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&

BENS

SERVIÇOS

Revista da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul

a bens & Serviços será toda digital em 2018 A partir da próxima edição, em janeiro, a revista vai contar com novas seções e conteúdo extra, como áudios, vídeos e galeria de fotos. O novo projeto gráfico também foi concebido com foco em otimizar o tempo do leitor. Ano novo, revista nova!


Dezembro

Revista da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul

ferramenta

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&

SERVIÇOS

BENS

busca corporativa organiza dados em nome da produtividade

Lotéricas diversificam serviços e oferecem até chocolates nicho

Entrevista

Conheça a história e curiosidades sobre o protetor solar

dossiÊ

Educação financeira beneficia funcionários e as companhias como um todo

equipes

representante da onu mulheres brasil, nadine gasman aponta caminhos em prol da igualdade de gênero


Juliana Moscofian/Fecomércio-RS

luiz carlos bohn Presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac

Em um período de galopante evolução tecnológica, produzimos cada vez mais informações. Estima-se que em 2025 o mundo estará gerando cerca de 163 zettabytes de dados ao ano. É difícil imaginar o que isso significa, mas, para se ter uma ideia, vale lembrar que 1 zettabyte equivale a 1 trilhão de gigabytes.

Nesse cenário, a busca corporativa se destaca como uma ferramenta importante para estimular a produtividade e economizar tempo dos colaboradores na busca de arquivos, com manuseio simples e intuitivo, que dispensa um profissional especializado para realizar pesquisas, conferindo mais autonomia às equipes. A ausência desse mecanismo faz os funcionários perderem tempo, além de gerar retrabalho. Esse é o tema da reportagem especial desta edição.

“A revolução digital está só começando”, afirma o sociólogo e filósofo da informação

francês Pierre Levy, entusiasta das possibilidades cognitivas da internet e criador do conceito de inteligência coletiva. Nossa revista está dentro desse contexto de transformação: em janeiro de 2018, na edição 153, a Bens & Serviços deixará de ser impressa e será totalmente digital, contando com atrativos que vão além da leitura propriamente dita, como áudios, vídeos e galeria de fotos. A edição 153 trará ainda outras mudanças, como um novo projeto gráfico e novas seções.

Chegamos ao mês de dezembro após um ano de muitos avanços no campo da política e economia nacionais, como a Reforma Trabalhista, que entrou em vigor em novembro. Para seguir no caminho de retomada da economia, é necessário ter um equilíbrio das contas públicas. Por isso, defendemos a Reforma da Previdência (PEC 287/2016) que vem sendo formatada pelo governo e reforçamos nosso posicionamento favorável no Congresso a todos os parlamentares da bancada gaúcha.

Dezembro 2017

palavra do presidente

Falando em transformações

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sumário

revista bens & serviços / 152 / Dezembro 2017

em um cenário de crescimento vertiginoso de informações, poupar tempo dos colaboradores ao procurar arquivos é essencial. conheça aplicações da busca corporativa E saiba EM QUE DIREÇÃO ELA AVANÇA

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especial / Ferramenta

com serviços e produtos

Representante da onu mulheres

proteger a pele nem sempre

específicos, o mercado busca

brasil, nadine gasman aponta o

foi uma preocupação geral.

atender cada vez melhor ao

que empresas estão fazendo para

COnheça a história do protetor

novo perfil do público masculino

promover a igualdade de gênero

solar e como ele se popularizou

consumo

entrevista

dossiê


Palavra do Presidente Notícias & Negócios Consumo 10 Passos / Ferramentas de TI Sobre / Metas Entrevista Sindicato Equipes Especial / Ferramenta Saiba Mais Sesc Vendas Senac Dossiê / Protetor solar Visão Econômica Nicho / Lotéricas Pelo Mundo Visão Política Monitor de Juros Dicas do Mês

Presidente: Luiz Carlos Bohn

05 08 12 14 17 18 22 24 26 32 34 36 38 40 43 44 47 48 49 50

Vice-Presidentes: Luiz Antônio Baptistella, André Luiz Roncatto, Levino Luiz Crestani, Ademir José da Costa, Alécio Lângaro Ughini, Arno Gleisner (licenciado), Diogo Ferri Chamun, Edson Luis da Cunha, Flávio José Gomes, Francisco José Franceschi, Ibrahim Mahmud, Itamar Tadeu Barboza da Silva, Ivanir Antônio Gasparin, João Francisco Micelli Vieira, Joel Vieira Dadda, Leonardo Ely Schreiner, Marcio Henrique Vicenti Aguilar, Moacyr Schukster, Nelson Lídio Nunes, Ronaldo Sielichow, Sadi João Donazzolo,Júlio Ricardo Andriguetto Mottin, Zildo De Marchi, Leonides Freddi, Paulo Roberto Diehl Kruse, Adair Umberto Mussoi, Élvio Renato Ranzi, Manuel Suarez, Gilberto José Cremonese, Ivo José Zaffari Diretores: Walter Seewald, Jorge Ludwig Wagner, Antonio Trevisan, Carlos Cezar Schneider, Celso Canísio Müller, Cladir Olimpio Bono, Daniel Amadio, Davi Treichel, Denério Rosales Neumann, Denis Pizzato, Dinah Knack (licenciada), Eduardo Luiz Stangherlin, Eduardo Luís Slomp, Eider Vieira Silveira, Elenir Luiz Bonetto, Ernesto Alberto Kochhann, Élio João Quatrin, Gerson Nunes Lopes, Gilberto Aiolfi, Gilmar Tadeu Bazanella, Giraldo João Sandri, Guido José Thiele, Isabel Cristina Vidal Ineu, Jaucílio Lopes Domingues, João Antonio Harb Gobbo, Josemar Vendramin, José Nivaldo da Rosa, Liones Oliveira Bittencourt, Luciano Stasiak Barbosa, Luiz Caldas Milano, Luiz Carlos Dallepiane, Luiz Henrique Hartmann, Marcelo Francisco Chiodo, Marice Fronchetti, Mauro Spode, Nerildo Garcia Lacerda, Olmar João Pletsch, Paulo Roberto Kopschina, Remi Carlos Scheffler, Rogério Fonseca, Silério Käfer, Sueli Morandini Marini, Alberto Amaral Alfaro, Aldérico Zanettin, Antônio Manoel Borges Dutra, Antônio Odil Gomes de Castro, Ary Costa de Souza, Carina Becker Köche, Carlos Alberto Graff, Celso Fontana, Cezar Augusto Gehm, Clori Bettin dos Santos, Daniel Miguelito de Lima, Daniel Schneider da Silva, Eliane Hermes Rhoden, Elvio Morceli Palma, Erselino Achylles Zottis, Flávia Pérez Chaves, Francisco Amaral, Gilda Lúcia Zandoná, Henrique José Gerhardt, Jamel Younes, Jarbas Luff Knorr, Jolar Paulo Spanenberg, José Lúcio Faraco, Jovino Antônio Demari, Leomar Rehbein, Luciano Francisco Herzog, Luiz Carlos Brum, Marcelo Soares Reinaldo (licenciado), Marco Aurélio Ferreira, Miguel Francisco Cieslik, Nasser Mahmud Samhan, Ramão Duarte de Souza Pereira, Reinaldo Antonio Girardi, Régis Luiz Feldmann, Ricardo Pedro Klein, Sérgio José Abreu Neves, Valdir Appelt, Valdo Dutra Alves Nunes, Vianei Cezar Pasa Conselho Fiscal: Luiz Roque Schwertner, Milton Gomes Ribeiro, Hildo Luiz Cossio, Nelson Keiber Faleiro, Susana Gladys Coward Fogliatto Delegados Representantes CNC: Luiz Carlos Bohn, Zildo De Marchi, André Luiz Roncatto, Ivo José Zaffari Conselho Editorial: Júlio Ricardo Andriguetto Mottin, Luiz Carlos Bohn e Zildo De Marchi Assessoria de Comunicação: Aline Guterres, Camila Barth, Caroline Santos, Catiúcia Ruas, Fernanda Romagnoli, Liziane de Castro, Juliana Borba e Simone Barañano Coordenação Editorial: Simone Barañano PRODUÇÃO E EXECUÇÃO: Temática Publicações Edição: Fernanda Reche (MTb 9474) Reportagem: Cláudia Boff, Diego Castro, Laura Schenkel e Micheli Aguiar Colaboração: Edgar Vasques, Flávio Obino Filho, Laís Albuquerque, Lucas Schifino, Micheli Aguiar, Marcelo Portugal, Mário Rodrigues, Nathália Cardoso e Nathália Lemes edição de Arte: Eduardo Mello Revisão: Flávio Dotti Cesa imagem DE CAPA: ©iStock.com/Peshkova Tiragem: 20,9 mil exemplares É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião do veículo.

Dezembro 2017

seção

página

Publicação mensal do Sistema Fecomércio-RS Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul Avenida Alberto Bins, 665 – 11º andar – Centro – Porto Alegre/RS – Brasil CEP 90030-142 / Fone: (51) 3284.2184 – Fax: (51) 3286.5677 www.fecomercio-rs.org.br – ascom@fecomercio-rs.org.br www.revista.fecomercio-rs.org.br

152 Selo FSC

Esta revista é impressa com papéis com a certificação FSC® (Forest Stewardship Council®), que garante o manejo social, ambiental e economicamente responsável da matéria-prima florestal.

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& negócios

Edgar Vasques

notícias

digital A Bens & Serviços estreia em janeiro, na edição 153, o seu formato eletrônico, com novo projeto gráfico e novas seções. A publicação deixará de ser impressa, ficando disponível Dezembro 2017

digitalmente. A mudança

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possibilita complementar o seu conteúdo com conteúdos como áudios, vídeos e galeria de fotos. Encaminhe uma mensagem para ascom@ fecomercio-rs.com.br para receber o link da revista e continuar por dentro das notícias do setor.

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Empresas podem agendar adesão ao Simples Nacional Ficará disponível no Portal do Simples Nacional até 28 de dezembro o agen­

damento para aderir ao regime simplificado em 2018. Quem estiver em dia recebe a confirmação automaticamente. Empresas com pendências não te­ rão o agendamento aceito, mas poderão regularizar sua situação e solicitar um novo agendamento até a data limite. O serviço agiliza o ingresso do ne­ gócio e antecipa as verificações de pendências, dando mais tempo para as micro e pequenas empresas se regularizarem. Após o vencimento do prazo, o empreendimento poderá soli­ citar a opção pelo Simples Na­ cional até 31 de janeiro de 2018, diretamente no Portal do Simples Nacional. O agendamento não é válido para empresas recém-cria­ das nem para as novas atividades autorizadas pela Lei Complemen­ tar nº 155/2016, que são os negó­ cios produtores de cervejas, vi­ nhos, destilados e licores. ©iStock.com/Rawpixel

Revista Bens & Serviços será


espaço sindical Nova diretoria no Sindilojas Vale do

©iStock.com/PaulPaladin

Taquari O Sindilojas Vale do Taquari elegeu em

BC recomenda cuidado com moedas virtuais Conforme comunicado

divulgado pelo Banco Central (BC), é preciso ter cautela quanto às moedas virtuais, como é o caso do bitcoin. Apesar de estar em ascensão, esse tipo de investimento apresenta riscos. Além de não serem emitidas pelo BC, essas moedas não são garantidas por qualquer autoridade monetária e não se sabe se serão convertidas para moedas soberanas. Por enquanto, não há nenhum tipo de regulamentação por parte do Sistema Financeiro Nacional e nem do BC. Portanto, qualquer negociação feita acaba sendo respaldada apenas pela boa-fé dos envol­ vidos. No comunicado, o banco afirma que permanece observando a evolução desse tipo de moeda para que, se necessário, sejam criadas medidas regulamentadoras futuramente.

12 de novembro sua diretoria para a gestão 2018/2021. A chapa única é presidida pelo empresário Francisco C. Weimer dos Santos e conta com os vice-presidentes Giraldo Sandri, Gerson Aurélio Gräbin e Heinz Rockenbach. Sindilojas Vale do Jacuí dá sugestões à reforma administrativa O Conselho Político do Sindilojas Vale do Jacuí enviou à prefeitura de Cachoeira do Sul sugestões para a reforma administrativa que deve ocorrer em 2018. Segundo o coordenador do Conselho, Hélio José Boeck, a preocupação é que as medidas sejam cabíveis e responsáveis. Sindergs comemora 35 anos Em novembro, o Sindergs completou 35 anos. O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, entregou em agosto uma placa alusiva ao aniversário para o

Notícias falsas na web serão desafio para o TSE Nas eleições de 2018, uma das maiores dificuldades para o Tribunal

presidente do sindicato, Silério Käfer. Sindicatos participam da Feisma Secovi,

Superior Eleitoral será combater a proliferação de notícias falsas na

Sindigêneros, Sindilojas e Sirecom, sindicatos da

internet, segundo o ministro Luis Felipe Salomão. Para ele, o Tribunal

Região Centro, participaram em novembro da

deverá ter cuidado redobrado com as chamadas fake news, para que elas não sejam usadas pelos candidatos nas redes sociais no intuito de atrapalhar o pleito ou modificar de forma desonesta a vontade dos eleitores. O ministro ressaltou ainda que a imprensa séria é importante nesse momento, para disseminar notícias reais. Como medidas para impedir o problema, existem alguns projetos de lei que buscam essa regulação e que já estão tramitando no Congresso.

30ª edição da Multifeira de Santa Maria (Feisma). O evento contou com expositores locais e regionais da indústria, do comércio e de serviços. Empresas ganham qualificação A primeira edição do Café com Ideias, com foco na promoção #eucomproaqui, ocorreu em novembro. A professora Claudia Scherer, do Senac de Ijuí, destacou que, durante a campanha, os vendede entender o cliente. Promovida pelo Sindilojas Noroeste, a premiação dará vale-compras para clientes e vendedores. O prêmio principal é um automóvel Renault Kwid zero quilômetro.

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ral, todos aqueles que forem declarados como dependentes no Im­ posto de Renda (IR) serão obrigados a se inscrever no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Para o Imposto de Renda de 2018, foi reduzida para 8 anos a idade mínima para a apresentação de CPF de depen­ dentes. A partir da declaração de 2019, será obrigatória a inscrição no CPF de todas as pessoas físicas, independentemente da idade. An­ tes, essa regra valia somente para dependentes com 12 anos ou mais. Segundo a Receita, a medida tem como objetivo diminuir a retenção na malha fiscal e aumentar a celeridade dos processos.

dores devem oferecê-la como diferencial, além

Divulgação/Sindilojas Noroeste

Receita altera idade dos dependentes do IR A partir de uma nova instrução normativa criada pela Receita Fede­

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& negócios

Equipe Cassius Souza/Agas

três perguntas Wagner Picolli é gerente de serviços de merchandising da Nielsen Company e especialista em gerenciamento por categorias no varejo. Presta consultorias para melhorar a organização e o planejamento de ofertas. COMO É A EXPERIÊNCIA DO VAREJO NO BRASIL? O setor ainda lida com a recessão, viu os clientes perderem o poder de compra e tenta se reinventar neste cenário. Para não gastar, as pessoas frequentam menos as lojas, impactando a performance do varejo. Os ranchos mensais em supermercados voltaram a fazer parte da rotina das famílias. A experiência deste período será fundamental para os varejistas sobreviverem no mercado pós-crise, porque os consumidores que se acostumaram a economizar dificilmente gastarão como antes.

13º Salário promete impulsionar a economia Com o pagamento do 13º salário, o Departamento Inter­

sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que serão injetados R$ 200 bilhões na economia do Brasil, representando 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Cerca de 83,3 milhões de brasileiros receberão um rendimento adicional de, em média, R$ 2.251,00. Entre os beneficiados, 57,8% são trabalhadores do mercado formal. Já no Estado, o impacto financeiro deverá ser de R$ 13 bi­ lhões, representando em torno de 3,3% do PIB estadual. Cerca de 5,6 milhões de gaúchos receberão o benefício, sendo 51,4% deles empregados do mercado formal. Conforme a Pesquisa de Final de Ano 2017 da Fecomércio-RS, 41,9% dos gaúchos pretendem usar o 13º salário para adquirir presentes. É a primeira vez, desde 2012, que esse é o principal destino da renda. A quitação de dívidas e a formação de poupança aparecem como se­ gunda e terceira opções. O levanta­ mento ouviu 385 consumidores de cinco cidades do Estado, no período de 30 de outubro a 6 de novembro. ©iStock.com/Kikovic

notícias

QUAIS SÃO AS TENDÊNCIAS ECONÔMICAS DO SETOR? Como muitos consumidores migraram para o atacarejo, alguns negócios já estão apostando no modelo. No entanto, a transição exige preparação, porque a mudança gera alterações na operação da loja. Não se pode ter as mesmas atitudes em um empreendimento que trabalha apenas com varejo e em outro que mescla os formatos. Mas já temos diversos exemplos bem-sucedidos de empresas que promoDezembro 2017

veram a mudança e estão em expansão.

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QUAIS AS PARTICULARIDADES Dos CONSUMIDORes gaúchos? No RS se dá mais valor à qualidade, enquanto no resto do país os consumidores optam pelas marcas mais baratas e pelas embalagens menores. Aqui se priorizam os itens essenciais, como os produtos da cesta básica, e se restringe a compra de supérfluos. Além disso, os gaúchos gostam de cozinhar. Então, apostar em um portfólio de produtos para o ambiente doméstico é uma boa opção.

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Banco Mundial analisa gastos públicos do Brasil O Banco Mundial entregou ao governo federal um relatório

que analisa profundamente os gastos públicos do país. Com o título Um ajuste justo: uma análise da eficiência e da equidade do gasto público no Brasil, o documento verifica oito áreas das despesas do governo brasileiro, levando em conta o peso no orçamento, o grau de eficiência e o quanto as despesas são socialmente jus­ tas. O estudo concluiu que os governos federal, estaduais e mu­ nicipais gastam mais do que podem e de maneira ineficiente. O relatório afirma ainda que seria possível economizar cerca de 7% do PIB com ações que aumentassem a eficácia dos gastos públicos e reduzissem os privilégios. Para o Banco Mundial, há espaço para aumentar a tributação sobre a alta renda no país, instituindo impostos sobre patrimônio ou ganhos de capital, reduzindo assim a dependência dos tributos indiretos, que so­ brecarregam os mais pobres.


©iStock.com/Fizkes

Qualificação é dificuldade na contratação de temporários O maior desafio para 58,1% das empresas gaúchas que

pretendem contratar mão de obra temporária para este fi­ nal de ano é a falta de qualificação dos candidatos. É o que aponta a Pesquisa de Temporários 2017, divulgada pela Fecomércio-RS. Depois, as outras principais dificuldades são em relação a indisponibilidade de horários, com 18%, e a falta de candidatos às vagas, com 3,1%. O estudo apura que 83,3% dos processos seletivos terão algum tipo de exigência. Os requisitos mais procurados são o nível de experiência profissional (45,6%), o grau de instrução (44,3%) e a disponibilidade de horário (15,9%). Realizado em setembro, o levantamento da Fecomércio-RS entrevistou 384 estabelecimentos de cinco macrorregiões do Estado.

Estado não ingressará no RFF O Rio Grande do Sul teve seu pedido negado pelo Tesouro Nacional para ingressar no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O programa permite que estados em crise suspendam por três anos o pagamento de dívidas com a União, além de obter aval para empréstimos em troca de medidas de ajuste das contas públicas. A razão para a recusa é que, de acordo com a avaliação dos técnicos, o governo estadual não atendeu a todas as exigências para entrar no regime. Um dos critérios não cumpridos é que

Empregos aumentam no país Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),

foram criados 76.599 postos de trabalho em outubro, o que representa uma va­ riação positiva de 0,20% em setembro. Segundo o Ministério do Trabalho, este é o melhor resultado do ano. O setor que mais impulsionou o mercado de trabalho foi o comércio, com 37.321 novos empregos formais, dos quais 30.187 surgiram no varejo. Logo depois vem a indústria de transformação, com 33,2 mil novos postos de trabalho, com destaque para a indústria de produtos alimentícios, que abriu 20.565 vagas. O terceiro melhor desempenho ficou com o setor de serviços, que criou 15.915 vagas de emprego formal. No Rio Grande do Sul, os resultados foram similares. O Estado teve saldo positivo de 8,1 mil vagas, interrompendo a sequência de seis quedas consecutivas. Novamente, os setores que mais cria­ ram postos de trabalho foram o comércio (4,7 mil), a indústria da transformação (1,9 mil) e os serviços (1,5 mil).

despesas liquidadas com pessoal, juros e amortizações devem equivaler a, no mínimo, 70% da Receita Corrente Líquida (RCL) no exercício financeiro de 2016 – essa relação está em 57,98% no Estado. A equipe econômica apontou ainda que o RS não apresentou a lista de passivos que serão quitados ordenados por prioridade de pagamento, além de outros documentos que não foram entregues para análise da requisição. Apesar da decisão, o Estado ainda pode reapresentar o pedido.

Para divulgar o novo serviço de Selfie Check-in, a companhia área Gol instalou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão) um grande espelho que reconhece o passageiro pelo seu rosto e valida o bilhete de embarque. A no­ vidade, na verdade, é um totem que possui um sensor de identificação facial. Com ele, as passagens são reconhecidas digitalmente e os passageiros podem receber informações sobre o destino, a confirmação do portão de embarque e o tempo estimado até o horário do voo. O Selfie Check-in já está disponível para todos os clientes, tanto em voos domésticos quanto internacionais. Para acessar a ferramenta, basta utilizar o aplicativo da empresa no celular.

Divulgação/Gol

Gol faz ação com identificação facial

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Branding

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consumo @iStock.com/George Rudy

A hora é dos homens!

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texto Micheli Aguiar

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Homem não chora, não passa creme, não compra roupa. Certezas de um macho que está no passado. O novo homem expressa sentimentos, se preocum novo perfil do público pa com a aparência e não precisa provar a masculinidade a todo momento. Ao menos este é o movimento observado masculino mexe com o por pesquisadores, pela sociedade e também pelo mercado mercado de consumo, de consumo. Prova disso são os números. Em apenas cinco anos, entre 2011 e 2016, o faturamento especialmente o de do setor masculino no comércio e varejo de produtos crescosméticos, que cresce ceu 94,4%, saindo de R$ 10,07 bilhões para R$ 19,6 bilhões. A pesquisa da Euromonitor Internacional mostra ainda que a passos largos. Mesmo o segmento de cosméticos e perfumaria foi o que mais evocom um futuro promissor, luiu no período. As vendas passaram de R$ 5,1 bilhões para R$ 11,9 bilhões. Um estudo realizado pela Associação Brasiempresas ainda têm muito a leira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) constatou que 37,7% dos homens entrevistados compram roupas novas navegar pelo universo de uma vez por mês. Já uma pesquisa do Instituto Brasileiro compra do homem de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, por ano, os homens gastam cerca de R$ 80 milhões com a aparência.

U


PROTAGONISMO Quem não perdeu tempo para entrar neste ramo em franco desenvolvimento foi a Vito. Especializada em produtos para barba e cabelo masculino, a empresa paulistana surgiu dentro do maior canal da internet para homens como uma marca própria. “Em 2016, passamos a ter operação independente, levando conosco o quiosque do shopping Market Place. De lá para cá, foram mais três quiosques abertos, todos em shoppings. Também temos crescido bastante, principalmente em 2017, com presença em barbearias e parceria com revendedores por todo Brasil, além do nosso e-commerce próprio.

Este ano, bateremos os R$ 3 milhões de faturamento e estamos oferendo um produto novo, o nosso hidratante para tatuagem Vito Tattoo Magic, que serve tanto para pele masculina quanto feminina”, comemora Rafael Meier, sócio e responsável pelo canal digital da companhia. Chegar até esse ponto não foi fácil. Foi preciso muito trabalho e estudo do comportamento masculino. Rafael conta que a marca surgiu para atender o homem brasileiro, que precisava de produtos de qualidade, mas com preços mais baixos do que os praticados pelas marcas importadas, que dominam o mercado. “Os importados, apesar de serem em sua maioria muito bons, estão distantes da realidade do brasileiro, que vive em um clima mais quente e abafado e precisa de algo mais refrescante e cuidado com a respiração da pele, por exemplo.” O empreendedor considera que o mercado masculino ainda está começando, principalmente na comparação com o feminino. Para ele, a explicação pode estar no pensamento dos homens de ainda acharem besteira cuidar da aparência. “Eles não imaginam como faz diferença usar um shampoo específico para limpeza da barba ou se barbear com um creme à base de cupuaçu em vez de sabonete líquido comum. É um mercado que precisa receber informação e que enfrenta alguns preconceitos e barreiras por causa disso. Muitos homens estão menos abertos a receber esses dados. É preciso dar o tempo certo para cada um descobrir aos poucos esse universo do cuidado pessoal e bem-estar”, destaca. para entender melhor Principais características do consumidor masculino: Consumo mais racional São mais objetivos na compra Menos sensíveis aos estímulos de comunicação 33% dos homens tendem a comprar enquanto pesquisam coisas aleatórias 68% dos homens fizeram pelo menos uma compra na internet no último mês Homens demoram cerca de 10 minutos para concluir uma compra online

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São números impactantes e que evidenciam um movimento importante no comportamento masculino quando o assunto é consumo. Ainda que já haja empresas direcionadas a oferecer produtos a eles, a exploração do setor é tímida. Mesmo no ramo de cosmético. De acordo com uma pesquisa da Nielsen, do total de produtos de higiene e beleza consumidos no Brasil, 37% são masculinos, mas apenas R$ 27 é o valor investido por eles ao mês na compra de produtos. Para Fábio Mariano Borges, professor do programa de Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor na ESPM, o novo homem ainda não nasceu, ele está em processo de amadurecimento. “É claro que já temos uma mudança no perfil de compra. Os números nos mostram isso. O consumidor masculino, no entanto, ainda é muito refém do machismo. Tanto que ele vai a uma barbearia que oferece chope e revista de mulher nua. Lá não tem problema passar creme na barba, mas em casa, será que ele passa? Será que ele fala para os amigos?”, destaca Borges. Para o pesquisador, ainda que o novo masculino não esteja formado ou completamente claro, as empresas têm um mercado amplo e aberto a ser explorado. “A indústria de cosméticos, que é extremamente cara, por exemplo, tem um público imenso a ser explorado. Pelo menos metade da população não tem produto específico para ela. Por que não fazer um esmalte só para homem? Um lápis para corrigir a falha da sobrancelha masculina? É claro que para isso também será necessário adequar a publicidade”, afirma. “Agora é a vez das empresas criativas, daquele empreendedor com ideias capazes de apresentar algo novo a esses consumidores”, sugere.

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Homens geralmente fazem comentários sobre produtos comprados após utilizá-los. 70% das análises feitas são por opiniões masculinas Fonte: Pesauisa de usos, hábitos e costumes do consumidor, da Abit

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10 passos

Ferramentas de TI

Um mundo de mil possibilidades

N

o mundo corporativo, é inegável a presença constante de itens de tecnologia da informação (TI). Desde programas para melhorar a produção até para auxiliar no gerenciamento de demandas, a TI não é mais diferencial: hoje é necessidade para empreendimentos terem bons rendimentos. Como as ferramentas disponíveis no mercado podem ser muito parecidas, a atenção com a escolha dos

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Planejamento é tudo

O céu é o limite

Na hora de escolher a ferramenta a ser

Quando falamos de tecnologia, deve-

adquirida, é de suma importância que se

se pensar que existem cada vez mais

definam os objetivos técnicos e funcionais

plataformas disponíveis para oferecer as

para a sua implementação. Segundo o es-

melhores soluções para o seu negócio. Então,

pecialista em TI e diretor técnico da Oficina

não tenha medo de sonhar e não se resigne

1, Wagner Xavier, mesmo com diversas opções, deve-se atentar além do melhor preço

DOIS

UM

fornecedores se torna o diferencial

com uma opção que talvez não seja a mais acertada para você. porque, em termos de

ou facilidades de venda: “Nada é tão sim-

TI, existem muitas possibilidades no mercado,

ples que não mereça um detalhado estudo.

que cabem em todos os bolsos. “Mesmo com

Errar pode retardar o seu crescimento ou

limitações orçamentárias você pode buscar

fazer com que retroceda”. Portanto, selecio-

as melhores tecnologias, empresas e pessoas

ne com cuidado e tenha um planejamento

que farão com que seu negócio prospere e

de implementação de software.

lhe traga novas práticas, técnicas e soluções”, completa.

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Com a implementação de ferramentas tecno-

segurança e preservação

lógicas, a ideia é que o seu empreendimento

Você já pensou em como opções de

atualize processos e parta para uma nova fase.

TI podem auxiliar a segurança na sua

A inovação, de acordo com o especialista, virá

empresa? Ferramentas virtuais não

naturalmente, uma vez que a implantação da

apenas eliminam a desorganização com

plataforma visa à melhoria do ambiente de trabalho através do fomento da produtividade: “Então, aproveite o momento para rever seus processos, incrementar conhecimento e criar

QUATRO

TRÊS

Repaginamento da empresa

papéis desnecessários, como ajudam na preservação no meio ambiente. Xavier ressalta que a adoção desse tipo de software também possibilita a economia

seus diferenciais”. Essa inovação também pode

em toda a cadeia de processos que

incluir flexibilidade – tanto de procedimentos

contam com circulação de material

quanto com fornecedores –, uma vez que, em

impresso, abrindo assim espaço físico e

um contexto em que as tecnologias e as de-

até melhorando setores como expedição

mandas mudam constantemente, são funda-

e logística, diminuindo gastos com papel,

mentais as parcerias que não limitam restrições

tonner e impressoras.

técnicas e oferecem arquiteturas mais abertas.

Muito mais que calculadora

A legislação ao seu alcance

Manter em dia a instância contábil dos

As soluções em Tecnologia da Informação

negócios pode ser um desafio para muitos

também incluem plataformas online do próprio

empreendedores. Desde documentação

governo, disponibilizados na internet por meio

trabalhista até questões tributárias e

de websites. Entre eles estão as integrações

a empresa nesse sentido. Segundo Xavier, entre a gama de serviços possibilitados por softwares de gestão contábil constam recursos de auditoria e cruzamento de informações. Eles contemplam ainda uma nuvem segura para guardar documentos fiscais, guias, impostos e contratos, além de mecanismos de workflow nos quais se dá a total integração online entre o contador com a empresa.

virtuais com a Sefaz, Ministério do Trabalho, sites de expedições de Certidão Negativa de Débitos (CND) e o portal Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCac). A ideia central é sempre facilitar a vida do empresário que precisa de informações sobre questões legais do seu negócio. “A tecnologia da informação facilita o acesso do empreendedor

Dezembro 2017

a TI oferece muitas soluções para ajudar

SEIS

CINCO

contabilidade em geral de lucros e prejuízos,

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ao garantir que o fisco dê informações oficiais, o que pode evitar multas por quaisquer que sejam os motivos”, completa.

15


10 passos

Ferramentas de TI

Capacitação constante

As ferramentas de tecnologia da informação

Depois de instalada uma nova plataforma na

estão cada vez mais completas, tanto

empresa, é fundamental que todos que nela

disponibilizando serviços únicos como

trabalham tenham pelo menos algum tipo de

guardando dados importantes dos

conhecimento sobre a plataforma que irão

empreendimentos. Então, tenha cuidado na

utilizar. Oferecer capacitação no manejo dos softwares é dar poder aos funcionários, que

OITO

SETE

Para deixar tudo bem guardado

hora de escolher os softwares, principalmente no que tange à segurança. Segundo Xavier,

se sentem parte das decisões que colocarão

é imprescindível exigir esse fator dos seus

a empresa no topo do mercado. “Não hesite

fornecedores: “No cenário técnico de alto

em treinar as pessoas da sua equipe, estude

risco, grande volume de armazenamento

profundamente as informações de seu negócio

de dados e em que a informação vale ouro,

e detalhes das ferramentas técnicas que estão

opte por soluções técnicas que garantam a

à sua disposição”, comenta Xavier.

integridade e a qualidade das informações de seus sistemas”.

Dezembro 2017

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Feita para durar

Xavier destaca que soluções tecnológicas

É fundamental, ao estudar a implantação

deixaram, há muito tempo, de ser o futuro.

de ferramentas de TI em empresas,

São a realidade dos empreendimentos

considerar a sua continuidade. Segundo

atualmente – trazendo perspectivas de

afirma o especialista da Oficina 1, é

inovação e modernidade para o mercado.

importante ter o foco necessário para

Entretanto, elas não serão decisivas para o

manter o trabalho sustentável: “Para garantir a persistência da ferramenta,

DEZ

NOVE

O trabalho ainda é o centro das atenções

sucesso se a própria empresa não arregaçar as mangas e não trabalhar arduamente. “Muitos

reúna as pessoas competentes na área e

projetos naufragam porque as empresas

busque a sustentabilidade do seu projeto”.

adquirem soluções técnicas e esperam que

Para tal, é preciso manter em mente o

elas revolucionem o seu negócio”, revela o

trabalho conjunto entre o tripé fornecedor,

especialista. Segundo ele, é necessária uma

solução e equipe interna, fazendo a

revisão de processos, estudos de capacitação

diferença para a ideia ter êxito.

e organização de atividades, a fim de colher os resultados.

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©iStock.com/gustavofrazao

Ter em mente quais são os principais objetivos a seguir é essencial para conquistar o que se quer.

Não basta desejar, é necessário traçar estratégias consistentes para a concretização das metas. Tenha como grandes aliados o planejamento, o foco e a perseverança. Com esses itens, perseguir o que foi estabelecido fica mais simples

Se você traçar metas absurdamente altas e falhar, seu fracasso será muito melhor que o sucesso de todos.

James Cameron cineasta americano

Peter Jacobs, no livro Tomando as melhores decisões

“‘Não podemos pensar, sentir, desejar ou agir sem a percepção de algum tipo de objetivo’, disse o psicólogo austríaco Alfred Adler, acrescentando que, sem ele, ‘toda a atividade

permaneceria no estágio de um descontrolado tatear’. Todas as realizações humanas nasceram de uma meta, um local de destino para o qual convergem nossos pensamentos, crenças e aspirações. Estabelecer e atingir metas é o que transforma o que é abstrato

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“Quando os parâmetros para medir desempenho estão alinhados com as metas empresariais, melhores decisões são obtidas. (...) Mas nem todas as empresas atingem esse nível de clareza. ‘É surpreendente como inúmeras empresas recompensam ações de empregados que, na realidade, prejudicam suas organizações e punem aqueles que ajudam’, diz Tom King, tesoureiro da Progressive Casualty Insurance Company. Por exemplo, se sua empresa quer atrair mais contas médias e menos contas grandes, não continue a recompensar o grupo de vendas com base nos números totais de vendas; inclua um componente que recompense os vendedores por trazerem contas que denotem uma combinação ótima com a estratégia.”

Divulgação/SBCoaching

Divulgação/Editora Campus

sobre

Metas

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no que é tangível, o que é vontade no que é possível e o que é sonho no que é real.” Flora Victoria, coach e presidente da SBCoaching

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entrevista

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Nadine Gasman


n

adine Gasman é médica e possui nacionalidades mexicana e francesa. É mestre em Saúde Pública por Harvard e doutora em Gerenciamento e Políticas da Saúde pela Universidade Johns Hopkins, ambas nos estados unidos. A atual representante da ONU Mulheres Brasil foi diretora do IPAS México, uma ONG internacional dedicada aos direitos sexuais e reprodutivos. Na entrevista a seguir, ela afirma que a reprodução deveria ser uma preocupação de toda a sociedade, e não apenas das mulheres, e destaca o que empresas estão fazendo no brasil para diminuir as desigualdades de gênero

Por Laura Schenkel

Qual é a mudança que a ONU propõe para a Agenda 2030 em relação às mulheres? A Agenda 2030 de Desenvolvi-

mento Sustentável é um plano de ação baseado em 17 objetivos globais, que propõem mudanças profundas como a eliminação das desigualdades, o compartilhamento de riquezas, a inter-relação entre desenvolvimento humano e crescimento econômico inclusivo e sustentável e a responsabilização de pessoas e setores com essas mudanças. Os direitos das mulheres são articulados em 12 objetivos globais, entre eles o Objetivo 5: “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”. Para apoiar esses compromissos, a ONU Mulheres promove

a iniciativa global Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero, voltada para governos, empresas, sociedade civil e mídia, para incidir na Agenda 2030. É um grande advocacy global que mira nas decisões que precisam ser tomadas com urgência e na mobilização pública que altere o curso político que tem ampliado a falta de oportunidades e inclusão efetiva de mulheres e meninas no mundo.

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Fotos: Bruno Spada/Divulgação ONU Mulheres

em defesa das mulheres

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O que o setor privado pode fazer para promover essas mudanças? A primeira questão é o reconhecimento de que mulheres estão à margem das decisões, da divisão de

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entrevista

Nadine Gasman

riquezas e de que suas vidas estão vulneráveis em razão de seu gênero, raça, etnia, geração, sexualidade, território e acessibilidade, no mundo e nos lugares onde vivem, e que tudo isso precisa mudar. O setor privado é um dos novos agentes priorizados na agenda de trabalho no mundo e no Brasil. No país, cerca de 150 empresas já assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres, com vistas à transformação da cultura organizacional, influência no setor e na cadeia produtiva. No mundo, a ONU Mulheres vem mobilizando empresas em torno do conselho assessor de grandes empresas para doações de recursos para o mandato da instituição e como um dos públicos-alvo da mobilização ElesPorElas (HeforShe) por meio de CEOs campeões em igualdade de gênero. Recentemente, houve o engajamento de grupos de comunicação para o Pacto de Mídia Planeta 5050, que visa ao aumento de mulheres nos postos de decisão nas empresas de mídia e no aprimoramento da cobertura editorial e de entretenimento, e a composição da Aliança Sem Estereótipo para a eliminação de rótulos sexistas na publicidade, envolvendo agências e anunciantes. Que exemplos positivos a senhora destaca nas empresas com operação no Brasil? Na Itaipu, a Política de Equidade

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de Gênero faz parte do mapa estratégico da empresa. Também é considerada no relacionamento institucional com outros órgãos. Grupo Boticário, Heads, Maurício de Sousa Produção e Unilever têm promovido a sensibilização de equipes de Marketing e de Criação. Os institutos Avon, Coca-Cola e Renner têm cooperação conosco para empoderar mulheres beneficiadas por seus programas. A Unilever implementou licença parental no país e o Twitter, licença-paternidade de 20 semanas. Eletronorte e PWC têm a política de que todas as vagas da empresa, de qualquer nível, precisam ter candidatas mulheres.

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Como medidas relativas a licenças-maternidade e paternidade contribuem para mudar esse cenário? O compartilhamento das tarefas de produção e reprodução deve envolver ambos os sexos. Além disso, as empresas podem colaborar com horários flexíveis para mães e pais como forma de corresponsabilidade dos cuidados familiares e domésticos, tais como idas a consultas médicas ou atividades escolares. Ainda recaem sobre as mulheres os cuidados com filhas e filhos, pessoas idosas e enfermas, além de toda a administração da vida doméstica.

“No Brasil, as mulheres têm mais anos de estudo do que os homens, mas ainda recebem 30% a menos, em média. A situação se apresenta de maneira mais cruel quando incluída a dimensão de raças.” Quais são os dados mais relevantes em relação à desigualdade de gênero no mercado de trabalho? No Bra-

sil, as mulheres têm mais anos de estudo do que os homens, mas ainda recebem 30% a menos, em média. A situação se apresenta de maneira mais cruel quando incluída a dimensão de raças. Em 2010, o Perfil Racial, Social e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil, traçado pelo Instituto Ethos, revelou que a presença de negros e negras está concentrada na posição operacional (31%), reduzindo-se na medida em que os postos e os salários se tornam mais valorosos: 13% na gerência e 5% nas diretorias. Para as mulheres negras, a situação é mais perversa: apenas 0,5% nas posições executivas. Isso é um escândalo.

As agências das Nações Unidas no Brasil manifestaram preocupação com a eventual aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181/15, que, segundo as instituições, acarretará maior risco para a saúde das meninas. Quais seriam as consequências dessa proposta, se fosse aprovada pelo Congresso? Em sua atual redação, a PEC 181/15 coloca as mulheres e meninas em uma situação que comprometeria o exercício de seus direitos humanos e que limitaria a capacidade do Estado como garantidor deles, no cumprimento de suas obrigações em matéria de direitos reprodutivos. Estes estão baseados no reconhecimento do direito básico de todos os casais e indivíduos de decidir de forma livre e responsável sobre o número de filhos e filhas, o espaçamento entre os nascimentos e de contar com in-


A senhora afirma que a reprodução não deveria ser apenas um tema das mulheres, e sim, uma preocupação de toda a sociedade? Por queê? Tomar consciência so-

bre a própria condição e fortalecer a sua identidade têm sido o caminho empoderador de cada mulher e também de cada homem. Isso possibilita transformações reais e com a profundidade necessária para alterar esse sistema perverso de desigualdades. Neste sistema, eles são dotados de privilégios e, por isso, precisarão abrir mão dessas vantagens ao passo em que mulheres e meninas têm de se apropriar de seus direitos. São transformações de caráter íntimo e institucional, com incidência na política, na economia, na sociedade e na cultura.

Segundo o Mapa da Violência, 13 mulheres são mortas por dia no Brasil. No universo doméstico ocorrem 55,3% dos assassinatos, 50,3% cometidos por familiares, 33,2% dos algozes são o marido, namorado ou ex. As denúncias ainda são raras, mesmo com leis como a Maria da Penha e a do Feminicídio. Como mudar este cenário? A questão é pro-

funda e se explica pelo patriarcado. A visibilidade da violência de gênero, dados e índices elevados atordoam, mas representam a situação dramática que exige respostas efetivas para a eliminação da violência de gênero. Sem dúvida estamos mais próximas do que nunca estivemos das possibilidades de mudança, pois cada vez mais a violência contra as mulheres passa a ser discutida pela sociedade, que tem exigido posicionamentos e respostas que antes nem estavam na pauta das preocupações sociais. Era uma questão considerada menor, privada e que, geralmente, ficava restrita à própria vítima. Apoiamos os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, trazendo ao Brasil o debate sobre investimento, continuidade e aperfeiçoamento de políticas e serviços essenciais a mulheres em situação de violência em apoio à implementação da Lei Maria da Penha. Contudo, mobilização e consciência precisam ser diárias. Convidamos as entidades filiadas à Fecomércio-RS para se somarem às mobilizações mensais da ONU Mulheres, no dia 25 de cada mês, o #DiaLaranja, para fazer ações em conjunto contra a violência de gênero.

“Cada vez mais a violência contra as mulheres passa a ser discutida pela sociedade, que tem exigido posicionamentos e respostas que antes nem estavam na pauta das preocupações sociais.”

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formação e meios para isso, bem como o direito de contar com o mais alto nível de saúde sexual e reprodutiva. A legislação brasileira atual permite a interrupção voluntária da gravidez em três casos: risco de vida da mulher, estupro e anencefalia. Nos três, a medida permite a ela tomar uma decisão de extrema importância, sem nenhuma imposição. Assim, a PEC 181/15 retira a possibilidade de tomar decisões diante de fatos que implicam grave violação de seus direitos mais fundamentais, ficando o Estado com a decisão exclusiva sobre a vida e o bem-estar das mulheres, penalizando duplamente vítimas de violência sexual ou que estejam em situação de risco ou vulnerabilidade.

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sindicato Em busca de sustentabilidade Em prol da defesa de interesses dos lojistas de Novo Hamburgo, em 18 de julho de 1949 surgia o Sindilojas NH. “Duas décadas depois da emancipação indilojas NH representa há de São Leopoldo, o polo comercial criado na cidade via a economia caminhar a passos largos. A indústria tam68 anos lojistas do Vale bém fez desenvolver o setor e a representação passou a do Sinos e arredores, ser uma necessidade latente”, resgata o presidente, Remi Scheffler. Em 68 anos de atuação, a entidade buscou semcom produtos e serviços pre atender às demandas de seus associados e de seus revoltados aos associados presentados. Um fato marcante, segundo o dirigente, foi a aquisição de área própria na rua Canela, bairro Ouro e representados Branco – onde atualmente está o Centro de Eventos da

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Fotos: Fábio Winter-Lu Freitas/Divulgação Sindilojas NH

Oficina de Negócios com Milton Killing ocorreu no Centro de Eventos da entidade, em 2017

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Lutas e conquistas O presidente ressalta que todas as ações do Sindilojas NH são voltadas para auxiliar o segmento. “Em Novo Hamburgo, por exemplo, lutamos pelo livre horário do comércio e a nossa mobilização teve resultado com aprovação de lei municipal”, comemora. Há ainda ações permanentes de combate ao comércio ilegal e uma agenda com vereadores e deputados estaduais e federais eleitos na região, para que projetos e propostas de interesse do segmento sejam avaliadas dentro dos interesses da entidade. São realizadas ainda ações sociais que vão ao encontro dos menos favorecidos da região, como uma paella campeira para 100 pessoas, cujo lucro é revertido ao Lar São Vicente de Paula, de Novo Hamburgo. Outras iniciativas são as campanhas de recolhimento de leite para a Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (Abefi) e a arre-

Presidente Remi Scheffler está no seu quarto ano à frente da entidade cadação anual de brinquedos para creches do Vale do Sinos e arredores, em função do Dia das Crianças. Em meio às adversidades econômicas, o dirigente frisa que o setor vem sendo afetado pela desaceleração do mercado. “A crise fechou lojas, aumentou o desemprego e reduziu as vendas. O comércio vendendo menos também afeta nosso quadro associativo, por exemplo, já que muitas lojas, para se manterem abertas, precisam cortar gastos”, avalia o presidente, que se mostra otimista no sentido de que isto tudo vai passar. O setor tem enfrentado nos últimos anos a concorrência chinesa. “Ela atingiu em cheio o segmento, que já vinha tendo dificuldades aqui no Estado com a guerra fiscal e levou muitas indústrias para o Nordeste”, resgata. Mesmo com poucas grandes empresas produtoras de calçados na região, ele ressalta que os negócios locais têm se destacado. “Ainda temos inteligência no setor. Isso faz com que sempre, ao se falar em Vale do Sinos, se lembre de sapato e ao citar o produto se remeta ao nosso Estado.” No quarto ano de sua gestão, que se encerra em 2017, Scheffler afirma que a principal meta é a sustentabilidade. “Temos um setor forte, que precisa da nossa representação. Trabalhamos na criação de novos produtos e serviços, sempre com o foco na defesa do nosso segmento e, por consequência, da economia de nossa região.”

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entidade. “Depois, adquirimos a sede administrativa na rua Lima e Silva, no coração de Novo Hamburgo. Ela foi modernizada no ano passado. Agora estamos trabalhando na reforma do Centro de Eventos”, completa. A passagem dos 65 anos do sindicato contou com uma programação especial em 2014. Na oportunidade, foram homenageados com um troféu comemorativo os cinco associados mais antigos. “Tudo o que foi feito até agora é para atender a nossa base associada, que possui 400 empresas, a maioria de calçados e também de confecções.” Além da capital nacional do calçado, fazem parte da entidade Campo Bom, Sapiranga, Araricá e Nova Hartz, que concentram cerca de 3.800 estabelecimentos varejistas. “Por isto, são grandes as ofertas de produtos e serviços.” Uma das novidades, conforme Scheffler, é o Cartão do Associado, que possibilita ao usuário usufruir dos benefícios de uma rede credenciada com descontos de até 50%. Ele é gratuito para os integrantes do quadro social de empresas associadas, extensivo a dependentes e colaboradores, mediante o pagamento de um taxa simbólica. Além disso, há uma série de eventos ao longo do ano, como as reuniões-almoço da Oficina de Negócios e o Café. Com, cujo foco é a formação e a qualificação dos empresários. Também são oferecidos cursos, palestras e assessoria jurídica, entre outras vantagens.

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equipes ©iStock.com/Hatman12

Adeus às dívidas texto Micheli Aguiar

Você já ouviu aquela expressão “sobra mês no fim do salário”? Não é somente um dito popular, mas uma realidade para muitas famílias atualmente no Brasil. Segundo desordem financeira em o Banco Central (BC), o endividamento familiar com o sistema financeiro chegou a 41,6% em outubro. As dívidas podem comcasa afeta o desempenho prometer não apenas a saúde financeira de casa, mas também dos colaboradores e pode a produtividade no ambiente de trabalho. Situação que não raro impacta nos resultados da empresa, que, em teoria, não até comprometer tem relação com a vida financeira dos seus colaboradores. a produtividade das “Em teoria porque a empresa é a extensão da vida do colaborador. São pessoas trabalhando, e se algo as incomoda, empresas, Mas é possível o rendimento certamente será afetado”, destaca Reinaldo ajudar os funcionários sem Domingues, escritor e presidente da DSOP Educação Financeira. Sem contar que pessoas com débitos sofrem mais de precisar negociar férias ou depressão e ansiedade, conforme indica pesquisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), refleadiantar salário tindo-se no aumento de faltas no trabalho. “Um funcionário endividado vai render menos, vai ficar mais doente, vai faltar mais ao trabalho, pedirá adiantamento, tentará vender parte das férias, pedirá crédito consignado e até pode ten-

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COLHENDO FRUTOS Há pouco mais de um ano, a empresa Digix ofereceu a um grupo de funcionários da sede, em Campo Grande (MS), um curso de educação financeira, após perceber que haviam aumentado os pedidos de adiantamento salarial. “Foi algo que o RH diagnosticou após uma de nossas analistas ter participado de um workshop sobre educação financeira. Nós percebemos que havia funcionários que pediam com muita frequência para ter o salário pago antes da data. Pessoas que viviam preocupadas e muitas com rendimento abaixo do esperado”, afirma Mirian Gomes Moura, analista de RH na Digix. Para ajudar no treinamento, a DSOP foi contratada para dar o treinamento aos colaboradores. Funcionários do RH também receberam capacitação para serem replicadores do conhecimento e repassá-lo a todas as filiais da empresa, que tem 800 profissionais espalhados pelo Brasil. Além disso, aqueles que mais pediam adiantamento salarial também puderam participar de sessões de terapia financeira. “Foram encontros muito produtivos. Eu sou um caso específico. Estava na lista do adiantamento salarial. Aprendemos a ter metas e a ter educação financeira. Tudo que estudamos é dividido em casa. Não adianta eu estar equilibrada, se meu marido e filhos não estiverem. Este ano até pude fazer uma viagem internacional, algo

que não seria possível se eu seguisse no outro ritmo”, afirma Mirian Gomes Moura, analista de RH na Digix. Controle financeiro para MEIs Com a crise financeira, tem aumentado o número de microempreendedores individuais (MEIs) no país. Segundo o Sebrae, em 2015, eram 5,6 milhões de MEIs e, em maio deste ano, 6,8 milhões. Muitos desses negócios surgiram após uma demissão, e boa parte dos empreendedores não está pronta para gerir as finanças da empresa. Para se ter uma ideia, de acordo com o estudo Sobrevivência das Empresas no Brasil, 25% dos empreendedores que fecharam seus negócios dentro de dois anos apontam os problemas financeiros para o fim da atividade. “Muitos desses empresários não sabem que existe consultoria para auxiliá-lo, não têm dinheiro para contratar um ou acham que não precisam, afetando assim o negócio em que eles mesmos são os patrões e fazem a vez dos funcionários”, salienta Thomas Barcelos, especialista em finanças de pequenas empresas. Sócio com mais dois amigos na FDX Finanças Empresariais, ele trabalha no desenvolvimento de um software que poderá ajudar os MEIs e as micro e pequenas empresas no controle financeiro. “Somos uma startup, mas muito bem fundamentada na gestão financeira. A primeira etapa da nossa construção foi garantir que nós mesmos tínhamos nossas finanças em ordem. Porque, assim como queremos auxiliar empresas do porte da nossa, também precisamos garantir que nós estamos alinhados. É preciso ter foco e objetivo”, afirma. Medidas O que sua empresa pode fazer pelos funcionários: Ofereça workshops Use datas especiais para falar sobre gestão financeira Ofereça modelos de planilhas para controle financeiro Promova encontros em que possa falar sobre reestruturação de orçamento

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tar negociar uma demissão. São tantos os reflexos negativos que a empresa só tem a perder”, afirma. É possível, no entanto, que as empresas não fiquem inertes a essas situações, mas que tenham papel de protagonistas na reorganização financeira dos funcionários. Domingues defende a criação de programas de educação financeira pelos departamentos de Recursos Humanos (RH), momentos em que o colaborador possa entender que ele precisa mudar de hábitos para ter resultados positivos nas finanças. “O programa de educação financeira deve se adequar aos diferentes perfis dos funcionários. Deve ser feita uma análise de toda a estrutura oferecida, como tempo, método, material de apoio e disponibilidade dos funcionários. Para o profissional e a empresa, os benefícios são inúmeros: maior produtividade, equilíbrio e motivação profissional, qualidade de vida, redução do estresse, contribuição positiva para o clima organizacional, melhor administração do salário e até alívio da pressão financeira sobre o RH”, explica.

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Esteja atento aos funcionários que pedem adiantamento salarial com frequência Promova ferramentas que ajudem o funcionário a cuidar do próprio dinheiro Fonte: FDX Finanças Empresariais

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Ferramenta

especial

um rumo no mar de informações

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C

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omo as companhias estão lidando com o crescimento vertiginoso de volume de dados e com a sua organização? A implementação de sistemas de busca corporativa é uma solução, que deve vir acompanhada de boas práticas

Tema de best-sellers, palestras e workshops, a produtividade é uma preocupação constante entre empresários. Você tem ideia de quantos documentos foram gerados no seu negócio em 2017? E quantas horas foram usadas para localizar arquivos e dados relevantes? Três grandes institutos e consultorias internacionais, IDC, Delphi Group e Gartner, pesquisaram o tempo de trabalho utilizado por funcionários que lidam com informação, adotando diferentes metodologias. Chegaram ao mestexto Laura Schenkel mo resultado: 25% do tempo de trabalho dessas pessoas está ligado a buscas. “Isso se refere a consultar uma inimagem de abertura ©iStock.com/Peshkova formação para criar um documento, aproveitar um arquivo anterior para criação de um novo, recuperar contatos e organizar documentos para futuros usos, entre outros”, afirma Eduardo Guimarães, diretor da E-Storage Online. A busca corporativa pode ser usada como funcionalidade para uma aplicação específica, em uma intranet, por exemplo, ou como plataforma para unificar diferentes bases de dados in-


ternos de uma organização (como CRM, compartilhamento de arquivos, intranet, sistemas internos e website). O assunto ganhou força em torno de 2006, quando se falou muito em Gestão do Conhecimento, mas tem voltado à pauta recentemente devido à dispersão dos dados em ambientes de nuvem e a onda da transformação digital e big data. Muitas vezes, a estrutura e o design de intranets corporativas são muito antiquados e não acompanham a evolução de usabilidade verificada na internet. “Por exemplo, um novo colaborador do setor de RH sabe que tem que colocar o documento X na pasta Y porque é assim que foi ensinado, mesmo que este diretório não seja o mais intuitivo para alguém que não conhece a área encontrá-lo, caso precise. Neste caso, a pessoa que não é de Recursos Humanos vai naturalmente procurar o documento pela busca”, exemplifica André Boger, diretor executivo da Conectt, que atua há 21 anos no mercado e possui dois escritórios

no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Santa Cruz do Sul) e um em São Paulo. O uso básico que as companhias fazem da ferramenta é para encontrar dados em arquivos não estruturados, como de Word, Excel ou PDFs de seus departamentos. “Mas o que as organizações precisam de verdade é encontrar quase tudo. Alguns itens que elas deveriam entregar por um mecanismo de busca são ramais, contatos de experts de um determinado assunto, contratos de seus clientes, base de conhecimento de resolução de problemas (incluindo chats e documentos compartilhados como wikis internas), formulário de reembolso de despesas, vagas internas e conteúdo de integração para quem está entrando na empresa”, pontua Boger. Em suma, a solução deve funcionar como um facilitador do trabalho das equipes. “É comum o argumento por parte de funcionários de que funcionalidades, muitas vezes aplicadas por decisão da diretoria, mais atrapalham

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Ferramenta

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especial

do que ajudam. A sua adoção é um aspecto que deve estar no escopo de qualquer nova implementação. Essa tecnologia está aí para ajudar na produtividade do colaborador, beneficiando o próprio usuário e também a empresa como um todo”, complementa. Uma das finalidades desse mecanismo é a base de conhecimento de uma corporação, seja em um departamento de engenharia, produtos, marketing ou comercial. “Muitas empresas globais e de grande porte gastam seu tempo refazendo a mesma coisa por não saberem que já existe um documento, uma planilha ou um desenho com as informações de que precisam, pelo simples fato de não encontrá-las ou não saber que existem”, pontua Toshiyuki Sakata, diretor da Just Digital. “Essas companhias possuem dados em diversas fontes, por exemplo, banco de dados, servidores de arquivo, intranet, e-mails, ERP, CRM e sistemas diversos. Com uma solução de busca corporativa, você não precisa entrar sistema por sistema para achar o que necessita. O retorno da sua pesquisa exibirá uma lista de documentos mais relevantes com as palavras que você digitou e mostrará em qual das fontes está a informação.” É similar à forma com que se faz uma averiNo mar de informações Confira algumas projeções que demonstram a importância da busca corporativa: 25% do tempo de trabalho de quem lida com informação está ligado a pesquisas, seja consultando dados para criar um documento, aproveitando um arquivo anterior para criação de um novo, recuperando contatos ou organizando documentos para futuros usos, entre outros.

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O volume de dados cresce 61% ao ano nas organizações.

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Até 2019, 50% das consultas analíticas serão geradas usando busca, processamento de linguagem natural, voz ou serão autogeradas. Atualmente o mundo gera 16,3 zettabytes ao ano. Em 2025, o mundo estará gerando cerca de 163 zettabytes de dados ao ano. Para se ter uma ideia, 1 zettabyte equivale a 1 trilhão de gigabytes. Fontes: Forrester Research, IDC, Delphi Group e Instituto Gartner

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guação no Google.com, mas o colaborador estará consultando somente dados internos da organização. Além da tecnologia As soluções tecnológicas, claro, não funcionam por si só. Elas dependem de dois fatores muito importantes: pessoas e processos. “Um projeto de portal corporativo, por exemplo, deve ser elaborado com foco nisso. A boa prática é fazer um planejamento de como sua empresa pode oferecer a melhor Employee Experience (EX) digital, isto é, como a tecnologia encurta caminhos e gera produtividade para seus colaboradores. A busca é uma dessas ferramentas”, sugere Boger. Outro viés é repensar como a companhia se comunica. “Algo muito forte e que sempre deixamos claro ao cliente que vem procurar a Conectt em busca de um novo portal corporativo ou intranet é enfatizar que o projeto de um novo site é um plano de comunicação”, observa o diretor. Um estudo recente da Bain & Company apontou que 80% das companhias acreditam entregar uma ótima experiência de cliente, enquanto apenas 8% dos consumidores afirmam ter esse nível de satisfação. “Esses dados são suficientes para repensar o posicionamento de comunicação. Isto se aplica ao caso de uma intranet, já que acreditamos que a impressão do colaborador sobre a forma como a empresa se comunica com ele impactará fortemente na maneira como ele vai se integrar e se comportar durante sua jornada profissional nesta organização e, especialmente, se irá usar os recursos oferecidos pela intranet”, argumenta. De acordo com Sakata, na implantação de uma solução de busca é preciso ter o cuidado de entender quem são os usuários e como eles irão utilizá-la. “O processo de indexação das fontes de conteúdo precisa ser bem analisado, o que será indexado, para quem e com qual periodicidade. O resultado de uma pesquisa precisa ser de acordo com o perfil de quem vai utilizá-la, isto é, um colaborador do departamento de engenharia não pode encontrar informações do financeiro”, exemplifica. Em outras palavras, é preciso se cercar de boas práticas para garantir o pleno funcionamento do recurso. A compreensão também passa por ter consciência de que cada um tem sua forma preferida de se comunicar, compartilhar ideias


Ferramenta Divulgação/Conectt

e trocar conhecimento, tendo preferências individuais de como interagir, como organizar pensamentos e ferramentas que aprecia para ser mais produtivo. “Consequentemente, nós, que trabalhamos com busca, temos que nos antecipar a essas pessoas e integrar as suas ferramentas preferidas sem alterar sua rotina de criar, armazenar e compartilhar informações. Com isso tudo, ainda é um conteúdo corporativo e precisa ter uma segurança integrada. Hoje, esse é o grande desafio”, destaca Guimarães. Diferentes usos

André Boger Diretor executivo da Conectt

Solução da E-Storage foi utilizada em

Reprodução

site da Panvel

arch Appliance (GSA). “Como consequência, passamos a entregar resultados mais relevantes mais rapidamente a quem comprava pela internet. Isso promove uma experiência melhor para as pessoas que navegam em nosso e-commerce, o que contribui para a evolução do negócio”, conta. Posteriormente, a solução foi estendida à distribuidora de medicamentos Dimed. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também recorreu à E-Storage. “O objetivo inicial foi reduzir custos e unificar todas as consultas do website www.tjrs.jus.br, principalmente a consulta à jurisprudência, qualificando e melhorando o desempenho das pesquisas em relação a

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Existe uma forte tendência de que estas ferramentas se tornem cada vez mais populares, inteligentes e modernas para auxílio nas grandes instituições, usando busca por voz, como os assistentes Siri do iPhone e outras tecnologias de machine learning.

Se, por um lado, o mecanismo pode ser usado internamente nas empresas, ele também pode ser um aliado para melhorar a experiência online de shoppers. A E-Storage foi procurada em 2010 para elaborar uma solução para o site Panvel.com. “Nossa necessidade era melhorar a eficiência da nossa busca. Temos um volume muito grande de itens, e permitir que nossos clientes encontrem estes itens com rapidez e de forma intuitiva era a nossa necessidade na época. Nós tínhamos uma solução própria, mas que já não atendia mais às demandas da nossa clientela”, conta Eurico Antunes, líder de Inovação e Desenvolvimento de E-Commerce da Panvel. A empresa com foco em busca corporativa e web analisys avaliou o cenário à época e recomendou como solução o Google Se-

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especial

banco de dados que, além de consumir muito recurso orçamentário em licenciamento, também era um processo lento, consumindo muito tempo dos operadores do direito”, aponta Guimarães. Atualmente, além da pesquisa no site, o TJ-RS usa sua ferramenta de busca para atender o ambiente mobile m.tjrs.jus.br e consultas internas de sentenças de 1º grau. Em 2002, o Google anunciou o GSA como uma ferramenta para uso corporativo para auxiliar na busca de milhares de arquivos de uma corporação garantindo a segurança. Celebrado por ser potencializado pelo gigante das busca na internet, o mecanismo, porém, foi descontinuada por conta da evolução que ocorreu naturalmente em outras áreas, especialmente por inovações trazidas por machine learning (aprendizado das máquinas) entre outras, como Natural Processing Language. “As soluções líderes atuais, segundo o Instituto Gartner, são da canadense Coveo, da norte-americana Microsoft e da francesa Sinequa”, afirma André Boger, diretor da Conectt, que trabalha com a linha da Microsoft. Guimarães, no entanto, aponta que as ferramentas mais utilizadas são as de código aberto. “Destaco Solr e Elasticsearch, ambas baseadas no Lucene, um motor de busca da Apache Foundation. Mesmo no tempo do GSA, as opções open source eram mais utilizadas”, ressalta. A Elasticsearch é uma plataforma criada pela norte-americana Elastic e trazida para o Brasil pela equipe da E-Storage Online.

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As pessoas estão acostumadas com o Google na internet, mas poucas pensam nessa lógica dentro da empresa. Um erro comum, aponta André Boger, é não divulgar que a busca corporativa existe e que deve ser usada. Na visão de Guimarães, é fundamental para uma busca eficaz o conhecimento da base de dados e do conteúdo. “Isso precisa ser pensado desde a sua criação. Muitas pessoas querem recuperar um documento sem mesmo ter um título”, afirma. Por isso, na hora de intitular um arquivo, é preciso pensar em um nome que vai ajudar a sua localização posterior. “Como saber se IMG_3219.jpg ou IMG_0686.mov é referente a uma obra ou um treinamento para cliente?”, questiona o diretor da E-Storage.

uso por pequenas companhias Sakata e Guimarães consideram que a adoção e implementação do recurso por organizações menores é um assunto delicado. “Atualmente as soluções disponíveis demandam um investimento alto de licenciamento, integração de bases de dados e infraestrutura. Isso limita um pouco o mercado. Existem alternativas open source, mas igualmente demandam investimento em capacitação, consultoria, integração, suporte e infraestrutura. Talvez fazendo um estudo adequado seja possível chegar num equilíbrio entre melhora da produtividade e orçamento”, afirma Guimarães. Buscas por voz e outras tecnologias de

machine learning serão usadas cada vez mais ©iStock.com/Chombosan

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Erros e mitos

Um grande mito é pensar que os dados da organização serão copiados para dentro da solução de busca. “Isso não é verdade. O que acontece é a criação de um índice apontando o caminho da fonte de informação. Qualquer sistema pode ser indexado, porém para aqueles que são proprietários ou que não são de mercado existe a necessidade de se criar o que chamamos de conectores para poder ‘ler’ as informações do sistema, e quando há essa necessidade, é a parte mais complexa de um projeto”, detalha Toshiyuki Sakata, diretor comercial da Just Digital.


De olho no amanhã De acordo com alguns estudos, metade dos resultados de busca não serão mais documentos até 2019. “O conceito de busca corporativa tem evoluído, primeiro para ferramentas de acesso a informação, por volta de 2012, e hoje para Insights Engines (ou Mecanismos de Insights). Basicamente a grande diferença é que antes o objetivo era a recuperação de um documento. Hoje, com esse novo recurso, é recuperação de uma informação já estruturada para consumir. Esses mecanismos proporcionam um acesso mais natural a ela”, acrescenta o diretor. Neste contexto, a nuvem ganha importância porque permite maior escalabilidade, despreocupação com infraestrutura, compatibilidade de versões e pagamento por uso. “Pelo ponto de vista do mercado, os clientes hoje estão se movimentando para repositórios e aplicações na nuvem onde os fabricantes precisam se conectar a esses repositórios”, considera Guimarães. Processamento, velocidade e capacidade de criação de índice para a busca são outras vantagens da nuvem, citadas por Sakata. “Uma desvantagem é que, apesar de as soluções em nuvem serem seguras, muitas empresas ainda têm algum receio em pôr suas informações fora da empresa, como as dos segmentos financeiro e advocacia”, opina o diretor comercial da Just Digital. A solução vem evoluindo para um sistema mais inteligente, que vai além de encontrar informações com base em palavras-chave e sinônimos. “A busca semântica já é aplicada em algumas ferramentas, onde pode entender o

Toshiyuki Sakata Diretor comercial da Just Digital

Uma ferramenta de busca corporativa é importante para a velocidade nos negócios. Quanto mais eficiente você for para encontrar uma informação relevante para seus negócios, mais vantagem você terá.

contexto e intenção da sua pesquisa. Além disso, já existem buscas integradas com sistemas de inteligência artificial”, comenta Sakata. Um relatório de março deste ano do Instituto Gartner prevê que até, 2019, 50% das consultas analíticas serão geradas usando busca, processamento de linguagem natural, voz ou serão autogeradas. “Existe uma forte tendência de que esses mecanismos se tornem cada vez mais populares, inteligentes e modernos para auxílio nas grandes instituições, usando busca por voz, como os assistentes Siri do iPhone, e outras tecnologias de machine learning, que visam a facilitar os processos dos colaboradores na busca em seus ambientes de trabalho”, completa o diretor executivo da Conectt.

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André Boger tem uma visão mais positiva quanto à possibilidade de adoção por empresas pequenas. Segundo o diretor da Conectt, os pequenos negócios se beneficiam inicialmente pelo custo, pois na nuvem esses serviços já estão inclusos por alguns fabricantes (antigamente era necessário comprar, instalar e configurar software e hardware). “Além disso, gravando o conteúdo nesses locais eles automaticamente estão disponíveis para busca. Um escritório de advocacia, por exemplo, pode pesquisar argumentos em processos antigos com o uso de palavraschave. Este processo aumenta a produtividade do funcionário e, consequentemente, da companhia”.

Divulgação/Just Digital

Ferramenta

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saiba

mais

mais & menos

US$ 28 trilhões ao PIB global até 2025. Viagem

O Ministério do Turismo revelou que 26,5% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos seis meses – é o maior percentual registrado este ano e vem ao encontro da alta temporada do segmento caracterizada pelo verão. Deste contingente, a intenção de é desfrutar os destinos domésticos do país.

81,8%

Economia Sob o efeito de maus resultados da indústria e do comércio, o PIB do Rio Grande do Sul fechou em R$ 382 bilhões em 2015, registrando diminuição de 4,6% – a maior redução desde .

1995

Censo De acordo com a Pnad Contínua de 2016, divulgada pelo IBGE, a maior parte da população brasileira se autodeclara parda, com de pessoas, resultando em 46,7% do total. Em segundo lugar fica a parcela branca, com 90,9 milhões de pessoas e representando 44,2% da população. Já 8,2% dos entrevistados se autodeclaram negros.

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95,9 milhões

152 Investimento Com um total de R$ 55,1 milhões liberados no período entre janeiro e outubro de 2017, o BNDES registrou queda de nos desembolsos deste ano. As aprovações somaram R$ 54,4 bilhões, que por sua vez tiveram redução de 13%.

20%

©iStock.com/Filipovic018

A diferença salarial entre homens e mulheres e a menor presença delas no mercado de trabalho é prejudicial para a economia. De acordo com relatório feito pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres poderia injetar

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/ Bens duráveis puxam consumo brasileiro A venda de bens duráveis tem Economia

Igualdade de gênero

puxado fortemente a retomada da economia, segundo aponta estudo divulgado pela GFK. Na média nacional, o estudo revela que houve crescimento de 13% de janeiro a julho de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado, no faturamento de itens como produtos de telefonia, eletrônicos, eletroportáteis, linha branca e informática. Ao dividir por regiões geográficas, a alta tem grande significação pelo desempenho do Nordeste e Sudeste do país, cujo aumento registrado foi de 23 e 12% respectivamente. O aumento do Sudeste é fruto do bom resultado da categoria de celulares e eletroportáteis, aliado ao dinheiro injetado na economia pela liberação das contas inativas do FGTS. A região Sul conta com o destaque de participação do interior no seu crescimento de 11%, além de grande representação de vendas online, principalmente para o Natal.

Tendência

/ O futuro do m-commerce

De acordo com pesquisa realizada pelo Facebook, a mobilidade crescen-

te – trazida pela quase onipresença de smartphones e outros dispositivos móveis – está causando diversas transformações na maneira como a população consome. Em 2015, segundo pesquisa da Sociomantic, a presença dos smartphones chegou a 90% e 67% dos seus usuários realizaram alguma compra pelo aparelho. Entretanto, 50% dos e-commerces no Brasil ainda não contam com aplicativo exclusivo e 15% se dedicam à instalação de apps, contra 85% de investimentos em campanhas de engajamento. Confira abaixo três transformações que terão impacto no consumo das pessoas no futuro. Convergência no varejo: os telefones serão os responsáveis por encurtar os caminhos até as compras. Muitos consumidores utilizarão smartphones para concentrar e reduzir as suas jornadas a um único momento. Diferenciais escondidos: em um mundo onde as escolhas do m-commerce são ditadas por logaritmos, é imprescindível que as compras ocorram sem problemas, uma vez que as boas experiências são esquecidas e as ruins fazem o cliente largar o carrinho de compras. A uma mensagem de distância: a expectativa é que até 2020, 80% dos usuários de smartphones utilizem aplicativos de mensagens – que pode também ser utilizado para melhorar a experiência de compra, incluindo desde atendimento até o recebimento de propagandas e promoções.


Neste fim de ano, as compras de natal do brasileiro serão intercaladas entre lojas físicas e digitais. Uma pesquisa da Deloitte aponta que 93% dos consumidores pretendem adquirir os presentes em ambos os meios. Entretanto, em 2017, a preferência fica para as lojas online (51% das compras), registrando um crescimento de 8% em relação a 2015. A escolha se dá por diversos fatores, segundo os entrevistados, como preços melhores (51%), maior oferta de mercadorias (60%), praticidade (53%) e velocidade e facilidade de pagamento (50%). Os pontos positivos das lojas físicas ficam a cargo da possibilidade experimentar o item (48%), da negociação de preços (40%), da facilidade de troca (39%) e do recebimento imediato do produto (37%). A influência das mídias digitais também é um ponto forte das vendas este ano, principalmente entre os jovens: cerca de 31% dos entrevistados entre 18 e 24 anos se sentem influenciados por posts de social media antes de efetuar uma compra. O índice fica em 30% na faixa dos 25 e 30 anos, 26% entre 31 e 40 anos e 21% para idade superior a 40 anos. A comparação de preços e busca de recomendações também faz parte da experiência de consumo – segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados buscaram na internet informações sobre produtos e 37% consultaram opções de valores disponíveis.

que já foi ícone de investimentos durante a boa economia, hoje está cautelosa com as compras. Segundo levantamento da Kantar Worldpanel, o volume de consumo teve alta de 1,5% (em toneladas), enquanto esta faixa econômica teve crescimento de apenas 3,1% nos últimos 12 meses. Com o maior avanço de compras registrado entre 2009 e 2014, a classe C deu mais importância para alguns itens da cesta básica, aumentando o consumo de categorias como detergente líquido para roupas, bolo pronto, cremes e loções e leite fermentado. Já entre os produtos que continuam em destaque para o grupo estão azeite, requeijão, molho para salada, catchup e cereal tradicional.

Compliance / Empresas brasileiras têm dificuldades em investigar corrupção Um dos maiores problemas enfrentados pelas companhias é a clareza de procedimentos e luta contra fraudes. No caso dos empreendimentos brasileiros, segundo aponta estudo anual da consultoria Kroll, que investiga riscos em corporações, 97% reportaram problemas com cadeia produtiva no último ano. Entre os maiores riscos apontados pelos executivos são terceiros – pessoas ou entidades com quem fazem negócios –, uma vez que 33% afirma não conseguir identificar possíveis violações a leis anticorrupção dos parceiros. Para inibir processos ilícitos, auditorias e monitoramento permanente são alguns dos principais meios de elucidação, com 51% e

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/ Mudanças na cesta básica da classe C A classe C, ©iStock.com/Cyano66 Consumo

©iStock.com/Grape Stock

/ Compras de natal serão divididas entre meios digital e físico e-commerce

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47% das indicações. Entretanto, apenas 26% revelam acompanhar todos os parceiros com cautela e atenção, e 52% priorizam os que consideram ser de maior risco.

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sesc Fotos: Claiton Dornelles/Sesc-RS

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Pronto para mais um Verão Sesc?

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Poucos dias após o início oficial da estação mais quente do ano, o Verão Sesc voltará ao litoral do Rio Grande do Sul com muitas opções de diverrogramação gratuita do são e bem-estar para os veranistas. As areias de Atlântida Sul, Atlântida, Balneário Pinhal, Capão da Canoa, Cassino, Verão Sesc vai de 28 de Cidreira, Imbé, Laranjal, São Lourenço do Sul, Tramandaí e dezembro a 25 de fevereiro e Torres vão receber a programação, totalmente gratuita, entre os dias 28 de dezembro e 25 de fevereiro. inclui ações em 11 praias do As atividades nas Casas de Verão do Sesc ocorrem de litoral gaúcho terça a domingo, das 8h30min às 19h30min. “Ao longo dos 14 anos de projeto, criamos um vínculo com a comunidade que se identifica com as atividades e a programação. Ao chegarmos para iniciar o projeto, as pessoas nos procuram para saber das novidades, conhecer a nova equipe, dar as boas-vindas e participar diariamente das ações”, conta Melissa Stoffel, coordenadora de Lazer do Sesc-RS. Entre as opções estão empréstimo de materiais esportivos e recreativos, gincanas de integração, slackline, aulões de ginás-


Festival Internacional Sesc de Música Pelotas receberá de 15 a 26 de janeiro a 8ª

Banho de mar para cadeirantes é uma das atrações da 15ª edição do projeto

edição do Festival Internacional Sesc de Música. A programação conta com recitais gratuitos e diversos cursos, como a Oficina de Choro. O corpo docente convidado a participar do evento é composto por profissionais de 11 nacionalidades. Serão homenageados Claude Debussy e Leonard Bernstein, por seus centenários de morte e nascimento, respectivamente. Leia mais em www. sesc-rs.com.br/festival Revista EducaSesc e Livro de Receitas Mesa Brasil Estão disponíveis as versões digitais do novo Livro de Receitas do Mesa Brasil Sesc e da primeira edição da Revista EducaSesc. As publicações impressas também podem ser consultadas nas Bibliotecas Sesc no Estado. Com foco no aproveitamento integral de alimentos, o livro reúne receitas econômicas e de fácil preparo elaboradas pelas nutricionistas do Programa e pode ser conferido no link www.sesc-rs.com.br/mesabrasil/ livro-de-receitas. Já a revista apresenta uma série de artigos e entrevistas, reforçando a diretriz da instituição, voltada à formação de pessoas cidadãs, dotadas de senso crítico, autônomas, solidárias e conscientes de seu papel como agentes de mudanças, e está disponível em www. sesc-rs.com.br/educacao/revistaeducasesc.

agenda de eventos 17/Dez Estar Bem Sesc e Senac O Sesc e o Senac estarão presentes no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, com atividades gratuitas de saúde, recreação e cultura, com destaque para o concerto da Ospa com Fafá de Belém.

28/Dez

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tica e dança, vôlei de praia, beach soccer, frescobol, futevôlei e quick massage. Como as atividades buscam contemplar públicos de diferentes perfis, há também opções para quem busca algo mais calmo: o Leitura Local oferece jornais do dia, gibis e revistas variadas para a comunidade. Concurso Cosplay, Aula Mamãe Bebê, Escolinha de Trânsito, Cine Beach, Pilates em Capão e a prova de obstáculos na praia Adventure Beach estão entre as novidades da 15ª edição do projeto. Realizada aos finais de semana, a Aula Mamãe Bebê busca proporcionar a vivência de uma prática de atividade física entre mãe e filho, possibilitando que ambos se conectem pela música. “Será um momento em que a participante carrega o seu bebê no sling (suporte de bebês que fica junto ao corpo) e faz uma aula de dança descontraída ao lado de outras mães”, expõe a coordenadora. Já o Cine Beach vai exibir filmes do projeto CineSesc em uma tela de cinema inflável, que irá circular pelas cidades litorâneas. Segundo Melissa, há pessoas que participam desde o primeiro ano do Verão Sesc. “É uma relação de parceria e vínculo. Temos ações sociais como arrecadação de alimentos e tampinhas que ocorreram este ano, que algumas pessoas fazem questão de participar e contribuir”, pontua. Ela cita também o banho de mar para cadeirantes como um momento de valorização da autoestima e bem-estar. “Com o uso de uma cadeira especial, que possui rodas flutuantes, chamada Cadeira Anfíbia, oportunizamos o banho de mar assistido. Ao longo do tempo, percebemos ser uma das mais lindas atividades realizadas. A cada entrada na água, vem junto uma história de vida. Muitas pessoas que não entravam no mar há anos conseguem restabelecer uma certa liberdade e retomar o prazer em se banhar sem terem que estar no colo ou ser carregadas”, explica.

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Verão Sesc Início das atividades em 11 praias gaúchas. Ações de terça a domingo, das 8h30min às 19h30min, até 25 de fevereiro.

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vendas ©iStock.com/Kupicoo

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De malas prontas

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A ideia central desta modalidade de negócios não é nova: o cliente, interessado em adquirir novos produtos, mas preferindo conhecê-los no conforto da sua casa, recem uma realidade de be malas ou pacotes com itens vendidos por uma empresa para experimentar com calma – as opções disponíveis no mercado consumidores cada vez mais hoje incluem roupa infantil, moda feminina e até armações de atarefados, há muitos que óculos. Para o empresário, o formato é atrativo por permitir preferem receber a domicílio abrir um negócio sem os custos de uma loja física. Além disso, a experiência vem ao encontro da tendência de consumo produtos selecionados com projetada pelo e-commerce, que é o atendimento personalizado base no seu perfil de compras aliado à comodidade do lar. O diferencial do serviço é referente à possibilidade de testar e avaliar os produtos com atenção e cautela, coibindo compras por impulso. Para facilitar a vida dos empreendedores que têm este tipo de serviço, a empresa que oferece sistemas de gestão para negócios Simbio lançou em julho deste ano a Simbiobag, uma plataforma que simplifica os processos deste tipo de negócio. A ferramenta facilita o envio das mercadorias, mostrando for-


Duas amigas apaixonadas por samba – a consultora de estilo formada em Relações Públicas Alexandra Campanher e a pedagoga Raquel Matzenbacker – criaram juntas a Senhora Tentação. Com o nome inspirada em uma música de Cartola, a empresa está no mercado de moda feminina desde 2015 sob a metodologia de delivery. Alexandra revela que, em geral, o contato inicial se dá pelas redes sociais ou por amigas e das clientes que indicam a loja. “Então, no primeiro encontro, sempre vamos até as clientes, para conhecer um pouquinho delas e do estilo”, revela a empresária. Após o contato inicial, a relação entre a Senhora Tentação e as consumidoras fica por conta destas. “Não necessariamente vamos até a cliente nos encontros subsequentes. Se elas preferirem ter mais privacidade e tempo no momento de experimentar, enviamos as bags via motoboy, e posteriormente, buscamos.”

Além das vendas por delivery, a Senhora Tentação ocasionalmente marca presença em eventos

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mulher moderna e consumo consciente

A ideia veio do próprio público a quem elas desejavam vender: “Mulheres multifacetadas, que nem sempre têm tempo para ir a lojas após um dia de trabalho. O nosso objetivo foi facilitar a rotina de todas”. Além disso, Alexandra afirma que o seu negócio visa ao consumo consciente, uma vez que, ao experimentar em casa, a cliente pode fazer combinações com peças e acessórios que já possui, e consequentemente, realizar uma escolha mais acertada. A experiência tem sido positiva e isso se reflete na carteira de clientes da empresa, fomentada principalmente pelas próprias consumidoras: “A clientela foi conquistada por indicação, majoritariamente. Começamos com as amigas mais próximas, que passaram a informação a outras”. Segundo a empreendedora, a maioria adora o sistema, pois elas ganham em tempo e em atendimento: “Elas escolhem o dia e o horário de acordo com a própria agenda, podem experimentar os looks no próprio espelho, combinando com outras peças que já possuem, como sapatos e acessórios, sem pressa ou impessoalidade”.

Divulgação/Senhora Tentação

mas personalizadas ao cliente para que ele possa experimentar os produtos antes de decidir pela compra, que pode ser realizada diretamente pelo app do celular. Entre as suas potencialidades estão a emissão de notas, o controle de estoques , o fluxo de caixa e a possibilidade de pagamento. A ideia do sistema surgiu, de acordo com o CEO da empresa, Vinicius Dittgen, de uma demanda dos próprios clientes: “Em encontro de feedback, uma parceira expressou que pretendia investir no envio de maletas para os interessados experimentarem em casa antes de comprar”. Então, Dittgen percebeu que isso era na verdade uma tendência de mercado, uma vez que outros clientes praticavam a mesma metodologia e tinham excelentes resultados. O empresário revela ainda que a Simbiobag veio para contribuir em um cenário em que as lojas físicas estão percebendo a vontade do consumidor em comprar sem sair de casa: “E, para o lojista, competir com as gigantes do e-commerce é extremamente desigual, uma vez que elas conseguem um custo de operação sempre mais baixo que as pequenas lojas”. Para um empreendedor, o sistema é atraente pois é possível atender à necessidade do cliente sem fazê-lo sair de casa ou perder muito tempo. “Assim, o lojista se diferencia, uma vez que esse serviço é como levar a loja até a residência do consumidor, munido de dados sobre o perfil de cada cliente para oferecer uma experiência única em cada venda”, completa.

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seNAC ©iStock.com/Geber86

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graduacão EAD chega graduação a todo o estado

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O Senac-RS abriu 55 novos polos de graduação na modalidade educação a distância no Rio Grande do Sul, abrangendo praticamente todas as suas escoferta de cursos de las e unidades (em Porto Alegre já existia). Agora, estudantes de todo o estado gaúcho podem se inscrever em um dos graduação a distância 13 cursos nas áreas de comércio, administração, educação, foi ampliada e passa a gestão ou informática. As aulas são ministradas totalmente pela internet, sendo preciso realizar duas avaliações precontemplar todos os senciais por semestre no polo escolhido. municípios gaúchos O segmento de educação a distância tem apresentado crescimento superior ao presencial nos últimos anos. O Censo da Educação Superior 2016, divulgado em setembro pelo governo federal, constatou um aumento de 21% no grupo de ingressantes na modalidade a distância no Brasil, enquanto houve queda no número de novos alunos nos cursos presenciais no ano passado. No caso da graduação, a instituição estima atrair 2,7 mil novos alunos com a ampliação da cobertura.


Spelling Bee em Porto Alegre No dia 27 de outubro, aconteceu em Porto Alegre a final do Spelling Bee,

Segundo o gerente da área de educação a distância do Senac-RS, Sidinei Rossi, a expansão na área de graduação só foi possível pela portaria que regulamentou o decreto 9.057/17, assinada pelo Ministério da Educação. Houve flexibilização na abertura de polos para instituições com boas notas na avaliação institucional. Com nota 5 (máxima), foi concedido ao Senac o direito de abrir de forma autônoma até 250 polos por ano. “Vamos aproveitar para fortalecer nossa presença no interior com os cursos superiores”, conta.

concurso de soletração em inglês, que reuniu alunos das escolas Senac de todo o Estado. Nas etapas locais foram cerca de 3 mil jovens, de mais de 20 escolas. A novidade deste ano foi a criação da categoria Kids, com a participação de crianças com até 11 anos de idade. O vencedor foi Eduardo Ferreira Madruga, aluno do Senac Santana de Livramento, que levou para casa um tablet. Já a categoria Jovens/Adultos reuniu estudantes com idades acima de 12 anos. O primeiro lugar ficou com o Senac Farroupilha, representado por

Vantagens do EAD

Bruno Alan Bortolotto Schmitz, que ganhou um intercâmbio de 14 dias em Dublin, na Irlanda.

saiba mais

Nova campanha de idiomas O Senac-RS lançou a nova campanha dos cursos de idiomas com o slogan “Solte a língua”. Desenvolvida pela agência Competence, a ideia é divulgar o posicionamento da instituição partindo de uma expressão popular para mostrar a importância de dominar outro idioma e evidenciar a qualidade da metodologia de ensino e sua aplicação prática. Foi elaborada uma comunicação multiplataforma, que inclui filmes para TV, web e redes sociais, internet, spots para rádio, anúncios, mídia externa, material de PDV, brindes e ações de endomarketing.

Confira os cursos de bacharelado, licenciatura e tecnologia do Senac EAD: – Bacharelado em Administração (Linha de Formação Específica em Administração de Empresas)

12/Dez

– Bacharelado em Ciências Contábeis

Workshop Entendendo a Reforma Trabalhista

– Licenciatura em Pedagogia

A atividade é gratuita e será realizada às 18h,

– Tecnologia em Comércio Exterior

no Shopping Total (Av. Cristóvão Colombo, 545,

– Tecnologia em Gestão Comercial – Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos – Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação – Tecnologia em Gestão Financeira – Tecnologia em Gestão Pública – Tecnologia em Logística – Tecnologia em Marketing

agenda de eventos

Porto Alegre). Inscrições pelo site www.senacrs. com.br/floresta.

18/Dez Legado WorldSkills – Ocupação Cabeleireiro Vitória Menezes, representante brasileira do Senac na WorldSkills, vai ministrar uma oficina

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Com aprendizado em ambiente digital, a modalidade garante flexibilidade de tempo e espaço aos alunos, facilitando a conciliação entre os estudos e os compromissos do dia a dia. O formato respeita o ritmo de aprendizagem do aluno e desenvolve competências que são valorizadas no mundo do trabalho, como organização, proatividade e responsabilidade, além de possibilitar a conciliação entre a vida profissional e acadêmica. “O EAD tem parcelas mais acessíveis e evita grande parte dos deslocamentos, ainda em tempos de falta de segurança”, lembra Rossi.

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sobre Design de Cor no Senac Bento Gonçalves

– Tecnologia em Processos Gerenciais

(R. Saldanha Marinho, 820). Inscrições pelo site

– Tecnologia em Gestão Ambiental

www.senacrs.com.br/bento. Mais informações

Inscrições: www.ead.senac.br/graduacao

pelo telefone (54) 3452-4200.

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dossiê Protetor solar ©iStock.com/Art Marie

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Escudo contra os malefícios do sol 152

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A necessidade de proteger a pele dos efeitos nocivos e dolorosos do sol não vem de hoje. Na antiguidade, ainda que muitos povos cultuassem o astro-rei, já se busonscientização sobre cava uma maneira de bloquear a exposição excessiva dos raios. Na Grécia antiga, o sol era sinônimo da felicidade da os efeitos nocivos do sol se mãe Terra, a deusa Deméter, que regia a agricultura e o temreflete na grande variedade po meteorológico. Segundo a mitologia grega, Hades, o deus do mundo inferior, sequestrou Perséfone, filha de Deméter, de opções disponíveis e se casou com ela. Em profunda tristeza, as plantações coaos consumidores meçaram a secar e o tempo na terra se tornou inóspito. Para resolver a situação, Hades permitiu que Perséfone passasse

C


Para se proteger dos perigos Os protetores solares tiveram seu primeiro uso registrado em 1928, em forma de uma emulsão composta por salicilato e cinamato de benzil. Na década de 1930, surgiu uma substância com 10% de salol. Em 1936, foi patenteado o primeiro filtro solar, composto por ácido oleico, quinino e bisulfato de quinino, e o cosmético começou a ser produzido em escala comercial pela L’Óreal.

Mas foi apenas no início da década de 1940, com o auge da 2ª Guerra Mundial, que se percebeu a real necessidade de um produto que prevenisse as graves queimaduras solares que muitos soldados estavam sofrendo no front. Em 1944, Benjamin Green, um aviador e farmacêutico americano, ao ver os efeitos do sol em seus colegas combatentes no Pacífico, criou um produto chamado Red Vet Pet (que vem de red veterinary petrolatum – petrolato veterinário vermelho. O creme era uma substância vermelha e viscosa feita do petrolato, derivado do petróleo, que atuava por meio do bloqueio físico dos raios ultravioletas. Em 1946, Franz Greiter, um estudante de química austríaco, após sofrer recorrentes queimaduras de sol ao praticar montanhismo, resolveu criar o seu próprio protetor solar. O Creme Gletscher foi desenvolvido em um pequeno laboratório na casa dos seus pais e é a substância que mais se aproxima do filtro solar utilizado hoje. Em 1974, após juntar estudos de outros químicos com quem trabalhou, Greiter calculou o Fator de Proteção Solar, o FPS. Este índice indica a medida da fração de sol que atinge a pele quando a pessoa está com o cosmético. Por exemplo, se o filtro solar escolhido tem FPS 15, isso significa que 1/15 da radiação chega à pele. Desde então, depois de várias alterações, o protetor solar passou, ao longo do tempo, por mudanças para Sopa de letrinhas Muitas pessoas se sentem confusas com todas as informações trazidas em cada pequena embalagem de filtro solar. Em suma, o protetor age contra o bombardeio diário de duas categorias de raios invisíveis aos olhos, mas que interferem na saúde da cútis e podem ter efeitos a curto, médio e longo prazo. Raios Ultravioleta A (UVA): Categoria de raios que atinge as camadas mais profundas da pele, nas células da derme, e, ao longo do tempo, causam danos como envelhecimento e manchas, entre outros. Estes raios também são os responsáveis pelo bronzeamento, e sua incidência é maior antes das 10h e após as 16h.

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metade do ano com a mãe, no Olimpo, e os outros seis meses no mundo inferior. Surgem então as estações do ano – na época de sol e calor, primavera e verão, Deméter está feliz ao lado de sua filha. O verão também era a estação na qual se organizavam os Jogos Olímpicos na Grécia antiga, que era uma das maneiras encontradas pelo povo para adorar os seus deuses, bem como colocar em exercício os corpos em conjunto com a mente. Por competirem ao ar livre, há registros que os atletas gregos buscavam alternativas naturais para proteger a pele do sol, como o óleo de oliva. Outro povo fortemente ligado ao sol, os egípcios, principalmente por estarem localizados na proximidade de um deserto, acabaram por criar a sua própria versão do filtro solar, e, incrivelmente, alguns dos materiais utilizados há milhares de anos agora fazem parte da composição do cosmético. De acordo com Shaath Nadim, no livro Sunscreen Evolution, papiros da época revelam que uma mistura de aloe vera, óleos essenciais de flores, amêndoas, frutas e sementes e partículas de pó, como argila e calcita. Até o século XX, o ideal de beleza era a pele muito clara, remetendo à porcelana e à falta de trabalho ao ar livre. Conforme o guarda-roupa das pessoas foi mudando, trazendo vestimentas com menos tecidos, nasceram também tendências de moda – uma delas foi o bronzeamento. A prática adquiriu um toque ainda mais chique quando a estilista Coco Chanel foi vista tomando banho de sol em um iate, e, alguns dias depois, realizar aparições com a pele dourada. Não demorou muito para a moda pegar e logo todas as europeias estavam se expondo ao sol. Entretanto, continuava a necessidade de utilizar um produto que protegesse a pele de queimaduras mais severas causadas pela exposição excessiva ao sol.

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Raios Ultravioleta B (UVB): Esta radiação não passa das camadas mais superficiais da pele. A exposição excessiva a esses raios pode causar vermelhidão e queimaduras solares. O período de risco é entre 10h e 16h.

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dossiê Protetor solar atender melhor a diversos tipos de público. Em 1977, a Johnson&Johnson lançou uma modalidade do produto à prova d’água, e, logo em seguida, a Coppertone também apresentou ao mercado uma versão com resina de polianidro, que confere ainda mais resistência à água. A propaganda deste produto, com a menina e o cachorrinho na beira da praia, se tornou mundialmente famosa e faz parte do cânone publicitário em todo o globo. O modus operandi Em geral, os protetores são formados por filtros químicos e físicos, que dão agem de maneiras diferenciadas para atuar em todas as camadas da pele. A parte física bloqueia os raios a partir de substâncias refletoras. Já na formulação química, os ingredientes absorvem a radiação, que por sua vez encontra as moléculas do produto, agitando-as. As partículas “tremem” e devolvem os raios para

o ambiente natural, de maneira que a pele fique com apenas uma fração de energia solar, que é designada pelo FPS. Ainda que em teoria os protetores solares se encaixem na categoria dos medicamentos, a conscientização dos cuidados com a pele para protegê-la dos efeitos nocivos do sol atingiu um alto patamar, de maneira que agora existem diversas linhas de dermocosméticos que, além de proteger, também contribuem para o cuidado com a cútis. Entre as opções disponíveis no mercado para tipos específicos de pele estão os hipoalergênicos, que empregam substâncias que coíbem alergias, os oil-free e não comedogênicos, que não contêm substâncias oleosas. Em questão de texturas, pode se escolher entre produtos com aerogel ou efeito blur, que minimizam imperfeições, os minerais, que contam apenas com filtros físicos, e são mais apropriados para quem tem pele sensível, o sérum, que tem textura líquida e é absorvido rapidamente e também em mousse, para ser utilizado antes da maquiagem e confere um toque aveludado à pele.

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©iStock.com/Nina Malyna

©iStock.com/Vitanovski

©iStock.com/FamVeld

CURIOSIDADES

Cuidado com a saúde

Para vestir o FPS

É tinta ou protetor?

O câncer de pele não-melanoma

Já estão disponíveis para venda

Uma nova tendência que

é o tipo de câncer mais frequente

roupas com proteção UV.

despontou no verão europeu foram

do país, com 30% de todos os

Geralmente voltadas ao público

os protetores solares que podem

tumores malignos registrados,

infantil, estas peças contam com

colorir a pele de quem usa.

segundo o Instituto Nacional do

com fios especiais que bloqueiam

O segredo está na adição do

Câncer. Apenas em 2013,

a ação dos raios UV, com um

dióxido de zinco, que pode ser

o número de mortes pela doença

produto adicionado à lavagem

colorido e oferece alta proteção

cresceu 55% no país.

que confere FPS de 5 a 30.

contra UVA e UVB.


Ainda há muito a fazer e, em alguns casos, desfazer os erros do passado recente. Urge aprovar uma Reforma Previdenciária que impeça o crescimento explosivo dos gastos. A Reforma Tributária é outro imperativo, uni-

ficando a legislação do ICMS entre os estados. Está ainda na agenda legislativa a privatização da Eletrobrás. Privatizada, a empresa sairia do controle dos políticos, que a usam apenas em benefício próprio. A medida poderia gerar um forte impulso ao setor elétrico. Há, ainda, outras pautas importantes de modernização do país e de redução de privilégios que ainda estão adormecidas. Duas delas são a reformulação da Zona Franca de Manaus e o financiamento do ensino superior. A ZF de Manaus parte de um princípio equivocado de que é preciso “industrializar a floresta”. Custa cerca de R$ 25 bilhões por ano e, mesmo depois de décadas de existência, conseguiu apenas criar uma indústria local que não sobrevive sem o subsídio estatal. Por outro lado, o ensino superior federal é caro e utilizado majoritariamente por famílias que teriam disponibilidade de arcar com a mensalidade das Universidades. Ensino público não precisa ser gratuito, ao menos para quem tem capacidade de pagar. Em vários países desenvolvidos, universidades públicas cobram mensalidades dos alunos. Continuar com a agenda de reformas fica cada vez mais difícil na medida em que se aproximam as eleições. Estamos correndo contra o tempo. Espero que, em 2018, consigamos eleger um presidente que retome as reformas estruturais, agenda abandonada em 2009, quando o Brasil começou a andar para trás.

Dezembro 2017

São surpreendentes as mudanças legislativas implementadas durante o Governo Temer. Quem diria que um presidente que não dispõe do capital político e da legitimidade gerados pelas urnas conseguiria fazer tantas mudanças legislativas importantes em um curto espaço de tempo? Tivemos a PEC do Teto, que limita a expansão dos gastos públicos no longo prazo; a Reforma Trabalhista, uma revolução na CLT, com potencial de reduzir o litígio na Justiça do Trabalho e incentivar a formalização do emprego; a mudança no marco de exploração do Pré-Sal, que deverá trazer um grande volume de investimento externo para o setor de óleo e gás. Destaco ainda a substituição paulatina da TJLP pela nova TLP, que reduzirá o subsídio creditício dado às grandes empresas que são “amigas do rei”, um subsídio que custa cerca de R$ 28 bilhões por ano; e o fim da subordinação do Banco Central aos interesses do Palácio do Planalto, o que já permitiu a recuperação da credibilidade e da independência do Banco Central no combate à inflação, com a consequente queda na inflação e nos juros. Essas medidas têm favorecido o ambiente de negócios e a recuperação da atividade econômica.

João Alves/Fecomércio-RS

visão econômica

Reformas: correndo contra o tempo

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Marcelo Portugal Consultor Econômico da Fecomércio-RS

43


nicho

Lotéricas

Wilson Dias/Divulgação Agência Brasil

Tudo em um só lugar texto Micheli Aguiar

Quem vê a movimentação intensa e as filas em casas lotéricas deve pensar que é um negócio de ouro, a julgar pela quantidade de dinheiro que gira neste tipo de e antes lotérica era somente investimento. Todavia, isso não significa lucro. Para ser empresário no setor é preciso muito mais do que dinheiro para sinônimo de jogos, hoje investir. É necessário plano de negócios, certeza da localizaé lugar para serviços ção da loja, ciência de que o retorno pode demorar um pouco para chegar e o mais importante: autorização da Caixa. Sem bancários, financiamentos e ela, nenhuma lotérica é aberta no país. até local para um bom café A permissão é feita mediante outorga, mas o sistema é muito parecido com o de franquias, principalmente devido ao padrão das lojas e os produtos oferecidos. A Caixa abre concorrência após fazer estudo de necessidade de novas casas lotéricas – atualmente, são 13.069 negócios espalhados em todas as cidades brasileiras. Este ano, em circular de janeiro, o banco definiu lance mínimo de R$ 10 mil para abertura de novos negócios. O valor não é fixo, podendo variar de licitação para licitação, mas quem tiver interesse vai precisar de algo entre R$ 30 mil e R$ 50 mil só para começar. O dinheiro será investido na tarifa de permissão, padronização e demais despesas de instalação.

Dezembro 2017

S

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Divulgação/Girassorte

Uma das novas lotéricas abertas no Brasil este ano fica no centro de Santa Cruz do Sul, no Vale do Taquari, e leva o nome da cidade na fachada. O negócio, aberto em abril, foi possível após participação no último processo licitatório da Caixa – outra forma de conseguir autorização é comprando a autorização de um concessionário já autorizado, mas para isso também é preciso autorização da Caixa e pagamento de comissão para o banco. “Após a implantação dentro dos padrões pré-estabelecidos pela Caixa, começamos a comercializar todas as modalidades de Loterias e atuar na prestação de serviços. Podemos fazer todos os jogos, pagamentos de contas de pessoa física e empresariais, saques e depósitos”, afirma o gerente Talis Cantadori. “Fazemos quase todos os serviços de uma agência bancária, mas com mais agilidade. Entre eles estão empréstimos consignados, abertura de contas, solicitação de cartão de créditos, consórcios, seguro de vida, seguro amparo e título de capitalização.” A autorização para abrir uma lotérica, no entanto, não dá garantias de liberdade total sobre o negócio – ao menos, quanto à disposição da loja, que precisa seguir as recomendações e adequações impostas pela Caixa. O número de terminais de atendimento, por exemplo, é aprovado pelo banco. “No nosso caso, ainda estamos aguardando a aprovação de outros caixas”, destaca Cantadori. A Lotérica Santa Cruz atende com quatro terminais e oferece área de espera para o cliente com cadeiras, chamador por senha e wifi grátis.

Além dos serviços de impressão e fotocópia, Girassorte vende chocolates, cafés e livros “Temos o desafio de sempre prestar o melhor serviço com agilidade, conforto, segurança e honestidade.” Mesmo sendo um negócio com público garantido, ter uma lotérica também significa ter paciência para conseguir o retorno no investimento. O tempo varia de um a dois anos e depende muito da localização da casa, do tamanho do negócio e do giro de pessoas pela lotérica. Outro ponto a ser considerado, destaca Cantadori, é o alto valor empregado em segurança, afinal é grande o volume de dinheiro que gira diariamente pelo local. “A insegurança e risco de assaltos é grande. Precisamos de uma empresa transporte de valores, terminais blindados, sistema de pânico, segurança terceirizada e monitoramento remoto de tempo integral das câmeras”, destaca. MAIS DE TRÊS DÉCADAS DE ATUAÇÃO

Divulgação/Lotérica Santa Cruz

e oferece área de espera para o cliente

Há 35 anos no mercado de lotéricas, a Girassorte Loterias é como um patrimônio de Nova Petrópolis por ser a única casa lotérica da pequena cidade da Serra. Um dos sócios, Marcos Alexandre Streck, lembra que o pai aproveitou a oportunidade e não pensou duas vezes em comprar a loja em 1982. “Na época, meu pai, Ivo Streck, não tinha experiência no negócio. Foi algo de ocasião, uma chance de empreender, visto que ele acabara de sair de um de seus empregos. Naquela época, a aquisição das lotéricas era mais simplificada, pois não havia processo licitatório. Foi semelhante à compra de uma empresa como qualquer outra”, conta. O empreendimento vingou e cresceu, principalmente, quando Marcos Alexandre o assumiu, em março deste ano.

Dezembro 2017

Lotérica Santa Cruz atende com quatro terminais

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A Girassorte, que já oferecia revistas e jornais, ampliou a gama de serviços e passou a oferecer também café, conveniência, serviço de fotocópias e impressões. É também o único representante na cidade a vender os Chocolates Caracol, de Gramado. Para isso, precisou trocar de prédio. Atualmente, funciona em 330 m² ao lado da agência da Caixa e em frente à Delegacia de Polícia Civil. “Somos Correspondentes Caixa Aqui, onde fazemos abertura de contas, financiamentos, empréstimos e consórcios. Todos estes negócios agregados buscam elevar a rentabilidade por cliente, tornando o negócio mais atraente e lucrativo”, destaca Streck. O calcanhar de Aquiles das lotéricas, posição unânime entre os empresários do setor, são os valores repassados pela Caixa pelos serviços prestados. “Eis o maior ponto de luta dos empresários lotéricos junto à Caixa. As tarifas estão defasadas e os custos se elevam periodicamente. Assim, há alguns anos vem ocorrendo um descasamento entre receitas e despesas, provocando dificuldades financeiras em algumas lotéricas. Como também acontece nos demais bancos, a Caixa busca delegar as transações e demais serviços mais simples à sua rede de correspondentes, buscando baratear seus custos. Isto é bom para o banco, para nós e para o cliente, que tem acesso mais facilitado e ágil a estes serviços, porém a classe lotérica poderia ser melhor remunerada”, argumenta.

Dezembro 2017

TRÊS TIPOS DE LOTÉRICA

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Casa Lotérica A Casa Lotérica é definida como um comércio de venda de jogos de loterias e de produtos conveniados da Caixa Econômica Federal, atuando como correspondente não bancário da Caixa. Casa Lotérica Avançada Temporária Este perfil atua sempre na forma de extensão de Casa Lotérica, comercializa todas as modalidades de loterias, os produtos conveniados e oferece os serviços delegados pela Caixa. A Casa Lotérica Avançada Temporária, no entanto, pode funcionar por período máximo de 120 dias improrrogáveis. Unidade Simplificada de Loterias As Unidades Simplificadas de Loterias são instaladas em locais cujo potencial de mercado seja insuficiente para abertura da categoria Casa Lotérica.

46

Divulgação/A Papagaia

nicho

Lotéricas

A Papagaia funciona na galeria mais movimentada do centro de Novo Hamburgo O CARRO-CHEFE Oficialmente, as loterias começaram no Brasil 300 anos após o descobrimento. A vinda da Corte portuguesa, em 1808, fez os jogos proliferarem no país. Mas foi só em 1970 que os jogos e as lotéricas, como conhecemos hoje, ganharam esta forma de atuação, segundo o livro Rede Lotérica no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De lá para cá, muita coisa mudou, inclusive o número de jogos. Atualmente, as lotéricas oferecem a Dupla Sena, Federal, Loteca, Lotogol, Instantânea, Quina, Lotomania, Timemania e as duas mais vendidas, Mega-Sena e Lotofácil. “Se antes as lotéricas basicamente só faziam as loterias, hoje, mesmo com a gama de serviços que oferecemos, são os jogos os impulsionadores de vendas”, destaca Douglas Ortiz, dono da A Paraguaia, tradicional lotérica de Novo Hamburgo. O empresário conta que os jogos são sempre oferecidos para os clientes que vêm para pagar contas ou fazer saques, por exemplo. “Temos como política pagar comissão aos nossos funcionários sobre as vendas e prêmios das loterias. Algo que não é comum em lotéricas e que estimula o colaborador a vender, fazendo com que a gente amplie o faturamento com os jogos”, explica. Funcionando há mais de 40 anos dentro da galeria mais movimentada do Centro, A Papagaia vê o movimento aumentar em épocas de loterias especiais como a Quina de São João, Lotofácil da Independência, Lotomania de Páscoa ou, a mais famosa, a Mega da Virada. “Estes são jogos especiais onde o prêmio é alto e o valor sai para quem acertar o maior número de dezenas. São sempre um atrativo”, explica. Outra forma de ampliar as vendas das loterias é com os tradicionais bolões, onde a Caixa permite a exploração de até 30% sobre o valor do jogo.


pelo mundo

Richard Lunt/Divulgação Michigan State University

calorias nos cardápios A partir de 2018, os restaurantes dos Estados Unidos deverão anunciar em seus cardápios a quantidade de calorias de cada prato oferecido. A lei foi aprovada há três anos, ainda na gestão do democrata Barack Obama, mas a confirmação pelo setor de Administração de Drogas e Alimentos (FDA) ocorreu somente agora. As novas regras orientam ainda os estabelecimentos sobre como apresentar o conteúdo calórico dos alimentos em locais com bufê e também em pizzarias, onde a quantidade de calorias varia de acordo com cada sabor e tamanho da pizza. A medida é uma das ações do governo para diminuir a obesidade no país e é inspirada em legislações que existem em algumas cidades do país. Em Nova York, por exemplo, a apresentação do conteúdo calórico é obrigatória há anos.

Dezembro 2017

Divulgação/Louvre Abu Dhabi

©iStock.com/Andresr

Técnica transforma janelas em painéis solares Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, desenvolveram um tipo de célula transparente que pode transformar janelas em painéis solares. A novidade pode ser aplicada em vidros em geral e é tão eficiente quanto a versão mais convencional dessa tecnologia, pois garante boa absorção dos raios solares. O material capta ondas no campo do ultravioleta e do infravermelho, usando filamentos de células fotovoltaicas presentes no seu interior para converter a energia em eletricidade. Dessa forma, não há perda de visibilidade e a superfície continua transmitindo a luz do sol dentro de casa, por exemplo, enquanto produz energia. A técnica permite ainda que veículos elétricos alimentem seus equipamentos internos e que eletrônicos estendam a vida útil de suas baterias durante as horas de sol.

Louvre inaugura filial em Abu Dhabi Um dos mais famosos museus do mundo, o francês Louvre agora possui uma unidade nos Emirados Árabes Unidos. A capital Abu Dhabi recebeu a novidade, que terá como coleção permanente cerca de 600 obras, das quais 300 foram cedidas por galerias de arte francesas. O espaço foi construído na ilha de Saadiyate, com projeto elaborado pelo arquiteto Jean Nouvel. Sua arquitetura foi inspirada nas medinas árabes. O local conta com uma cúpula de 180 metros de diâmetro, composta por 7.850 estrelas de metal, que filtra os raios de sol. Fruto de uma parceria entre os governos da França e dos Emirados Árabes, o museu foi inaugurado em 11 de novembro, aproximadamente uma década após o lançamento oficial do projeto.

152

47


O presidente Michel Temer assumiu o governo, há pouco mais de um ano, com algumas propostas de reformas para a economia brasileira. Em meio à grave crise fiscal que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos, talvez a mais urgente e compreensível dessas reformas fosse a Reforma da Previdência. Apesar disso, outras medidas já foram aprovadas, o governo começa a se aproximar de seu final e uma reforma completa do sistema previdenciário brasileiro ainda é um desafio. O projeto original foi completamente “desidratado” e seu impacto financeiro foi reduzido à metade na proposição que hoje tramita no Congresso Nacional. No Brasil, as regras previdenciárias estão na Constituição Federal. Por isso, alterações nessas regras precisam do apoio de uma maioria qualificada do Congresso Nacional (3/5 dos parlamentares). Com a proximidade das eleições, contudo, um quórum de aprovação desse tamanho só consegue ser formado em questões que possuem ampla aprovação da população, o que não parece ser o caso da reforma previdenciária. Quem consegue olhar para os dados da Previdência (tanto pública quanto

152

Lucas Schifino Consultor Político da Fecomércio-RS

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privada) de forma isenta, não ideológica e puramente analítica não precisa de muito tempo para entender o porquê de precisarmos de mudanças amplas e o que deve ser alterado. No entanto, esse não é o perfil do eleitor mediano. Como ilustram muitos países europeus, mesmo em nações de renda e níveis de escolaridade mais elevados, medidas que alteram as regras previdenciárias não costumam ter apoio popular. No Brasil, os menos de 8 anos de ensino formal de um adulto médio e o alto grau de participação do governo na renda das pessoas, por meio das transferências previdenciárias, dificultam ainda mais o entendimento e apoio da população. Em resumo, precisamos convencer 308 deputados a votar em favor de uma Reforma da Previdência. O calendário político e a proximidade das eleições tornam essa tarefa muito mais difícil, pois é necessário apoio popular para a reforma. Uma dificuldade maior, contudo, apenas reforça o trabalho de comunicação que é necessário para mostrar à maioria da população brasileira que o seu futuro depende dessa reforma. Caso contrário, condenaremos à pobreza o grande contingente de idosos que existirão nos próximos anos.

Lúcia Simon

visão politica Dezembro 2017

Reforma da Previdência e a “guerra da comunicação”


monitor de juros mensal

/ novembro 2017

O Monitor de Juros Mensal divulga as taxas de juros de seis modalidades de crédito à pessoa jurídica, coletadas pelo Banco Central junto às maiores instituições financeiras do Brasil. As taxas correspondem a médias ponderadas pelos volumes de concessões na primeira semana do mês e incluem encargos fiscais e operacionais incidentes sobre elas.

Capital de Giro com prazo acima de 365 dias

Taxa de juros

Instituição Citibank

(% a.m.)

out

nov

Taxa de juros

Instituição

nov

0,84

Citibank

0,86

Banco do Brasil

1,38

1,34

Banco Safra

1,43

1,01

Banco Safra

1,62

1,58

Banco do Brasil

1,31

1,19

Itaú

1,77

1,94

Itaú

1,68

1,76

Bradesco

2,22

2,26

Santander

2,30

1,92

Banrisul

3,24

2,38

Bradesco

1,94

1,94

Santander

2,59

2,42

Banrisul

2,33

2,07

Caixa

3,25

3,38

Caixa

2,05

2,08

Antecipação de Faturas de Cartão de Crédito

Cheque Especial

Taxa de juros

Instituição

(% a.m.)

out

nov

2,67

1,34

1,64

Bradesco

2,61

Banco do Brasil Santander

Itaú Banco Safra

Taxa de juros

Instituição

nov

Banco Safra

9,35

8,84

Banrisul

9,44

9,37

1,69

Itaú

13,61

13,45

2,40

2,41

Banco do Brasil

13,52

13,52

1,99

2,57

Santander

13,74

13,75

Caixa

13,75

13,77

Bradesco

13,80

13,88

Conta Garantida

Taxa de juros

Instituição

(% a.m.)

out

Desconto de Cheques

notas

(% a.m.)

out

(% a.m.)

out

nov

Banco Safra

1,76

1,83

Banrisul

2,23

2,28

Santander

2,65

Bradesco

Taxa de juros

Instituição

(% a.m.)

out

nov

Banrisul

2,62

2,54

Santander

2,62

2,61

2,72

Banco do Brasil

2,79

2,70

2,79

2,77

Itaú

3,55

3,53

Banco do Brasil

2,85

2,86

Bradesco

4,30

4,25

Itaú

2,84

2,91

Banco Safra

8,30

7,18

Caixa

3,31

3,33

Dezembro 2017

Capital de Giro com prazo até 365 dias

152

1) A fonte das informações utilizadas no Monitor de Juros Mensal é o Banco Central do Brasil, que as coleta das instituições financeiras. Como cooperativas de crédito e financeiras não prestam essa classe de informações ao Banco Central, elas não são contempladas no Monitor de Juros Mensal. 2) As taxas apresentadas referem-se ao custo efetivo médio das operações, incluindo encargos fiscais e operacionais incidentes sobre elas.

É permitida a reprodução total ou parcial deste conteúdo, elaborado pela Fecomércio-RS, desde que citada a fonte. A Fecomércio-RS não se responsabiliza por atos/interpretações/decisões tomadas com base nas informações disponibilizadas por suas publicações.

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Dezembro 2017

152

Ficha técnica Título: Rebeldes têm asas Editora: Sextante Autor: Rony Meisler e Sergio Pugliese Ano: 2017

50

Inclusão para quem precisa O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) lançou recentemente dois aplicativos que fazem parte do projeto Assistente Virtual para Inclusão Social e Autonomia (Avisa). O objetivo é facilitar o manuseio de dispositivos móveis com touchscreen por usuários que possam ter dificuldades em utilizar os aparelhos, como idosos, pessoas com baixo letramento, cegas ou com baixa visão. Concebido para pessoas na terceira idade ou com dificuldades com tecnologia, o CPqD Facilita oferece a possibilidade de configurar o tamanho das letras na tela e de utilizar ícones mais fáceis de enxergar. Com foco em pessoas cegas ou com grande dificuldade permanente de enxergar, o CPqD Alcance+ foi atualizado e tem como principal destaque o recurso de envio e recebimento de e-mails com leitura do conteúdo por voz.

filme Divulgação/Regent/Here! Films

O ato final Cantora lírica aclamada por décadas, Maria Callas enfrentou um fim de carreira difícil, no qual perdeu o seu poder vocal e amargou uma vida no anonimato – é essa a premissa do filme Callas Forever, dirigido por Franco Zeffirelli. No longa, Callas é convidada pelo amigo e ex-empresário Larry Kelly a participar de Carmen, um musical especial para televisão, interpretando um papel com o qual obtivera grande sucesso no passado. Entretanto, ela tem que dublar um dos discos gravados na época, escondendo assim a sua voz desgastada. Ao longo do projeto, a cantora reencontra a sua paixão pela música e reflete sobre o seu valor profissional. Callas forever é Ficha técnica uma grande lição sobre a obsolescência Título: Callas forever profissional e como é preciso entender Gênero: Drama que nem tudo dura para sempre e que Direção: Franco Zeffirelli é importante manter a dignidade até o Duração: 108 minutos final de sua atuação.

Reprodução

nte

/Sexta

ação

Divulg

DICAS DO MÊS

APP

livro

Um novo tipo de prática capitalista O que acontece quando um rebelde resolve empreender? No caso de Rony Meisler, criador da Reserva, marca de roupas, o resultado é uma empresa inovadora e com foco no consumo responsável. Buscando mapear a trajetória do empreendimento durante a sua década de operações, o CEO, em parceria com o jornalista Sergio Pugliese, traz um relato autobiográfico no livro Rebeldes têm asas, sobre como criou a empresa e a fez prosperar. Com um projeto gráfico ousado – refletindo a identidade da própria companhia –, o livro é colorido, cheio de imagens e citações inspiradoras, e revela desde histórias da infância e juventude de Rony até depoimentos sobre a estruturação da empresa. A obra conta ainda com prefácio escrito pela fundadora do Magazine Luiza, ressaltando a inovação de Meisler em acreditar em um novo tipo de consumo e capitalismo, regido por responsabilidade social.


Revista Bens & Serviços  
Revista Bens & Serviços  

Edição 152

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