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O M.O.B. Jaen faz parte de uma gama de vinhos interessantíssimos que nasce pelas mãos de 3 enólogos amigos, qualquer um deles responsável por grandes vinhos do Douro. Juntaram-se numa região que não a sua, trazendo cada um a sua experiência e intuição. Fruto de tudo isto, nasce o M.O.B Jaen, feito unicamente a partir desta casta do Dão que demostra um perfil cheio mas vibrante. Que bom vinho! E que bom fado também! Carlos do Carmo e Raquel Tavares emprestam toda a sua alma a esta letra que define o próprio fado. “Fado é amor que sobrou d’algum queixume...”. A mestria no uso das palavras impressiona, bem como o ritmo ligeiro e alegre com que se fala do tema pesado que é o fado. Tanto neste tema como no projecto M.O.B., estamos perante trabalhos feitos a várias mãos. No primeiro caso são dois fadistas com estilos bem diferentes, no segundo três enólogos. Em comum têm o facto do resultado de cada parceria ser maior do que a soma de cada uma das partes envolvidas.

M.O.B Jaen 2013

Um vinho do Douro Superior, feito a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Franca, revela muita frescura e uma complexidade elegante. No nariz frutos silvestres e alguma madeira de finíssima qualidade, na boca um corpo muito harmonioso e um final persistente. E no ouvido como seria? Depois de vaguear por alguns nomes e estilos, comecei a perceber que este vinho seria jazz. Talvez sugestionado pelo nome “Maria de Lourdes” achei que seria jazz numa voz feminina, quente e envolvente... começou então a revelar-se com maior nitidez: Diana Krall. O tema Peel Me A Grape (com versões encantadoras em tantas outras grandes vozes do jazz) é ao mesmo tempo uma provocação e chamada de atenção. A interprete reclama em tom quase de ameaça atenções e cuidados ,mas simultaneamente dá a entender que se os tiver a recompensa será uma entrega total deixando revelar o seu melhor lado. Esta ideia enquadra-se muito bem no Maria de Lourdes, um lado menos visível da CARM mas apaixonante depois de conhecido.

CARM Maria de Lourdes tinto 2011 Região: Douro

Castas: 30% Touriga Franca, 70% Touriga Nacional Vinhas: Quinta da Urze Estágio: 24 meses em barricas de Carvalho Francês Álcool: 15% Engarrafamento: Junho 2014 Preço: 30,00€

DSF Moscatel Armagnac Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel de Setúbal Região: Península de Setúbal Tipo de Solo: Argilo-Calcário Vinificação: Fermentação é parada com adição de aguardente. Neste caso é proveniente da região francesa de Armagnac. O vinho tem uma maceração pelicular de 3 meses. Preço: 19,00€

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A associação entre esta música e vinho é talvez a mais obvia! O tom quente, lento, doce, aveludado e romântico de Roxanne encaixa com alguma evidência no Moscatel de Setubal da José Maria da Fonseca. Mas a ligação é mais profunda, vejamos. Domingos Soares Franco inovou onde era difícil de o fazer. A produção de Moscatel de Setúbal está altamente regulamentada para que se mantenha a genuinidade e o perfil desta categoria de vinhos. Neste contexto de pouca margem de manobra, DSF agiu “out of the bottle” e substitui a aguardente normalmente usada para a produção do vinho por um armagnac, conseguindo assim este fantástico moscatel cheio de frescura e subtileza. Este poder reinventivo foi igualmente bem sucedido na versão que George Michael faz de uma das músicas mais conhecidas dos The Police. A “nova” versão de Roxanne não substitui a anterior, pelo contrário vem até valorizar e demonstrar o seu grande potencial. É exactamente isto que acontece também com o DSF Moscatel de Setúbal Armagnac.

Produtor: M.O.B. Região: Dão Castas: 100% Jaen Enologia: Jorge Moreira, Francisco Olazabal, Jorge Serôdio Borges Preço: 17,50€

BICA 1  
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