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SUMÁRIO Editorial

p. 06

À Vinícius de Moraes.

Festa (somente) de outubro

P. 07

Top 5 de músicos brasileiros.

Vida

p. 09

Eu vivo todos os dias...

Educação vem de casa Aos professores.

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p. 12


p. 17

A arte do encontro Sobre o Fenatib.

P. 14

Amolando as facas Sarau.

Bestas apocalĂ­pticos

P. 17

Fotografia.

Colaboradores

P. 20

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Editorial B

onitas pessoas que nos lêem! Este mês nós pedimos desculpas por trazer assunto que todo mundo traz: Oktoberfest e Dia dos Professores - Ué, somos opostos aos demais, não é mesmo? Sim, salabim!Mas a diferença segue no recheio da Balô a programação de Teatro e Comunidade, evento este que junta esforços dos alunos do 7º Semestre do Curso de Teatro da Universidade Reginal de Blumenau (FURB), do Departamento de Artes da instituição e dos integrantes do Grupo Teatral Phoenix. O evento surge com os intuitos de reunir os teatreiros blumenauenses em torno das discussões relativas à profissão e arrecadar fundos para a apresentação do espetáculo "A Ópera do Malandro" em Capina Grande, na Paraíba. Há ainda entrevista especial com a Sinos Cia. de Teatro que prometemos faz um tempo. Sim, eles mesmos! Os "donos" do Rei Lear e do Desculpe-me por favor. Mas como esse mês é todo dele, nada mais justo que fazê-lo finalizar este editorial.

O verbo no infinito Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar. E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito E esquecer de tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E ir conjugar o verbo no infinito...

REDAÇÃO redacao@revistabalo.com.br

COLABORADORES colaboradores@revistabalo.com.br

CENTRAL DE ATENDIMENTO AO LEITOR leitor@revistabalo.com.br

Vinicius de Moraes

Expediente Ítalo Mongconãnn

Comunicação e Desenvolvimento comunicacao@revistabalo.com.br

William Westerkamp

Arte e Editoração criacao@revistabalo.com.br 6 || www.revistabalo.com.br

Manoella Back

Produtora Cultural cultura@revistabalo.com.br

Léo Kufner

Arte e Web Designer web@revistabalo.com.br


FESTA

(SOMENTE)

DE OUTUBRO Por Marcelo Labes

N

ão vou me repetir: que a tal festa de outubro é um evento pra turista ver, que se gasta inadvertidamente dinheiro público para tornar Blumenau um cenário turístico nas semanas que antecedem a festa ou que já faz tempo esta não é uma cidade alemã e que, geograficamente falando, realmente não tem como ser uma cidade européia. E se digo que não vou me repetir é menos por eu já ter falado publicamente do que por serem várias (ainda que poucas) as vozes que destoam do enaltecimento comum dessa festa. Prefiro ir por outro lado: os onze meses em que não há festa. Os onze longos meses em que o blumenauense padece, vitimado por sabe-se lá que doença da alma e que o mantém absorto, tomado pela lógica do “trabalho muito, diversão pra quê?”. Não é em dezoito dias que se vive uma cidade. A meu ver, é em curtos dezoito dias que o blumenauense permite-se sorrir, dançar, beber, extravasar, tudo isso. Acontece que ele, o blumenauense, não nota que pouco mais de duas semanas é pouquíssimo tempo para se curar de um ano inteiro de neutralidade, pasmaceira e cegueira diante daquilo que ele não pode (porque não quer) ver. Se por um lado temos um índice de dois carros para cada três habitantes (o que poderia indicar a alta qualidade de vida do blumenauense), por outro temos uma população negra de mais de 40.000 que são simplesmente subtraídas das chamadas www.revistabalo.com.br || 7


marqueteiras da linda e loira Blumenau. Isso demonstra o quê? Temos habitantes sem luz e água encanada. Temos estradas de chão no perímetro urbano. Temos enxurradas evitáveis. Temos um presídio que mantém seus apenados em condições subumanas. Temos um, somente um parque municipal para mais de 300 mil habitantes! O blumenauense, naqueles onze longos meses em que não há Oktoberfest, ainda pergunta teu sobrenome pra saber de onde vieste. Ainda espera saber o modelo do teu automóvel, onde trabalhas e há quanto tempo, quem são teus amigos importantes — dentre outras pequenezas — antes de se aproximar de ti. E se teu sotaque soa diferente, se és mais marrom do que o aceitável, então logo te incluem no rol de piadas possíveis. Por aqui, paranaenses e lageanos são pessoas violentas. Peixeiros (ou habitantes oriundos do litoral) também. Cariocas e paulistas são pessoas interessantes, pois se parecem com aquelas que o blumenauense está acostumado a acompanhar todos os dias na frente da televisão, enquanto acompanha a última trama sensacional da Rede Globo. O blumenauense assiste muito à TV e isso talvez explique a distância que mantém do teatro e dos concertos musicais. Nesses onze meses que não são outubro, é melhor não rir alto por aí e evitar cantar na rua aquela música que tu cantas nos teus melhores dias. Te confundirão com um bêbado, bicha ou maconheiro e logo entras no rol das discriminações possíveis. O blumenauense não gosta de gente bêbada, tampouco emaconhada, menos ainda gay e, principalmente, gente alegre caminhando pela rua. Porque aqui se trabalha e se descansa para o trabalho. Numa lógica ainda fabril — mesmo que, pouco a pouco, vejamos a gigante indústria têxtil blumenauense esvaecer —, o blumenauense precisa estar pronto para a labuta sempre. Orgulha-se das horas extras, do trabalho puxado e da aposentadoria magra. É por trabalhar tanto, investir tanto em si e nos seus bens, preocupar-se tanto com a tradição, que o blumenauense precisa descansar uma vez por ano. E o merecido descanso acontece por agora, em outubro. Infelizmente, ele não aproveita para descansar, mas para entornar o pileque folclórico-germanóide: toma porres e porres de chope como se fosse de vida. E passa o resto do ano de ressaca.

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Vida Por Tatiane J. Odorizzi

A vida me encanta todos os dias... Sacode e balança Desvia, esconde, revela e sai de cena Não sei ao certo o que é certo Mas o viver é mais empolgante quando se dança Quando se vive por inteiro. A vida me alcança todos os dias Mergulha, aprofunda Como também se mostra leve e sutil Tão leve, tão breve Que ao menor descuido, perde-se! A vida me ensina todos os dias Voa, soa alto Emociona, faz sorrir, faz chorar, faz sentir Nada nesse espaço de tempo pode ser desperdiçado Pois o instante, que se vive é o único e passa apressadamente... A vida, eu vivo todos os dias...

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Por Michel Jaques

Educação vem de casa

N

esta terça-feira, 15 de outubro comemora-se mais um dia do professor. Legal! Um feriado para descansar, corrigindo avaliações, preparando aulas, só para variar. Na parte que me toca, a licenciatura em Letras e sua respectiva Literatura gabaritam-me a lecionar e me confere o título de professor. Uauuu! Quanto honra! Parabéns para mim! Parabéns a todos os profissionais da Educação - os Educadores... Mas, parabéns por quê? Poderia eu, desfiar um rosário de lamentações sobre as agruras da profissão, mas além de chato seria redundante, afinal todos conhecem a realidade. E, sobretudo os noticiários dos últimos tempos falam por si, por mim, pela classe toda; com muito mais contundência, com direito a imagens de colegas tomando porrada Brasil à fora. Mas, vamos nos ater ao termo Educador. Palavra esta que está atrelada diretamente a profissão. Até porque, as inúmeras teorias pedagógicas enfatizam que agregado às funções específicas de cada disciplina, todo professor - quer queira, quer não - é um educador. OK! Mas ainda prefiro ser chamado só de professor. É mais adequado e melhor condiz a atual realidade. Não é que eu queira me isentar dos meus deveres profissionais - longe disso - contudo nosso papel na educação dos jovens é tão irrelevante e obsoleto ultimamente - na visão dos alunos e dos políticos - que não me sinto à vontade de receber mais este título. Por falta de condições ou interesse, mal conseguimos ensinar o conteúdo de nossas disciplinas. E cá entre nós, é frase feita, mas ainda se encaixa muito bem: “Educação vem de casa”. Porém, normalmente não tem mais ninguém em casa para educar. Meninos e meninas com suas babás eletrônicas. Como competir com a televisão e a internet? É covardia! Estes sim são os educadores, infelizmente... As razões para profissão de professor estar cada vez mais desassociada a educação é tema para teses e mais teses - dá muito pano para manga. Poderíamos discutir aqui e continuar discutindo por muitas semanas e provavelmente não chegaríamos a uma conclusão efetiva e unânime. Prefiro relatar uma historinha autobiográfica, que tem alguma relação com o assunto e certamente vale como reflexão.

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A Geografia do Medo Professora Salete lecionava Geografia no Colégio Estadual Elza Deeke em Otacílio Costa, pequena cidade no Planalto Serrano catarinense. Tive a oportunidade de ser seu aluno da 5ª a 8ª série do ensino fundamental. Carinhosamente a chamávamos de Dona Saletona, pelo seu porte físico avantajado, bem como a delicadeza com a qual tratava seus alunos. Calculo que devesse ter aproximadamente 1.80m de altura e uns 90 quilos e assim sendo, parecia uma gigante, principalmente sob a ótica de quem a enxergava de baixo para cima.

militar vigente, que obviamente refletia também no ensino. Contudo a escola tinha uma preocupação constante em relação ao papel de seus alunos na sociedade, mesmo que fosse através de uma idéia de ideal pré-concebido. A relação professor aluno dispensa muitos comentários, de acordo com minha narrativa. Percebe-se que o professor era a autoridade máxima e o cobrava do aluno a subserviência e atenção total dos estudantes.

Porém, a lembrança mais viva que tenho dela foi numa ocasião que pegou um de nossos colegas pelas duas orelhas e bateu sua cabeça contra a carteira, quando literalmente rasgou uma delas. Cena chocante o sangue de Elias na mesa. O menino que era evangélico, contraditoriamente era mesmo a personificação do capeta.

Comparando aquela época com os dias de hoje, nota-se como as coisas mudaram. Dona Saletona, provavelmente estaria afastada do cargo, respondendo processo, talvez até presa, mas sem a menor sombra de dúvida, seria a manchete de muitos jornais.

Entre reguadas e castigos Dona Salete impunha a ordem e o respeito como um sargento da SS nazista. Curiosamente eu adorava suas aulas. Apesar do clima sombrio e aterrorizante na sala, até hoje lembro todos os estados da federação bem como suas capitais. Até consigo identificar bandeiras entre outros tantos dados. Enfim, tenho facilidade em me situar no contexto geográfico do planeta, objetivo maior que ela sempre nos passava, frisando a importância de sua disciplina. Naquele tempo vivíamos outra realidade. As relações institucionais eram temperadas com todo o requinte e sutileza da ditadura

Em contrapartida, Elias seria tratado com toda a condescendência a qual são tratados todos os delinqüentes e por que não dizer a maioria dos infratores das leis de nosso país. Com o auxílio de bons advogados, até ajeitaria sua vida e de sua família com uma polpuda indenização conseguida em função dos maus-tratos. E eu não teria aprendido que a capital da Iugoslávia era Belgrado! Mas alguém lembra o que aconteceu com a Iugoslávia mesmo?

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Amolando

as

facas

Não, não era a hora do jantar. Juro mesmo que você não terá outro tipo de refeição nesta matéria. E juro, juradinho para quem está de dieta: ela não engordou um grama! Aliás, sinceramente, o que esta refeiçãozinha pode fazer é alimentar seus pensamentos de coisas boas. Tem só uma contraindicação... Ela é vicia! Refiro me ao Sarau Literário Facamolada realizado no última dia 28 de setembro, sábado, uma noite linda de lua prateada. No Sarau as mais variadas artes amolaram suas facas. Música, fotografia, artes visuais e literatura aperfeiçoadas por artistas e espectadores que amolavam os pensamentos. O Sarau Facamolada celebrou sua 8ª edição e surgiu em 2008. Iniciativa de reunir cada vez mais gente ao redor da arte como um todo. Este ano contou com apoio financeiro do Fundo Municipal de Apoio a Cultura.

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Bestas Apocalípticos fazem parte do

Festival Estudantil de Teatro (FETO) O Alles Clown representou o estado de Santa Catarina na 23ª edição do FETO , em Belo Horizonte (MG). A peça “Os Bestas do Apocalipse” surgiu do curso livre de clown em 2012, ministrado por James Beck, da Cia Carona de Teatro. Confira abaixo algumas fotografias do grupo.

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Ficha Técnica Diretor: James Beck Atuação: Douglas Leoni Jean Knetschik João Marcos Dalla Rosa Thuani Stolf Paula Sofia Sabrina Marthendal

Texto: Coletivo Duração: 30 minutos Classificação Indicativa: 12 anos. www.revistabalo.com.br || 21


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Revista Balô - Edição 6