Issuu on Google+

#02 2015

ESTRATÉGIAS PROJETUAIS


CONFIE EM QUEM TEM FORMAÇÃO E ATRIBUIÇÃO CONFIE EM QUEM TEM PARA REALIZAR SEU FORMAÇÃO E ATRIBUIÇÃO CONFIE EM QUEM TEM PROJETO DE ARQUITETURA PARA REALIZAR SEU FORMAÇÃO E ATRIBUIÇÃO DE INTERIORES. PROJETO DE ARQUITETURA PARA REALIZAR SEU DE INTERIORES. ARQUITETO FAZ A DIFERENÇA. PROJETO DE ARQUITETURA DE INTERIORES. ARQUITETO FAZ A DIFERENÇA. ARQUITETO FAZ A DIFERENÇA.


EDITORIAL

“ESTRATÉGIAS PROJETUAIS” O número 1 da Revista Arkhé elaborada durante o ano de 2014, consolidou uma importante conquista do curso de Arquitetura e Urbanismo da Univali, possibilitando uma maior disseminação e conhecimento das atividades desenvolvidas, tanto no âmbito do curso quanto nas escolas de arquitetura do Estado. Como a meta prevista pelo Conselho Editorial é o lançamento anual da revista, esta edição apresenta a Revista Arkhé #2 abordando o tema “Estratégias Projetuais”. Para tanto, convidamos os arquitetos Nelson Teixeira Netto e Sérgio Magalhães, destaques nacionais, que protagonizam reflexões e contribuições sobre o tema, ajudando a você leitor, a perceber os elementos presentes no processo de projetação. JÂNIO VICENTE RECH

Por que falar desse tema? Dada sua importância, verifica-se que o processo de projetação tem sido abreviado em sua metodologia tradicional, sendo pautado principalmente pelas ferramentas digitais, muitas vezes distanciado das características do sítio em intervenção e motivando soluções um tanto quanto antagônicas. Precisa-se reforçar enquanto escola de arquitetura e urbanismo, a importância do resgate dessas etapas visando a qualidade de uma arquitetura indissociável com o local a ser implantada. Então, como desenvolver um projeto de arquitetura e urbanismo que atenda estas questões? Ao longo da revista o tema é abordado de diversas maneiras. Na seção Arkhé News destaca-se a implantação em março de 2015, do novo curso de Arquitetura e Urbanismo na Unidade Ilha em Florianópolis. Também, o encontro realizado em outubro de 2014 em Balneário Camboriú da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA que promoveu o XXXIII ENSEA – Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo, discutindo tópicos sobre o ensino. Na seção Vida Acadêmica são apresentados projetos e atividades desenvolvidos por alunos de vários períodos do curso como a Exposição THAAD em Curitiba e a viagem de estudo da disciplina de Arquitetura Brasileira para as cidades históricas de Minas Gerais em maio de 2015. Ainda, destaca-se a criação do Núcleo de Concursos de Projeto – NCPro.

IMAGEM: © Guilherme Llantada.

Na seção Opinião encontram-se representantes de instituições na área da Arquitetura e Urbanismo, como o Prof. Dr. Arq. Sérgio Magalhães, Presidente Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB, o Prof. Dr. Arq. Luiz Alberto De Souza, Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina – CAU/SC e o Prof. Me. Arq. Mauricio Andriani, Presidente da Associação Catarinense de Escolas de Arquitetura e Urbanismo – ACEARC que comenta os planos da associação, criada no último ano para responder aos anseios da comunidade acadêmica, relativos aos conteúdos ministrados nas escolas do Estado, como também, a representação estadual no cenário nacional. No Perfil do Arquiteto, apresenta-se a produção e as estratégias projetuais do Arq. Michel De Andrado Mittmann, responsável pelo Studiomethafora de Florianópolis e destaque na Arquitetura Catarinense contemporânea, participante ativo de vários concursos de projetos. A revista traz ainda um pouco da produção acadêmica, através dos trabalhos de Gustavo Peters De Souza (Finalista da Região Sul do 25º Concurso Opera Prima 2015) e Maura Fernanda Schilo Dumerques (Prêmio CAU-IAB/SC 2014) ambos, destaques da seção Novos Arquitetos. Ainda, os trabalhos que concorreram na 2ª. Edición Premio TIL 2014 - “Concurso para Estudiantes de Arquitectura” promovido pelo Taller de Integracion Latinoamericana – TIL em Buenos Aires, Argentina. A seção Projetos Acadêmicos demonstra alguns trabalhos relevantes desenvolvidos por alunos do curso. E por fim, Artigos Científicos, que trata sobre estratégias projetuais relativas ao conforto ambiental em edificações. Com isso, esperamos que você leitor, desfrute do conteúdo e aproveite algumas das estratégias projetuais apresentadas para incrementar seu processo de projetação. Desejamos uma boa leitura. JÂNIO VICENTE RECH, Prof. Dr. Arq. Urb. Editor Responsável.


EXPEDIENTE

ARKHÉ | 02

REVISTA DE ARQUITETURA E URBANISMO — UNIVALI

EDITOR RESPONSÁVEL Jânio Vicente Rech JORNALISTA RESPONSÁVEL Carlos Alberto Praxedes dos Santos (DRT SC 740 JP) EXECUÇÃO / ARTE / FOTOGRAFIA Guilherme Guimarães Llantada EDITAIS E PRODUÇÃO Luciano Pereira Alves PROJETO GRÁFICO Guilherme Guimarães Llantada (Coordenação) Of Design – Oficina Acadêmica de Design UNIVALI DIAGRAMAÇÃO Of Design – Oficina Acadêmica de Design UNIVALI REVISÃO DE TEXTOS Luciana Noronha Pereira SECRETÁRIA Jullia Caterine Andreazza dos Santos IMPRESSÃO Tipotil – 2.000 Exemplares

Reitor da UNIVALI MÁRIO CESAR DOS SANTOS Vice-Reitora de Graduação CÁSSIA FERRI Vice-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional CARLOS ALBERTO TOMELIN Vice-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura VALDIR CECHINEL FILHO Procurador Geral da Fundação UNIVALI VILSON SANDRINI FILHO Diretor Administrativo da UNIVALI RENATO OSVALDO BRETZKE Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas: Comunicação, Turismo e Lazer RENATO BÜCHELE RODRIGUES Coordenador dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e Superior de Tecnologia em Design de Interiores – Campus Balneário Camboriú CARLOS ALBERTO BARBOSA SOUZA Coordenadora de Apoio Pedagógico – Campus Balneário Camboriú PATRÍCIA DUARTE PEIXOTO MORELLA Gerente Administrativa – Campus Balneário Camboriú CLEUNICE APARECIDA TRAI Secretária da Direção do Centro de Ciências Sociais Aplicadas: Comunicação, Turismo e Lazer - Campus Balneário Camboriú GIORGIA TOAZZA DE CONTO

FICHA CATALOGRÁFICA

A48 Arkhé : revista de arquitetura e urbanismo. - v. 2, n. 2 (2015) – Itajaí, SC : Ed. da Universidade do Vale do Itajaí, 2015 104 p.: il.; 28 cm Anual Editor responsável : Jânio Vicente Rech

A revista tem acesso livre por meio do site (http://issuu.com/revistaarkhe)

Revista do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Itajaí. ISSN versão impressa: 2359-3849 ISSN versão online: 2359-3857

1. Arquitetura - Periódicos. 2. Arquitetos. 3. Paisagismo. 4. Urbanismo. I. Revista do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Itajaí. II. Título.

CDU: 72(051)

Produção e realização

REVISTA DIGITAL: HTTP://ISSUU.COM/REVISTAARKHE

Patrocínio

Apoio

Ficha Catalográfica Elaborada pela Biblioteca Comunitária UNIVALI Balneário Camboriú

CONSELHO EDITORIAL Carlos Alberto Barbosa de Souza, Me. Arq. Urb. (Presidente) Jânio Vicente Rech, Dr. Arq. Urb Lisete Assen de Oliveira, Dra. Arq. Urb. Gilcéia Pesce do Amaral e Silva, Dra. Arq. Urb. Luciana Noronha Pereira, Me. Arq. Urb. Luciano Pereira Alves, Me. Arq. Urb. Guilherme Guimarães Llantada, Me. Arq. Urb.

UNIVALI — UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CAMPUS BALNEÁRIO CAMBORIÚ Coordenações Ceciesa — CTL (Bloco 1) 5ª Avenida, 1100. Bairro Municípios. Balneário Camboriú — SC. 88337-300 | Tel.: 47 3261.1219 | Fax: 47 3261.1245. E-mail: arquitetura@univali.br


CAPA: © Guilherme Llantada. Arte/Fotografia.

SUMÁRIO

6

ARKHÉ NEWS Lançamento Primeira Edição – Revista Arkhé Vinte Mais Um Teoria e Prática no Ensino de Arquitetura e Urbanismo Bibliografia Recomendada

10

VIDA ACADÊMICA Mostra THAAD – O Ensino, Além da Sala de Aula TRIP MINAS – Viagem de Estudos NCPRO – Núcleo de Projetos UNIVALI

22

ENTREVISTA Nelson Teixeira Netto, Me. Arq. Urb.

32

OPINIÃO Sérgio Magalhães, Dr. Arq. Urb. Entidades – CAU/SC e ACEARQ

40

PERFIL DO ARQUITETO Michel Mittmann, Me. Arq. Urb. Participações Em Concursos

54

NOVOS ARQUITETOS Gustavo Peters de Souza, Arq. Urb. Maura Fernanda S. Dumarques, Arq. Urb. Mariele Cristiane Lopes, Arq. Urb. Murilo Trevisol, Arq. Urb. Felipe Braibante Kaspary, Arq. Urb. e Acad. Ricardo José Russi, Raphael Edgar Picoli Montibeller e Victor João Nunes Roslindo

86

PROJETOS ACADÊMICOS Ana Carolina das Neves Andrade, Arq. Urb. Luiz Eduardo Cassol e Paulo Ricardo Mauro, Acad. Dyego André Dos Santos, Johana Ignês Pereira, Natan Carlos Reimers e Yan Patrick Schons Domingues, Acad.

98

ARTIGOS CIENTÍFICOS Estratégias Projetuais Estimuladas Através de Atividades Práticas e Experimentos Didáticos Lecionados na Disciplina de Conforto Ambiental na UNIVALI Aplicação de Estratégias Bioclimáticas - Proposta Arquitetônica Para o Concurso do Centro Político e Administrativo do Governo do Estado do Maranhão, Brasil

115

CORPO DOCENTE – ARQUITETURA E URBANISMO

***O conteúdo dos artigos, imagens e textos é de total responsabilidade dos autores. A revista Arkhé não se responsabiliza por eventuais desacordos com os conteúdos, ou direitos autorais relacionados.


ARKHÉ NEWS

LANÇAMENTO 1ª EDIÇÃO

NEWS

Por GUILHERME LLANTADA, Prof. Me. Arq. Urb.

N

o mês de setembro do ano de 2014, lançamos o primeiro número da Arkhé. Com a participação efetiva de um grupo de professores e colaboradores do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIVALI, o sonho de ter um veículo de comunicação do pensamento arquitetônico e urbanístico, provocador de reflexões sobre a produção acadêmica e profissional, tornou-se realidade. Com essa primeira edição, procuramos demonstrar o comprometimento com a busca da excelência como instituição de ensino superior e fomentar novas produções teóricas em um campo em permanente expansão. No evento de lançamento da revista, fomos agraciados com a palestra do arquiteto e urbanista André Francisco Câmara Schmitt, que relatou sua trajetória profissional e emocionou a plateia repleta de estudantes e professores do curso, além de autoridades representativas de entidades de classe. O seu percurso está registrado nas páginas centrais

da primeira edição, servindo como referência de projetos nas diferentes escalas, em território Catarinense, nas últimas décadas. Assim como na arquitetura, onde a materialização das ideias é fundamental, a produção teórica também precisa encontrar um espaço para a sua existência. Objetos de debate e reflexão, os projetos publicados têm a capacidade de atingir os mais diversos públicos, com a finalidade de promover mudanças na realidade das nossas cidades e consequentemente em nossa sociedade. A Arkhé # 01, com o tema “Entre Escalas”, entra para a história como a primeira revista acadêmica de um Curso de Arquitetura e Urbanismo do Estado de Santa Catarina, equiparando-se a outras publicações já consagradas no Brasil e posicionando-se como um novo espaço de reflexão e debate sobre os temas relacionados ao exercício profissional.

IMAGENS © Divulgação UNIVALI.

O Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIVALI está presente nas redes sociais através de sua Fanpage do Facebook. O espaço virtual traz as principais novidades do curso, avisos importantes, lembretes, além é claro de mais interatividade entre alunos, professores e colegas do curso.

BLOG: arqdesignunivali.wordpress.com FACEBOOK: ArquiteturaeUrbanismoUnivali

6

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


VINTE MAIS UM

J

á se passaram quase vinte anos da implantação do curso de Arquitetura e Urbanismo no Campus Balneário Camboriú da UNIVALI. De lá para cá, significativos avanços em ensino, pesquisa e extensão resultaram em um dos cursos mais bem avaliados no ensino superior do Brasil. Em 2015, o curso passou a ser ofertado também no Campus Florianópolis e avança no mesmo caminho em que nossa região percorre - por uma integração de um território melhor ocupado por algumas das cidades melhores ranqueadas em qualidade de vida no país - segundo as últimas pesquisas da área publicadas. A oferta deste curso na capital do estado também é o reconhecimento de uma área consolidada na nossa instituição. São mais de setecentos Arquitetos e Urbanistas formados nos últimos anos, cerca de sessenta professores Mestres e Doutores e vários projetos premiados em território nacional e internacional. Além disto, a formação, consolidada no cenário educacional, trouxe nos últimos anos, inúmeras contribuições para ampliar a qualidade de nossos espaços por meio da criação de projetos inovadores, sustentáveis e com uma leitura crítica acerca do mundo em que vivemos.

Para o Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Comunicação, Turismo e Lazer da UNIVALI, a implantação deste curso em Florianópolis ressalta o compromisso de estar atento às novas demandas da região, potencializar áreas estruturadas e compartilhar com a comunidade as melhores experiências acadêmicas já alcançadas dentro e fora da UNIVALI. Vida longa e projetiva aos novos e futuros alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIVALI, em Florianópolis e Balneário Camboriú.

CAMPUS FLORIANÓPOLIS © Guilherme Llantada/Arkhé

O local de oferta, no Campus Florianópolis da SC-401, está estruturado em um espaço integrado voltado para as

áreas de design, comunicação e inovação. Implantado em 2008, este campus está configurado em diversas salas e ateliês de projeto voltados para as práticas de criação e desenvolvimento, laboratórios de informática de última geração, estúdios de fotografia e vídeo, biblioteca comunitária, auditório e um ambiente de conexão para atividades integrativas. Assim, o curso mantem o direcionamento da formação do aluno para o desenvolvimento de projetos urbanos e arquitetônicos, envolvendo no processo de ensino-aprendizagem disciplinas que abrangem diferentes campos do conhecimento, tanto nas áreas de ciências exatas e humanas, quanto nas sociais aplicadas, essenciais à formação do Arquiteto e Urbanista.

Diretor RENATO BÜCHELE RODRIGUES

Por RENATO BÜCHELE RODRIGUES, Prof. Me. Diretor do CECIESA-CTL UNIVALI

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

7


ARKHÉ NEWS

TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARQUITETURA E URBANISMO Por LUCIANO ALVES, Prof. Me. Arq. Urb.

E

ntre os dias vinte e nove e trinta e um de outubro do ano de 2014 foi realizado nas dependências da Universidade do Vale do Itajaí – Campus Balneário Camboriú, o XXXII ENSEA - Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo e o XXXVI COSU – Reunião do Conselho Superior da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA). A programação do encontro foi organizada com a realização de conferências, painéis e mesas-redondas. A apresentação dos trabalhos, em suas diferentes formas, foi dividida em dois eixos temáticos: na Graduação, estágio supervisionado; assistência técnica; canteiros experimentais; práticas pedagógicas; extensão em Arquitetura e Urbanismo e na Educação Continuada: Lato sensu; Stricto sensu; residência técnica; aperfeiçoamento; e, capacitação. Durante o dia vinte nove foi realizada a Reunião do Conselho Superior da ABEA (COSU) e a noite, a seção solene de abertura do XXXIII ENSEA. A luz da temática proposta para o Encontro, Ensino de Arquitetura e Urbanismo: Teoria e Prática, o

8

Arquiteto e Doutor em Arquitetura e Desenho Urbano Constantin Spiridonidis, Professor Associado da Faculdade de Arquitetura da Aristotle University of Thessaloniki, proferiu a palestra de abertura intitulada “O Ensino de Arquitetura na Europa”. Nos dias seguintes, trinta e trinta e um de outubro, aconteceram as seções de comunicação dos trabalhos inscritos. O evento principal, o XXXIII ENSEA, contou com a participação nas discussões de Professores, Alunos, Diretores de Unidade, Coordenadores de Curso, Chefes de Departamentos, Diretores de Centros Acadêmicos e demais interessados dos Cursos de Graduação e de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo de todo o país. Ao total, cerca de cinquenta trabalhos foram apresentados durante o Encontro. Os resultados e discussões, bem como os encaminhamentos para o XXXIV ENSEA, que ocorreu na cidade de Natal – RN em outubro de 2015, foram apresentados durante a plenária final do evento com a presença da diretoria da ABEA.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA Aprofundamento Teórico Sobre Estratégias Projetuais

TRAÇOS E PALAVRAS: SOBRE O PROCESSO PROJETUAL EM ARQUITETURA AUTOR: EDUARDO CASTELLS (Editora :UFSC | 182 páginas)

Eduardo Castells registra nesta obra aspectos que considera significativos na prática projetual dos iniciantes e que são importantes para que o leitor entenda que não há um conhecimento único nem asséptico sobre metodologias: os posicionamentos ideológicos e conceituais dos teóricos que tratam do tema repercutem diretamente nas posturas por eles defendidas.

INQUIETAÇÃO TEÓRICA E ESTRATÉGIA PROJETUAL

Todos os textos e imagens apresentados nesta seção foram extraídos diretamente dos sites institucionais das respectivas Editoras.

AUTOR: RAFAEL MONEO (Editora: Cosac Naify | 368 páginas | Tradução: Flavio Coddou)

Oito arquitetos protagonistas do cenário internacional contemporâneo são tema de textos de Rafael Moneo: James Stirling, Venturi & Scott Brown, Aldo Rossi, Peter Eisenman, Álvaro Siza, Frank O. Gehry, Rem Koolhaas e Herzog & De Meuron. Em Inquietação teórica e estratégia projetual, o arquiteto e professor espanhol faz uma reflexão crítica sobre a trajetória de cada um deles, descrevendo projetos em profundidade com linguagem coloquial e direta. Originados de conferências que Moneo proferiu na Universidade de Harvard, os capítulos se completam com ampla seleção de fotografias das obras, maquetes e desenhos. Ganhador de prêmios como o Pritzker (1996) e a Riba Gold Medal (2003), Rafael Moneo tem uma carreira de arquiteto, professor e ensaísta de grande destaque. Entre suas obras estão o prédio do Museu de Belas Artes de Houston (EUA) e a ampliação do Museu do Prado, em Madri (Espanha).

UMA LINGUAGEM DE PADRÕES: “A PATTERN LANGUAGE” AUTORES: CHRISTOPHER ALEXANDER; SARA ISHIKAWA; MURRAY SILVERSTEIN; MAX JACOBSON; INGRID FIKSDAHL KING; SHLOMO ANGEL (Editora: Bookman | 1215 páginas)

Todo desafio de projeto representa um problema a ser resolvido. Neste livro, Christopher Alexander propõe uma catalogação dos tipos de problemas (ou desafios de projeto) e analisa o que está por trás de cada situação, descrevendo-a na sua essência e propondo uma solução padrão. São 253 padrões, considerados uma compilação de inúmeros métodos científicos geralmente aceitos, cuja aplicação não acarreta necessariamente o mesmo resultado devido à riqueza de conexões. Um livro instigante e clássico!

URBANISMO ECOLÓGICO: POR QUE UM URBANISMO ECOLÓGICO? POR QUE AGORA? AUTOR: MOHSEN MOSTAFAVI, GARETH DOHERTY (Editora: Gustavo Gili | GG Brasil | 656 páginas)

Este livro surgiu exatamente da necessidade urgente de abordar o urbanismo sob um enfoque ecológico como método prático e criativo para enfrentar a realidade da cidade, e assim se constitui em uma aposta deliberada pela consolidação definitiva do conceito de “Urbanismo Ecológico” por meio da compilação de uma série de textos-chave sobre a matéria. “Urbanismo Ecológico” reúne os artigos do simpósio homônimo que ocorreu em 2009 na Graduate School of Design da Universidade de Harvard, bem como outros ensaios, conferências e aulas vinculados a esta linha de pesquisa promovida pela célebre universidade norte-americana. ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

9


VIDA ACADÊMICA

MOSTRA THAAD – CURITIBA – 2014 O Ensino, Além da Sala de Aula... Por LUCIANO ALVES, Prof. Me. Arq. Urb.

Como forma de incentivar esta fase da vida acadêmica, o Grupo Thá lançou em julho de 2014 o projeto THAAD, uma mostra de decoração que teve como objetivo oferecer aos alunos de instituições do Paraná e de Santa Catarina, a oportunidade de conhecer a realidade do mercado de trabalho das áreas de arquitetura e design. Os desafios diários, prazos apertados a cumprir e relacionamento com cliente e fornecedores foram experiências reais vivenciadas por alunos de instituições de ensino do Paraná e Santa Catarina. O trabalho dos alunos foi o de projetar e decorar sete apartamentos do 7th Avenue Live & Work, um dos empreendimentos do Grupo Thá em Curitiba, para personalidades locais. A Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI foi convidada pela construtora Thá a participar como responsável pelo projeto “A fotógrafa de Moda”, que homenageou a jornalista Ana Clara Garmendia. Além do projeto criado pela Univali, ainda foram apresentados os

10

FOTOS: © Divulgação UNIVALI.

A

experiência prática e teórica, para além da sala de aula, estão na base dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design de Interiores da Universidade do Vale do Itajaí - Univali. Estas atividades extracurriculares tornam-se importantes para a valorização do currículo profissional. Durante os anos de curso, para aqueles que não fazem estágio, por exemplo, ocupar as horas vagas participando de atividades que reforcem o que é aprendido em sala de aula permitem ao aluno desenvolver melhor suas habilidades específicas. Além dessas, claro, aquelas ligadas ao desenvolvimento interpessoal, liderança e línguas estrangeiras sempre são bem vistos na hora de um processo de seleção.

Na foto: Raquel Kiper Pena, Ágata Cipriani, Alexandre Maffezzolli e Camila Tolentino

apartamentos “A estudante”, para atender às necessidades de Mariana Macedo; “O jovem casal”, para Cadu Scheffer e Jessica Medeiros, do grupo Tesão Piá; “O músico”, para Zé Rodrigo, vocalista da Soulution Orchestra; “A chef de cozinha”, para Manu Buffara; “O esportista”, para o ciclista Daniel Hereck; e por fim “O executivo solteiro”, para o sócio-fundador da Wood’s, Charles Bonissoni. A equipe da Univali formada pelas acadêmicas de Arquitetura e Urbanismo, Ágata Cipriani, Camila Tolentino e Raquel Kiper Pena, e pelo acadêmico de Design de Interiores, Alexandre Maffezzolli, foram coordenados pelos professores Luciano Pereira Alves e Evandro Gaspar. No auxílio aos estudantes, além dos professores do curso, o arquiteto paranaense Jayme Bernardo, que também foi o curador da mostra, colaborou passando seu conhecimento acerca da área. Há 30 anos o arquiteto se dedica a projetos residenciais e comerciais de alto padrão destacando-se pelo traço contemporâneo. O Projeto THAAD contou ainda com um concurso para escolha por voto popular, o melhor apartamento decorado, cuja equipe vencedora receberia como prêmio uma viagem para o Il Saloni na cidade de Milão.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


A equipe Univali deu início ao projeto ainda durante o mês de julho com estudos preliminares e elaboração do projeto conceitual. A partir de agosto de 2014, a etapa de projeto detalhado e execução das obras tomou parte considerável do tempo dos alunos envolvidos, incluindo viagens até a cidade de Curitiba para escolha de mobiliário, acabamentos e acessórios e para acompanhamento da obra. A abertura e visitação da Mostra THAAD aconteceu durante o mês de outubro, período em que também esteve aberta a votação para escolha do melhor projeto.

O resultado e repercussão da primeira edição da Mostra THAAD levaram a construtora a lançar em abril deste ano a segunda edição do projeto. Prevista para acontecer no ano de 2016, a mostra de decoração na cidade de Curitiba já tem participação garantida da Univali. Através de concurso interno a equipe formada pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo Pedro Igor Chaves Rosa, Charline Bruna Machado Carelli e Leandro José Souza Faqueti orientados pela professora Kátia Maria Veras foram os escolhidos para representar a instituição no evento.

FOTOS: © Divulgação UNIVALI.

O Estúdio 517, título dado ao projeto desenvolvido pela equipe da Univali e que obteve o segundo lugar no concurso, tinha 26,5 m2 e foi criado para uma mulher independente e cosmopolita. O estilo de moda street e a cidade de Paris, onde vive a jornalista Ana Clara Garmendia, serviram de inspiração para o projeto. Unindo o estilo das ruas à sofisticação de elementos de moda, a utilização de cores como branco, o cinza e o azul jeans trazem a atmosfera urbana para o espaço. Já o vermelho, que lembra a sola dos sapatos Louboutin, confere ousadia e sofisticação à composição. Como o espaço era compacto, a flexibilidade do mobiliário foi utilizada como estratégia de projeto. Para esconder cozinha e guarda-roupa nos momentos de lazer com os amigos, foram utilizadas grandes portas corrediças que

ampliam e criam unidade para o ambiente. Alguns móveis foram pensados para atender a múltiplas funções: a cama também é sofá e banco para a mesa, que serve para refeições e para trabalho.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

11


VIDA ACADÊMICA

VIAGEM DE ESTUDO/TRIP MINAS Minas Gerais 2015/1 Por ALESSANDRA DEVITTE, Prof. Me. Arq. Urb. Fotos por ALESSANDRA DEVITTE e GUILHERME LLANTADA, Prof. Me. Arq. Urb.

V

das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, encontrados nas igrejas, museus, ruas e casas marcadas pelo ciclo do ouro, escravidão e ideais revolucionários ocorridos no século XVIII. O roteiro teve início na cidade de Belo Horizonte, para conhecer o que o IPHAN caracteriza como um dos mais emblemáticos conjuntos arquitetônicos modernistas do Brasil - a Pampulha. O complexo de lazer idealizado na década de 40 pelo então governador Juscelino Kubitschek foi encomendado a Oscar Niemeyer e é composto pela Igreja de São Francisco de Assis, Casa de Baile, Iate Tênis Clube e pelo Cassino, atualmente utilizado como Museu de Arte Moderna. A proposta realizada contempla ainda o paisagismo de Burle Marx, painéis do artista Candido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti.

FOTO: © Alessandra Devitte

iajar através do tempo e vivenciar a história de um povo marcada através de objetos, artefatos, saberes e das edificações, auxiliam na compreensão dos espaços urbanos, na formação político-social do território e na herança cultural deixada por nossos antepassados. A partir disso, uma das práticas adotadas pelo curso de Arquitetura e Urbanismo é de proporcionar aos alunos do 4° período (disciplina de Arquitetura Brasileira) o contato com estas vivências e a aplicação prática dos conteúdos aprendidos em sala de aula, onde poderão visualizar e conhecer importantes referenciais arquitetônicos de Belo Horizonte e de algumas cidades históricas mineiras, que possuem um rico e incomparável acervo artístico e arquitetônico protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e pela Organização

Igreja de São Francisco de Assis. Oscar Niemeyer – 1943 – Lagoa da Pampulha - Belo Horizonte MG)

12

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


FOTO: © Guilherme Llantada Na Foto: Grupo de alunos do 4 período no Cidade Administrativa Tancredo Neves do Governo de Minas Gerais. Oscar Niemeyer, 2004 / 2010. Belo Horizonte MG ) ©Guilherme Llantada

No terceiro dia, logo ao amanhecer, o roteiro iniciou pelas ladeiras de Ouro Preto, uma das primeiras cidades tombadas pelo IPHAN, em 1938, e de acordo com a página da instituição, a primeira cidade brasileira a receber o título de Patrimônio Cultural Mundial, conferido pela Unesco, em 1981, principalmente pelo fato da cidade ser um “sítio urbano completo e pouco alterado em relação à sua essência: formação espontânea a partir de um sistema minerador, seguido por uma marcada presença dos poderes religioso e governamental, e fortes expressões artísticas que se destacam por sua relevância internacional.”

Edifício Niemeyer - Praça da Liberdade, Oscar Niemeyer, 1954.

Interior da Capela da Nossa Senhera do Padre, Início Séc. XVIII.

FOTO: © Guilherme Llantada

FOTO: © Guilherme Llantada

FOTO: © Alessandra Devitte

Na sequência, o grupo deslocou-se até a cidade de Sabará, povoamento surgido no final do século XVII e que mantem preservadas e protegidas, quase todas as suas edificações religiosas setecentistas, como a Igreja de Nossa Sra. do Carmo, onde pode-se observar várias obras do mestre Aleijadinho reunidas. Parte do casario deste período, o Teatro Municipal, importante edificação do século XIX e com programa pouco comum à época, a inacabada Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a pequena Igreja de Nossa Senhora do Ó, datada de 1717 e construída com auxílio de artesãos provindos das possessões portuguesas do Oriente, fizeram parte das visitações.

Museu de Arte da Pampulha, Oscar Niemeyer, 1956.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

13


VIDA ACADÊMICA

O quarto e último dia foi reservado para visitar Mariana, a primeira capital de Minas Gerais e a única de traçado planejado entre as cidades coloniais mineiras. O roteiro contemplou apenas o centro histórico, tombado pelo Iphan, em 1945, por apresentar um acervo arquitetônico composto por monumentos arquitetônicos característicos da fase colonial e mineração de ouro. Entre os muitos monumentos existentes, visitamos a Catedral de Nossa Senhora da Assunção, ou Igreja da Sé, construção de pedra e cal, de fachada sóbria FOTO: © Alessandra Devitte

Lá, o subir e descer de ladeiras testou o condicionamento físico dos alunos e revelou obras-primas do barroco e do rococó, manifestado principalmente na arquitetura religiosa e onde ainda se destacam os trabalhos de escultura e pintura dos mestres Aleijadinho e Manoel da Costa Athaíde. A caminhada proporciona a percepção do traçado colonial, as tipologias construtivas e os materiais empregados à época e principalmente, o quão importante são as medidas de proteção do patrimônio cultural, que asseguram a paisagem urbana de valor inigualável, consolidada desde o início de seu processo de ocupação.

FOTO: © Alessandra Devitte

Lagoa da Pampulha, Belo Horizonte/MG.

Detalhe da Portada da Igreja Nossa Senhora do Carmo. Sabará/MG. (Aleijadinho, Séc. XVIII)

14

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


FOTO: © Alessandra Devitte

e interior repleto de conjuntos de talha em madeira e a Praça do Pelouro, onde em seu entorno estão as igrejas de São Francisco de Assis, Igreja Nossa Senhora do Carmo e Cadeia Pública. Entre um local e outro, a caminhada percorreu o conjunto de sobrados característicos do período, formado por casas comerciais no térreo e sacadas no andar superior.

FOTO: © Guilherme Llantada

A despedida se dá no Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, obra-prima do barroco e elevado pela UNESCO a Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985. O local, construído para o pagamento de uma graça alcançada e tido como obra-prima de Aleijadinho, apresenta um magnífico conjunto arquitetônico e escultórico, formado pela igreja, as imagens dos 12 profetas esculpidos em pedra sabão e as seis capelas que retratam través das esculturas de talha em madeira, a Via Crucis de Jesus Cristo.

FOTO: © Alessandra Devitte

Igreja de São Francismo de Assis, Obra Prima de Aleijadinho e Ataíde. Estilo Mineiro. Séc. XVIII.

FOTO: © Alessandra Devitte

Casarios coloniais nas ladeiras de Ouro Preto'

Cidade de Ouro Preto/MG. Ao fundo Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, 1727.

Por do Sol, Igreja de São Francismo de Paula, Ouro Preto/MG.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

15


VIDA ACADÊMICA

NÚCLEO DE CONCURSOS DE PROJETO Coordenadores: EDUARDO BAPTISTA LOPES, Prof. Me. Arq. Urb. CARLOS ALBERTO DE SOUZA, Prof. Me. Arq. Urb.

O

Núcleo de Concursos de Projeto – NCPro é um grupo idealizado e coordenado pelos professores arquitetos Eduardo Baptista Lopes e Carlos Alberto Barbosa de Souza, e tem como objetivo principal reunir alunos e professores para a participação em certames nacionais e internacionais de projeto. O Concurso é uma modalidade da Arquitetura e Urbanismo utilizada sobremaneira para a contratação de projetos para edificações e espaços públicos ou com viés cultural e social importantes. Atualmente no Brasil existe um grande esforço da comunidade arquitetônica ao exigir a utilização de Concursos de Projeto para a contratação de toda nova edificação pública, o que abre um extenso nicho de mercado.

O NCPro visa a participação em concursos de projeto em âmbito profissional e de estudantes, tanto na área de Arquitetura e Urbanismo quanto no Design de Interiores. Como forma de viabilizar essas participações, são convidados a participar professores de áreas afins ao objeto do concurso e alunos matriculados entre o 4º e o 9º semestre, em quantidade e especialidade condizente com a complexidade requisitada pelo edital do certame. O primeiro projeto para concurso realizado foi o do Parque do Mirante, em Piracicaba, São Paulo, e o segundo para o concurso da Bim.Bon, que visava a proposição de uma casa pré fabricada. FOTO: © Guilherme Llantada

Paralelamente, o Concurso de Projeto é um grande propagador de conhecimento técnico e conceitual, que deve ser explorado também pela esfera acadêmica. O gesto projetual e

a vivência entre alunos e professores cria uma rede de aprendizado muito rica.

Na foto: Julia Mendes Vieira, Daniela Wiese, Marlise Kristina Mattos, Leandro Benthien, Julia Girelli, Quelvin Favareto, Florença Von Tennenberg, Taelize Girardi, Matheus Koch, Prof. Carolina Rocha Carvalho, Geniana Finatto. (Em pé, esquerda para a direita); Diego Gorges, Paulo Ricardo Mauro, Camila Tawany Santos, Prof. Eduardo Baptista Lopes, Micheli Carla Durante e Mikaella Schvambach. (Sentados, esquerda para a direita).

16

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Concurso Parque Do Mirante – Piracicaba, São Paulo (2014)

IMAGENS: © NCPro

Concurso Bim.bon – Casa M (2015)

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

17


VIDA ACADÊMICA

Concurso Parque Do Mirante – Piracicaba, SP (2014) – IAB/SP Professores: EDUARDO BAPTISTA LOPES, Prof. Me. Arq. Urb. CARLOS ALBERTO DE SOUZA, Prof. Me. Arq. Urb.

Acadêmicos: BETINA FRIGOTTO DE LIMA DIEGO GORGES MARLISE KRISTINA DE MATTOS

S

ituado numa localização privilegiada às margens do Rio Piracicaba, o Parque do Mirante é um espaço público que foi de vital importância para o lazer da população de Piracicaba, mas que nas últimas décadas vem perdendo gradualmente seu protagonismo devido a problemas de conservação e pouca segurança. Dessa forma, esse concurso foi visto como uma oportunidade única de requalificação do parque, através de soluções propositivas de novos padrões de ocupação e de novos usos. Contudo, trabalhar no contexto atual é um desafio: a área de intervenção se caracteriza, em questões ambientais, por ser um maciço arbóreo às margens de um rio, dotado de grandes desníveis naturais protegidos pelo patrimônio; além disso, o parque possui ricas características histórico-culturais que devem ser mantidas e reforçadas. Seu entorno é composto por um bairro predominantemente residencial unifamiliar de renda média, portanto é um local com pouca ou nenhuma urbanidade. É um local muito fechado, com poucos acessos e poucas alternativas para o lazer e o desenvolvimento do ócio.

18

O projeto de requalificação apresentado nesse trabalho busca a resolução desses pontos utilizando-se de intervenções pontuais e simples, mas que concederiam ao parque, novamente, o status de espaço público de qualidade. VIA GASTRONÔMICA E HOTELEIRA – RUA MARIA MANIEIRO A área de intervenção demarcada pelo concurso abrange os lotes e vias lindeiras ao Parque do Mirante, que serão inseridos na proposta como forma de fomentar o uso constante e diversificado do parque. A primeira grande intervenção será a requalificação da Rua Maria Manieiro, que deverá se tornar gradualmente uma Via Gastronômica e hoteleira. Isso será feito através de mudanças de zoneamento no Plano Diretor de Piracicaba, prevendo que os lotes lindeiros à via sejam ocupados preferencialmente por restaurantes e hotéis. Sua viabilização poderá ser alcançada através de instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, como a transferência do direito de construir. Além disso, a rua será fechada para veículos, dando preferência para trajetos a pé e de bicicleta, além de contemplar espaços de estar e de apoio para os restaurantes. Dessa forma, espera-se que o movimento e interesse no Parque do Mirante se intensifiquem.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


NOVO MIRANTE As intervenções deverão ser marcadas por uma linguagem arquitetônica contemporânea, mas que integrem e reforcem as características originais da paisagem. É visto também como forma de marcar a intervenção a criação de um novo mirante, próprio e condizente com o atual momento da cidade. O Novo Mirante tem como objetivo aumentar a permeabilidade e explorar novas vistas e espacialidades do parque.

passando pelos vários níveis do parque, até culminar no novo mirante, que será erguido o atual mirante 3. Em seu núcleo existirão escadas e elevadores que farão a transição entre os níveis, bem como contemplarão espaços para exposições de arte e observação do Rio Piracicaba.

Além disso, ele poderá ser acessado diretamente da via gastronômica, sendo uma opção mais segura de contemplação a noite, já que não precisa necessariamente descer no nível do parque.

IMAGENS: © NCPro

O mirante acontece na continuação do eixo viário formado pela Avenida Dom João Nery. Uma passarela continuará no mesmo nível da Rua Maria Manieiro,

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

19


VIDA ACADÊMICA

Concurso Bim.Bon – Casa M (2015) – Organização Bim.Bon Professores: EDUARDO BAPTISTA LOPES, Prof. Me. Arq. Urb. CARLOS ALBERTO DE SOUZA, Prof. Me. Arq. Urb. CAROLINA ROCHA CARVALHO, Prof. Me. Arq. Urb.

N

Acadêmicos: CAMILA TAWANY SANTOS MICHELI CARLA DURANTE GENIANA FINATTO PAULO RICARDO MAURO

a contramão da atual tendência de construção habitacional no Brasil, o concurso Bim. Bon cria um debate, ou um laboratório experimental, que busca trazer novos modelos de construção, principalmente a partir de soluções industrializadas. Estas construções, possuem rápida produção e reprodução, são menos suscetíveis a erros, têm medidas padronizáveis, e também permitem a personalização e adaptação de seus componentes, podendo se adaptar as diferentes regiões e culturas brasileiras. Nesse concurso, foram utilizados apenas produtos disponíveis na categoria da Indústria Mineira, uma exigência do Edital.

O PROBLEMA DA HABITAÇÃO NO BRASIL As políticas públicas nacionais não somente possuem o desafio de resolver o déficit habitacional do país, como também aprimorar os modelos de habitação reproduzidos pelo mercado da construção civil. São inúmeros exemplos de habitação que possuem baixíssima qualidade espacial, encontrados sobremaneira no atual programa governamental Minha Casa Minha Vida. Seus modelos e formas de implantação criam zonas desconectadas da cidade, com caráter extremamente segregador, monótonas e pouco seguras. Além disso, as tecnologias construtivas utilizadas são muito primitivas, artesanais, que geram muito desperdício de matéria prima e não possuem controle tecnológico adequado. CASA M Projetos de habitação tem por princípio básico a personalização. Habitações devem responder as diferentes necessidades e costumes culturais dos usuários, bem como ser adaptáveis ao longo dos anos. Dessa forma, o projeto foi desenvolvido através de uma divisão racional dos espaços, onde as atividades acontecem em módulos flexíveis e claramente conectados entre si, consoantes à viabilidade técnica construtiva disponível pela indústria mineira.

20

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Assim, o projeto foi denominado como Casa M, uma vez que a letra condensa diversas características presentes na casa: Modular; Mutável; Multiuso; Móvel; Mínima; Máxima; Mineira; Multicultural.

IMAGENS: © NCPro

A estrutura proposta e as soluções tecnológicas indicadas no projeto permitem amplas possibilidades de ocupação e adaptação da edificação, além de atenderem às legislações municipais da maioria dos municípios brasileiros. A proposta apresentada nesse trabalho detalha uma das inúmeras possibilidades de variação da residência, funcionando como uma habitação para até 4 pessoas. Entretanto, a casa também pode sofrer adições ou subtrações modulares que permitem a acomodação de mais quartos ou áreas de escritório, que também podem abrigar habitações multifamiliares, hostel e até mesmo galerias comerciais.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

21


ENTREVISTA & OPINIテグ


ENTREVISTA

NELSON TEIXEIRA NETTO Sobre Estratégias Projetuais Por JOSÉ ANGELO C. MINCACHE, Prof. Esp. Arq. Urb. e GUILHERME LLANTADA, Prof. Me. Arq. Urb.

“Mestre em projeto pela Royal College of Art de Londres (Inglaterra) – 1981. Arquiteto e Urbanista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Porto Alegre (Brasil) – 1979. Atua em todo o Brasil, construindo casas, edifícios, condomínios e bairros novos. Seus trabalhos desenvolvidos em grupo com outros escritórios receberam diversos prêmios e menções. Sua principal área de atuação tem sido a de bairros novos, condomínios, loteamentos, edifícios residenciais, comerciais e institucionais, bem como inúmeras residências personalizadas ou para comercialização, totalizando mais de 3.000.000 m 2 construídos. Adora Artes Visuais, música e livros. Tem um entusiasmo enorme por criar, achar soluções e realizar coisas com humor e alegria.”

O

s professores José Angelo C. Mincache e Guilherme Llantada visitaram o arquiteto Nelson Teixeira Netto na tarde do dia 09 de setembro para uma conversa/entrevista sobre o tema do segundo número da Revista Arkhé: “Estratégias Projetuais”. O texto abaixo é uma seleção de trechos do agradável bate-papo de quase três horas, transcrita pela acadêmica Monaliza Silva. ARKHÉ – Partindo do princípio que o fazer arquitetônico é formado pelo tripé: arquiteto – obra – cliente e localizando o arquiteto-autor como sujeito da ação e agente cultural da proposição; a obra como fim, produto cultural e expressão material desta ação no tempo histórico; e o cliente como o solicitante e patrocinador da matéria em si... Como acontecem estas relações em suas estratégias projetuais? NTN – O cliente, em geral, é a pessoa que ajuda a manter a oportunidade da obra. Nos Estados Unidos isso já mudou bastante. É outra cultura. É o que eu espero que mude aqui. Lá a ideia é do arquiteto empreendedor, o arquiteto empreender. Eu acho que na nova geração isso tenderá a mudar bastante. Não que isso vai seguir como é nos Estados Unidos, mas é uma tendência dos mais jovens se aprimorarem em empreendedorismo. Eles já têm noções hoje, quase que no primeiro grau. Fazem feiras de empreendedorismo e tudo. Os próprios pais também já vêm com uma nova visão. Os pais mais jovens, entre vinte e quarenta e cinco em geral, também já têm uma visão diferente da nossa geração. A nossa geração tinha muito o idealismo de uma prestação de um serviço social, o que ainda considero essencial; mas quase não se falava em negócio e isso mudou muito. Então, compromisso social e empreendedorismo são dois fatores que historicamente devem balizar as 24

formações profissionais. Provavelmente na nossa profissão se pudessem reavaliar algumas coisas, eu diria que o arquiteto deveria tentar ter mais domínio do que ele produz; e com uma consciência social efetivamente mais amadurecida, esses produtos tenderiam a melhorar. Porque ele poderia, quem sabe, ter mais poder de decisão na condução do processo. Quando a gente vê a quantidade de variáveis envolvidas no processo e como o cliente se insere no pedido ou na decisão da construção do projeto, leva anos para a gente poder ajudar a dominar os interesses de todas as partes. No início de carreira, a gente

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


dá graças a Deus que alguém nos procure para tentar fazer alguma coisa. Depois, com o tempo, a gente vai ficando mais experiente e consciente, e vê que é importante participar mais ativamente nas ações e negócios que envolvem a Arquitetura e a Cidade. E aí que eu acho que abre uma nova perspectiva para os arquitetos. Uma perspectiva não do poder pelo poder, não é isso que se busca, mas o poder de realização, de maior decisão sobre as coisas. E aí, quanto mais repertório projetual, quanto mais experiência, quanto mais capacidade de realização você agregou na sua história, mais chance de as pessoas confiarem e te incluírem em grupos que realmente executam; que é o que ocorre hoje conosco... Porque a gente já assessorava grandes empresas, mas só assessorava. Quando elas se retiravam, a gente não tinha o que fazer, ficava esperando elas ou esperando trabalhos que muitas vezes nos desviaram do foco ou que talvez não devêssemos ter feito. De uns seis anos para cá, nós mudamos completamente a estratégia. Nós amadurecemos essas questões e passamos a dizer não, nós vamos ser sócios de empresas de desenvolvimento de imobiliário de trabalhos que efetivamente sejam significativos para nós e para a sociedade, nós não vamos mais esperar que as pessoas nos procurem, nós vamos criar os fatos. ARKHÉ – Então, acaba existindo uma fusão entre o autor e o cliente...

IMAGENS: © Guilherme Llantada.

NTN –... E o cliente e a obra. E é isso que eu acho interessante para a carreira de todos...

ARKHÉ – Muda o produto? Qualifica a arquitetura... NTN – Isso! É uma possibilidade para a gente ficar mais livre, porque eles te repassam mais e tu conduzes mais o processo de criação/negócio. Eles vão cuidar da engenharia do negócio, dos produtos que vão ali, as empresas que vão se inserir ali no negócio e deixa o campo da expressão da arquitetura, para o arquiteto; que então participa mais ativamente do desenvolvimento do produto. Ao passo que quando venha o cliente pedir seja casa, edifício, conjunto de edifícios, bairros, como já ocorreu aqui no escritório, se você não participa efetivamente dos negócios, você é apenas um prestador de serviços e prestador de serviços tem que fazer muitas vezes coisas que não é exatamente o que ele quer. Não é uma desculpa, mas você não consegue participar tão ativamente do processo. E consequentemente não tem poder maior de decisão sobre os fatos. Às vezes tem interferência da família do cara, dos funcionários do cara, das experiências... e você fica à mercê daquilo e tendo que desenvolver uma habilidade prática/política de negociação e de psicologia para atender, para agradar aquele que te paga. Porque o escritório vive de alguém que paga. É esse o modelo que eu pessoalmente mudei completamente... ARKHÉ – Partindo então desta relação de poder maior sobre as decisões de projeto, quais são as estratégias que utilizas para alcançar esta qualidade arquitetônica... como isso funciona atualmente no escritório? NTN – Nós começamos normalmente pela interpretação do papel dos elementos naturais, do clima, do terreno, das variáveis do Contexto urbano, aspectos econômicos/culturais e geométricos do local, bem como a forma de viver das pessoas, seja qual for a escala do projeto. Então efetivamente a gente considera o sol, mas não só dentro daquela coisa de aquecimento, sombreamento, das soluções de conforto, mas nós temos melhorado as noções sobre o que compõem o sol e seu papel na vida do planeta. Quais as partículas que formam o sol? Que substâncias e reações são aquelas? Nos últimos tempos, com a nossa ideia de incentivar cada vez mais a Natureza se integrando à Arquitetura, eu tive que começar a estudar como é que essas moléculas se formam, recuperar aquelas aulas que a gente faltava de biologia, fotossíntese, todas essas coisas. São esses elementos que fazem que a vida se manifeste. Eu quero incorporar cada vez mais isso na forma de projetar. Então os diagramas sobre relação dos elementos naturais com a Arquitetura, vão ajudar especialmente os jovens a rapidamente raciocinar e combinar essas coisas em sua expressão. A arquitetura tem que incorporar cada vez mais essa forma de considerar a conexão entre as coisas. Vou dar um exemplo prático. Hoje eu estou pesquisando como posso ter determinadas funções

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

25


ENTREVISTA

da arquitetura usadas triplamente. Por exemplo, eu bolei uma fábrica de biotecnologia que o próprio laboratório está associado à um prédio com terraços e estruturas verdes. Então o cara sai do laboratório e vai ali ao terraço/ quebrasol aonde a plantação é pesquisada. Mas essa plantação também gera conforto térmico, então os elementos do programa possuem várias funções. O terraço e as plantas geram um micro – clima , são elementos do trabalho / pesquisa, geram conforto térmico, são quebra- sóis que compõem a fachada de forma dinâmica e reforçam a relação interior e exterior. Tens o trabalho, e a parte econômica integrados, e os elementos funcionais e formais fazem parte da composição do prédio, da composição da cidade, da composição dos espaços. Então eu tenho tentado fazer com que nas estratégias projetuais, sempre que possível, combinem dois ou três elementos do programa que expressem e resolvam várias necessidades da Arquitetura. Pensando assim, por exemplo, não fica o verde pelo verde. A agricultura urbana entra no sentido de gerar microclima, gerar sombreamento, gerar a parte estética do paisagismo, função econômica, função de alimentação... porque no meu caso eu também estou preocupado como é que se pode gerar uma sociedade mais autossuficiente. Tudo que você puder tornar mais autossuficiente, retira o poder de grandes grupos, retira o poder do grande capital. Para isso devemos estudar, e entender como é que funciona o capital na busca da valorização do patrimônio, do lucro que são a essência das regras de ação dentro do capitalismo global, para atender os mecanismos de decisão que vão permitir a execução da obra, a concretização das idéias.

26

ARKHÉ – Você acabou de falar sobre essas variantes, a relação do sol como estratégia projetual e suas funções usadas triplamente. Isto como metodologia? NTN – Na minha metodologia projetual, os ciclos dos elementos naturais como o sol, o verde, a água e o ar não são só para produzir alternativas de energia limpa. É higienização, fotosíntese, produção de alimentos, respeito a bio diversidade entre outros ítens e tudo faz parte da solução arquitetônica/ urbana. A tentativa de criar a Natural City, que é uma nova cidade que estou criando próximo à Barra Velha /SC servirá de ensaio definitivo para esta metodologia baseada numa visão sistêmica das macros-relações existenciais que integram o indivíduo as sociedades e a preservação do Planeta. A gente tem que entender como fazer esta integração entre tecnologia, desempenhos, expressões artísticas, interpretação programática. Como é que ao longo do tempo eu crio condições para que as tecnologias diminuam não só gasto de energia, mas contribuam para a expressão da Arquitetura, das cidades para a vida em sociedade? . Usar uma tecnologia que gere simplesmente, funcionalmente energia alternativa é uma coisa. Mas relacionar, a ciência com a Arte, criar todas as condições de expressões nos prédios, melhorar desempenho entendendo as várias possibilidades que a tecnologia associada à natureza oferecem, é outra coisa. Essa é a busca do entendimento de como as coisas podem se combinar e produzir um conhecimento mais científico. Então hoje eu me utilizo bastante dessas estratégias, mas ainda precisamos aprimorar este conhecimento com assessores especializados. No desenvolvimento do projeto integrado precisa dinheiro, investimento para que estes assessores possam ajudar a entender como uma Arquitetura Bio-Climática pode ser mais bem expressada. Pessoas tipo Fernando Ruttkay Pereira,

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


que eu confio por ser um grande pesquisador, e tem este poder de síntese entre ciência e arte. É importante ter assessores das outras áreas para ajudar interpretar as inúmeras questões do sol, do verde, da água, do ar e suas interferências no projeto. Eu estou aprimorando uma teoria de ocupação do solo e espaço tridimensional, onde eu crio mais áreas verdes na malha tridimensional superior dos prédios do que àquela que o prédio ocupou no térreo, no solo do terreno.

que é expressão maior do processo de vida nestas condições históricas do planeta. Precisamos criar uma cidade onde a forma urbana considere o sol, o ar, à agua, o verde, a produção de alimentos integrados aos prédios ruas e praças, numa nova forma de integrar cidade e campo. Com isto teremos uma cidade mais natural, tendendo a acabar com a tradicional separação entre o urbano e o rural. Em Barra Velha/SC, como já disse, estou criando uma cidade, a qual chamamos de NATURAL CITY. É uma primeira tentativa de demonstrar estes conceitos numa escala maior, fundindo conceitos já existentes em vários países com uma nova interpretação, numa nova visão da forma de se viver numa cidade natural. Criamos uma cidade onde a tridimensionalidade dos prédios, com vários sub-espaços verdes, reforça junto com os corredores verdes a recuperação da biodiversidade da mata atlântica de altitude com a mata atlântica da planície. É uma cidade voltada efetivamente para o pedestre e as bicicletas,

IMAGENS: © Guilherme Llantada.

Eu posso criar novas áreas verdes horizontal e verticalmente integradas a novas formas de expressão que reforçarão a biodiversidade, integrando-as a corredores verdes. Se a combinação destas soluções são significativas em termos sociais e de qualificação da vida urbana, então eu posso criar incentivos ao capital, dando mais áreas, mais andares para quem corre os riscos de investir. Desde que as variáveis de melhoria da estrutura urbana e social sejam mais respeitadas, seguidas como diretrizes de um novo projeto urbano/social de maior duração, a favor da preservação do planeta e da vida de relações econômicas e sociais de sobrevivência da comunidade. É diferente de solo criado para fazer dinheiro. Você pode dar mais lucro para o capital, mas você tem que criar soluções que efetivamente melhorem a malha tridimensional urbana. Quais os sub- espaços, quais as funções que devemos criar? Estes são assuntos de investigação urgente. Nós estamos timidamente, superficialmente, discutindo a questão da morfologia urbana que resulta da ocupação das ruas e espaços no térreo das edificações, mas devemos nos preocupar também com os tipos de ruas e espaços que podemos ter integrando a malha tridimensional urbana como um todo. Não se trata de ressuscitar megaestruturas, mas sim de estudar e ver como podemos relacionar a natureza com a cidade numa busca de harmonia e integração numa visão espacial mais completa. Combinar as nossas necessidades as nossas formas de viver, com a natureza

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

27


ENTREVISTA

na qual as praças e ruas integradas por galerias cobertas, alta densidade, multi-uso, corredores verdes e agricultura urbana darão muita segurança à expressão da vida das pessoas. ARKHÉ – Os conceitos de Michael Hought e outros autores tratam destas questões de cidade e natureza como novas formas de projetar, fala desta dicotomia do pensamento que cidade é uma coisa e a natureza é outra... Então, o papel da “nova arquitetura” deve ser o de integrar? NTN – No processo histórico dos últimos 5000 anos houve uma exagerada divisão entre o que é rural e o que é urbano. A minha tentativa de contribuir é tentar fundir as duas coisas, e que se combine toda a matriz de produção, sobrevivência, os elementos naturais e seus ciclos integrados as regras e ao repertório projetual arquitetônico e urbano. É isso que eu estou tentando. Então para mim, estratégia projetual hoje, é incluir uma macro relação dessas variáveis em termos do comportamento da natureza, as inovações tecnológicas, as expressões e necessidades dos indivíduos e sociedades e sua estrutura econômica e de poder social e político. Para mim hoje, é isso que interessa. Por melhor que seja um prédio como expressão individual por mais que se aproxime de ser uma obra de arte, para mim ele não está chegando às macros possibilidades de relações e expressões que a Arquitetura permite. Temos que combinar o repertório histórico, profissional, com os avanços científicos, com o tema da preservação da natureza e o respeito às diferentes culturas e climas, senão alguns aspectos significativos poderão ser negligenciados, menos considerados. E aí a metodologia projetual tenderá a ficar não tão eficiente, aproveitando parcialmente as potencialidades e variáveis que fazem parte do que seja o domínio das variáveis que fazem parte do que é a Arquitetura.

poderiam talvez até reforçar o complemento, o conjunto. Então às vezes, um prédio tem umas plantas super bem resolvidas, umas soluções de fachada super bem resolvidas, e com relação à cidade, a estrutura urbana, nada! Tem muito disso por aí. Organizações de planta e super expressão da forma, como se fosse ditadura de poucas variáveis. Não se usa tudo o que Arquitetura precisa e permite. Ficam prédios esculturas, prédio que em geral não configuram a cidade. Como fazer com que todos tenham um código ao menos relativamente similar onde pudesse haver até a contradição, mas uma contradição efetivamente de um diálogo. O diálogo não precisa ser sempre a favor. A gente vê, em geral, a não compreensão do que é o contexto, os prédios procuram fazer um monólogo de valorização do ego, como se os prédios e a cidade fosse um discurso individual ou de um pequeno grupo. A cidade é resultado das possibilidades e diálogos entre todos e uma conversa longa distribuída no tempo. Nós como indivíduos somos peças importantes, mas breve, passageira; por isto o estudo e respeito ao conjunto de variáveis que formam o repertório projetual da Arquitetura ser tão importante. Caso contrário, a contribuição fica limitada.

ARKHÉ – A arquitetura pode responder a estas demandas atuais? NTN – A arquitetura permite essas combinações e nós não as estamos usando claramente. No momento que você começa a ver que o verde pode fazer parte, a água pode fazer parte, o sol, o ar a terra; a gente precisa aprimorar as metodologias de projeto para aproveitar todos os avanços científicos e artísticos que vem ocorrendo em nossa profissão e outros campos do conhecimento humano. Como combinar os elementos da natureza com as condicionantes que a gente tem de economia, capacidade do mercado de absorver as coisas, com as famosas regras de projeto? Existem uma série de regras que você pode utilizar num projeto e que nós as vezes na ânsia individual de atingir “super expressão pessoal”, damos ênfase à determinados pontos e esquecemos ou não damos ênfase em outros que 28

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


ARKHÉ – Quem desenvolve, hoje, um trabalho que podes citar como referência?

IMAGENS: © Guilherme Llantada.

NTN – Temos muita gente com talento, mas que não necessariamente ainda apresentam esta preocupação com uma metodologia de projeto que integre natureza, arquitetura e cidade, que é como penso hoje. Aprecio muito o Artur Casas, o Marcio Kogan, Tiago Bernardes, Gustavo Pena, Isay Weinfeld. Temos muitos outros talentosos, mas vejo pouca obra que integra a Arquitetura à formação do espaço urbano que para mim é onde está a maior contribuição para o coletivo, para a sociedade. Internacionalmente tem muita gente competente. Estudo mais os que buscam integrar a natureza à Arquitetura, ao espaço urbano. Isto ainda não está tão difundido, mas tem vários arquitetos e empresas já expressando isto em muitos países. Como tudo está em transformação, sugiro ao final deste papo uma lista com alguns arquitetos de alguns países, os quais acho significativos para pesquisa, mas é óbvio que muitos outros são importantes e

para quem estuda constantemente é quase impossível, com a informação que se tem hoje, citar todos aqueles que tem contribuído de uma forma ou outra para a profissão. Acho que a síntese básica será feita em duas ou três gerações. ARKHÉ – De que forma é possível resgatar a natureza nesse sistema que a gente está vivendo? NTN – É fundindo a interpretação dos processos e ciclos naturais com toda essa evolução que a humanidade está tendo, evolução da física, evolução da química, da bioquímica, da biologia, paisagismo ecológico, eco psicologia obviamente não é bem a nossa área, mas esses campos têm pontos de contato com a Arquitetura, e integrando-os paulatinamente as nossas metodologias projetuais, poderemos então ter uma coisa mais completa. A produção de alimentos, o conforto ambiental e psicológico urbano, a escassez de água, a finitude dos recursos naturais, todas estas coisas vão mudar os nossos processos projetuais. Um exemplo é o conceito em que a coisa seja produzida no local próximo. Nós temos um projeto, por exemplo, uma fazenda urbana, em que alguns andares, alguns pátios e coberturas, são áreas produtivas de apoio à sobrevivência. O verde está no próprio prédio, os planos verticais são utilizados, os diferentes níveis são utilizados. Então isso vai gerar novas relações comunitárias, novas operações econômicas, novas formas de viver mais saudável. As estratégias projetuais que eu estou tentando utilizar procuram combinar coisas da arquitetura com os outros campos de conhecimento. O termo talvez não seja o ideal, mas é uma visão um pouco mais holística, mais sistêmica, uma forma de trabalhar que combine efetivamente os diferentes campos de conhecimento em evolução e que pode ter relação com as principais variáveis da Arquitetura. ARKHÉ – Em Cambridge, havia um professor-arquiteto que liderava um grupo multidisciplinar... Eles tinham que fazer propostas multidisciplinares, que é o que você está falando... NTN – Eu acredito que deva ser assim no futuro. Especialmente para todos nós, mas principalmente para vocês que são jovens, e mais ainda para os mais jovens que, virão nos próximos 50 anos. Vocês que tem poder de decisão em nossas escolas e inclusive

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

29


atuam em uma escola que parece ser mais flexível, deveriam investigar isto de forma mais sistematizada. Eu diria assim, no tipo de exercício feito no Atelier, no tipo de reflexão. Acho que o conteúdo é tão marcante que a gente deve dar a partida. Por melhor que sejam as nossas capacidades, as nossas metodologias, pode ser que os alunos não entendam de saída, mas pode ter certeza que três/quatro tentativas vão dar um rumo mais consistente. Se fizermos isto paulatinamente a base da profissão poderá ser transformada. É um trabalho de no mínimo duas gerações futuras. Aí essa discussão de formação de cultura, de país, de forma mais amadurecida de projeto deverá nortear as ações. Talvez seja esta realmente a nossa contribuição no momento. Somar com a cultura das regiões e países. O local integrado ao global. Está tudo por fazer. Os outros países também não estão certos nesse aspecto, entendeu? Está tudo sendo transformado, mas ainda muito com visões do ego, auto- expressões, que são relevantes, reais, mas fragmentos de metodologias não podem direcionar a expressão cultural enquanto forma de estruturação da profissão. Às vezes o mesmo escritório, ou arquiteto estando em evolução, faz um projeto integrando tudo e em outro, não sei quais foram seus condicionantes; não se utiliza de todas as possibilidades. Então eu vejo que as universidades deveriam estar se preocupando mais com isso, com o que fazer, aonde focar, o que considerar. Como definir e reavaliar as principais variáveis de uma metodologia projetual? Este é um ponto em aberto na profissão, em todo o mundo. ARKHÉ – O lote urbano, que é um negócio que fica ali, num quadrado... E o plano diretor é um negócio que “emburrece” o projeto... A iniciativa da Pedra Branca pode ser uma alternativa a esta forma de fazer cidade e arquitetura? NTN – O estudo da cidade e do processo de preservação do patrimônio urbano é um conhecimento que tem aí no máximo uns 120 anos. Conhecimento de como a cidade foi se organizando e suas “multiespacialidades” foram combinando de acordo com uma estrutura de poder. Trata-se de uma estrutura de poder, porque a relação econômica, o papel do capital, a estrutura dos negócios, o valor da infraestrutura, o valor da terra também definem as macros – relações que configuram a cidade. Os planos devem estudar e criar mecanismos de controlar e entender a forma que estas variáveis podem ou deverão ser integradas no desenho urbano. Entender como elas estruturam as cidades seria um dos principais desafios da Arquitetura e Urbanismo. Eu vou tentar dar um exemplo bem prático de como seria. Temos um lote, ok! Mas quais são as variáveis que interferem no problema? Dinheiro é certo 30

IMAGEM: © José Angelo Mincache.

ENTREVISTA

que interfere, é o capital que vai dizer seguindo determinadas regras urbanas e econômicas se isso aqui vale tanto. Se a gente dominasse um pouco mais isso, que não é tão complicado, a gente poderia dizer assim: Quais são os itens que seriam mais relevantes para a vida social? Quanto ao aproveitamento deste lote ou desta quadra? Você prioriza a vida social ou o capital? Algum destes Ítens poderiam ser negligenciados, quais os outros que são relevantes e prioritários? Como qualificar os espaços do térreo até o quarto andar, por exemplo. O que interessa como um todo e como qualificar? Isso poderia ser uma tese de doutorado, ensaios críticos de mestrado. Como fazer com que pudesse ter outros espaços públicos no conjunto dos prédios? E como trabalhar o topo deste prédio? Se eu começasse por aí, com alguns critérios, combinando intenções sociais, poder do dinheiro, valorizações do repertório projetual de ruas, praças, galerias, e outros que contribuam para a vida da cidade e qualifiquem os espaços públicos da cidade, talvez os Planos Diretores em um processo dinâmico de decisões e reavaliações contínuas pudessem contribuir mais. Como estão sendo feito, com metodologia desatualizadas, variáveis que não consideram claramente o problema, estrutura técnica de confecção e reavaliação quase inexistente, é muito difícil que resolvam ou apoiem o desenvolvimento das necessidades Temos que recriar tudo, estrutura de poder decisória com mais produtividade e eficiência nos mecanismos de controle e representatividade, metodologia de projeto, processo de reavaliação do que está sendo implantado, estudo de novas tendências e suas aplicações. O caso muito discutido do nº de pavimentos de um prédio é um exemplo. No meu ponto de vista, não interessa se são dez andares, quinze andares ou até vinte andares, desde que você saiba socialmente, funcionalmente, espacialmente o que você quer. E aí você poderia dizer assim: não eu até te dou capital, eu te dou até mais um andar, se você fizer algo que melhore a

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


cidade. Eu te dou dois andares se você seguir uma diretriz que qualifique os espaços públicos. Daí, talvez possamos estruturar leis urbanas mais abrangentes que considerem as variáveis mais importantes para a construção da cidade. Os arquitetos devem pesquisar o que é mais importante para a sociedade. Devemos ter o conhecimento das reais variáveis que interessam e produzem o espaço urbano, para então produzir leis. Leis estas que devem ser constantemente reavaliadas e ter seus resultados observados com os acertos e erros. Acertos e atualizações. Incorporar tendências e mudanças de necessidades, pois é um processo contínuo e dinâmico. O que vemos é um processo de decisão um tanto fragmentado e metodologias incompletas de intervenção que não consideram a maioria das variáveis que fazem parte do problema, do processo de estruturação da cidade. Tendo um repertório melhor de alternativas e diagnósticos, poderíamos pensar em leis que deem incentivos às melhorias e não criar a maioria das leis com caráter restritivo / regulamentar. ARKHÉ – Um incentivo criativo?

NTN – Nós como arquitetos poderíamos pensar assim: quais são os tipos de espaços que nos interessam? O entendimento de variáveis significativas de estudo da morfologia urbana e do repertório projetual é extremamente importante. Devemos combiná-los com um posicionamento mais social, mais cultural. Um exemplo seria você incentivar a criação de mais subespaços públicos ou não, no volume do prédio com vazios, com agricultura urbana, com a ventilação entre as quadras e tal. Então você cria uma lei dando incentivo: se criar tanto por cento do volume que seja usado para tais funções ou crie tais e tais melhorias você terá um acréscimo de áreas significativo. É uma troca de valores, de interesses, na qual a maior relevância a atingir, é a qualificação urbana como um todo. O nosso problema é primeiro pensar criando hierarquias de decisões privilegiando o espaço público e o espaço da vida de relação urbana. Então por exemplo, se você tem determinadas quadras que o aproveitamento do solo será algo significativo para a sociedade para a expressão da vida social e econômica, você poderia tirar um pouco do capital aqui e fazer com que ele venha pra cá. Se o ganho de capital permitir, que através de incentivos sejam criados espaços de convívio e qualidade, que o sol gere energia, participe da fotossíntese, penetre nos ambientes, o ar circule limpo entre os prédios, o verde se integre em todos os níveis, este incentivo será positivo para a cidade, para todos.

IMAGEM: © Guilherme Llantada.

ARKHÉ – A pergunta arquitetônica tem que ser importante. Mesmo que a resposta não venha imediatamente, fica a questão no ar... NTN – O que eu quero de qualidade no térreo? É muro que não gera vida ou é galeria? O que gera operações econômicas e sociais? É garagem, loja, ou é vida social? Então você começa a criar vários modelos, várias tipologias e você pode dar graduações. Por exemplo, se você colocar um percentual de área coberta livre com tais e tais funções, cujo os recantos, vão ter tais e tais características... Ah, você pode ganhar mais dez por cento com áreas construídas no seu prédio. O capital vai se estruturar. Não tendo repertório não vão propor. Caberia muito a nós. Teria que investigar e ensaiar, levar isso para as legislações. Criar determinados padrões e ensaiar. Ensaiando se vê o porquê está dando certo ou não. Por isso que eu digo, não tem problema se errarmos inicialmente... O problema é deixar de fazer, e ficar tudo de forma inconsciente, fragmentada... Tem que tentar. Porque como está, sem considerar o conjunto de variáveis que participam do problema, é certo que não está funcionando. Será que está funcionando? Creio que não. A solução será demorada, difícil, mas este é o desafio da profissão, das Escolas, dos profissionais, das cidades.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

31


OPINIÃO

FOTO: © Divulgação IAB

ESTRATÉGIAS PROJETUAIS NA ARQUITETURA BRASILEIRA Por SÉRGIO MAGALHÃES, Prof. Dr. Arq. Urb. Presidente Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

SERGIO FERRAZ MAGALHÃES é arquiteto e urbanista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul– FAU/UFRGS(1967) e doutor em Urbanismo pelo Programa de Pós–Graduação em Urbanismo– PROURB/FAU–UFRJ (2005), com estágio na Universidade de Paris VIII (2004). Foi aluno do curso de mestrado em Teorias da Comunicação e da Cultura da Escola de Comunicação – ECO/UFRJ (1990 –1992). É professor–adjunto do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU – UFRJ e de pós–graduação em Urbanismo – PROURB . Tem atuação profissional como arquiteto e urbanista na área privada (titular do escritório MBPP Arquitetos Associados, Rio de Janeiro, 1974 –2006 ; e titular de SMC Consultoria–Habitação e Urbanismo, Rio de Janeiro, (2002–2012.) bem como na área pública (na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, onde exerceu cargos de direção, tais como subsecretário de Urbanismo, 1986 –1988 ; e secretário municipal de Habitação, 1993 –2000 ; na Prefeitura de Niterói, onde foi Diretor de Urbanismo, 1989–1992; e no Governo do Estado do Rio de Janeiro, tendo sido secretário de Estado de Projetos Especiais, 2001–2002; e subsecretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, 2003 –2004). Principais

temas de trabalho: projeto urbano, habitação, política urbana e política habitacional, cidade contemporânea, Rio de Janeiro.

PANO DE FUNDO

INTRODUÇÃO

A

compreensão sobre a arquitetura se torna mais complexa ao se incorporar ao seu campo disciplinar o conjunto do espaço construído, não apenas edificações exemplares, nem somente o resultado do traçado do arquiteto. Por se tratar de um conceito estruturado culturalmente, sua conformação, desdobramentos e abrangência expressam as conjunturas da sociedade no momento histórico. Assim, neste artigo, as diversas escalas e os modos de produção do espaço habitado são entendidos como expressão do fato arquitetônico. Desde a intervenção local, no âmbito do espaço edilício, passando pelo urbano/metropolitano até alcançar a dimensão territorial/regional, sem que esse encadeamento represente uma hierarquia crescente ou decrescente. Ainda, reconhece-se tanto a produção erudita quanto a popular como integrantes e promotoras desse fenômeno cultural. O texto é composto por seis seções. Depois desta Introdução, apresenta-se o contexto em que se discute o tema; a seguir, trata-se do papel do projeto e abordam-se cada uma das três escalas escolhidas para a análise; finaliza-se com uma pequena Conclusão. 32

Sendo um país que se urbanizou em ritmo alucinante nas últimas décadas; que, no período equivalente à expectativa de vida de um cidadão contemporâneo, passou de uma população urbana de 12 milhões de pessoas (década de 1940) para 175 milhões (década de 2010); que no mesmo período o número de domicílios urbanos cresceu de 2 milhões para 60 milhões de unidades (30 vezes) e que constituiu vinte metrópoles, sendo duas megacidades – está claro que o Brasil e sua experiência arquitetônica não são algo trivial. Esse gigantesco esforço realizado pela população brasileira em busca da sua inserção na vida urbana definiu um patrimônio construído de extremo valor; mas também resultou em cidades que apresentam um enorme passivo sócio-ambiental e grandes desigualdades internas. Carência de infraestrutura, dificuldades na mobilidade, falta de saneamento e moradias inadequadas são alguns dos graves problemas que todos reconhecemos. Porém, diferentemente das gerações precedentes, esta geração assistirá à estabilidade demográfica. Hoje somos 205 milhões de brasileiros; em poucos anos, nossa população deverá

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


FOTO: © Guilherme Llantada/ISP Projeto Vita Et Otium, 2011.

território. O edifício, a cidade e a região são os lugares para os quais o arquiteto há de oferecer a sua contribuição com o objetivo de promover um mundo melhor, mais saudável, mais equânime, mais bonito, e, quem sabe, mais feliz. Todavia, se a produção do espaço construído é a tarefa essencial, o Projeto é o elemento estruturante da profissão de arquiteto2 . As atribuições profissionais são justificadamente mais amplas, englobando a consultoria e a construção, mas o Projeto é o elemento agregador das diversas possibilidades da ação arquitetônica. O Projeto tem autonomia disciplinar. Seus atributos, objetivos, métodos e processos constituem-se de modo autônomo, tanto no que diz respeito à construção quanto a outras disciplinas que se estruturam em obediência a distintos parâmetros. permanecer na casa dos 210 -220 milhões, como os principais demógrafos estimam. Não obstante, mesmo com estabilidade demográfica, é certo que, em uma geração (vinte anos), nossas cidades construirão um número de novas moradias equivalente, pelo menos, a 50% do estoque hoje existente. Nesse cálculo, inclui-se a demanda por novas moradias resultantes da diminuição do tamanho médio da família (mesma população + famílias menores = mais casas) e a reposição por inadequação ou deterioração. Assim, como o Brasil tratará as cidades para que possam corresponder às exigências contemporâneas? Como produzirá as edificações necessárias, sejam residenciais ou equipamentos sociais? Como produzirá as infraestruturas urbanas? O que fará em busca da equidade? Como reduzirá a desigualdade? São muitas as questões. No entanto, podemos considerar, desde logo, que não há uma resposta única. Não se trata de buscar a concepção de um modelo – tal como os modernos pensavam ser possível, lá nos primórdios da cidade industrial e do século XX. Hoje, sabemos, a diversidade e a multiplicidade que caracterizam o nosso tempo exigem da arquitetura e do urbanismo respostas diversas e múltiplas. Por tudo isso, está visto que o tema central proposto para este número da revista Arkhé, Estratégias Projetuais, é muito oportuno.

O projeto configura o desejo na forma. Para o professor italiano Vittorio Gregotti (1975), Projeto em arquitetura é o modo através do qual intentamos transformar em ato a satisfação de um desejo. Para este autor, existe implícito um sentido de distância entre o desejo e a sua satisfação: a operação projetual se separa da atividade propriamente construtivo-produtiva. O Projeto, ainda segundo Gregotti, constitui-se em um estatuto próprio como categoria disciplinar, autônoma de outras disciplinas, mesmo aquelas que lhes sejam estreitamente correlacionadas, tais como a Tectônica ou a Urbanística. Convém lembrar Vilanova Artigas, o grande arquiteto e professor, cujo centenário de nascimento estamos comemorando neste ano. Em famosa Aula Inaugural à FAU-USP3, em 1967, abordou o tema do projeto a partir de sua matriz etimológica, para situar o entendimento amplo entre desígnio/desenho/design. Assim posto, penso que, no caso brasileiro, é necessário recuperar – ou estabelecer – o domínio do desejo coletivo na produção do espaço construído, o que se explicita no projeto/ desenho. Nosso país deu as costas para a previsão da ocupação de seu território – para o Planejamento nas suas diversas escalas, desde a regional, passando para a metropolitana até alcançar a urbana e local.

DESEJO E MEDIAÇÃO. O PAPEL DO PROJETO A produção do espaço construído é a tarefa essencial do arquiteto1 . Essa é a atribuição que a sociedade e a cultura nos conferiram e para cujo desempenho precisamos contemplar todas as escalas dessa produção. Isto é, desde o objeto ao

1 – Uso o termo “arquiteto” como simplificação para a expressão “arquiteto e urbanista”, que é como a legislação brasileira designa os profissionais desse campo do conhecimento. 2 – Os conceitos sobre o Projeto de Arquitetura que aqui exponho são melhor explicitados no documento “Anotações sobre o PROJETO em Arquitetura”, elaborado sob responsabilidade minha em co-autoria com a professora arquiteta Ceça Guimaraens para o Instituto de Arquitetos do Brasil e disponível em file:///C:/Users/S%C3%A9rgio/Downloads/revisao_final_15jun13_texto_ projeto%20(6).pdf

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

33


OPINIÃO

A uma incipiente estrutura de planejamento de característica fortemente tecnocrática, dos anos 1970, sucedeu-se uma desmobilização de quadros e de instituições que transbordou para o século XXI, apesar das expectativas que a criação do Ministério das Cidades veio a significar. O Brasil entregou-se à emergência. O Estado abriu mão da responsabilidade de mediar os interesses múltiplos que atuam na produção do espaço construído, subjugado (e subjugando-se, e associando-se) às forças econômicas hegemônicas. Enfraqueceu-se a mediação entre os interesses específicos e os interesses sociais, tarefa para a qual o Projeto (o Planejamento, o Desenho) está destinado. Venceu, sempre, o específico na ocupação devastadora das fronteiras agrícolas, na ocupação predatória das fronteiras turísticas e de lazer, na expansão desregulada de nossas cidades e no aproveitamento inespacial dos lotes urbanos. Quando se abordam as “estratégias projetuais”, cada uma dessas escalas merece comentário. A ESCALA TERRITORIAL. O DESENVOLVIMENTO DO TERRITÓRIO É CASO DE DESENHO Talvez o mais remoto esboço para definir a ocupação do vazio continental brasileiro se encontra em discurso do Primeiro Ministro inglês, Mr. Pitt, proferido perante o parlamento britânico, em 1799. Ante a avassaladora contingência imposta por Napoleão Bonaparte, Mr. Pitt sugeriu que o Príncipe português deslocasse o trono para o Brasil, onde fundaria uma nova capital, Nova Lisboa, a localizar no centro do país, onde nascem as bacias do Amazonas, do São Francisco e do Prata (aproximadamente, onde hoje é Brasília...). Daí, como raios, partiriam estradas reais ligando-a às principais cidades do continente: Belém, Lima, Santiago, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Recife. De certo modo, cento e sessenta anos depois, com Brasília, implantam-se as rotas previstas por Mr. Pitt, com Nova Lisboa, e se potencializa a ocupação do interior nacional. Novas fronteiras econômicas e urbanas se instalam. Todavia, instalam-se sem o apoio de instrumentos de Estado capazes de orientar o seu melhor aproveitamento – e evitar a sua degradação ambiental. Assim também se dá a ocupação do litoral brasileiro a partir da hegemonia rodoviária que o país adotou nos anos 1960. O litoral de São Paulo foi a fronteira mais próxima a ser vencida para a ocupação em loteamentos sucessivos, conurbados, constituindo-se em cidades precárias, disponíveis poucos meses por 3 – Ver a integra da Aula Inaugural http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/o-Desenho-VilanovaArtigem as/30754718.html

34

ano. Sem estudo, sem projeto, sem planejamento, são lugares construídos também à custa de danos ambientais importantes. É o modelo vigente em toda a costa, onde uma das últimas regiões e com maior vitalidade é o litoral de Santa Catarina. Aqui, porém, pelas belíssimas características geomorfológicas; pelo vínculo cada vez mais franco com uma vasta região que engloba desde o Prata até o Planalto Central; pelo hinterland catarinense que se constitui em rede econômica sem hegemonias; pela ocupação que se deu relativamente em tempos mais recentes, em Santa Catarina se apresenta um caso peculiar que convém avaliar especialmente. Tenho conhecimento de estudos desenvolvidos por equipe de arquitetos e pesquisadores articulados no Instituto Silva Paes que oferece uma perspectiva promissora para esta vasta região litorânea. É o desenho do território que poderá ser o instrumento fundamental para que o desenvolvimento da região (e, eventualmente, de uma nova metrópole) se dê de modo positivo, diferente da grande maioria das áreas costeiras do país. Pelo ineditismo da origem do trabalho, pelo envolvimento da sociedade e da academia, talvez seja o caso mais completo a desenvolver e estudar como uma estratégia projetual à escala territorial que pode ser de interesse exemplar para todo o país. A ESCALA DA CIDADE. CONTER A EXPANSÃO, DEFINIR OS ESPAÇOS, ENFRENTAR O PASSIVO SÓCIO-AMBIENTAL A diversidade de nossas regiões não impede que tenhamos um sistema urbano com dificuldades importantes em comum, sejam ambientais, sanitárias, habitacionais e sociais. Temos bons instrumentos legais. Contudo, não basta. Como vimos, nossas cidades constituíram-se em importante patrimônio, mas com grandes carências. Estimuladas pelo rodoviarismo e por interesses imobiliários sempre em busca de novas áreas de ocupação, expandiram-se exageradamente e com perda crescente de densidade demográfica. Com isso, inviabilizam-se, por muito onerosas, a universalização dos serviços públicos e a implantação de redes de infraestrutura. Os espaços públicos perdem vitalidade. A própria vida urbana se desqualifica. Dar condições de qualidade a todo o tecido urbano, segundo as possibilidades contemporâneas e as exigências democráticas, reduzindo as desigualdades intra-urbanas, talvez seja o mais dificil desafio para a arquitetura brasileira: conter a expansão predatória e enfrentar o passivo sócio-ambiental é também tarefa projetual. (Não há hipervalorização dessa tarefa; não

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


há ingenuidade, pois que se reconhece a relevância das questões políticas e econômicas que envolvem o tema. Contudo, reconhece-se, também, que em nossa contemporaneidade há interdependência entre desenvolvimento e espaço construído. Não há autonomia.) É que tais dificuldades, para serem vencidas, precisam ter sido formuladas e percebidas pela população. Seu enfrentamento precisa ser desejado. E esse é um dos papéis do projeto. O projeto é que explicita o sonho. É o que faz com que as pessoas comuns possam compreender a complexidade do urbano e possam compartilhar um mesmo sonho para a cidade. Há mecanismos singelos e outros mais complexos, mas o projeto dá forma ao que se deseja e permite construir consensos. Quando os desejos ficam espacializados, ficam evidenciados nas formas, nas relações e nos usos programados, é isso que é compreensível pelas pessoas e o que nos dá a possibilidade de construir uma participação popular verdadeira. Mas há entraves. Sobretudo entraves epistemológicos. É preciso rever o escopo de nossos planos. Nossos planos urbanos, quando existem, inclusive os planos diretores, em geral não se definem espacialmente. Tratam de diretrizes e de abstrações. Apresento três situações exemplificadoras. Primeira, o que ocorre sob guarda da legislação urbanística em muitas de nossas cidades. A imagem ambiental de nossas cidades está sendo definida não por ideias que se espacializam, e que são compreendidas por todos, mas por abstrações, por índices de ocupação e de aproveitamento dos terrenos.

Ao invés de serem estudados os espaços públicos que se desejam e, daí, serem definidos os volumes dos edifícios, constroem-se os edifícios conforme o interesse imobiliário dos terrenos. Isto significa que, quando nos abstemos de projetar o espaço urbano em benefício de índices, estamos transferindo para o lote, para a propriedade privada, a definição da forma urbana, a definição do espaço público. Mas, paradoxalmente, é a definição dos volumes e dos espaços públicos, na busca pela melhor cidade, o que legitima o Estado na função de legislar urbanisticamente, de determinar o que se pode construir, onde e em que condições. Segunda situação a destacar, o descompasso entre o que discutimos por ocasião da elaboração das leis urbanísticas e o resultado em função de instrumentos como a outorga onerosa, prevista no Estatuto da Cidade. Digamos que, depois de árduos debates, conclui-se que em determinado bairro o ideal é que as construções tenham seis pavimentos. No entanto, se o proprietário do lugar desejar construir com maior altura, em determinadas condições poderá fazê-lo mediante pagamento à Prefeitura. Assim, faz-se a Prefeitura de sócia da própria especulação e desqualifica a participação cidadã na constituição das leis urbanísticas. Desse modo, anuncia-se que o interesse municipal será melhorar seu orçamento, não é definir o melhor espaço. Terceira: a expedição de normas genéricas sem referência ao local. A expansão das cidades em densidade decrescente precisa ser contida se quisermos cidades democráticas e a universalização dos serviços públicos. Mas a expansão está sendo estimulada por políticas setoriais genéricas traçadas em Brasília,

Cidade de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Vista áerea do Projeto Vita Et Otium / Instituto Silva Paes, 2011. Créditos fotográficos: ©Marcus Quint / ISP.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

35


OPINIÃO

como o estímulo à indústria automobilística e a implantação de conjuntos Minha Casa Minha Vida para além das fronteiras urbanas. Não vamos chegar a bom resultado se insistirmos em expedir normas centralizadamente, no interesse estrito do governo federal ou dos interesses econômico-empresariais, e deixarmos ao poder local a responsabilidade de resistir. Trata-se, efetivamente, de um tipo de decisão autoritária e discricionária. Deixa-se, assim, também à discricionariedade dos prefeitos a suposta escolha entre autorizar e não autorizar.

benevolência governamental fizeram expandir o RDC, que era destinado apenas a obras para a Copa do Mundo, para outras obras. Até que, em Medida Provisória expedida em 2013, o governo estendeu para todas as obras públicas dos três níveis de governo. Ou seja, transferiu-se às construtoras a totalidade das definições projetuais.

Falta desenho, faltam projetos orientadores da cidade. De uma cidade que precisa ser ouvida. O projeto é instrumento de valorização da cidadania.

As entidades de representação dos arquitetos se uniram em defesa do projeto completo como condição para a licitação de obras públicas e também contra o que tem se adotado na iniciativa privada, o “fatiamento” do projeto – quando os responsáveis pelas diversas etapas são alheios entre si.

É claro que os interesses os mais diversos continuarão existindo e pressionando. Mas não estarão sozinhos e hegemônicos. Terão o desejo da cidadania já balizado. A ESCALA DO EDIFÍCIO. A INTEGRIDADE DO PROJETO. A DEFESA DO PROJETO COMPLETO A produção arquitetônica brasileira é fortemente apoiada na demanda pública. São os equipamentos sociais, como escolas e hospitais, além de sedes administrativas e moradias, entre outros programas financiados pelo poder público, responsáveis por grande parcela das encomendas para o trabalho de arquitetos. Ademais, o modo como essas encomendas é feito também influencia a parcela de responsabilidade da iniciativa privada. No entanto, desde há algumas décadas, mas mais propriamente a partir da edição da lei de licitações, a 8 .666 de 1993, que o regime de contratação de projetos arquitetônicos tem sofrido paulatina degradação. Através dessa lei, passou-se a permitir que a contratação da construção pudesse ser feita sem o projeto completo, a partir do que a lei chamou como “projeto básico”, deixando-se para a etapa de obras a conclusão das definições projetuais. Ora, isso passou a implicar no enfraquecimento do projeto e na submissão dos interesses públicos pela melhor obra aos interesses comerciais da empreiteira, para quem o detalhamento do projeto somente seria desejável por prepostos seus. Aberto o caminho vicioso, a lei foi modificada sucessivamente criando mais facilidades para a construtora. Com a introdução do famigerado RDC – Regime Diferenciado de Contratações – a obra pública pode ser contratada até mesmo sem projeto, deixando-se à empreiteira a total responsabilidade da definição. O Insaciável sistema comercial das empreiteiras e a 36

Felizmente, tal Medida Provisória em 2014 foi sustada no Senado e hoje se encontra em debate a revisão da lei.

O Instituto de Arquitetos do Brasil considerou indispensável promover uma repactuação sobre o conceito de projeto arquitetônico e sobre as características do processo de projetação. O IAB elaborou um documento a propósito4 , levou-o à consideração das demais entidades nacionais de arquitetura e urbanismo 5 , que o acolheram, e, posteriormente, seu extrato foi incorporado em Resolução do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, CAU BR. Assim, hoje dispomos de um entendimento compartilhado sobre o elemento estruturador da nossa profissão. Foi possível buscarmos a parceria com entidades nacionais representativas de outras profissões de projeto, especialmente a Engenharia, e, em conjunto, defendermos perante o Congresso Nacional a revisão da lei de licitações para a recuperação do projeto completo como elemento indispensável para a contratação de obra pública. É uma luta difícil. Mas já alcançamos resultados importantes que nos animam a prosseguir. Ressalte-se, entre os aspectos centrais da defesa do projeto completo, os seguintes: “O projeto é elaborado em processo compositivo assequencial. O percurso de Projeto não é retilíneo, mas de paciente e contínua reelaboração. (O método projetual de sucessivo aprofundamento em etapas teve consistência até meados do século passado. Sua 4 – Documento referido na nota de pé-de-página número 3, deste artigo. 5 – São elas: a Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA), a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura (ABEA) e a Associação Brasileira de Arquitetura Paisagística (ABAP)

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


revisão, a partir da década de 1960, defende a simultaneidade de escalas, da maior à menor e vice-versa, em um sistema sem hierarquias, mas de permanentes ajustes entre síntese e análise, entre gênese e produtos, entre partido e detalhe.)

dos mais de 200 milhões de brasileiros, a tarefa dos arquitetos é simultaneamente gigantesca e promissora. O nosso trabalho é indispensável para alcançarmos cidades mais equânimes, menos desiguais, mais amigáveis, mais bonitas. É um bom trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Observa Corona Martinez (2000): o desenho é a descrição progressiva de um objeto que não existe no começo da descrição; o projetista opera sobre este primeiro objeto, o projeto, modificando-o até julgá-lo satisfatório. Trata-se, portanto, de um mesmo elemento conceitual que é burilado em fases sucessivas; é um produto com unicidade, não se trata de uma soma de produtos autônomos.

GREGOTTI, V. Território da Arquitetura. São Paulo: Perspectiva, USP, 1975. CORONA M., A. Ensaio sobre o projeto. Brasília: Editora UnB, 2000. MAGALHÃES, S; GUIMARAENS, C. Anotações sobre o Projeto em Arquitetura: Contribuição para a sua Regulação Profissional. Rio de Janeiro: IAB, 2013.

O Projeto é autoral, é indivisível; seu processo é assequencial e tem unicidade.” (Magalhães, S. e Guimaraens, C., 2013, o.c.) É claro que esse instrumento é orientativo, nem pretende ser norma. Todavia, as entidades nacionais de arquitetura entendem que, em conjunto com a clara definição do escopo das diversas etapas de elaboração de um projeto, também constante da resolução do CAU BR, citada, ele poderá ser uma baliza qualificadora da prática profissional do arquiteto. Afinal, o projeto arquitetônico como autonomia disciplinar é herança renascentista que tem sido aperfeiçoada na cultura arquitetônica ao longo dos séculos. CONCLUINDO No âmbito do trabalho do arquiteto se coloca o desafio da cooperação para a qualificação do espaço construído brasileiro nas diversas escalas de intervenção, desde a regional-territorial, até à edilícia, passando pela metropolitana e urbana. Em todas elas, o projeto é o elemento estruturador da ação, seja para os próprios arquitetos, seja como instrumento de mediação entre o desejo coletivo e as possibilidades da sociedade. Ante a realidade das nossas cidades, onde vivem quase 90%

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Rodovia BR 101 –Cidade de Itapema e Porto Belo. Vista aérea do Projeto Vita Et Otium / Instituto Silva Paes, 2011. Créditos fotográficos: ©Marcus Quint / ISP.

É característica essencial da projetação a inevitabilidade da tomada de decisão, da escolha, da opção por uma entre infinitas possibilidades. Está nessa necessidade de escolha o elemento que caracteriza o Projeto e respectiva trajetória autoral. É nessa opção, íntima e discricionária, que se localiza a capacidade artística inerente à arquiteturação.

37


OPINIÃO

O DESAFIO DAS CIDADES Foto © Divulgação/CAU-SC

O Urbanismo Contemporâneo e Suas Estratégias Projetuais Por LUIZ ALBERTO DE SOUZA, Prof. Dr. Arq. Urb. Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina - CAU/SC.

S

A produção da arquitetura e dos seus espaços urbanos de uso público deve vir acompanhada de grande dose de criatividade e inovação, e estar apta a gerar oportunidades. Os arquitetos e urbanistas deste século precisam estar atentos para esses novos e instigantes desafios. A formação acadêmica e o exercício profissional precisam se conectar com as mudanças em curso e acompanhar o ritmo desse novo tempo.

A utopia da construção de cidades sustentáveis é ainda muito mais um discurso do que uma prática cotidiana. Neste contexto, o papel dos arquitetos e urbanistas aparece como elemento chave na construção de ideias e de possíveis caminhos para um planeta mais equilibrado. As tradicionais e usuais práticas projetuais utilizadas pela grande maioria dos planejadores e gestores ainda estão baseadas no modelo de cidade que se organiza somente a partir dos interesses produtivos, modelo este que certamente está condenado a se extinguir. A sociedade contemporânea deverá assegurar sua sobrevivência alicerçada em outros paradigmas, que permitam que a cidade seja mais plural, tolerante e inovadora.

Pensando nisso, o CAU/SC adotou como missão, “fomentar e fortalecer a Arquitetura e Urbanismo contribuindo para a inovação e difusão de conceitos e práticas profissionais que valorizem a vida, a estética, a cultura e os lugares em suas distintas escalas e dimensões sociais”. Como visão de futuro, o CAU/SC pretende “ser agente inovador em uma rede colaborativa, capaz de mobilizar as pessoas na direção de um modelo de cidade sustentado nas melhores práticas da Arquitetura e Urbanismo”. Para isso, é imprescindível que nossos futuros profissionais não percam a sua grandeza de espírito ao buscar de forma incessante construir, cada vez mais, cidades melhores, inovadoras e menos desiguais.

Vista Aérea da cidade de São Francisco do Sul/SC.

Cidade de Lages/SC.

38

Foto: © Guilherme Llantada

Foto: © Marcus Quint / ISP. Projeto VIta Et Otium, 2011.

em dúvida nenhuma, mudar as cidades tornou-se o grande desafio do século XXI. Se no passado foi a partir delas que o mundo moderno se consolidou, agora chegou o necessário e inadiável momento de sua reinvenção. Os grandes movimentos migratórios e a volatilidade da economia global colocam as estruturas sociais e seus aparatos físicos em uma constante prova.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Cidade de Laguna/SC.


Por MAURÍCIO ANDRIANI, Prof. Me. Arq. Urb. Presidente da Associação Catarinense de Escolas de Arquitetura e Urbanismo do Estado de Santa Catarina ACEARQ.

E

m 2005 um grupo de professores de escolas de arquitetura e urbanismo de Santa Catarina decidiu promover um encontro sobre o ensino. O principal objetivo era promover a integração entre os professores das diversas escolas do Estado, criando assim, um fórum onde fosse possível estabelecer reflexões que contribuíssem para o aprimoramento do ensino da arquitetura e do urbanismo, através da permuta das experiências dos professores das diversas escolas. Foi criado então o Encontro de Escolas de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina – ENEAU.

A partir de 2014 o ENEAU passou a ser um dos eventos anuais promovidos pela ACEARQ, em conjunto com a escola anfitriã, sendo o 6º ENEAU realizado nos dias 08 e 09 de setembro deste ano em parceria com a UNOCHAPECÓ. Na plenária final do encontro foi redigida a Carta de Chapecó, a qual foi enviada a todas as escolas de Santa Catarina, juntamente com o resumo do encontro. A carta também foi enviada à Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA , sendo esta lida na abertura do Congresso da ABEA – CONABEA , no dia 28 de setembro passado, em Natal, RN . CENÁRIO ATUAL: Santa Catarina possui atualmente trinta e duas escolas que ofertam trinta e oito cursos de arquitetura e urbanismo. Trata-se de uma situação que suscita reflexões quanto a qualidade do ensino praticado nas escolas do Estado. A proliferação desenfreada de escolas, tanto em Santa Catarina, como de resto no Brasil, tem sido motivo de preocupação e debate nos encontros estaduais e nacionais voltados ao ensino em nosso campo de atuação.

O 1 º ENEAU teve como instituição anfitriã a UNERJ , em Jaraguá do Sul; o segundo, ocorrido em 2006, teve como anfitriã a UNIVALI , em Balneário Camboriú; o terceiro, em 2008 , ocorreu na UNESC , em Criciúma; o quarto, em 2013 , se deu novamente na UNIVALI , em Balneário Camboriú. Os demais encontros ocorreram em 2014 (5º), na UNIVALI e neste ano de 2015 (6º), na UNOCHAPECÓ, em Chapecó.

Congregados em uma associação, professores e escolas unem suas forças para serem ouvidos nas diversas instâncias ligadas direta ou indiretamente ao ensino. A partir da criação da ACEARQ, estes agentes responsáveis pela formação profissional do arquiteto e urbanista, unem-se em sua só voz, tendo como bandeira principal o desenvolvimento e o aprimoramento do ensino da Arquitetura e Urbanismo.

Durante o 4 º ENEAU, em outubro de 2013 , em Balneário Camboriú, estabeleceram-se reflexões acerca da necessidade de criação de uma associação, tendo como objetivo principal a união de escolas e professores de arquitetura e urbanismo de Santa Catarina. Na ocasião decidiu-se pela criação da Associação Catarinense de Escolas de Arquitetura e Urbanismo – ACEARQ, proposta aprovada por unanimidade durante a plenária final. No 5º ENEAU, ocorrido no dia 29 de outubro de 2014 , foi eleita a primeira diretoria para um mandato de dois anos, composta pelos seguintes membros: Maurício Andriani, UNISUL – Presidente; Miguel Angel Pousadela, UNESC – Vice-Presidente; João Francisco Noll, FURB – 1 º

Entre os objetivos da ACEARQ estão a luta pela qualificação do ensino da arquitetura e do urbanismo, pela valorização do professor e consequentemente a qualificação dos cursos de arquitetura e urbanismo de Santa Catarina. Estas metas só poderão ser atingidas se professores e escolas do Estado filiarem-se à ACERQ e contribuírem com ideias e ações.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Foto © Divulgação/ACEARQ

Foto © Divulgação/ACEARQ

UNIR PARA QUALIFICAR

Secretário; Paula Batistello, UNOCHAPECÓ – 2 ª Secretária; Jânio Vicente Rech, UNIVALI – 1 º Tesoureiro; Américo Ishida, UFSC – 2 º Tesoureiro.

39


PERFIL DO ARQUITETO


PERFIL DO ARQUITETO

MICHEL MITTMANN Palmitos/SC (1973). Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC (1996) e mestre em Arquitetura pela PGAUCidade/UFSC (2007), na qual foi professor substituto de Arquitetura entre 2004 e 2006 em disciplinas de projeto. Durante a graduação e como profissional foi vencedor de diversos prêmios de design, arquitetura e urbanismo. Coordenador do Projeto Vita et Otium/ Instituto Silva Paes, “Traçando novas diretrizes físicoespaciais para o litoral catarinense” que reuniu mais de 50 arquitetos urbanistas para organização de propostas para o Litoral de Santa Catarina. Fundador em 2000 do Studio Methafora que desenvolve projetos de diversas escalas da arquitetura e urbanismo, onde atua como sócio-diretor e coordenador geral de projetos.

O

O interesse pelas possibilidades das ferramentas computacionais, iniciado desde os tempos da graduação foi integrado de forma significativa no processo de projeto do escritório, sendo até hoje um dos seus diferenciais. Marca o pioneirismo da renderização por computador, o uso intensivo de simulações variadas no apoio a decisão projetual e culminando com o a implementação de ferramentas BIM (Building Information Modeling). Alia-­se a tecnologia o valor do “feito a mão”, do croqui de concepção e maquetes de estudo, sempre presentes no desenvolvimento de projetos.

Studio Methafora: Arquitetos Maurício Holler, Eduardo M. Ferreira, André Lima e Michel Mittmann.

O interesse e domínio de diferentes escalas de planejamento e a reconhecida capacidade de desenvolvimento de trabalhos complexos e colaborativos da equipe do Studio Methafora,

42

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

currículo do arquiteto se mescla com a história do Studio Methafora, escritório fundado em 2000 que atua em projetos de diversas escalas organizados em diferentes núcleos (interiores, paisagismo, arquitetura e urbanismo). Em 15 anos de atuação soma mais de 1 .000.000 de m2 de projetos de arquitetura e mais de 1 . 200 ha de projetos urbanísticos, sendo hoje um dos principais escritórios de arquitetura de Santa Catarina. O escritório conta com uma equipe de 22 pessoas, dos quais 12 arquitetos e 2 designers. Porém, é comum também a integração da equipe do Studio Methafora com outros arquitetos, em especial em concursos ou projetos especiais. FOTO 01: A sede Parque Órion (Lages, 2012) foi o primeiro projeto 100% desenvolvido em BIM do Studio Methafora. FOTO 02: Simulação urbana aplicada em análise de centralidade para o norte da ilha (sintaxe espacial).

conduziram para a participação do escritório em importantes projetos de escala urbana, entre os quais destacam­-se: O Jardim Botânico de Florianópolis (2010); A participação na concepção e coordenação do Projeto Vita et Otium - ­Traçando novas diretrizes físico-espaciais para o litoral catarinense (2010), que reuniu em torno do Instituto Silva Paes, fundado na época, mais de 50 arquitetos e urbanistas para a realização de propostas conceituais para os 550km do Litoral de Santa Catarina; A concepção e coordenação do projeto urbanístico para o Sistema BRT de Florianópolis (em andamento); E finalmente, o projeto Sapiens Centro (em andamento), que visa recuperar economicamente e urbanisticamente importante setor do centro de Florianópolis. O especial interesse na participação em concursos desde os tempos da graduação se disseminou para a equipe do Studio Methafora. Os concursos são considerados oportunidades de integração da equipe em torno de um projeto único, que geralmente dispersa entre os muitos projetos do cotidiano no escritório. Também, criam o ambiente e o espírito ideal para discussão e testes de conceitos urbanísticos e arquitetônicos de uma forma mais livre, permitindo ainda a aplicação de inovadoras técnicas analíticas e de apresentação de projetos. É no contexto dos concursos de arquitetura e urbanismo, e seu

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

Segmento Central do projeto Vita Et Otium/Instituto Silva Paes, 2011.

significado enquanto projetos coletivos e colaborativos, que foram selecionados os projetos para a seção Perfil do Arquiteto. Iniciando pela recente premiação em segundo lugar no Concurso Orla Noroeste de Vitória (2014), cuja complexidade e variedade de temas foi um teste significativo para a capacidade de resposta da equipe. Neste projeto expandiu­-se a visão de intervenção de orla preconizado pelo edital e buscou­-se uma compreensão global da paisagem natural e cultural. Esta estratégia resultou em um conjunto de soluções urbanísticas e arquitetônicas integradoras, carregadas de significados sociais e a altura de um território que é o retrato dos processos históricos da segregação da cidade formal. Recuamos no tempo para demonstrar os concursos promovidos pelo IAB­/RS em parceria com a UNISINOS ­São Leopoldo, em que a equipe obteve premiações. O projeto para o para o Complexo de Desporto e Lazer da Unisinos (2004) marca a primeira participação e premiação (segundo lugar) do Studio Methafora em concursos. Por sua vez, o projeto Shopping Center e Ampliação do Centro Administrativo da Unisinos (2005), cuja intervenção se dava sobre edificação existente, marca uma clara opção projetual de contestação do edital do concurso. O edital solicitava a

Concepção do Sistema BRT Floripa.

organização do programa espacial (Reitoria e Shopping) em níveis, enquanto a equipe propôs a organização em dois edifícios separados, reforçando o caráter de cada parte e conferindo maior urbanidade e valor para a praça central. Esta decisão foi fundamental para a obtenção do primeiro prêmio conquistado pela equipe. A contestação do edital se revela também no projeto para a Sede da Fatma e Fapesc(2012). O partido adotado pela equipe foi de um projeto suspenso em diálogo com o setor de paisagem natural e o terreno que se insere. Esta estratégia, cotejava alternativas ao próprio plano diretor que estava, na época, em discussão. O juri não apontou qualquer menção ou premiação ao projeto, optando por outros bons projetos que se viram forçados a projetar subsolos em terreno extremamente inclinado e formado completamente por rochas. Talvez esta decisão levará a inviabilização econômica de construção do projeto pelos proponentes. Paradoxalmente, estes decretaram por ora não estarem interessados em sua execução. A experiência em concursos abertos foi fundamental para o sucesso do escritório na obtenção de contratos baseados em concursos privados fechados, destacando­-se em Florianópolis os residenciais Koerich Naval Clube(2009), WOA Sonata Place e Ópera House (2009) e os comerciais WK Imóveis(2010) e Koerich Beiramar Office (2010). Finaliza o mostruário de projetos, o master plan e estratégias arquitetônicas para a implantação da PUC Joinville (2013), também contratado através de concurso fechado e cujo projeto está em fase de desenvolvimento.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

43


PERFIL DO ARQUITETO

Concurso Orla Noroeste de Vitória/ES (2014. 2º Prêmio) Arquitetos: MICHEL DE ANDRADO MITTMAN ANDRÉ LIMA DE OLIVEIRA ÍTALO MARÇAL SCHIOCHET MAURÍCIO PONTES HOLLER EDUARDO MOMM FERREIRA ENRIQUE HUGO BRENA NADOTTI NELSON SARAIVA DA SILVA ANDRÉ SCHMITT

ARTHUR EDUARDO BECKER LINS PATRÍCIA PEREIRA BRANDÃO DANIELLE SONZA VITOR SADOWSKI MARIA ISABEL PATRICIO DA SILVA LUANA ZANDAVALLI LIMA Colaboradores: BRUNO WIETHORN RINALDI JULIANA VASCONCELOS

A

não garantem integração e articulação urbana desse lugar como parte da cidade formal voltada ao mar. Nossa proposta, mais que um desenho estrito a orla, objetivo principal do proponente, buscou um gesto integrador, revelador e inclusivo desta parte da cidade, incluindo a articulação destes lugares da orla noroeste entre si e com as diferentes escalas da cidade.

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

estrutura urbana da cidade de Vitória, que gira em torno ao Maciço Central (Parque da Fonte Grande), define trechos de cidade formal visíveis, voltados para leste e para o mar, e trechos excludentes escondidos por este marco cênico que funciona como biombo. Soluções locais propostas pelo concurso agregam e fortalecem a vida comunitária, mas

JOÃO FABIANO FABRIS MAURÍCIO CERUTTI MARCELO CARLOS MONTEIRO TIAGO REUS SCHUCH Consultoria: ADEMIR REIS TUING CHING CHANG

Deve-se garantir a recuperação do mangue como principal articulador da paisagem metropolitana. O maciço da Fonte Grande, que hoje separa, recebe uma cruz e conectividade e mobilidade, revelando importante papel de integração da orla mar (cidade formal) e orla mangue (cidade marginal). Esta, como parte da cidade, deve passar a receber intervenções (usos, equipamentos, investimentos) de escala metropolitana e municipal. 01

44

01

01

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

02

03


Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

Estrelinha: Um dos diferentes trechos de intervenção do concurso: Recuperação de mangue, reestruturação de vias, definição de centralidade, equipamentos de orla (palco flutuante, atracadouros), novos edifícios para habitação e serviços e equipamentos comunitários.

03

04

05

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

06

06

45


PERFIL DO ARQUITETO

Concurso UNISINOS Reitoria e Shopping (2005. 1º Prêmio) Colaboradores: LAIR SCHWEIG DANIEL DE QUADROS LUCIANA DECKER LUCAS BUSATO ARLEY DANILEVICZ JR. RENATO DE OLIVEIRA

A

proposta estabelece uma nova identidade do Complexo Administrativo da Unisinos, em função de determinantes introduzidas na política de integração da Universidade com a cidade (UNICIDADE). Surgem dois setores com características específicas e diferenciadas: Administração e Shopping Center, articuladas por uma praça (Praça da Unicidade) e organizados por dois eixos principais que estruturam a proposta . Fundamentada em critérios de desenho, tecnologias adequadas a nossa realidade cultural, a proposta está sustentada nos princípios de síntese formal, expressividade e exequibilidade.

46

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

Arquitetos: MICHEL DE ANDRADO MITTMAN ANDRÉ LIMA DE OLIVEIRA ÍTALO MARÇAL SCHIOCHET MAURÍCIO PONTES HOLLER EDUARDO MOMM FERREIRA ENRIQUE HUGO BRENA NADOTTI MILENA SKALEE


Concurso UNISINOS Centro Esportivo (2005. 2º Prêmio) Arquitetos: MICHEL DE ANDRADO MITTMAN ANDRÉ LIMA DE OLIVEIRA ENRIQUE HUGO BRENA NADOTTI ROMMEL GIRÃO RENATO DE OLIVEIRA Colaboradores: DANIEL DE QUADROS

THIAGO DORINI VINÍCIUS LINCZUK RODRIGO MOCELIN RENATO SABOYA FELIPE BURIGO MENDES LAIR SCHWEIG LUCIANA DECKER

Consultores: TWING CHING CHANG RICARDO CHEREM DE ABREU PEDRO PAULO ALTHOFF PAULO LAVOR

A

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

proposta pretende vincular o Complexo ao entorno imediato, criando uma relação espaço-funcional que permita o fluxo contínuo do conjunto com o campus, alimentando as diferentes atividades e evitando a formação de uma "Ilha Esportiva". Assentamento e organização de diferentes equipamentos numa grande “Praça de Esportes” desenhada a partir de uma lógica espacial e funcional que hierarquiza e valoriza os equipamentos existentes (arquibancadas) dialogando com os novos serviços propostos.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

47


PERFIL DO ARQUITETO

Concurso FATMA/FAPESC (2012)

U

LUANA ZANDAVALLI LIMA ENRIQUE HUGO BRENA NADOTTI ARTHUR EDUARDO BECKER LINS DANIELLE SONZA MARLON PSCHEIDT DINARA BERNARDI SEIBT Colaboradores: VITOR SADOWSKI EDUARDO PIOVESAN

m projeto referencial como o proposto neste concurso é a oportunidade de apresentar, discutir e consolidar modelos edilícios compatíveis com diferentes compartimentos de paisagem da Ilha de Santa Catarina. Procuramos a definição de um modelo de sustentabilidade a partir da macro-escala, compreendendo que diferentes paisagens naturais sugerem diferentes princípios para paisagem construída. O partido, solto do solo, minimiza impactos: mínima escavação, máxima permeabilidade do solo, sistema construtivo veloz e com baixos resíduos, uso do solo para recuperação da vegetação. O terreno passa a ser ponto de partida para a recuperação da vegetação de mata atlântica de todo o Parque Alfa, qualificando os atuais pobres e devastados recuos entre as edificações e definindo um

48

MARÍLIA FERRARI MARIANA CLEMES RENATO OLIVEIRA SUSANA RODRIGUES JOÃO FABIANO FABRIS TIAGO REUS SCHUCH Consultoria: ADERBAL NEVES NETO

importante eixo de conectividade ambiental entre a vegetação do maciço central e o mangue na planície. Esta estratégia poderá ser associada para colaborar na neutralização de carbono envolvido na construção do edifício por parte da FATMA e FAPESC. Um Garapuvu, árvore símbolo da cidade, pretende ser o marco desta simbiose.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

Arquitetos: MICHEL DE ANDRADO MITTMAN ANDRÉ LIMA DE OLIVEIRA ÍTALO MARÇAL SCHIOCHET MAURÍCIO PONTES HOLLER EDUARDO MOMM FERREIRA JARDELL FARIAS MARIA ISABEL PATRICIO DA SILVA PATRÍCIA PEREIRA BRANDÃO


Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

49


PERFIL DO ARQUITETO

Concurso Convite PUC (2014) Arquitetos: MICHEL DE ANDRADO MITTMAN ANDRÉ LIMA DE OLIVEIRA ÍTALO MARÇAL SCHIOCHET MAURÍCIO PONTES HOLLER

A

EDUARDO MOMM FERREIRA Colaboradores: VITOR SADOWSKI ARTHUR EDUARDO BECKER LINS DANIELLE SONZA

convivência que organiza os eixos principais das edificações ao seu entorno , bem como, indicando futuras expansões para o mesmo, que evidencia e indica eixos de crescimento integrados a topografia singular e aos impactos do entorno. A essência da conectividade associa a arquitetura ao meio ambiente, onde ambos conduzem simultaneamente ao espaço universitário criativo, que propicia encontros e significados que transcendem as horas em laboratórios e salas de aula.

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

proposta tratou do estudo de implantação para a futura PUC Santa Catarina, situada no munícipio de Joinville. Foi realizado um plano de massa, com uma análise criteriosa da integração do terreno com o entorno, fundamental para a adequada e decantada sustentabilidade. Para tanto, minimizar impactos da implantação entre arquitetura e meio ambiente, adequando os volumes ao terreno foram as principais características do estudo. O conceito aplicado à proposta inicial deste campus nasce da conformação de uma praça central de

PATRÍCIA PEREIRA BRANDÃO JOÃO FABIANO FABRIS TIAGO REUS SCHUCH

50

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

51


PERFIL DO ARQUITETO

Concurso Convite Naval Clube Residencial (2009)

P

P

rojeto de edifício comercial inaugurado em 2014 com 18.200m2. O terreno complexo determinou variantes criteriosas da volumetria e das soluções de fachada. Duas ruas são interligadas por galeria térrea, criando importante conexão urbana.

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

Fotos © Markito /FotoMundo. Divulgação Studio Methafora.

rojeto em execução de 39.500m2 composto por três torres residenciais. O partido adotou criteriosa implantação para garantia de visuais, distribuição de circulações e articulação com praça vizinha.

Concurso Convite Koerich Beira-mar Office (2009)

52

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Concurso Convite Simphonia WOA Beiramar (2009)

D

A

rquitetura monolítica de concreto e chapas metálicas, em diálogo com a esquina e com a cidade. O desnível entre as ruas cria permeabilidades diferentes e entregam à cidade uma arquitetura ao nível do pedestre, fluída, limpa e convidativa. O edifício corporativo de 760m2 foi eleito o melhor edifício da categoria na segunda edição do prêmio arquitetura catarinense (2013).

Fotos © Guilherme Llantada.

Fotos /Imagens © Divulgação/Studio Methafora

ois condomínios residenciais independentes (Ópera House e Sonata Place) desenhados como um conjunto único. Linhas horizontais, volumetria simples e transparências que valorizam a paisagem são a marca desta obra de 43.500m2 na Beira-Mar Norte de Florianópolis.

Concurso Convite W|K Imóveis (2010)

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

53


NOVOS ARQUITETOS


NOVOS ARQUITETOS

UBA-BC | UNIVERSIDADE “INCONDICIONAL” DE BELAS ARTES - BALNEÁRIO CAMBORIÚ Autor: GUSTAVO PETERS DE SOUZA, Arq. Urb. Orientador: CARLOS ALBERTO BARBOSA SOUZA, Prof. Me. Arq. Urb. Trabalho Final de Graduação – 2013/2 Projeto Finalista Regional do 25º Opera Prima 2015

M

otivado pelo abaixo-assinado para a implantação de uma Universidade de Belas Artes em Balneário Camboriú, o presente trabalho é um ensaio projetual que enfoca os novos modelos de universidades internacionais e públicas.

A universidade, por meio de uma nova forma de relação com o público, possui uma tectônica através do revestimento de concreto usado nas fachadas, que valoriza os planos se adequando à modulação estrutural em concreto.

Estes novos modelos criticam o atual, elitizado e fechado para as cidades brasileiras, preconizando que seu projeto arquitetônico - assim como seus projetos pedagógico e funcional/ organizacional - deve ser integrado à sociedade, abrigando uma universidade pública e criando novas alternativas para o ensino superior das artes e disseminação da cultura na cidade.

O projeto busca, além de espaços para reunião de pessoas e manifestações artísticas, a configuração de espaços privados de estudos e reflexões, especialmente tendo a cidade como principal palco e plano de fundo, através de diversas aberturas e pontos focais.

A proposição da Universidade Incondicional vem ao encontro do papel social da universidade, assumindo responsabilidades com a sociedade, se comprometendo e se posicionando no sentido de sua abertura e integração com a cidade, inclusive através de seus elementos arquitetônicos.

Diferente do atual modelo de quadra e parcelamento do solo adotado na cidade, o projeto demonstra as possíveis formas de interpretar o espaço público contemporâneo, o revestimento como ornamento e a universidade permeável e acessível a cidade.

“A Universidade aberta deve ser a cidade como espaço cultural, a cidade educando a universidade, a universidade educando a cidade” (FUAO, 2006). O projeto repensa o ambiente educacional plural, enquanto lugar de diversidade, com ampla apropriação pela sociedade, através de espaços públicos com capacidade de estabelecer relações e conexões com a trama urbana, propiciando a criação de espaços de transição a serem vivenciados por seus cidadãos, tendo as Belas Artes como argumento central. Sua implantação favorece o contato humanista que a universidade deve oferecer, se abrindo para a cidade seja visualmente através dos planos envidraçados, ou fisicamente, pela utilização dos laboratórios, bibliotecas e ateliers.

56

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

57


NOVOS ARQUITETOS

58

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

59


NOVOS ARQUITETOS

60

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

61


NOVOS ARQUITETOS

62

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


06 08

PECTIVA

CONVÍVIO / circulação

13

14

3

3 1 2

7 2

2

2

4

5

8

2 5

6

2

2

1

6

3 5 6

12

9

10

legenda

1.Área Externa 2.Sala de Aula 3.Circulação 4.Atelier 5.W.C. Masc. 6.W.C. Fem. 7.Estar

11

2o P A V I M E N T O 3o P A V I M E N T O 15

16

3

3 7 1 2

2

2

8.Cantina 9.Rádio 10.Coordenações 11.Convivência 12.Atividades em Geral Esplanada 13. Acervo 14.Estudos em Grupo

2

4

5

8

2 5

6

6

2

2

1

3 5 6

PALCO

10

TIVIDADES

legenda

11 12

C O R T E A A’

9

14

13

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

1.Área Externa 2.Sala de Aula 3.Circulação 4.Atelier 5.W.C. Masc. 6.W.C. Fem. 7.Estar 8.Cantina

9.Rádio 10.Reitoria 11.Gerência 12.Sala de Reuniões 13.Setor Financeiro 14.Convivência 15.Pesquisa e Extensão 16.Estudo em Grupo

63


NOVOS ARQUITETOS

REABILITAÇÃO URBANA Uma Proposta de Regeneração dos Tecidos Físicos e Sociais no Centro de Erechim Autora: MAURA FERNANDA SCHILO DUMERQUES, Arq. Urb. Orientadora: LUCIANA NORONHA PEREIRA, Prof. Me. Arq. Urb.

A

Trabalho Final de Graduação – 2013/2 Prêmio para Estudantes Graduados em Arquitetura e Urbanismo. CAU SC/IAB SC (2014)

Para tal, o projeto em questão trata de uma intervenção urbana com interface arquitetônica no município de Erechim/ RS, com o objetivo de promover o estabelecimento de uma rede conectiva entre espaços e equipamentos de interesse público, enquanto restaurador das relações sócio-espaciais de seu centro urbano. Foram identificadas as deficiências do município que deram partida inicial ao desenvolvimento do projeto. Estabelecendo a desejável associação entre a arquitetura e o urbanismo, transitando entre suas diversas escalas, o projeto inicia considerando a totalidade da cidade, perpassando escalas intermediárias até o detalhamento da intervenção proposta na área central.

Síntese do Levantamento de Dados. FONTE: A autora (2013)

Localização estadual e regional de Erechim. FONTE: Elaborados pela autora (2013) a partir de dados do IBGE (2010)

cultura de cidade que hoje se apresenta, derivada do processo histórico vivenciado, é marcada por uma constituição dispersa, cercadas por fragmentações e segregações espaciais e sociais, agravadas pela falta de vitalidade e de humanização dos espaços públicos. Ainda nessas cidades, a concepção dos centros históricos foi sendo radicalmente alterada. Inicialmente os centros se consolidavam como espaços diversificados, ricos de identidade cultural e de referências, entretanto hoje, muitos dos grandes centros urbanos estão em processo de degradação, a medida em que foram perdendo sua relevância e sua essência de vitalidade e de diversidade. É dentro desse contexto que se evidencia a necessidade de intervenções nos espaços urbanos, em busca de espaços para vivenciar, experimentar e sentir a cidade.

2013

64

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

2013


PROPOSTAS EM ESCALA DE CIDADE Sistema de Espaços Públicos:

Sistema de Centralidades: Propõem-se o fortalecimento e o desenvolvimento de outras centralidades secundárias, além da central, para trazer mais vitalidade e dinâmica para a cidade. Assim, diminui-se a relação de completa dependência dos bairros periféricos com o centro urbano e equilibram-se os fluxos, ao tempo em que o centro urbano continua exercendo função de referência e importância, ao concentrar maior quantidade e variedade de atividades.

Foram estudadas e identificadas as regiões a desenvolver espaços públicos, com variação de escala, forma e função condizentes com os usuários de cada região. Neste âmbito, destaca-se a criação do parque urbano linear na área da antiga ferrovia, além das vias e segmentos conectores que visam a maior integração e humanização da cidade.

Sistema Transect: A proposta incorpora o eixo ferroviário existente como reestruturador dos novos padrões de ocupações da cidade, a partir do transect (T-zonas) que envolve tipologia, densidade e gabarito.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

65


NOVOS ARQUITETOS

PROPOSTA ÁREA CENTRAL “(...) constitui um processo integrado de recuperação de uma área urbana que se pretende salvaguardar, implicando o restauro de edifícios e a revitalização do tecido econômico e social, no sentido de tornar a área atrativa e dinâmica, com boas condições de habitabilidade”. (DUARTE, 2005.)

A proposta de intervenção na área central é desenvolvida a partir do Urban Infill, que atua como um preenchimento na cidade. Para tal, utilizam-se lotes urbanos que se encontram vagos, abandonados e com utilizações inadequadas, para a estruturação da intervenção urbana.

Instrumentos Urbanísticos: Os sistemas e instrumentos urbanísticos estruturam e viabilizam a proposta. Aumentou-se relativamente a densidade da área, juntamente com a área verde, afim de criar um equilíbrio de maior proporção na relação de área verde por habitante, além de intensificar a qualidade dos espaços públicos e promover redes conectivas entre os mesmos, ordenando as relações entre os elementos construídos.

66

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Densidades:

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

67


NOVOS ARQUITETOS

Mobilidade:

Estudos Morfológicos:

68

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


DETALHAMENTO TRECHO URBANHO Implantação:

Corte Trecho Urbano:

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

69


NOVOS ARQUITETOS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL (HIS)

70

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


“A responsabilidade principal do urbanismo é produzir espaço público, espaço funcional que relacione tudo com tudo, que ordene as relações entre os elementos construídos e as múltiplas formas de mobilidade e de permanência das pessoas. Espaços públicos qualificados culturalmente para dar continuidade e referências, marcos urbanos e entornos protetores, cuja força transcenda suas funções aparentes”. (BORJA, 2003)

Imagem Geral 01 Trecho Urbano.

Imagem Geral 02 Trecho Urbano.

Calçadão.

Via Peatonal.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

71


NOVOS ARQUITETOS

PERCURSO CULTURAL E TURÍSTICO EM ITAJAÍ Construindo a Imagem da Cidade

CONGRESO LATINOAMERICANO DE ARQUITECTURA

TIL 2014

BUENOS AIRES

Trabalho Final de Graduação – 2013/2 Congresso Latinoamericano de Arquitectura. TIL (20014)

Autora: MARIELE CRISTIANE LOPES, Arq. Urb. Orientadora: LISETE ASSEN DE OLIVEIRA, Prof. Dra. Arq. Urb.

O

centro da cidade de Itajaí reúne diversas características que podem ser exploradas e trazer benefícios concretos para a cidade, como a presença do patrimônio histórico cultural, a diversidade de comércios, o turismo náutico e a relação com o rio. Atualmente, o que ocorre é uma relação de conflito entre essas atividades, principalmente no que diz respeito ao patrimônio histórico, que vem sofrendo com a crescente especulação imobiliária na região, perdendo cada vez mais o seu merecido destaque no contexto da cidade. O projeto consiste na requalificação deste espaço urbano tão significativo para cidade, através da melhoria da relação da cidade com o rio, valorização do patrimônio histórico e implantação de equipamentos destinados a cultura e ao turismo. OBJETIVO: Requalificar a zona central da cidade de Itajaí a partir de sua relação com o rio e da valorização do patrimônio histórico, buscando soluções para maior conforto urbano na área central da cidade e promover a renovação da área através da implantação de atividades culturais. LEITURA DA CIDADE: • PRINCIPAL CIDADE DO AGLOMERADO URBANO; • PERDA DA IDENTIDADE CULTURAL; • IMPORTÂNCIA ESTADUAL; • PROCURA PELO TURISMO CULTURAL; • CARÊNCIA DE EQUIPAMENTOS CULTURAIS NOS BAIRROS.

PROPOSTA ESCALA DA CIDADE: Módulos de disseminação cultural: • HABITAÇÃO SOCIAL; • ATIVIDADES COTIDIANAS; • GALERIA COMERCIAL; • ENSINO / LAZER / CULTURA.

72

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Na escala da cidade a proposta consiste na implantação de novos modais de transporte coletivo, visando suprir o fluxo pendular diário de pessoas. Para suprir a ausência de equipamentos culturais nos bairros da cidade, foi proposta a implantação dos módulos de disseminação cultural, que são edifícios modulares, permitindo a fácil adaptação em qualquer terreno, onde além de habitações de interesse social e usos comerciais seriam implantadas atividades voltadas ao ensino e a cultura.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

73


NOVOS ARQUITETOS

PROPOSTA ESCALA LOCAL: Na escala local a proposta consiste na apropriação de espaços obsoletos ou subutilizados para a implantação de atividades de uso coletivo, aumentando assim a qualidade do espaço público nesta área que é o principal centro comercial, econômico e turístico da cidade.

74

A proposta é composta por núcleos com atividades diferenciadas, mas todos voltados para a disseminação da cultura e melhoria do espaço público. Todos os núcleos estão interligados por passeios e vias peatonais criando assim um "percurso cultural".

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

75


NOVOS ARQUITETOS

PROPOSTA EDIFÍCIO TURÍSTICO CULTURAL: O edifício que forma o principal núcleo da proposta é composto por volumes retangulares sobrepostos e rotacionados e forma que garanta uma maior relação com os elementos do entorno. Sua volumetria é baseada nas estruturas portuárias, que são elementos presentes e marcantes na paisagem urbana da cidade, sendo desta forma um ícone urbano, porém mantendo a relação com o entorno. Além de atividades comerciais, culturais e de ensino, o edifício abriga ainda as instalações do píer turístico, tornando-se assim o ponto de partida do percurso proposto aos turistas.

76

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


CONTINUIDADE DA PROPOSTA: Pensando no potencial de transformação do entorno, em promover a continuidade dos espaços propostos e na melhoria dos espaços públicos foram propostas, para as vias com potencial, diferentes tipologias de edificação, para desta forma garantir uma melhor relação da arquitetura dos edifícios com o espaço público.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

77


NOVOS ARQUITETOS

VIDA URBANA

CONGRESO LATINOAMERICANO DE ARQUITECTURA

TIL 2014

A Arte do Encontro, uma Experiência para a Área Central de Balneário Camboriú.

BUENOS AIRES

Trabalho Final de Graduação – 2013/2 Congresso Latinoamericano de Arquitectura. TIL 20014

Autor: MURILO TREVIZOL, Arq. Urb. Orientadora: RAFAELA VIEIRA, Prof. Dra. Arq. Urb.

D

esde o início das civilizações a cidade é representada pela existência de seus centros urbanos e seus espaços públicos abertos. O estudo de como criar novas centralidades urbanas não é um tema recente, sendo objeto de estudos em diversos momentos, porém, os projetos contemporâneos seguem linhas de projeto, muitas vezes, não condizentes com os valores e dinâmica da sociedade atual.

IMAGEM 01 - Largo Central – Conexão Entre Mar e Cidade.

O município de Balneário Camboriú apresenta um desenvolvimento histórico-social determinado pelas práticas de turismo e lazer em função da proximidade ao mar, à praia. Em decorrência disto, o modo de ocupação inicial do município e o crescimento constante do setor da construção civil fazem com que os espaços públicos abertos não sejam tratados com a devida importância e destaque no cenário atual.

O trabalho aqui apresentado fora desenvolvido no segundo semestre de 2013 na disciplina Trabalho Final de Graduação e teve como busca temática contribuir nas discussões sobre o território, objetivando propor um sistema de espaços públicos abertos associado à ideia de centralidade, que configure uma alternativa que incremente a legibilidade e identidade da área central do município de Balneário Camboriú/SC, Brasil. Para tal, foi realizada a análise territorial do município apontando suas potencialidades e fraquezas, destacando na primeira as potencialidades turísticas existentes, assim como a grande densidade populacional e, na segunda, a falta de espaços públicos abertos e a necessidade de equipamentos que gerem legibilidade para a área central da cidade.

78

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


IMAGEM 02 – Vista do Topo da Igreja Matriz Santa Inês.

Esta análise possibilitou a proposição de diretrizes componentes de um plano urbano, que tem como objetivo a integração de sistemas urbanos como mobilidade, espaços públicos abertos, edifícios comunitários, entre outros. O plano urbano em questão destacou a importância da área central, já que a mesma apresenta a maior dinâmica de fluxos do município e o maior conjunto de espaços públicos abertos. Dentro desta área de detalhamento recortada, foi aplicado o método de planejamento conhecido como FBC (Form Based Code), na qual foram propostas zonas definidas quase de lote a lote, cada uma com características diferentes buscando o estabelecimento das relações entre os espaços públicos e privados. Após o lançamento do FBC, a intervenção na área foi dividida em duas etapas de implantação: a primeira concentra a área do largo central pedonal, que faz conexão com a Igreja Matriz, Camelódromo e a orla da praia e, a segunda, na aplicação dos índices propostos para as demais zonas. O projeto buscou a integração de sistemas urbanos em escala municipal, obtendo o recorte de uma área que apresenta maior necessidade e afinidade para a implantação de equipamento de grande porte, capaz de contribuir para a dinâmica da cidade. Do mesmo modo, o projeto apresentou a aplicação de um planejamento urbano em escala de centralidade e, posteriormente, a implantação de um projeto com vocação para a transformação, não apenas o seu entorno imediato, mas da cidade em sua totalidade. Assim, a partir da criação de um sistema de espaços públicos abertos em escala municipal, almejou-se o resgate da essência daquela centralidade, propondo uma alternativa geradora de legibilidade e identidade para a área central do município de Balneário Camboriú/SC, Brasil.

Os elementos para a proposição do largo apresentado acima foram: • Propor uma intervenção urbana para a área central, pautada e integrada aos sistemas urbanos projetados na escala do município; • Propor conexões que se irradiem e se conectem a partir da área central através de caminhos articulados por pocket parks, praças e equipamentos; • Elaborar proposta de um largo pedonal nesta área central em conexão com a Igreja Matriz, camelódromo e a praia. A relação dos espaços públicos abertos e a qualidade espacial da cidade é muito estreita. O espaço público de qualidade possibilita, além da melhor qualidade de vida, a legibilidade, identidade e prática da cidadania e democracia social. No caso do município de Balneário Camboriú a possibilidade de criação de um sistema de espaços públicos abertos – se foi considerada em algum momento - tem sido relegada a segundo plano, dada a existência da praia, que também constitui-se em espaço público aberto. Sendo assim as poucas praças e locais de vivência urbana existentes apresentam pouca ou nenhuma qualidade espacial. Pelo contrário, estas são marcadas pela grande poluição visual, sonora e baixa qualidade arquitetônica. Com isto, a proposição do largo apresentado (Imagem 01) estimula a aproximação dos espaços públicos com a sociedade, sendo assim uma elevação da praça pública. A compreensão das dinâmicas sociais e culturais de determinado local possibilita que as proposições projetuais sigam

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

79


NOVOS ARQUITETOS

além de uma matemática racional entre a forma x resultado gerado. É o resultado, neste caso, a sociedade, estimulando e proporcionando uma forma alternativa de vivência em que esta está apta para utilizar. O largo central proposto permite a valorização não somente da centralidade existente e seus equipamentos públicos comunitários, mas também como a valorização social e mercadológica do espaço em que se encontra. Os potenciais de investimento viabilizam a construção de um espaço condizente com seu contexto. A conexão urbana proporcionada através do largo corresponde diretamente com a dinâmica ocorrida na cidade, atende os moradores, os turistas e veranistas, atendendo aos objetivos propostos inicialmente. A proposta também estabeleceu forte valorização e conectividade entre os equipamentos comunitários existentes e os bens naturais do município. É estabelecida e marcada a relação entre a Igreja Santo Inês, enquanto espaço sagrado, e o mercado, camelódromo, a praia, como espaços profanos e de vivência da sociedade civil. Outro aspecto tratado pela proposta é a relação conflituosa imposta pelos padrões construtivos no município - base + torre - e o espaço público, padrão de construção e ocupação do solo que desestimula as relações entre o espaço público e privado. Conforme a Imagem 02, observa-se as relações propostas da utilização das fachadas cegas dos edifícios existentes, como forma de estimular o contato entre as pessoas, e a elevação do espaço público, como modo primordial para ocorrência da vitalidade urbana. Analisando a magnitude da proposição apresentada, muitos podem questionar acerca da possibilidade de sua concretização. Neste sentido, é necessária a compreensão de diversos aspectos relativos à dinâmica espacial, como por exemplo, 80

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


81


NOVOS ARQUITETOS

a sociedade, os processos econômicos, os padrões construtivos, o território em sua totalidade, incluindo as trocas de mercadorias, energia e informação, assim como as normativas que ordenam o território em questão. Além do Largo proposto enquanto espaço público aberto, foram também introduzidos outros equipamentos que possibilitam o acréscimo de vitalidade e de encontros entre as pessoas, tais como o comércio, que já fazem parte das características locais, os estacionamentos necessários, a edificação para universidade e equipamentos de lazer, propiciando relações mais estreitas e significativas entre o espaço privado e público.

82

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


UMA NOVA CENTRALIDADE PARA O MUNICÍPIO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ: Autores: FELIPE BRAIBANTE KASPARY, Arq. Urb. RICARDO JOSÉ RUSSI, Acad. RAPHAEL EDGAR PICOLI MONTIBELLER, Acad. VICTOR JOÃO NUNES ROSLINDO, Acad. Professores: LISETE ASSEN DE OLIVEIRA, Dr. Arq. Urb. LETICIA LA PORTA DE CASTRO, Me. Arq. Urb. (Projeto Urbanistico-Arquitetônico) LUCIANO PEREIRA ALVES, Me. Arq. Urb. (Infraestrutura) CAMILA C. PEREIRA DE ANDRADE Me. Arq. Urb (Tecnologia) CAROLINA R. CARVALHO, Me. Arq. Urb. (Conforto Ambiental) FERNANDO TOPPAN RABELLO (Sistemas. Estruturais) Disciplina: PROJETO INTEGRADO II / 7° SEMESTRE CONGRESO LATINOAMERICANO DE ARQUITECTURA

TIL 2014

BUENOS AIRES

Congresso Latinoamericano de Arquitectura. TIL (2014)

A

área escolhida para a implantação do projeto se deu em função de sua conectividade com os pólos litorâneos do estado de Santa Catarina, sendo que situa-se entre a capital Florianópolis e Itajaí, que possui o maior porto do estado, sendo ainda conectada via BR-101 com outros dois pólos industriais, que é a cidade deBlumenau e Joinville. Existe Também um contexto local em escala municipal, onde se faz a ligação entre duas cidades, são elas Balneário Camboriú e Camboriú. Estas cidades são separadas pela rodovia BR-101, onde ocorre uma segregação muito marcada e clara dos territórios. O projeto proposto foi pensado para oferecer uma maior permeabilidade e conexão das áreas, sendo considerado para isto fatores de interesse social.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

83


NOVOS ARQUITETOS

O masterplan proposto se baseia em dois principais sistemas, um é o de contenção das cheias e o outro são caminhos que são conectados ao sistema de contenção, e são eixos pedonais onde há uma variação de usos por uma classificação de sua vocação. São usos que variam de um uso gastronômico, comercial e de transporte. Há também uma conexão das quadras e seus «miolos» com o contexto urbano, em algumas quadras busca-se atrair mais os usos da cidade para dentro dela evidenciando o eixo pedonal ou até mesmo o comércio que existe ali. Em outras quadras busca-se uma maior privacidade e pátios que busquem os moradores, algo em uma escala de vizinhança.

84

O sistema de eixos pedonais fica mais evidente à medida que esta faz a conexão dos equipamentos institucionais, promove a interligação das duas cidades, até então separadas pela BR101. Também acompanha os cursos da água criados e bolsões de retenção das cheias, onde leva o transeunte aos pontos de uso coletivo e evidencia a importância da água. Para um melhor detalhamento do projeto, o mesmo foi dividido em dois trechos, sendo este primeiro trecho com caráter mais administrativo, onde foi implantada uma prefeitura com um corredor de edifícios de escritórios e serviços, gerando assim um centro administrativo.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


O segundo trecho é onde se localizam os equipamentos de intenção cultural, onde estes promovem uma conexão regional, conectando as cidades do entorno que sofrem uma carência de centros onde encontre manifestações culturais artísticas. O Centro Cultural contém escola de artes, cinema, teatro, museu, bares, espaços públicos de lazer e uma estação de VLT (veículo leve sobre trilhos). Além do centro cultural existem prédios multifamiliares e edificações de suporte a essa estrutura.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

85


PROJETOS ACADÊMICOS


PROJETOS ACADÊMICOS

COMPLEXO DE HABILITAÇÃO E REABILITAÇÃO MULTIDISCIPLINAR PEDIÁTRICO NA FOZ DO RIO ITAJAÍ-AÇU (AMFRI) Autora: ANA CAROLINA DAS NEVES ANDRADE, Arq. Urb. Orientadora: ANDREA DE AGUIAR KASPER, Prof. Dra. Arq. Urb. Disciplina: TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO/ TFG II. 10° SEMESTRE (2014/2)

Complexo de Habilitação e Reabilitação foi projetado com o ideal de suprir a falta de Estabelecimentos Assistências de Saúde (EAS) voltados para atender ao público infantil e adolescente residentes na foz do Rio Itajaí – Açu. Consiste em um complexo de referência regional, atualizado para o atendimento de habilitação e reabilitação infantil. Projetado para Itajaí, possui a intenção de integrar os pacientes e famílias, como também, prever espaços acessíveis, funcionais e flexíveis que permitam futuras expansões construtivas, estabelecendo o crescimento e o desenvolvimento do EAS. Além de ambientes mais tranquilos, aconchegantes e humanizados, o fortalecimento da relação do ambiente natural e o ambiente construído na arquitetura pretende estimular diferentes sensações, por meio dos sentidos humanos. O projeto de paisagismo prevê pequenos parques e praças a serem utilizados pelas crianças, no atendimento ou, simplesmente, na rotina de forma a promover uma linguagem lúdica com equilíbrio à funcionalidade e orientabilidade.

e acústico, a racionalização e a flexibilização da construção. Dessa forma, o projeto deste Complexo buscou proporcionar uma arquitetura marcante e única, além de atender às necessidades e especificidades dos usuários em diferentes níveis de complexidade. INSERÇÃO REGIONAL Na figura abaixo é possível visualizar as onze cidades da AMFRI (Associação dos munícipios da foz do rio Itajaí-Açu) que são atendidas pelo Complexo, tendo Itajaí como município sede, segundo a lei complementar Estadual de Santa Catarina 495/10. O Complexo está localizado estrategicamente, uma vez que o acesso intermunicipal é facilitado pela proximidade com a BR

Os diversos edifícios interagem de maneira interdependente, unificados, também, na forma visual e funcional, canalizando os fluxos e movimentos dos espaços abertos para os espaços fechados. Com isto, cria-se uma legibilidade e identidade não dos edifícios isoladamente, mas reforçando sua interação e totalidade. A configuração morfológica dos edifícios foi atrelada aos materiais e às soluções construtivas, tendo como principal destaque o aço e o concreto, que buscam o conforto térmico 88

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

Mapa Inserção regional.

O


PROGRAMA DE NECESSIDADES E FLUXOGRAMA O programa de necessidades foi estruturado em três eixos principais: Reabilitação e Habilitação, Centro de Estudo e Área social, Administração e Logística, sendo estes, os três eixos norteadores para concepção dos edifícios. Por meio do fluxograma definiram-se os fluxos de pacientes e funcionários, assim como se estabeleceu a relação entre ambientes abertos e fechados.

Mapa de inserção do terreno no município.

101, e inserido ao lado do Terminal Rodoviário Internacional de Itajaí (TERRI) e servido por transporte público urbano. Implantado na região de Itajaí, que apresenta potencial crescimento urbano, o projeto é capaz de valorizar o entorno por meio da qualidade visual, desenvolvimento social e infraestrutura pública de saúde. PERFIL DO USUÁRIO E DIRETRIZES DE PROJETO As diretrizes do projeto foram subsidiadas pelo perfil do usuário e pelas referências conceituais arquitetônicas de Lynch, com a percepção dos espaços e a percepção através dos sentidos, e Hertzberger, através da diversidade de uso, oferecimento de espaços múltiplos sem perder a identidade. Emprega-se a linguagem lúdica como instrumento de comunicação em diversos níveis, e também, o desenho universal e seus sete eixos estruturais: uso flexível, uso simples e intuitivo, esforço físico mínimo, uso equitativo, tolerância ao erro, informação de fácil percepção, dimensionamento de espaços para acesso e uso abrangente. A partir destas premissas foram elaboradas estratégias que permitiram colocar em prática as diretrizes no projeto.

CONCEPÇÃO DO PROJETO A arquitetura resultou da evolução e desconstrução da forma geométrica para permitir criação de percurso e ampliar as condições de orientabilidade dos usuários, com diferentes

Diretrizes e Estratégias Adotadas no Projeto.

Fluxograma de Interação dos Ambientes no Complexo.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

89


PROJETOS ACADÊMICOS

Estruturação do Programa de Necessidades.

restrições no Complexo. Buscou-se o estabelecimento de um vínculo visual entre os edifícios com o entorno, criando uma nova e diferente identidade na região, acompanhando as atividades que são oferecidas, como áreas abertas, espelhos d’ água e diversas formas de equipamentos que convidam a variedade de situações e sensações para os pacientes, familiares e comunidade. Essas condições podem ser verificadas nas figuras a seguir. IMPLANTAÇÃO DO PROJETO COM O ENTORNO E ACESSOS No corte pode-se observar o pavimento técnico (subsolo) que comporta o estacionamento e serve para conter a água de possíveis enchente, a qual é bombeada para o lago e, posteriormente, para o sistema de drenagem pluvial da cidade.

Mapa do Jardim Sensorial Externo.

Na fachada podem ser verificados os materiais adotados como os brises metálicos, fechamento com telhas de aço e placa cimentícia, sendo estes inspirados pelo entorno que comporta armazéns de containers e galpões. O projeto, como um todo, foi idealizado de forma em que arquitetura e o paisagismo participassem na recuperação das crianças, desenvolvendo os cinco sentidos, através do toque, sons, cheiros, espacialidade e orientabilidade, entre outros. INTERAÇÃO DOS ESPAÇOS ABERTOS COM A EDIFICAÇÃO. A arquitetura da edificação favoreceu a integração da paisagem externa e interna para melhor atender a recuperação e o tratamento das crianças. RESULTADO FINAL DO COMPLEXO

Corte Horizontal.

O projeto do Centro de reabilitação concebido para a cidade de Itajaí resulta da cooperação e articulação entre as áreas abertas e fechadas, que, por sua vez, integra-se ao traçado urbano, enquanto um conjunto de edifícios interdependentes, em harmonia com o paisagismo proposto e a cidade, através de seu entorno existente.

90

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Estrutura e Fechamento da Piscina.

Evolução dos Traços da Arquitetura.

Implantação do Projeto com o Entorno e Acessos.

Estrutura e Fechamento da Edificação.

Imagem Ilustrativa do Jardim.

Interação dos Espaços Abertos com a Edificação.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

91


PROJETOS ACADÊMICOS

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM Autores: LUIZ EDUARDO CASSOL e PAULO RICARDO MAURO Professores: LUIZ EDUARDO DE ANDRADE, Prof. Me. Arq. Urb. e MARCIA DO VALLE PEREIRA LOCH, Prof. Dr. Arq. Urb Disciplina: PROJETO ARQUITETÔNICO / 5º SEMESTRE

A

fundação Badesc está localizada no centro de Florianópolis, numa zona mista central de alta complexidade. O entorno se destaca pela presença de usos variados e diversidade de usuários, porém assim como os grandes centros das principais cidades, o espaço público é escasso, agravado pela erosão dos espaços vitais causada pelos automóveis em detrimento aos pedestres e a acessibilidade é reduzida. Mesmo com uma grande demanda, o Badesc é ineficiente em convidar as pessoas a utilizá-lo, em parte porque atua isolado com apenas um uso principal (mesmo estando próximo ao Teatro Álvaro de Carvalho, não há relação suficiente estabelecida entre ambos), assim como também sua arquitetura não favorece que isto ocorra. O projeto do Museu da Imagem e do Som tem a premissa de complementar o uso existente, se

tornar uma extensão da Fundação Cultural Badesc com o propósito de fortalecer e ampliar a vitalidade existente, equilibrar horários e usos, costurando-o novamente à trama urbana ao redor. O principal desafio foi projetar um equipamento de cultura e lazer de média complexidade dentro de área de preservação histórico/cultural e que estivesse conectado com o tecido urbano. A intervenção proposta é, de fato, mais agressiva, porque a intenção é causar impacto pelo rompimento dos padrões arquitetônicos do entorno, em um primeiro momento. Porém, o casarão mantém seu protagonismo e continua atuando como peça chave dentro de todo o conjunto. A diretriz inicial da proposta é a configuração de um grande eixo entre as ruas, dando ao usuário a possibilidade de diferentes trajetos. A arquitetura surge como meio para propiciar a passagem de um lugar a outro e, ao mesmo tempo, convida o usuário a utilizá-la. As demais diretrizes foram: preservar a topografia, porém com garantia de acessibilidade total, propor a multifuncionalidade da nova edificação de forma a complementar o antigo uso e, por fim, conectá-los de maneira a se obter um programa arquitetônico integrado e acessível.

LOCALIZAÇÃO: Florianópolis, Centro.

92

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


No térreo, um grande pátio conforma o espaço semi-público, configurando-se como eixo estruturador da proposta. É a partir do pátio que todos os outros

usos se desenvolvem, alguns com maior, outros com menor grau de interação e, é no pavimento térreo que se encontram os usos secundários, atuando em conjunto com os usos principais. São eles: salas de aulas, o espaço de projeção de filmes e o restaurante do Badesc. No pavimento superior se encontram os dois principais usos da proposta que atuam integrados e assim gerando diversidade de público, são eles o Museu do Badesc e o auditório onde acontecerão apresentações teatrais, shows e cinema. Por fim, outra importante diretriz do projeto consiste na utilização de um sistema construtivo modular. A escolha partiu principalmente da premissa de que sua construção e posteriormente, sua manutenção, não poderiam afetar a edificação tombada do Badesc. Existem diversas vantagens em optar pela estrutura em concreto pré-moldado e aço, entre elas, destacam-se: a racionalização do canteiro de obras, o baixo custo relativo, rapidez, a modulação e limpeza.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

93


PROJETOS ACADÊMICOS

94

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Além de ser uma extensão do espaço público, o pátio tem a função de ser um lugar de encontro, integração, conexão, movimento, percurso e, mais importante, configurar um espaço de trocas de experiências e interação social. Assim, tal qual o ambiente urbano, o pátio tem o propósito de atuar como um espaço efêmero que atenta aos anseios de seus usuários e, portanto, é multifuncional, constituindo palco das mais variadas manifestações culturais presentes na sociedade. A escolha do uso de brises vem de encontro aos condicionantes naturais e da necessidade de ter um elemento que proporcionasse iluminação e ventilação natural, mas, que ao mesmo tempo, bloqueasse o sol indesejado da orientação oeste

e norte. O partido pretende materializar ritmo e harmonia que compõe a música, remetendo ao uso principal do edifício, museu da imagem e do som, além de interromper a monotonia e rigidez da estrutura. Além da falta de espaços públicos, as áreas verdes são escassas, agravando o problema da falta de permeabilidade do solo e problemas de drenagem comum nos centros urbanos. Assim, além de servir como local de convívio e abrigar as exposições itinerantes, a cobertura atua como uma extensão do solo permeável, captando água para os subsistemas e ajudando no conforto térmico da edificação.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

95


PROJETOS ACADÊMICOS

TEMPLO VODÚ Fruição do Sagrado: Estudo e Anteprojeto para Espaço de Meditação Acadêmicos DYEGO ANDRÉ DOS SANTOS JOHANA IGNÊS PEREIRA NATAN CARLOS REIMERS YAN PATRICK SCHONS DOMINGUES

Professora: ALESSANDRA PACHECO CAVALHEIRO, Prof. Me. Arq. Urb. Disciplina: COMPOSIÇÃO ARQUITETÔNICA / 3º SEMESTRE

A

Composição de arquitetura nos tempos atuais tem demonstrado uma evolução notável em questões de ferramentas e recursos disponíveis. Contudo, é inegável a afirmação que, diversas vezes independentemente da técnica utilizada, prevalecem as estratégias e capacidade do projetista, que, por sua vez, apropria-se de uma ou várias técnicas em seu processo compositivo, sejam croquis, diagramas, fluxogramas, simulações tridimensionais e/ou físicas. No presente trabalho, além da mistura de técnicas de expressão visual, os autores partiram da pesquisa e aprofundamento de uma crença, no caso o Vodú, extraindo seu simbolismo, características físicas, históricas e habituais do conceito proposto para a criação de formas, elementos e organização do espaço. O objetivo do projeto é criar um espaço de prática da religião Vodú que expresse sua importância e conceito histórico, originado no Haiti. Idealizado de maneira simples, pretendendo demonstrar sua força e tradição, já que os rituais são ministrados por líderes locais no seu país de origem, juntamente com a devida privacidade necessária aos rituais praticados, permitindo a integração deste espaço com seu exterior.

Vista Frontal do Templo – Representado volumetricamente com a inserção da figura humana, visando demonstrar a escala monumental do projeto.

Preliminarmente foi desenvolvido o trabalho de pesquisa buscando o entendimento da crença, costumes e características que possibilitassem a formação de repertório e o início do processo de composição. Estas etapas são apresentadas a seguir:

A proposta está estruturada a partir de 4 elementos que representam cada uma das ramificações da religião, que se entrelaçam bloqueando a visão, mas permitindo a entrada dos usuários. Assim, a cobertura proposta, em membrana tensionada e estruturada por tubos de aço galvanizado, faz alusão às roupas de ração (vestimentas utilizadas nos rituais) e às agulhas que são penetradas nos bonecos de Vodú.

Esboços iniciais.

96

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


1° Etapa: O trabalho iniciou-se por meio de Croquis esquemáticos que pretenderam a exploração dos conceitos através da forma . Nota-se o partido de projeto demonstrando os fluxos de acesso e o simbolismo esperado, por meio dos elementos formais constituintes que representassem as classes de subdivisão da religião. Aprofundando a pesquisa, nasceu o quarto elemento, onde neste croqui inicial eram três. 2° Etapa: Foi desenvolvido o estudo volumétrico simples, buscando definição de escala e proporção dos elementos propostos. 3° Etapa: Desenvolvimento de projeto técnico, buscando especificação de materiais, dimensões e expressão das características principais, em nível de anteprojeto, contendo Plantas, Cortes, Elevações, Implantação e justificativas dos elementos projetuais utilizando ferramentas de CAD. 4° Etapa: Maquete desenvolvida por meio de software de modelagem tridimensional, ilustrando a evolução da proposta e os materiais empregados.

Planta Baixa

O resultado final foi satisfatório, atingindo o objetivo proposto, tanto na utilização do espaço quanto no simbolismo representado.

Assim, a equipe de autores reafirma e destaca a importância da colaboração e união de diversas ferramentas e processos compositivos, buscando a aplicação e materialização de conceitos e aspectos simbólicos, podendo gerar formas e devida organização espacial pertinentes às questões postas à atuação dos arquitetos e urbanistas.

Renderização 01

Corte – Ilustração dos itens descritos na 3° etapa.

Renderização 02 – Imagem, ilustração dos itens descritos na 4° etapa.

Renderização 03 – Imagem, ilustração dos itens descritos na 4° etapa.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

97


ARTIGOS CIENTÍFICOS


ARTIGOS CIENTÍFICOS

ESTRATÉGIAS PROJETUAIS ESTIMULADAS POR MEIO DE ATIVIDADES DIDÁTICAS CAROLINA ROCHA CARVALHO, Prof. Me. Arq. Urb. MARCELO GALAFASSI, Prof. Me. Arq. Urb. RAFAEL PRADO CARTANA, Prof. Me. Arq. Urb. JOÃO LUIZ PACHECO, Prof. Me. Eng Mec.

Resumo As disciplinas de Conforto Ambiental podem contribuir significativamente na aplicação de estratégias em projetos arquitetônicos visando sua maior qualidade e redução do impacto ambiental. Uma lacuna observada se dá em como profissionais se apropriam do conhecimento de difícil visualização e o aplicam em projetos arquitetônicos. Práticas pedagógicas diferenciadas aplicadas nas disciplinas que envolvem Conforto Ambiental podem contribuir na fixação de conteúdos abstratos. Este artigo tem como objetivo explanar como diferentes atividades desenvolvidas em sala de aula podem contribuir significativamente no processo de projeto e na adoção de melhores estratégias projetuais. As atividades práticas e experimentos didáticos são precedidos por aulas teóricas com abordagem de conceitos e dos fenômenos para entendimento dos conteúdos. São aplicadas as atividades práticas de análise de mascaramento do entorno, projeto de elementos de sombreamento, análise de insolação sobre um terreno, avaliação quantitativa e distribuição da iluminação natural, projeto e construção de sistema de iluminação natural através de abertura zenital, e experimentos que abordam o efeito estufa e vinculação natural por efeito chaminé. Os exercícios apresentados em aula mostraram-se importantes para o aprendizado dos alunos, melhorando a assimilação e a compreensão de conceitos que são aplicadas nos semestres subsequentes, onde essas estratégias são adotadas em disciplinas projetuais. Verificou-se grande comprometimento e interação entre os alunos e os professores durante a realização dessas atividades, favorecendo a compreensão dos fenômenos físicos envolvidos no Conforto Ambiental. Palavras-chave: Projeto Arquitetônico; Estratégias Projetuais; Ensino de Conforto Ambiental.

Introdução A falta de compreensão e a consequente desconsideração dos fenômenos físicos envolvidos no desempenho ambiental das edificações apresenta-se como uma barreira a ser transposta, primeiramente no meio acadêmico e posteriormente no mercado imobiliário. Considerar estes fenômenos com mais efetividade poderá produzir edificações com um desempenho melhor com relação aos condicionantes climáticos de cada localidade, reduzindo assim o seu impacto ambiental. Thomaz (2001) menciona que os grandes problemas das construções brasileiras resultam de vários fatores como: a falta de investimentos, o estímulo insuficiente para pesquisas multidisciplinares, as dificuldades na produção e efetiva adequação à normalização técnica brasileira, a impunidade, a visão 100

distorcida de alguns empreendedores, a péssima remuneração dos profissionais de projeto, o obsoletismo de alguns cursos de arquitetura e o ensino compartimentado. O autor afirma que a análise cuidadosa das causas revela que muitos dos problemas constatados nas construções poderiam ser evitados com a adoção de conhecimentos já consagrados da físico-química. Estes conhecimentos, segundo ele, revelam-se através de diferenças entre a concepção dos projetos e o funcionamento real das obras, entre o desempenho almejado e a resposta em uso da edificação. Segundo Szokolay (1994), o papel da ciência na arquitetura vem se tornando cada vez mais fraco, onde a qualidade da construção e seu desempenho muitas vezes são irrelevantes

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


em detrimento de questões que pouco tem a ver com o propósito da edificação. Critérios puramente estéticos acabam, em diversas situações, por superar razões científicas na concepção de projetos arquitetônicos. O autor defende que os conhecimentos científicos, implícitos no desenvolvimento do projeto de arquitetura, devem ser inseridos no ateliê de ensino de maneira amigável, e os estudos desenvolvidos podem servir como veículos de aprendizado destes temas. Mesmo quando utilizadas tecnologias mais avançadas, analisadas através de simulação computacional, a possibilidade de visualizar seus resultados através de gráficos podem contribuir na compreensão dos fenômenos físicos e efetiva aplicação. Greenberg et al. (2013) identificam a dificuldade de visualização dos resultados de simulações como um dos principais pontos para a integração de simulações computacionais no processo de projeto. O Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) possui em sua matriz curricular seis disciplinas que envolvem diretamente conhecimentos relacionados ao Conforto Ambiental. Dentre as disciplinas que utilizam conhecimentos de Conforto Ambiental, três são essencialmente teóricas e as demais projetuais, com aplicação dos conceitos de Conforto Ambiental em projetos arquitetônicos, conforme: • • • •

Introdução do Conforto Ambiental - 2° semestre; Conforto Térmico - 3° semestre; Conforto Acústico e Lumínico - 4° semestre; Projeto Integrado I especialidade de Conforto Ambiental - 4° semestre; • Projeto Integrado II especialidade de Conforto Ambiental - 7° semestre; • Trabalho Final de Graduação - 10° semestre

Conforme ressaltado por Galafassi (2012), os conceitos de conforto devem estar presentes desde as fases iniciais do projeto de maneira que a edificação se adeque ao clima local e tenha um melhor desempenho ambiental. Com o conhecimento adquirido na prática docente, observou-se a necessidade de tornar mais práticas as disciplinas teóricas visando melhor apropriação do conteúdo. Freitas e Azerêdo (2014) destacam que, quando o aluno aprende conceitos a partir de experimentos, o conhecimento adquirido é levado para todo o curso e também para a vida profissional. Desta maneira, foram desenvolvidas pesquisas de iniciação científica objetivando a elaboração de experimentos, de modo a fazer com que os fenômenos físicos, envolvidos nas disciplinas que abrangem conceitos de Conforto Ambiental, se tornem mais claros e possam ser facilmente empregados em projetos arquitetônicos.

Busca-se explanar as práticas pedagógicas e as estratégias de ensino adotadas por meio de atividades práticas e experimentos didáticos que podem contribuir positivamente na adoção de melhores estratégias projetuais. Entende-se que a variação das práticas pedagógicas aplicadas em disciplinas de conhecimento abstrato pode contribuir significativamente na compreensão mas efetiva e facilitada de conteúdos PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS A UNIVALI disponibiliza o Laboratório de Conforto Ambiental (LACA) para dar suporte às disciplinas e pesquisas científicas na área. O LACA possui diversos equipamentos de medição, um simulador físico de insolação (Solarscópio) e alguns experimentos. Este espaço é importante para as atividades relacionadas ao ensino de Conforto Ambiental, servindo de apoio aos alunos do Curso e também realiza pesquisas e consultorias para profissionais e empresas. As atividades práticas e experimentos didáticos são precedidos por aulas teóricas com abordagem de conceitos e dos fenômenos para entendimento dos conteúdos. São aplicadas as atividades práticas de: (i) análise de mascaramento do entorno, (ii) projeto de elementos de sombreamento, (iii) análise de insolação sobre um terreno, (iv) avaliação quantitativa e distribuição da iluminação natural, (v) projeto e construção de sistema de iluminação natural através de abertura zenital, e apresentação dos experimentos como recurso de aprendizagem abordando (vi) efeito estufa e (vii) ventilação por efeito chaminé. A utilização de exercícios que unem conceitos, atividades práticas e experimentação didática, são importantes no aprendizado dos alunos melhorando a assimilação e a compreensão dos fenômenos, resultando na aplicação de estratégias nas disciplinas projetuais. (CARTANA, 2006). Dentre as práticas aplicadas, os experimentos didáticos foram analisados através de questionários quanto à sua contribuição no aprendizado do conteúdo, e resultaram em respostas objetivas referentes à importância das práticas pedagógicas diferenciadas. O resultado dos questionários confirmaram que mais de 85% dos alunos consideraram que a apresentação dos conceitos, por meio de experimentos, é importante para o aprendizado e para a assimilação e fixação do conteúdo. (CARTANA e PACHECO, 2010; CARVALHO et. al, 2014).

1 Pesquisas de iniciação científica realizadas através do edital do Artigo 170.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

101


ARTIGOS CIENTÍFICOS

ANÁLISE DE MASCARAMENTO DO ENTORNO Esta atividade prática é aplicada na disciplina de Introdução ao Conforto Ambiental (2° semestre) e visa demonstrar ao aluno a necessidade de estudar a influência que as edificações do entorno têm na obstrução do céu para um determinado local. Estudos de mascaramento podem auxiliar em decisões de projeto, como setorização dos usos no interior de uma edificação, locação de equipamentos de lazer (piscinas, bancos, play-ground) no lote, posicionamento das aberturas da edificação, estudos urbanísticos para espaços abertos considerando praças e vias, permitindo a análise do sombreamento que os edifícios do entorno causam. Para a análise do local a ser analisado, são escolhidos pontos dentro do Campus, que os alunos possam visitar em diferentes horas do dia e onde podem observar o fenômeno do movimento aparente do Sol e analisar o sombreamento provocado pelos edifícios do entorno.

elementos de proteção solar para aberturas de um ambiente através do uso de diagrama solar e verificar seu funcionamento com análises no Solarscópio. Os conceitos de Geometria da Insolação, como orientação, azimute, altura solar e qualidade de insolação, são fundamentais para a compreensão do projeto

FIGURA 1: Analisador de mascaramento: (a) semi esfera em acrílico e (b) semi esfera em metal polido. FONTE: Fotos dos autores.

O mascaramento do ponto escolhido é desenhado manualmente, com auxílio de material de desenho específico. Para efeito de comparação do material produzido com uma situação real, utiliza-se um equipamento elaborado no LACA denominado Analisador de Mascaramento (Figura 1). Após o desenho do mascaramento, é realizada uma leitura com relação à situação de insolação no Solstício de Verão (22 de Dezembro) e de Inverno (22 de Junho), verificando a quantidade e em quais horários haverá radiação solar direta no ponto escolhido e quando as edificações do entorno obstruem o Sol. Em uma segunda análise, observa-se a qualidade da radiação solar incidente através de uma carta solar com marcação em cores dos horários desejáveis e indesejáveis (Figura 2) visando a compreensão de quais horários a radiação solar direta deveria ser evitada. Esta atividade é importante do ponto de vista didático para que os alunos percebam os espaços abertos e consigam compreender o efeitos que as edificações do entorno provocarão no mesmo, apenas analisando seu mascaramento. Conseguirão observar se uma área oferece condições propícias para seu uso dependendo da estação do ano e das necessidades dos usuários. Este exercício permite aos alunos visualizar a situação de obstrução do céu, facilitando a compreensão do fenômeno. PROJETO DE ELEMENTOS DE SOMBREAMENTO Este exercício é aplicada na disciplina de Introdução ao Conforto Ambiental (2° semestre) e tem como objetivo projetar 102

FIGURA 2: Carta Solar para a Latitude 27° com indicação em cores dos horários desejáveis ou indesejáveis de Radiação Solar. FONTE: Desenho dos autores.

destes elementos. O aprendizado é feito de maneira crescente no que tange o nível de dificuldade, fazendo com que o aluno comece por atividades simplificadas e chegue ao ponto de projetar elementos para as edificações em função do movimento aparente do Sol. Após explanação teórica e demonstração prática de situações de projeto, o aluno delimita um ambiente com quatro aberturas, orientadas conforme modelo da Figura 3. São projetados elementos de proteção solar para cada abertura e feita sua respectiva máscara de sombra visando obstruir os horários indesejáveis de radiação solar direta, e permitir a entrada de Sol nos horários desejáveis. É construída uma maquete na escala 1:50, contendo as quatro paredes, as quatro aberturas e sem cobertura para visualizar internamente o efeito provocado pelo elemento de sombreamento. Essa maquete é utilizada para análise no

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Solarscópio (Figura 4), analisando a radiação solar incidente nas aberturas voltadas para as orientações Norte, Leste e Oeste. São obtidas fotos da entrada de Sol pelas quatro aberturas, em datas e horários determinados: Solstício de Verão (22/12) às 9h, 12h e 15h; Solstício de Inverno (22/06) às 9h, 12h e 15h;

Este exercício é aplicado na disciplina de Conforto Térmico (3° semestre) e dá suporte para a disciplina de Projeto Arquitetônico (3° semestre) que tem como objeto o projeto de uma residência unifamiliar. São disponibilizados dois terrenos, sendo um de esquina e um em meio de quadra, para a elaboração do projeto.

FIGURA 5: (a) e (b) Vistas laterais de um trabalho desenvolvido por alunos. Fonte: Fotos dos autores. Figura 6: Vista superior de um trabalho desenvolvido por alunos. FONTE: Foto dos autores. FIGURA 3: Modelo para maquete física do ambiente. FONTE: Desenho dos autores.

Equinócio de Outono ou Equinócio de Primavera (22/12) às 9h, 12h e 15h. A maquete é fotografada sem os elementos de obstrução solar, e comparada com fotos da maquete física com os brises propostos. O resultado é fundamentado com o projeto previamente elaborado demonstrando visualmente o efeito provocado pela utilização desses elementos de controle da incidência da insolação através das aberturas.

Para a análise de conforto térmico é fornecida uma base cartográfica em formato digital (Figura 7), que mostra os terrenos e suas topografias, além das orientações solares analisadas com o auxilio da Carta Solar.

N

Como exemplo de trabalho desenvolvido pelos alunos, as figuras 5 e 6 mostram uma maquete sendo analisada no Solarscópio. Esta atividade tem importância acentuada no aprendizado projetual do aluno. Por meio dela, o aluno aprende a projetar elementos de sombreamento a partir de conceitos compositivos e estéticos, visualizando a incidência solar e analisando o resultado do mascaramento na Carta Solar. Também aprende a projetá-los do ponto de vista técnico, decidindo na Carta Solar o ângulo ideal do elemento, e desenhando-o no projeto. ANÁLISE DE INSOLAÇÃO SOBRE UM TERRENO

FIGURA 7: Base cartográfica com análise de insolação. FONTE: Base de Geoprocessamento do Município de Balneário Camboriú.

Primeiramente é construída a base, conforme Figuras 8 (a) e (b), permitindo maior apropriação das condicionantes do terreno, como topografia e configuração do entorno imediato.

FIGURA 8: (a) Execução da maquete base para simulações; (b) Maquete base finalizada. FONTE: Foto dos autores.

FIGURA 4: Solarscópio, Laboratório de Conforto Ambiental (LACA). FONTE: Foto dos autores.

A análise de insolação sobre o terreno é realizada com o auxilio do Solarscópio disponível no Laboratório de Conforto

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

103


ARTIGOS CIENTÍFICOS

Ambiental (LACA). Como resultado da atividade é produzida uma sequência horária de fotografias correspondendo a um dia completo de insolação no Solstício de Verão, Solstício de Inverno, Equinócio de Primavera ou Equinócio de Outono (Figura 9).

da luz natural admitida pela abertura lateral.

FIGURA 9 - Sequência de fotografias registradas no Solstício de Verão. FONTE: Fotos dos autores.

FIGURA 10 - (a) Curvas Isolux da distribuição da iluminação natural através de abertura lateral e (b) Gráfico de distribuição da iluminação natural. FONTE: Gráficos dos autores.

À medida que as sequências de fotografias vão sendo registradas, são feitas considerações pelos professores de conforto à respeito do fenômeno observado. Nesta dinâmica, os alunos também são estimulados a fazer suas observações, criando-se assim um ambiente interativo de construção do conhecimento específico de geometria da insolação que, por sua vez, será fundamental para o desempenho ambiental do projeto que será desenvolvido. AVALIAÇÃO QUANTITATIVA E DISTRIBUIÇÃO DA ILUMINAÇÃO NATURAL Os conceitos de iluminação natural são fundamentais para que os alunos compreendam o funcionamento de aberturas laterais e sua influência no ambiente construído. Esta atividade desenvolvida na disciplina de Conforto Acústico e Lumínico (4° semestre) tem como objetivo fazer uma avaliação quantitativa e uma análise da distribuição de iluminação natural proveniente de uma abertura lateral em uma sala de aula, visando demonstrar aos alunos a influência destas no desempenho de iluminação natural nos ambientes internos. A atividade consiste em medições in loco em uma sala de aula de 8mx8m, onde são definidos 25 pontos, com altura de 0,75m (plano de trabalho). Para cada ponto é feita a medição da iluminância, utilizando luxímetros, a qual é comparada com a medição simultânea da iluminância externa considerando-se uma obstrução de 50% da abóbada celeste (céu). Através da razão entre a iluminância interna (em cada ponto) e a iluminância externa são calculados os Fatores de Luz Diurna (FLD) para cada um dos 25 pontos da sala, caracterizando assim a distribuição 104

Através da distribuição dos FLDs resultantes das medições são elaborados gráficos de curvas isolux para o aprofundamento da análise e compreensão da distribuição da iluminação natural no ambiente estudado, conforme apresentado nas Figuras 10 (a) e (b).

PROJETO E CONSTRUÇÃO DE ILUMINAÇÃO NATURAL ATRAVÉS DE ABERTURA ZENITAL O objetivo desta atividade desenvolvida na disciplina de Conforto Acústico e Lumínico (4° semestre) é a construção de sistemas de iluminação natural através de aberturas zenitais em edificações de forma a minimizar a incidência de radiação solar direta. Estudos de mascaramento auxiliam em decisões projetuais, como dimensões, geometria, orientação das aberturas zenitais e elementos de sombreamento. São projetados espaços internos com aberturas zenitais sombreadas com a finalidade de promover boa distribuição da iluminação natural e ao mesmo tempo evitar excessivos ganhos térmicos através da incidência da radiação solar direta. Desta forma, são projetados elementos de obstrução solar na abertura zenital através de estudos de mascaramento em cartas solares. Na realização do exercício, são desenvolvidas maquetes a partir de conceitos de admissão e controle da luz natural e testadas no Sol (figura 11). Ao longo do desenvolvimento da atividade, discussões são levantadas em sala de aula, de forma a aprimorar o conhecimento do fenômeno. EXPERIMENTO DIDÁTICO SOBRE O EFEITO ESTUFA Este experimento didático aplicado na disciplina de Conforto Térmico (3° semestre) tem como objetivo demonstrar, de maneira prática, o comportamento da radiação térmica (ondas eletromagnéticas) com diferentes comprimentos de onda (longas e

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Observa-se que, logo que o experimento é ligado, o vidro está frio e o sensor não registra a presença da radiação emitida pela estufa, demonstrando que ondas longas não atravessam o vidro, ou seja, o vidro é opaco para a transmissão de radiação em ondas longas. Após um tempo de exposição o vidro começa a aquecer e emitir radiação em direção ao sensor. Assim, este passa a registrar um pequeno aumento na temperatura, o que demonstra o começo da emissão de energia térmica por parte do vidro. O aumento da temperatura na superfície do vidro pode ser percebida ao tocar-se este material e através de um termômetro de contato, confirmando o fenômeno físico que ondas longas são absorvidas pelo vidro, e que este passa a emitir radiação.

FIGURA 11 Exemplos de maquetes desenvolvidas em sala. FONTE: Fotos dos autores.

curtas) sobre o vidro, visando um melhor entendimento sobre o efeito estufa. Entende-se por efeito estufa a capacidade da radiação solar (ondas curtas) de atravessar as superfícies dos vidros aquecendo o ambiente interno, e não permitir a saída da radiação emitida pelos componentes arquitetônicos (ondas longas), provocando uma elevação na temperatura interna. Esta estratégia pode ser empregada facilmente em edificações localizadas em climas frios, contribuindo para a sensação de conforto, entretanto deve ser evitada em climas quentes, onde deve-se optar pelo resfriamento do espaço interno. Esta atividade é apresentado em duas etapas, permitindo a análise e a diferenciação dos fenômenos físicos que ocorrem. Na primeira etapa, o experimento é montado utilizando-se como fonte uma estufa elétrica com resistência incandescente, representando uma fonte de radiação térmica de ondas longas, direcionada para um sensor de temperatura com o vidro posicionado entre os dois elementos, conforme apresentado na Figura 12.

Na sequência, retira-se o vidro deixando o sensor exposto à estufa, que registra um rápido aumento nos valores registrados. O aluno, ao posicionar o vidro entre a estufa e a sua mão, percebe a interrupção do elevado fluxo de calor, entendendo através de sensação na pele, que o vidro funciona como uma barreira de proteção para a radiação de ondas longas provenientes da estufa. Na segunda etapa, o experimento é montado de forma similar à etapa 1, mas com uma lâmpada incandescente de 200W, simulando radiação térmica por ondas curtas, conforme Figura 13. Observa-se que, mesmo com o vidro frio, o sensor registra elevação na temperatura medida, demonstrando que ondas curtas atravessam o vidro com muita facilidade, ou seja, o vidro é transparente para a transmissão de radiação em ondas curtas.

FIGURA 13 - Experimento didático montado na etapa 2, para análise de ondas curtas. FONTE: Foto dos autores.

FIGURA 12: Experimento didático montado na etapa 1 para análise de ondas longas. Fonte: Foto dos Autores.

Após um tempo de exposição à radiação, a superfície do vidro apresenta leve aumento em sua temperatura. Assim, o sensor de radiação passa a registrar temperaturas levemente maiores, demonstrando uma pequena emissão da carga térmica por parte do vidro, o que pode ser percebido através de sensação térmica, com o toque da mão, deixando claro que o vidro absorve pouca radiação por ondas curtas.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

105


ARTIGOS CIENTÍFICOS

Ao manter a lâmpada incandescente acesa e retirar o vidro que estava entre a lâmpada e o sensor, registra-se um pequeno aumento na temperatura do sensor de radiação. Da mesma forma, ao posicionar e retirar o vidro entre a mão do aluno e a fonte de calor, observa-se que o vidro não interrompe o fluxo de calor. Desta forma, o vidro não funciona como uma barreira para a radiação de ondas curtas. A apresentação do experimento é importante para demonstrar aos alunos, de maneira prática e didática, que os vidros são transparentes com relação à radiação térmica de ondas curtas e opacos quando recebem radiação térmica de ondas longas. Estes conceitos são importantes e essenciais para o entendimento do fenômeno físico do efeito estufa nas edificações. EXPERIMENTO DIDÁTICO SOBRE VENTILAÇÃO POR EFEITO CHAMINÉ Este experimento didático, da disciplina de Conforto Térmico (3° semestre), apresentado nas Figuras 14 (a) e (b), visa demonstrar, de maneira prática, o comportamento e a movimentação das massas de ar que possuem temperaturas diferentes e de como este fenômeno influencia na ventilação natural por efeito chaminé, facilitando as trocas de calor das edificações. Também é apresentada uma explanação de como se dão as trocas térmicas com a adoção da estratégia bioclimática da ventilação por efeito chaminé.

FIGURA 15 - Etapa 1 do experimento didático de ventilação por efeito chaminé. FONTE: Desenho dos autores.

É importante aguardar cerca de 20 minutos para que as temperaturas estabilizem. As temperaturas do ar interno são observadas nos sensores T1 (próximo à base) e T2 (na metade da chaminé). As temperaturas são registradas, marcando nos sensores T1=55°C e T2=45°C. Após o primeiro registro, o anemômetro é colocado na saída de ar a fim de medir a velocidade do ar. A velocidade do ar na saída foi registrada em 1,00m/s e, logo que a saída de ar foi obstruída, as temperaturas aumentaram registrando T1=59°C e T2=48°C. Na Etapa 2 (Figura 16) parte do tubo foi desmontado e a chaminé ficou com metade de altura (1,0m de altura). As temperaturas são medidas, onde T1=59°C e T2=48°C. A velocidade de ar na saída foi medida com o anemômetro registrando Var=0,80m/s, e como aconteceu anteriormente, logo que a saída de ar teve sua área reduzida as temperaturas se elevaram, registrando T1=70°C e T2=55°C.

FIGURA 14 - (a) Experimento didático de ventilação por efeito chaminé; (b) base do experimento. FONTE: Fotos dos autores.

O experimento é apresentado em três etapas permitindo a análise e a diferenciação dos fenômenos físicos que ocorrem com a diferença de altura entre a entrada e a saída de ar, diminuição da área de abertura de saída de ar e como estas variações influenciam na temperatura e na velocidade do ar interno. Na Etapa 1, o experimento é montado e apresentado por completo, com a chaminé longa (2,0m de altura), conforme Figura 15. 106

Figura 16 - Etapa 2 do experimento didático de ventilação por efeito chaminé. Fonte: Desenho dos autores.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


Na Etapa 3 (Figura 17) o tubo foi desacoplado, deixando o experimento sem chaminé e apenas com uma abertura superior para a saída de ar, conforme Figura 14 (b). Nesta configuração a T1 foi medida na saída de ar e T2 não foi mais registrada pois não havia chaminé. A temperatura foi registrada em T1= 73°C.

FIGURA 17 - Etapa 3 do experimento didático de ventilação por efeito chaminé. FONTE: Desenho dos autores.

Ao final, o anemômetro foi posicionado na saída de ar, reduzindo a área de saída de ar, e registrou velocidade do ar em 0,20m/s, logo e a temperatura teve um aumento rápido que foi registrado até T1=100°C. Ao longo da apresentação do experimento, alguns questionamentos importantes são levantados envolvendo os alunos e a discussão dos valores, melhorando a fixação do conteúdo. A apresentação deste experimento é importante pois permite ao aluno perceber de forma visual a influência do calor interno e do comprimento da chaminé na troca de calor através de ventilação natural por efeito chaminé.

Considerações Finais As disciplinas teóricas que envolvem Conforto Ambiental do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIVALI estão concentradas nas fases iniciais da graduação, 2°, 3° e 4° semestre. Esta estrutura permite que os conceitos sejam abordados e compreendidos para então serem aplicados ao longo do curso e da vida profissional no início da fase projetual. A adoção de atividades práticas e experimentos didáticos tornam as aulas de conforto ambiental mais dinâmicas e exigem maior participação dos alunos. Verifica-se também grande comprometimento e interação entre os alunos e os professores durante a realização dessas atividades, que geram uma facilitação na compreensão dos fenômenos físicos envolvidos no Conforto Ambiental.

Referências Bibliográficas CARTANA, Rafael Prado. Oportunidades e limitações para bioclimatologia aplicada ao projeto arquitetônico - Estudo de caso em Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina, Dissertação de Mestrado (Posarq–UFSC). Florianópolis, 2006. CARTANA, Rafael P.; PACHECO, João Luiz. Experimento didático para compreensão de fenômenos físicos envolvidos no desempenho térmico de edificações – trocas térmicas através de vidros. In: XIII ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído, 2010, Canela/RS. XIII Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído ENTAC, 2010. CARVALHO, Carolina R. ; PACHECO, João Luiz ; GALAFASSI, Marcelo ; CARTANA, Rafael P.. Experimento didático utilizado para compreensão de ventilação natural por efeito chaminé. In: XV ENTAC - Encontro Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído, 2014, Maceió/AL. Encontro Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído, 2014. FREITAS, Ruskin M. de; AZERÊDO, Jaucele de F. A. de. A disciplina de conforto ambiental: Uma ferramenta prática na concepção de projetos de arquitetura, de urbanismo e de paisagismo. Cadernos do PROARQ (UFRJ), v. 1, p. 94-113, 2014. GALAFASSI, Marcelo. Impacto do método prescritivo do RTQ-C no processo de projeto arquitetônico de edificações: a visão de arquitetos em Florianópolis-SC. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC. 2012, 102p. GALAFASSI, Marcelo; CARVALHO, Carolina R. ; CARTANA, Rafael P.; PACHECO, João Luiz. Atividades práticas e experimentos didáticos aplicadas no ensino de disciplinas que envolvem Conforto Térmico. In: XXXIII ENSEA - Encontro Nacional sobre Ensino de Arquitetura e Urbanismo, 2014, Balneário Camboriú/SC, 2014. GREENBERG, Donald; PRATTC, Kevin; HENCEY, Brando; JONESB, Nathaniel; SCHUMANNB, Lars; DOBBSE, Justin; DONGB, Zhao; BOSWORTHB, David; WALTERB, Bruce. Sustain: An experimental test bed for building energy simulation. In: Energy and Buildings. Oxford: Elsevier, 2013. v. 58, pp. 44-57. SZOKOLAY, Steven V. Science in architectural education. In. ANZAScA, 1994. Deakin University. THOMAZ, Ercio. Tecnologia, gerenciamento e qualidade na construção. São Paulo: Ed. Pini, 2001.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

107


ARTIGOS CIENTÍFICOS

APLICAÇÃO DE ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS Proposta arquitetônica para o concurso do Centro Político e Administrativo do Governo do Estado do Maranhão, Brasil. MARCELO GALAFASSI, Prof. Me. Arq. Urb. CAROLINA ROCHA CARVALHO, Prof. Me. Arq. Urb. RICARDO FORGIARINI RUPP, Prof. Me. Arq. Urb. ALEJANDRO NARANJO

Resumo Este artigo apresenta uma proposta de projeto arquitetônico, em nível de Estudo Preliminar, para o Concurso Público Nacional do Projeto Executivo de Arquitetura para o Centro Político e Administrativo do Governo do Estado do Maranhão, realizado em Julho de 2013. Com a intenção de reorganizar, complementar e ampliar o complexo existente, esta proposta foi feita por um grupo interdisciplinar de três escritórios de arquitetura do Brasil e da Colômbia. Entre os aspectos conceituais necessários para o projeto proposto, foram consideradas estratégias visando reduzir o impacto ambiental e propiciar maior conforto ambiental aos usuários. Em função disto, partiu-se de uma análise aprofundada do clima de São Luís e da identificação das estratégias mais adequadas para a readequação dos edifícios existentes e para o projeto de duas novas edificações: um edifício garagem e um edifício para as secretarias. A metodologia adotada abrange desde a identificação de estratégias bioclimáticas até a utilização de softwares para simulações na área de conforto ambiental. A proposta final de projeto alcançou resultados satisfatórios do ponto de vista do projeto bioclimático, incluindo a Etiqueta de Eficiência Energética de Edificações PROCEL Edifica. O projeto proposto foi encaminhado para o Concurso e conquistou o 5º lugar dentre os 39 projetos enviados. Palavras-chave: Arquitetura; Estratégias Bioclimáticas; Desempenho Energético de Edificações.

Introdução A Secretaria de Estado da Gestão e Previdência (SEGEP/MA), o Governo do Estado do Maranhão e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-DF), promoveram e organizaram em Julho de 2013 o Concurso Público Nacional para a contratação de Projeto Executivo de Arquitetura para o Centro Político e Administrativo do Governo do Estado do Maranhão. O Centro Administrativo é a sede do governo do Estado, e está localizado na capital São Luís. No terreno de 65.681 m² existem três edifícios, somando 22.880 m² de área construída, com 4.100 funcionários e um público de visitantes estimado em aproximadamente 3.000 pessoas por dia. O edital previu a reforma e readequação das três edificações existentes e a proposição de uma ou mais edificações para atender à nova demanda apresentada, aproximadamente 13.500 m² de área construída. A Figura 1 apresenta o terreno e a implantação das edificações existentes. 108

FIGURA 1: Terreno e implantação das edificações existentes, conforme edital do concurso. FONTE: PCAE - Estado do Maranhão - imagem: Google Earth

Entre os aspectos conceituais requeridos para o projeto, o edital colocou como necessário contemplar estratégias que

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


visassem reduzir o impacto ecológico (por meio do uso racional da água e da energia, da geração local de energia por meio de fontes renováveis como a eólica, a solar e/ou a biomassa), e estratégias que atendessem às condições de conforto ambiental dos usuários (por meio da iluminação natural, do conforto térmico, da escolha adequada dos materiais de construção e da redução do uso dos equipamentos de condicionamento de ar). Para participar do concurso, organizou-se uma equipe multidisciplinar formada por arquitetos, engenheiros civis e estudantes de arquitetura, de dois escritórios de arquitetura da Colômbia e um escritório de arquitetura do Brasil. Para Kovacic et al. (2014), a multidisciplinaridade é interessante desde as fases iniciais de projeto, quando os objetivos são definidos, novas soluções podem ser desenvolvidas por meio do conhecimento complementar dos profissionais envolvidos, e novos conhecimentos comuns podem ser criados. Segundo Galafassi e Pereira (2013), ao incorporar os conceitos de arquitetura bioclimática e conforto ambiental desde o início do processo de projeto, é possível melhorar efetivamente o desempenho energético do edifício sem gerar prejuízos conceituais ou estéticos. Neste artigo apresenta-se o processo metodológico adotado na proposta de projeto para o Centro Político e Administrativo do Governo do Estado do Maranhão, tendo por base princípios de arquitetura bioclimática que, juntamente com os requisitos de conforto, foram fundamentais na elaboração do projeto. Embora as estratégias adotadas respondam a múltiplos aspectos, os elementos que foram incorporados por seu aspecto funcional foram refinados posteriormente em seu aspecto estético, e os elementos incorporados por função estética foram otimizados para cumprir um bom desempenho funcional e ambiental. A metodologia projetual incluiu reflexões sobre a arquitetura bioclimática desde as primeiras etapas do processo, orientadas para alcançar soluções para problemas funcionais e técnicos, buscando requisitos de sombreamento, iluminação e ventilação, aliados à soluções estéticas. O partido de projeto adotado guiou as decisões projetuais em função das condicionantes ambientais, partindo da premissa de que não seria adequado que critérios estéticos fossem preponderantes sobre critérios bioclimáticos. Em função disto, partiu-se de uma análise aprofundada do clima de São Luís e da identificação das estratégias mais adequadas para o projeto de duas edificações: um edifício garagem e um edifício para as secretarias.Também foi realizado um estudo do Código de Obras e do Plano Diretor do Município, com o intuito de adequar a proposta às leis vigentes.

Este artigo aborda a aplicação das estratégias bioclimáticas adotadas para o edifício das secretarias, que foi projetado pela equipe e posteriormente detalhado. CARACTERIZAÇÃO DA PROPOSTA A cidade de São Luís está localizada a 4m do nível do mar, na latitude 2º31', e longitude 44º18', na Região Nordeste do Brasil. Possui clima tropical quente e úmido, com uma temperatura média do ar de 26,1°C, e temperaturas médias máximas de 30,4ºC e mínimas de 23,2ºC. De acordo com a norma brasileira NBR 15.220-3 (ABNT, 2005), São Luís está inserida na Zona Bioclimática 8 (ZB8), e possui como recomendações projetuais o aproveitamento da ventilação cruzada, considerando o entorno e os ventos predominantes da região, como o vento vindo da direção Nordeste que possui maior frequência de ocorrência. Além desta estratégia passiva de conforto térmico, a NBR 15.220-3 também recomenda para a ZB8 a utilização de resfriamento artificial, para aliviar a sensação de calor em determinados momentos do dia. Essas condicionantes podem ser vistas na Figura 2, que mostra a carta solar para a latitude 2º, o diagrama bioclimático e a rosa dos ventos para a cidade de São Luís. a)

b)

c)

FIGURA 2: a) Carta da trajetória solar para a Latitude 2º; b) Carta bioclimática para a cidade de São Luís; c) Rosa dos ventos para a cidade de São Luís. Fonte: a) Software Analysis Sol-Ar; b) Lamberts et al. (2014); c) Software Ecotect.

Com a intenção de evitar problemas com abastecimento de água no complexo, foram recomendadas na proposta alternativas para captar e guardar a água da chuva, de maneira que essa água possa ser utilizada na irrigação de jardins, na limpeza dos edifícios e para uso em equipamentos de baixo consumo de água. O potencial de captação de água da chuva foi estimado utilizando o software Netuno, desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC (GHISI et al., 2011).

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

109


ARTIGOS CIENTÍFICOS

O sistema de iluminação artificial foi projetado com o objetivo de reduzir o consumo de energia, por meio da divisão dos circuitos em áreas menores e aproveitamento da iluminação natural. O controle da iluminação artificial foi feito por meio de um sistema regulador, baseado nos valores da luz natural, com um nível mínimo de iluminância de 500 lux no plano de trabalho. Nas fachadas foram utilizados módulos com perfis horizontais e painéis fotovoltaicos, a fim de proteger grandes superfícies envidraçadas da radiação solar direta. Os painéis fotovoltaicos também foram utilizados nas coberturas para gerar energia elétrica a partir da radiação solar. A eficiência energética da edificação foi avaliada segundo a metodologia do RTQ-C, analisando-se a envoltória do edifício, o sistema de iluminação artificial e o sistema de condicionamento de ar, além de estratégias para reduzir o consumo de energia e de água do edifício. Para as simulações computacionais realizadas ao longo do processo, foram utilizados os softwares EnergyPlus, Ecotect e Daysim. Esses softwares permitiram que fosse avaliada a conveniência de diferentes aspectos construtivos e auxiliaram no processo de tomada de decisões. Para a realização das simulações, dois modelos foram considerados: a) um caso de referência, que opera com a iluminação artificial e o sistema de condicionamento de ar durante o período de ocupação; b) um caso que leva em conta a integração da iluminação natural e artificial com ventilação híbrida, alternando entre a ventilação natural e o sistema de condicionamento de ar, com o propósito de garantir temperaturas internas dentro dos limites de aceitabilidade de 90% de conforto térmico (indicado pelo modelo adaptativo da norma ASHRAE 55, 2013). A iluminação natural foi analisada pelo software Daysim de maneira integrado com o software EnergyPlus; baseado na pesquisa de Nabil e Mardaljevic (2006), utilizou-se o fator de luz diurna como índice de rendimento da iluminação natural. Os materiais dos componentes de vedação verticais e horizontais foram definidos de maneira que se adequassem ao Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos, RTQ-C (BRASIL, 2010), e também aos requisitos exigidos pela Norma de Desempenho 15.575 (ABNT, 2013) para a Zona Bioclimática 8. Esses requisitos referem-se aos valores de transmitância térmica e absortância solar estabelecidos como limites no RTQ-C e na Norma de Desempenho. ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS ADOTADAS As estratégias bioclimáticas adotadas no projeto proposto, bem como a descrição sobre como foram analisadas, serão 110

descritas a seguir. A proposta final, em etapa de anteprojeto arquitetônico, aparece representada na Figura 3. a)

b)

c)

FIGURA 3: Perspectivas do complexo: a) Vista a partir do nível do pedestre, a Sudeste; b) Vista a partir do nível do pedestre, na rua interna a Sul; c) Vista aérea do complexo. FONTE: Material produzido pelos autores.

PLANO DE MASSA PROPOSTO O espaço aberto do complexo, conformado pelos edifícios existentes e pelos edifícios propostos, oferece boas condições de sombreamento, o que permite a criação de locais agradáveis para caminhar e permanecer. A baixa ocupação no térreo dos edifícios e a disposição das árvores propostas, permitiram gerar áreas que favorecem a circulação do vento (Figura 4a). A Figura 4b mostra em azul as zonas com poucas horas de radiação solar, e em vermelho as zonas onde incide a maior quantidade de radiação. Na Figura 4c, as zonas em azul indicam os espaços com maior movimento do ar, considerando ventos procedentes do Nordeste (maior frequência de ocorrência) com uma velocidade média de 3,33 m/s. ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS ADOTADAS NOS EDIFÍCIOS PROPOSTOS O CONTROLE DE RADIAÇÃO SOLAR NAS FACHADAS A orientação das maiores fachadas dos edifícios propostos, são para Norte e Sul, diminuindo a exposição à radiação solar direta e aumentando o aproveitamento da iluminação natural nos espaços internos (Figura 5a). A incidência solar é controlada por meio de perfis metálicos que variam segundo a fachada na qual estão inseridos, formando um ângulo vertical de proteção de 60º na orientação Leste-Oeste, e um ângulo vertical de 30º na orientação Norte-Sul (Figura 5b). Foram propostas quatro modulações de perfis, com o intuito de gerar espaços para terraços e pérgolas nas fachadas Leste e Oeste, enriquecendo o desenho de fachada com diferentes combinações de elementos e, ao mesmo tempo, mantendo o ângulo solar desejado.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


proposta foi implantada no eixo longitudinal Leste - Oeste, possibilitando o aproveitamento de maneira mais eficiente do vento com maior frequência de ocorrência, o Nordeste (Ne), para ventilar naturalmente os espaços internos (Figura 6b). Prevendo momentos em que os ventos possuam baixa velocidade, ou para espaços que não estejam nas plantas livres, as fachadas em vidro possuem elementos móveis em diferentes alturas, permitindo que o ar se mova a partir da diferença de temperatura entre o interior e o exterior do edifício das secretarias. As janelas são controladas por um sistema automatizado, que permite abri-las quando o ar externo estiver com uma temperatura adequada e/ou não estiver entrando chuva no interior. Além disso, esse sistema permite que exista ventilação noturna a fim de resfriar o ar interno inclusive quando o edifício proposto para as secretarias não esteja em uso.

FIGURA 4: Vistas, em planta, de todo o complexo, com a inserção das duas edificações propostas: a) Proposta de implantação; b) Desempenho da radiação solar; c) Desempenho da ventilação natural com ventos de maior frequência de ocorrência. FONTE: Material produzido pelos autores

Quando a ventilação natural não for adequada, seja devido às altas temperaturas, ou pelo fato de estar chovendo, o edifício se resfria por meio de um sistema de condicionamento de ar com distribuição por baixo do piso (Figura 6c). Este sistema resfria de maneira eficiente os ambientes internos, permite controlar a quantidade de ar fornecida nos diferentes espaços de um mesmo pavimento e reduz o consumo de energia. Conforme as simulações conduzidas, a alta eficiência dos dispositivos de sombreamento auxilia na redução do ganho de calor dos edifícios. Na Figura 6d, pode-se ver a distribuição da exposição solar direta em uma média anual dia-hora entre 07:00h - 17:00h. Nota-se que, nas zonas em cores quentes, apenas uma porcentagem da planta está exposta à radiação solar. Figura 6: a) Circulação interna do vento em planta livre do edifício proposto; b) Aumento da exposição das fachadas ao vento; c) Estratégias passivas e ativas para conforto térmico; d) Exposição interna ao Sol, em planta livre do edifício proposto. Fonte: Material produzido pelos autores. ESTRATÉGIAS DE ILUMINAÇÃO INTERNA

FIGURA 5: a) Exposição das edificações do complexo à radiação solar; b) Elementos de sombreamento nas fachadas Leste-Oeste e Norte -Sul. FONTE: Material produzido pelos autores.

ESTRATÉGIAS TÉRMICAS PASSIVAS E ATIVAS O projeto contempla estratégias para condicionamento térmico em função das condições climáticas externas e dos requisitos internos. As fachadas do edifício proposto para as secretarias, têm janelas dispostas de maneira que é possível obter ventilação cruzada no interior da edificação. Para facilitar essa estratégia, foi proposto um desenho de planta livre na maioria dos pavimentos do edifício (Figura 6a). A edificação

A distribuição espacial interna deu-se em função da disponibilidade de luz natural, localizando-se os espaços de ocupação permanente nas zonas com altos níveis de iluminação, e as zonas de ocupação transitória localizadas no centro dos pavimentos do edifício proposto para as secretarias. Na Figura 7 pode-se ver a iluminância útil da luz do dia (UDI), em um pavimento com planta livre deste edifício proposto. Os resultados de UDI expressam com que frequência a iluminação natural é aproveitada no plano de trabalho (essa frequência pode ser, por exemplo, porcentagem do ano de trabalho, ou o período de ocupação). Valores de iluminância menores do que 100 lux,

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

111


ARTIGOS CIENTÍFICOS

representam uma queda na faixa útil; entre 100 e 2.000 lux tem-se a faixa útil; acima de 2.000 lux se excede a faixa útil, o que pode causar ofuscamento (Nabil e Mardaljevic, 2006).

FIGURA 6: a) Circulação interna do vento em planta livre do edifício proposto; b) Aumento da exposição das fachadas ao vento; c) Estratégias passivas e ativas para conforto térmico; d) Exposição interna ao Sol, em planta livre do edifício proposto. FONTE: Material produzido pelos autores.

A Figura 7a mostra que apenas uma pequena zona central (em azul escuro) apresenta UDI insuficiente em mais de 15% do ano de trabalho (tempo em que a edificação estará ocupada). A maior parte do pavimento tem UDI na faixa útil, com aproximadamente 85% da área (Figura 7b). A faixa útil excessiva de UDI ocorre na fachada por um curto período (Figura 7c). Deste modo, o edifício pode operar com iluminação natural na maioria dos espaços. Potencial para captação de energia e água e a geração local de eletricidade O consumo de energia foi estimado por meio de simulações nos programas EnergyPlus e Daysim. A geração de energia, fornecida pelas placas fotovoltaicas, foi estimada pelo programa computacional EnergyPlus, que compara um caso base de referência com a situação proposta para projeto. O consumo de energia comparativo nestes dois casos, e também a geração de energia solar (pelas placas fotovoltaicas), podem ser visualizados na Figura 8. Em relação ao caso de referência, verifica-se que a proposta de projeto apresenta um potencial de economia de energia de até 65% com iluminação artificial (utilizando-se a iluminação natural) e até 37% com condicionadores de ar (utilizando-se ventilação híbrida). As condições térmicas internas foram estabelecidas em projeto de acordo com a ASHRAE 55 112

(2013). O potencial de economia energética, considerando o consumo total, alcançou um valor igual a 36% (Figura 9).

FIGURA 7: Pavimento tipo do edifício proposto: a) Faixa UDI insuficiente; b) Faixa UDI útil; c) Faixa excessiva de UDI. FONTE: Material produzido pelos autores.

FIGURA 8: Consumo de energia do caso referência e do projeto proposto, com as estratégias propostas e a geração de energia solar fotovoltaica. Fonte: Gráfico produzido pelos autores.

FIGURA 9: Potencial para economia de energia por meio da utilização da iluminacão natural, ventilação híbrida e demais estratégias bioclimáticas. FONTE: Gráfico produzido pelos autores.

Os sistemas solares fotovoltaicos propostos, integrados à edificação proposta, podem ser ligados à rede pública de

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


energia com um bom potencial de geração de energia ao longo do ano. Em média, 90% da energia consumida por essa edificação pode ser gerada pelos painéis fotovoltaicos (Figura 8). A menor geração ocorre durante o mês de Maio, enquanto que, em alguns meses, a energia gerada supera o consumo estimado, chegando a 121% no mês de Setembro. Essa energia excedente (aproximadamente 45.000kWh para o mês de Setembro), poderia ser comercializada com a concessionária de energia da cidade de São Luís, a Companhia de Energia Elétrica do Maranhão (CEMAR). Durante os períodos nos quais os edifícios estejam desocupados (finais de semana e férias), seria possível vender à CEMAR o total de energia gerada pelo sistema fotovoltaico. Com as estratégias de aproveitamento da água da chuva nas edificações do complexo, o potencial de economia de água que pode ser alcançado com irrigação e limpeza, é de 71%. Com os volumes pré-dimensionados dos reservatórios, foi estimado que em aproximadamente 71% dos dias do ano a demanda de água, para estes usos, poderia ser resolvida. Em 29% dos dias restantes, seria necessário o consumo de água potável. Isto deve-se ao fato de que o regime de chuvas em São Luís é regular, com poucas precipitações em Agosto e Novembro (Figura 10).

solar fotovoltaica e inovações tecnológicas. O projeto contemplou, como bonificação, a redução do consumo de água por meio do aproveitamento das águas pluviais, a geração de energia elétrica através de placas fotovoltaicas e o aproveitamento de iluminação natural. As estratégias adotadas no projeto permitiram ao edifício analisado atingir Etiqueta A PROCEL Edifica, nível máximo de classificação de eficiência energética segundo a metodologia do RTQ-C.

FIGURA 11: a) Etiqueta RTQ-C para o edifício proposto; b) Edifício avaliado. FONTE: a) Brasil (2010); b) dos autores.

A respeito das variáveis avaliadas pelo RTQ-C, fez-se algumas considerações: • Envoltória: a abertura contabilizada no Percentual de Abertura de Fachada Total (PAFt) foi a parcela envidraçada, vista ortogonalmente pelo vão dos painéis solares fotovoltaicos. Não foram projetadas aberturas zenitais, atendendo os pré-requisitos específicos do RTQ-C.

FIGURA 10: Precipitação pluviométrica mensal e indicação dos meses em que a demanda de água é satisfeita pelo uso da água da chuva. FONTE: Gráfico produzido pelos autores.

ETIQUETAGEM DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A avaliação da eficiência energética para o edifício proposto para as secretarias, foi realizada por meio do Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C), lançado pelo Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e desenvolvido pelo Laboratório de Eficiência Energética em Edificações, da Universidade Federal de Santa Catarina (LabEEE-UFSC) no ano de 2008. As Figura 11a e 11b mostram a etiqueta de projeto, conforme o RTQ-C, e uma imagem da edificação proposta para as secretarias, que foi etiquetada. A análise realizada considerou a envoltória, o sistema de iluminação artificial e o sistema de condicionamento de ar, além de bonificações pelo uso racional de água, energia

• Sistema de Iluminação Artificial: o sistema de iluminação indicado atende os critérios para garantir o nível de eficiência A pretendido, com as seguintes características: divisão de circuitos, contribuição de luz natural, desligamento automatizado do sistema de iluminação artificial. O controle da iluminação artificial foi realizado por um sistema de dimmers, baseado nos valores de iluminação natural, sendo o nível de iluminância mínimo a ser garantido de 500 lux. Foram escolhidas luminárias com aletas e refletores metálicos, com 4 lâmpadas fluorescentes T5, de maneira a garantir densidades de potência instaladas menores de 10,5 W/m², que é o limite para ambientes com uso de escritório com planta livre. • Sistema de Condicionamento de Ar: foi adotado o sistema de fluxo refrigerante variável (VRF), um sistema de ar-condicionado central, do tipo multi-split, onde uma unidade externa é ligada a múltiplas unidades internas, que operam individualmente por ambiente.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

113


ARTIGOS CIENTÍFICOS

• Bonificação: para a redução do consumo de água, a edificação analisada conta com aproveitamento de água da chuva para abastecer sanitários e jardins, bem como a utilização de equipamentos eficientes, garantindo economias superiores a 40%. Para a energia fotovoltaica, o sistema projetado conta com uma economia superior a 10%. O aproveitamento da luz natural gera economia superior a 30%.

Considerações Finais Pode-se considerar que a proposta final de projeto alcançou resultados satisfatórios do ponto de vista do projeto bioclimático, conforme as análises descritas e a avaliação realizada para obtenção da etiqueta de eficiência energética do RTQ-C, para edifícios comerciais, de serviços e públicos. Avaliou-se que a integração obtida entre os três escritórios de arquitetura que desenvolveram a proposta, baseados em conceitos de conforto ambiental e eficiência energética, foi decisiva para que o projeto proposto conquistasse o 5º lugar dentre os 39 projetos enviados, obtendo resultados satisfatórios no que diz respeito à qualidade formal, estética, técnica e funcional.

de 17 de Setembro de 2010. GALAFASSI, M.; PEREIRA, F. O. R. Energy Efficiency Regulations and the Process of Architecture Design of Buildings. In: PLEA Conference. Munich, 2013. GHISI, E.; CORDOVA, M. M.; ROCHA, V. L. NETUNO 3.0 Programa Computacional. Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Civil. 2011. Disponível em: <http://www.labeee.ufsc.br>. Acesso em: 30 Jan. 2015. KOVACIC, I.; FILZMOSER, M.; DENK, F. Interdisciplinary design: influence of team structure on project success. In: Social and Behavioral Sciences. 2014. v. 119, p. 549-556. LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. 2ª ed. São Paulo: PW, 2004. 188 p. NABIL, A.; MARDALJEVIC, J. Useful daylight iluminances: a replacement for daylight factors. In: Energy and Buildings. Oxford: Elsevier, 2007. v. 38, nº7, p. 905-913.

Referências Bibliográficas ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220-3: Desempenho Térmico de Edificações - Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Rio de Janeiro, 2005. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações Habitacionais - Desempenho. Rio de Janeiro, 2013. Analysis Sol-Ar - Programa Computacional. Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Civil. 2011. Disponível em: <http://www.labeee.ufsc.br>. Acesso em: 30 Jan. 2015. ASHRAE - AMERICAN SOCIETY OF HEATING, REFRIGERATING AND AIR-CONDITIONING ENGINEERS. ANSI/ASHRAE Standard 55: Thermal Environmental Conditions for Human Occupancy. Atlanta, 2013. BRASIL. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. RTQ-C: Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos. Portaria nº 372

114

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI


CORPO DOCENTE UNIVALI 2015/02 CAMPUS BALNEÁRIO CAMBORIIÚ ADRIANO MEIRA, Me. AÍLTON DOS SANTOS JUNIOR, Dr. ALCEMIR MEDEIROS DA SILVA, Esp. ALESSANDRA DEVITTE, Me. ALESSANDRA PACHECO CAVALHEIRO, Me. ANA CAROLINA LOZOVEY, Esp. ANDREA AGUIAR KASPER, Dr. ANDREA LUIZA KLEIS PEREIRA, Me. ANA PAULA MAGALHÃES JEFFE, Me. ANÍBAL ALEXANDRE CAMPOS BONILLA, Dr. CAMILA CESÁRIO PEREIRA DE ANDRADE, Me. CARLOS ALBERTO BARBOSA DE SOUZA, Me. CARLOS EDUARDO DE BORBA, Esp. CAROLINA ROCHA CARVALHO, Me. CAROLINA PINTO, Me. CAROLINA SCHMANECH MUSSI, Me. CECILIA MARIA SERRA GARCIA, Esp. CRISTIANO OLINGER, Me. DANIEL KROBEL, Esp. DIVA DE MELLO ROSSINI, Dr. EDUARDO BAPTISTA LOPES, Me. ELIANE MARIA BENVEGNÚ, Me. ELZA APARECIDA DE OLIVEIRA, Esp. EVANDRO ROCHA GASPAR, Esp. EVARISTO MARCOS DA SILVA, Me. FRANCISCO ANTONIO DOS ANJOS, Dr. GILCÉIA PESCE DO AMARAL E SILVA, Dr. GISELLE CARVALHO, Me. GUILHERME GUIMARÃES LLANTADA, Me. HELOÍSA FIGUEIREDO MOURA, Esp. IRINEU GALLO JUNIOR, Esp. JÂNIO VICENTE RECH, Dr. JOÃO LUIZ PACHECO, Me. JOSÉ ANGELO CASAGRANDE MINCACHE, Esp. JOSILDETE PEREIRA DE OLIVEIRA, Dr. JULIANO DARÓS AMBONI, Me. KARINE LISE SCHAFER, Me. KÁTIA MARIA VÉRAS, Me. LAÉRCIO ANTONIO BRAGGIO, Me. LETÍCIA LA PORTA DE CASTRO, Me. LISETE TEREZINHA ASSEN DE OLIVEIRA, Dr. LUCÉLI OLIVEIRA DE ALMEIDA, Esp.

LÚCIA INÊS TEIXEIRA FERNÁNDEZ, Me. LUCIANA NORONHA PEREIRA, Me. LUCIANO PEREIRA ALVES, Me. LUCIANO TORRES TRICARICO, Dr. LUÍS VINÍCIUS MUNDSTOCK PORTO DE SOUZA, Me. LUIZ CLAUDIO MAZZOLA VIEIRA, Me. LUIZ EDUARDO DE ANDRADE, Me. MARA LUCIA ADRIANO BUENO, Me. MARCELO GALAFASSI, Me. MARCIA DO VALE PEREIRA LOCH, Dr. MARCIO BITTENCOURT, Me. MARCOS PAULO BERRIBILLI, Esp. MARCOS ROBERTO DALPIAZ, Esp. MARIA CRISTINA BITTENCOURT, Dr. MARINA MARTINELLI DUARTE, Me. MARINA OTTE, Me. MARSHELL FERREIRA ALMEIDA FERRAZ, Me. NELSON SARAIVA, Dr. PEDRO ERNESTO ANDREAZZA, Me. RAFAEL ALVES CAMPOS, Me. RAFAEL PRADO CARTANA, Me. RUDNEI CARLOS SCARANTO DAZZI, Me. STAVROS WROBEL ABIB, Dr. TAIANA POLI, Me. TIAGO DELL'AGNOLO, Esp. UMBERTO GRANDO PAGANELLA, Me. CAMPUS FLORIANÓPOLIS ADRIANO MEIRA, Me. ANNA FREITAS PORTELA DE SOUZA PIMENTA, Me. CAMILA CESÁRIO PEREIRA DE ANDRADE, Me. EVANDRO ROCHA GASPAR, Esp. GUILHERME GUIMARÃES LLANTADA, Me. LISETE TEREZINHA ASSEN DE OLIVEIRA, Dr. LUIZ EDUARDO DE ANDRADE, Me. MARCOS ROBERTO DALPIAZ, Esp. MARIA CRISTINA BITTENCOURT, Dr. MARCELO NUERNBERG SCHROEDER, Me. MARSHELL FERREIRA ALMEIDA FERRAZ, Me. RAFAEL PRADO CARTANA, Me.

ARKHÉ | REVISTA DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO – UNIVALI

115


FORMAÇÃO E ATRIBUIÇÃO PARA REALIZAR SEU CONFIE EM QUEM TEM PROJETO ARQUITETÔNICO FORMAÇÃO E ATRIBUIÇÃO DE CONSTRUÇÃO E REFORMA. PARA REALIZAR SEU ARQUITETO A DIFERENÇA. PROJETOFAZ ARQUITETÔNICO DE CONSTRUÇÃO E REFORMA.

ARQUITETO FAZ A DIFERENÇA.


ARKHÉ | 02

REVISTA DE ARQUITETURA E URBANISMO — UNIVALI


Revista Arkhe # 02_2015