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LOW MID HIGH: Descobrir a indústria da música electrónica em Portugal. Quando soube que a segunda edição da BICA teria como tema central o Som, imediatamente sugeri ao Editor, João Moreira, escrever uma peça sobre a indústria da música electrónica em Portugal. Porquê? Pelo meu fascínio: o som electrónico provoca em mim uma sensação altamente agradável. Faz o meu corpo mover-se em dimensões inimagináveis e faz-me acreditar que a vida é incrível (e não, não pus, nem preciso de pôr um Ecstasy). É uma sensação difícil de explicar mas ela acontece. É como se entrasse numa viagem indescritível onde os sentimentos se misturam. Uma viagem espacial onde vejo fios eléctricos, ondas e cores sentindo um sentimento altamente reconfortante.

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Pode dizer-se que o meu fascínio vem também da experiência que tive. Vivi um ano na capital do mundo electrónico, Berlim. Entre 2014 e 2015, a minha mente mergulhou nos sintetizadores e perdeu-se, positivamente, na potência máxima das Fuction One. No meu ano em Berlim explorei mundos inventados. Escapes de realidade que convergiam numa dança frenética e nos quais, todos os que participavam estavam ali pelo Som, esse guia confiável e concelheiro verdadeiro. Desde o famosíssimo Berghain às festas intermináveis (às vezes duravam 5 dias) do Sisyphos ao mítico Watergate. Os meus pés pisaram todos estes dancefloors, a minha energia propagou-se com a do som e dancei, dancei, dancei. Às vezes mais de oito horas. A dança era inevitável muito por causa das vibrações electrónicas que não me deixavam estar quieto. Em Berlim conheci de tudo: grandes malucos, músicos, dançarinos, pintores, arquitectos ou apenas peregrinos do som electrónico. Eu próprio foi um peregrino.

por Bernardo Mascarenhas de Lemos

Tentei conhecer a música verdadeiramente mas não consegui. Ninguém consegue, ela é inatingível e incompreensível. A melhor maneira de a compreender é dançando. Dançar é libertar energias através do nosso corpo, é celebrar a dádiva da vida. É ficarmos felizes e agradecidos sem agradecermos pessoalmente a ninguém. O agradecimento são os pés e os braços em constante movimento. E para mim, o contributo da electrónica nesta celebração é inegável. Foi exactamente por isso que quis explorar o universo da indústria da musica electrónica. Pode dizer-se que é a minha espécie de agradecimento por ela existir no nosso país, estar cada vez mais on fire. Para que pudéssemos compreender melhor qual o panorama em Portugal tive, inevitavelmente, de contar com a ajuda e testemunho de três importantes pessoas: O DJ e Produtor Jorge Caiado, a DJ e emblemática Mary B e Ricardo Varela, o “homem da direita”, que tem a seu cargo a enorme responsabilidade de decidir quem tem o privilégio de entrar na Meca electrónica portuguesa, a discoteca Lux. Foram três conversas diferentes e extremamente interessantes. Estão a ver um mixer? Ele “divide” as frequências da música que está a ser tocada em Low, Medium, High. Para quem não sabe inglês: baixos, médios e, pensem vocês. Estas divisões são essenciais à música que está a ser tocada. No caso do meu artigo todas as personalidades que entrevistei foram essenciais para a sua concretização.

BICA 1  
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