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Espero não ser muito rebuscado mas vou elaborar aqui uma metáfora: Jorge Caido (Low) é o grande responsável por manter uma base sólida de futuros músicos e artistas da cena electrónica em Portugal. Não fosse a sua loja Carpet and Snares a funcionar como um HUB (vão perceber na entrevista) não teríamos toda uma geração a discutir e trocar ideias para a posteridade. Precisamos de bom som para o próximo milénio. O Jorge é o Low, é assim como aquele bass e kick que ouvimos e é essencial para a música. O papel do Jorge Caiado é essencial para uma continuidade sólida e segura da industria da música electrónica em Portugal.

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HIGH

Ricardo Varela (Mid). Sabem aquele “clap” que ouvimos nas músicas? Muitas vezes está nos médios. E quem melhor para representar o clap do que um dos homens responsáveis pelos Claps (aplausos) que ouvimos na discoteca Lux. Sem crowd, sem público, não há quem mantenha a artéria vital dos músicos e Dj`s.

MID

A conversa com o DJ e Produtor Jorge Caiado durou mais de uma hora. O seu percurso é fascinante, pelo que me é difícil resumi-lo.

Em idade de sair à noite descobriu a música House e o seu fascínio fez com que começasse a mixar cedo. Aos 16 anos já era DJ em alguns bares locais. Algum tempo passou e, na altura de ir para a faculdade, apesar de ter estado em economia e de sempre ter gostado de matemática, foi “o folheto” que a irmã lhe deu que transformou a sua vida: “Li o folheto e apercebi-me que era exactamente aquilo! Nem sabia que havia essa licenciatura. Nesse segundo inscrevi-me no curso”. Jorge Caiado inscreveu-se e entrou, tornando-se num dos quinze alunos do curso de Produção de Música e Som na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo). O grande turning point da carreira de Jorge Caiado como músico veio em 2010 quando abriu a noite do gigante da música House, Chez Damier. Conta o produtor português que, quando chegou a hora de tocar a última música, os amigos puxaram por ele para que tocasse umas das suas produções. JC fê- lo e no momento de ser “substituído”, a lenda americana da música House, perguntou de quem era aquela última faixa. Quando soube que era do português marcou um encontro imediato para mal acabasse aquela noite. A partir daí as faixas do português Jorge Caiado passaram a ouvir-se do outro lado do Atlântico e a sua imposição como músico da cena House aconteceu. Mas como é ser músico em Portugal? “Ser artista em Portugal é muito difícil sobretudo pela dimensão do nosso país. Se não trabalhares um mercado mais mainstream é praticamente impossível viveres da música. Acho que se devia olhar para os artistas sobre uma óptica mais séria,

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A Mary B (High). Naturalmente, High, alto, está lá bem em cima: é uma senhora no meio de homens (coisa que nunca a incomodou) e com um gosto irrepreensível. A Mary B eleva a música a um nível superior.

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JORGE CAIADO

Jorge Caiado é natural da Póvoa de Varzim. Vê a sua ligação à música como algo natural, que surgiu desde pequeno pelo contacto com a discografia dos pais e dos avós: “sempre estive muito confortável a ouvir musica em casa”.

LOW

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Espero que estes testemunhos possam dar a conhecer mais sobre a Indústria da Música Electrónica em Portugal. E, se estás a ler este texto entre o mundo virtual do teu smartphone e o nosso mundo, é porque deves ser daqueles que estão na pista de dança agarrados ao telemovel. Mau principio: Turn it off and Dance!

BICA 1  
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