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Se ouvirmos muitas das discussões que estão, neste momento, a acontecer aqui na Web Summit, percebemos que estas abordam questões muito mais profundas do que questões de carácter meramente tecnológico. Elas mergulham além da superfície e abordam questões como tornar o mundo um local melhor, como melhorar a colaboração e a comunicação entre os povos, como lidar com um futuro onde a tecnologia irá modificar

tal como mecanismo de comunicação. Mas, mais importante do que isso, é compreender que a revolução digital não está a alterar apenas as formas de comunicação e conectividade, mas está igualmente a metamorfosear a própria realidade. Uma das funções da Igreja é, precisamente, comunicar. Afinal a Igreja foi fundada por Jesus para difundir a sua mensagem, as suas ideias pelo mundo. A tecnologia, por si só, não nos salvará. Acho que é importante compreender que a revolução digital está a mudar a nossa forma de estar e pensar, assim como a própria forma como nos expressamos.

Para melhor ou pior? Acho que poderá ser para melhor. Mas é importante perceber que isso não acontecerá automaticamente. Essa é uma das razões porque me encontro aqui. Para me certificar e encorajar as pessoas a utilizarem esse potencial tecnológico da melhor forma. Repito: a tecnologia, por si só, não nos salvará. As pessoas de boa vontade terão de trabalhar em conjunto para se certificarem que as novas tecnologias são usadas de uma forma positiva através da criação de uma cultura e envolvência que conduza ao bem estar comum.

Antes de mais, desejo ouvir, aprender e perceber o ambiente deste encontro e estou muito feliz com este convite para fazer parte deste simpósio. Por outro lado, o meu desejo pessoal e particular de deixar algumas palavras de encorajamento. Ontem, algumas pessoas estavam muito perturbadas acerca de uma eleição… É preciso ultrapassar momentos como esse, prosseguirmos e não cairmos em armadilhas… Muitas das instituições representadas nesta Web Summit têm muito a oferecer a este encontro, mas a sabedoria tradicional da Igreja também tem muito a oferecer.

Sua Santidade o Papa, possui uma página de Facebook e Twitter, como comenta este facto? Acha importante esta aproximação dos fieis através das redes sociais? Sim, a Igreja está interessada no espaço digi-

Inicialmente a Igreja interessou-se pela tecnologia em si mesma, mas agora o interesse da Igreja é no novo mundo criado por essa mesma tecnologia. O Papa Bento foi à África e Ásia para aprender novas línguas e costumes. Agora, a Igreja também necessita de compreender e conhecer esse novo continente que é o mundo digital. Este novo mundo não é diferente do anterior, mas integrado. Como quando uma pessoa como eu coloca o seu nome no google para descobrir de quem se trata e o que faz e viceversa. Não altera quem somos, mas potencia e releva quem somos e a nossa forma de estar e viver no mundo. 50 mil pessoas estão, neste momento, a partilhar conhecimento relativo às tecnologias de comunicação. A chave é fazer parte dessa partilha de ideias que leva ao progresso. Uma das coisas que me preocupou foi a constatação de que não há muitas caras africanas aqui…

E, em Portugal, tínhamos essa obrigação…

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os princípios básicos do trabalho e da própria economia…

BICA 1  
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