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Edição Nº 23- Jan/Fev

www.revistabiomassabr.com

GERAÇÃO DE ENERGIA com

BIOMASSA FLORESTAL ganha força no Brasil


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w w w.revistabiomassabr.com EDIÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Thayssen Ackler Bahls MTB 9276/PR

GERÊNCIA

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DIREÇÃO COMERCIAL Tiago Fraga

COMERCIAL

Cláudio F. Oliveira, Douglas Garcia

CHEFE DE EDIÇÃO

Dra. Suani Teixeira Coelho

CONSELHO EDITORIAL

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Biomassa florestal para geração de energia

Javier Escobar – USP, Cássia Carneiro – UFV, Fernando Santos – UERS, José Dilcio – Embrapa, Dimas Agostinho – UFPR, Luziene Dantas – UFRN, Alessandro Sanches – USP, Cláudio Homero CEMIG, Thúlio Cicero – COPEL, Horta Nogueira – UNIFEI, Luis A B Cortez – Unicamp, Manoel Nogueira – UFPA, Vanessa Pécora – USP

SUPERVISÃO / REVISÃO

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Eliane T. Souza, Cristina Cardoso

DISTRIBUIÇÃO

Carlos Alberto Castilhos

REDES SOCIAIS Nicole Fraga

PUBLICAÇÕES / EVENTOS

Produção de energia com bambu

André Santos

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO

Gastão Neto - www.vorusdesign.com.br

COLUNISTAS/COLABORADORES

Martha Andreia Brand, Graciela Inês Bolzon de Muñiz, Ecio Rodrigues, Moisés Lobão, Patrícia Amorim, Francesco Stella, Marilin Mariano dos Santos, Manuel Moreno Ruiz Poveda, Vanessa Pecora, Suani Teixeira Coelho

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas, associações, câmaras e federações de indústrias, universidades, assinantes, feiras e eventos dos setores de biomassa, agronegócio, cana-de-açúcar, florestal, biocombustíveis, setor sucroenergético e meio ambiente

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Profa Dra Suani Teixeira Coelho fala sobre o papel da Bioenergia na COP 21

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Inserção do Biogás na matriz energética brasileira

A Revista Brasileira de Biomassa e Energia é uma publicação da

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Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião da Revista Biomassa BR, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Da colheita a geração de energia Colheita da biomassa florestal para a geração de energia

Martha Andreia Brand, Enga Florestal, Dra, Profa do Departamento do Engenharia Florestal da Universidade do Estado de Santa Catarina Graciela Inês Bolzon de Muñiz, Enga Florestal, Dra, Profa do Departamento de Engenharia e Tecnologia Florestal da Universidade Federal do Paraná

A

época de colheita é um dos fatores que afetam a qualidade da biomassa florestal para a geração de energia sendo que esta variável influencia as alterações das propriedades físicas e químicas da biomassa. A época de colheita está relacionada à estação de crescimento das árvores, dormência e estocagem de metabólitos. Estes fatores, por sua vez, afetam as mudanças ocorridas na biomassa florestal após a colheita e

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durante a estocagem devido, principalmente, às variações de teor de umidade e suscetibilidade à biodegradação. Assim, o teor de umidade é o primeiro fator a ser avaliado com relação à influência da época de colheita sobre a qualidade da biomassa florestal. Enquanto as árvores estão vivas, o conteúdo de umidade tanto de folhas, galhos, casca e madeira é alto. Porém, após a derrubada destas, iniciase um processo de secagem natural ou biológica, que é definida como a secagem

natural de árvores cortadas durante a estação de crescimento e deixadas com a copa e folhas para acelerar o processo de secagem. A árvore continua o processo de respiração e consequentemente consome parte da umidade contida na madeira, até que a biomassa entre em equilíbrio com o ambiente. Os teores de umidade observados em árvores de diferentes espécies, recémcolhidas, podem variar de 40 a 70 % sendo que, em alguns casos, estes estão pró-

Equipamento para medição de umidade de cavacos de madeira


ximos ou ultrapassam o teor de umidade crítico para o uso da biomassa na geração de energia. O conteúdo de umidade crítico, para fornos construídos para a queima de partículas verdes, como combustível, é o mais alto possível, ou seja, em torno de 60 %. Na prática, o valor a ser considerado pode ser de 50 %. O teor de umidade da biomassa florestal, para uso energético, deve ser igual ou inferior a 30%. Portanto as operações aplicadas ao material destinado à gera-

O teor de umidade da biomassa florestal, para uso energético, deve ser igual ou inferior a 30%

ção de energia devem objetivar percentuais inferiores a este. Em alguns países como Dinamarca e Finlândia, as variações observadas em função da época de colheita não foram signi­ficativas. Os resultados apresentados foram mais baixos na primavera (51,4%) e os valores mais altos no inverno (57,8%). Apesar da pequena variação do conteúdo de umidade, os resultados indicaram que a melhor época de colheita,

na Dinamarca, é no final do inverno ou início da primavera, quando os conteúdos de umidade são menores. Isso porque, partindo-se de um teor de umidade menor, a energia gasta para secar a biomassa, ou mesmo o tempo de estocagem, no caso da realização deste tratamento será menor. Juntamente com o teor de umidade, a quantidade de extrativos presentes na biomassa pode sofrer variações em função da época de co-

lheita. As colheitas feitas no verão, incluindo toda a copa da árvore tem maior conteúdo de umidade e maior quantidade de carboidratos solúveis. A casca estoca proteínas durante o outono e inverno, e declina novamente na primavera com a retomada do crescimento dos brotos e aumento do comprimento dos dias. Além disso, o xilema da madeira, não ativo fi­siologicamente, tem concentração mais baixa de carboidratos solúveis em água em comparação

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com as células vivas do câmbio e floema.

neiro; lote 3 - maio e lote 4 -agosto) foi colhido 10 m³ de madeira, de cada espécie, para a realização dos estudos no material recém colhido e para futuras análises do comportamento da biomassa frente à estocagem.

A quantidade de extrativos obtidos na madeira é relativamente pequena se comparada à quantidade obtida na casca e folhagem. Quanto ao poder calorífico superior, tem-se verificado valores para madeira de 3500 a 5000 kcal/kg. Para biomassa recém colhida, foram observados valores médios de poder calorífico superior de 4839 kcal/kg para madeira; 5008 kcal/kg para acículas; 4925 kcal/kg para casca. É importante determinar quais são as épocas de colheita da biomassa que contribuirão de forma mais significativa para a melhoria das propriedades da matéria -prima, destinada à geração de energia. Além disso, o conhecimento deste aspecto contribuirá ainda na determinação da necessidade de realização de operações de tratamento da biomassa, como por exemplo, a estocagem, de forma a melhorar as propriedades da biomassa recém colhida. Assim, levando-se em consideração as questões mencionadas anteriormente, este trabalho teve o objetivo de determinar a época ideal de colheita para a utilização da biomassa florestal na geração de energia, através da análise da variação de suas propriedades físicas e químicas. Estudo com casca de diferentes espécies de madeira mostra variáveis Um estudo, realizado em Lages, Santa Catarina, que possui clima temperado com verão e inverno bem definidos pela variação de temperatura e precipitação, utilizou toras com casca de Pinus taeda L.e de

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Eucalyptus dunnii Maiden, com diâme­ tros variados e comprimento médio de 2,4 m. Os diâmetros das toras

energia (toras finas) e toras descartadas em processos indus­ triais (toras grossas), sendo que esta variável não

É importante determinar quais são as épocas de colheita da biomassa que contribuirão de forma mais significativa para a melhoria das propriedades da matéria-prima variaram de 8 a mais de 30 cm, pois o material de estudo foi constituído de madeira destinada à geração de

foi controlada no estudo. Para cada lote analisado (lote 1- outubro; lote 2- ja-

Em cada coleta, no material recém colhido, foram retiradas do lote 20 toras com diâmetros variados. Sem haver remoção da casca, todas as toras passaram em um picador de tambor para a obtenção dos cavacos. Do montante dos cavacos foram retiradas as amostras, utilizadas na determinação das propriedades físicas e químicas. O teor de umidade na base úmida, composição química da madeira, poder calorífico superior e líquido e o teor de cinzas foram analisados segundo as normas NBR 14929. O poder calorífico líquido foi determinado diretamente no calorímetro, a partir dos dados de poder calorífico superior, determinado pelo próprio equipamento, e da inclusão em programa espe­cífico contido no equipamento, dos dados de % de hidrogênio da amostra, teor de umidade na base úmida e teor de cinzas. Os resultados apresentados são valores médios das repetições feitas em cada amostra, para cada propriedade determinada, e para cada um dos materiais testados; e a média geral, considerando a época de colheita, mas não o tipo de material avaliado. Assim, as análises foram feitas separadamente por espécie e conjuntamente, sem a distinção de espécie. Os resultados obtidos representam tanto a variação ocorrida den­tro de cada espécie analisada, em diferentes épocas de colheita, como a amplitude do que pode ser observado em relação às diferentes espécies de biomassa usadas para a geração de energia, quando


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estas são utilizadas conjuntamente na mesma época, na região de estudo. Considerações sobre o Teor de umidade da Biomassa A significativa para o teor de umidade, em função da época de colheita, tanto na análise das variações ocorridas dentro da mesma espécie, como na análise da biomassa em geral, sem considerar o fator espécie. Assim, os resultados obtidos afirmam que a umidade flutua com as estações do ano. As colheitas feitas no verão, incluindo toda a copa da árvore, têm maior conteúdo de umidade, contrariando também os dados obtidos aqui.

teve um comportamento intermediário entre a pior condição, início do inverno, e a melhor condição (verão). O grupo primavera-verão, com menores teores de umidade e o grupo outono-inverno, com maiores teores de umidade, apresentaram a mesma tendência. No entanto, os valores de teor de umidade na base úmida tiveram maior amplitude de variação, variando desde 49% na coleta feita na primavera até 65% de teor de umidade na coleta feita no outono. As coletas feitas no início da primavera e no verão conferiram à biomassa os menores teores de umi-

madeira em água fria, quente e teor de cinzas, pode-se perceber, que apesar de haver menos água, a quantidade destes componentes é maior nas referidas épocas, com variações entre o Pinus e Eucalyptus. As melhores épocas de colheita são na primavera e verão, quando os teores de umidade são os mais baixos para a biomassa florestal. Porém, se for considerado somente o teor de umidade no momento da colheita, os valores observados são muito altos, indicando a necessidade de realização de estocagem para a

As melhores épocas de colheita são na primavera e verão, quando os teores de umidade são os mais baixos para a A aplicação do Teste de médias de Tukey demonstrou que o mês de maio, onde o teor de umidade médio foi maior, e com grande amplitude nos resultados obtidos , teve comportamento diferente de todas as de­mais épocas de colheita, quando considerada a variação dentro das espécies estudadas, e igual somente a agosto, quando avaliada a biomassa de forma conjunta. Da mesma forma, nos meses de outubro e janeiro o comportamento apresentou os menores valores de teor de umidade e com comportamento similar, enquanto que a biomassa colhida no final do inverno (agosto)

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biomassa florestal dade, como também a menor variação nos resultados obtidos. Em função da relação entre o teor de umidade e a quantidade de metabólitos presentes na biomassa, nas diferentes estações do ano, esperava-se que os teores de umidade da madeira com casca fossem maiores nas épocas onde a intensidade fisiológica é maior (primavera e verão). No entanto, os resultados obtidos foram o oposto do esperado. Avaliando-se a quantidade de metabólitos, medidos a partir da solubilidade da

redução desta propriedade física até valores próximos de 30%, otimizando assim o rendimento e eficiência da biomassa na geração de energia. Estudos realizados indicaram que a biomassa mantida sob estocagem entre outubro a maio alcançou teores de umidade médios de 24% com quatro meses de estocagem; a biomassa estocada entre janeiro a agosto permaneceu com altos teores de umidade (entre 40 e 50%) durante os seis meses nos quais ficou estocada; a biomassa esto-

cada entre maio a novembro atingiu em torno de 36% de teor de umidade com quatro meses de estocagem e a biomassa estocada entre agosto a fevereiro, com dois meses de estocagem já apresentava valores próximos a 34% de teor de umidade, mesmo apresentando teor de umidade inicial (na biomassa recém colhida) maior. Portanto, a definição do uso imediato da biomassa após sua colheita ou a realização da estocagem também dependerá da época em que a biomassa permanecerá sob estocagem. Quando analisadas as espécies separadamente, a época de colheita apresentou influência sobre a solubilidade da madeira em água fria e água quente, e hidróxido de sódio, indicando que a composição e quantidade dos extrativos (componentes inorgânico, taninos, gomas, açúcares, compostos que dão cor à madeira e o amido) se alteraram em função da época de colheita da madeira. O Eucalyptus apresentou maior quantidade de metabólitos e substâncias extraíveis que o Pinus taeda, teve maiores valores na primavera e no final do inverno, com diferenças significativas entre as épocas de verão e outono.

Já o Pinus taeda apresentou maior quantidade de metabólitos no verão e primavera, com diferenças significativas principalmen-


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Eucalyptus dunnii Maiden

te entre os extrativos registrados no verão (janeiro). Porém, quando todos os resultados obtidos foram analisados conjuntamente, sem a distinção de espécie, não foram observadas variações significativas da época de colheita sobre a quantidade de extrativos solúveis em água fria e água quente, man­tendo-se os maiores valores obtido na primavera.

Considerando o poder calorífico líquido, as melhores épocas de colheita são

Para Eucalyptus e para a biomassa de forma geral não houve variações em função da época de colheita, confirmando que a época de colheita não afeta o poder calorífico superior da biomassa florestal. Os valores encontrados no presente trabalho variaram desde 4462 kcal/kg na coleta feita na primavera até 4927 kcal/ kg na coleta feita no verão.

Como funcional o Poder calorífico da Biomassa florestal

Apesar das diferenças entre os valores observados serem mínimas e pouco significativas, o poder calorífico superior apresentou a tendência inversa ao teor de umidade, e direta à solubilidade em água fria, quente e hidróxido de sódio. Assim, nas épocas de primavera e verão, os teores de umidade foram menores, a quantidade de extrativos e o poder calorífico superior foram maiores, demonstrando melhor qualidade da biomassa para geração de energia nestas épocas. Isso porque, a maior quantidade de açúcares, resinas, óleos, graxas, que caracterizam os extrativos, contribuem para o aumento do poder calorífico.

Com relação ao poder calorífico superior, as análises estatísticas demonstraram variação significativa somente para o Pinus taeda, com valores maiores na primavera e verão e menores no outono e inverno. Porém, para efeitos práticos, as va-

No entanto, para o poder calorífico líquido, que tem estreita relação com o teor de umidade da biomassa, houve variação significativa entre as épocas de colheita, tanto dentro das espécies avaliadas quanto em termos gerais.

Já para o hidróxido de sódio houve variação entre as épocas de colheita, com maiores valores no início da primavera e menores valores no final do inverno. Considerando a composição química da madeira, a melhor época de colheita foi a primavera. Nesta época a maior quantidade de componentes extrativos, contribui para o aumento do poder calorífico, que por sua vez é o indicador direto da qualidade energética da madeira.

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a primavera e o verão, coincidindo com o observado por esquisadores na Europa riações observadas entre as épocas de colheita não são importantes para a aplicação industrial, visto que nes-

ta situação são consideráveis valores superiores a 300 kcal/kg.


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Considerando o poder calorífico líquido, as melhores épocas de colheita são a primavera e o verão, coincidindo com o observado por pesquisadores na Europa Para o Eucalyptus dunnii Maiden e Pinus taeda, os valores mais altos foram obtidos em janeiro, que foi estatisticamente diferente de todas as demais épocas de colheita. Em termos gerais, as épocas de janeiro e outubro foram iguais. Os menores valores observados

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foram nas épocas de outono e inverno. Considerando que em sistemas de co-geração a partir de biomassa, é desejado que o poder calorífico líquido seja de pelo menos 1900 kcal/kg, todos os valores estão abaixo do mínimo esperado, e, portanto, a biomassa deveria passar por um sistema de tratamento para melhorar suas condições energéticas, podendo ser estocagem ou secagem, antes da entrada na planta de geração de energia. Os valores gerais para cada época de colheita, sem a distinção de espécie, variaram de 1195 kcal/kg (64 % de teor de umidade)

na coleta feita no outono (maio) a 1842 kcal/kg (51 % de teor de umidade) na coleta feita no verão (janeiro), para teores de umidade entre 49 a 65 % de umidade. Com relação à variação nos resultados obtidos, outubro foi o mês em que os valores ficaram mais próximos, e em agosto houve a maior amplitude dos dados. Considerando o poder calorífico líquido, as melhores épocas de colheita são a primavera e o verão, coincidindo com o observado por pesquisadores na Europa. Isso porque, nestas épocas o teor de umidade menor e os maiores valores de poder calorí­fico superior resultam em maiores ganhos energé-

ticos, pelo aumento do poder calorífico líquido. Nas épocas de primavera e verão, estações de crescimento das árvores, foram obtidos os menores teores de umidade; maiores poder calorífico líquido e a tendência de maiores valores de: poder calorífico superior, quantidade de extrativos e teor de cinzas na madeira com casca. As melhores épocas para a colheita da biomassa para geração de energia foram a primavera e verão. O uso da biomassa para geração de energia nas condições de recém colhida não é recomendado em função dos elevados teores de umidade (próximo de 50%) e baixo poder calorífico líquido (inferior a 1900 kcal/kg). Para a melhoria da qualidade da biomassa para a geração de energia devese realizar o tratamento da mesma, através da estocagem ou secagem, objetivando a adequação das propriedades para maior eficiência de conversão da biomassa em energia. ●


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Mercado

Mercado da Biomassa, em especial os pellets devem crescer nos próximos!

O

mercado global de biomassa teve um crescimento acentuado em 2015 e deve crescer até 11% por ano nos próximos cinco anos.

Já no mercado Asiático o mercado de biomassa deve crescer até 22%, nos próximos cinco anos. Os principais consumidores são China, Japão e Coréia do Sul.

Devido aos novos acordos em baixar as emissões dos gases poluidores e causadores do efeito estufa, aumentaram as iniciativas dos governos de todo o mundo para incluírem fontes e tecnologias renováveis em suas matrizes energéticas. Segundo pesquisa da S & P Pesquisa de Mercado, a necessidade de fornecimento de energia que atendam o constante crescimento de mercado na China, a Biomassa será a grande aposta.

O governo da China tem priorizado a adoção de combustível de biomassa. Atualmente pellets de biomassa são produzidos em grande escala para substituir a combustão do carvão no país.

Em 2014, o mercado europeu foi o maior consumidor de biomassa no mundo, em termos de valor e volume. Estes mercados deverão manter suas taxas de crescimento, impulsionados principalmente por subsídios e legislação.

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As principais empresas do mercado mundial de biomassa-pellet são Viridis Energy Inc., Drax Biomassa, Enviva Biomassa, Energia Renovável Westervelt LLC, Internacional combustíveis da madeira podem LLC, Energex, Helius Energy Ltd., Floresta Energy Corporation e New England Wood Pellet. O mercado brasileiro deveria estar atento a estas excelentes oportunidades, tendo em vista que o grande potencial do mercado da Biomassa são

os pellets, que é um produto com alto valor agregado e com amplo mercado na América do Norte, Ásia, e principalmente na Europa. A falta de legislação, incentivos fiscais e políticas públicas fazem com que os poucos empresários que estão produzindo, não tenham margem para entrar no mercado da exportação. O alto custo do frete, inflação na matéria prima, insegurança cambial, são apenas alguns dos entraves que os produtores enfrentam.


de setores que começam a consumir os pellets, como HOTÉIS, PIZZARIAS, etc. As empresas de pellets nacionais recebem consultas quase que diárias, de possíveis compradores de grandes quantidades de pellets que poderiam estar sendo produzidos aqui no Brasil, atendendo uma fatia deste mercado. Enquanto isto o crescimento no mercado interno ainda é acanhado, apesar de alguns movimentos positivos

Hoje mesmo com uma união, por exemplo de três produtores, não seria possível atender uma média deman-

da, vinda de um potencial comprador da Europa ou EUA. Isto por um lado é ruim, porém demonstra que existe um grande potencial de crescimento, e de venda de pellets que poderiam estar sendo produzidos no Brasil em larga escala. Duas fábricas que ainda não começaram a funcionar prometem produções em larga escala a partir de 2017. A produção já estaria comprometida com clientes no exterior. ●

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Potencial de produção de energia a partir de bambu nativo no sudoeste da Amazônia Ecio Rodrigues, Moisés Lobão e Patrícia Amorim Professores do CCBN-UFAC

A

discussão acerca da existência de uma área expressiva com ocorrência de bambu (taboca) com predominância da espécie Guadua weberbaueri no sudoeste da Amazônia é antiga. Desde

a divulgação pelo IBGE dos estudos realizados no âmbito do projeto Radam Brasil, ainda na década de 1970, a “mancha de taboca”, como ficou conhecida, vez ou outra surge como alternativa para a frágil economia do

Acre e dos municípios onde ela ocorre em maior concentração. Acontece que o bambu possui ampla distribuição em toda a Amazônia, associado de forma dominante

ou dominado a porções de florestas abertas e densas, conforme classificação tradicional feita pelo IBGE (2005). Significa dizer que existe potencial para exploração comercial do bambu em

Figura 1 - Área com ocorrência natural de guadua sp (taboca), imagem das tabocas alcançando o dossel, colmo da taboca e suas gemas com espinhos.

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Figura 2 - Padrões espaciais e temporais das florestas com bambu (Guadua sp.) no sudoeste da Amazônia, detectados através de imagem de satélite. FONTE: SILVEIRA (2006).

praticamente toda a região, sendo que todos os mapeamentos por satélites realizados no sudoeste amazônico nos últimos 30 anos dão conta de uma área de aproximadamente 600 mil hectares, com ocorrência contínua de bambu dominando a floresta aberta ali existente. Conforme Rodrigues (2004) seria o mesmo que afirmar que o potencial da “mancha de taboca” para uso comercial do bambu é

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muito superior ao potencial observado em toda a Amazônia. Afinal, trata-se de uma extensa área, como se pode observar na figura 2, onde o manejo florestal do bambu nativo, pode se viabilizar devido a um diferencial inquestionável: a ocorrência contínua e compacta de bambu na “mancha de taboca”. A motivação para discutir o aproveitamento comer-

cial da “mancha de taboca” é obviamente decorrente desse diferencial. Trata-se da maior porção contínua e de densidade por hectare de bambu nativo no mundo. Todavia, existe um grupo expressivo de pesquisadores que são contrários ao manejo florestal do bambu em ambiente nativo, optando pelo investimento em pesquisa voltada para a domesticação da espécie, em cultivos que poderiam ser

realizados próximos aos centros com maior infraestrutura urbana como a existente na capital do Acre, Rio Branco. No entanto a domesticação do bambu pode representar no curto prazo, um grave equívoco para a Amazônia, pois a “taboca” tratase de uma matéria-prima disponível e em evidência, uma vez que não há dúvida quanto ao significado econômico do aproveitamento


dessa espécie, tendo em vista o já existente assentamento de negócios sustentáveis no Estado do Acre. Consensuado esse ponto, as discussões devem se concentrar em duas linhas distintas: a dispersão nativa da espécie em território amazônico, e a amplitude do emprego da taboca em mercados como o do mobiliário e da construção civil. A ideia é que o manejo florestal da taboca possibilite, de forma permanente e sustentável, o fornecimento de matéria-prima para um segmento empresarial com enormes chances de consolidação na área de ocorrência da “mancha de taboca”. Por outro lado, o aproveitamento da espécie se configura em mais um dos setores produtivo que podem vir a integrar um futuro

cluster florestal, ou seja, um aglomerado econômico baseado na exploração da biodiversidade, e que, por sua vez, pode levar ao estabelecimento de uma economia florestal na região, em contraposição à nefasta expansão da atividade pecuária de gado que vem avançando cada vez mais em nossa Amazônia. A primeira e crucial resposta já foi obtida: existe ocorrência nativa de taboca no ecossistema florestal do Acre. A “mancha de taboca” está localizada nos municípios de Assis Brasil e Sena Madureira. Todavia, a “mancha de taboca” foi pouco estudada, tanto no que se refere ao manejo florestal da espécie quanto ao seu emprego. As pesquisas realizadas em âmbito internacional e nacional (especialmente

em São Paulo) confirmam o bambu como matéria-prima preferencial para aplicações em ramos díspares como o da indústria alimentícia, da produção de papel e celulose, sem falar do poderoso, crescente e alvissareiro segmento econômico da biomassa para geração de energia elétrica. Analisando-se literatura existente sobre o crescimento em volume (produção de biomassa) e as propriedades energéticas do lenho do bambu, verifica-se que este tem um potencial

a

fabuloso para ser utilizado como fonte de geração de energia em uma região onde o fornecimento de energia elétrica convencional é precário. Estudos como o de Murakami (2007); Netto et al. (2008), sugerem que o incremento médio anual (IMA) de bio-

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Tabela 1 – Análise comparativa entre o emprego de biomassa de Eucalyptus urophylla e de Guadua angustifólia. Biomassa

Densidade básica (kg/m³)

Incremento médio anual (m3/ha/ano)

Massa seca de madeira (kg/ha/ano)

Poder Calorífico superior (Kcal/kg)

Eucalyptus urophylla

490

35

17.150

4.531

77.706.650

90.372,332*1

Guadua angustifólia

629

33

20.757

4.387

91.060.959

105.903,308*1

Energia Disponível (kcal/ha/Ano)

Energia Disponível (kW.h/ha/ Ano)

*1Considerando-se 1 kWh equivalente a 859,85 kcal

massa das espécies de Bambu varia entre 22-44 m³/ha/ ano, valores superiores ao IMA de plantações de Pinus - 25 a 30 m³/ha/ano, e semelhantes aos encontrados em plantações de eucaliptos 30 a 40 m³/ha/ano. Em relação a densidade básica do gênero Guadua alguns trabalhos mostram que ela varia entre 0,45g/cm³ a 0,65g/cm³, sendo encontrado 0,629 g/cm³ para Guadua angustifólia (Brito et al., 1987) e 0,49g/cm³ para Guadua sp. (LIMA et al., 2012). Estudos realizados por Yao Hsing e De Paula (2011) demonstram que o rendimento gravimétrico de carvão de quatro espécies de bambu variou entre 25 e 30 %. Brito et al.(1987) verificaram em seus estudos um rendimento gravimétrico de carvão de 32,7% para a espécie Guadua angustifólia, valor superior encontrado para o Eucalyptus urophylla que foi de 28,4%. Esses mesmos autores verificaram que o poder calorífico superior do lenho da espécie Guadua angustifólia foi de 4387 kcal/kg, muito próximo do valor encontrado para o Eucalyptus urophylla que foi de 4531 kcal/kg. Como pode-se verificar o poder calorífico do bambu é igual ou superior às espécies comumente usadas para a obtenção de carvão, como os eucaliptos, e a sua

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Estudos realizados por Yao Hsing e De Paula (2011) demonstram que o rendimento gravimétrico de carvão de quatro espécies de bambu variou entre 25 e 30 %...

alta capacidade de renovação e seu rápido crescimento e incremento volumétrico em biomassa possibilita que esta planta seja uma importante fonte renovável de energia (RIBEIRO, 2005). Para facilitar esse entendimento foi feita uma simulação comparando o uso de biomassa de Eucalyptus urophylla e de bambu da espécie Guadua angustifólia para verificar os seus potenciais para produção de energia em kwh, a partir da densidade básica, do incremento médio anual em volume de biomassa do seu lenho e seu poder calorifico superior (tabela 1). Constatou-se por essa simulação que a energia disponível obtida do lenho do bambu (Guadua angustifólia) de 105903,308 kwh/ ha/ano foi superior a média obtida da madeira de Eu-

calyptus urophylla que foi de 90372,332 kwh/ha/ano, sendo superior a maioria das espécies vegetais utilizadas para a produção de energia em nosso país. O aproveitamento do bambu, como biomassa para geração de energia elétrica deve ser uma prioridade para a realização de pesquisa nessa região. A sociedade acreana e brasileira, há mais de 40 anos, espera por uma resposta. Referências BRITO, J. O.; TOMAZELLO F°, M.; SALGADO, A. L. B. Produção e caracterização do carvão vegetal de espécies e variedades de bambu – Piracicaba, IPEF, n.36, p.13-17, ago.1987 IBGE. Potencial Florestal do Estado do Acre. Relatório Técnico preliminar. Rio de Janeiro. 2005. LIMA, D. N.;; AFONSO, D. G.; PONTES, S. M. A. Análise com-

parativa da estabilidade dimensional de 02 espécies de bambu ocorrentes na Amazônia Ocidental. Publicado nos Anais do 4º Congresso Florestal Paranaense, Curitiba. 2012. MURAKAMI, C. H. G.. Bambu: matéria-prima do futuro. In Boletim Florestal: Informativo Florestal do Norte Pioneiro, ed. 6, ano 1, dez. 2007. p. 5. NETTO. L. G. GIANNETTI, B. F.; ALMEIDA, C. M.; BONILLA, S. H. Determinação dos fluxos de CO2 de uma plantação comercial de bambu no Brasil: oportunidades para a diminuição da emissão de CO2. In: SIMPÓSIO DE ENGENHAIRA DE PRODUÇÃO, 15, 2008, São Paulo 2008. PEREIRA, M. A. D. R.; BERALDO, A. L. Bambu de corpo e alma. Bauru: Canal 6, 2007. 231 p. RIBEIRO, A.S. Carvão de bambu como fonte energética e outras aplicações. Instituto do Bambu. Maceió. Instituto do Bambu, 2005. 109 p. RODRIGUES, E. Vantagem competitiva do ecossistema na Amazônia: O Cluster Florestal do Acre. Tese de Doutorado. UnB. Brasília. 2004. SILVEIRA. M; OLIVEIRA. E. C; BANDEIRA. J. R, Avaliação ecológica rápida estação ecológica do rio acre vegetação e flora, 2ª expedição. Universidade Federal do Acre, New York Botanical Garden e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Rio Branco. 2006. YAO HSING, T.; DE PAULA, N. F. Produção e caracterização de carvão ativado de quatro espécies de bambu Ciência & Tecnologia: FATEC-JB, Jaboticabal, v.3, 2011. Suplemento. ●


Revista Biomassa BR

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Entrevista

O papel das energias renováveis nos acordos da COP21.

Entrevista com Profa Dra Suani Teixeira Coelho

Os biocombustíveis estão incluídos nos 43 por cento de renováveis da proposta (INDC) brasileira e constam Bioenergia é fundamental para Brasil atingir as metas propostas na COP21 Profa Dra Suani Teixeira Coelho fala sobre como a Bioenergia pode ajudar o Brasil na diminuição de gases do efeito estufa, e assim cumprir as metas propostas pelo governo em Paris, no final do ano passado.

REVISTA BIOMASSA BR - Qual sua primeira impressão sobre a realização da COP21?

dos planos da EPE Além disso há o problema com a bioeletricidade. Como a bioenergia tem que competir com os preços extremamente baixos da energia eólica, parece pouco provável que este cenário se altere.

Suani T. Coelho - Na verdade houve grandes avanços no sentido de conter o aquecimento global. Pode se considerar um momento histórico. Mas há necessidade de discussões mais detalhadas sobre como se conseguir atingir os objetivos.

Qual é o principal papel da Bioenergia na proposta brasileira na COP21? Os biocombustíveis estão incluídos nos 43 por cento de renováveis da proposta (INDC) brasileira e constam dos planos da EPE. Neles etanol quase dobra para cerca de 50 bilhões de litros por ano em 2024. Mas precisa ser considerado que as políticas atuais incentivam muito pouco os biocombustíveis no Brasil e nem a bioeletricidade nos leilões, que apenas objetiva a modicidade tarifaria. Os preços da gasolina foram mantidos artificialmente baixos pelo governo, o que acarretou um enorme impacto negativo no setor, com inúmeras usinas fechando e em recuperação judicial.

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Revista Biomassa BR

Você acha que a reunião em Paris será leva a sério pelos países que participaram? A reunião precisa ser levada a sério obrigatoriamente pois se trata de uma emergência mundial.


"A situação econômica em geral vem prejudicando todos os setores industriais"

O sucesso depende

União Europeia que até então apostavam nas energias solar e eólica e que agora começam a focar na bioenergia com o uso de pellets de biomassa em substituição ao carvão das termoelétricas.

basicamente da

Você acha que o sucesso dos acordos apresentados depende de quais fatores para virarem realidades?

vontade política dos

O sucesso depende basicamente da vontade política dos governantes para tirar os objetivos do papel e transforma-los em realidade. Mas além da vontade política deverá haver a fiscalização internacional para ver se as promessas contidas nos INDCs serão cumpridas. Isto vai gerar meios de pressionar os países a cumprirem suas promessas.

governantes para tirar os objetivos do papel e transformalos em realidade

Qual sua expectativa para 2016. A bioenergia deve continuar avançando, ou as péssimas notícias econômicas devem afetar o fortalecimento deste setor? Na situação atual poderia ocorrer uma pequena recuperação no setor de biocombustíveis líquidos com a liberação dos preços da gasolina no país. Mas a situação econômica em geral vem prejudicando todos os setores industriais.

Profa Dra Suani Teixeira Coelho é Coordinator Research Group on Bioenergy/ GBio Institute of Energy and Environment University of São Paulo, e também chefe de edição da Revista Brasileira de Biomassa e Dentre as fontes de energias renováveis, qual você acha que tem papel de protagonista neste processo? Claramente a energia eólica aparece como a grande protagonista no caso do Brasil. Mas deve ser considerada a recente mudança de posição da Alemanha e de outros países da

Energia, que é a principal publicação do setor no Brasil.

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Biodiesel avança na agricultura familiar Recentemente o Brasil participou na Conferência do Clima das Nações Unidas em dezembro de 2015 na COP 21 em Paris

A

importância dos biocombustíveis está crescendo nos últimos anos no Brasil. Um dos elementos que tem fortalecido o setor é o Selo Combustível Social, o qual foi criado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e tem como objetivo a inclusão social dos agricultores familiares. O Selo contribui para o avanço do setor de biodiesel, já que promove a inclusão da agricultura familiar e consequentemente a grande comercialização do produto. De acordo com o (MDA) o selo combustível social é dado para as empresas produtores de biodiesel que cumprem as exigências do projeto, como a compra de determinada porcentagem de matéria prima dos agricultores e também oferecem uma assistência técnica para os mesmo, além disso, a empresa precisa garantir a realização comercial do produto para ganhar o selo. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) ressaltam que a presença do biodiesel na matriz energética brasileira aumentará consideravelmente até 2030, passando de 4,1% em 2014 para 9,8% em 2030. O aumento faz parte de um dos objetivos do governo para a redução de gases poluentes na atmosfera. O Aumento previsto pelo MME visa também atingir a meta de 18% na participação da bioenergia (biodiesel +

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Revista Biomassa BR

etanol). No documento “Contribuição Nacionalmente Determinada para Consecução do Objetivo da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudança no Clima” idealizado pelo MME para apresentação durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP21), está presente a intenção do governo em aumentar o consumo de biocombustível no país através da oferta do etanol, da mistura do biodiesel no diesel e o aumento na produção de biocombustíveis avançados. Recentemente o Brasil vai apresentou na Conferência do Clima das Nações Unidas em dezembro de 2015 na COP 21 em Paris, o aumento da parcela do biodiesel na mistura com o diesel mineral, hoje na casa dos 7% por litro. O documento, expressava a proposta “pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (intended Nationally Determined Contribution – iNDC na sigla em inglês) para Consecução do Objetivo da Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudança no Clima”, coloca: “aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, aumentando a oferta de etanol, inclusive por meio do aumento da parcela de biocombustíveis avançados (segunda geração), e aumentando a parcela de biodiesel na mistura do diesel. ●


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Fontes renováveis avançam em meio á crise Energias Renováveis são destaque na matriz energética nacional

As energias renováveis tem aumentado sua participação na matriz energética nacional nos últimos anos.

No plano do governo federal apresentado no COP 21, o projeto de até 2030 ter as fontes renováveis (BIOMASSA, SOLAR E BIOMASSA), aumentando sua participação na matriz elétrica nacional, de 10% para 23%. Um ponto fundamental para o sucesso deste projeto será a definição de como cada fonte pode contribuir para alcançar estes números.

Mesmo em meio á crise que país enfrenta as energias renováveis, tem mostrado sua força, e crescendo a passos largos. Mesmo que sem incentivos do governo, ou políticas públicas planejadas para fortalecer esta indústria, o setor tem avançado muito nos últimos anos. Fontes como energia solar, eólica e principalmente a biomassa, tem sido temas de fóruns, discussões e debates, visando incentivar e ampliar a participação de fontes limpas e renováveis para geração de energia. Em 2016 serão muitos os eventos, fóruns, congressos, feiras, etc., que abordarão temas ligados ao setor que mais cresce no Brasil, as energias renováveis. Nos dias de hoje quando o assunto é geração de energia por Biomassa, uma das grandes forças é a geração que vem do setor de cana-de-açúcar. Em 2014 a energia gerada por esta fonte, abasteceu cerda da 10milhões de famílias, isto sem citar a energia produzida para abastecer o setor sucronergético, o qual é alto suficiente gerando

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É de conhecimento de todos do setor industrial no Brasil, que caso o país estivesse crescendo, com certeza teríamos sérios problemas para atender a demanda, e isto levaria a diversos apagões.

sua própria energia. O setor florestal é outra fatia do mercado que tem matéria prima em abundância. OS cavacos de madeira tem gerado energia para mover indústrias de norte a sul do país. Além da produção de pellets e briquetes, que são produtos com valor agregado. A inclusão do biodiesel nos planos para diminuir as emissões de gases no efeito estufa, que foram pelo governo brasileiro no COP 21, tem como destaque a meta no aumento percentual do biodiesel no diesel, percentagem esta ainda não definida.

No plano do governo federal, a cada 3 anos, novos projetos que representassem a energia gerada por uma ITAIPU, teriam que ser inseridos na matriz elétrica para acompanhar o crescimento industrial, também como aumento no consumo nas residências dos brasileiros. Estes projetos normalmente são contratados com bastante antecedência e preparados, para serem adaptados as necessidades atuais. Tudo indica que a presença das fontes renováveis na matriz energética nacional, vai continuar crescendo a cada ano, gerando receita e riquezas para o país, além milhares de empregos diretos e indiretos. ●


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Pesquisadores da Univates criam atlas gaúcho de biomassa

U

m projeto de pesquisa da Univates busca mapear as fontes de biomassa e resíduos com potencial de produção de biogás e biometano no Estado do Rio Grande do Sul. O trabalho, realizado para a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), busca conhecer as fontes existentes hoje no RS a fim de identificar onde é possível investir.

O levantamento de dados referentes à biomassa foi realizado por meio de análise de Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) e, atualmente, visitas estão sendo feitas às empresas listadas. Conforme o professor coordenador do projeto, Odorico Konrad, a coleta vem sendo realizada desde a metade de 2015 e busca con-

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ferir onde estão concentradas as maiores biomassas do Estado. “Há programas que simulam a produção de biogás em cima da biomassa existente. Com a quantidade e o tipo de biomassa, é possível mensurar a produção de biogás no Estado”, explica. O apoio técnico é realizado pelos engenheiros ambientais Marildo Guerini Filho e Marluce Lumi, diplomados pela Univates. Conforme Guerini Filho, estudos como esse possibilitam a participação de energia renovável na matriz energética do país. “Trata-se de um estudo inédito no Rio Grande do Sul, uma vez que esse atlas permitirá conhecer as potencialidades de biomassa no Estado e servirá como um instrumento para elaboração de políticas no setor energético e de futuros investimentos

nesse setor”, afirma. Na área ambiental, o diplomado explica que esse estudo vem ao encontro do conceito de desenvolvimento sustentável, suprindo as necessidades das gerações atuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras. “Estamos trabalhando com o desenvolvimento de uma energia que não esgota seus recursos para o futuro, por isso chamamos de energia renovável e limpa”, explica. Os locais visitados são agroindústrias, aterros sanitários e estações de tratamento de efluentes domésticos. A indicação dos locais com potencial serve para que mais investidores sejam atraídos para a produção de biogás. O atlas, que ainda está em desenvolvimento, estará disponível de forma impressa e virtual. ●


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E m p r e s a D E S TA Q U E

Empresa Italiana com 30 anos de mercado se destaca no mercado brasileiro

A Costruzioni Nazzareno começou suas atividades em 1988, quando Nazzareno Carlesso, após uma experiência de vinte anos na realização de sistemas de aspiração, filtragem e depuração, dá início a uma realidade empresarial que se especializa na fabricação de máquinas para a recuperação e transformação dos resíduos da produção industrial.

sa está investindo para estar sempre pronta a satisfazer as crescentes exigências dos seus clientes.

A empresa demonstra a sua atenção pelas crescentes exigências de recuperação energética atendendo de modo sempre imediato um mercado em contínua evolução. No decorrer dos anos especializa-se no projeto e fabricação de sistemas completos para o setor da energia renovável, sobretudo para a transformação da biomassa em combustível e energia. O presente é fruto de experiências realizadas em mais de 30 anos de dedicação e pesquisa da qualidade do produto através de projetos feitos por técnicos especializados, utilizando componentes de ponta e realizando produtos que se modernizam.

Biomassa BR – Quais os principais diferenciais dos equipamentos da NAZZARENO, em relação aos outros equipamentos disponíveis no mercado?

Segundo Francesco Stella, Gerente da empresa, o mercado brasileiro é muito promissor apesar das dificuldades momentâneas que o país passa.

Os equipamentos da Costruzioni Nazzareno são produzidos com a mais avançada tecnologia e inovação. Um time qualificado e treinado de engenheiros e técnicos especializados em projetos de plantas completas chave na mào. Outro diferencial importante é a assistência e monitoramento remoto 24 Horas por dia em todas as unidades instaladas pela empresa. São trinta anos de experiência, ajudando a construir

"O mercado brasileiro é muito promissor apesar das dificuldades momentâneas A Costruzioni Nazzareno hoje é uma marca consolidada, líder internacional na fabricação de sistemas para a transformação da biomassa em combustível. O futuro da Costruzioni Nazzareno já iniciou e é feito de homens que aplicam os seus esforços para produzir novas soluções tecnológicas. Estas inovações abrem novos mercados em que a empre-

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que o país passa" Francesco Stella


A quantidade de Biomassa disponível no Brasil é muito promissora, se comparada aos principais países da Europa, América do Norte e Ásia O empresário brasileiro precisa de maior apoio do poder público, com incentivos fiscais, políticas públicas específicas ao setor, além de melhorias quanto a logísticas e infraestrutura. Isto seria um ponto fundamental para que muitos empresários que estão indecisos optassem por investir em plantas para geração de energia com biomassa. as melhores e mais conceituadas empresas do setor no mercado global. Biomassa BR – A empresa realizou importantes projetos em diversas partes do mundo, fale um pouco sobre os principais destes projetos?

Os resíduos florestais tem um grande potencial com os cavacos de madeira, porém produtos com maior valor agregado como os pellets trazem mais riquezas, geram mais empregos e possibilidades de negócios, como no bilionário mercado mundial de pellets. Países da Europa, EUA, e Ásia seriam alguns dos possíveis destinos dos pellets produzidos no Brasil.

A empresa realizou até hoje, mais de 140 plantas completas de pellets, localizadas em diversas partes do mundo, sendo que a maior concentração é na Europa central e no leste Europeu. Projetos foram realizados pela A Costruzioni Nazzareno também em países como Japão, Rússia, Uruguai e Brasil.

Biomassa BR – Quais as perspectivas da empresa para o setor nos próximos anos?

Esta larga bagagem quanto a prospecção, consultoria e fornecimento dos equipamentos para uma usina completa, fazem com que a empresa esteja sempre na vanguarda na geração de energia com biomassa.

Nossa meta è continuar nesse ritmo e possivelmente aumentar a produção, tendo presente o constante aumento do consumo de Pellets de Madeira principalmente na Europa. Mercado que apesar de grande, esta sempre em crescimento, principalmente pelo fato de que o setor tem atenção especial do governo, entidades, e fácil acesso a financiamento com taxas especiais de juros.

Biomassa BR – No Brasil a empresa esta atuando á quanto tempo, e quais foram os principais projetos realizados?

Nos últimos dois anos a Costruzioni Nazzareno construiu oito fabricas completas para a produção de Pellets de Madeira.

Estamos presentes no mercado Brasileiro á três anos. Estamos atentos e apostando alto no mercado brasileiro, temos certeza que o setor vai continuar crescendo nos próximos anos, e algumas empresas que estão avaliando ou em processo de avaliação dos investimentos, possam se posicionar positivamente quanto a fechar os projetos. Temos duas plantas instaladas no estado do Rio Grande Do Sul, onde as empresas ficaram extremamente satisfeitas em ter a Costruzioni Nazzareno, como parceira no desenvolvimento de toda a planta. Estamos com mais duas unidades sendo construídas na nossa sede em Treviso / Itália, e respectivamente serão instaladas no Rio Grande Do Sul, e na Bahia. Biomassa BR – No Brasil a disponibilidade de matéria prima e muito grande se comparado a países como, por exemplo, da Europa. Como este diferencial poderia ser usado para que o setor tivesse mais resultados positivos? A quantidade de Biomassa disponível no Brasil é muito promissora, se comparada aos principais países da Europa, América do Norte e Ásia.

Site: www.nazzareno.it Revista Biomassa BR

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Plantação de eucalipto em Pimenta Bueno Usina de biomassa impulsiona plantação de eucalipto em Pimenta Bueno

A

entrada em operação, no próximo semestre, de uma usina termelétrica movida a biomassa, na região de Pimenta Bueno, deve impulsionar a plantação de floresta de eucalipto, a principal matéria-prima. A usina terá capacidade de abastecer com energia.

vida a biomassa, na região de Pimenta Bueno, deve impulsionar a plantação de floresta de eucalipto, a prin-

nada à produção de eucalipto. O grupo empresarial pesquisa, há oito anos, em um viveiro-laboratório pró-

A energia gerada a partir da biomassa é renovável e menos poluente dos que outras formas de energia como os combustíveis fósseis petróleo e carvão mineral. Na região, a madeira do plantio de eucalipto tem destinação certa: a usina de biomassa.

A entrada em operação, no próximo semestre, de uma usina termelétrica mo-

“Precisamos formar um cinturão verde num raio de 100 quilômetros para converter a madeira em fonte de combustão para a usina” Gefson Melo

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Entre estas fontes de orgânicas, a madeira do eucalipto foi escolhida por conta da viabilidade sustentável da produção em Rondônia.

cipal matéria-prima. A usina terá capacidade de abastecer com energia elétrica uma cidade de aproximadamente 40 mil habitantes. “Precisamos formar um cinturão verde num raio de 100 quilômetros para converter a madeira em fonte de combustão para a usina”, disse o gerente Operacional Gefson Melo, da usina hidrelétrica Eletrogóes, a proprietária da usina de biomassa que gera 60 empregos diretos nesta fase final de implantação.

prio, a melhor espécie do eucalipto a ser destinada na utilização da usina. “Já estudamos mais de 200 matrizes e chegamos ao padrão ideal de madeira para ser utilizado na usina”, informou o engenheiro florestal, Carlos Alberto Soares Monteiro, que considera também nas pesquisas o cultivo no solo arenoso da região e os valores agregados com a plantação. O viveiro é capaz de produzir seis milhões de mudas/ano, que são comercializadas a preço de mercado para o produtor rural.

A consolidação do projeto da usina de biomassa está diretamente relacio-

Para produzir energia, as geradoras utilizam a combustão de material orgânico.

“Chamamos de floresta energética essa fonte de energia renovável e de geração de emprego e renda”, argumentou Gefeson Melo, enfatizando que o momento é propício para os pequenos e grandes produtores plantarem eucalipto. FLORESTA PLANTADA O governo de Rondônia adotou políticas públicas para incentivar a plantação de floresta, seja ela de espécie nativa ou exótica. “Todo o plantio, extração e comercialização da madeira proveniente de floresta plantada estão amparados por legislação própria”, disse o coordenador de Floresta Plantada da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o engenheiro florestal Edgard Menezes Cardoso. ●


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Artigo

Avanços na penetração do biogás na matriz energética mundial e brasileira Dra Marilin Mariano dos Santos1 Me. Manuel Moreno Ruiz Poveda1 Dra Vanessa Pecora1 Profa Dra Suani Teixeira Coelho1 1

Instituto de Energia e Meio Ambiente da Universidade de São Paulo

Resumo Este artigo aborda a inserção do biogás na matriz energética mundial e brasileira. O artigo analisa o potencial de produção de biogás no mundo e no Brasil e ressalta as vantagens de sua produção e uso, considerando o cenário atual de biogás na União Europeia e no Brasil. Palavras chaves: biogás, biometano, bioenergia. Introdução O biogás como energia primária, apresenta um conjunto de vantagens

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Revista Biomassa BR

tanto ambientais como energéticas. Na vertente ambiental o biogás auxilia no gerenciamento de resíduos uma vez que este combustível pode ser produzido a partir de biomassas residuais de áreas rurais, urbanas e industriais. A produção controlada e uso do biogás também auxiliam na mitigação do aquecimento global uma vez que reduz as emissões fugitivas de metano (CH4) durante o tratamento dos resíduos orgânicos e pode substituir o uso de combustíveis fósseis por uma fonte renovável. Quanto à vertente energética, além de ser um combustível renovável e o seu uso reduzir a quantidade de combustível fóssil utilizada, o biogás pode ser produzido e utilizado de for-

ma descentralizada, característica importante para o gerenciamento de um sistema energético. No que tange ao uso final, o biogás pode ser convertido diretamente em calor ou em eletricidade ou, ainda, pode ser injetado na rede de gás natural ou utilizado como combustível automotivo. Entretanto, para que possa ser injetado na rede ou utilizado como combustível automotivo, é necessário que o biogás passe por processo de purificação que lhe atribui características técnicas similares às do gás natural e, o nome biometano ou gás natural renovável.


Tabela 1: Produção de biogás no mundo e por continente.

Produção de biogás no mundo (PJ) Ano

Mundo

África

Américas

Ásia

Europa

Oceania

2000

285,0

-

132,0

50,5

95,1

7,1

2005

500,0

-

169,0

150,0

171,0

9,9

2010

939,0

0,1

236,0

325,0

362,0

15,7

2011

1.100,0

0,1

247,0

397,0

439,0

16,5

2012

1.212,0

0,3

282,0

398,0

511,0

20,2

(IEA, WBA 2015)

Biogás no mundo Segundo o World Bioenergy Association (2015), no ano de 2012 a oferta de energia primária mundial foi de 560 Exajoule (EJ). Deste total, 1.212 Pentajoule (PJ) eram de biogás (56,1 bilhões de metros cúbicos de biogás) sendo que destes, 42 % foram produzidos na Europa, 33% na Ásia, 23 nas Américas e 2% na Oceania. A Tabela 1 ilustra o desenvolvimento da produção de biogás no mundo e por continente no período de 2000 a 2012. Desta observa-se que nos primeiros 10 anos houve um desenvolvimento acelerado na produção de biogás ficando como excessão o continente africano, onde atualmente a produção ainda é bastante pequena em relação aos demais continentes, mas mesmo que pequena ela é importante, uma vez que a produção e uso do biogás na África contribui para evitar o desmatamento no continente. Ainda da Tabela 1 percebe-se que o continente europeu é um dos principais produtores de biogás e, dentre os países pertencentes ao continente europeu, a Alemanha tem posição de destaque tanto na produção como nos usos finais de biogás (World Bioenergy Association, 2015). A Tabela 2 mostra a produção de biogás e produção de energia a partir do biogás, bem como o número de

instalações produtoras de biogás para alguns países. Desta tabela nota-se o destaque da Alemanha tanto na produção de biogás como na produção de energia e número de plantas instaladas. Segundo o IEA Bioenergy (2014), do total da energia a partir do biogás produzido na Alemanha, 68% é utilizada para produção de eletricidade, 31,1% para geração de calor , 0,8% no setor de transporte e 0,1 para outros usos. Destaca-se que o número de plantas informados na Tabela 2 não representa o número de fontes geradoras uma vez que na Europa as plantas de produção de biogás e biometano, na sua maioria, trabalham em regime de consórcio de matéria-prima tendo em

vista a proximidade das fontes geradoras dos resíduos orgânicos. Analisando o caso da União Europeia, o desenvolvimento da indústria do biogás e biometano nessa região deve-se ao fato dos países membros terem detectado que o biogás é uma fonte de energia primária promissora e eficiente e que este auxilia a satisfazer parte de suas expectativas políticas no que corresponde a utilização de fontes de energias renováveis (Diretiva Europeia 2009/28/CE). Somado a questão energética, a União Europeia tambem vê a produção de biogás a partir de resíduos de biomassa como uma forma de gerenciar seus resíduos sólidos (Diretiva Europeia 1999/31/CE e Diretiva 2006/12/CE).

Tabela 2: Produção de biogás, produção de energia e número de plantas de produção de biogás em 5 países.

País

Produção de energia

Produção de biogás

Plantas

Ano

PJ

milhões m

PJ

Alemanha

291

3.5

148

10 020

2013/14

Reino Unido

68,3

3.16

23.9

634

2013

Holanda

11,2

0.52

0.89

252

2012

Corea

9,28

0.43

9.28

82

2013

Brasil

6,31

0.29

2.21

25

2013

3

(IEA Bioenergy 2014)

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35


Artigo

Ressalta-se que o desenvolvimento da indústria e mercado do biogás e biometano na UE só foi possível graças a existência de políticas energéticas e ambientais, ou seja, políticas não específicas para o biogás que somadas a uma forte regulamentação local, implementadas pelos países membros, incentivou e disciplinou a produção e uso do biogás na europa. Os EstadosMembros da União Européia (EU) elaboraram e aplicaram sistemas próprios de certificação, tarifas feed-in, benefícios fiscais e apoio ao investimento de modo que os obstáculos ao desenvolvimento do mercado de biogás fossem superados. Quanto aos usos finais, na UE o uso prioritário é o de biometano para injeção direta na rede de gás natural e também o uso automotivo. Para tanto, regulamentações como as normas técnicas EN 16723-12 para injeção na

No Brasil, os altos índices de atividadade agropecuária e alto adensamento urbano acarretam na geração de grandes quantidades de resíduos agropecuários, agroindustriais e

2

Natural gas and biomethane for use in transport and biomethane for injection in the natural gas network. Part 1: Specifications for biomethane for injection in the natural gas network

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urbanos

rede e a EN 16723-23 de especificação de combustível automotivo estão em fase de elaboração e implementação. Ambas consideraram uma qualidade mínima do biometano e especificações para projeto, filosofia de operação e manutenção da rede entre outros requisitos específicos os quais dependem da avaliação de risco consoante com o ponto de injeção. Como resultado da implementação das diretivas acima citadas, entre outras, em 2013 havia na Europa 14.572 plantas para geração de biogás, cuja capacidade instalada total era da ordem de 7.857 MWel. Ainda, em 2013 havia também na Europa 282 plantas para produção de biometano, que juntas produziam um total de 1.303 bilhões de metros cúbicos por ano de biometano (EBA, 2014). Em agosto de 2014, cerca de 150 plantas alimentavam a rede de gás alemã com uma capacidade de injeção de 95.000 metros cúbicos por hora de biometano (DENA, 2014). 3 Natural gas and biomethane for use in transport and biomethane for injection in the natural gas networkPart 2: Automotive fuel specifications


Biogás no Brasil No Brasil, os altos índices de atividadade agropecuária e alto adensamento urbano acarretam na geração de grandes quantidades de resíduos agropecuários, agroindustriais e urbanos, que se tratados por digestão anaeróbica podem produzir grandes quantidades de biogás/biometano. Dados estatísticos mostram que 21,4% do PIB nacional de 2014 foram devido as atividades do setor agropecuário (EBC, 2015) e que o adensamento populacional urbano do Brasil é da ordem de 85%, segundo dados do IBGE (2012), dados que indicam um grande potencial técnico de geração de biogás a partir de resíduos sólidos urbanos e agropecuários. Estimativa conservadora da Associação Brasileira de Biogás e Biometano - ABiogás - identifica um potencial de produção de biogás no Brasil em 23 Bilhões de m3/ano, sendo 12 bilhões de cana-de- açúcar, 8 bilhões de alimentos e 3 bilhões de outros resíduos (ABiogás, 2015). Considerando unicamente

o biogás proveniente de vinhaça (principal resíduo das destilarias de etanol), poderiam ser gerados 800 milhões de m3 de biometano ao ano, o que equivale a aproximadamente 5% das importações de gás natural da Bolívia em 2015 (ANP, 2016). Segundo dados do IEA Bioenergy (2014), há no Brasil 25 plantas de produção de biogás, sendo 5 plantas processando lodo de estação de tratamento de esgoto, 1 de resíduos biológicos, 9 de resíduos agrosilvopastoris, 2 de resíduos industriais e 8 de aterros sanitários. O biogás gerado pelas 25 plantas é utilizado para produzir,

em média, 713 GWh/ano. Entretanto, dados atualizados da ANEEL (2015) mostram que no ano de 2015 no Brasil estavam em operação 13 usinas de geração de energia elétrica a partir de biogás, cuja potência instalada total foi de 78,0 MW, representando 0,59% da potência total instalada em biomassa. No que se refere ao biometano, o potencial teórico de produção é da ordem de 100 milhões de m3/dia, distribuídos segundo a Tabela 3, sendo previsto que parte será utilizado no setor de transportes e parte injetado na rede

Tabela 3: Potencial teórico de produção de biometano no Brasil.

Setor

milhões de m³/dia

RSU

4,3

Sucroalcooleiros

13,8

Pecuária

35,4

Agrícola

47,8

Potencial Produção de Biometano

101,3

(CIBiogas, 2015).

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de distribuição de gás natural (CIBiogas, 2015). A produção e uso do biometano no Brasil ainda é muito próxima a zero se comparada com o potencial técnico. Vários projetos estão em fase de implantação no Brasil e alguns já estão em operação. Entre as usinas em operação, nenhuma delas estão injetando o biometano na rede de distribuição de gás natural. O biometano produzido está sendo utilizado para testes como combustível automotivo, ou para geração de eletricidade. Fatores como baixa atratividade financeira, cadeia de valor incipiente e falta de regulamentação específica colaboram para o mercado do biogás e biometano ser quase que inexistente no Brasil, no que pese o grande potencial técnico de geração de energia limpa apresentado na Tabela 3, além dos ganhos ambientais intrínsecos. Apesar de que a magnitude de produção de resíduos orgânicos no Brasil implique em um significativo potencial teorico de geração, a eficiência conseguida na produção de metano através da biodigestão é um factor limitante para a viabilidade dos emprendimentos. Esta eficiência depende de numerosos parâmetros técnicos tais como a temperatura do processo, tipo de bio-

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Várias iniciativas, tanto a nível federal, estadual, municipal e sociedade civil têm sido desencadeadas com o objetivo de consolidar a participação do biogás e biometano na matriz energética nacional

digestor, quantidade de matéria orgânica presente no resíduo, presença no substrato de sustâncias recalcitrantes ou tóxicas para os microorganismos, etc. Assim, a taxa de conversão de materia orgânica em biogás repercute diretamente na rentabilidade do investimento em processamento de resíduos com aproveitamento energético. Como exemplo desta variabilidade na eficiência, os rendimentos de produção obtidos usando vinhaça como substrato se encontram entre 4 e 14 Nm3 de biogás por m3 de vinhaça, com uma proporção volumétrica de metano entre 50 e 60% (SALOMON, 2005). Várias iniciativas, tanto a nível federal, estadual, municipal e sociedade civil têm sido desencadeadas com o objetivo de consolidar a participação do biogás e biometano na matriz energética nacional. No nível federal, ministérios como o de Minas e Energia, do Meio Ambiente, das Cidades, da Agricultura, Ciência, Tecnologia e Inovação, possuem o objetivo de promover o uso do biogás/ biometano como fonte de energia. Em 2015, deu-se um importante avanço na regulamentação do uso do biometano com a publicação da Resolução da ANP Nº 8, de 30.1.2015. Nesta resolução ficou estabelecida a especificação do biometano, oriundo de produtos e


resíduos orgânicos agrossilvopastoris e comerciais, destinado ao uso veicular (GNV) e às instalações residenciais e comerciais. Somado as ações federais, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Ceará, Minas Gerais e Espirito Santo têm algum dispositivo legal ou programa que incentivam o uso do biogás/biometano como fonte de energia. Como exemplo destas iniciativas federais, encontra-se a do Governo do Estado de São Paulo de promover um Programa Paulista de Biogás, instituído pelo Decreto nº 58.659, publicado em 4 de dezembro de 2012, entre cujos objetivos se encontra incentivar às destilarias a produzir biogás de vinhaça, para ser purificado e injetado na rede de gás natural. Uma iniciativa destacável foi a apresentação, em dezembro de 2015, da Proposta de Programa Nacional do Biogás e do Biometano – PNBB elaborada pelos associados ABiogás. Esta proposta pretende estabelecer condições específicas para que os investimentos na produção e uso do biogás e biometano sejam atrativos para potenciais produtores e usuários. Nesse contexto, o Fapesp Shell RCGI, Centro de Pesquisa e Inovação em Gás Natural patrocinado pela Fapesp e Shell, com sede na Escola Politécnica da USP, cujo objetivo principal é ampliar a participação do

gás natural na matriz energética brasileira com mitigação dos gases de efeito estufa, tem como meta a integração das fontes renováveis de gás à infraestrutura de gás natural no estado de São Paulo. Para tanto, no Fapesp Shell RCGI há uma linha de pesquisa que estudará as perspectivas técnicas e econômicas para a produção de biogás/biometano, tanto em áreas rurais, urbanas e industriais, considerando a integração de biometano e GN. A linha de pesquisa, ainda, levantará os potenciais técnico e econômicos de produção de biogás/ biometano no estado de São Paulo avaliando, também, os benefícios correspondentes e barreiras potenciais, bem como proporá políticas públicas e regulamentações que incentivem a produção e uso do biogás/biometano no estado de São Paulo. Agradecimentos Agradecimento ao Centro de Investigação para o Gás Inovação, FAPESP Proc. 2014 / 50279-4, pelo apoio financeiro. Referências ABiogas - Associação Brasileira de Biogas e Biometano. Programa Nacional do Biogás e do Biometano. Versão 1. São Paulo, SP, 2015;. 69p. ANEEL, Capacidade de Geração do Brasil. BIG - Banco de Informações de

Geração. Disponível em: <http://www. aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/CombustivelPorClasse.cfm?Classe=Biomassa>. Acesso em: 01 fev.2016, 15h30. ANP 2016, Planilha de Importações e Exportações de Petróleo, medidas em metros cúbicos. Disponível em <http:// www.anp.gov.br/?dw=9083>. Acesso em: 17 fev. 2016, 10:00 CIBiogas - Centro Internacional de Energias Renováveis–Biogás. Desafios e Oportunidades para o Biogás no Brasil. Congresso Ecogerma 2015. São Paulo 30.9 a 01.10.2015. Patrocínio Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Disponível em: < http:// www.ahkbrasilien.com.br/pt/meio -ambiente/eventos/>. Acesso em: 01 fev.2016, 15h00. Deutsche Energie-Agentur GmbH (dena) German Energy Agency Renewable Energies, “Biogaspartner – a joint initiative. Biogas Grid Injection in Germany and Europe – Market, Technology and Players”. Chausseestrasse 128 a 10115 Berlin, Germany, 2014. IEA - International Energy Association. IEA Bioenergy Task 37 - Country reports summary 2014. IEA Bioenergy, 2014. In Global Bioenergy Statistics report 2015. Disponível em <http://www. worldbioenergy.org>. Acesso em 10 fev.2016, 16h00. ●

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Co be r t u ra d e fe i ra s

10º Congresso sobre

Geração Distribuída e Energia no Meio Rural As energias renováveis tem aumentado sua participação na matriz energética nacional nos últimos anos Fontes como energia solar, eólica e principalmente a biomassa, tem sido temas de fóruns, discussões e debates, visando incentivar e ampliar a participação de fontes limpas e renováveis para geração de energia. Nos dias 11 a 13 de novembro de 2015, o 10º Congresso sobre Geração Distribuída e Energia no Meio Rural – X AGRENER GD 2015, reuniu alguns dos principais especialistas do setor de energias renováveis do cenário nacional, para juntos, discutirem os rumos, dificuldades, e o futuro da geração de energia por fontes renováveis no Brasil. O evento aconteceu na cidade de São Paulo\SP, na Universidade de São Paulo (USP), tendo sido dirigido principalmente aos agentes envolvidos com o setor energético brasileiro, tais como, empresas públicas e privadas, instituições governamentais, pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, ONGs, associações, federações, dentre outros. O presidente da FAPESP, José Goldemberg, fez a palestra de abertura, que deu início aos trabalhos. Especialistas como, Zilmar Souza (ÚNICA), Ricardo de Gusmão Dornelles – MME, José Dilcio (EMBRAPA AGROENERGIA), entre muitos outros renomados palestrantes, fizeram apresentações que foram seguidas de debates, com perguntas feitas pela plateia. Gusmão Dorneles do MEE, comentou sobre a inclusão do biodiesel nos planos para diminuir as emissões de gases no efeito estufa, que serão apresentados pelo governo brasileiro no COP 21. A principal ação neste sentido será o aumento percentual do biodiesel no diesel, percentagem esta ainda não definida. Ainda segundo Dornelles, eventos como o AGRENER são importantes e relevantes, para discutir ideias que ajudem o setor a avançar cada vez mais. Quando se fala em geração de energia por Biomassa, todos sabem que uma das grandes forças é a geração que vem do setor de cana-de-açúcar. Segundo Zilmar Souza (ÚNICA), em 2014 a energia gerada por esta fonte, abasteceu cerda da 10milhões de famílias, isto sem citar a energia produzida para abastecer o setor sucrenergético, o qual é alto suficiente gerando sua própria energia. Segundo Zilmar o governo federal vai apresentar no COP 21, o projeto de

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até 2030 ter as fontes renováveis (BIOMASSA, SOLAR E BIOMASSA), aumentando sua participação na matriz elétrica nacional, de 10% para 23%. Um ponto fundamental para o sucesso deste projeto, será a definição de como cada fonte pode contribuir para alcançar estes números, finaliza Zilmar. Todos os palestrantes e coordenadores, foram unânimes em dizer, que o problema energético só não é maior, por que o país esta estagnado nos últimos 2 anos. Caso estivesse crescendo, com certeza teríamos sérios problemas para atender a demanda, e isto levaria a diversos apagões. No plano do governo federal, a cada 3 anos, novos projetos que representassem a energia gerada por uma ITAIPU, teriam que ser inseridos na matriz elétrica para acompanhar o crescimento industrial, também como aumento no consumo nas residências dos brasileiros. Estes projetos normalmente são contratados com bastante antecedência e preparados para serem preparados e adaptados as necessidades. O evento teve diversas apresentações do setor acadêmico, professores, alunos graduados, tiveram a oportunidade de apresentar seus estudos e pesquisas para avaliação de um comitê, que vai escolher os melhores projetos, e estes serem divulgados em Revista especializada. Para a coordenadora do evento, Suani Teixeira Coelho, apesar de já ter organizado vários seminários anteriormente, a organização do Agrener foi um desafio adicional pelo porte do mesmo. Ao final podemos fazer uma avaliação positiva pois tivemos mais de 110 trabalhos técnicos e 45 palestrantes convidados de várias instituições relevantes na área de energia no meio urbano e rural. Esperamos ter Contribuído para a divulgação das ERs como importante fonte para a geração descentralizada Este evento não teria sido possível sem o patrocínio da Fapesp e da Capes, além do patrocínio de empresas como o Grupo Segurador BB-Mapfre e da Carbogas, além do apoio de várias instituições acadêmicas como o PRH-4, a Escola Politécnica da USP e o NIPE/Unicamp, e de parceiros como a Biomassa BR, a Única e a Abiove. ●


Peduzzi, P.. Participação da agropecuária no PIB sobe para 23% em 2015. EBC - Agencia Brasil. Brasília, 10 dez. 2015. Disponível em: <http:// agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2015-12/participacaoda-agropecuaria-no-pib-sobe-para23-em-2015>. Acesso em 01 fev.2016. SALOMON, K.R. & LORA, E. E. S. Estimativa do potencial de geração de energia elétrica para diferentes fontes de biogás o Brasil. Biomassa & Energia, v. 2, n. 1, p. 57-67, 2005 WBA - World Bioenergy Association. “WBA Calculations.” Stockholm, 2015. In Global Bioenergy Statistics report 2015. Disponível em <http://www. worldbioenergy.org>. Acesso em: 10 fev.2016, 15h20. ●

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Notas

Porto do Rio Grande poderá contar com terminal para embarque de "pellets" silvoindustrial que está sendo instalada no município de Pinheiro Machado (RS), dimensionada para produzir 600 mil toneladas de pellets por ano.

A instalação de um terminal para o embarque de pellets de madeira no Porto do Rio Grande foi avaliada durante reunião, na sexta-feira (19/02), na Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, entre o secretário Fábio Branco, o diretor-superintendente do Porto do Rio Grande, Janir Branco, e investidores liderados pela empresa Finagro. Conforme Afonso Celso Bertucci, presidente da Finagro, a demanda mundial por "pellets" está aquecida, principalmente, nos países da Europa. Parte dessa demanda será suprida, entre outros fornecedores, pela unidade

Em uma área de 35 mil hectares, além de pellets para exportação, a unidade silvoindustrial irá gerar 50 mil watts de energia para abastecimento doméstico. Bertucci assinalou que o pellet é um combustível granulado fabricado a partir de diversos tipos de biomassa renovável. Em Pinheiro Machado, disse, a matéria-prima para produzir o pellet virá do eucalipto, pinus e acácia. O mercado europeu, onde 37% da energia consumida é gerada a partir de carvão mineral, busca substituir esta fonte, que gera impacto no efeito estufa, pela biomassa com elevado poder calorífico. Para o secretário Fábio Branco, tanto o terminal portuário como a logística de transporte deverá contemplar a integração de todos os modais para uma exportação estimada de 60 mil toneladas/mês. O diretor-superintendente do Porto do Rio Grande, Janir Branco, adiantou aos investidores todos os procedimentos que precisarão ser adotados para viabilizar a

FOTO ILUSTRATIVA INTERNET

instalação de um cais acostável de 500 metros de frente e das esteiras transportadoras, uma vez que o pellet, que tem formato cilíndrico com cerca de 8 milímetros de diâmetro, exige instalações adequadas para ser embarcado. Branco assinalou que, no âmbito do Plano de Desenvolvimento do Porto, é preciso compatibilizar as atividades portuárias, criando, assim, condições em termos de cais acostável e área física para esteiras, e alertou sobre os procedimentos licitatórios de áreas e instalações portuárias exigidos pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários.

Cavacos de madeira para geração de Biomassa

Empresa PLANALTO PICADORES se destaca no fornecimento de equipamentos da América do Sul e Europa. Outro diferencial da empresa é certificação com a ISO 9001-2008, sendo a única empresa nacional com este credenciamento.

O mercado de cavacos de madeira esta cada vez mais aquecido. Muitas empresas como BUNGE, CARGIl, MASISA estão utilizando os cavacos de madeira para gerar energia.

- ENGENHARIA

O principal equipamento neste processo de produção dos cavacos são os picadores. O Brasil conta com muitas empresas que atuam fabricando estes equipamentos. No mercado desde 1998, a Empresa Planalto Indústria e Comércio LTDA tem se destacado a cada ano pela qualidade e alto desempenho dos seus equipamentos. Com uma técnica altamente treinada e qualificada, a empresa oferece aos seus clientes e parceiros o que a de mais moderno, além de tecnologia de ponta. Projetando maquinas e equipamentos para as indústrias; Madeireiras, Celulose, MDF, produção de Biomassa, a empresa hoje é sinônimo de confiança e credibilidade. Todos estes diferenciais permitem que empresa esteja apta a desenvolver e elaborar projetos especiais, de acordo com as necessidades de cada cliente, adaptando a tecnologia Planalto sempre em benefício de cada projeto. Os equipamentos da PLANALTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO, estão instalados de norte a sul do Brasil, além da atuação no mercado internacional, tendo exportado máquinas e equipamentos para países tais como; USA, África, e diversos países

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clientes.

Através dos sistema CAD/INVENTOR e uma equipe técnica altamente qualificada, a empresa busca a excelência no atendimento e o que de mais moderno no mercado para dar um suporte qualificado aos parceiros e

- DIVISÃO DE MÁQUINAS • Pátios completos de produção de cavacos para a Indústria de Celulose, MDF; • Picadores a tambor para toras, cascas, resíduos de serraria, lâminas de madeira Picadores a disco para a produção de cavacos á partir de troncos; • Picadores a disco inclinado para a produção de cavacos para processo a partir de costaneiras descascadas; • Picador móvel acoplado ao terceiro ponto de tratores agrícolas, para processamento de resíduos florestais etc. \ Repicador de lascas \ Peneiras Classificadoras de Cavacos; Maiores informações pelo site: www.planaltopicadores.com.br


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