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ENDOMARKETING

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EXPRESSÃO CORPORAL

MODA MADEIRA

A revista BEM VIVER é uma publicação quadrimestral da Construtora Pereira Alvim. Av. João Fiusa, 2777 Tel. 16 3515 5151 Ribeirão Preto-SP marketing@pereiraalvim.com.br Coordenação: Ana Maria Machado Agência: N.Case Comunicação

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UM MUNDO À PARTE

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ÓPERA, PÚBLICO SELETO

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PANTANAL, COPA 2014

Coordenação Editorial:

swTH Scuzinet Comunicação & Web Editor/Jornalista Responsável:

Godi Júnior - MTB: 43.852/SP Jornalista: Thell de Castro Colaboração: Milena Tomazini, Raul

Ramos, Bruno Carne, Jônatas Mesquita e Camila Ribeiro

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Rita Corrêa Produção Fotográfica:

Ana Maria Machado e Rita Corrêa

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AUTENTICIDADE

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FIM DAS ABELHAS?

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REAL OU VIRTUAL

Fotógrafo Responsável: Paulo Marx Impressão e Fotolito: Gráfica São

Francisco

Tiragem: 5.000 exemplares

EDITORIAL

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CURIOSIDADE ANIMAL

GASTRONOMIA

CONVIVER


editorial

entre NO CLIMA A Revista Bem Viver chega a sua sétima edição destacando a importância de se preservar a natureza e o meio ambiente, para que, num futuro próximo, nossos filhos e netos possam ter a mesma oportunidade que tivemos e que não soubemos respeitar. Não podemos deixar um mundo cinzento, onde os animais e florestas estarão cada vez mais raros e extintos. Precisamos mudar rapidamente isso, pensando cada vez mais em sustentabilidade. E como o assunto é preservar e viver num mundo melhor, porque não começarmos com os nossos amigos e colegas de trabalho, proporcionando um ambiente tranquilo com qualidade de vida na hora do expediente, para podermos chegar em casa com mais disposição para brincar, estudar e saber como foi o dia dos nossos filhos. Crianças que passam mais horas em frente do computador ao invés de estar com os amigos e com os pais. Até onde vai essa relação virtual e como será o futuro deles? Será que eles poderão ser livres apenas na terceira idade? Temos que mudar nossos hábitos ruins, nos alimentarmos de forma mais saudável, abrir espaço para o novo, pois o corpo fala, reclama, e precisamos estar atentos para aprender a ouvir sua linguagem. Portanto, esperamos que, em 2010, possamos entrar juntos no clima de Bem Viver, encarando essa difícil tarefa que é a mudança de hábitos. Vamos traçar juntos, conscientes, um futuro muito melhor.

Boa leitura. José Roberto Pereira Alvim Diretor da Construtora Pereira Alvim

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O jacaré tem fama de levar vida mansa –– e não é para menos, já que durante o dia esse sujeito, com ar de mal encarado, costuma ficar às margens de rios e lagoas e exposto ao sol com a boca aberta para aumentar suas habilidades. Ao anoitecer, ele entra na água à procura de peixes, moluscos, aves e pequenos mamíferos. Um jacaré adulto pesa entre 40 e 80 kg, e pode atingir até cinco metros de comprimento. Apesar de seu tamanho, alimenta-se pouco: é que seu sistema digestivo consegue aproveitamento quase total das proteínas ingeridas.

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curiosidade animal

VIDA MANSA


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O CORPO

FALA

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bem estar

O corpo expressa por meio das dores o que sentimos e pede socorro para uma vida mais harmoniosa

A

s pessoas adquiriram práticas de alimentação, trabalho e consumo cada vez mais rápidas e de fácil acesso, pois o acúmulo de funções exercidas no cotidiano fez com que o ser humano esquecesse a sua própria vida, os seus sentimentos, anseios, vontades e desejos. Para ajudar a entender o que a relação homem-corpo-emoção realiza, a terapia morfoanalítica, criada na França e ensinada no seu país de origem, e também na Espanha e Brasil, desde 1985, por Serge Peyrot, trabalha o psíquico corporal e faz uma análise que integra também o corpo sensorial. O paciente chega ao consultório em busca de tratamento a partir de doenças físicas, com dores articulares, musculares, com má digestão e dificuldade respiratória. Por meio da fala do paciente e de como ele conta sua história, o terapeuta cria um vínculo e apresenta uma proposta corporal como ferramenta de terapia para a pessoa se livrar do problema físico e rearmonizar o seu corpo. ““Tudo o que o paciente sente, como as dores, as sensações, o mal estar, o calor, o frio, é observado para trabalharmos com a análise da emoção, do que emerge. Então, nós escutamos muito as falas do corpo””, destaca a terapeuta ocupacional morfoanalista Aparecida Livorato.

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Falas do corpo A cor da pele, a expressão facial, se a pessoa apresenta algum tipo de lesão, se o cabelo está vitalizado ou não, o tipo de olhar, se está triste ou alegre, se tem curvatura muito acentuada, achatada, se tem aumento ou diminuição de peso, tudo isso é importante, pois são falas do corpo. Com todas essas informações, o terapeuta vai ouvir e observar para descobrir o que pode ser feito naquele corpo, além de revelar o que ele diz emocionalmente. A terapia não se interessa pela pessoa enquanto um conjunto de ossos e musculatura, mas se interessa pelo ser humano no seu todo, envolvendo físico e emocional. ““É um trabalho ritmado, o encontro com o paciente é semanal, pois é onde ele vai poder trazer seu sofrimento para nós fazermos uma leitura corporal. A partir dessa leitura, vamos fazer um trabalho de exercícios em busca de um corpo harmônico””, afirma a terapeuta. Livorato explica que se uma pessoa tem uma curva lombar acentuada, esse problema será estancado. Com a terapia, o objetivo é buscar posturas que vão reorganizar esse corpo, trabalhar com massagens e com o toque na região em que a pessoa sente a dor. De acordo com a terapeuta, o que acontece hoje é que as pessoas têm tantas demandas, com trabalho, família, preocupações com questões financeiras, políticas, de violência, que nem se sentem mais.

Pedido de emergência Os sintomas podem ser um pedido de emergência do corpo dizendo ao outro: ““olha para mim””. A terapia busca fazer um trabalho rigoroso, como melhorar a respiração e devolver a pessoa para ela mesma, para sentir nos ossos, sentir na

pele e como diz um ditado popular: viver na própria pele é viver a própria vida. ““Então quanto mais nós fixamos na nossa pele, mais personalidade nós temos””, garante Livorato.

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Com isso, a pessoa deixa de viver uma vida de ““massa”” e passa a viver sua própria vida, fazendo o que realmente gosta, expressando seus sentimentos e desejos, porque na sociedade atual as pessoas vestem uma roupa de massa, comem por ansiedade e não por necessidade. ““É um trabalho simétrico em que o paciente busca cada vez mais reajustar nas tensões e desbloquear regiões que estão muito tensas””, diz a profissional.

Encontrar a si mesmo Muitas pessoas com depressão chegam ao consultório de Aparecida porque estão distantes delas mesmas. Com a terapia, isso facilita a pessoa a se encontrar com ela própria. O papel do terapeuta é ouvir e ajudar o paciente a colocar palavras naquilo que ele está sentindo. ““A pessoa que acompanha trabalha muito com as questões vinculares e pode ajudar a pensar no que está acontecendo, é o outro na vida da pessoa””, ressalta. A pessoa pode vivenciar com alguém a própria dor. Isso é fundamental para estabelecer os limites. No entanto, a pessoa pode ser ouvida, ser respeitada, ser ajudada e expressar seus sentimentos e sua dor física. Ali dentro do consultório existe uma dupla, onde tem uma pessoa que escuta e outra que revela seus sentimentos. ““E existe uma interação com essa dinâmica, pois, na maioria dos casos, o problema é afetivo, então vamos trabalhar com o desenvolvimento humano. Não trabalhamos apenas os sintomas, mas também a história da dor, o que a pessoa carrega por trás daquela dor””, argumenta.

Harmonia e simetria é o caminho A coluna vertebral do homem funciona como uma viga mestra na construção. Quando o paciente apresenta um desvio lateral da coluna, o terapeuta busca com trabalhos corporais voltar à pessoa ao seu eixo, e estar no seu eixo é estar no seu eu. ““A pessoa vai ter mais autonomia sobre ela mesma, não vai ser mais um objeto a mercê das coisas. É com simetria e essa harmonia que o paciente passa a regular a respiração e os sistemas de seu organismo””, diz Livorato. De fato, trabalhar o corpo de uma maneira integrada, sistemática e genuína é buscar saúde, além de não avaliar somente a questão de doenças, mas seus ancestrais, a história da pessoa. ““Os nossos medos e as nossas angústias ficam em algum lugar e esse lugar é o corpo. Por isso é importante a nossa qualidade de sono, o que a gente come, bebe, onde a gente se coloca, num ambiente tenso ou mais em contato com a natureza, e quanto mais perto da natureza, mais nos abastecemos””, afirma a terapeuta. Quanto mais a pessoa entra em contato com ela mesma, mais evita os sofrimentos, a dor e as doenças. ““Sinta seus pés, sinta suas mãos, os tornozelos””, são dicas para as pessoas lembrarem todos os dias de que elas têm um corpo. ““Às vezes nós nem lembramos que temos um corpo e vestimos, tomamos banho de qualquer jeito e comemos qualquer coisa, portanto é essencial resgatar essa consciência do corpo o tempo todo. Trabalhar para ter um corpo que vive, sente e responde””, conclui.

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Há mais de 15 anos, após ter sido curada de um câncer, a professora e consultora norte-americana Louise L. Hay resolveu se aprofundar mais no assunto de dores e doenças e decidiu escrever um livro prático que oferece métodos para combater medos e causas. Em pouco tempo, mais de um milhão de exemplares foram vendidos, figurando na lista de best-sellers do jornal The New York Times em 1988. A obra ““Você Pode Curar Sua Vida”” traz aos leitores da Bem Viver os significados de algumas dores e doenças que o homem adquire com o tempo. Conheça algumas na tabela:

Doença ou parte afetada: câncer Causa provável: mágoa profunda. Ressentimento antigo. Grande segredo ou pesar comendo o eu. Carregando ódios. O que adianta? Novo padrão de pensamento: com amor perdoo e liberto todo o passado. Escolho encher meu mundo de alegria. Eu me amo e me aprovo.

Doença ou parte afetada: desvio na coluna Causa provável: incapacidade de fluir com o apoio da vida. Medo de tentar se agarrar as velhas ideias. Falta de confiança na vida. Falta de integridade. Não tem coragem nas convicções. Novo padrão de pensamento: solto todos os medos. Agora confio no processo da vida. Sei que a vida é pra mim. Minha postura é perfeita como o amor.

Doença ou parte afetada: diabetes Causa provável: sonhando com o que poderia ter tido ou sido. Grande necessidade de controlar. Tristeza profunda. Não resta nenhuma doçura. Novo padrão de pensamento: este instante está cheio de alegria. Agora escolho vivenciar a doçura do hoje.

Doença ou parte afetada: gastrite Causa provável: incerteza prolongada. Sensação de condenação. Novo padrão de pensamento: eu me amo e me provo. Estou em segurança.

Doença ou parte afetada: mau hálito Causa provável: pensamentos de raiva e vingança. Mexericos maldosos. Atitudes vis. Novo padrão de pensamento: liberto o passado com amor. Falo com carinho e amor. Escolho dar voz apenas ao amor. Exalo só o bem.

Doença ou parte afetada: insônia Causa provável: medo. Não confia no processo da vida. Culpa. Novo padrão de pensamento: com amor deixo ir o dia e entro num sono tranquilo, sabendo que o amanhã cuidará de si mesmo.

Doença ou parte afetada: nervosismo Causa provável: medo, ansiedade, luta, correria. Não confia no processo da vida. Novo padrão de pensamento: estou numa viagem interminável pela eternidade, e tenho muito tempo. Comunico-me com o coração. Tudo está bem.

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““O corpo é um caminho para se chegar ao símbolo.”” Célia Mantovani - atriz, terapeuta junguiana e bailarina

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FRUTAS

exテウticas e tropicais Sテグ AS MAIS INDICADAS PARA ESTE VERテグ Apesar de pouco conhecidas, elas sテ」o muito nutritivas e saborosas 20


Poucas calorias e fonte de energia

curiosidade

Para Bianca Montagnana, nutricionista da Nutrissessoria, é indicado o consumo de frutas diariamente, pois são alimentos muito saudáveis, fontes de vitaminas e minerais e que ajudam a regular as funções do organismo. Além disso, possuem poucas calorias e gordura. ““As frutas possuem grande quantidade de água, fibras, vitaminas, minerais, e, embora sejam uma boa fonte de energia, a maioria possui poucas calorias e é de fácil digestão””, afirma. Apesar dos evidentes e conhecidos benefícios das frutas para a saúde, seu consumo não é tão difundido quanto deveria ser. Com a correria do dia-a-dia, as pessoas optam por levar um biscoito na bolsa do que uma fruta. ““A melhor forma de tornar o consumo dela um hábito, é deixá-la mais acessível, ou seja, ter sempre em casa as frutas que mais agradam ao paladar e substituir os lanchinhos mais calóricos””, destaca. O consumo de frutas em geral no Brasil e no mundo tem crescido a taxas elevadas. Até as frutas exóticas também têm sido mais cultivadas, mais conhecidas e, portanto, mais consumidas, embora sejam mais utilizadas no preparo de licores, geleias, pastas, tortas e doces do que em sua forma natural. ““A principal diferença entre frutas exóticas e as comuns é que a primeira são menos conhecidas e ainda possuem diversas propriedades a serem descobertas””, diz Bianca. E fica a sugestão da nutricionista: ““experimente, veja qual a fruta da sua região e aproveite para consumir e ter uma alimentação mais saudável e rica em vitaminas, minerais, fibras e água””, conclui.

Em Campina do Monte Alegre (SP), cerca de 500 espécies de frutas nativas estão bem conservadas por Helton Josué Teodoro Muniz, o maior colecionador de frutas exóticas do país. Tudo começou quando era adolescente e foi pescar pelas margens do rio Paranapanema. Nesse momento, o jovem viu uma planta esquisita com umas frutinhas que pareciam pequenas laranjas. Curioso, perguntou aos pescadores locais que disseram que era saputá. Provou e adorou. Tempo, paciência e esforço fizeram Helton comprar livros específicos, aprender a cultivar e passar a produzir mudas de várias espécies de frutas nativas, como o jacaratiá (fruto parecido com o mamão), o murici-rosa (de gosto forte), a jeniparana (que lembra o jenipapo) e até a sapota-preta (que tem uma polpa doce e negra). Ele escreveu o livro ““Colecionando Frutas””, que reúne informações inéditas sobre 100 espécies brasileiras. Para preservar as espécies raras, o sítio tornou-se um banco genético das frutas em extinção, como é o caso da melancia-do-cerrado, que é do tamanho de uma singela laranja. Contato: www.colecionandofrutas.org

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gastronomia

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om a chegada da estação mais quente do ano, o verão, nada melhor do que se refrescar com sucos naturais, frutas frescas, saladas e ter uma alimentação balanceada. Por conta disso, a Bem Viver separou algumas frutas exóticas que podem ajudar na sua alimentação e deixar sua mesa ainda mais colorida. Apesar dos nomes e das aparências diferentes, frutas como atemoya, physalis, mangostim, cupuaçu, açaí, graviola, guaraná, cajá, siriguela, tâmara, pitomba, bacuri, maná, tamarindo, pitaya e pequi são bastante saborosas. Entretanto, para apreciá-las e matar a curiosidade em relação ao fruto exótico, às vezes, é preciso viajar para suas regiões de origem, podendo ser do cerrado a caatinga ou da Amazônia ao Pantanal.


Physalis Pequena e delicada, conhecida como ““saco de bode””, essa fruta possui vitamina A, vitamina C, ferro e fósforo. Possui sabor adocicado, podendo ser utilizada em sucos, geleias e sorvetes. Em 100g da fruta contém 49 kcal.

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Cupuaçu Sua polpa reúne um conjunto de valiosos nutrientes, como o potássio, que ajuda a regular a pressão arterial; o ferro, que assegura a saúde dos glóbulos vermelhos e o selênio, um poderoso antioxidante capaz de barrar o processo de degeneração das células. Vitamina C, uma aliada contra infecções oportunistas. Além disso, contém pectina, um tipo de fibra solúvel que ajuda a manter bons os níveis de colesterol. Cerca de 100g possuem 72 kcal.

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Graviola Uma fruta de sabor levemente azedo, rica em cรกlcio, fรณsforo e vitamina C. Tem casca verdeescura e espinhenta, polpa branca, de sabor e aroma adocicado. Muito utilizada para sucos, cremes, compotas, doces e sorvetes. Encontrada na regiรฃo nordeste. 100g da polpa da graviola possui 60 kcal.

Sapoti Casca marrom, seca, com polpa parda, carnuda, doce e saborosa. Pode ser consumida fresca.

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mercado


funcionário feliz,

EMPRESA LUCRATIVA

O principal cartão de visita da empresa é o seu funcionário, portanto, invista nele 29


A

maioria das pessoas fica diariamente mais tempo com os colegas de trabalho do que com sua própria família. No mínimo oito horas por dia. Em alguns casos ficam até dez ou mais. Agora, some-se a isso o tempo que a pessoa leva no trânsito, o tempo que fica estudando, dormindo, ou seja, sobra muito pouco tempo para a vida pessoal, pois o dia tem apenas 24 horas. Por conta disso, chegar num ambiente de trabalho agradável, com pessoas sorrindo, uma estrutura organizada e com um processo de gestão em funcionamento, é o que todos buscam ao trabalhar. Além da liderança e do profissionalismo, as empresas devem investir mais nos seus funcionários. Não bastam salários em dia, técnicas qualificadas e materiais adequados ao mecanismo de trabalho. É preciso que as empresas proporcionem qualidade de vida aos seus funcionários, pois empregado feliz quer dizer empresa lucrativa. É o que acredita Jim Goodnith, co-fundador e presidente da SAS, a maior empresa de software de capital fechado do mundo. ““Funcionários felizes fazem felizes os clientes, que gastam mais e, é claro, deixam-no feliz””, explica. Afinal, qualquer funcionário também é um vendedor e pode realizar o trabalho de marketing pela divulgação para seus familiares, vizinhos e amigos. Essa ação é mais conhecida como endomarketing, uma das mais novas áreas da administração e propõe adaptar estratégias e elementos do marketing tradicional para uso no ambiente interno das corporações, ou seja, voltado para os colaboradores. O endomarketing surge como complemento de ligação entre o cliente, o produto e o empregado.

Interatividade Vender um produto, uma ideia, um posicionamento de marketing para o empregado passa a ser tão importante quanto para o cliente. É o que muitas empresas já têm feito. O Grupo Pão de Açúcar realizou um dia de interação entre os funcionários com objetivo de interagir os colegas e, ao mesmo tempo, proporcionar a aproximação dos colaboradores. Com o tema ““Dia das Marcas Exclusivas””, todos tiveram que criar receitas exclusivas com os produtos da empresa. O evento proporcionou um dia para os colaboradores se conhecerem melhor e ainda foi essencial para os conferirem os produtos e aprenderem como aproveitá-los.

Solidariedade e bem estar Em Ribeirão Preto, a Santa Helena, indústria de doces, conquistou o selo de empresa amiga da criança pelos projetos desenvolvidos com o foco em atender os filhos de funcionários que são beneficiados com aulas de natação e cursos profissionalizantes. Para José Donizete Guedes, 42 anos, funcionário da Santa Helena há 19 anos, que teve seu filho de 18 anos como participante de um curso profissionalizante oferecido pela empresa, a ação foi muito importante. ““É um incentivo a mais para nós funcionários, pois muitas vezes não temos condições de pagar por um curso profissionalizante ou até mesmo por atividades físicas para nossos filhos. Fico muito feliz pela empresa nos oferecer isso, pois sei que trabalho num lugar que investe no meu filho””, agradece Guedes, que ainda teve outro presente, pois seu filho foi contratado depois do curso e há seis meses trabalha no almoxarifado da empresa.

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Harmonia gera resultados A harmonia entre empregado e empresa gera qualidade e rendimento na produção. O ritmo das mudanças na economia mundial foi sensivelmente alterado em função das novas tecnologias em transportes e comunicações. Em se tratando de serviços, é importante ressaltar a interferência direta do ser humano na idealização, preparação e execução de atividades que terminam por formatar o produto que é entregue ao cliente. De acordo com especialistas, o marketing é a raiz do endomarketing. Dele se extrai seus fundamentos, mas se desenvolve seus próprios conceitos a partir da peculiaridade do público a que se destina. As pessoas nas organizações possuem necessidades muito específicas e são atingidas pela comunicação de maneira direcionada, mas explícita do que normalmente acontece com o consumidor comum.

Diversão no trabalho O Google é a empresa que melhor traduz o espírito do nosso tempo. Ela está para o século XXI assim como a Ford ou a Coca-Cola estiveram para o século XX. A Ford inventou a linha de montagem e inaugurou a era do consumo de massa. A Coca-Cola, refrigerante químico que não imitava o sabor de nenhuma fruta, é o símbolo da era das marcas. O Google representa outra época –– a era da inovação. A era em que uma boa ideia vale milhões de dólares. Ou bilhões. Para isso, investe muito em seus empregados. Os escritórios mais parecem uma área de lazer e diversão, onde o ambiente é descontraído e os funcionários podem dedicar 20% da carga de trabalho, ou um dia inteiro por semana, a projetos pessoais. E foi num dia desses que o programador turco Orkut Buyukotten, funcionário do Google, criou o site de relacionamentos que leva seu nome, hoje um dos principais sucessos da rede. ““Para os gerentes do Google, horário não é importante, a não ser que seja numa área de vendas onde há reuniões com clientes””, diz Alexandre Hohagen, diretor do Google no Brasil. ““O importante é cumprir as tarefas dentro do prazo””.

Na Pereira Alvim, trabalho em equipe Cada inauguração de um empreendimento da Construtora Pereira Alvim é um grande motivo para reunir os funcionários e comemorar mais uma etapa cumprida, pois esse evento tem o sabor de realização de todos que participaram ao longo do processo. Outro diferencial da construtora são as datas comemorativas. Nessas, a empresa aproveita para estar mais próxima dos seus funcionários em momentos de descontração. Um grande exemplo acontece no final do ano, durante a Pedalada Bem Viver por Pereira Alvim. O evento, que já é um sucesso em Ribeirão Preto, tem o objetivo de unir funcionários, clientes, fornecedores e toda a comunidade para que juntos possam comemorar as metas alcançadas durante o ano que se passou.

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morar bem

O hit do momento na arquitetura e decoração é a utilização da que consegue unir o rústico e o fino, deixando os ambientes

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rĂşstico e fino madeira, em todos os ambientes, pois esse ĂŠ o Ăşnico elemento mais aconchegantes

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ecoração e arquitetura também têm sua moda: a cada temporada um determinado material vira a febre do momento. Como em uma semana de moda em que todos resolvem utilizar um determinado tecido, agora os arquitetos e decoradores estão sendo unânimes, apostando em um ingrediente principal: a madeira, já que ela pode ser utilizada de várias formas, como nos pisos, portas, revestimentos, móveis, objetos de decoração, ou seja, a versatilidade desse produto não tem como dispensar seu uso, já que ele está com tudo. Segundo Rui Spinelli, arquiteto da Construtora Pereira Alvim, a madeira está com muita força. ““O mercado está tão receptivo ao uso da madeira que as empresas de revestimentos cerâmicos desenvolveram um material que a imita e tiveram uma excelente aceitação””, diz. Para Marcela Mazzi, empresária e decoradora, a madeira é um elemento muito delicado, mas que se for bem cuidado pode durar a vida toda. ““Quem trabalha com esse material tem uma vantagem: é um produto fácil de lidar, podendo utilizá-lo bastante na decoração. Minha dica é utilizar a madeira de demolição, que proporciona desde um ambiente rústico até o mais sofisticado. Consegue unir o contraste entre o antigo e o moderno, dando um resultado expressivo na decoração””, afirma.

Várias opções de uso A madeira pode ser integrada tanto a ambientes rústicos quanto a espaços tecnológicos e hi-tech. Basta saber quais peças inserir, sem medo de experimentar. Uma boa alternativa para quem vai começar a integrar objetos de madeira a ambientes já prontos é optar por pequenas peças. Banquetas, bancos, mesas de apoio e aparadores são indicados para esse início. Outra opção são vasos magros e altos, que podem receber plantas exóticas e imponentes para garantir o contraste. Para os mais ousados, existem peças maiores e mais imponentes, porém, não menos elegantes e sofisticadas. Esculturas de madeira estão em alta. Os bancos gigantes são de árvores degradadas e estão sendo reciclados em sua utilização. São indicadas para decorar grandes espaços internos, varandas e jardins.

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Armazém do Zé - Fazenda Santa Maria


Mas para quem pensa em misturar a madeira com outros elementos num só espaço, a arquiteta Renata Bittencourt dá uma dica. ““Nos tempos modernos pode-se misturar de tudo: ferro, alumínio, pedras, vidros, fibras e madeira. O importante apenas é dosar muito bem para harmonizar o espaço e atingir um melhor resultado, garantindo um equilíbrio e elegância do ambiente””, garante.

Sustentabilidade em alta Madeiras de demolição e certificadas são opções sustentáveis para o design de interiores de casas. Além de ser moderno, é ecologicamente correto. Essa madeira tem aspectos particulares com a aparência envelhecida que agrada a maioria das pessoas, por trazer ao ambiente um ar de aconchego, assim como a velha casa da vovó, onde sempre tem espaço para mais um.

Réplica de casa da região Sul do Brasil, construída na Fazenda Santa Maria.

Por isso, é importante conhecer muito antes de adquirir qualquer produto, existem madeiras com alta densidade e resistência contra fungos e cupins, mas que, na contramão deste benefício, exalam um cheiro não agradável. Conciliar as duas coisas não é uma tarefa muito fácil, o ideal sempre é consultar alguém que domine o assunto. A arquiteta Mirela Ulian recomenda: ““a madeira Teca é uma espécie muito pedida para decorar. Trata-se de um elemento que combina muito bem e dá um tom de bom gosto ao ambiente”” afirma.

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Teca: madeira certificada Teca é o nome popular que deram a essa árvore, cujo nome científico é Tectona Grandis. Uma espécie resistente e leve, das florestas tropicais do sudeste asiático, e hoje também encontrada no Brasil. Procurada para decorações de ambientes de requinte e mobiliários diferenciados, ela também é utilizada na produção de esquadrias, pisos, acabamentos, decks, revestimentos, laminação e na construção naval. Uma grande qualidade dessa espécie, e que também resulta cada vez mais na procura, é a sua durabilidade e resistência, podendo ser utilizada em áreas externas, exposta ao sol sem prejudicar o produto. O design natural de sua superfície torna-a bonita e inconfundível, com personalidade própria, enriquecendo qualquer peça de decoração.

Madeiras nobres São aquelas com elevadas durabilidades natural, bom aspecto geral, cheiro agradável ou ausência de cheiro e elevada estabilidade em todos os sentidos. Das madeiras ditas nobres, moles ou macias, as mais usadas no Brasil são Amendoim, Cedro, Imbuia, Cerejeira, Freijó e Mogno. As madeiras nobres duras têm alta resistência estrutural e são usadas tanto na construção de casas como para obras de engenharia, em que suas qualidades são imprescindíveis. As mais conhecidas são Angico, Cumaru, Garapa, Ipê, Itaúba, Jatobá, Maçaranduba, Jatajuba, Jarana, Pau roxo, Sucupira, entre outras.

Conforme publicado na última edição da revista Bem Viver, antes de adquirir uma madeira, é necessário verificar se ela é regularizada e se tem o Certificado Madeira Legal, emitido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

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Ambiente: Maria Cristinha Sampaio Franco / Fotografia: ArqArt

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MERGULHO, um mundo Ă  parte 42


hobby

O mergulho é um esporte que vem ganhando muitos adeptos com o passar do tempo

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uitos ainda pensam que o mergulho é praticado de maneira profissional, como nas áreas de oceanografia, biologia marinha e arqueologia, assim como na manutenção de hidrelétricas e plataformas de petróleo. No entanto, a prática do mergulho como hobby vem se tornando comum entre os brasileiros. O alto número de membros em comunidades relacionadas à prática revela o gosto pelo esporte. Só numa comunidade na rede de relacionamento na internet (Orkut) são mais de 40 mil seguidores. Caio Augusto, supervisor de produção, que sempre foi apaixonado pelo mar e mergulha há sete anos, pratica a atividade recreativa que, segundo ele, é basicamente um turismo por pontos submersos para apreciar a vida marinha e ver locais que só são alcançados com equipamentos específicos. Além de ter um bom preparo físico, Caio diz que é preciso estar atento a tudo a sua volta, e que a vida

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do mergulhador depende dos conhecimentos adquiridos em curso, que são essenciais. Ao terminar o mergulho, o profissional, apesar de cansado, está satisfeito e alegre. ““O que mais me atrai é a tranquilidade que se passa quando estou no fundo do mar, parece que tudo está em câmera lenta””, destaca.

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utro que é apaixonado pela atividade é o especialista em segurança da informação Marcelo Adães. ““Mergulhar pra mim é quase uma religião. É aquele momento onde estamos sozinhos, em silêncio, e temos a oportunidade de refletir um pouco sobre a vida. Pra mim funciona quase como que uma meditação, é algo mágico mesmo””, conta. Adães explica qual é o sentimento de colocar a cabeça dentro d’’água. ““Nesse momento, a nossa comunicação auditiva e visual com o mundo seco é cortada. Abre-se uma nova paisagem à nossa frente, tão diferente e repentina que parece que fomos teletransportados para outra realidade””. O praticante diz que seu sonho é poder ver seu filho mergulhando ao seu lado. ““Hoje vivo a expectativa de levar meu filho para mergulhar. Ainda é cedo, mas já sonho acordado com o sorriso dele para mim, ao levantar o rosto d’’água ainda com a sua máscara, maravilhado com esse novo mundo””, espera o especialista em segurança. Para Débora Ozelami, estudante de artes cênicas em Ribeirão Preto, a sensação de mergulhar é única. ““Só enquanto estou mergulhando consigo ter liberdade, tranquilidade, paz, amor e vida””, ressalta.

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Profissional De acordo com Joaquim Poianas, instrutor há 15 anos, o mergulho mais praticado é o recreativo autônomo, com ar comprimido. ““É a modalidade mais praticada por oferecer grande segurança””, afirma. ““É aquele tipo de mergulho no qual as pessoas querem ver corais, peixinhos coloridos, moréias, tubarões, tartarugas, etc””, afirma a instrutora de mergulho Bianca Starck. Nessa modalidade, usa-se o cilindro de ar comprimido com um regulador (respirador), que dá autonomia para se locomover para onde bem entender, respeitando as profundidades de segurança. Conforme o especialista, o ideal é mergulhar com mar calmo, pois o mar agitado fica arriscado devido à correnteza da superfície. ““Com sol é melhor, pois aumenta a visibilidade, porém, nada contra mergulhar com chuva (desde que não esteja relampeando). Quanto mais água melhor””, diz Poianas.

Segurança no mar Fazer um curso é fundamental para a pessoa que quer começar a mergulhar. O aprendiz adquire no curso conhecimentos da física e fisiologia, além de aprender técnicas de bem estar e segurança. Aprende-se também um pouco sobre a biologia marinha, evitando assim possíveis acidentes. ““Acidentes só ocorrem com quem não tem informação””, diz Poianas. Ao praticar o mergulho, em primeiro lugar é preciso respeitar as leis de segurança, ter cuidado onde colocar as mãos, para evitar contato direto com seres marinhos e corais, apesar da maioria ser inofensiva, ter um bom equipamento e sair sempre com uma boa escola/operadora de mergulho. Todos os mergulhos são seguros (autônomo, livre, técnico de profundidade, cavernas), desde que o praticante respeite os seus limites e encare as regras de segurança com rigor. A única modalidade de mergulho não recomendada é a sem experiência. ““Melhor evitar ficar em lugares e situações que você não conheça””, diz Poianas. De acordo com Bianca Starck, para se tornar mergulhador, antes de mais nada, é necessário realizar um exame médico para saber se está em condições físicas apropriadas.””Na superfície, estamos expostos a pressão de um atmosfera. Entretanto, a cada dez metros, temos pressão de mais uma atmosfera sobre nós. Portanto, a 30 metros, teremos a pressão de quatro atmosferas””, afirma.

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Investimento Para iniciar a prática do mergulho, o candidato deve ao menos comprar o que é chamado de ““roupa íntima de mergulho””, que consiste em máscara, snorkel (peça que permite que o nadador respire sem tirar o rosto da água) e nadadeiras. O conjunto custa a partir de R$ 180,00, chegando a R$ 800,00 para itens mais sofisticados. Roupas, colete e regulador podem ser alugados no valor de R$ 30,00 a peça. Segundo o instrutor Joaquim Poianas, o importante é que a máscara seja de silicone e vidro temperado, e que também seja de uso confortável. O snorkel, de preferência, recomenda Poianas, tem que ser com válvula e flexível gerando também mais facilidade para respiração na superfície. Por fim, as nadadeiras devem ser próprias para o mergulho com cilindro, descartando aquelas de lojas não especializadas.

Dois tipos de mergulho mais conhecidos Livre: feito sem uso de aparelhos respiratórios. Dentro dele existem duas categorias: apneia e snorkeling. Autônomo: utiliza-se aparelhos de respiração subaquática independente de suprimento da superfície. Para o mergulho recreativo utiliza-se equipamento Scuba (Self-Contained Underwater Breathing Aparattus).

Furnas, o ““mar”” de Minas Localizada há 200 quilômetros de Ribeirão Preto, Furnas é uma grande dica da Bem Viver para quem quer uma nova aventura na vida. No total são mais de 300 quilômetros de trechos navegáveis, e melhor, mergulháveis. Quem disse que Minas não tem mar? Se levarmos em conta somente as dimensões, a Represa de Furnas é maior que o Mar Morto e que muitos outros mares mundo afora. Tudo bem que a água não é salgada, mas tem tonalidades caribenhas em algumas épocas, é cercada por várias praias, ilhas, marinas, condomínios de luxo, hotéis, pousadas, restaurantes, fazendas, e muitas, bota muitas nisso, cachoeiras. A profundidade da represa atinge 90 metros em alguns pontos, logo ao lado dos paredões verticais que descem em suas encostas. Há naufrágios, cidades afundadas, cânions submersos e até uma ponte metálica do início do século passado que ficou de baixo d’’água, quando o Rio Grande foi represado. Peixes e outros seres aquáticos não faltam.

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A paisagem em torno da represa é marcante. Principalmente na região próxima da barragem. Abaixo dela, quando as comportas estão fechadas, forma-se um remanso com 17 metros de profundidade onde há uma grande concentração de peixes. Ali os mandis forma grandes cardumes e estão acostumados a se alimentarem na mão dos mergulhadores. No local, há um naufrágio de uma balsa que está enterrada parcialmente. O fundo é bem interessante, com grandes rochas que formam passagens estreitas e pequenas grutas. A visibilidade gira em torno dos seis metros, graças ao cascalho grosso que forma o substrato. Acima da barragem, o visual muda completamente. As escarpas de rochas sedimentares que rodeiam a represa são íngremes formando cânions e fiordes, criando autênticos labirintos. No fundo de alguns deles, há cachoeiras onde é possível mergulhar por debaixo da queda d’’água.

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FRANCISCO JOSÉ Francisco José de Brito iniciou sua carreira como repórter esportivo no Jornal do Commercio, em Recife (PE). Depois disso, foi contratado pela TV Globo em 1976. Participou da cobertura de seis Copas do Mundo e três Olimpíadas. Dentro da emissora, começou a produzir reportagens especiais ainda no final da década de 1970 e esteve à frente de reportagens em lugares como Fernando de Noronha, Ilhas Galápagos e a floresta de algas do Pacífico. Em 2000, recebeu o Prêmio Ministério do Meio Ambiente de jornalismo pelo programa ““Globo Repórter”” sobre água; além dessas matérias, também participou da cobertura de momentos importantes da política e da cultura brasileira. Em 1992, fez parte da equipe de cobertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Em 2005, participou da série especial ““Identidade Brasil””, produzida pelo ““Jornal Nacional””, assinando uma matéria sobre o recém-criado Dia Nacional do Forró, 13 de dezembro.

O que é bem viver para você? Bem viver é amar a família, com a certeza de que os nossos descendentes vão ter um planeta menos agredido. Uma natureza preservada. Quando e como surgiu esse interesse em produzir matérias e reportagens especiais ligadas ao meio ambiente? Há quinze anos, quando descobri o espaço para mostrar as belezas naturais da nossa região, denunciar os crimes contra o meio ambiente e levar aos brasileiros as curiosidades do mundo animal. Qual o lugar ou paisagem que mais te chamou a atenção? No Brasil, o Atol das Rocas. Na Oceania, a Barreira de Corais da Austrália. Na África, a Cachoeira Victoria Fauls e o Mar Vermelho. Na Ásia, o Rio Ganges. E para os mergulhos, quais são seus lugares prediletos? Alguns lugares foram extraordinários. Nós tivemos a oportunidade de ir a Micronésia mostrar navios afundados. No Mar Vermelho, entramos num navio alemão da época da Guerra. Na barreira de corais da Austrália, fizemos muitos mergulhos. Aqui na costa brasileira, fizemos alguns mergulhos também. Você acredita que pode ajudar os telespectadores a criarem uma maior conscientização sobre a preservação da natureza? Pelo menos é o que tentamos fazer. Mostrar os crimes ambientais e apresentar soluções para manter uma vida saudável, sem agressões à natureza. Esses são os nossos objetivos. Deixe uma mensagem para os leitores da Bem Viver Precisamos conservar a vida dos animais e manter a vegetação, os rios, nascentes, todas as fontes de água, sem poluição. A vida dos seres humanos está diretamente ligada à preservação do ar, da fauna, da flora, dos oceanos, do planeta. Faça a sua parte!

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ÓPERA: união perfeita entre poesia dramática e música 50


cultura e lazer

O gênero se estabeleceu como uma forma de arte sofisticada e, por vezes, incompreendida

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ópera surgiu da união da poesia dramática e da música. Estudos mostram que sua origem está na Grécia antiga, quando grandes dramaturgos, como Sófocles (496-406 a.C.), autor de Édipo Rei e Antígona –– já usavam corais musicais na encenação das emocionantes tragédias gregas. Além de ter esse ““DNA helêlico””, a ópera também possui como ancestrais os dramas bíblicos encenados na Idade Média. Sua origem moderna, porém, ainda rende muita discussão entre historiadores musicais e críticos. A ideia mais aceita atualmente é a de que a ópera surgiu no século XVI, na Itália, quando músicos, cantores, poetas e dramaturgos se reuniam para produzir espetáculos batizados de ““comédias madrigais””. Apesar de seu texto integral ter se perdido ao longo dos séculos, ““Dafne””, de 1598, dos italianos Jacopo Peri e Ottávio Rinuccini, é reconhecida como a primeiríssima obra do gênero. Já a ópera mais antiga ainda preservada é ““Eurídice””, também da dupla Peri-Rinuccini, encenada pela primeira vez em 1601, em Florença, na Itália. Por unir música, poesia e dramaturgia, a ópera se estabeleceu como uma forma de arte sofisticada, por muitas vezes incompreendida pelos leigos. Certa vez, o escritor inglês Lorde Chesterfield escreveu: ““as óperas são por demais absurdas e extravagantes. Olho para elas como uma cena mágica que agrada aos olhos e aos ouvidos, mas que sacrifica o entendimento””. Depois de ganhar toda a Itália, o gênero se espalhou pelo resto do mundo, ganhando cada vez mais força e incorporando outras artes no mesmo espetáculo: literatura (o libreto), o teatro (a encenação), a música (a partitura), a dança (o balé), a arquitetura (o cenário), as artes plásticas, a moda (os figurinos e adereços), e, atualmente, com os recursos tecnológicos, artes visuais e a eletroacústica.

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A ópera no Brasil Foi por meio dos saraus (um evento cultural ou musical realizado geralmente em casa particular, onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente) que a ópera chegou ao Brasil. A primeira composta e que estreou em solo brasileiro foi ““I Due Gemelli””, de José Maurício Nunes Garcia. No entanto, a primeira genuinamente brasileira, com texto em português, foi ““A Noite de São João””, de Elias Álvares Lobo. Entre vários compositores de ópera no Brasil o mais famoso foi, sem dúvida, Carlos Gomes, embora tenha estreado boa parte de suas óperas na Itália –– e muitas delas com texto em italiano. Carlos Gomes usava temáticas tipicamente brasileiras, como as óperas ““O Guarani”” (baseado no romance homônimo de José de Alencar) e Lo Schiavo (““O Escravo””, de 1889), sendo um nome bastante reconhecido em seu tempo, tanto no Brasil quanto na Itália. Outros compositores de ópera brasileiros notáveis foram Heitor Villa-Lobos, autor de óperas como ““Izath”” e ““Aglaia””, e Mozart Camargo Guarnieri, autor de ““Um Homem Só””. Nos tempos atuais, a ópera brasileira continua sendo composta e tende a seguir as tendências da música de vanguarda, tais como ““Olga””, de Jorge Antunes, ““A Tempestade””, de Ronaldo Miranda, e ““O Cientista””, de Sílvio Barbato.

Crescimento da ópera Para Gisele Ganade, diretora musical da Cia. Minaz, de Ribeirão Preto, nos últimos 20 anos a ópera vem sendo mais divulgada no Brasil devido a esforços isolados de grupos que se propagam cada vez mais, seja realizando montagens ou concursos para cantores líricos ou festivais. ““Grande parte desses grupos têm ligação direta com poder público, pois, devido aos altos custos desses empreendimentos, são necessários os apoios de leis de incentivo ou da estrutura física de teatros e espaços mantidos por governos nos âmbitos municipais, estaduais ou federais””, comenta Ganade.

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As obras mais famosas de todos os tempos ““La Traviata””, de Verdi; ““A Flauta Mágica””, de Mozart; ““O Navio Fantasma””, de Wagner; ““Carmen””, de Bizet; ““Aída””, de Verdi; ““Guilherme Tell””, de Rossini; ““La Gioconda””, de Amilcare Ponchielli; ““O Barbeiro de Sevilha””, de Gioacchino Rossini; ““O Fantasma da Ópera””, de Loyd Weber; ““Cavalleria Rusticana””, de Pietro Mascagni. ““Ariadne””, de Richard Strauss;

Ópera legitimamente brasileira O Brasil ganha sua primeira companhia de ópera para difundir a atividade e popularizar a música erudita em todo o país. Orçada em R$ 14 milhões, a Cia é uma iniciativa do Maestro John Neschling com o apoio do MinC, integralmente financiada com recursos do incentivo fiscal. A Companhia levará a todas as regiões do país espetáculos de nível internacional, com elevado apuro técnico a preços populares, além de cursos de formação para atores e músicos. Em sua primeira etapa, a Cia pretende realizar mais de cem apresentações da ópera ““O Barbeiro de Sevilha””, de Rossini, em 20 cidades, para mais de 140 mil espectadores.

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PANTANAL, a bola da vez no

TURISMO INTERNACIONAL

com a copa de 2014 56


viagem

Natureza exuberante, pesca esportiva, rico artesenato, gastronomia especial, turismo e povo hospitalieiro. Esses sĂŁo os principais ingredientes que tornam a regiĂŁo do Pantanal uma das mais importantes no roteiro turĂ­stico de qualquer pessoa no mundo

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ocalizado na região Centro Oeste do Brasil, o Pantanal ocupa a parte oeste dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, totalizando 1,8% do território nacional. Estende-se ainda por parte do Paraguai, Bolívia e Argentina, onde é conhecido como ““Chaco””. É a maior planície de inundação contínua do planeta, com uma extensão de 250 mil km2 , e é coberta por vegetação em sua maior parte aberta, que configura uma das mais ricas e completas reservas de vida selvagem do planeta. No total, são 140 hectares de fauna e flora, o equivalente a área de Portugal e Suíça juntos. Considerada santuário ecológico da humanidade e declarada Reserva da Biosfera pela Unesco em 2000, como a maior área alagável do planeta, a região é rica em variedade de espécies vegetais, pois une características do cerrado, dos terrenos alagadiços e da Floresta Amazônica. Por essa razão, a fauna local é bastante variada: são 656 espécies de aves –– entre elas a arara, o tuiuiú, cegonha grandalhona de pescoço rubro-negro que é símbolo da região –– e 122 espécies de mamíferos, como veados, onça-pintada, antas e capivaras. Além disso, conta ainda com 93 espécies de répteis, entre eles jacaré, cobra, lagarto e jabuti. A maioria dessas espécies vive às margens do rio Paraguai, uma bacia irrigada por 150 rios que enche de novembro a abril e depois seca lentamente, enquanto a água escorre devagar numa planície com uma inclinação leve de dois centímetros por quilômetro. Neste cenário silvestre único, percorrem as águas do rio Paraguai e seus afluentes, formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo para peixes como o pintado, o dourado, o pacu, as piranhas e também para jacarés. É o destino certo para os praticantes de pesca esportiva.

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Trem do Pantanal revela belezas naturais em 12h de viagem O roteiro definido tem 12 horas de viagem passando por seis cidades e lugarejos até chegar em Miranda (MS). No primeiro município, Terenos (MS), os moradores acenam orgulhosos com a volta do trem. A viagem é lenta e o veículo atinge cerca de 27 quilômetros por hora. Quem embarca no trem também viaja pela música e pela cultura sulmatogrossense. As paisagens, o resgate histórico e o sacolejar inspiram cancioneiros e turistas. Com capacidade para receber 288 pessoas, o trem é dividido em sete vagões nas classes turística, econômica e a executiva, onde ficam os camarotes. Os valores das passagens variam de R$ 39,00 a R$ 126,00.

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CHAPADA DOS GUIMARÃES

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Chapada dos Guimarães está localizada a 70 km da capital mato-grossense e atrai não só pela beleza e exuberância evidenciadas em suas inúmeras nascentes de rios e cachoeiras, mas também por seu poder místico, supostamente o responsável pelo magnetismo natural exercido pela região. Acredita-se que as paredes avermelhadas das escarpas e o céu multicolorido deem vazão a um manancial de energias positivas, a qual atrai muitas pessoas sensitivas, por reunir forças eletromagnéticas.

Além do lado místico, o Parque conta com quase cem quedas d’’água catalogadas na região. No entanto, nenhuma supera o majestoso Salto do Véu de Noiva, cartão-postal e porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. O local é aberto à visitação todos os dias da semana, das 8h às 17h. Para quem pensa em conhecer o local, pode viajar tranquilo, pois a Chapada conta com hotéis, pousadas, restaurantes e centro de informações turísticas.

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Turismo no Pantanal deve dobrar com a Copa de 2014 Estimativas da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) mostram que o número de turistas que visitam o Pantanal aumentará em cinco vezes com a realização da Copa de 2014. Para Oswaldo Sobrinho, senador do Estado do Mato Grosso, a Copa do Mundo irá fortalecer não só o município de Cuiabá, uma das cidades-sede dos jogos, mas todo o Estado e a região pantaneira. ““É um privilégio para todos nós e uma oportunidade única. Todo o estado do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul está se organizando para isso, tanto a iniciativa pública como privada. Temos que saber aproveitar o momento e deixar toda a infraestrutura que será criada para a população futura””, ressalta. Para o cantor e compositor Almir Sater, símbolo da região pantaneira, é preciso ter cuidado para evitar maiores problemas no futuro. ““O Pantanal é um lugar incomparável no planeta, razão pela qual defendo o desenvolvimento de um trabalho para evitar o turismo em massa””, diz o artista. Estudos desenvolvidos por diversas entidades e organizações não-governamentais revelam que a Copa de 2014 deverá gerar cerca de 200 mil postos de trabalho diretos e outros 300 mil indiretos. A expectativa é que a partir de 2010 a construção civil já ofereça 100 mil vagas apenas com obras relativas aos jogos.

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TERCEIRA IDADE: o encontro da liberdade 70


incentivo social

Quanto mais o tempo passa, mais espontâneo e livre fica. Esse é o lema da terceira idade: autenticidade

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termo ““terceira idade”” surgiu na França, durante o século XIX, para designar o período da vida que se intercala entre a aposentadoria e a velhice. Dessa maneira, essa fase passou a ser tratada como um problema social, devido ao crescimento rápido da classe operária, a expansão do sistema capitalista de trabalho e ao conjunto de procedimentos que passaram a orientar a ordem social estabelecida. Já os termos ‘‘velho’’ e ‘‘idoso’’ também são utilizados de acordo com a posição social ocupada pelo indivíduo. A expressão ‘‘velho’’ está associada à ideia de decadência, de incapacidade para o trabalho e da situação de exclusão social. Explica-se, assim, porque a maioria das pessoas não aceita ser identificada como velha, pois sente-se desqualificada ou inútil. Já o termo ‘‘idoso’’ engloba as pessoas de mais idade em diferentes realidades, designando tanto a população envelhecida como os indivíduos pertencentes às classes médias. Geralmente, esse termo é utilizado quando se deseja dar um tom mais respeitoso ao se falar da pessoa que envelhece. Mesmo com todas essas definições, o que a terceira idade significa, na verdade? Para muitos, é o melhor momento para se viver, onde os filhos já estão resolvidos financeiramente e o tempo que lhes sobram é para curtir a vida, sem preocupações. Já para outros e, principalmente, para os mais novos, a velhice, na maioria das vezes, é associada a uma fase ““rabugenta”” da vida, e sempre vem em mente aquela figura do velhinho em sua cadeira de balanço com a testa franzida e de olhar mal-humorado. De acordo com o psicólogo Leonardo Barbosa, essa impressão que os mais novos possuem dos mais velhos acontece porque os idosos ficam ““desbocados”” pela redução das consequências sociais negativas sobre os comportamentos, que antes gerariam constrangimento. ““A variável estética corporal não possui mais tanta relevância e hormônios reguladores de humor também não abundam como antes, deixando a ‘‘língua dos idosos mais solta’’ e dando a eles mais liberdade de se expressarem, não medindo palavras””, diz.

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Idosos em Ribeirão Preto Dados da Fundação Seade, de 2008, apontam que pessoas com mais de 60 anos representam 11,87% da população na cidade de Ribeirão Preto. Por conta disso, foi criado em 1993 pela Secretaria Municipal da Saúde da cidade o PIC (Programa de Integração Comunitária). O projeto atende aos adultos de ambos os sexos, atuando de forma preventiva, promovendo a saúde integral da população, antes que a doença apareça, ou as moléstias crônicas típicas da terceira idade provoquem sequelas graves. Durante três dias da semana, um grupo de 30 pessoas da terceira idade se reúne na Praça San Leandro, no bairro Jardim Paulista, para praticar exercícios físicos como alongamento, entre outras atividades. A coordenadora do PIC, Carmen Abdala Fregonesi, é integrante do Grupo há 12 anos, e, aos 82 anos, afirma que as atividades alegram mais o seu dia.

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Para fugir da rotina e não ficar em casa sozinha e nem se tornar uma ““velha ranzinza””, Carmen dá dicas de como melhorar a vida social. ““Nessa idade, as pessoas não vão atrás de você na sua casa para conversar, você tem de sair, fazer amizade e procurar o que fazer””, conta. Carminha, como é conhecida entre o grupo, afirma não conhecer nenhum ““velho ranheta”” entre eles. ““As atividades físicas curam muitas coisas, até o estresse””, declara. Já a dona Zumira Gonçalves, 71 anos, comenta, brincando: ““o único velho ranzinza e estressado que eu conheço é o meu marido””. E disse também que, ““além de ser estressado, ele é ciumento””. Para ela, quem está no PIC nunca está estressado.

Nunca é tarde para começar O aposentado Luiz Gallo Netto diz que, aos 72 anos, se sente livre para falar o que pensa, desde que não ofenda ninguém. E, com simpatia e sinceridade, assume ter gente que não gosta do seu jeito. ““Acham que sou excessivo, inclusive os velhos””, brinca. Gallo conta que nunca é tarde para começar alguma coisa na vida. Um grande exemplo está na sua força de vontade em cursar uma universidade. ““Nesse ano me formei no curso de enfermagem pela USP. Fiz o curso, pois vi que poderia me ajudar [a controlar o diabetes] e ajudar a minha esposa com os problemas de saúde dela””, explica. Ele, como um legítimo italiano, adora o seu espaguete e um bom vinho e, às vezes, após o jantar, uma cerveja. ““Eu nunca parei de tomar o meu vinho nem minha ‘‘cervejinha’’, faço exames frequentemente e estou saudável. O segredo pra se ter uma boa velhice é nunca perder a fé na vida, ter sonhos e lutar para conquistá-los. Foi o que sempre fiz: ‘‘pé no chão’’, comendo arroz e ovo frito, mas sempre com um ideal””, ressalta.

Os novos aposentados Atualmente, os novos aposentados passaram a ter outros tipos de necessidade, lazer, cultura e outras atividades praticadas pelas camadas médias assalariadas, transformando a visão negativa predominante da velhice numa imagem mais alegre, saudável, colorida e associada à arte de bem viver.

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Por isso que a expressão terceira idade veio para designar exatamente essa nova etapa da vida, no qual os anos não impedem a continuidade de uma vida ativa, independente e prazerosa, onde os idosos têm mais tempo para viajar e namorar o antigo parceiro. Não é à toa que essa é uma fase que em especial as mulheres –– até porque vivem mais do que os homens –– sentem-se livres para descobrirem a águia existente dentro de si e, corajosamente, se lançam para novas e interessantes possibilidades de vôos em outras direções, já que não se preocupam tanto com a aparência, com a opinião dos outros, pois já conquistaram seu espaço e não estão mais presas a uma bola de ferro amarrada na perna. Portanto, terceira idade significa o encontro da liberdade.

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Conheça algumas informaçþes interessantes e simples para somar ao seu conhecimento 76


ecologia

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esde o início da vida, há cerca de quatro bilhões de anos, ocorreram várias mudanças no clima e nas espécies que nele vivem. Mas agora o Planeta está vivendo uma grande transformação. Não só por eventos naturais, mas pela ação de uma espécie: o homem. Nove dos dez anos mais quentes já registrados correram desde 1990. Numa questão de décadas, algumas cidades litorâneas podem ficar inteiramente debaixo d’’água, tudo por causa do aquecimento global e das escolhas que fazemos todos os dias. Segundo estudos de agências internacionais, do Alasca aos picos nevados dos Andes, o mundo está se aquecendo, e depressa. Em termos globais a temperatura subiu 0,6ºC no último século, os lugares mais frios e remotos se aquecem mais rapidamente. A fauna e a flora também estão sob pressão, não se trata de projeções, mas de fatos concretos. Por conta dessas alterações rápidas e preocupantes no planeta, nunca antes se ouviu falar tanto nessa palavra quanto nos dias atuais: sustentabilidade. Mas, afinal de contas, o que é sustentabilidade? Trata-se de um conceito sistêmico; relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. E o que isso tudo pode significar na prática? Podemos dizer que esse conceito de sustentabilidade representa promover a exploração de áreas ou o uso de recursos planetários (naturais ou não), de forma a prejudicar o menos possível o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas e toda a biosfera que dele dependem para existir. Pensando nisso, a revista Bem Viver selecionou algumas informações interessantes e simples para você somar aos seus conhecimentos e ajudar o planeta para as próximas gerações.

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““Pum da vaca”” aumenta o efeito estufa Durante a digestão, bois e vacas produzem muito metano, um gás que contribui com 23% do efeito estufa e é 21 vezes mais ativo que o gás carbônico na retenção de raios solares que aquecem o globo. No Brasil, os rebanhos de bovinos e outros ruminantes (cabras, ovelhas, búfalos, etc) são responsáveis por 90% do metano gerado no país. No mundo, esse índice cai para 28%. O gás é produzido por bactérias do rúmen (uma das quatro cavidades do estômago dos bichos), que ajudam a retirar a energia dos alimentos que o gado come. O mais curioso é que a maior parte dos gases não sai estrondosamente pelo ânus do bicho, mas pela boca, como se fosse um ““arroto””, junto com a respiração. Porém, antes que alguém resolva dar nome aos bois e mandar as vacas para o brejo por causa do efeito estufa, vale lembrar que o maior responsável pelo excessivo aquecimento global é o gás carbônico emitido por fábricas e carros. ““No caso dos ruminantes, dá para reduzir a emissão de metano mexendo na dieta dos animais e diminuindo o tempo para o abate””, afirma o agrônomo Sérgio Raposo, da Embrapa.

Principais fontes produtoras de metano no planeta • Animais ruminantes: 28%

• Cultivo de arroz: 11%

• Gás natural: 15%

• Esgoto: 10%

• Aterros: 13%

• Outros: 23%

*Fonte: Painel intergovernamental em mudança do clima (IPCC)

Fim das abelhas? Fim do mundo? As abelhas podem desaparecer completamente do mundo em pouco tempo, e isso é extremamente preocupante. O fenômeno começou a ser percebido na metade da década de 90 e continua a afetar enxames em todo o planeta. Alguns estudiosos alegam que a culpa é de um vírus, outros acham que isso é fruto do uso de pesticidas nas plantações.

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Esses insetos são responsáveis por grande parte da polinização das plantações e, a esse respeito, o mais célebre cientista do século XX, Albert Einstein, chegou a comentar: ““se a abelha desaparecer da superfície do planeta, ao homem restaria apenas quatro anos de vida””. Afinal, a falta delas pode prejudicar a produção de alimentos em vários países e com isso, a economia mundial. No Brasil, os apicultores do Rio Grande do Sul já perderam de 70 a 90% de suas colmeias e culpam o uso exagerado de pesticidas no cultivo da soja.

Poluição Dezoito mil é a quantidade de plásticos por km2 que existe atualmente nos oceanos, segundo relatório divulgado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. De acordo com o estudo, os detritos causam a morte de um milhão de pássaros marinhos, 100 mil mamíferos aquáticos e inúmeros peixes a cada ano. O relatório traz diversos dados que alertam para o impacto da poluição, pesca predatória e aquecimento global sobre os oceanos.

Extinção Para se fazer um casaco de pele, mata-se, aproximadamente, 24 raposas ou 65 visons ou oito focas ou 42 raposas vermelhas ou 400 esquilos ou 30 lontras, dependendo do tipo de casaco. Desde o ano 1600, 109 espécies e sub-espécies de animais já foram extintas.

Bob Marley: o visionário Apesar de muito polêmico, o cantor, guitarrista e compositor jamaicano Bob Marley sempre foi um visionário no seu tempo e sempre se preocupou muito com a natureza. Durante uma entrevista, teria dito: ““não devemos chorar pelo que nos foi tirado e, sim, aprender a amar o que nos foi dado, pois tudo aquilo que é realmente nosso nunca se vai para sempre””. Se as pessoas pararem para refletir, irão perceber que esta frase do mais conhecido músico de reggae de todos os tempos tem muito a ver com que o mundo está vivenciando nos dias atuais, onde a ganância do bicho homem é maior do que a consciência ambiental.

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relação

REAL OU VIRTUAL?

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ser teen

Comunicadores instantâneos e redes sociais são cada vez mais utilizados por crianças e adolescentes. Especialistas alertam para os riscos dessas relações superficiais

Como na vida real, a internet possui várias ferramentas que podem afetar alguém negativamente, principalmente se tratando da população jovem: crianças e adolescentes, vítimas mais frequentes dessa nova onda do mundo contemporâneo. Empolgados com as novidades e facilidades desse mundo virtual, muitos não saem nem um minuto sequer da frente do computador, atrapalhando até o convívio familiar, tornando esse adolescente distante do controle dos pais. Outro problema é a troca de amigos reais por virtuais, o que estimula o comportamento antisocial desses jovens. Nos últimos anos, aconteceu uma grande explosão das chamadas redes sociais na internet, porém, o que poderia ser utilizado com cautela para facilitar o cotidiano das pessoas, pode acabar se tornando um fator prejudicial, principalmente na formação intelectual de crianças e adolescentes.

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s redes sociais são ferramentas montadas por meio da internet para facilitar a comunicação entre as pessoas, seja por vídeos, fotos, áudios ou textos. Entre as mais utilizadas no país estão o Orkut, o Twitter e o Facebook, todos com o objetivo de unir em um só local o maior número de informações possíveis. O jornalista e apresentador Marcelo Tas, um dos maiores utilizadores de redes sociais do Brasil, adverte que não se pode pensar nessas ferramentas como uma saída milagrosa para a livre comunicação ou cidadania. ““A democracia vem devagar, o computador acelera a comunicação, mas não faz milagre. O Brasil continua um país que despreza a cultura e a educação, e as redes sociais não irão construir uma cidadania maior. Só cresceremos com um país onde se tenha crianças com bons professores, livros e uma rede real de amizade””, argumenta. O apresentador, em evento realizado pelo portal Comunique-se, também afirmou que não adianta forçar a utilização desses meios, como o Twitter, para qualquer pessoa, pois pode ser ainda mais negativo. ““Cada um tem de ter o seu ritmo de aproximação dessas mídias; o negócio não é sair usando igual um louco, isso é sério, você acaba colocando sua ‘‘vida’’ para outras pessoas, criando uma superexposição””, conclui. O neurocientista António Damásio, da University of South California, estudou junto com sua equipe quais tipos de malefícios o Twitter pode trazer. Entre os principais pontos está a diminuição da empatia entre os jovens. Os mais novos, segundo o grupo de estudo, estão mais sujeitos ao risco emocional por estarem em fase de desenvolvimento, e a difusão massiva de notícias pode ser prejudicial, já que o cérebro leva cerca de seis a oito segundos para reagir a situações de sofrimento psicológico alheio e de admiração por uma virtude ou habilidade. Em declarações à CNN, os neurocientistas da USC questionaram até que ponto a rápida sucessão de acontecimentos não impede a experiência completa das emoções e que implicações esta lacuna pode ter na moralidade individual. Por isso, António Damásio alerta para a necessidade de tornar a difusão das notícias mais lenta.

Preocupações e dicas Uma das preocupações dos pais em relação a internet e as redes sociais é a falta de interação pessoal e real que seus filhos podem adquirir conforme aumenta o uso do computador; outra é que, na internet, as pessoas se apresentam com uma imagem, na maioria das vezes, de pessoa bem sucedida. O problema é que, atualmente, vivemos numa sociedade que exige um tipo de comportamento exemplar, onde a mídia dita a regra de uma aparência impossível de ser alcançada. Mas o que isso tem gerado na cabeça das pessoas, principalmente em crianças e adolescentes? Elizabete Cunha, mãe de Aline, de 14 anos, diz que não consegue controlar a filha, pois passa pouco tempo em casa. ““Eu digo para ela não passar muito tempo em frente ao computador, porém, não consigo controlar porque trabalho o dia todo””, explica a mãe. A estudante Aline Cunha acha que o uso do Orkut e o Twitter a ajudam na hora de dialogar com seus amigos. ““Quando não gosto de alguma coisa que meus amigos falam, eu fecho a página e não falo mais com ninguém, assim não brigamos por pouca coisa””, argumenta a adolescente. Para a psicóloga Leandra Lacerda o perigo pode estar justamente nessa fuga e no sentimento de onipotência que o indivíduo adquire. ““Hoje é muito fácil para a criança ou adolescente não se identificar com outra pessoa e simplesmente minimizar a janela, ela procura não se frustrar, e frustração é fundamental para o desenvolvimento do ser humano””, ressalta. Leandra acredita que é preciso mediar o uso do computador. ““Não podemos voltar à Idade da Pedra e deixar de usar a internet, mas uma maior presença dos pais é fundamental””, garante a psicóloga.

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por Renata Canales

Manga Verde

Parecia uma chácara. Mas eram os meus olhos de criança que identificavam o lugar como tão grande e espaçoso. Na verdade, o quintal da casa de minha avó era um pequeno local que se diferenciava dos outros por ser de terra batida e, claro, cheio de magia e encanto para as minhas brincadeiras. À esquerda, ficava uma pequena horta com as ervas usadas para fazer chá e também os temperos responsáveis em deixar a comida tão saborosa. À direita, um canteiro com flores variadas em formas e cores. E, bem no meio, como que protegendo as duas plantações, ela reinava majestosa e imponente: a mangueira! Nada melhor que sentar à sombra dela e me refestelar com a sua fruta amarelo-esverdeada em formato de coração. Coração-de-boi. Quebrava a cabeça para entender esse nome e na ingenuidade de menina cheguei a pensar que o gado tivesse este órgão doce como a polpa da manga. Às vezes eu descascava a fruta por inteira, outras, minha avó cortava-a em pedaços, mas o bom mesmo era chupá-la através de um furinho feito pelo dedo em uma das extremidades. Levava bronca quando sujava a roupa. - Já não disse para tirar a camiseta quando for chupar manga? - Ah, vó, e se o vizinho olhar pelo muro? E com essa posição pudica não tinha jeito da minha avó me convencer a tirar a roupa. Também não conseguiu me persuadir a desistir da fruta quando ela estava verde. Apesar de todos os conselhos de que a manga não madura iria me fazer mal, escondida cheguei ao pé da majestosa e como não se viesse ninguém, colhi logo duas e fui para um canto tentando me ocultar. Estavam duras e tive que tirar toda a casca para conseguir comer. Apesar de não estarem suculentas, o melhor sabor era apenas de fazer algo errado e proibido. Depois, sem saber onde esconder as cascas, joguei-as pelo muro baixo para o quintal da vizinha. Poucos minutos depois, lá estava a Dona Aparecida com os restos da fruta nas mãos falando com a minha avó. Um frio percorreu minha barriga, chegou ao peito e travou minha respiração. A mulher exigia que eu fosse repreendida, quem sabe até levasse uma surra! Minha avó ouviu pacientemente as reclamações. - Dona Cidinha, a senhora tem toda razão. Mas não precisa ralhar com a menina porque quem fez essa porquera fui eu mesma. Sem querer, achando que jogava de longe a casca no meu quintal, acertei sua casa. - Ára, Dona Isolina, vai assumir a culpa e proteger a neta em vez de se zangar com ela? - Pois foi desse jeito que contei. A senhora me desculpe e agora dê licença que preciso varrer o chão e pôr o feijão no fogo. A enxerida da vizinha saiu resmungando enquanto eu me apresentava cheia de culpa e gratidão. - Desculpa, vó! E ela, com um sorriso maroto: - Essa aí até que mereceu um servicinho extra, que não faz nada o dia todo. Mas em você não sou eu que vou dar uma prensa. Espera até a dor de barriga chegar! Dito e feito. A lição foi aprendida: nunca mais comi manga verde. Mas confesso que quando vejo uma... ah, como me dá saudade daquela época.

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Estamos vivendo um tempo em que a beleza física é a grande preocupação. Prolifera o número de academias de ginástica para a malhação, aumenta o número de clínicas de estética. As artistas são questionadas a respeito dos seus segredos para se manterem belas, jovens e de corpo perfeito. Observa-se que as adolescentes, em especial, buscam o mundo da moda, desejam se tornar modelos, não medindo esforços para isso. Em nome da beleza física, homens e mulheres se submetem aos tratamentos mais diversos, internam-se em clínicas especializadas, passam finais de semana em locais de repouso. E cada um tem a sua fórmula especial, o seu segredo de beleza: alimentação balanceada, beber muita água, comer frutas e vegetais, tomar sol em horas certas, cremes, massagens, terapias com ervas, banhos, etc. Dia desses, li num jornal de grande circulação o artigo de um professor de economia que chamou atenção pela lógica e beleza da argumentação. Em seu texto, o economista traça algumas objeções à intenção de parlamentares que defendem o aumento de impostos sobre produtos ditos supérfluos. E o professor inicia seu texto da seguinte forma: ““A felicidade está nas emoções e nos relacionamentos, e não nas coisas. As coisas não têm valor em si mesmas; elas só valem pela capacidade de satisfazer alguma necessidade vital ou para permitir a expressão de algum sentimento ou emoção. O alimento vale porque mata a fome; a roupa, porque abriga o corpo; a cama, porque propicia o repouso. Essas são, todas, necessidades vitais, sem as quais o corpo físico perece. Já uma música vale pela sensação de êxtase; um romance, pelo prazer da leitura; uma comédia, pela alegria do riso. Essas são emoções da mente, do espírito ou da alma. Sem elas, o corpo não fenece, mas o ser humano se entristece. Há produtos que atendem às duas necessidades: a vital e a emocional. Quando alguém compra uma roupa bonita, ela abriga o corpo, mas também permite o exercício da vaidade, cumprindo, assim, as duas funções””. A respeito do necessário e do supérfluo, Allan Kardec fez o seguinte comentário, em O Livro dos Espíritos: ““Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece. E não se pretende que o homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das privações dos outros exploram, em seu proveito, os benefícios da civilização””. Herbert Vianna em sua crônica Cirurgia de lipoaspiração? diz: ““Ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo e muito mais piração? Uma coisa é saúde, outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação””. Um pouco de celulite nas nádegas, mas muita sabedoria no olhar. A verdadeira beleza reside além da imagem física, que é sempre passageira. A verdadeira beleza é a do espírito que se irradia pelo semblante, iluminando os olhos, adoçando os gestos, modulando a voz. A verdadeira beleza resiste ao tempo, ao passar dos anos e se expressa na meiguice do olhar, na serenidade da face, no carinho dos gestos. A verdadeira beleza é imortal. A beleza é a verdade.

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conviver

por Regis Vianna

Por fora, bela viola...


por Felício Bombonato

O céu e o inferno

““Um samurai grande e forte, de índole violenta, foi procurar um pequenino monge. - Monge - disse numa voz acostumada à obediência imediata. - Ensine-me sobre o céu e o inferno! O monge miudinho olhou para o terrível guerreiro e respondeu com o mais absoluto desprezo: - Ensinar a você sobre o céu e o inferno? Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma. Você está imundo. Seu fedor é insuportável. A lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha, uma humilhação para a classe dos samurais. Suma da minha vista! Sua presença execrável é insuportável. O samurai enfureceu-se. Estremecendo de ódio, o sangue subiu-lhe ao rosto e ele mal conseguia balbuciar alguma palavra de tanta raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge. - Isso é o inferno - disse o monge mansamente. O samurai ficou pasmo. A compaixão e absoluta dedicação daquele pequeno homem, oferecendo a própria vida para ensinar-lhe sobre o inferno! O guerreiro foi lentamente baixando a espada, cheio de gratidão, subitamente pacificado. - E isso é o céu - completou o monge, com serenidade””. Céu e inferno são estados mentais internos, e são frutos das nossas decisões mentais. Tem um provérbio chinês que diz: ““um simples sopro pode atiçar o fogo””. Quando a fogueira apaga e só restam as brasas, o que você faz para que o fogo volte? Apenas sopra. Da mesma forma, quando uma pessoa está com a cabeça quente, qualquer sopro, isto é, qualquer insulto, agressão ou contrariedade, faz com que o fogo acenda, e este se transforma em raiva, instalando deste modo um estado interno de inferno mental. Shakespeare disse que a raiva é um veneno que você toma esperando que o outro morra. Mente sã, corpo são. Pensamento gera sentimento e sentimento gera comportamento, deste modo, por meio das nossas decisões construímos o nosso céu ou inferno. Na vida, tudo o nos que acontece são realidades criadas por meio das nossas escolhas. Escolhemos as nossas roupas, objetos, carro, casa, viagens, etc. Escolhemos também os pensamentos que são os tijolinhos com os quais construímos a nossa história. Importante entendermos que só existe uma coisa sobre a qual você possui o poder de controle, se quiser: a sua mente e os seus pensamentos. Você tem o poder de mudar a sua estação mental a hora que quiser. Se você está triste, pode ficar alegre em um instante. Basta querer. Você tem este poder. Se você está desanimado, se quiser, pode se animar. Se você está pessimista, desmotivado, preocupado, ansioso e agitado, se você quiser você pode mudar para: otimista, motivado, confiante, sereno e tranquilo. Basta querer. O estado de céu interior é estado natural, que é como a natureza nos fez para funcionar, que é o modo ““mente serena e o coração tranquilo””. Mestre Liu dizia: ““O homem deve aprender com a suavidade da Terra””. Lembre-se sempre que nós somos seres espirituais tendo uma experiência material. O poder de escolher seus pensamentos está em suas mãos. Quando você sentir que o fogo vai subir para a cabeça, pergunte-se: - você quer viver no céu ou no inferno? Escolha sempre o estado de céu, pois esse se encontra mais perto da felicidade que tanto almejamos.

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por Magno Bucci

““Podes fugir dos outros, mas não de ti mesmo””(Sêneca) Conta-se que um homem, inteligente e talentoso, viveu sua vida em cima dos palcos. Era um ator. Esteve na pele de bandidos e mocinhos, de sanguinários implacáveis a galãs românticos. Passou, literalmente, ““na cara””, uma coleção de tipos humanos. Em todos era simplesmente brilhante. Uma unanimidade! Um dia, um ““fenômeno”” começou a manifestar-se longe das luzes da ribalta: o que o homem falava ou sentia, mistura-se com o que ““dizia”” e ““pensava”” as personagens que acabava de interpretar, assumia a performance das máscaras. Tornava-se notório o descompasso com a vida. Quando enciumado, era com a intensidade de Otelo. Quando amava, era Cyrano de Bergerac. Quando a vida exigia que fosse hipócrita e farsante, era Tartufo. Era Lady Macbeth, quando estava terrível. Quando sua sensibilidade despontava forte, era Blanche Duboi, e sua avareza não era menor do que a de Harpagon. A imobilidade na vida e a incapacidade de decisão, ele as tomava de Estragon. Transformava-se irreversivelmente. Não tinha mais ““suas”” vontades, nem sonhos, nem paixões. Derrubava, sem volta, a fronteira entre a cena e o real. Era uma só ficção, vivia todas as vidas, menos uma: a sua! Todos os indícios apontavam que, nessa espiral, o homem sucumbiria. E sucumbiu! Tanto talento e disciplina renderam-lhe a descaracterização. Retalhos de todas suas personagens engoliramno. Seu derradeiro papel seguramente deve ter sido doutor Fausto de Goethe: vendeu-se todo... às máscaras! Todavia, mesmo lamentando a história do ator, ciente dos riscos da incorporação, nenhuma restrição à adoção de qualquer tipo de persona, mesmo porque estamos condenados a ela. As condições que a vida nos apresenta impõem o uso diário de determinadas máscaras. E, convenhamos, elas são atraentes e sedutoras. Às vezes, declaram amores voláteis; outras, juras impossíveis. Estão no nosso cotidiano como estratégia terapêutica, para elevarmos nossa percepção do outro, favorecer o olhar multifocal. Compõem também nossas ações quando necessitamos engolir sapos, tolerar o insuportável, ser afável quando obrigatório. Máscaras nos tornam ardilosos, dissimulados e farsantes. Nos fazem piratas em todas as águas. Mas daí subverter o que não é para ser subvertido, não compensa, quer dizer, para uma ““vida saudável””, não é aconselhável costurar qualquer máscara ao corpo e à mente; ou simplesmente, não se deve inverter a prioridade, primeiro a máscara depois ““eu””. Para melhor compreensão desse ““mecanismo””, é importante observar um aspecto, pouco percebido pela maioria das pessoas: toda máscara é sempre double-face! Não necessariamente uma espécie de verso e reverso. A ““dupla condição”” tem a ver com a maneira com a qual nos envolvemos com a dita cuja. Se, de um lado, os ““usos e costumes”” recomendam olhar através dela; de outro, o inconformismo grita para olharmos para ela... e afrontá-la! Não permitir que nenhuma nos invada e tome conta do que temos de mais vital: nossa própria máscara, aquela que construímos através de nossas convicções, crenças e escolhas. Nosso ““DNA””. Aquela que nos coloca ““justos”” nas circunstâncias da vida. A única que sustentamos ““na dor e no amor, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza...””. O que aconteceu com aquele ator foi a rendição. O pobre homem apenas olhou através das máscaras, não as enfrentou, não pelejou, não ofereceu resistência. Deixou que todas o possuíssem sem contestação. Aceitou mansamente a própria ““desapropriação””. Foi inoculado por todos os delírios, insanidades, ódios e amores. Engravidou dos sentimentos do mundo, menos dos seus. E deu no que deu: foi tragado.

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Bem Viver 7