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mem-se tendencioso, a melhor discoteca do país. Diria até da península ibérica e uma das melhores do mundo. Vivi um ano em Berlim e o Lux consegue até superar muitos dos seus dancefloors. Perguntei então quão importante é o seu contributo na indústria da música electrónica (e não só) em Portugal? “O contributo é inegável. O Lux aparece em 98 como algo muito desejado. Moldou gostos, gerações, o que ouvimos, como dançamos. Criou e gerou tendências e tenta sempre estar na vanguarda daquilo que se faz no mundo inteiro. É maravilhoso poderes sair todos os fins de semana e teres musica incrível para ouvir.” Mas como conseguem? “Faz parte do código genético do Lux estar na Vanguarda. O clube é do Manuel Reis que é um homem que está sempre è frente, desde sempre, desde que abriu o Frágil. Por isso, mesmo que ele não quisesse estar, ele estaria na frente, está-lhe no código genético e as pessoas que trabalham com ele estão envolvidos nisto há muito tempo e têm um gosto irrepreensível. Estão sempre atentos!” Sobre a sua responsabilidade enquanto relações públicas e, como se diz na gíria, o grande responsável “pela direita”, Ricardo Varela conta que o seu maior objectivo é ser Welcoming. Fazer com que as pessoas se sintam bem: “Essa é a minha única responsabilidade”. E os leigos que tremem pela fila normal? “Faz parte do encanto de entrar no Clube”. Sim, é que confrontei Ricardo com a intimidação que se sente naquela longa fila de entrada mas, de facto, concordo com o que me disse: “Nada como um nervoso miudinho para dares realmente importância à experiência que vais ter lá dentro”.

Para finalizar a nossa agradável conversa e tendo em conta o contacto inegável que Ricardo Varela tem com o meio da música electrónica em Portugal, perguntei qual a sua percepção neste momento? “ Está cada vez melhor, cada vez mais a ferver. Estamos numa fase como eu ainda não tinha vivido. Cada vez há mais labels, mais projectos, mais gente a pôr música, mais gente a interessar-se pela produção de som. Isso notase: na programação, na quantidade de festas e de relaeses. Vais a uma loja de discos conhecida, por exemplo, a Phonica em Londres, começas a procurar e há pelo menos uns 20 ou 30 releases que são portugueses e não é uma coisa estranha. Se calhar há 10 anos podia ser estranho. mas a coisa está a ferver, está! It`s happening! Escrever este texto foi uma verdadeira Odisseia e, como já disse, não teria sido possivel explorar a indústria da música electronica sem a ajuda e participação dos três entrevistados e por isso vos deixo o meu Muito Obrigado! Has been a pleasure.

Fotografias 01- Fotografia de André Leiria 02- Mary B 03-Fotografia de Luísa Ferreira 04- Bernardo Mascarenhas de Lemos em frente ao Berghain

BICA 1  
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