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entrevista

SALVADOR SALAZAR por Bernardo Mascarenhas de Lemos cedidas por Salvador Salazar e António Garcia

Surrealismo e sub realismo são conceitos que a sua mente adora desafiar e aos quais eu me desafiei na sua companhia. (E se achou este parágrafo confuso pergunto-lhe se a confusão é real ou apenas parte de uma debilidade cognitiva. Afinal de contas o que é confuso?) O designer chama-se António Garcia. É tão criativo como o seu homónimo responsável pelos maços de SG Ventil (para perceber terá de ler a entrevista). Dizse inquieto. Com o Mundo, com tudo! Quer viver intensamente procurando novas aventuras e novos desafios, numa tentativa de se exceder a si mesmo. Como aliás aconteceu quando foi percorrer meio mundo durante seis meses, solo. O António não pára e não querer parar. Entre o design e a pintura de grandes murais, preocupa-se com o tempo, uma noção que acredita, estar cada vez mais esquecida.

Como surgiu a paixão pela pintura? Sempre pintei desde miúdo. Sempre desenhei e sempre estive inclinado para o mundo das artes. Será que isso teve alguma influência? Não sei, acho que foi uma coisa natural.

Quais as técnicas artísticas que mais gostas de utilizar? Gosto muito de desenhar, sobretudo a carvão. De trabalhar com acrílico, aguarela e lápis de cor. Gosto da gravura enquanto técnica, mas adoro descobrir novas técnicas misturando diferentes materiais. Hoje em dia ando a experimentar escultura: barro e gesso mas ainda estou numa fase de experimentação.

Tens algum artista que te inspire particularmente? Edvard Munch e a suas gravuras. Magritte, não sei bem como mas ele inspira-me de alguma maneira. Depois, Picasso. Não tanto pela sua arte mas pela atitude que sempre teve. Explorou vários estilos, esteve sempre à frente, foi um verdadeiro vanguardista. Portugueses: Helena Almeida e Paula Rego.

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Num atelier meio escondido na Ajuda, tenho dois grandes amigos. Um é pintor, o outro é designer, ambos são artistas. O pintor chama-se Salvador Salazar e garante que nada neste mundo é 100% real. Seja no amor, nas amizades, no trabalho ou nas banalidades do dia a dia. Lidar com este mundo falso só tem uma solução: refugiar-se num outro. De preferência criado por si. Encontra assim reconforto em universos paralelos e aprecia as loucuras da não realidade (o que quer que isso signifique). O Salvador acha que entre a tela e a parede está o subconsciente da tela.

BICA 1  
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