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JSF: Mas uma coisa muito importante, é que qualquer das pessoas que estiveram envolvidas nisto tinham de facto uma esperança ou uma fé, como lhe quisermos chamar, de que isto ia resultar e mesmo quando se sentia que as coisas estavam mais difíceis, arranjava-se sempre uma solução. Eu tenho como lema na vida “há sempre solução para tudo” e aqui houve e foi bom, foi muito importante. Bem, eu vou entregar a telha quando sair da câmara. (risos)

cólogo, do psicólogo...

Todos: (risos)

PLM: Completamente intuitivo de mãe, de tal forma que eu fui até aos 2 anos e meio a tontinha da família.

Bica: Quais são os maiores problemas que se colocam a um pai e a uma mãe que tem um filho nestas circunstâncias? PLM: Não é fácil esta problemática dos nossos filhos. Em primeiro lugar, não é facilmente diagnosticada, muitas vezes os pais sentem-se à toa, porque vão ao pediatra e do pediatra vão ao médico de desenvolvimento e do médico de desenvolvimento, vão ao psi-

PLM: O meu caso é um caso comum porque muitas vezes acontece aquilo que me aconteceu a mim. Quando o meu filho nasceu eu sabia que ele tinha qualquer coisa, eu sentia que ele tinha qualquer coisa.

Bica: Era uma intuição de mãe?

Bica: A única que tinha a certeza que o seu filho era diferente. PLM: Era um sentir, que às tantas acabou por ser um sentir muito silencioso. Era um sentir que o meu filho tinha qualquer coisa, porque os meus sobrinhos não agiam assim e a minha filha mais velha não agia assim. Fui pesquisar, não fui para a internet que nem sequer existia nesse tempo, mas o meu pediatra, perguntei-lhe variadíssimas vezes o que é que o Nuno poderia ter, ou o que poderia não ter, desvalorizaram sempre este meu sentir de mãe.

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José Sá Fernandes tem de sair para uma reunião camarária e aproveitamos para conversar com Piedade Líbano Monteiro sobre a sua própria experiência enquanto mãe de jovem portador de Síndrome de Asperger e sobre o efeito familiar da doença.

Bica: No seu caso como é que foi?

BICA 1  
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