estudantes; - Inadequação de bibliotecas escolares; - A carreira de bibliotecário não existe nas escolas; - As bibliotecas não funcionam como um centro de informação e intercâmbio cultural; Escolas - A leitura é mal trabalhada na escola; Mercado - Existência de um elevado contingente de pessoas, que não adquirem qualquer livro; - Baixo consumo “per capita”; - Mercado pulverizado; - Mercado pouco explorado; - Os leitores não são atendidos nas suas expectativas; - Trabalha-se com conceitos vagos, ao se tratar de livro e leitura; - Carência de estudos e pesquisas de mercado, sobre promoção, publicidade, vendas, etc; Editoras - Baixo nível de capitalização da maioria das empresas; - Poucas empresas de capital aberto; - Empresas com gestão familiar; Distribuição - Distribuição deficiente; - Desconhecimento de logística, - Elevado custo de transporte; Varejo - Lacuna entre o que é produzido e o que é mostrado; - A maioria dos municípios é carente de livrarias; - Só há livrarias nas capitais e nas principais cidades; - Mesmo nas capitais e principais cidades, são poucos os pontos de vendas; - As práticas de vendas no varejo são ultrapassadas; - Existe grande diferença cultural entre o vendedor e o comprador;

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ESPECIAL

OS LIVROS COMERCIALIZADOS Aqui vamos cair na dura verdade que muitos escritores brasileiros sabem de cor: A grande maioria dos livros vendidos no Brasil são importados. Vamos as razões que talvez você saiba, mas muitas pessoas não conhecem: Livros são caros! Sim. E livros feitos aqui mais ainda! Essa é uma máxima que muitos sabem, mas não confirmam. As razões disso são bem simples, pois se baseiam na verdade de que os livros que chegam aqui geralmente são em grandes tiragens, o que reduz e muito alguns custos. Outra verdade é que os livros estrangeiros que aqui aportam muito provavelmente são títulos de sucesso lá fora, o que eleva bastante as possibilidades de sucesso aqui dentro. Prova é, que eu tenho receio de que se um autor brasileiro publicasse sua obra lá fora e ela então, chegasse no Brasil já um sucesso – não vamos contar o Paulo Coelho – a probabilidade dela realmente emplacar seriam bem grandes, pelas questões citadas acima. PENSA COMIGO: Um livro que vem de um sucesso estrondoso ao redor do mundo chega aqui com uma tiragem inicial esgotada de 100.000 exemplares. Quase sempre quando chegam, os livros estão esgotados. A editora então investe uma boa fortuna em comunicação e publicidade – o que só aumenta ainda mais o sucesso da obra em questão. No final, antes mesmo do livro chegar nas suas mãos, os fornecedores de papel, gráficas e distribuidoras já estão teoricamente pagas.

O QUE VOCÊ PRECISA SABER... Dez editoras detêm juntas 30% do faturamento do mercado de livros no nosso país. Esse dado é resultado de um estudo inédito feito pela GfK abrangendo todas as facetas, como livrarias, sites, e demais pontos de vendas, no formato tradicional, e-book, e áudio books. Mais de 4.500 empresas fizeram parte da pesquisa, realizada nos primeiros meses do ano passado. Os dados apontam também que os livros de não ficção foram os preferidos dos brasileiros representando 61% dos exemplares vendidos. As obras de ficção correspondem a 22,9% e os livros infantis, 16%.

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O MERCADO DO LIVRO É DIVIDIDO DA SEGUINTE FORMA

Livros

Livros

Livros

Didáticos

Religiosos

Obras gerais

Científicos, técnicos e profissionais

26,36% do faturamento e 30,04% dos exemplares

19,37% do faturamento e 11,44% dos exemplares

41,09% do faturamento e 34,76% dos exemplares.

13,18% do faturamento e 23,76% dos exemplares

Livros

Com livros nacionais, de autores que muitas vezes bom suporte editorial, o que possibilitou se tornarem estão começando a publicar agora, temos um camin- obras conhecidas no mundo todo. ho quase contrário, já que pra começar – mesmo que a publicação não seja paga pelo próprio autor – as AS EDITORAS tiragens são relativamente baixas, o que encarece o Como você percebeu no decorrer do texto, preço de produção. Além disso, não é segredo que o mercado que antes era dominado por poucos, se por sermos uma nação com o território de propor- tornou grande o suficiente ao ponto de chamar a ções continentais, a distribuição é cara e se torna mais atenção de muita gente. Não podemos negar, que ape ainda se você pensar que os investimentos não são lá grandes coisas. Talvez se fossemos pensar como empresários, concordássemos com as afirmações de que livro de autor COMO É A DISTRIBUIÇÃO DO PREÇO DE CAPA: brasileiro não vende, entretanto, não tem como um pobre assalariado se destacar como uma J.K Rowling sem o investimento massivo que as obras da britânica tiveram. O que vemos hoje são grandes editoras apostando alto – muito alto – em lançamentos de fora, que já chegam aqui com promessa de venda quase que garantida, ao invés de apostar – também alto - em títulos nacionais que muitas vezes possuem potencial igual ou maior. Afinal, os grandes suces- s o s começaram assim, com uma aposta comercial e, com o investimento garantido, credibilidade e um Brasil Literando - 15


OS NÚMEROS QUANTO À DISTRIBUIÇÃO:

OS TRÊS JUNTOS REPRESENTAM 84,62% DAS VENDAS DE LIVROS NO PAÍS.

-sar de termos desde sempre muitos escritores amadores, a entrada e a disseminação da leitura através de livros importados foi fundamental para o panorama que temos hoje. Por conta disso é oportuno o surgimento de muitas editoras menores, que sem capital ou oportunidade para comprar direitos de obras estrangeiras, preferiram e optaram por dar a primeira chance real ao mercado de livros nacionais. Hoje são muitas as editoras que trabalham exclusivamente com autores brasileiros ou selos de grandes editoras que se dedicam exclusivamente a isso, facilitando o acesso dos mesmos a profissionais como capistas, revisores, assessores de impresa e no final, dando toda a assistência quanto a distribuição e venda. Claro que nem tudo é perfeito e geralmente todos esses serviços saem por preços bem altos, o que ainda breca a maior proliferação de textos nacionais e, consequentemente, o surgimento de “prodígios”. Há hoje em dia também editoras que trabalham com impressão por demanda, o que apesar de encarecer ainda mais o material final, dá a possibilidade de qualquer pessoa com acesso a internet e noções de 16 - Fevereiro 2013

diagramação e arte, publicar seu livro, sem depender de um intermediário maior. Se hoje vemos pipocar pelas redes sociais e sites dedicados a literatura uma infinidade de livros nacionais, devemos agradecer aos que de coração se dedicam e apostam que num país tão grande como o nosso, temos escondidos por aí muitos artistas – escrever para mim é uma arte –

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS LIVRARIAS DO PAÍS EM NÚMEROS DE LOJAS? Saraiva (base SP) 100 lojas Laselva (base SP) considerei apenas uma por aeroporto 38 lojas Leitura (base MG) 26 lojas Livrarias Curitiba (base PR) 17 lojas Cultura (base SP) + 3 em 2010 9 lojas Fnac (base SP) 9 lojas Travessa (base RJ) 7 lojas


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ESPECIAL

PROPOSTAS PARA DESENVOLVIMENTO DA CADEIA DO LIVRO* *Gerência Setorial de Comércio e Serviços

Política Nacional para a Indústria do livro - Elaborar um planejamento dotado de metas quantificáveis e verificáveis, como o aumento do consumo “per capita”, com programas bem elaborados e investimentos bem alocados; - Criação da lei do livro; - Estabelecer um plano anual de difusão do livro; - Plano de incentivo à cultura; - Priorizar os investimentos em educação; - Estimular a demanda doméstica; - Criar mecanismos estruturais de incentivo ao setor; - Estabelecer incentivos fiscais a empresas que baratearem o livro; - Articular o apoio de entidades como Sesc, Senac, e de órgãos estaduais, como as Secretarias de Educação e Cultura; - Estimular as parcerias entre as diversas esferas do governo; Apoio Financeiro - Criação de um fundo, composto por várias fontes de capital (governos, BID, BIRD e lei Rouanet); - Criação de linhas de crédito específicas, nas instituições públicas de fomento; - Contemplar o financiamento das necessidades líquidas de capital de giro, bem como de pesquisas setoriais; - Priorizar a distribuição e as livrarias; - Financiar a modernização industrial; - Financiar a produção; Recursos Humanos - Formar, capacitar e aperfeiçoar a mão-de-obra de toda a cadeia produtiva, com a criação de cursos, escola de livreiros, etc; Autores Nacionais - Estimular a produção intelectual dos escritores e autores brasileiros, com iniciativas como o estabelecimento de prêmios nacionais; Leitura - Democratização dos livros; - Lançamento de títulos a preços reduzidos, como edições populares, vendidas em bancas de jornais; - Priorizar as crianças, mas despertar a valorização da leitura por toda a sociedade; - Utilizar todas as mídias para divulgação, principalmente a televisão; - Estimular a leitura em escolas, lares e bibliotecas; - Divulgar os lugares e as formas de obtenção de material para leitura, desenvolvendo, estrategicamente, o hábito de leitura, com revistas, jornais, livros infantis e juvenis, e até leituras mais sofisticadas; - Realizar eventos que promovam os livros e a leitura; - Incentivar a realização de programas de leitura em todos os municípios e comunidades; - Implementar feiras regionais, adaptadas às características locais; - Realizar campanhas promocionais do livro; - Divulgar e promover o Dia nacional do livro e da leitura (29 de outubro); - Participação do país em feiras internacionais; - Criar feiras permanentes;

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Preço - Redução do preço dos livros; - Aumentar a tiragem dos livros; - Disseminar um maior interesse, entre editores e livreiros, em vender livros mais baratos; Bibliotecas - Instalar bibliotecas, proporcionalmente ao número de habitantes, com, pelo menos, uma, nos municípios menores; - Modernizar as bibliotecas públicas, escolares e universitárias, com atualização tecnológica e renovação de acervos; - Disponibilizar, na biblioteca, os livros lançados; - Socializar a biblioteca, franqueando-as às comunidades; - Divulgar a existência das bibliotecas; - Cultuar o hábito das pessoas em frequentarem bibliotecas; - Criar videotecas, nas bibliotecas; - Criar associações de amigos da biblioteca, para interagir com a comunidade; - Aperfeiçoar os funcionários das bibliotecas; Escolas - Enfatizar a preocupação com o desenvolvimento do hábito de leitura, tornando-a significativa e frequente; - Renovar a prática de leitura, em sala de aula; Mercado Aprofundar o conhecimento acerca dos perfis do leitor brasileiro, com pesquisas periódicas sobre: - formas de acesso ao livro, no Brasil, identificando o número de escolas, bibliotecas, livrarias, bancas de jornais, etc; - as motivações de leitura, como diversão, informação, obrigação escolar, obrigação profissional, contatos com doutrinas de espiritualidade, etc; - realizar campanhas promocionais, envolvendo editoras, livrarias, pontos de venda, escolas, bibliotecas, etc; Editoras - Trabalhar com qualidade, quantidade, preço e variedade, para todas as faixas de mercado, e em todo o conjunto, do papel à capa, do texto à diagramação; - Buscar nichos de mercado; - Promover parcerias com outras empresas e entidades, como as universidades; Distribuição - Aprimorar a distribuição; - Efetuar pesquisas sobre as principais características da distribuição, seus principais problemas, etc; - Aprofundar o conhecimento sobre as estratégias logísticas; Varejo - Tornar-se, cada vez mais, um local de convívio social e de troca de experiências humanas; - Oferecer outros atrativos, atraindo o público com eventos alternativos, como musicais noturnos; - Incrementar a oferta de livrarias e mega livrarias; - Estar focado no seu público alvo; - Expandir-se para o interior dos Estados e do país.


pedras brutas que precisam ser lapidadas. Já citei algumas das dificuldades enfrentadas pelos livros nacionais e seus autores, mas vamos ressaltar que existe também uma falta de interesse do governo em dar maior apoio a esse mercado tão promissor. Infelizmente o que vemos no Brasil é que o conhecimento apesar de ser direito de todos, é caro, muito caro e foge do que muitas vezes o cidadão precisa para viver. Seja um livro nacional ou não, gastar dinheiro com eles ainda é artigo de luxo pra grande parte da população. Aí você deve se perguntar: Mas e as bibliotecas? Quando eu era criança, sempre tive carteirinha na biblioteca do bairro e na escola, e minhas visitas eram constantes, uma vez que minha mãe era a primeira a me incentivar. As crianças de hoje – sem generalizar – muitas vezes precisam de estímulos dos adultos, para perceber que ler pode proporcionar uma viagem fabulosa. Está tramitando no senado uma lei que concede R$ 50,00 mensais para que o trabalhador dedique à cultura, seja ela de qual forma for, mas aí eu pergunto: O tal benefício será descontado do seu salário e opcional, num país onde as massas não têm o costume de ler, o que você acha que vai acontecer? Sem adentrar em questões políticas, a leitura e o acesso a ela deveriam ser incentivados de outras formas, sendo com a baixa nos preços, sendo com a aproximação do público com as bibliotecas, teatros populares e afins. Isso sim, daria início a mudança que tanto queremos ver. De certo estamos no caminho. Não graças aos políticos, mas graças as editoras, aos escritores que não deixam de escrever e sonhar e, principalmente, graças aos milhões de leitores ávidos por novas e boas aventuras, sejam elas nacionais ou não. Você precisa saber que dez editoras detêm conjuntamente 30% do faturamento do mercado de livros no nosso país. Esse dado é resultado de um estudo inédito feito pela GfK abrangendo todas as facetas, como livrarias, sites, e demais pontos de vendas, no formato tradicional, e-book, e áudio livros. Mais de 4.500 empresas fizeram parte da pesquisa, realizada nos primeiros meses do ano passado. Os dados apontam também que os livros de não ficção foram os preferidos dos brasileiros representando 61% dos exemplares

vendidos. As obras de ficção correspondem a 22,9% e os livros infantis, 16%. Mesmo que as livrarias hoje não consigam se manter apenas da venda de livros, agregando outros produtos como café, CDs e DVDs, a ANL – Associação Nacional de Livrarias considera “livraria” a empresa que oferece um bom acervo de livros. Desta forma, chegou-se ao número de 2.676 unidades no Brasil. Se contarmos que o país possui 5.564 cidades, a média nacional é de 0,48 livrarias por municípios. Bem, os números falam por si. Dê uma olhada no Infográfico da página 11. O FUTURO Somos hoje a nona nação do mercado literário mundial e continuamos crescendo. Pesquisas mostram que faturamos, em 2011, R$ 6,2 bilhões e vendemos 469,5 mil exemplares. A prova de que estamos crescendo, apesar de todo o atraso e obstáculos, é que Grupos Editoriais internacionais estão vindo com tudo para o nosso mercado, loucos por uma fatia desse bolo. Para se ter uma ideia, as editoras faturaram no mesmo período R$ 4,8 bilhões. Outro dado interessante é que o preço médio do livro caiu e hoje você paga 6,1% a menos.

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Em contrapartida o número de livros vendidos ao mercado cresceu 9,8%. Outra informação relevante é o fato de que as editoras diminuíram suas tiragens e aumentaram o número de seus lançamentos, já visando as livrarias, que dão maior destaque aos lançamentos. E por último, mas não menos importante, constatamos que cerca de 44% das vendas de livros em 2011 se deram através das livrarias, o que ratifica a importância delas para o mercado. Sabemos que as coisas estão mudando para melhor. Que livros nacionais já estão entre os mais vendidos do país, que as barreiras do preconceito de leitores com as obras brasileiras estão aos pouco sendo quebradas, mas ainda falta muita coisa, muito empenho, muito trabalho pela frente, mas já podemos sonhar com um mercado mais justo para todos. Leitores, autores e suas editoras. Já somos mais de 15,2 milhões de e-consumidores e o e-commerce aumenta a cada ano no Brasil. O livro é a categoria mais vendida em número de pedidos. Este dado demonstra que o produto livro que cada vez mais tem menos espaço nas livrarias físicas terão, na web, o seu principal canal de comercialização. Com a vinda da amazon.com.br, entramos para a era digital de vez já que o site opera, inicialmente, apenas com livros no formato e-book. As maiores editoras já estão representadas por seus distribuidores no site. Se o maior portal de venda de livros no exterior se preocupou em criar uma versão BR, nosso mercado editorial é ruim? Ou é tão promissor que não só Amazon, mas também editoras

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estrangeiras estão migrando para nosso território? Fica a pergunta para que você possa refletir, caro leitor. E finalizo este artigo com as palavras de Sandra Reimão* em sua tese sobre as “Tendências do mercado de livros no Brasil – um panorama e os bestsellers de ficção nacional (2000-2009)” “Esse artigo está dividido em duas partes: na primeira retratamos o mercado de livros no Brasil entre os anos 2000 e 2009 a partir de dados quantitativos gerais; na segunda parte buscamos entender o mercado livreiro brasileiro a partir das listas de livros mais vendidos e discutimos especialmente a questão da presença do autor nacional de ficção. Nossas conclusões apontam para um momento de inegável crescimento quantitativo do mercado, pujança essa que não está se refletindo em termos de renovação, pois vemos que para grandes tiragens com amplas campanhas de lançamento as editoras, na maior parte do tempo, arriscam pouco, repetindo aqui os best-sellers mundiais da cultura anglo-saxã ou, no caso de autor brasileiro, pessoas públicas já conhecidas especialmente através da televisão.”

*Professora Livre-docente da Universidade de São Paulo na Escola de Artes, Ciencias e Humanidades (EACH) e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicações e Artes (PPGCOMECA). Pesquisadora de Produtividade em Pesquisa do CNPq.


FALA LEITOR Abrimos espaço para o maior interessado falar. Você!

Eu sempre gostei de histórias e de palavras. Desde pequena, mesmo quando eu ainda não era alfabetizada, gostava de folhear livros e revistas e tentar decifrar o que eram aquelas letrinhas. Grande parte dessa paixão por histórias se deve ao meu avô, que passava horas contado fábulas e contos para mim e para minhas primas. Quando eu aprendi a ler, gostava de ficar lendo tirinhas e textos em meus livros de português e, com o tempo essa paixão e a vontade de ler só aumentou. O meu primeiro contato com a literatura nacional, que eu me lembre, foi na sétima série, quando eu emprestei na biblioteca da minha escola o livro “Traição entre amigas”, da Thalita Rebouças. Alguns meses mais tarde, a autora estava na minha cidade para fazer um evento, eu compareci nesse evento e fui presenteada com um livro dela. Quando eu criei o blog Livros e Meninas, pude ter um contato mais aprofundado com a literatura nacional e hoje, tenho como um dos focos principais, divulgar as obras e os novos autores brasileiros. O primeiro livro que resenhei no meu blog, foi “O Mundo de Vidro”, do Maurício Gomyde, um autor nacional que eu admiro muito. A literatura nacional é muito rica mas, na minha opinião, os autores precisam de mais apoio tanto das editoras, quanto dos leitores, pois ainda existe muito preconceito em relação a esse tipo de literatura. Eu, como leitora, já tive muitas experiências maravilhosas com os livros nacionais e tenho uma paixão muito grande pelos livros que representam o nosso país. Tenho muito orgulho dos nossos autores. Gabi Wegner, do Meninas e Seus Livros

Nacionais. Esperamos que 2013 seja o ano deles. Autores novos, muitos lançamentos. E como muitos leitores, gosto muito da literatura contemporânea nacional que vem se instalando no Brasil. Assim como existem vários livros internacionais ótimos, há muitos nacionais ainda melhores. Afinal, brasileiros também possuem capacidade para escrever e nos envolver em histórias encantadoras e fantásticas. Por que não teria? Gosto muito dos nacionais de hoje, os autores têm muita criatividade. E digo mais: livros nacionais um dia ainda serão as principais obras nas estantes do Brasil! Elton Moraes, administrador do canal OwTaLigado

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OS BLOGS LITERÁRIOS

Eles têm força para transformar uma história em sucesso ou não POR CACÁ ADRIANE

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papel dos blogs na literatura é enorme, não dá pra calcular até que ponto eles se dão conta das proporções que podem tomar, para o bem ou para o mal. Com relação ao mal, vou me explicar já. Alguns livros assim como o meu (O Último Beijo), foram hackeados e estão na internet para download grátis. O que ocorreu em um blog, se espalhou em menos de um dia para mais de 30, entra aí a questão da internet que facilitou esse caso. E pense: de 30 blogs, quantas pessoas não fizeram esse download? Quantas dessas pessoas não repassaram o arquivo por e-mail para os amigos? Não sei com que intenção essas pessoas fizeram isso (Pois algumas que conversei, alegaram que isso era para ajudar a divulgar a obra e ajudar aqueles que não têm dinheiro para comprar o livro), mas o fato é que, os autores pagam muito para terem seus livros publicados e geralmente não dispõem de muitos recursos. É como oferecerem seu trabalho de graça por aí, é uma coisa revoltante que infelizmente não há como controlar a não ser com processos judiciais. É nessa parte que entra o lado vilão dos blogs e da internet. Mas nem tudo é ruim, pelo contrário. Em um ramo onde editoras, na maioria dos casos, não se esforçam para promover os autores nacionais, contamos com o apoio de meninas, mulheres casadas, com filhos, adolescentes que amam a literatura, homens que prestigiam a escrita, entre vários outros tipos de pessoas que costumamos chamar de blogueiros. Temos diversos casos de livros que hoje provam o sucesso na web, graças à força e ao apoio de blogs que com resenhas, postagens, ou simples citações, ajudaram a dar aquele up nas vendas e procura pela obra. O simples fato de um livro ser comentado entre a blogosfera, principalmente se for por uma boa razão, o torna popular no Facebook e

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no Skoob, o que para qualquer autor que está começando é de grande valia. Sabemos que muitos blogs fazem parcerias simples com autores iniciantes, uma postagem, uma menção em troca de alguns benefícios, que quase sempre são uma cópia da obra em questão, mas aqui levantamos outro ponto importante nesse “Negócio”: Existem blogueiros que só aceitam as chamadas parcerias (prática comum e muito boa, diga-se de passagem), se o autor lhe enviar livro pra resenhar, chegando às vezes ao patamar de exigir que o mesmo mande regularmente obras ou pague para ter seu trabalho divulgado. Gente, isso não é legal. Os blogs são lindos e temos muitos que trabalham em parceria, dando todo tipo de suporte ao autor, principalmente aqueles que estão iniciando nessa vida e a maioria desses blogs são de grande ajuda principalmente na conquista daqueles leitores que não têm contato com livros nacionais. Nesses blogs, aquelas pessoas que não estão acostumadas aos autores brasileiros, podem ler resenhas honestas e muitas vezes descobrir mundos que infelizmente não são divulgados pelas grandes mídias. Ainda vamos certamente abordar o assunto dos blogs literários com mais ênfase, pois nós da BL sabemos o quão fundamental e vital eles são. Queremos conversar com você leitor, blogueiro, saber o que o motiva a trabalhar pensando nos autores que ainda não têm prestígio nenhum, que buscam um lugar ao Sol.

Cacá Adriane, mora em Curitiba é autora do livro O Último Beijo, lançado pela Editora Dracaena e faz parte da lista das blogueiras nota 10 com seu: Imaginação Literária


A UNIÃO FAZ A FORÇA

O poder que a união de jovens autores têm, quando estão juntos POR JÉSSICA ANITELLI

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o último ano os grupos literários ficaram em evidência. A união de autores se mostrou bastante válida para a divulgação de seus trabalhos, levando muitas vezes os livros para lugares que nunca chegariam. E também trazendo o público para um maior contato com o escritor. Os grupos têm como um dos seus objetivos, mostrar que os leitores também consomem a literatura nacional, sendo ela de gêneros diversos e quebrando esse preconceito que muitas vezes se vê no mercado editorial brasileiro, pois ele é na maioria das vezes a principal barreira para o autor e sua obra. E assim, priva também o leitor de conhecer o que existe dentro de seu próprio país, impossibilitando que seja do seu conhecimento algumas obras que abordam temas que são mais comuns ao leitor, vivenciados por ele no seu dia-a-dia, do que uma obra estrangeira, na qual está inserida dentro de outra realidade. Pensando também na divulgação das obras e no contato com o leitor, os autores dos grupos literários fazem com frequência eventos, nos quais se pode conversar com eles sobre seus trabalhos e curiosidades, acreditando que tais ações incentivam a leitura e a visibilidade para o público da literatura nacional. Dessa forma, podemos citar 3 grupos literários que estão com o pique todo. São eles: Turnê Literária, Entrelinhas e Letras e o Fantastiverso. (clique nos nomes, para saber mais) O Turnê Literária foi criado visando as dificuldades encontradas pelos escritores nacionais em divulgar sua obra em um mercado que prefere apostar em Best Sellers a investir em novos talentos da casa. O grupo é formado por 8 autores, sendo eles: Vanessa de Cássia, Maurício Gomyde,

Samantha Holtz, Ricardo Valverde, Mallerey Calgara, Lu Piras, Gilson Pinheiros, Adriana Brazil e Felipe Colbert. O Entrelinhas e Letras também tem como objetivo a divulgação e o contato direto com o leitor por meio de encontros literários, ampliando assim os horizontes do mercado editorial. É constituído por 8 escritoras. São elas: Monique Lavra, Malerey Cálgara, Lu Piras, Helena Andrade, Cris Motta, Márcia Rubim, Carolina Estrella e Fernanda Belém. E por último, mas não menos importante, o Fantastiverso. Além dos mesmos objetivos dos demais grupos, o Fantastiverso tem o diferencial de ser voltado para a literatura fantástica nacional. Com a junção das palavras Fantástico e Universo, este grupo se uniu com o propósito de levar o universo da literatura fantástica ao grande público. É o maior grupo em quantidade de membros, sendo 15. São eles: Al Gomes, Ana Macedo, Ben Green, Cacá Adriane, Eddy Khaos, Elaine Velasco, Evandro Raiz, Edson Gomes, Jéssica Anitelli, Lívia Lorena, Lu Piras, Mari Scotti, Nina Oliver, Rafael de Souza e Roberta Spindler. Contudo, percebe-se que esses autores estão engajados em divulgar seus trabalhos e difundir a leitura por todo o país, sempre nadando contra a corrente quando o assunto é o mercado editorial brasileiro. E claro que há outros inúmeros escritores na mesma batalha, lutando por um espaço ao sol e para serem reconhecidos pelos seus livros e talentos. Jessíca Anitelli, escritora da série O Punhal, que terá seu segundo livro publicado pela Editora Dracaena. Estudante de letras. Para saber mais dos seus trabalhos clique aqui.

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EDUARDO BONITO O editor da Literata, nos conta um pouco sobre seu trabalho e suas impressões sobre o mercado literário atual POR ELAINE VELASCO

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om o mercado literário nacional em evidência, não podíamos deixar de ter, nessa primeira edição da Brasil Literando, as palavras de alguém que conhece a área e que está trabalhando duro para tornar mais acessível os livros de jovens autores brasileiros. Não é uma tarefa fácil, mas Eduardo Bonito, Editor da Literata, contou um pouco sobre suas impressões do mercado e planos para 2013. Brasil Literando: Como você chegou/entrou no mercado literário? Eduardo Bonito: Eu lancei um livro há muito tempo atrás e tomei um belo de um golpe de uma editora que creio que nem exista mais no mercado, foi quando conversando com a minha amiga Georgette Sillem ela me incentivou a abrir a Literata onde lançamos a Antologia “Grimoire dos Vampiros” que foi um sucesso e nos abriu muitas portas. BL: Quais são os maiores desafios e as maiores decepções do mercado? EB: A meu ver, o maior desafio realmente é vender livros nacionais e ficar em evidência, pois a mídia nacional só apoia livros estrangeiros e quem está na moda tais como jogadores, artistas globais, etc . BL: Como funciona a distribuição de obras no mercado nacional? EB: Na minha opinião, essa é a parte mais difícil de todo o processo, pois é complicado fechar parceria. Muitas livrarias não aceitam livros de autores que não são - segundo eles – conhecidos, ou claro, de fora do país. Além disso, o contato é complicado e o valor cobrado pela consignação é muito alto, ainda por cima, demoram muito para nos pagar, atrapalhando todo o nosso cronograma. BL: Quais os principais critérios que você leva em conta na hora de avaliar um original? EB: Originalidade e parceria autor e editora. BL: Na contramão das outras, a Editora Literata tem cresci-

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O Editor Eduardo Bonito


do muito nos últimos tempos, publicando apenas autores nacionais. A que você atribui esse sucesso? EB: Posso ser honesto em dizer que não cheguei ainda onde quero chegar. O caminho é complicado, almejo algo que muitos até me chamam de louco (risos) de pensar em até sonhar. Só que para mim editar autores nacionais é uma satisfação enorme e um sonho pessoal que estou conseguindo realizar. BL: A Editora Literata mantém em seu site, um espaço para que autores enviem originais para serem avaliados. Quantos livros você recebe em média por mês? EB: Recebo cerca de 30 a 40 livros por mês. BL: Há poucas semanas atrás, houve uma polêmica envolvendo a publicação de livros nacionais, quando uma Editora afirmou que “livro nacional não vende”. Você, enquanto editor, concorda com isso? EB: Acredito que o posicionamento dela foi errado porque vender vende, mas infelizmente não tanto quanto um livro de autor estrangeiro, pois o livro internacional já vem, se formos analisar, com uma propaganda “de peso”,pois tudo que é de fora, infelizmente mesmo não tento uma boa qualidade, chama atenção. Acho que não deveriam cuspir

no prato que comeram por muito tempo, pois duvido que qualquer editora nacional afirme que iniciou o seu trabalho editando primeiramente autores internacionais. Renegar o passado e criticar onde tudo começou no meu ver é ridículo. Poderiam conciliar as duas coisas, mas cada um trabalha da maneira que quiser não sou de julgar e sim de tentar fazer a diferença. BL: Fale-nos um pouco dos projetos futuros da Editora. EB: Pretendo continuar caminhando com a mesma política de 2012: transparência e honestidade, não prometo o que não consigo cumprir a autores. Meu foco este ano são os eventos e tentar aumentar a visibilidade da Literata na mídia. Meu pai sempre cita esta frase para mim até hoje: “Meu filho quem não é visto não é lembrado”. Eu tento passar isso aos meus autores sempre: “A maior batalha vem depois do livro pronto”. Apóiem os novos escritores e a literatura brasileira, participem dos nossos eventos! Para conhecer os trabalhos da Editora Literata, clique aqui.

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SAMANTA HOLTZ A autora nos deu sua opinião sobre nosso atual mercado editorial, e falou um pouco também sobre seus sonhos POR THALLES MARQUES

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ara esta primeira edição, de muitas (espero!), da Brasil Literando, tive a oportunidade de conversar com a maravilhosa Samanta Holtz, autora de O Pássaro, em que ela nos deu sua opinião sobre nosso atual mercado editorial, e falou um pouco também sobre seus sonhos, a reação ao receber o primeiro sim de uma editora, e os obstáculos vencidos até chegar onde chegou. Samanta Holtz teve seu primeiro romance, “O Pássaro”, publicado em janeiro de 2012 pela selo Novos Talentos da Editora Novo Século, e em junho deste ano terá um conto publicado na coletânea “Em Contos de Amor”, juntamente com outros 14 grandes nomes da literatura nacional, pela Editora Subtítulo. Brasil Literando: Gostaria de começar com uma pergunta mais leve e focada no tema desta edição da Brasil Literando. Qual sua opinião sobre o nosso atual mercado literário nacional? Samanta Holtz: Olá! Em primeiro lugar, obrigada pelo convite para a entrevista logo na primeira edição da “Brasil Literando”. Fico lisonjeada! Bem, já faz anos que batalho por um espaço no mercado literário e a verdade é que eu nunca havia visto tanto espaço e tanto incentivo ao autor nacional como vejo hoje. Não somente as editoras têm aberto suas portas e oferecido alternativas aos novos autores como também o público e os blogs literários estão participando ativamente desse movimento, lendo mais obras nacionais, divulgando, incentivando, promovendo e participando de eventos que apoiam a causa. Eu mesma sou fruto deste momento e deste movimento! Não teria conseguido tanto destaque se não fosse por meus leitores e parceiros, que me divulgam e promovem. Sou infinitamente grata a eles! Analisando de um modo geral, é claro que ainda existem obstáculos a serem superados e preconceitos a serem quebrados. Vejo, contudo, que estamos caminhando na direção certa, rumo à superação dessas barreiras e ao despontar de verdadeiras joias da literatura nacional, que finalmente serão devidamente reconhecidas pelas editoras e pelo público. BL: Como autor iniciante, qual foi o maior obstáculo que

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enfrentou até conseguir a publicação de seu primeiro livro? SH: Tive tantos! O maior deles, que acredito ser o mesmo da maioria dos iniciantes, é conseguir despertar o interesse das editoras sendo que você ainda é anônimo, sem agente literário, apenas você e seu sonho batendo à porta deles. Ou, ainda, conseguir que o seu original se destaque de alguma forma meio a tantos que eles recebem diariamente para analisar! Sim, eu era teimosa: mirava direto as grandes editoras! (risos) Levei incontáveis “nãos”. Contudo, não me sinto ressentida. Entendo totalmente o lado delas, que, do ponto de vista comercial, precisam garantir seu crescimento no mercado e parte disso é investir preferencialmente em grandes nomes. Claro que é arriscado investir em um anônimo, por melhor que seja o seu trabalho! É por isso que, como mencionei na questão anterior, fico feliz em ver que as editoras estão abrindo novas alternativas justamente para atender a esses novos autores e não desperdiçar os talentos ainda desconhecidos que batem à sua porta. BL: Antes de entrar para o mercado editorial qual era a sua visão sobre ele? SH: Acredito que era a mesma que tenho hoje; um mercado em que é muito difícil de se dar o primeiro passo e, uma


vez dentro dele, é preciso batalhar duro para conseguir seu espaço na estante e no coração dos leitores. Já imaginava que seria assim, nunca tive a ilusão de que o reconhecimento e o sucesso viriam sem esforço. Conseguir uma boa publicação é difícil, mas é apenas a ponta do iceberg! Hoje, tenho uma visão mais realista do que isso significa. Por parte do público, confesso que me surpreendeu tamanho incentivo e valorização dos novos nacionais! Eu não tinha blog literário, não participava de nenhuma rede social... Quando comecei a me aventurar por este mundo virtual (justamente por causa do livro), foi uma surpresa muito boa ver que os leitores e os blogueiros, em sua esmagadora maioria, estão aí para nos dar todo o apoio! Isso é digno de ser destacado e aplaudido. BL: Quem se interessa pelo mundo editorial provavelmente sabe que muitas editoras nacionais cobram seus autores para publicar a primeira edição de seu livro, algumas vezes até mesmo privando o autor de receber os royalties devidos. O que você pensa desta atitude tomada pelas editoras? SH: Para as editoras, lançar um novo autor no mercado é um risco: pode dar muito certo, e também pode dar muito errado. Isso é uma realidade para qualquer ramo comercial e até mesmo em nossa vida pessoal. Um novo namorado, um novo funcionário, um novo produto no mercado... É sempre uma caixinha de surpresas! Vejo essa postura das editoras como uma forma de minimizarem seus riscos, e já vi vários sistemas diferentes serem oferecidos ao autor iniciante para sua primeira publicação. Em alguns casos, o investimento do autor é baixo ou nulo, no entanto, a distribuição ou a divulgação também o são. Em outros, o investimento é mais alto, mas o autor conta com um trabalho mais apurado ou uma distribuição mais ampla. Cabe ao autor analisar se a proposta oferecida é interessante ou não. Pesar os prós, os contras e quais as suas intenções com a publicação. Conheci amigos que queriam publicar apenas pelo prazer de ver seu livro impresso, sem grandes pretensões. Então, optaram de cara por bancar uma impressão de baixa tiragem, com baixo custo e pouca

distribuição. Outros têm ambições maiores e insistem em tentar a publicação tradicional, sem custos. Eu era uma dessas pessoas. Até que recebi uma proposta de uma ótima editora para a publicação do meu romance “O Pássaro”. Vi que havia um investimento a ser feito, na primeira edição, o que me fez refletir: já havia recebido propostas de publicação também com desembolso, mas a forma de trabalho das editoras não me era interessante. Fazia anos que eu tentava publicar sem custos, e dificilmente conseguiria. E a proposta que eu havia recebido era para um trabalho de alta qualidade, com distribuição em todo o Brasil por um valor que eu recuperaria, se trabalhasse com afinco. Então, aceitei o desafio! Hoje, menos de um ano após a publicação, já vendi todos os exemplares que eu tinha e precisei adquirir mais, os quais também estão no fim. Além disso, tive o reconhecimento da editora, que firmou comigo um contrato de longo prazo, agora no sonhado “sistema tradicional sem custos”! Estou contando isso para exemplificar àqueles que pensam em ingressar nesse mercado que não importa qual o sistema escolhido pelo autor; o que importa é a parcela do seu próprio empenho. Todas essas coisas boas só aconteceram comigo porque, no instante em que assinei o contrato com a editora, firmei também um compromisso comigo mesma: dar meu máximo para conquistar o meu espaço, subindo meus degraus sem jamais pisar em alguém. Então, se a editora cobra ou não, se é caro ou se é barato, isso acaba se tornando o de menos! O segredo está na postura do autor. BL: Indo para um lado mais pessoal, quando você tinha 7 anos, já tinha em mente o que queria ser agora? SH: Eu já tinha uma vaga ideia do que queria (risos)! Aos sete anos, eu tinha um grande sonho: ser redatora do Mauricio de Souza! Era apaixonada pelos gibis dele (como tantas crianças!) e sonhava em trabalhar em seus estúdios. Então, já praticava: reunia uma pequena pilha de folhas sulfite, grampeava no meio, dobrava... e fazia minhas historinhas! Minha mãe guardou e, hoje, temos uma caixa cheia desses gibis! Aos poucos, um pouco mais velha, comecei a sair do esquema de “quadrinhos” e escrevia historinhas com começo, meio e fim, sempre ilustradas (eu desenhava e minha irmã pintava!!!). Inclusive, há alguns dias, minha irmã Vanessa en

Pequena Sammy

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-controu a folha de um antigo diário meu. Pela minha letra, eu devia ter uns 9 anos. Nela, eu dizia: “gosto muito de escrever, pois faço gibis e livros”! Então, mesmo tendo outros sonhos normais à infância (ser professora, ser veterinária...), a paixão pela escrita foi percebida muito cedo e sempre teve um espaço especial em meu coração. BL: Na mesma idade, você imaginava que chegaria até onde chegou hoje? SH: Nem sonhava! Ser escritora era um sonho distante demais, para mim. BL: Qual seu maior sonho ainda não realizado? Já sabia o que queria desde pequena SH: Ver minhas obras nas listas dos mais vendidos do Brasil... e ter meu trabalho exportado para outros países. Quero saber, um dia, que meus livros e discar o ramal da minha irmã (uma das foram lidos por milhares de pessoas e tocaram inúmeros co- minhas “duas fãs número um”) e falar, com a voz meio rouca: rações em todas as partes do mundo! “Tati... recebi um sim!”. Ficamos as duas em uma conversa BL: Quais livros te inspiraram a começar a escrever pela primeira vez? SH: Acredito que foram os primeiros romances que li, com cerca de nove ou dez anos de idade. Eram ambos da “Coleção Primeiro Amor”; um se chamava “Meu Primeiro Namorado” (Callie West) e o outro, “Ensaio de um Beijo” (Elizabeth Bernard). Desde que os li, me tornei declaradamente apaixonada por ler e escrever romances! BL: Quando recebeu a resposta do editor, aceitando publicar O Pássaro, qual foi sua reação? SH: Eu recebi o e-mail quando estava no trabalho. Quando abri e li que eles aceitariam publicar, minha primeira reação foi virar uma estátua! A segunda foi pegar o telefone

meio desconexa, ambas não acreditando! (risos) Eu achava que tinha entendido errado, que ainda faltava alguma etapa da análise, mas não: era um sim! Então, quando cheguei em casa para almoçar, foi uma verdadeira festa... todos em casa dividiam esse sonho comigo e comemoramos muito! Digo que o dia praticamente virou um feriado (risos); ninguém conseguia trabalhar, ninguém conseguia fazer nada, só falar nisso! BL: Para terminar a entrevista, um bate-bola rápido. Um filme que marcou sua vida: “Sociedade dos poetas mortos” Um livro favorito: “A Lição Final” – Randy Pausch Uma cor: Laranja!!! Uma comida/cozinha: Nhoque da minha mãe! Uma música que não consegue tirar da cabeça: “Two is better than one” – Boys Like Girls Uma pessoa especial: Meu avô, o “Careca”. Ele é único!

Para saber mais da autora clique aqui.

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COLUNA JOVEM POR LUCAS BORGES

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eus dedos já estão calejados de tanto digitar/postar nesta viciosa rede social. Criei meu perfil no finalzinho de 2O1O, quando a bendita estourou de vez, deixando para trás àquela em que utilizávamos desenhos supercafonas para legendar a nossa foto – que época terrível. Bom, desculpe-me, eu nem me apresentei, eu sou a Debby, tenho 15 anos de idade e estou no primeiro ano do Ensino Médio. A verdade é que, até os meus 13 anos, eu não suportava os livros. Pegava os do colégio por pura obrigação, mas nunca me senti atraída por livro algum. Achava a leitura chata, desgastante e perda de tempo. Certo dia, quando já não estava mais aguentando ficar olhando para a tela do computador, a Ritinha entrou pela porta do meu quarto e sentou-se à cama, assim, sem pedir mesmo, foi só entrando. A Ritinha é minha melhor amiga desde que me ajudou a pegar aquele gatinho da escola. Enfim! Ela estava com os olhos fixos na página de um livro com uma capa roxa e as letras muito grandes. Perguntei do que se tratava, e ela me respondeu com aquela voz de taquara rachada: – Oras, é um livro da Thalita Rebouças! – Ah, e você acha que sou vidente? Quem é essa Thalita Rebouças? – perguntei. – Uma das escritoras brasileiras de maior sucesso atualmente – ela me respondeu, e quando disse que a tal escritora era brasileira eu franzi o cenho. Não leio nada, mas não leria algo nacional, me remete a algo ruim, sei lá. Ela percebeu, pois se enfureceu dizendo que essa Thalita Rebouças era diva, linda, perfeita e escrevia “pacas”. Arrastava multidões. E era o ídolo dela. Assim que ela foi embora, entrei num site de pesquisa para saber mais sobre essa autora e, N-O-S-S-A!, quantos livros, quantas vendas, como ela é bonita, e tem cara de artista. Baixei o livro que a Ritinha lia e comecei a lê-lo, era o “Ela disse, Ele disse”. Me surpreendi comigo mesma, o li em uma sentada, e me encantei logo de cara. Que autora brilhante! Comprei-o para tê-lo em minha estante, e também uma série de livros dela, desde a coleção “Fala Sério” até “Tudo por um Pop Star”. Como a Thalitinha (olha a intimidade) me ganhou só com suas palavras! Me fez rir por horas. Virei, aos 13 anos de idade, uma “Thalitete”. No ano seguinte, ganhei de aniversário o livro “Fazendo meu filme – A estreia de Fani” da autora (fofa-e-muitosimpática) Paula Pimenta. Não a conhecia também, mas gostei da capa e da sinopse. Li o livro em dois dias e fiquei enlouquecida, queria acompanhar as histórias da Fani todos os dias. Segui a Paula Pimenta no Twitter e comecei a fazer inúmeras perguntas: Quando seria o pró ximo lançamento? O que aconteceria com a Fani? E quando eu teria um autógrafo? Ah, essas coisas de adolescente enlouquecida. O segundo foi um livro que estava fazendo um reboliço nas redes sociais, o “Pobre não tem Sorte” da Leila Rego (a chamo de Leiloca, in-

timidade de leitora, ok?), li em uma hora. UMA HORA, dá para acreditar? É um livro gostoso demais, e só o título já é a realidade de quase 95% da população, não? (risos!) Agora, aos 15 anos, comprei o livro “Era uma vez minha primeira vez” da Thalitalinda e li, desta vez demorei mais, pois tinha inúmeros trabalhos (chatos!) do colégio para fazer. Odeio física! Odeio química! Odeio matemática! Odeio estudar! Mas quando o terminei, mandei um tweet para a Thalita Rebouças falando: Amei o teu livro, minha diva, me segue?! Tive que aproveitar, né? Essa gente famosa não segue qualquer pessoa (esperança!). É, e ela não me seguiu, mas não deixei de amá-la. Conheci outra autora através da Thalita, também no Twitter, a Carolina Munhoz e comprei o livro dela: O Inverno das Fadas. Li em uma semana, não pelo livro, mas por mim mesma, ele era um pouco maior, porém compensador. Ao terminá-lo você dá um suspiro profundo e pensa: Será que a autora também é uma fadinha? (E acredite, ela é. Não a conhece? Poxa! Um amor! Uma flor!) Neste ano de 2O13 comecei com o pé direito, li um livro que simplesmente me fez repensar na vida, nas atitudes e em tudo mais. O “Uma herança de amor” da Lycia Barros. Magnífico este livro, hein, você ainda não o leu? Não sabe o que está perdendo. Ela, além de ser muito linda, é uma autora e tanto. Digna de sucesso. Digna do meu amor. Digna do amor de vocês. Fiz até um fã-clube para ela no twitter: LyciaTeAmamos. Nome ridículo, né? Eu não sou boa na criatividade. “Uma herança de amor” foi o melhor livro que li na vida e o guardarei com muito amor, assim como todos os outros. E foi assim, da água para o vinho, que passei de uma viciada em Facebook e tornei-me viciada em literatura nacional. Hoje, reconheço que eu – e muitos por aí – tinha certo preconceito quanto aos livros, ainda mais sendo nacionais. Para mim não prestavam, eram livros sem fundamentos sendo escritos por pessoas amadoras. Vê se pode? Mas não é assim, são profissionais da palavra, com conteúdos e uma boa narração, tão bons quanto a muitos internacionais por aí. Fui da Thalita Rebouças a Ziraldo. De Paula Pimenta a José de Alencar. De Leila Rego à Carina Rissi. E de Carolina Munhoz a Raphael Draccon. Cresci, amadureci e me desenvolvi, coisa que não seria possível caso eu não tivesse tomado aptidão pelos livros. E você, vai ficar aí em frente a essa tela de computador? Corra até a livraria mais próxima de sua casa e compre um livro de um autor nacional, para descobrir a magia que é ler um livro bom, e de alguém de sua própria origem. Não importa o que você vai ler, o importante é ler, porque “LER É BACANA”. Lucas Borges é escritor, estudante de Jornalismo, reside em Macaé-RJ, e tem 18 anos. Autor do livro Primeiro, Único & Eterno – (www.facebook.com/rascunhosdeumjovem)

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TRECHOS DE RESENHAS POR NIKA SANC

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om, primeiro quero explicar que, diferente do caso do livro da Samanta (que eu não li, portanto não tenho a resenha), os dois trechos a seguir foram retirados do meu blog mesmo. Ambos são livros pequenos no número de páginas, mas grandiosíssimos em conteúdo e boa escrita. Livros que, ao menos eu, considero como ótimas dicas para quem está começando a ler nacionais: curtos, MUITO bem escritos e com temáticas interessantes.

HORIZONTES – REVELAÇÕES, POR ROBERTO LAAF “Violência, tentativas de estupro, corrupção, mortes. Esse é um dos poucos livros da atualidade que conta sobre a verdadeira maldade existente neste mundo. Duvido que tenhamos que nos preocupar com um vampiro ou um fantasma, uma bruxa ou um lobisomem. Pesa-me dizer que a nossa preocupação deve voltar-se para aqueles que são “iguais” a nós. Humanos. Além de uma história interessante, lembrarei-me deste livro como uma crítica à “sociedade” em que vivemos. A leitura é fácil, cativante, surpreendente e altamente recomendada!”

NikaSanc

CHANTILLY, POR MARE SOARES “A leitura do livro representa muito mais que alguns minutos de entretenimento. Mare Soares sabe enganar e reconquistar seus leitores, mesmo que por meio de personagens enganados e, posteriormente, reconquistados. Sua escrita é, ao mesmo tempo, refinada e simples, o que torna o livro extremamente agradável.” NikaSanc

O PÁSSARO, POR SAMANTA HOLTZ “Por amar histórias de época, O Pássaro me conquistou na sinopse, mas as linhas tão meticulosamente escritas de Samanta me fizeram mergulhar na vida de Caroline e sua busca pela liberdade.” Josy Tortaro

Nika Sanc é administradora do blog Aventuras em Papel e Tinta e autora de antologias de terror.

30 - Fevereiro 2013


QUERO ESCREVER UM LIVRO POR ELAINE VELASCO

A

o ser convidada para redigir essa coluna, devo confessar que não me sinto gabaritada para tal, visto que também sou iniciante e caminho ainda para a publicação de meu segundo livro, entretanto, nesse último ano, após o lançamento de Limiar, vivenciei muitas coisas que gostaria de compartilhar com você, que sonha em se tornar escritor, quero lhe dar dicas e falar do pouco que aprendi e torcer para que isso seja de alguma valia. Selecionei algumas palavras-chaves, a respeito das quais quero trabalhar com vocês, como dicas e conselhos de uma colega também ingressante no mundo das Letras. Lá vai:

1 – PESQUISA

A pesquisa é muito importante em todos os momentos, desde a escolha do tema do livro até a divulgação final. Pra começar, você deve pesquisar se o assunto que você quer abordar tem mercado, não adianta escrever sobre algo não comercial, pois assim, será muito difícil uma editora aceitar publicar o seu trabalho. Assunto escolhido, a próxima etapa é pesquisar muito sobre ele, também ler os livros semelhantes, para não correr o risco de escrever algo similar aos já existentes, ou poderão acusá-lo de plagiar, copiar, etc. A terceira etapa da pesquisa, refere-se às editoras para as quais você irá enviar o seu original. É de bom tom que você conheça a editora para a qual enviará o seu trabalho, o tipo de público, gênero literário com o qual ela trabalha e se trabalha com autores iniciantes, não adianta, por exemplo, você enviar um original de auto-ajuda para terceira idade para uma editora que trabalha com Literatura Fantástica para jovens. Pesquise!

2 – HUMILDADE

Vamos agora para o passo seguinte, você fez tudo direitinho e conseguiu publicar seu livro. Parabéns, isso é uma grande conquista, mas tenha em mente que esse é apenas o primeiro passo. Humildade é importante sempre, não importa se você vendeu 1 exemplar ou 1.000.000, seja humilde e educado SEMPRE.

3 - FRUSTRAÇÃO

Ou vamos supor agora, que seu original não foi aprovado por nenhuma editora e você não tem grana para publicar de forma independente. Isso não é motivo para você começar a hostilizar ou caluniar quem conseguiu. Não se torne um autor recalcado nem amargo, isso só vai prejudicá-lo ainda mais. Em vez disso, estude, recicle-se, considere a possibilidade de mudar de foco. Não é vergonhoso reconhecer que precisa melhorar, vergonhoso é pichar o trabalho dos outros apenas para se sentir melhor.

4 – CRÍTICAS

Prepare-se para elas porque elas virão, tão certo quanto os impostos e a morte. Conforme-se, pois nem Jesus

agradou a todos, imagine nós, meros mortais. Sempre haverá alguém que não gostou do seu livro e isso se deve a inúmeras razões, uns porque não gostam da sua linguagem, outros porque não apreciam o tema ou enfoque que você utilizou, outros porque estavam de mauhumor quando leram seu livro, enfim, esteja preparado para isso, a única forma de evitar as críticas seria deixar seu trabalho para sempre na gaveta! Por isso eu digo: leia, escute as críticas, “filtre” o que elas têm de bom e construtivo e utilize isso para melhorar sua obra.

5 – DISCUSSÕES

Gente, isso é muito feio e denigre a imagem de toda uma categoria de profissionais que batalha pra caramba para ser reconhecido e obter o seu espaço junto a Best-sellers internacionais que “desembarcam” no país munidos de campanhas publicitárias milionárias. Se a pessoa não gostou do seu livro, não será o fato de você discutir com ela que melhorará a visão que ela tem de sua obra, pelo contrário, fará com que além de não gostar do seu livro, ela também passe a não gostar de você. Já imaginou se a Stephenie Meyer fosse discutir com todo mundo que fala mal de Crepúsculo? Ela não faria outra coisa da vida!

6 – REVISÃO

Dá vontade de chorar quando pego um livro de autor novo e logo na primeira página já me deparo com erros grosseiros de português. Tá, eu sei que as editoras pisam na bola na hora de revisar os livros, mas eu acredito que elas não devem ser as únicas culpadas por isso não. Pra começar, se o autor não tivesse escrito assim, isso não estaria no papel. Por isso, antes de publicar o que quer que seja, revise não uma, mas mil vezes!

7 – PERSISTÊNCIA

Você já deve ter percebido que apesar de ser maravilhoso publicar um livro e ver as pessoas lendo uma história que você escreveu, nem tudo são flores. E será nos momentos de crise, de desânimo, que você precisará resistir. Acredite em você, acredite no seu sonho, não desista dele. Procure aprimorar seu trabalho cada vez mais, procure novas formas de fazer, de crer, de viver. Por isso, essa é a palavra mais importante: persista!

Elaine Velasco é escritora e professora de matemática e química em Itapeva. Lançou seu primeiro livro Limiar Entre o Céu e o Inferno, pela editora Dracaena. Lançará em 2013 o segundo livro da série pela editora Literata.

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COLUNA DO AUTOR

Espaço dedicado para os autores que nos fazem viajar, poderem falar sobre qualquer tema ou assunto.

POR JANAINA RICO

MULHERES CHATAS

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em um tipo de mulher que me irrita profundamente. Pense numa irritação que começa lá no centro do útero e se irradia por todo o resto do corpo, não deixando nenhuma célula sem se contagiar. Imaginou? A minha é muito pior.

Não suporto aquelas mulheres que vivem, pensam, respiram homem. Se estão com um ao seu lado, estão felizes. Se estão sem, estão amargas. Se levaram um pé na bunda, acham que o mundo acabou. Se são pedidas em namoro, acham que atingiram o Nirvana. São as mulhereschatas.com.br, e tenha certeza que as excluo sem dó nem piedade do meu restrito círculo de amizades. Ah, claro que na vida é bom ter um par. Ter um colinho gostoso para encostar a cabeça é muito prazeroso. Mas a nossa existência não pode estar baseada nisso. Homem não pode – nem deve – ser o ponto central da existência de mulher nenhuma no universo. Vejo algumas meninas bacanas, inteligentes e bonitas que ficam chatas como piolho quando o assunto é o sexo masculino. Para que um relacionamento dê certo é necessário que primeiro gostemos de nós mesmas. Sempre que colocamos um outro ser como prioritário em nossa vida, é sinal de que tem alguma coisa errada. E é ainda mais doentio quando essa prioridade é dada a um relacionamento amoroso. Mas, como eu não posso sair por aí dando conselho para todo mundo, tenho

32 - Fevereiro 2013

que aguentar. E em tempos de facebook isso é pior ainda, pois sou obrigada a ficar vendo uma que acabou de passar em concurso público estar deprimida porque o namorado terminou com ela. A outra, que tem o corpo de modelo, se queixar que os homens não chegam nela. E ainda tem mais uma que disse com todas as letras que fez promessa para casar (sim, ainda existe gente assim, que diz isso nas redes sociais). Quer que alguém goste de você? Comece sendo você mesma esse alguém!

Janaina Rico é escritora, autora dos livros “Ser Clara”, “Apimentando”, “Cartas para um pai” e “O maravilhoso livro de desenhos da menina que não sabia desenhar” Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.


CONTOS, CR"ONICAS E HISTORIAS POR DANILO BARBOSA

O BRASILEIRO ESTÁ PRONTO PARA SER AUTOR?

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i, mãe, tudo bem? E o pai, tá bom? Pois é, liguei para te falar que resolvi ser autor. Ator não, mãe... Autor. Isso, mesmo... Aquele que escreve livros. Bom, eu gosto de ler bastante, né? Então pensei em criar uma história sobre uma menina que se acha feia e se apaixona por um rapaz misterioso. Isso, isso mesmo... Não, mãe, ele não é vampiro não, senão fica igual no Crepúsculo. Ele é um lobisomem mutante filho de um lobo encantado e uma fada do inferno. Isso mesmo... Ele brilha também, mas só quando vira lobo, à noite. A menina? Bem, a menina na verdade é uma sadomasoquista que já deu chicotadas em todos os bonitões da vizinhança, mas ninguém percebe. Ah, ela também é um súcubo. Isso mãe, ela se alimenta através do sexo... Mãe? Mãe? Essa conversa, apesar de parecer absurda, é mais comum do que pensamos. Vivemos em um país onde muitos autores não estão prontos para o mercado editorial. Mas a quem podemos culpar? A facilidade de publicar uma obra com a febre das editoras sob demanda? A falta de profissionais prontos para atender estes novos autores? Até que ponto este boom na nova literatura nacional é bom para o mercado literário? Por um lado, devemos parabenizar a iniciativa dos autores e editoras que se unem para divulgar as obras brasileiras, muitas vezes esquecidas pelos grandes grupos literários. Uns compram os livros dos outros, se divulgam, recomendam os parceiros para amigos e fãs das redes sociais e, com passos de formiguinha, conseguem em pouco tempo o que muitas vezes demora meses para ser feito pelos métodos convencionais. Mas, infelizmente, as boas obras se perdem pelo excesso de livros lançados. Alguns com péssima revisão; histórias sem pé ou cabeça e muito crus para serem publicadas. Eles saem para o mercado sem um cuidado ou a opinião real de um editor. Já vi autores sem preocupação nenhuma com a expectativa do mercado, já que o livro acaba sendo mais um presente para os amigos e família do que ao leitor.

Acredito que os gestos de heroísmo do autor nacional superam os erros crassos. Chegamos a uma geração disposta a fazer a diferença e está pronta para brigar por isso. Lutar para que todas as editoras tratem as obras brazucas com o mesmo respeito dos chamados best sellers internacionais e que da mesma forma as obras sejam expostas em igual peso e medida nas livrarias por todo o país. Não liga em digitar textos noite afora, nas horas de folga, mesmo que o chamado reconhecimento não chegue. O que deseja apenas é que suas palavras mudem a vida de muitos leitores. E as suas próprias... Eu, como autor, já tive o prazer de conhecer uma fã dentro do ônibus. Ela não comprou o meu livro, pegou na biblioteca da cidade... Mas quando vi os seus olhos brilharem ao compartilhar comigo a paixão da história de Arma de Vingança foi como se eu tivesse ganhado na Mega Sena. E isso não tem preço... Ser autor é isso. Não é escrever um livro de qualquer jeito porque gosta de ler. Não é pagar para publicar um livro sem antes escutar a opinião de alguém sobre a obra e saber se sua trama verdadeiramente está pronta. É saber lidar com as críticas, sugestões e opiniões dos outros. E, mais ainda, é ter certeza que quando o livro é publicado não tem como voltar atrás. Bom ou mal, é por ele que seu nome será conhecido. E se não estiver pronto para ser autor, não tem segunda chance. Autores de uma só obra caem rapidamente no esquecimento. Então, espero que autores e leitores revejam cada vez mais as suas posições e, em seus devidos lugares, lutem com a mesma paixão pela literatura nacional, que já exaltou Capitú, Gabriela, Clarissa, Capitão Rodrigo, Chicó e tantos outros personagens inesquecíveis.

Danilo Barbosa é administrador do site Literatura de Cabeça e escritor do livro Arma de Vingança. Para saber mais sobre seu trabalho clique aqui.

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Conheça aqui quem ajudou a fazer a sua revista esse mês. Quer escrever para a BL? Mande um e-mail para: revistabrasilliterando@gmail.com

COLABORADORES ALLAN CUTRIM

GABRIELA WEGNER

NIKA SANC

Se dedica atualmente a escrever seus livros da trilogia “Jornada Mortal”. Leitor compulsivo. Perfil

Blogueira e entusiasta da literatura nacional. Perfil / Blog

Administradora do blog Aventuras em Papel e Tinta e autora de antologias de terror. Perfil / Blog

ANA LYOKO A. C. Lyoko é atualmente estudante de letras na UNIFESP. Escreve, desenha, lê e gosta um pouco de (quase) tudo. Perfil

CACÁ ADRIANE Cacá Adriane, tem 24 anos, treina boxe e dá aulas de dança do ventre gratuitas. Autora do livro O Último Beijo Perfil / Blog

DANILO BARBOSA Danilo Barbosa é Administrador do site Literatura de Cabeça e escritor do livro Arma de Vingança. Perfil / Blog

ELAINE VELASCO Escritora e professora de matemática e química. Lançou seu primeiro livro Limiar - Entre o Céu e o Inferno, pela editora Dracaena. Lançará em 2013 o segundo livro da série pela editora Literata. Perfil / Blog

ELTON MORAES É administrador do canal Ow TaLigado no YouTube, e autor da série “Crônicas de Onyx” (ainda não publicada)”. Perfil / Blog

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JANAINA RICO Janaina Rico é escritora, autora dos livros “Ser Clara”, “Apimentando”, “Cartas para um pai” e “O maravilhoso livro de desenhos da menina que não sabia desenhar”. Perfil / Blog

JÉSSICA ANITELLI Jéssica Anitelli é autora da série sobre vampiros O Punhal. No final do ano terá seu primeiro romance erótico, Volúpia, publicado pela editora Literata. Perfil Blog

JOSY TORTARO

Autora da Saga Os Quatro Elementos, teve seus livros Marcada a fogo e Filho da Terra lançados pela Editora Literata. Perfil / Blog

LÍVIA LORENA Autora do Livro Redenção. Formada em propaganda e marketing. Está concluindo a série e pensando em outros romances. Perfil / Blog

LUCAS BORGES É escritor, estudante de Jornalismo, reside emMacaé-RJ, e tem 18 anos. Autor do livro Primeiro, Único & Eterno Perfil / Blog

ROXANE NORRIS Escritora dos livros Immortales e Youkai, da editora Baraúna e Literata respectivamente. Perfil / Blog

SAMANTA HOLTZ Autora do Livro O Pássaro, prestes a lançar seu segundo romance pela Novo Século, intitulado de Quero ser Beth Levitt Perfil / Blog

THALLES MARQUES

Blogueiro/escritor/estudante de jornalismo, ainda sem nenhum livro publicado. Administra e faz resenhas para o blog Our Cup of Tea. Perfil / Blog

VITOR EMMANUELL Vitor Emmanuell é escritor, autor do romance O Segundo das Rosas. Perfil / Blog


ARTE DO LEITOR

RODRIGO MONTEIRO Para essa primeira edição da BL, resolvemos começar com o pé direito e abençoados por anjos. Olha que lindo o trabalho que o Rodrigo Monteiro fez para a obra Limiar - Entre o Céu e o Inferno, da escritora Elaine Velasco. O artista mora na cidade da autora, Itapeva e curte esse estilo artístico de HQs.

E você, gostou? Quer aparecer aqui com sua homenagem ao seu autor nacional? Mande seu e-mail para: revistabrasilliterando@gmail.com Brasil Literando - 35


36 - Fevereiro 2013

/RevistaBrasilLiterando

Revista Brasil Literando  

Vários autores e blogueiros juntaram-se para pesquisar, entrevistar e escrever matérias sobre o mundo editorial, com questões relacionadas e...