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Todo este trabalho sério que temos vindo a desenvolver levou a que, de editora regional quando começámos passássemos a ser olhados com respeito e admiração a nível nacional. Bica: As Edições Esgotadas nasceram em Viseu?

ordem social ou psicológica, é possível fazerse um tratamento através da leitura. Claro que não é uma leitura aleatória, é uma leitura escolhida pelo terapeuta, especificamente para cada caso. Eu própria fui professora durante 42 curtos anos e no âmbito da pósgraduação que tirei nesta área, apliquei nas minhas aulas e devo dizer que os resultados foram fenomenais, sobretudo em casos relacionados com indisciplina.

Teresa Adão: Em Moimenta da Beira, depois é que passámos para Viseu e agora vamos abrir no Porto e em Aveiro.

Bica: Além da poesia e da literatura lusófona, quais são as outras áreas da edição a que se dedicam?

Bica: Sentem que existe maior dificuldade de afirmação e divulgação do vosso projecto por serem uma empresa do interior?

Teresa Adão: Editamos bastante literatura infantil, com dois livros incluídos no Plano Nacional de Leitura, o “Grão de Café” e “As Histórias Tradicionais Europeias”, iniciámos uma nova colecção dedicada à arte com o lançamento de “Aquilino Sem Palavras”, temos outra dedicada ao património e a livros técnicos, com diversos trabalhos científicos e teses de doutoramento publicadas.

Teresa Adão: Na relação com os nossos autores e com a distribuição não sentimos essa dificuldade. Já em relação à divulgação e ao acesso à comunicação social, sentimos bastante esse ostracismo. Eu vou dizer algo que é polémico, mas não é uma pós-verdade como agora se diz, algumas críticas que são publicadas são influenciadas por factores externos às obras, nem todas as críticas são inocentes. Além disso, é difícil chegar aos meios de comunicação social, apesar de comunicarmos e enviarmos todas as obras que editamos. Nós temos tido a sorte de ter um excelente parceiro na divulgação da nossa colecção lusófona em que promovemos escritores e poetas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, a RTP África, mas no geral é muito complicado chegar à mídia. Bica: Quais são os vossos projectos para o futuro? O que é que as Edições Esgotadas têm programado para os próximos tempos? Teresa Adão: Em termos empresariais, temos a abertura de dois novos espaços em Aveiro e no Porto. No Porto estaremos mesmo ao lado da Casa da Música, com quem estamos a negociar algumas parcerias, até porque quando duas instituições procuram o mesmo objetivo da divulgação da cultura, fez todo o sentido que unam esforços e colaborem. Por outro lado estamos a preparar um grande congresso em Viseu a que gostaríamos de chamar “Obras de Pensamento”, onde contamos reunir diversas vertentes da cultura, não só da literatura, mas da filosofia e das artes. Vamos também iniciar uma série de workshops sobre biblioterapia que é um processo inovador e que consiste, como o próprio nome indica, num tratamento através dos livros. Bica: Explique-nos um pouco melhor em que consiste a biblioterapia? Teresa Adão: Está provado que, em determinados casos, em particular problemas de

Bica: E como é que foi esta caminhada da Teresa, de 42 curtos anos dedicados ao ensino até à direcção das Edições Esgotadas? Teresa Adão: Eu tive o privilégio de trabalhar toda a vida naquilo que adorava: dar aulas. Durante os meus 42 anos como professora, nunca fui para a escola contrariada e, talvez por isso e por ser uma pessoa muito bem humorada, aliás, sou doutorada em humor, as minhas aulas eram muito alegres o que ajudava a criar um ambiente de trabalho muito distendido. Isso fez com que não desse pelo tempo passar e quando chegou a altura de pensar na reforma, imediatamente comecei a magicar em dedicar-me a algo que estivesse ligado aos livros e foi assim que apresentei aos meus 3 actuais sócios a ideia de criarmos uma editora. Em boa hora o fiz, porque funcionamos na perfeição como equipa, apresentando ideias, criticando, discutindo, partindo muita pedra juntos e a isso se deve, em grande parte o sucesso desta empresa. Foi, portanto, assim que a editora começou, comigo ainda a dar aulas. Entretanto, fui quase compelida a pedir a reformar para garantir as mesmas condições salariais, mas sempre pensando que iria demorar. A verdade é que eu fiz o pedido em Junho e em Setembro, quando me preparava para iniciar o ano lectivo, recebi a notificação informando que estava reformada. Foi um choque muito grande! Felizmente tinha a editora e dediquei-me a ela a 100% e com a colaboração desta equipa fantástica, com muito esforço, com muita dedicação e acreditando sempre, conquistámos, ao fim de tão pouco tempo, um espaço no mercado editorial, um espaço que é nosso e isso é muito gratificante.

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escrevem e de alguma orientação no caminho a seguir.

BICA 1  
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