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Edição Nº 21

Mercado de Geração de Energia com Biomassa avança no Brasil

www.revistabiomassabr.com


Expediente

Índice

w w w.revistabiomassabr.com EDIÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Thayssen Ackler Bahls MTB 9276/PR

GERÊNCIA

Bianca Ramos

DIREÇÃO COMERCIAL Tiago Fraga

COMERCIAL

Lucas Alexandre, Cláudio F. Oliveira

CHEFE DE EDIÇÃO

Dra. Suani Teixeira Coelho

CONSELHO EDITORIAL

Javier Escobar – USP, Cássia Carneiro – UFV, Fernando Santos – UERS, José Dilcio – Embrapa, Dimas Agostinho – UFPR, Luziene Dantas – UFRN, Alessandro Sanches – USP, Cláudio Homero CEMIG, Thúlio Cicero – COPEL, Horta Nogueira – UNIFEI, Luis A B Cortez – Unicamp, Manoel Nogueira – UFPA, Vanessa Pécora – USP

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Sistema de colheita e enfardamento de Biomassa de cana

SUPERVISÃO / REVISÃO

Eliane T. Souza, Cristina Cardoso

DISTRIBUIÇÃO

Carlos Alberto Castilhos

REDES SOCIAIS Nicole Fraga

PUBLICAÇÕES / EVENTOS André Santos

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO www.vorusdesign.com.br

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Mercado Europeu de Biomassa e Energia

COLUNISTAS/COLABORADORES

Marcelo de Almeida Pierossi; Javier Diaz Gonzalez; Suani Teixeira Coelho, Alessandro Sanches Pereira; Alaíse J. V. Madureira, Cláudio H. F. Silva; Dorival Pinheiro Garcia; Paulo Dacass

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DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas, associações, câmaras e federações de indústrias, universidades, assinantes, feiras e eventos dos setores de biomassa, agronegócio, cana-de-açúcar, florestal, biocombustíveis, setor sucroenergético e meio ambiente

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Possibilidades para a políticas públicas para o setor de resíduos de biomassa sólida no Brasil

Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião da Revista Biomassa BR, sendo de inteira responsabilidade do autor. A Revista Brasileira de Biomassa e Energia é uma publicação da

Tel: 55 (42) 3025.7825

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Matéria - Setor Sucroenergético

Marcelo de Almeida Pierossi AgroPerforma Consultoria Agrícola marcelo@agroperforma.com.br

Comparativo entre sistemas de recolhimento da palha:

Palha Enfardada

N

junto com a cana

os últimos tempos, com o avanço significativo da mecanização da colheita de cana-de-açúcar, está ocorrendo um aumento no interesse das usinas de açúcar e álcool na utilização da palha de cana como combustível complementar ao bagaço para queima em suas caldeiras. A palha da cana tem composição elementar muito parecida com a do bagaço de cana, conferindo-a poder calorífico semelhante considerando-se as mes4

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Palha Transportada

mas umidades.

lhões de toneladas, tem-se cerca de 90 milhões de toneladas de palha em A produção de cana-de-açúcar base seca que poderiam ser utilizagera uma grande quantidade de biodas desde que aspectos agronômicos massa residual que pode ser utilizada fossem considerados. na geração termoelétrica. Dados do CTC (Centro de Tecnologia CanavieiO aproveitamento da palha para ra) indicam que cada tonelada de cogeração pode ser realizado através colmo de cana-de-açúcar gera aproxi- de duas rotas distintas de recolhimenmadamente 140 kg de fibra (bagaço) to: transporte da palha junto com a e 140 kg de folhas (palha) em base cana picada colhida mecanicamente seca (Hassuani, 2005). Portanto con- (também chamada de colheita com siderando-se a produção de cana no limpeza parcial) e o enfardamento Brasil na safra 2013/2014 de 653 mi- da palha mais seca em fardos retan-


gulares, realizado em operação posterior à colheita mecanizada da cana. O detalhamento de cada uma das rotas pode ser encontrado em Pierossi & Menegasso (2015). A decisão pela escolha da melhor rota é uma decisão complexa porque envolve diferentes dimensões as quais serão detalhadas a seguir, visando uma percepção geral do processo (Figura 1). Além disso a logística agrícola para o recolhimento da palha ainda é muito recente sendo utilizada por um pequeno grupo de usinas e por isso levanta questões a serem resolvidas.

DIMENSÃO

ENFARDAMENTO

GARANTIA DE SUPRIMENTO

Fácil determinação no campo

AGRÍCOLA

Nova colheita

INDÚSTRIA QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA ARMAZENAMENTO

A primeira dimensão a ser considerada é a garantia do for- necimento da quantidade de biomassa definida no projeto. Uma das primeiras definições de um projeto de cogeração é a quantidade de biomassa à uma certa umidade que

INVESTIMENTO

COLHEITA COM LIMPEZA PARCIAL Varia conforme condições de colheita Pequena alteração na logística de colheita Estação de limpeza a seco que também possibilita benefícios na produção industrial

Instalação para processamento de fardos Menor umidade, maior quantidade de terra e maior densidade É possível, porém com cuidados

Maior umidade, menor quantidade de terra e menor densidade Dificuldades no armazenamento

Máquinas agrícolas e equipamentos para transporte e instalações industriais

Equipamentos para transporte e instalações industriais

Figura 1 – Dimensões de um projeto de cogeração.

será necessária para acionar o empreendimento. No enfardamento, a quantidade de palha recolhida é de fácil determinação porque é possível quantificar imediatamente o número

de fardos produzidos e os mesmos não apresentam grandes diferenças de peso dentro dos valores usuais de umidade. No recolhimento através da limpeza parcial, a quantidade de

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Uma outra preocupação que deve ser considerada é a disponibilidade de pontos de descarga de cana na usina palha que não é separada pelos extratores das colhedoras varia muito conforme o período do dia e umidade da palha, variedade sendo colhida e até mesmo da habilidade do operador de colhedora e rotações dos extratores primários e secundários, sendo muito difícil quantificar a quantidade de palha que está sendo transportada em cada carga levada à usina. Além disso, a umidade da palha também tem grande influência na eficiência do sistema de limpeza a seco. A próxima dimensão é a relativa às operações agrícolas. O transporte de palha através da colheita com limpeza parcial requer alterações mínimas na logística agrícola, demandando apenas uma maior quantidade de equipamentos, visto que a palha ao ser transportada com a cana reduz a densidade da carga, necessitando mais equipamentos de transporte e também pode ter alterada a relação entre o número de transbordos e colhedoras, pois as cargas são preenchidas mais rapidamente. Uma outra preocupação que deve ser considerada é a disponibilidade de pontos de descarga de cana na usina. Já o enfardamento introduz uma série de novas operações agrícolas, que devem ser realizadas dentre um conjunto de restrições de umidade e de tempo que podem trazer alguma dificuldade na sua execução. Além disso requer uma nova equipe para a execução destas tarefas, sendo praticamente uma nova operação de “colheita”. O custo mais importante de toda a ca6

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deia do recolhimento é justamente o custo da logística agrícola, tendo a distância como componente de muita importância. Estudos conduzidos por diferentes instituições têm mostrado que a opção do enfardamento é a opção mais barata para maiores distâncias enquanto que para distancias inferiores a 5 - 10 km (áreas mais próximas às unidades industriais), o transporte da palha junto com a cana picada torna-se mais eficiente. A Figura 2 apresenta o estudo conduzido pela Consultoria IDEA considerando-se enfardamento, colheita com limpeza parcial (IV com 18,77%) e colheita integral (23,81%) onde todas as folhas são levadas junto com a cana (Silva Jr. & Nunes, Jr, 2014).

a cana era colhida manualmente em colmos inteiros e com queima prévia. A limpeza da cana permite a diminuição das impurezas vegetais e minerais na cana trazendo enormes benefícios à produção de açúcar e álcool. Segundo Kent (2007) a cada 1% de acréscimo nas impurezas vegetais, ocorre um acréscimo de 0,1% na umidade do bagaço e decréscimos de 2,3% na capacidade de moagem da moenda e 0,1% na eficiência de extração. Para o processamento industrial da palha enfardada é necessária uma instalação que possibilite a descarga dos fardos, sua desestruturação, remoção dos barbantes plásticos que mandem os fardos montados, sua trituração e a remoção das impurezas minerais. Estas instalações podem variar nas

Fonte: Silva Jr & Nunes Jr (2014). Figura 2 – Custo agrícola do recolhimento de palha.

Após o recolhimento da palha no campo, a próxima dimensão a ser considerada é a etapa industrial. Ambas rotas de recolhimento requerem instalações específicas para o seu aproveitamento. A estação de limpeza a seco, instalação na qual a palha é separada dos toletes de cana picada através de ventilação forçada é a peça fundamental em usinas que desejam aproveitar a palha transportada junto com a cana e foi desenvolvida no início dos anos 1990 para a limpeza da cana picada que não permite a lavagem da cana, prática usual quando

operações que realizam, na tecnologia adotada e nas suas capacidades de acordo com as necessidades de cada projeto. Na Figura 3 mostra uma instalação para desenfardamento e remoção de barbantes. A qualidade da matéria-prima é outra dimensão muito importante nos projetos de cogeração de energia elétrica, pois existem grandes diferenças nas matérias-primas entregues por cada uma das rotas. A umidade é a principal dela, pois está relacionada diretamente com o po-


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Fonte: Grupo Fragmaq. Figura 3 – Instalação para processamento de fardos.

de 160 a 180 kg/m3 dependendo do modelo de enfardadora para a palha enfardada e 50 kg/m3 para palha trazida com a cana. O armazenamento, a penúltima das dimensões, é tratado de forma diferente para cada uma das rotas. Devido à baixa densidade da palha separada nas estações de limpeza à seco, torna-se inviável o armazenamento das mesmas sendo recomendado sua queima direta ou mistura ao bagaço na pilha. Os fardos podem ser armazenados no campo e/ou instalações junto à unidade industrial. Apesar de existir certo risco de incêndio, o correto manuseio das pilhas de fardos reduz consideravelmente estes riscos e são utilizados em alguns projetos no Brasil e no mundo. A última dimensão a ser considerada é a quantidade de investimentos a serem realizados em cada uma das rotas. A rota enfardamento demanda a compra de máquinas e implementos agrícolas para o recolhimento de fardos, equipamentos para transportes dos fardos da lavoura até à indústria e a instalação de uma unidade de processamento de fardos. Estes investimentos podem variar consideravelmente dependo da tecnologia adotada e das quantidades de palha processada. Para a rota do recolhimento da palha junto com a cana, 8

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der calorífico do combustível a queimar nas caldeiras. A palha enfardada por secar no campo após a colheita tem uma umidade menor ficando em torno de 15% enquanto que a palha separada da cana nas estações de limpeza a seco tem umidade em torno de 35%, com poderes caloríficos respectivamente de 3.100 kcal/kg e 2.400 kcal/kg. A quantidade de impurezas minerais (terra) nos fardos é significativamente maior do a contida na palha proveniente da colheita com limpeza parcial pois a estação de lim-

Os fardos podem ser armazenados no campo e/ou instalações junto à unidade industrial

peza a seco reduz consideravelmente estes níveis. A utilização de fardos sem a limpeza pode causar danos às caldeiras dependendo das quantidades utilizadas. As densidades também são bem diferentes com cerca

necessita-se de investimentos para a compra de equipamentos agrícolas (transbordos de cana), de transporte da cana, visto que ocorre diminuição da densidade e maior demanda por caminhões e instalação de estação de limpeza a seco que também será compartilhada com o processo industrial. Como principal conclusão temos que os projetos para aproveitamento da palha são complexos com diferentes dimensões a serem consideradas nos estudos para definição da melhor rota. Estas dimensões têm variáveis que devem ser levantadas considerando cada um dos casos, não existindo assim uma única solução perfeita e ideal.  Bibliografia HASSUANI, S.J. - Evaluation of agronomic routes to unburned cane harvesting with trash recovery In: HASSUANI, S. J. et al. - Biomass power generation: sugar cane bagasse and trash - Piracicaba: PNUD-CTC, 2005. (Série Caminhos para Sustentabilidade). KENT, G.A. - The effect of trash on the operation and performance of a raw sugar factory. Proc. Int. Soc. Sugar Cane Technol., Vol. 26, 2007 PIEROSSI, M.A. & MENEGASSO, L. R - Recolhimento da palha de cana: qual rota utilizar? Jornal Biomassa BR. Ed. 15 Ano IV JanFev 2015, pg 6-8. SILVA JR., A. C. & NUNES, JR, D. – Palha – Custos do recolhimento e do transporte integral. In: 16º Seminário de Mecanização e Produção de Cana, Ribeirão Preto, 2014.


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P rê m i o e Co nfe rê nc i a

3ª Edição do Prêmio Inovação e Tecnologia Biomassa BR, será junto ao SMARTENERGY 2015 Conheça a relevância da Conferência A preocupação mundial em torno do uso sustentável dos recursos naturais, no que diz respeito à crescente demanda por energia, tem chamado a atenção da comunidade técnico-científica do setor elétrico mundial e levado à pesquisa pelo melhor aproveitamento de fontes alternativas prioritariamente de baixo impacto ambiental. A Conferência Internacional de Energias Inteligentes é o maior evento no sul do Brasil voltado a aproximar avançadas soluções tecnológicas aplicadas às questões de smart snergy. Centro de debates sobre o estado-da-arte e tendências na área de energia, em três dias de discussão intensa com renomados profissionais nacionais e internacionais que farão de Foz do Iguaçu a sede do maior evento sobre energias inteligentes do sul do Brasil. Contexto Amplo e Específico da Conferência A Conferência abordará temas relacionados a smart energy, tais como, cenários, mercado, evolução tecnológica, regulamentação, desenvolvimento de negócios, políticas públicas, em apresentações e debates com palestrantes nacionais e internacionais e público qualificado. A temática principal será a geração e otimização de energia como eixo transversal para o desenvolvimento territorial, considerada a importância da caracterização e utilização do potencial regional para fontes eólica, fotovoltaica, biogás, biomassa e PCHs. O evento aproveita o momento em que o Programa de Desenvolvimento do Oeste Paranaense estimula ações regionais por meio de sua Câmara Técnica de Energia Renovável, iniciativa dos 54 municípios associados à AMOP. Conceito A Conferência tem por objetivos principais: • Debater a importância da caracterização do potencial energético regional como componente para o desenvolvimento territorial no âmbito do governo, setor produtivo e academia; • Sensibilizar e educar a sociedade na utilização de novas tecnologias de geração de energia de forma renovável e sustentável pela disseminação do conhecimento na conferência, na feira uso das mídias impressas e eletrônicas; • Disponibilizar o acesso aos públicos interessados ao estado da arte em relação à aplicação de tecnologias voltadas à eficiência energética; • Contemplar na temática do evento, especialmente, as fontes de geração de energia eólica, fotovoltaica, biomassa, biogás e PCHs. Clientes Estarão presentes ao evento: • Micro e pequenas empresas – empresários e empreendedores; • Setor público - prefeitos, secretários e técnicos; • Universidades e institutos de pesquisa- professores, alunos dos cursos das engenharias correlatas e de arquitetura e urbanismo; • Setores rural e agroindustrial – cooperativas e produtores.

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Resultados Esperados A Conferência e a Feira Tecnológica contribuirão para: • Congregar para alinhamento e posicionamento de objetivos na definição de políticas públicas no tema geração e uso de energia por fontes renováveis; • Atingir um público de 1000 CNPJs de micro e pequenas empresas, gestores públicos, empresários, pesquisadores, professores, alunos e visitantes à feira; • Disseminar junto ao público presente e às mídias em geral, em especial no raio de influência da região Oeste do Paraná, o estado da arte nos cenários local, nacional e internacional das tecnologias Smart Energy; Feira Tecnológica A Feira Tecnológica está estruturada de forma a permitir: • A apresentação por parte das micro, pequenas e grandes empresas de seus produtos, processos e serviços vinculados ao tema smart energy; • A exposição de equipamentos, tecnologias e serviços em smart energy; • A aproximação de empresas incubadas de base tecnológica, oriundas dos parques tecnológicos paranaenses por meio de espaço dedicado apresentação de soluções aplicadas ao tema de energias renováveis. Instalações Infraestrutura de hospedagem e eventos do Hotel Bourbon Cataratas: • Sala de Conferência para 1000 pessoas | Seis salas para oficinas, cursos e outras reuniões; • Espaços exclusivos para exposição com 2500 m2. Inscrições Profissionais: R$ 300,00 | Professores e alunos: R$ 50,00 Contato Exhibitors/Sponsors: Celso Kloss 55(41) 3362.6622 kloss@paranametrologia.org.br Press: ExpressaCom 55(41) 3029.4031 expressa@expressacom.com.br Evento simultâneo: 3ª Edição do Prêmio Inovação e Tecnologia Biomassa BR Sobre o Prêmio: O PRÊMIO INOVAÇÃO E TECONOLOGIA BIOMASSA BR, é uma forma de estimular empresas e empresários, a continuarem se esforçando, pesquisando para que o setor avance cada vez mais. O Prêmio tem o apoio das principais Associações que representam o setor, em nível mundial, tais como: RENABIO – Rede Nacional de Biomassa para Energia e WBA – Associação Mundial de Bioenergia. Empresas como NEW HOLLAND, KOMATSU FORESTS, MARRARI AUTOMAÇÃO, BIOWARE, NÚCLEO TECNO AMBIENTAL RAILTON FAZ, receberam o Prêmio em 2013, que foi entregue pelo Sr. Oliver Dubois, Coordenador do Grupo de Bioenergia, Meio Ambiente, Mudança de Clima, ONU – Organization of the United Nations). Em 2014 a premiação aconteceu no dia 02 de outubro no Centro de eventos do Frei Caneca em São Paulo. Data: 19 de outubro de 2015 Horário: 20h - 20.30h Coquetel Maiores informações: www.premiobiomassa.com.br Fone: 55(42) 3025.7825


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Mercado Europeu de Biomassa

EL RETO DE LAS REDES DE CLIMATIZACIÓN CON BIOMASA,

UNA SOLUCION INTELIGENTE Javier Diaz Gonzalez Presidente de AVEBIOM

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as Redes de Climatización son el sistema más eficiente y económico de llevar el confort térmico a nuestros hogares y/o a muchos de los edificios de uso público e industrial. Mientras que en el centro y norte de Europa las Redes de Climatización son una infraestructura muy común, que distribuye calor a un porcentaje de ciudadanos

importante (Gráfico 1), en España todavía estamos tomando conciencia de la necesidad de implantar este tipo de servicio. Hay un dato que es muy importante en el desarrollo de las redes de climatización en Europa, y es que utilizan EE.RR. como fuente energética y en el caso de la biomasa, es especialmente importante, pues juega un papel muy relevante en la mayoría de ellas. "Calor reciclado" excedente de calor de

Gráfico 1: Porcentaje de ciudadanos servidos por un DH. Fuente: Euroheat&Power 2013.

Gráfico 2: Composición de suministro de energía de DH.

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la producción de electricidad (Cogeneración), conversión de residuos en energía y energía residual de procesos industriales, independientemente del combustible utilizado (renovables o fósiles). Se incluyen 2/3 de la energía suministrada por las bombas de calor. "EE.RR." para calor. “Otro” - solo calor- calderas, electricidad y 1/3 del calor procedente de las bombas de calor. Fuente: Euroheat&Power 2013

¿POR QUÉ LAS REDES DE CLIMATIZACIÓN? Uno de los principales obstáculos para el desarrollo de las Redes de Calor y Frío en muchos países, es la inercia de repetir el modelo energético dominante en las últimas décadas: “una caldera o un equipo de frío en cada vivienda”. Una solución que, en principio, parecía muy interesante, pero que con el paso de los años y la evolución de los precios del gas y de la electricidad, se ha convertido en un lastre para las economías domésticas, de las empresas, así como de los Organismos públicos, dado que es muy difícil desengancharse del gas cuando tienes una caldera en tu casa y no hay una instalación general de la vivienda que permita instalar o una caldera comunitaria o engancharse a una red de distrito. Para que la Administración, los ciudadanos, los promotores de viviendas, los gabinetes técnicos, los administradores de fincas,…, tengan también visión alternativa de las posibilidades que ofrecen las Redes de Climatización y, así tener criterios para decidir, es necesario conocer las ventajas e inconvenientes de este


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espacios ocupados antes por las instalaciones comunitarias. Un ejemplo es el caso de un complejo residencial de Santa Marta de Tormes (Salamanca), que les ha permitido recuperar, para los vecinos, la antigua sala de calderas como salón de juntas multiuso. La ausencia de equipos propios de producción y la eliminación de chimeneas suponen para la ciudad tipo de infraestructura y, sobre todo, una rebaja de los puntos de emisión, tener en cuenta que nadie demanda con lo que el control de las mismas es lo que no conoce, y mejorar este co- más sencillo y eficaz; para la comunocimiento es lo que intentamos ha- nidad de propietarios y para los usucer desde AVEBIOM. arios en general, eliminar las averías, Aunque parezca un contrasenti- los riesgos de combustión, los ruidos do, la posibilidad de generar frío para y vibraciones, etc. climatizar los edificios, a través de Un centro de generación comunilas redes de calor, es algo que técni- taria y una red de tuberías bien plancamente está perfectamente desar- teados y bien gestionados, suponen rollado, pues mediante máquinas de una mayor flexibilidad y adaptabiliabsorción se consiguen unos rendi- dad para disponer de mayor potencia mientos muy altos a costes bajos, lo si se necesitara y una permanente acque para países como Brasil, puede tualización tecnológica. suponer una solución muy interesanUn argumento a favor, muy imte, dado que allí abunda la biomasa portante, es la gestión de la instalay el clima es cálido y la utilización de ción por empresas de servicios enerla climatización en los edificios es ne- géticos (ESEs), lo que nos garantiza un cesaria. control de la instalación durante las VENTAJAS

24h, con vigilancia de todos y cada Para comenzar, estableceremos uno de los parámetros, que inciden un decálogo de atributos positivos. en la seguridad y los rendimientos Comenzamos por la capacidad de re- de la instalación, lo que otorga a este ducir el gasto energético de cada usu- tipo de sistemas, una mayor garantía ario (ahorro en factura energética), y seguridad en el suministro energétitema este de gran relevancia para co y en la vida útil de los equipos. una sociedad que, en general, está A parte de las medidas particulamuy agobiada por los costos energé- res sobre eficiencia energética en los ticos. Esto se debe a que un sistema diversos inmuebles (envolvente, vencolectivo genera mayor eficiencia y tanas, termostatos, …), las utilización menores costes fijos y variables de de un sistema con un único foco de explotación. Incluso, la posibilidad de generación para el abastecimiento de consumir diferentes tipos de combus- calor o frío, supone que los equipos tibles o utilizar distintas tecnologías, van a funcionar al máximo de sus poen función de sus precios y/o condi- sibilidades, con elevados rendimienciones en cada momento, nos da la tos y, por tanto, menores pérdidas, posibilidad de aminorar el coste de que se traduce en una mejor calificageneración del calor o frío y, por lo ción energética y mejor valorización tanto, la factura que pagamos. de las construcciones, por favorecer Deslocalizar las salas de calderas un menor ratio de energía por usuade los edificios, supone que vamos a rio, así como menores emisiones de tener mayor disponibilidad de espa- CO2. Uno de los retos más importancio útil valorizable, lo que es muy interesante, pues podemos recuperar tes que tenemos hoy en día sobre la 14

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mesa, en todo el mundo, es el fomento y desarrollo de instalaciones y servicios básicos y esenciales a la población, como es el acceso a la energía, pues una sociedad moderna no se puede permitir bolsas de pobreza energética en nuestras poblaciones, y las redes de climatización favorecen el desarrollo de un abastecimiento energético generalizado y homogéneo para todos los habitantes de un barrio o incluso de una ciudad entera, y además pagando cada usuario sólo por lo que consume, pues estas instalaciones llevan pareja la instalación de contadores de termias para cada usuario. La necesidad de realizar obra civil, con la apertura de zanjas y pasos subterráneos, facilita la posibilidad de realizar otras intervenciones: como la de incorporar una red fibra óptica, u otro tipo de infraestructuras canalizadas también por el subsuelo. INCONVENIENTES Existen tres cuestiones básicas a tener en cuenta para minimizar inconvenientes, tanto para la empresa promotora, como para los usuarios y residentes en la zona de actuación. Para quien promueve, se encuentra con la complejidad técnica en el diseño de la Red de Climatización. Si sobredimensiona encarecerá la inversión y aumentará los costes de funcionamiento. Si por el contrario, subdimensiona, limitará el crecimiento del sistema para el futuro. Por otra parte, se precisa planificación urbanística. Son necesarias intervenciones en el espacio público: canalizaciones y subestaciones, que pueden afectar, en mayor o menor grado, a los vecinos por el corte de


calles, por averías y roturas que dificultan el suministro de otros servicios. Además, no se puede descuidar en ningún momento la gestión de la Red ya que se requiere gran coordinación para compatibilizar la generación con las diferentes demandas térmicas. Para ello, es indispensable que los usuarios conozcan todos los requisitos para que el sistema opere eficazmente. SITUACIÓN DE LAS REDES DE CALOR CON BIOMASA EN ESPAÑA Una Red de Climatización con biomasa tiene la ventaja añadida de que utiliza un combustible renovable, sostenible, local, barato, con un ratio de generación de empleo 15 veces superior al de los combustibles fósiles para idénticas condiciones, de emisiones de CO2 neutras o muy reducidas, además de otras muchas sinergias socio-económicas y medioambientales. Todo ello ha influido para que la

mayoría de las Redes en España consuman biomasa, aunque hasta el momento, la energía generada en dicha redes, con biomasa, sólo alcance el 30% del total.

en los últimos años y las previsiones futuras, las podemos observar en el Gráfico 3, que presenta el Observatorio Nacional de Calderas de Biomasa [ONCB], gestionado por AVEBIOM.

Para ello, es

Vemos que en el último año (2014), el incremento de instalaciones en Red ha sido del 52% y la potencia se ha duplicado. Esta es una tendencia nueva que se mantendrá en el tiempo con leves variaciones, pronosticando a futuro proyectos de instalaciones cada vez de mayores dimensiones.

indispensable que los usuarios conozcan

Comprobamos que ya existe un repunte de dicha tendencia. Así, en 2015, entra en funcionamiento la Red para que el sistema de Calor de Valladolid (Red del Campus Miguel Delibes de la Universidad opere eficazmente de Valladolid) -(14 MWt)- y se espera que pueda entrar una parte de la Red de Calor de Móstoles (Madrid) – (12 MWt) – en la que se está trabajando en la obra civil. Para finales de 2016 La evolución en el crecimiento de o principios de 2017, es posible que las Redes y Micro-Redes con biomasa tengamos en funcionamiento la Red

todos los requisitos

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4.500.000 kWh/año. Este sistema es muy interesante para aplicarlo en todo los países, dado que de esta forma puede haber un productor de la energía y luego varios comercializadores que lleguen a los distintos clientes, por lo que la competencia hará mejorar la oferta final. Esta es una iniciativa novedosa e interesante que ha podido salir adelante con la participación técnico -económica de la empresa pública. Gráfico 3. Evolución de instalaciones y potencia de las REDES DE CALOR CON BIOMASA en España. Hipótesis de futuro.

de Calor de Pamplona (Bº de Chantrea), que parte de una potencia de 48 MWt, de los que 32 MWt serán de biomasa y que abastecerá a más de 5.200 viviendas.

El capital privado, también está incorporándose a iniciativas de grandes dimensiones. ESEs como REBI [Recursos de la Biomasa, S.L.] en la Red de Soria o las empresas Suma Capital, a través de su fondo SC Energy Efficiency Fund, junto a Veolia en la Red de Móstoles.

sionado previo adecuado. Un ejemplo en este sentido, es lo que se ha previsto en la Red de Calor de la Universidad de Valladolid. Arranca con el suministro a edificios del Campus Por Comunidades Autónomas, Universitario y edificios de uso públiCataluña y Castilla y León son las que co tanto autonómicos como municiEl camino está iniciado. Hay mutienen mayor número de Redes de pales y ahora, comienza las gestiones para poder extender la Red a edificios cho trabajo por hacer, pero los logros Calor de Biomasa en funcionamiento, de viviendas de los barrios residenseguidas del País Vasco, Navarra, Araserán importantes a lo largo de los ciales (Rondilla y Belén). gón y la Comunidad de Madrid. Como los Por municipios, hemos establecipromotores de do como ‘municipio rural’ todo aquel que tenga una cifra inferior a 10.000 la Red son Enhabitantes y ‘municipio urbano’ al tes públicos, se que supere dicha cantidad. Con esta quiere que en clasificación, comprobamos que el la ampliación 75% de las Redes de Calor están en el participen las rural y el 25% en municipios urbanos, Empresas de distribuyéndose al 50% la potencia Servicios Enerinstalada en cada uno de los rangos. géticos (ESEs) y Además, el tramo de población de los privadas, municipios que hasta ahora más Re- por ello se ha des y Micro-Redes han puesto en fun- publicado un cionamiento es el comprendido entre anuncio de li1.000 y 5.000 habitantes. citación, en el que se insta a La re d d e ca lo r d e Las Redes de Climatización concursar a las l a U n i v e r s i d a d d e Va l l a d o l i d son infraestructuras vivas empresas que Realizar estudios previos del po- quieran comtencial de demanda de las zonas ale- prar energía térmica generada en la próximos años, y sobre todo que se dañas a la Central de Generación es Red, convirtiéndose éstas, a su vez, está viendo en todo el mundo, que la importante para el diseño y dimen- en proveedores de calor a los blosionado de la Red y para lograr mejo- ques de viviendas que quieran incor- solución de las redes de climatización con biomasa, es aplicable en casi res ratios de viabilidad. porarse. El precio de salida del conLas futuras ampliaciones de una curso lo han establecido en 0,062 €/ todos los países, ya sea para suminisRed son posibles con el sobredimen- kWh, para un mínimo de compra de trar calor o para generar frio.  16

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Artigo

Utilização de resíduos de biomassa como fonte de energia para melhorar o acesso à energia e atividade econômica em regiões com baixo IDH do Brasil e Colômbia:

o Projeto BREA Suani Teixeira Coelho e Alessandro Sanches-Pereira Grupo de Pesquisa em Bioenergia (GBio)1, Instituto de Energia e Ambiente (IEE), Universidade de São Paulo (USP)

O

acesso a opções energéticas mais limpas e acessíveis é essencial para melhorar tanto os meios de subsistência das populações pobres como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nestas localidades. A forte relação entre energia e pobreza é demonstrada pelo fato de que nos países em desenvolvimento existem aproximadamente 2,7 bilhões de pessoas que dependem da biomassa tradicional para cocção e aquecimento e 1,3 bilhões sem acesso à rede elétrica. A região amazônica no Brasil e na Colômbia, por exemplo, corresponde às áreas isoladas destes países, possuindo nesses dois países cerca de 2,4 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade. Quando se trata de energia para cocção, este número cresce oito vezes, sendo quase 20 milhões de pessoas que utilizam a biomassa tradicional (basicamente lenha). Na verdade, 6% dos brasileiros e 15% dos colombianos ainda cozinham com lenha. A falta de energias modernas e acessíveis afeta a produtividade agrícola e econômica, as oportunidades de geração de renda, e principalmente a capacidade de melhorar as condições de vida local. Além disso, a baixa produtividade agrícola e econômica destas localidades fazem com que sejam reduzidas as oportunidades de subsistência, resultando em desnutrição, baixos rendimentos, e pouco ou nenhuma renda excedente. Neste sentido, o problema da pobreza permanece intimamente ligado à falta de serviços de energia mais limpas e acessíveis, uma vez que as soluções atuais contribuem para o uso de formas menos limpas de energia tais como o uso de geradores movidos a diesel. 18

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Neste contexto, o principal objetivo do Projeto BREA2 foi desenvolver o levantamento das necessidades de energia para fins produtivos entre as famílias pobres em áreas urbanas e rurais do Brasil e da Colômbia (muitas delas em regiões isoladas). Com este objetivo, o projeto BREA analisou as perspectivas de aumentar e melhorar o acesso à energia para usos produtivos, bem como para melhorar o IDH destas populações de baixa renda selecionadas e guiar a adoção de políticas públicas adequadas a este contexto. Assim sendo, foram selecionados 32 municípios no Brasil (ver Figura 1) e 15 na Colômbia. Eles representam localidades com os menores IDHs, onde seus habitantes não possuem acesso a energia limpa e acessível, estando presos a um ciclo de privação, pobreza e sem os meios para melhorar as condições de vida local. Através do uso de tecnologias para geração de energia em pequena escala utilizando os resíduos de biomassa existentes (agrícolas, urbanos e rurais), o estudo avaliou a substituição dos combustíveis fósseis tradicionais, de modo a permitir a eletrificação e melhoria das atividades econômicas nas localidades selecionadas. 1 2

Antigo CENBIO – Centro Nacional de Referencia em Biomassa

O Projeto BREA (Biomass Residues as Energy Source to Improve Energy Access and Local Economic Activity in Low HDI Regions of Brazil and Colombia) é um estudo financiado pelo Global Network on Energy for Sustainable Development (GNESD) e contou com a participação de pesquisadores da Universidad de La Sabana na Colômbia, do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente (LIMA/COPPE/UFRJ), do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (COPPE/UFRJ), Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM), do Instituto Energia e Desenvolvimento Sustentável (INEDES) e do Grupo de Pesquisa em Bioenergia (GBio/IEE/USP). É importante mencionar que este estudo visou combinar a prestação de serviços de energia com medidas que possam gerar renda, no contexto da Iniciativa de Energia +, tal como proposto pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). Mais informações sobre o Projeto BREA: http://www.iee.usp.br/gbio/?q=node/47


Figura 1: Municípios Brasileiros selecionados pelo Projeto BREA.

de custo elevado tanto no Brasil como na Colômbia, já que a maioria dos seus componentes ainda é importada. Por outro lado, o uso de resíduos de biomassa permite a produção de energia em maior escala, principalmente em áreas onde esses resíduos estão disponíveis em grande quantidade. Foram avaliadas tecnologias existentes, que já estavam disponíveis nos dois países e que incluem, como um primeiro passo, a implantação de painéis fotovoltaicos (PV). Entretanto, PVs só são possíveis como fonte de energia de pequeno porte. Além disso, eles são sistemas

A vantagem do uso de resíduos de biomassa é exatamente a perspectiva de que a produção de bioenergia possa contribuir não apenas para a redução dos impactos negativos da disposição inadequado desses resíduos – resíduos sólidos urbanos e resíduos animais, que atualmente são dispostos de forma inadequada, e agrícolas e de

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b) Programas adequados de financiamento de bancos existentes locais e/ou bancos internacionais com taxas de juros baixas para ser acessível para municípios pobres

resíduos de madeira, que são queimados ao ar livre ou deixados no local – bem como contribuir para a ampliação das atividades produtivas locais. Os resultados do projeto indicam que, no Brasil, 91% dos municípios selecionados apresentam condições para a utilização de resíduos de biomassa para fornecimento de energia - não apenas para necessidades básicas como também para usos produtivos. Na Colômbia este número cai para 87% quando se trata de uso produtivo, mas chega a 100% quando se trata de cobertura de necessidades básicas. Além disso, em ambos os países, há a vantagem adicional de contribuir para o saneamento básico, uma vez que a produção de bioenergia corresponde a um descarte adequado dos resíduos locais.

c) Políticas adequadas que permitam expandir a legislação existente de incentivo para geração com óleo diesel nos sistemas isolados de forma a permitir a geração de energia a partir de biomassa de energia, no Brasil, e a introdução de programa semelhante na Colômbia d) Desenvolver plantas piloto de demonstração nestes municípios selecionados

Também foram identificadas as barreiras que impedem a implementação deste tipo de modelo de geração de bioenergia. As principais dificuldades identificadas pelo estudo são: cos).

e) Aperfeiçoar a legislação do setor elétrico existente e os programas existentes para aumentar o acesso à energia, com o objetivo de incentivar as concessionarias locais a utilizar biomassa local como fonte de energia.

a) Falta de financiamento (tanto privados e públi-

b) Difícil viabilidade econômica, pois grande parte Em suma, o acesso à energia - incluindo a energia dos municípios possui poucos habitantes e as residências apresentam uma grande dispersão em áreas rurais, prin- para usos produtivos – pode contribuir para aumentar o cipalmente na região amazônica do Brasil e da Colômbia. (extremamente) baixo IDH dos municípios selecionados. c) Falta de capacitação local para operação e manu- Assim, atividades produtivas permitirão que os habitantes destas localidades tenham a oportunidade de comertenção das tecnologias. cializarem produtos com maior valor agregado, como já d) Falta de vontade política nos diferentes níveis de realizado em projetos deste tipo na região amazônica bragoverno. sileira (projeto GASEIFAMAZ3 ). Outro ponto importante é Em relação às tecnologias propostas para sistemas de a utilização de resíduos sólidos urbanos (RSU) para a gerapequeno porte, este estudo considerou as seguintes opção de energia, uma vez que se os RSU forem usados para ções (ver Tabela 1). a produção de energia, isso facilitaria a viabilização da coleta e disposição adequada Conversão e Conversão de destes resíduos. No caso dos Tecnologia Energia Primária recuperação Energia Final biomassa resíduos agrícolas e de maenergética deira, atualmente queimados Calor e Combustão Turbina a vapor eletricidade em ao ar livre, a conversão de Caldeira Calor e vapor Direta Máquina a vapor Calor e energia permitiria eliminar as eletricidade emissões de CO2 e de outros Leito fixo Calor e Gás de síntese Motor de ignição poluentes provenientes da contracorrente eletricidade Gaseificação queima, bem como os conseCalor e Leito Fluidizado Gás de síntese Motor de ignição quentes impactos na saúde. eletricidade Digestão Anaérobia

Digestor

Biogás

Motor de ignição

Calor e eletricidade

Nos próximos artigos serão detalhadas as propostas Tabela 1:Tecnologias para sistemas de pequeno porte selecionadas de políticas para o uso de resíduos de biomassa e as prinComo resultado, o Projeto BREA recomenda as seguintes políticas e estratégias para superar as barreiras cipais formas de melhorar os índices de desenvolvimento humano nos municípios escolhidos por meio da geração identificadas, tais como: a) Financiamento adequado por parte do Gover- de bioenergia.  no Federal e/ou agências internacionais.

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http://www.iee.usp.br/gbio/?q=gaseificação


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Empresas de Sucesso

O especial da Revista Biomassa BR “Empresas de Sucesso” traz nesta edição, a história da, BRUNO INDUSTRIAL, uma das principais empresas do setor de Biomassa no Brasil!!! para assim, continuar sendo referência nos setores que atua, seja na área florestal, de madeira, reciclagem, papel ou compostagem. A empresa investe seguidamente nas melhorias de seu parque fabril. O projeto em andamento, com previsão para finalizar em 2017, tem área total de 4 mil m². Os trabalhos na construção da obra serão contínuos, porém, não será de forma acelerada já que o país passa por problemas econômicos e a empresa precisa caminhar com passos firmes, para assim, chegar ao objetivo final.

REVISTA BIOMASSA BR: A Bruno tem quase 50 anos de existência. Como foi lá atrás a criação da empresa, qual era o primeiro foco e produtos que empresa trabalhava fundadores? Há quase meio século no mercado, a Bruno Industrial iniciou suas atividades com uma pequena mecânica, reparando máquinas a vapor para serrarias e manutenção de máquinas agrícolas. O início dessa história promissora foi em Fraiburgo (SC) no ano de 1967, quando o fundador Oscar Bruno Schaly, com seu espírito empreendedor percebeu as dificuldades do mercado e logo nos primeiros anos de trabalho, buscou novos desafios. Junto com a esposa Denilce Jung e com uma pequena equipe de profissionais, Oscar Bruno Schaly, transformou a pequena mecânica na Indústria de Máquinas Bruno, hoje, a Bruno Industrial. REVISTA BIOMASSA BR: Como a empresa vê os próximos 50 anos? Quais os desafios e potencial de crescer ainda mais? É preciso se adiantar ao mercado, prever as tendências, e focar alguns objetivos. Nossa equipe tem planejamentos de médio e longo prazo, buscando sempre conhecer externa e internamente cada situação, 22

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REVISTA BIOMASSA BR: Os equipamentos e principalmente os Picadores produzidos pela BRUNO são sinônimos de qualidade. Quais os principais diferencias que os equipamentos da empresa oferecem ao mercado? A empresa tem parceria de mais de 25 anos com uma empresa alemã, mas toda a nossa produção é nacional, são mais de três mil clientes, sendo que o pós-vendas é um dos principais focos. A Bruno tem postos avançados de serviços em São Paulo, Minas Gerais e em Santa Catarina, sempre pensando na satisfação do cliente. O trabalho da equipe é visando sempre estar um passo à frente no mercado, com isso, a responsabilidade aumenta diariamente. A Bruno fabrica equipamentos que além de produzir, geram, lucros aos clientes, objetivo final de qualquer


ramo. Os clientes da Bruno Industrial são, desde pequenas empresas familiares até multinacionais, sendo que algumas parcerias iniciaram há mais de 30 anos, ajudando assim a desenvolver cada vez melhor os equipamentos. REVISTA BIOMASSA BR: A empresa está preparando alguma novidade que será lançada em breve? A Bruno lançou a pouco mais de um ano na Expoforest o Picador Florestal sobre esteiras, denominado PREDATOR, primeiro equipamento nessa configuração com fabricação 100% nacional. Os profissionais estão se aperfeiçoando cada vez mais. A empresa busca as novidades tecnológicas, implementando o que há de mais moderno no ramo em que atua, para que assim seja consolidada no mercado de biomassa. Com 48 anos no mercado, é uma empresa sólida, trabalhando com ética e equipamentos robustos, dotados de altas tecnologias. REVISTA BIOMASSA BR: Está muito próximo o aniversário de 50 anos da empresa, tem algo especial para comemorar esta data tão significativa? Em 2017 a Bruno completa 50 anos. Uma história protagonizada por muitos profissionais que tornaram a marca conhecida e respeitada no Brasil e no mundo. Mas a comemoração é pelos 50 anos de trabalho de uma empresa familiar, a longevidade de uma marca que ainda tem sucessão familiar e vem trabalhando muito com o profissionalismo de sua equipe. O nosso principal projeto para essa data é continuar buscando atender as necessidades de nossos clientes, fortalecendo assim, a marca Bruno Industrial. REVISTA BIOMASSA BR: A Bruno Industrial é parceira do Biomassa BR desde sua fundação a 5 anos atrás. Qual a importância da publicação, quanto a divulgação de produtos e serviços e também para fortaleci-

mento da marca no mercado? A Bruno Industrial investe no setor de marketing e propaganda porque acredita que as parcerias com os meios de comunicação são importantes para complementar o trabalho dos profissionais da empresa. A direção agradece a oportunidade que a Revista Biomassa BR, está proporcionando através dessa reportagem, focando a história de 48 anos da Bruno Industrial. SITE OFICIAL: www.bruno.com.br 

HOMENAGEM Anderson Kaiser 14/01/1977 27/07/2015 Anderson Kaiser nasceu em Videira (SC) no dia 14 de janeiro de 1977, filho de Arlete e Ivo Kaiser (em memória). Na infância morou em Fraiburgo (SC) e na adolescência mudou-se com a família para Campos Novos (SC), quando seu pai Ivo Kaiser veio junto com a Indústria de Máquinas Bruno para Campos Novos. Sempre esteve envolvido direta ou indiretamente com a empresa, já que seu pai foi colaborador de carreira e amigo íntimo do fundador da Bruno Industrial, Oscar Bruno Schaly (em memória) e de sua família. Aos 13 anos de idade, Anderson começou trabalhar na empresa como aprendiz. Nesta época, no início dos anos 90, sua função na Máquinas Bruno era distribuir materiais nos setores da fábrica para confecções de peças. Foram anos de aprendizado. Após finalizar o curso de técnico Mecânico, em Florianópolis, iniciou o curso de engenharia e voltou a trabalhar na empresa, agora no setor de engenharia na função de engenheiro Junior. Depois de sua formação acadêmica, por muito tempo, Anderson atuou como responsável pelo setor de engenharia. Foi no ano de 2006 que ele começou suas atividades no departamento comercial da empresa. Em 2010 foi promovido gerente comercial e desde setembro de 2013, integrou o quadro societário da Empresa e ocupava o Cargo de Diretor Comercial da Bruno Industrial. Revista Biomassa BR

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Aproveitamento Energético de

Resíduos Poliméricos

Alaíse J. V. Madureira, Cláudio H. F. Silva CEMIG: alaise.madureira@cemig.com.br chomero@cemig.com.br

D

A pirólise, ou craqueamento térmico, é um processo de decomposição térmica controlada, na ausência de oxigênio, levando a produção de materiais sólidos, líquidos e gasosos

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ricos”. O projeto foi realizado em parceria com a empresa Verti Ecotecnologias. A pesquisa, realizada no âmbito do programa de Pesquisa e desenvolvimento da ANEEL, resultou em dois protótipos para processamento de resíduos poliméricos provenientes do sistema elétrico através do processo de pirólise. Contudo o processo de pirólise é aplicável a outros resíduos, como por exemplo, materiais ricos em biomassa e os resíduos poliméricos produzidos nas atividades agrossilvopastoris. Entretanto, a ampliação da Em meio a este cenário foi san- aplicação deve ser precedida de uma cionada, em 2010, a lei que institui a otimização das condições operativas. Política Nacional de Resíduos Sólidos A pirólise, ou craqueamento tér(PNRS). Ela reúne o conjunto de princípios, instrumentos, diretrizes, metas mico, é um processo de decomposição e ações com vistas à gestão integrada térmica controlada, na ausência de e ao gerenciamento ambientalmente oxigênio, levando a produção de maadequado dos resíduos sólidos. Den- teriais sólidos, líquidos e gasosos. [4]. tre seus objetivos constam a adoção, A fração líquida, também chamada de desenvolvimento e aprimoramento de óleo pirolitico ou bio-óleo, é composta tecnologias limpas, incluídos a recupe- por alcatrões com importante conteúração e o aproveitamento energético do energético, podendo ser utilizados de resíduos [3]. Dessa forma, a geração em câmaras de combustão, motores de energia a partir de resíduos sólidos diesel, turbinas, entre outros [5]. surge como uma alternativa tecnológiEste artigo relata a experiência da ca, que possui condições de contribuir Cemig com a pesquisa para o aproveipara o atendimento da crescente detamento energético de resíduos polimanda de energia e para a gestão ademéricos gerados no sistema elétrico quada dos resíduos. gerados. Tais resíduos podem conter Neste contexto surgiu o projeto materiais ou impurezas que impedem “Desenvolvimento de processo e pro- ou dificultam sua reciclagem direta. tótipos para craqueamento térmico Entretanto, esse problema não se respara a conversão de resíduos polimé- tringe apenas à indústria. Segundo lee acordo com projeções da EPE, Empresa de Pesquisa Energética vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o consumo de energia elétrica na rede deve crescer a uma taxa de 4% ao ano no período de 2013 a 2024 [1]. Outro desafio contemporâneo é a gestão dos resíduos sólidos urbanos e industriais, que tem apresentado projeções de crescimento superiores à taxa de crescimento populacional urbano do país [2].

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vantamento do IPEA, o percentual de plásticos presentes nos resíduos sólidos domiciliares é 13,5%, em média no Brasil, o que representava em 2010 uma geração diária de 24,8 mil t deste tipo de resíduo [6]. Desenvolvimento da Pesquisa O projeto foi desenvolvido conforme metodologia a seguir. A. Estudo e caracterização dos resíduos poliméricos [7] A caracterização dos resíduos ocorreu a partir do levantamento de informações da composição e da análise termogravimétrica (TG), que mede a perda de massa do material em função da variação de temperatura, conforme exemplifica a Figura1. Figura 2 – Esquemático do sistema de pirólise: (A) forno elétrico, (B) reator, (C) termopar, (D) condensador, (E) coletor de líquido e (F) exaustor.

mesmas análises realizadas com os produtos da pirolise individual. A Figura 3 apresenta o balanço de massa do Blend 1 nas temperaturas de 500 e 600ºC.

Figura 1 – TG dos Materiais de Polietileno/Látex.

Foi verificado que os materiais coletados têm como principais constituintes Polietileno e Polipropileno, e que o intervalo médio de perda de massa permite a realização da pirólise em temperaturas relativamente baixas. B. Pirólise em escala laboratorial [8]

Figura 3 – Balanço de massa para amostras individuais e do Blend.

Os PCI dos materiais obtidos pela pirólise dos blends

A pirólise dos materiais e suas misturas foi realizada através do arranjo apresentado na Figura 2.

foram comparados com combustíveis comerciais. Nas Fi-

O processo adotado foi a pirólise rápida, na qual a amostra triturada é inserida no reator pré-aquecido. Os produtos líquidos das pirólises foram submetidos a análises para determinação de sua composição e Poder Calorífico Inferior (PCI), que indica seu potencial para uso energético. Amostras dos produtos sólidos foram encaminhadas para ensaios de Análise Elementar (CHNS), que determina a porcentagem de carbono, hidrogênio, nitrogênio e enxofre. Os balanços de massa permitiram a comparação da quantidade de cada fração formada com a massa de entrada dos resíduos.

PCI das frações sólida, líquida e gasosa, respectivamente.

A etapa seguinte consistiu no agrupamento das amostras em blends, cuja formação foi baseada na composição e no comportamento térmico das amostras.Os blends foram pirolisados e as frações obtidas foram submetidas às 26

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guras 4, 5 e 6 são apresentados os resultados da análise

Figura 4 - PCI dos produtos sólidos da Pirólise.


C. Operação do Protótipo 1 (2-20kg) [9] O Protótipo 1 (Figura 7) é composto por sistema de alimentação, forno, sistema de condensação e queimador de gases.

Figura 6 - PCI dos produtos gasosos da Pirólise.

Figura 7 – Pirolisador utilizado para as reações.

As pirólises foram realizadas em regime de batelada a temperatura de 600°C. Os produtos sólidos, líquidos e Figura 5 - PCI dos produtos líquidos da Pirólise.

gasosos foram recolhidos e analisados.

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D. Operação do Protótipo 2 (100-500kg) [10] Diante dos resultados obtidos para a pirólise em escala laboratorial e do Protótipo 1, foi realizado o dimensionamento e construção do Protótipo 2 (Figura 8).

Figura 10 – PCI das frações líquidas obtidas nos diversos equipamentos.

mitações. Foi possível a identificação e caracterização dos principais resíduos poliméricos. Os materiais estudados apresentaram comportamento térmico semelhante, possibilitando estabelecer grupos de materiais. Futuramente, esse agrupamento poderá propiciar a diminuição de custos do processo, quando da sua operação comercial. Figura 8 - Protótipo 2.

A realização da pirólise em escala laboratorial permitiu a verificação da potencialidade energética dos proO Protótipo 2 foi projetado para operar em regime dutos pirolíticos obtidos, direcionando a construção dos contínuo, pois foi constatado que a operação por batelada protótipos, cujos resultados mostraram a viabilidade técprejudicava a vedação do equipamento, a homogeneida- nica do aumento de escala do processo. de das amostras e demandava maior tempo de operação. Como sugestão de trabalhos futuros recomenda-se: A Figura 9 mostra balanços de massa do Blend T ob- estudos adicionais com as amostras que contém quantitidos nas diversas etapas do projeto: F.600 (etapa labora- dade relevante de fibras de vidro, o que pode ocasionar torial), T.Pr1 (Protótipo 1), T.Pr2 (Protótipo 2). É possível problemas operativos nos pirolisadores devido ao auverificar que o aumento de escala entre os equipamentos mento do conteúdo sólido dos produtos de pirólise; deprovocou a diminuição da fração gasosa e aumento da senvolvimento de um projeto em escala industrial e tamfração líquida. bém testes de unidades de pirólise acopladas a sistemas de geração estacionários de eletricidade. O processo de pirólise pode ser aplicado a outros resíduos e materiais ricos em biomassa, possuindo amplo espectro de aplicação. Trata-se de tecnologia promissora que pode contribuir para o atendimento a crescente demanda de energia mantendo consonância com as novas diretrizes para a gestão de resíduos sólidos.  Referências Bibliográficas [1] Empresa de Pesquisa Energética. Nota Técnica DEA 28/13 - Projeção da demanda de energia elétrica para os próximos 10 anos próximos (2014 -2023), Rio de Janeiro, 2013.

Figura 9 - Gráfico comparativo do balanço de massa do Blend T nos diversos equipamentos desenvolvidos.

[2] Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE). Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, São Paulo, 2011. [3] Companhia Energética de Minas Gerais, Alternativas Energéticas: uma visão Cemig. Belo Horizonte: Cemig, 2012, p.179. [4] E. E. S. Lora, O. J. Venturini, Biocombustíveis - volume 1. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2012, p.417.

Os valores do PCI para as frações líquidas obtidas a partir da pirólise do Blend T nos equipamentos são representados na Figura 10. É possível verificar que o Blend T.Pr2, pirolisado no Protótipo 2, produziu a fração líquida com maior valor de Poder Calorífico Inferior (PCI). Conclusões O projeto permitiu a investigação da tecnologia de pirólise aplicada a resíduos poliméricos, suas barreiras e li28

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[5] BRASIL. Política nacional de resíduos sólidos (Lei n° 12.305/2010). Brasília: Diário Oficial da União, 2010. [Online]. Disponível: www.planalto.gov.br. [6] Instituto de Pesquisas econômicas e Aplicadas. Diagnóstico dos Resíduos Sólidos Urbanos. Brasília, 2012. [7] Verti Ecotecnologias S.A. Relatório do Projeto GT416 - Desenvolvimento de processo e protótipos para craqueamento térmico para a conversão de resíduos poliméricos gerados no sistema elétrico da CEMIG, Belo Horizonte, Março de 2011. [8] Verti Ecotecnologias, S.A. Relatório do Projeto GT416 - Desenvolvimento de processo e protótipos para craqueamento térmico para a conversão de resíduos poliméricos gerados no sistema elétrico da CEMIG, Belo Horizonte, Setembro 2011. [9] Verti Ecotecnologias S.A. Relatório do Projeto GT416 Desenvolvimento de processo e protótipos para craqueamento térmico para a conversão de resíduos poliméricos gerados no sistema elétrico da CEMIG, Belo Horizonte, Agosto 2012. [10] Verti Ecotecnologias S.A. Relatório do Projeto GT416 - Desenvolvimento de processo e protótipos para craqueamento térmico para a conversão de resíduos poliméricos gerados no sistema elétrico da CEMIG, Belo Horizonte, Novembro de 2012.


Artigo

A Conta do Consumo de Combustível do Sistema Isolado Nacional. Um mendigo no trono de ouro.

E

Javier Farago Escobar MSc. Doutorando em Energia - IEE/USP Pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa CENBIO/IEE/USP

ntende-se como Bens da União definido na Constituição Federal de 1988 os recursos naturais da plataforma continental, terrenos de solo, subsolo e mar, com a administração direta da União, participação no resultado da exploração para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos naturais no respectivo território.

Nesse contexto a floresta amazônica como um bem da união e patrimônio da humanidade é uma unidade de proteção para esse espaço territorial, ficando proibida “qualquer utilização” que comprometa a integridade das suas características ou atributos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, sendo vedada qualquer utilização que com-

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prometa a integridade dos atributos que justificam sua proteção. Sendo assim, no âmbito federal, desde 2006, a união concede a pessoas jurídicas o direito de manejar Florestas Públicas Federais (FPF) para a exploração florestal madeireira, Com o objetivo de incentivar o uso sustentável dos recursos disponíveis, e o desenvolvimento socioeconômico regional. Tentando assim, aumentar o controle da atual exploração ilegal madeireira da Amazônia legal, que esta em mãos de grandes empresas privadas.

retiradas durante a execução e da infra-estrutura necessária, tais como as aberturas de pátios, estradas e trilhas e outros tipos de materiais, como, por exemplo, as raízes tabulares, as aparas de toras ocas, árvores quebradas ou tombadas entre outros que ficam na floresta e que podem ser aproveitados para diversos fins destacandose para produção de energia.

enorme potencial residual de madeira gerado, que poderia ser mais bem administrado pela união. Hoje este resíduo é exclusivamente utilizado como insumo às indústrias siderúrgicas, instaladas em sua maioria pelos próprios madeireiros nos Estados do Pará e do Maranhão. Este mercado é tão lucrativo que chega ao ponto de gerar mais ingressos financeiros que a própria madeira serrada - (finalidade primaria das concessões florestais cedidas, que prioriza evitar a menor intervenção no entorno, extraindo somente as espécies com maior valor econômico).

Na atualidade grandes empresas da indústria madeireira na região Amazônica tiram proveito deste potencial residual para produção de Vale ressaltar que o Plano de carvão vegetal, e não estamos falanManejo Florestal é outorgado baixo do de biomassa residual aquela que a aprovação e autorização do órgão sobra das serrarias de processo e sim Nesse contexto, as Concessões ambiental competente, tanto para somente de resíduos gerados na ex- Nacionais de Florestas Públicas Fedeempresas privarais (FPF) pode ser das como para as uma possibilidaConcessões de Flode de mudar esse restas Publicas FeNa atualidade grandes empresas da indústria panorama atual, derais (FPF), a qual com o cadastro de determina somenaproximadamenmadeireira na região Amazônica tiram proveito te as espécies com te 313 milhões de valor comercial hectares de FPF, para exploração. deste potencial residual para produção de carvão que se concentra

(92,1%) no Bioma Teoricamente Amazônico, região vegetal, e não estamos falando de biomassa esta licença, priorionde coincidenteza a retirada de esmente encontra-se pécies madeireiras residual aquela que sobra das serrarias de os municípios com nobres com alto menor Índice de valor comercial, Desenvolvimento processo e sim somente de resíduos gerados... sendo proibida Humano (IDH) do por lei a retirada país, que depende outras espédem exclusivacies fora do plano mente da Conta de de manejo previatração da floresta nativa na Amazônia mente aprovado. Na pratica, além da legal, proveniente do abate das toras Consumo de Combustível (CCC) para matéria prima originária de áreas de aprovada pelo Plano de Manejo Flo- a geração de energia elétrica no Sistema Isolado Nacional, onde a geradesmatamento, muitas vezes parte restal Sustentável - PMFS. ção é predominantemente térmica a dela ilegal, bem como pela derruba Cumpre observar o significativo base de óleo diesel subsidiado. das florestas secundárias daquela região, gera grandes quantidades de potencial dos resíduos de florestas Tendo em vista que a floresmanejadas na Amazônia, chegam a resíduos. ta amazônica é um bem natural da atingir até 5m3 por cada m3 de madeiunião, como o petróleo, recursos Os resíduos de madeira gerados ra retirada da floresta. hídricos entre outros, é necessário anualmente no Brasil são estimados Nesse caso em particular, as em- que a união crie novas condições ao em 30 milhões de toneladas. A prinpresas que adquirem a concessão conceder concessões de (FPF), encipal fonte de resíduos é a indústria madeireira, que contribui para 91% da (FPF) comprovam a disponibili- carando os resíduos como potencial destes resíduos gerados dos quais, dade deste resíduo junto ao Plano energético, podendo diminuir a congrande parte é proveniente de ativi- de Operações Anual - POA de cada ta de energia da sociedade brasileira dades inerentes de Plano de Manejo PMFS. Provando a existência de re- que paga a (CCC). Este potencial ao Florestal Sustentável (PMFS), que ge- síduos gerados no manejo, obtendo ser mais bem aproveitado pode ser ram resíduos em função das árvores assim, de forma legal a posse total do destinado para aumentar o acesso 30

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Este é só um exemplo da falta de conhecimento do potencial energético da biomassa florestal e de outras biomassas no Brasil... à energia em municípios com baixo IDH. Se em primeira instancia concede-se concessões de (FPF) para exploração madeireira, que geram inúmeros impactos ambientais é possível dar valor a estes resíduos gerados nas próprias concessões na forma de energia, abastecendo a demanda dos municípios mais necessitados do país, reduzindo assim, o uso de diesel da (CCC), conseqüentemente diminuindo os gases de efeito estufa.

car que, assim como a configuração da atual geração para uso residencial, os projetos apresentados pelas distribuidoras para o atendimento destes mercados também têm como fonte energética o óleo diesel. Em contra partida, o governo permite que os recursos provenientes da (CCC) sejam utilizados em geração elétrica com fontes alternativas que substituam à geração termelétrica a partir de óleo diesel, reduzindo a (CCC) dos Sistemas Isolados, medida que beneficiaHistoricamente, os Sistemas rá, principalmente, a Amazônia Legal. Isolados têm sido atendidos pelas próprias distribuidoras ou por proPara exemplificar este potencial, dutores independentes de energia, os municípios de Portel e Melgaço no através de sistemas geradores ali- (Pará) que apresentam IDH menor a mentados a óleo diesel. Vale desta- 0,5 está localizado na Floresta Nacio-

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nal de Caxiuanã. Esta (FPF) foi colocada à concessão pelo Governo Federal em 2015 e tem uma área de 322 mil hectares, com um plano de manejo aprovado de 184 mil hectares, o qual representa no pior dos casos um potencial médio de 566 mil toneladas de resíduos de madeira por ano, somente a partir da biomassa gerada na Gestão desta Concessão Nacional de Floresta Pública, que em energia no ciclo rankine a um rendimento de 12% poderia produzir aproximadamente 253000 MWh/ano. Se considerarmos uma demanda de energia elétrica de 100 kwh/habitante/ano para usos básicos residenciais e de processos, o consumo chegaria no máximo a 10000 MWh/ano para am-


mente no manejo destas áreas sendo um recurso que por lei pertence à união, e apresenta um enorme potencial energético e estratégico para o país.

tras biomassas no Brasil. Poderiam ser criadas políticas públicas dirigida ao melhor uso desses resíduos, que Como neste caso, existem diverneste caso pode ser destinando parsas (FPF) sendo aprovadas e concedicialmente ou na sua totalidade para a das na Amazônia Legal, sendo assim população, na forma de energia eléEste é só um exemplo da falta trica, e não somente ser descartada possível, substituir grande parte da demanda do sistema isolado com de conhecimento do potencial ener- e rotulada com o nome que o define biomassa residual gerada inevitavel- gético da biomassa florestal e de ou- - resíduo. 

bas cidades, menos de 5% do potencial disponível.

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P e lle t s

OS EUA DOMINAM O

MERCADO MUNDIAL DE PELLETS Dorival Pinheiro Garcia - Engenheiro Industrial Doutorando em Energia - FEG/UNESP

F

az tempo que os norte-americanos dominam o mercado mundial de pellets. O gigantismo das indústrias dos EUA e Canadá impressionam pelo tamanho e, sobretudo, pelos números expressivos de sua produção. A maior fábrica de todas, localizada no Estado da Geórgia, produz 825.000 t/ano, ou seja, quase 100 t/hora. Em 2013, quase 26% de toda a produção mundial de pellets foi produzido lá. O Reino Unido, sozinho, importou quase 80% de tudo o que foi produzido lá. É o principal destino dos biocombustíveis sólidos produzidos nos EUA. E a produção de pellets vem crescendo, ano a ano, exponencialmente. Hoje são 186 plantas industriais com capacidade para produzir mais de 21 milhões de t/ano. O Canadá, que também tem produção voltada para exportação, detém pouco 34

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mais de 8% do mercado mundial. Engana-se quem acha que as indústrias americanas perderão o fôlego. As previsões estimam consumo mundial perto de 50 milhões de toneladas já para 2020. Além disso, a demanda tem crescido na europa e novos mercados estão se abrindo na Ásia, principalmente para Coreia e Japão. Por isso, no sudeste dos EUA, pipocam volumosos projetos para incrementar, ainda mais, a produção desses biocombustíveis que já são com-

modities com negócios es- do mundo. Ainda assim, táveis em todo mundo. não estamos produzindo O Brasil figura neste com a eficiência necessária mercado com participação para competir no mercado inexpressiva. As indústrias internacional. Mas, afinal, brasileiras de pellets não qual o diferencial da giganconseguem competir com tesca indústria de pellets as indústrias norte-ameri- norte-americana? canas e poucas delas estão Os EUA produzem conseguindo exportar. Por pellets há quase 40 anos. mais que tenhamos fato- Possuem desenvolvimenres favoráveis para a pro- to tecnológico, estrutura e dução do biocombustível, logística para enviar seus como as grandes áreas de produtos para qualquer lureflorestamentos com es- gar do mundo com qualidapécies comerciais, muitas de e custo. Assim, o sucesindústrias madeireiras nas so presente (e futuro) das regiões sul/sudeste e consuas indústrias podem ser dições climáticas que proexplicadas por: porcionam maior taxa de crescimento das florestas • Incentivo dos governos as energias renováveis do que qualquer outro país

ESTATÍSTICAS DOS WOOD PELLETS

PRODUÇÃO EM 2013 (milhões de t)

% DA PRODUÇÃO MUNDIAL

Nº DE INDÚSTRIAS (em 2015)

CAPACIDADE INSTALADA (milhões t/ano)

Mundial

22,00

100,00%

950

-

Estados Unidos

5,70

25,91%

186

21,3

Canadá

1,80

8,18%

55

5,6

Brasil

0,06

0,27%

16

0,3


O mercado europeu continua dominando o consumo mundial de pellets. Diversos países oferecem incentivos (em dinheiro) para quem preferir comprar equipamentos movidos à pellets do que a óleo ou gás. Assim, as metas para redução das emissões forçam a utilização de combustíveis de baixo carbono como os pellets.

comunicação entre os diversos modais no País não forma corredores logísticos eficientes. Isso, associado a baixos investimentos e grande burocracia, são apontados como os nossos piores problemas. • Escala de produção

Os americanos utilizam-se da economia de escala (produzir em grandes quantidades) para produzir • Eficiente modal logístico pellets com custos baixos. A Nos Estados Unidos a escala de produção conduz rede ferroviária, as hidro- à redução do custo médio vias e as rodovias estão in- de produção e explica porterligadas com as indústrias que razão algumas empree os portos. Uma pesquisa sas crescem de forma tão mostrou uma diferença de expressiva. Nossas indúsU$ 80 dólares por tonelada trias, a maioria de pequeno preço dos fretes, com- no porte, ainda não parando a cidade de Sorri- c o n s e g u e m so (MT), e o estado de Illi- produzir pelnois, considerado o maior lets com cusprodutor de grãos dos Es- to tão baixo tados Unidos. A falta de quanto os

norte-americanos. • Custo da energia elétrica O preço da energia elétrica é sempre um fator impactante nos custos de produção de qualquer indústria, principalmente das mais automatizadas. Um estudo realizado pela FIRJAN, no ano passado, concluiu que o preço do MWh de energia aqui no Brasil é quase 4 vezes maior do que nos EUA. Imaginem a diferença nesse ano então, com a bandeira vermelha de energia!

Há uma distância enorme entre a robusta indústria norte-americana de pellets e a minúscula brasileira. Com esforço, podemos dimunir essa distância nos próximos anos. Mas, ao que tudo indica, os norte-americanos continuarão soberanos no mercado de wood pellets por mais alguns anos. 

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Nota Internacional

Cientistas Israelenses desenvolvem pesquisa sobre produção de biocombustível a partir de algas marinhas A procura por opções de fontes de energia renovável está em constante crescimento no mundo. A fabricação de biocombustível a partir de material vegetal está entre as soluções propostas e tem tido seu potencial elevado. As plantas são consideradas pelos cientistas produtores primários, o que os permite produzir biodiesel ou bioetanol. De acordo com os estudiosos israelenses o desenvolvimento de biocombustível a partir de plantas é capaz produzir cerca dois milhões de barris de combustível limpo por dia. A ressalva está na rentabilidade econômica do processo, a qual exige área para o cultivo e produção de gás, ambas dependentes dos subsídios do governo. Pensando nisso, a Universidade de Tel Aviv, em Israel, desenvolveu uma pesquisa inovadora que produz combustível limpo a partir de algas. A pesquisa realizada mostra que a produção de bioetanol, fabricado a partir de algas

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do mar está crescendo. A vantagem no cultivo das algas está no crescimento rápido, no processo de produção simples e também na utilização dos habitats que não interferem na agricultura de alimentos. Porém, apesar de todas as vantagens encontradas na produção de algas, o preço do biocombustível atualmente é extremamente caro para competir com os combustíveis fósseis, devido aos gastos com a sua produção. Um exemplo dado pelos cientistas é que a produção feita a partir de algas custa em torno de sete dólares por galão, o que seria o dobro do preço cobrado pelo galão da gasolina regular oferecida nos postos. A boa notícia é que os cientistas ainda não desistiram de tornar a produção de algas mais rentável. A ideia é que além de utilizá-la para o biocombustível, o aumento das algas marinhas poderá contribuir para a limpeza da água do mar, já que as mesmas contêm materiais orgânicos.


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Notas

Companhia Aérea United Airlines utilizará biocombustível em seus aviões A companhia aérea United Airlines divulgou nesta segunda-feira que irá alimentar seus aviões com biocombustível produzido a partir de fezes de animais. De acordo com o jornal americano The New York Times a companhia pretende reduzir a emissão de gases de efeito estufa como também economizar com combustível durante o mês. A empresa ressaltou que o biocombustível será misturado ao combustível tradicional por enquanto. O investimento terá um valor de 30 milhões de dólares pagos a Fulcrum BioEnergy,

uma das principais fornecedoras de biocombustíveis no setor de aviação. A ideia inicial é misturar cerca de 30% de biocombustível no combustível fóssil já utilizado. A escala produzida pela United Airlines prevê a realização de cinco voos diários de Los Angeles a São Francisco com aviões de passageiros movidos por biocombustível. Segundo Debiie Hammel, representante do conselho de Defesa dos Recursos Naturais, as viagens aéreas estão contribuindo cada vez mais para o aumento da poluição da atmosfera. Além da United Airlines, outras companhias já estão criando metas para a utilização de biocombustível como a Alaska Airlines e a Southwest Airlines. De acordo com a Fulcrum Bioenergy o biocombustível produzido por eles pode reduzir até 80% de poluentes na atmosfera.

APROBIO apresenta estudo sobre veículos movidos a biodiesel no Brasil Estudo apresentado pela APROBIO em parceria com o Instituto Saúde e Sustentabilidade mostra a importância do biodiesel para a saúde pública Um estudo voltado para o impacto ambiental e de saúde pública a partir do uso progressivo do biodiesel em veículos movidos a diesel no Brasil, foi apresentado no começo deste mês em Brasília ao presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, deputado Evandro Gussi (PV-SP), na Diretoria de Fiscalização e Saúde do Ministério da Saúde, acompanhados do deputado Elvino Bohn Gass (PT-RS), diretor da mesma Frente Parlamentar. A pesquisa foi apresentada pelo presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), Erasmo Battistella, em conjunto com o vice presidente da entidade, Orlando Palocci, e o seu diretor superintendente, Júlio Minelli, além do professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Produzido pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, o estudo analisou seis capitais brasileiras e constatou que o uso de uma porcentagem maior de biodiesel pode reduzir até 52 mil internações hospitalares causadas pela poluição, além de salvar cerca de nove mil pessoas pelo mesmo motivo. O estudo também prevê uma economia do setor de saúde pública de até dois bilhões de reais com a elevação desta porcentagem para mais de 7% até 2025. O documento, além da frente parlamentar do Biodiesel, também foi entregue em reunião da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel da Casa Civil da Presidência da República. De acordo com o professor Saldiva, muitas mortes podem ser evitadas por doenças causadas pela poluição através de medidas sustentáveis como esta. Para Battistella os resultados apresentados pela pesquisa podem contribuir tanto para políticas publicas relacionadas a energia e combustíveis como também para a saúde pública. “O setor produtor de biodiesel no Brasil entende que poderia ser adotado todas as cidades com mais de 500 mil habitantes o chamado B-20 [com 20% de biodiesel por litro de diesel] no transporte público. E no próximo ano chegar a B-10 [com 10% de biodiesel por litro de diesel] em todos os veículos que hoje circulam com B-7” ressaltou ele.

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Edital do leilão A-3 previsto para agosto foi aprovado pela ANEEL A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou em julho, o edital do Leilão de Geração A-3. Previsto para acontecer no dia 21 de agosto, o leilão pretende contratar energia de várias fontes, dentre elas termelétricas a biomassa ou a biogás. Os vencedores do evento entrarão em operação em janeiro de 2018. O certame será realizado pela internet e será operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) em São Paulo. Os preços dos megawatts também já foram definidos ficando no valor de 184 reais para a energia eólica, 216 reais para hidrelétricas e 218 reais para as termelétricas a biomassa e a biogás. O edital aprovado ontem foi publicado nas portarias nº. 672/2014, e 68/2015 do Ministério de Minas e Energia (MME). O leilão recebeu cerca de 586 inscrições, sendo 513 voltados para energia eólica, 28 para pequenas hidrelétricas, 24 para térmicas movidas a biomassa e 21 para térmicas a biogás. Os documentos de cada empreendimento cadastrado serão analisados no processo de habilitação técnica do leilão. Juntos, os empreendimentos geram uma potência de 23.206,02MW.


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Uso de biomassa de madeira na produção de energia

o ípic ut t o Lay

Paulo Dacass Diretor Engecass

O

atual cenário da economia brasileira, e porque não dizer mundial, implica numa reconsideração dos nossos esforços em redução dos custos industriais de forma radical e obrigatória. Contudo, sabemos que para se atingir metas estabelecidas, geralmente precisamos passar pela etapa dos investimentos altos. Embora as taxas de retorno ainda não sejam longas, o custo do dinheiro, e, a disponibilidade dele nos impede geralmente de continuar na implantação de projetos desse tipo. Especialmente no que nos reflete ao mercado de biomassa, em destaque para os subprodutos da madeira, encontramos uma oferta grande de energia térmica a um custo relativamente barato se compararmos aos preços de lenha, cavaco, serragem, maravalha, briquete ou ainda pellets aos dos combustíveis fosseis como o gas natural ou o óleo 1A e seus sucessores, essa diferença de custos não fica inferior a 400%. Ainda que se considerasse as vantagens dos fosseis, como homogeneidade, poder calorifico, redução de mão de obra no manuseio, resposta as necessidades do processo, a dependência dessa fonte na importação, ainda mais nos leva a valorização da biomassa de

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madeira. A necessidade do processamento da madeira, a utilização dos subprodutos e a vantagem econômica propiciada, nos leva ao desenvolvimento de tecnologias de queima com altas eficiências de combustão e de controle. tos

Desenvolvimento dos equipamen-

As caldeiras desenvolvidas atualmente podem ser equipadas com dispositivos que controlam integralmente um processo a partir de uma central de monitoramento inclusive com acesso remoto. Equipamentos periféricos como pre-aquecedores de ar, economizadores, alimentadores de combustíveis com controles modulantes, controle de ar de combustão e de exaustores de gases propiciam uma estabilidade do fornecimento de vapor bem como de economia de combustível. As emissões atmosféricas também passaram a fazer parte interessante na opção de escolha do combustível para aquelas empresas que desejam mos-

trar seu respeito a natureza. Ao fazer uso de um combustível renovável, com captura de CO2 da atmosfera, baixas emissões de poluentes como metano e enxofre, transmitem uma imagem positiva para seus clientes. Para evidenciar as diferenças de custos de combustíveis para as empresas, elaboramos um quadro com valores referenciais considerando-se uma caldeira de toneladas de vapor por hora. O quadro acima ilustra de forma comparativa as diferenças de custo de cada combustível. Mesmo que se variando os preços por região, custos de transporte, tipo de caldeira, serve o mesmo para evidenciar as vantagens da queima dos subprodutos da madeira. Quando houver disponibilidade desse combustível, o mesmo deve ser muito bem considerado. Atualmente o que vemos e uma profissionalização de fornecedores, buscando melhorias no transporte, carregamento e descarregamento, armazenagem e planejamento de forma aa garantir suprimento durante todo o ano. Evidentemente as caldeiras devem passar por processos de adaptação de forma a se capacitarem para a queima desse tipo de combustível de forma eficiente e com nível de emissões den-

Quadro comparativo de custos de combustíveis Capacidade caldeira 10 ton vapor/h Consumo 24 horas

Consumo /25 dias

Custo combustível

Lenha (m³) Cavaco (ton)

117 84

2925 2100

40 70

1.345.500,00 1.690.500,00

Pellets (ton) Briquete (ton) Óleo 1A (ton) GN (m³) GLP (m³)

38 41 17.3 18000 14000

912 984 432 449400 350000

400 400 1000 1.2 1.5

4.195.200,00 4.526.400,00 4.968.000,00 6.201.720,00 6.037.500.00

Combustível

Custo/ano R$


lizando-se turbinas de condensação e extração.

t ut o -

y La

tro dos padrões estabelecidos pelo Conama ou dos órgãos locais reguladores. Aspectos relacionados a geração de energia térmica e elétrica com uso de madeira. No tocante a geração de energia térmica adicionada à elétrica ou a dita co-geração, o potencial da biomassa eh muito interessante. Com o uso de caldeiras especialmente projetadas para esse fim, e possível a geração das duas energias através do vapor. O processo pode ser muito simples, através do uso de turbinas de contrapressão ou mais complexos uti-

co ípi

Ambos os sistemas podem ser aplicados na indústria com vantagens competitivas em relação aquela energia contratada junto as concessionárias.

MWh. Comparando-se com o custo do MWh cobrado pelas concessionarias, verifica-se uma diferença grande que poderá justificar um investimento. Por outro lado, as incertezas quanto ao preço da energia no futuro próxima, ou mesmo do cavaco, aliados a dificuldade de obtenção de credito junto às empresas de fomento, afastam as possibilidades dos empresários da autossuficiência de geração de energia elétrica e consequentemente da redução dos custos de produção. 

A taxa de retorno do investimento dependera do preço da biomassa disponível. Assim, vê- Fluxograma típico de cogeração se que nas regiões onde existe maior disponibilidade a baixo custo, esses sistemas são muito atraentes. Em processos de condensação puramente para geração de energia elétrica, necessitase de aproximadamente 2,5 toneladas para geração de 1

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Notas

Nexsteppe apresenta seu novo vice-presidente para a América do Sul Com 12 anos de experiência em agronegócios, Ricardo Blandy comandará o desenvolvimento de novos negócios na região

Formado em Administração de Empresas, pela Fundação Getúlio Vargas, Blandy está confiante que seu novo desafio irá "contribuir para levar mais inovação e tecnologia para a agricultura brasileira, mantendo o setor como um dos mais competitivos do País", diz o executivo.

A Nexsteppe anuncia a chegada de seu novo vice-presidente de Desenvolvimento de Mercado, Ricardo Blandy, que continuará desenvolvendo os negócios da empresa e irá expandir o alcance geográfico e as linhas de produtos no Brasil.

"Nós estamos muito felizes com a chegada de Ricardo em nosso time. Seu know-how acumulado em empresas como Monsanto e Novozymes garantem um entendimento profundo das indústrias de base biológica, os principais clientes das nossas matérias-primas", diz a CEO da Nexsteppe, Anna Rath.

Blandy está no setor de agribusiness há 12 anos e passou por empresas como Czarnikow, Monsanto e Novozymes. Nas três empresas, seu principal objetivo foi o desenvolvimento de novas oportunidades de expansão da atuação destas empresas, baseada em três pilares: mercado agrícola, novas tecnologias e novos negócios/turn around.

Anna declara ainda que a experiência de Blandy conversa diretamente com os produtores agrícolas, que continuarão recebendo uma cuidadosa consultoria. "Manteremos o desenvolvimento dos nossos negócios e esforços na América do Sul e, com o Ricardo, conquistamos um reforço importante para nossa equipe", finaliza Anna.

Pela Czarnikow, Blandy atuou em São Paulo, Índia e Cingapura. Voltando ao Brasil, trabalhou na Monsanto, em São Paulo e no Mato Grosso, com desenvolvimento de mercado e teve um papel importante no licenciamento de novos produtos. Na Novozymes, sua última posição, o executivo foi responsável pela aceleração da indústria de biocombustíveis e na área de conversão de biomassa na América Latina. Seu currículo conta com experiências profissionais e acadêmicas na Alemanha e na Inglaterra.

Sobre a Nexsteppe

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A Nexsteppe é a primeira companhia de comercialização de sementes de sorgo do mundo criada com o exclusivo propósito de introduzir uma nova geração de soluções escaláveis, confiáveis e de baixo custo em insumos para produção de biocombustíveis, bioeletricidade e bioprodutos. Fique por dentro das notícias sobre o setor sucroenergético no blog da Nexsteppe: www.nexsteppe.com.br/blog


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