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que a vontade da dança se desvanecesse como acontecera com a de ser flautista ou judoca ou jardineiro, do que crentes nas reais intenções do garoto. A verdade é que foi e lá ficou para a vida. Dos 11 aos 16 anos esteve na CNB depois, fez audição para o Ballet Gulbenkian e entrou. Esteve lá 2 anos, dos 16 aos 18. Gostou muito, mas queria fazer outras coisas. “Coisas minhas, mas faltava-me teoria, porque o ensino hoje é muito melhor, mas na altura, as escolas de dança ensinavam dança, ponto. Não tinham filosofia, não tinham história, não tinham música, nada. Portanto, fiz o liceu normal na António Arroio e depois fiz a Escola Superior de Dança, já na perspectiva de querer criar coisas minhas, querer fazer espectáculos meus, querer viajar o mundo.” Esta ânsia pela descoberta levou-o para o estrangeiro, mas por pouco tempo. “Sempre tive esta mania de querer fazer as coisas por aqui. Não é propriamente o país mais fácil para a dança, mas gosto de fazer aqui, porque acho que a solução não pode ser irmos todos para fora.” Por isso foi ficando e ainda bem!

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1HD Uma História da Dança Teatro Camões 28 de Janeiro a 3 de Junho às 16h Coreografia e Direcção Artística – Bruno Cochat

Bica: Então, em 2017 toda a programação é ainda da responsabilidade da Luísa Taveira? Paulo Ribeiro: Inteiramente e sem espaço para mais nada. Vamos estrear uma peça para público jovem em finais de Janeiro e outra para o público mais tradicional, ambas com dispositivos cénicos pesados e complicados e estamos a fazer coabitar estes dois universos aqui, no Teatro Camões. Depois, vamos numa tournée pelo país fora em que apresentaremos cerca de 70 espectáculos em 4 meses, que correspondem a 4 programas a acontecerem ao mesmo tempo! Entretanto vamos ter o Festival ao Largo e logo a seguir, temos duas criações novas que apresentaremos em Setembro. Portanto, não há espaço para mais nada. Bica: Regressando ao teu trabalho na afirmação de uma cultura de dança no interior do país, quais foram as principais dificuldades que encontraste para desenvolver um projecto tão vasto como o que acabaste por concretizar em Viseu e que implicou a fundação de uma companhia de dança contemporânea, uma escola de dança e a direcção do Teatro Viriato? Paulo Ribeiro: A dificuldade maior que encontrei em Viseu, logo no início, foi o facto de não existir o hábito de apresentações regulares. Não falo da apresentação de espectáculos e

BICA 1  
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