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Quais são os caminhos do futuro da Abyss & Habidecor? “O futuro desta empresa é ser como até aqui, partilhar Portugal, talvez de outra forma. Estamos a pensar em ter lojas próprias. Isso será um sucesso. Estou a falar da geração dos meus filhos, dos filhos da equipa que está aqui. O futuro é ter boutiques próprias. Boutiques Celso de Lemos espalhadas pelo mundo inteiro, que vendam Portugal, que vendam tudo o que é feito em Portugal. Tudo o que tem o nosso espirito que se baseia na qualidade, produzido de acordo com aqueles valores simples da vida: não gastar mais o que se tem no e respeitar o outro. Acho que temos uma equipe que pode fornecer boutiques nossas espalhadas pelo mundo e podemos juntar o vinho, o azeite, sapatos, pois Portugal é um grande produtor de sapatos. O futuro é isso. É trabalhar pelos outros, pelas boutiques que são nossas clientes no mundo, abrirmos as nossas boutiques próprias e proteger o mercado. Por exemplo, hoje em dia existe uma ferramenta que é a internet com a venda online e nós estamos a começar a dar alguma atenção a isso, mas começámos com uma politica muito cuidada. A nossa venda online não pode ser para toda gente. Nós vamos diminuir ou controlar as vendas online, porque vendendo online deixamos de poder acompanhar a forma como as toalhas estão dobradas na loja, se foi colocado o perfume, se a apresentação está como pretendemos. São dois mundos diferentes para o mesmo resultado. Por isso temos que ter cuidado com a internet. Hoje posso confirmar que a marca Celso de Lemos vai surgir como uma colecção de roupas de cama de prestígio, por isso não vamos vender pela internet. Temos que proteger o produto.” Queremos conhecer a opinião de Pierre sobre a aposta do pai na Quinta de Lemos, que produz excelentes e já premiados vinhos do Dão e na Mesa de Lemos que é uma refe-

rência gastronómica nacional e se entende essa diversificação como uma estratégia de marketing para cativar os clientes da Abyss & habidecor. “Não. Não foi uma estratégia de marketing. Foi um sonho fantástico de um puto de 17 anos tornado realidade! Ele fez a Quinta para acolher e para receber os amigos e a família. Foi uma espécie de homenagem a Portugal, uma homenagem à terra dele! Mas, claro que também se tornou um factor de marketing para os nossos clientes. Por exemplo, temos um cliente do Dubai, uma miúda que nasceu no Afeganistão e estudou nos Estados Unidos e trabalha para uma empresa no Dubai. Convidei-a para vir visitar a Quinta e ver os nossos produtos no local e percebi que ela estava meio sem vontade. Fora de Paris, fora de Milão, sabes como é... Mas acabou por vir e aí entendeu o percurso deste homem, o percurso do sonho deste homem que queria partilhar com ela o que é Portugal. Então ela volta, e volta e volta, e criamos uma melhor relação, uma relação mais humana. Isso também traz uma nova energia à nossa relação comercial. Mas, na verdade, foi o sonho deste homem em querer mostrar aos seus amigos e clientes o quão bela é esta região, o quão belo é o seu país! É amor à terra!” A mesma opinião tem a filha Geraldine de Lemos, mas já lá iremos. Geraldine tem um olhar profundo, com um je ne sais quoi de provocador que nos fita de forma intensa e penetrante. Nascida na Bélgica, “com uma educação muito rígida. A educação de um pai emigrante que queria que os filhos seguissem o caminho dos estudos.” Geraldine cedo descobriu a sua vocação para as artes. “Queria desenhar. O desenho era a única coisa que me agradava.” A opção criou alguma discórdia entre pai e filha, mas mesmo assim conseguiu ir estudar para a Escola Superior de Artes Saint-Luc em Bruxelas. No início não foi fácil, para uma menina de uma família tradicional de emigrantes portugueses, habituada a ser controlada e a obedecer, ver-se sozinha no meio artístico de Bruxelas, onde se estimulava os alunos a esprimirem-se, a transpôrem para as artes as suas ansiedades, os seus desejos, as suas emoções, o seu eu, tudo o que sempre fora habituada a reprimir. Não foi fácil, mas como era teimosa e queria provar ao pai que conseguia, lá acabou o curso. “Para mim foi importante esta experiência, até para dominar a técnica. Aprendi a contornar o que não sabia ou não dominava tão bem. Por exemplo, o retratismo que definitivamente não me atraía. Eu não queria pintar certinho, bonitino, queria exprimir o que sentia no momento.”

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“Não! Não, estou nada à frente da empresa. Quem está à frente da empresa é uma equipa. Somos uma empresa de cariz familiar, mas à frente está uma equipa. Temos um coach que é o Celso de Lemos e temos uma equipa. Nós trabalhamos em família. Eu defendo os valores desta família, os valores desta empresa. Acho que o faria da mesma forma mesmo que não fosse filho de Celso de Lemos. Eu gosto desta empresa, gosto de Portugal, gosto de vender, gosto de partilhar Portugal no mundo, gosto do meu trabalho diário, mas à frente da empresa, nem pensar. Ainda bem que o meu pai está cá. No futuro eu vou dar tudo para que esta empresa funcione nesta linha e que estas regras se mantenham. Se vou ter capacidade ou não, francamente não sei.”

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