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Abril 2009 Ano um

TEATRO

CINEMA

Stand-Up Comedy

Watchmen Milk O novo Batman Passageiros

Teatro de cadeirantes

UNDERGROUND

MÚSICA

A batalha independente de NUTSHELL.

A volta de Britney Shows de Alanis e Elton John

ENTREVISTA

Claudia Leitte fala sobre os planos para 2009.

Álbuns 2008-09

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The Iron Maidens Entrevista internacional exclusiva com as “Donzelas de Ferro”, versão feminina da banda “Iron Maiden”


Opinando!

EQUIPE BOOM! MAGAZINE CONSELHO EDITORIAL Gisele Santos Gustavo Dittrichi Ida Kazue EDIÇÃO-CHEFE Gustavo Dittrichi REDATORA PRINCIPAL Gisele Santos REVISÃO Gisele Santos Gustavo Dittrichi DIAGRAMAÇÃO Gustavo Dittrichi EQUIPE DE REPORTAGEM / REDAÇÃO Amanda Lopes Camila Calado Fabíola Pedroso Gisele Santos Gustavo Dittrichi Ida Kazue

Escrever para jovens não é fácil. Pode parecer, mas aí já está o primeiro desafio. Muitos dos que ganham a tarefa de escrever para o público jovem podem cair num erro fácil: acreditar que é fácil, simples e que o público se contentará com qualquer coisa. Não. O jovem de hoje é cada dia mais informado, sabe o que quer, lê a informação com consciência e, claro, a contesta se não concorda. Por isso, nós, do “BOOM!”, nos preocupamos em fazer um jornalismo jovem consciente e agregador. Porém, no blog, nos podcasts e nas matérias em

vídeo, nem sempre conseguíamos criar conteúdos mais abrangentes e densos e, desde o começo, cogitamos em criar uma revista online para o “BOOM!”. No entanto, não imaginávamos que esse seria o resultado: um conteúdo completo, entrevistas exclusivas e um visual bem próximo do que havíamos idealizado. Por isso, esperamos que todos gostem bastante da BOOM! Magazine e acompanhem sempre mais um passo em nossa jornada! Gustavo Dittrichi Editor-Chefe



PAUTEIRAS Amanda Lopes Camila Calado Fabíola Pedroso COLUNISTAS Débora Podda Juliana Negri Thiago Furlan ILUSTRADOR Márcio Baraldi ARTE E TRATAMENTO DE IMAGENS Gustavo Dittrichi Ida Kazue FOTO DE CAPA: Ernie Manrique www.programaboom.com.br Contato redacao.boom@gmail.com ABRIL 2009 -----------------------------------------------------A revista BOOM! MAGAZINE é um complemento ao PROGRAMA BOOM!, que integra blog, podcast (mini-programa de rádio) e Web-TV (programa jornalístico de vídeo para internet). Seu conteúdo (total ou parcial) não pode ser reproduzido sem o prévio consentimento da equipe. Essa revista é gratuita e não pode ser comercializada. Periodicidade trimestral. Tiragem online ilimitada. Disponível para download em www.programaboom.com.br


~ O que voce^ vai ver nesta edicao... ´

abril 2009

 DESTAQUES André Schiliró

CLAUDIA LEITTE

Mamãe e cheia de planos, a baiana contou tudo o que pretende realizar em 2009 e como foi a experiência da maternidade. PÁGINA 9

Ernie Manrique

THE IRON MAIDENS

A versão feminina conta, em entrevista exclusiva, como os integrantes do Iron Maiden liberaram a regravação de suas músicas e o uso do nome praticamente igual. PÁGINA 12

~  SECOES ´ DROPS

SIMPLE PLAN

O BOOM! viajou com a banda e mostra todos os bastidores da produção em nosso Diário de Bordo. PÁGINA 63

TÁ NA TEIA PÁGINA 58 O que é podcast? Como fazer? Como disponibilizar? Saiba tudo sobre o mundo online!

PÁGINA 33 PÁGINA 4 MÚSICA Britney, Alanis, Elton John, Kelly Notícias rápidas e bizarrices. Clarkson, Nxzero, Lily Allen, David Archuleta, Paralamas, Jota Quest: o PERFIL melhor (e o pior) da música. PÁGINA 7 Conheça Heath Casos e Acasos! PÁGINA 45 Ledger, um Thiago Furlan escreve sobre a astro que teve virada de casaca de Chris Cornell. a carreira interrompida de maPASSARELA PÁGINA 47 neira trágica. Não precisa ser rico para estar na FICA LIGADO! PÁGINA 16 moda. Confira as dicas do BOOM! Mania de seriados, CQC e Pânico, GARAGEM BOOM! PÁGINA 50 Paranapiacaba, intercâmbio, o Banda Nutshell fala da batalha ingibi Watchmen e tradutores de dependente no cenário musical. HQ: cultura jovem fervilhando!

Divulgação

CINEMA PÁGINA 26 O filme do ano “Watchmen” e a história do político gay “Milk”. Confira ainda um TOP 5 nas locadoras, o novo filme do Batman e o que está (ou estará) em cartaz na telona.

Virtual PÁGINA 52 Débora Podda explica sexo virtual.

@

PARTICIPE DO BOOM!

Envie seu e-mail para redacao.boom@gmail.com com a sua crítica, sugestão ou participação! O seu e-mail poderá ser publicado na próxima edição de nossa revista! Entenda nosso sistema de notas:

 Excelente COMPORTAMENTOPÁGINA 54  Bom A ameaça das drogas para jovens. E  Regular Soninha Francine fala de comporta-  Ruim mento político na juventude.  Péssimo




DROPS As rapidinhas do BOOM

MCFLY CONFIRMA SHOWS EM SEIS CAPITAIS DO BRASIL A boy band inglesa de pop rock MCFly acaba de anunciar que fará shows no Brasil dia 21 de maio em Manaus, segue para Fortaleza dia 23, dia 24 em Recife, em São Paulo dia 28, no Rio de Janeiro dia 30, e encerra a turnê brasileira em Porto Alegre dia 02 de junho. Outras informações na página do My Space dos meninos, no endereço www.myspace.com/mcfly. Lembrando que não faz muito tempo que a banda esteve no país pela primeira vez, isso aconteceu em outubro do ano passado para apresentações no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba, quando foi gravado um documentário intitulado “McFly - Radio:ACTIVE”, já lançado no Brasil em DVD. TIM FESTIVAL CORRE RISCO DE EXTINÇÃO A assessoria de imprensa da TIM enviou nota à imprensa comunicando o desinteresse da empresa de celulares em continuar patrocinando o Tim Festival - que desde 1980 abria espaço para artistas nacionais e internacionais no mundo da música alternativa, indie, eletrônica, rock e jazz. Mas a Tim Brasil ainda não descartou o evento completamente e negocia com a Dueto Produções, prometendo avisar em breve o que resolveram. Além disso, foi oficializado o cancelamento do Prêmio Tim Música.

MICHAEL JACKSON FARÁ SHOWS DE DESPEDIDA EM LONDRES Michael Jackson fará dez shows a partir de julho em Londres e afirma que serão suas últimas apresentações. Em coletiva de imprensa realizada no início de março, na O2 Arena (Londres), ele disse que cantará as músicas que os fãs querem ouvir e que “está é a última vez que as cortinas se fecharão”. Os ingressos já estão à venda no site www.michaeljacksonlive.com.

THE B-52’S VOLTA AO BRASIL APÓS 24 ANOS Elton John abriu a temporada de shows internacionais de 2009, mas tem muito evento agendado e confirmado desde o ano passado como A-Ha, Simple Plan, Kiss, Keane, Simply Red, Motorhead, Deep Purple, Liza Minnelli, The Sisters of Mercy. Outro show tão aguardado, após 24 anos sem pisar em solo tupiniquim é The B-52’s que toca no Credicard Hall de São Paulo (18/04), no Citibank Hall do Rio de Janeiro (17/04) e em Porto Alegre (20/04). Os ingressos variam entre R$100 e R$300. Para outras informações sobre compras de ingressos do B-52’s e outros eventos, acesse www.ticketmaster.com.br. B-52s veio ao Brasil pela primeira vez para se apresentar no Rock in Rio I, em 1985. Após 16 anos sem gravar nada novo, em 2008 a banda norte-americana voltou aos palcos com um novo disco intitulado “Funplex”. BIZARRO: GRUPO INDIANO LANÇARÁ REFRIGERANTE DE URINA DE VACA A vaca na Índia é considerada animal sagrado e os indianos acreditam que a urina bovina tenha poderes medicinais, tanto que consomem o líquido durante os eventos religiosos. De olho nesse possível filão de negócios, um grupo indiano diz que vai lançar um refrigerante feito com a urina da vaca e que os testes de laboratório já estão em andamento, com duração de até três meses. O grupo ainda está decidindo quais sabores serão misturados ao produto, mas não descartam aloe vera e frutas silvestres, alegando que servem para combater doenças como diabetes e câncer. E aí, vai querer experimentar?




DROPS As rapidinhas do BOOM

FRANQUIA HIGH SCHOOL MUSICAL GANHARÁ NOVA SEQUÊNCIA

REVISTA EM QUADRINHOS MILIONÁRIA US$ 277 mil. É o valor que o leilão de uma histórica revista em quadrinhos alcançou. Trata-se de uma cópia rara da “Action Comics”, gibi que lançou o Super-Homem. Como foi publicada em 1938, acredita-se que não existam mais que 50 cópias espalhadas pelo mundo. Por ter a primeira história do Super-Homem, ela é considerada o marco zero dos super-heróis, lançando o conceito e dando origens a todos os outros que vieram em sequência. Até que a revista está valendo bastante hoje, em comparação aos US$ 0,30 que custava na época. MÚSICA BREGA USADA COMO ARMA A cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, resolveu utilizar uma tática nada convencional para afastar jovens arruaceiros de um centro comercial: colocar músicas consideradas bregas pelos adolescentes. Uma associação comercial colocará canções melosas do cantor norte-americano Barry Manilow para acalmar os ânimos dos jovens que, segundo relatos, fazem sujeira, usam drogas, ficam bêbados e intimidam os lojistas locais. Já pensou se a mania pega por aqui? Ia ter muita gente colocando Reginaldo Rossi e Sydney Magal pra espantar os outros. Imagina só ter que passar o dia inteiro ouvindo o funk “Atoladinha”, de Tati Quebra-Barraco, ou o verso “quem vai querer a minha periquita”, sucesso do forró? Eu, hein!

Grande fenômeno musical dos últimos anos, High School Musical conquistou pessoas de todas as idades. O filme musical conta a história de dois adolescentes que se conhecem por acaso numa festa de final de ano, se apaixonam e juntos descobrem a paixão pela música. O sucesso do longa foi tão grande que não bastou o segundo e o terceiro filme da série: a franquia ganhará mais uma continuação, High School Musical 4. Segundo o presidente da Disney Channel Worldwide, Rich Ross, a idéia é que seja um filme para a TV, assim como foram os dos primeiros da série. Ainda não se sabe se todo o elenco estará presente na nova produção.

Seriados abordam homossexualidade feminina Até pouco tempo atrás, abordagens sobre homossexualidade, ainda encarada com preconceito pela maioria da sociedade, eram mais em torno dos homens, mas ultimamente isso tem mudado. Tanto que o seriado Simpsons, que foi ao ar no último dia 1º de março nos EUA, exibiu Marge Simpson beijando uma amiga na boca, mas tudo isso na fantasia do Homer, que ficou extasiado imaginando a cena. E se você é fã de Grey’s Anatomy, não perca no site www.terra.com.br (seção TV), um episódio da quinta temporada quando Callie e Erica se beijam e dormem juntas – lembrando que no Brasil, na TV aberta, a série está na terceira temporada, pelo SBT.




DROPS As rapidinhas do BOOM

São Paulo ganha novo espaço cultural O Grupo IBEP-Nacional inaugurou no final de março um espaço totalmente dedicado à cultura e ao aprendizado, chamado Espaço Cultura IBEPNacional, no bairro Bela Vista, próximo ao metrô Brigadeiro. A programação diária e gratuita terá cursos, palestras, entretenimento, livraria, café, revistaria, espaço HQ e infantil, auditório e espaço para professores. Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 9h às 21h. Programação completa e outras informações, no site www.ibepnacional.com.br

Museu da Língua Portuguesa e universidade lançam Guia da Reforma Ortográfica e distribuem gratuitamente O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e a Universidade FMU lançaram o Guia da Reforma Ortográfica, chancelado pelo professor Ataliba de Castilho, especialista em língua portuguesa. Cada exemplar será entregue aos visitantes do Museu e a FMU também entregará para as mais de 7.900 escolas estaduais e municipais do estado de São Paulo, além de disponibilizar o conteúdo para download no site: www.fmu.br

DISNEY CRIA POLÊMICA COM A PRIMEIRA PRINCESA NEGRA Os estúdios Disney estão causando polêmica com a nova animação que deve ser lançada em dezembro deste ano, “A Princesa e o Sapo”. O longa contará com uma princesa negra. Segundo o site do jornal “Daily Mail”, alguns acusam a Disney de racismo pelo fato do príncipe do filme não ser negro. Os críticos, entretanto, aprovaram a decisão, pelo fato disso “retratar os EUA nos dias de hoje”. Independente da opinião, a própria Disney está ajudando a quebrar paradigmas e preconceitos lançando, pela primeira vez, uma protagonista negra. O mais próximo que o estúdio chegou disso foi em “Pocahontas”, em 1995. GAMERS GANHAM REALITY SHOW

FAITH NO MORE ESTÁ DE VOLTA

O SciFi Channel acaba de lançar dois desafios para os fanáticos por games: jogos eletrônicos e reality show. O World Cyber Games vai escolher 12 concorrentes ao redor do mundo para que eles disputem as diversas etapas de vários games, lembrando que o World Cyber Games é um dos maiores campeonatos do gênero. O formato de reality show irá exibir os participantes jogando. Talvez o Guitar Hero também esteja na lista do campeonato. E você deve estar se perguntando: “e o prêmio?”. O primeiro lugar vai embolsar 100 mil dólares, vários eletrônicos e será endorsee, ou seja, representante da WGC em todos os eventos sobre jogos.

Depois de uma década deixando fãs do mundo inteiro órfãos com a notícia que encerraram as atividades, os percussores do estilo new metal, Faith no More, estão de volta e prometem show no Brasil em breve. A banda - que fez muito sucesso nos anos 1980 com as músicas “Epic” e “Falling To Pieces” - agora conta com Mike Patton no vocal, Jon Hudson na guitarra, Mike Bordin na bateria e Roddy Bottum no teclado. E os caras voltaram totalmente antenados nas novidades da internet, tanto que caíram nas ‘asas’ do twitter também. Colaboraram para os DROPS desta edição: Camila Calado, Gisele Santos e Gustavo Dittrichi




Garoto, interrompido PERFIL

Heath Ledger tinha tudo para ser um dos mais promissores jovens atores de Hollywood. A carreira foi interrompida bruscamente, mas o reconhecimento chegou mesmo assim. Gustavo Dittrichi

Alcançar o reconhecimento em Hollywood não é uma tarefa fácil, e é almejada pela maioria de atores e atrizes que conseguem ingressar na fábrica de sonhos (e, às vezes, de pesadelos, diga-se de passagem). Para o ator australiano Heath Ledger, essa escalada foi difícil e demorada – e ele acabou nem mesmo vendo o reconhecimento pelo seu talento e trabalho magistral. Heath Ledger morreu com apenas 28 anos, encontrado em seu apartamento em 22 de janeiro de 2008, vítima de uma combinação letal de remédios analgésicos, para dormir e conter ansiedade, todos prescritos. Mas o jovem ator teve o talento consagrado e venceu, na cerimônia do Oscar 2009, o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por sua brilhante interpretação do vilão Coringa, em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Nascido em Perth, capital da Austrália Ocidental, em 4 de abril de 1979, Ledger teve o primeiro contato com as artes cênicas ainda na escola. Seus primeiros trabalhos foram pequenos, no teatro e na TV. Resolveu partir para Sydney, principal cidade da Austrália, com o objetivo de aumentar suas chances na carreira artística. É claro que, assim como a maioria dos atores iniciantes, ele enfrentou muitas dificuldades.

o filho do herói Benjamin Martin, personagem de Gibson. Reprisou um papel histórico em Coração de Cavaleiro, vivendo William, escudeiro medieval que assume o posto do mentor após a morte dele. Já aí começavam a aparecer traços do preparo de Ledger para dar vida a papéis dramáticos e melhor elaborados. Em A Última Ceia (filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz a Halle Berry), Ledger interpreta o filho de um oficial de polícia racista (vivido por Billy Bob Thornton). Para quem assistiu, a cena do filho confrontando o pai é marcante (assim como muitas outras desse longa).

Sua estréia propriamente dita aconteceu em um filme de baixo orçamento e pouco sucesso chamado Assassinato em Blackrock. Sua nacionalidade também foi fator que dificultou o seu reconhecimento internacional. Heath Ledger chamou mesmo a atenção quando protagonizou, ao lado de Julia Stiles, a comédia romântica adolescente Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você (de 1999), releitura do clássico shakesperiano A Megera Domada. No filme, uma das cenas mais marcantes é aquela na qual o ator canta a música “Can’t Take My Eyes Off You” para a personagem de Stiles. Foi por essa cena que Ledger recebeu uma indicação de Melhor Seqüência Musical ao MTV Movie Awards, prêmio de cinema da MTV.

Heath ainda participou de As Quatro Plumas, O Devorador de Pecados e Ned Kelly, este onde atuou com Naomi Watts (O Chamado), Orlando Bloom (O Senhor dos Anéis) e Geoffrey Rush (Piratas do Caribe). Em 2005, apareceu em Os Irmão Grimm, ficção fantástica baseada nas fábulas literárias. Mas foi em O Segredo de Brokeback Mountain que Ledger alcançou projeção mundial. Ao lado de Jake Gyllenhaal, ele deu vida ao romance de dois cowboys 

A partir daí, a carreira de Ledger só cresceu. Ele atuou ao lado de Mel Gibson em O Patriota, vivendo




PERFIL

gays que, após terem um curto relacionamento amoroso quando jovens, passam o resto da vida carregando as marcas do passado. Além do ótimo elenco, que hoje é de atores consagrados, como Anne Hathaway e Michelle Williams, o filme venceu três Oscars, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora, e foi indicado para Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Jake Gyllenhaal), Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams), Melhor Fotografia e Melhor Ator, para Heath Ledger. Ele não ganhou o Oscar, sendo desbancado por Philip Seymour Hoffman por Capote. Mas Ledger ainda levaria uma estatueta dourada.

obscuro e complexo que ele viveu foi o Coringa, em Batman: O Cavaleiro das Trevas. “Foi meio que um alívio sair do martírio físico de interpretar Bob Dylan, mas o Coringa foi a maior diversão que tive e que provavelmente terei em interpretar um personagem”, disse Heath em entrevista (que pode ser assistida no YouTube). “Foi difícil e cansativo, porque era necessário um alto nível de energia todos os dias”. Pelo brilhante trabalho em construir um personagem instável, perigoso e altamente psicótico como o Coringa, Heath Ledger ganhou não só o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante, mas também o Globo de Ouro na mesma categoria.

Foi neste filme que Ledger conheceu sua futura esposa, Michelle Williams, com quem teve uma filha, Matilda Rose, que hoje tem três anos.

Entrando para o hall de atores brilhantes mortos precocemente – que inclui James Dean e River Phoenix – Ledger deixou não só uma lacuna por ter sido um ator brilhante, mas também por ter mostrado que determinação e dedicação são características fundamentais para conseguir reconhecimento profissional, mesmo que póstumo. :-(

Ledger, que sempre teve o costume profissional de fazer pesquisas para construir seus personagens, viveu mais um personagem polêmico em Candy, na pele do poeta Dan, que se apaixona por Candy (Abbie Cornish) e passa a dividir com ela o vício em heroína. Apesar da temática amplamente explorada, C a n d y consegue traçar a t r a j e t ó r i a Ledger como o Coringa, em The Dark Knight do uso de uma (Divulgação). droga tão forte quanto a heroína – que nos EUA também é chamada de “doce” (“candy” em inglês).

 Dica Quem quiser conhecer mais profundamente o trabalho de Heath Ledger, está sendo lançada no Brasil uma biografia do ator, intitulada Heath Ledger: O Astro Sombrio de Hollywood. A obra, de Brian J. Robb (que já escreveu biografias de outros atores como Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Johnny Deep), conta como o ator se preparou para viver o Coringa. A narrativa mostra como foram os processos adotados pelo ator para a concepção e elaboração do sombrio vilão.

Heath Ledger: O Astro Sombrio de Hollywood  Brian J. Robb – Editora Panini $ Por volta de R$ 35

Um dos últimos trabalhos de Ledger que foi concluído antes de sua morte prematura foi Não Estou Lá, onde interpretou uma das facetas do cantor e compositor Bob Dylan. Mas, sem sombra de dúvidas, e na opinião do próprio Ledger, o personagem mais sombrio,




Entrevista

CLAUDIA LEITTE

Depois de nove meses... que resultado! A baiana conta tudo sobre a gravidez e os planos para 2009 Andr茅 Schilir贸




Entrevista

CLAUDIA LEITTE

Depois do nascimento do filho Davi, a cantora baiana fala dos planos para 2009 Claudia Leitte em show na Rocinha, em 15 de março de 2009: em plena forma e disposição (Thiago Teixeira). Ida Kazue

Nove anos após começar profissionalmente como cantora, Claudia Leitte, que agitou mais de um milhão de pessoas nas areias da Praia de Copacabana, lançando sua carreira solo, mostrou “o que é que a baiana tem” no último Carnaval. Já se foram quase 40 dias, mas Claudia Cristina Leite Inácio Pedreira, ou simplesmente Claudia Leitte, não parou de agitar nem após nascimento de seu primeiro filho, Davi. A simpática baiana conversou com a gente sobre os prêmios que conquistou no Carnaval 2009, sobre a correria da maternidade e adiantou para o BOOM! as novidades e planos para 2009. Confira abaixo o bate-papo. BOOM! - Afinal, quais foram conquistados no carnaval 2009?

os

prêmios

CLAUDIA LEITTE - Foram dez premiações e eu fui premiada com nove troféus. Oito de melhor música pelos troféus Band Folia, Tv Itapoan (Record), TV Aratu (SBT), Rádio Piatã FM, Itapoan FM, Sociedade AM, Jornal Correio da Bahia e Portal Axezeiro, e ainda de melhor cantora pelo troféu da Rádio Sucesso FM. BOOM! - Como foi para você subir nos trios apenas duas semanas após o nascimento do Davi?

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CLAUDIA LEITTE - Calma! Duas, não. Quatro semanas. Para ser exata, três semanas e meia, quando cantei com meu amigo Bell em Praia do Forte. Mas no trio (elétrico) mesmo, quatro semanas. Foi lindo e acho que ele também me deu força. Quando me despedi dele, meus olhos se encheram d’água, mas foi como se eu ouvisse ele dizendo: vai mãe, canta, dança, arrebenta! (risos). BOOM! - Desde o começo da gravidez, você já sabia que faria o carnaval 2009? Já vinha programando?


Entrevista

CLAUDIA LEITTE - Sabia sim, só não imagina que estaria tão bem. Todos se surpreenderam com a minha recuperação, até eu me surpreendi.

BOOM! - Como está fazendo para conciliar a vida de seus recém-nascidos: o bebê e o CD?

CLAUDIA LEITTE - Minha vida está uma loucura, mas confesso que não conseguiria me afastar dos palcos. Mas vivo o melhor momento de minha vida e conciliar meu maior sonho, que era ser mãe, com a música, tem sido maravilhoso. Estou radiante, realizada, e isso tem refletido Frase de “cabeceira” de Claudia Leitte diretamente nas minhas apresentações.

BOOM! - Ficou com medo de perder espaço no carnaval baiano que é tão disputado, e que você conquistou com muita garra?

“Tudo

posso naquele

que me fortalece”

CLAUDIA LEITTE - Não existe este negócio de perder espaço. Quando engravidei e fiz as contas, fiquei um pouco apreensiva, mas meu médico me tranquilizou. Ele foi muito competente, me deu toda a força durante a gravidez, me orientou e me disse que se seguisse à risca o que estava prevendo eu teria sim condições de estar no Carnaval. E foi o que aconteceu. Já tinha sofrido ficando fora do Festival de Verão, pela primeira vez desde 2003, e longe do Carnaval seria um sofrimento ainda maior.

Thiago

BOOM! - E 2009? Além de Davi e o CD, há mais planos por aí? Quais são os seus projetos profissionais? CLAUDIA LEITTE - Tenho muitos. Quero lançar ainda esse ano um DVD só de clipes, a minha lojinha virtual, a “CL Store”, e também meu livro infantil de poesia ilustrada, além de fazer muitos shows pelo Brasil afora. :-D

. Teixeira

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CAPA

Ernie Manrique

THE IRON MAIDENS

a versão feminina da ‘Donzela de Ferro’ Conheça a história da única banda reconhecida e autorizada em todo o mundo a fazer tributo ao Iron Maiden Gisele Santos

Ainda existe preconceito com bandas que fazem trabalho cover, mas é até compreensível, já que milhares de artistas trabalham nas criações de músicas próprias e batalham por um lugar ao sol entre mil dificuldades - principalmente a falta de verba - para conseguir gravar CD, e a maioria nem consegue espaço pra tocar em shows. Só que não é legal generalizar ou menosprezar trabalho cover, pois existem tributos muito bacanas como é o caso da versão feminina da “Donzela de Ferro”, The Iron Maidens. A banda californiana é formada somente

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por mulheres e está na estrada desde 2001. O trabalho, que começou com Aja “Bruce Chickinson” Kim nos vocais, Linda “Nikki McBURRain” McDonald na bateria, Heather “Adrienne Smith” Baker e Sara “MiniMurray” Marsh nas guitarras, e Wanda “Steph Harris” Ortiz no baixo, é reconhecido e liberado pelos ingleses do Maiden original. Aja e Heather deixaram a banda há pouco tempo para se dedicarem a outros projetos musicais, mas já foram substituídas por Kirsten “Bruce Chickinson” (vocal) e Courtney “Adriana Smith” Cox (guitarra). É difícil fazer um trabalho chegar próximo ao


CAPA original, ainda mais se tratando da comparação ao patrimônio histórico do metal, o Iron Maiden. Se elas não fossem competentes, os integrantes da banda original não teriam reconhecido o profissionalismo e continuar a trabalhar nesse projeto, até mesmo gravar CDs, que já são dois, lançados aqui no Brasil pela Hellion Records. The Iron Maidens enfrentaram muitos desafios, como comparações inevitáveis, preconceitos contra cover, chegar bem próximo ao som da banda original e, acima de tudo, fortalecer mais ainda o espaço para as mulheres do rock e metal de todo o mundo. Aos poucos The Iron Maidens tem ganhado credibilidade, mostrando talento e responsabilidade, tanto que já conquistou prêmios nas categorias guitarra, baixo, bateria, voz, em eventos como o Rock City News Awards, The L.A. Music Awards e The All Access Magazine. BOOM: Pra começar, uma pergunta inevitável... Por que uma banda tributo?

Conversamos com as integrantes da banda The Iron Maidens, ainda com a presença das fundadoras Aja e Heather, pra você saber como essa história toda começou. Em entrevista ao Boom!, elas falaram que ainda existem alguns preconceitos contra as mulheres no rock, contaram como foi o encontro delas com os “caras” do Iron Maiden e como rolou de eles liberarem o lançamento dos CDs tributo. Elas também disseram que estão loucas pra tocar aqui no Brasil e até pediram para os fãs criarem uma petição ou abaixoassinado na tentativa de algum produtor tupiniquim traze-las pra cá. Confira:

BOOM: Como é o contato de vocês com o Iron Maiden? Eles já foram em algum show de vocês?

Sara: Cinco mulheres tocando Iron Maiden não é algo que você pode ver todos os dias e a ideia foi inspiradora pra mim. É muito divertido tocar para os fãs, pois é como tocar de fã para fã, já que adoramos o Iron.

Linda: Steve Harris e Bruce Dickinson estiveram em um show nosso no México! Eu tive a sorte de conhecer Clive Burr muitos anos atrás e gostaria de agradecer a ele por toda inspiração que me faz tocar. Ele foi o primeiro Maiden que eu conheci.

Heather: A nossa banda tem Da esquerda para a direita: Sara, Aja, Linda, Wanda e recuperado o espaço das Wanda: Eles foram muito Heather (Divulgação). mulheres no rock, mostrando simpáticos conosco e pacientes, que podemos fazer som pesado pois nessa hora foi impossível sem nenhum problema. Assim The Iron Maidens não agirmos como fãs (risos). Eles estavam ali, na chama a atenção das pessoas e muitos vão aos shows nossa frente! Nossos ídolos! para saber como é nossa performance ao vivo. Heather: No dia do show no México percebemos Wanda: Todas nós já nos conhecíamos, por tocar em como eles compreenderam nosso tributo, que é uma outras bandas ou através de amigos ou conhecidos. verdadeira homenagem ao Iron Maiden. Um dia decidimos que seria bacana formar uma banda somente com mulheres em homenagem ao Iron Maiden, Aja: Foi uma grande honra realizar o nosso show com coincidindo com o nosso gosto musical. No começo Steve Harris e Bruce Dickinson na platéia! era apenas um projeto paralelo para nos divertimos, mas após os primeiros shows surgiram cada vez mais BOOM: E o Iron Maiden permitiu que vocês convites das casas noturnas do EUA e atualmente continuassem trabalhando nesse tributo? Como foi esse projeto nos mantém completamente ocupadas. tudo isso? Aja: Queríamos fazer algo musicalmente desafiador e que nos satisfizesse. A música do Iron Maiden preenche todos esses requisitos.

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Linda: Rod Smallwood, empresário deles, viu um show nosso e todos eles entenderam perfeitamente que não estávamos desrespeitando o trabalho do


CAPA Iron e sim homenageando os músicos. E assim, eles liberaram numa boa nosso trabalho. Sara: Imitação é a maior maneira de homenagear. Heather: Eles ficam lisonjeados quando as pessoas prestam homenagens ao Iron, à sua música e essência. Wanda: Eu nunca imaginei que os próprios integrantes do Iron Maiden iam nos apoiar tanto assim, pois quando iniciamos o nosso projeto, já existia um monte de bandas tributo ao Iron Maiden em vários lugares do mundo.

BOOM: Grim Reaper, a mascote da The Iron Maidens (igual ao Eddie, mas usando saia e brincos) participa em forma de boneco gigante nos shows, igual do Iron Maiden, ou somente nas capas dos seus CDs? Linda: Estes monstros mortos estão muito vivos em nossos shows! (risos) Sara: Nós nos divertimos muito com os dois em nossos shows, e uma vez tivemos a presença até de um “mini” Eddie que juntou-se a eles! Aja: Grim sempre participa dos nossos shows, quando tocamos “Hallowed Be Thy Name”.

Aja: Iron Maiden nunca foi egoísta com suas músicas e BOOM: Todas as capas dos CDs também são assinadas existem muitas homenagens por Derek Riggs? em todo o mundo. Nós “Ainda existem pessoas tocamos em lugares Linda: A capa do nosso primeiro preconceituosas que acham as CD foi feita por Derek. Já a menores, onde a banda verdadeira talvez não mulheres incapazes de tocar arte do nosso segundo trabalho, possa visitar (embora Ed metal ou rock com competência. “Route 666”, foi feita pelo nosso Force One, o avião pilotado amigo Tommy Pons. E eu acho engraçado quando nos por Bruce, tenha mudado apresentamos ao vivo, pois alguns Aja: Grim tem o nome de isso ultimamente!). Bom, olham surpresos por perceberem Edwina T. Head. Derek tem um as pessoas desses lugares muitas vezes não têm maravilhoso senso de humor. que sabemos tocar realmente.” dinheiro pra viajar onde a banda está (pagar pelo BOOM: Quando a banda tocará ingresso e passagem) e percebemos nesses locais que aqui no Brasil? muita gente está faminta pra ouvir Iron Maiden ao vivo. Assim tocamos, nos divertimos e homenageamos Linda: Teremos grande prazer em tocar no Brasil, nossos ídolos. assim que algum confiável produtor nos convidar! Nós estamos ansiosas pra tocar as músicas do Iron BOOM: No final de 2007, a banda lançou o no Brasil! segundo CD, “Route 666”, sucessor do debuthomônimo, com um DVD “The Trooper” que conta Heather: Nós queremos muito tocar na América do Sul com a participação especial de Phil Campbell e passear também! Esperamos que essa oportunidade (guitarrista do Motörhead). Como aconteceu essa apareça em breve! participação? Aja: Eu quero ir aí e dizer: “Grite por mim, Brasil!”. Linda: Eu conheço outros dois membros do Motörhead E ver todo mundo sambar, igual o Bruce descreveu no há algum tempo. Quando estávamos em Washington, blog dele quando esteve no país. eles tocaram na mesma noite. Aí nosso empresário foi chamado e eles queriam conversar com a gente, BOOM: O que acham do trabalho de Lauren Harris, então surgiu o convite de abrirmos alguns shows pra filha do Steve Harris? Gostam? eles e depois convidamos Phil, que já havia tocado no palco conosco em uma dessas noites e aproveitamos Linda: É uma banda bacana. São músicos muito pra captar essas imagens pro DVD. divertidos e cheios de vida, com muitos anos na estrada do rock. Aja: Phil é um guitarrista incrível! E o DVD que você falou, é parte de um show ao vivo no Galaxy Theater Sara: Eu gostei muito do show dela na cidade do aqui em Santa Ana, Califórnia. Nosso DVD tem nove México, sua banda tem energia muito boa. músicas. Ele participa da música “The Trooper”. Aja: Embora a música da Lauren seja muito diferente

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CAPA que o pai dela faz, ela faz um ótimo trabalho. Ela é uma pessoa muito doce e nós desejamos muito sucesso em sua carreira musical. BOOM: Qual é a opinião de vocês sobre as mulheres no rock? Linda: Está acontecendo um crescimento nas culturas e a mulher está conquistando várias áreas, inclusive o rock. E isso é maravilhoso! Não existe mais tabu para meninas terem banda de rock ou metal. Wanda: Precisamos de mais mulheres no rock! Mais! Por favor! Aja: Quanto mais mulheres no rock melhor! Não podemos deixar os rapazes se divertindo sozinhos! BOOM: Vocês já sofreram algum preconceito por serem mulheres que tocam em uma banda de rock? Linda: Claro. Eu percebo que muita gente me olha e pensa “ela é uma mulher, é frágil, pequena”. As pessoas tendem a pensar: “é um bando de mulheres numa banda e nem devem saber tocar”. Mas acho que muita coisa já mudou, felizmente, com o passar dos anos. Wanda: Ainda existem pessoas preconceituosas que acham as mulheres incapazes de tocar metal ou rock com competência. E eu acho engraçado quando nos apresentamos ao vivo, pois alguns olham surpresos por perceberem que sabemos tocar realmente. Aja: Há sete anos estamos calando a boca de muita

gente, mostrando que podemos tocar muito bem metal. BOOM: Vocês ouvem bandas formadas por mulheres ou com meninas no vocal? Linda: Eu gosto de Kate Frente. Ela tem voz poderosa e matadora. Sara: Turkish. É de Istambul. Eles usam harpa. Quero muito um dia ver essa banda ao vivo. Wanda: Arch Enemy, Evanescence, Lita Ford, Heart, Joan Jett, Nightwish, Doro Pesch, Phantom Blue (banda da Linda). Heather: Fleetwood Mac, Carly Simon, Portishead, Bjork, The Pretenders, Heart, Cocteau Twins, Fiona Apple, Feist, Tegan and Sara, The Cranberries, Imogen Heap, Guano Apes, Garbage. Aja: Doro Pesch, Janis Joplin, Heart, 4 Non Blondes, Patty Smith, Phantom Blue, The Afterlife e Aja Kim. BOOM: Deixem

entrevista. brasileiros!

The Iron Maidens: Up The Bloody Iron, Brasil! Nos ajude ir aí! Façam uma petição! Nos avisem se fizerem, pois assim divulgaremos juntos. Queremos muito ir aí! E não deixem de visitar nosso site www. theironmaidens.com. Os Maiden fãs brasileiros são os melhores! Esperamos ver os amigos aí no Brasil em nossos shows, vamos dizer “Scream for me, Brazil”. Up the Irons! Valeu! :-D Divulgação.

No Brasil, até o Kiss é representado por meninas do rock No Brasil, também tem banda fazendo cover de meninos. Tratase da Unholy Virgins, que fazem tributo ao Kiss e contam até com a maquiagem e língua a la Gene Simmons. Foi criada em 2000, em Campinas/SP, por Sophia Reiss - Paul Stanley (vocal), Marina Salvucci - Paul Stanley (guitarra), Larissa Correa - Gene Simmons

Muito obrigada pela uma mensagem aos fãs

(baixo), Camila Reiss - Ace Frehley (guitarra) e Maíra Meyer - Peter Criss (bateria). A banda não possui site com músicas ou histórico, somente comunidade no Orkut, mas vive com agenda de shows recheada.

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E o número das bandas formadas por mulheres que estão fazendo cover competente vem crescendo. Nos EUA, além de The Iron Maidens, também estão na estrada Lez Zeppelin, tributo ao Led Zeppelin (www.lezzeppelin. com), AC/DShe (www.myspace. com/acdshe) tributo ao AC/DC, Cheap Chick (www.myspace.com/ cheapchick) tributo ao Cheap Trick e The Ramonas (www.myspace. com/thehotramonas) tributo aos Ramones.


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MANIA DE SERIADOS Os brasileiros aderiram, definitivamente, aos seriados importados. Saiba quais são as novidades para 2009-2010!

Seriado Lost é um dos mais baixados na internet pelos brasileiros (divulgação). Gustavo Dittrichi

Ilhas misteriosas, pessoas com habilidades fantásticas, donas-de-casa desesperadas, residentes de medicina, ou um brilhante médico ranzinza. Seja qual for a história, os brasileiros estão cada vez mais trocando as repetitivas tramas das novelas pelos seriados enlatados. Se, por um lado, a exaltação da cultura nacional perde pontos, os seriados ganham cada vez mais adeptos. No primeiro trimestre do ano passado, o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) divulgou a lista das séries mais vistas na TV paga nacional. Em primeiro lugar estava House, com 100,6 mil telespectadores. São números realmente grandes, mas impressiona ainda mais o número de pessoas que acompanham os seriados juntamente com os Estados Unidos, fazendo o download dos seriados na internet: segundo a Folha de S.Paulo, cerca de 70 mil pessoas já baixaram os episódios da nova temporada (a quinta) de Lost, seriado mais assistido dos últimos tempos. Explica-se: no Brasil, os episódios das séries exibidos na TV paga têm um atraso de seis meses a um ano em comparação aos exibidos em solo norte-americano. E a quantidade de grupos que se unem para fazerem as legendas só prova que o segmento de pessoas que acompanha seriados só vêm aumentando.

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Crise chega aos seriados Entretanto, nos EUA, alguns seriados já estão com os dias contados. Pois é, os efeitos da crise são visíveis até na TV: algumas séries não serão renovadas e entre 2008-2009 não existirão mais. Entre elas, estão a sitcom According to Jim (O Jim É Assim, no Brasil), Battlestar Galactica, Eli Stone, The L World, Pushing Daisies e, pasme, E.R. (a popular Plantão Médico). Depois de 15 temporadas (aproximadamente 14 anos no ar), o aclamado drama médico que acompanha a vida em um pronto socorro finalmente ganhará um ponto-final. E, segundo a revista People, o episódio final da série, que terá duas horas de duração, contará com a participação especial de Alexis Bledel (a Rory de Gilmore Girls). Entretanto, existem outros seriados que tem mais uma temporada garantida: os fãs de Smallville, Supernatural, Gossip Girl, 90210 e One Tree Hill podem comemorar, pois todas elas foram renovadas por mais um ano pelo canal americano CW. Além disso, o CW também já deu sinal verde para o episódio piloto da nova versão de Melrose Place, seriado que fez muito sucesso no Brasil entre 1994 e 1998. :-D


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CQC

Divulgação

Pânico

Quem ganha essa disputa? Amanda Lopes

Se até há pouco tempo os humoristas do Pânico na TV, transmitido aos domingos pela RedeTV, dominavam o esporte de perseguição às celebridades, agora eles têm que dividir espaço com um concorrente: o Custe o que Custar (CQC), exibido pela Band nas segundas à noite. O CQC já deixou claro que será uma pedra no sapato da atração da RedeTV! Com a chegada do CQC, pode-se comparar os prós e os contras de dois estilos humorísticos. O programa dispensa as popozudas e os quadros de mau gosto que volta e meia se vêem no Pânico. O CQC corre o risco de derrapar se insistir em se levar a sério politicamente. Alguns de seus quadros pretendem ser reportagensdenúncia. O Programa CQC está incomodando o pessoal do Pânico na TV, que está passando pelos seus momentos de crises. O CQC está ganhando cada vez mais o espaço na rede de televisão, conquistando o público com um humor mais adulto e inteligente. Mas afinal será que sem a apelação dos quadros de celebridades e suas apresentadoras em trajes menores exibidos pelo rival, o programa continuará em ascensão? :-o

O reinado das feias na TV Gisele Santos

Depois da novela colombiana “Betty, a Feia”, na Rede TV!, da versão mexicana “A Feia Mais Bela”, produzida pela Televisa, e exibida pelo SBT (2007), e da

versão americana, em formato de série, “Ugly Betty”, vem aí mais uma feia pra telinha. A Record, diferente das emissoras concorrentes que reproduziram as produções estrangeiras, resolveu gravar a novela com atores brasileiros e já está em fase de testes para a escalação do elenco

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da “Bela, a Feia”, regravação de “A Feia mais Bela”. Bárbara Borges (ex-atriz da Globo) será protagonista da trama, adaptada por Gisele Joras e com direção de Edson Spinello, que estreia em maio. Bárbara interpretará a feia secretária sem qualquer atrativo físico que conquista o chefe. ;-)


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PARANAPIACABA: UMA VILA FERROVIÁRIA PARA SE VISITAR EM SÃO PAULO O BOOM fez um guia de locais interessantes para visitar na Vila

Gustavo Dittrichi

Quando os índios subiam a Serra do Mar rumo ao planalto, passavam por um caminho íngreme, de onde, em dias claros, era possível avistar um horizonte remotíssimo. Por isso, nomearam a região de “paranã apiaca aba”, traduzido do tupi-guarani, “lugar de onde se vê o mar”. Sem saber, estavam nomeando o local onde, mais tarde, seria construída uma estrada de ferro que daria origem a um dos poucos monumentos nacionais existentes em São Paulo: a Vila de Paranapiacaba.

A história do local está diretamente ligada ao desenvolvimento da ferrovia paulista. Com a expansão do plantio e comércio de café pelo Brasil, especialmente no interior oeste do estado de São Paulo, tornou-se urgente encontrar um meio de escoar a produção com maior facilidade para o Porto de Santos. O mercado no exterior era certo, mas o produto levava dias de viagem, sob precárias condições, em tropas de mulas até o litoral. Em franca expansão na Europa, a ferrovia seria a solução ideal para este problema.

Construída no século 19 por engenheiros ingleses, em meio à nativa Mata Atlântica da Serra do Mar, Paranapiacaba, originalmente uma vila ferroviária, caracteriza-se como um raro ambiente onde natureza, arquitetura e tecnologia de transporte se integram em harmonia, constituindo um museu dinâmico ao ar livre. Paranapiacaba encanta muitas pessoas. Tanto é que, em junho do ano passado, o distrito ferroviário lançou sua candidatura a Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e a Cultura). A cerimônia de lançamento ocorreu em 27 de junho, em Santo André, município do qual Paranapiacaba faz parte, desde 2002. A vila já é tombada, desde 1987, pelo órgão estadual Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e desde 2002 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Estação de Paranapiacaba (*).

Assim, surgiu a São Paulo Railway (SPR), popularmente conhecida como Inglesa, por intermédio do decreto imperial n° 1.759, de 26 de abril de 1856, que autorizava a incorporação de uma companhia para a construção de uma estrada de ferro entre Santos e Jundiaí. Graças ao seu espírito empreendedor, Irineu

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 Fica Ligado!

TV, quadrinhos, tecnologia, passeios, eventos e variedades. Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, conseguiu capital necessário junto a cafeicultores e banqueiros ingleses. Em 1860, começaram as obras de construção da SPR, que tinha como principal desafio ultrapassar cerca de 800 metros de altitude da Serra do Mar. Como solução, os engenheiros ingleses adotaram o sistema funicular (onde máquinas fixas a vapor tracionavam as composições através de cabos de aço), aplicado para vencer grandes rampas, que não podem ser superadas pela simples aderência entre rodas e trilhos.

o relógio, único ponto salvo do fogo, foi consertado e levado para uma nova torre, ao lado do prédio novo. Com o surgimento da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 1992, a Vila de Paranapiacaba passou a ser atendida pelos trens metropolitanos, integrando a Linha D (Luz-Rio Grande da Serra, atual Linha 10-Turquesa), até 2001, quando o trecho entre Rio Grande da Serra e Paranapiacaba foi desativado, sendo usado apenas pela MRS Logística para transporte de carga. Hoje, a vila de Paranapiacaba é atração turística e ponto histórico, fazendo de seu passeio uma viagem pela história de São Paulo, do café, da presença inglesa no desenvolvimento sócio-econômico e, claro, da ferrovia. Patrimônio Mundial da Humanidade

Maquinário parte do sistema funicular (*).

Em 1867, foi fundada a estação Alto da Serra (mais tarde nomeada Paranapiacaba), último ponto antes da descida para o litoral. Lá, foi instalado o maquinário responsável pela tração dos trens. Durante o processo de construção da SPR, a vila de Paranapiacaba (na época chamada de Alto da Serra, assim como a estação) era inicialmente apenas um acampamento de operários. Com o início da operação, houve a necessidade de se fixar parte deles no local para cuidar da manutenção do sistema. Com a característica arquitetura inglesa, herdada dos magnatas da ferrovia, a vila era bem cuidada, com ruas arborizadas e casas pintadas. Os pontos de encontro importantes eram a estação – que somente em 1945 passou a se chamar Paranapiacaba, assim como o local – e o clube União Lira Serrano, centro de intensa atividade sócio-cultural, como bailes, jogos de salão e competições esportivas. Às vezes, pode-se considerar a vila um decalque exato das vilas similares inglesas: até a neblina, em alguns dias, está lá presente, contribuindo para criar o clima típico inglês. Em janeiro de 1981, um incêndio destruiu o prédio da antiga estação. Uma nova estação foi levantada e

No dia 27 de junho de 2007, a Prefeitura de Santo André lançou a candidatura de Paranapiacaba a Patrimônio Mundial da Humanidade, pela Unesco. Além de ser o primeiro patrimônio industrial brasileiro a ser indicado – o Brasil 17 locais na lista, 10 culturais e 7 naturais –, é também o primeiro patrimônio ferroviário. Para tanto, a prefeitura está investindo na infraestrutura da cidade, visto que a Unesco exige garantia de preservação e desenvolvimento sustentável da vila. A recuperação do distrito está sendo trabalhada em quatro frentes: turismo sustentável, conservação ambiental, desenvolvimento social e preservação do patrimônio cultural. Para ser aceita como candidata e ser eleita, a Unesco faz uma análise bem complexa, mas basicamente exige que sejam destacados os valores universais que fazem de Paranapiacaba um patrimônio mundial. Está sendo criado um plano de desenvolvimento para Turismo Sustentável, além da implantação do programa de qualificação dos serviços turísticos prestados. Oitenta monitores culturais e ambientais também foram cedidos pela prefeitura. Com um investimento de R$ 7,5 milhões, Paranapiacaba está recebendo uma série de planos para adequá-la às condições da Unesco.

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TV, quadrinhos, tecnologia, passeios, eventos e variedades. Turismo A Vila também é centro de visitação e turismo. Por isso, além de diversos pontos turísticos, conta com cerca de 15 pousadas, hotéis ou hospedarias, 20 restaurantes, 10 bares e lanchonetes e 15 ateliês de artesanatos. Alguns pontos turísticos e históricos não podem deixar de ser visitados ao se passar por Paranapiacaba. Veja os principais pontos e monte seu roteiro. ROTEIRO CULTURAL E MUSEOLÓGICO Museu Tecnológico Ferroviário: também chamado “Museu Funicular”, a atração principal são os maquinários que compunham o sistema funicular, utilizado para fazer a tração dos trens de viagem que desciam ou subiam a serra através do sistema de tração de cabos. As máquinas com enormes estruturas, muito bem preservadas, são impressionantes. O museu ainda mantém as duas locomotivas que engatavam no cabo de aço e puxavam a composição – a serra-breque e a loco-breque. No final do museu, existe uma guarita elevada, de onde é possível ver o município de Cubatão. Local: Pátio Ferroviário Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 10 às 16 horas. Ingressos: R$ 2. Museu Castelinho: restaurado em 2005, hoje abriga peças da ferrovia e a memória social da vila. Também apresenta uma exposição permanente com acervo da casa do engenheiro-chefe da SPR, com mobiliário, quadros e relógios, uma maquete física de toda a Vila, cinco tótens instalados no piso superior com fotos da vista das janelas do Museu Castelo, aproveitando a posição estratégica da construção, além de banners distribuídos por todas as salas que contam a história da implantação da Vila Ferroviária.

Local: Rua Caminho dos Mendes, s/nº Horário de funcionamento: terça a sexta-feira das 11 às 16 horas, e aos sábados, domingos e feriados das 9 às 17 horas. Ingressos: R$ 2. Clube União Lyra Serrano: foi uma das últimas construções inglesas, erguida por volta de 1936. Possuía um salão principal que servia para sala de cinema, quadra de esportes e salão de baile, com camarotes apropriados ao alto escalão da SPR. Possui atualmente uma exposição que aborda o patrimônio sócio-cultural, com um acervo de aproximadamente 400 troféus das décadas de 1920 a 1990, duas mesas de sinuca, mesas de gamão, e painéis fotográficos com imagens selecionadas e registradas a partir de eventos sociais e culturais no decorrer dos anos, e que expressam os costumes e a dinâmica da comunidade local. Local: Rua Antônio Olintho, s/nº Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 9h às 16h e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. Ingressos: Entrada gratuita. Centro de Documentação em Arquitetura e Urbanismo de Paranapiacaba: O CDARQ funciona em um conjunto de quatro residências casa tipo E, e abriga uma exposição permanente sobre formação urbana da Vila, seu patrimônio arquitetônico e a tecnologia construtiva em madeira. Painéis e maquetes destrincham o sistema construtivo, quase todo em madeira, e as características arquitetônicas das diversas tipologias. Local: Avenida Campos Sales, s/nº Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 9h às 16h e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. Ingressos: Entrada gratuita. Centro de Visitantes do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba: é o espaço para recepção dos turistas. Instalado em uma antiga casa de engenheiro, o espaço conta com cinco salas com maquete do parque, fotos, jogos interativos, exposições sobre flora e fauna, brinquedoteca temática (sobre meio ambiente), sala de vídeo/ treinamento, além de oficina para cursos de reciclagem com papel e outros materiais. Local: Rua Rodrigues Alves, 473 A

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TV, quadrinhos, tecnologia, passeios, eventos e variedades. Tel: (0xx11) 4439-0231 Horário de funcionamento: terça a sexta, das 9h às 16h e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. Ingressos: Entrada gratuita. Passeio de Maria-Fumaça: outra atração para quem visita Paranapiacaba. A linha turística, operada pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), com apoio da Prefeitura e a MRS Logística, funciona aos sábados, domingos e feriados, percorrendo um trecho de um Km dentro da área do Museu Ferroviário. Não é apenas um passeio: os condutores estão uniformizados e caracterizados, tudo para recriar a época e a atmosfera inglesa, conduzindo o turista a uma viagem no tempo. Local: Museu Tecnológico Ferroviário Tel: (0xx11) 6692-2949 / 6695-1151 Horário de funcionamento: Sábados e Domingo das 10 às 16 horas. Ingressos: R$ 5. EDIFÍCIOS HISTÓRICOS Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba: O principal marco referencial na paisagem da Parte Alta, a Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba, foi construída por volta de 1889.

Campo de Futebol: Segundo relatos, em 1894 um funcionário da SPR jogou sua 1ª partida de futebol no Brasil. Seu nome, Charles Miller e, assim foi introduzida a paixão nacional em meio a uma vila inglesa na Serra do Mar. Este campo presenciou, além da 1ª partida, várias outras do Serrano Atlético Clube contra times grandes como Santos, Corinthians, entre outros. ECOTURISMO Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba: é uma Unidade de Conservação com 4.261.179,10m² de remanescentes de Mata Atlântica no entorno da histórica vila de Paranapiacaba. Pela proximidade da Serra do Mar, por seu clima, com a neblina típica, e pelas suas belezas naturais, o PNMNP possui potencial para atividades voltadas para o uso público, como esportes na natureza, caminhadas em trilhas, estudo de meio, interpretação, recreação e educação ambiental. Atualmente o parque possui 5 trilhas abertas a visitação e dois Núcleos de Interpretação Ambiental. Horário de funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17h. As visitas só podem ser realizadas com o acompanhamento de monitores cadastrados. ;-) Como chegar?

De carro: siga pela Via Anchieta até o Km 29 (Riacho Grande, placa sentido Ribeirão Pires), entrar na SP 148 (Estrada Velha de Santos), até o Km 33; pegar a Rodovia Índio Tibiriçá (SP 31) até o Km 45,5 (Posto Shell), e a SP 122 até Paranapiacaba. De trem: pegue o trem até a Estação de Rio Grande da Serra e depois o ônibus integração até Paranapiacaba (que parte a cada hora durante a semana e a cada meia hora nos finais de semana). Solicite o bilhete integração nos guichês da CPTM; na volta, solicitar o bilhete para o cobrador do ônibus. De ônibus: A linha 040 - Paranapiacaba, da Viação Ribeirão Pires, parte do Terminal Urbano de Santo André (TERSA) - Estação Prefeito Saladino. Durante a semana, o intervalo é de 40 minutos, a partir das 04h30min. Nos finais de semana, os ônibus circulam a partir das 05 horas, com o mesmo intervalo.

Torre do Relógio: A torre de relógio foi erguida em meados de 1898 e tem como grande característica o grande relógio da marca Johnny Walker, de Londres. Suas badaladas regulavam os horários dos trens e a entrada e saída dos funcionários da ferrovia. Trata-se do único monumento que restou após o incêndio da estação de trem de Paranapiacaba. A construção foi restaurada em 2003. Antigo Mercado: O antigo mercado foi construído em 1899 para abrigar um empório de secos e molhados, e posteriormente, uma lanchonete. Após muitos anos fechado, foi restaurado pela Prefeitura de Santo André e tornou-se um centro multicultural.

(*) Fotos retiradas do livro “De Santos a Jundiaí: nos trilhos do café com a São Paulo Railway”, de Maria Inês Dias Mazzoco. Outras imagens retiradas do site da Prefeitura de Sto. André.

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OS HERÓIS DA TRADUÇÃO Saiba o que são scans e conheça as pessoas que traduzem, diagramam e disponibilizam quadrinhos gratuitamente na internet Gustavo Dittrichi

A maioria de nós aprendeu a ler com os clássicos gibis, como A Turma da Mônica, os gibis do Mickey e do Pato Donald e os clássicos heróis, como Batman e Superman. Com a invenção das novas tecnologias, é de se esperar uma convergência das histórias em papel jornal para novas mídias. O que pouca gente sabe é que diversos grupos – conhecidos como “grupos de scans” – se espalham pela internet. O que eles fazem? Traduzem, diagramam, condensam e distribuem gratuitamente milhares de histórias em quadrinhos para os mais aficcionados pelos gibis. A maioria dos grupos traz os quadrinhos de superheróis como Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Liga da Justiça, X-Men, Wolverine, entre outros. E, na maioria dos casos, o material é inédito nas bancas brasileiras. Isso mesmo: em algumas das publicações de scan, como é o caso de Batman, a diferença entre o que está na internet e o que está nas bancas é de quase um ano. Mas afinal, o que é scan? De modo simplista, são as imagens dos gibis transpostas digitalmente para o computador através de um aparelho de scanner, ou seja, os quadrinhos americanos “escaneados” por fãs. Mas, para trazer as histórias para o público mais abrangente, consumidor das HQs, é necessário traduzir e diagramar a revista para distribuição em formato digital, para ler em computador. É aí que entram os grupos de scans: fãs e leitores assíduos que disponibilizam seu tempo para trazer, gratuitamente, as revistas digitais traduzidas para outros fãs. Um dos grupos é a TropaBR, especializada na DC Comics, editora que publica o Batman, SuperHomem, Mulher-Maravilha e Liga da Justiça, entre outros. “O que a TropaBR busca, assim como outros grupos de scans como o Vertigem, o Darkseid Club, o Soquadrinhos, o GibiHQ, a Rapadura Açucarada, o Rock’n ComicsBR, o Marvel Knights e vários outros é proporcionar aos leitores a oportunidade de ler o material de scan, e buscar esse e novos materiais

no original, nos quadrinhos de papel, comprados em bancas, sebos e coleções particulares”, explica Nando Cross, 25 anos, um dos “diretores” do grupo. Os scans são um fenômeno relativamente novo, mas que vem fazendo sucesso entre os internautas. “Eu descobri o mundo dos scans através do Emule (programa de baixar arquivos e músicas), lá pelo ano de 2004 e 2005”, conta Juliano Secolo, 27 anos, editor, diagramador e arte-finalista do Grupo. “Foi por lá que conheci o GibiHQ, um dos grupos de scans mais antigos do Brasil, e posteriormente o Rapadura Açucarada, blog esse considerado como um dos primeiros a distribuir scans fora do Emule. Nessa época eu também conheci o grupo de e-mails ‘ComicsBr’ que distribuía os scans produzidos por diversos grupos via e-mail. Essa distribuição cessou por volta de 2006, quando ocorreu uma ‘explosão’ de blogs de quadrinhos”. É claro que um trabalho extenso como traduzir os principais títulos da DC Comics não é tarefa para pouca gente. Por isso, o TropaBR conta com colaboradores que se distribuem nas tarefas de tradutor, revisor e diagramador, transcritor e uploader (que publica o resultado final na internet). Entretanto, como muitos dos trabalhos similares, a tarefa de scans vive à margem dos direitos autorais. Muitas pessoas a consideram ilegal, outras não. “O conceito de fazer scans é que é um trabalho de fã para fã, sem fins lucrativos. Basicamente isto já exclui o dolo previsto na legislação por não haver lucro direto ou indireto”, explica “The Wolf”, 32 anos, que prefere ser identificado somente pelo apelido. “Outro ponto é que recomendamos que 

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Reprodução

as pessoas comprem os Já fiz muita amizade com o pessoal que faz scans gostou? Então ajude a originais nas bancas, ou que só acompanha. O mais legal é essa troca de indústria a continuar porque sabemos que se experiência e principalmente a amizade. funcionando, ninguém o fizer ou poucos comprando as edições o fizerem, o mercado não terá suporte para manter oficiais nas bancas, lojas especializadas, sebos e a indústria dos quadrinhos no Brasil, fazendo com etc”. que todos nós, que amamos a nona arte, percamos de forma irremediável no processo”. A legislação Para finalizar, Juliano ainda conta um caso brasileira não deixa claro em que ponto a tarefa de interessante envolvendo a TropaBR e a força das scans pode ferir os direitos autorais. “A legislação amizades que se formaram. “Já fiz muita amizade atual ainda precisa de debates e jurisprudência, ou com o pessoal que faz scans ou que só acompanha. seja, aplicação. Não adianta que tenhamos teorias Algumas dicas e truques de Photoshop que o pessoal conspiratórias ou temores abrandados, temos que que diagrama os scans passou já me ajudaram na ter prudência e informação. A Lei Azeredo (lei que minha carreira profissional e no meu dia-a-dia. estipulou condutas criminosas para diversas tarefas Enfim, eu diria que o mais legal é essa troca de no ciberespaço) é um absurdo, já que no afã de experiência e principalmente a amizade. Inclusive, defender a sociedade brasileira contra os cibercrimes, no ano passado eu tive alguns problemas familiares, cria um estado policial nunca antes visto em nenhum meu pai teve problemas de saúde, e o pessoal da lugar do mundo, com um nível de controle sobre Tropa me deu apoio nesse período, mostrando que todas as atividades da pessoa comum monitoradas a amizade vai além do virtual. Nessa época, meu pelo Estado extremo. E temos do Estado a palavra pai precisou receber transfusão de sangue, e depois de que ele não ultrapassará a barreira da liberdade, minha família precisou repor cerca de 50 bolsas de mas quem vigia o Estado? A meu ver, temos muitos sangue para o hemocentro. Qualquer um do Paraná casos de abuso de poder para que confiemos em (onde Juliano mora) podia fazer a doação, bastando um instrumento de controle tão poderoso sem pelo informar o nome do meu pai na hora que fosse a menos haver uma movimentação intensa dos meios qualquer hemocentro paranaense. Comentei isso de comunicação para debater tal legislação e ativar com o pessoal da diretoria da Tropa, e em três dias meios de combater os ilícitos penais pela internet”. haviam sido feitas mais de 70 doações em nome do meu pai. Pessoas, de outros estados, que nunca Polêmicas à parte, o resultado do trabalho parece ser haviam doado sangue, passaram a doar por causa positivo. “Nossa comunidade no Orkut tem cerca de desse apelo que fizeram por causa do meu pai. Foi 2.400 pessoas, temos um blog com 400 mil acessos e algo surpreendente, pois quando falamos de amizades os arquivos mais populares chegam a ter 3 mil, 3.500 virtuais, geralmente pensamos numa relação fria e downloads, só contando a divulgação oficial”, conta tal, mas não é o que eu vejo com tudo que vivenciei Nando. Mas Juliano faz uma ressalva. “Dizemos e vivencio até hoje”. :-D no blog e na comunidade: leu o scan de graça, Mais sobre a TropaBR em www.tropabr-blogscan.blogspot.com

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WATCHMEN: UMA HISTÓRIA QUE MARCOU ÉPOCA A minissérie em quadrinhos virou filme esse ano. Conheça o porquê de ser tão aclamada Gustavo Dittrichi

Em 1988, foi lançada uma graphic novel (história em quadrinhos, para quem preferir) que marcaria época. Hoje, 20 anos depois, Watchmen ainda é considerada uma das melhores – se não a melhor – minissérie dos quadrinhos já produzida. E o sucesso se deve não pelo fato da história tratar de super-heróis, mas sim das Reprodução pessoas por trás das máscaras, enfrentando problemas e conflitos como qualquer ser humano normal. A trama, aparentemente simplista, assinada por Alan Moore, mostra uma década de 1980 alternativa, onde os Estados Unidos venceu a Guerra do Vietnã graças à ajuda do único super-herói com poderes especiais: o Dr. Manhattan, que após um acidente, passou de um cientista para um poderoso super-humano capaz de controlar qualquer matéria conforme sua vontade. Entretanto, a vitória acirrou ainda mais a Guerra Fria, e o mundo vive com o medo de uma iminente guerra nuclear entre os EUA e a União Soviética. Um relógio simbólico faz a contagem regressiva para o início dos bombardeios. Nesse contexto, muitos heróis são vistos como ameaça e, por isso, o governo instituiu um decreto para que todos eles se revelem, ou passem à clandestinidade. É nesse mundo alternativo que se desenvolve a história que é o ponto de partida para a rica e complexa trama de Watchmen: um herói aposentado, o Comediante, é misteriosamente assassinado e atirado de seu apartamento. Um dos heróis que vive na clandestinidade, Horschach, passa a investigar o misterioso assassinato, apenas para descobrir uma trama muito maior por trás de tudo. Contar mais é estragar a surpresa para quem ainda vai conferir a HQ, lançada em março pela Editora Panini em

formato capa-dura, com 456 páginas, saindo por R$ 120, disponível nas livrarias. Os desenhos de Dave Gibbons contribuem para criar o clima de vivência comum, mas esconde entre eles diversos simbolismos e, por isso, a obra deve ser lida com mente aberta. Talvez para quem é leigo em quadrinhos, a história possa parecer um tanto encantadora, mas perde bastante na questão comparativa e simbolista para quem não conhece o universo dos super-heróis dos quadrinhos. Sobretudo, Watchmen marcou época – e ainda é referência – por ter tirado a áurea simplista, maquineísta e cansativa das HQs das décadas de 30 e 40, onde havia o herói perfeito, que não tinha conflitos e era seguro de si mesmo, combatendo o seu oposto, o vilão imperfeito, que era problemático e incompleto, mas nunca explorado. Em Watchmen, não existem heróis ou vilões, não com o conceito clássico: existem pessoas comuns, com problemas e conflitos não tão comuns assim, usando uniformes para patrulhar as ruas. E a questão fundamental é: até que ponto eles são necessários? Afinal, no universo em que se passa a história, foi graças a um deles – o Dr. Manhattan – que o mundo mudou (através da vitória dos EUA no Vietnã) e vive o medo da aniquilação nuclear. Junto de outras obras clássicas dos quadrinhos, como V de Vingança, A Piada Mortal e Do Inferno, a graphic novel contribuiu para criar os chamados “quadrinhos para adultos”, tirando a áurea infantil deles e criando tramas elaboradas, complexas e simbólicas, que se assemelham – e muitas vezes, superam – o cinema e a própria literatura tradicional. Sem dúvida, Watchmen é uma das grandes obras que fazem jus ao título que os quadrinhos recebe: de nona arte. ;-D

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Watchmen virou filme neste ano. A equipe BOOM! Magazine conferiu o lançamento nos cinemas brasileiros. Leia mais na seção Cinema, página 26.


 Fica Ligado! TV, quadrinhos, tecnologia, passeios, eventos e variedades. >> educação

Viaje nessa!

Jovens buscam intercâmbio como forma de aprendizado de outra língua e cultura, e ampliam bagagem profissional e experiência pessoal. Ida Kazue

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o mundo buscava conhecer mais sobre as diferentes culturas dos povos, inventando a partir daí os intercâmbios culturais. Atualmente, muitas organizações promovem esses programas de entendimento entre as nações, possibilitando que os participantes tenham plena assimilação da língua e da cultura do local através do convívio familiar e escolar. Os benefícios para os intercambistas são múltiplos, pois agregam a forma mais completa de aprendizado, e também a mais barata. É uma oportunidade relevante de acréscimo de conteúdo para o currículo, se pretende dar um plus em sua vida. Principalmente nos programas de um ano, onde a relação custo x benefício é extremamente vantajosa e a assimilação é quase total: o jovem torna-se praticamente bilíngue, isto é, volta falando outra língua quase como se fosse sua língua materna.

no relacionamento humano, adquirindo assim uma maior desenvoltura e habilidade no relacionamento humano ao construir um círculo inteiramente novo de relações em um meio social diferente. Para quem não quer perder essa oportunidade, rolou no mês de março diversas feiras sobre intercâmbios que possuem diversas metodologias. Dentre elas, está o Study in Europe, que é um programa educacional focado em atrair os jovens brasileiros para as mais renomadas instituições da Europa. Os brasileiros podem concorrer a bolsas de estudos do bem-sucedido programa de mobilidade e cooperação na área de ensino superior Erasmus Mundus, que permite ao aluno estudar em vários países seguindo o mesmo currículo. Outras informações podem ser obtidas por meio do site www.study-in-europe.org. Neste espaço, os interessados encontram, em português, dados sobre os países participantes, as universidades e o que é necessário para viver e estudar no exterior. :-D

Nas viagens, não há apenas o trabalho acadêmico, pois o desenvolvimento psicológico também é realizado. A experiência de assimilar a cultura estrangeira e consolidar novos relacionamentos por forças próprias, além de treinar atitudes comportamentais, desenvolve a autoconfiança, maior flexibilidade

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Mais!

>> Para os interessados em outros destinos, a Good Hope Studies oferece intercâmbios para a África do Sul, país em pleno desenvolvimento. >> Em alta: intercâmbios para Canadá, Austrália e Nova Zelândia, devido as oportunidades oferecida principalmente para os jovens.

Universidade em Dublin, Irlanda (Divulgação).


 Cinema

Divulgação.

DOS QUADRINHOS PARA AS TELAS A aclamada obra de Alan Moore virou um fiel e bem adaptado filme Gustavo Dittrichi

Chamado por alguns de “o filme do ano”, Watchmen estreou nos cinemas brasileiros em 6 de março. E quem não é fã de quadrinhos pode não entender o porquê de haver tanta gente comentando sobre o filme. Mas o longa-metragem, dirigido por Zack Snyder (o mesmo que adaptou a também HQ “300”) está aí para afirmar que, enfim, Hollywood está levando a sério as adaptações de histórias em quadrinhos para os cinemas. Baseada na aclamada minissérie de Alan Moore (leia mais sobre a graphic novel na seção Fica Ligado, página 24), a história dos anti-heróis conhecidos como Watchmen em uma década de 1980 alternativa, onde o mundo vive à beira de uma iminente guerra nuclear

não é qualquer história de heróis comum. Então, se você espera ver algo parecido com Batman Begins, cheio de ação, escolheu o filme errado. Isso porque o filme aborda exatamente o trunfo dos quadrinhos: não os super-heróis em si, mas a sua condição humana, seus erros e fraquezas, seus conflitos internos e o porque de terem resolvido vestir um uniforme e se tornarem heróis. Mais do que isso, o filme aborda as consequências da existência deles. E o diretor ganhou muitos pontos com o público em geral e, especialmente, com os fãs da HQ, por ter conseguido uma adaptação cinematográfica altamente fiel à obra original. Até os diálogos da HQ estão lá, e a recriação cinematográfica das cenas contidas no gibi são impressionantes.

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 Cinema são consideradas fortes, incluindo cenas de nudez total e de sexo e, por isso, a faixa etária do filme é 18 anos. Mas a própria temática do filme não é atrativa a crianças. O filme é profundo, complexo e com um conteúdo vasto de simbolismos e comparações à sociedade moderna. Basta prestar um pouco de atenção para as perguntas básicas que o filme levanta: as pessoas com poderes podem, realmente, melhorar o mundo? Ou são tão vulneráveis quanto qualquer ser-humano comum, destituído de qualquer poder?

É claro que, para um filme fazer sucesso, boa parte dele depende dos atores. E o destaque do filme é o ator Jeffrey Dean Morgan, que interpreta de forma excelente e com desenvoltura o herói Comediante, caracterizando-o como uma pessoa impulsiva e emocional. Destaque para a cena da tentativa de estupro.

Cada telespectador fará a leitura que lhe mais for atrativa. Ainda assim, Watchmen é um sucesso não só pelo fato dos excelentes efeitos especiais, da participação dos ótimos Patrick Wilson (O Fantasma da Ópera, Pecados Íntimos, Passageiros) como o Coruja, Billy Crudup (Missão Impossível 3, O Bom Pastor) como o Dr. Manhattan (embora a maior parte do tempo, o personagem seja uma criação computadorizada) e Malin Akerman como a Escpetra II, mas também por tratar de forma humana os superheróis, que nos encantam há gerações. :-)

Sim, isso mesmo, você leu bem. Algumas das cenas

Nota: 

A morte do Comediante no gibi (reprodução).

Cena da morte do Comediante transposta para a telona (reprodução).

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 Cinema

Reprodução.

A Voz da Igualdade: a história de Harvey Milk

Amanda Lopes

Baseado em fatos reais, o filme Milk conta a trajetória de Harvey Milk, o primeiro político assumidamente homossexual na história dos EUA. Foi vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Ator (para Sean Penn) e Melhor Roteiro Original.

aos funcionários que o apoiassem, Harvey trava uma luta contra o tempo e argumentos mais radicais, pregados por políticos que mencionavam Deus e a Bíblia em seus discursos contra os homossexuais. É uma história recheada de boas discussões políticas e ideológicas, mesclas de cenas de arquivos da época, que casam perfeitamente na edição e uma atuação, de fato, digna de Oscar! ;-)

Sean Penn atua no papel principal, retratando o político com a perfeição de quem não apenas tem talento extraordinário, mas também dedicou-se Nota:  profundamente a um trabalho de estudo e pesquisa Sean Penn como Milk (reprodução). do personagem a ser revivido. Harvey era um gay não assumido, que vivia na sombra do medo de que descobrissem sua homossexualidade, até conhecer Scott e viver uma linda história de amor, que lhe dá a coragem de se libertar (ou sair do armário, como ele mesmo diz insistentemente no filme) de todos os seus fantasmas e lutar pelo seu ideal de felicidade. Mas como nenhum conto de fadas é perfeito, Milk teve que enfrentar uma sociedade americana que discriminava declaradamente o homossexualismo, em plena década de 70, onde se falava tanto da liberdade. De tão popular, entrou para a política e foi nela que despertou a ira de seus oponentes mais conservadores. Na luta para a não-aprovação da Proposição 6, “lei” que proibiria professores homossexuais de trabalharem em escolas públicas, e que previa punição

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 Cinema TOP5: os melhores filmes nas locadoras! Gisele Santos e Gustavo Dittrichi

Venhamos e convenhamos, a indústria hollywoodana está ultimamente bem pobre em questão de roteiros e criatividade. Basta ver a quantidade de refilmagens e adaptações que estão com data de lançamento marcada. E o pior é que nem sempre a adaptação é tão boa quanto o original (caso do recente O Dia Em Que A Terra Parou). É até difícil escolher um filme na locadora, vendo a quantidade de porcarias expostas. Por isso, o BOOM separou os melhores filmes nas locadoras, que você não vai se arrepender de alugar, seja ele original ou releitura. Coloque a pipoca no microondas e boa sessão! HAIRSPRAY – Em Busca da Fama

Borat é um jornalista do Cazaquistão que vai até os Estados Unidos fazer matérias sobre a cultura e costumes dos americanos. No hotel, começa a assistir filmes da atriz Pamela Anderson, mas não os pornôs, e sim em “SOS Malibu”, e se apaixona por ela – achando que é moça de família e virgem. Ele resolve que vai casar com ela e aí começa a busca até que a encontra no final da trama em uma tarde de autógrafos da moçoila. É um filme que não tem papas na língua, nele tudo é falado doa a quem doer, sem pudores principalmente. Há quem encare como uma trama preconceituosa, pois ataca judeus, feministas, gays, negros, evangélicos, americanos.

Baseado em um musical da Broadway que já tinha sido baseado em um filme homônimo de John Waters, de 1988, o longa conta, de forma divertida, a história da simpática gordinha Tracy Turnblad (a novata Nikki Blonsky) que quebra todas as regras sociais ao se tornar atração do mais famoso programa da TV, não sendo o padrão de beleza local, contrariando a inescrupulosa dona da emissora, Velma VonTussle (Michelle Pfeiffer).

Não é nada hipócrita e esse tipo de fórmula de dizer o que todos gostariam de falar, mas se policiam, é certeira. Outro acerto na fórmula é o filme inteiro num formato amador, muitas vezes tudo bem tosco, pois as pessoas já estão cansadas de tantos enlatados. Divide opiniões ainda hoje, mas até os mais resistentes que tentam esconder um sorriso ao conferir algumas cenas acabam se rendendo no final. O filme já faturou muitos prêmios e muita grana, até sátira na abertura apresentada nos telões da última turnê de Ozzy Osbourne que passou pelo Brasil em 2008. Pra você ver como Borat rende assunto até hoje, lembrando que o filme foi lançado em 2006. [GS]

Vale a pena assistir, se não pelas divertidíssimas cenas musicais cheias de comédia ou pelo contexto histórico de uma época de segregação racial nos EUA, por John Travolta, que está impagável no papel de uma senhora rechonchuda, com muitos quilos a mais, vivendo Edna Turnblad, mãe de Tracy. O filme ainda conta com James Mardsen (o Ciclope de X-Men) como o apresentador do programa de TV, Queen Latifah (que arrasa na melhor música do filme, “I Know Where I’ve Been”) e o mais novo galã teen, Zac Efron (de “High School Musical”). [GD]

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Fotos: divulgação.

BORAT - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja À América


 Cinema As animações sempre conquistam pessoas de todas as idades. Kung Fu Panda não é diferente. Um urso panda obeso, estabanado e fã de Kung Fu é o protagonista que trabalha em um restaurante de macarrão do seu pai que é – pasme - uma ave. Mas o sonho do rechonchudo é treinar com seus ídolos das artes marciais e, após aprontar muita confusão, inclusive tentando se livrar do desejo incontrolável de comer toda hora, consegue até salvar a sua vila de uma terrível maldição, com a mensagem principal do bem que vence o mal. É uma história bem alinhavada, algumas cenas de luta lembram muito a maneira que foi filmado o seriado “Thunder Cats” dos anos 80 e algumas risadas são garantidas. Kung Fu Panda levou pra casa 10 estatuetas na 36ª edição do Prêmo Annie e tem grande chance de ser indicado ao Oscar. Mais um certeiro empreendimento de sucesso realizado pela Dream Works (Shrek, Madagascar, entre outros). Curiosidade: a versão dublada conta com a voz da atriz Juliana Paes interpretando a Tigresa, que em sua versão original é realizada por Angelina Jolie. [GS] O SOM DO CORAÇÃO

MAMMA MIA!

Um garoto mora em um orfanato e tem o dom musical aguçado desde criança. Até em uma plantação de trigo que balança ao vento ele consegue compor, logo no início da trama. Descoberto por um vigarista – estrelado por Robin Williams - que explora crianças de rua, o menino começa a se apresentar numa praça. O garoto acaba encontrando seus pais que por um desencontro na juventude se separaram, mas nunca se esqueceram.

Meryl Streep encarna Donna na adaptação cinematográfica de um dos mais populares musicais da Broadway, “Mamma Mia!”. Quando Sophie (Amanda Seyfried), filha de Donna, vê a data de seu casamento se aproximar, ela resolve procurar pelo pai perdido que nunca conheceu. Então, ela envia três convites para ex-namorados de sua mãe, para tentar descobrir qual deles é seu verdadeiro pai. O grande charme do musical são suas canções, claro. Todas as músicas são do ABBA, grupo musical sueco de maior sucesso mundial entre as décadas de 70 e 80. No filme, estão presentes as eternas canções “Mamma Mia” e “Dancing Queen”, além de outros clássicos como “The Winner Takes It All”. E a história da produção do filme é tão curiosa quanto a da peça musical. Meryl Streep foi convidada para viver a protagonista por ter escrito uma carta, após ter assistido ao espetáculo na Broadway, dizendo o quanto tinha gostado do show e da vontade que sentiu de subir no palco e ver como seria fazer parte de “Mamma Mia!”. E, de fato, ao lado de Christiane Baransky (que já integrou outros musicais no cinema, como “Chicago”), Pierce Brosnan, Amanda Seyfried, Meryl completa o simpático e inesquecível elenco dessa comédia romântica musical. [GD]

O Som do Coração consegue passar emoção em todas as formas da música, que alimenta a alma, mente, coração. Tem o lado de quem aprecia ouvir e o lado de quem tem o dom de cantar, compor, tocar instrumentos. Os mais sensíveis devem preparar os lencinhos, pois o final arranca lágrimas. Alguns críticos acham o filme meloso, mas na verdade parecem ser muito rancorosos. Esse filme mostra o amor, algo que o mundo está precisando ultimamente. O amor entre homem e mulher, mãe e filho, o amor pela música e todos os sentimentos ou recordações que a mesma nos reserva. [GS]

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Fotos: divulgação.

KUNG FU PANDA


 Cinema

O BOOM! recomenda

Divulgação.

BATMAN – O Cavaleiro das Trevas O filme já vale só pela excelente atuação de Heath Ledger como o insano Coringa, numa versão mais punk e realista, superando a atuação magistral de Jack Nicholson no mesmo papel, em 1989, no primeiro filme do Batman. Não é à toa que Ledger venceu o Globo de Ouro e o Oscar como Melhor Ator Coadjuvante. E a excelente interpretação só serve para reforçar a lamentação pela morte precoce do ator, vítima de intoxicação por medicamentos prescritos no início do ano passado (confira na seção PERFIL mais sobre o Heath Ledger). O longa é sequência do filme “Batman Begins”, de 2005. Se passaram dois anos desde o surgimento do Batman (Christian Bale). Agora, os criminosos de Gotham City tem muito o que temer. Com a ajuda do tenente James Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. Acuados com o combate, os chefes do crime aceitam a proposta feita pelo Coringa (Heath Ledger) e o contratam para matar o Homem-Morcego. Esse é o primeiro filme de um herói tão popular não recomendado para crianças. Tanto que a faixa etária é 16 anos. A tensão é presente no filme inteiro, que é repleto de violência e terror psicológico. A presença do Coringa é nitidamente o ponto mais alto do filme. E seu objetivo é simples: implantar o caos para provar que, diante de situações de alta pressão, qualquer um pode ficar louco – se aproximando do vilão dos quadrinhos. Chrsitian Bale volta no papel do herói mascarado, Gary Oldman e Morgan Freeman também reprisam seus papéis e Maggie Gyllenhall assume o papel deixado por Katie Holmes. [Gustavo Dittrichi] Nota: 

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 Cinema O que está em cartaz nas

TELONAS...

Marido por acaso Estreia em 15 de maio

Uma Thurman é a atriz principal da comédia romântica inglesa “Marido por Acaso”. Ela interpreta uma radialista, chamada Emma Lloyd, que dá conselhos sobre relacionamentos amorosos. Na maioria das vezes, ela aconselha as ouvintes a encerrarem os casamentos ou namoros, e uma delas seguiu a risca terminando o noivado dias antes do casamento com um bombeiro chamado Patrick (estrelado por Jeffrey Dean Morgan, o Comediante de Watchmen). Ele ficou com raiva de Emma e resolveu se vingar! Pediu para um hacker mudar o estado civil da moça nos registros sociais de solteira para casada, e pior, com ele. Como Emma estava noiva, ao tentar organizar os papéis pra se casar, descobriu que está “casada” com um desconhecido. E daí pra frente a trama começa a ficar muito interessante, pois Emma vai ao encontro de Patrick pra tentar resolver a situação e acontecem várias cenas hilárias. No final, ela fica indecisa entre o noivo Richard (Colin Firth) e o “marido”, pois descobre em Patrick um homem muito interessante que deixa a vidinha medíocre dela no chão. Não é uma super produção, mas é um bom filme blockbuster para espantar aqueles dias de chuva ou tédio. A direção ficou por conta de Griffin Dunne (“Sociedade Feroz”, “Da Magia à Sedução”, entre outros). [Gisele Santos] Nota: 

Passageiros

Estreou em 27 de março A jovem psiquiatra Claire (Anne Hathaway – “Agente 86”, “O Diabo Veste Prada”) começa a atender passageiros que sobreviveram à queda de um avião. São 93 minutos de duração, mas até os 60 minutos a sensação que fica é de marasmo - talvez pelas imagens serem muito escuras a maioria do tempo – e que possivelmente não valesse a pena assistir ao filme. Alguns momentos são confusos também. Mas a partir dos 61 minutos, algumas coisas começam a fazer sentido, o suspense reina e o final é surpreendente, daquele tipo que faz o nosso pacote de pipoca escorregar das mãos direto pro chão. “Passageiros” aborda assuntos sobre a vida e a morte, espiritualidade, a crise existencial que todos nós, seres humanos, enfrentamos de vez em quando. Completamente indicado para fãs de filmes que tratam do sobrenatural como, por exemplo, “O Sexto Sentido”. [Gisele Santos] Nota: 

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´  Musica O retorno triunfal da PRINCESINHA DO POP Ida Kazue

Após cinco anos longe dos palcos, Britney Spears voltou com tudo mesmo. Desde que anunciou o novo CD intitulado “Circus” (veja a resenha logo abaixo), ela não sai da mídia. Mas dessa vez não são os escândalos que tomam conta das páginas de fofocas. As últimas contam sobre o seu figurino da turnê, pois as roupas estão mais provocantes do que nunca: muita meia calça arrastão, colants, mini-shorts e espartilhos marcam o figurino. Qualquer semelhança com outras divas do pop não é mera coincidência: ela já está sendo comparada a Madonna, Cher, Liza Minelli e até às Paquitas da Xuxa. A ousadia de um dos figurinos de Britney foi tanta que a princesinha do pop não hesitou em reclamar. Há disponível na internet também os croquis criados pelos estilistas canadenses Dean e Dan Caten.

O croqui e o figurino ousado nos shows (reprodução).

BRITNEY SPEARS - Circus Em seu sexto álbum, intitulado “Circus”, Britney mostra mais maturidade nas letras e tem ganhado boas críticas do público, conquistando primeiro lugar em vendas no Brasil, Canadá, Japão, México, Suíça e, claro, Estados Unidos – onde o pop vive em alta. Suas letras continuam dançantes e o som pop não foi abandonado, embora ela misture muitos estilos, como R&B. Neste novo trabalho, a moça mostra estar numa fase mais calma, já que até o ano passado só aparecia nas capas de revistas e sites por seus escândalos por causa de sua vida baladeira com exageradas pitadas de abuso de álcool e drogas, e fazia a alegria dos paparazzis. O pai da cantora, Jamie Spears, foi nomeado seu responsável por um tribunal e passou a fiscalizar cada aspecto da rotina pessoal da cantora. A rainha do pop agora causa “burburinho” apenas com suas músicas. Pelo menos por enquanto! :-P Nota: 

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Divulgação.


´  Musica ALANIS MORISSETTE AGITA SEIS MIL PESSOAS COM HITS DAS ANTIGAS Após nadar com botos na Amazônia, Alanis desembarcou em São Paulo para única apresentação na cidade

Entre poucas luzes coloridas, prevalecendo clima de escuridão, às 22h20, do último 3 de fevereiro, Alanis Morissette podia ser ouvida cantarolando apenas um trecho de “The Couch” – dividida em três partes executadas em momentos diferentes durante o espetáculo. O público enlouquecido gritava esperando a canadense adentrar o palco da Via Funchal (SP) que estava com lotação máxima. Ela entrou em cena com “Uninvited” (trilha do filme “Cidade dos Anjos”) e fez bater muito forte o coração de cada um dos seis mil presentes. E essa histeria toda tem motivo, pois muitos fãs esperaram uma década para Alanis voltar a pisar em solo paulista. Agora vegetariana, opção alimentar que ajudou a artista emagrecer 10kg, Alanis, 34 anos, exibiu ótima forma vestindo roupa preta e roxa. O repertório de 1h30 foi concentrado em hits das antigas, plano de ação certeiro para agradar fãs de carteirinha e os curiosos de plantão, entre eles: “All I Really Want”, “Perfect”, “Head Over Feet” (todas do terceiro CD da cantora, “Jagged Little Pill”, 1995). Do recente CD “Flavors of Entanglement” (2008), ela cantou cinco músicas. Algumas versões acústicas que Alanis apresentou no Domingão do Faustão (TV Globo), do último domingo (01), também fizeram parte da set list em São Paulo: “Hand In My Pocket”, “Underneath” e “Everything”. Lembrando que dos onze discos já lançados pela cantora, dois deles são acústicos - “MTV Unplugged” (1999) e “Jagged Little Pill Acoustic” (2005) - e outro é uma coletânea “The Collection” (2005). Mesmo percebendo que durou pouco tempo, alguns até reclamavam, todos participaram em coro durante o Bis. Também não era pra menos, Alanis deixou para o fim - talvez pra ficar o gostinho de quero mais - “You Learn”, “Ironic” e “Thank You”. Foi emocionante! Muitos fãs choravam entre a platéia. Impressionante também a quantidade de máquinas fotográficas e celulares registrando tudo e os pobres fotógrafos profissionais sem espaço para fotografar, ou seja, sem direito de trabalhar adequadamente.

E não somente o show relembrou o começo da carreira, desde o primeiro CD “Alanis” (1991), pois a moçoila continua com a mesma energia no palco igual quando começou há 20 anos atrás. Explora muito bem o palco andando de um lado pro outro, pula, sacode os cabelos que voltaram a ser compridos, além da voz impecável transferindo ao vivo da mesma maneira que fez em estúdio. Mas dessa vez vimos uma Alanis mais calada, não interagiu muito com a platéia, limitou-se em dizer alguns ‘obrigados’ em português. Alanis e o Brasil A maior frase dita por Alanis no show: “É incrível estar aqui em São Paulo, sentimos saudade”. E realmente ela já tem extenso histórico de visitas aos brasileiros, e nessa última aproveitou bem mais, pois sua agenda foi confirmada em onze cidades. Ela até alimentou botos, mergulhando ao lado deles, na Amazônia. Essa foi a sexta vez que Alanis veio ao país. A primeira aconteceu em 1996 para apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro – rendendo até convite para participar da novela “Malhação”. Em 1998 ela fez showcase para convidados em São Paulo. Na terceira vez, fez shows no Rio e em Sampa (1999). Voltou ao país em 2002 para outro showcase, mas dessa vez gravado exclusivamente pela equipe do “Fantástico”. Em setembro de 2003, Alanis tocou no “Brasília Music Festival” e esteve em São Paulo apenas para entrevista coletiva em um hotel – na época ela exibia curtas madeixas e falou aos jornalistas que estava envelhecendo e encarava a mudança como algo natural. ;-)

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Stephan Solon / Via Funchal

Gisele Santos


´  Musica

Ginga da Foto.

30 mil pessoas em São Paulo presenciaram um Elton John praticamente calado Gisele Santos

Às 22h em ponto, embaixo de uma fina garoa, Elton John iniciou o show da turnê “Rocket Man”, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, no sábado, 17 de janeiro, abrindo a temporada 2009 de grandes eventos internacionais no país. Aos 61 anos, o gordinho Elton - que usava um fraque estampado com araras, tucanos, folhagens e flores (talvez uma homenagem a Amazônia) – durante 2h20 de apresentação não interagiu muito com a platéia, que somava quase 30 mil pessoas, diferente da primeira vez que esteve por aqui, em 1995, no Ibirapuera. Mas mostrou que a idade ainda não o impede de fazer o já tradicional malabarismo em cima do piano, quando ele se equilibra segurando com as mãos no instrumento de corda percutida, levando as pernas para o ar, como se fosse plantar bananeira. Ele fez isso apenas uma vez, no início do show, provavelmente combinado com a produção tupiniquim, pois é quando os fotógrafos trabalham próximos ao placo registrando tudo para os veículos de comunicação. O set list foi um passeio pelos 40 anos da carreira do músico, principalmente canções dos anos 70 como

“Funeral for a friend/love lies bleeding” (1973), música que abriu a noite fazendo a platéia agitar bastante, e “Rocket Man” (1972), nome que batiza a turnê atual de Elton John. O mais intrigante é que muito brasileiro tem mania de ir aos shows mesmo não conhecendo o trabalho do artista. Isso acontece bastante quando se trata de grandes produções, principalmente internacionais. Prova disso foi uma platéia monótona a maior parte do tempo que só agitava durante hits como “Sacrifice”, mostrando conhecer somente o refrão. Talvez pra exibir algum tipo de status, a maioria das pessoas - mesmo sem conhecer todas as músicas e a trajetória da banda - ainda paga 550 ou 250 reais para ver shows deste porte. Um evento desse nível, ainda mais por somar 50 discos lançados, que equivale 650 músicas, é feito para fãs de verdade. Set list escolhido a dedo. E com certeza fez a felicidade do fã-clube brasileiro Elton John Forever, que acompanha o britânico desde o início da carreira. E fã que é fã carrega faixa gigante em frente ao hotel e portões do local do evento e na grade do palco. Foi isso que a turma deste fã-clube fez. Outra coisa que intriga é a lista de exigências

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´  Musica dos artistas gringos. No Rock in Rio II, o baixinho Prince pediu 200 toalhas brancas, sendo que usou 50 delas. Com Elton não foi diferente, ele pediu que o camarim fosse decorado com bonsais, palmeiras, orquídeas cor-de-rosa e brancas. E pasme, todos os talos das plantas não podiam ter espinhos e folhas, e deviam medir 11 centímetros. O som do local estava muito ruim, principalmente o microfone com muitas falhas e áudio com volume baixo. Quem fazia parte da platéia VIP - dos ingressos de 550 reais - reclamava não ouvir direito, pior ainda para quem estava desta área para trás, digamos, dos menos favorecidos financeiramente. Bom, no Anhembi sempre acontece esse tipo de transtorno nos eventos. Não é um bom lugar para realização de shows. Todos os problemas técnicos foram driblados com muita competência por Elton e sua banda, que é

formada por: Davey Johnstone (guitarra), Nilegl Olson (bateria), Guy Babylon (teclado), Bob Birch (baixo), John Mahon (percussão). O público, talvez pra não levar nota zero de participação, agitou no fim do show durante as setentistas “Crocodile Rock”, “Saturday Night’s Alright”, “Skyline Pigeon” e “Your Song”. Fazendo lembrar um grande baile das antigas, com direito a coro “La La La La” como aconteceu durante o refrão de “Crocodile Rock” – até conseguiram fazer com que Elton levantasse do banquinho do seu piano - que contava com uma bandeira do Brasil em sua calda - para ‘orquestrar’ o tal “La La La”. Foi bonito também quando todos acenderam celulares e isqueiros, iluminando todo o Sambódromo, ao som de “Candle In The Wind”, música que teve a primeira versão em 1973 homenageando Marilyn Monroe e foi reescrita em 1997, intitulada “Candle In The Wind 97”, em homenagem a princesa Diana. ;-D

Elton John em tour mundial (divulgação).

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´  Musica JOTA QUEST, KELLY CLARKSON, LILY ALLEN, NX ZERO resenhas dos álbuns da indústria fonográfica de 2008-2009

JOTA QUEST – La Plata (Sony BMG)

Há 12 anos na estrada, o grupo que tem seu som caracterizado pelo pop/rock brasileiro lançou seu primeiro CD em 1996, este que carregava o próprio nome do grupo (Jota Quest). Dois anos depois, em 1998 veio o álbum que faria os mineirinhos estourarem nas paradas de sucesso: De Volta ao Planeta dos Macacos consolidou a carreira do grupo em todo país. Em outubro de 2008, o Jota Quest lançou seu 9º CD, intitulado La Plata, gravado no estúdio da banda em Belo Horizonte (MG), com a produção de Liminha.O grupo conta com algumas parcerias neste álbum, como Nelson Mota como co–autor da música “Ladeira”, e Ashley Slater, trombonista e ex-integrante da banda Freak Power.

A faixa “Vem Andar Comigo”, sucesso deste álbum, já está entre as mais pedidas nas rádios. A canção tem como refrão a frase “será que é difícil entender por que eu ainda insisto em nós”, mostrando que é uma canção romântica que traduz o drama de um apaixonado tentando expor que ainda acredita no amor de ambos e que podem dar certo. O grupo é composto por Rogério Flausino no vocal, Marco Túlio na guitarra, PJ no baixo, Paulinho Fonseca na bateria e Márcio Buzelin no teclado. Recentemente, o grupo se apresentou no Rio de Janeiro para a divulgação do novo álbum, onde encantou o público com sua nova canção romântica e agitou a galera com outras canções do grupo. [Camila Calado] Nota: 

LILY ALLEN - It’s Not Me, It’s You (EMI Music) O novo trabalho de Lily Allen, “It’s Not Me, It’s You”, segundo da carreira da cantora inglesa de 23 anos, foge completamente do estilo pop com pitadas de reggae e ska do CD de estréia. Esqueça tudo aquilo e se prepare para ouvir baladinhas pop eletrônicas produzidas por Greg Kurstin. “The Fear” e “Everyone’s At It”, lembram muito o estilo Coldplay com piano guiando o som. A voz de Lily Allen torna o trabalho inteiro massante, ela é monocórdia, ou seja, monótona (segue o mesmo tom do início ao fim). Vai ver a moça se preocupou tanto em brigar com Katy Perry, Amy Winehouse, Cheryl Cole, Elton John, e esqueceu de melhorar seus vocais e trabalhar devidamente em seu novo álbum de inéditas. [Gisele Santos] Nota: 

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´  Musica DAVID ARCHULETA – David Archuleta (Sony BMG)

Com apenas 18 anos e cara de “filhinho da mamãe”, David Archuleta lançou seu álbum de debut em novembro de 2008, nos EUA. O CD, que leva o nome do cantor, deve ser lançado no Brasil ainda no primeiro semestre de 2009, mas nos EUA, já estreou na lista Billboard 200, da revista Billboard, que indica os 200 álbuns mais vendidos. Até março de 2009, o álbum já tinha alcançado a marca de 665 mil cópias vendidas só nos EUA. Explica-se tamanho frenesi: David Archuleta foi finalista da sexta temporada do “American Idol”, alcançando o segundo lugar, sendo derrotado por seu xará David Cook, em maio de 2008. Entretanto, Archuleta ganhou a corrida de vendas, superando com seu álbum o CD do colega. Não é à toa. O disco de Archuleta tem tudo o que o mercado pede: sonoridade, ritmo, apelo pop e, é claro, ótimas composições. Além disso, o jovem Archuleta tem uma voz pura e desenvolta, que agrada aos ouvidos de qualquer um. Destaque para os dois primeiros singles, “Crush”, com ótimo acompanhamento de piano, e “A Little Too Not Over You”. Ainda vale a pena escutar “To Be With You”, “Don’t Let Go”, “Your Eyes Don’t Lie” e a versão de “Angels”, música de Robbie Williams. [Gustavo Dittrichi] Nota: 

KELLY CLARKSON – All I Ever Wanted (Sony BMG)

Depois que alcançou projeção mundial após vencer a primeira edição do reality show “American Idol”, em 2002, Kelly Clarkson não parou mais. Em seu quarto álbum, “All I Ever Wanted”, Kelly afirma o porque de se manter sempre em evidência: cada trabalho supera o anterior. Kelly reafirma o poderoso vocal em 16 faixas de pop rock, recheadas de ritmo, beleza e desenvoltura. E as músicas já caíram no gosto do público rapidinho: no início de março, a primeira música de trabalho, “My Life Would Suck Without You”, se tornou o single que obteve melhor desempenho em 50 anos de história da revista Billboard: pulou da 97ª posição para o 1º lugar no Hot 100 (que mede os singles mais vendidos e tocados nas rádios), quebrando o recorde que antes era de Britney Spears com “Womanizer”, além de também conquistar o primeiro lugar nas paradas digitais. Só nos EUA, o primeiro single de “All I Ever Wanted” vendeu 1,4 milhões de cópias. Além de “My Life Would Suck Without You”, as faixas que merecem destaque são a melódica “Already Gone” e a rock n’ roll “Whyyawannabringmedown”. [Gustavo Dittrichi – colaborou Gisele Santos] Nota: 

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´  Musica PARALAMAS DO SUCESSO - Brasil Afora (EMI Music)

Os Paralamas do Sucesso estão de volta com CD de inéditas, após quatro anos de jejum. “Brasil Afora” resgata o pop rock alegrinho, uso de naipes de metal (que a banda sempre apresentou em seus shows ao vivo) e arrisca pitadas de reggae nas faixas “Sem Mais Adeus” e “Quanto Tempo”. “A Lhe Esperar” é o nome da música de trabalho, escrita por Arnalo Antunes (ex-Titãs) e Liminha, ótima para tocar nas rádios. Zé Ramalho dá um gás em sua participação especial na música “Mormaço”. O 12º CD dos Paralamas não traz nenhuma novidade ou grandes inspirações, continua na linha já proposta nas produções de Herbet e sua trupe. [Gisele Santos] Nota: 

LIVING COLOUR - The Paris Concert (Sony BMG)

A banda Living Colour teve a feliz ideia de lançar um CD duplo ao vivo, com 17 faixas, gravado em um show realizado em Paris no mês de julho de 2008. “The Paris Concert” é uma ótima recordação dos virtuosos shows dos mestres do groove, principalmente para colecionar alguns hits como as clássicas dos anos 1990 “Glamour Boys” e “Cult of Personality”. E não pára por aí, pois o CD também traz versões de “Papa Was a Rolling Stone” (The Temptation) e “Crosstown Traffic” (Jimim Hendrix). Já existe este material em DVD nas lojas desde novembro passado. Esse é o terceiro registro ao vivo desde “Collideøscope” (2003), último disco de inéditas, mas a banda promete gravar novas músicas pra lançar novo CD ainda em 2009. [Gisele Santos] Nota: 

NXZERO – Agora (Universal Music)

Com sete anos de estrada e uma legião de fãs por todo Brasil, NxZero lançou, em 2008, o álbum Agora, terceiro CD da banda gravado em estúdio. Ele traz algumas participações especiais, como a do rapper Túlio Dek na canção “Bem ou Mal”, faixa 4 do álbum. E essa mistura de ritmos acaba agradando à maioria do público. Além das 14 faixas inéditas, ainda podemos desfrutar da regravação de “Apenas Mais Uma de Amor”, de Lulu Santos. Já na faixa 8 do álbum, “Cartas pra Você”, temos a participação de Karin e Aline, ex integrantes do extinto Rouge, fazendo os backing vocals.

A banda de som melódico emocore/hardcore vem conquistando cada vez mais o público jovem. Os garotos começaram a carreira por volta de 2001, mas só ganharam espaço na mídia em 2004, com o seu primeiro CD, Diálogo. Em 2006, o NxZero já estava nos primeiros lugares das paradas de sucesso com o seu segundo álbum, que levava o nome da banda. Este vendeu mais de 262 mil cópias, estourando com os sucessos “Razões e Emoções” e “Pela Última Vez”. [Camila Calado] Nota: 

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Teatro

O ator Rogério Morgado (divulgação).

Os reis da STAND-UP COMEDY

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Teatro STAND-UP COMEDY CONQUISTA PALCOS BRASILEIROS Gisele Santos e Ida Kazue

Não importa quem surgiu primeiro. Não importa quem copiou quem. O público cada vez mais procura peças de humor improvisadas, ou seja, onde ele possa também participar ali mesmo, sentadinho, sugerindo frases, lugares, temas, etc. A maioria desses espetáculos, chamados Stand-Up Comedy, são inspirados no programa “Whose Line is it Anyway?” (Inglaterra e EUA). As peças Stand-Up Comedy (comédia em pé) estão cada vez mais invadindo os palcos brasileiros. Esse tipo de evento é originário dos EUA desde o final do século 19 e muito exibido nos filmes americanos quando mostram cenas de um comediante sozinho em pé num bar, interagindo com a platéia em torno de textos humorísticos. Os textos são originais, escritos pelos próprios comediantes e existe muita interação com a platéia, considerada a sacada que fisga a todos, que é o improviso. Na maioria das vezes, a própria platéia escolhe os temas ou textos, mas o artista não conta piadas conhecidas, sempre são originais e em sua maioria baseadas no cotidiano. Outra característica é que a peça não lcos e no sso nos pa ce su : ld e sfi n . Marcelo Ma naldo Aguiar) Youtube (Ro

exige acessórios, grandes produções em cenários, maquiagem, figurino, etc. É simplesmente um microfone e um palco. Funciona como um jogo: os atores improvisam as esquetes de acordo com temas sugeridos pela platéia. Alguns possuem quadros com tempos diferenciados, muitas vezes reduzidos a cada cena, sendo um grande desafio e envolvendo os presentes, que muitas vezes torcem para os artistas não conseguirem realizar. Mesmo o elenco contendo até seis integrantes, cada quadro é apresentado por um só ator no palco, em companhia de apenas um microfone. Para entendermos um pouco mais a dinâmica das Stand-Ups, conversamos com Marcelo Mansfield (“Pó de mico”, “Terça Insana”), Leandro Monteiro, Andréia Hacker e Regis Folco (“Meuteunoseu”), e os humoristas da “A Divina Comédia”, Felipe Hamachi, Maurício Meirelles e Rogério Morgado (da foto no início dessa reportagem). Eles falam de casos engraçados e curiosos, do tipo “feitiço virando contra o feiticeiro”, e expõem suas opiniões sobre a publicação dos vídeos na internet. Confira: BOOM: O público costuma “colaborar” para o trabalho de vocês? Como? Marcelo Mansfield: Na verdade, o cotidiano faz o papel de “mestre” do comediante. Coisas que às vezes você vê por um segundo acontecendo na rua, tornam-se shows de hora e meia. Andrea Hacker: A melhor “colaboração” é quando o público gargalha com nossos erros. Contornamos o erro e ainda garantimos as risadas. Regis Folco: Sim, principalmente com gargalhadas fora de hora, que são engraçadas. Mas há também interrupções que nos tiram o “timing”, mas faz parte da brincadeira. BOOM: Alguém da platéia já deixou vocês “em maus lençóis”? Leandro Monteiro: Não, no Stand-Up acontece pouco, o

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Teatro

Fotos: divulgação.

pessoal tem um pouco de receio.

Mas muitas vezes já errei um raciocínio. O ideal é brincar com isso ou deixar pra trás, dando sequência a um tema já garantido.

Andrea Hacker: Para mulher, sempre é mais complicado. Em nossa primeira apresentação, tinha um cara que já estava bêbado e ficava falando besteiras. O jeito foi tirar graça da situação.

BOOM: Já que nesse tipo de espetáculo vocês costumam interagir muito com o público, chega a ser mais gratificante do que outros trabalhos, por exemplo, em teatros convencionais?

Regis Folco: Sim, certa vez uma amiga gritou alguma brincadeira que lhe veio à cabeça, mas acabou por me “quebrar as pernas”. Mas foi engraçado e eu não fico chateado. Maurício Meirelles: Não diria maus lençóis, mas já tive platéias que me deixaram tenso duas vezes. Uma foi quando me apresentei para quase 20 pessoas, sendo 10 um grupo de motoqueiros que só estavam lá para encher o saco. Tudo que eu falava alguém da mesa deles comentava, berrava, interagia. Daí resolvi fazer o show em ‘cima’ deles. O que era pra ser meu texto virou uma entrevista engraçadíssima com os caras. A platéia adorou. Outro caso foi um evento que fiz para uma seguradora, que era ótimo, mas as condições horríveis, pois fiz o show quase de madrugada, durante um jantar onde todos estavam quase chorando por causa das homenagens minutos antes. A experiência foi assustadora. BOOM: Vocês já ficaram sem saber o que falar numa apresentação? Marcelo Mansfield: Ainda não aconteceu e espero que não aconteça. Regis Folco: Sim, o “branco” acontece muitas vezes. Na minha pior vez, eu fiquei parado em silêncio até que lembrei, boa parte da platéia nem percebeu. Outras vezes, pulei e segui em frente. Maurício Meirelles: Acho que em toda apresentação, você precisa ter uma carta na manga. Como nosso ofício não é decorado, muitas situações precisam ser contornadas na hora. Principalmente em bares, que o público passa do ponto e resolve interagir. Nunca aconteceu de eu ficar sem falar nada, perdido e tal.

Maurício Meirelles: No bar, rola mais interação. No teatro, dificilmente. Acho que a maior interação que você tem com o público é a risada. Se isso está rolando, bola pra frente. Eu particularmente acho legal algumas cenas com a platéia, pois como sua resposta é improvisada e inesperada, o público reage ainda mais. Felipe Hamachi: Na verdade, a ideia é que o show não seja interativo. Às vezes, principalmente em show de bar, tem bêbado atrapalhando, querendo aparecer e isso atrapalha muito. Alguns comediantes contornam o problema melhor que outros. Eu às vezes gosto de pegar esse público e exercitar um bate-boca bem humorado, mas é arriscado. Se não falar só a coisa certa e na hora certa eu perco o público. Marcelo Mansfield: Não. Não acredito nessa história do público participar. Se você paga 40 reais para se divertir, não vai querer ser a diversão de quem está no palco. Às vezes acontece uma coisa ou outra que faz com que eu me vire pra platéia, mas não acho correto... BOOM: Qual a opinião de vocês sobre a febre do “Youtube”, que divulga trechos de vídeos das apresentações de peças na internet? Andrea Hacker: Não vejo problema, acho que é uma boa forma de divulgar o produto para as pessoas que não podem assistir pessoalmente às peças. Gera curiosidade do público e impulsiona os atores, vide a explosão do Stand-Up no Brasil. Felipe Hamachi: Sinto que o Youtube, infelizmente, perdeu

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Teatro um pouco da importância. Antes divulgava mais. Acontece que antes éramos poucos os nomes do Stand-Up no Brasil, era novidade. Hoje, qualquer um faz uma apresentação de cinco minutos, um “open mic”, e publica no Youtube seu Stand-Up Comedy. A moda está tão forte que tem uma molecada fazendo Stand-Up no quarto de casa! Não tenho nada contra, o Youtube, é uma mídia livre e eu nunca paguei nada pra que me divulgassem, mas o site está cada vez mais “poluído” e não só de Stand-Up. Antes, nos meus favoritos relacionados, só se via bons vídeos de Stand-Up, hoje tem pegadinha, palhaçada de rua,

tem de tudo... (risos) Maurício Meirelles: Acho hipocrisia xingar o Youtube, porque graças a ele que o Stand-Up nacional está aí hoje. As emissoras de TV sempre tiveram receio de apostar nesse formato, até que o Youtube provou o contrário com vídeos ultrapassando a casa de 1 milhão de visitas. O problema é que antigamente o artista que filmava e publicava, e agora a platéia resolveu fazer isso, o que atrapalha muito um artista, pois seu texto perde a graça, uma vez que já foi divulgado. As pessoas vão ao show e comentam: já vi essa piada no Youtube. :-|

Grupos Stand-Ups disputam a preferência popular O público não tem do que reclamar, pois existem muitos grupos que fazem Stand-Up Comedy no país. Alguns deles são:

Improvável (www.improvavel.com.br) - formado por Rafinha Bastos (CQC da Band), Anderson Bizzochi, Elidio Sanna e Daniel Nascimento.

Divulgação.

Zenas Emprovisadas - Z.É.

formado por Chabilson (Allan Benatti), Olímpio (Cláudio Thebas), Fandango (Cristiano Karnas), Manjericão (Eugênio La Salvia), Rubra (Lu Lopes), Fonseca (Marco Gonçalves), Comendador Nelson (Nando Bolognesi), Manela (Paola Musatti), Mademoiselle Blanche (Rhena de Faria), Adão (Paulo Federal), João Grandão (Márcio Ballas) e Cizar Parker (César Gouvêa). Pó de Mico Piadas, música ao vivo, ballet clássico, suspense, viadagem, tudo o que uma boa comédia precisa. No elenco: Marcelo Mansfield, Carlos Fariello. Atores convidados: Juliana Santos e Daniel De Rogatis. Banda Balaio de Gato (http:// mmansfield.blogspot.com/2009/02/po-de-mico.html).

(www.zenasemprovisadas.com.br) com elenco composto por Fernando Caruso, Gregório Duviver, Marcelo Adnet e Rafael Queiroga. E como o “Improvável”, sempre contam com convidados especiais.

A Divina Comédia Se revezam munidos apenas de um microfone, um foco de luz e muita história engraçada para contar. No elenco: Maurício Meirelles, Rogério Morgado, Felipe Hamachi e Danilo Gentili (www.adivinacomedia.com.br).

Jogando no Quintal Com atores caracterizados de palhaços, todos com nariz vermelho, com cenas e jogos sobre futebol e torcedores, principalmente fanáticos, agitando ainda mais a plateia do que “Z.É” e “Improvável”. O time de palhaços-atletas é

MeuTeuNoSeu O humor do grupo é ácido e debochado, numa mistura de escrachos e esculachos em textos originais. No elenco: Andréia Hacker, Leandro Monteiro, Rafael Grilo e Regis Folco (www.meuteunoseu.com.br).

Divulgação.

Agende-se Até dia 19 de abril, o público paulista poderá conferir o grupo curitibano “Santa Comédia” (www.santacomedia.com.br), no Bleecker St da Vila Malena. O elenco é formado por Marco Zenni, Vitor Hugo e Fábio Lins, Felipe Andreoli (Repórter do CQC), Fernando Muylaert e Carol Zoccoli.

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PONTO NEGATIVO Todos esses trabalhos, quando foram criados no Brasil, tinham objetivo de alcançar um público que não tem muitas condições financeiras de ir a espetáculos “careiros”. Cobravam preços populares (5 reais). Ultimamente, a maioria dos ingressos são a partir de 30 reais.


Teatro Movimento, dança, rodas e música em cena Fotos: divulgação / Oficina dos Menestréis. Arte: Gustavo Dittrichi

Grupo de pessoas com deficiência traz combinação perfeita para um espetáculo musical

Fabíola Pedroso

“Não é só o sol que guarda no rosto o dom e o charme de brilhar. É ser diferente”. Embora essa frase seja de um musical de 1991 de Oswaldo Montenegro, adquire um significado particular para a Oficina dos Menestréis. Isso porque o ator Deto Montenegro, irmão de Oswaldo, traz com o Projeto Cadeirantes uma campanha teatral que difere das demais. Quando a cortina sobe, entram em cena os atores. Alguns estão em cadeiras de rodas, outros portando muletas e alguns aparentemente não têm nenhuma deficiência. A montagem traz consigo um espetáculo cheio de ginga, alegria e inclusão. Passado o estranhamento inicial, a plateia passa a ignorar o “objeto de cena” e a prestar atenção apenas no espetáculo. Nesse momento, não há mais gente em cadeiras de rodas. Apenas atores. A Oficina dos Menestréis teve seu início em 2003 com o projeto Mix Menestréis, pelas mãos de Deto Montenegro. A vontade dele era de trazer para o palco um grupo de 20 cadeirantes que, com o tempo, agrupou deficientes visuais e usuários de muleta e andantes a uma campanha que nos dá um show de sensibilidade, bom gosto e um espetáculo composto por verdadeiros atores e atrizes, que encenam, cantam e dançam o tempo todo. Desde o seu início, o grupo já criou várias montagens,

entre elas Noturno Cadeirantes, Good Mornning São Paulo, Mixtureba, Banquete da Vida. O grupo de cadeirantes realiza um trabalho teatral com bom humor e muita arte, sem se incomodar com os obstáculos arquitetônicos, que aparentemente são o único

empecilho para os atores em cena. As montagens trazem em si informação, alegria e uma mensagem para que, depois de assistir ao espetáculo, o espectador realmente reflita sobre tudo o que tem feito e avalie se não poderia estar fazendo mais pelo bem comum. A mais nova montagem do grupo, o contagiante musical Zoom, apresenta cenas do dia-a-dia de um cadeirante e abre espaço para a platéia fazer perguntas sobre deficiência para o grupo, que diverte, emociona, e engrandece a todos os presentes. A grande sacada do espetáculo é justamente a interação com a platéia, que participa ativamente da montagem, ganhando liberdade e para subir no palco, dar uma volta na cadeira de rodas e cantar com os músicos. :-)

Outras informações: www.oficinadosmenestreis.com.br

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CASOS E ACASOS!

Por THIAGO FURLAN

MUDAR OU NÃO MUDAR? Chris Cornell acaba de virar a cara pro rock e agora faz R&B, estilo Rihanna e Justin Timberlake, arrancando muitas criticas dos fãs das antigas Depois de quase 20 anos ouvindo música, você acaba se acostumando com as idas e vindas de estilos musicais, modinhas, revivals, reuniões, ou seja, tudo o que se pode imaginar. Dentro do rock, então, a situação beira o ridículo, já que basta uma banda fazer sucesso que logo em seguida outras 15 aparecem fazendo a mesma coisa (ou voltando, se for uma famigerada reunião).

resolveu virar a casaca e apostar suas fichas num disco de R&B. Sim, você leu bem, R&B. Não aquele R&B de Aretha Franklin ou Wilson Pickett, e sim o de Rihanna e Justin Timberlake. Produzido por Timbaland, responsável por álbuns do já citado Justin e Nelly Furtado, só pra citar dois exemplos, o álbum é uma coleção de músicas que ficariam ótimas em uma pista de dança, mas sem as melodias “infância triste” e a voz com

Divulgação. Só que, de vez em quando, aparece alguém drive do rapaz. surpreendendo. Algumas vezes, a surpresa é boa, outras, a sensação de traição é inevitável. “Como ele A reação dos fãs foi imediata, qualquer fórum ou pôde fazer isso?”, perguntam os fãs mais ardorosos comunidade em redes sociais na Internet desancam enquanto lamentam a direção que o artista resolveu a tentativa de mudar de estilo. Trent Reznor, líder tomar. do Nine Inch Nails, chegou a postar em seu Twitter (mini-blog) que o disco de Cornell lhe causa vergonha O traidor da vez é Chris Cornell, cantor de 44 anos. de tão ruim que é. Cornell, pra quem não sabe, fez sua fama como um dos melhores (senão o melhor) vocalistas da década A verdade é que o disco é fácil - fácil uma das 10 de 90, cantando com o Soundgarden. Com voz aguda maiores decepções que já tive ao ouvir um álbum. e rasgada, lembrando um Robert Plant mais agressivo, De tão ruim que é, me causou risos, principalmente nos presenteou com clássicos como “Black Hole Sun”, depois que vi o videoclipe no Youtube, já que parecia “Outshined”, “Rusty Cage”, entre outras pérolas do uma paródia mal feita de um clipe da Beyoncé. que costumávamos chamar de grunge. Fez parte também do projeto que deu origem ao Pearl Jam, Mas toda mudança é ruim? Cornell se defende, o Temple of The Dog, que tinha como carro chefe dizendo que os fãs de Dylan tiveram a mesma reação “Hungerstrike”, música em que dividia os vocais com quando este pegou em uma guitarra. O flerte com Eddie Vedder. Mais tarde, juntamente com a parte a música eletrônica, no entanto parece enfurecer instrumental do Rage Against The Machine, formaria os fãs de rock de maneira especial. O Paradise Lost o Audioslave, que apesar de sempre ter ficado aquém enfureceu os fãs mais radicais quando começou a do seu potencial, ainda assim era uma banda de boas adicionar baterias eletrônicas no seu metal gótico. músicas. Hoje em dia, impossível imaginar as bandas que seguiram este estilo sem flertar um pouco com esse Agora, em carreira solo mais uma vez, Cornell tipo coisa. O Metallica, ao fazer os álbuns “Load” e

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CASOS E ACASOS!

Por THIAGO FURLAN

“Reload”, arrebatou uma nova geração de fãs, mas fez com que os fãs ainda cabeludos arrancassem os cabelos. Em compensação, há as bandas que claramente “jogam pra torcida”. O Iron Maiden, por exemplo, além de estar em turnê com seus sucessos antigos, não lança nada “novo” desde o “Seventh Son of a Seventh Son”, de 1988. Houve uma pequena tentaviva, com Blaze Bailey, de mudar o estilo da banda com X-Factor, mas dada à reação dos fãs, a volta atrás foi inevitável. O Kiss então, assumidamente não faz nada de diferente ou de novo “porque os fãs só querem saber das coisas antigas”, como já disse seu líder e comedor de plantão Gene Simmons. Na briga entre mudar e não mudar, perdem todos. As tentativas furadas de se jogar no mercado ou de revolucionar com músicas mais pop são fúteis ainda mais quando claramente, no caso de Cornell, não se conhece o estilo para o qual se quer mudar. Além do que, é difícil “revolucionar” algo quando um monte de gente faz a mesma coisa e melhor (alguém podia ter avisado o Sr. Cornell disso, mas pelo que parece ele não anda ouvindo muito bem – nem às próprias músicas). Em compensação, bandas que não mudam são um baita pé no saco (com as exceções Ramones, AC/ DC e Motörhead, sejamos claros). Quando ouvimos a

carreira de bandas lendárias percebemos claramente uma evolução, uma vontade de melhorar e fazer coisas novas pra agradar a si mesmos, não aos fãs. Quando uma banda se recusa a evoluir, simplesmente porque os fãs antigos não irão gostar, fica aquela sensação de que o músico virou funcionário público. Ele vai lá, faz o dele e ganha o cheque no fim do mês, mesmo que o trabalho não seja lá essas coisas. Algumas bandas, como o Queensrÿche (até o famigerado Hear in The Now Frontier) não tinham medo de mudar, mesmo depois de estrondosos sucessos como “Operation Mindcrime” ou “Empire”. O Beach Boys, pra voltarmos um pouco mais no tempo, saiu de uma banda de surf music para criar músicas com arranjos vocais complexos e baseados em estudos de harmonia de Schoenberg. O próprio Paradise Lost apenas se aproximou de suas primeiras influências, como o Sisters of Mercy, sem deixar de lado o clima soturno característico do grupo. O U2, já apedrejado por “pop” antes tinha flertado (e muito bem, diga-se) com o soul e o funk. A diferença entre eles e Cornell? Todas essas bandas sabiam o que queriam ou conheciam muito bem os “novos” estilos antes mesmo de contratar um produtor da moda e tentar ser o novo xodó do R&B. Mudar é importante, mas mais importante é não se perder no caminho. ;-)

Thiago Furlan, 28 anos, é jornalista, músico e professor de música. Adora chocolate Opereta e escreve sandices de vez em quando. Não teve medo de largar o rock pra fazer uma banda de funk e nem de voltar ao progressivo cantando com o Som Nosso de Cada Dia. Seu site é www.myspace.com/furlanfufi

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Passarela Moda sob os holofotes

O SEGREDO PARA SE

VESTIR BEM

Não precisa de muito dinheiro para ficar na moda. Confira as nossas dicas! um vasto rastreamento e garimpadas pelas O comércio atacadista ruas e pelos desfiles, de moda do Bom além de intercâmbios Retiro, mais conhecido internacionais. do Brasil, atrai Mas incluir no aproximadamente 70 calendário nacional mil pessoas do país o Bom Retiro Fashion inteiro, que visitam Business foi o fato a região todos os mais relevante para a dias. Os preços são o inserção do bairro no grande chamariz, mas mundo fashion. Com o que poucos sabem é essa realização da que, além de valores maratona de moda, os justos, os consumidores organizadores esperam procuram o Bom Retiro um aumento de 20% Bairro do Bom Retiro (Thiago Teixeira). porque a qualidade é a 30% no volume de aliada à variedade de produtos. Aliás, os clientes da vendas como retorno da iniciativa. Além da questão região não se limitam a pessoas de baixa renda – como financeira, os desfiles valorizam o bairro, já que se presume pela referência de comércio popular. o número de visitantes e frequentadores tende Apesar de o bairro ter uma renda boa de atacadistas, a aumentar a cada edição, em razão de conhecer a maioria das pessoas que vai ao Bom Retiro quer estilos e criações das empresas atacadistas que fazem mesmo é realizar os próprios desejos. Ainda assim a moda nas mais conceituadas lojas de shoppings. o número de revendedores é alto, principalmente Para chegar com tudo ao assunto, uma das práticas quando se fala em quem vêm de cidades no interior frequentes entre os estilistas que atuam no bairro de São Paulo e de outros Estados brasileiros. é assistir aos desfiles no Brasil, e até no exterior. Isso significa que o Bom Retiro Fashion Business traz, Reconhecida pela tradição em moda de malharias ao uso e ao gosto cotidiano, além de tendências da e outras fábricas que lá estão há 30, 40 anos, a próxima estação, referências vistas no mundo. região tem investido na contratação de profissionais especializados em estilo com o objetivo de tornar o Para entender mais sobre as peculiaridades do “Bombairro um pólo da moda. Quase todas as lojas do Bom Rá”, convidamos a estilista Barbara Paredes, da loja Retiro tem uma pessoa que cria exclusivamente as Secia Modas. Além de contar sobre a moda do bairro, peças da marca. O trabalho do estilista começa com Barbara conta mais sobre a ideologia dos lojistas, referências bacanas, como editoriais de moda, que os estilos, as tendências do verão 2010 e dicas de inclui acompanhamentos freqüentes sobre o assunto, compras. Ida Kazue

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Passarela Barbara Paredes (Arquivo pessoal).

Moda sob os holofotes BOOM! - As roupas do Bom Retiro ainda tem um quê de popularescas, ou já assumem status de roupas de grife? BARBARA PAREDES - Há marcas muito fortes no Bom Retiro, como a Hit, a Chocoleite/ La Chocolê, a Shoulder, que tem inclusive loja na rua Oscar Freire e a Vicio, “mãe” da hypadíssima Amapô. Hit e Chocoleite são marcas respeitadíssimas no Bom Retiro e fora dele. Elas têm um estilo próprio e coleções belíssimas, costumam “ditar tendências” e suas vitrines são super assediadas pelos fashionistas de toda São Paulo. Roupas das lojas do Bom Retiro, porém, dificilmente, deverão alcançar o status de “roupa de grife”, pois para isso é necessário uma equipe de marketing bem preparada que analise público alvo, ponto de venda, táticas necessárias para encantar seu cliente, e a maioria dessas marcas não tem nem assessoria de imprensa. A grande verdade é que os donos dessas lojas nem tem essa intenção, o que interessa a eles é dinheiro no bolso e não um adjetivo. Eles sacaram que é muito melhor vender 10 mil vestidos a R$ 50 do que vender cem a R$500, e nessa missão eles vão muito bem! BOOM! - Qual a faixa de preço das roupas no Bom Retiro? BP - Varia muito de uma loja para a outra, do atacado para o varejo e assim por diante, mas na grande parte das vezes é muito mais barato do que comprar em lojas no Itaim ou em shoppings, pois a maioria dessas lojas compram no atacado do Bom Retiro. BOOM! - O bairro sempre foi conhecido por vender roupas para atacadistas, pois lojistas do Brasil inteiro consomem no Bom Retiro, mas mesmo assim conseguimos achar lojas varejistas? BP - A grande parte das lojas que vendem no varejo ficam na rua José Paulino. Já nas ruas Cesare Lombroso e na Aimorés ficam as lojas de atacado. BOOM! - Onde vocês, estilistas do Bom Retiro, buscam inspiração? BP - Estilistas do Bom Retiro e Brás, principalmente, têm um grande comprometimento com o “produto

comercial”. Assim, fica muito difícil procurar inspiração numa grande paixão, numa musa dos anos 1970, num filme do Woody Allen ou naquela frase que muda todo o significado daquele livro que você ama. A nossa grande inspiração, se é que bem se pode dizer, está nas revistas de moda e tendência como a Vogue, Harpers Bazaar, ID, W, e assim por diante. BOOM! - O bairro ainda segue a tendência de “modinhas” criadas principalmente pela TV, ou já possuem criações e estilos próprios de suas marcas? BP - A grande parte das marcas não segue uma linha ou estilo, é guiada principalmente pelas tendências que no Brasil, são ditadas principalmente pela novela das oito. BOOM! - Quais as peças vedetes da próxima estação? BP - As peças de malha, e principalmente as peças mais amplas serão fortíssimas para o verão 2010, entram em cena malhas diferentes da já famosa viscolycra, como o flamê, o viscolinho, o bamboo, entre outras. Os vestidos longos estampados também aparecerão bastante. BOOM! - Quais cores estarão em evidência na próxima estação? BP - O azul, turquesa, principalmente, é uma grande promessa para o próximo verão, mas aparentemente, serão os tons alaranjados, com destaque para o coral, que serão os verdadeiros protagonistas do verão 2010. BOOM! - A Índia inspirou suas criações? BP – (Risos) Infelizmente temos que seguir as tendências das novelas, visto que o que interessa é dinheiro no bolso, e o que vende mesmo é a roupa das protagonistas bonitonas das novelas da Globo. BOOM! - Acredita que motivos orientais vão tomar conta da moda no Brasil? BP - Difícil de prever, pois essas febres novelescas são passageiras e tem um público alvo muito específico. BOOM! Qual a sua dica “BBB” (Bom, Bonito e Barato) para comprar no Bom Retiro? BP - Na José Paulino, a Kes e a Crazy são as marcas mais bacanas (jovem e moderno), o melhor jeans é o

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Passarela Moda sob os holofotes da Limelight e, para um público mais exigente, a Fashion Clinic é uma boa pedida. A Vício também é ótima, principalmente no verão, e outra que é bacana e mega seguidora de tendência é a Talitha Kume (só importa, não fabrica), que na José Paulino mudou o nome da loja para Emanuelle. :-)

AS PRINCIPAIS VIAS DE MODA Rua da Graça: o foco é malharia, como artigos de tricô, além de saias, blusas e calças. Rua Silva Pinto: lá estão as roupas mais conservadoras e sociais, para senhoras e para quem está acima do tamanho 46, aqui chamada de GG. Ribeiro de Lima: para se acabar em bolsas lindas e baratas. Rua José Paulino: pop, descolada, possui um mix legal que a moçada e até mesmo os mais conservadores adoram. Para quem gosta de criar, é um prato cheio. Mais barata que qualquer loja de shopping, apresenta uma bela diversidade. Rua Aimorés: Fashion e um pouco mais sofisticada que a José Paulino, em algumas lojas, é possível se adaptar até com serviço de copeira. Quem diria que no Bom Retiro você compraria e tomaria café ao mesmo tempo?

BARBIE CINQUENTONA A boneca completa 50 anos com estilo e polêmica

Divulgação.

Amanda Lopes

É, ela está f i c a n d o velhinha, mas continua como sempre foi, linda, loira, elegante e na moda. As cinco décadas foram muito bem vividas, com muito estilo, atitude e glamour. Barbie continua sendo tudo o que as meninas e, principalmente, as mulheres querem ser. A boneca mais famosa do mundo comemora seu aniversário com homenagem nas passarelas. Ela inspirou mais de 70 estilistas, entre eles os mais famosos. Seu fã-clube tem 18 milhões de membros, ela se socializa no Facebook e no MySpace, além de

ter revolucionado o mundo das crianças e também dos pais que tentaram em vão resistir a ela. A fabricante de brinquedos Mattel, pai da Barbie, acaba de assinar um contrato com a Associação dos Estilistas Americanos. Sua presidente, Diane Von Furstenberg, vê na Barbie uma mulher independente e confiante, dotada de uma enorme capacidade para se divertir sem perder a elegância. Em homenagem ao seu aniversário, o Museu da Barbie, em São Paulo, reúne história, moda e curiosidades sobre a boneca. Dividido em sete ambientes, o espaço atrai fãs, adultos e crianças. Mas Barbie chegou aos 50 anos com dificuldades, pois é acusada de deformar a imagem da mulher entre as meninas e favorecer a anorexia. Suas vendas caíram em

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2008, pelo sétimo ano consecutivo, depois do surgimento de sua concorrente, Bratz, uma boneca que mostra o umbigo, o que a Barbie só passou a ter em 2000. E, para piorar ainda mais a situação, a Barbie e seu fabricante terão de enfrentar o lançamento iminente do livro “Toy Monster: The Big, Bad World of Mattel” (“O monstro dos brinquedos: o grande e malvado mundo da Mattel”, numa tradução livre). O autor deste livro, Jerry Openheimer, revela, entre outras coisas, a vida sexual de Jack Ryan, o engenheiro que criou a Barbie e o Ken. :-o Museu Encantado Barbie Até 31 de julho, no Shopping Cidade Jardim Endereço: Av. Magalhães de Castro, 12.000, São Paulo Horários: de terça-feira a sábado, das 10h às 21h; domingo, das 12h às 18h. Entrada gratuita - Censura livre. Outras informações pelo telefone: (11) 3552-1000.


 garagem BOOM! 

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CENÁRIO ALTERNATIVO E UNDERGROUND.

UM DOS RETRATOS DA BATALHA INDEPENDENTE Gisele Santos A banda de rock paulista Nutshell, criada em 1998, é formada por Renato Zangrossi e Fernando Silloto (ambos nas guitarras), Daniel Guerra (voz), Rafael Amaral (baixo) e Robson Garcia (bateria). “Entre o bem e o mal” é o nome do CD de estréia, lançado em 2006. Atualmente a banda está trabalhando na divulgação do novo álbum - “Em poucas palavras” (2008) - que conta com participações especiais de Amon Lima (Família Lima), Baía (Tihuana), Crespo (Casa di Caboclo) e Renato Rocha (Detonautas). O nome Nutshell significa “em poucas palavras”, que vem da expressão “in nutshell”, de uma das músicas do grupo grunge que os influenciou musicalmente, Alice in Chains. O vocalista Daniel Guerra, em entrevista exclusiva para a BOOM! Magazine, conta as diferenças musicais do início

das atividades da banda até o novo álbum. “Na primeira formação (com Daniel Zangrossi na guitarra base e Alan Petrillo na bateria), éramos muito influenciados pelo grunge e tudo fluía muito espontâneo. Foi visceral e não nos importávamos em remeter ao estilo que tanto gostamos. Depois do primeiro CD de estréia, tivemos mudanças na formação e um amadurecimento geral na banda. Nosso objetivo era encontrar nossa sonoridade própria, sem perder as raízes e nos mantermos autênticos. Ficamos muito satisfeitos com o resultado do nosso novo CD, pois ‘Em poucas palavras’ é um resumo de sentimentos, mensagens, sonoridades que todos nós colocamos pra fora neste trabalho”, conta Daniel. Um dos convidados que participa do novo CD é quem mais se diferencia do estilo rock, o violinista Amon Lima, da Família Lima, nas faixas “Mais Um Na Multidão” e “Já Não

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 garagem BOOM!  CENÁRIO ALTERNATIVO E UNDERGROUND.

Me Lembro”. O profissionalismo e talento de todos prova que o rock aceita outros ingredientes, como violinos, e essa parceria se transformou numa sonoridade muito bacana. Daniel explica como foi a experiência dessa e de outras parcerias. “Muita banda corre atrás de aplausos, gritos, sucesso, e nós também (gargalhadas). Mas, falando sério, o que mais nos orgulhamos em ter conquistado em nossa carreira é respeito. Ter a honra de registrar em nosso CD a participação do Amon Lima, Renato Rocha do Detonautas, nosso amigo Baía do Tihuana e de uma das promessas do rap/hip-hop, Crespo do Casa di Caboclo, foi uma experiência incrível. Isso mostra que o Nutshell tem conquistado o respeito de artistas consagrados e de sonoridades diversas. Em nosso site temos uma área em que exibimos com orgulho mensagens de músicos como Edu Falaschi (Angra), Pinguim (ex-batera do Charlie Brow Jr), e outros não menos importantes para a cena musical nacional”.

Coletânea independente sem muita divulgação e incentivo A banda Nutshell organizou, em 2006, uma coletânea de rock independente que surgiu numa comunidade do Orkut, por isso o nome do CD foi batizado “Comunidade Independente”, e contou com a produção do Rick Bonadio (Arsenal Music), mas esses laços fortalecidos não renderam contrato da banda com a gravadora - que vem apostando em grupos com menos tempo de estrada e no estilo emocore, como Nx Zero que acaba de renovar contrato por mais quatro anos e a recente contratação da banda da garotada da Fake Number, que está na estrada há três anos. “A coletânea serviu como experiência para conhecermos um pouco esse mundo de gravadora, etc. Tudo envolve planejamento, marketing e o produto certo. Essa coletânea nunca foi um produto para o Bonadio e não foi divulgada, com isso, não atingiu muita gente. Poucas unidades chegaram às mãos das bandas, que também não puderam fazer muito pelo projeto. Faltou atitude de todas as bandas envolvidas em buscar maior divulgação do projeto, procurando o Bonadio ou unindo as bandas. Sinceramente, vi poucas bandas além do Nutshell divulgar o projeto”, desabafa Daniel, que completa: “Hoje, vejo que o mercado pede bandas como estas que o Bonadio contrata, afinal, ele é um empresário da música e tem feeling para trazer ao mercado o que ele procura. Claro que não estou falando de 100% das pessoas, mas muitas, iguais a mim,

esperam ver no mainstream bandas com outros estilos e que atinjam outros públicos. Pra mim, é tudo questão de gosto, oportunidade e tempo. Os anos de estrada não significam muito quando este tempo não é aproveitado ao máximo. Estamos apostando há anos em nosso estilo e som, sem nos preocupar 100% com o mercado. As bandas de hoje, mesmo com menos tempo de estrada, conquistam espaço pela correria que fazem e pelo som que abre portas no mercado de hoje. Acho mais que merecedoras”.

Críticas sobre os festivais patrocinados, mas a banda pretende continuar participando A banda Nutshell sempre esteve presente em eventos de patrocinadores renomados, como por exemplo, GAS Sound e Festival, Demo Hits de celular, entre outros. A maioria deles fisgam as inscrições das bandas com slogans “sua banda vai ficar conhecida” ou “tire sua banda do anonimato”. Daniel critica os festivais, mas enfatiza que a banda continuará participando deles. “Tivemos a oportunidade de participar de vários festivais e neles, muitas bandas competentes também participaram. No final, ainda vejo mais projeção da marca do que da banda ou artista. Não podia ser diferente, afinal, que outro motivo leva uma marca a patrocinar eventos desse porte? Vale destacar que, na minha opinião, as bandas vencedoras, mesmo não ficando ‘mega conhecidas’, pelo fato de ganhar ou participar desses eventos acabam colhendo frutos diretos ou indiretos na carreira. Estaremos sempre nos inscrevendo e torcendo para participar de todos eventos possíveis, não importa a marca do refrigerante (risos)”.

Balanço da batalha independente A Nutshell tem onze anos de estrada e ainda batalha no cenário independente, tanto que os dois CDs já lançados foram bancados pelos próprios integrantes. Daniel faz um balanço da trajetória da banda nessa batalha no cenário da música independente: “Continuamos muito empolgados em fazer rock no país do Carnaval (risos). Estamos focados em divulgar nosso último trabalho. Acabamos de lançar o clipe da música ‘Tão Longe’ e estamos finalizando a produção de um DVD que terá um vídeo release com resumo da nossa carreira, clipes, fotos e trechos de apresentações. O lance é não desanimar, o mercado mudou radicalmente e tudo tornou-se ainda mais difícil. Enquanto isso, a gente se diverte fazendo música e enchendo a cara”. :-D

Acesse: www.nutshell.com.br

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Divulgação.


VIRTUAL

Por DÉBORA PODDA

Sexo e sexualidade com informação.

SEXO VIRTUAL:

FOI BOM PRA VOCÊ? Pesquisa mostra que cerca de 25% dos internautas brasileiros acessam páginas eróticas

Em todo o mundo, a procura por sites eróticos cresce a cada dia. É a democratização do sexo, que garante o anonimato dos navegadores e serve para dar mais emoção à vida sexual de pessoas de todas as idades.

acessam páginas eróticas. Nos Estados Unidos o número é maior. São nove milhões de freqüentadores, dos quais quatro milhões podem ser considerados viciados. Dos nove milhões, 8,5% freqüentam os sites por mais de onze horas semanais. Outra pesquisa demonstrou que 70% das pessoas que dialogavam em salas de bate papo se encontravam na vida real. Destes, 80% tiveram envolvimento sexual também fora da Internet.

Basta apenas um clique para que homens e mulheres, de várias idades e classes sociais, possam realizar suas fantasias Internet / Divulgação. mais secretas. Estimulantes não faltam. Shows eróticos ao vivo, fotografias que há alguns anos só poderiam ser olhadas em revistas especializadas e conversas Antigamente, dar vazão a esse tipo de fantasia recheadas de apelo sensual. significava se expor. Hoje, ao contrário, conta-se com a vantagem do anonimato e até de maior segurança, A Internet ajudou a facilitar o sexo. Pressionando tanto para quem procura quanto para quem presta algumas teclas, entra-se em um mundo sem censura. os serviços sexuais via internet. O que a rede fez É a forma que diz não à repressão do desejo e foi dar margem para as pessoas expressarem a sua que alia erotismo com uma pitada de realidade. sexualidade, oferecendo estímulo para que a fantasia Por tudo isso, o número de adeptos dessa nova se desenvolva. ‘’fórmula mágica’’ de explorar o desejo cresce a cada dia. Com situações e cenas eróticas capazes Perfil dos adeptos do sexo virtual de estimular os mais tímidos, os sites contribuem De frente para o computador, o grau de ousadia para dar vazão às fantasias sexuais. Na opinião dos depende do voyeur eletrônico que se comunica pelo especialistas, entretanto, o problema surge quando teclado. A conversa pode ter delicadeza romântica, o que deveria ser apenas um trampolim para uma que agrada mais às mulheres e às vezes aos casais, até vida sexual saudável e ‘’apimentada’’ se transforma a afetuosidade carente dos solitários. Também dando em vício, trazendo problemas. espaço, é claro, para a vulgaridade e promiscuidade. Mulheres lançam mão do recurso para apimentar sua Sexo virtual vida sexual. Ou matar o tempo com um belo colírio Em todo o mundo, os endereços mais visitados são os que está ali na tela para realizar seus desejos mais de sexo. Segundo pesquisa realizada recentemente secretos. pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana, de 20% a 25% das pessoas que interagem com a internet Conheço muita gente que vive uma ilusão absurda.

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VIRTUAL

Por DÉBORA PODDA

Sexo e sexualidade com informação.

O príncipe torna-se um sapo na medida que o tempo vai passando. Mentira tem perna curta e ninguém consegue manter uma história fantasiosa por muito tempo. A tontinha vai acabar sacando que foi enganada e vai se entupir de chocolate na frente do computador, procurando um outro príncipe. Poucas vezes o príncipe é príncipe mesmo e todas as mulheres ficarão morrendo de inveja da ex-tontinha e agora sortuda, que encontrou na net o par ideal. Distúrbios provocam vício, mas existe tratamento Os malefícios do sexo virtual e do excesso de erotização pela Internet estão justamente na parcela que se torna viciada. O vício pode vir de um distúrbio prévio e a pessoa que acessa os sites não consegue viver sua vida real preferindo, exclusivamente, a Internet. É como se ela passasse a ser a única fonte possível de prazer do indivíduo. Essa situação pode levá-lo,

inclusive, a abandonar qualquer possibilidade de relacionamento ou contato físico real. Para os terapeutas sexuais, as fantasias são importantes para manter a sexualidade em alta e a erotização cotidiana pela Net é um estímulo que pode ser positivo, importante para a vida. O que acontece é que a Internet funciona como válvula de escape. É o lugar mais permitido e de fácil acesso. As pessoas se dão mais permissão. É saudável, desde que os navegantes que procuram esse estímulo se relacionem também com outras pessoas no real, orientam os terapeutas. Para quem só se utiliza do sexo virtual como forma de ter desejo e prazer, os terapeutas recomendam tratamento. No namoro virtual, você é tudo o que quer ser e pode idealizar o outro da sua maneira. Os viciados são pessoas com dificuldade de relacionamento, têm timidez excessiva, dificuldade de se expor. Neste caso, devem procurar ajuda. Um psicoterapeuta pode indicar uma terapia em grupo, de casal ou individual para resolver o problema. Existe tratamento no Ambulatório de Múltiplos Transtornos do Impulso, vinculado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, que oferece apoio psicológico e psiquiátrico gratuitos para pessoas viciadas em internet, seja jogos, sexo virtual, enfim, para quem não desgruda do computador e apresenta sintomas depressivos, entre outros. Outras informações: (11) 3069-6975. A PUC de São Paulo também criou um Núcleo de Pesquisas em Psicologia e Informática (NPPI), lembrando que o atendimento é sigiloso e preserva a identidade do paciente. Outras informações, através do email: nppi@pucsp.br :-)

Débora Podda é radialista, de 1998 a 2007, apresentou nas rádios online IRCBrasil e Rede Blitz o programa “Virtual”, especializado em aconselhamento sexual para jovens e adolescentes. Atualmente é redatora de conteúdo para rádios indoor. O e-mail de Débora é deborets@gmail.com

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Arte: Gustavo Dittrichi

É o caso da mulherzinha carente, cheia de medo de viver de verdade, que está em casa sem fazer nada da vida, sem coragem para enfrentar e mudar a realidade. Tecla com um, ou vários bonitões, bem nascidos, cheios de dinheiro, com altos cargos na empresa que trabalha. Seu perfil em sites de relacionamentos está repleto de fotos lindas, de lugares encantadores que visitou. Nas conversas pelo MSN, o príncipe encantado é o cara mais legal, e educado do mundo. Depois de um tempinho de conversa, relata estar apaixonado e até faz planos. A tontinha, do outro lado do monitor, acredita em tudo. Marca encontro, compra lingerie cara, vai se encontrar com o príncipe e a partir disso, tanta coisa pode acontecer: o príncipe é um sapo feio, e sem todas aquelas coisas que mostrava ter ou ser.


comportamento

O fantasma das drogas

Problema assombra boa parte das famílias com adolescentes. O acesso é fácil, mas existe prevenção: a informação Camila Calado O Relatório Mundial sobre Drogas de 2008 informa que o Brasil tem cerca de 870 mil usuários de cocaína e que o consumo aumentou de 0,4% para 0,7% entre pessoas de 12 a 65 anos. O consumo de maconha subiu 1% para 2,6%, o maior aumento da América Latina no período de 2001 a 2005. Diante desse fantasma das drogas e dos índices de uso aumentando, a sensação que a população tem é de impotência, de problema sem solução. O desespero de ter um familiar, um amigo ou uma pessoa querida neste mundo sem volta, faz com que milhares de famílias se sintam incapazes de conseguir reverter a situação. Mas existe solução: informação. E é por isso que o BOOM! Magazine resolveu abordar esse assunto, e conversou com Melina Cury Haddad, 33 anos, psicóloga especialista em álcool e drogas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Para começarmos a falar em drogas, primeiramente precisamos ter claro: o que é droga? O que pode ser rotulado como droga? “Droga é qualquer substância que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais sistemas do organismo, provocando assim, alterações em seu funcionamento”, explica a psicóloga Melina. Por definição, droga é toda substância química ou não, que pode causar dependência. É exatamente por isso que muitas vezes nos deparamos com a seguinte situação: um médico prescreve um medicamento que pode causar dependência. Logo, o caracterizamos como “droga”. Para muitas pessoas, droga é somente aquela substância cujo consumo é proibido, ou seja, as chamadas drogas ilícitas ou ilegais. No entanto, é importante lembrar que existem

drogas licitas, aquelas cuja venda e consumo são permitidas por lei. O álcool é uma delas. O uso abusivo de álcool é um grave problema para a saúde pública, responsável por grande número de doenças, sendo associado a muitos acidentes e episódios de violência. O álcool tem sido a droga mais consumida pelos jovens, principalmente devido ao fácil acesso: qualquer um pode comprar em qualquer estabelecimento, além de ser a mais consumida nas baladas. Mas como se pode reconhecer um viciado em drogas? “Dependência química é um conjunto de sintomas e sinais que determinam que a pessoa esteja dependente da substância”, explica Melina. “Alguns sintomas comuns na dependência são evidência de tolerância a substância, estado de abstinência, forte desejo em usar a droga, dificuldades em controlar o uso, abandono das atividades de prazer para fazer uso da substância e persistência do uso, mesmo com o aparecimento de problemas sociais, de saúde e familiares”. Ainda assim, cada droga atua diferentemente em cada pessoa, como exemplifica a psicóloga. “Cada droga tem seu mecanismo de ação particular. Umas deixam os usuários mais estimulados, outras mais deprimidos, relaxados, mas o efeito vai depender da quantidade e da frequência do uso, do tipo de droga e de aspectos biológicos, genéticos e ambientais, como por exemplo, o peso do sujeito, o seu estado emocional antes do uso”. As drogas são divididas em três grupos: as depressoras (álcool, soníferos, hipnóticos, benzodiazepínicos, narcóticos, inalantes e solventes), as estimulantes (anfetaminas e cocaína) e, por fim, as perturbadoras

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comportamento (maconha, certos cogumelos, LSD e ecstasy). Essas últimas são as consumidas pelos jovens para “relaxar” e “dar o barato” em momentos de lazer. Entretanto, o fato de dividirmos as drogas em grupos não significa que algum seja menos perigoso que o outro: é preciso deixar claro que não existe uma droga mais agressiva ao indivíduo. “Não podemos falar de drogas inofensivas e seguras, e nem de leves e pesadas”, ressalta Melina. “Vai depender da quantidade e frequência do consumo, e também da forma de uso. As drogas que são fumadas, por exemplo, causam dependência mais rapidamente do que as inaladas”. Uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas contra drogas e crimes nos dá alerta sobre o uso elevado de drogas nos países em desenvolvimento e mostra que o Brasil lidera índices preocupantes no mercado mundial, com o aumento do uso de maconha, cocaína e ecstasy. O uso da cocaína e das anfetaminas, por exemplo, pode levar a dependência, ou seja, a perda do controle sobre o uso, além dos prejuízos produzidos. No caso da cocaína, segundos ou minutos após o uso, começam as alterações das funções mentais e outros efeitos físicos. As anfetaminas, quando usadas por via injetável, também tem um início de ação muito rápido. No entanto, atualmente, as anfetaminas são usadas em geral por via oral, tendo um início de ação mais lento e um efeito que dura cerca de 8 a 10 horas. Se o indivíduo viciado não consegue consumir suas drogas, começam os sintomas de abstinência, que incluem depressão, ansiedade, irritabilidade, insônia ou sonolência diurna, aumento do apetite, fadiga, exaustão, agitação e vontade muito intensa pela droga. Não se tem um tratamento específico que pode afirmar que o usuário de qualquer substância química poderá se recuperar. É preciso, antes de qualquer coisa, que o indivíduo se reconheça

Melina Cury Haddad (Camila Calado).

“Não existe uma receita

mágica, pronta para a prevenção. Sabemos que existem fatores que ajudam a proteger este indivíduo.” como dependente de uma droga e queira mudar. “Primeiramente, para a pessoa parar de usar droga, ela precisa reconhecer que tem um problema e manifestar vontade, motivação para largar o uso”, diz a psicóloga. “Só assim ela pode começar o processo de mudança. Se um usuário nega o uso, perante o profissional de saúde ou perante um familiar, pouco pode ser feito. O familiar ou profissional, pode tentar sensibilizá-lo, tentar motivá-lo fazendo-o perceber os prejuízos que tem ou de como pode viver melhor sem a droga, mas não deve confrontá-lo, pois isto não ajuda e só faz o usuário ficar mais resistente”. Para Melina, é necessário esperar o “momento certo”. “É preciso esperar o momento, cada pessoa tem um ‘timing’, uma hora em que a ‘ficha cai’ e ela percebe que precisa de ajuda”. Ela ainda ressalta que o próprio usuário viciado começa a perceber que precisa de ajuda. “Geralmente quando começam a ter as perdas financeiras, familiares, amigos, trabalho, escola ou quando começam a aparecer os problemas de saúde, depressão, ansiedade”. É nesse momento, em que o usuário se reconhece como dependente, que

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é necessário que o paciente seja acompanhado por um psiquiatra, um psicólogo e não tenha contato com nenhum tipo de droga – e, nessa fase, o apoio de amigos e familiares é essencial. Existem também diversas clínicas de dependentes químicos, o que não significa que todos os usuários de drogas só conseguirão a cura através da internação. Em muitos casos, é possível tratar do vício através de palestras, terapias cognitivas, psicoterapias, grupos de autoajuda e comunidades terapêuticas. “O usuário de drogas pode parar a qualquer momento, desde que o queira”, explica Melina. “O usuário que não conseguir parar de usar durante a sua vida, provavelmente irá se deparar com um problema de saúde grave que o obrigará a parar, ou em casos mais extremos, a morte será o fim deste processo. Não podemos esquecer que o ser humano é capaz de mudar e modificar a sua vida a qualquer momento e em qualquer idade”. Mas o melhor remédio mesmo e, em primeiro lugar, não embarcar nessa. “Não existe uma receita mágica, pronta para a prevenção. Sabemos que existem fatores que ajudam a proteger este indivíduo, como um ambiente protetor, uma família, um lar onde não existam muitos conflitos, onde exista um espaço para o diálogo aberto, para as pessoas poderem falar de seus sentimentos, de expressar o que pensam e sentem com respeito um pelo outro. O meio onde ela cresce e vive também vai influenciar, por exemplo, a escola, os amigos, o bairro onde mora, se são lugares onde o uso e acesso a droga é mais fácil, será maior o risco. Sabemos que toda droga é prejudicial à saúde, o que não podemos prever é quando os problemas começaram e de que forma irão se manifestar, mas a pessoa que usa com freqüência certamente algum dia, terá algum tipo de problema”, assinala Melina. Então, como dizia o ditado da vovó, prevenir ainda é o melhor remédio. ;-)


comportamento

Juventude politizada: será? As eleições municipais de 2008 acabaram, mas e o papel do jovem? Saiba o que eles pensam, quais são seus ideais e como assumem o seu papel na política brasileira Gisele Santos e Gustavo Dittrichi

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) no final de outubro e início de novembro de 2008, nas últimas eleições municipais, apenas 1% do eleitorado era de adolescentes (jovens com idade entre 16 e 17 anos, para os quais o voto é facultativo). Há 16 anos, eles correspondiam a cerca de 2,5% do eleitorado. E dados recentes da pesquisa justificam a baixa participação: 65% dos jovens, de acordo com o Seade, acham que os políticos não representam os interesses da população.

Soninha acredita que o primeiro ponto para os jovens começarem a se interessar por política é “esclarecer que jogo é esse, quais são as regras, como é que identifica o bom ou o mal jogador, quem está ganhando ou perdendo. Não sabem o que é vereador, qual a diferença de vereador pra deputado, de Assembléia Legislativa para Congresso Nacional, Senado, Câmara. As pessoas não sabem! Para interessar, precisam entender a política, as regras básicas, a divisão entre os poderes, as três esferas. Depois precisam ser incentivadas a criticar. Você passa informações sobre determinada Câmara Municipal, qual agenda, o que farão, o que já foi feito. E com esse conhecimento básico, as pessoas naturalmente irão se envolver. Então, a informação é fundamental e hoje ela é muito pouca, distorcida, eventual, na grande maioria do tempo é notícia ruim. E tem que mostrar também os bons políticos, o lado positivo da política, pois isso também acontece aqui”.

Esses dados, entretanto, contrariam a perceptível participação que os jovens vêm adquirindo na política. Em todo o Estado de São Paulo, 364 mil jovens eleitores votaram pela primeira vez em 2008. Talvez, a atividade dos jovens vá além do voto: alguns já demonstram interesse em se candidatar e alguns já foram eleitos, mostrando boa aceitação popular. A ex-vereadora Soninha (Juliana Negri). Com 41 anos de idade, a candidata derrotada disse que, em certo A ex-vereadora Soninha Francine, que se interessou ponto, foi prejudicada por ser considerada jovem por política desde pequena influenciada por sua mãe, para um cargo como a Prefeitura. “É difícil mudar, que sempre colocava o assunto em pauta em casa, pois as pessoas são muito apegadas ao que elas já acha que os jovens costumam levar a fama de serem conhecem. Têm medo de mudar, embarcar em alguma os mais desinteressados do mundo, os mais apáticos, coisa completamente nova com medo do que poderá especialmente em contraste com os jovens dos anos acontecer, sem pensar que cada dia é novo e mesmo 60. “Pra mim, isso é injusto. Não vou nem discutir o candidato antigo pode mudar em algo. Não dá para anos 70, pois todos os jovens não eram engajados. ter certeza o que ela vai fazer mesmo conhecendo a Era um segmento forte, claro, da juventude, dos pessoa há 50 anos. São novas situações, problemas estudantes, dos universitários, mas também existiam novos, soluções novas. Mas o que é familiar sempre jovens apáticos, desinteressados, alienados ou parece mais confortável”, explicou. conservadores. O que os jovens não querem saber muito é da política partidária, propriamente dita. Patrícia Mara Magalhães Barbosa, de 23 anos, há Mas não são só eles, este é um traço da população em três é vice-presidente do diretório acadêmico da geral”, declarou ela, que foi candidata à Prefeitura Universidade Mackenzie (o maior colégio eleitoral de de São Paulo. São Paulo). Para ela, o jovem não é interessado em política pela própria falta de incentivo do Governo

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comportamento em educar nesse sentido. “Tem alguns países que incentivam muito mais. As pessoas são muito mais ligadas à política, mais ativas”, compara ela. “No Brasil, elas estão acomodadas e também não se preocupam em melhorar essa situação”.

ninguém faz nada para mudar. Então, se os jovens estão agora querendo fazer isso, eu acho ótimo”.

Mas será mesmo que o jovem é tão alienado assim? Nas eleições do último 5 de outubro, dois jovens candidatos foram eleitos a vereadores no interior do Estado de São Paulo. Patrícia considera que não existe Rafael Nixon Pereira Marques (PSDB), intenção nenhuma de educar com 17 anos na época, obteve 209 o jovem, embora considere o votos em Valentim Gentil (SP), cidade incentivo na educação política com 11.500 habitantes. Já Renan indispensável. “A intenção da Medeiros Venceslau (PT), conhecido política brasileira é alienar as como “Tioza”, na época com 17 anos, pessoas. Eu gosto de política com 62 votos foi eleito vereador da Patrícia Magalhães (Gustavo Dittrichi). cidade de Aspásia (SP), que possui e busco conhecer um pouco de tudo para formar minha opinião. menos de 2 mil habitantes. Eu me considero uma pessoa politizada, mas porque A lei das eleições brasileiras permite as candidaturas eu busco isso e não porque me oferecem”. mesmo de menores de idade, contato que, ao assumirem os cargos, já sejam legalmente maiores Para ela, os jovens que se candidatam são exemplo de idade. Os dois eleitos puderam assumir os postos a ser seguido. “Acho louvável. Até porque, a cada tranqüilamente em 1º de janeiro de 2009, já que renovação, é uma nova esperança. A gente já tem Rafael fez 18 anos no mês de novembro e Renan, em uma imagem meio negativa da política hoje, mas dezembro. ;-) PONTO-DE-VISTA: conheça a opinião de quatro jovens sobre política Ivan Henrique de Oliveira, 20 anos, estudante e estagiário de Publicidade e Propaganda “Acho que hoje em dia o jovem tem mais acesso à informação, às vezes até demais, e isso gera uma certa confusão. Em se tratando de eleger um representante, ele não sabe muito bem no que acreditar, ou em quem acreditar, mas acho que a maioria tem a consciência do que representa o voto e da importância que tem. Eles sentem que eles próprios podem fazer algo para mudar a situação atual da política e da sociedade brasileira. Não me considero ‘politizado’. Para participar mais ativamente da política, é preciso talento e eu não possuo. Me contento em analisar as propostas dos candidatos e fazer a melhor escolha seguindo meu próprio conceito.”

Pedro Reis, 18 anos, estudante de Letras “O jovem perdeu seu lugar. Ele é conformado e egoísta. Assuntos que dizem a respeito à sociedade já não são de importância. Poderia dizer que o egoísmo gerou o conformismo e sair dessa situação de ‘conforto mental’ não é nada fácil. Eu estou no meio dessa massa que acha que política é só sujeira. Sei que é importante e fundamental pensar sobre, mas esse assunto não me inspira nada. Não há mais esse interesse na política talvez pela ‘sujeirada’ que nós vemos saindo no jornal e TV. Para que negar falando que política dá certo se, quando cai uma chuva, metade da cidade já está com a casa embaixo d’água? Talvez seja por isso que os jovens se desencantaram por lutar.”

Karina Monteiro, 23 anos, jornalista e assessora de imprensa “Uma parcela dos jovens vota e ainda tem esperança de mudanças, em especial a parte mais estudada. Porém, a grande maioria dos jovens se encontra desanimado com a política e desacreditado. Essa nossa geração não tem a mesma garra que as anteriores, talvez porque não tenha passado pela ditadura. Talvez uma parte deles (os jovens que se candidatam) tenha interesse em crescer na carreira e um sonho pessoal, mas isso é uma parcela pequena. A maioria dos jovens não tem este contato tão grande com a política, não.”

Patrícia Pereira de Souza, 22 anos, técnica em Eletrônica “Acho que muitos jovens estão se candidatando mais por incentivo financeiro do que pela vontade de mudar a situação política do país. Acho que o jovem tem força para a mudança... mas não para agora. Quando os jovens de hoje se tornarem adultos, aí sim eles farão diferença. Acho que a participação nas urnas vem diminuindo pelo fato do voto ser obrigatório. Ninguém gosta de ideia de ser obrigado... Não consigo imaginar democracia se me obrigam a fazer algo. Eu prefiro aquele candidato que diz que vai ser difícil, mas que vai fazer o que puder.”

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CULTURA NA WEB.

“PÓDI” O QUÊ? ENTENDA O MUNDO DO PODCAST Saiba como funciona essa nova mídia e a legalização com ECAD no Brasil o nariz em disponibilizar seu conteúdo gratuito na grande rede, aos poucos, estão mudando de ideia. A primeira rádio a criar seção Podcast em seu site foi a 89 FM, no fim de 2005.

Gisele Santos

Para muitos, a palavra Podcast ainda é nova na internet, mesmo que já exista desde 2004. Então, antes de falarmos sobre o fortalecimento dessa nova forma de comunicação e legalização dos direitos autorais, o melhor que temos a fazer é entender o que é Podcast. É uma mídia que surgiu nos Estados Unidos, derivada do rádio, ou seja, são arquivos de áudio com resultado final bem parecido com os programas das rádios. A palavra Podcast foi criada por causa do Ipod (aparelho que reproduz músicas em mp3, isto é, arquivos de música do computador). E gravar Podcast é simples: os programas são gravados em sua maioria por pessoas que nunca fizeram cursos de locução ou trabalhado em rádios. Criar um programa de Podcast não exige muitos equipamentos: basta ter um computador com pelo menos um microfone e um software (programa de computador) de edição de áudio (o mais simples para iniciantes é o Audacity, disponível gratuitamente para download na internet). Quem grava Podcast é chamado de podcaster. O podcaster pode comentar vários assuntos ou temas específicos: cinema, arte e cultura, educação, empreendedorismo ou variedades, esportes, games, humor, jornalismo, música,

Como disponibilizar Podcast gratuitamente

política, tecnologia e informática. Esses arquivos de Podcast ficam disponíveis em um site na internet (entenda no box abaixo como isso funciona), onde todos que acessarem poderão fazer download para escutar no computador ou no Ipod e Mp3 player, ou derivados. O Podcast vem conquistando espaço principalmente por causa do aumento nas vendas dos aparelhinhos de mp3 player e derivados. E o que mais as pessoas gostam é ter a liberdade de poder criar ou acompanhar a programação favorita. E não somente podcasters gravam diretamente de suas casas, pois enxergando que é uma potente e rápida mídia, muitos veículos de comunicação, empresas e até escolas, estão divulgando notícias ou aulas através desta tecnologia. E até as rádios, que antes torciam

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Atualmente, o melhor site que oferece espaço grátis para hospedagem do arquivo mp3 do Podcast gravado é o Podomatic (www.podomatic.com). O serviço oferece conta gratuita com 500 megabytes de espaço e 15 gigabytes de tráfego mensal e ainda gera estatísticas dos acessos e downloads. É um site super fácil de atualizar, pois utiliza a mesma ferramenta dos blogs, onde podem ser publicados textos e pelo menos uma imagem, além do áudio do Podcast. Podcast no Brasil No Brasil, o Podcast começou a ganhar força em 2005, tanto que no mesmo ano aconteceu o primeiro Encontro de Podcasters no país, o Podcon. E em 2008 foi realizado o primeiro Prêmio Podcast, que contou com votação popular e júri (através do site: www.premiopodcast.com.br). Outro fator interessante é que o regulamento e a escolha do troféu foi realizado pelos principais podcasters do país numa movimentada lista de discussão,


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chamada Podcast Brasil (http://groups.google.com/ group/Podcast-Brasil), onde todos sempre trocam informações e experiências sobre o assunto. Legalização do Podcast O Podcast no Brasil foi legalizado com o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), órgão responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das obras musicais em território nacional, de acordo com a Lei nº 9610/98. Há dois anos, o Maestro Billy Umbrella (do Caldeirão do Hulk, da TV Globo), também presidente da ABPOD (Associação Brasileira de Podcast) batalhava para o ECAD entender que produtores de Podcast pessoal (caseiro) não teriam condições financeiras de pagar o equivalente a R$ 1.800 mensais para poder reproduzir músicas, de acordo com a tabela de arrecadação feita pelo órgão para rádios convencionais ou rádios online. Em maio de 2008, o ECAD fez um acordo com ABPOD, que deu o direito a uma pessoa que produz Podcast sem fins lucrativos pague uma UDA (unidade de

direito autoral) mensal, podendo assim continuar executando canções nacionais e internacionais. Este valor atualmente é R$ 42. Caso o Podcast tenha receita, ou seja, fature mensalmente, a pessoa deve entrar em contato com ECAD (www.ecad.org.br) pra legalizar conforme tabela comercial. Existem alguns sites que disponibilizam licenças, chamados de Podsafe, isto é, Podcast com músicas legalizadas liberadas pelos seus autores. Entretanto, ainda não existe muito material liberado e o podcaster deve publicar no site do seu Podcast os selos desses sites para que o ECAD identifique e não faça cobranças. O site Creative Commons (www.creative-commons.org) disponibiliza músicas liberadas pelos autores que abrem mão dos direitos autorais para reprodução de suas obras em Podcast. Artistas como Gilberto Gil, David Byrne e a banda Beastie Boys aderiram este movimento, com plena consciência que é mais uma forma de terem seus trabalhos divulgados. Outro site que disponibiliza músicas para reprodução livre em Podcast é o www. podsafeaudio.com. :-)

DICAS DE PODCASTINGS BACANAS NA INTERNET PARA VOCÊ CONFERIR! Conexão Groove – www.conexaogroove.com.br (Black music) Rota BDG – www.bandasdegaragem.com.br (música em geral) Mundo Rock de Calcinha – www.mundorockdecalcinha.com (rock feminino) ElasPod – www.elaspod.com.br (mulheres falam sobre informática) Papo de Gordo - www.contrapeso.blog.br (assuntos sobre o mundo dos obesos, inclusive seus autores fizeram gastroplastia – é interessante também que os quatro apresentadores são de estados diferentes e gravam através de um software que permite conferência via internet, mostrando o que é possível fazer nesse mundão virtual)

O BOOM! também tem podcast! Para ouvir nossos programas, acesse www.programaboom.com e, no menu, clique em Podcasting BOOM!

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CULTURA NA WEB.

APRENDA OU TREINE INGLÊS GRÁTIS E OUTRAS LÍNGUAS NA INTERNET Gisele Santos

Se você quer aprender ou treinar inglês, francês, alemão, espanhol, o site Live Mocha (www.livemocha. com) oferece cursos grátis. São plataformas rápidas, objetivas, simples para navegar, divididas em vários exercícios, entre eles: compreensão oral, escrita, identificação da imagem referente a frase ou a palavra. Lá no site você pode corrigir ou sugerir novas traduções e também acompanhar os relatórios de aproveitamento do curso. Além disso, Live Mocha também é uma comunidade onde você pode adicionar pessoas do mundo inteiro em sua lista de amigos, pois assim pode utilizar desta ferramenta extra nos chats (voz e texto) para treinar diretamente a conversação. Quem já fala inglês fluente, pode aproveitar para não enferrujar. Existe também o Shared Talk (www.sharedtalk.com), onde o usuário faz um cadastro e informa qual língua fala fluente. Então ele gera uma lista de contatos, como se fosse um intercâmbio virtual. Isso mesmo, em vez de você viajar pessoalmente para casa de um gringo e ele ir para o seu país, tudo é feito com

FEZ

o mesmo objetivo do intercâmbio, mas o ambiente é na grande rede, sem sair de casa. Tudo bem, se você quer um contato caloroso pessoalmente, o site English Town (www.englishtown.com) oferece muitos produtos e serviços aos estudantes de inglês, inclusive cursos no exterior e intercâmbios. Já o blog English Experts (www.englishexperts.com.br) diariamente publica material somente sobre inglês, como músicas, dicas, textos, vídeos e traduções. Programas de bate-papo também são boas ferramentas para treinar Outra dica para treinar línguas é o CamFrog. Existe download deste software grátis, no site www. camfrog.com. Nele é possível conversar com pessoas do mundo inteiro, em salas ou pvt (privacidade). É necessário possuir web cam e microfone, pois se trata de um videochat. Algo bem interessante é a categoria de salas para surdos. Lá eles podem conversar à vontade - através da língua dos sinais - transmitidas por suas câmeras. Existem outros programas parecidos, o Paltalk (www.paltalk.com) e o In Speak (www.inspeak.com). :-)

BOOM! NA WEB

HILLARY CLINTON E AMY WINEHOUSE EM MINIATURA Um anão chileno, vulgo Machine, faz uma hilária performance imitando Hillary Clinton (ex-primeira-dama dos Estados Unidos da América e atual secretária do Estado). O vídeo, que ganhou o título no Youtube de “La Pequeña Hillary Clinton”, causou tamanha repercussão que faturou até destaque em uma recente matéria na TV CNN americana. Ao “fuçar” mais no site de Machine, descobrimos outro vídeo, que já foi visto 175692 vezes: dessa vez ele interpreta “La Pequeña Amy Winehouse”. Hilário. A MORTE DOS LACTOBACILOS VIVOS A sua flora intestinal está a perigo! Cuidado! Um trailer mostra “A Morte dos Lactobacilos Vivos” que já teve 335503 exibições. As cenas são idênticas aos trailers tradicionais de filmes, muito bem feito, hilário. Utilizam embalagens de iogurtes e leite fermentado, com dublagens e cenas muito bem sincronizadas. JOGO DOS ERROS Foi criado um jogo no YouTube para a pessoa encontrar erros entre fotos de filmes indicados ao Oscar, que já atraiu mais de 250 mil visitas. Assim que o erro é identificado, o vídeo automaticamente atualiza para uma nova tela e continua, aumentando o grau de dificuldade. [Gisele Santos]

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´ de bordo diario

SIMPLE PLAN: SERÁ QUE É TÃO SIMPLES ASSIM?

Por Julia na Negri

Pegamos a estrada durante a passagem do Simple Plan no Brasil e contamos tudo o que rolou nos bastidores.

Fotos: Eduardo Walder / Arte: Gisele Santos Eles são cinco verdadeiras “gracinhas”, bonitos, bem-humorados, solícitos e educados. Além de tantas qualidades, eles são do lado canadense onde se fala francês. Nada poderia atrair mais e melhor um público juvenil histérico pelo Simple Plan, banda que vendeu mais de oito milhões de cópias de seus álbuns no mundo inteiro. Apesar de não ser nem um pouco fã do rock melódico dos rapazes, preciso admitir que a convivência com eles chega a viciar. No corre-corre diário de uma turnê, pouco se conversa com a banda, a não ser que você seja o tour manager, o que não foi o caso. Mas é incrível ver como se criam laços – e até certa cumplicidade – entre equipe local, equipe da banda e a própria banda. A continuação deste texto traz ao leitor um breve panorama da loucura vivida nos bastidores de uma grande turnê. por conta de um jornalista descuidado ou esquecido, fechar promoções que nem sempre agradam a mídia interessada ou até mesmo receber pedidos infinitos de ingressos para sobrinhas, gatas, namoradas, irmãs, filhas, etc.

Produção e crew: um trabalho árduo

A turnê do Simple Plan, obviamente, nada possui de “simples” (N.R.: “Simple Plan”, em português, é traduzido como “plano simples”), pelo contrário. É uma Tem mais. Nas cidades banda relativamente nova, onde estive presente, eu que caiu nas graças da também me responsabilizei meninada, e exatamente pelos Meet & Greets por isso dá um trabalhão. Chuck Comeau, baterista, e as fãs Jessica e Sara (momento em que se levam os fãs para conhecer a A pré-produção, com troca de riders (documentos banda pessoalmente), e essa é outra tarefa bastante com pedidos, requisições e exigências da banda) complicada: manter meninas histéricas em fila, não leva tempo. Até que todas as partes concordem permitir que elas machuquem o artista com sua com tudo o que foi planejado, vão-se meses, daí é empolgação física, e, por fim, o mais difícil: tirá-las possível calcular quanto tempo antes se começa uma de perto do artista. E para cada fã de Simple Plan que produção. fui buscar para um Meet & Greet, havia pelo menos Além desse trabalho, eu fui responsável pela promoção outras dez fãs desesperadas, me puxando, unhando, e imprensa de três cidades: Curitiba, Goiânia e Recife; chorando e puxando meu cabelo, me chamando de praticamente metade da turnê, que contou também “tia” e implorando por um dos adesivos prateados com passagens dos canadenses por Porto Alegre, que forneciam acesso aos camarins. Duro, muito São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Se para duro. um show são necessárias horas árduas de trabalho, disposição e jogo de cintura, imagine para três shows! Não é fácil marcar entrevistas e vê-las despencando

O mais bacana durante a produção de uma turnê é o vínculo criado com a equipe da banda. Eles são os

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Por Julia na Negri

que mais pedem favores, conversam ou desabafam. Os roadies geralmente são os que mais se aproximam. E, de maneira muito incomum, a técnica do Simple Plan é tão famosa quanto à própria banda. Não exatamente o Cowboy (roadie) e o Frenchy (roadie), mas o “sexto” homem do time tem nome, sobrenome e é, em alguns casos, mais querido do que os membros da banda. Patrick Cunningham, ou simplesmente Pat, adora um furor: permite ser visto, as meninas choram e pedem por autógrafos dele, fotos, etc. Em São Paulo, ele chegou a ser literalmente encurralado por cerca de 20 meninas eufóricas por um abraço do loirinho. Patrick resume-se a uma espécie de “secretário faz-tudo”: filma, fotografa a banda em ação, conta merchandising, confere bagagens, leva bebidas para a banda durante o show... Mas o Patrick já é celebridade. Logo mais ele sobe no palco de uma vez e faz seu próprio show junto ao Simple Plan.

Fã é fã, não tem discussão. Falo isso com a propriedade do meu fanatismo religioso pelo Iron Maiden. Mas alguns fãs são bem mais problemáticos que outros. Tem os quietinhos, que observam de longe e se dão por satisfeitos e tem o oposto, os histéricos, que choram, se descabelam e não se importam de pagar altos “micos” pelas loucuras que fazem por seus ídolos. Digo: boa parte das meninas fãs do Simple Plan se enquadram nessa categoria. De celulares arremessados ao palco com banners do tipo “me liga” a presentes caríssimos, tatuagens com o logo da banda, de tudo existe um pouco para elas. A faixa etária da maioria das fãs do grupo canadense é de 13 a 17 anos. São meninas que ainda estão se equilibrando nas cordas bambas da adolescência e infância ao mesmo tempo. Alguns pais são totalmente relapsos (e me desculpem, mas eu sou obrigada a escrever isso como um aviso), permitiram que suas filhas ficassem em porta de hotel até 4 da manhã, em ruas desertas nas cidades pelas quais passamos. Frenchy, um dos roadies da banda, comenta isso: “Alguns pais dessas meninas simplesmente não possuem a devida responsabilidade. Essas meninas têm escola no dia seguinte, suas próprias atividades. Se fossem minhas filhas, jamais as deixaria na rua à noite, esperando por cinco marmanjos”. Ele contou um fato curioso que aconteceu na Europa, durante outra turnê: “Um grupo de meninas, sem autorização dos pais, resolveu nos seguir. Elas se hospedavam nos mesmos hotéis que nós, nos perseguiam até nossos quartos, esperavam na porta do elevador, tiravam fotos nossas na piscina, na academia, andando pelos corredores... A banda é muito educada, mas é preciso muita paciência para lidar com elas”.

Sébastien Lefebvre, guitarrista, ao lado de Sara e Jessica

Fãs: uma corrida de obstáculos e surpresas

Casos de histeria com o Simple Plan são mero clichê para a banda, que convive com isso sempre que está viajando com um show. Mas existem meninas e meninas, fãs e fãs. Um dos casos mais bacanas durante essa turnê foi o da menina Sara, que veio de Porto Velho (RO) para o “show mais próximo” da banda. O pai, Eduardo, um dos responsáveis, levou a filha, como presente de debutante, para uma viagem que ambos já consideram um marco em suas vidas. A filha por ver seus ídolos e interagir com eles tão de perto (e da maneira mais correta). O pai por ver a filha contente (leia relato do pai coruja Eduardo no box dessa matéria). Eles se hospedaram no hotel e foram pacientes. Mas nem sempre é assim que acontece. Em um dos shows, uma menina chegou a morder a mão do guitarrista Sebastien. E isso causa desconforto em banda e equipes. O cuidado com as fãs é gigantesco. Pessoas da equipe da banda acompanham a segurança próxima dos palcos para que, no caso de uma menina empolgada chegue a subir e agarrar um dos músicos, ela seja conduzida com toda a pompa e circunstância de uma rainha. Até porque, no caso de menores de idade, são os pais que vêm nos procurar quando as filhas recebem uma resposta mais atravessada ou um tratamento “grosseiro”. É como atravessar um mar cheio de tubarões prontos para atacar.

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A banda: educação, jogo de icntura e paciência

Por Julia na Negri

Em uma banda de rapazes como Pierre Bouvier, Jeff Stinco, Chuck Comeau, Sebastien Lefebvre e David Desrosiers, é difícil controlar o assédio das meninas, principalmente de esquivar-se de pretensas “namoradas” abaixo dos 18 anos. Mas eles, como bons rapazes e muito educados, dão o seu jeitinho. Pierre Bouvier, o vocalista, explica: “Nós precisamos dar toda a atenção necessária às fãs, afinal, são elas que conduzem nossa carreira, compram nossos discos, vão aos nossos shows. Mas nos limitamos a ser solícitos, porque elas pedem toda a sorte de coisas; de abraços e apertos de mão a beijos na boca. E é preciso saber e ter sempre em mente que elas são apenas meninas. É uma fase da vida em que tudo fica confuso: o artista é visto como um provável namorado, as fãs se apaixonam e decepcioná-las é o mais dolorido para nós. Por isso, buscamos sempre atender todas, sem pressa”.

A banda se organiza muito bem. Enquanto meninas esperam em aeroportos e hotéis, as equipes locais são solicitadas para organizar filas de autógrafos e fotos nesses lugares. Sem grandes exigências, o Simple Plan poderia passar desapercebido, não fosse por seu grande sucesso e sua carreira meteórica. Ou seja, difícil mesmo é não descobrir uma pequena paixão por eles: seja pelas músicas, pela educação ou pela simplicidade da banda, que resume sua carreira em duas palavras: no nome que deram ao grupo. :-D

Realizações dos filhos, felicidade

dos pais

um presente há Eu e Marta ganhamos nossa princesa quatorze anos: nasceu se superando a Sara. Desde pequena vem deu a caminhar cada dia, nasceu, apren ola, começou a e a falar, foi para a esc os pais, até que fazer amigos, a sair sem um dia virou mocinha.

sil (Porto Velho) recanto distante do Bra Sara sonhava os, há quase quatro an s paixões: os ira me em conhecer suas pri meninos da banda.

, o Simple Plan Em dezembro de 2008 o Brasil. Sara pel confirmou sua turnê brilhavam e os inh ficou louca, seus olh e ela pediu: s, ven nu ção ia às te o que sua imagina en tam exa er é poder ir sab os an ra e pa de quinz Só Deus ha, mas meu presente cin mo a um dissemos de e a s beç mo ca da s concor passa na sonhos e ao show. Nó de ia che ar show de est to: ve ple de a com com certez um pacote s. Eu e Marta que seria do me e o hotel sm as me vid dú no de também e hospedada conquistar camarote a : cio iní quanto o o sde os de s íam mo a ajuda a, pois sab nça em si que a band fia con ter a . s, ela de ra iza pa am as suas o era importante la era motivo de aquil mesma, e cada vitória de iânia/GO, passou felicidade para nós. No dia 22 de março, em Go tes do is ta e local ma importan os, coração a ser a da an tar rze con ato a qu u eço tem com ora ela, que Sara ag e corpo de mundo para , ça mo nto me de a mo beç do ca na , mi ça de crian s e, em um deter dia os a je ho até e qu mulher e nós, seus pais, as horas... a fazê-lo até a contar os rem ua tin con s, apoiamo e tudo aquilo em izar e se que ela compreenda qu entivávamos a se organ de, ela pode Nós a inc da ver scobrir de de , r ita gem red via ac que ela preparar: o que levar na daria, pensar alcançar. onde a banda se hospe acontecerem sas coi fazer as nda Simple em como ba a pel ra meninos tão Sa s do de o nte A paixã ivesse dia anos e foi quando est ze do s seu os a ansiedade e sde m de va Plan vem dias passa teres, fã- sonhados. Os pôs s, CD s ao s s fomos nos ça Nó m. gra va o crescend e nossa aumenta la de um em do ran mo clube, internet, e mesmo

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dando conta de que não eram apenas as mocinhas de quatorze as que tinham medo. Nós, os pais, também: e se ela não conseguisse realizar o que tanto sonhava? E se ela se frustrasse? As variáveis eram muitas.

Por Julia na Negri

E se no hotel cinco estrelas eles forem muito rígidos em suas normas? Simple Plan, uma banda famosa estrangeira, e se eles fossem muito arrogantes e insensíveis? A produção do evento, gente ligada em negócios, e se eles não tivessem sensibilidade para saberem que estavam lidando com os sentimentos de uma garotinha de apenas quatorze anos? Por fim chegou o dia, chegou a hora. E, aconteceu o que queríamos que Sara aprendesse: quando acreditamos fortemente em nossos sonhos, eles se tornam realidade. O sonho dela se transformou em uma linda realidade, tudo deu certo, tudo deu muito mais do que certo. Os funcionários do hotel olhavam e sorriam para nós, davam dicas e torciam para que Sara alcançasse seu intento. A produção do evento, Juliana, Felipe e Razael, em um primeiro momento preocupados, pois com certeza já devem ter passado por situações delicadas, aos poucos perceberam que Sara e suas duas novas amigas (Jéssica e Thais) eram pessoas de boa índole e foram abrindo portas importantes para elas. A banda, meu Deus, que surpresa, era formada por cinco rapazes “normais”, e muito bons rapazes, atenciosos, sensíveis e acessíveis. Perdi a conta de quantas vezes Sara foi aos céus em apenas 24 horas que permaneceu junto de seus meninos. Ela os abraçou, tirou fotos, entregou os presentes e cartinhas que preparou de coração aberto nos últimos meses antes deste momento mágico. Isto era tudo o que ela sonhara, mas aconteceu muito mais! Ela nadou com os meninos da banda na piscina do hotel, jogou ping-pong com eles, conversou animadamente, acompanhou-os até a van que os levaria ao local do show, chorou e foi consolada pelos “meninos” (em especial o “Seb”, guitarrista), ganhou uma palheta, entregue por Juliana da produção e outra que um segurança do hotel fez questão de dar-lhe (ele encontrou a palheta de guitarra da banda no saguão). Meu Deus, muito obrigado pela realização de Sara, muito obrigado aos “meninos” do Simple Plan, à Juliana, ao Felipe e ao Razael da produção e a todos os funcionários do hotel em Goiânia. Eles não apenas ajudaram a Sara a terem contato com a banda, eles a ajudaram a ter a certeza de que sonhos podem se tornar realidade! Eduardo Walder Esteves dos Santos, pai de Sara Schaefer Esteves. Juliana Negri tem 27 anos e é formada em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. É jornalista, assessora de imprensa, diretora de arte, tradutora e muito mais. O “muito mais” ela deixa por conta. Atualmente, trabalha em uma produtora de eventos internacionais, inclusive acompanhou a banda Simple Plan por turnê.

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E T O C MAS

! o c i t ´ s a b M di l a O r a B O B io c

por Mar

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BOOM MAGAZINE 1 - CAPA THE IRON MAIDENS