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Edição Nº 24 - Mar/Abr

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O papel das Energias Renováveis na Conferência COP 21 – Prof. Oswaldo Lucon

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Implicações do acordo de Paris no setor Eólico Brasileiro

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Programação do CIBIO 2016 – Congresso Internacional de Biomassa e EXPOBIOMASSA – Feira Internacional de Biomassa e Energia

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Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião da Revista Biomassa BR, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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A Conferência do Clima de Paris e o papel da bioenergia Oswaldo Lucon - Assessor em Mudanças Climáticas da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e Professor Colaborador do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Artigo para a 4ª edição do Anuário Brasileiro de Biomassa e Energia. ISSN 2447-5785

O

desenvolvimento dos sistemas energéticos é marcadamente afetado por diversas preocupações ambientais, como o uso da água, a poluição atmosférica e a depleção de recursos naturais afetando a segurança no fornecimento. A ênfase mais recente recai sobre as possíveis consequências dos acordos internacionais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas para a Mudança do Clima. Isso se justifica, uma vez que cerca de 60% das emissões globais de gases de efeito de estufa (GEE) provêm do setor energético, exigindo para limitar o aumento da temperatura pelo menos abaixo dos dois graus Celsius até o final do século XXI uma ampla compreensão das oportunidades para promover sinergias entre políticas energéticas e ambientais. Enfrentar

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esses desafios envolve canalizar novos investimentos para energia limpa, bem como atuar sobre a infraestrutura carbono-intensiva de longa vida útil. Para “destravar” essas oportunidades é necessária a intervenção política, sinalizando caminhos aos agentes privados. Segundo a Agência Internacional de energia (IEA, 2014), diversas são as intervenções possíveis. Podem-se citar, dentre outras, a precificação do carbono, preços e cotas mínimos para a energia renovável, remoção de subsídios para fontes fósseis de energia, aposentadoria antecipada de plantas mais poluentes, gerenciamento pelo lado da demanda, leilões de eficiência energética, mercados de emissão, a securitização de ativos vulneráveis a efeitos climáticos, o estabelecimento de padrões nos usos finais, a realiza-

ção de protocolos setoriais buscando atingir metas de desempenho (“benchmarks”). A métrica de descarbonização é certamente um elemento essencial de políticas climáticas; entretanto, estas podem focar também outros indicadores, como a redução no consumo de energia, a redução da poluição do ar e outros co-benefícios. Isso possibilita aferir, por exemplo, desempenhos de edifícios, sistemas de transporte e indústrias situados em regiões diferentes com realidades distintas de matriz energética e perfis de consumo. Metas baseadas nessas métricas indiretas podem ser mais fáceis de adotar, aferir e controlar, tornando mais efetivas as políticas energéticas e mais tangíveis as trajetórias transformativas de longo prazo. Estas evitam também desnecessários trâmites legislativos, como demonstrou a Agência de Prote-


ção Ambiental Norte-americana ao justificar pela proteção da saúde humana a necessidade de reduzir emissões de GEE. Outra forma de acelerar a mitigação climática é o estímulo a novas tecnologias, como a captura e sequestro geológico de carbono – inclusive o proveniente da bioenergia. Assim, existe uma vasta gama de métricas que podem ser usadas para acompanhar o progresso na descarbonização do setor de energia. Estas podem ser classificadas em três tipos, com base em suas metas e prazos. As métricas de Tipo I são expressas em termos de GEE (emissões totais, por unidade de produto físico, por produto econômico, por setor ou por processo). As de Tipo II não são expressas em termos de GEE mas influenciam as emissões no médio prazo, caso da eficiência energética e energias renováveis. As métricas de Tipo III rastreiam as ações que terão um impacto significativo nas emissões de longo prazo - embora com um mínimo impacto no curto a níveis de emissões de GEE de médio prazo. Estas últimas incluem a identificação, pesquisa e de-

senvolvimento de tecnologias-chave, bem como as análises das tendências de investimento em infraestrutura que levem a um comprometimento (lock-in) de emissões. No final de 2015 representantes dos mais de 170 países signatários da Convenção do Clima se reuniram em Paris para negociar um novo acordo, vinculante e operacional a partir de 2020. Os Estados-Partes submeteram suas Intenções de Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDCs em inglês), basicamente propostas de políticas e métricas para reduzir suas emissões e adotar medidas de adaptação e implementação. Cada país pode escolher a forma de sua contribuição, devendo o total ser quantificado e periodicamente mensurado, com evolução progressiva. Segundo o Climate Action Tracker (CAT, 2015) o conjunto das INDCs submetidas até 1º de outubro de 2015 situavam a trajetória de emissões na rota dos 2,7oC até

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o final do século. As INDCs devem evoluir, mas já começam a ser analisadas. O acordo final de Paris foi divulgado no dia 12 de dezembro de 2015, devendo ainda ser ratificado pelos países. O texto não faz menção a detalhes de como não ultrapassar o acordado aumento médio na temperatura global neste século de 1,5 oC , utilizando apenas o termo “transformação”. Contudo, é evidente a importância do setor energético, em particular sua descarbonização e consequente vigorosa expansão das fontes renováveis de energia na matriz mundial. O texto da CoP21 foi considerado um ponto de inflexão nas negociações climáticas mundiais, aumentando a transparência, considerando perdas e danos em regiões atingidas e prevendo revisões a cada 5 anos. Países em desenvolvimento devem receber 100 bilhões por ano em financiamento. Contudo, o documento ainda precisa ser ratificado pelos países, o que representa um desafio ainda pendente. No último dia das negociações em Paris o Brasil juntou-se aos Estados Unidos e União Européia em uma coalizão demais de cem países para obter um acordo ambicioso e legalmente vinculante; no outro pólo restaram China e Índia, países com interesses em expandir suas emissões à base do uso de carvão (EC, 2015; Crisp, 2015). Caso seja plenamente implementado o acordo, um questionamento pertinente é o do papel da bioenergia moderna nesse cenário. Considerando os rumos dos projetos de infraestrutura energética, ainda baseados principalmente nos combustíveis fósseis, muito provavelmente haverá um considerável pico nas emissões globais, comprometendo o orçamento de carbono e exigindo medidas de seqüestro de carbono nos solos e na cobertura vegetal. Se o atraso for maior, cenários indicam que serão necessárias emissões negativas, isto é, mais carbono estocado do que emitido para a atmosfera. Cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês) apontam que para

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O Brasil terá um importante papel nessa expansão, tanto por razões geográficas quanto pelas históricas... manter a rota dos 2 graus centígrados de aumento médio da temperatura global até o final do século, no período entre 2012 e 2100 as emissões globais líquidas e cumulativas de gases de efeito estufa não devem ultrapassar 990 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2eq), dentro de uma margem entre 510 e 1505 GtCO2e . Mantidas as tendências atuais esse orçamento estará esgotado em 30 anos (IPCC, 2013). A melhor forma de estocar energia renovável é através de combustíveis líquidos. Há alguns prospectos ainda incertos em conversão de energias solar-e eólica em combustíveis, mas em

biomassa já existem opções imediatamente viáveis há tempos. Nessa linha, o Potsdam Institut für Klimafolgenforschung (PRIMAP, 2015a) compilou os modelos do 5º. Relatório de Avaliação do IPCC (AR5) numa ferramenta que estabelece relações entre os aumentos médios da temperatura global e o consumo de biomassa. Estabelecendo-se um aumento máximo de 1,5oC médios globais até o ano 2100, as modelagens apresentam aumentos expressivos no uso de biocombustíveis líquidos (de 1 a 23 EJ em 2100) e de bioeletricidade (de 0,5 a 25 EJ, no mesmo período). O Brasil terá um importante papel nessa expansão, tanto por razões geográficas quanto pelas históricas. Resta questionar se as INDCs apresentadas pelo país refletem essa premissa. O texto apresentado pelo Governo indica que o Brasil pretende comprometer-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025. Como contribuição indicativa subsequente, deverá reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Trata-se de uma meta absoluta, abrangendo todo o território nacional e todo o conjunto da economia, incluindo os principais gases de efeito estufa (CO2, CH4, N2O, perfluorcarbonos, hidrofluorcarbonos e SF6). O Brasil


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A matriz energética brasileira é 40% renovável (75% na matriz elétrica)...

pretende cooperar com outros países em desenvolvimento em vários temas, incluindo sistemas de monitoramento florestal, capacitação e transferência de tecnologia em biocombustíveis e manejo de áreas protegidas. As ações de mitigação nacionais seriam “consistentes com a meta de temperatura de 2°C, à luz dos cenários do IPCC (e das circunstâncias nacionais), caracterizados dentre outros pelo uso sustentável da bioenergia, fortalecido pela bem sucedida experiência do Proálcool. A matriz energética brasileira é 40% renovável (75% na matriz elétrica). Dentre as medidas adicionais constam das INDCs um aumento da participação da bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, aumentando a oferta de etanol (inclusive o de segunda geração) e biodiesel. O Brasil pretende ter 45% de renováveis na matriz energética em 2030, tendo os não-hídricos algo entre 28% e 33%. Para a eletricidade, o uso doméstico de renováveis não-hídricos aumentaria a pelo menos 23% até esse mesmo ano (Brasil, 2015). Também para o Brasil será um grande desafio implementar esses compromissos. Assumindo-se o orçamento de carbono de 1000 GtCO2eq até o fim do século (para manter os

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2oC médios de aumento) e considerando-se a participação do dióxido de carbono entre 60% e 80% do total, restaria ao Brasil até o fim do século XXI uma parcela entre 19 e 24 GtCO2eq, correspondentes a cerca de 15 anos de emissão mantidas as condições atuais (PRISMAP, 2015b).

warming to 2.7°C. http://www.ecofys. com/files/files/cat-2015-indcs-lower-projected-warming-oct-2015.pdf Crisp J, 2015. China pours cold water on EU's ambition coalition at COP21. Euractiv, http://www.euractiv.com/sections/climate-environment/china-pours-cold-water-eus-ambition-coalition-cop21-320382

Torna-se clara, assim, a necessidade de uma revisão urgente nas políticas nacionais, incluindo-se o Plano Decenal de Energia, os subsídios aos combustíveis fósseis, a pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis de próxima geração, o aprimoramento dos veículos flexíveis incorporando a tecnologia híbrida elétrica e as regras para a eletricidade descentralizada. Passado o momento de Paris, começarão para todos os países as árduas tarefas domésticas. ●

EC, 2015. COP21: Brazil joins high ambition coalition; group pushes for strong deal European Commission, http://ec.europa.eu/ clima/news/articles/news_2015121101_ en.htm

Referências Brasil, 2015. Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada para consecução do objetivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. República Federativa do Brasil, http:// www.itamaraty.gov.br/images/ed_desenvsust/BRASIL-indc-portugues.pdf CAT, 2015. Climate Action Tracker update: INDCs submitted so far lower projected

IEA, 2014. Energy, Climate Change and Environment: 2014 Insights. International Energy Agency, Paris IPCC, 2013. Working Group I Contribution to the IPCC Fifth Assessment Report. Climate Change 2013: The Physical Science Basis. Summary for Policymakers. Intergovernmental Panel on Climate Change PRIMAP, 2015a. AR5-Scenario-Explorer.Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), https://www.pik-potsdam.de/primap-live/ar5-scenario-explorer/ PRISMAP, 2015b. Intended Nationally Determined Contributions (INDCs) & Scenarios, https://www.pik-potsdam.de/ primap-live/indcs-scenarios/#emissions/ bra/ Introdução


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Artigo

CAPIM ELEFANTE

compactado como combustível nas INDÚSTRIAS CERÂMICAS Seguchi, H. J. M.; Mazzarella, V. N. G.; Katayama, M. T.

INTRODUÇÃO O cenário atual do setor industrial das cerâmicas vermelhas na região de Panorama-SP, mostra a necessidade de buscar fontes alternativas para alimentar os fornos cerâmicos. O combustível utilizado para a queima é atualmente, proveniente de lenha, serragem, maravalha, casca de arroz, etc. Às vezes há necessidade de buscar material fora da região, resultando diretamente no custo logístico. Sem con-

tar que no Brasil, a madeira pode vir de procedência ilegal. Há cerâmicas que utilizavam ou ainda utilizam parcialmente bagaço de cana, que é proveniente de lugares distantes. O bagaço de cana já não constitui fonte de biomassa segura e confiável pela tendência das usinas se adequarem para produção e venda do excedente de energia elétrica, baseada na cana, e a prazo mais longo, por ser este ba-

Figura 1 - Capim elefante com 7 meses de idade.

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Uma gramínea que merece atenção é o capim elefante, devido à alta produtividade, ciclo curto, resistência à estiagem e pragas, baixa necessidade de manutenção... gaço a matéria-prima ideal para obtenção do etanol de celulose, ou seja, de segunda geração. Como consequência, o bagaço, na região de Panorama, passou de R$ 11,00 por tonelada em novembro de 2011 e a preços entre R$ 80,00 e R$ 100,00, em setembro de 2012. Uma gramínea que merece atenção é o capim elefante, devido à alta produtividade, ciclo curto, resistência à estiagem e pragas, baixa necessidade de manutenção e facilidades de adaptação a diversas condições edafoclimáticas. Assim,

o custo desta biomassa acaba sendo relativamente inferior comparada às demais. Uma parceria entre o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo e a Prefeitura Municipal de Panorama, e como parte interessada, a INCOESP - Cooperativa das Indústrias Cerâmicas Vermelhas do Oeste Paulista, localizada em Panorama – SP, resultou num projeto de capim elefante. Deste projeto, foram retiradas informações para o experimento da queima do capim elefante em cerâmica.


Figura 2 - Foto da lajota.

Devido às dificuldades para abastecer as fornalhas nos alimentadores de rosca sem fim, com capim elefante picado (por forrageira), houve a necessidade de buscar formas de alimentação diferentes. A alternativa foi compactar a biomassa em forma de bripells (lenha ecológica com diâmetro de 40 mm). Realizou-se teste de queima de lajotas, utilizando-se os bripells como combustível. METODOLOGIA Os bripells utilizados no teste cerâmico foram produzidos pela própria empresa Bripell, com o capim elefante, resultado do projeto entre IPT e INCOESP. O teor de umidade dos bripells no experimento foi de 12 %. O teste foi realizado na cerâmica São Domingos, em Panorama-SP, no dia 16/03/2016, em forno do tipo abóboda, com 4 silos intermediários que abasteciam as 4 fornalhas, alimentação manual feita pelos encarregados. Dentro do forno foram colocadas cerca de 13.500 lajotas, com peso de entrada de 3,03kg e de saída de 2,80kg cada.

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Foram instalados termopares, um na parte superior e outro na inferior do forno, para medir as temperaturas de queima. Baseado nos termopares, os encarregados de alimentar as fornalhas, controlavam a velocidade da rosca dos silos intermediários. No início, a velocidade da rosca foi ajustada para dar meia volta a cada 100/120 segundos. No decorrer do tempo e aumento da temperatura no forno, foi sendo aumentada a velocidade da rosca sem fim, atingindo uma volta a cada 60 segundos, no final do ciclo. Segundo Oliveira (1996): “...a primeira fase do processo de queima caracteriza-se por aquecimento gradual, denominado “resquente”, a fim de evitar a ocorrência de trincas e fissuras indesejáveis nos materiais, causadas por contrações diferenciais durante a extração da umidade remanescente. Este período pode levar de 8 a 24 h, dependendo da matéria prima, da eficiência do processo de secagem e da geometria e natureza do produto. A segunda fase consiste da queima propriamente dita, denominada

“fogo forte”, onde as temperaturas são elevadas a ritmos maiores...”

longo do ciclo, registradas pelos pirômetros na parte superior e inferior do forno.

Segundo os funcionários da cerâmica São Domingos, as lajotas dentro do forno ficam prontas, quando o termopar localizado na parte inferior indicar a temperatura entre 680 a 710 ºC.

O teste cerâmico com bripells consumiu aproximadamente 6,7 t, duração do ciclo completo de 26 horas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após o término do experimento, as lajotas saíram com boa qualidade visual, afirmaram os operadores da cerâmica.

A tabela 1 mostra a evolução das temperaturas ao

Segundo os ceramistas, o mesmo forno, que foi feito

Tabela 1 - Evolução das temperaturas Hora

T superior do forno (ºC)

T inferior do forno (ºC)

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ça preta, como de costume, quando utilizado cavaco e serragem, mostrando que o bripell de capim elefante é um combustível não poluente. CONCLUSÃO

Figura 3 - Foto do bripell de capim elefante

o teste, consome de 37,5 a 40 m³ de cavaco, num ciclo completo, para queimar o mesmo número de lajotas. O cavaco é obtido ao preço de aproximadamente R$ 40,00 por m³ na região de Panorama. A densidade do cavaco tem em média de 400 kg/m³, podendo variar de acordo com a umidade residual. Geralmente o material é queimado sem controle de umidade.

350,00 a tonelada, quando feito em Ipaussu-SP, local da fábrica. Porém, o diretor-presidente da Bripell, Carlos Fraza, estima que, no caso de plantio de capim elefante e instalação de usina próxima às empresas de cerâmica, a produção desse bripell, já incluídos todos os custos de matéria prima, insumos, homem-hora e financiamento das máquinas, sai em torno de R$ 150,00 t.

O preço do bripell varia na ordem de R$ 300,00 a R$

Foi observado que a chaminé não soltou fuma-

O teste com bripells se mostrou favorável em termos de economia do material. Enquanto que, uma queima com cavaco consome pelo menos 15 t, a queima com bripell consome 6,7 t. A alimentação com bripell pode ser uma alternativa para o setor industrial cerâmico. O plantio de capim elefante, a aquisição de uma usina para produção de bripell, na região de Panorama, é uma opção economicamente favorável ao material utilizado hoje. O custo médio de um ciclo utilizando cavaco, como combustível no forno da cerâmica São Domingos, é de R$ 1.550,00. Caso fosse adquirida uma usina para produção de bripells em Pano-

rama, com a matéria prima disponibilizada localmente, o custo com o combustível de queima, seria algo em torno de R$ 1.005,00. O tempo de ciclo foi reduzido em pelo menos 13% na cerâmica São Domingos. Segundo informado, com cavaco, o ciclo do forno tem uma média de 30h. Como primeiro teste, o bripell mostrou bons resultados. Não houve controle de ar nos alimentadores, o que pode ter resultado num consumo maior de material. É interessante realizar mais testes nos fornos, para tirar conclusões mais precisas. REFERÊNCIAS Oliveira, A. S. de. Recuperação de gases quentes em fornos intermitentes. Aplicação na indústria de cerâmica estrutural. Cerâmica Industrial, 01 (02) Maio/Junho, 1996. Disponível em: < h t t p : / / w w w. c e r a m i caindustrial.org.br/pdf/ v01n02/v1n2_5.pdf>. Acesso em: 30 Mar. 2016. ●

Figura 4 - Balanço térmico de um forno intermitente (unidade: m3 de lenha). 14

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DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE PIRÓLISE RÁPIDA DE BIOMASSA EM LEITO DE JORRO E LEITO FLUIDIZADO Carlos Henrique Ataíde1, Cláudio Roberto Duarte1, Luiz Gustavo Martins Vieira1, Marcos Antônio de Souza Barrozo1, José Antônio Carlos Rosa Junior2, Cláudio Homero Ferreira da Silva2 1 – Universidade Federal de Uberlândia; 2 – Cemig GT. - chataide@ufu.br; jose.ajunior@cemig.com.br

O

Brasil, e mais especificamente o Estado de Minas Gerais, são naturalmente ricos em biomassa.

Os resíduos de biomassa têm enorme potencial para a produção de quantidades significativas de energia e/ou subprodutos, com a vantagem de disponibilidade imediata e ainda contornando as questões polêmicas associadas ao uso da biomassa. Nos últimos anos a tecnologia de pirólise rápida tem recebido especial atenção do setor industrial e dos órgãos governamentais. A pirólise em leitos fluidizados ou jorro concede ao processo maior flexibilidade e capacidade de processar materiais polidispersos de diversos tamanhos. Nesse contexto, surgiu em 2011, o Projeto de Pes-

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quisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D) Cemig GT334, no âmbito do Programa da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), realizado dentro da parceria entre a Faculdade de Engenharia Química da Universidade Federal de Uberlândia e a Cemig GT, com o objetivo de desenvolver o processo de pirólise aplicado a resíduos e com foco energético.

(a)

NA FIGURA 1 É apresentado o sistema experimental construído no projeto. O item (A) indica o reator de pirólise. O sistema de alimentação (B) é composto por dois alimentadores helicoidais em série. O primeiro estágio é composto por uma rosca sem fim acoplada a um mo-

(b) Figura 1 − Unidade de pirólise rápida em leito fluidizado: esquema (a) e detalhamento do protótipo (b) em que: (1) Alimentador; (2) Leito fluidizado; (3) Painel de instrumentação; (4) Ciclone; (5) Condensador; (6) Cold –Trap e (7) Lavador de gás.


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tor de indução trifásico para o controle da taxa de alimentação.

por dois ciclones Stairmand de diferentes tamanhos em série.

capacidade de 30 l e uma serpentina com 9 espirais de 1/4” de diâmetro interno.

O segundo estágio, que recebe a biomassa oriunda do primeiro estágio, tem como função realizar a entrada de biomassa no interior do reator e também é acoplado a um motor de indução trifásico.

O primeiro, de maior dimensão característica, tem como finalidade a remoção dos sólidos maiores presentes nos vapores gerados pelo processo de pirólise.

O tanque é mantido a 80°C por uma resistência elétrica tubular de 2000 W. Após o condensador helicoidal tem-se um sistema com três condensadores tipo cold-trap (F).

A biomassa é armazenada em um silo de aço conectado ao primeiro estágio (C). A taxa máxima de alimentação do reator é de 1,0 kg/h. Para o aquecimento do reator foram utilizadas seis resistências elétricas tipo coleira, que contornam a parede externa do reator operando a uma temperatura de 550°C. O sistema de separação gás sólido (D), conectado à saída do reator, é composto

O segundo ciclone, com dimensão característica menor, tem como objetivo a remoção dos sólidos mais finos presentes nos vapores. O sistema de separação de sólidos é aquecido por uma fita de aquecimento com o intuito de evitar a condensação dos vapores e, por conseguinte, o entupimento da linha. O sistema de condensação é formado primeiramente por um condensador helicoidal (E) formado por um tanque de aço inox com

O primeiro cold-trap foi resfriado com gelo, o segundo com nitrogênio líquido a -120 °C e o terceiro, que através da adição de metanol em seu interior funciona como um leito borbulhante, é também resfriado com gelo. O gás de fluidização utilizado foi nitrogênio industrial N2 (G). Nos ensaios realizados o rendimento de bio-óleo foi de aproximadamente 35%. Para alcançar valores de rendimento de bio-óleo superiores ao alcançados,

o sistema de condensação ou recuperação dos vapores precisa ser melhorado com a instalação de um precipitador eletrostático, por exemplo. A FIGURA 2 Apresenta o cromatograma gerado a partir da análise do bio-óleo produzido na pirólise rápida de bagaço de sorgo sacarino em reator de leito fluidizado a 550°C. De acordo com a Figura 2, os principais compostos obtidos foram: ácido acético (AA), isopreno (IP), limoneno (LM) e furfural (FF). O ácido acético é um importante produto químico industrial, cujo maior uso é como matéria-prima para a fabricação do monômero acetato de vinila, precursor do ácido tereftálico utilizado

Figura 2 − Cromatograma referentes à pirólise rápida de bagaço de sorgo sacarino em reator de leito fluidizado a 550°C.

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Nos ensaios realizados foram alcançados rendimentos médios de biochar na faixa de 30%(peso). O biochar possui um histórico de aplicações, sendo utilizado como combustível sólido nas indústrias, catalisadores, adsorventes de contaminantes ou na remediação do solo na fabricação do polietileno, o qual possui uma ampla gama de aplicações (garrafas, fibras etc.). O isopreno é um subproduto do craqueamento térmico de nafta ou óleo, sendo um produto secundário na produção de etileno.

Aproximadamente 800 mil toneladas são produzidas anualmente. O limoneno é um componente de uma variedade de alimentos e bebidas, sendo usado como aromatizante na fabricação desses produtos. Pode também ser

adicionado a produtos de limpeza para proporcionar fragrância de limão e laranja. Já o furfural é um produto químico valioso amplamente usado como solvente ou reagente orgânico para a produção de medicamentos, resinas, aditivos alimentares, aditivos para combustíveis e outros produtos químicos. Atualmente, furfural é produzido industrialmente a partir de resíduos agrícolas ricos em pentosano. Portanto, a pirólise rápida de bagaço de sorgo sacarino em reator de leito fluidizado pode ser uma alternativa para a produção de uma ampla gama de compostos de alto valor agregado. Adicionalmente, no processo de pirólise rápida tem-se a formação de um resíduo sólido ou o biochar, que permanece após o desprendimento dos materiais voláteis liberados pela biomassa. Os rendimentos de biochar dependem muito do tipo de matéria-prima e das características que envolvem os processos de pirólise como: pirólise lenta ou rápida, temperatura de reação e taxa de aquecimento etc. Nos ensaios realizados foram alcançados rendimentos médios de biochar na faixa de 30%(peso). O biochar possui um histórico de aplicações, sendo utilizado como combustível sólido nas indústrias, catalisadores, adsorventes de contaminantes

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ou na remediação do solo. Este projeto resultou em uma planta experimental que possibilitou a condução de testes que mantém e estimulam mais pesquisas em energia da biomassa, indicando também uma área promissora para negócios futuros. Além disso, possibilitou a formação de recursos humanos especializados, publicações científicas, que em última análise se revertem em benefício da sociedade e cumprem o seu papel como uma pesquisa do Programa de P&D ANEEL. Os resultados científicos deste projeto estão descritos nos seguintes artigos: Carvalho, W. S et al. (2015) Thermogravimetric analysis and analytical pyrolysis of a variety of lignocellulosic sorghum. Chemical Engineering Research and Design, v. 95, p. 337–345. Cardoso, C. R. & Ataíde, C. H. (2015) Micropyrolysis of Tobacco Powder at 500°C: Influence of ZnCl2 and MgCl2 Contents on the Generation of Products. Chemical Engineering Communications, v. 202:4, p. 484-492. Oliveira, T. J. P., Cardoso, C. R., Ataíde, C. H. (2015) Fast pyrolysis of soybean hulls: analysis of bio-oil produced in a fluidized bed reactor and of vapor obtained in analytical pyrolysis. Journal of Thermal Analysis and Calorimetry, v. 120, p. 427– 438. ●


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Implicações do Acordo de Paris

no Setor Eólico Brasileiro

Elbia Silva Gannoum Presidente Executiva da ABEEólica - Associação Brasileira de Energia Eólica

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m Dezembro de 2015 foi publicado pela ONU o acordo firmado entre 195 Nações e visa o estabelecimento de metas para manter o aumento da temperatura global a 1,5ºC, como combate às consequências ambientais das Mudanças Climáticas. Este tema é intensamente discutido e analisado por pesquisadores ha pelo menos 24 anos, quando foi realizada a primeira reunião entre líderes mundiais para esta finalidade, evento conhecido como Eco-92. Desde então, o que se observou foi um árduo debate internacional sobre a eficácia destes acordos e até

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mesmo da autenticidade das análises ambientalmente catastróficas provenientes das pesquisas relacionadas ao Clima. Dos acordos produzidos nestas duas décadas, apesar de haver opiniões contrárias, o de Paris parece ser o mais adequado para a finalidade em causa, além de ser um relevante produto da Diplomacia. A participação do Brasil foi destaque nesta conferência, muito embora as expectativas para a assinatura do documento estivessem voltadas para os grandes poluidores mundiais: China e Estados Unidos da América. Nosso País deve reduzir as

emissões de gases do efeito estufa em 43% até 2030, tendo como base os valores de 2005. De todas as metas apresentadas pelo Brasil, consideradas ambiciosas pelo Governo Federal, a redução do desmatamento é a mais crítica e a mais questionada pelos especialistas, por classificarem que o desmatamento ilegal, por sua natureza, não deveria compor tal meta. Sob esta ótica, o agronegócio será o setor divisor de águas. Para o setor da energia, o Brasil apresentou como metas os seguintes pontos: alcançar uma participação estimada de 45% de ener-

gias renováveis na composição da matriz energética em 2030, incluindo a expansão do uso de fontes renováveis, além da energia hídrica, na matriz total de energia para uma participação de 28% a 33% até 2030; a expansão do uso doméstico de fontes de energia não fóssil, aumentando a parcela de energias renováveis (além da energia hídrica) no fornecimento de energia elétrica para ao menos 23% até 2030, inclusive pelo aumento da participação de eólica, biomassa e solar. É consenso atualmente que, é urgente a necessidade em tomar uma medida


de ação e controle ambiental mundial para salvaguardar as futuras gerações dos impactos nocivos das Mudanças Climáticas, mas considerando o histórico poluidor dos diferentes países, condições econômicas e a fragilidade ambiental em receber as alterações provenientes deste impacto, como é o caso das ilhas. Os principais pontos de crítica ao conteúdo final ficam a cargo da não previsão de verificação do cumprimento das metas, e também a possibilidade não haver financiamento suficiente para todas as iniciativas ambientais a serem planejadas. Contudo, a boa notícia é que o montante de 100 bilhões de dólares será destinado, anualmente, aos países em desenvolvimento para que possam desenvolver sem prejuízo todos os programas com vistas a atender as me-

tas propostas no início da conferência. O Brasil é um país tradicionalmente intensivo no uso das fontes renováveis impulsionado pelo uso histórico dos abundantes recursos hidroelétricos. Neste sentido, o país é destaque pela geração de energia elétrica limpa e renovável, preponderantemente, hídrica, onde a eólica é complementar. Em 2013, 41% da matriz energética era proveniente de fontes renováveis, contra menos de 20% da média mundial em 2011. Adicionalmente, o País dispõe de diversas opções de geração de energia limpa e competitiva para sua expansão, incluindo a hidroeletricidade, a cogeração, a biomassa e a energia eólica. Sendo, por esta razão, uma das economias mais eficientes na geração de PIB por consumo energético.

Neste cenário, a matriz elétrica brasileira vem mudando gradativamente, principalmente nos últimos dez anos, com destaque para os últimos cinco anos, devido à forte participação da fonte eólica nos leilões competitivos do Setor Elétrico. O Brasil começa a mudar a configuração tradicional de sua matriz hidro-térmica para renovável-térmica, a partir da introdução de outras fontes renováveis como fonte complementar a tradicional hidrelétrica. Seja pelo natural e gradativo esgotamento dos recursos hidrelétricos economicamente e ambientalmente aproveitáveis, seja pela necessidade de garantir uma maior segurança do abastecimento do sistema. Neste processo, o PROINFA - Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, criado em 2002 no auge da crise de oferta de energia, e implementado a

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Figura 1: Matriz elétrica nacional atual e para 2024.

partir de 2004 contratou no total 3.300 MW de potência, dividida entre as fontes Eólica, PCH e Biomassa. A partir deste período, a configuração da matriz elétrica brasileira vem se modificando, com a importante introdução das então chamadas fontes de energia renováveis complementares, com destaque para a fonte eólica conforme figura 1 apresentada abaixo, com a configuração da matriz atual e matriz para 2024, conforme dados do Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE da EPE. Muito recente no Brasil, a energia eólica já vem contribuindo em grande grau para o desenvolvimento do País, abastecendo nos dias de hoje cerca de 14 milhões de lares brasileiros, ou 40 milhões de habitantes, correspondendo, portanto por 6% da capacidade total instalada de energia elétrica no País.

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A título de comparação, a Europa, pioneira nos investimentos em fonte eólica, no final dos anos 70 durante a segunda grande crise do petróleo, percebeu a sua forte dependência energética na medida em que utilizava para a produção de energia elétrica o carvão e os derivados do petróleo, sendo esses insumos importados. No início dos anos 90, com o objetivo de reduzir essa dependência e ter mais autonomia na produção de um insumo vital para qualquer economia, a energia elétrica, os países europeus fizeram grandes investimentos na produção de tecnologia das até então chamadas fontes alternativas. Tais fontes trariam naturalmente, por um lado, a independência desses países em termos energéticos e, portanto, maior segurança nacional e, por outro, a possibilidade de produção de energia a partir de fontes limpas e renováveis contribuindo para a re-

dução da emissão de CO2 e a consequente redução do aquecimento global. Por possuir um drive diferente e um tempo diferente, destaque-se o papel das hidrelétricas, supramencionado, o Brasil iniciou fortes investimentos na fonte eólica a partir do final do ano de 2009, uma vez que a produção de energia do país sempre obedeceu ao quesito de independência energética e de baixa emissão CO2, dada a grande fatia da produção de energia elétrica do Brasil proveniente da hidroeletricidade. Em tempos que os grandes potenciais hidrelétricos estão se tornando cada vez mais escassos, nota-se a necessidade de aumentar a oferta de energia para atender o mercado brasileiro, em trajetória de crescimento em termos de consumo de energia, o Brasil vem diversificando fortemente sua matriz elétrica, construindo

um mix de geração de energia com forte predominância hidrelétrica e inserindo cada vez mais outras fontes renováveis. É neste cenário que a indústria de energia eólica brasileira vem ocupando cada vez mais espaço no País, sendo hoje a segunda fonte mais competitiva e também a segunda mais contratada. Foram contratados desde 2009, a partir do primeiro leilão competitivo com participação eólica, mais de 14 GW de capacidade eólica instalada, isto significa cerca de 50% do que foi contratado nos últimos 5 anos quando somamos todas as fontes: nuclear, hidrelétrica, carvão, biomassa e outras. A energia eólica hoje já instalada representa cerca de 6% do total de energia para o sistema, atingindo picos de 10% em atendimento a carga brasileira, e vai crescer fortemente nos próximos anos chegando a 12% em 2020, e já alcançando a segunda posição na matriz em termos de capacidade instalada. Atualmente a hidrelétrica está na primeira posição em torno de 65%, seguida pela termelétrica a gás natural e biomassa com cerca 10% cada. Em termos de potencial, a possibilidade de produção de energia eólica no Brasil é quase infinita, temos potencias eólicos de altíssima qualidade no Nordeste e Sul do País, e, mais recentemente, os estudos eólicos têm apresentado potenciais em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e outros estados que estiveram fora da rota da energia dos ventos no passado. A revolução tecnológica com destaque para a altura das torres e potência da máquina, do aerogerador, vem permitindo essa


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De acordo com o “Climatescope 2014” da Bloomberg New Energy Finance, dos 22 bilhões de Reais investidos em fontes renováveis no Brasil, 18 bilhões de Reais foram para a fonte eólica configuração. Estima-se que o potencial eólico brasileiro está em torno de 500 GW, o que é cerca de três vezes a necessidade atual de energia do País. Fonte de energia que muito vem contribuindo para a geração de energia elétrica e, portanto, para a segurança do sistema; a eólica permitiu que o Brasil alcançasse patamares jamais experimentados por outras

economias em termos de competitividade de preços. Além disso, encerramos o ano de 2014, como um dos países que mais investem em energia eólica no mundo, fomos classificados, como o 4º País que mais instalou nova potência eólica, passamos agora a fazer parte do TOP TEN em capacidade instalada, sendo o décimo país atualmente, e ainda, fomos classificados como o 2º país mais atrativo

para investimentos em energia renovável, com destaque para a fonte eólica. De acordo com o “Climatescope 2014” da Bloomberg New Energy Finance, dos 22 bilhões de Reais investidos em fontes renováveis no Brasil, 18 bilhões de Reais foram para a fonte eólica. O Gráfico abaixo mostra a trajetória virtuosa de crescimento da fonte. A despeito do virtuoso crescimento em termos de capacidade instalada, a fonte eólica, possui poucos projetos cadastrados no MDL, conforme dados do MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, figura 2. No entanto, a contribuição ambiental destes projetos para além dos conhecidos ganhos socioambientais, também pode ser medida pelas emissões anuais evitadas pela operação do parque gerador. Considerando a excepcional geração anual, conferida pelas características dos ventos brasileiros

Figura 2: Desenvolvimento da Fonte Eólica no Brasil

que são as mais adequadas para a geração de eletricidade, proporcionando fatores de capacidade médios anuais de 41%, a Setor Eólico já evitou mais de 19 milhões de toneladas de CO2. No dia 02/11/2015, por exemplo, o parque gerador eólico foi responsável por atender 10% das necessidades elétricas do Sistema Interligado Nacional. Para a Conferência do Clima deste ano, foi apresentado pelo Brasil, um estudo realizado pelo MCTI, com o objetivo de reunir informações vinculadas ao Anexo II dos projetos de MDL em energia eólica e conhecer as iniciativas desenvolvidas pelas empresas e seus impactos positivos nas localidades no entorno dos parques, além disso, o estudo também contemplará aspectos de sustentabilidade nas iniciativas implementadas. O foco estratégico deste estudo é informar aos participantes da COP 21 os ganhos gerais de sustentabilidade dos empreendimentos eólicos instalados no Brasil, motivando condições mais adequadas para a incorporação destes projetos no MDL. Em uma análise geral, é possível afirmar que o Setor Eólico possui a atenção de um amplo mercado de Carbono por explorar. Esta é ainda uma nova possibilidade do Setor colocar, mais uma vez, o Brasil em um patamar único de sustentabilidade relacionado ao Setor Elétrico.

Fonte: ABEEólica

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Naturalmente, o desenvolvimento desta perspectiva depende dos desdobramentos internacionais sobre o comércio de Carbono e os dos rumos das po-


Figura 3: Evolução dos Projetos Eólicos Brasileiros cadastrados no MDL

...cerca de 40% de sua matriz em fontes renováveis complementares, nesse cenário, a fonte eólica será, sem dúvida, a principal protagonista líticas internacionais sobre sustentabilidade, que podem ser modificadas diante da manifestação de maior participação financeira dos países emergentes nestas

Fonte: MCTI/ABEEólica

questões, diferentemente do modelo político adotado até o momento. O Setor Eólico prossegue na expectativa dos melhores resultados das discussões de Paris para que os fatores econômicos acompanhem a sustentabili-

dade em prol da diplomacia e da boa organização internacional. O Brasil tem todas as condições para compor uma matriz elétrica limpa e renovável, que além das hidrelé-

tricas, pode ter, de acordo com as declarações da Presidente na ONU, cerca de 40% de sua matriz em fontes renováveis complementares, nesse cenário, a fonte eólica será, sem dúvida, a principal protagonista. ●

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Entrevista

FC Favali é destaque há mais de 25 anos atuando no estado do PR Apresentando solução para vários clientes, no segmento de acionamento mecânico, distribuidor e representante autorizado da Rexnord a fábrica licenciada no Brasil, pela FALK para produzir os produtos originais FALK. A FC Favali possui ao longo desses anos de existência contratos de fornecimento com grandes, médias e pequenas empresas, reservando um estoque dirigido a elas. Informamos ainda que além de uma estrutura composta de vendedores técnicos e suporte técnico para as empresas a FC Favali possui o maior estoque de acoplamentos do sul do Brasil, vendendo inclusive Redutores de velocidade Falk, ventiladores centrífugos e filtros de ar do fabricante Bernauer. Revista Biomassa BR - COMO COMEÇOU A HISTÓRIA DA FC FAVALI, QUANDO FOI FUNDADA E QUEM FORAM SEUS FUNDADORES? Após me formar em Engenharia Mecânica por indicação de minha professora de Matemática Isabel comecei minha trajetória profissional na empresa Margotti do Grupo Matarazzo, onde trabalhei durante 5 anos. Passado esse período, me desliguei da empresa, foi quando achei em um jornal, uma grande oportunidade de emprego, na empresa Falk do Brasil, uma

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Figura 1 - Sede FC Favali em Curitiba / PR.

Achei um um jornal, uma grande oportunidade de emprego, na empresa

• Redutor de velocidade de Engrenagens helicoidais RBBR - EM 2005, VOCÊ TEVE UM PROBLEMA COM UM GRAVE ACIDENTE, QUE ACABOU VIRANDO HISTÓRIA DE VIDA E SUPERAÇÃO, NOS FALE UM POUCO SOBRE ESTE PERÍODO?

atividades...

Fui contratado pelo Porto de Paranaguá/PR para uma inspeção em um equipamento que estava com problema. Fui juntamente com três técnicos, para fazermos a inspeção no equipamento, que apresentava problemas. Após uma criteriosa análise, constatei o problema que era um parafuso solto na base, ao apertar o parafuso, em um rápido acidente, caí embaixo de um acoplamento hidraulico com 1750 RPM, força de 250CV, onde bati o crânio, causando graves lesões.

filial no Brasil, da Matriz nos Estados Unidos, onde iniciei minhas atividades na empresa como Auxiliar orçamentista, depois promovido para Engenheiro de Vendas, Supervisor, Gerente de Vendas SP, Gerente Nacional de Vendas.

Foram momentos tensos com para todos que estavam perto do ocorrido, depois disto houve uma dura luta contra a vida e a morte com cirurgias e tratamentos em hospitais. Aos 46 anos me deparava com uma situação que então mudava toda a minha vida.

Falk do Brasil, uma filial no Brasil, da Matriz nos Estados Unidos, onde iniciei minhas

RBBR - QUAIS ERAM OS PRODUTOS COMERCIALIZADOS NO COMEÇO DA HISTÓRIA DA FC FAVALI? Os produtos comercializados eram: • Acoplamentos mecânicos industriais

Vicente Favali, pai, amigo e companheiro foi muito importante neste período, me ajudando, apoiando, e ainda ficando a frente da empresa, isto aos 71 anos, já aposentado. RBBR - SABEMOS QUE SUA PARTICIPAÇÃO COM ESPORTES, ALIMENTAÇÃO


"Vicente Favali, pai, amigo e companheiro foi muito importante neste período, ajudando apoiando e ainda ficando a frente da empresa, isto aos 71 anos, já aposentado"

Figura 2 - Edelsio Favali

SAUDÁVEL, CONTRIBUIRAM MUITO PARA SUA REABILITAÇÃO. QUAIS ERAM SUAS PRINCIPAIS ATIVIDADES ESPORTIVAS?

PRODUTOS DE ALTA QUALIDADE. NO CASO DA FALK, QUAIS OS TIPOS DE PRODUTOS QUE A EMPRESA OFERECE AO MERCADO?

Minha forte ligação com esportes sempre foi algo presente na minha vida como a natação, tênis e ciclismo tenho certeza que me ajudou e ainda me ajuda muito, neste processo de recuperação.

Acoplamentos mecânicos e Redutores de velocidade. Trata-se de equipamentos fabricados por um dos principais players do mercado, sendo assim todos nossos clientes são atendidos com o que há de melhor no mercado.

RBBR - A EMPRESA ESTA FOCADA EM ABRIR NOVOS MERCADOS E ATINGIR NOVOS CLIENTES, QUAL A ESPECTATIVA DA EMPRESA PARA 2016 EM TERMOS DE CRESCIMENTO?

RBBR - RECENTEMENTE A EMPRESA FECHOU UMA NOVA PARCERIA PARA FORNECIMENTO DE PRODUTOS DA MARCA, BERNAUER DE SÃO PAULO, PARA DISTRIBUIÇÃO DE VENTILADORES INDUSTRIAIS. QUAIS OS DIFERENCIAIS OFERECIDOS NOS VENTILADORES BERNAUER?

Prospectar novos clientes, oferecendo produtos com alta qualidade e tecnologia, aumentar a carteira de clientes, além de novas parcerias estratégicas. RBBR - A FC FAVALI POSSUI PARCERIAS ESTRATÉGICAS PARA DISTRIBUIÇÃO DE

Sim, para distribuição de Filtros de manga.

nhecidos globalmente, produtos com alta excelência de produção e performance elevado. RBBR - QUAL O SEGREDO DO SUCESSO DOS 25 ANOS DA FC FAVAL? Trabalho, determinação, seriedade e perseverança. Iremos participar da Feira EXPOBIOMASSA em junho, estamos muito contentes com a participação da empresa no evento, estamos confiantes em abrir novas portas e oportunidades.●

Para maiores informações acesse: www.fcfavali.com.br

Produto com tecnologia Alemã, recoRevista Biomassa BR

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Grupo Mídia Forte. Cinco mídias. Uma só força! Celulose Online, Biomassa BR, Remade, Biomassa World e Painel Florestal se unem em parceria inédita

N

esta semana as redes sociais e grupos de whatsapp relacionados ao setor de florestas plantadas, biomassa, celulose, papel e energia renovável repercutiram um convite misterioso: Junte-se à nossa força!

Foto: Lançamento do Grupo Mídia Forte na Feira AGRISHOW

Sem revelar o significado da sigla GMF a campanha alcançou mais de 100 mil visualizações em apenas uma semana. O segredo foi finalmente revelado nesta terça-feira, 26, pontualmente às 17 horas, na Agrishow, a maior feira de máquinas agrícolas do país, em Ribeirão Preto (SP). GMF é a abreviação de Grupo Mídia Forte, uma nova plataforma de mídia online segmentada que nasce da parceria dos cinco principais veículos de comunicação do Brasil: Celulose Online, Biomassa BR, Remade, Biomassa World e Painel Florestal. Teaser da campanha que alcançou mais de 100.000 visualizações. O Grupo Mídia Forte preserva a independência editorial e societária de cada um dos veículos mas reúne, na mesma plataforma, a comercialização de publicidade e inteligência de comunicação. Juntos, são responsáveis por mais de 80% de todo o conteúdo jornalístico produzido no país e ultrapassam 500 mil visualizações por mês. Nenhum assunto, evento ou discussão relevante do setor, no Brasil e no mundo, passará despercebida pelo Grupo Mídia Forte, ressaltou Robson Trevisan (diretor do Painel Florestal), durante o lançamento que também teve as pre-

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senças de Leandro Lança e Matheus Valêncio (diretores do Celulose Online), Tiago Fraga (diretor comercial do Biomassa BR), Leidiane Cardoso (diretora de marketing do Biomassa World) e Fabiano Rodrigues (diretor de

Mesmo antes do lançamento, o sistema Pontos de Visibilidade - como será chamado - já atraiu clientes como a dinamarquesa Ellegaard que escolheu o Grupo Mídia Forte para divulgar seu produto Ellepot no Brasil marketing do Painel Florestal). Clóvis Rech (sócio fundador do portal Remade) não pôde estar presente em Ribeirão Preto mas está otimista com a atuação do Grupo Mídia Forte. Fomos pioneiro nesse mercado e estamos felizes em participar de mais uma novidade, 20 anos depois, comentou Rech. Pontos de Visibilidade O Grupo Mídia Forte inaugura uma nova forma de comercializar e exibir anúncios online que garante a entrega do que é contratado pelo cliente. Vamos proporcionar a maior visibilidade da internet. São mais de 500 mil visuali-


zações por mês, reforçou Leandro Lança, responsável pela área comercial do GMF. Mesmo antes do lançamento, o sistema Pontos de Visibilidade - como será chamado - já atraiu clientes como a dinamarquesa Ellegaard que escolheu o Grupo Mídia Forte para divulgar seu produto Ellepot no Brasil. "Precisávamos obter o melhor aproveitamento e visibilidade possível com um único orçamento. O Grupo Mídia Forte permitiu que multiplicássemos por cinco o nosso alcance", comentou Darcy Werneck, gerente de exportações da Ellegaard. Cheila Araújo, analista de marketing da Saur, prestigiou o lançamento do GMF e ficou entusiasmada com a possibilidade de multiplicar por cinco a visibilidade da sua marca. Adriano Moraes, da Unibras e Dyme Anderson, da Roder, também parabenizaram a iniciativa.

do dos profissionais envolvidos e é amparada pela Fundação de Pesquisas e Estudos Agrícolas e Florestais (FEPAF) da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp/Botucatu (SP). A Fepaf é responsável pela auditoria de estatísticas e conteúdo e também pelo faturamento do Grupo Mídia Forte. O coordenador do curso de engenharia florestal da FCA, professor Dr. Saulo Guerra é um dos incentivadores do projeto. "Vi que a comunicação do setor poderia ser mais organizada. Sugeri, eles toparam e está aí, Grupo Mídia Forte se transformando em realidade", finalizou Guerra. ●

André Magrini, da Husqvarna, achou muito interessante a ideia. "Chegou em boa hora!", ressaltou. Parceria de peso Além de otimizar o investimento do cliente, a plataforma GMF conta com a inteligência de comunicação e merca-

www.grupomidiaforte.com.br


COSAN E SUMITOMO CRIAM JOINT VENTURE PARA PRODUZIR E COMERCIALIZAR PELLET DE BIOMASSA DE CANA-DE-AÇÚCAR A Cosan Biomassa nasce com tecnologia brasileira e apoio da FINEP e voltada a um mercado mundial de US$ 4 Bilhões

A

Cosan, um dos maiores conglomerados de energia e infraestrutura do Brasil, e a japonesa Sumitomo Corporation, um dos maiores grupos econômicos do Japão, assinaram começo do ano, em cerimônia na Embaixada Brasileira em Tóquio, a formação de uma joint venture que será a primeira empresa no mundo a produzir e comercializar pellets de biomassa produzidos a partir de palha e bagaço de cana-de-açúcar. O negócio deverá passar pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de autoridades reguladoras europeias. A tecnologia inédita criada pela Cosan usa exclusivamente resíduos de cana-de-açúcar para produzir pellets que podem substituir o carvão mineral, gás natural e óleo combustível na geração de energia elétrica e calor.

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Chamada de Cosan Biomassa, a nova empresa já possui uma planta de produção na região de Jaú, interior de São Paulo, com capacidade instalada de 175 mil toneladas de pellets por ano. O plano é expandir a produção para 2 milhões de toneladas até 2025, e para 8 milhões de toneladas no futuro, confirmadas as expectativas de retorno e a demanda potencial para este produto. A Cosan terá 80% e a Sumitomo 20% do capital da joint venture. Diversos países já têm metas para geração de energia renovável e sustentável, entre eles Japão, Coreia do

Sul e Inglaterra. Um estudo publicado pela Comissão Europeia no início deste ano revelou que o uso da biomassa é a maneira mais econômica de atingir as metas estabelecidas para redução de emissão. A perspectiva é que nos próximos cinco a n o s a demanda mundial por pellets de bi o m assa salte das 25 milhões de toneladas comercializadas hoje para aproximadamente 40 milhões. Atualmente, a matéria-prima predominante no setor é oriunda da madeira plantada na Europa, Estados Unidos e Canadá. “O Japão deve importar entre dez e vinte milhões de toneladas de biomassa

peletizada até 2030. Acreditamos que uma parcela relevante desta demanda será atendida pela biomassa de cana-de-açúcar disponível no Brasil. A produtividade da cana no Brasil e o fato de utilizarmos um resíduo como matéria-prima criam um diferencial de sustentabilidade único no mundo”, afirma Yoshi Kusano, gerente geral de Biomassa da Sumitomo Corporation. Com o aumento expressivo na demanda por biomassa sustentável, a cana-de-açúcar tem o potencial de suprir uma parcela crescente do mercado. Estima-se que há um potencial de cerca de 80 milhões de toneladas de pellets que poderiam ser geradas apenas pelo setor sucroalcooleiro no Brasil e que hoje ainda não é explorado – o montante equivale a três vezes o mercado mundial de biomassa peletizada. Apenas no estado de São Paulo este


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potencial chega a 45 milhões de toneladas de pellets. “O Brasil já está entre os maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo. O pellet de biomassa é uma nova commodity que está nascendo para atender a economia de baixo carbono”, diz Mark Lyra, CEO da Cosan Biomassa. “Com o aproveitamento dos resíduos agrícolas da cana-de-açúcar e a crescente preocupação com a mudança climática no mundo, o Brasil está posicionado para se tornar a Arábia Saudita da energia sustentável.” A perspectiva é de fazer o primeiro embarque de pellets para uma grande geradora de energia europeia ainda neste ano. A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) é financiadora do negócio e apoia o projeto desde seu início, em 2010. “O setor sucroenergético sabe muito bem como explorar a energia do caldo da cana de açúcar, mas isso corresponde a apenas um terço da energia produzida pela planta. Dois

terços da energia da cana está na biomassa e hoje tal energia é aproveitada de maneira pouco eficiente ou desperdiçada completamente”, afirma Wanderley de Souza, presidente da FINEP. “Com financiamento pioneiro em tecnologia e inovação de processos, ajudamos a criar um novo mercado que, por sua vez, viabilizará investimentos em eficiência para vitalizar o setor.” Os principais mercados-alvo da Cosan Biomassa são Europa, Japão e Coreia do Sul que ainda hoje têm 30% de sua energia proveniente do carvão mineral. No Brasil, onde o gás e o óleo têm custo alto, a biomassa é uma alternativa bastante competitiva e grandes indústrias já demonstraram interesse. A união com a Sumitomo, uma das maiores tradings de Biomassa do mundo, envolve a criação de um novo mercado interessado em novas fontes de energia sustentável. Os Estados Unidos e Canadá exportaram em 2015 mais de 6 milhões de toneladas para Europa

e Ásia enquanto o restante foi produzido localmente. O governo americano estuda a possibilidade de utilizar biomassa para reduzir sua dependência no carvão mineral. Nesse caso, se apenas 5% do carvão for substituído por biomassa, o mercado norte americano rapidamente passará de exportador para importador, pois serão

necessários 28 milhões de toneladas adicionais por ano para atender tal demanda. Somente com a demanda crescente na Europa e na Ásia o mercado precisará de 15 milhões de toneladas adicionais até 2030 e o maior recurso de biomassa não explorado do mundo se encontra no setor sucroenergético brasileiro. ●

Cosan Biomassa - Vista aérea - Divulgação

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Empresas de Sucesso

"Para Charles Cava (Diretor), esta mudança é muito significativa, tendo em vista que o espaço é bem maior do que o antigo" A METALCAVA Inaugurou recentemente seu novo espaço fabril na cidade de Lontras / SC. O espaço conta com aproximadamente 6000m², tendo como destaque a nova “fundição”, e o espaço para inclusão de novas máquinas e tecnologias no processo de fabricação dos equipamentos.

Ferramentas para construção civil, marcenaria, manutenção industrial, e outros

Mercado Nacional, e latino americano

RBBR - Sabemos que a empresa tem equipamentos específicos para a Biomassa, quais destes equipamentos você destacaria, e quais seus diferenciais? •

Picadores, Descascador de torras por tambor / Projeto e fabricação 100% nacional

Ótima qualidade do produto a ser industrializados, fácil manutenção e baixo custo

REVISTA BIOMASSA BR - Como se iniciou a caminhada empresarial da METALCAVA? CHARLES CAVA - Fazendo Manutenção de máquinas diversos seguimentos, pecas para fabricante de máquinas e ferramentas na área têxtil, automotiva madeireira, alimentícia, agrícola, e outros. RBBR - Quais eram os primeiros equipamentos produzidos pela empresa? Prensas hidráulicas, Guinchos hidráulicos conhecido como (Girafas), lixadeira para madeira, e tanque para lavação de jeans {Bombas para agua, válvulas, hélices, anilhas, luminárias , Roldanas , e outros, todos em bronze e inox para setor pesca.}

Picador a Tambor PTM 200x400 Cliente Usina Salto Pilão-SC RBBR - Como você imagina o crescimento da empresa para os próximos 05 anos? Acreditamos que economia pare de retrair em breve, com isso podemos crescer de forma considerável. Para os próximos 05 anos é provável que a empresa aumente a sua demanda em torno de 50%, lançando novas linhas e produtos em todos os seguimentos em que atua.

RBBR - Quais as linhas que a empresa produz hoje e para quais mercados? •

Máquinas para madeireira, Biomassa

Concessionárias, Oficinas para manutenção de motocicletas

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www.metalcava.com.br


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Eventos

Confira a programação do CIBIO 2016 Congresso Internacional de Biomassa MANHÃ Sessão 01 – 15 de junho de 2016 – Biomassa Florestal Palestrantes • CREDENCIAMENTO • Abertura AUTORIDADES • Perspectiva estratégica do Mercado Global de Biomassa - MARKUS LEHMANN (CANADÁ) TRIPLE CERTIFICATE: GU (WASHINGTON, USA.) FGV - EBAPE (RIO DE JANEIRO, BRAZIL) ESADE (MADRID) • Coffee break • Pellets Biomassa Valor Agregado - DORIVAL PINHEIRO - Presidente ABIPEL • Briquetes e Cavacos de Madeira - DR. JOSÉ DILCIO - EMBRAPA AGROENERGIA • Florestas Energéticas - EDILSON BATISTA DE OLIVEIRA - EMBRAPA FLORESTAS PARANÁ • Equipamentos para produção e Queimadores de pellets - LEANDRO LEMOS – GELL GABOARDI • Perguntas e debate • Encerramento manhã TARDE Sessão 02 – Biomassa Florestal • Florestas Energéticas - GIORDANO CORRADI - CIBIOGAS • Estudos CEMIG Biomassa e Bioenergia - DR. CLÁUDIO HOMERO - CEMIG • Biomassa Florestal - DR. VINÍCIUS CASSELI – ALEMANHA • Florestas de alta produtividade: Tecnologia e Resultados concretos na produção de biomassa - PEDRO FRANCIO FILHO - Diretor UNISAFE Consultoria • Micro e Mini Geração de Energia - RODRIGO DUARTE - Diretor da SOLLIDA ENERGIA • Coffee break • Processo integrado de trituração e secagem de biomassa - JOSÉ CARLOS BIANCHINI SOTTOMAIOR (ECOPRODUCTS) • Debate - Mediador: RAFAEL MOREIRA (FIEP) • VISITAÇÃO A FEIRA EXPOBIOMASSA • Encerramento do dia

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Dia 02 – 16 Junho 2016 – Quinta-feira MANHÃ Sessão 03 - Sucroenergia Situação atual do setor sucroenergético, com ênfase na geração de energia com bioeletricidade - DRA. ELIZABETH FARIA - Pres. da UNICA Cogeração - LEONARDO CAIO - COGEN Coffee break Tecnologias para conversão de biomassa: Etanol Celulósico e Química Verde - ANDRÉ LEONARDO LEITE - ANDRITZ BRASIL Biodigestão e aproveitamento do biogás para geração de energia - RODRIGO AUGUSTO FRANCO - SENAI Tendências tecnológicas para biocombustíveis - REGINALDO JOAQUIM DE SOUZA – Diretor TECPAR Debate Mediador Encerramento manhã TARDE Sessão 4 – Sucroenergia e Biogás Energia de biomassa com Capim Elefante - CARLOS BASTOS (ENERVILLE - PA) Lançamento do estudo Oportunidades da Cadeia Produtiva de Biogás para o Estado do Paraná - MARCO ANTONIO AREIAS SECCO – Diretor Regional SENAI PR Cana e Energia - MARCELO PIEROSKI - Consultor Produção de Bio-óleo de cana integral - RICARDO BALDASSIN JUNIOR - Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético - Nipe – UNICAMP Geração de Energia Elétrica TGM Turbinas - JOSÉ SERRA Energias Renováveis: ferramenta estratégica para o desenvolvimento territorial - RODRIGO RÉGIS (Presidente da CICIOGÁS) Gaseificação e secagem da biomassa de alto rendimento com CO₂ - PATRICK MAGEM E ANNA BERTOLAZZO - SEEBRASIL Linhas de financiamento para energias renováveis - RONALDO RIBAS - BRDE Debate - Mediador: CELSO KLOSS (PARANÁ METROLOGIA) VISITAÇÃO A FEIRA EXPOBIOMASSA

Tiago Fraga – COORDENADOR GERAL CIBIO / EXPOBIOMASSA

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Laboratório Agroflorestal de Biomassa e Bioenergia é inaugurado na Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu O professor PhD Saulo Guerra vai coordenar os estudos, pesquisas e mais ações visando à integração entre universidades e empresas. Painel Florestal - Elias Luz

O

s estudos voltados para a biomassa e bionergia serão intensificados na Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp em Botucatu, na Fazenda Lageado. O motivo: a inauguração do Laboratório Agroflorestal de Biomassa e Bioenergia (LABB) no campus da Fazenda Lageado. O LABB vai permitir o avanço e a intensificação de pesquisas nas mais variadas fontes de biomassa, com destaque para o eucalipto e cana de açúcar, além de novos estudos e pesquisas.

O professor Saulo Guerra (camisa branca) apresentando o LABB

A coordenação nos trabalhos no LABB ficará a cargo do professor PhD Saulo Guerra, um dos idealizadores do projeto. Saulo Guerra destacou o apoio de todo o corpo docente e discente na construção do LABB. "Agora dispomos de um amplo espaço físico, com áreas experimentais, para análises físicas e químicas, além dos trabalhos com automação e mecanização", observou Saulo Guerra, que vai intensificar os trabalhos de interação da FCA com as empresas atuantes no setor agroflorestal. O LABB assumiu a liderança científica do Programa Cooperativo sobre Mecanização e Automação Florestal, que pertence ao Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), em um trabalho que envolve fabricantes de máquinas, equipamentos e implementos em busca do aumento da representatividade do setor florestal, com ações de integração entre universidades e empresas. Na parceria com empresas, há o trabalho em conjunto com a New Holland – conhecido como Colheita de Biomassa Florestal – que processa as árvores em cavaco, bem como o sistema de transbordo da matéria-prima até a central de consumo.

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O LABB realiza diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária, com destaque para o programa de pós-graduação em Agronomia – Energia na Agricultura, que trabalha com dinâmica do solo na interação com rodados e ferramentas agrícolas e tecnologia de produção de biomassa agrícola e florestal. O LABB também coordena, conjuntamente com outros docentes, departamentos e grupos de pesquisa da FCA, eventos nas áreas de mecanização e silvicultura como o Simpósio de Prevenção de Acidentes com Máquinas Agrícolas e o Dia de Campo Florestal. ●


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Revista Brasileira de Biomassa e Energia

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