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A PROPÓSITO...

O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS

Em 1978 a rádio britânica BBC 4 iniciou a transmissão da criação do até então desconhecido Douglas Adams, foi o início da popularização de uma obra que nas décadas seguintes sofreu por diversas adaptações, sendo publicada e divulgada em todos os meios e de todas as formas, até se tornar um marco da cultura popular e do universo geek. No ano de 1979 ocorreu a publicação do primeiro da “trilogia de quatro livros (que, por mero acaso, são cinco)”, e já neste primeiro momento o estilo e os objetivos do autor ficaram claros: utilizando um tom irreverente ele foi capaz de criar uma obra de leitura leve e descontraída,

porém que em seu âmago possui questões de profunda reflexão sobre a estrutura política, econômica e cultural da sociedade. O enredo, apesar de criativo e bem estruturado, passa longe de ser o principal destaque dos livros. Logo nos primeiros capítulos a completa aniquilação do planeta Terra é apresentada de maneira casual, fato que obriga o personagem principal, e o leitor, a sair da sua zona de comodidade e entrar no exuberante e excêntrico universo criado pelo autor. Em última instância esta mudança brusca de cenário desperta o interesse e a curiosidade do leitor, uma vez que a sua imaginação não está mais restrita aos costumes e crenças terráqueas, tendo um universo totalmente novo para ser construído e explorado através da orientação de Adams. Paralelamente ao desenvolvimento desta história principal aparecem trechos do universalmente conhecido “Guia do Mochileiro das Galáxias”, que além de servir como título deste primeiro livro é, na verdade, “provavelmente o mais extraordinário dos livros jamais publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor”. Estas citações não servem somente como uma forma de introduzir o leitor terrestre aos aspectos mais bizarros do universo criado por Adams, mas é justamente na descrição bem humorada da extraordinária imensidão excêntrica das mais distantes galáxias que o leitor percebe sutis, porém fortes, críticas aos aspectos mais simples de sua vida diária. Em linhas gerais, o desenvolvimento da história serve apenas como uma forma de contextualização para as ações dos personagens, que através de sua excentricidade e complexidade são o destaque

do livro e o principal caminho utilizado pelo autor pra transmitir sua mensagem. Um bom exemplo desta prática é o robô maníaco depressivo Marvin, que graças ao seu QI extraordinário sofre com constantes reflexões sobre a futilidade da vida, servindo como base para críticas sobre alguns aspectos incoerentes do cotidiano. Porém, o personagem principal, Arthur Dent, foi criado de maneira a se assemelhar a qualquer terráqueo, servindo como ponto de referência para o leitor durante a sua jornada pelos aspectos mais estranhos do universo. No fundo, todo este ar descontraído, e em alguns pontos até infantil, no qual o livro se baseia, serve para suscitar reflexões filosóficas muito mais profundas sobre o sentido da vida e da existência humana. A maior comprovação deste fato é a grande pergunta levantada pelo livro: “Qual é a resposta para a vida, o universo e todo o resto?”. A resposta fornecida pode, à primeira vista, parecer completamente sem sentido ou nexo, porém uma análise mais cuidadosa revela que o verdadeiro objetivo do autor ao levantá-la já havia sido alcançado, uma vez que ela é capaz de levar o leitor a pensar profundamente no significado da vida enquanto ri da insignificância e incoerência da sua própria existência.

//INFORMAÇÕES DO LIVRO Autor: Douglas Adams Modos: Sextante Ano: 1979 Número de Páginas: 204 Preço mínimo sugerido: R$ 20,00

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Revista Box - Maio 2012  

Terceira edição da Revista Box, uma revista com fotografias bonitas e conteúdo de qualidade, que para nós, é a tradução do que entendemos po...

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