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por João Moreira

Hugo Macedo

Quase no final do ano passado, a Fundação EDP “deu à luz” o MAAT, um projecto há muito sonhado de revitalização dos 38 mil metros quadrados que possui à beira Tejo, em Belém, conjugando o icónico edifício da Central Tejo, com um novíssimo espaço expositivo que é já uma das pérolas arquitectónicas da cidade, incluído recentemente na shortlist dos finalistas do Prémio Mies van der Rohe da Comissão Europeia para as melhores obras de arquitectura em território europeu. O projecto foi da responsabilidade do premiado atelier britânico de arquitectura e design AL_A fundado em 2009 pela arquitecta galardoada com o RIBA Stirling Prize, Amanda Levete, que nos explica que o projecto se baseou “no contexto do local, criando ligações físicas e conceptuais na zona ribeirinha que se repercutem no coração da cidade.”

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De facto, o novo espaço da Fundação EDP promove uma ligação da cidade ao rio de forma perfeita. A cobertura, um dos mais atractivos pormenores do projecto e que convive de forma harmoniosa com a natureza envolvente e com a arquitectura industrial da Central Tejo, transformou-se rapidamente num espaço apropriado pelo público que assim, pode circular por cima, por baixo e através do edifício. Os acessos que estão a ser concluídos e que se espera estejam prontos em Maio, contarão com uma nova ponte pedonal que ligará Belém ao Tejo e um projecto paisagístico da responsabilidade do arquitecto paisagista Vladimir Djurovic que envolverá os dois edifícios num parque verde com 300 árvores e mais de 30 mil arbustos. Passados os primeiros meses de actividade e com o museu encerrado para instalação das novas exposições, os números não podiam ser mais auspiciosos. Desde a sua inauguração, no dia 5 de Outubro, passaram pelo novo edifício do MAAT mais de 200 mil visitantes, que puderam usufruir do museu gratuitamente, o que deixará de acontecer a partir da reabertura agendada para 21 de Março, altura em que passarão a pagar um bilhete único de 9 euros, que permitirá acesso aos dois espaços expositórios. Para perceber um pouco melhor a estratégia delineada para a futura programação do MAAT, conversámos com o seu Director, Pedro Gadanho, recentemente regressado de Nova Iorque onde ocupava as funções de

Curador de Arquitectura Contemporânea do Museu de Arte Moderna (MoMA). “A programação, em primeiro lugar, destinase a fazer uma ligação do passado da Fundação EDP com aquilo que é um futuro muito conectado ao cenário internacional. Nesse sentido, por um lado, continuaremos a querer apoiar os artistas portugueses, contribuindo para a sua difusão internacional e por outro, queremos ir buscar alguns projectos âncora de fora, que ao mesmo tempo trazem conteúdos que não estavam a vir para Lisboa e que nos permitem entrar numa outra área de obra nova de artistas com reputação internacional que também não estavam a fazer o seu circuito por aqui. No fundo, analisaram-se os diversos espaços, quer o novo edifício quer a Central Tejo e foi-se à procura de parcerias internacionais para trazer conteúdos para cá, que não estavam a passar por Lisboa, nomeadamente exposições que circulam internacionalmente ou que são organizadas por museus em cidades referência no turismo cultural internacional e trazer estas exposições a Portugal logo que caíssem dentro do âmbito temático do novo museu. Desta forma conseguimos, não só fazer um serviço ao público português que não pode viajar para ver exposições, como também, atrair público estrangeiro. Quando se atrai público estrangeiro, podemos mostrar artistas portugueses que passam a ser levados para outros lados com uma referência. Portanto, a ambição da programação cozeuse por essas linhas e é, obviamente, suficientemente diversa, no sentido de abarcar as ligações à cultura urbana, à cidade e à arquitectura, como um dos temas que o museu decidiu abraçar, mas também à tecnologia, ou seja, à forma como os artistas reflectem o tema das tecnologias nas nossas vidas. No fundo, tecnologia e cidade são categorias semelhantes ou gémeas. A cultura urbana, as transformações das cidades nos últimos anos e a cultura tecnológica que se revela no digital das redes sociais, mas também no impacto das alterações climáticas, no uso do computador para produzir trabalho, são categorias semelhantes que levam muitos artistas a reflectir sobre a condição do presente. Estamo-nos a direccionar para o campo de um olhar crítico sobre o presente e sobre a

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