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bem calibrado, pois só assim saberá, com certeza, suas capacidades diárias de deslocamento. Caso não tenha informação de qualidade sobre o percurso que pretende fazer, planeje com folga: guarde energia para o final do dia e para o dia seguinte, carregue água e comida sobressalente. Pense sempre que seu treinamento diário geralmente ocorre em condições ideais, que não correspondem à realidade de uma viagem com todo o equipamento sobre a bike. Em viagens mais longas, quando a empolgação dos primeiros dias passa, e enquanto não chega a empolgação pela concretização da viagem, bate um desânimo que pode ser facilmente curado com um dia de descanso. Em viagens de mais de uma semana, conte pelo menos um dia de folga para cada cinco de pedal, afinal, mesmo um

cavalo que trabalha no campo necessita de folga a cada quatro ou cinco de trabalho duro. Mesmo que leve em equilíbrio seu pedalar, e que não esteja assim tão cansado, o dia de folga serve para ser preenchido pelo imprevisto que, a rigor, deve acontecer em uma viagem de bicicleta. Em minha volta ao mundo nunca tive informações de qualidade; de toda forma, seguia um planejamento anual, pois sabia que deveria evitar ser pego pelo inverno em grandes altitudes ou latitudes, ou chegar a uma região no começo da temporada das chuvas. Havia também um planejamento mensal onde pesava muito as datas de visto dos países em que estava, e dos que iria entrar e/ou onde poderia consegui-las. Meu cálculo de deslocamento rondava os 2.000 km por mês, dependendo do relevo da região e das atrações que desejava ver. Desta forma, deixava o dia a dia bastante flexí- 

 Estrada Real, Minas Gerais. Encontro com viajante japonês no meio do deserto. 

EDIÇÃO DIGITAL 03 JANEIRO - FEVEREIRO 2017

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Revista Bicicleta Edição Digital 03  

Janeiro / Fevereiro 2017

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Janeiro / Fevereiro 2017

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